domingo, 28 de abril de 2013

Acorda Brasil!

Em 2012 a Justiça brasileira foi celebrada e consagrada perante a Nação como sendo uma Instituição de respeito por conta do julgamento do Mensalão. Sim, porque, até então, o povo brasileiro tinha como referencia maior o fato de que pessoas instaladas no poder - executivo ou legislativo - estariam sempre imunes às malhas da Lei. Condenar vários desses elementos nocivos ao país imprimiu credibilidade ao Poder Judiciário nacional. Ainda que dependendo da atual fase dos recursos, o prazo está prestes a esgotar, o que todo brasileiro de sã consciência espera ansioso é ver todos os condenados atrás das grades.
Na esteira do processo, porém, existem casos esdrúxulos como o dos deputados condenados à prisão e exercendo tranqüilamente o mandato. Além disso, articulando estratégias espúrias para se livrarem do xilindró e continuar legislando, como se nada houvesse ocorrido. Entre essas estratégias, a mais surpreendente e absurda, o Brasil democrático conheceu na semana passada e foi apanhado de surpresa com a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça - CCJ, da Câmara Federal, de uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional, que submete o Supremo Tribunal Federal – STF às determinações da Câmara e do Senado. Isto é, uma decisão do Supremo não terá efeito algum se o Congresso Nacional achar por bem derrubar. Uma tremenda estupidez petista, porque uma proposta aprovada por uma Comissão presidida por um PTista, com maioria PTista, incluindo votos de dois parlamentares condenados à prisão, só pode ser uma manobra indecente para livrar os caras da cadeia. Ocorre que a aprovação de uma emenda dessa natureza representará uma desmoralização do que hoje representa o poder de maior confiabilidade no Brasil.
Não sei não, gente. Começo a ficar muito preocupado com o futuro da nossa Democracia, ainda em consolidação. Uma Emenda como esta, sugerindo dispositivos que na prática transformam a Justiça, ao invés de cega, numa muda, só se vê numa republiqueta ordinária, nas quais ditadores ou falsos ditadores manobram as casas do legislativo e “casam e batizam” ao seu bel prazer! Na minha humilde visão técnica, mas de cidadão, isso é o caminho mais curto para uma ditadura. Desconfio que os autores dessa excrescência legislativa andam tomando lições na "escola bolivariana" – coitado de Bolívar – criada pelo tal de Chávez na Venezuela e com tolos (?) seguidores pelas Américas da vida. Tenho dó desses seguidores e dos seus compatriotas.
Bom, ainda bem que no Brasil a coisa é diferente. Ainda existe esperança de salvação por conta de parlamentares de vergonha: o Presidente da Câmara Federal, Henrique Alves, do PMDB, que embora integrante da base aliada, cumpra a promessa de que não levará a emenda à votação do plenário. Tomara! Caso contrário, “estamos fritos”. É de lascar.
No fim desse imbróglio, o mais lastimável é que uma idéia absurda e indecente como esta provoque um tremor no relacionamento entre o Legislativo e o Judiciário.
Quem diria que um partido com referenciais democráticos e renovadores, fundado em 1980, prometendo um Brasil novo e justo, se transformaria numa quadrilha de malfeitores à Nação. Acorda Brasil!

NOTA: Sem ilustrações, desta vez. Do que serviriam? Causariam asco. As melhores estão na imprensa aberta e na TV.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Cidade Limpa


Esta semana tomei conhecimento de uma auspiciosa noticia: o Rio de Janeiro vai multar quem jogar lixo na via publica. Dependendo do descarte, a multa vai de R$ 157 a R$ 980. Somente no primeiro trimestre deste ano, a Prefeitura do Rio já gastou R$ 600 milhões para tirar lixo das ruas e praias. Cá pra nós, é uma grana preta que devia ter sido aplicada em projetos sociais, tão necessários ao cidadão local.
Fiquei animado com a iniciativa carioca e torcendo para que, além de dar certo, sirva de exemplo para outras cidades e metrópoles do País. Já é tempo dessa gente se civilizar. É uma vergonha e, naturalmente, uma questão de saúde pública, o que se vê neste Brasil afora.
Justificado a medida, as autoridades cariocas informaram que o Rio é considerado um dos dez pontos turísticos mais sujos do mundo. É de lascar. Tanta beleza e mergulhada na sujeira. Dolorosa, ainda mais, por saber que está incluída num grupo composto por cidades, onde a sujeira impera.  Na China e na Índia, por exemplo, há um hábito horrível de se cuspir e escarrar na  via pública sem qualquer cerimônia. O turista visitante tem que ficar muito atento para não ser atingido por um desses desagradáveis petardos. Por ocasião das Olimpíadas de Pequim, 2008, em face do grande contingente de visitantes, o Governo local desenvolveu uma campanha punindo os cuspidores e reprimindo esse péssimo habito. Cartazes e anúncios na TV tratavam do tema. Vide imagem abaixo. Foram dsitribuidos, inclusive, recipientes para que os necessitados urgentes de cuspir depositassem sua respectiva cusparada, guardasse na bolsa e dessem um destino que não a via pública. Parece que passado o evento, os chineses voltaram a praticar este abominável hábito, visto que pude constatar pessoalmente, numa recente visita que fiz àquele país, que a medida não foi de toda eficaz. Na própria Pequim deparei-me com esse tipo de sujeira.
Em Cingapura a lei é duríssima. Formada por uma população mesclada de chineses, indianos, malaios, filipinos, tailandeses, entre outros orientais amantes de cusparadas, o governo local (ditadura severa) teve que adotar medidas do tipo: jogar lixo na via publica, inclusive uma banal cinza de cigarro, recebe uma multa de, aproximadamente, US$ 650. O mesmo se impõe a quem cuspir no chão, der comidas a um pássaro, vender, mascar ou comprar chiclete (a galera colava o chiclete usado nas poltronas e paredes do metrô), usar o banheiro publico e não der descarga e roubar uma flor de um parque ou praça. Quem reincidir num desses erros paga em dobro e é obrigado a prestar serviços de limpeza publica. É paaaau! O resultado é que a Cidade-Estado é um primor de limpeza. Uma cidade perfeita (visite o site: www.lucianabveit.com/br/the-perfect-city/  e saiba mais).
Pois é: uma das coisas mais chocantes, para nós brasileiros, quando regressamos de uma viagem a um país ou cidade limpa do exterior é desembarcar numa brasileira suja e descuidada, como é o caso do Recife. O abandono que foi dado a nossa cidade ultrapassa ao próprio traço cultural da população, que é o de atirar todo tipo de detrito ou rejeito nas vias públicas, canais e rios. Nosso meio ambiente é deplorável. Nossas ruas e avenidas são de assustar. Nem Geraldo – o que faz tudo – está conseguindo limpar. Diminuiu, é verdade. Mas, ainda tem muita bagaceira. Os doze anos de administração do PT foi um desastre nesse item. Foram mestres em descuidar da cidade. Já tratei deste tema numa outra oportunidade. Quer lembrar? Leia clicando em:  http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/06/recife-uma-cidade-abandonada.html
Alguma coisa deve ser feita, urgente. Imagine o que vamos apresentar aos torcedores que vierem assistir aos jogos das copas das Confederações e Mundial. Não apenas no Recife. Falo das cidades sedes dos jogos e, sobretudo, do Rio de Janeiro que, por cima, terá ainda os desafios de receber as Olimpíadas de 2016 e, já já, dentro de dois meses, o encontro da Juventude Católica Mundial, com a presença do Papa Francisco, inclusive.
Aplausos para os gestores municipais  que venham  aplicar multas nos que confundem o ambiente publico com seus chiqueiros particulares. Queremos Cidades Limpas!
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens 

domingo, 14 de abril de 2013

Grandes Estiagens

 Quando ouço falar e confiro o atual episódio de uma nova estiagem no Nordeste encho-me de lamentos, questões e revoltas. Explico: Quando menino, passando boas temporadas na casa dos meus avós maternos (região agreste do estado), o que mais ouvi falar, durante uma seca, eram das invasões de flagelados saqueando as cidades e povoados na busca de alimentos. Principalmente nos dias de feira que eram sempre momentos de muita expectativa devido à escassez dos produtos alimentares e o risco de saques. Na minha criancice, pelava-me de medo. Meu avô era comerciante e vivia sempre às voltas com essa preocupação. Outra coisa que vi muitas vezes foram as levas de paus-de-arara, carregando a gente faminta, para os grandes centros urbanos, a procura de solução econômica para sobreviver. Em Caruaru, isso era corriqueiro. O Brasil todo conhece bem essa história, sobretudo depois que celebrizada por Luis Inácio da Silva, um ilustre flagelado da seca nordestina.
Homem feito e ensaiando a vida profissional, cai como funcionário, na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, entidade do Governo Federal criada justamente para, entre outras coisas, tratar de livrar a Região desse flagelo secular. Criada em 1959, a SUDENE não era bem uma novidade à época. Vinha se juntar ao Departamento Nacional das Obras Contra a Seca – DNOCS, criado no inicio do século 20 e ao Banco do Nordeste do Brasil – BNB, de 1954, igualmente preocupado em financiar projetos que pudessem livrar o nordestino das agruras das grandes estiagens. Todos idealizados em meio a essas crises, bom frisar, e com fortes componentes políticas. Desde o Imperador Pedro II, coitadinho, que chorou diante da desgraça dos seus súditos flagelados, lá pelos anos finais do Império, que os governos dizem... dizem se preocupar com o problema.
Na SUDENE, onde fiz minha carreira profissional, durante anos a fio, o que mais trabalhamos foi na busca de soluções de bem-estar e desenvolvimento sócio-econômico para o Nordeste e os nordestinos. A idéia força foi sempre a de criar condições dignas e adequadas ao meio para fixar o homem no seu habitat, mesmo que em tempos de estiagens. Muito se fez, embora que pudesse ter sido bem mais, não houvesse a variável política a atropelar a execução de muitos engenhosos projetos. Lá forjaram-se inteligentes soluções, com a ajuda de peritos internacionais e experimentados técnicos especialistas na área. É uma história longa e por demais conhecida. Não posso desdobrá-la, devido ao exíguo espaço.
Confiante que o leitor ou leitora sabe bem do que falo, vou apontar minha “metralhadora” para, em minha opinião, os alvos responsáveis pela desgraça que, em pleno século 21, ainda assola o Nordeste. Falo de alvos, embora que, no final das contas, é um só: o Governo Federal. Está aí o grande responsável pela situação. Não foi por falta de boas propostas e bons projetos! Sou suspeito para falar, mas, a SUDENE – minha grande escola – desenvolveu estudos preciosos, mapeando a região, selecionando áreas promissoras para desenvolvimento, implantando infra-estruturas, capacitando o pessoal, preparando as populações das zonas de risco e apontando formas para distribuir a água necessária nos tempos de crise. Paralelamente, devido sua ação universal na área nordestina, desenvolveu e executou projetos transformadores para os grandes e médios centros urbanos regionais, importantes pontos de apoio às famílias numa situação de crise. Lamentavelmente, nem tudo que o papel dos planos diretores suportou, foram dele tirados, devido à falta de responsabilidade e decisão política dos governos que se sucederam ao longo da história. Acabaram com a SUDENE e o problema, é claro, persiste.
Quando vejo o projeto da transposição do São Francisco – polêmico inclusive – se arrastando por anos, me revolta. Não se admite que na segunda década do século 21, este assunto ainda seja atual e longamente debatido.
Recordo-me de certa ocasião em que um técnico estrangeiro, homem sério e de grande experiência no mundo inteiro, a serviço da SUDENE, pelas Nações Unidas, me confidenciou que as crises da seca eram convenientes para o exercício da política clientelista. Grande novidade, pensei. Naturalmente que concordei com ele. O que mais se vê nesses interiores do Nordeste são os políticos irresponsáveis “faturando” votos à base de atendimento aos correligionários com caminhões-pipas e distribuição de comidas. Uma vergonha.
Aliás, vejam como D. Dilma tem visitado o Nordeste seco, nesses últimos meses. Louca para “faturar” também. Mas o buraco é mais em baixo! Sabe do que mais: já falei muito de uma velha e cansada história. Vai a provocação.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens





terça-feira, 9 de abril de 2013

Mercados Públicos

Fico muito satisfeito por ouvir falar que a nova prefeitura do Recife está disposta a requalificar os mercados públicos da cidade, o que já era tempo. A situação atual, de modo geral,  é de calamidade e, até mesmo, uma questão de saúde pública. Haja trabalho para dar ordem e limpeza nesses espaços municipais.
Quem estuda economia, sociologia e matérias correlatas sabe da importância que exerce o espaço de um mercado popular numa sociedade, seja qual for o porte do aglomerado social: metrópole, cidade grande ou pequeno povoado. Cada qual, ao seu modo e cultura, mantém sempre uma dessas áreas onde se realizam as transações comerciais locais, de compra e vendas de bens e serviços necessários à subsistência e bem estar das famílias. Então, é o local no qual a sociedade se reúne e interage revelando seu grau de civilização, expresso pela maneira de negociar, hábitos alimentares e produtos negociados. Isso ocorre desde os primórdios das civilizações.
Pessoalmente sempre me interesso e curto muito conhecendo esses locais, tanto nas grandes ou pequenas cidades brasileiras, quanto pelo mundo afora.  
Recentemente tive belas oportunidades de fazer esse tipo de programa. Lembro, por exemplo, do mercado popular e de pescados de Busan, cidade da Coréia do Sul, por onde andei em novembro passado,  organizado e limpíssimo, ao contrário dos nossos, e repleto de produtos exóticos para atender o gosto dos nativos e surpreender o visitante estrangeiro. Pense em comprar, para uma refeição, uma espécie de cobra d'água (enguia?) que é saboreada, após grelhada, ou um quilo de carne de cachorro, para preparar uma sopa muito apreciada e típica no país. Lá no final desta postagem tem um videoclipe mostrando essa curiosidade. Dê uma olhadela. É curtinho.
Outro exemplo que lembro é o da feira livre da cidade do Brejo da Madre de Deus, interior de Pernambuco. Acho admirável a forma daquela gente organizar seu ambiente de comercialização. Limpo, agradável de ser visitado, com olhar de turista, como no meu caso. As barracas de utensílios artesanais são testemunhos da tradicional cultura local. Vide fotos, a seguir.   

Mas, pensando no que pode ser feito nos mercados do Recife, particularmente, no tradicional Mercado de São José, visitei mais uma vez, no fim de semana passado, o Mercado Municipal de São Paulo, que se constitui numa das melhores atrações turísticas da grande metrópole nacional. Imponente, arquitetonicamente falando, e referencia na oferta de produtos de empórios de luxo, como queijos e ervas finas, frutas raras, amêndoas das mais diversas, carnes e pescados, expostos na mais perfeita ordem e asseio,  o mercado de São Paulo exerce um poder de atração a mais, ao oferecer ao visitante um polo gastronômico com itens típicos do cotidiano paulista. O pastel de bacalhau e o sanduiche de mortadela são as vedetes do cardápio do mercado. Saboreados com chope gelado é uma pedida ideal. Vide as fotos a seguir.


Vendo aquilo em São Paulo, imaginei o que poderia ser feito no Mercado de São José, aqui no Recife. A estrutura existente foi inaugurada em 1875, sendo, inclusive, o mais antigo mercado público do Brasil. Outro detalhe importante a registrar é o fato de haver sido o primeiro edifico pré-fabricado em ferro no país. Trazida da França, a estrutura é de estilo neo-clássica dos mercados europeus do século XIX e inspirada no mercado publico de Grenelle, em Paris. É, de fato, uma bela construção e deve ser aproveitada melhor para se tornar uma atração turística de primeira linha na cidade, incluindo um pólo gastronômico bem organizado, num mezanino, como foi feito em São Paulo e com um cardápio tipicamente pernambucano. Pensando bem, o São José tem uma grande e particular vantagem que é o setor das vendas de artesanato regional da melhor qualidade. Com a palavra a Prefeitura da cidade.


NOTA: Fotos e videoclip são da autoria do Blogueiro