terça-feira, 21 de março de 2017

Inteligências Perdidas

Esta semana, recebi pelo Whatsapp uma mensagem que transcreve um diálogo entre o repórter policial, Alisson Maia, de Goiás, e que me deixou muito pensativo sobre a situação das novas gerações do Brasil. Conta ele que, de plantão numa delegacia de policia, entabulou um diálogo com um adolescente de 14 anos, detido por porte ilegal de arma, que o deixou horrorizado com o futuro da nossa Nação. “Olhei para ele e pensei, mais um moleque que não fica preso, então nem vou perder meu tempo, mas enquanto aguardava outra ocorrência que estava a caminho da delegacia me aproximei dele e, como às vezes faço comecei, a lhe dar conselhos,
- sai dessa vida rapaz, você vai morrer, a vida das drogas e do crime não compensa.
Foi quando ele que até então estava calado olhou bem pra mim e disse:
- Seu Álisson, esse papo do senhor eu já cansei de ouvir, estava armado porque vendo droga, e ganho muito fazendo isso, mas eu antes de ser vendedor de droga eu trabalhava numa oficina e sabe o que fizeram? Denunciaram o dono da oficina porque eu estava trabalhando lá, ele me pagava legal, eu tinha minhas coisas, meu tênis, tinha tudo... Mas ele teve que me mandar embora para não ir preso, até hoje está respondendo na justiça por ter dado emprego a um menor. Depois eu fui trabalhar na feira da Avenida Antonio Sanches, trabalhei 07 meses e sabe o que aconteceu lá? A mesma coisa que na oficina, tive que sair. Não sei quem é meu pai e minha mãe é uma coitada e eu tentei trabalhar honestamente, e ate trabalhava e estudava, mas não deixaram e achei no tráfico o sustento meu e da minha casa, então seu Alison, guarda seus conselhos para esses safados que vocês votam e que acham que menor não pode trabalhar, mas pode roubar, matar e traficar, entrei nessa vida porque sem trabalhar quero um tênis mas não posso, quero comer um sanduíche no Bobs mas também não posso, quero ir no cinema também não posso, então já que não posso trabalhar como gente, vou traficar, pelo menos assim tenho dinheiro .
Tive que ouvir isto de um garoto de 14 anos estragado pelo sistema. Logo o chamaram e não podemos continuar conversando.
Fiquei mudo e sai calado, sei que há vítimas do sistema, mas foi um garoto de 14 anos que me calou mostrando-me o quanto nós, com nossas escolhas políticas, somos errados. Estamos acabando com a juventude. Por causa dessas quadrilhas que colocamos e ainda mantemos no poder é que jovens estão matando, roubando e traficando... Ele disse: "Não posso trabalhar, mas posso roubar, traficar e matar!" Esse é o futuro que estamos construindo nesse país! Senhores eleitores, leiam isso e se envergonhem do Brasil que você esta deixando para essa juventude!”
Lido isto, não tive dúvidas em abrir este espaço no Blog do GB para denunciar essas atrocidades. Por menor que seja a penetração da minha publicação, não consigo calar.  Então, pense bem, caro(a) leitor(a), que esta história deve se repetir, nos mais diversos locais deste Brasil. Ah! antes de publicar, tive o cuidado de averiguar a credibilidade do citado repórter e conclui que merece crédito.
Há um bom tempo venho observando as novas gerações brasileiras e me sinto impotente diante dos fatos mais estúpidos registrados. Jovens desviados são assassinados brutalmente, muitos desses com futuro garantido, outros que se desviam devido ao sistema social espúrio e muitos perambulam sem emprego. Meninas de pouco mais de 10 ou 12 anos já se prostituem, engravidam precocemente e jogam no mundo outros seres indefesos. Vidas promíscuas e sem alento. Infelizmente, os valores da atual juventude, independente da classe social, estão eivados de falhas e estímulos aos mais absurdos comportamentos.  
Esta semana assisti pasmo ao assédio que se deu ao goleiro/assassino Bruno ao ser integrado num time de futebol no interior de Minas Gerais. A alegria reinante entre ele e a moçada local impressionaram-me. Fotos e mais fotos... Uma verdadeira ovação. Então pergunto: será que, no meio desses torcedores jovens, não passará a ideia de que matar é uma coisa banal e que o crime compensa? O sujeito mata e retorna por cima como se nada houvesse ocorrido. Não, não sou contra a reintegração social de um ex-presidiário. Mas, tenha dó! Fazer essa aclamação a um assassino de vida publica e que pode servir de modelo. É demais.
Goleiro Bruno em muitas Selfies e muito festejado
Outra coisa que observei com verdadeira tristeza, e inclusive já comentei neste espaço, se refere aqueles jovens brasileiros movidos pelo desalento fogem para viver em outros países por não alimentar a menor esperança neste Brasil que oferecemos a eles. Neste caso, é doloroso entender que são, na grande maioria, jovens recém formados, isto é, força de trabalho qualificada, com grande potencial de progresso e que, infelizmente, estarão contribuindo para outras sociedades, certamente mais justas. Quanto desalento para nossos jovens profissionais! Quantas inteligências evadidas!
Indiscutivelmente, este é o Brasil que a PTrálea deixou-nos. Durante doze anos estiveram interessados apenas em roubar e programar políticas desastradas nulificando nossos homens e mulheres do futuro. 
   


sábado, 4 de março de 2017

Boato: Prejuízo Social

O brasileiro é chegado a um boato. E, os pernambucanos são mestres nesse “oficio”. Acredito que existem pessoas que vivem bolando noticias falsas para se divertir com as reações da sociedade. Quem não se lembra do terrível boato do estouro da barragem de Tapacurá, no Grande Recife, após uma enchente devastadora na cidade, em 1975? Quem tem hoje mais ou pouco menos de 50 anos, sabe do que estou falando.  Aquilo foi um verdadeiro crime. Já foi tema de livro e de monografias nas universidades locais.
Boato de Tapacurá: População abandonando a cidade buscando se salvar em 21.07.1975
O ser humano é muito inventivo. Tanto para o bem, quanto para o mal. Os da turma do mal são muitos, geralmente são pessoas infelizes, mal resolvidos na vida e aproveitadores das oportunidades de suas espúrias imaginações. É gente que vibra ao saber que pessoas sofrem, adoecem e até morrem mercê das suas maledicências. São psicopatas que torcem sempre pelo “quanto pior, melhor”. Ou então, numa última instância, são gaiatos que brincam irresponsavelmente com o emocional coletivo.
Em tempos de internet, redes sociais e do útil e popular Whatsapp, essa coisa de boatar (inventei um verbo)  se tornou mais corriqueiro ainda. Os boateiros não estão apenas de plantão, mas, sobretudo, em permanente atividade.  Com muita freqüência espalham a morte de alguém famoso e principalmente artistas populares e famosos. Dias recentes, tenho recebido, repetidas vezes, uma mensagem anunciando uma entrevista do Juiz Sérgio Moro ao  repórter e analista político Gerson Camarotti, às 23:00h, na Globo. Tudo boato! Fui pego por essa “perua”.  Pensando bem, depois da minha ingenuidade, conclui que Moro não passaria por essa coisa. A situação é de tal modo que algumas mortes de verdade são sempre recebidas com dúvidas nos Zaps e exigem confirmações de fontes seguras. Recentemente, a morte de um famoso ator global e em pleno sucesso, por afogamento no rio São Francisco, levou algum tempo para ser considerada real. Até mesmo pela semelhança do que ocorreu no folhetim global.  
Esses dias, que antecederam ao Carnaval 2017, do Recife, não faltou quem espalhasse pelas redes sociais boatos alarmantes sobre a insegurança que reinaria, no Recife e em Olinda. O quadro anunciado era de verdadeiro terror. Ora, meu Deus, conforme as recentes ocorrências no Recife e Região Metropolitana, a coisa podia ser real. Na prática, foi uma dolorosa e prejudicial maldade. Mas, que mereceu cuidados especiais do Governo estadual. Neste caso, porém, é de se destacar que por trás dessa boataria presume-se que havia, também, uma ação política perversa a cargo de opositores, desejosos de ver “o circo pegar fogo” e buscar faturar eleitores para a próxima eleição. Não! Não estou, necessariamente, defendendo o Governo atual, mas sim, a tranqüilidade de um povo manso e amante da folia tranquila, colorida e animada. No final das contas estou pregando a paz que deve ser referencia maior de quem defende ou pretende defender a sociedade ao comandar um executivo.
O resultado dessa “guerrinha de nervos” nascida de boatos alarmantes foi que muita gente deixou de lado o carnaval e se refugiou em casa ou noutros sítios tidos como mais seguros. As estatísticas publicadas dão conta de menos gente nas ruas do Recife e de Olinda. O bom, contudo, foi constatar de que com menos gente a alegria foi mais cômoda, os foliões circularam com segurança e a policia – sem fazer greve como alardeado – deu conta do serviço. Segundo relatos, até o famoso Galo da Madrugado, no sábado do Zé Pereira, que sempre arrasta milhões de pessoas foi em menor contingente e com a mesma alegria de sempre. Muito bem, porque ganhou a cultura local e os boateiros “rasgaram as bocas” como se diz popularmente.
Conselho, para finalizar: nunca vá acreditar em qualquer loucura que se registre nas redes sociais. Espere confirmações por meios confiáveis.


NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.