sábado, 28 de dezembro de 2013

Espelho Retrovisor

O ano acabou. Não sei se você, caro leitor ou leitora, teve a mesma sensação que eu tive, de que passou muito rápido. Quando menos se esperou, terminou. O pior é que todos acham que 2014 será mais rápido ainda. O carnaval vai ser em Março, depois vem a Copa do Mundo e em seguida o país só vai pensar nas eleições. Fora Páscoa, Festejos Juninos e outros eventos menores. Dois meses de folia, um de futebol e mais outro, pelo menos, de disputa eleitoral. Ou seja, a rigor, vamos ter um ano de oito meses. Paciência.
Mas, neste apagar de luzes de 2013, resolvi olhar um pouco pelo meu espelho retrovisor e enxergo algumas coisas que marcaram nossas vidas e o mundo: logo no inicio tivemos a tragédia de Santa Maria (RS), na qual mais de duzentos jovens perderam a vida no incêndio da boate Kiss. Até hoje o Brasil chora essas perdas. Aquilo foi desolador. Imagino o sofrimento dessas famílias.
Um segundo fato que chamou a atenção do mundo inteiro foi a renúncia de Bento 16 ao Pontificado de pouco menos de oito anos. Eu estava em Nova York, naquela ocasião, e pude avaliar a imensa repercussão no mundo inteiro. Quem já viu um Papa renunciar? Ato contínuo, a ascensão do substituto, o carismático Papa Francisco. Se a retirada de Bento foi surpreendente a chegada de Francisco resultou noutra imensa surpresa por se tratar, inclusive, de um latino-americano.  Desde o primeiro momento o novo Papa se revelou como uma grande novidade em se tratando do que se chama, corriqueiramente, de Santo Padre. Simples em atitudes, chegado ao povo e, sobretudo, muito humano. No mês de julho, quando veio ao Brasil, para o Encontro Mundial da Juventude, ele se espalhou e mostrou o lado humano da figura de Pontífice – coisa nunca vista – e uma Igreja Católica renovada e politicamente bem direcionada. Acho que muitas outras surpresas estão por vir, desse fantástico Francisco.
Quando junho chegou ocorreu, certamente, o fato político mais importante do ano, no Brasil: o povo, sem qualquer vinculação político-partidária, foi às ruas para protestar e reivindicar melhorias na qualidade de vida, na economia e na vida política nacional. Foi a Nação que se levantou, mostrou a cara e abalou Brasília. A ordem social esteve por vezes ameaçada, sobretudo quando vândalos se infiltraram e desvirtuaram as manifestações. O mais importante é que o recado foi dado e burro será o político (são muitos, aliás) que esquecer os episódios de junho e julho passados. Tudo isso simultâneo à realização da Copa das Confederações, o que causou maior rebuliço. Estão prometendo mais para a época da Copa Mundial. É ruim? Vamos ver no que dá.
Mas, ruim mesmo é constatar que 2013 não foi um ano bom para a Economia Brasileira. As coisas não andaram bem. O país encalhou e não reage aos “estímulos” que o Governo Federal diz haver dado e considerados errados na maioria dos analistas especializados. O crescimento pífio de 2012, vai se repetir neste ano que termina e o país segura a lanterna na lista dos avaliados. Os índices econômicos parecem querer ser compatíveis com os sociais, que não conseguem nunca melhorar. Aquela imagem que a respeitada revista econômica britânica The Economist desenhou numa das suas capas, em 2009, com um simbólico Cristo Redentor decolando, foi repetida em 2013 com um Cristo numa patética pirueta sem destino rumo ao fundo da Baia da Guanabara. É dose... O Real se desvaloriza a taxas preocupantes e a inflação se mostra disposta a recrudescer. Resultado mis prático a exemplificar é lembrar que o cupom fiscal, que a dona de casa leva do supermercado, após comprar cada feira semanal, está cada vez maior. É aí onde a dor dói mais. No bolso. Acho que este tema será o principal mote da campanha eleitoral do ano entrante, seja oposição ou situação. Esta ultima tentando “tapar o sol com uma peneira”.
Agora, se tem um fato que brilha intensamente no meu espelho retrovisor, este é o das prisões dos corruptos mensaleiros. Os brasileiros acompanharam e ainda acompanham  atentamente o processo que sucedeu à decisão do Supremo Tribunal Federal – STF e aplaudiu sem cessar as prisões que foram ou vem sendo executadas.  Estava em tempo de acontecer algo deste gênero neste país tão espoliado cinicamente por políticos e mandatários irresponsáveis. O povo brasileiro precisa disso para reacender as esperanças de viver num país sério.
E Mandela se foi para seu repouso eterno, neste Dezembro de 2013. Bravo herói sul-africano e mestre da conciliação e da democracia moderna. Descansa em paz Madiba.
Do meu posto de observador vejo ainda uma infinidade de outros fatos que chamam a atenção, mas, já não comportam no exíguo espaço do Blog.
Feliz 2014!

 
 
NOTA: O Blogueiro vai entrar de férias e retorna somente em meados de Janeiro

sábado, 21 de dezembro de 2013

Votos de Boas Festas


Amigas e Amigos,

Eis que chegou, outra vez, o Natal. Sinto especial prazer em dizer “outra vez” porque é assim que celebro o fato de viver, de tê-los no meu circulo de amizades e leitores do Blog. Juntos festejemos, pois, a vida neste momento especial. A presença de Cristo Menino nos inspira e nos desperta com mensagens de Amor e Fraternidade, tão necessárias para os homens e mulheres destes tempos.
Por feliz coincidência é, também, fim de ano, momento que sempre sugere uma parada estratégica no corre-corre de cada dia e que nos induz a reflexões e balanço dos feitos e desfeitos que cometemos no ano que se vai.
Por tudo isto me apresso para desejar que as luzes do Natal estejam sempre presente no ano que chega e as esperanças que alimentamos e os projetos que desenhamos se transformem em felizes realidades. Por essa via festejaremos a vida e a enxergaremos como um presente de Deus.     
Como blogueiro, além de festejar a vida, a família, os amigos e meus leitores, tenho também a comemorar os seis anos do Blog do GB. Foi no ambiente natalino de 2007 que decidi criar este espaço de comunicação semanal. Comecei praticamente como uma diversão a mais e dirigido para um grupo bem restrito de amigos e amigas mais intimas. Para minha surpresa, contudo, aquilo que era simples diversão cresceu e se desenvolveu, atravessou fronteiras e se espalhou pelo mundo, sendo hoje seguido por centenas de pessoas que nem posso imaginar quem seja e por onde vive. Ainda me surpreendo muito, examinando as estatísticas que recebo, revelando que o Blog é lido diariamente por russos, chineses e norte-americanos. É bem lido, ainda, na Malásia (21 pessoas esta semana), Lituânia (39 este mês), Vietnã (12 este mês) e Ucrânia (20 este mês). Graças, é bom frisar, ao Tradutor do Google, incorporado ao Blog (Vide Coluna a direita). Tornou-se, portanto, uma coisa mais séria do que o projetado e, além de exigir maior responsabilidade, vem provando que a moderna ferramenta da comunicação cibernética veio para ficar e revolucionar o mundo. Lembro-me, nesta hora, da tese da Aldeia Global do filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan ¹ (Clique sobre o nome em azul e conheça mais)
Em clima de tantas comemorações desejo a todos que me acompanharam no ano que termina – particularmente aqueles que interagiram com comentários sobre as matérias publicadas – um Feliz Natal e que 2014 venha cheio de luzes e de grandes feitos. Prometo continuar com esta convivência semanal abordando os temas dos mais diversos e pensando naqueles que me dão o prazer de acompanhar cada postagem.

Gratíssimo pelo que me proporcionaram em 2013

Girley Brazileiro

¹ Aldeia Global é um termo criado por Herbert Marshall McLuhan, com o intuito de indicar que as novas tecnologias eletrônicas tendem a encurtar distâncias e o progresso tecnológico tende a reduzir todo o planeta à mesma situação que ocorre em uma aldeia: um mundo em que todos estariam, de certa forma, interligados.

 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Madiba

A semana que termina foi marcada pelas homenagens e cerimônias fúnebres de Nelson Mandela. O mundo inteiro postou-se diante da TV para acompanhar os acontecimentos na África do Sul. Além da noticia em si e das imagens geradas desde Johanesburgo, não há dúvidas de que os sul-africanos transformaram a morte do líder negro num espetáculo midiático sem precedentes. O funeral de João Paulo II foi grandioso é verdade, mas, o que vimos em Soweto foi algo diferente e num estilo inusitado. Aquele povo dançando e cantando nas ruas e no estádio Soccer City surpreendeu a muitos nos quatro cantos da Terra. Na prática, o que se viu foi um grande festejo. Foi assim que interpretei. Eles não festejavam a morte do herói contra o apartheid, mas sim, a vida que ele teve e dedicou ao seu povo. Tenho para mim que só sendo africano para proceder e entender desse modo.
Conheço a África do Sul. Estive lá por duas vezes. Na primeira o Mandela era Presidente e o avistei, a distancia, numa manhã de sábado quando circulando na Cidade do Cabo. Isto foi na segunda metade da década de noventa. Há dois anos estive outra vez por lá e Madiba – como era chamado pelo seu povo – estava seriamente enfermo e pairava no ar certa expectativa de óbito. Conversei com um motorista, guia de turismo local, que não escondeu sua admiração pelo herói moribundo. Era um cidadão negro, claro. Havia na sua voz um quê de emoção quando me deu uma ideia de como seriam as exéquias daquele homem que definhava e se despedia do mundo. Isso só veio ocorrer agora. Com mais de noventa anos, vividos na grande parte em momentos de agruras, Mandela desenhou uma imagem de homem diferenciado que o projetou no mundo inteiro como um batalhador e combatente de um regime perverso e desumano que aniquilava uma nação inteira. 80% dos sul-africanos são pessoas da raça negra. No topo da pirâmide social dos tempos de repressão, os brancos eram, então, minoria absoluta. Adotando a força militar e dominando a economia do país os africâneres – gente ali nascida, filhos de colonizadores europeus e pele branca – impuseram, desde cedo, um regime esmagador contra as etnias pré-existentes, entre as quais os Khoisan, Xhosa e Zulu.
O país foi descoberto por Bartolomeu Dias, navegador português, que em 1488 teve sua missão, à Índia, abortada quando esbarrou na Ilha de Robben, situada defronte da Cidade do Cabo. Foi nessa Ilha que Mandela viveu como prisioneiro durante longos anos. A Ilha se tornou ponto de apoio para abastecimento dos exploradores portugueses, ingleses, e holandeses. Os dois últimos, apesar de muitas disputas, falo de guerras, não arredaram os pés de lá nunca mais. Estão até hoje e mandam nos destinos econômicos do país, posando de “donos da bola”. Por trás de tudo, é obvio, o interesse pela exploração econômica como ponto de abastecimento, inicialmente, seguido de exploração agrícola-mercantil e, a partir da segunda metade do século 19, das riquezas minerais descobertas no subsolo do país. A abundância de ouro e diamantes encontrados atiçou de vez a ganância dos europeus.
Havia, na prática, uma estratégia bem montada para afastar os nativos das atividades, sendo mobilizados, apenas, como escravos. O regime segregador foi aprofundado no final da primeira metade do século passado, quando, em 1948, o regime do apartheid foi oficialmente instituído. Foi nesse cenário que surgiu a figura do herói Mandela. Já formado em Direito e à frente do primeiro escritório de advogado negro do país, logo cedo descobriu que a justiça era sistematicamente favorável aos brancos. Entrou na política se inscrevendo na ala jovem do partido do Congresso Nacional Africano – CNA. Nele se projetou e liderou campanhas e movimentos contra o regime. Considerado terrorista, foi julgado de forma espúria e levado para prisão perpétua, naquela ilha Robben, onde Bartolomeu Dias aportou. Sua condição como prisioneiro foi das mais cruéis a ponto de ser proibido de assistir o funeral de um filho morto em acidente de carro e o da sua própria mãe. As insustentáveis pressões domésticas e internacionais, entretanto, levaram a que o Governo decidisse libertar Mandela em 1992, depois de 27 anos de cativeiro. Em liberdade, voltou à vida publica e se elegeu como primeiro presidente negro do país em 1994. Sua ambição, contudo, não era ser mandatário político, mas sim, um pacificador. Assim atuou estabelecendo a paz entre brancos e negros e instalando um regime democrático no seu país. Foi, com muita justiça, Premio Nobel da Paz em 1993. Muito antes de morrer já tinha uma praça com seu nome e uma estátua gigante. (vide foto abaixo do blogueiro diante da estátua)
A África do Sul atual é um país em desenvolvimento social e econômico. Impressiona qualquer  visitante. Notei diferenças significativas entre o que vi nas duas visitas que fiz. Mandela partiu para eternidade, mas, sua imagem e sua obra entraram para a história universal, como pai da Moderna Nação Sul-Africana.
Nos últimos dias, tenho lembrado muito do meu guia/motorista na última visita a Joanesburgo e da parada que fizemos diante da casa do líder. (Vide foto a seguir dele com minha esposa e meu filho)