quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Brasil merece sua melhor reflexão

Como esperado, as eleições de domingo passado, no Brasil, geraram múltiplas emoções. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, brasileiros e brasileiras se envolveram num dos processos mais disputados dos últimos tempos.
Pois é, o processo eleitoral deste ano foi, desde o inicio, permeado de lances que classifico como inusitados. Além das naturais escaramuças pré-desenhadas, aquele acidente fatal com o candidato Eduardo Campos, provocou uma tremenda reviravolta e determinou um processo ainda menos esperado.  A substituição de Eduardo pela pouco convincente Marina Silva; a luta desigual, frente aos concorrentes, da atual Presidente buscando permanecer no poder, com o óbvio apoio da máquina do Estado e  o candidato Aécio Neves se equilibrando numa “corda bamba” para levar adiante sua candidatura foram elementos que permearam o dia-a-dia dos brasileiros, nesses últimos meses. Desestimulante, para muitos que consideraram como fracas as opções de escolha e apaixonante para outros que ainda vive sob a tutela do Estado.
Percorrendo parte da cidade do Recife – onde meu domicilio eleitoral – percebi pouco entusiasmo nas fisionomias dos eleitores e ausência total do clima de festa que se registrava nas eleições do passado, particularmente após a redemocratização. Eu vivi climas eleitorais vibrantes, desde criança porque venho de uma família de políticos apaixonados. É verdade que a atual lei eleitoral inibe maiores manifestações, contudo, o povo ia às ruas sempre com mais alegria e vibração do que o visto no último domingo. Vi pessoas vestindo preto e declarando luto e repúdio à situação deplorável em que se encontra o país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, quase 20% dos eleitores inscritos não se deram ao trabalho de comparecer à seção eleitoral e isto exige uma reflexão num país em que votar é obrigação. Nas seções eleitorais do exterior o que mais se comentou foi que a coisa foi sem graça. Não que precise graça, mas, faltou entusiasmo. O eleitor está descrente, saturado dessa situação hoje reinante. 
Diante desse ambiente apático, arrisco pontuar algumas constatações pessoais:
A terceira via, mais uma vez, foi inviabilizada. A esperança estava nas mãos de Eduardo Campos. Sua substituta, Marina Silva, não mostrou capacidade, nem envergadura, para levar adiante o projeto gestado em Pernambuco. A Marina, na verdade, obteve boa votação enquanto vista como a melhor opção de arrancar o PT do Governo. Opção discutível e frágil, no meu modo de ver. Não é assim que se vence uma eleição. Faltou uma proposta programática compreensível para justificar o fim desejado. Essa estratégia vingou bem em Pernambuco e o Partido governista terminou dissolvido no estado. Não fez, sequer, um Deputado Federal, perdeu na disputa para o Senado e por haver sido incluído na coligação de apoio ao candidato de oposição ao governo estadual terminou prejudicando-o. O resultado foi catastrófico, embora que o postulante, Armando Monteiro Neto, fosse de alta densidade política e de indiscutível competência. E que nunca foi Petista.
Outra constatação: a polarização PT x PSDB volta com toda força e o brasileiro, esperançoso por uma autentica mudança, vê-se refém do “mesmismo” e de um modelo político esgotado e desmoralizado pelos sucessivos escândalos e episódios de corrupções registradas sob a égide desse governo de plantão, como amplamente denunciado, de modo clamoroso, pela massa cidadã que foi às ruas do país em junho de 2013. Isso, sem falar noutros aspectos, entre os quais o pífio desempenho econômico, a perda de importância no cenário internacional, a insegurança, a inflação, a magra rede logística do país e a indecorosa carga tributária.
O resultado das urnas mostram claramente que a candidata Dilma está longe de ser a unanimidade que ela própria disse gozar, em entrevista coletiva após divulgada a apuração dos votos de domingo passado. Ela obteve apenas 41,59%, dos votos válidos. O restante foi sufragado a favor dos candidatos Aécio Neves, com a surpreendente marca dos 33,55% e a favorita para disputar o segundo turno, Marina Silva, com 21,32%. Não me preocupei com as migalhas dos candidatos de menor envergadura. Ou seja, a candidata Presidente fez um discurso equivocado. Para levar no segundo turno vai ter que trabalhar muito. A propósito, acredito que teremos um pleito duríssimo e quem vencer vai contar com uma vantagem bem apertada.
Finalmente, vejo que nesse segundo turno, próximo dia 26, o eleitor brasileiro vai selar seu futuro e o do país ao eleger um novo(a) presidente. Depois disso, bençoe... Será um caminho sem volta. E, nessa hora, reitero o que sugeri na postagem da semana passada: dê um voto consciente. O Brasil merece sua reflexão. Agora, mais do que nunca!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

5 comentários:

Joe disse...

Lúcida análise Caro Girley.Esta polarização lembra um clássico do futebol de Pernambuco: Íbis e Ferroviário. Não dá a menor tezão.
Mas vou votar. Vou esperar até o fim do jogo para decidir em quem eu votarei.Um abraço Joe

Susana González (Mexico) disse...

Veo con pesar q cualquiera de los dos q sea elegido, le será muy difícil gobernar con ese congreso q eligieron. Besos

Ina Melo disse...

Uma visão inteligente Susana, mas retroceder com o que de mais podre existe no País, é muito pior para nós brasileiros. Ina Melo

R. Simas Filho disse...

Enquanto os candidatos discutem abobrinhas não definem programas claramente, como o mais importante: a auditoria na dívida pública e o predomínio dos bancos na economia do País.
O grande risco dos tucanos é o retorno da política de privatização e desnacionalização de nossas companhia, entre outros.

José Carlos Lucena disse...

Belo texto, meu caro Girley Brazileiro (como sempre). Infelizmente a maioria dos brasileiros não faz esta reflexão necessária.
Jose Carlos Lucena