Mostrando postagens com marcador Eduardo Campos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eduardo Campos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Cuidado com o mês de Agosto

Quando chega o mês de agosto muitos brasileiros ficam de “orelha em pé” e cheios de expectativas em relação ao quadro político reinante. Eu, pessoalmente, fico torcendo que passe logo. Agosto sempre foi emblemático, politicamente falando, para o país. Conheço político que entra o mês cruzando os dedos, pendura figa no pescoço, se benze e pede aos deuses que o tempo passe logo.
Também pudera, Getúlio Vargas deu fim a vida no fatídico 24 de agosto de 1954, em meio a uma crise política profunda, provocando uma consternação social de dimensão nacional. Janio Quadros, após seis meses de um governo cheio de bombásticas medidas administrativas e ridicularizadas nos quatros cantos de Pindorama, surtou e terminou renunciando no dia 25 de agosto de 1961, provocando uma crise político-institucional que veio desaguar no golpe militar de 1964. Em Pernambuco, particularmente, agosto já proporcionou duas surpresas que entraram na história do estado e do país: a primeira foi a morte súbita do governador Agamenon Magalhães, na trepidante madrugada de 24 de agosto de 1952. Saiu de cena e entrou para a história como tendo sido um governante cruel nas atitudes e perseguidor de prostitutas, afrodescendentes, homossexuais e, sobretudo, seus opositores. A outra surpresa foi mais recente, cuja lembrança ainda está fresquinha nas mentes brasileiras, que foi a trágica morte de Eduardo Campos, no brutal acidente aéreo de 13 de agosto de 2014, em Santos (SP), quando se encontrava em pujante campanha à presidência da República. Diante desses fatos concretos, como não temer os ventos de agosto?
Lembrando-me desses episódios desagradáveis à vida nacional fico, mais do que nunca, desejando que este agosto de 2015, sobrecarregado de crises – econômica, ética, moral e política – seja breve e leve, de uma vez por todas, esses ares malfazejos que vêm soprando o cenário brasileiro desde que encerrado o processo eleitoral de 2014. Uma eleição de diferença apertada entre vencedora e derrotado, não assimilada por setores importantes da sociedade organizada, secundada por uma exposição cruel do estado deplorável no qual a economia brasileira havia sido irresponsavelmente jogada, nos últimos anos.
Bom, uma coisa é certa: não há Governo que se sustente quando provoca tropeços à economia. Quando a cortina de fumaça gerada no Palácio do Planalto para encobrir as manobras de sustentação do poder se dissiparam e a realidade veio a público, um clima de instabilidade sócio-político-econômico implantou-se, cujo controle está perdido até hoje. Ao descobrir a realidade, os próprios eleitores da candidata vencedora, a torcida do Flamengo e o povo em geral, juntos e de mãos dadas, mergulharam de cabeça na maior onda de frustração social, como nunca antes na história deste país. Preocupante é que esta coisa vem rebolando até o presente agosto, no qual forças opositoras deitam e rolam sem dó, muitas vezes de forma irresponsável – sem pensar nos prejuízos que acarretam aos que representam – deixando pessoas, como eu, em permanente expectativa diante de cada novo assalto nesse verdadeiro ringue poliédrico, onde forças políticas antagônicas são medidas a qualquer preço e em qualquer hora.
Ora, minha gente, é lógico que o debate, mesmo que acalorado, além das dialéticas mais apuradas, é necessário e benéfico ao estado democrático. Sem isto, aliás, não existe Democracia. Para isto, contudo, é preciso que haja um Parlamento consciente, comprometido com a Pátria e a Nação, que haja responsabilidade do Estado e, sobretudo, haja líderes de fato que patrocinem a retomada da ordem e do crescimento socioeconômico.  Infelizmente, não vejo nada disso na atual conjuntura brasileira. Estamos como num barco à deriva. Nossa “presidenta” perdeu a bussola que lhe colocaram nas mãos e o descrédito e o pessimismo tomaram conta dos cidadãos. Ao mesmo tempo, as “lideranças” políticas estão mais preocupadas em garantir seus quinhões do que qualquer outra coisa e pouco se incomodam com a coletividade, agora abandonada.
Diante deste quadro caótico urge que apareça um grupo de coalizão política responsável que promova o entendimento como os brasileiros esperam e assumindo o comando dessa locomotiva desgovernada, pare, olhe e escute e, depois, escolha qual caminho tomar. O Brasil merece e o povo vai agradecer. Mas, que façam logo porque agosto está aí.

sábado, 16 de agosto de 2014

Lamentável Perda

“Somos insignificantes. Por mais que você programe sua vida, a qualquer momento tudo pode mudar”. Este pensar é atribuído ao piloto Ayrton Senna e encontrei publicado numa das recentes mensagens que recebi pelo Facebook. A intenção foi fazer referencia ao acidente que matou Eduardo Campos. Na mesma oportunidade, perplexamente, eu acompanhava o noticiário sobre esse fatídico acidente aéreo de quarta-feira passada, em Santos (SP).
Senna teve razão e, inclusive, pode ter tido uma premonição quando assim se expressou. Falou de modo simples, mas disse uma grande verdade. Chocado com o drama humano retratado no noticiário refleti muito sobre a fragilidade do ser humano. Em poucos segundos tudo pode ter um fim. Fim de um grande projeto, de um ideal e da vida. O risco de viver é concreto e em momentos como o da quarta-feira passada nos damos conta, de forma assustadora.
Este doloroso fato que vitimou o candidato a Presidente do Brasil, Eduardo Campos, e sua jovem equipe de assessores, deixa um profundo vazio nos meios políticos de Pernambuco e do Brasil. É uma perda inestimável. Estou falando de um cidadão que se notabilizou, no passado recente da cena política nacional, pelos seus feitos como governador de um estado pobre e pela mensagem inovadora que ofereceu à Nação brasileira ainda tão carente de um líder à altura das suas prementes necessidades. Lamentável, porque com esse doloroso desenlace o país vai perder uma preciosa oportunidade de assistir a uma diferenciada campanha política, bem longe, seguramente, do mesmismo arcaico e retrógado que está acostumado a ver. O debate que se instalaria no Horário Político do radio e da TV, em minha opinião, seria bem distinto daquela enganação e xaropada das campanhas passadas. Ao invés da polarização PT x PSDB, Eduardo Campos, ao representar a denominada Terceira Via, mudaria o rumo das discussões e a Nação lucraria.     
Embora Campos pudesse promover essa desejada mudança e, inclusive, pudesse apontar para caminhos por um Brasil melhor, eu não acreditava na sua vitória em Outubro vindouro, em face das circunstâncias políticas que prevalecem atualmente. Colocado em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais e enfrentando dificuldades de ascender a melhores patamares, Eduardo Campos seria, contudo, o mensageiro da prática de uma boa e honesta política e de lançar uma nova forma de governar, como imensa camada da população brasileira reclama. Por isso, que entendo estarmos diante de uma perda irreparável.
Conheci Eduardo Campos, bem jovem, recém-formado em Economia, meu colega de profissão, portanto, durante sua campanha para Prefeito do Recife, em 1992, aos vinte e sete anos de idade. Muito jovem e sob as “asas” do avô Miguel Arraes enveredou numa majoritária muito confiante, mas sem muita história pessoal, terminando derrotado. Fiz parte da campanha, enquanto colaborando com a campanha de vereador de um familiar, dentro da coligação liderada pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB. Meu candidato a vereador, Celso Miranda, ganhou a eleição e o favorito da época, Jarbas Vasconcelos, foi eleito Prefeito. Vivíamos, então, um tempo de muita vibração e euforia, graças à recém-democratização do País. Tivemos um resultado satisfatório.
De lá para cá, Campos construiu uma trajetória política bem sucedida, foi deputado estadual, deputado federal, Ministro de Estado de Lula, governou Pernambuco por dois mandatos e alçou voo, se candidatando à Presidência da Republica. Pena que esse voo literalmente alçado na quarta-feira passada haja interrompido essa trajetória. Morreu com ele esperanças de dias melhores para muitos brasileiros.
Na verdade, devo frisar, que nem sempre estive – nem mesmo me acho – ao lado dos Eduardistas. Pelo contrário! Após a sua vitoria em 2006, que o levou à cadeira de Governador no Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, estive em hostes de oposição na campanha e no rescaldo da derrota nas urnas. Discordei de seus discursos e até me revoltei com algumas das suas propagandas. Coisas da política. Hoje, porém, reconheço haver me surpreendido por sua capacidade de político habilidoso no agregar, negociar, construir coalizões e chamar para seu lado pessoas de sãs consciências, coisas das quais o Brasil precisa cada vez mais.  
Por outro lado, impossível não fazer um especial registro sobre uma tocante virtude desse homem que nos deixa: sua dedicação à família. Nunca e nada do seu mundo político fez Eduardo Campos se afastar da bela família que formou com Dona Renata. Inúmeros são os testemunhos dessa sua faceta de pai e marido dedicado. Há poucos dias, soube através da minha esposa, que ele foi visto num centro médico, aqui do Recife, levando seu filho mais novo (sete meses) acompanhado da esposa, para receber uma vacina. Veja que coisa inesperada para alguém em plena campanha presidencial. E não foi nenhum jogo de marketing político. Foi, sim, o pai de família cumprindo seu papel. Outra coisa admirável: em pleno exercício de Governador do Estado, reservava tempo para encapar os livros dos filhos, no inicio de cada ano escolar, e se orgulhava dessa sua habilidade. Dois exemplos, apenas.
A morte de Eduardo Campos consternou o Brasil. Pernambuco foi marcado por imenso vazio nesta semana que finda. Correligionários e opositores se associam num único sentimento de lamentável perda. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...