quinta-feira, 30 de outubro de 2008

CÁLCULO ERRADO

Nas minhas idas e vindas Brasil afora, quase sempre em missão de trabalho, algumas coisas chamam-me à atenção. Coisas que muitas vezes comento aqui neste espaço e coisas que se acumulam na memória e, de repente, afloram de e maneira clara e pedindo reflexão ou comentário.
Ontem à noite, por exemplo, voltando de mais uma ida a Brasília, observei que naquela cidade há também um tremendo problema de trânsito.
Fiquei impressionado, a caminho do aeroporto, com o pesado fluxo de automóveis que saia, por volta das 19h, do chamado Plano Piloto – a área central da Capital Federal – para as cidades satélites. Isto, porque a opção do trajeto foi a via que margeia o Lago Sul, considerada melhorzinha. Momentos houve, de paralisia geral do transito, que senti a sensação de que perderia o vôo. Conduzido por um amigo, fui informado de que isso é rotina.
Vejam só! O brasiliense, para cumprir suas agendas, já começa a se programar considerando o tempo que vai perder no deslocamento. Quem diria? Uma cidade projetada para ter um trânsito fluído, sem cruzamentos e sem semáforos, transformada num inferno recheado de automóveis.
Acho que os projetistas da Capital, na primeira metade do século passado, subestimaram duas coisas: o poder de atração que a nova capital exerceria sobre boa parcela da população que terminaram por elegê-la como domicilio e, depois, a popularização do automóvel neste país de Cabral. Indiscutivelmente, foi um cálculo equivocado.
É isto mesmo. Brasília está inchada. São inúmeras as cidades satélites e os núcleos residenciais no entorno do Plano Piloto que funcionam como dormitórios, despejando, diariamente, levas e mais levas de trabalhadores comuns, vendedores ambulantes, funcionários públicos, comerciários, bancários, funcionários de embaixadas e organismos internacionais, entre outras categorias, na região central resultando num movimento populacional que já ultrapassa a casa dos 2 Milhões. Ora, Brasília foi projetada para abrigar, quando muito, apenas 650 Mil habitantes. Resultado é que a cidade ficou pequena para abrigar tanta gente. Depois do sufoco no transito, encontrei o Aeroporto JK apinhado de gente. É o terceiro aeroporto mais movimentado do País. Ali ocorre, a cada dia, uma prova concreta de que viajar de avião virou uma coisa corriqueira neste país. É impressionante o movimento de passageiros naquele terminal do Planalto Central. E aí, outra constatação: o aeroporto de Brasília é outra coisa que, também, ficou pequena para o imenso número de vôos que chegam e partem dali. As salas de embarque são confinamentos acachapantes e parecem ser sempre desorganizados. No meu caso, ontem à noite, antes do embarque apontavam um determinado portão, lá dentro o portão era outro. Um estrangeiro, coitado, ficaria perdido e desorientado.
Dado o embarque, vi-me numa aeronave literalmente lotada. Tem sido sempre assim. Há muito tempo só viajo em aviões lotados.
Enfim, considerando o calor de 37º C reinante nos últimos dias na Capital Federal, um outro “calor” emitido pelo debate da Crise Internacional, a baixa umidade relativa do ar, os engarrafamentos no transito, a poluição seca e sufocante de poeira e queimadas, o avião lotado e apertado, a gravata, o paletó, uma maleta de rodinhas e um notebook pesado a tiracolo... estou cansado até agora, depois de passadas 24 horas. É duro agüentar essa Brasília do século 21, sendo exigida a mais do que o que calculado.
Nota: Imagens obtidas no Google Imagens. Panorama de Brasilia e engarrafamento em Brasilia

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nas mãos da China

Hoje fiz diferente. Sem outro assunto para uma postagem, salvo os que se referem à Crise Economica, preferi postar um artigo que li ontem no Diário de Pernambuco, da autoria de Paulo Paiva, do Jornal O Estado de Minas. Ele foi muito feliz na sua analise jornalistica, com a qual concordo plenamenta. Esta é, aliás, a preocupação dos cidadãos norte-americanos, segundo meu irmão Gustavo Brasileiro, economista, radicado nos Estados Unidos, com o qual conversei longamente neste sábado passado. Tem muito a ver com minha postagem anterior.
Veja a seguir o artigo:
"O mundo está nas mãos da China. Está ali, entre os chineses, o novo poder econômico mundial. E há pelo menos dois bons motivos para isto. O primeiro são as reservas internacionais da China, estimadas hoje em US$ 1,9 trilhão, ou quase 10 vezes maiores que as brasileiras, ou apenas US$ 1 trilhão a menos do que EUA e Europa estão gastando, juntos, para salvar seu sistema financeiro, ou ainda bem maiores que Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, estimado em US$ 1,3 trilhão. Em resumo: hoje, o dinheiro está na China.Estima-se que pelo menos um terço desse montante esteja aplicado em títulos do Tesouro americano - o que faz da China, na prática, o verdadeiro banco central americano, já que cabe a ela financiar os gigantescos déficits fiscal e comercial da América. Em grande parte, será também o dinheiro chinês, convertido em títulos dos EUA, que financiará o pacote de US$ 700 bilhões anunciados pelo presidente George W. Bush para salvar os bancos americanos. Outra parte das reservas chinesas estão aplicadas em ações e empresas americanas, como o Banco Morgan Stanley. Mais: em dificuldades econômicas, Angola e Paquistão foram pedir empréstimos a Pequim, e não a Washington, como antigamente.O segundo motivo também é robusto: o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 9,9% de janeiro a setembro, e 9% no terceiro trimestre. É verdade que o percentual anualizado representa uma queda em relação aos 12% do ano ano passado, e aos 10,5% do segundo trimestre, mas ainda é um colosso comparado ao crescimento praticamente nulo dos EUA e Europa este ano, e mesmo em relação ao Brasil, cujo PIB, se tudo der certo, deve avançar 5%. Os bancos chineses, já estatizados, não enfrentam a turbulência que assola as instituições financeiras ocidentais. Por isso, não seria exagero dizer que, neste momento, graças às suas reservas e ao seu crescimento, a China é a dona do mundo. Isso não quer dizer que a crise financeira mundial não chegou à China. Chegou. Na semana passada, duas fábricas de brinquedo fecharam as portas, demitindo quase 7 mil pessoas. Mas o governo chinês está reagindo. E tem bala na agulha para isso."Com reservas de US$ 1,8 trilhão, a China pode usar ferramentas como incentivos fiscais e isenção de impostos para empresas. As reservas chinesas funcionam como um instrumento para ceder crédito. E agora, com a crise nos EUA, pode ser a grande oportunidade para a China comprar ativos americanos por preço barato. A China, de forma seletiva, pode ir às compras", diz Luiz Iani, sócio da DLM Invista. Iani também concorda que a China vai ditar o crescimento do mundo nos próximos anos."

sábado, 18 de outubro de 2008

Outro Império que cai.

Faça o que eu digo e não o que eu faço. Esta parece ter sido a referencia econômica dos Estados Unidos, durante todo esse tempo em que liderou a economia do planeta. Digo liderou, porque, a meu ver, isto é coisa do passado. O império norte-americano acaba de ruir. Durante décadas os yankees deram as cartas, apregoaram e impuseram limitações aos paises periféricos, para, em troca, ter suporte para a sua política de liderança planetária, acumulando, hoje, uma divida colossal por assumir um sistema financeiro erodido, financiar cortes fiscais internos e patrocinar aventuras militares ilimitadas.
O maior mandamento da política econômica norte-americano, a do livre mercado, se auto-destruiu na medida em que parte importante do seu sistema financeiro foi ao fundo do poço e teve que ser socorrido pelo Governo. Ou seja, foi estatizado. Vejam só! Eles agora andam na contra-mão! Resultado: caos instalado, mundo em convulsão econômica, desconfiança geral, perdas incalculáveis. O fim do mundo...
Acredito que estamos diante de uma mudança geopolítica histórica, no qual o equilíbrio do poder no mundo se altera de uma forma irreversível. Não se trata apenas de uma crise financeira. Há também uma profunda crise política. Falta uma liderança de pulso na condução dos negócios globalizados. Bush pôs uma pesada pá de terra no império do Norte. A era de liderança estadunidense, que vem desde o final da Segunda Grande Guerra, ao que parece, chegou ao fim. Tenho pena é do futuro inquilino da Casa Branca, até porque não vejo perfil de estadista em nenhum dos dois postulantes.
Muito bem. Como as coisas não podem ficar, por muito tempo, à deriva, os lideres da União Européia se mobilizaram e começam a estabelecer estratégias de longo alcance para dar fim a desordem instalada. Reprovando energicamente o despautério bancário norte-americano, estão dispostos a estabelecer regras claras e rigorosas para uma nova ordem econômica internacional. Fica claro, portanto, que aos europeus passará o papel de dar as cartas. É a minha opinião.
O interessante disso tudo é que a História nos mostra que a derrocada de um império se caracteriza pela interação do binômio: guerra e dívida. Assim foi com o Império Britânico que se enfraqueceu e se esvaiu na Primeira Grande Guerra, com o Nazismo de Hitler, como foi com a União Soviética e como ocorreu com outros mais remotos, entre os quais o Império Romano e o de Napoleão Bonaparte. A Guerra do Iraque e a balbúrdia creditícia debilitaram fatalmente a liderança econômica dos Estados Unidos. Eles continuarão sendo uma das maiores economias do mundo, mas, indiscutivelmente, com grandes limitações e sem o brilho do passado. A farra acabou! Novas potências econômicas ascendentes tomarão seu lugar e, inclusive, quem sabe, se encarregarão, uma vez superada a crise, de comprar o que restou intacto do sistema econômico-financeiro norte-americano, inclusive para tirá-lo da recessão que vai reinar nos próximos anos.
É isto aí: de repente está surgindo um novo mundo, no qual a liderança dos Estados Unidos será coisa do passado. É outro Império que cai, para registro da História.
Nota: A ilustração foi colhida no Google Imagens.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Marola ou maremoto?

Como qualquer cidadão brasileiro e de sã consciência, estou ligado no debate da crise econômica mundial que se alastra nos quatro cantos do planeta. Não pretendo fazer nenhum comentário especial – por incompetência ou pelas complexas características do caso – mas, vou fazer algumas considerações, baseado em comentários na mídia, conversa com empresas e pessoas amigas aqui no Brasil e fora do país.
A primeira coisa que me ocorre comentar é a opinião do Governo Brasileiro e, particularmente, do nosso Presidente Lula. Desde o inicio do problema fiquei muito impressionado com os pronunciamentos do nosso mandatário, por serem excessivamente otimista, ignorando o fato concreto de que o Brasil é player do jogo da economia globalizada e capitalista. Pensando bem, no mundo de hoje, é inteiramente impossível, a qualquer país, ficar imune a este debaque econômico nas proporções do atual. Isto parece claro e cada vez mais certo, mesmo no “reino encantado de Lula”.
Fala-se muito do sistema bancário brasileiro, que é bem estruturado e se encontra numa fase segura. É verdade. Mas, este mesmo sistema bancário não vive autarquicamente, digo, independente de relações internacionais, porque boa parte faz parte de conglomerados internacionais e, por isso, vai ter lá seus percalços. Prova disso é que o Banco Central e o Governo maneiraram na questão do depósito compulsório, liberando bom percentual para manter irrigado o sistema financeiro nacional.
Depois disso, lembro que as grandes empresas brasileiras, internacionalizadas, com ações na bolsa de Wall Street, obviamente vão sofrer efeitos da crise, e as que, por razões diversas, dependem de transações no mercado externo – seja comprando matérias-primas ou vendendo seus produtos – vão certamente sofrer sérios efeitos do problema.
Ao mesmo tempo, considerando o que está ocorrendo com os preços das commodities – em baixas acentuadas – a situação começa a ser mais preocupante ainda. O petróleo, por exemplo, cujo preço do barril vem caindo todo dia, sem perspectivas de recuperação em curto prazo, remete a que os cálculos da receita projetada com o óleo brasileiro, da camada de pré-sal, devem ser refeitos e o resultado vai ser uma inesperada surpresa. Depois disso, tem o minério de ferro, a soja, o açúcar, o suco da laranja, fortes itens da nossa pauta exportações e por aí vai.
Ah! Mas o Dólar americano, na esteira da crise, se valorizou frente ao Real e isto vai representar uma recuperação das nossas exportadoras. É possível... mas, é bom lembrar que o mercado consumidor pode se retrair e isto pode gerar uma queda nas vendas ao exterior.
Estive conversando com uma pessoa da família, que vive nos Estados Unidos, e fiquei sabendo das mudanças nos hábitos do consumidor americano. Há muita preocupação e cautela dos que estão com o poder de consumo equilibrado, assim como há os incapacitados de consumir por estarem quebrados, depois de cair nas ciladas do crédito fácil. O clima, por lá, é de muita incerteza e de alguma revolta. Ora, se está sendo difícil na terra de Tio Sam, será difícil, também, para muita gente ao redor do mundo e o brasileiro não é melhor do que os outros. Imagino que, por estas horas, os chineses devem estar calculando as perdas devido à retração do consumo dos norte-americanos, que são os maiores compradores das bugigangas chinesas.
Conversei também com representantes de algumas empresas locais e cheguei à conclusão de que paira sobre elas “nuvens pesadas” sinalizando uma tempestade a qualquer momento. Um deles me disse que, por sorte, está com o almoxarifado abarrotado de componentes importados e, por enquanto, o Dólar alto não afetará seus negócios. “Daqui a três meses, espero que o Real se valorize, outra vez, e minhas compras de componentes sejam viáveis. Caso contrário vai ser difícil segurar...”, explicou meu interlocutor. Outra, estava preocupada com o preço do componente principal e mais valioso do equipamento que produz, porque é de origem norte-americana e, portanto, vai depender de um Dólar mais caro. Está com medo de perder a competitividade de mercado. Noutra empresa, que além de comprar componentes no exterior, vende muito no mercado externo, considera que a alta da moeda americana vai ser mais conveniente ao seu negócio. Isto, se não houver retração no consumo. Falei ainda com outra, multinacional, com sede na Europa e unidade no Recife e ouvi uma explicação interessante: apostou (não sei como) numa valorização do Euro e, com isto, orçou a produção e a comercialização anual com uma taxa de cambio valorizado. Acertaram na mosca. Estão tranqüilos, mesmo que temporariamente.
É isso aí. Esta coisa, de uma forma ou de outra, vai nos afetar. O pãozinho de cada dia vai subir, a ceia do Natal vai ficar mais cara e quem planejou viajar para o exterior (como é o meu caso) vai ter que esperar o furacão passar, juntar os pedaços e rever seus projetos.
É prudente, então, que não acreditemos na idéia de marola de Lula, porque nem ele mesmo acredita mais. Notaram? Resta saber se é marola ou maremoto?
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

ELES NÃO FORAM ELEITOS

Confesso que fiquei aliviado, quando conferi os nomes dos vereadores eleitos para a Câmara Municipal do Recife. Além de encontrar nomes de conhecidos e amigos, vi que não aparecia nenhum dos folclóricos nomes de candidatos que encontrei listado no Diário de Pernambuco, do dia 20 de julho passado.
Durante toda a campanha, fiquei numa inquietação desmedida. Eleição sempre traz muitas surpresas. A gente só sabe o resultado quando as urnas são apuradas. Caso alguns desses candidatos saíssem vitoriosos, eu veria muitas dificuldades para a sociedade absorver seus nomes raros, quase alcunhas, nada recomendáveis para a composição da Casa de José Mariano.
Imaginem vocês o que faria, se eleito, o Vereador Faca Cega (PTN), como legislador municipal e em favor da cidade. Mais do que isso, imaginem, ele se candidatando à Presidência da Casa. No mínimo ele iria compor, a mesa diretora, com Largura (PV), para ampliar a mesa, Gordo da Salada (PTC), que refrescaria o plenário com sua salada de frutas, Pombo Branco (PPS), para estabelecer a paz nas horas de tumulto, Radio Olinda, o Popular (PSL), irradiando todos os acontecimentos, e Tieta do Agreste (PTN), que se desmancharia em carinhos e sensualidade, para aprovação de alguns projetos. Na Secretaria da Casa, a melhor pedida, para ele, seria Tati Pink (DEM), que, aliás, olhe lá, teve uma votação excelente e ficou com uma suplência.
Para a articulação política da Câmara, atuando no “meio de campo”, Faca Cega teria como boa pedida o nome do vereador Mauro Shampoo, cabeleireiro e jogador do Íbis, que, com toda certeza, seria desafiado pelo vereador Pelé (PTdoB), sob a alegação de que seu nome é uma grife mundial. E, aqui prá nós, seria justíssimo!
Pensem ainda nos esforços que Paulo Rodela (PSDC), Gorda (PRP), Dalva Maga (PSDC) e Cenoura (PTN) fariam para derrotar essa chapa de Faca Cega, que, aliás, nessa hora, já teria o apoio de Liberato Costa Junior, que, depois do enézimo mandato, saiu derrotado nas urnas e, sem outro remédio, apostava todas as cartas no seu ex-militante. Isso mesmo, eu soube que Faca Cega era o mais importante cabo eleitoral de Liberato. Cá pra nós, a meu ver, um verdadeiro Calabar! Como é que pode? Liba não merecia!
Eu só sei que a briga deveria ser grande, até porque eles iriam argumentar que representavam uma renovação, sangue novo e novo tempo na Câmara Municipal. Os poucos veteranos, restantes, estariam neutralizados e sem ação, diante de tantas novas energias. Além destes, ainda concorreram: Mimi, Bibiu, Zé Ninguém (que poderia mudar de nome para Zé Gente), Neno Burracheiro, Jorge da Pressa, Lourdes do Posto e Fátima da Lojinha (coitadinhas), Louro José, imagine só, Adilson Bolinho e Cuscuz.
Ah! Fiquei pasmo, também, com alguns candidatos do interior e ainda não tive tempo de examinar quem foi eleito em algumas cidades. Fico preocupado se entre os vitoriosos se encontram Peitinho (PRB), Potência (PV) e Dedé da Simpatia (PSDB), em Petrolina, que, aliás, tiveram a subida honra de disputar vagas com Alexandre Barak Obama (PSDB). Aí sim, só era o que faltava, Barak Obama ser eleito para a Câmara Municipal de Petrolina... e perder nos States. Estaria feita a maior confusão internacional...
Pois é, eu acho que esses senhores e senhoras, sem a menor chance de fazer uma campanha adequada e ganhar a eleição, apelam para a gaiatice desmedida e tentam, com isto, desmoralizar um processo que requer respeito e maturidade. O Brasil merece coisa melhor!
A idéia que passam é que jogam um jogo do vale tudo. Deve ser isto mesmo. Foi assim que Reginaldo Rossi e a empresária de garotas de programa, Odete, encararam as urnas, em Jaboatão dos Guararapes e a rebolativa Gretchen, em Itamaracá.
Meus amigos, foram muitos outros nomes folclóricos que se apresentaram como candidatos, no Pernambuco afora, entre os quais: Durão (PSL), Galega (DEM), esta, segundo o jornal, é uma legitima afro descendente, Xupeta (PDT), Fossa (PTdoB) Véi de Gaia (vôte!) (PDT), Buda (PMDB), João da Ema (PPS), Sapo de Tomate (PTB) Isac do Xuxu (PSDC), Pudim (PDT), Zé Pezão (PSC) e Paulo Doido (PDT).
Para terminar, eu soube de um que se chamava Nem, cuja propaganda era simples e indolor: Nem Fez, Nem Faz, Nem Fará. Pode uma coisa dessa?
Chora Brasiiiiiiiil!
Ufa! Ainda bem que eles não foram eleitos!

Nota: As ilustrações foram colhidas no Google Imagens.

sábado, 4 de outubro de 2008

Recife vai parar

Sabe, minha gente, a situação do transito no Recife está chegando ao limite. Já não há mais hora boa para circular. Agora, é engarrafamento o dia todo. Acho que, dentro de dois ou três anos, ninguém conseguirá sair de casa com seu próprio veículo.
A estrutura da cidade já não suporta tantos veículos em circulação. Segundo o Detran estadual, a Região Metropolitana do Recife tinha registrado, em agosto passado, um total de 763.595 veículos, incluindo automóveis, ônibus, veículos de carga e motos. Este número corresponde, aproximadamente, à metade da frota que circula no estado inteiro.
Ultimamente, há meses em que o Detran emplaca mais de 5 mil novos veículos. A tendência tem sido de crescimento, inclusive pelas facilidades de crédito para compra de automóveis. Há financiamentos em até 60 meses.
Pensando bem, os números apontados são de considerável magnitude para uma cidade de estrutura urbana antiga, com um traçado desordenado, em face da construção histórica e modo espontânea, carente de vias de circulação modernas e sem condições de expansão. Imagine, ainda, que, por razões das mais diversas, este número de veículos em circulação na cidade é sempre acrescido por veículos oriundos de vários pontos do próprio estado e dos vizinhos, seja de passagem ou permanência mais longa, atraídos pelo pólo sócio-econômico. Não tem jeito, a cidade vira uma balbúrdia, com um ambiente cujas características principais são engarrafamentos, motoristas estressados, buzinação, acidentes etc.
Para completar, temos um povo pouco educado ao volante, que transformam o transito da cidade numa grande aventura. O cidadão mais cuidadoso e educado sai sempre de casa sem ter a certeza de voltar incólume.
Quando vejo os atuais candidatos a prefeito do Recife, fico me perguntando se incluíram, nos seus planos de governo, uma ação voltada à administração desse caos. Ouço falar numa tal de via Mangue, há um bom tempo, e nada mais. Como se a citada via – prometida tantas vezes, sem sair do papel – fosse solucionar o problema da cidade como um todo. Acredito, que venha ser muito útil à zona Sul da cidade. Mas, é na zona Norte onde a coisa vem se agudizando. Nesta área houve uma intensa expansão imobiliária nos últimos dez anos, concentrado um alto contingente populacional.
Moro numa rua pequena (aproximadamente 300m) e estreita, nos Aflitos, na qual, em quatro anos, surgiu uma meia dúzia de novos edifícios com, em média, 20 andares. Imagine que sendo construções de dois apartamentos por andar, resulta, por baixo, em 240 moradias. Todas com, pelo menos, um automóvel. Minha rua hoje tem um movimento atípico. Muitos veículos, num permanente entra e sai, estacionamento nos dois lados e a circulação (mão única) sempre muito tortuosa. Isto se repete em inúmeros pontos da região e da cidade no seu todo, deixando a população atônita e preocupada com o futuro.
Sabe de uma coisa? A esta altura dos acontecimentos, uma das soluções, mais adequada e emergencial, seria adotar o esquema do rodízio de placas, como o vigente, há um bom tempo, na cidade de São Paulo. Lá o problema ainda não foi solucionado, mas ajudou.
Aqui o sistema seria odiado por muitos, sobretudo por conta da péssima rede de transporte coletivo e do comodismo das classes alta e média. Mas, não vejo outra solução, até que os governantes de plantão descubram outras. Como está, não pode ficar.
O Recife vai parar, porque tem muitos carros e poucas ruas.

Notas: Escrevo este artigo lembrando meu Companheiro rotariano Ubiracy Silva, que vem manifestando preocupação com o transito do Recife.


A foto é do transito do Recife, obtido no Google Imagens