segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Boas Festas - Minha Mensagem

Amigos e Amigas,

O ano acabou. A sensação que sinto é de que nem chegou a envelhecer porque passou muito rápido. 
Talvez seja um sentimento que aflora na velhice. 
O tempo parece correr mais depressa do que o normal.
Uma coisa é certa: 2014 foi um ano de muitas emoções. 
Das emoções desportivas às políticas, estas últimas produzindo as mais fortes pelo caráter de escandalosas. 
Mas, como tudo passa nesta vida, cá estamos nós mergulhados nas tradicionais emoções 
do tempo das festas de fim de ano.
Neste clima que normalmente nos envolve, estas horas, elevemos nossos corações 
e espírito de fraternidade para exercitar gestos que mais nos aproximem do Deus Menino, Jesus Cristo, festejado. Sejamos, ao menos agora, cristãos! 
Mais solidariedade, mais honestidade e amizade. 
Mais amor nos atos e nas palavras. 
Mais harmonia para um mundo ainda carente de paz.

Com todo meu apreço e gratidão por tê-los comigo o ano inteiro, 
recebam meus melhores votos de 


O Blogueiro aproveita a temporada de festas para fazer uma pausa. 
Quando janeiro chegar novas postagens serão feitas e, como sempre, 
contando com suas visitas.

Boas Festas e Boas Férias!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SUDENE: Minha Escola

No dia 15 passado completaram-se 55 anos de criação da SUDENE. Participei de um almoço com companheiros da chamada velha guarda da Autarquia reunida para lembrar o fato.  Muitas cabeças pensantes, de uma época de ouro do Planejamento Regional, compareceram para rememorar seus feitos e “trocar figurinhas” avaliando os resultados que hoje são exibidos.
Sai desse almoço contente por haver confraternizado com velhos companheiros de labuta e, ao mesmo tempo, lamentando o atual estado da arte que construímos a duros sacrifícios, em tempos politicamente difíceis e de poucos fios para recompor um tecido sociopolítico esgarçado.
Entrei na SUDENE muito jovem. Recém havia chegado aos meus dezoito anos de idade. Sequer havia prestado vestibular à Universidade. Na minha casa a lei era dura e prevalecia a sabedoria popular que ditava: “quem não trabalha não come!” Tive sorte. Levado pelas mãos de um alto funcionário da Autarquia fui admitido – após uma fase de capacitação e avaliação – como técnico de nível médio. Comecei como desenhista num departamento que tratava de definir e traçar a infraestrutura rodoviária regional. Fiz treinamento, vejam só, até no exterior para melhor exercer minha função. Naquela época, minha intenção era seguir a carreira de Arquiteto, por isso que ser desenhista parecia ser o ideal. Contudo, influenciado fortemente pelo ambiente que passei a vivenciar, terminei me interessando pelos temas relativos aos problemas econômicos regionais. Não deu outra... fiz vestibular de Ciências Econômicas, sai-me muito bem e pouco tempo depois virei Economista da SUDENE. O resto dessa história é sabida sobretudo pelos  que me conhecem.
Vi a SUDENE crescer, produzir bons resultados e se projetar no Brasil e no resto mundo como sendo uma das mais competentes agencias de desenvolvimento regional daqueles tempos. Participar ativamente dessa experiência foi cursar o melhor dos cursos. Lá, aprendi tudo que as Universidades por onde passei não me ensinaram. Décadas depois, vi também o fim melancólico que ocorreu em 2001, quando já me encontrava aposentado.
Olhando pelo retrovisor, vejo com clareza que a SUDENE dos meus tempos – não esse arremedo que aí está tentando sobreviver – se constituiu, durante 40 a 45 anos, na maior escola da formação de profissionais diferenciados e dedicados, com afinco, à promoção do desenvolvimento socioeconômico regional deste País. Inúmeros foram os valores que de lá saíram para contribuir com o sucesso de intervenções governamentais em outras  áreas deprimidas do Brasil e do exterior.
Ao longo dos tempos a sigla SUDENE se tornou uma senha para o sucesso. Tenho muito orgulho de haver usufruído desse sucesso. Dentro do Brasil ou nos vários países por onde passei, em missões técnicas ou empresariais, esta senha abriu-me as melhores portas. Pensando bem, ainda abre! Hoje, porém, tenho que reconhecer que tudo isso é passado. Fecharam a Escola. Mas, afinal, a missão foi ou não cumprida? Disparidades inter-regionais persistem neste país? E as intra? Eis aí uma formidável questão a ser explorada.
Bom, indiscutivelmente, tudo neste mundo é finito. E, pelo visto, foi assim que julgaram ser a SUDENE. Por uma vontade política discutível, em 2001,deram por encerrados os trabalhos. Portas fechadas e pessoal redistribuído, a Casa da Inteligência Regional deixou de existir. Fala-se que seu acervo documental tem sido gradativamente destruído, num perverso apagar de memórias técnicas que somente num país como o nosso é permitido. Até o monumental edifício sede - propriedade da Autarquia - perdeu os letreiros garbosos e, ao invés disso, colocaram o do Tribunal Regional do Trabalho que ocupa a área antes sede da SUDENE.
Depois, num gesto “generoso” e de cunho meramente político Lula, o Presidente, reabriu a Sudene, em dimensões minimizadas, através da Lei Complementar 125/2007. O que lá existe é um pretenso modelo de agencia de desenvolvimento, onde funciona, tão somente, o núcleo burocrático de programas sem os alcances do passado e destinados a calar uma resistência teimosa de alguns idealistas na incansável luta pelo resgate do status do passado. A pergunta que não cala é: foi certa a decisão política de fechar a SUDENE?
Pelo mesmo espelho retrovisor de antes, lembro-me de uma das minhas passagens por Paris, ocasião em que me encontrei com o perito das Nações Unidas, o francês Jean Pierre Barriou. Ele havia estado, pouco antes, em missão oficial aqui na SUDENE. Barriou me garantiu que sugeriu uma SUDENE revendo sua missão. Muitas das funções que “penduraram”, ao longo dos anos, na estrutura da Agencia não se coadunavam com a missão que lhe fora confiada originalmente. Urgia reduzir aquele gigantesco organograma e, com isso, reduzir seu quadro de 2.200 funcionários, para algo próximo de 200. Essa proposta não agradando aos da Casa foi “esquecida”. Quando decretaram o fim, em 2001, lembrei-me dessa conversa. Mas, atenção, o formato dessa atual SUDENE não foi o sugerido por Barriou. Paciência!
Tentando ser realista e para finalizar, considero que, na esteira do seu sucesso, a SUDENE estruturou os estados do Nordeste de forma competente para que estes tomassem um rumo virtuoso do desenvolvimento econômico, social e político. Nada mais inclusivo do que essa estratégia! Digamos que os provendo de “asas”, como se filhotes fossem, ensinou-os a voar. E voaram. Os esforços conjuntos, traduzidos pela figura de um Conselho Deliberativo atuante e politicamente forte, deram lugar às iniciativas independentes. Descobriram o caminho direto para o Planalto Central e, desse modo, perguntavam: para que SUDENE?   
Não me julgo saudosista, porém, lamento porque fecharam a minha Escola.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 


                  


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Estão de Olho!

Se há uma coisa que me incomoda, em viagem ao exterior, é ter que comentar ou explicar sobre a corrupção endêmica que existe no Brasil. É lamentável, mas, este é um assunto recorrente para quem observa nosso país a partir de uma ótica externa. Como não tenho saida , vou ao tema sem temor.
Na quarta-feira passada amanheci o dia assistindo ao noticiário da TV e tomei conhecimento sobre o ranking da corrupção no mundo, publicada pela Transparency International, que é uma entidade, com sede em Berlim (Alemanha), formada por uma Coalizão Global de Entidades que lutam contra a corrupção no mundo inteiro (Vide mais clicando em: http://www.transparency.org/) e, desde 1995, levanta a percepção da corrupção em vários países. Para calcular a nota de cada país, a ONG recorre a opiniões de entidades da sociedade civil, agências de risco, empresários e investidores sobre a percepção a respeito da transparência do poder público. Respostas processadas e consolidadas elabora-se uma tabela com uma pontuação que vai de zero (mais corrupto) a 100 (menos corrupto). Fui buscar dados oficiais nesse site e comento, a seguir, o que encontrei.
Neste ano de 2014 foram pesquisados 175 países reunindo opiniões de aproximadamente  150.000 entrevistas. O Brasil ocupa o 69º posto, com a nota 43, na referida escala a de 0 a 100. Nenhum país alcançou a media 100, isto é, sem qualquer indicio de corrupção. No topo da lista está a Dinamarca com a média 92. É lá onde se registra a menor percepção de que seus servidores públicos e políticos são corruptos. Depois vem, em segundo lugar, a Nova Zelândia, seguida, pela ordem, por Finlândia, Suécia, Noruega, Suíça, Cingapura, Holanda, Luxemburgo, e Canadá. Os Estados Unidos vem no 17º lugar igual que Barbados, Hong Kong e Irlanda. Ah! Empatados com o Brasil estão: Bulgária, Grécia, Itália, Romênia, Senegal e Suazilândia.
Brasil, com essa nota 43, e o México com 35, são destaques no relatório. O Escândalo da Petrobrás é tomado como o melhor exemplo da corrupção da nossa banda e entre os mexicanos o que chamou atenção foi a matança de mais de 40 estudantes em Iguala, pondo em evidencia a corrupção que permite a bandos de criminosos dominar instituições públicas. Ali o narcotráfico impera e muitos são os políticos reféns dos traficantes. Aprofundando minha pesquisa e para ter referenciais de comparação, procurei informações sobre outros vizinhos latino-americanos. Chile e Uruguai foram os melhores posicionados, empatados em 21º lugar, com nota 73. A nossa hermana Argentina não vai muito bem, porque alcançou o escore de 34 pontos e ocupa o 107º lugar. E, o que já era de se esperar, o mais corrupto da America do Sul é a Venezuela, com índice 19. Dá uma tristeza... Pobre América Latina!
Segundo o estudo, os países mais corruptos do mundo são Coréia do Norte e Somália, empatados com a nota 8. Quer saber do ranking por completo clique em:  http://www.transparency.org/cpi2014/results Para facilitar veja o mapa a seguir que dá uma boa ideia de como se distribui a corrupção neste mundo de meu Deus. Quanto mais vermelho mais corrupto é o país. Quanto mais próximo de amarelo menos corrupção.

Dizem os estudiosos, entre os quais antropólogos e sociólogos, que o ser humana trás no DNA traços e genes da corrupção. Qualquer um está passível de se tornar um corruptor ou se deixar corromper. Cabe à organização social de cada comunidade estabelecer regras de convivência e ordens severas para o controle do progresso social, político e econômico.
Na maioria dos casos, o Brasil em particular, a ordem social tem se revelado impotente no controle da corrupção. O que se vê, com muito cinismo e certa apatia da sociedade, são casos seguidos de assaltos ao patrimônio público e desrespeito  à sociedade.
É preciso muito exercício de ética e formação moral, na base educacional, para que se chegue próximo de um estado livre dos corruptos e honesto com sua sociedade. Além da formação básica do cidadão honesto é preciso que haja, entre outras regras: a) um sistema de transparência nas contas e nos investimentos governamentais; b) o fim da impunidade dos corruptos; c) a proteção para o cidadão que deseja denunciar corruptos e corruptores; d) financiamento público para as eleições, evitando a infiltração do crime organizado, a lavagem de dinheiro, além das disparidades de orçamentos de campanhas de candidato a candidato, levando a que bons valores sejam preteridos dando lugar a outros sem ética e sem vocação para a coisa pública, entre outras manobras espúrias.
Confesso que os resultados que conferi nessa pesquisa tomaram-me de surpresa. Sempre soube que há muita corrupção espalhada mundo afora, mas, imaginei que bem menos. Ainda bem que Estão de Olho!

NOTA: Mapa obtido da Transparency International