sábado, 22 de novembro de 2014

André Rieu, o Rei das Valsas

Ele é querido e aplaudido por multidões ao redor do planeta. É criticado, às vezes severamente, por muitos especialistas e colegas de profissão, sobretudo na Europa. Mas, indiscutivelmente, ele é empolgante. Estou falando do maestro holandês André Rieu. Tive o privilegio de assistir um dos seus concertos realizados recentemente, aqui no Brasil, na cidade de São Paulo. Peguei a patroa pelo braço e, num dos fins de semana de Outubro, voamos até lá com o propósito único de ver esse entusiasmante animador de multidões. Da vida nada se leva... E essas coisas ajudam a levá-la. O espetáculo proporcionado é daqueles que costumamos classificar como de “lavar a alma”. O clima se instala a partir da entrada do local. Há um frisson coletivo. E falo de um coletivo expressivo porque, afinal de contas, é um público que lota um imenso local, neste caso o Ginásio do Ibirapuera, “templo” de esportes paulistano que pode receber mais de dez mil pessoas.
Precisamente na hora programada o Homem entra em cena, pela porta principal do ginásio, atravessa a plateia, seguido de um “pelotão” de músicos, por volta dos 45, a tocar e levantar o público. É uma entrada apoteótica que vai logo dando o tom do que vem pela frente. Durante mais de duas horas, o que se assiste é um festival de som, luz, imagens, vozes e danças. É contagiante.
Na verdade, mesmo não sendo um critico profissional, aventuro-me dizer que aquela orquestra de afinados músicos e harmonia invejável, sob a batuta de Rieu, domina um repertório que agrada em cheio a “gregos e troianos”. Das mais consagradas valsas vienenses – ele é chamado de Rei das Valsas – aos clássicos dos mitos europeus, enveredando por populares canções do país que visita, o que se assiste é tudo que todo mundo gosta sempre de ouvir. O Cara tem competência e é virtuoso por mesclar o erudito com o popular, além de transformar o popular em erudito, como nunca visto antes. Nesse espetáculo não há lugar para melancolias, tristezas ou desânimo. O clima é de festa do principio ao fim. A chuva de balões de ar coloridos que despenca, teto abaixo, sobre o público, no final do concerto, dá a típica nota final do espetáculo. Tem gente sorrindo, chorando de emoção, abraçando seu par ou vizinho desconhecido sentado ao lado, pulando e instintivamente dançando. Repito, é contagiante. Só mesmo num ginásio de esportes ou em praça pública. 
André Rieu nasceu na medieval cidade de Maastricht, na Holanda, de lá nunca saiu, montou residência e laboratório num belo castelo, de onde parte com sua equipe, a percorrer os cinco continentes. Nasceu de uma família de músicos. Seus pais o conduziram ao mundo da música desde cedo. Começou aos 5 anos de idade aprendendo a tocar piano e violino. Apaixonou-se pela bela professora, de 18 aninhos, e isso o entusiasmou ainda mais para seguir a carreira. O pai desejava formar um profissional mais ortodoxo, mas ele bandeou-se logo cedo para a música popular, entendendo que existem músicas boas e músicas ruins, sejam clássicas ou populares. Ele vai atrás das boas e consagradas pelo publico no passado e no presente, independente do gênero. No palco e sustentado pela sua orquestra, ele “pinta e borda” com seu magnífico violino Stradivarius, avaliado em R$ 6 Milhões, um joia rara, convenhamos. Tem um segurança especialmente  contratado para “segurar” sua joia preciosa, durante as turnês.
Rieu tem voltado ao Brasil, sempre a cada ano, desde que descobriu sua popularidade entre os habitantes de Pindorama, em 2010. Esperamos, faz algum tempo, a inclusão do Recife em uma dessas vindas. Como isso tem se revelado inviável, resolvemos ir a São Paulo. Tomara que o Geraldão seja recuperado, quando então teremos o prazer de recebê-lo nestas bandas. É um show caro devido à logística de transporte, seguros de viagem e de bens materiais, montagem de palco e cenários. Fora isto tem o guarda-roupa suntuoso, a segurança e transporte dos instrumentos, os equipamentos periféricos, hospedagem e alimentação do pessoal e tudo que se possa imaginar ser requerido para uma coisa do gênero.
Ele tem especial carinho e admiração pelo Brasil e no seu currículo consta um estágio que fez de seis meses com o Maestro Jacks Klein, no Rio de Janeiro. Isto foi na década de 70.
No repertório daquela noite em São Paulo, não posso esquecer-me de haver ouvido a execução da popular valsa Danúbio Azul, de Strauss. A plateia explodiu em entusiasmo e pôs-se a dançar. A cena, auxiliada por um recurso de imagem projetada no fundo palco, dava a impressão de que navegávamos no velho rio europeu. Mas, o homem se solta mesmo é quando abre espaço para consagradas canções como Besame Mucho, Êxodos, Granada, Zorba - o Grego e Manhã de Carnaval. Uma beleza sem fim.
Segundo ele próprio, quando percorre o mundo fica de olho em músicos, cantores e canções. A orquestra dele é uma verdadeira organização de Nações Unidas. Tem músicos e interpretes de inúmeras procedências. Do Brasil ele incorporou duas vozes belíssimas e de consagração mundial: Carmem Monarcha e Carla Maffioletti. Essas duas moças fizeram sucesso na Europa e são pouco conhecidas entre nós. Passando pela Argentina arrastou Carlos Buono, um bandeonista sensacional, que hoje integra sua orquestra. Esse portenho nos brindou, em S. Paulo, com duas páginas emblemáticas do moderno tango: Libertango e Adios Nonino, de Astor Piazzola. Ginásio à meia luz e público atento e silencioso, foi de arrepiar. Clique neste Link a seguir e sinta um pouco dessa emoção. https://www.youtube.com/watch?v=2sL3HSnvkUw
No final do concerto uma bandeira brasileira foi desfraldada e Rieu “atacou” de Tico-Tico no Fubá, Aquarela do Brasil e, numa ousadia sem limites, executou o popularíssimo “Ai se eu te pego” de Michel Teló. O Ginásio quase vem abaixo. O Cara sabe agradar. É onde reside seu sucesso.
Assim é André Rieu. Entenda esse Senhor como ele se mostra. Vale à pena assisti-lo.

NOTA: Você pode encontra no Youtube inúmeros filmes de concertos de Andre Rieu. Experimente! Por exemplo: Em São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=CgIQFvdoF9g

Nota: As fotos que ilustram o post foram obtidas no Google Imagens.

7 comentários:

Gut-Ang de Lucena disse...

We went to his concert in Salt Lake city. It was wonderful!
Guta-Ang de Lucena

Susana González disse...

En verdad me encanto, afortunado por haber asistido y oír a un virtuoso como el, no hay razón para una crítica, al contrario es alguien que eleva la música hasta lo más alto. Besos.
Susana Gonzalez (México)

Corumbá disse...

Amigo Girley:

Muito obrigado por isso!

Ina Melo disse...

Bom gosto é bom gosto, sempre!!!!!!!!!!!!
Ina Melo

Vanja Nunes disse...

Bom dia
Concordo com você em gênero, número e grau.Também sou fã dele!
Uma boa semana.
Vanja

graça oliveira disse...

Pois é, companheiro Gisley,
Rieu sabe empolgar o público e você, mas sabe contar uma história!
graça

Girley Brazileiro disse...

Obrigado Graça Oliveira. Vindo de vc vou terminar acreditando. GB