terça-feira, 28 de junho de 2016

Uma Viagem Inesquecível

Tenho sempre em mente que uma viagem periódica é a melhor forma de arejar a mente, adquirir novos conhecimentos e sair da rotina muitas vezes cansativa do dia-a-dia. Não importa o destino. Perto ou longe qualquer deslocamento gera benefícios ao corpo e à alma. E sair um pouco do Brasil, nesses tempos de crise político-econômica, nem se fala. Foi o que fiz nas duas últimas semanas, quando andei pela Europa, visitando Holanda e Portugal. Senti especial vibração porque, após haver sido submetido a uma cirurgia de grande porte no coração e há pouco mais de seis meses, experimentei a alegria de rever e reviver dias no Velho Mundo e com saúde. Esta foi então o que posso chamar de Viagem Inesquecível.
Foi minha quarta visita à Holanda e esforcei-me para vê-la como sendo numa primeira visita. Trata-se, na verdade, de um país de paisagem singular, caracterizada por uma grande planície, no norte da Europa, conquistada, com muita engenharia, por avanços no mar e dotada de canais e moinhos reguladores dos fluxos d´água. Além disso, ornada de grandes campos de cultivo de flores – principalmente tulipas – e hortaliças, além de muitos parques. Em meio a todo esse imenso “jardim”, um patrimônio arquitetônico invejável, infraestrutura de alto nível e notável parque industrial. Um mix econômico-cultural que provoca ao visitante uma especial vontade de voltar. Mesmo revendo locais já conhecidos deixei brotar modos de melhor observar e conferir com mais amadurecimento como só a idade confere. Estive na Holanda pela primeira vez aos 26 anos de idade. Faz tempo...


Por outro lado, impossível esquecer que, de algum modo, este país escreveu uma página da história de Pernambuco, porquanto durante vinte e cinco anos (meados do século 17) os batavos estiveram por aqui com a invasora Companhia das Índias Ocidentais, implantando um enclave econômico denominado de Nova Holanda e tendo o Recife como sua cidade capital. Como esquecer a figura de Mauricio de Nassau que comandou esse Brasil Holandês, legando notáveis avanços sociais e econômicos a Pernambuco? Há algumas controvérsias a respeito dessa história, mas, ela sempre vem à cabeça na forma como nos contaram na escola primária. História longa sobre a qual já falei noutra oportunidade.
Fui à Holanda, dessa vez, com minha esposa e nosso filho caçula, fazendo ponto fixo em Amsterdam e naturalmente visitando outras localidades. Posso lembrar três destaques dessas visitas. O primeiro foi a localidade de Zaandam onde uma série de Moinhos de Vento (windmills) se alinham em meio a lagos, canais e aldeias tipicamente holandesas. É um deslumbre para quem chega pela primeira vez, ou mesmo quem revê como foi o meu caso. Caminhar pela região foi uma bela experiência turística. Fotografar aquilo lá é quase um dilema para o profissional ou amador mais cuidadoso em enquadrar e focar a melhor imagem. Vide fotos a seguir.




De Zaandam partimos a caminho da cidadezinha de Marken, uma antiga colônia de pescadores que vive hoje do turismo. Casinhas coloridas, flores em profusão nesta época do ano (primavera-verão) e aprazível brisa do lago de Marken curiosamente salgado no passado e doce atualmente. Nesse lugar fomos apresentados a uma marcenaria especializada a produzir os famosos tamancos holandeses de madeira, que são ícones da imagem turística do país. É divertido assistir ao feitio de um exemplar e após isto experimentar um deles prontos e decorados à venda na lojinha anexa. Fotos a seguir.




Deixamos Marken para trás a bordo de um confortável barco, navegando sobre o citado lago por 30 minutos, com destino a Voledam, outra cidade dedicada ao turismo. Lugar imperdível para quem visita a Holanda. A chegada ao píer da cidade já é impactante. A imagem de beleza do local vai se “chegando” aos olhos do visitante de maneira atrativa e conquistadora. Bate uma vontade extrema de desembarcar e sair a explorar o espaço. São ruas coloridas de comércio, restaurantes e bares pululando de visitantes, gente bonita e hospitaleira. 



Além de almoçar num bom restaurante de frutos do mar, visitamos uma fabrica de queijos para guardar na memória o resto da vida. O processo de fabricação desde a matéria prima até a embalagem e comercialização mundo afora. (Foto logo acima, com pose especial da minha esposa). E, o melhor de tudo, uma degustação sem fim. Até hoje estamos comendo queijos holandeses que trouxemos metidos na bagagem.
Eu ainda tenho muito que dizer sobre a Holanda. Mas, será na próxima postagem. Até breve! Venha comigo nessa Viagem.

Notas: A primeira foto foi colhida no Google Imagens e as demais do arquivo pessoal e autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quem não chora não mama.

Montar um Ministério após uma eleição tem sido quase sempre um problema delicado para um presidente eleito. Imagine o que seja fazer isto a “queima roupa” de uma emergência, como ocorreu recentemente aqui no Brasil. Creio que o Michel Temer deve ter passado por apuros para formar sua equipe de Governo. Primeiro devia esperar o resultado da votação no Senado para trabalhar com a certeza de que assumiria e, em seguida, administrar as manhas dos políticos e respectivos Partidos que “viabilizaram” sua ascensão, num típico estilo de “quem não chora não mama”. Fora tudo isto, o fato de que, rigorosamente, se trata de um governo transitório e, pior que isto, mergulhado num imenso buraco negro deixado pelo PT, não estimulou alguns potenciais candidatos a ministro ou outro cargo de destaque qualquer. O PSDB, por exemplo, vacilou antes de aderir.
O resultado desse açodamento é que foi montada uma equipe com alguns integrantes pouco recomendáveis. Eu soube que teve ministro convidado meia hora antes de assumir. Imagino esse sujeito dizendo: O que é isto?! Como assim? E quem disse isto? E entrou no Palácio do Planalto esbaforido e perguntando Onde estou? O que sou eu? O que foi que eu fiz? Ou algo parecido. Eita Brasil, zil,zil ! O resultado é que se formou um gabinete de nomes elogiáveis – o lado econômico, sobretudo – misturado e junto com outros, tipo “ficha suja”, citados ou envolvidos nas tramoias que estão sendo lavadas, enxaguadas e passadas na Lavanderia de Sérgio Moro. Dois Ministros já voaram nos paus. E a expectativa agora é saber quem será o próximo.
Mas, por outro lado, ao tempo que aplaudi (aplaudimos) a estratégica redução dos ministérios, assisti lamentando o retrocesso do Temer ao ceder com a recriação do Ministério da Cultura. Acho que ali ele abriu um flanco de fraqueza. Ser presidente não é ditar tudo com rigidez, é verdade. Mas, foi um ato lamentável esse retrocesso. Temer temeu uma repercussão negativa e deu, no meu ver, um “cala-boca”, sobretudo, para uma classe de produtores culturais e artistas engalanados cheios de ares e pretensos “donos” da cultura nacional, que não querem largar as tetas da Lei Rouanet. Vide fotomontagem a seguir e outra que viralizou nas redes sociais.


Desde que me entendo de gente a Cultura – setor importantíssimo da vida nacional, ressalte-se – esteve sempre conjugada com a Educação. E tem uma lógica explicita nisto porque Cultura tem tudo a ver com Educação! O MEC foi, historicamente, uma das mais importantes siglas da Administração Federal. Por que tanta estranheza e reações contrárias, quando nada impediria que as ações desta área não fossem desenvolvidas por uma Secretaria Ministerial no MEC recriado? Foi sempre assim no passado! Acho inclusive que a classe artística, a grande protestante, “deu um tiro no pé” na medida em que provocou na mídia e nas redes sociais uma avalanche de denuncias sobre as estratosféricas vantagens que recebem ou receberam do Governo, através dos instrumentos de incentivos, administrados pelo ex-Ministério em tela. Poucos foram honestos, como Antonio Fagundes que sem cerimônia fez sua critica: "Sinto-me decepcionado com alguns artistas, que mesmo sabendo das falcatruas deste governo, ainda apoia por puro interesse próprio". Ele nunca recorreu à Lei Rouanet
As cifras que foram divulgadas das concessões aos cantores e artistas globais, aos escritores e produtores teatrais de fama, escandalizaram os brasileiros. Sobretudo pelo fato de que uma imensa legião de cidadãos e cidadãs dedicados(as) às atividades culturais ficaram sem qualquer chance de “fazer parte dessa festa”. Ora, ora! É indiscutível que cantores e atores que arrastam multidões aos seus auditórios não precisam desse apoio governamental! O Fagundes é bom exemplo. Muito mais precisam aqueles que buscam, em vão, um lugar sob as luzes das ribaltas brasileiras para os quais o MinC sempre deu as costas.    
Essa turma de apaniguados de “Mamãe” Dilma e do PT chorou, chorou e ganhou. E Temer, temendo uma onda maior, cedeu. Tolice... Lamentavelmente, neste Brasil, “quem não chora não mama”. Pouco interessa a essa gente a situação de crise do país, a necessidade de reduzir a máquina e os gastos do Governo e, ao invés disso, investir maciçamente na Saúde, na Educação e na Segurança. O que eles querem é mamar.

NOTA: Fotomontagem obtida no Google Imagens