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sábado, 28 de maio de 2016

Desafiante Conjuntura

Já tentei fazer esta postagem semanal por três vezes e, desconcertadamente, retrocedi. O ambiente está muito confuso para um blogueiro da minha categoria, que não segue uma periodicidade rigorosa e que faz desse tipo de comunicação, antes de qualquer coisa, um hobby, ao mesmo tempo em que mantém uma forma de se comunicar com uma pequena legião de amigos/leitores. Resulta que termino administrando uma grande dificuldade de formar pauta, nesse ambiente político-econômico tão volátil nos dias de hoje aqui no Brasil.Cai governo, entra governo, ministério novo com cara de velho, ministro corrupto flagrado com a “boca na viola” e derrubado. Delações premiadas pipocantes... Coisa de louco, meu Deus!  Apressei-me neste sábado e aí está. 
Nessas horas recordo minha finada mãe, sempre antenada nos assuntos políticos e diante da televisão acompanhando essa “safadeza geral e endêmica” que assola o país. Se viva fosse e tivesse boa cabeça diria logo “o pau tá comendo lá em Brasília” ou “a volta agora é por dentro! Escreveu, não leu, o pau comeu”. E é isto mesmo. Eu concordaria na hora.
Que o governo de D. Dilma foi, por bom tempo, inviável é uma questão indiscutível. Não havia governabilidade, prestigio internacional ou confiança da sociedade. Tudo isto num cenário caótico de estagnação econômica, inflação acelerada, taxa altíssima de desemprego atingindo mais 11 milhões de brasileiros e o escandaloso buraco cavado pela generalizada corrupção, comandada pelos cardeais do partido da “presidenta”. O final não poderia ser outro.
Ocorre, contudo, que a fila das delatores anda rápida e outros salafrários vêm sendo denunciados, pondo por terra “santos” com os pés de barro. E o barro, pela própria natureza, não resiste aos fortes jatos de um lava-a-jato. 
Sou um grande entusiasta da Operação desse Juiz Sérgio Moro que está reescrevendo a História deste Brasil velho e vilipendiado por inúmeros canalhas que o administram ao longo dos anos, num verdadeiro e continuo flagelo. Quem tem a curiosidade de ler sobre a História da República (leia, por exemplo, Guia politicamente incorreta dos presidentes da República, de Paulo Schmidt, Ed. Leya, São Paulo, 2016) e poderá conferir o que digo. Aliás, o que todo mundo diz.
Os episódios da semana que finda (entre 23 e 27.05.16) expõem os que agora mandam em Brasília termina alimentando – e com razão – a turma petista que tenta fortalecer a tese do golpe.
E é a propósito desta tese que quero falar agora: fico observando alguns defensores da ideia querendo comparar o momento atual com o golpe de 1964. Já tive, inclusive, quem me perguntasse se o que ocorre agora não teria as mesmas características daquele ano. Fui enfático em dar minha opinião afirmando que não tem nada que seja comparável. O mundo era outro e o Brasil também. As forças exógenas que influenciaram a investida militar, à época, foram concretas, com a efetiva influência política norte-americana pontificando na America do Sul, diante do caso de Cuba. Tio Sam tremia com o avanço da União Soviética na parte Latina das Américas. Era o auge da Guerra Fria e o resto da História todo mundo conhece. Hoje, a coisa é diferente! A chamada Cortina de Ferro não existe mais, foi carcomida pela ferrugem e ruiu de podre e total inviabilidade. No nosso atual caso, as razões são essencialmente internas. Um Governo saudoso das ideias sócio-comunistas dos anos 60 e 70, administrativamente incompetente não conseguiu viabilizar seu projeto, se entregou ao banditismo da corrupção, deixando escapar uma bela oportunidade que teve de se tornar um ponto de inflexão na curva da velha condução política do país.
Os tempos de hoje são outros. Os países que passaram pelas experiências populistas já deram a “volta por cima” e atualizaram suas trajetórias. Os que se atrasaram no processo estão pagando caro pelo idealismo anacrônico que alimentam. A Venezuela é o melhor dos exemplos. Já os hermanos argentinos “viraram a mesa” com Macri e no Brasil tenta-se dar uma girada de 180° para colocar o trem de “volta aos trilhos”. Não é nada fácil com tanta instabilidade econômica e política. Na verdade é traumático, até porque falta uma liderança capaz. Melhor que nunca houvéssemos passado por essa conjuntura. O processo de impeachment, no formato que ficou desenhado, bem diferente da unanimidade do de Fernando Collor, ainda vai render muitos desencontros e dissabores à Nação. No meio disso tudo, a Lavajato vai continuar, a presidente fica no “limbo” e  poder central transitório se esforça para soprar sobre o país uma lufada de esperança. Mas, o Brasil continua dividido. É inútil pensar ao contrário. Isto pode perdurar por longo tempo cobrando do povo brasileiro um preço altíssimo.
De todo modo, como já passamos por muitas outras crises às quais sobrevivemos, cabe uma pergunta: por que não sairemos desta desafiante conjuntura? Tomara que seja mesmo conjuntural e que passe logo.  


  

quinta-feira, 24 de março de 2016

Marcha à Ré

É impossível desligar-me dos fatos políticos que eclodem a cada hora no Brasil de hoje. Eu somente, não. O Brasil todo. Os episódios, sempre bombásticos,  se multiplicam de forma avassaladora e se transformam num monstruoso e complexo imbróglio com uma concreta dificuldade de ser solucionado. O país tem neste momento uma Nação dividida e a perplexidade toma conta da sociedade. 
É interessante notar que, o que na prática ocorre, é uma inusitada luta sem fim entre os poderes da República revelando uma disputa muitas vezes nociva ao estado democrático tão duramente conquistado. As autoridades de plantão se confundem – muitas vezes de forma patética ou equivocada – enquanto tentam confundir uns aos outros e, por fim, confundir a Nação. Há um clima de intranquilidade como poucas vezes se viveu. A História está aí para comprovar.
Se pelo lado político a coisa se apresenta de modo insustentável, pior está sendo para o domínio econômico. Este, lamentavelmente, se encontra refém do rachado quadro político-institucional reinante. O país está mergulhado num recessão sem precedente, fruto da insanidade da atual classe política e dos governantes de plantão. Claro que já passamos por muitas crises econômicas. Minha geração foi testemunha direta dos graves problemas que vivenciamos em poucas décadas atrás durante e em seguida ao regime ditatorial. Contudo, o que se experimenta dessa vez tem um sabor mais desastroso em face das ameaças que se revelam na prática e se rebatem, de modo inequívoco, sobre os progressos alcançados depois da estabilização econômica dos anos 90, caracterizada pelo sucesso do Plano Real, do controle da inflação, da capacidade segura de investir na produção, dos avanços nos campos do agronegócio e do setor industrial, além da adoção de medidas de política econômica importantes, entre as quais me lembro da Lei de Responsabilidade Fiscal e a do camle bio flutuante. Isto, sem falar no fortalecimento e autonomia de atuação de instituições chaves do Estado que se fortaleceram e hoje cumprem um papel fundamental para sustentação de um legítimo estado democrático.
Bom, é indiscutível que esta instabilidade política em curso confere um clima de desconfiança e muito difícil são aqueles que se encorajam investir em algum setor produtivo. Ao invés disso, muitos são os empreendimentos que se desmobilizam por falta de oportunidade de atuar num mercado, antes vigoroso e agora devagar quase parando. O consumo das famílias retraiu-se e as dividas pessoais estão arruinando a muitos.Resultado imediato dessa agonia é o crescimento do desemprego, que já atinge marcas assustadoras e aponta para um quadro ainda mais severo neste ano de 2016. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, via o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), nos últimos 12 meses, 1.706.695 empregados foram demitidos no país. Aqui em Pernambuco ocorreram 96.494 demissões. Mas, isto foi somente nos últimos 12 meses, porque, no todo, já são 9,6 milhões de desligamentos e a taxa registrada é de 9,5% da força de trabalho. A maior desde 2012. Tem desempregado, numa choradeira sem fim, batendo às portas das empresas, perambulando em busca de alternativas para sobreviver e, muitas vezes, desviando para o caminho da delinquência roubando e assaltando para comer e colocar comida dentro de casa. Doloroso.
O Comércio, certamente, foi o setor que mais demitiu, emitindo um concreto sinal de que o mercado vai mal, com repercussão inevitável nos demais segmentos. As perspectivas da atividade industrial são das mais pessimistas e no âmbito global, os institutos de estudos e pesquisas refazem com frequência seus cálculos e projetam mais uma taxa negativa para PIB anual.
Parece uma ironia que o Brasil esteja nessa situação tão negativa. Definitivamente, a República PTista conseguiu frear o crescimento do País e jogá-lo bem distante do seu sonhado desenvolvimento. O único jeito é continuar alimentando o sonho de País do Futuro, embora estejamos, por enquanto, andando numa franca marcha à ré.


Nota: Imagem obtida no Google Imagens 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sobrou pra nós

Quando o orçamento familiar estoura o jeito que tem é cortar despesas apertando o cinturão, diminuindo o consumo das despesas correntes (luz, água, telefone etc.), cortar os supérfluos no supermercado, o almoço domingueiro fora de casa, guardar o carro na garagem e usar o busão ou metrô e por aí vai...
A coisa deveria funcionar do mesmo modo no setor Governo, sobretudo quando ele assume que o orçamento público estourou. A ordem deveria ser a mesma que prevalece numa familia. Mas, não é isto que está ocorrendo no Brasil da atual conjuntura. O Governo mandou ao Congresso uma proposta orçamentária para 2016, com uma previsão de déficit de R$ 30,5 Bilhões e confirmando que quer (ou tem que) gastar mais do que prevê receber. Creio que seja uma coisa inédita neste Brasil do meu Deus. Eu, pelo menos, nunca ouvi falar.
Sem querer abdicar das regalias e gastanças corriqueiras, Dona Dilma e seus 39 ministros pretende continuar esbanjando, embora a grana dos cofres públicos não suporte. Diante de um despautério de tamanha grandeza e uma incompetência nunca vista na História deste país, vai sobrar prá nós, pobres mortais contribuintes, porque é aumentando impostos e cortando investimentos que ela vai tentar (eu disse tentar) cobrir o rombo.
Reunida com ministros da área econômica, a “Presidenta” bolou, esta semana, um pacote de medidas para sanar a situação, que, segundo analistas econômicos não vai ajudar muito. “Vai cobrir um santo, descobrindo outro”.
No âmbito do pacote, algumas coisas chamam atenção: tira dinheiro do sistema S (Sebrae, Sesi, Senar, Senai) para cobrir parte do déficit, prejudicando inclusive o Pronatec, tão celebrado e decantado na campanha à presidência da Republica. Tira verbas orçadas para o Minha casa, Minha vida e, para não parar o programa, vai buscar recursos no FGTS. Prejudica o Programa de Exportações do Ministério do Desenvolvimento  com a redução do Reintegra (crédito aos exportadores de manufaturas, por meio de devolução de até 3% do faturamento, para descontos no PIS e Cofins) e, de quebra, traz de volta a famigerada CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) abominada no passado e no presente. Isto sem falar nos cortes previstos para os orçamentos dos ministérios básicos como Educação e Saúde. Para agitar mais, desferiu na moçada da “infantaria” - funcionários públicos - um empurrão de seis meses à frente para a correção dos salários. E aí eu pergunto: sobrou ou não sobrou prá nós?
Feito isto, noutra ação “faz de conta” promete, para a próxima semana, reduzir os ministérios que na prática não servem para nada, salvo dar emprego aos parasitas asseclas petrálias que perambulam na Esplanada dos Ministérios à cata de vaga no cabide de empregos montado por esse governo tresloucado. Que falta farão ministérios como o da Pesca, da Mulher ou o da Raça Negra? Já não têm verbas consideráveis mesmo... Vai ser uma jogada política.
Resumo da ópera: sacrificar, mais uma vez, o contribuinte espoliado e cansado de trabalhar para pagar tributos absurdos, sem que haja retornos desejados e de direito do cidadão.
Haja emoções, a cada dia. E cada vez mais fortes.

sábado, 29 de agosto de 2015

Cruel Conjuntura

Eu não tenho dúvidas de que os assuntos relativos à política e o desandar da economia brasileira não são do agrado geral. Pelo menos no rol dos que me acompanham semanalmente neste Blog. Vez por outra, recebo claros retornos a respeito dessa rejeição. E é compreensível porque as pessoas andam saturadas dessas noticias ou comentários.  Ao mesmo tempo, é impossível passar batido diante desse cenário caótico que atravessamos, na atual conjuntura. No meio do mundo há verdadeiros desastres e aqui “dentro de casa”, nem se fala. Aliás, se fala... Fala-se, sobretudo, que o “fim do poço” ainda está longe de ser atingido. A cada amanhecer, uma novidade bombástica.
Fico estarrecido com as imagens da TV mostrando aqueles pobres coitados asiáticos e africanos buscando melhores meios de sobrevivência em terras da Europa, se lançando em precárias barcas superlotadas e atravessando o Mar Mediterrâneo, na busca de uma terra firme e segura. São jovens em idade ativa, crianças, mulheres e idosos totalmente vulneráveis que, sem meios de sobreviver ou ter segurança e sem esperanças na terra natal, jogam com a sorte na busca de dias melhores. A situação é, muitas vezes, tão extrema que morrer afogado no meio do mar termina sendo uma opção considerada. O que revela a falta total de perspectiva de vida. Doloroso. Estima-se que aproximadamente 300 mil pessoas já empreenderam essa desventura e pelo menos 3.000 já morreram na travessia, somente este ano, segundo os organismos internacionais que monitoram esse movimento migratório.
Ultimamente, o que chama a atenção é que muitos desses estão acampados em Calais (França) aguardando oportunidades para se meter no Eurotunel e atravessar o canal da Mancha, a pé, pegando caronas perigosas ou pendurados – como só Deus sabe – em caminhões de carga, para alcançar a Inglaterra. É uma imagem sem precedentes. Aterradora. São seres humanos em inimaginável degradação social. (Foto abaixo)
Nisso tudo que ocorre na Europa, temos a prova concreta de que os europeus que colonizaram os países africanos e asiáticos estão pagando um preço altíssimo pelas atrocidades e atitudes predatórias que cometeram no passado. Sem nunca planejar um futuro digno e uma relação civilizada, exploraram tudo que puderam dessas nações deixando-as, em meio a lutas sangrentas, na miséria e na desorganização político-social. Eis, então, um colossal desafio para quem está, há séculos, instalado numa zona de conforto invejável. Pobres europeus. Estão experimentando do “pão que o diabo amassou”.
Outra coisa que assusta e não me conformo é a destruição criminosa do patrimônio histórico da humanidade, que vem sendo praticado pelo tal do Estado Islâmico. Esta semana destruíram, sem pena, templos romanos, com mais de 2.000 anos, em Palmira, na Síria. Esses loucos se alastram pelo Oriente Médio, espalhando medo e terror nas nações da região. (Foto a seguir)
Como se tudo isso fosse pouco, para nós de Pindorama, a situação vai de mal a pior. Um espasmo de concórdia rolou nas últimas duas semanas sem que, contudo, surtisse o efeito político desejado. Os “líderes” de plantão – geralmente com os rabos presos – não cedem nem avançam e a Nação sofre cada vez mais. Estamos vivendo um pesadelo nunca visto antes na História deste País. A inflação está corroendo os salários e a tendência é de piora, ao beirar a emblemática casa dos dois dígitos. Estima-se que em setembro ela passe dos 10%. Quando isto acontece, acende-se uma luz vermelha e a grita geral se torna mais clamorosa. O PIB (Produto Interno Bruto), anunciado nesta Sexta Feira (28.08), caiu 1,9% no segundo trimestre deste ano, apontando para o aprofundamento da recessão. Ao mesmo tempo, já se fala em cobrança de CPMF outra vez. Ou seja, mais impostos, no lombo do contribuinte. É desesperador. Se o assunto for desemprego, a coisa fica ainda mais difícil. As demissões na Indústria e no Comércio assustam qualquer analista de são juízo. Aliás, neste país, analisar a situação econômica é puro risco profissional. O que será do amanhã? Ninguém sabe!
O que nos resta, nesta cruel conjuntura, é sentar e orar. Se você não professa nenhum credo, procure um terapeuta que acalme seus ânimos abalados.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Cuidado com o mês de Agosto

Quando chega o mês de agosto muitos brasileiros ficam de “orelha em pé” e cheios de expectativas em relação ao quadro político reinante. Eu, pessoalmente, fico torcendo que passe logo. Agosto sempre foi emblemático, politicamente falando, para o país. Conheço político que entra o mês cruzando os dedos, pendura figa no pescoço, se benze e pede aos deuses que o tempo passe logo.
Também pudera, Getúlio Vargas deu fim a vida no fatídico 24 de agosto de 1954, em meio a uma crise política profunda, provocando uma consternação social de dimensão nacional. Janio Quadros, após seis meses de um governo cheio de bombásticas medidas administrativas e ridicularizadas nos quatros cantos de Pindorama, surtou e terminou renunciando no dia 25 de agosto de 1961, provocando uma crise político-institucional que veio desaguar no golpe militar de 1964. Em Pernambuco, particularmente, agosto já proporcionou duas surpresas que entraram na história do estado e do país: a primeira foi a morte súbita do governador Agamenon Magalhães, na trepidante madrugada de 24 de agosto de 1952. Saiu de cena e entrou para a história como tendo sido um governante cruel nas atitudes e perseguidor de prostitutas, afrodescendentes, homossexuais e, sobretudo, seus opositores. A outra surpresa foi mais recente, cuja lembrança ainda está fresquinha nas mentes brasileiras, que foi a trágica morte de Eduardo Campos, no brutal acidente aéreo de 13 de agosto de 2014, em Santos (SP), quando se encontrava em pujante campanha à presidência da República. Diante desses fatos concretos, como não temer os ventos de agosto?
Lembrando-me desses episódios desagradáveis à vida nacional fico, mais do que nunca, desejando que este agosto de 2015, sobrecarregado de crises – econômica, ética, moral e política – seja breve e leve, de uma vez por todas, esses ares malfazejos que vêm soprando o cenário brasileiro desde que encerrado o processo eleitoral de 2014. Uma eleição de diferença apertada entre vencedora e derrotado, não assimilada por setores importantes da sociedade organizada, secundada por uma exposição cruel do estado deplorável no qual a economia brasileira havia sido irresponsavelmente jogada, nos últimos anos.
Bom, uma coisa é certa: não há Governo que se sustente quando provoca tropeços à economia. Quando a cortina de fumaça gerada no Palácio do Planalto para encobrir as manobras de sustentação do poder se dissiparam e a realidade veio a público, um clima de instabilidade sócio-político-econômico implantou-se, cujo controle está perdido até hoje. Ao descobrir a realidade, os próprios eleitores da candidata vencedora, a torcida do Flamengo e o povo em geral, juntos e de mãos dadas, mergulharam de cabeça na maior onda de frustração social, como nunca antes na história deste país. Preocupante é que esta coisa vem rebolando até o presente agosto, no qual forças opositoras deitam e rolam sem dó, muitas vezes de forma irresponsável – sem pensar nos prejuízos que acarretam aos que representam – deixando pessoas, como eu, em permanente expectativa diante de cada novo assalto nesse verdadeiro ringue poliédrico, onde forças políticas antagônicas são medidas a qualquer preço e em qualquer hora.
Ora, minha gente, é lógico que o debate, mesmo que acalorado, além das dialéticas mais apuradas, é necessário e benéfico ao estado democrático. Sem isto, aliás, não existe Democracia. Para isto, contudo, é preciso que haja um Parlamento consciente, comprometido com a Pátria e a Nação, que haja responsabilidade do Estado e, sobretudo, haja líderes de fato que patrocinem a retomada da ordem e do crescimento socioeconômico.  Infelizmente, não vejo nada disso na atual conjuntura brasileira. Estamos como num barco à deriva. Nossa “presidenta” perdeu a bussola que lhe colocaram nas mãos e o descrédito e o pessimismo tomaram conta dos cidadãos. Ao mesmo tempo, as “lideranças” políticas estão mais preocupadas em garantir seus quinhões do que qualquer outra coisa e pouco se incomodam com a coletividade, agora abandonada.
Diante deste quadro caótico urge que apareça um grupo de coalizão política responsável que promova o entendimento como os brasileiros esperam e assumindo o comando dessa locomotiva desgovernada, pare, olhe e escute e, depois, escolha qual caminho tomar. O Brasil merece e o povo vai agradecer. Mas, que façam logo porque agosto está aí.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ano Novo, Vida Velha.

É sempre assim: ano vai e ano novo vem, mas, as coisas não mudam. O auê do réveillon passa e quando janeiro amanhece tudo se repete e volta à rotina. Aqui no Brasil, nem o governo, que já era tempo de mudar, mudou. Entramos em 2015, como se em 2014 estivéssemos.
Por falar em Governo, ando cada vez mais preocupado com o futuro do país. Está na cara que a situação econômica não é nada animadora, neste inicio de ano com a continuação do “velho” e superado governo. Nem mesmo a tão incensada nova equipe econômica e seus primeiros sinais de medidas supostamente saneadores foram suficientes para mitigar a situação. Antes, pelo contrário... Também, pudera, os indicadores trazidos de 2014 revelam uma situação preocupante: inflação em alta, Real desvalorizando, projeção de PIB insignificante e desemprego em alta dão o tom do descompasso. Pensando bem, o Brasil apresenta, hoje, índices dos mais pífios e, que na prática, representa um retrocesso a negros períodos do passado.  Tudo por conta de uma política econômica equivocada e um quadro político conturbado devido à sucessão de escândalos de corrupção no setor público. Há um descrédito geral no seio da população.

Os primeiros dias do ano têm sido difíceis em vários setores e em diferentes pontos do país. Em São Paulo, demissões anunciadas são crescentes em vários segmentos econômicos, particularmente no automobilístico, e o apagão da segunda-feira (19/01) foi um concreto sinal de crise aguda. São Paulo parou! E quando isso acontece, para o Brasil. Aqui em Pernambuco a situação é também critica com crise severa no tradicional setor açucareiro – histórico esteio da economia local – cujo quadro é desolador com as poucas usinas que restam vislumbrando colapsos. No também tradicional setor Metal-Mecânico  o que se registra são empresas paralisadas, dando férias coletivas ou fazendo desligamentos em massa, na maioria a mercê do imbróglio causado pelo Petrolão. Consórcios contratados pela Petrobrás não pagam o que devem às fornecedoras locais e o caos está rapidamente crescendo.  É difícil viver este quadro na medida em que, pelo menos no caso de Pernambuco, o que mais se respirou na última década foi progresso e crescimento econômico.
E as noticias ruins não param. Esta semana o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), mostrou que o preço da gasolina nas refinarias do Brasil está quase 70% acima do preço da referencia internacional do combustível, embora a queda da cotação do petróleo no mercado internacional. Onde vamos parar? A situação é complicada porque quem paga a conta é o contribuinte e o cidadão comum.
Por falar em contribuinte, veja só! D. Dilma vetou esta semana a correção de 6,5% da tabela do Imposto de Renda, sob a alegação que isso resultaria numa renúncia fiscal de R$ 7,0 Bilhões, necessários para redução do déficit público. Olhe aí, o cidadão pagando pelos erros do Governo. Para completar o Ministro Levy, da Fazenda, deu-nos de presente o já denominado “pacote de maldades” aumentando PIS/Cofins (de 9,25 para 11,75%) para produtos importados; impôs IPI para fabricantes e distribuidores de cosméticos; voltou a cobrar a CIDE que será de R$0,22 sobre cada litro de gasolina vendido e R$0,15 no litro do diesel e, por fim, aumentou o IOF de 1,5% para 3,0%. Faça você mesmo uma ideia do que isso poderá significar para seu bolso. E, para completar a semana de pesadelos, o COPOM aumentou a taxa de juros em 0,5% (agora é de 12,5%). E pensar que Ela garantiu em campanha exatamente o contrário, é de lascar! Até quando vamos viver nesse desmantelo?
Por outro lado, no plano internacional o Brasil mais uma vez fez feio. A PresidentaA pediu clemência para um traficante brasileiro condenado à morte na Indonésia. Vamos que sejamos humanos em ser contra a pena de morte, mas, querer intervir na ordem legal de outro país é demais e, pior, a favor de um criminoso. Que vergonha. Pior, também, é que terminou dando “estimulo” aos traficantes que atuam criminosamente no Brasil, livres de penas capitais. Tenha dó!

Como se tudo isso fosse pouco, lá fora o quadro não é nada tranquilo. Particularmente na Europa em crise econômica renitente. O atentado ao semanário, que se autointitula de irresponsável, Charlie Hebdo, em Paris, (foto a esquerda) expôs de modo escancarado a guerrinha que vem sendo travada na França, já faz tempo, entre os antigos colonizadores e seus ex-colonizados. Outros países provam do mesmo sabor amargo.  Paris está em “chamas” e a França está pagando caro pelas atrocidades cometidas no passado e pelo preconceito que alimenta contra os imigrantes e seus descendentes. Essa coisa pode não ter fim. Respeito também tem limites e o Charlie Hebdo não observou essa regrinha básica em qualquer sociedade. Sou contra qualquer tipo de atentado, mas, sou a favor do respeito ao próximo. Sem mais comentários...  

De todo modo, reitero: Feliz 2015! E, que Deus nos proteja.

NOTA: As ilustrações foram obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Compasso de Espera

Está ficando complicado viver o Brasil destes últimos dias que antecedem as eleições gerais no país, no próximo 5 de Outubro. As coisas estão de tal maneira embolada que só tendo muita fé em Deus para suportar o vai-e-vem da situação. Quem não for crente vai ter que recorrer ao próprio sistema nervoso. E, para isso, haja nervos... Acredito que nunca se disputou um pleito tão cheio de incertezas e surpresas. Tenho andado por aí e em algumas cidades do país e percebo a inquietação, sobretudo na classe empresarial. Não que seja esta a mais preocupada, mas porque é a que primeiro sente e, indiscutivelmente, a que promove de forma direta o progresso. A sociedade, responsável pelo tecnicamente chamado consumo das famílias já percebeu a gravidade da situação ao ver o que acontece a cada vez que vai ao supermercado ou às feiras livres e, por isso mesmo, anda cautelosa. Gastar, só mesmo com o essencial.
Inflação em alta, consumo das famílias em baixa, previsões de PIB cada vez menor, demissões crescentes, indústrias fechando e, como pano de fundo, é claro, ambiente político incerto e a eclosão de uma corrupção escandalosa a cada semana. Este é o quadro geral da situação.
Estes últimos dias andei por Salvador e Fortaleza, onde conversei com empresários que se revelaram pessimistas e preocupados com o momento econômico. Têm medo de investir, na atual conjuntura. Parou tudo e ninguém se atreve a arriscar. “O dinheirin que já vem curtin há algum tempo tem que ser poupado à espera do fim dessas “trovoadas”, que só Deus sabe quando passam”, ouvi de um experiente empresário cearense. Na Bahia a coisa não é diferente. Todo mundo no compasso de espera. “O telefone anda mudo e emails com encomendas desapareceram”, ouvi de alguém.  De um líder empresarial paulista escutei, esta semana, lamúrias ainda maiores. Segundo ele, a indústria de bens de capital do Brasil está sufocada e fadada a desaparecer. Faltam condições de crescer, de investir em novas tecnologias para aumentar a produtividade, de competir num mercado globalizado e viver à mercê do cambio desfavorável com o Real superapreciado. Isso tudo sem falar da logística capenga, dos juros indecorosos e do esquema tributário satânico. Quem produzia máquinas e equipamentos de sucesso, no passado recente, não tem tido outra alternativa a não ser importar máquinas Made in China, aplicar uma etiqueta com a sua marca e vender. Ou seja, virou um mero maquiador de produtos e simples comerciante. Resultado: demitiu seus muitos colaboradores do chão de fábrica, montou um ponto comercial, ao mesmo tempo em que vem sustentando empregos na China. É desse modo que estamos assistindo – passivamente – a chamada desindustrialização do país. Tudo fruto de uma política econômica falha, conduzida por incompetentes de plantão no poder que, mesmo se dizendo preocupados com o social, são totalmente míopes para esta cruel realidade enxergada a “olho nu” por qualquer profissional de bom senso, no Brasil e no exterior. Eles, esses incompetentes, sabem muito bem o que quer dizer Custo Brasil, mas faltam-lhes tempo e conhecimento para estudar uma solução do problema. O tempo e o conhecimento que lhe restam têm sido, aparentemente e tão somente, dedicados ao cultivo da preservação do poder. É uma ironia do destino para um país rico pela própria natureza, com mentes brilhantes, inteligências raras e vontade de crescer se encontrar numa situação tão degradante.
O líder empresarial paulista que antes falei, relatou um dialogo que teve recentemente com um empresário britânico, surpreso com o fato de que o Brasil esteja numa situação de quase pleno emprego. A pergunta do inglês: “como explicar um quase pleno emprego e um PIB tão insignificante?” Com razão, porque crescimento de PIB reflete diretamente o aumento da produção. Levar esse britânico a entender que os altos níveis de emprego se dão à base do crescimento do Setor Serviços turbinado pela entrada no mercado consumidor dos milhões de beneficiários do Bolsa Família foi encontrar o x da equação. Salões de Beleza, comércio varejista, lazer, lanchonetes, bares e restaurantes populares e similares que proliferaram nos quatro cantos do país proporcionaram uma massa surpreendente de empregos, ainda que muitos desses informais. Eu não tenho dúvidas de que o Bolsa Família, originalmente denominado de Bolsa Escola, quando criado pelo Governo Fernando Henrique Cardoso, se revela como sendo um programa vitorioso ao incluir imensos contingentes de brasileiros no contexto social digno. O Brasil se destaca no plano internacional pelos resultados de inclusão alcançados. Isto, contudo, não vai levar o país aos níveis de desenvolvimento desejado e que o coloque em posição de conforto no ranking mundial. O caminho é outro e esse dos prestadores de serviços em massa esgotará em breve. Principalmente com tudo parado com está agora e em compasso de espera.

 

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...