terça-feira, 20 de dezembro de 2011



Eis que chegou, novamente, a época do Natal. 2011 passou bem rápido. O tempo parece girar mais depressa. Não é mesmo? Nestes festejos de Dezembro desejo, aos caríssimos amigos e amigas, que, antes de tudo, lembrem o motivo maior da festa, que é o aniversário do nascimento de Jesus Cristo, e que seus corações se abram aos sentimentos de Paz e Amor. Que os desejos materiais, traduzidos pelas compras desenfreadas, não ofusquem o sentido maior deste tempo do Advento. Reúna sua família, sinta o frescor da alegria de viver, valorize o momento e comemore os 2011 anos Dele. Ao distribuir presentes tenha em mente que está presenteando os filhos e filhas de Jesus Cristo e, desse modo, presenteando a Ele mesmo.

Quando 2012 chegar, reveja seus propósitos, reconsidere os equívocos, perdoe alguém que lhe foi ingrato, trace projetos exeqüíveis, foque nos desejos maiores e construa um futuro seguro e tranqüilo, porque seu futuro é você quem constrói. Ao fim e ao tempo, comemore as experiências adquiridas. Festeje tudo. Se puder, viaje muito. Exponha-se a experiências dignas. Beije e abrace alguém todos os dias. Seja solidário com o próximo e sinta as emoções da aventura de viver, porque viver é muito bom!

O Blog do GB completa – no dia 27 de dezembro – quatro anos de existência. Até agora, foram 222 postagens, lidas por seguidores nos quatro cantos do Planeta. Somente entre Março de 2009 e este fim de ano quase 88.000 acessos foram registrados pelo contador de visitas. Isto é motivo de satisfação para o Blogueiro, cuja intenção inicial era de escrever, apenas, para um grupo de familiares e amigos mais próximos. Estes, porém, gostaram tanto e resolveram distribuir pelas suas respectivas redes de relacionamento resultando num sucesso. Como não existe blogs sem seguidores, ou eventuais leitores, o Blogueiro agradece lisonjeado e espera contar com a mesma atenção em 2012.

FELIZ NATAL

BELÍSSIMO 2012!


Nota: O blog entra em recesso de fim de ano e só volta na primeira semana de 2012.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Educação: o X da questão

A falta de mão de obra qualificada em Pernambuco é, indiscutivelmente, um dos temas mais recorrentes (inclusive aqui neste Blog) quando o assunto é o crescimento econômico do estado. As novas empresas que se instalam já não sabem mais onde buscar pessoal de nível. Localmente, fora do estado e até fora do país são opções que começam a se esgotar. Os nativos não oferecem condições exigidas. Trazer gente de fora sai caríssimo e provoca choques de relacionamento com os locais. Outro dia, visitei uma empresa que trouxe pessoal da sua matriz, na Espanha, para dar conta das encomendas e formar pessoal, em serviço. Os locais não convenciam.
Esse quadro me faz retornar ao X da questão que, não tenho dúvidas, é a Educação. Falo de educação de base. Como falo da formação de especialistas, coisa pouco valorizada pelas autoridades deste País. Como preparar pessoal para atuar num mercado mais exigente se não se dispõe de uma educação formal eficiente. Como preparar pessoal adequado aos novos tempos se nem os professores são formados e bem pagos?
Na semana passada estive hospedado num desses suntuosos resorts do litoral sul do estado. Fiquei desencantado com a qualidade do atendimento. Mais do que isto, fiquei preocupado com a sustentabilidade do empreendimento dado ao baixo padrão dos serviços prestados. Além de falar errado – o Sinhô qué um café compreto ou um menos compreto ? – a demora para receber o café da manhã no bangalô foi interminável. Cobrei duas vezes, depois do pedido feito. Uma hora e dez minutos depois chegou a bandeja com pratos frios e mal-apresentada. Uma coisa dessas causa uma péssima impressão ao turista mais exigente. Aliás, a qualquer deles, porque turista é bicho exigente por natureza. Eu mesmo sou... Falta educação de todos os níveis neste país. Enquanto perdurar este quadro, não haverá progresso. E, pensando bem, nem ordem, no Brasil.
A Veja desta semana traz uma matéria de capa que cai bem, neste ambiente de discussão: A Arma Secreta da China. O grande país oriental, forte candidato a ocupar o lugar de líder na economia mundial, caminha célere para transformar seu quadro de recursos humanos no mais competente possível. Ao contrário da Era Mao, quando até a universidades foram fechadas e ordem era plantar para comer, a China de hoje está formando pessoal de primeira, como se exige para uma sociedade em franco progresso. “O Professor é centro gravitacional de todo o sistema. Pragmatismo, meritocracia, professores bem formados e premiados com dinheiro pelo bom desempenho, estudantes disciplinados e motivados por suas famílias.” Eis a arma secreta dos chineses. Aulas até nos domingos. Lembro que quando estive no Japão (fiquei por lá, quase três meses, fazendo um curso de pós-graduação) me surpreendi com os garotinhos de escola primária indo a escola nos domingos. Maldade? Não! Cultura! É assim que se forma um país e uma sociedade forte. Nesses países asiáticos estudar é coisa séria e envolve a formação de hábitos culturais para o resto da vida. Por exemplo: em cada sala de aula se encontra uma pá e uma vassoura. Terminada a jornada de aulas, os próprios alunos varrem e limpa o ambiente. Serviçais trabalham apenas nas áreas comuns. No Brasil, isso jamais colaria. Aqui, se confunde ordem com autoritarismo e a desordem é entendida como liberalidade. Que pena. É por isso que dificilmente sai uma aula que preste, lembrou a reportagem. Turma do fundão e papos paralelos é comum na escola brasileira (Vide foto). Celulares tocam a toda hora. Esses péssimos hábitos são levados pelos brasileiros pelo resto da vida. Não preservam a limpeza urbana, não respeitam o próximo, nem as autoridades e pregam a anarquia. A matéria da revista semanal observa a realidade chinesa e a compara com a do Brasil. Pobre de nós. Como Pernambuco é Brasil, vai ser preciso muito fervor e ações para que resolvamos a contento nossas atuais carências de recursos humanos qualificados.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 4 de dezembro de 2011

Brasil Caixa 2

O Natal está chegando e outra vez surge a polemica da decoração/iluminação da cidade do Recife. Isso tem sido um problema, a cada ano, porque rolam milhões de Reais e a coisa é sempre a desejar ou eivada de erros e, o pior, lamentáveis “assaltos” aos caixas da municipalidade. Já critiquei, mais de uma vez, essa coisa. Nunca me esqueço dos trapos azuis e encarnados – referindo-se ao folclore do pastoril – que, há alguns anos, penduraram nas árvores da Avenida Agamenon Magalhães (prinicipal da cidade) e pagaram milhões de Reais ao decorador. Cristo não perdoará nunca!
A decoração do ano passado até que mereceu elogios. Estava vistosa e provocava certo impacto visual. No bairro do Recife Antigo ficou correto e digno de admiração. Mas, o que se observa na decoração deste ano, inaugurada nos últimos dias de novembro, além de tímida, deixa muito a desejar. Faltam as guirlandas e arcos de luzes que caracterizam essas ornamentações em qualquer lugar do mundo. Falta quem – com bom gosto e conhecimento do ramo – faça um projeto digno do Recife. Eu era bem jovem e lembro-me da decoração natalina da cidade, na gestão de Augusto Lucena, que era um deslumbre. As pontes foram as vedetes, naquela época, o Capibaribe se enchia de luzes com imagens sugerindo os festejos. Havia competência na administração e menos desvios de verbas.
Minha indignação aumentou, esta semana, quando ouvi uma entrevista da vereadora Priscila Krause, vigilante segura dos desmandos petistas à frente da Prefeitura do Recife, denunciando a armação que está por trás dessa decoraçãozinha natalina de 2011: são R$ 5,0 Milhões! Pelo amor de Deus! Isto é um despautério! É uma grana preta para produzir adereços de reciclados. Uma fortuna – em vista do produto – tirada dos cofres municipais e que certamente farão falta a projetos de investimentos em beneficio da população recifense. De cara logo, ouvi da entrevistada que a metade dessa verba foi arrancada de uma orçada para beneficiar a comunidade de Beberibe (subúrbio recifense) com obras de melhorias urbanas. Ora, aqui prá nós, se assim for, é uma imoralidade. Tirar da verba destinada a melhorar a qualidade de vida da população para produzir penduricalhos natalinos – de gosto estético duvidoso – a titulo de decoração natalina da cidade é um absurdo. Uma cidade como o Recife, carente de melhorias em pavimentação, iluminação publica, esgotos sanitários, galerias pluviais, LIMPEZA, segurança entre outros itens, não pode desperdiçar verbas por menores que sejam. É revoltante.
Naturalmente que não precisa ser especialista, nem calculista, para perceber que aquilo que penduraram nas árvores da Agamenon não custaria essa soma de recursos. Fica claro que a história é a mesma de sempre: alguém vai embolsar a maior parte dessa grana e esse alguém já se sabe quem pode ser. É só lembrar que no próximo ano teremos eleições municipais e mata-se a charada, prontamente.
Infelizmente o nosso eleitor é míope, os nossos vereadores são impotentes nas suas ações e os nossos Tribunais de Contas não sabem conferir. Outro dia, alguém me disse que as tramóias são tão sistemáticas que não dá para conferir todas. Pobres de nós, os contribuintes. Haja impotência civil diante de tanta malandragem. As coisas fluem de maneira descarada e ironizando com quem tem noção da realidade.
Está aí mais uma prova do Brasil Caixa 2.

NOTA: Nada de ilustrações. Não vale á pena.

sábado, 26 de novembro de 2011

Castelo de Areia Europeu

Cresce a preocupação do mundo quanto ao que vem ocorrendo na Europa, nesses últimos tempos. A fragilidade de boa parte das economias da Zona do Euro, incluindo inicialmente Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha, já não poupa a Itália e avança célere pelas economias mais sólidas e ricas – França e Alemanha – todas praticamente em crise. Isto acende um sinal de alerta para o resto mundo. Juntando a isso tudo a situação, também difícil, dos Estados Unidos desenha-se um quadro de arrepiar, para a economia mundial.
Acompanhando a situação lembrei-me do livro de Jeremy Rifkin, intitulado de O Sonho Europeu (M.Books, 2005) que li há dois ou três anos, no qual o autor faz uma analise comparativa entre as culturas econômicas norte-americana e européia. Segundo Rifkin, há uma diferença colossal (adjetivo meu) entre esses dois povos. Tudo conforme suas raízes históricas, bem definidas e identificadas. Enquanto os americanos trabalham feito loucos, sem parar, para formar um patrimônio do tipo quanto maior, melhor, o europeu trabalha para alcançar uma vida tranqüila e economicamente segura, dando especial atenção para viver momentos de lazer, repouso e qualidade de vida. Estes pensam, por exemplo, com questões ambientais que lhe darão bem estar e prazer, ao passo que os americanos trabalham, dia e noite se preciso for, não importando o processo pelo qual o sujeito obtenha sua riqueza pessoal, interessando o, e somente o resultado. E conseguem... Foi para isso que ele nasceu, foi assim que ele foi educado e é para isso que ele existe. Ou seja, os americanos vivem para trabalhar e os europeus trabalham para viver. Tive dúvidas quanto a essa tese, à época que li a obra. Conheço norte-americanos que curtem a vida, embora que apóiem as manobras bélico-militares do país, sempre achando que eles são os senhores do mundo moderno e isso é abominável.
O europeu, não. Na Europa o cidadão comum nasce, cresce e se educa numa cultura distinta, que, na prática é formada de um inteligente mix de produzir, acumular e viver. As guerras não fazem parte da cultura deles, mesmo porque de guerras viveram seus antepassados. Hoje em dia, antes de ir à luta, o europeu moderno sempre opta pela negociação diplomática. A vida com lazer, cultura, bem-estar e pouca ostentação é uma tônica daquela gente. Em resumo, Rifkin acha (ou achava) que “a visão européia do futuro vem eclipsando silenciosamente o sonho americano”.
Mas, não é sobre essas diferenças que resolvi escrever hoje, mesmo porque não sou especialista na área. Minha questão nesta postagem está voltada para a atual situação econômica mundial. Há poucos dias comentando uma fala do norte-americano Lawrence Summers (ex-assessor de Clinton e Obama), numa conferencia que assisti em São Paulo, registrei a opinião (dele) de que os governantes europeus estavam muito indecisos nas tomadas de decisão quanto aos problemas da atual economia do continente. Dei razão na hora e vejo que não poderia ser de outra forma, dadas as características ali reinantes. A Europa é formada por um mosaico de imensa diversidade cultural. Os neolatinos diferem imensamente dos germânicos e dos eslavos. O pensar do grego está muito distante do que pensam os anglo-saxões e assim por diante. Ora, como administrar uma comunidade de economias e sociedades estruturalmente diferentes, políticos de padrões diversos e de estados emocionais díspares? Como organizar num único Estado, algo proximo a três dezenas de países com histórias diversas num sonhado Estados Unidos da Europa? O resultado do quadro assim desenhado é esse desencontro de idéias e de decisões que testemunhamos nos dias do hoje.
Desemprego em massa, povo nas ruas protestando e respondendo radicalmente inclusive nas urnas eleitorais é tudo quanto se registra na democrática Europa desse inicio de século resultando numa difícil situação.
Países em crise, além do desemprego crescente, têm baixo consumo das famílias, investimentos reprimidos, importações retraídas, entre outros obstáculos. Acreditar que a situação ficará restrita ao Velho Continente é pura ingenuidade. Para os que, sistematicamente, lhes fornecem produtos e/ou serviços, como o Brasil, a situação pode se complicar em proporções indesejáveis. Temo que o Castelo da União Européia seja de areia e desabe sobre o resto do mundo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Desafios de Porto de Galinhas

“Porto de Galinhas é uma beleza. Adorei o que vi e a dinâmica da vila. Aquelas piscinas naturais... Gostei do comércio sofisticado, dos bons restaurantes e a hotelaria é de primeira. Mas, o acesso rodoviário e a estrutura urbana ainda são muito fracas...” Foi assim que amigo meu, de São Paulo, comentou sobre sua visita ao mais famoso balneário pernambucano. Dei uma “desculpa de amarelo”, daquelas de quem defende do jeito que pode e até quando não pode. Parto sempre do principio de que turista é sempre exigente. Eu mesmo sou. Infelizmente, tenho a mesma opinião do amigo paulista. E por isso mesmo, fui conferir, in loco, neste feriadão de 15 de novembro. De fato, é uma beleza curtir a paisagem de Porto de Galinhas, com seu mar azul turquesa, suas atrações naturais, as piscinas (vide foto a seguir) os passeios de jangada e bugres e se deliciar com as várias opções de restaurantes. O comércio é simplesmente surpreendente. Ultimamente, inclusive, os lojistas locais têm caprichado na repaginação dos seus estabelecimentos e isso vem dando um novo perfil do centro comercial. O que era uma lojinha acanhada se transformou numa vistosa, atrativa e bem sortida casa de negócios, sem nada a dever dos grandes centros comerciais e, particularmente, de outros balneários no Brasil e no exterior. Está na cara que o dinheiro corre com mais intensidade e negociar em Porto de Galinhas se transformou numa atividade rentável.
Este quadro, pensando bem, já era esperado e muito se deve a dois importantes fatores: primeiro, pela concreta afluência turística, devida ao fato de que Porto vem sendo eleita – há quase dez anos – a mais bela praia do Brasil e, depois disso, a influência do desenvolvimento industrial da região vizinha, centrado no Complexo Industrial Portuário de Suape, a poucos quilometres dali. Executivos de empresa, técnicos graduados e trabalhadores da região foram, naturalmente, atraídos pelas belezas e amenidades do balneário. Muito desses já moram por ali e, por sorte, se livram a cada dia do transito caótico da Região Metropolitana. Junte a esse contigente o dos pernambucanos que mantêm suas casas de veraneio naquele paraíso tropical e pense no que pode acontecer em dias de alta estação. De uma coisa estou certo: o movimento turístico de Pernambuco se concentra naquela região litorânea. Basta uma voltinha pelas principais ruas da Vila e se nota as presenças de forasteiros nacionais e estrangeiros.
Contudo, lembrando meu amigo paulista, é decepcionante fazer a trajetória entre o Recife e Porto de Galinhas. Ele mesmo amargou 3 horas de engarrafamentos, ou seja, o mesmo tempo de vôo entre São Paulo e o Recife. Claro! As vias de acesso – BR-101 e PE-60 – são estradas de fazer vergonha. Ontem (15/11) à noite, ao retornar ao Recife, levei duas horas para um percurso que pode ser feito, no máximo e a baixa velocidade, em 40 minutos.
Outra coisa que deve ser atacada pelas autoridades locais é quanto a inaceitável infra-estrutura sanitária local. É vergonhoso circular pela Vila e respirar o mau odor de esgoto sanitário que sobe das sarjetas e de alguns pontos a céu aberto. Por mais que se entenda que o lugar cresceu de modo acelerado e desordenado, sem tempo de planejar melhor, é impossível aceitar. Do jeito que está, não pode continuar. A Prefeitura de Ipojuca tem que correr contra o tempo e dotar o local de melhor escoamento sanitário e cuidar da limpeza pública. Tem muito lixo nas ruas. Será que os turistas acham engraçadinho jogar copos descartáveis, papéis sujos e outros "bichos" na via pública? Faltam lixeiras? Dinheiro, todo mundo sabe, não falta. É uma prefeitura rica. Pelo visto, faltam competência e agilidade nas ações. Precisam salvar Porto de Galinhas, antes que seja tarde.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 6 de novembro de 2011

Competitividade em Debate

Retornando de Buenos Aires ao Recife, na semana passada, fiz uma parada em São Paulo, onde me juntei ao grupo dos dirigentes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Pernambuco (SIMMEPE) e da Fiepe, para participar o 6º. Encontro Nacional da Indústria - ENAI, promoção anual da Confederação Nacional da Indústria – CNI. Esse tipo de encontro criado pelo então Presidente da Confederação, Armando Monteiro Neto, vem se consolidando, ano a ano, como a melhor oportunidade da classe empresarial brasileira, do setor industrial, se encontrar, trocar informações, discutir seus problemas e, por fim, desenhar e propor trajetórias que julguem ideais na defesa dos seus interesses.
Além dos empresários de todos os estados brasileiros, técnicos, pesquisadores, convidados especiais, representantes do Governo e imprensa acompanham, atentamente, cada debate, todos caracterizados por profundo conteúdo. Este ano, a idéia-força foi discutir o Fortalecimento da Competitividade da Indústria Brasileira. Nada mais oportuno, visto que, sendo o Brasil, parte integrante da economia globalizada, cresce a toda hora a falta da capacidade de competir, num mercado dominado por players, cada vez mais agressivos e competitivos.
Os trabalhos, propriamente digo, foram abertos pela conferência do ex-Diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Lawrence Summers, nos Governos de Bill Clinton e no atual, de Barack Obama. Sem, a rigor, apresentar grandes novidades Summers fez um histórico da situação econômica mundial, destacando a crise de 2008, o atual recrudescimento, as possibilidades de salvação dos Estados Unidos, o dilema da União Européia, que, segundo ele, com a indecisão dos governos locais pode arrastar o mundo para uma crise sem precedentes e, por fim, o papel das economias emergentes, principalmente o Brasil, ao qual atribuiu um importante papel, muito embora as necessidades de reformas, todas bem conhecidas, aqui em Pindorama, no dizer de Hugo Caldas.
Na seqüência dos trabalhos, os temas Regime Fiscal, Infraestrutura, Educação e Capacitação Profissional, Meio Ambiente e uma Agenda para a Competitividade Brasileira foram amplamente discutidos, por formadores de opinião, executivos da indústria, especialistas setoriais e representantes de governos, mediados pelos mais abalizados repórteres econômicos da TV brasileira.
Em meio aos debates, lembro bem de alguns pontos conclusivos e que merecem destaques: O Brasil é pouquíssimo competitivo comparado a 13 países diretamente concorrentes, devido a falta e custo da mão de obra capacitada, disponibilidade e alto custo do capital, infraestrutura e logística falhas, peso dos tributos e, claro, a debilidade dos setores da Educação e inovação tecnológica. Não vejo novidades nisso, mas, debatido naquele conjunto toma corpo e maior repercussão. No debate sobre as questões de infraestrutura e do meio ambiente a CNI, através do seu presidente, Robson Andrade, sugeriu mudanças nas regras de licenciamento das obras potencialmente não poluidoras, na tentativa de agilizar a melhoria da estrutura, sem o que a indústria brasileira perderá, cada vez mais, espaço no mercado mundializado.
O Governo Federal esteve representado por dois importantes ministros: Aluisio Mercadante, da Ciência e Tecnologia e Fernando Pimentel do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que deram seus recados oficiais, incensaram D. Dilma, e, em troca, receberam recados do empresariado.
Uma nota cômica num dos intervalos ficou por conta da charge viva, promovida pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), com uma figura patética denominada de Impostão: um cidadão caracterizado de gordão, alimentado por polpudos impostos cobrados pelos vários níveis de governo. Na cola dele um personal tranning insistia para ele praticasse exercícios de emagrecimento, entre os quais o desafiador das abdominais. Era uma pandega vê-lo embolar pelo chão. Vide foto. Após dois dias de trabalhos e debates restou a sensação de sucesso e a esperança de que bons resultados sejam colhidos. De parabéns a CNI, as federações de indústria e os sindicatos que são, no final das contas, suportes básicos do Sistema Indústria.


NOTA: A foto á da autoria do Blogueiro, que compôs a Comitiva do SIMMEPE e Fiepe, no Encontro.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SABOR A TANGO

O pano sobe, a platéia se acomoda e um quinteto de cordas e bandoneon galvaniza, com um tango tradicional, o grande salão do Palazzo Rossini, na Calle Perón. Sabor a Tango é o titulo da cena-show que se segue. Dançarinos se envolvem em verdadeiros enroscados de pernas e braços, corpo inteiro, sugerindo atitudes libidinosas, somente possíveis quando bailando um tango. É um clima de puro frisson. Muito próprio para aquele gênero de música. Na verdade, quando bem executado, o tango traduz sensualidade, paixão, melancolia, exala cheiro de amor e sabor de volúpia. Por vezes, também pode "carregar nas tintas" com tons de ódio ou perfídia. É incrível como a coisa, que filtra pelos poros do interprete, se entranha nas mentes dos espectadores mais sensíveis. Haja emoção... Estou voltando de uma nova visita a Buenos Aires, que é um dos meus destinos favoritos. Desembarcar ali é sempre prazeroso. A cidade parece, mesmo, estar sempre a minha espera. Temos uma relação de intimidade antiga. A primeira vez foi nos tempos de juventude, depois de uma decepção amorosa. Naquela ocasião, os bons ares portenhos envolveram-me na forma de uma brisa amena de primavera, como a de agora, acalmando meu jovem e inquieto espírito ainda apaixonado. Voltei recuperado, prometendo retornar outras vezes. Assim ocorreu. Vi a cidade mudar e se modernizar. Vi governos arcaicos e oligárquicos, passeatas e revoltas, ditadura, pós-guerra e moedas diversas. Vi redemocratização e hiperinflação. Vi um povo sofrendo e mantendo a fleuma de uma sociedade acostumada ao fausto. O portenho é garboso e orgulhoso dos seus valores.
No show do Palazzo Rossini, na noite do sábado (22.10.2011), abri os arquivos da minha memória e relembrei momentos inesquecíveis. Saudosismo? Talvez! Como “recordar é viver”, recordei vivendo.
Na visita da semana passada, fugi do chamado micro-centro e hospedei-me num hotel em Puerto Madero, região da Costanera Sur, onde uma nova Buenos Aires se desenvolve e faz-nos respirar uma agradável onda de modernidade. Largas avenidas, passeios espaçosos e o binômio água/vegetação a emoldurar uma cidade estruturada à moda européia do inicio do século 20. Restaurantes de vanguarda, hotéis de luxo, centros comerciais e empresariais brotaram ao longo desses últimos vinte anos e hoje fazem a festa do visitante, entremeados de velhos guindastes do antigo porto, transformados em peças de museu a céu aberto.
A Argentina vem mudando e, aos poucos, se reorganiza para ocupar seu tradicional lugar de destaque nos quadros políticos, sociais e econômicos da América do Sul.
A propósito, cheguei a Buenos Aires ao final da campanha política para as eleições que ocorreram no domingo (23). Cristina Kirchner foi reeleita presidente da Republica. Uma vitória considerada inusitada, com percentual acima dos 53%, esmagando uma oposição visivelmente desorganizada, com vários candidatos e votações atomizadas, sem a menor chance de somar, o que quer que seja, para o atual quadro político do país.
Tentando mergulhar no clima das eleições, provoquei taxistas, balconistas, garçons e engraxate. Descobri um eleitorado dividido e com certa dose de perplexidade. Há muita insatisfação com a inflação em alta – gira em torno de 25% ao ano – e a conseqüente alta no custo de vida. Descobri também que a candidata Cristina Kirchner aproveitou bastante, segundo os meus interlocutores, a condição de viúva no poder. Nas minhas especulações, entendi que a viuvez parece ser uma condição que sugere compaixão na visão do argentino comum. E, quando capitalizado politicamente, é “mão na roda”. Tem sabor de tango!
Circulei bastante, durante o dia da eleição, a cata de testemunhar a festa nas ruas. Para minha surpresa, nenhum sinal de votação. Parecia um dia qualquer, um domingo como os de sempre. Na mais perfeita ordem, os eleitores foram aos comícios (assim são chamadas as secções eleitorais) e depois se entregaram ao lazer. A Lei Seca foi desobedecida nos quatros cantos de Buenos Aires. Tomei uns tantos Malbecs com meus amigos, sem qualquer percalço. Nada de manifestação pró ou contra A ou B. Nenhum papel de propaganda. Santinhos? Boca de urna? Nem pensar! Acho que soariam como coisas estranhas e sem sentido. Absolutamente nada. Uma coisa, digamos, sem graça, se comparada com um dia de eleições no Brasil. O comércio aberto e faturando sem parar. Fiquei em dúvidas se era, ou não, dia de eleições. Aqui ou acolá, muito poucas vezes, encontrei um sóbrio sinal, num cartaz ou grafitagem. Da oposição nem sinal. “Ah! A vitória de Cristina, antes da hora, tirou o entusiasmo da campanha e do eleitor!” Explicou o garçon do restaurante, garantindo não haver votado nela. No final da noite do dia 23 a Plaza de Mayo se encheu de eleitores, para comemorar. Se houve tango, não vi, mas vi outros ritmos latinos. Pela TV vi a vitoriosa Senhora Kirchner, de luto fechado, ensaiando seus passos no balcão da Casa Rosada, que agora está sempre feericamente iluminada, de cor rósea.
Antes do pano baixar, no Palazzo Rossini, deliciei-me com as composições de famosos como Hector Varela, Jorge Valdez e do magistral Astor Piazzola, entre outros. Ah! Não faltou o já tradicional “No llores por mi Argentina” tributo à Evita Perón. Muito sabor a tango.




Nota: Fotos da autoria do Blogueiro.

Se quiser saber mais sobre o Palazzo Rosini, clique em: www.saboratango.com.ar

sábado, 15 de outubro de 2011

Galinha dos Ovos de Ouro

Em setembro passado, muito antes do que se esperava, os impostômetros da vida brasileira acusaram o alcance da marca de 1,0 Trilhão de Reais arrecadados pelo Governo Federal, este ano. É uma fantástica soma de recursos financeiros que a Fazenda Nacional dispõe para, em troca, não retribuir como desejado ou como lhe compete. É uma galinha dos ovos de ouro! A cada ano que passa o brasileiro precisa trabalhar mais dias para pagar seus impostos. Pesquisas realizadas apontam que, no ano passado, foram necessários 148! São 4 meses e 29 dias trabalhando para cumprir as obrigações com o Fisco. Na década de 70, era de apenas 76 dias. E, naquela época, todo mundo reclamava. Quando e onde vamos parar? Pelo visto, nunca e em lugar incerto. Outro dia, num verdadeiro ato de bravura, acabaram com a CPMF. Insatisfeito o Governo não se cansa de lamentar e quer a todo custo reeditá-la. Acabar, nunca! Criar, sempre.
Nossos vizinhos argentinos e chilenos precisam trabalhar muito menos dias do que nós, para pagar seus impostos. Os primeiros gastam apenas 97 dias e os chilenos 92. A coisa no Brasil se equipara ao que ocorre em nações desenvolvidas como França (149 dias) e Suécia (185). Ocorre, porém, que o retorno aos contribuintes, nestes países, nem de longe se compara com o que se verifica aqui na Tropicaliente Terra Brasilis. Quem dera que tivéssemos os padrões de atenção à Saúde, Educação e Segurança que os suecos gozam. Quem dera, também, que a infra-estrutura brasileira seguisse o padrão francês. Nada disso! Nosso suado dinheirinho vai parar, muitas vezes, em lugares incertos e não sabidos. Quem tiver idéia do que significa 1 Trilhão de Reais (até o fim do ano pode chegar muitíssimo acima disso) pode imaginar o que poderíamos viver, fosse o Brasil um país sério e governado por homens honestos.
O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT vem estudando esse despautério da vida brasileira e revela dados assustadores: num estudo recente dá conta de que, desde a promulgação da Constituição Federal de 1998, foram editadas mais de 4,35 Milhões de normas. Não é engano, eu disse Milhões, porque isto está ali registrado. Dessas, 155.954 foram federais, 1.136.185 foram estaduais e 3.061.526 municipais. Desse total, 566.847 continuam vigentes e perturbando a vida de todos nós.
Segundo o estudo, 275.094, dessas normas, são tributárias. Indo à calculadora, conclui-se que desde Outubro de 1988, foram “fabricadas” 33 normas por dia. Melhor: 1,3 por hora. Não tem quem agüente.
Quer ver uma coisa? O mesmo IBPT publica, no seu site, um outro dado incrível: em 2010, os proprietários de veículos automotores recolheram a soma de R$ 21,0 Bilhões de Reais de IPVA, aos cofres estaduais. As Fontes dos dados foram o CONFAZ, o Denatran e IBGE. Pensando no sentido dessa cobrança, fácil se verifica que o retorno é uma lástima.
Abismado com tantos absurdos, não posso deixar de registrar um impressionante dado exposto no mesmo site do IBPT: as empresas brasileiras gastam cerca de R$ 43,0 Bilhões por ano, para manter funcionários, consultorias, sistemas e equipamentos para acompanhar a dinâmica movimentação – modificações, na verdade – da legislação brasileira. E, ai de quem não arcar com essa despesa, porque o resultado vem em forma de pesadas multas. É duro ser empresário neste país.
É ou não é uma galinha dos ovos de ouro?
NOTA: Imagem obtida no Google Imagens.
Se quiser saber mais coisas absurdas, acesse o IBPT através do Google.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

JOGO SEM FIM

Já notaram como neste país nunca se deixa de falar em eleições? Pode até ser igual, aí por fora... Mas, cá prá nós, isso aqui é uma compulsão. Nem bem termina um pleito, como o do ano passado, para eleger governador, senadores, deputados federais e estaduais já se falava, dia seguinte, nas eleições de 2012 e 2014. Quem seria candidato natural, quem iria se aventurar ou quem teria, ou não teria, chances de se candidatar. Inacreditável. Dizem que faz parte do jogo... Do jogo, minha gente. Como jogo e jogador, hoje em dia, goza de conceitos mais amplos, tudo bem!
Ocorre, porém, um detalhe desse jogo que vale à pena registrar: de dois em dois anos, o Brasil gasta cerca de R$ 704,0 milhões com a realização de eleições. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o País gastou R$ 462,0 milhões nas últimas eleições apenas no lado operacional, com investimentos em equipamentos, transporte de urnas, impressão de cadastro de eleitores e relatórios de votação e alimentação para mesários. A este valor, some-se mais R$ 242,0 milhões de renuncia fiscal com a isenção de impostos concedidos às emissoras de rádio e TV que transmitiram o horário eleitoral. Com essa grana, o Governo Federal poderia construir 32 mil casas populares, mais 2.350 postos de saúde ou 3.520 quadras poliesportivas cobertas. Francamente, é um absurdo para um país cheio de carências sociais. Eleição unificada, a cada quatro anos, já seria de bom tamanho para esse... esse jogo! Pense na economia para os cofres públicos.
Agora, por exemplo, já se instalou o clima de eleições para 2012, embora falte um ano para a realização do pleito. É por essa e outras que o nosso eleitor se acha fazendo papel de palhaço. A grande maioria, sim. Estou tentando livrar minha pele, embora sem muito segurança...
Na prática, essa turma não faz outra coisa a não ser articular e fazer campanha para se eleger. E, nesse ambiente de eterna campanha, esquece de discutir e trabalhar pelo que, de fato, interessa ao eleitorado. São poucos, muitos poucos, que se mostram empenhados por resolver os problemas fundamentais da sociedade, entre os quais os da Saúde, da Segurança, da mobilidade urbana e da Educação. E, sendo poucos, já viu. Entra ano, sai ano, sai governo, entra outro e esses temas são sempre postos à margem. Viram retóricas de palanques, de dois em dois anos.
O Brasil não merece esta situação. Infelizmente, ou por sorte, vive aqui um povo manso e conformado com um estado de penúria e degradação social, onde o que impera é a insegurança, as doenças endêmicas, uma mobilidade prejudicada, uma Educação de base indigna e, para completar, um sistema eleitoral inadequado que privilegia o acesso de pessoas, em grande parte, desabilitadas para exercer qualquer dos cargos eletivos. É revoltante. Quem, porventura, mete os pés fora do país, volta decepcionado ao conferir os padrões social, infra-estrutural e político que se respira nesta Terra de Cabral. Imagine em que condições sócio-econômicas estaríamos, se tivéssemos um povo educado, qualificado tecnicamente, com saúde, empresários mais competitivos, juros civilizados, investimentos produtivos seguros, infra-estrutura de país grande e liderado por governantes éticos.
O eleitor (falo do orientado) já não agüenta mais de assistir essa estupidez. Já não tem mais condições de ver, por exemplo, seu representante votar secretamente num processo de julgamento de um deputado corrupto que, no final da sessão, ao invés de cassado, sai triunfante e com os louros da absolvição! Essas votações – por uma questão de ÉTICA – teriam que ser DECLARADAS. Queria ver como seria. Fico tiririca da vida de não saber como foi o voto do meu representante, digo, aquele no qual votei. Acho engraçado é que, nessas horas, como todos querem sair bonitinhos no filme, dizem que votaram pela condenação. Prá cima de mim...
Pois é, não se fala noutra coisa a não ser de eleições, ano após ano. Discutir os anseios da sociedade é coisa para o dia “são nunca”. Na hora da campanha preparam um discurso bem bolado – com ajuda de um marqueteiro, um neurolinguista, um maquiador/cabeleireiro, por vezes um pai-de-santo e, claro, um bando de asseclas gritando o “já ganhou”... – E ganha! A maioria não sabe o que fazer depois de eleito. E povo? Ah! Como dizia certo humorista, o povo é apenas um detalhe. É um jogo sem fim.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 2 de outubro de 2011

Dolorosas Interrogações

Na semana passada comentei sobre a grande possibilidade de um novo ataque do dragão da inflação no Brasil. Claro que fiz isto de modo muito simplório, pensando no universo diversificado dos leitores deste Blog. Na prática, a coisa é muito mais complexa, exige uma analise mais profunda e com mais argumentos técnicos. Estou consciente disto.
Nesta semana, tive dificuldades de eleger um tema para meu “bate-papo” semanal, embora que, diante de pauta significativa. Ficou difícil fazer uma escolha.
Por fim, não tive saída, a não ser voltar, mais ou menos, à questão da semana passada, na medida em que os sinais emitidos pelos poderes públicos e os fatores exógenos confirmaram minhas preocupações.
O Brasil vai precisar de enérgicas medidas de políticas fiscais e monetárias para se safar dessa recidiva da crise de 2008. Os analistas brasileiros e estrangeiros dão seus recados de modo claro e garanten ser inexorável. Os daqui garantem que o país está sem as mesmas condições de três anos atrás e os lá de fora dão como certo uma profunda e inevitável recessão na Europa e garantem que nos Estados Unidos terão, facilmente, um retorno ao passado (falo de 2008). Isto é muito ruim para o mundo inteiro.
A Europa vai sofrer sérios percalços, tendo em vista as naturais dificuldades econômicas dos seus estados membros, sobretudo daqueles da Zona do Euro, da queda da produção industrial e da desaceleração do seu mercado interno. O desemprego já assume proporções alarmantes, na Espanha, em Portugal, na Grécia e agora, inclusive, na França, com manifestações e protestos a toda instante. No caso dos Estados Unidos a coisa não se apresenta, ainda, tão grave, mas será inevitável. O Governo Obama está em meio ao desafio de segurar a barra, sem muito espaço de manobra. A taxa de juros está tendendo a zero sem, contudo, oferecer os resultados esperados e os gastos públicos – como no Brasil – vem a ser um calcanhar de Aquiles. E, o pior, uma eleição pela frente, na qual ele pretende se reeleger. Com este elemento adicional, a situação por lá tem forte conteúdo político.
Os emergentes – China, Brasil, Rússia, Índia e México – não estarão imunes à situação internacional. A China, inclusive, que vem ao longo dos últimos anos disparada, na corrida do crescimento econômico, média de 10%, pode, sim, sofrer algumas surpresas. Analistas de jornais norte-americanos fizeram, estes últimos dias, uma previsão de que a taxa do gigante oriental pode cair, até, pela metade. Acho meio difícil... Isto será um choque para eles, salvo se programarem medidas que possam aumentar o consumo interno, que tem, aliás, uma imensa margem de manobra. E a explicação passa, é claro, pelo fato de que Estados Unidos e Europa são os maiores clientes dos chineses. Em recessão vão reduzir consideravelmente as compras chinesas. Mas, não podemos esquecer que no regime político chinês cabe toda sorte de solução. De repente...
No Brasil, onde o regime político é outro – graças a Deus – a coisa pode ser enfrentada com mais dificuldades. Uma saída pode ser a retomada da estratégia de ampliação do consumo interno que pode proporcionar algum resultado. Nada como no caso chinês, mas, ainda, com algum bom espaço, muito embora a altíssima taxa de juros praticada. A maior do mundo. Por outro lado e outra vez, a redução severa dos gastos públicos, tantas vezes apontada como remédio, poderá também ajudar. E, por fim, olho aberto no cambio. Ainda dependemos muito de compras no exterior. São inúmeros os itens que precisamos comprar lá fora, para atender simples demandas da população, como por exemplo, o pão. Isto, pão feito com trigo importado. Nesse quadro de Dólar apreciado, como hoje, a inflação pode voltar. É nisso que o dragão está atento e que foi meu tema da semana passada.
Ah! É verdade que, no sentido contrário, poderemos lucrar com as vendas das nossas commodities para o exterior. Mas, teremos compradores num mundo em crise? Será que os chineses vão precisar do nosso minério de ferro nas mesmas quantidades de hoje? E a soja? E o suco de laranja? A carne e tantos outros itens? Dolorosas interrogações.


NOTA: Foto e ilustração obtidas no Google Imagens

sábado, 24 de setembro de 2011

Feche a porta, olhe o dragão aí!

Semana difícil esta que termina hoje. Na esteira da taxação exagerada dos veículos importados, 30% de IPI (Imposto sobre os Produtos Industrializados), revelando uma autêntica recaída, do Governo, no retrogrado modelo de reserva de mercado, a alta do Dólar norte-americano aplicou um susto no mercado, como há muito não fazia.
O vendaval gerado pela crise econômica européia, com foco central na Grécia, por fim, chega, com vontade, nos nossos costados e já provoca abalos aqui, dentro da casa de D. Dilma. Ela, naturalmente, reage com altivez, mas, o fato é que dá susto.
No caso do aumento na taxação do IPI, nos veículos importados, o perigo é iminente. As montadoras nacionais – que devem estar por trás dessa gracinha – vão deitar e rolar no mercado interno e, facilmente vão majorar os preços dos seus veículos, além de descuidar da qualidade.
Quando Fernando Collor assumiu o Governo, fez uma critica ácida às montadores nacionais, ao afirmar que no Brasil não se produzia veículos e, sim, carroças. Era verdade. Isto, fruto da ultrapassada política do mercado fechado e reservado à produção nacional. Aquilo foi uma senha para abertura do mercado nacional aos produtos estrangeiros, que no primeiro momento representou um choque na indústria nacional. Ficou difícil concorrer com o produto estrangeiro dentro de casa. Foi um corre-corre danado para remontar as estratégias tecnológicas e de mercado. Reações vieram, como sempre acontece numa mudança, mas, o resultado que hoje se experimenta é, sem dúvida, o melhor.
Ao majorar o imposto sobre os veículos importados, acredito que o Governo dá uma marcha à ré, prejudicando a indústria nacional, o consumidor e tudo mais. Cria barreiras ao jogo de mercado e afasta o Brasil do circuito globalizado. Por outro lado, prevejo que no decorrer da aplicação dessa nova tarifa, haverá também prejuízo para a produção nacional de veículos, à medida que componentes e peças de reposição, hoje importadas, tornar-se-ão muito mais caras e podendo inviabilizar a produção nacional de veículos. De qualidade, quero dizer. Não são poucos os componentes importados que entram na produção de um veiculo Made in Brasil. Corremos o risco de voltar a produzir carroças, novamente. Daqui prá frente 65% tem que ser de conteúdo local. É bronca.
Nesse quadro, vamos ver o que vem por aí. Presumo que vai gerar muita dor de cabeça. Estou com pena do Faustão... Ele ia tão bem... Vai parar de vender os chineses, que, aliás, desistiram de instalar uma montadora aqui no Brasil, na hora.
Já a desvalorização do Real, dessa forma brusca, como ocorreu esta semana é outra coisa preocupante. Bom para os exportadores que vão melhorar o caixa das suas empresas. Mas, muito ruim, por outro lado, porque bagunça meio mundo ao tornar mais caros uma imensa gama de produtos, incluindo produtos básicos, necessários ao dia-a-dia do homem comum e gerando inflação, lá na ponta. O pão nosso de cada dia, por exemplo, que depende do trigo importado, vai disparar de preço – o setor já avisou – e seu Zezinho mais D. Zefinha vão chiar no balcão da padaria. O trigo, como muitos outros produtos vão disparar e os efeitos serão pesados. Resta somente o Banco Central monitorar a situação e atuar quando necessário, porque, do contrário, vai ter que rever a meta de inflação para o ano.
Socorro, D. Dilma! Feche a porta bem fechada, olhe dragão aí!
NOTA: Charge obtida no Google Imagens.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Paralelo 30

É muito interessante conferir a diversidade cultural do Brasil. Em cada canto um povo diferente, um sotaque distinto, uma gastronomia nova e uma paisagem singular.
Integrando uma missão empresarial pernambucana estive por quatro dias, da semana passada, no Paralelo 30, o Rio Grande do Sul. Não chega ser uma novidade, pois já andei por lá outras vezes. Mas, a sensação do diferente e mais distante, sempre imprime uma sensação de primeira vez.
Ali, o Brasil é outro, comparado com o nosso Nordeste, começando pelo clima. Nestes tempos de quase primavera, o frio ainda é forte, exige agasalho e os parques já se colorem de forma exuberante com as flores da época. O mundo estava, quase todo, cor de rosa com os Ipês exibindo suas primeiras florações. Para quem vive numa região onde só se conhece inverno e verão, é pura festa para os olhos. Coincidentemente comemorava-se a Semana Farroupilha, antecedendo a data magna do estado festejada ontem, 20 de setembro. Havia festa por todo lado, no comércio, nos parques, escolas e onde mais coubesse. Fácil era avistar pessoas – homens, mulheres e crianças – embaladas pelos trajes típicos gaúchos. O churrasco, o chimarrão, as bombachas (calças de gaúcho) e as prendas (jovens vestidas com trajes típicos) dominavam a paisagem.
Porto Alegre nunca me convenceu como atração turística. Ao contrário da região serrana (Gramado, Canela, Bento Gonçalves, entre outras), a capital não exerce a desejada atração fatal como bela cidade. Contudo, é fato de que se trata de uma cidade pujante e com cara de metrópole. Claro que, alguns setores convencem. Mas, de forma pontual e exigindo muito do conjunto.
Andei por lugares interessantes e, entre outros, destaco: a belíssima e bem estruturada Pontifícia Universidade Católica – PUC. É de impressionar. Além de classificada como a melhor universidade privada do País, dispõe de uma superestrutura comparável às melhores dos Estados Unidos e Europa. É impressionante a produção de estudos e pesquisas daquele campus. Trabalhei um dia inteiro naquele ambiente e sai crente de que estive num primeiro mundo, com jeito brasileiro. Fiquei orgulhoso, por eles.
O gaúcho é muito cioso da sua cultura. Bairriiiista. Bate os pernambucanos. Haja orgulho naquela gente. Nacionalistas viscerais. Com aquele sotaque característico defende as cores, do estado e do Brasil, com unhas e dentes. Indo ao Rio Grande Sul nunca deixe de visitar um dos vários CTGs – Centros de Tradição Gaúcha. Estive num desses, o CTG 35, sediado numa churrascaria, onde "mergulhei de cabeça" no universo da tradição local. Comi, bebi e assisti ao show da casa, com as danças típicas dos pampas (Vide clipe no fim da postagem) e o espetáculo das boleadeiras, no qual o artista faz loucuras com as bolas nas pontas das cordoalhas de couro ( Procure no YouTube por “Show de boleadeiras”, vale à pena). Neste ponto os gaúchos são mais inteligentes que nós, pernambucanos. Ninguém sai do Rio Grande do Sul sem assistir a um show típico. Aqui em Pernambuco, nossos empresários do show-business nunca se habilitaram a montar uma casa para mostrar o frevo e maracatu, o ano inteiro. Uma lástima, porque público teria. Uma incompetência sem limites.
Gosto muito de visitar mercados públicos. Já tratei disto em outras postagens. O Mercado de Porto Alegre é um capitulo especial. Limpíssiiiiiimo. De fazer inveja ao nosso belo, mas, muito sujo Mercado de São José. Instalado num belo e antigo prédio, dispondo de espaços voltados para atender o fluxo turístico, é uma visita imperdível. (Vide foto, a seguir).
Para terminar, registro que, no centro da cidade, pude constatar a existência de muitos outros prédios de arquitetura neoclássica, admiravelmente bem tratados. Aliás, vírgula. Para lembrar que ainda estávamos no Brasil, onde, muitas vezes, o patrimônio histórico é destruído, sem mais,nem menos, revoltei-me diante do prédio do velho Teatro Carlos Gomes, desmontado e transformado numa loja de gosto duvidoso, no Centrão, e pintado com uma berrante cor, dando testemunho de descaso das autoridades locais. (Vide foto abiaxo) Um crime... NOTA: Fotos e clip são da autoria do Blogueiro



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domingo, 11 de setembro de 2011

O Recife enfartou

Ultimamente, aqui no Recife, só se fala em mobilidade. Referem-se a tal da desejada mobilidade urbana. Todo mundo reclama, com razão, das dificuldades vividas no transito caótico da cidade. A cidade enfartou. É isto aí. E, até agora, não apareceu um especialista para criar os by-passes.
Esta semana que passou foi cruel. Na véspera do feriado de 7 de setembro, dois enfartos paralisaram a circulação viária da urbe recifense. Na zona Sul, um conserto no pavimento da importante via de acesso ao bairro de Boa Viagem, a Avenida Domingos Ferreira, estrangulou o transito e na zona Norte, uma árvore desabou sobre a Avenida Rosa e Silva, outra importante via, principal acesso aos populosos bairros de Casa Amarela, Parnamirim e Casa Forte, com danos materiais a proprietários de veículos atingidos, simplesmente paralisaram a cidade. Foi um caos! Durante duas horas e meia fui obrigado a fazer um trajeto que normalmente se faz em quinze minutos. Um desespero. Não tínhamos saídas! A cidade parou totalmente. Inacreditável. De norte a sul e de leste a oeste havia engarrafamentos intermináveis.
Foram episódios conjunturais, é verdade... Mas, pegou a cidade num momento em que se discutem soluções para uma melhor mobilidade. Uma prova de fogo para quem tem o poder de mando e de solucionar o problema, porque expôs a situação de modo cru e irremediável.
O Recife cresceu com uma política de ocupação do solo irrealista ou desobedecida. A política vigente não surtiu o efeito desejado. Interesses políticos, dos (tu)barões da construção civil e da sociedade egoísta levaram a esta situação deplorável. Espigões são levantados, sem o menor cuidado com a circulação viária. Ruas estreitas recebem, sem condições, prédios gigantescos, abrigando famílias com uma média de dois carros por unidade. Garagem para estes, nem sempre são disponibilizadas.
Estima-se que circulam no Recife, aproximadamente, 600 mil veículos automotores que, somados aos mais de 300 mil na Região Metropolitana, resulta num total em torno dos 900 mil veículos, entrando e saindo de uma cidade não preparada para esse pesado volume. Semana passada, publicou-se a informação de que no estado de Pernambuco, como um todo, já são registrados 2 Milhões de veículos. É muito, vamos e venhamos.
Alguma coisa tem que ser feita para administrar essa carga pesada.
Como um simples mortal e sem poder de opinar, acho que aqui na capital – além de uma engenharia de tráfego competente e eficaz, fora, naturalmente, uma sensivel melhoria na infra-estrutura viária – poderiam ser adotadas algumas medidas simples e que resultaria em alívio imediato, como, por exemplo: proibir cargas e descargas de mercadorias entre 8 e 20h.; evitar consertos e instalações em vias importantes no horário diurno; proibir, severamente, pelo menos nas principais artérias ou no miolo urbano, o trânsito de carroças com tração humana ou animal; coibir o transporte de bujões de gás e de água mineral em motocicletas; bicicletas na contra-mão (um absurdo) e, por fim, instalar um sistema de rodízio de automóveis, em circulação conforme placas. São coisas simples. Mas, que podem ajudar. Caso contrário, não tem jeito!
Por outro lado, uma campanha educativa de massa, via principais meios de comunicação, poderia conscientizar a população no sentido de melhorar esse transito aparentemente sem solução. Temos um povo mal-educado e habituado a fazer o que quer e não o correto. Educação nele!
Na perspectiva de construção de novas vias de infra-estrutura viária na cidade, que deve estar pronta antes da Copa de 2014, já avisaram que a situação vai piorar, enquanto durarem as obras. Não sei como vamos sobreviver a uma situação pior.
O Recife enfartou e as autoridades não encontram meios para operar a normalidade.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google imagens

sábado, 3 de setembro de 2011

Sujeira debaixo do Tapete

Meus amigos e amigas, quando eu digo que perdi a esperança, alguns leitores me criticam e dizem que “a esperança é a última que morre”. Eu até concordo, em certos casos. Mas, no caso do panorama político brasileiro, eu não tenho a mínima esperança.
Esta semana nossos representantes – que ironia – tiveram uma belíssima oportunidade de provar probidade e honradez. Jogaram a chance na lata do lixo, empurraram às pressas para debaixo do tapete ou amunfubaram nos subterrâneos do Congresso Nacional. Como, por sinal, fazem freqüentemente. De nada adiantou o esforço da bancada de vergonha, que é uma minoria.
Refiro-me ao caso da absolvição da Deputada Jaqueline Roriz. Que vergonha, meu Deus! A Nação ficou em estado de choque. Claro. Um caso tão rumoroso, tão escandaloso e terminar “inocentando” a indecência!
É simplesmente asqueroso rever o discurso da penitente no plenário da Câmara: “...naquela época (quando recebeu a bolada) eu era uma cidadã comum, não era Deputada Federal, não exercia cargo público e nem tinha nenhum parente ocupando cargo no Governo...” Releia, caro leitor ou leitora. Não é um absurdo?
Pelo visto acima, roubar, ser corrupto, mensaleiro ou qualquer coisa similar é uma coisa comum. O quequetem? Ora que besteira, desses idiotas. Fico pasmo com tamanho cinismo. O que dirão os representados (eleitores) por ela? Alguns, talvez, nem se lembrem de haver dado a ela seu preciso voto. Tá tudo perdido, minha gente.
Como cidadã comum ela iria cair nas malhas da Justiça e como Deputada Federal ela tem imunidade parlamentar. Para mim isto é revoltante. Que país é este meu Deus? Onde está a Nação?
Essa votação secreta no plenário do Congresso é outro grande absurdo do sistema legislativo, no Brasil. Queria ver a cara de um deputado qualquer votando contra a cassação dessa senhora (com s minúsculo, mesmo!). Tinha que macho!
Pois é, a mulher está livre, leve e solta, atuando e o com rótulo de corrupta apagado da testa. Quer dizer, aos olhos dos idiotas, abestados e ignorantes eleitores brasilienses. Ela “representa” os brasilienses na Câmara Federal. “Bela representação!”


Infelizmente, isto é o retrato do Brasil de hoje. O que será do futuro deste país? Converso muito com os jovens – meu filho e os amigos dele – e percebo uma total desesperança. Votam somente nos seus conhecidos, nem sempre bons candidatos. Não sabem o valor do voto. Não têm idéia do que seja uma política partidária. Não manjam, em nada, do que seja uma proposta de governo. Só pensam em si e nunca no coletivo.
Também pudera, qual é mesmo a Política de Governo de D. Dilma? Quem souber, por favor, me informe. Mas, por pelo amor de Deus, não me venham com o proselitismo barato de PAC... Até agora não vi nada claramente.
Aliás, por sinal, o que eu esperava, desde a semana passada, era a continuação da faxina. Parece que parou... Ela encostou a vassoura em algum lugar e está dando uma de Lula, isto é, fazendo ouvido de mercador. Vocês notaram o silêncio sobre o assunto? Talvez tenha esbarrado na “muralha dos corruptos”, que são, na prática, seus apoiadores. Quando começaram a ventilar a possibilidade de “derrubá-la”, a mulher não teve dúvida, parou de faxinar. Uma pena, porque ela havia acendido uma luz no fim do túnel... E o Ministro do Turismo, nemnem. Tipo Tô nem aí... A vassoura de D. Dilma passou longe, embora que a sujeira seja tamanho gigante. Foi para debaixo do tapete! Tenho ou não tenho razão de não alimentar esperança?


NOTA: Charge obtida no Google Imagens


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Iracemas Contemporâneas

Em 18 de julho de 2009 comentei, neste Blog, sobre exploração sexual nas capitais nordestinas, na postagem que intitulei de “Isto é um fim de mundo”, que se tornou na mais lida, até hoje. Naturalmente que meus escritos, num espaço quase intimista, não iriam modificar a realidade. Mas, fiquei satisfeito com minha pequena contribuição, os comentários e o sucesso de leituras.
O tempo passou e a, cada ocasião que visito Fortaleza, percebo que a coisa continua crescente e até mesmo acintosa. No fim de semana passado, por exemplo, um compromisso social me levou à capital cearense, cada vez mais atrativa no segmento turístico. Bons e muitos hotéis, com lotação completa, infra-estrutura de receptivo diferenciada, parques temáticos, bons restaurantes, muitos turistas e, principalmente, muita hospitalidade. A moçada de lá tem sido competente. Estão dando um “banho” nos pernambucanos e nos baianos.
Mas, tem uma coisa negativa: a prostituição reinante, sob o olhar grosso das autoridades continuam presente por toda parte. É o chamado turismo sexual que atrai levas e mais levas de europeus às terras e praias paradisíacas nordestinas. Tive oportunidades incríveis de testemunhar o que rola na terra de Iracema, a virgem dos lábios de mel, segundo José de Alencar.
A pedido da minha esposa, fomos numa manhã ensolarada a um prestigiado, badalado e recomendado bar na praia do Futuro. Dá gosto ver a estrutura montada e observar os ambulantes oferecendo frutos do mar, artesanatos, salada de frutas tropicais, entre outros itens. No meio dessa tropicália aparecem as contemporâneas iracemas cearenses vendendo, sem pudor ou sem cerimônia, corpinhos bronzeados e cheios de dengos e fricotes. Os marmanjos turistas se deliciam e percebem ter condições de escolher a dedo. Para facilitar a caça, vi numa mesa colada à nossa um “agente de turismo” oferecendo garotas através de um vistoso book com artísticas fotografias. Os comentários e acertos comerciais, entremeados das mais estonteantes interjeições, eram tratados abertamente e ao alcance dos nossos ouvidos. Claro que fiquei incomodado e bati retirada. Os caras eram estrangeiros, cobertos de tatuagens, com roupas extravagantes e, simplesmente, indecentes. A idéia era exibir seus atributos físicos. Todos! Roupas molhadas, já viu... Procuramos um bom restaurante para almoçar e retornamos, para uma pausa, ao Hotel. Ali, observei, novamente, que a maioria dos hóspedes, espalhados pelo grande lobby, era italiana. Adoram o Ceará. Uma mulherada fogosa faz realizar seus mais extravagantes sonhos eróticos. Um coça-coça e quem-mequer danado das iracemas, alegra a vida fácil dessa gente forasteira. Dizem que muitas delas se “arrumam” e, sem pestanejar, se mudam de “mala e cuia” – no dizer do cearense – para as terras estrangeiras. Nem sempre se dão bem... Muitas sofrem e ficam a míngua buscando soluções de retorno.
Os caras chegam a Fortaleza e Natal – locais mais apreciados – via vôos fretados ou linhas comerciais. Vide foto comentando um cartaz promocional, abaixo. Chegam aos bandos e têm perfis de homens amadurecidos, geralmente empregados de chão de fábrica de empresas grandes – montadoras de veículos, siderúrgicas, entre outras – com costumes grosseiros e sem nada a perder. Alguns são premiados com viagens, pela alta produtividade no oficio. Vêm dispostos ao que der e vier. As tolas se entregam, de corpo e alma, enquanto embalam o sonho de uma aventura na Europa. Recordo, também, de um grupo desses senhores engabelando três freguesas, uma das quais falando italiano e traduzindo às demais, num bar e restaurante da moda, à beira mar. A pegação era coletiva naquela mesa e falam de alto e bom som. Não tinha como não escutar. A que tinha proficiência no idioma romano comandava a iracemação. Engraçado foi que, lá pelas tantas, uma delas perguntou ao vizinho, um tipo asqueroso e desdentado, qual era o trabalho dele. A resposta em italiano foi incrível: “Nada. Não trabalho! Vivo a vida!”. Pode uma coisa dessas? Não sei como estava ali! Imagino que se tratava de uma forma de despistar a requerente. Lamento, por essas iracemas contemporâneas. Como lamento o fato de que a coisa não é apenas no Ceará ou Rio Grande do Norte, mas, também, no restante do Nordeste, incluindo as turísticas Recife, Salvador e Maceió.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
Outra NOTA: José de Alencar é um clássico da literatura brasileira e escreveu o famoso romance "Iracema, a virgem dos lábios e mel". Por onde andar noutro oriente, que me perdoe a má comparação>

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Insensatos Corações

Sendo D. Dilma, eu estaria sem dormir, nesses últimos dias. Pelo que vejo na mídia diária e nos contatos que tenho, rola um clima prá lá de grosso. Imagino, a toda hora, o dilema, ou os dilemas, que ela vem administrando. Como governar com uma base aliada em convulsão? Como governar com tantos auxiliares corruptos? Pense no que seja ter o PMDB como suporte maior, patinando numa pista escorregadia. Pense ainda que seu próprio partido, o PT, passa por um vexame danado metido em palpos de aranha! Os nanicos não fazem falta, são pequenos detalhes.
Veja se não tenho razão: os dois partidos mais fortes da base de sustentação do Governo são, hoje, partidos sem lideranças bem definidas. Divididos “que dá gosto”. É um puxa e encolhe de lascar. A rapaziada do PT não sabe como esconder a tal da “herança maldita” do antecessor e no PMDB o racha é, cada vez mais, exposto. Neste, metade se segurando para garantir a bolacha e a outra metade tocando fogo no circo. Que situação difícil. Para completar a Mulher não desiste da faxina – louvada pela nação séria e, sobretudo, pela oposição – criando um tremendo desconforto aos que não querem largar as tetas do Estado.
Já foram despachados três Ministros. Acredito que nesta semana que se inicia, um outro vai “dançar” também. O do Turismo. Já vai tarde, porque todo mundo sabe que de turismo ele não entende nada. Que apenas desempenha um papel político e é cercado de corruptos assessores. Não sou eu que digo, claro. Pobre de mim. É a imprensa que denuncia sem dó. Numa ação emergencial, ele próprio mandou “degolar” boa parte desses auxiliares, na semana passada. Acho que quis dar uma de correto. Sarney já disse que ele não é seu afilhado! Agora, porque, se não me engano, era!
Eu só espero é que nesse imbróglio sem fim, a turma não esqueça que lá fora a crise é grande e que o Brasil não está imune. É uma questão de tempo. A Europa, na Zona do Euro, já não sabe mais o que fazer para se sustentar. Nos States republicanos e democratas travam uma luta de faca e foice, no escuro. Obama, não vai tão bem como queria, gostaria ou se esperava, já botou o bloco da reeleição na rua. E vai ganhar, porque os republicanos estão desorganizados. E nós na base da “marolinha lulesca”. Que temor! Nossas reservas correm sério risco, se algo mais austero não for acionado. O Dólar entra a rodo, o Real se valoriza, os juros sobem, a dívida pública se avoluma, o Banco Central pode perder o controle e o dragão da inflação está no batente da frente. Deus nos acuda! Mas, voltando à figura de D. Dilma, confesso que estou admirado com a coragem da mulher. Ela tem sido audaciosa, politicamente falando, e está conseguindo confirmar seu gênio de mandatária na risca. Segura no que faz. Fiquei pasmo com a atitude dela, semana passada, em São Paulo: apimentando a situação política nacional, “afagou” Fernando Henrique Cardoso, no Palácio dos Bandeirantes, isto é, no viveiro dos tucanos, deixando meio mundo de queixo caído. O blábláblá foi tão grande que, por momentos, o viveiro parecia mais com um de araras.
Sei não, onde essa coisa vai parar. Às vezes acho que a Presidente é ingênua! Será que ela não é? Digo, no domínio político, que fique claro. O que ela vem fazendo é de deixar o brasileiro pensante meio assustado. Nunca antes, na história deste país, viu-se tanta coragem. Cabeça de mulher é fogo e adora fazer limpeza. Limpe mulher, com cuidado e comece tudo de novo. Vou aplaudir! Não votei nela, viu?!
Agora, tem uma coisa, eu estou meio preocupado. Meio não. Muito. Se D. Dilma não tiver uma estratégia muito bem desenhada, essa “coisa” vai parar no ventilador. O PT não quer largar o osso. O PMDB (falo daquele fisiológico) não arreda o pé. Êita confusão danada.
Amigo meu, assessor parlamentar em Brasília, garantiu-me que a tensão é grande, na Praça dos Três Poderes. Tem “muvuca” parlamentar (ou prá lamentar?) em todas as superquadras residenciais. Até pizza já serviram, numa delas. Muito apropriado, por sinal. Ninguém faz mais nada, salvo esperar novas denúncias e novas quedas.
Tomara que essa confusão passe e a vida volte ao normal. O Brasil não merece um retrocesso, nem esses "insensatos corações" governantes.
NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens

sábado, 13 de agosto de 2011

Anestesia Geral

Numa roda de amigos – leitores do Blog – ontem (12.08), à noite e em meio a muitos comentários sobre recentes postagens, me pediram para antecipar o tema da semana. Ainda indeciso sobre o que abordar, recebi a difícil sugestão de repercutir a bombástica entrevista de Sandy, na revista Playboy (*). Foi uma gargalhada geral e em coro. Minha resposta foi negativa, na hora. Tá doido! Nessa seara não transito. Difícil, não é mesmo? Nem ela, mesma, soube como sair do disparate. O interessante é que a sugestão foi feita por um tarimbado jornalista pernambucano, com passagens, inclusive como dirigente, pelos mais importantes veículos do sul do país. Sugeriu e garantiu, de cátedra, que foi o assunto mais palpitante da semana. “O mais comentado, posso lhe garantir”. Fugindo da cilada, apressei-me em adiantar que o tema de hoje é sobre a apatia do povo brasileiro diante da corrupção que cresce em taxa geométrica. Até D. Dilma, inserida no sistema, se surpreende e vê-se obrigada a promover uma “faxina” em Brasília, correndo serio risco de ser derrubada. Na verdade não vou comentar a “vassourada” que a Presidente anda fazendo, porque isto os leitores ficam sabendo pela imprensa aberta. Ao invés disso, quero fazer coro com quem tem vergonha neste país e manifestar, humildemente, porém indignado, minha revolta diante dessa “anestesia geral” que grassa no povo brasileiro, diante de tanta bandalheira. A corrupção virou moda! E falo de moda em termos técnicos. Qualquer estatístico sabe do que estou falando.
Sinceramente, nunca ouvi falar de tanta roubalheira. Nos Transportes, na Agricultura e no Turismo e, se a coisa for aprofundada prá valer, leva a crer que não vai sobrar nem um dos antros da Esplanada dos Ministérios. Sem esquecer que a coisa não se resume à esfera federal. Tudo se repete nos Estados e Municípios, de forma rotineira, como se roubar fizesse parte da missão de governar. É impressionante como se rouba neste país.
Tenho lido muitas analises, com distintas óticas, e todas, de algum modo, induzem a uma cruel conclusão: somos portadores de um DNA defeituoso e maligno sobre todos os aspectos. De nada tem valido os esforços das pessoas idôneas – que existem, creiam – e que fazem junto à opinião publica, numa cruzada insana, um alerta para a inércia e conformismo deste varonil povo brasileiro. A sensação é de que se malha em ferro frio. A população está mesmo anestesiada. A roubalheira é diária e rotineira. O noticiário não causa mais impacto. Revolta, indignação ou o que o valha, nem se fala. O povo até ri da desgraça. Meu Deus! Que absurdo. Será que não vamos reagir?
Em recente artigo, outro amigo e companheiro rotariano – Alberto Bittencourt – lembrava que a coisa, infelizmente, começa no cidadão comum, quando tenta subornar um guarda de trânsito ou vice-versa, na famosa estratégia do “toco”, a furar filas, a estacionar em lugar proibido, a instituir o Caixa 2 na sua empresa, a se submeter à cobrança de propina nas repartições publicas, a não zelar pelo patrimônio publico, entre muitas outras formas espúrias e, o pior, corriqueiras. Desastroso é pensar que, numa cultura infame, somos todos tentados a fazer dessas barbaridades. Se fulano faz, por que não faço eu? Se os políticos roubam, por que eu não posso roubar, também? Esse o modelo social brasileiro. É daí que eu começo, mesmo, a concordar com a idéia do DNA defeituoso.
Fala-se muito em despertar as massas para um grande levante pró-moralidade, a exemplo dos caras pintadas que derrubaram Fernando Collor, mas, pelo que vejo, os clamores têm sido inócuos. Veja o vitorioso movimento popular da Ficha Limpa, que acendeu uma luz de esperança e, na prática, vem sendo driblado. Transformado em Lei, foi abortado na primeira ocasião e “empurrado com a barriga” pelo Tribunal Superior Eleitoral. Por incrível que pareça mesmo alertados para a sujeira dos candidatos os eleitores foram às urnas e votaram em muitos ladrões, depois empossados nos cargos. Tá tudo perdido...
É triste descobrir que o conceito de Lei, no Brasil de hoje, diverge do tradicional e correto, no mundo inteiro. Que decepção...
Acorda Brasil. Sai dessa anestesia geral. Sai dessa UTI e vem ver o mundo imoral do entorno.
Ah! Encerrando o papo de hoje, não posso deixar de recomendar que deixemos de enaltecer o flex hábito sexual da cantora Sandy e abramos os olhos para o caos político nacional.
(*) A cantora pop garantiu que "sexo anal dá prazer, sim. Por que não?"

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.






domingo, 7 de agosto de 2011

Up-grade Social

O up-grade social operado pelo governo de Lula é, de fato, notável. A expansão do mercado interno é indiscutível. O boom das atividades econômicas é visível no dia-a-dia de todo brasileiro e em qualquer ponto do país. Até no Nordeste, tradicional bolsão de pobreza, as coisa mudaram bastante. As diversas bolsas governamentais, que tiram milhões de pobres das faixas inferiores de renda, inclusive da miséria, terminam por gerar mudanças no aparelho produtivo dos três setores mais importantes da economia. Confesso que tenho sido critico da estratégia de distribuição de renda, dado seu caráter paternalista e porque não vejo como isso vai se sustentar. Mas, a coisa está aí... e pronto. Tudo bem.

Acontece que não é sobre o mérito da política social implantada pelo Governo Federal que vou pautar meu “bate-papo” semanal. Ao invés disso, relato fatos pitorescos – cômicos, até – das mudanças de costumes sociais e novos hábitos do cidadão brasileiro no Século 21.
Quem viaja, com freqüência e por via aérea, já deve ter notado o novo perfil dos passageiros. Antes, viajar de avião era um luxo reservado a poucos dos mortais. Aqui no Nordeste, nem se fala. Agora, tem sido mais freqüente aparecer, entre os viajantes, pessoas visivelmente simples e humildes, com olhares curiosos, alguns meio assustados, “marinheiros de primeira viagem”, sempre carregados com bagagens de mão descomunais e mal-embaladas, além de cobertores e travesseiros pessoais. São os antigos passageiros de transporte rodoviário que mudaram de modal. As empresas aéreas, por outro lado, já descobriram esse nicho e não perdem tempo em promover vendas que se ajustam, como luvas, ao novo estrato social.
O resultado dessa mudança – muito bem vindo, claro – é que cenas inéditas têm sido registradas nas aeronaves que cortam, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, os céus brasileiros.
Hoje à tarde (sábado, 6/08/2011) embarquei, com minha esposa, no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, de volta ao Recife, após uma rápida viagem à Cidade Maravilhosa (nem tanto, ultimamente...) e assistimos cenas impagáveis. O vôo trazia muitos passageiros com destino final na cidade de Petrolina (cerca de 700 km. do Recife, Sertão do São Francisco de Pernambuco). Logo na operação de embarque percebi o agito de alguns companheiros de viagem. Dona Josefa (nome fictício), idosa e de estatura pouco privilegiada, portava um matulão (espécie de rústica bagagem comum nos confins brasileiros) desproporcional à referida estatura. Dava dó ver o sacrifício da viajante. Senti remorso de portar confortavelmente minha maleta levíssima (fibra de carbono) e provida de rodinhas bailarinas. Dona Zefinha adentrou a aeronave e foi logo procurando assento, sem saber que havia uma reservada somente para ela. Orientada pela comissária de bordo foi levada para uma poltrona, bem próxima a minha. Agradeceu as atenções daquela moça solícita, bonita e bem trajada e, sem cerimônia, pediu que ela a ajudasse, também, arranjar um espaço para o matulão: “ô mocinha, você pode me ajudar a guardar minha bagagem ali em cima, que em num alcanço...” “Senhora, sua bagagem está muito pesada e dificilmente vou conseguir acomodar aqui... Por que não despachou?” “Vilge minha fia, eu prifiro carregar meus pertence cumigo mermo. Dixeram qui é mai seguro... Vosmicê me ajuda aqui e meu fio carrega pra eu, quando noi chegá lá em Petrolina” A aeromoça, talvez como num gesto de solidariedade, ajustou, empurrou e conseguiu guardar a bagagem de Zefa.
Passados poucos instantes entra uma família bem caipira e, com certeza, na primeira viagem de avião. O chefe da família orientava, orgulhoso, a acomodação da esposa e dos dois filhos menores nas poltronas situadas uma fileira diagonal à nossa. Vaidoso, puxou do bolso uma câmera fotográfica digital e disparou fotos e mais fotos da família na sua primeira experiência aérea. “Surria mininos. Olha o passariiiinho.... Ei, Maria (nome fictício) tu tá tão seria hoje... que foi que deu, nimtu, heim? Ri também, vai” Fotos prá cá, fotos prá lá, inclusive do restante do avião, chegou a hora da decolagem e ele toma assento justo na frente da minha esposa. Quando vieram as recomendações de apertar cintos e colocar a poltrona na posição vertical, o cidadão faz ao contrário e reclina o encosto. Toquei no ombro dele e recomendei voltar à posição vertical. Olhando à retaguarda resmungou com um “Ôxente, e tô atrapaiano?” “Não cavalheiro é que não é permito esta posição no momento da decolagem” “Ah! Eu num sabia... tá bom, então...” Era ou não era a primeira viagem? O tempo passou e aí veio o melhor da história: quando o Comandante anunciou os procedimentos de descida no Recife e começamos a sentir aquela habitual e suportável pressãozinha nos ouvidos, Maria botou prá reclamar e dizer que não estava agüentando. Que, daquele jeito, ia morrer com os miolos estourados e, aí, entrou em desespero. O marido, meio aperreado, chamou a aeromoça e pediu orientações, que gentilmente explicou que aquilo era normal e que ela se acalmasse, porque logo estaríamos aterrissando e tudo passaria. A mulher não se acalmou... “Mas Zé, num sei prá que tu inventô esse tá de avião”. Já pensou? Ela confundiu o marido com Santos Dumont! “Deixa de teu pantim, mulé cavilosa... Ôxe, desse jeito num te trago mai pa viajá, visse?” Não me contive. Minha mulher me recomendava comedimento. Maria urrava, sacudia a vasta cabeleira e vi a hora dela decolar pelo teto do avião. Eu, não conseguia segurar.
Adorei a viagem desta tarde. O avião não tinha Classe Executiva, mas D. Zefinha e a família de Zé e Maria fizeram o maior up-grade que já tive noticia: deixaram de viajar de ônibus e embarcaram num cilindro voador! Num foi legal? Quem tiver o email de Luis Inácio, encaminhe para ele. Ele vai babar... de alegria, com razão! Até eu...se fosse ele.
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Parece que foi pior...

Eu até que alimentei alguma esperança com as modificações prometidas pela Prefeitura do Recife, para o trânsito da cidade. Mas, qual nada... Tá na cara que ficou pior. Meu percurso diário compreende corredores particularmente prejudicados pelas mudanças operadas. Falo de ruas do bairro do Espinheiro, que tem suas principais artérias desembocando na Agamenon Magalhães, principal via da intervenção. Se antes era ruim percorrer essas ruas, agora piorou consideravelmente. Tudo represado até o ponto de atingir a Agamenon. Perde-se muito mais tempo. Curiosamente, notei que fechando os acessos ou saídas das pistas internas da Agamenon, restou um fluxo fluido na principal, três vezes mais larga, e fluxo pesado nas pistas locais. Um total contra-senso. Como não sou de perder o controle das coisas, principalmente em trânsito, passei a contemplar a paisagem bucólica/urbana do bairro do Espinheiro que tem ruas super arborizadas – mostro-as, cheio de bairrismo, a todo visitante – verdadeiros túneis de altos e centenários oitizeiros. Acredite, caro leitor ou cara leitora, havia muito tempo que não tinha a oportunidade de admirá-los como fi-lo nesta semana. Foi meu único consolo dentro do carro, retido nos engarrafamentos da região. Taco uma música clássica, no som do veiculo e fico lá... Possesso da vida, claro, perdendo a hora de um compromisso. Só quero ver como vai ser na próxima semana, com o inicio das aulas. A coisa vai feder, mesmo antes do Canal. Deus que nos acuda. Quem optar pela Avenida Rui Barbosa, vai urrar. fora...
Sabe minha gente, esta coisa não tem solução assim, num abrir e fechar vias à direita ou à esquerda. Quanta ingenuidade desses nossos mandantes e técnicos municipais. Será que essa gente não percebe os erros antes cometidos? A falta de planejamento urbano? Ou de transporte urbano de massa, numa cidade com estrutura antiga e de condições desfavoráveis, que virou Metrópole no século 21? A falta de ordem e responsabilidade na ocupação do solo e, por fim, a selvagem especulação imobiliária? Será que não percebem erros vergonhosos do tipo “modernização” da Avenida Conde da Boa Vista. Aquilo foi, ou melhor, é um dos maiores absurdos em termos de intervenção urbana. Burrice total. Dinheiro do contribuinte jogado no lixo. Ou, provavelmente, nos bolsos dos mandantes.
A verdade é que o Recife está diante de um colossal desafio: modernizar-se e oferecer aos seus habitantes condições dignas de viver, ir e vir sem percalços. E quando falo de percalços lembro-me dos buracos, da falta de vias inteligentes, da limpeza urbana, habitação popular, entre outros aspectos de carências. E o que é fundamental: gestão honesta e competente.
Agora, tem uma coisa: o que se observa no Recife não é muito diferente de outras grandes cidades brasileiras. A crescente urbanização da população é uma delas. Ninguém quer mais viver no campo. È incrível! Outra coisa é a facilidade que se tem, hoje em dia, de se comprar um carro, com financiamentos a perder de vista, entupindo as ruas e complicando o transito.
Faltam políticas urbanas e planejamento sério, embora haja ministérios e secretarias especificas, infelizmente entregues a quem não tem conhecimento ou consciência do papel a cumprir. O atual escândalo do Ministério dos Transportes é bom exemplo.
E o Recife, coitado, cada vez pior.

Nota: Foto obtida no Google imagens

terça-feira, 26 de julho de 2011

Arte, a Essência da Vida

A arte é a essência da vida... Quanto mais amadureço, isto é, fico mais velho, mais me conscientizo disso. Um engenheiro, um arquiteto, a costureira suburbana, o músico e o ator, o grafiteiro, a cozinheira, o jardineiro, o engraxate, o pintor e o escultor, entre muitos outros, são todos artistas. Pensando bem, todo ser humano, afinal de contas e numa instancia qualquer da vida, é um artista. No dia a dia estamos habituados a ver os artistas sob uma ótica muito restrita. Precisamos enxergar um artista na banal empregada doméstica que produz uma deliciosa sopa de feijão preto, salpicada de cheiro verde ou uma tapioqueira de Olinda que peneira a goma, molda a tapioca ao calor de um lume e mete sabores exóticos para recheá-la.
Mas, é artista também quem lida com a arte de outros e as cultiva com devoção e competência. Explico: neste fim de semana (ontem, 24.07.11) fui ver a exposição temporária da obra de Michelangelo (Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simon 1475-1564), no Castelo de São João da Várzea – Instituto Ricardo Brennand, no Recife. Que maravilha. É imperdível. Causou-me impacto dar de cara, logo na chegada, com uma réplica autenticada da famosa escultura de David, do mestre italiano, aquela cujo original está em Florença e que varias vezes, por sorte, pude admirar. Aquilo de ontem foi incrível, em face do cenário no qual ela foi inserida. (Vide foto). Depois daquele primeiro momento impactante, adentrei à nova Galeria do Instituto e, aos poucos, mergulhei num mundo de esculturas clássicas, nem sempre de Michelangelo, minhas velhas conhecidas e por mim visitadas outrora. Com uma feliz diferença de que, agora, elas vieram “visitar-me”. Sim, claro, elas estão com todo esplendor e dispostas com rigorosa curadoria a poucos quilômetros do meu endereço.
Quem pensaria uma coisa dessas, no passado, aqui no Recife? É preciso ser artista como Ricardo Brennand – que, sem cinzel ou pincel – pratica a finíssima arte de colecionar obras de arte. Despido de qualquer sintoma egoísta, esse pernambucano transfigurado num mecenas dos tempos modernos, presenteou Pernambuco e o Brasil com uma das mais importantes entidades culturais deste país. Atravessar os portões do Instituto e percorrer a alameda de acesso ao complexo cultural é possível sentir uma gostosa sensação de estar viajando rumo à Idade Média ou uma praça renascentista da Velha Europa. Nas linhas arquitetônicas ou no entorno de paisagens bucólicas, nas obras de arte espalhadas a céu aberto ou indoor, tudo que se respira é arte. Como não entender que tudo aquilo é a essência do viver de um cidadão que não guardou apenas para si o sabor de colecionador, mas, socializou seu acervo num projeto monumental, raro e invejável. Nada melhor do que aquilo nestas plagas nordestinas. O visitante sai dali, tomado por um misto de energizado e incredulidade. Até mesmo os mais alienados, param, pensam e fazem um juízo de valor, quase sempre significativo e digno do que viu.
Outro aspecto positivo que pude observar ontem foi de ver pessoas visivelmente mais simples e, certamente, habitantes da pobre periferia recifense, surpresas com o que viam e atentas às explicações da jovem guia que, didática e pacientemente, descrevia cada obra exposta e a própria vida do escultor italiano, causando certa admiração dos espectadores. (Vide foto) Eram caras e bocas das mais diversas, surpresos, ora com a imagem do David despido ou da figura feminina despojada de vestes. Esculturas inacabadas ou mutiladas chamavam a atenção desses humildes admiradores, iniciantes na ronda das artes clássicas. Com “meus botões” fiquei imaginando que dali poderia sair alguém com o propósito de ensaiar na argila úmida, obtida nos baixios do vale do Capibaribe, ali bem próximo, sua obra de arte, inteira, acabada, vestida e colorida... por que não? Essa gente é muito criativa e gosta de exercer sua natural veia de artista e aí, a essência da vida brota de onde menos se espera.
Ricardo Brennand repete, em Pernambuco, o que o, também, mecenas, Mauricio de Nassau, operou no Século 16. O que ele construiu, ali nos detrás do Grande Recife, além do up-grade cultural alavancado na comunidade, vai imortalizar seu nome. Obrigado Ricardo Brennand!


Quer saber mais sobre o Instituto Ricardo Brennand? Clique em www.institutoricardobrennand.org.br

NOTA: As fotos da postagem são do blogueiro

Nota Especial: Os acessos ao Blog do GB romperam a barreira dos 80.000, esta semana. Observe o Contador, acima a direita

terça-feira, 19 de julho de 2011

Voando sem Segurança

Se tem uma coisa na vida que me choca e me abate, posso garantir que é o tal do acidente aéreo. Talvez porque uso muito este tipo de meio de transporte, não sei bem... Ou então, pelas conseqüências trágicas em que resultam e tomo conhecimento. Na semana que passou senti, mais uma vez, a sensação de insegurança para voar, até porque dois dias depois do acidente da NOAR, aqui no Recife, tive que embarcar rumo à cidade de Fortaleza (CE) e de lá retornar antes do fim de semana.
Eu sempre digo, com alguma convicção, que não tenho medo de avião. Aparentemente não tenho. Entro e desembarco, em qualquer um, com muita facilidade. Mas, na verdade verdadeira, sempre peço a Deus, com muita fé, por uma viagem tranqüila. E quando o avião toca em solo firme digo sempre: Deo gratias! (graças a Deus)
Estes dias estive pensando que, no passado recente, vem ocorrendo relativamente muitos acidentes aéreos. Nem falo de aviões de pequeno porte, inclusive helicópteros, que toda semana cai algum, Brasil afora, e passam despercebidos pelo grande publico. Falo, mesmo, é dos grandes desastres: Fokker 100, da TAM, em cima da cidade em São Paulo ao decolar em Congonhas, ainda na década de 90; o avião da Gol “atropelado” por um jatinho particular irresponsável; o espantoso acidente da TAM, também, que derrapou na pista de Congonhas (São Paulo), quatro anos atrás, explodindo nas instalações da própria companhia no outro lado da avenida subjacente à pista; o terrível acidente com o avião da Air France que mergulhou, aqui defronte, no Atlântico e, por fim, esta semana, o aviãozinho da NOAR que se estraçalhou e explodiu em plena cidade, num dos bairros mais populosos do Recife. Teve outro, que não faz muito tempo, também, de uma banda de música brega que desabou sobre o bairro do Engenho do Meio (Recife), espalhando pânico nos moradores.
Quantas vidas forma ceifadas em questão de minutos! Eu não saberia calcular o número de vitimas fatais dessas catástrofes. O que sentiram? Como encararam a morte inevitável? Será que sentiram a chegada da maldita? Isto ninguém sabe e nem pode avaliar. Por outro lado, impossível contar as vitimas que ficam chorando seus mortos! A meu ver, são as maiores e mais sofredoras.
Falha humana ou da maquina são as mais comuns das explicações. O abominável motivo da manutenção relaxada das aeronaves e a pressão das empresas para colocar no ar aviões sem condições técnicas, mesmo sob protestos do comandante escalado, a cata do vil metal é doloroso e frequente explicação. Tem coisa pior? Lembro que o avião da TAM que explodiu nas dependências da própria empresa voou sem condições mecânicas. Num país mais rigoroso uma empresa como essa teria sua licença cassada. Na China, por exemplo, foi assim. Depois de vários e terríveis acidentes, algumas empresas foram banidas dos céus e as que sobraram vivem debaixo de rigoroso sistema de fiscalização técnica. Na África, algumas companhias aéreas não têm permissão de voar para ou na Europa e Estados Unidos, por total falta de condições técnicas. São essas coisas que assustam pobres mortais, quem nem eu.
No Recife, depois do desastre desta semana um novo debate cresceu e nem tão cedo será esquecido: a localização do aeroporto dos Guararapes. Inaugurado pelo Governo JK (década de 50) e construído aproveitando a pista deixada pelos americanos, na época da 2ª. GG no subúrbio do Ibura, era uma localização privilegiada, em face da ausência de aglomerados urbanos ao seu redor. A cidade cresceu e hoje sufoca a pista e a estação de passageiros. (Vide Foto acima). Os aviões modernos, mais possantes e mais pesados descem no Recife quase tocando as casas e prédios da região. O aeroporto de São Paulo/Congonhas é outro absurdo. Nem é bom falar. Dá medo daqueles que a gente nordestina chama de medo medonho. Lisboa (Portugal) é outra cidade que tem aeroporto dentro da área urbana. Há outros que são no meio do mar como o Santos Dumont, no Rio, o Osaka- Japão (Vide foto a seguir) e Hong Kong – China. São aeroportos como esses que assustam uma cidade a toda hora. No caso de acidente, nos momentos de decolagem ou aterrissagem, não tem apelação. Mata quem é passageiro, mata quem está em terra e mata do coração quem assiste.

Está na hora de se pensar numa norma internacional que obrigue a localização de aeroportos bem distantes das zonas urbanas e que nada mais seja construido no seu entorno. No Recife e em São Paulo (Congonhas) medidas devem ser tomadas para afastar os riscos de tragédias maiores. O comandante do avião da NOAR, entre os mortos do acidente, foi um herói ao evitar a queda sobre uma casa ou se estraçalhar de encontro a um dos muitos edifícios da região que caiu. A coisa teria sido mais trágica. Diante disso, Deo gratias! NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens