sábado, 26 de julho de 2008

PAGUE DOIS E LEVE UM

Outro dia recebi um email mostrando, com fotos bem produzidas e numa serie de slides (formato power-point) carrões norte-americanos com seus respectivos preços de mercado. Um verdadeiro acinte ao pobre coitado do consumidor brasileiro. Não eram carrinhos dos tipos celtinhas, kasinhos ou pálios. Repito, mostravam carrões. Hilux ao preço de US$ 16.000,00, por exemplo. Um terço do preço no mercado brasileiro. Os do tipo “banheira”, que podem fazer o maior sucesso nas nossas praças mas ninguém pode comprar, por preços relativamente ridículos. Enfim, uma mensagem que deixa qualquer cidadão brasileiro “arrasado”, se sentido roubado e o pior, com vontade de deixar tudo para trás e ir viver na terra do Tio Sam.
De fato, não é fácil viver num país com uma carga tributária tão pesada.
Aqui tudo que se compra para consumir e usufruir se paga em dobro.
Coincidentemente, logo após receber o tal email, assisti a uma exposição de um especialista (Eduardo Queiroz, que é o atual Governador do Distrito 4500, do Rotary International) sobre a carga tributária brasileira e terminei pasmo com algumas informações prestadas.
Segundo ele, existem cerca de 74 tributos sendo cobrados no Brasil, entre impostos, taxas e contribuições. Muita coisa cobrada em cascata (tributação em dobro, triplo etc.) Depois disso, a CPMF caiu. Mas, a essa altura dos acontecimentos um a mais ou a menos, pouco influi.
O sistema tributário brasileiro é o mais complexo e mais caro do planeta” disse Queiroz. Existem 3.200 normas em vigor, entre leis complementares, ordinárias, medidas provisórias, decretos, portarias, instruções e o “diabo a quatro”. Tudo isto operacionalizado – só Deus sabe explicar – através de 55.767 artigos, 33.374 parágrafos, 23.497 incisos e 9.456 alíneas. É inacreditável e, definitivamente, um verdadeiro absurdo.
Para ficar em dia com o Fisco (1,5% do faturamento), uma empresa tem que cumprir 97 obrigações acessórias! É por isso que se diz que o empresário brasileiro existe de teimoso que é!
Somando-se a isto as chamadas escorchantes taxas de juros, que inibe o consumo, os investimentos e, portanto, o progresso, não dá para entender como este Brasil pode crescer.
Comparando o Brasil com alguns países importantes, como os Estados Unidos, onde o imposto sobre o consumo não passa dos 15%, na França 22% e no Japão 18%, nossa situação é lastimável. É duro ser brasileiro.
E a coisa não pára por aí. Há claros sinais de mais tributos! Fala-se na substituição da CPMF, na criação de um tributo ambiental e outro sobre a circulação de veículos automotores, além da implementação de uma tal de Super-Receita.
Pois é, aqui, na terra de Cabral – diferentemente de economias mais desenvolvidas e ostentando renda per-capita mais alta – tudo que se compra vem com uma carga tributária tão estúpida que induz a um slogan simples e claro, para o comércio local: Prezado Cliente, não perca tempo, PAGUE DOIS E LEVE UM. É um barato este país de Lula!
Nota: Charges colhidas no Googles Imagens


domingo, 20 de julho de 2008

O FUTURO CHEGOU

As regiões Norte e Nordeste vêm sendo, nos anos recentes, escolhidas como localizações – estratégicas e privilegiadas – para grandes projetos estruturadores que se instalam no País. O que sonhávamos nas agencias regionais - SUDENE e SUDAM - , dos anos 80, torna-se realidade agora, quase 30 anos depois.
Exemplos disso são os megaprojetos de extração e beneficiamento mineral (sobretudo metálicos) da Vale do Rio Doce, que ocorrem nos estados do Maranhão e Pará, a implantação de grandes projetos do ramo da celulose e da indústria automobilística (Ford), na Bahia; o Estaleiro Atlântico Sul – que já começa a produzir seus primeiros navios –, a Refinaria de Petróleo Abreu e Lima, em Pernambuco, e mais duas em estudos para o Ceará e Maranhão; duas usinas siderúrgicas anunciadas, uma em Pernambuco e outra no Ceará, além de inúmeros outros grandes projetos em andamento, alguns em fase final de implantação, que irão transformar – para melhor e de uma vez por todas – os parques industriais das duas regiões.
São projetos que, vistos separadamente, já constituem flagrantes avanços para as economias das duas regiões e que, no conjunto, conferem maior realce face às imensas repercussões sociais que podem trazer.
Mas, como “nem tudo são flores”, paira sobre as duas regiões a incerteza da adequada apropriação dos frutos desse progresso repentino de duas regiões historicamente pobres e sempre exigindo políticas governamentais mais agressivas e efetivas, além de investimentos produtivos sustentáveis. O motivo são os gargalos e entraves observados nas estruturas sociais, econômicas e infra-estruturais reinantes nesses dois espaços geográficos brasileiros.
Mais do que nunca, nordestinos e nortistas precisam se mobilizar para não perder o bonde da história. A hora é esta, não pode ser depois. Ou seja, o futuro é hoje.
Aos Governos – Federal, estaduais e municipais – cabem imensas responsabilidades, enquanto provedores de infra-estrutura, educação básica e capacitação da mão-de-obra, segurança e saúde publica, administração ambiental, entre outras correlatas. E à iniciativa privada regional resta a missão de saber se ajustar a essa nova realidade, de maneira competente e, sobretudo, em tempo hábil, na busca de colher as benesses que os novos tempos lhe oferecem, sem esquecer que eventuais investidores extra-regionais, sempre caçando boas oportunidades, podem estar de olho nesse boom da periferia que se transforma rapidamente e promete bons retornos.
O desafio que esses dois atores – governo e iniciativa privada – têm pela frente, além de grande, exigirá uma forte dosagem de ousadia, inovação e determinação. Sob pena de perderem a chance de participar do salto qualitativo sócio-econômico sonhado há muitas décadas.
Na prática, tem muita gente extasiada com esse sopro repentino de progresso e, aparentemente, sem saber para onde correr. Usando a linguagem popular, a ficha ainda não caiu!
O Futuro chegou e muitos ainda não perceberam.


NOTA: Foto das obras de implantação do Estaleiro Atlantico Sul, Suape-PE, obtida no Google Imagens

quarta-feira, 16 de julho de 2008

ÔXENTE, ASSIM NÃO DÁ (1)

Acredite, isto aconteceu de verdade. Coisas do Brasil.
Um amigo e companheiro do Rotary Recife - Casa Amarela, Heitor Bezerra de Brito, foi tomado de assalto, ao sair do seu escritório. Pelas costas o assaltante – um jovem desgrenhado, cabelo oxigenado cor de fogo e de, aparentemente, 20 anos – anunciou a investida com um revólver na cabeça do meu amigo, exigindo carteira, celular, relógio, cordão de ouro e tudo que avistou.
Cara a cara com o assaltante, Heitor administrou o estresse, magistralmente, como aconselhável e começou a atender a ordem.
Ao receber a carteira – entregue cuidadosamente e com gestos estudados e anunciados, como manda o figurino – o marginal deixou cair a arma nos pés de Heitor.
Meu amigo, embora muito estressado, teve a feliz idéia de chutar para bem longe aquele revólver ameaçador, ao mesmo tempo em que se atracou com o ladrão e gritou por ajuda.
Bandido dominado e arma recolhida, Heitor mandou a secretária chamar a polícia.
Mas, como só acontece, a polícia demorou muito a chegar e Heitor, inchado de raiva e impaciente, resolveu pregar uma peça no assaltante.
Contra a vontade dos que lhe rodeavam pediu uma corda e preparou o assaltante para ser enforcado, ali mesmo, diante da multidão que os cercava e numa árvore frondosa ao lado do prédio. Que idéia mais medieval... enforcar, exige certa cerimônia e é coisa que ocorre lentamente. Não é vaput-vuput como um linchamento, por exemplo.
Nessas horas chega gente de todos os lados. Pense no estardalhaço. Uns diziam que não fizesse aquilo, que ele poderia se dar mal. Outros, concordando com a idéia, gritavam como torcida em campo futebol: “enfoooorca, enfoooorca ...”. Foi o maior auê da paróquia.
O enforcável, nem precisa dizer, se borrava todo, distribuindo seu mau cheiro fecal, na cena teatral dirigida por Heitor.
Ajoelhado o marginal pedia clemência, mas, Heitor segurou o tranco até que a Policia chegou. Era essa a intenção do meu companheiro rotariano. Queria somente assustar o cara.
Quando a viatura chegou e despejou os policiais – com aquele garbo, armas armadas e "agilidade" de sempre – o assaltante se levantou e exclamou aos brados: “graças a Deus, vocês chegaaaaram! Esse homem aí, quase me mata enforcaaaaaaado!”
Heitor entregou o sujeito, que, aos supapos, foi empurrado no camburão.
Aliviado, Heitor deu o caso por encerrado, até o dia em que recebeu uma intimação da policia para responder um inquérito por tortura e assédio moral contra aquele, digamos, outro eleitor.
Já pensou? O cidadão de bem é assaltado, passa por um estresse de lascar, vê a morte de frente, saindo – risonha e saltitante – do cano do revólver de um desclassificado e é quem paga o pato!
Ôxente, assim não dá!... Com a palavra os homens da Lei...

NOTA: Este caso real, relatado pelo próprio Heitor Bezerra de Brito, está publicado no livro “Crônicas e Contos Inesquecíveis”, reunindo escritos de vários autores e organizado pelo escritor Edvaldo Arlégo, da Editora Edificante, recém lançado.

A ilustração foi colhida no Google Imagens

domingo, 13 de julho de 2008

COMENDO NO MERCADO PÚBLICO

Foi-se o tempo em que comer num mercado publico, do Recife, era coisa de cidadão subabonado. Esta palavra acaba de ser inventada, até que provem em contrário. Hoje, os garis, frentistas, feirantes e semelhantes têm que dividir as mesas dos restaurantes populares dos mercados públicos com portadores de cartão de crédito ou cédulas azuis (das mais valiosas!) de Real.
A freqüência desses restaurantes mudou de perfil. Agora é a classe média alta e a rica que têm por costume baixar nos mercados da cidade para saborear, com o maior prazer do mundo, as delicias da cozinha popular, que, no final das contas é autêntica, tradicional e tem o sabor de cozinha caseira. Ô, como tem! E aí está o segredo do sucesso.
Aliás, nestes tempos de campanha eleitoral, os locais são, literalmente, prato-cheio para os candidatos.
Duvido que você vá encontrar mesa vazia, na “praça de alimentação” do mercado da Encruzilhada, num sábado, às 11 da manhã. É preciso ter muita sorte. E, se o destino for o Restaurante Bragantino, perca as esperanças. Lá se come o melhor bolinho de bacalhau do planeta. Nem em Portugal! Tô pra ver. Como o portuga, proprietário da casa, não aceita reservas, procure chegar cedo.
O que ocorre, agora, no Recife, já venho notando, há muito tempo, noutras cidades e as que mais me chamaram atenção foram as do Mercado Público de São Paulo (já falei, em fevereiro aqui no Blog), o magnífico e tradicional de Salvador (Bahia) e o de Montevidéu (Uruguai). Neste último se come o melhor fruto do mar da Província Cisplatina.
Aqui no Recife, inclusive, a coisa está se transformando numa das melhores opções turísticas e, não raro, já se vê até estrangeiros diante de uma buchada, de um bode guisado ou de gordurento sarapatel. Sei não... mas, tem uma coisa, depois de duas lapadas de Pitu, entra tudo.
Neste sábado percorri os três mais atrativos desses locais: Encruzilhada, Madalena e Boa Vista. Os cenários já são, por si só, interessantes. O Mercado da Boa Vista, inclusive, tem pintura em terra-cota e, até, uma galeria na frente (vide foto ao lado), lembrando os prédios de Bolonha (Itália), que comentei em postagem de junho passado. Muito bonito.
Pois bem. Todos três locais estavam – usando um termo bem pernambucano – coalhados de gente.
Aproveitando a esteira do sucesso, a Prefeitura do Recife vem patrocinando, ultimamente, uma boa idéia de colocar um conjunto musical, executando repertório típico, próprio para o ambiente e as comidas que são servidas. Tem baião, xóte e xaxado. O Clip no final da postagem dá uma boa idéia do negócio. E, de vez em quando, um frevinho para lembrar que estamos no Recife. Ah! Algumas vezes, um grupo de chorinho bem puxado nos violões e cavaquinhos. É uma beleza.
Não tenho dúvidas que estou diante de uma coisa certamente sustentável.
Agora, sem que ponha em risco esta sustentabilidade, nascidas espontaneamente nesses três locais, seria de muito bom tom que a Prefeitura do Recife promovesse uma reforma no Mercado de São José, na região central da cidade, instalando um mezanino (cabe muito bem) onde pudessem surgir restaurantes típicos voltados para o turismo. A construção é belíssima. A localização, também. Seria um sucesso, tenho certeza. Fica aí uma idéia para os candidatos a burgomestre da Mauricéia.

Nota: Fotos e clip são da autoria do blogueiro e feitas neste sábado 12.07.08

terça-feira, 8 de julho de 2008

A Solução está na Crise

Depois de vários anos de tranqüilidade, o que mais se noticia é a volta do dragão da inflação. A Veja desta semana (pág.67) mostra num quadrinho bem claro, que a cesta básica subiu nas principais capitais brasileiras e o Recife lidera o rank, com a maior taxa de aumento, 29% no primeiro semestre de 2008. Isto é demais. Em São Paulo foi de 14%. Muito ruim, sobretudo para quem vive de salário mínimo e paga aluguel.
De fato, para quem freqüenta os supermercados da vida, esta coisa fica visível e preocupante, sobretudo nos itens dos cereais, da carne e do leite e seus derivados. Como o sustento alimentar está baseado nesses produtos, o que se conclui é que a situação não é das mais alvissareiras.
São muitos os indicativos para explicar a situação e na maioria são de origem externa. Na recente viagem pela Europa, o que mais vi, nos jornais dos principais países, foram manchetes, artigos e analises sobre o problema, sobremodo na pressão sobre os gêneros alimentícios.
Entendo, então, que o que estamos vivendo no Brasil, não é fruto, necessariamente, de uma dificuldade na produção nacional, mas, sobretudo na escassez da oferta mundial. Como não somos auto-suficientes na produção de todos os itens, a exemplo do trigo e do arroz, estamos sujeitos a amargar a alta dos preços.
A incrível alta diária do petróleo, no mercado internacional (o barril do óleo já beira a casa dos U$ 150,00), obviamente, tem marcado de forma flagrante sua participação na elevação dos preços. Claro, porque o transporte da produção é feito por meios de transportes movidos a diesel, gasolina ou querosene, contribuindo para a elevação do preço final ao consumidor. Agora, não há dúvidas que o cartel do petróleo está “deitando e rolando”, enquanto pode, para elevar os preços, temendo a consolidação do sucedâneo etanol obtido de fontes renováveis e sustentáveis para mover o transporte mundial de bens, serviços e pessoas. Detalhe: o petróleo dificilmente vai voltar aos preços do passado. Pode cair um pouco, mas, não o suficiente para tornar aos níveis de cinco anos atrás.
Outra explicação, cada vez mais constatada, é a de que países em desenvolvimento, particularmente a Índia e a China, passaram por profunda mudança na sua estrutura social, com imensos contingentes populacionais – na casa dos bilhões – ascendendo nas classes sociais e passando a consumir mais cereal e mais proteína. Essa demanda inflada fez com que as fontes supridoras se ressentissem da incapacidade de atendimento, gerando o que, naturalmente, acontece: quando a oferta do produto diminui, o preço aumenta. E, o pior, nem sempre na mesma proporção! Porque os especuladores estão sempre de plantão.
No Brasil, um fato concreto contribuiu para que a situação fosse também sentida, com detalhes similares. Vigorosa política social (Bolsa Família), implementada pelo Governo Federal, distribuindo renda à população carente, remeteu imenso contingente populacional ao mercado de bens e serviços, impondo uma nova dinâmica no grande e pequeno comercio.
Indiscutivelmente, que os resultados imediatos dessa política são positivos, embora que a sustentabilidade do programa, seja discutível visto que, na sua essência, é assistencialista. Agora, o que mais preocupa é que a escassez dos gêneros de primeira necessidade, com a conseqüente alta dos preços, venha por em risco a governança dessa estratégia governamental.
Contudo, vista por outra perspectiva, a crise, como qualquer outra, suscita saídas estratégicas e guinadas fantásticas e este momento pode ser muito bom para a economia brasileira. A imensidão das terras cultiváveis deste continente verde-amarelo pode transformá-lo – de uma vez por todas – num privilegiado celeiro do planeta.
O Brasil tem 850 milhões de hectares. Aproximadamente 40% são agricultáveis. Desse percentual, estima-se que menos de um quarto tenha sido tocado. Temos, portanto, uma imensidão de terras a serem aproveitadas. Basta que haja recursos para a mobilização dos demais fatores de produção, incluindo o financiamento. Sem esperar muito.
Afinal, um país que descobriu e domina a tecnologia do etanol, a base da cana-de-açúcar, tem condições de produzir, competitivamente, um sem numero de outros produtos, sobretudo os alimentares.
E, por falar em etanol a base da cana-de-açúcar, tão criticada no meio do mundo – sobretudo pelo cartel do petróleo – por sugerir a redução da oferta de alimentos, um dado interessante vem da Agencia Nacional do Petróleo – ANP: o Brasil produz, atualmente 22,5 bilhões de litros de etanol, em, mais ou menos, 370 usinas que utilizam apenas a irrisória parcela de 0,73% daquelas terras agricultáveis, acima referidas. Francamente... tenha paciência!
Portanto, vamos produzir mais, com eficiência e modernas técnicas. O Brasil pode sim tirar partido dessa situação internacional. Não apenas para atender demandas internas e externas, mas também para dar uma resposta competente ao mundo.

Nota: as fotos - Colheita de soja (em cima) e canavial (abaixo) - foram obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

REALIZEMOS OS SONHOS

A sustentabilidade da vida no Planeta como um todo, dos povos e nações, cidades e metrópoles, aldeias e pequenas comunidades é um dos temas mais em evidencia no mundo atual. Cientistas, pesquisadores, políticos, artistas e cidadãos comuns debruçam-se sobre estudos e pesquisas para debater propostas que apontam para soluções que levem ao usufruto de um mundo equilibrado e sem riscos de tragédias, que é o que todos nós sonhamos.
Trata-se de um formidável desafio para o homem contemporâneo, à medida que os governos mostram-se incapazes de prover, aos seus territórios e sua gente, os meios que garantam esse desejado estado sustentável. A coisa se torna exacerbada devido à ganância das grandes corporações que, na maioria das vezes, mostram-se insensíveis à questão e fogem do papel que devem desempenhar, enquanto agentes efetivos do desenvolvimento social e econômico.
Os resultados, quase sempre nefastos, passam, entre outros aspectos, pela exploração predatória do meio ambiente, pelo crescente empobrecimento de mais da metade da população mundial e pela crescente escassez de alimentos.
A ECO 92, realizada no Brasil (Rio de Janeiro, 1992), reunindo chefes de estados e cientistas de todas as partes do planeta, foi um marco no processo de conscientização para mostrar ao mundo a importância da preservação do meio ambiente, enquanto base de sustentação da vida. O Protocolo de Kioto (1997), por seu lado, transformou as constatações do Rio, num “documento operacional”, lamentavelmente não chancelado pelo segundo maior emissor de gás carbônico do mundo que são os Estados Unidos da América.
Destarte, difunde-se pelo Planeta a necessidade urgente da formação de uma consciência cidadã, que respeite o meio-ambiente, preserve os aqüíferos de sustentação e distribua maior equidade social entre os povos, antes que uma tragédia de proporções irreversíveis se instale.
Por sorte, já são muitas as sociedades mais conscientes e corporações mais comprometidas com o futuro, que se mobilizam no sentido de desenvolver ações, mesmo que localizadas, visando à preservação do meio ambiente e assistência às comunidades mais necessitadas, dando, assim, uma parcela inestimável de contribuição para a sustentabilidade e a paz no Planeta. Naturalmente, que se trata de uma ação complementar a dos governos, mas, indiscutivelmente, necessárias num mundo com renitentes desigualdades inter-regionais e internacionais de renda.
No meio disso tudo, destaco uma entidade internacional que – quase silenciosamente – trabalha diuturnamente – há mais de um século – pela busca da paz e da união entre os povos, através de concretas ações que passam pela preservação ambiental, a erradicação de moléstias contagiosas, o combate à fome e o analfabetismo, assistência a populações em risco de vida ou vitimadas por catástrofes e guerras, entre outras. Esta entidade é o Rotary International, fundada por um inteligente e visionário cidadão norte-americano – Paul Harrys – que, antevendo os problemas e desafios impostos pelo progresso, tratou de mobilizar lideres comunitários para desenvolver a nobre missão de promover a paz e a concórdia em nível local, com visão mundial, inspirado por um lema emblemático: “dar de si, antes de pensar em si”.
Ao fundar a Entidade, em 1905, Harrys certamente não pode estimar o tamanho dos desafios dos seus seguidores, cem anos depois. Contudo, a semente de amor por ele lançada naquele já longínquo ano, indiscutivelmente, faz do Rotary International, tanto pela sua trajetória vitoriosa, quanto pela sua dimensão nos dias atuais, ser reconhecido como a mais antiga e mais competente entidade cidadã do mundo moderno, visto que, nas suas ações locais ou internacionais, seus objetos de preocupação e as soluções propostas são todos permeados das idéias e estratégias que o resto do mundo – somente agora – discute e busca entender.
O atual presidente do Rotary International, o coreano Dong Kurn Lee, responsável pela continuidade do projeto de Harrys, escolheu, para seu ano de gestão, que inicia esta semana, o lema Realizemos os Sonhos, focando as ações na redução da mortalidade infantil no mundo inteiro. Ou seja, preservar a vida humana no Planeta, para garantir a sustentabilidade.
Existem, atualmente, 33.049 clubes de Rotary, com 1.228.810 membros, espalhados por 208 paises nos cinco continentes. No Brasil já são 2.304 clubes, com mais de 52.000 membros, contribuindo – de forma cidadã – para a realização do doce e mágico sonho de viver de milhões de brasileirinhos e para a melhoria da qualidade de vida das nossas populações em situação de risco.
Assim, transformemos nossos sonhos em pura realidade!

NOTA: Dedico esta postagem aos valorosos companheiros rotarianos do Rotary Club Recife - Casa Amarela e às companheiras da Casa da Amizade do Casa Amarela, que no ambulatório Vicente Gallo assistem, aproximadamente, 5.000 pessoas carentes do bairro de Casa Amarela e adjacências, no Recife.