segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Boas Festas - Minha Mensagem

Amigos e Amigas,

O ano acabou. A sensação que sinto é de que nem chegou a envelhecer porque passou muito rápido. 
Talvez seja um sentimento que aflora na velhice. 
O tempo parece correr mais depressa do que o normal.
Uma coisa é certa: 2014 foi um ano de muitas emoções. 
Das emoções desportivas às políticas, estas últimas produzindo as mais fortes pelo caráter de escandalosas. 
Mas, como tudo passa nesta vida, cá estamos nós mergulhados nas tradicionais emoções 
do tempo das festas de fim de ano.
Neste clima que normalmente nos envolve, estas horas, elevemos nossos corações 
e espírito de fraternidade para exercitar gestos que mais nos aproximem do Deus Menino, Jesus Cristo, festejado. Sejamos, ao menos agora, cristãos! 
Mais solidariedade, mais honestidade e amizade. 
Mais amor nos atos e nas palavras. 
Mais harmonia para um mundo ainda carente de paz.

Com todo meu apreço e gratidão por tê-los comigo o ano inteiro, 
recebam meus melhores votos de 


O Blogueiro aproveita a temporada de festas para fazer uma pausa. 
Quando janeiro chegar novas postagens serão feitas e, como sempre, 
contando com suas visitas.

Boas Festas e Boas Férias!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SUDENE: Minha Escola

No dia 15 passado completaram-se 55 anos de criação da SUDENE. Participei de um almoço com companheiros da chamada velha guarda da Autarquia reunida para lembrar o fato.  Muitas cabeças pensantes, de uma época de ouro do Planejamento Regional, compareceram para rememorar seus feitos e “trocar figurinhas” avaliando os resultados que hoje são exibidos.
Sai desse almoço contente por haver confraternizado com velhos companheiros de labuta e, ao mesmo tempo, lamentando o atual estado da arte que construímos a duros sacrifícios, em tempos politicamente difíceis e de poucos fios para recompor um tecido sociopolítico esgarçado.
Entrei na SUDENE muito jovem. Recém havia chegado aos meus dezoito anos de idade. Sequer havia prestado vestibular à Universidade. Na minha casa a lei era dura e prevalecia a sabedoria popular que ditava: “quem não trabalha não come!” Tive sorte. Levado pelas mãos de um alto funcionário da Autarquia fui admitido – após uma fase de capacitação e avaliação – como técnico de nível médio. Comecei como desenhista num departamento que tratava de definir e traçar a infraestrutura rodoviária regional. Fiz treinamento, vejam só, até no exterior para melhor exercer minha função. Naquela época, minha intenção era seguir a carreira de Arquiteto, por isso que ser desenhista parecia ser o ideal. Contudo, influenciado fortemente pelo ambiente que passei a vivenciar, terminei me interessando pelos temas relativos aos problemas econômicos regionais. Não deu outra... fiz vestibular de Ciências Econômicas, sai-me muito bem e pouco tempo depois virei Economista da SUDENE. O resto dessa história é sabida sobretudo pelos  que me conhecem.
Vi a SUDENE crescer, produzir bons resultados e se projetar no Brasil e no resto mundo como sendo uma das mais competentes agencias de desenvolvimento regional daqueles tempos. Participar ativamente dessa experiência foi cursar o melhor dos cursos. Lá, aprendi tudo que as Universidades por onde passei não me ensinaram. Décadas depois, vi também o fim melancólico que ocorreu em 2001, quando já me encontrava aposentado.
Olhando pelo retrovisor, vejo com clareza que a SUDENE dos meus tempos – não esse arremedo que aí está tentando sobreviver – se constituiu, durante 40 a 45 anos, na maior escola da formação de profissionais diferenciados e dedicados, com afinco, à promoção do desenvolvimento socioeconômico regional deste País. Inúmeros foram os valores que de lá saíram para contribuir com o sucesso de intervenções governamentais em outras  áreas deprimidas do Brasil e do exterior.
Ao longo dos tempos a sigla SUDENE se tornou uma senha para o sucesso. Tenho muito orgulho de haver usufruído desse sucesso. Dentro do Brasil ou nos vários países por onde passei, em missões técnicas ou empresariais, esta senha abriu-me as melhores portas. Pensando bem, ainda abre! Hoje, porém, tenho que reconhecer que tudo isso é passado. Fecharam a Escola. Mas, afinal, a missão foi ou não cumprida? Disparidades inter-regionais persistem neste país? E as intra? Eis aí uma formidável questão a ser explorada.
Bom, indiscutivelmente, tudo neste mundo é finito. E, pelo visto, foi assim que julgaram ser a SUDENE. Por uma vontade política discutível, em 2001,deram por encerrados os trabalhos. Portas fechadas e pessoal redistribuído, a Casa da Inteligência Regional deixou de existir. Fala-se que seu acervo documental tem sido gradativamente destruído, num perverso apagar de memórias técnicas que somente num país como o nosso é permitido. Até o monumental edifício sede - propriedade da Autarquia - perdeu os letreiros garbosos e, ao invés disso, colocaram o do Tribunal Regional do Trabalho que ocupa a área antes sede da SUDENE.
Depois, num gesto “generoso” e de cunho meramente político Lula, o Presidente, reabriu a Sudene, em dimensões minimizadas, através da Lei Complementar 125/2007. O que lá existe é um pretenso modelo de agencia de desenvolvimento, onde funciona, tão somente, o núcleo burocrático de programas sem os alcances do passado e destinados a calar uma resistência teimosa de alguns idealistas na incansável luta pelo resgate do status do passado. A pergunta que não cala é: foi certa a decisão política de fechar a SUDENE?
Pelo mesmo espelho retrovisor de antes, lembro-me de uma das minhas passagens por Paris, ocasião em que me encontrei com o perito das Nações Unidas, o francês Jean Pierre Barriou. Ele havia estado, pouco antes, em missão oficial aqui na SUDENE. Barriou me garantiu que sugeriu uma SUDENE revendo sua missão. Muitas das funções que “penduraram”, ao longo dos anos, na estrutura da Agencia não se coadunavam com a missão que lhe fora confiada originalmente. Urgia reduzir aquele gigantesco organograma e, com isso, reduzir seu quadro de 2.200 funcionários, para algo próximo de 200. Essa proposta não agradando aos da Casa foi “esquecida”. Quando decretaram o fim, em 2001, lembrei-me dessa conversa. Mas, atenção, o formato dessa atual SUDENE não foi o sugerido por Barriou. Paciência!
Tentando ser realista e para finalizar, considero que, na esteira do seu sucesso, a SUDENE estruturou os estados do Nordeste de forma competente para que estes tomassem um rumo virtuoso do desenvolvimento econômico, social e político. Nada mais inclusivo do que essa estratégia! Digamos que os provendo de “asas”, como se filhotes fossem, ensinou-os a voar. E voaram. Os esforços conjuntos, traduzidos pela figura de um Conselho Deliberativo atuante e politicamente forte, deram lugar às iniciativas independentes. Descobriram o caminho direto para o Planalto Central e, desse modo, perguntavam: para que SUDENE?   
Não me julgo saudosista, porém, lamento porque fecharam a minha Escola.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 


                  


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Estão de Olho!

Se há uma coisa que me incomoda, em viagem ao exterior, é ter que comentar ou explicar sobre a corrupção endêmica que existe no Brasil. É lamentável, mas, este é um assunto recorrente para quem observa nosso país a partir de uma ótica externa. Como não tenho saida , vou ao tema sem temor.
Na quarta-feira passada amanheci o dia assistindo ao noticiário da TV e tomei conhecimento sobre o ranking da corrupção no mundo, publicada pela Transparency International, que é uma entidade, com sede em Berlim (Alemanha), formada por uma Coalizão Global de Entidades que lutam contra a corrupção no mundo inteiro (Vide mais clicando em: http://www.transparency.org/) e, desde 1995, levanta a percepção da corrupção em vários países. Para calcular a nota de cada país, a ONG recorre a opiniões de entidades da sociedade civil, agências de risco, empresários e investidores sobre a percepção a respeito da transparência do poder público. Respostas processadas e consolidadas elabora-se uma tabela com uma pontuação que vai de zero (mais corrupto) a 100 (menos corrupto). Fui buscar dados oficiais nesse site e comento, a seguir, o que encontrei.
Neste ano de 2014 foram pesquisados 175 países reunindo opiniões de aproximadamente  150.000 entrevistas. O Brasil ocupa o 69º posto, com a nota 43, na referida escala a de 0 a 100. Nenhum país alcançou a media 100, isto é, sem qualquer indicio de corrupção. No topo da lista está a Dinamarca com a média 92. É lá onde se registra a menor percepção de que seus servidores públicos e políticos são corruptos. Depois vem, em segundo lugar, a Nova Zelândia, seguida, pela ordem, por Finlândia, Suécia, Noruega, Suíça, Cingapura, Holanda, Luxemburgo, e Canadá. Os Estados Unidos vem no 17º lugar igual que Barbados, Hong Kong e Irlanda. Ah! Empatados com o Brasil estão: Bulgária, Grécia, Itália, Romênia, Senegal e Suazilândia.
Brasil, com essa nota 43, e o México com 35, são destaques no relatório. O Escândalo da Petrobrás é tomado como o melhor exemplo da corrupção da nossa banda e entre os mexicanos o que chamou atenção foi a matança de mais de 40 estudantes em Iguala, pondo em evidencia a corrupção que permite a bandos de criminosos dominar instituições públicas. Ali o narcotráfico impera e muitos são os políticos reféns dos traficantes. Aprofundando minha pesquisa e para ter referenciais de comparação, procurei informações sobre outros vizinhos latino-americanos. Chile e Uruguai foram os melhores posicionados, empatados em 21º lugar, com nota 73. A nossa hermana Argentina não vai muito bem, porque alcançou o escore de 34 pontos e ocupa o 107º lugar. E, o que já era de se esperar, o mais corrupto da America do Sul é a Venezuela, com índice 19. Dá uma tristeza... Pobre América Latina!
Segundo o estudo, os países mais corruptos do mundo são Coréia do Norte e Somália, empatados com a nota 8. Quer saber do ranking por completo clique em:  http://www.transparency.org/cpi2014/results Para facilitar veja o mapa a seguir que dá uma boa ideia de como se distribui a corrupção neste mundo de meu Deus. Quanto mais vermelho mais corrupto é o país. Quanto mais próximo de amarelo menos corrupção.

Dizem os estudiosos, entre os quais antropólogos e sociólogos, que o ser humana trás no DNA traços e genes da corrupção. Qualquer um está passível de se tornar um corruptor ou se deixar corromper. Cabe à organização social de cada comunidade estabelecer regras de convivência e ordens severas para o controle do progresso social, político e econômico.
Na maioria dos casos, o Brasil em particular, a ordem social tem se revelado impotente no controle da corrupção. O que se vê, com muito cinismo e certa apatia da sociedade, são casos seguidos de assaltos ao patrimônio público e desrespeito  à sociedade.
É preciso muito exercício de ética e formação moral, na base educacional, para que se chegue próximo de um estado livre dos corruptos e honesto com sua sociedade. Além da formação básica do cidadão honesto é preciso que haja, entre outras regras: a) um sistema de transparência nas contas e nos investimentos governamentais; b) o fim da impunidade dos corruptos; c) a proteção para o cidadão que deseja denunciar corruptos e corruptores; d) financiamento público para as eleições, evitando a infiltração do crime organizado, a lavagem de dinheiro, além das disparidades de orçamentos de campanhas de candidato a candidato, levando a que bons valores sejam preteridos dando lugar a outros sem ética e sem vocação para a coisa pública, entre outras manobras espúrias.
Confesso que os resultados que conferi nessa pesquisa tomaram-me de surpresa. Sempre soube que há muita corrupção espalhada mundo afora, mas, imaginei que bem menos. Ainda bem que Estão de Olho!

NOTA: Mapa obtido da Transparency International

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O Novo Recife Antigo

Por várias ocasiões andei criticando, aqui no Blog, o abandono que o governo municipal do PT deu ao centro histórico do Recife Antigo. Foram doze anos de desprezo e marginalização da fundamental área de atração turística da cidade. Nosso cartão de visita mergulhou numa profunda escuridão naquele período!  Na esteira do abandono agregue-se um mal maior que foi a falta de cuidado com o patrimônio arquitetônico e a falência do polo turístico antes ali instalado desde na década de 90 e centrado na Rua do Bom Jesus.
Mas agora as coisas mudaram. A atual administração municipal, com o decisivo apoio do Governo Estadual, desde que assumiu, em 2012, cuidou de recuperar a vida do Bairro histórico e trazer de volta a luz e a alegria devida. Surge um Novo Recife Antigo.
Tenho por aquela área da cidade a minha melhor admiração. Vejo ali o ambiente ideal para mostrar ao visitante, ou ao nativo, as origens da cultura e dos hábitos do recifense. É a história ao vivo, de um dos berços da civilização brasileira. O próprio cenário neoclássico formado pelas bem traçadas avenidas e ruas revelam uma urbe de características históricas bem definidas e que contam muito da grandeza do povo pernambucano. Abandonar aquilo beira as raias da loucura e da ignorância. Parabenizo a atual administração municipal pelo resgate que pode se considerar histórico.
Domingo passado tive a alegria de voltar ao Bairro. Encontrei um ambiente de festa e um povo esbanjando alegria e, o melhor, orgulho da sua cidade. Gosto muito de conversar com as pessoas, e fiz isto por onde passei e de forma aleatória. O ambulante, a tapioqueira, o varredor de rua, um garçom, o engraxate, o guarda municipal e, depois, pessoas que, como eu, curtem o local. A alegria está sempre estampada e o reconhecimento pela melhoria dada pela nova Prefeitura. Todos muito orgulhosos do que fazem, oferecem e como sentem por contribuir com o movimento. O varredor de rua me confessou que fica ansioso por ser destinado para limpar aquela área. “É mais animado, Doutor. O selviço fica mais leve!” Achei essa declaração emblemática. Em minha opinião, um povo tem que, necessariamente, ter orgulho da sua cidade. Há mais vida e mais equilíbrio social quando isto acontece. Sinto que pode estar acontecendo aqui no Recife, embora que ainda haja muito a ser feito, sobretudo nos subúrbios.  
Uma vez no Recife Antigo, fiz questão de circular na recuperada região portuária. Experimentei uma fantástica sensação de bem-estar e, claro, ufania pala minha cidade. Sempre achei que aquela faixa marítima devia ser transformada num dos points mais atrativos da cidade. Vejo que agora as autoridades acertaram no alvo. Restaurantes, bares, cervejarias, cafés e pontos comerciais começam a surgir daquilo que, dois anos atrás, eram pardieiros, antro de drogados, habitantes de rua ou simples escombros legados de um porto inviabilizado e condenados ao abandono, embora que numa área nobre. Os antigos armazéns estão transformados. O padrão é internacional e lembram os píers, molhes ou cais que podem ser vistos em cidades como Miami, Buenos Aires, Belém (PA), Cidade do Cabo, Lisboa, Auckland, Sydney, entre outras.
Essas novas instalações vieram se somar à Central de Artesanato e seu complexo de bar e restaurante, ao Museu Cais do Sertão e ao Paço do Frevo que já fazem sucesso, desde antes da Copa do Mundo. Bom lembrar, ainda, que vão implantar um hotel de luxo e uma marina na mesma área portuária. Como se diz, popularmente, “vai ficar o dez!”
Parei num café e recebendo a brisa do mar, que não para de soprar, admirei ao longe o Parque das Esculturas de Francisco Brennand montado nos arrecifes e o ir e vir dos catamarãs lotados de turistas em busca de um novo olhar sobre a cidade dos rios e das pontes.
Você que ainda não andou por lá, vá correndo porque este Novo é motivo de festa. 

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens

 

sábado, 22 de novembro de 2014

André Rieu, o Rei das Valsas

Ele é querido e aplaudido por multidões ao redor do planeta. É criticado, às vezes severamente, por muitos especialistas e colegas de profissão, sobretudo na Europa. Mas, indiscutivelmente, ele é empolgante. Estou falando do maestro holandês André Rieu. Tive o privilegio de assistir um dos seus concertos realizados recentemente, aqui no Brasil, na cidade de São Paulo. Peguei a patroa pelo braço e, num dos fins de semana de Outubro, voamos até lá com o propósito único de ver esse entusiasmante animador de multidões. Da vida nada se leva... E essas coisas ajudam a levá-la. O espetáculo proporcionado é daqueles que costumamos classificar como de “lavar a alma”. O clima se instala a partir da entrada do local. Há um frisson coletivo. E falo de um coletivo expressivo porque, afinal de contas, é um público que lota um imenso local, neste caso o Ginásio do Ibirapuera, “templo” de esportes paulistano que pode receber mais de dez mil pessoas.
Precisamente na hora programada o Homem entra em cena, pela porta principal do ginásio, atravessa a plateia, seguido de um “pelotão” de músicos, por volta dos 45, a tocar e levantar o público. É uma entrada apoteótica que vai logo dando o tom do que vem pela frente. Durante mais de duas horas, o que se assiste é um festival de som, luz, imagens, vozes e danças. É contagiante.
Na verdade, mesmo não sendo um critico profissional, aventuro-me dizer que aquela orquestra de afinados músicos e harmonia invejável, sob a batuta de Rieu, domina um repertório que agrada em cheio a “gregos e troianos”. Das mais consagradas valsas vienenses – ele é chamado de Rei das Valsas – aos clássicos dos mitos europeus, enveredando por populares canções do país que visita, o que se assiste é tudo que todo mundo gosta sempre de ouvir. O Cara tem competência e é virtuoso por mesclar o erudito com o popular, além de transformar o popular em erudito, como nunca visto antes. Nesse espetáculo não há lugar para melancolias, tristezas ou desânimo. O clima é de festa do principio ao fim. A chuva de balões de ar coloridos que despenca, teto abaixo, sobre o público, no final do concerto, dá a típica nota final do espetáculo. Tem gente sorrindo, chorando de emoção, abraçando seu par ou vizinho desconhecido sentado ao lado, pulando e instintivamente dançando. Repito, é contagiante. Só mesmo num ginásio de esportes ou em praça pública. 
André Rieu nasceu na medieval cidade de Maastricht, na Holanda, de lá nunca saiu, montou residência e laboratório num belo castelo, de onde parte com sua equipe, a percorrer os cinco continentes. Nasceu de uma família de músicos. Seus pais o conduziram ao mundo da música desde cedo. Começou aos 5 anos de idade aprendendo a tocar piano e violino. Apaixonou-se pela bela professora, de 18 aninhos, e isso o entusiasmou ainda mais para seguir a carreira. O pai desejava formar um profissional mais ortodoxo, mas ele bandeou-se logo cedo para a música popular, entendendo que existem músicas boas e músicas ruins, sejam clássicas ou populares. Ele vai atrás das boas e consagradas pelo publico no passado e no presente, independente do gênero. No palco e sustentado pela sua orquestra, ele “pinta e borda” com seu magnífico violino Stradivarius, avaliado em R$ 6 Milhões, um joia rara, convenhamos. Tem um segurança especialmente  contratado para “segurar” sua joia preciosa, durante as turnês.
Rieu tem voltado ao Brasil, sempre a cada ano, desde que descobriu sua popularidade entre os habitantes de Pindorama, em 2010. Esperamos, faz algum tempo, a inclusão do Recife em uma dessas vindas. Como isso tem se revelado inviável, resolvemos ir a São Paulo. Tomara que o Geraldão seja recuperado, quando então teremos o prazer de recebê-lo nestas bandas. É um show caro devido à logística de transporte, seguros de viagem e de bens materiais, montagem de palco e cenários. Fora isto tem o guarda-roupa suntuoso, a segurança e transporte dos instrumentos, os equipamentos periféricos, hospedagem e alimentação do pessoal e tudo que se possa imaginar ser requerido para uma coisa do gênero.
Ele tem especial carinho e admiração pelo Brasil e no seu currículo consta um estágio que fez de seis meses com o Maestro Jacks Klein, no Rio de Janeiro. Isto foi na década de 70.
No repertório daquela noite em São Paulo, não posso esquecer-me de haver ouvido a execução da popular valsa Danúbio Azul, de Strauss. A plateia explodiu em entusiasmo e pôs-se a dançar. A cena, auxiliada por um recurso de imagem projetada no fundo palco, dava a impressão de que navegávamos no velho rio europeu. Mas, o homem se solta mesmo é quando abre espaço para consagradas canções como Besame Mucho, Êxodos, Granada, Zorba - o Grego e Manhã de Carnaval. Uma beleza sem fim.
Segundo ele próprio, quando percorre o mundo fica de olho em músicos, cantores e canções. A orquestra dele é uma verdadeira organização de Nações Unidas. Tem músicos e interpretes de inúmeras procedências. Do Brasil ele incorporou duas vozes belíssimas e de consagração mundial: Carmem Monarcha e Carla Maffioletti. Essas duas moças fizeram sucesso na Europa e são pouco conhecidas entre nós. Passando pela Argentina arrastou Carlos Buono, um bandeonista sensacional, que hoje integra sua orquestra. Esse portenho nos brindou, em S. Paulo, com duas páginas emblemáticas do moderno tango: Libertango e Adios Nonino, de Astor Piazzola. Ginásio à meia luz e público atento e silencioso, foi de arrepiar. Clique neste Link a seguir e sinta um pouco dessa emoção. https://www.youtube.com/watch?v=2sL3HSnvkUw
No final do concerto uma bandeira brasileira foi desfraldada e Rieu “atacou” de Tico-Tico no Fubá, Aquarela do Brasil e, numa ousadia sem limites, executou o popularíssimo “Ai se eu te pego” de Michel Teló. O Ginásio quase vem abaixo. O Cara sabe agradar. É onde reside seu sucesso.
Assim é André Rieu. Entenda esse Senhor como ele se mostra. Vale à pena assisti-lo.

NOTA: Você pode encontra no Youtube inúmeros filmes de concertos de Andre Rieu. Experimente! Por exemplo: Em São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=CgIQFvdoF9g

Nota: As fotos que ilustram o post foram obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Saidas para a Industria

Reunidos em Brasília, nos últimos dias 5 e 6 deste novembro de 2014, os industriais brasileiros – sob as asas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – deram o grito de alerta para o preocupante quadro do Setor no atual cenário econômico nacional. Aproximadamente 1.800 empresários, em sessões plenárias e específicas, além das sempre bem vindas “troca-de-figurinhas” nos intervalos para um cafezinho levantaram e colocaram em ordem de debates seus problemas e propostas urgentes.
Para inicio de conversa um referencial alarmante: a participação da indústria no PIB é de 25%, o que significa 10 pontos percentuais a menos dos registrados na década de 90. A indústria de transformação não passa dos 13%. São números desanimadores para quem atua no setor.
A Carta da Indústria 2014, publicada no final do evento abre com uma significativa expressão: “A Indústria tem pressa”.  Pressa para solucionar a questão da baixa competitividade. Pressa para voltar ser o dínamo gerador de crescimento. Pressa para contribuir efetivamente para o crescimento econômico, social e político do país. Na mesma Carta o foco sugerido é “na competitividade e governança para enfrentar os problemas”
A propósito do assunto competitividade, destaco uma recente pesquisa do Banco Mundial, “Doing Business 2015” (publicada em 28.10.14), revelando que o ambiente de negócios no Brasil continua ruim, face sua posição no 120º lugar num ranking de 189 países. Na pesquisa anterior a posição brasileira era a 123º. Uma tímida melhora neste ano. O Brasil ficou abaixo da média da América Latina. Países como Chile (41ª colocação) e Colômbia (34ª) estão bem acima. A quem se console com o fato de que o país está mais bem situado do que a Argentina (124º), vivendo uma grande recessão, e a Índia (142º). Os primeiros colocados são: Cingapura, Nova Zelândia, Hong Kong, Dinamarca e Coreia do Sul. Os Estados Unidos ocupam o 7º lugar e a China, para minha surpresa, o 90º. Surpresa porque lembro do regime autoritário reinante no gigante do Oriente.
O destaque entre os pontos negativos do Brasil e que empurra para baixo a média do país, está na demora que o investidor leva para abrir uma empresa. São necessários 83,6 dias para cumprir 11,6 procedimentos legais. É um tempo intolerável, comparado com o tomado noutros países, como o Chile onde o tempo cai para 5,5 dias. No ranking especifico, o Brasil ocupa o 167º lugar, entre os 189 países pesquisados. Haja burocracia!
Outros importantes indicadores que compõem a bateria de avaliação, utilizados nesse estudo do Banco Mundial, são: facilidade de operar no mercado local, registro de propriedade, custos da construção civil, carga tributária, proteção aos pequenos acionistas, resolução de insolvências, encargos sociais, entre os outros que jogam o Brasil lá pra baixo.
Ora, minha gente, uma pesquisa como esta expõe, de maneira desfavorável, as fragilidades competitivas do país no âmbito internacional. Um investidor estrangeiro que esteja a ponto de decidir sobre a localização de um próximo investimento produtivo no mercado internacional, inevitavelmente, sofrerá alguma influencia desses resultados publicados. E, sendo um estudo do Banco Mundial impõe respeito maior e inspira confiança.
Na Carta da Indústria, acima tratada, há um tópico sugerindo os problemas cruciais do sistema político-econômico a serem resolvidos pelo novo Governo de D. Dilma Roussef. Vejamos: a) livrar o sistema tributário das principais ineficiências; b) melhoria das relações de trabalho; c) crescentes investimentos na infraestrutura; d) evolução na política comercial com foco nos mercados estratégicos e melhor inserção internacional; e) melhorias na Educação. Resolvidos estes problemas a Indústria Brasileira pode encontrar saídas da crise que enfrenta.
Isto é sem dúvida uma formidável e objetiva proposta para quem pretende, como D. Dilma, fazer um governo voltado para a recuperação econômica e restaurar a confiança internacional do país. Vamos torcer!                

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagem.

NOTA 2: Estive em Brasília compondo a Comitiva da Federação das Indústrias de Pernambuco – FIEPE e representando o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE, no Encontro Nacional da Indústria de 2014

domingo, 9 de novembro de 2014

Circulando na Corte

Nesta semana que termina estive, por dois dias, circulando pela Corte Brasiliense. Nada de extraordinário, não fosse o período pós-eleitoral, o clima político reinante e o objetivo da minha viagem que foi participar do Encontro Nacional da Indústria (ENAI), promovido pela Confederação Nacional da Indústria – CNI. Já cheguei alimentando grande expectativa de acumular informações atualizadas do mundo político-econômico nacional. Não, necessariamente, para trazer alguma coisa para este espaço de conversa semanal, mas, principalmente por motivos profissionais.
Uma vez em Brasília, logo se nota que não é preciso correr atrás da noticia. Ela vem voando e entra por onde houver espaço, inclusive nas brechas mais exíguas. O clima de disse-me-disse é cultural e institucionalizado.  Verdades e mentiras se cruzam na maior facilidade. Fofocas e boatos são coisas de rotina. Um sujeito incauto pode ser engabelado, num instante. Por isso que, naquele “caldeirão efervescente”, trato sempre de apurar os ouvidos, abrir os olhos e com especial atenção filtrar fatos e relatos. Vamos lá.
Óbvio que o tema central da semana ainda foi sobre a reeleição apertada de D. Dilma e os apuros que ela vem sofrendo diante de uma oposição ainda no palanque, saudando feericamente o retorno do candidato derrotada no pleito, Aécio Neves, ao plenário do Senado (ele tem pela frente um mandato de mais quatro anos). Fora isso, é de se agregar uma série de outros contratempos para a Presidente reeleita, entre os quais lembro: a derrota, imposta ao Governo pela Câmara Federal, do projeto de Lei criando os conselhos comunitários, assim como a perspectiva de derrota no Senado; a contradição do aumento da taxa de juros para “conter a inflação”, uma semana após ser dita em campanha, pela candidata vitoriosa, como controlada e dentro da meta estabelecida  e, fechando a semana, a divulgação dos aumentos dos combustíveis e da conta de energia elétrica. Achei interessante quando ouvi dizer que esse conjunto de aumentos se constitui num “estelionato eleitoral”. Sim, porque de fato eram necessários, há um bom tempo, mas, somente aplicados após a vitória eleitoral. O imediatismo das correções, então, confirma melhor a urgente necessidade. As atenções agora se voltam para as consequências graves que podem advir dessas majorações de preços, porque, afinal, combustível e energia mais caros são determinantes de inflação em alta. Só nos resta rezar, com fé e muita esperança, porque o horizonte está, digamos, cinza chumbo.
Mas, se no lado econômico as coisas vão mal encaminhadas, o domínio político está cada vez mais azedo. O esforço que os petistas estão fazendo para “sustentar a peteca” é técnica, política e humanamente desafiador. Quero ver, agora, a competência dessa turma. A base aliada está rachada e prometendo rebeliões, a disputa por cargos na Esplanada dos Ministérios está acirrada, os compromissos da presidente são incontáveis, fala-se em aumento de cadeiras para ministros como se os atuais, quase quarenta, fosse um número pequeno. Nesse ambiente de disputas se pontua, com grande evidencia nacional e internacional, a difícil situação do atual Ministro da Fazenda, mais desgastado do que nunca, e a presidente não tendo um nome de consenso – entre eles – para acalmar o mau humor do mercado; noutra ponta vem o Poder Judiciário exigindo aumento para seu pessoal que, se concedido, terminará provocando num “efeito dominó” outros tantos e estourando consideravelmente a conta de despesas de pessoal do Governo, que precisa ser contida. Olhe, é um clima de total incerteza quanto ao amanhã.
Como pano de fundo, dessa atual “ópera brasiliense”, está reluzindo o Caso Petrolão. Há um estresse generalizado nas casas do Congresso Nacional, palácios e ministérios da Corte na expectativa da publicação da lista dos denunciados pelo doleiro Alberto Youseff. Várias vezes ouvi dizer que o Mensalão é “fichinha” diante desse novo escândalo. Sem nenhum sentimento de “quanto pior, melhor”, admito ser assustador. O Brasil não merece!
Diante de tantas incertezas temos mesmo que esperar o que os petistas proclamam, a toda hora: a “presidenta” pretende dialogar com todas as forças políticas para preservar a governança e o crescimento do país. “Difícil vai ser estabelecer esse diálogo. Ela é muito arredia e voluntariosa. Impõe distancias aos próprios “cumpanheiros” e os homens têm medo dela!” Ouvi de um correligionário.
Para terminar, um último comentário: é incrível como os petistas menos informados negam o fato de que a diferença de votos entre D. Dilma e Aécio tenha sido pequena. É não ter noção de matemática elementar! Dizem haver sido uma vitória retumbante. Mudaram o conceito de retumbante, assim como criaram um feminino de presidente. Mas, nem ela, a vitoriosa, nega este fato de vitória apertada. Na verdade os que estão na linha de frente sabem muito bem que foi uma verdadeira “vitória de Pirro” e que, assim sendo, vão precisar trabalhar muito e buscar se safar dos escândalos de corrupção.

NOTA: Estive em Brasília compondo a Comitiva da Federação das Indústrias de Pernambuco – FIEPE e representando o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE, no Encontro Nacional da Indústria de 2014.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rescaldo Eleitoral

A criatividade do brasileiro é inesgotável. O tempo passa, as gerações se renovam, o país muda em todos os setores de atividades, tecnologias modernas dão o toque dessas mudanças, mas, os traços culturais resistem ao tempo e acompanham as modificações socioeconômicas. Falo disso após observar o resultado final das eleições, do domingo passado. O que aconteceu aqui no Nordeste brasileiro, particularmente aqui no estado de Pernambuco, onde a candidata petista “deu um banho” de votos no seu adversário e, praticamente, garantiu sua vitória nas urnas, fez-me lembrar a velha e carcomida política do passado, na qual os velhos coronéis dominavam seus currais eleitorais e sempre saiam vencedores se perpetuando, assim, no poder. O que se observa nos dias atuais é um eleitorado refém ao PT baseado nos programas assistencialistas reunidos no popular Bolsa Família. Os atuais coronéis se tornaram mais competitivos quando explorando e refinando a capacidade criativa, nata do brasileiro, lançando mão dos modernos recursos tecnológicos tão bem representados pelas chamadas redes sociais. Rapidamente essas raposas políticas atingem em cadeia o público alvo, coibindo e até ameaçando. Multidões tremeram nas bases diante da possibilidade de perder os benefícios assistenciais adquiridos. Resultado: o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, por exemplos, foram modernas criatividades que renderam, sim, os votos necessários para manter os modernos coronéis no poder. Como os Norte e Nordeste, incluindo a deprimida região do Norte de Minas Gerais, são as áreas mais beneficiadas pelo programão petista fica fácil entender o resultado do segundo turno.
Esse resultado, contudo, vale refletir, foi o mais apertado de todas as eleições do período pós- redemocratização e da polarização PT x PSDB. Apenas 3,28 pontos percentuais separaram a candidata vitoriosa do seu opositor (Dilma 51,64% e Aecio 48,36%). Vamos e venhamos, foi por muito pouco. O “incêndio” da campanha apontava para isto, aliás.
O recado deixado pelas urnas é claro de que o país está dividido e exige um esforço titânico de D. Dilma, nesse seu segundo mandato, com vistas a conduzir o país num clima de tranquilidade e progresso como se deseja.
No seu discurso de vitória na noite do domingo a reeleita prometeu mundos e fundos e garantiu que vai buscar “construir pontes” para estabelecer a conciliação nacional necessária para que seu governo seja profícuo. Na mesma fala sublinhou a intenção de operar mudanças na gestão do país e adotar perseguição cerrada aos corruptos. Vamos ver. Com toda essa sujeira, a começar com o Petrolão e as denúncias que já surgem no âmbito da Eletrobrás, custa-me crer.
 “Governo novo, novas ideias” foi o lema da campanha vitoriosa. Eleitores ou não da candidata Dilma esperam por essas novas ideias porque, afinal, o estado no qual se encontra o Estado Brasileiro e a Economia do país urge que o prometido flua rapidamente. Para reforçar esse ideário é importante também que a mandatária reeleita não perca de vista as cobranças de mudanças de junho do ano passado: na gestão pública em geral, na tentativa de restaurar a credibilidade na administração pública, ajustes na contabilidade nacional, sem o uso dos artifícios criativos, revisão nas políticas econômica, social e fiscal, atenção especial aos setores industrial e agrícola antes que afundem de vez, mudanças na administração das tarifas dos combustíveis e energia, na política das relações internacionais (fala-se que 28 novos embaixadores esperam há oito meses ser recebidos pela presidente. Que falta de visão política!) e nos demais segmentos que fazem rodar o país.
Naturalmente que, para tudo fluir nos conformes, D. Dilma vai ter que se virar e mudar sua postura política e estabelecer um bom diálogo com o novo Congresso. Quero ver.
Bom, por enquanto é tratar de se livrar do rescaldo eleitoral. Deus nos assista.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Desafios dos Novos Governantes

O Brasil indiscutivelmente mudou nesses últimos anos. E, vou logo avisando, não falo dos recentes anos de governos do PT ou do PSDB. Falo dos anos que remontam até mesmo ao período dos governos militares. Já tenho idade suficiente para fazer esta afirmação e, além disto, trabalhei muitos anos numa agencia de desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro (SUDENE) cuja missão maior era justamente promover o desenvolvimento socioeconômico da Região. Tampouco vou rememorar longos dados historicamente deprimentes ou a evolução desses, salvo alguns poucos e de passagem, para lembrar que mortalidade infantil e geral, analfabetismo, desemprego desmedido e êxodo para regiões mais atraentes, entre outros, revelam, nos dias atuais, um quadro completamente diferente do que se dispunha nos anos 60 e 70. A SUDENE cumpriu importante papel ao mudar o Nordeste, enquanto o restante do Brasil não parou de crescer e mudar.
O advento dos programas de assistência direta das décadas recentes, hoje reunidos no Programa do Bolsa Família, se cristalizou e o brasileiro de agora difere, em muito, do de trinta anos passados. As denominadas Classes C e D já representam, agora, um forte contingente de cidadãos incluídos no cenário socioeconômico da Nação e são pessoas que por ser mais bem instruídas, gozarem de melhor saúde e saneamento, de ter um emprego e vida melhor organizada, habilitam-se a viver intensamente o dia-a-dia nacional, produzindo, participando politicamente e exigindo o que de direito.
Pensando desse modo, começo a interpretar ainda melhor o que ocorreu em junho de 2013 e fazer uma leitura mais cuidadosa daquelas reivindicações clamorosas. Não quero recordar dos oportunistas vândalos que optaram  desvirtuar a real iniciativa, saqueando e assaltando os patrimônios públicos e privados, mas, sim dos brasileiros honestos e bem intencionados que foram às ruas sem se preocupar com as matizes do colorido ambiente político-partidário.
Quando o povo organizado ganhou as avenidas das grandes cidades pedindo melhores padrões de saúde, educação, segurança, mobilidade e serviços essenciais, no padrão FIFA, estavam exercendo sua cidadania em toda plenitude.  E, veja bem, a massa humana que foi às ruas requerendo essas melhorias foi, sobretudo, formada pelos homens e mulheres das referidas Classes C e D. São pessoas que provaram do que antes não conheciam e que, agora, precisam ver aperfeiçoados e ampliados. Mais do que isso! São pessoas que já pagam impostos – diretos ou indiretos – conscientes da contribuição que dão e sabedores de que, por principio republicano, sua contribuição deve retornar em seu benefício.
É neste quadro que se instala a pesada carga que paira sobre os novos governantes eleitos, neste outubro de 2014. É nesse ponto que deve se concentrar a atenção de quem vai empunhar a caneta de governante porque, afinal, uma mudança de governo é sempre acompanhada de um rasgo de esperança para os que o escolheram. Para chegar lá, forças contrárias se empenham no debulhar de promessas e supostos compromissos diante de Sua Excelência o Eleitor. Manifestações acaloradas, comemorações, esperanças, choros, ranger de dentes e, até tragédias, são comuns nesses tempos ou foram concretos nesse ultimo embate eleitoral brasileiro.
Ora, quando chega o momento da verdade, digo, de conjugar o verbo governar, nem sempre a coisa se concretiza. Infelizmente, sejamos francos, ao que tudo leva a crer, aqui no Brasil, é que bate uma crise de amnésia no eleito,  que termina se perdendo no turbilhão de decidir, de ostentar o poder e a vaidade do cargo, embalado por diversos salamaleques e, quase sempre, se mete em muitas irresponsabilidades. Exemplos recentes são os Fome Zero e PAC do Governo de D. Dilma. O primeiro ficou no papel e o segundo é um fiasco de incompleto.  
Tomara que o novo(a) presidente do Brasil e os novos governadores estaduais, olhem, ao menos, pelo retrovisor para junho do ano passado e tomem consciência das responsabilidades reservadas aos chefes de Estado, para atender as exigências de quem tem o direito de exigir: o cidadão eleitor. Recursos não lhe faltarão. Havendo vontade política, lisura, ética, menos corrupção e muita  honestidade o sucesso estará garantido.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Tocaram fogo no circo eleitoral

Será que esse tipo de debate entre os candidatos à Presidência da República agrada aos eleitores?  Será que estão com comportamentos corretos e adequados para quem pretende sentar na cadeira maior da Nação? Tenho conversado com muita gente sobre este assunto, desde o primeiro embate na TV Bandeirante. Depois de ontem, então, diante daquele festival de agressões no SBT o questionamento mais do que nunca ganhou sentido.
Antes do primeiro turno, dia 5 passado, a coisa já se desenhava, no meu ver, de modo inadequado e pouco republicano. O massacre que o PT impôs à candidata Marina Silva, frágil nas suas ideias e no próprio físico, foi de estarrecer qualquer pessoa de são juízo. Ela, a massacrada, numa postura elegante e com ar de vestal, se controlou, não perdeu a linha e decidida a não comprar a briga manteve a linha. Resultado foi que terminou derrotada. Só que o plano dos petistas era de vencer no primeiro turno derrotando marina Silva. A dose foi tão cavalar que esqueceram o outro. A estratégia não vingou e quem ganhou com isso foi o antes tido como derrotado Aécio Neves. E como dizia vovó: “o tiro saiu pela culatra”.  
Agora, o PT agindo com seu costumeiro modo, isto é, desconstruindo a imagem do adversário e seu respectivo partido, com golpes baixos e pouco elegantes para quem pretende dirigir a República encontrou um adversário diferente dos anteriores. Aécio é bem diferente dos seus colegas José Serra e Geraldo Alckmin que não compraram a briga, foram elegantes e comedidos nas respostas aos ataques, intimidados talvez ou com medo de não atingir o populista Lula e a sua discípula Dilma. Resultado foi que perderam as eleições mesmo tendo tido chance de ir para um segundo turno e virar a mesa.       
Nesta eleição de 2014, o PT está encontrando um adversário, digamos, à altura da sua estratégia. Um candidato, que luta com as mesmas armas e vem impondo momentos amargos à candidata Dilma. Aécio tem sido inclemente ao revidar cada ataque, embora se proponha a cada inicio de debate a discutir propostas de Governo. O debate de ontem (16/10/14) na Rede do SBT foi o retrato fiel desse quadro desolador. “Tocaram fogo no circo eleitoral!” Ao vivo e a cores, diante de milhões de espectadores atônitos e incrédulos.
Mas, tentando responder a questão inicial, devo considerar que a grande maioria das pessoas – com as quais converso e troco opiniões para tecer meus comentários semanais – são frontalmente contra essas exibições estúpidas.
Ora, minha gente, o Brasil está atravessando uma conjuntura das mais delicadas. Do domínio social ao econômico, além dos estruturantes relativos à moral, à ética e à política. Uma Nação com tantas fragilidades sociais e morais, como o Brasil de hoje, tem seu futuro ameaçado e a oportunidade de corrigir é quando se elege um novo governante. Sem ética não saberemos discutir progresso social e econômico com lisura e democracia. Aos nossos dois candidatos faltam oportunidades de, nesses necessários debates televisivos, focar nas propostas de governo. Somente assim o eleitor poderá avaliar melhor cada um deles e decidir a quem conferir seu voto. Essa coisa de fuxicar a vida de cada um é coisa de comadres desocupadas, sentadas nas calçadas das cidades do interior mineiro, que deve ser um trem danado de bão prá elas. Mas para candidatos à Presidência da Republica é, no mínimo, indecente.
Propostas candidatos! É isso que estamos esperando porque o país está à beira de um colapso de energia, falta água em muitos lugares, a insegurança é calamitosa, a Educação é um desmantelo, a mobilidade e a logística são o retrato do caos, a Saúde é dramática, o crescimento econômico é pífio e vexatório, a inflação assusta e a falta de vergonha nos políticos envergonha o cidadão brasileiro honesto. Queimem o circo, tem quem curta essa. Mas, não toquem fogo no Brasil!                   


NOTA: A foto que ilustra foi obtida no Google Imagens.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Brasil merece sua melhor reflexão

Como esperado, as eleições de domingo passado, no Brasil, geraram múltiplas emoções. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, brasileiros e brasileiras se envolveram num dos processos mais disputados dos últimos tempos.
Pois é, o processo eleitoral deste ano foi, desde o inicio, permeado de lances que classifico como inusitados. Além das naturais escaramuças pré-desenhadas, aquele acidente fatal com o candidato Eduardo Campos, provocou uma tremenda reviravolta e determinou um processo ainda menos esperado.  A substituição de Eduardo pela pouco convincente Marina Silva; a luta desigual, frente aos concorrentes, da atual Presidente buscando permanecer no poder, com o óbvio apoio da máquina do Estado e  o candidato Aécio Neves se equilibrando numa “corda bamba” para levar adiante sua candidatura foram elementos que permearam o dia-a-dia dos brasileiros, nesses últimos meses. Desestimulante, para muitos que consideraram como fracas as opções de escolha e apaixonante para outros que ainda vive sob a tutela do Estado.
Percorrendo parte da cidade do Recife – onde meu domicilio eleitoral – percebi pouco entusiasmo nas fisionomias dos eleitores e ausência total do clima de festa que se registrava nas eleições do passado, particularmente após a redemocratização. Eu vivi climas eleitorais vibrantes, desde criança porque venho de uma família de políticos apaixonados. É verdade que a atual lei eleitoral inibe maiores manifestações, contudo, o povo ia às ruas sempre com mais alegria e vibração do que o visto no último domingo. Vi pessoas vestindo preto e declarando luto e repúdio à situação deplorável em que se encontra o país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, quase 20% dos eleitores inscritos não se deram ao trabalho de comparecer à seção eleitoral e isto exige uma reflexão num país em que votar é obrigação. Nas seções eleitorais do exterior o que mais se comentou foi que a coisa foi sem graça. Não que precise graça, mas, faltou entusiasmo. O eleitor está descrente, saturado dessa situação hoje reinante. 
Diante desse ambiente apático, arrisco pontuar algumas constatações pessoais:
A terceira via, mais uma vez, foi inviabilizada. A esperança estava nas mãos de Eduardo Campos. Sua substituta, Marina Silva, não mostrou capacidade, nem envergadura, para levar adiante o projeto gestado em Pernambuco. A Marina, na verdade, obteve boa votação enquanto vista como a melhor opção de arrancar o PT do Governo. Opção discutível e frágil, no meu modo de ver. Não é assim que se vence uma eleição. Faltou uma proposta programática compreensível para justificar o fim desejado. Essa estratégia vingou bem em Pernambuco e o Partido governista terminou dissolvido no estado. Não fez, sequer, um Deputado Federal, perdeu na disputa para o Senado e por haver sido incluído na coligação de apoio ao candidato de oposição ao governo estadual terminou prejudicando-o. O resultado foi catastrófico, embora que o postulante, Armando Monteiro Neto, fosse de alta densidade política e de indiscutível competência. E que nunca foi Petista.
Outra constatação: a polarização PT x PSDB volta com toda força e o brasileiro, esperançoso por uma autentica mudança, vê-se refém do “mesmismo” e de um modelo político esgotado e desmoralizado pelos sucessivos escândalos e episódios de corrupções registradas sob a égide desse governo de plantão, como amplamente denunciado, de modo clamoroso, pela massa cidadã que foi às ruas do país em junho de 2013. Isso, sem falar noutros aspectos, entre os quais o pífio desempenho econômico, a perda de importância no cenário internacional, a insegurança, a inflação, a magra rede logística do país e a indecorosa carga tributária.
O resultado das urnas mostram claramente que a candidata Dilma está longe de ser a unanimidade que ela própria disse gozar, em entrevista coletiva após divulgada a apuração dos votos de domingo passado. Ela obteve apenas 41,59%, dos votos válidos. O restante foi sufragado a favor dos candidatos Aécio Neves, com a surpreendente marca dos 33,55% e a favorita para disputar o segundo turno, Marina Silva, com 21,32%. Não me preocupei com as migalhas dos candidatos de menor envergadura. Ou seja, a candidata Presidente fez um discurso equivocado. Para levar no segundo turno vai ter que trabalhar muito. A propósito, acredito que teremos um pleito duríssimo e quem vencer vai contar com uma vantagem bem apertada.
Finalmente, vejo que nesse segundo turno, próximo dia 26, o eleitor brasileiro vai selar seu futuro e o do país ao eleger um novo(a) presidente. Depois disso, bençoe... Será um caminho sem volta. E, nessa hora, reitero o que sugeri na postagem da semana passada: dê um voto consciente. O Brasil merece sua reflexão. Agora, mais do que nunca!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 27 de setembro de 2014

Voto Consciente, uma necessidade

Estamos a uma semana das eleições gerais no país. A campanha eleitoral está chegando ao fim. As opiniões se dividem em tudo e por tudo. Muitas emoções vão rolar. Os candidatos a cargos majoritários desejando mais tempo para derramar seus proselitismos, ataques aos adversários, disseminar intrigas e mentiras ou aqueles que se candidatam por “brincadeirinha”, que são muito mais do que nós, pobres mortais – que nem eu – imaginamos, lamentando o fim das “férias”.
Mas, nada disso se compara com o que se desenha por trás do processo. Está em jogo o destino do país e isso parece não abalar a maioria da população. Apatia quase geral. Recente  pesquisa do Ibope constatou que 46% da população não está nem aí com o que se desenrola no processo eleitoral. É assustador para quem se candidata e para quem esteja preocupado com o destino do País. Preocupante porque são esses alienados que elegem um Tiririca da vida... Os críticos especialistas consideram que a presente eleição passará à História como tendo sido um processo “morno”, no qual pouco se discutiu, ou se discutiu de forma pouco convincente, o futuro da Nação.  Um processo no qual o eleitor – que deve ser visto como o personagem mais importante – se revela descrente, decepcionado e sem esperanças.
É desanimador assistir ao Horário da Propaganda Eleitoral Gratuita, pelo rádio ou TV. Qualquer cidadão diferenciado não suporta o desenrolar de tantas tolices expostas. Os jovens, então, em maioria esmagadora, abominam e a primeira coisa que fazem é desligar o receptor. Mais do que isso, criticam o baixo nível da propaganda. Tenho para mim que, desse estrato da população de eleitores, apenas os que estão engajados diretamente nas campanhas e, principalmente, os que estão ganhando uns trocados para carregar um cartaz ou distribuir um panfleto, nos cruzamentos das grandes cidades, entraram no clima.
O voto é obrigatório no Brasil e, por isso, é sabido que boa parte do eleitorado não se entusiasma e vota por cumprir a determinação legal. Sem um comprovante de haver votado, o cidadão perde uma série de direitos comuns. Nota-se que muitos não têm certeza sobre a escolha a fazer e, segundo recente pesquisa do Instituto Datafolha, 7 entre 10 eleitores não têm ideia, até agora, vésperas do pleito, em quem votar para deputado federal ou estadual. Desespero para os candidatos que entram em verdadeiras “maratonas” atrás do eleitor. Esta indecisão, em média vai de 65% a 80%, em todas as faixas etárias, segundo o referido Instituto. Ora, meu Deus, certamente que essa gente não tem consciência do que significa esse tipo de escolha. Vai ver que a grande parte dos eleitores não entende que são esses candidatos que, quando escolhidos, irão representá-los e legislar, isto é, formular normas e regras sociais a serem cumpridas no dia-a-dia de cada um. É compreensível que eleger um novo governador(a) ou um(a)novo(a) presidente ou um senador pode ser mais atrativo e visto como de maior relevância. Contudo, é muito importante, também, saber eleger conscientemente – falo de fazer uma escolha certa – aqueles que vão idealizar, formular, revisar e decidir sobre as normas sociais que determinarão os destinos dos indivíduos, as relações político-sociais dos vários domínios e que possam oferecer melhores condições de viver.
Essa alienação me faz lembrar que na última eleição municipal, em 2012, houve Prefeito eleito, aqui em Pernambuco, com votação menor do que o número de votos nulos e em branco. Francamente. Algo de errado existe nesse processo. O resultado é que, hoje, as criticas ao tal Prefeito são das mais ácidas, as denúncias de corrupção são constantes e circulando pelas ruas da cidade o que mais se vê são muros e paredes com pichações que remetam ao descalabro instalado. Por que, então, não evitar coisas desse tipo, se com o voto válido a sociedade pode avançar?
Vejam, portanto, amigos e amigas, que tipo de modelo eleitoral tem hoje o Brasil. Até quando vamos viver esta “desarrumação”?  Urge uma conscientização adequada de governantes e legisladores, povo e eleitor consciente, para empreender uma reforma política que venha ser mais honesta, mais próximo à realidade do eleitor, mais transparente e, sobretudo, mais adequada ao Brasil de hoje, no qual a democracia prevalece e precisa ser preservada.
Na próxima semana pense melhor no que vai marcar na urna eletrônica da sua sessão eleitoral. O Brasil precisa do seu voto. Diga NÃO ao voto nulo ou em branco, que muitos prometem sufragar. Que seja um voto consciente e uma escolha certa. Nessa hora, o poder está na sua mão.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

domingo, 21 de setembro de 2014

Pichação versus Grafite

Venho observando que cresce rapidamente a prática da grafitagem nas cidades brasileiras, a exemplo do que ocorre em muitos outros países. Já pude admirar, lá fora, verdadeiras obras de arte em paredões, laterais de edifícios, calçadas e monumentos, algumas, inclusive, com recursos de ilusão de ótica surpreendentes.
Aqui no Recife, onde vivo, este tipo de arte tem sido gradativamente permitida em vários setores da cidade em substituição às horrendas e arbitrárias pichações. A grande maioria é do tipo consentido pelos proprietários de imóveis, antes deteriorados devido à inevitável ação do tempo, que resultam valorizados pela arte dos grafiteiros.
Pesquisando sobre o assunto, descobri que por ignorância dos legisladores brasileiros, uma Lei de 1998 (Nº 9.605/98) punia qualquer tipo de pichação, grafite ou similares que impostos a edificações ou monumentos públicos. Considero ignorância porquanto colocava num mesmo pacote a pichação e o grafite, que são duas coisas distintas. Enquanto o primeiro tem caráter pernicioso, agride ao meio ambiente, em geral é ofensivo à sociedade ou parte desta, no final das contas, se constitui numa poluição visual das piores. São Paulo talvez seja a cidade mais prejudicada, no Brasil. Na região central da capital paulista é lastimável o que se verifica. O grafite, por seu turno, vem com mensagem bem estruturada, o autor ou autores são artistas plásticos com compromisso social, tem efeito decorativo, além de, em muitos casos, ser de caráter educativo. À vista do transeunte, o grafite exerce um indiscutível efeito que, muitas vezes, faz pausa na sua caminhada para admirar a obra de arte.
Foi o entendimento dessa distinção de naturezas que conduziu nossos legisladores a uma correção da ordem, classificando o grafite com o sendo uma ação lícita e bem vinda. Assim, a Lei Nº 12.408, de 2011, estabeleceu que o grafite fosse permitido no intuito de valorizar o patrimônio publico ou privado, carecendo do consentimento do proprietário ou das autoridades competentes quando responsáveis da preservação ou manutenção do patrimônio histórico e artístico nacional.
Resolvi, neste domingo, fazer uma caminhada fotográfica pelo Recife e registrar casos de pichações e grafites espalhados pela cidade.
Os temas dos grafites são dos mais variados e pude observar pinturas ingênuas, surrealistas, primitivistas, acadêmicas, entre outras. Conclui que há muita arte nesse domínio. Comenta-se que, dos grafiteiros, muitos bons pintores já surgiram. Ao mesmo tempo, que muitos pintores são excelentes grafiteiros.  
Dos pichadores é preferível nem comentar. Falaram-me que, na prática, são gangs que deixam mensagens estranhas, codificadas e indecifráveis para o grande publico. Alguns deixam recados ameaçadores. Disputam espaços, muitos até inusitados e de difícil acesso, além de se envolvem com o mundo das drogas. Conclusão: concreto desserviço à sociedade. 
As fotos a seguir são todas de grafites e pichações no Recife, sobretudo na zona central, inclusive no bairro histórico do Recife Antigo. Confira, a seguir, o resultado da minha andança.

 


Observe, na foto a seguir, que o pichador não respeitou, sequer, a placa indicativa da rua. Esta é apenas exemplo, porque existem muitas outras em igual situação.

 
Na foto a seguir veja que este outro pichador foi, não sei por onde, no alto do prédio e tacou sua marca. O imóvel que já estava deteriorado ficou bem pior. A lateral da Igreja Matriz da Madre de Deus, patrimônio secular da cidade está com inúmeras pichações. É uma praga! 
 
 
NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro.

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Compasso de Espera

Está ficando complicado viver o Brasil destes últimos dias que antecedem as eleições gerais no país, no próximo 5 de Outubro. As coisas estão de tal maneira embolada que só tendo muita fé em Deus para suportar o vai-e-vem da situação. Quem não for crente vai ter que recorrer ao próprio sistema nervoso. E, para isso, haja nervos... Acredito que nunca se disputou um pleito tão cheio de incertezas e surpresas. Tenho andado por aí e em algumas cidades do país e percebo a inquietação, sobretudo na classe empresarial. Não que seja esta a mais preocupada, mas porque é a que primeiro sente e, indiscutivelmente, a que promove de forma direta o progresso. A sociedade, responsável pelo tecnicamente chamado consumo das famílias já percebeu a gravidade da situação ao ver o que acontece a cada vez que vai ao supermercado ou às feiras livres e, por isso mesmo, anda cautelosa. Gastar, só mesmo com o essencial.
Inflação em alta, consumo das famílias em baixa, previsões de PIB cada vez menor, demissões crescentes, indústrias fechando e, como pano de fundo, é claro, ambiente político incerto e a eclosão de uma corrupção escandalosa a cada semana. Este é o quadro geral da situação.
Estes últimos dias andei por Salvador e Fortaleza, onde conversei com empresários que se revelaram pessimistas e preocupados com o momento econômico. Têm medo de investir, na atual conjuntura. Parou tudo e ninguém se atreve a arriscar. “O dinheirin que já vem curtin há algum tempo tem que ser poupado à espera do fim dessas “trovoadas”, que só Deus sabe quando passam”, ouvi de um experiente empresário cearense. Na Bahia a coisa não é diferente. Todo mundo no compasso de espera. “O telefone anda mudo e emails com encomendas desapareceram”, ouvi de alguém.  De um líder empresarial paulista escutei, esta semana, lamúrias ainda maiores. Segundo ele, a indústria de bens de capital do Brasil está sufocada e fadada a desaparecer. Faltam condições de crescer, de investir em novas tecnologias para aumentar a produtividade, de competir num mercado globalizado e viver à mercê do cambio desfavorável com o Real superapreciado. Isso tudo sem falar da logística capenga, dos juros indecorosos e do esquema tributário satânico. Quem produzia máquinas e equipamentos de sucesso, no passado recente, não tem tido outra alternativa a não ser importar máquinas Made in China, aplicar uma etiqueta com a sua marca e vender. Ou seja, virou um mero maquiador de produtos e simples comerciante. Resultado: demitiu seus muitos colaboradores do chão de fábrica, montou um ponto comercial, ao mesmo tempo em que vem sustentando empregos na China. É desse modo que estamos assistindo – passivamente – a chamada desindustrialização do país. Tudo fruto de uma política econômica falha, conduzida por incompetentes de plantão no poder que, mesmo se dizendo preocupados com o social, são totalmente míopes para esta cruel realidade enxergada a “olho nu” por qualquer profissional de bom senso, no Brasil e no exterior. Eles, esses incompetentes, sabem muito bem o que quer dizer Custo Brasil, mas faltam-lhes tempo e conhecimento para estudar uma solução do problema. O tempo e o conhecimento que lhe restam têm sido, aparentemente e tão somente, dedicados ao cultivo da preservação do poder. É uma ironia do destino para um país rico pela própria natureza, com mentes brilhantes, inteligências raras e vontade de crescer se encontrar numa situação tão degradante.
O líder empresarial paulista que antes falei, relatou um dialogo que teve recentemente com um empresário britânico, surpreso com o fato de que o Brasil esteja numa situação de quase pleno emprego. A pergunta do inglês: “como explicar um quase pleno emprego e um PIB tão insignificante?” Com razão, porque crescimento de PIB reflete diretamente o aumento da produção. Levar esse britânico a entender que os altos níveis de emprego se dão à base do crescimento do Setor Serviços turbinado pela entrada no mercado consumidor dos milhões de beneficiários do Bolsa Família foi encontrar o x da equação. Salões de Beleza, comércio varejista, lazer, lanchonetes, bares e restaurantes populares e similares que proliferaram nos quatro cantos do país proporcionaram uma massa surpreendente de empregos, ainda que muitos desses informais. Eu não tenho dúvidas de que o Bolsa Família, originalmente denominado de Bolsa Escola, quando criado pelo Governo Fernando Henrique Cardoso, se revela como sendo um programa vitorioso ao incluir imensos contingentes de brasileiros no contexto social digno. O Brasil se destaca no plano internacional pelos resultados de inclusão alcançados. Isto, contudo, não vai levar o país aos níveis de desenvolvimento desejado e que o coloque em posição de conforto no ranking mundial. O caminho é outro e esse dos prestadores de serviços em massa esgotará em breve. Principalmente com tudo parado com está agora e em compasso de espera.

 

domingo, 31 de agosto de 2014

Dilema Eleitoral

A morte de Eduardo Campos em 13 de agosto passado provocou, indiscutivelmente, um verdadeiro tsunami na corrida eleitoral em curso, tanto o âmbito nacional, quanto em Pernambuco. Se antes do episódio havia, no plano nacional, um candidato ainda pouco conhecido, aquela morte brutal e inesperada o projetou e resultou numa extraordinária reviravolta nas intenções de voto dos eleitores. Sua candidata à vice – Marina Silva – teve seu nome confirmado como substituta na cabeça da chapa e adicionou ao seu já conhecido patrimônio eleitoral um percentual de inestimável significado. A dúvida que se tem, hoje, nos meios políticos é saber quem ajudou mais a quem. Se Marina antes era tida como uma alavancadora  da candidatura de Eduardo, agora já se diz que este, pós-morte, é quem está alavancando Marina. Coisas da política. Mas, também, é preciso não esquecer que tem muita coisa da cultura brasileira. Refiro-me à comoção nacional que se instalou após a morte do candidato. A emoção que tomou conta da Nação, o show da mídia cobrindo detalhadamente cada momento daquele episódio, desde a queda da aeronave até o sepultamento apoteótico  de Campos, o aproveitamento eleitoreiro desse show midiático, tudo quanto vimos na primeira hora do guia na TV – manifestações emotivas de aliados e opositores – e, por fim, o que estamos vendo a cada dia formou o caldo que transformou as intenções de voto num panorama completamente diferente do que se dispunha antes. E isto se reproduz de forma concreta no cenário eleitoral local, de Pernambuco, onde o desconhecido candidato do finado Eduardo Campos, tomou fôlego e subiu nas pesquisas ultimamente realizadas, ameaçando o candidato oposicionista Armando Monteiro.
O mais lamentável de tudo isso é perceber que o tom das campanhas, os pálidos discursos que estamos assistindo – é uma safra pobre de oradores – em nível nacional, as entrevistas e debate já levados ao ar e as “intenções” verbalizadas pelos candidatos refletem tão somente a eterna luta pelo poder. É o velho e batido jogo do poder pelo poder. Os verdadeiros interesses do país e do seu povo não passam de detalhes marginais. A candidata Dilma e sua turma lutando com unhas e dentes para não perder a posição na qual estão instalados por doze anos, o Aécio brigando pela recuperação do poder do seu partido, batendo forte no PT, e essa terceira via liderada por Marina Silva (PSB/Rede) tentando convencer de que vai governar a base de um novo modelo de gestão, embora usando dos mesmos velhos meios de abordagem. Essa mistureba de interesses dá contas de que o Brasil tem pela frente uma das eleições mais disputas, ao mesmo tempo em que pobre de ideias e ideais convincentes.
Acho de incrível desinibição ver D. Dilma, em campanha, afirmar que estamos bem de vida, que nunca se viveu tão folgadamente como agora, enquanto os organismos oficiais divulgam dados assustadores a respeito do desandar da economia. As manchetes dos jornais deste fim de semana foram claras em afirmar a recessão técnica instalada com o crescimento negativo por dois trimestres consecutivos. O PIBinho do ano promete ser ainda menor. É um desespero. A seca, a Copa do Mundo e a crise internacional estão sendo responsabilizadas pela recessão. Desculpa esfarrapada, para livrar a cara de quem comanda a política econômica. A inflação é uma realidade e sentida no dia-a-dia, sobretudo quando se fecha a conta no supermercado. A indústria nacional continua em queda e não se sabe o que virá no futuro. Mesmo o agronegócio que vinha dando fôlego à economia registrou um ínfimo crescimento, no ultimo trimestre observado. Mais irritante ainda é ver a candidata “presidenta” fazer propaganda das obras que foram construídas Brasil afora, no seu Governo, entre as quais a Ferrovia Transnordestina incompleta e se arrastando por uma década ou as obras da transposição do São Francisco, cuja finalização só Deus sabe quando vai ocorrer.
Esta semana transitei pela BR-101, entre Recife e Maceió, ocasião em que pude constatar a maneira como se arrasta a duplicação dessa importante via, no lado alagoano. Falta muito ainda para ver essa obra concluída. Mas, ver isso não foi nada. Curioso, mesmo, foi notar a força dos candidatos ao Senado e Governo no vizinho estado: Fernando Collor de Mello, para Senador, e Renan Filho, para Governador.  Fiquei surpreso, não posso negar. Vão levar brincando. Dos mais simples casebres em beira de estrada os pontos comerciais de porte exibem galhardamente imagens dos dois. Acho que em Alagoas, além da crise social – a insegurança é gritante – e a econômica que atinge o estado falta, também, novas lideranças.
Quanta falta faz um bom e competente líder para comandar uma Nação ou um Estado.

sábado, 16 de agosto de 2014

Lamentável Perda

“Somos insignificantes. Por mais que você programe sua vida, a qualquer momento tudo pode mudar”. Este pensar é atribuído ao piloto Ayrton Senna e encontrei publicado numa das recentes mensagens que recebi pelo Facebook. A intenção foi fazer referencia ao acidente que matou Eduardo Campos. Na mesma oportunidade, perplexamente, eu acompanhava o noticiário sobre esse fatídico acidente aéreo de quarta-feira passada, em Santos (SP).
Senna teve razão e, inclusive, pode ter tido uma premonição quando assim se expressou. Falou de modo simples, mas disse uma grande verdade. Chocado com o drama humano retratado no noticiário refleti muito sobre a fragilidade do ser humano. Em poucos segundos tudo pode ter um fim. Fim de um grande projeto, de um ideal e da vida. O risco de viver é concreto e em momentos como o da quarta-feira passada nos damos conta, de forma assustadora.
Este doloroso fato que vitimou o candidato a Presidente do Brasil, Eduardo Campos, e sua jovem equipe de assessores, deixa um profundo vazio nos meios políticos de Pernambuco e do Brasil. É uma perda inestimável. Estou falando de um cidadão que se notabilizou, no passado recente da cena política nacional, pelos seus feitos como governador de um estado pobre e pela mensagem inovadora que ofereceu à Nação brasileira ainda tão carente de um líder à altura das suas prementes necessidades. Lamentável, porque com esse doloroso desenlace o país vai perder uma preciosa oportunidade de assistir a uma diferenciada campanha política, bem longe, seguramente, do mesmismo arcaico e retrógado que está acostumado a ver. O debate que se instalaria no Horário Político do radio e da TV, em minha opinião, seria bem distinto daquela enganação e xaropada das campanhas passadas. Ao invés da polarização PT x PSDB, Eduardo Campos, ao representar a denominada Terceira Via, mudaria o rumo das discussões e a Nação lucraria.     
Embora Campos pudesse promover essa desejada mudança e, inclusive, pudesse apontar para caminhos por um Brasil melhor, eu não acreditava na sua vitória em Outubro vindouro, em face das circunstâncias políticas que prevalecem atualmente. Colocado em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais e enfrentando dificuldades de ascender a melhores patamares, Eduardo Campos seria, contudo, o mensageiro da prática de uma boa e honesta política e de lançar uma nova forma de governar, como imensa camada da população brasileira reclama. Por isso, que entendo estarmos diante de uma perda irreparável.
Conheci Eduardo Campos, bem jovem, recém-formado em Economia, meu colega de profissão, portanto, durante sua campanha para Prefeito do Recife, em 1992, aos vinte e sete anos de idade. Muito jovem e sob as “asas” do avô Miguel Arraes enveredou numa majoritária muito confiante, mas sem muita história pessoal, terminando derrotado. Fiz parte da campanha, enquanto colaborando com a campanha de vereador de um familiar, dentro da coligação liderada pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB. Meu candidato a vereador, Celso Miranda, ganhou a eleição e o favorito da época, Jarbas Vasconcelos, foi eleito Prefeito. Vivíamos, então, um tempo de muita vibração e euforia, graças à recém-democratização do País. Tivemos um resultado satisfatório.
De lá para cá, Campos construiu uma trajetória política bem sucedida, foi deputado estadual, deputado federal, Ministro de Estado de Lula, governou Pernambuco por dois mandatos e alçou voo, se candidatando à Presidência da Republica. Pena que esse voo literalmente alçado na quarta-feira passada haja interrompido essa trajetória. Morreu com ele esperanças de dias melhores para muitos brasileiros.
Na verdade, devo frisar, que nem sempre estive – nem mesmo me acho – ao lado dos Eduardistas. Pelo contrário! Após a sua vitoria em 2006, que o levou à cadeira de Governador no Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, estive em hostes de oposição na campanha e no rescaldo da derrota nas urnas. Discordei de seus discursos e até me revoltei com algumas das suas propagandas. Coisas da política. Hoje, porém, reconheço haver me surpreendido por sua capacidade de político habilidoso no agregar, negociar, construir coalizões e chamar para seu lado pessoas de sãs consciências, coisas das quais o Brasil precisa cada vez mais.  
Por outro lado, impossível não fazer um especial registro sobre uma tocante virtude desse homem que nos deixa: sua dedicação à família. Nunca e nada do seu mundo político fez Eduardo Campos se afastar da bela família que formou com Dona Renata. Inúmeros são os testemunhos dessa sua faceta de pai e marido dedicado. Há poucos dias, soube através da minha esposa, que ele foi visto num centro médico, aqui do Recife, levando seu filho mais novo (sete meses) acompanhado da esposa, para receber uma vacina. Veja que coisa inesperada para alguém em plena campanha presidencial. E não foi nenhum jogo de marketing político. Foi, sim, o pai de família cumprindo seu papel. Outra coisa admirável: em pleno exercício de Governador do Estado, reservava tempo para encapar os livros dos filhos, no inicio de cada ano escolar, e se orgulhava dessa sua habilidade. Dois exemplos, apenas.
A morte de Eduardo Campos consternou o Brasil. Pernambuco foi marcado por imenso vazio nesta semana que finda. Correligionários e opositores se associam num único sentimento de lamentável perda. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

domingo, 10 de agosto de 2014

Recordei e Vivi

Por varias ocasiões já critiquei, neste Blog, a forma desordenada ou mesmo inexistente com a qual é tratado, aqui no Brasil, o que é de legado histórico, seja material ou imaterial. Numa postagem intitulada de Apagando a História (17.09.2009) comentei sobre o abandono que se atribui ao nosso rico patrimônio histórico. Foquei em casos que ocorrem em Pernambuco, embora saiba que a coisa se repete no restante do Brasil. Querendo conhecer melhor, clique em: http://gbrazileiro.blogspot.com.br/2009/06/apagando-historia.html
Passados cinco anos dessa critica e mantendo meus argumentos, devo fazer algumas ressalvas elogiando recentes iniciativas que foram tomadas aqui na cidade do Recife. Falo, primeiramente, do Passo do Frevo, entregue ao público no inicio deste ano e sobre o qual já comentei pouco antes do carnaval, e em segundo lugar do Cais do Sertão – Luiz Gonzaga, aberto à visitação em maio passado. O primeiro é um moderno museu contando a história do ritmo do frevo, com as melhores ilustrações gráficas, materiais e sonoras possíveis. O outro, também museu, transporta o visitante para um ambiente típico do sertão nordestino, ao mesmo tempo em que  coloca o mito Luiz Gonzaga como figura central da mostra permanente. Justo, porque a ele se deve o que de mais genuíno foi, até hoje, difundido sobre a cultura regional, através de música e poesia.
Somente neste fim de semana tive oportunidade de fazer uma visita a esse Cais do Sertão, literalmente debruçado sobre o Atlântico. Aquele juazeiro nos saudando na entrada é simbólico. Sai sensibilizado.

Um antigo e desativado armazém do Porto do Recife foi reformado e transformado num museu, com modernos conceitos de amostra, repleto de recursos audiovisuais e leiaute dinâmico e confortável, além de propicio à didática oferecida ao visitante.
O primeiro momento da visita é quase impactante: numa tela de 180 graus, mais imagens no piso, são projetadas cenas típicas da cotidiana vida no sertão pernambucano. As tomadas  foram feitas no Sertão do Pajeú e arredores da cidade de Serra Talhada (PE). A apresentação tem duração de 16 minutos e trata de mostrar a vida sertaneja durante um dia: do amanhecer ao fim da noite, com a virada do dia. Rodado e reproduzido com modernos recursos tecnológicos, a fita, além de instigante, pretende sutilmente inserir o espectador no ambiente apresentado, que se vê rodopiando, tal qual num carrossel do parquinho de diversões. Aquele raiar de sol, os meios de transporte – pés, jeep Toyota, bicicleta, moto e cavalo –, o dar milho pras galinhas no terreiro, o leite tirado ao pé da vaca, o dar uma mamadeira ao burrego rejeitado ou roubado da ovelha mãe, o corte da foice nos galhos secos do roçado, depois transformado em combustível que alimenta o fogo no preparo da bóia do meio dia, a enxada sendo afiada na expectativa de ser usada quando a chuva chover, o puxar e fechar dos foles das sanfonas que emitem um baião de Gonzaga ensaiando o som para o relabucho noturno, as figuras da nova geração que, acompanhando a modernidade, usam o skate nas pistas de rodagem modernas e, por fim, um forró do tipo pé-de-serra mostrando os arranjos xambreguentos de casais apaixonados responsáveis diretos pela formação de novas gerações de novos fortes e guerreiros nordestinos. O cenário geral é a terra castigada pela longa estiagem, o sol abrasador e as variações de temperatura, altas de dia e fresquinha no anoitecer.
Depois daquela projeção é entrar no restante do Cais do Sertão recifense, admirar seu sugestivo acervo e tentar viver as emoções que eu vivi.  

 
Eu nasci no Recife. Mas cresci indo e vindo ao interior do meu estado. Minha família é de origem interiorana. Ainda hoje vou e volto  lá de dentro. É como um buscar de energias para gastar nas metrópoles que me meto. Aquele filme de introdução ao Cais do Sertão me pegou pelo pé. Retrocedi no tempo. Tremi por dentro. A saudade escorreu pelos olhos. Vi meus ancestrais circulando naquelas imagens. Lembrei-me do cordeirinho rejeitado, que ganhei de presente do meu avô, aos cinco anos de idade, ao qual eu queria dar uma mamadeira a todo instante. Quase corri atrás daquele que surgiu na tela do Cais. Com os sons tirados da sanfona, da zabumba e do triangulo, naquele pé-de-serra projetado, recordei que aprendi a dançar em Fazenda Nova garrando das matutinhas fogosas, querendo pegar o neto do Coronel Epaminondas. Foi por ali que despertei para o doce jogo do amor e para os apelos do sexo. Tempos vão. Tempos não voltam, salvo nesses repentinos museus que surgem. É um programa imperdível, na cidade do Recife. 
Depois daquela projeção é entrar no restante do Cais do Sertão recifense, admirar seu sugestivo acervo e tentar viver as emoções que eu vivi.  Recordei e vivi.   




NOTA: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.