quinta-feira, 24 de março de 2016

Marcha à Ré

É impossível desligar-me dos fatos políticos que eclodem a cada hora no Brasil de hoje. Eu somente, não. O Brasil todo. Os episódios, sempre bombásticos,  se multiplicam de forma avassaladora e se transformam num monstruoso e complexo imbróglio com uma concreta dificuldade de ser solucionado. O país tem neste momento uma Nação dividida e a perplexidade toma conta da sociedade. 
É interessante notar que, o que na prática ocorre, é uma inusitada luta sem fim entre os poderes da República revelando uma disputa muitas vezes nociva ao estado democrático tão duramente conquistado. As autoridades de plantão se confundem – muitas vezes de forma patética ou equivocada – enquanto tentam confundir uns aos outros e, por fim, confundir a Nação. Há um clima de intranquilidade como poucas vezes se viveu. A História está aí para comprovar.
Se pelo lado político a coisa se apresenta de modo insustentável, pior está sendo para o domínio econômico. Este, lamentavelmente, se encontra refém do rachado quadro político-institucional reinante. O país está mergulhado num recessão sem precedente, fruto da insanidade da atual classe política e dos governantes de plantão. Claro que já passamos por muitas crises econômicas. Minha geração foi testemunha direta dos graves problemas que vivenciamos em poucas décadas atrás durante e em seguida ao regime ditatorial. Contudo, o que se experimenta dessa vez tem um sabor mais desastroso em face das ameaças que se revelam na prática e se rebatem, de modo inequívoco, sobre os progressos alcançados depois da estabilização econômica dos anos 90, caracterizada pelo sucesso do Plano Real, do controle da inflação, da capacidade segura de investir na produção, dos avanços nos campos do agronegócio e do setor industrial, além da adoção de medidas de política econômica importantes, entre as quais me lembro da Lei de Responsabilidade Fiscal e a do camle bio flutuante. Isto, sem falar no fortalecimento e autonomia de atuação de instituições chaves do Estado que se fortaleceram e hoje cumprem um papel fundamental para sustentação de um legítimo estado democrático.
Bom, é indiscutível que esta instabilidade política em curso confere um clima de desconfiança e muito difícil são aqueles que se encorajam investir em algum setor produtivo. Ao invés disso, muitos são os empreendimentos que se desmobilizam por falta de oportunidade de atuar num mercado, antes vigoroso e agora devagar quase parando. O consumo das famílias retraiu-se e as dividas pessoais estão arruinando a muitos.Resultado imediato dessa agonia é o crescimento do desemprego, que já atinge marcas assustadoras e aponta para um quadro ainda mais severo neste ano de 2016. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, via o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), nos últimos 12 meses, 1.706.695 empregados foram demitidos no país. Aqui em Pernambuco ocorreram 96.494 demissões. Mas, isto foi somente nos últimos 12 meses, porque, no todo, já são 9,6 milhões de desligamentos e a taxa registrada é de 9,5% da força de trabalho. A maior desde 2012. Tem desempregado, numa choradeira sem fim, batendo às portas das empresas, perambulando em busca de alternativas para sobreviver e, muitas vezes, desviando para o caminho da delinquência roubando e assaltando para comer e colocar comida dentro de casa. Doloroso.
O Comércio, certamente, foi o setor que mais demitiu, emitindo um concreto sinal de que o mercado vai mal, com repercussão inevitável nos demais segmentos. As perspectivas da atividade industrial são das mais pessimistas e no âmbito global, os institutos de estudos e pesquisas refazem com frequência seus cálculos e projetam mais uma taxa negativa para PIB anual.
Parece uma ironia que o Brasil esteja nessa situação tão negativa. Definitivamente, a República PTista conseguiu frear o crescimento do País e jogá-lo bem distante do seu sonhado desenvolvimento. O único jeito é continuar alimentando o sonho de País do Futuro, embora estejamos, por enquanto, andando numa franca marcha à ré.


Nota: Imagem obtida no Google Imagens 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Nação Perplexa



Esta postagem foi reformulada por três vezes. Cada vez que o fiz estive influenciado por novos episódios do turbulento cenário político-econômico nacional. Quase desisti porque a cada hora um novo escândalo é noticiado. De todo modo, resolvi dar minha opinião neste humilde espaço.
Os últimos fatos, sobretudo as ocorrências registradas da última quarta feira para cá (16.03.16), são de estarrecer qualquer cidadão de são juízo. Essas gravações de conversas liberadas pelo Juiz Moro são arrepiantes.  Definitivamente a situação do quadro político brasileiro chegou a um ponto de total insustentabilidade. O Estado afundou no mar de lamas da corrupção e a Nação está em deplorável orfandade. Os políticos de plantão não enxergam mais que um palmo além dos respectivos umbigos. Apenas o suficiente para proteger suas peles e se sustentar nesse “balança mas não cai” no que se transformou a república petista.
Nunca na historia deste país ouviu-se falar de tanta bandalheira, roubos e cinismo político. A repercussão dentro e fora das nossas fronteiras é das mais desastrosas e vai se projetar ao longo das próximas décadas, dado ao fato de que sair desse buraco vai custar um alto preço para os brasileiros de todas as classes e matizes políticas. Caro, particularmente, para quem governará.
No domingo passado (13.03.16), o povo foi às ruas, em volume nunca antes registrado, e clamou pela ordem e o progresso, como manda o pavilhão nacional. Já na quarta feira, após a nomeação/habeas corpus de Lula, alçado a Ministro de Estado por D. Dilma, o povo voltou de modo espontâneo para protestar e exigir a renúncia da presidente e a prisão do Lula, investigado por inúmeras improbidades. Estão nas ruas até a publicação deste post! 
Percebe-se que dificilmente Dona Dilma sairá incólume desse imbróglio no qual se meteu. E se meteu, pelo visto, conscientemente. As chances de concluir este seu segundo mandato são mínimas. As propostas de solução política que são esboçadas – Parlamentarismo, entre outras – são puros delírios de um Estado carcomido e em desespero. O processo de impeachment foi retomado com mais força e o “salvador da pátria” o ex-presidente Lula, um falso-mito mentor de toda essa barafunda, perdeu completamente a compostura e hoje está transformado num estorvo para, até mesmo, muitos dos seus antigos correligionários. É um prejuízo sem tamanho preciso. Resumindo a ópera é fácil concluir que esta aventura PTista jogou o País num tremendo desmantelo político-econômico, justo numa oportunidade em que mais se aproximou do estágio em que o elevava ao patamar das nações mais desenvolvidos. O esforço que se fez nas décadas anteriores foi por terra nesses últimos 12 anos.
Sempre ando cascavilhando notícias nacionais e internacionais.  Na semana que passou, por exemplo, deparei-me com um importante e abalizado pronunciamento que me deixa em estado de tristeza: o Brasil deverá registrar nova década perdida, avaliou Albert Fishlow, professor de relações internacionais da Universidade de Columbia (USA). “Falando do futuro, temos que lembrar que o PIB per capita do Brasil será, em 2020, igual à de 2010. Então, independentemente do que acontecer, será uma década perdida”. Isto é uma das infinitas repercussões da atual crise brasileira, no cenário internacional.
A situação se mostra mais preocupante ao enfrentarmos uma questão que não cala: Quem vai suceder este governo e dar jeito nessa bagunça? Acredito que, seja quem vier porque terá que haver alguém, vai enfrentar um colossal desafio. Para “arrumar a casa” terá que forçosamente enveredar por um caminho pouco agradável e provavelmente impopular que poderá deixá-lo, em pouco tempo, em péssimas condições políticas. Este será o alto preço que os brasileiros pagarão por não saberem escolher criteriosamente seus governantes. Haja perplexidade.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 3 de março de 2016

Egípcio Odioso

Recordo, dos tempos da minha infância, que periodicamente recebíamos em casa a visita de um funcionário da Saúde Pública que, por determinação do Governo, percorria bairros e residências, fiscalizando a assepsia ambiental e domiciliar, evitando a proliferação do aedes aegypti, mais conhecido como muriçoca (em Pernambuco e estados vizinhos) ou pernilongo (nos estados do Sudeste) transmissor da febre amarela da filariose e mais recentemente da dengue, do zika e da chikungunya. O principal objetivo, na época, era contra a febre amarela.  Chegava, se não me falha a memória, com uma bandeirinha amarela que pendurava na porta do domicilio visitado, denunciando à vizinhança a chegada da fiscalização. Com uma lanterna, vasculhava cada recanto da casa. Ai de quem não estivesse com a casa nos trinques! Para completar o serviço borrifavam inseticida nos ralos, recantos mais inacessíveis, muros e paredes mais propícias à proliferação do mosquito. Segundo pude pesquisar essa coisa foi feita de modo rotineiro e aceito de muito bom grado pela sociedade até o final dos anos 50, quando o mosquito foi tido como erradicado. Ocorre, porém, que já nos anos 70 voltaram a se alastrar pelo país, segundo informes colhidos junto ao Professor Google, oriundos de países vizinhos que não deram o mesmo tratamento como no Brasil. Nessa época a retomada do combate ao mosquito foi com um tratamento mais moderno, quando da aparição dos fumacês. Eram veículos da Saúde Pública conduzindo uma máquina que fumegava inseticida no ar dos logradouros públicos, tentando exterminar mosquitos adultos evitando a proliferação dos mesmos. Bons tempos para a saúde pública.  Naquelas ocasiões, por incrível que pareça, havia governos mais preocupados com a saúde da população.
Todas essas estratégias foram abandonadas e a atual situação está aí: o povo brasileiro está refém de uma situação de saúde coletiva ameaçada e, se brincar, com uma geração prejudicada devido aos males que o odioso mosquito proporciona. Aqui em Pernambuco as emergências de hospitais e suas enfermarias estão abarrotadas de indivíduos acometidos de dengue ou chikungunya. O mesmo vem ocorrendo noutras unidades da Federação. Para tornar a situação mais calamitosa suspeita-se que essas ocorrências de microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré relacionadas ao ataque desses mosquitos se constituem num escândalo sem precedentes.
Mas, vejam bem: engana-se quem pensa que esses mosquitos são novidade em terras brasileiras. Coisa nenhuma. Desde a época da colonização que esses minúsculos inimigos aportaram por nossas bandas trazidos pelos navios negreiros. São originários da África e muito comuns nos países tropicais. Os países latino-americanos são ambientes propicio para essa praga.
Uma missão hercúlea está nas mãos do atual tumultuado Governo: acabar com esse mosquitinho que ameaça a população e que pode se tornar mais um vetor de desgaste de Dona Dilma. Mobilizar a população, criar brigadas de combate e investir pesadamente têm sido programados pelos diferentes níveis de governo.  Contudo é de se considerar que, ao mesmo tempo, a sociedade tem que dar fundamental contribuição na luta que se trava, visando o próprio bem estar. Em cada casa a vigilância tem que ser redobrada.
Lembro, entretanto, que a propósito de contribuição da sociedade outro desafio aflora e é relacionado com o padrão educacional do público alvo. Tem sido complexo convencer a todos da importância de se engajar no processo. Falta gente esclarecida e aberta a contribuir com uma campanha de massa, sabendo-se, sobretudo, que é nas camadas mais carente que o problema se revela mais grave. Bom, onde há povo educado há maiores chances de sucesso para um projeto de tal envergadura. Infelizmente, não é o caso do Brasil.
Se a adesão de todos é desafio, há, para alguns especialistas, alguns equívocos de tratamento do problema. Tomei conhecimento disso conversando esta semana com um tarimbado engenheiro civil (Renato F. de Souza) que garante haver um ponto esquecido pela campanha, situado na rede de drenagem das ruas e avenidas. As águas correm e abaixo de cada sarjeta ou “boca de lobo” encontram um recipiente conhecido tecnicamente como “poço de visita”, onde se acumula por bom tempo uma boa quantidade de águas propicias à proliferação do mosquito. Para estes casos uma boa dose de inseticida em cada um desses poços seria bem vinda. Vide foto ilustrativa abaixo. Saiba mais acessando: https://pt.wikipedia.org/wiki/Po%C3%A7o_de_visita   
É lamentável que estejamos diante de tão grave desafio por falta de atenção e responsabilidade das autoridades sanitárias deste país. Coisa do inicio do século passado, quando Oswaldo Cruz encetou uma intensa campanha no Rio de Janeiro, infestado do mosquito, que o projetou nacionalmente.


NOTA: Aedes vem do grego “odioso” e aegypti do latim “do Egito”.