sábado, 30 de maio de 2015

Brasil Incompetente

Venho acompanhando com atenção, pelo menos por vinte e cinco anos, o desempenho da competitividade brasileira, quase sempre o comparando com outras economias estrangeiras. Várias são as entidades de pesquisa que tratam de fazer esta avaliação. O IMD – International Institute for Management Development, entre outras, com apoio da brasileira Fundação Dom Cabral se encarrega de incluir o Brasil no ranking mundial. A mais recente lista, referente a 2014 e publicada na semana que termina, revelou que pelo quarto ano consecutivo o Brasil perde posição no cenário internacional, entre as 60 economias avaliadas. Desta vez o Brasil caiu três posições e ocupa o 54º lugar. Está à frente apenas de Eslovênia, Bulgária, Grécia, Argentina, Croácia e Venezuela, a última colocada. Esta queda vem se repetindo na medida em que o Brasil já caiu 16 posições nos últimos quatro anos. Em 2010 ocupava a 38º posto do ranking. Na cabeça da lista deste ano estão os Estados Unidos, Suíça, Cingapura, Hong Kong, Suécia, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes, Dinamarca e Noruega. 
A maioria dos emergentes cai na lista deste ano e a explicação dada pelo IMD aponta, como motivo, o baixo investimento estrangeiro e as falhas na infraestrutura. A China sofre por conta das dificuldades no atual ambiente de negócios e isto pode ser ruim para todo mundo. Um analista econômico dizia esses dias que “se a China espirrar o Brasil pega uma pneumonia”. Nos casos de Brasil e Índia, o IMD considera que estes sofrem por conta dos seus mercados de trabalho ineficientes e gestões de negocio ineficazes.   
A metodologia aplicada para compor a lista leva em consideração quatro dimensões de competitividade: desempenho econômico, eficiência do Governo, eficiência dos negócios e estado da infraestrutura. Nesta última dimensão os indicadores considerados são: estradas, portos, aeroportos, geração e distribuição de energia, telefonia, internet, meio ambiente, educação básica e superior, pesquisa cientifica e serviços de atenção à saúde. Observe-se que são componentes fundamentais para revelar o perfil – bom ou falho – de um sistema socioeconômico e o Brasil está, indiscutivelmente, penando por conta dessa precaria dimensão que tem.  
Semana passada estive em São Paulo, visitando/participando de uma feira internacional da indústria metal-mecânica, a FEIMAFE (www.feimafe.com.br), e no entrar e sair de estandes escutei as maiores lamúrias dos representantes de empresas presentes. Um verdadeiro ambiente de crise. Naturalmente que, em primeiro lugar, queixas sobre a crise geral que assola o Brasil e, em seguida, as velhas dificuldades de viver num país onde os custos da produção são dos mais altos do mundo, que empurram os preços de mercados a níveis estratosféricos, quando comparados com os concorrentes estrangeiros e com os quais tem de concorrer no próprio mercado doméstico. Um fabricante europeu ou asiático consegue colocar à venda sua máquina no mercado brasileiro ao preço equivalente, muitas vezes, à metade do fabricante nacional. Tudo por conta dos absurdos custos da produção local. Quando o assunto, então, é logística a situação fica prá lá de complicada. Transportar um equipamento pesado (um bem de capital) de um canto a outro do país é sempre muito mais caro do que trazer um similar, por exemplo, da China. O produtor brasileiro – independente do setor que atua – padece pela falta de uma infraestrutura competente. Pesquisa recente da CNT – Confederação Nacional dos Transportes dá conta de que será necessário algo próximo a R$ 200 Bilhões para destravar o escoamento de grãos produzidos no país. Ora, em tempos de crise, ajuste fiscal e de pesados cortes nos orçamentos do Governo a situação se mostra mais preocupante já que é do setor primário que surgem os melhores sinais de ajuda ao crescimento da economia nacional.
Infelizmente, o principal modal de transporte da produção brasileira – independente da natureza – tem sido quase sempre o rodoviário, não obstante o fato de que o país reúna condições de explorar outros meios, entre os quais o ferroviário e o  das hidrovias. Segundo a CNT o Brasil tem 1,7 milhão de quilômetros de malha rodoviária, sendo que apenas 204 mil são pavimentadas, ou seja, aproximadamente 12%. Levando em conta a qualidade do asfalto (quase sempre do tipo sonrisal) que se aplica no país e o natural desgaste do uso diário, a CNT avalia que metade dessas pavimentadas estão deficientes. Como ser competitivo? Como ter padrão mundial?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

sábado, 16 de maio de 2015

Dois Desafios Sociais

Dois temas polêmicos ocuparam recentemente nossos legisladores, em Brasília. Refiro-me às questões trazidas pelas PECs 171/1993 que pede a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e a 457/2005 que trata do aumento da idade para efeito de aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos, mais conhecida como PEC da Bengala.  Antes de qualquer comentário ou emitir opinião sobre os temas, chamo a atenção para as datas dessas proposições: a primeira é de 1993 e a segunda de 2005. Esta ultima nem tanto, mas, a primeira estava sendo guardada por 22 anos.
À da Bengala, pelo visto, permeou uma forte componente política, devido à desfavorável conjuntura política do país, que terminou apressando sua aprovação e promulgação. Já a da redução da maioridade exigiu ou exige uma longa discussão entre defensores e opositores.
Essa coisa de ampliar para 75 a idade de aposentadoria compulsória teria que chegar algum dia porque, afinal, tirar da ativa o cidadão que, com 70 anos, revele capacidade intelectual para continuar trabalhando e desempenhando, da melhor forma e com mais experiência profissional acumulada, seu oficio, já se mostrava uma injustiça. Gostei muito da fala do Ministro Luis Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) que foi feliz e taxativo ao afirmar que: “... um homem de 70 anos de idade tem uma higidez intelectual bastante expressiva que pode contribuir para o país.” Verdade! Conheço várias pessoas que justo nessa fase da vida se impõe em saberes e respeito em cima da experiência de vida e de profissão.
Tudo bem, que alguns podem dizer, que Fux é visto como suspeito para tratar do assunto, porque advoga em causa própria. Mas, esquecendo as futricas políticas que afloraram na discussão em Brasília, não se pode negar que a nova medida chega à boa hora, não apenas no Supremo, mas para os mais diversos setores do Governo. Tomara que os Estados sigam o mesmo caminho. Enquanto isto, procure no seu entorno exemplos de pessoas com mais de 70 e verá a realidade. A longevidade hoje é uma coisa concreta e a população de maiores de 60 anos é cada vez maior no Brasil. Os tempos são outros. A qualidade de vida mais segura, as atenções de saúde modernas e crescentemente difundidas, as novas drogas descobertas, a inteligência médica, a população consciente e uma imensa vontade de prolongar a existência levam a que os padrões populacionais tenham, por aqui, perfis bem diferenciados e distintos do que na época dos nossos avós.
Claro que muitos ainda não têm acesso aos bons serviços de saúde e isto é reclamado todo dia, mas, é assunto para outra ocasião. Fico satisfeito de ver a PEC da Bengala aprovada e promulgada, embora saiba que a “fila anda” e muitos precisam ter acesso ao mercado de trabalho.  
Na outra ponta, vem a discussão da maioridade penal. Pensei muito sobre esta questão, antes de chagar aqui. É uma coisa complexa. Bote polemica nisto.
Antes de qualquer conversa fui pesquisar sobre o assunto no cenário internacional e tive a surpresa de descobrir que, segundo o Unicef, maioridade penal no mundo varia de 12 a 21 anos. Mas, há países que com 7 anos o menino pafa caro pelos seus "crimes". Sem tecer comentários, prefiro mostrar o mapa-múndi da situação. Vide a seguir.  

No Brasil, o garoto ou garota de 16 anos tem o direito facultativo de exercer o direito do voto e isto tem sido argumento dos que defende a mudança da lei. Outra coisa que se expõe, e isto assusta qualquer cidadão de são juízo, é que inúmeros são os menores que praticam crimes hediondos, sob comando de adultos com mais de 18 , para “livrar a cara” do verdadeiro mentor assassino. Muitos, mesmo sem participar da ação criminosa, se apresentam como autores do crime. É uma verdadeira balburdia.
Essa discussão ganharia outros contornos se, ao invés de se ater, apenas, ao resultado social final do problema que gerou a PEC 171 – isto foi em 1993! – houvesse uma ampla ação política para mudar radicalmente o quadro da Educação pública deste país. Vejam que ela, a Educação, sempre na linha de frente para discussões, infelizmente é sempre colocada à margem dos debates prioritários. Faltam recursos financeiros, faltam profissionais qualificados e faltam infraestruturas adequadas. Mesmo que a Pátria se proponha ser Educadora.
Tenho certeza de que, com melhores níveis educacionais ao longo das várias gerações recentes, esta discussão teria outro encaminhamento. Considero, aliás, que ajudaria até essa mudança. Mudança com mais segurança e justiça. Como condenar um jovem de 16 anos, que não tenha nível intelectual e formação compatível com sua idade se o Estado não lhe deu oportunidade? Como tratar de modo igual pessoas de realidades tão distintas como as que vivam numa metrópole tipo São Paulo e as que vivam nos grotões do Norte ou Nordeste?
É complicado discutir este assunto. Precisamos amadurecer este debate. Caso contrário, vamos passar pelo mesmo que passaram Colômbia e Venezuela que baixaram açodadamente e, arrependidos, revogaram suas medidas e retornaram ao vigente anteriormente.  

NOTA: As ilustrações foram colhidas no Google Imagens.

sábado, 9 de maio de 2015

Quem te viu e quem te vê!

Recordo com saudade os tempos em que a Petrobrás enchia-me de orgulho, nas minhas andanças pelo exterior, por ser lembrada por interlocutores como sendo uma das maiores empresas do mundo e de padrão mundial. Ultimamente tem sido ao contrario, prestigio foi-se  e a empresa é sinônimo de corrupção. Já falei disso recentemente.
Hoje (07.05.15) vendo o ranking mundial de empresas publicado pela respeitada revista internacional de Economia, Forbes, tomei conhecimento, com pesar, sobre a queda de quase 400, eu disse 400, posições da nossa petroleira. Quem te viu e quem te vê!
Vejam só: segundo a Forbes, em 2012 a nossa antes “gigante” de petróleo ocupava a 10º posição no referido ranking. O primeiro susto veio em 2013 quando ela caiu para 20º lugar e este ano a publicação de ontem (06.05.15), mostra a antes respeitada Petrobrás ocupando o humilhante 416º posto, entre 2000 pesquisadas. Olhando a reportagem publicada constatei que a Empresa perdeu em um ano seu valor de mercado que de US$ 87,0 Bilhões, em 2014, passou para, apenas, US$ 44,0 Bilhões. Isto significa, praticamente, metade do valor de um ano atrás. Francamente, é de doer...
Os motivos todos nós sabemos, o resto do mundo também, e a revista não poupou críticas ao citar como motivos os “escândalos contábeis e de corrupção” registrados na Empresa. Isto causa imensa surpresa pelo inesperado, nos meios internacionais, e o caso já é referencia para indicar uma das “maiores perdedoras de alto perfil”, no ranking em tela.
Fico impressionado, diante desses alarmantes números, como ainda tem quem defenda esse governo (g minúsculo é o mais adequado) que está aí dilapidando (observe que termo elegante usei) o patrimônio público da Nação na insana ambição de se perpetuar no poder.
Roubos estratosféricos, corruptos no comando da empresa, investimentos mal planejados ou equivocados (Refinaria Abreu e Lima e Pasadena, por exemplos), incapacidade de gestão na exploração do petróleo na camada do pré-sal e, depois disso, as trapalhadas e cambalachos contábeis registrados. No capitulo contábil, um buraco dificilmente será coberto. Refiro-me ao congelamento dos preços dos combustíveis que praticamente foi adotado, numa estratégia populista para segurar a inflação ameaçadora e prejudicial aos interesses eleitorais. Passada a eleição a bomba estourou e nós, os consumidores, estamos pagando a conta. Essa inépcia provocou rombo irreparável no caixa da empresa que, como afirmou um dos corruptos na CPI da Lava-a-Jato, foi o motivo maior da derrocada da empresa. Foi uma declaração meio cínica, mas, com alguma propriedade. Infelizmente. É doloroso pensar que no ambiente macro estamos em franco retrocesso, depois de tantas lutas para se conquistar uma espiral econômica virtuosa. 
Imagino o desespero pessoal de D. Dilma. Não queria estar na pele dela. Inteligente, Economista, com grande reputação de boa administradora, ocupante de importantes cargos – inclusive na Petrobrás – antes de sentar na cadeira de Presidente da República, levar o país a tamanho buraco deve ser desesperador. Quanta ingenuidade! Governar uma Republica do porte e complexidade da do Brasil é preciso ter tino político e emocional apurado, experiência republicana e muita raça. Com todo meu respeito, são coisas que lhe faltam. Nesta altura do “campeonato” vai precisar transpirar muitíssimo para sair dessa enrascada. O povo perdeu a confiança, confere-lhe a popularidade mais baixa de todos os tempos e , por enquanto, só lhe resta bater panelas contra ela e seu partido corrupto.
Mas, de uma coisa estou certo: o Brasil não vai se acabar por conta desta devastadora administração. Ao contrário, vai sair desta de forma triunfante, muito em breve. Por piores momentos já passamos. Somos uma nação rica em todos os segmentos econômicos, temos imenso território de abundantes terras férteis, riquezas minerais de importância econômica indiscutível, potencialidades comerciais ilimitadas, reputação internacional histórica, recursos humanos diferenciados, coragem para vencer e lideranças empresariais respeitadas. Posso até não alcançar esses tempos, mas morrerei sabendo que meus netos poderão viver dias melhores do que eu vivi. E tem mais: mesmo a vilipendiada Petrobrás, na era PTista, vai se recuperar e voltar a orgulhar os brasileiros.

NOTA: Foto obtido no Google Imagens.