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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Recados das Urnas

Para alivio nacional o processo eleitoral deste ano está chegando ao fim. Muita coisa rolou e muitos recados foram dados pelos eleitores. Em alguns lugares os trabalhos já foram encerrados, como no Recife, com a reeleição do atual Prefeito com vantagem histórica de 78% dos votos. Cumprindo a legislação eleitoral, entretanto, 51 municípios brasileiros, incluindo 15 capitais, as disputas continuam e as repercussões são das mais diversas. A Lei determina que todo município acima de 200 mil eleitores está sujeito a um segundo turno. Resultado é que nesses 51 municípios, adversários políticos se enfrentam, diferenças intra e interpartidárias mal resolvidas se exacerbam, agressões físicas e, até, criminosas são praticadas e o país se transforma, numa boa parte, numa verdadeira avalanche de intranquilidade. Como de se esperar, a polarização Lula versus Bolsonaro ganha maior evidencia e as análises sobre os futuro da Nação se rebatem de modo potencial. Aqui em Pernambuco apenas dois municípios, Olinda e Paulista, trazem o processo até o próximo fim de semana. Curiosamente, dadas suas localizações, na Região Metropolitana do Recife e, mais do que isto, municípios limítrofes, as campanhas ultrapassam as fronteiras municipais e boa parte do Recife entra em clima de eleição. A cata de eleitores extravasa e os bairros das vizinhanças vivem momentos de dúvidas quanto aos discursos de cada candidato. A coisa se torna mais flagrante quando os padrinhos de alguns candidatos, entre os quais o Prefeito (Reeleito) do Recife, João Campos (PSB), e a Governadora Raquel Lira (PSDB), sobem em palanques dos dois municípios inflando a visível disputa pela conquista de espaço com vistas ao futuro. Não raro surgir eleitores na multidão prometendo votar num dos dois. Diz o ditado popular de que “quem é coxo, parte cedo!” É isso ai. 2026 está mais próximo do que imaginamos. E, desse modo, o Brasil não para de realizar eleições.
Mas, o mais significativo do atual processo eleitoral são os recados do eleitorado quando fluidos das urnas. Uma primeira constatação é que, indiscutivelmente, o cidadão de bem deste país está cansado de tantas irresponsabilidades geradas pelos nossos recentes governantes. Irrelevante historiar, aqui, passagens recentes de decepções, escolhas erradas, corrupções e a falta total de esforços por uma união democrática pelo bem da Nação. O país está farto de noticias a respeito. A constante observada é a luta pela manutenção do poder. Este é o concreto objetivo de cada corrente politica seja esquerda, direita ou o famoso Centrão. Resulta que não há país que avance social e politicamente num ambiente corroído como o que agora vivemos. O dinheiro publico se esvai de modo irresponsável e sem que haja um Programa de Governo consistente e honesto. Falta de um tudo. Segurança, Saude publica, Educação, Desenvolvimento Tecnologico, Infraestrutura, fora a inflação que vem sendo observada, as ameças de novos impostos, juros estratosféricos, desemprego e por ai vai... Outro recado importante, senão o mais importante, a ser anotado é o fato de que o PL, do ex-presidente Bolsonaro vem alcançando imenso sucesso no atual processo. É notável verificar que, no primeiro turno, o partido (PL) comemorou vitórias em seis capitais estaduais e, agora, volta a participar de modo significativo nas quinze disputas remanescentes. Obvio que se trata de uma mudança expressiva que reflete a opinião popular sobre o Partido dos Trabalhadores (PT) liderado pelo Presidente Lula. Ora, o que está acontecendo? O PT e o Palácio do Planalto já acenderam o sinal amarelo e perceberam que não anda agradando como confiava. Numa das mais importantes, provavelmente a mais relevante, é a disputa no município de São Paulo. Lá, o atual Prefeito, Ricardo Nunes (MDB), que não foi nenhum sucesso no exercício do cargo, briga com um afilhado do Lula, candidato do PSOL, Guilherme Boulos que não recolhe muita popularidade no eleitorado, devido sua ficha de invasor de propriedades privadas e agitador compulsivo. Situação difícil para a esquerda que corre o risco de afundar nas eleições periféricas como são os pleitos municipais. Tudo leva a quer que o PT exagerou no seu otimismo. Recuperar a situação será certamente muito difícil. Como sempre digo, é no município que um partido planta seu sucesso. Houve, portanto, um descaso. Outras capitais e cidades de porte médio entram na disputa e os recados que se esperam são tão importantes quanto os já constatados. Que o eleitorado seja previdente e transforme sua responsabilidade num passo de sucesso coletivo. Cada eleição é uma nova oportunidade de corrigir um erro do passado. O Brasil espera o sucesso democrático, ainda que tardiamente. Há sempre a esperança. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Dores da Democracia

Se há um assunto que foi muito debatido nesta campanha política brasileira de 2018 é o da Democracia. Isto porque há, indiscutivelmente, um suposto temor geral sobre os riscos que estamos correndo de uma ruptura do sistema, seja vencedor A ou B. Sobretudo nesta fase do segundo turno. O candidato do PT (Fernando Haddad – preposto de Lula, preso em Curitiba) vende a imagem de democrata, embora que alimente concreta simbiose com todos os ditadores sul-americanos e alguns africanos e insista na tese de que o candidato do PSL (ex-Capitão Jair Bolsonaro) seja um admirador da ditadura militar e, como tal, disposto a retroceder aos idos de 1964. 
Dividida, a sociedade entrou em estado de perplexidade embora disposta a “acertar as contas” no voto, dia 28 próximo. Isto, aliás, democraticamente! Claro, porque aqui existe o debate, as trocas de insultos, desafios e, por fim, uma eleição decidida no voto popular. Portanto, é uma real Democracia.     
Historicamente, nunca foi fácil nivelar opiniões divergentes, seja qual for a circunstância. Se existir radicalismo num ou mais grupos litigantes a busca do nivelamento pode produzir conflitos incontornáveis e muitas vezes irreparáveis. Por princípio democrático, prevalece sempre a tese da maioria. Teoricamente é neste regime que se espera haja a possibilidade de se chegar a um desejado nivelamento de opiniões em benefício do grupo social objeto da lide. Contudo, nem sempre há o desejado nivelamento. Isto é aplicado, até mesmo, num ambiente familiar.
Em recente debate pela TV, assisti ao então candidato à presidência da Republica, Ciro Gomes, resumir em poucas palavras sua opinião a propósito do sistema, afirmando que “a Democracia é uma delicia, mas tem certos custos”. É verdade. Concordo com ele. É o que estamos vendo neste momento brasileiro. O custo é muito alto porque provoca dores profundas na sociedade. Com uma Democracia relativamente jovem e com o país mergulhado numa profunda crise moral-político-econômica, a busca por um concerto harmonioso da sociedade tem rendido um amargo processo.
À medida que a corrida eleitoral se aproxima do fim, isto que chamo de dores da Democracia se impõem de modo violento e um estresse coletivo sufoca cidadãos e cidadãs mais ligados, resultando em "fraturas expostas" entre os partidos políticos, sociedades organizadas, grupos sociais e até entre integrantes de famílias, antes tranquilas. A incerteza do futuro, o medo e o ódio tomaram conta dos indivíduos e até aqueles que nunca, ou pouco, se ligam em assuntos de política liberam as feras que habitam suas peles dando vazão à discussões acaloradas, improdutivas e, sobretudo, prejudiciais à união, aos bons hábitos e costumes e, finalmente, à Nação.  Para mim que acredito piamente que nunca haverá Ordem e Progresso, como manda nossa flâmula, se não houver células familiares unidas e integradoras da unidade nacional é uma dor. Claro que parto do princípio que as famílias são elos que fortalecem a Nação.  
No meio dessas discussões encontrei, outro dia, uma afirmação do critico e escritor português Miguel Esteves Cardozo, muito própria para o que venho conferindo entre nós brasileiros, que diz: “os verdadeiros democratas não são aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos não sei que mais. São (ao contrário) os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os desconvencer à força.”  Vejo este comportamento antidemocrático frequentemente entre nós. Mesmo entre membros de famílias, o que é mais doloroso. Ora, as eleições passam e as dores custam a ceder. Não é simples viver numa Democracia, sobretudo para quem se posiciona como dono da verdade.
Diante disso tudo, vem uma pergunta que não cala: será que o brasileiro está preparado para viver numa genuína Democracia? Eis a questão! Segundo o educador Anísio Teixeira, “só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”. Cá pra nós, é um formidável desafio para quem vier a ocupar o Palácio do Planalto. E, claro, para todo brasileiro de são juízo.
Então, coloquemos nossas cabeças em ordem para decidir nosso destino, sabendo que a nossa arma é o voto. No próximo dia 28, vote com consciência, espantando as dores que a Democracia lhe provoque. 
  
NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A Festa vai Continuar


Ao contrário do que muitos esperavam, não foi no primeiro turno que os brasileiros definiram o nome de quem vai presidir o país nos próximos quatro anos. Mais três semanas serão necessárias para que se cristalizem as propostas dos finalistas e, certamente, alinhar as demandas que a Nação emite. Vejo nisto uma excelente prática de democracia. Sobretudo, quando o Brasil precisa ser discutido, pensado e repensado.  Esta é a vantagem de uma eleição em dois turnos. Esta é uma vantagem da Democracia.
Os finalistas:  Bolsonaro e Haddad
Contudo, algumas coisas ficaram muito claras na rodada do primeiro turno. O país viu com mais clareza o que tantas vezes foi lembrado, nas simples rodas de discussões, analises políticas e comentários de especialistas nacionais e estrangeiros, o quanto a sociedade estava desencantada com a classe política e o sistema que a sustenta. A vontade de mudar e de injetar sangue novo na estrutura do poder político nacional foi traduzida por dois importantes aspectos: por um lado, pela alta abstenção de votos, que dessa vez superou a casa dos 20% e, por outro lado, algo que muitos não acreditavam, foi a renovação das casas do Congresso Nacional, numa escala muito maior que a esperada. Os cálculos dão conta de que houve aproximadamente 50% de renovação.  Muitas vezes duvidei que essa renovação viesse ocorrer, o que em conseqüência levava-me a crer que pouco poderia ser feito por quem viesse assumir a cadeira de Presidente. Mas, não. Fica claro que isto pode ser tomado como uma sendo uma vitória da Democracia e, principalmente, um recado expressivo aos que irão ascender aos postos nas casas do Congresso, a partir de janeiro próximo.
Impressiona-me o fato de que partidos tradicionais, como PSDB e MDB, derreteram e estão com representações muito mais reduzidas, ao passo que outros, tidos como partidos do chamado “baixo clero”, elegeram mais representantes do que o esperado. E é outro forte recado colhido das urnas. Velhos caciques detentores do poder nas décadas recentes foram amargamente derrotados, cedendo um inesperado vácuo a ser ocupado por novas lideranças que emergirão dessa onda de renovação que se instalou com os resultados extraídos do primeiro turno das eleições. Dos grandes partidos destaque-se que o PT manteve equilibrada sua representação, embora tenha sofrido baixa. Uma outra prova da intenção de renovação ficou por conta do expressivo crescimento do PSL – partido liderado pelo candidato Bolsonaro – que fez muitos representantes, sobretudo nos estados do Sudeste. O partido, sob o efeito da onda bolsonaro elegeu 52 deputados e 4 senadores. Terá a segunda maior bancada federal, a partir de 2019, superada apenas pela do PT que vem com 56 representantes. Isto será uma grande vantagem para o Capitão, caso se eleja. O PSDB, principal opositor do PT e que formou a terceira bancada em 2014 virá, agora, na 9º. posição. E o MDB foi o partido que sofre a maior baixa. De 66 deputados, terá somente 34 deputados. Estes números são eloquentes demonstrações do desencanto dos eleitores e da renovação que saiu das urnas do dia 7 de outubro de 2018.
Mas, muito bem... Vamos lá. A festa da Democracia vai continuar. Agora é hora da “onça beber água”, como diz o ditado popular. Será que o ódio versus medo que foi a tônica do primeiro turno resistirá nesse próximo turno? Estariam os petistas dispostos a relaxar o radicalismo? E os bolsonaristas estarão com discursos mais brandos e convincentes? Eis as questões que pairam sobre a Nação. Melhor que vença a paz e, sobretudo, a Democracia. A Festa tem que continuar. Vamos mais é comemorar com júbilo o triunfo da Democracia brasileira.    

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.         

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Futuro Incerto

Passei uma semana impressionado, negativamente, com o resultado daquela farsa ocorrida no STE – Superior Tribunal Eleitoral, quando de julgamento do pedido de cassação da Chapa Dilma-Temer na eleição de 2014. Tendo como justificativa o descarado abuso do poder econômico e político dos candidatos, a denuncia foi formulada pelo PSDB, logo após o pleito, dado o inconformismo da derrota por um percentual pouco relevante do seu candidato, o Senador Aécio Neves. De lá para cá “muitas águas rolaram por debaixo da ponte” e Neves já não “canta de galo” como antes. Abstraídos, contudo, os lances políticos ocorridos, incluindo as denúncias contra o candidato derrotado à Lava-Jato, é indiscutível que houve o abuso dos poderes acima referidos. Mais claro, ainda, com o pronunciamento do Ministro Antonio Hermann Benjamim, relator da questão naquele Tribunal.
Competente, imparcial e cônscio do seu dever de julgar, o Ministro Benjamim apontou, em longo descrever, todas as falcatruas impetradas pelos integrantes da coligação PT-PMDB. Foi corretíssimo em dar um voto condenando a Chapa, sendo seguido por dois outros, a Ministra Rosa Weber e o Ministro Luiz Fux. Infelizmente, foram vencidos diante dos votos contra a cassação de Napoleão Nunes Maia Filho, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e por fim o voto de desempate do Presidente do Tribunal, Gilmar Mendes.   
O Ministro Gilmar Mendes, presidente do STE
A repercussão desse resultado, beneficiando os denunciados, após o voto de Minerva do Ministro Gilmar Mendes, foi das mais negativas e de imediato a sociedade como um todo, além das entidades de Classe responsáveis se levantaram em tom de protesto por aquele desfecho de puro cunho político, pouco digno de uma Corte Suprema. Ao ministro Mendes foi atribuída a responsabilidade infeliz do julgamento. Coisa bem própria de Mendes, nesses tempos recentes. A propósito, gostei demais da comparação feita, num artigo bem escrito, por um amigo Advogado e companheiro rotariano, José Otávio de Carvalho, dizendo que o Ministro Mendes deve estar contaminado pela síndrome do Galo Chantecler, que achava que o sol nascia porque ele cantava. Ótima comparação! De fato o Ministro Gilmar Mendes vem se “esmerando” e se tornando persona non-grata para a Nação, com seu comportamento mais político do que judicial, cuja prova máxima se cristalizou na semana passada. O Brasil não merece um juiz desses! Nada mais nocivo quando isto ocorre embora seja o mais comum no Brasil de hoje. Diante desse fato, ocorre-me lembrar de uma frase, bem conhecida no mundo jurídico, da autoria de um Primeiro Ministro francês do século 19, François Guizot - (1787-1874), que sentencia: "Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. No Brasil, essa máxima de Guizot vem sendo esquecida e o Judiciário vem desafiando a vontade da Nação, ao não cumprir seu papel de regulador da ordem e da disciplina social.
Fico tranqüilo, porém, ao notar que vozes importantes se levantam país afora, contra essa estupidez da ordem jurídica nacional e ao mesmo tempo, intranquilo quanto ao futuro legal da nossa sociedade. O Jurista pernambucano João Paulo Teixeira, em recente artigo (vide: emporiododireito.com.br), foi taxativo ao afirmar: “para o futuro, temos um horizonte de incerteza ainda maior, já que o TSE abre perigoso precedente, praticamente reconhecendo sua incapacidade de enfrentar questões decorrentes de abuso de poder político e econômico quando se trata de cassação de chapa para o governo federal”.
Diante desses fatos, percebo a insustentável situação na qual vivemos, sem que tenhamos segurança nos poderes institucionais da nossa Republica. Com um Executivo enfraquecido e quase insustentável, um Legislativo desacreditado e sob efeitos negativos da corrupção endêmica e um Judiciário fraquejando a toda hora, aonde vamos parar?
Como viver num país em que a Justiça é injusta? Que segurança tem o jovem cidadão comum para construir seu futuro? Como empreender num ambiente tão duvidoso?
É tudo muito incerto. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Retorno Sofrido

Não é nada fácil o retorno à realidade brasileira, após uma temporada no exterior. Para mim é sempre muito penoso. Por mais que acompanhemos, à distancia e via Internet, os movimentos de Pindorama é sempre muito difícil pegar a embalagem e retomar a “vidinha” local. Esse rami-rami político-econômico que faz a festa dos noticiários locais e internacionais deixa qualquer um em permanente clima de tensão.
É exatamente assim que me sinto esses últimos dias. Assisto ao largo um quadro político aparentemente pior! A insegurança, nem se fala. Destempero geral.
Fico desapontado e mesmo desesperado ao assistir esse desgoverno reinante em vários estados do país, com rebeliões e chacinas nas prisões, assassinatos em série, mães de família violentadas, policiais em greve, mulheres destes postas como escudos nas portas de guarnições militares, governos falidos e em total desespero... e, um sem numero de outras “misérias” que fazem desse país um espaço de calamidade geral.
Fui um ferrenho opositor ao Governo Petista. Senti-me aliviado e comemorei a queda de Dona Dilma. Mas, sinceramente, estou preocupado com esses ignóbeis “arranjos” políticos que estão sendo feitos em Brasília. Naturalmente que não estou arrependido da oposição acima citada, mas, pelo amor de Deus, manobrar para o naufrágio da Lavajato é o mais sujo e espúrio dos jogos políticos que estamos presenciando neste país. É o retrato fiel da imagem que se faz do político brasileiro, isto é, não tem nenhum honesto. Raríssimas são as exceções, é verdade porque nem tudo está perdido.  Nomear Ministros ou manobrar para escolha de nomes em Comissões importantes no Congresso Nacional, ou outro dirigente qualquer, quase sempre citados nos autos do processo que rola no eixo Curitiba-Brasília é um despudor total de um Governante. Fico muito preocupado. Confesso que a esperança alimentada há poucos meses começa a se desvanecer.
Contudo e por outro lado, não posso negar – o que pode ser a salvação da Pátria – que a Política Econômica vem projetando resultados positivos desde agora. O Henrique Meirelles a despeito do carrossel político desvairado vem fazendo um serviço competente. Já se vislumbra uma solução para tirar o país do buraco que o PT meteu. Temer já contabiliza alguns  tentos ao aprovar a PEC 241 (ou 55) e está prestes a ver passar no Congresso algumas reformas – há muito desejadas – que os governos anteriores não conseguiram levar adiante. Algumas polêmicas é verdade. Impopulares até. Mas, necessárias! Será seguramente uma grande jogada político-institucional, se tudo ocorrer como programado. O trunfo do Temer é o fato de que ele jura, de pés juntos, que não pretende concorrer a outro cargo eletivo e, desse modo, sente-se solto para realizar as reformas que o Brasil reclama há tanto tempo. Isso, além de premente poderá restaurar a confiança internacional do país e garantir sua inclusão como bom parceiro político e comercial neste mundinho tão competitivo.
Como nem tudo é perfeito neste mundo observe, caro(a) leitor(a) que estou diante das duas faces da moeda: decepção no campo político e satisfação no campo econômico. Não é fácil separar essas duas coisas em lugar nenhum do mundo. Mas, no Brasil é bem mais difícil. Daí minha perplexidade e estar sentindo um sabor amargo nesta minha volta de temporada na Austrália, onde a vida corre leve, solta e segura. Deus que nos proteja.
  


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quem não chora não mama.

Montar um Ministério após uma eleição tem sido quase sempre um problema delicado para um presidente eleito. Imagine o que seja fazer isto a “queima roupa” de uma emergência, como ocorreu recentemente aqui no Brasil. Creio que o Michel Temer deve ter passado por apuros para formar sua equipe de Governo. Primeiro devia esperar o resultado da votação no Senado para trabalhar com a certeza de que assumiria e, em seguida, administrar as manhas dos políticos e respectivos Partidos que “viabilizaram” sua ascensão, num típico estilo de “quem não chora não mama”. Fora tudo isto, o fato de que, rigorosamente, se trata de um governo transitório e, pior que isto, mergulhado num imenso buraco negro deixado pelo PT, não estimulou alguns potenciais candidatos a ministro ou outro cargo de destaque qualquer. O PSDB, por exemplo, vacilou antes de aderir.
O resultado desse açodamento é que foi montada uma equipe com alguns integrantes pouco recomendáveis. Eu soube que teve ministro convidado meia hora antes de assumir. Imagino esse sujeito dizendo: O que é isto?! Como assim? E quem disse isto? E entrou no Palácio do Planalto esbaforido e perguntando Onde estou? O que sou eu? O que foi que eu fiz? Ou algo parecido. Eita Brasil, zil,zil ! O resultado é que se formou um gabinete de nomes elogiáveis – o lado econômico, sobretudo – misturado e junto com outros, tipo “ficha suja”, citados ou envolvidos nas tramoias que estão sendo lavadas, enxaguadas e passadas na Lavanderia de Sérgio Moro. Dois Ministros já voaram nos paus. E a expectativa agora é saber quem será o próximo.
Mas, por outro lado, ao tempo que aplaudi (aplaudimos) a estratégica redução dos ministérios, assisti lamentando o retrocesso do Temer ao ceder com a recriação do Ministério da Cultura. Acho que ali ele abriu um flanco de fraqueza. Ser presidente não é ditar tudo com rigidez, é verdade. Mas, foi um ato lamentável esse retrocesso. Temer temeu uma repercussão negativa e deu, no meu ver, um “cala-boca”, sobretudo, para uma classe de produtores culturais e artistas engalanados cheios de ares e pretensos “donos” da cultura nacional, que não querem largar as tetas da Lei Rouanet. Vide fotomontagem a seguir e outra que viralizou nas redes sociais.


Desde que me entendo de gente a Cultura – setor importantíssimo da vida nacional, ressalte-se – esteve sempre conjugada com a Educação. E tem uma lógica explicita nisto porque Cultura tem tudo a ver com Educação! O MEC foi, historicamente, uma das mais importantes siglas da Administração Federal. Por que tanta estranheza e reações contrárias, quando nada impediria que as ações desta área não fossem desenvolvidas por uma Secretaria Ministerial no MEC recriado? Foi sempre assim no passado! Acho inclusive que a classe artística, a grande protestante, “deu um tiro no pé” na medida em que provocou na mídia e nas redes sociais uma avalanche de denuncias sobre as estratosféricas vantagens que recebem ou receberam do Governo, através dos instrumentos de incentivos, administrados pelo ex-Ministério em tela. Poucos foram honestos, como Antonio Fagundes que sem cerimônia fez sua critica: "Sinto-me decepcionado com alguns artistas, que mesmo sabendo das falcatruas deste governo, ainda apoia por puro interesse próprio". Ele nunca recorreu à Lei Rouanet
As cifras que foram divulgadas das concessões aos cantores e artistas globais, aos escritores e produtores teatrais de fama, escandalizaram os brasileiros. Sobretudo pelo fato de que uma imensa legião de cidadãos e cidadãs dedicados(as) às atividades culturais ficaram sem qualquer chance de “fazer parte dessa festa”. Ora, ora! É indiscutível que cantores e atores que arrastam multidões aos seus auditórios não precisam desse apoio governamental! O Fagundes é bom exemplo. Muito mais precisam aqueles que buscam, em vão, um lugar sob as luzes das ribaltas brasileiras para os quais o MinC sempre deu as costas.    
Essa turma de apaniguados de “Mamãe” Dilma e do PT chorou, chorou e ganhou. E Temer, temendo uma onda maior, cedeu. Tolice... Lamentavelmente, neste Brasil, “quem não chora não mama”. Pouco interessa a essa gente a situação de crise do país, a necessidade de reduzir a máquina e os gastos do Governo e, ao invés disso, investir maciçamente na Saúde, na Educação e na Segurança. O que eles querem é mamar.

NOTA: Fotomontagem obtida no Google Imagens


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Nem todo mal traz um bem

Tenho ouvido com frequência que a Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014,  foi inspirada na famosa Operação Mãos Limpas (Mani Pulite) da Itália, nos idos dos anos ’90 e destinada a apurar um grande esquema de corrupção – semelhante ao constatado no Brasil de hoje – na sequencia de outros escândalos envolvendo o Banco Ambrosiano, este misturado com a Mafia, o Banco do Vaticano e a uma Loja Maçônica, conhecida por P2. Aquilo lá foi um rolo compressor que terminou esmagando a chamada Primeira República Italiana.
Para que se faça ideia melhor, foram 2.993 mandados de prisão, 6.059 pessoas investigadas, inclusive 872 empresários, 1.978 administradores de governos locais e 438 parlamentares, entre os quais quatro ex-primeiros-ministros. Como aqui, a Itália estava metida num propinoduto sem limites, envolvendo negociações de todo e qualquer tipo de contratos do Governo. Detalhe: o início da coisa foi dado a partir de denúncias de um dissidente do Partido Comunista Italiano – PCI que abriu do verbo e revelou que a KGB havia financiado o tal PCI, com pelo menos US$ 4,0 milhões, para sustentá-lo no poder. O Partido Comunista italiano era respeitadíssimo no mundo comunista da época pela sua atuação e liderança. Também pudera, com um caixa altíssimo sustentado por Moscou. Essa denúncia foi inicialmente deixada de lado, para tranquilidade da maioria dos políticos e empresários que se locupletavam do espúrio sistema. Mas foi o próprio Partido Comunista que resolveu reagir, inclusive com respaldo da opinião pública revoltada, passando a cascavilhar o que havia sido empurrado à penumbra.
Faltaram celas nas cadeias italianas para industriais, políticos, advogados e magistrados. Uma dúzia deles cometeu o suicídio. O suicídio mais ruidoso foi o de certo multimilionário, Raul Gardini, (foto a seguir com manchete de jornal da época) empresário “bem sucedido” e muito admirado pelos italianos. Fugas cinematográficas foram registradas. Os empresários pagavam propinas polpudas aos políticos para vencer licitações de construções de ferrovias, autoestradas, edifícios públicos, estádios e na construção civil. Qualquer semelhança (com o Brasil) é pura realidade. Institutos de pesquisas italianos  garantem que o valor médio das obras públicas caiu de modo expressivo, o que seria indício da queda no superfaturamento que se praticava, antes.
Como se pode constatar, o modelo de governar italiano serviu de exemplo para a turma de ladrões brasileiros. Esse juiz Sérgio Moro deve ser um profundo conhecedor do caso italiano e por isso o refere com alguma frequência em seus escritos e declarações. Veja foto a seguir, capa de trabalho publicado em 2004.
Foi Ludwig Von Beethoven que disse uma vez: “tenho paciência e penso: todo mal traz consigo um bem”. Tomo emprestadas as palavras do virtuoso acreditando que o Brasil pode estar sendo passado a limpo com essa devassa que se faz no mundo político-empresarial do país. Estamos atolados numa crise sem precedentes. Porém, alimentemos a esperança de que dias melhores virão, embora nem tudo esteja garantido.
Segundo um amigo italiano, a Mãos Limpas fez um tremendo esforço de limpeza moral na Itália sem, contudo, resolver o problema pela base. O vírus continua bem vivo. A corrupção ainda rola solta na Republica Itálica. Nem a onda severa do Euro deu jeito. O caso mais gritante, no passado recente, tem como personagem central o ex-Primeiro Ministro Silvio Berlusconi, implicado na Operação e que astutamente se conservou, por longos anos, no Poder. “Pintou e bordou” nos vários poderes do país, sempre em beneficio próprio e engordando sua conta bancária. Um cínico.
O italiano, de modo geral, conclui hoje que a justiça do país não funciona e que a corrupção é um dos principais obstáculos para o desenvolvimento sonhado pelos italianos.
No final da Operação Mãos Limpas, os tradicionais partidos políticos sumiram, a classe empresarial sucumbiu, o setor público segue desacreditado e nunca mais o país gozou do prestigio de dantes. Prestigio calcado num lamaçal de fazer vergonha à sua História esplendorosa.
Fico então, com este exemplo, preocupado com o que virá pela frente aqui em Pindorama. Os políticos e seus partidos estão desmoralizados e as megaempresas envolvidas estão com seus lideres na cadeia. Muitas em franco declínio. Alguns em recuperação judicial. Pelo caminhar do Processo as grandes empreiteiras não terão – pelo menos por longo período – oportunidades de participar de concorrências públicas que é, digamos, o filé dos seus negócios.  Temo que novos aventureiros, inclusive estrangeiros, tomem conta da fatia. O Governo tem incontáveis projetos e obras paralisadas.  Já se fala em chineses sobrevoando o Brasil à cata de obras. Que perigo...
A maioria dos partidos políticos, principalmente o PT, o PMDB e o PSDB estão numa berlinda sem fim. E neste caso temo, também, que nos apareça um “Berlusconi” caboclo qualquer. O Brasil merece coisa melhor.  Aí, minha gente, sou forçado a considerar que nem todo mal traz um bem. Vamos torcer pelo melhor.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.


sábado, 7 de março de 2015

Nova York 2015

Chegar à Nova York é sempre um prazer, ainda que gelada e coberta de neve, num final de fevereiro. Embora muitos não concordem, acho bonito ver o Central Park branco, branco  e o lago congelado. As árvores estão despidas, depois que o Outono passou e levou suas roupagens. A imagem dos troncos escuros e visíveis contrasta com o branco da neve e reflete um cenário de indiscutível beleza. Beleza sóbria em cinzento ou sépia, claro... Mas, o que seria do branco se não houvesse o preto? Acredito que para aqueles que costumam frequentar as pistas de Cooper e os gramados daquele espaço, este período do inverno se constitui numa passagem negativa do ano. By the way, este inverno de N. York tem sua beleza e a neve é responsável por ela. Um detalhe a registrar: é interessante o fato de que, ainda em fevereiro, muitas ruas e avenidas conservam a iluminação normalmente usada no período natalino brasileiro com iluminação popularmente chamada de pisca-pisca aqui em Pindorama. Pensando bem, nada mais adequado para uma época em que o Sol acorda mais tarde e logo cedo se recolhe.  Além do mais, as microlâmpadas parecem substituir folhas, flores e frutos daquelas árvores que falei acima. (Vie fotos a seguir)



Poesias à parte, vamos ao que interessa na prática. Como falei no princípio, chegar à Nova York é sempre um prazer, o que é verdade. A sensação é de que estamos chagando num lugar onde o mundo acontece. E agora, então, que passado o auge da crise econômica que eclodiu em 2008, aquela da bolha imobiliária, os americanos já começam a sentir os efeitos da retomada do crescimento. Taxas de reações positivas dão o tom da situação. A economia já cresce, os empregos idem e o FED (o Banco Central Americano) já se programa para aumentar a taxa de juros que nesses últimos anos beirou o Zero por Cento, como estimulo ao consumo. Os americanos já vão ao mercado e o “império do consumo” volta abertamente ao seu costumeiro apogeu. É incrível observar como as ruas de Nova York estão cheias de pessoas carregando enormes sacolas de compras. Muitos, por enquanto, são brasileiros! E nesse último dia do presidente (16.02), quando os preços são estrategicamente reduzidos, a coisa se revela mais avassaladora. É uma reedição do famoso Black Friday de novembro. Muitas são as lojas que anunciam “pague uma e leve duas”. Até eu, que fui sem qualquer interesse de comprar, terminei capitulando. Paguei por uma calça jeans e levei duas. Isto se repete nos mais variados estabelecimentos comerciais, com os mais distintos tipos de produtos. E olhe que os preços, comparados aos do Brasil, já são vantajosos mesmo para quem paga uma e leva somente uma. Imagine levando duas. Mais incrível ainda, foi que houve lojas, numa das quais minha esposa entrou, escolheu a mercadoria e na hora de pagar a caixa avisou: “ao comprar este artigo, a Senhora pode escolher mais duas peças iguais pelo valor de uma”. Ela não entendeu direito e ficou impressionada. Tive que repetir duas vezes e convencê-la da realidade. Difícil prá ela foi eleger as cores disponíveis: levo azul ou vermelha? Ah! Não, preta eu já escolhi antes... Coisa de “louco”. Posso garantir que foi numa loja de grife bem desejada pelas consumidoras brasileiras. Aqui, no Recife, esses mesmos produtos chegam com preços inimagináveis nas lojas de grife dos Shoppings de luxo.
Pois é, andar esses dias por N. York, para quem está antenado, dá para sentir o cheiro da retomada do crescimento de Tio Sam, das costuras políticas internacionais no “fumacê” da ONU, detectar os burburinhos causados pelo New York Times e, enfim, sentir que é dali donde a locomotiva da economia mundial parte, embora que muitos torçam a cara a este fato. Sabem de nada, inocentes... Isto, mesmo considerando que o presidente Obama não esteja com o balão de todo inflado. Ele enfrenta um Congresso de maioria opositora e tem adotado medidas que não agradam a considerável parcela da população norte-americana.
E, por falar em New York Times, é indiscutível que este respeitado jornal norte-americano tem aberto largo espaço para reportar a atual crise político-econômica brasileira. Nosso país antes – recordo os anos 2012, 13 e 14 – incensado pelos progressos alcançados e pela situação privilegiada no cenário internacional, aparece agora como sendo um fiasco econômico e um blefe sem tamanho. Com razão, porque o que estamos vivendo neste momento de crise política, corrupção endêmica e descrédito geral, não poderia ser relato de outra forma.
Duas coisas vêm deixando “agachados” e sem palavras a nós brasileiros, quando circulando ultimamente em Nova York: uma sem muita gravidade, que é a gozação que fazem quanto ao placar de 7 x 1 que tomamos dos alemães, dentro de casa, na Copa do Mundo. É uma coisa que sai no xixi, embora haja quem se sinta humilhado. A outra, bem mais grave, é quando se diz que Brasil quer dizer Corrupção. Nada me doeu mais do que isto. É impressionante como o caso do Petrolão repercute nos Estados Unidos. Com ações desvalorizadas, na bolsa de Wall Street e classificação rebaixada pelas agencias de risco, a Petrobrás é tida como o maior covil de ladrões do mundo. Ouvi alguém dizer que nunca, na história da civilização moderna, se teve notícia de tamanha roubalheira. Os montantes de devolução de dólares roubados, pelos que confessaram o roubo – aqueles das delações premiadas – escandalizam o mundo. Um taxista que nos conduziu, certa noite, a um restaurante, quando soube da nossa procedência, abriu do verbo de tal maneira que tive vontade de pedir para parar antes do destino final. O cara estava tão bem informado que me deixou mudo e perturbado. Dormi mal, naquela noite. Como quem pretende descontar uma indignação, o sujeito arrasou com a Petrobrás, com a PTrália, com a dupla Lula e Dilma, considerando-os serem dois embustes, e frisou que o Pré-Sal é uma grande mentira. Já pensou que “saia justa”? Lembrou-se dos fundos de pensão norte-americanos que acreditaram na solidez da petroleira brasileira, e terminaram perderam milhões de Dólares, “Estes, aliás, já foram à Justiça porque a coisa não pode ficar como está. Querem o dinheiro de volta” arrematou o motorista com tom irado. Paguei ligeirinho a corrida, antes que ele puxasse um revólver, e fui jantar com a família. Mas, confesso que fui desgostoso com esse meu Brasil petista indecoroso. E, para piorar, ainda mais, suportar o frio congelante que fazia, capaz de produzir a arte que a foto a seguir mostra.
Espero voltar à Nova York noutras condições. Pode demorar, porque o Brasil não vai sair fácil dessa, mas espero voltar lá.

Nota: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rescaldo Eleitoral

A criatividade do brasileiro é inesgotável. O tempo passa, as gerações se renovam, o país muda em todos os setores de atividades, tecnologias modernas dão o toque dessas mudanças, mas, os traços culturais resistem ao tempo e acompanham as modificações socioeconômicas. Falo disso após observar o resultado final das eleições, do domingo passado. O que aconteceu aqui no Nordeste brasileiro, particularmente aqui no estado de Pernambuco, onde a candidata petista “deu um banho” de votos no seu adversário e, praticamente, garantiu sua vitória nas urnas, fez-me lembrar a velha e carcomida política do passado, na qual os velhos coronéis dominavam seus currais eleitorais e sempre saiam vencedores se perpetuando, assim, no poder. O que se observa nos dias atuais é um eleitorado refém ao PT baseado nos programas assistencialistas reunidos no popular Bolsa Família. Os atuais coronéis se tornaram mais competitivos quando explorando e refinando a capacidade criativa, nata do brasileiro, lançando mão dos modernos recursos tecnológicos tão bem representados pelas chamadas redes sociais. Rapidamente essas raposas políticas atingem em cadeia o público alvo, coibindo e até ameaçando. Multidões tremeram nas bases diante da possibilidade de perder os benefícios assistenciais adquiridos. Resultado: o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, por exemplos, foram modernas criatividades que renderam, sim, os votos necessários para manter os modernos coronéis no poder. Como os Norte e Nordeste, incluindo a deprimida região do Norte de Minas Gerais, são as áreas mais beneficiadas pelo programão petista fica fácil entender o resultado do segundo turno.
Esse resultado, contudo, vale refletir, foi o mais apertado de todas as eleições do período pós- redemocratização e da polarização PT x PSDB. Apenas 3,28 pontos percentuais separaram a candidata vitoriosa do seu opositor (Dilma 51,64% e Aecio 48,36%). Vamos e venhamos, foi por muito pouco. O “incêndio” da campanha apontava para isto, aliás.
O recado deixado pelas urnas é claro de que o país está dividido e exige um esforço titânico de D. Dilma, nesse seu segundo mandato, com vistas a conduzir o país num clima de tranquilidade e progresso como se deseja.
No seu discurso de vitória na noite do domingo a reeleita prometeu mundos e fundos e garantiu que vai buscar “construir pontes” para estabelecer a conciliação nacional necessária para que seu governo seja profícuo. Na mesma fala sublinhou a intenção de operar mudanças na gestão do país e adotar perseguição cerrada aos corruptos. Vamos ver. Com toda essa sujeira, a começar com o Petrolão e as denúncias que já surgem no âmbito da Eletrobrás, custa-me crer.
 “Governo novo, novas ideias” foi o lema da campanha vitoriosa. Eleitores ou não da candidata Dilma esperam por essas novas ideias porque, afinal, o estado no qual se encontra o Estado Brasileiro e a Economia do país urge que o prometido flua rapidamente. Para reforçar esse ideário é importante também que a mandatária reeleita não perca de vista as cobranças de mudanças de junho do ano passado: na gestão pública em geral, na tentativa de restaurar a credibilidade na administração pública, ajustes na contabilidade nacional, sem o uso dos artifícios criativos, revisão nas políticas econômica, social e fiscal, atenção especial aos setores industrial e agrícola antes que afundem de vez, mudanças na administração das tarifas dos combustíveis e energia, na política das relações internacionais (fala-se que 28 novos embaixadores esperam há oito meses ser recebidos pela presidente. Que falta de visão política!) e nos demais segmentos que fazem rodar o país.
Naturalmente que, para tudo fluir nos conformes, D. Dilma vai ter que se virar e mudar sua postura política e estabelecer um bom diálogo com o novo Congresso. Quero ver.
Bom, por enquanto é tratar de se livrar do rescaldo eleitoral. Deus nos assista.

sábado, 23 de novembro de 2013

Justiça sendo Feita

Finalmente a justiça começa a ser feita. Os mensaleiros estão indo para o xilindró. E é xilindró de verdade. Desconforto, água fria, banheiro coletivo e outras cositas mais. Já era tempo! O STF tinha que ser respeitado. Lembro-me do dia em que eles “livraram as caras”, com o episódio dos embargos infringentes. Coisa mais esdrúxula! Naquele dia, quase desisti de acreditar na Justiça brasileira. Aliás, foi preciso conversar muito, com quem entende do assunto, para engolir aquilo. Para mim não passou de uma grande enrolada. 
O que importa agora é que, afinal, começam a ser presos! Salve Joaquim Barbosa! Com todo respeito, isso é que é um Bicho bom! Regime aberto, semiaberto, fechado ou trancafiado, não importa. O que vale mesmo é saber que estão sendo punidos.  Não adiantou choro, lágrimas, ranger de dentes, militância organizada em torcida, nem velas pros santos. Cadeia e priu.
Nesse cenário, não tem coisa mais indecente do que ver esses condenados posando de vitima e se fazendo de desvalido. Pior, ainda, é se considerar preso político. Faz-me rir. Quisera saber a opinião de D. Dilma sobre isto. Ela que tem experiência disso.
Agora, boa mesmo foi a denúncia do jornalista Cláudio Humberto, na 5ª. Feira passada (Vide Jornal do Comércio): cascavilhando (*) os Estatutos do PT, encontrou que no Artigo 231 é prevista a expulsão das fileiras partidárias todo membro que venha a ser condenado “por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado” (Parágrafo XII). Ora, ora, isto cai como uma luva nos membros que estão condenados e cumprindo penas. Dirceu e Genuíno preenchem essas “qualidades”. Não é fato?
Saiba, porém, que a executiva do partido não cumpre o que é previsto por não concordar com a Decisão do Supremo. Aí, eu pergunto: e é assim? Desde quando uma decisão – transitada em julgado – de um Tribunal Superior - como é no caso - pode não ser reconhecida? Em que país esses petistas vivem?
Cheio de curiosidade, apressei-me e fui atrás do tal Estatuto e eis que encontrei , no mesmo Artigo 231, duas outras pérolas: Dar-se-á a expulsão do Partido quando constatado: “Parágrafo VI – improbidade no exercício de mandato parlamentar ou executivo, bem como no de órgão partidário ou função administrativa” e “Parágrafo VII – incidência reiterada de conduta pessoal indecorosa”.  Será que vão saber usar essas pérolas? Falando francamente, acho que eles foram até inteligentes e corretos na formulação dos Estatutos. Mas, na aplicação, “pisam na bola”. Engraçado é que, imagino eu, Dirceu e Genoíno foram importantes redatores desse estatuto, desde que são ex-presidentes do partido.  Taí  um típico caso do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Enquanto isto, a mídia nacional não para de falar nas roubalheiras que ocorreram na Prefeitura de São Paulo durante governos do PSDB ... Será que esse povo não aprende a lidar com o dinheiro publico?  Êita, Brasil velho... reino de corrupção. Até quando?
NOTA: Nada de fotos ilustrativas, hoje. Não valeria à pena. Só se fosse uma de Joaquim Barbosa. Mas, ele aparece a toda hora, nos veículos de circulação nacionais e internacionais.

(*) Cascavilhando significa:  investigando, pesquisando,  catando, procurando ... Isto em bom pernambucanês.

  

sábado, 18 de agosto de 2012

Corrupção versus Desenvolvimento

Eu posso estar enganado, mas, acho que o julgamento dos mensaleiros do PT, no Supremo, não vem repercutindo de forma esperada. Num país sério essa coisa seria acompanhado e comentado em toda roda de esquina, café ou bar. Besteira minha, porque num país sério uma coisa dessas nem ocorreria. Acho que no Japão, por exemplo, o cara que fosse acusado de um ato de corrupção dessa natureza ficaria tão marcado que a única saída seria o suicídio. Praticaria um harakiri, que vem a ser a forma mais digna de um japa limpar sua honra. Rasgar o estomago com dois punhais e sangrar até a morte.
Esta semana, tentei puxar uma conversa sobre o julgamento que se desenrola em  Brasília e, para minha surpresa, meus companheiros de papo mudaram de assunto, imediatamente, para discutir o futebol e a novela Gabriela – que tem o atrativo dos nus femininos audaciosos – justificando que o resultado do Supremo já se sabe, isto é, absolvição geral da quadrilha. Com o agravante de que logo, logo estarão em Brasília mandando no País. Como se dizia antigamente, fiquei golado. Decepcionado.
Sei não... ou eu sou de outro planeta e cai aqui por acaso ou o brasileiro é mesmo alienado. A impunidade que reina nesta terra Brasilis deve ser mesmo a razão dessa alienação. Muitos são os criminosos que não pagam pelos crimes cometidos, ao mesmo tempo em que muitos inocentes vão para a cadeia injustamente. Até quando essa cultura insana vai prevalecer?
O Jornal Valor Econômico promoveu recentemente um oportuno debate denominado de “O Impacto da Corrupção sobre o Desenvolvimento Econômico” no qual um dos oradores, o Professor da USP, Demétrio Magnoli, classificou a corrupção no país como sendo “estrutural e endêmica”. Concordo com ele. Na sua opinião, a coisa começa e se reproduz, ao longo dos tempos, pela distribuição de cargos de confiança nos três níveis de governo. Com base em coalizões políticas, aproximadamente 600 Mil cargos caem nas mãos de pessoas comprometidas com esquemas de corrupção projetados antes mesma da eleição ganha, durante a campanha. Somente no Governo Federal são cerca de 24 mil postos.
O processo de redemocratização, possibilitando uma oposição atuante e a ação investigativa da imprensa, trouxe melhores condições de expor à população as bandalheiras cometidas. Já conseguimos até mesmo despejar do Planalto um Presidente corrupto. Mas, ainda foi pouco, porque, para que o Brasil dos nossos sonhos se torne uma realidade é preciso que se rompa com a cultura do “jeitinho brasileiro” e que haja mais respeito à coletividade, ou seja, à Nação.
Naturalmente que o grande desafio é mudar a cultura nacional e isto só será possível a partir de uma mudança do cidadão comum. É ele que precisa mudar. Que precisa respeitar o próximo, ser educado desde a base, e se habituar a atitudes civilizadas do tipo não furar a fila, não estacionar nas calçadas ou locais proibidos, não trafegar pelo acostamento ou na contramão, não pegar os atalhos mais improváveis para escapar do engarrafamento ou avançar no sentido contrário no estacionamento do shopping só pra pegar a vaga antes do outro. Ah! não dar dinheiro para o guarda de trânsito anular a multa, entre outros absurdos.     
Se mudarmos a base cultural, teremos a chance de mudar a gestão dos governos. Um dos mais comuns atos de corrupção ocorre no domínio das compras publicas. Esta é certamente a área mais visada e atraente para o corrupto. Tem mais poder o Ministro da pasta que tem maior orçamento. Esse terá mais chance de sair mais rico. A TV e os jornais não cansam de denunciar. Mas, a turma da roubalheira não se intimida. O fornecedor corrupto e visado muda o nome da empresa, arruma um laranja, faz de tudo que é bandalheira e segue agindo relaxado e sem medo. 
Creio que o X da questão está na impunidade. Ninguém se incomoda mais com o que se rouba ou que crimes se praticam. Num Brasil grande demais, as falcatruas se diluem no dia-a-dia. Enquanto isso, se aprofundam as disparidades sociais, a pobreza e miséria de imensa parte da Nação, a insegurança, a inviabilidade econômica, tudo enfim que leva a um solene NÃO ao desenvolvimento. As coisas ainda andam porque estamos num país generoso, de solo fértil e subsolo rico. Mas, isso tudo pode ter fim. Ou se estabelece uma governança sadia e honesta ou isso aqui vai desandar completamente. Corrupção não combina com Desenvolvimento, isto é certo.            
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...