sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

PANAMÁ

Segundo a rede de TV norte-americana CNN, o Panamá é um dos lugares recomendados para ser visitado em 2014. Ocupa o segundo lugar numa lista de onze. Em primeiro lugar, vejam só,  está o Brasil, isso devido ao Campeonato Mundial de Futebol. No caso do Panamá é por conta do centenário de abertura do Canal. Entre os demais lugares, se destacam: Mianmar, Equador (considerado como o futuro maior destino turístico da America do Sul), a Nova Zelândia, a Espanha e a Costa Rica.
Deixando essa lista de lado, nem sabia da existência dela, estou satisfeito por haver voltado ao Panamá, neste mês de janeiro, durante minhas férias. Foi minha terceira visita àquele belo país centro-americano. Teve um sabor de reminiscência, porque já vivi por lá quase que seis meses, no meu tempo de juventude, quando me qualificava profissionalmente para atuar na SUDENE. Fui como bolsista da USAID (Agencia Norte-Americana de Apoio ao Desenvolvimento). Tempos bons... Nos fins da década de 70 voltei por lá rapidamente numa viagem de turismo.
Além de rever o país, fiquei surpreso na recente visita. Há uma diferença gigantesca entre o Panamá dos anos 70 e o que se observa atualmente. O país mudou a imagem completamente. Tive até dificuldades de identificar lugares comuns naqueles ontem dos setenta. Após quarenta anos, o país é outro. A Cidade do Panamá, a capital, se transformou numa metrópole de padrão pouco comum no mundo moderno. Arquitetura arrojada, com perfis revolucionários, e de extrema vanguarda. Coisa somente vista na nova China ou nos Emirados Árabes. Aliás, com muita razão, andam chamando a Cidade de a “Dubai Ocidental”.


Mas, qual a razão dessa pujança toda? O segredo está na soberania assumida pelo país, a partir de 01 de janeiro de 2000, do canal interoceânico que liga o Atlântico ao Pacifico, antes sob o domínio dos Estados Unidos. Foi um século de lutas sem fim até que os panamenhos conquistassem o espaço territorial da Zona do Canal.
Trata-se de uma monumental obra de engenharia – maravilha do mundo moderno – que num percurso de apenas 82 quilômetros, situado na metade do país, encurta de maneira formidável distancias entre pontos importantes do mercado mundial. Ao invés, por exemplo, de contornar toda a América do Sul para levar uma carga de Nova York ao leste asiático ou à Costa Oeste americana, um navio cargueiro usa o atalho do canal do Panamá, economizando tempo e dinheiro.  Por ano, uma média de 14.000 navios cruza o canal. Isto representa uma renda certa para um pequeno país de pouco mais de 3 milhões de habitantes. Ouvi de um nativo que o ingresso diário de dólares é da ordem de US$ 2,5 milhões. Duvidei um pouco, mas, pode ser isso mesmo. Pelos meus cálculos podem passar por dia, aproximadamente, 40 navios, com “pedágios” consideráveis a depender do porte do barco. Lendo um informe distribuído na visita que fiz ao Canal (Eclusa de Miraflores) encontrei um dado interessante: a Junta Diretiva da Autoridade do canal do Panamá (ACP) aprovou o aporte de US$ 982,0 Milhões ao Tesouro Nacional decorrente do resultado financeiro de 2013. Pensando que os custos operacionais e de administração devem ser astronômicos... É uma quantia considerável. Em 14 anos de domínio sobre o Canal os panamenhos já injetaram no Tesouro do país quase US$ 10,0 Bilhões. Para um pequenino país é um expressivo montante. Sobretudo levando em consideração que a base econômica se esteia nas atividades de subsistência, artesanato, indústria de vestuário e prestação de serviços. E a mais importante riqueza mineral é o sal.
Vendo tudo isso, recordei das lutas que foram travadas durante o século passado entre panamenhos e norte-americanos. Presenciei um episódio. Os primeiros lutando pela soberania da Zona e do próprio Canal e os gringos “fincando o pé” usando a costumeira força militar para manter aquela “galinha dos ovos de ouro”. A Zona do Canal, com oito quilômetros de faixa a cada lado do canal era território americano. Panamenho não entrava. Meu treinamento foi ali, na Zona. Precisei de visto dos Estados Unidos para entrar. Esse território, vejam só, foi durante quase um século um enclave (protetorado) dos ianques.  O Comando Sul da Armada Norte-Americana era lá! Tudo em troca da independência do país – antes pertencente à Colômbia – e da construção e exploração do Canal. Claro que os americanos, como sempre, não “pregaram prego em estopa”! O interesse comercial esteve sempre à frente. Além do militar. Na Segunda Guerra o Panamá e seu canal foram pontos de interesse estratégico. Não fosse a pressão popular dos nativos, muito sangue derramado, muitas mortes e as inúmeras negociações políticas, a situação ainda seria a mesma. Foi no Governo de Jimmy Carter (1977) que os americanos cederam forçosamente e celebraram um acordo. O Panamá conquistou a soberania definitiva sobre a região e o Canal em 31 de dezembro de 1999. É uma história longa e palpitante. O espaço do Blog não caberia de uma só vez.  
Os panamenhos, antes um povo paupérrimo e dominados pelos yankees, tinham toda razão em lutar até a morte por um país independente e livre. O pequeno Panamá de hoje goza de um prestigio internacional invejável, cresce a taxas chinesas e o padrão de vida supera todas as marcas da região. Fiquei surpreso e encantado com o que vi. Dá vontade de voltar.

Encontrei uma estrutura urbana excepcional, hotéis de primeiríssima categoria, povo educado, alegre e receptivo ao visitante e uma cidade limpíssima. Fora isto se destacam as manifestações culturais valorizadas – através da dança, música, artesanato e gastronomia marcantes –, o patrimônio histórico preservado de modo irrepreensível, custo de vida razoavelmente bom , come-se muito bem e, para completar, clima e paisagem que agradam a todo e qualquer visitante.
   

Visite Panamá. Você vai gostar. É um lugar que dá vontade de voltar.
 
NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro.