domingo, 20 de dezembro de 2009

Mensagem de Amizade


Amigos e Amigas,

Hoje eu teria vários temas para nosso bate-papo semanal: Cúpula Mundial sobre o Meio Ambiente, que terminou em fracasso e mais para esquecimento global do que aquecimento global; os fuxicos políticos da semana e o imenso sucesso do Festival Internacional da Musica Clássica - Virtuosi 2009, no Recife, entre outros.
Mas, preferi fazer uma pausa para falar de Natal e Ano Novo.

Antes porém cumpre lembrar que fico imensamente grato a todos que me acompanharam através do Blog do GB, durante o ano que termina, quando o blog completa exatos dois anos. Grato, particularmente, pelos comentários e pelos constantes incentivos que alimentaram meu desejo de cumprir a agenda semanal, buscando temas e fazendo fotos para tornar este espaço atrativo e vivo.


Que Deus, em sua infinita bondade,

abençoe e encha de paz nossos corações,

não apenas na noite do Natal

do seu Filho, Jesus Cristo,

mas todos os dias de 2010.

FELIZ NATAL E VENTUROSO ANO NOVO!

Um beijo fraterno no coração de cada um de vocês, meus amigos e amigas!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Riscos da Copa Brasileira

A ficha anda caindo por todos os lados. Falo da conscientização brasileira a respeito do evento Copa do Mundo 2014. Quatro anos passam num “piscar de olhos”. Sobretudo levando em conta os preparativos necessários, num país como o Brasil.
O recente sorteio das chaves para a Copa da África do Sul, os alertas que vêm sendo dados a respeito das dificuldades que os sul-africanos andam administrando e os ensaios de preparação que se esboçam no Brasil, já deixam meio mundo preocupado com o corre-corre que o evento poderá gerar “aqui em casa”.
Semana passada, por dois momentos, tive oportunidade de discutir o tema. No primeiro, numa plenária do Rotary Club Recife Casa Amarela, a questão foi exposta, de maneira ampla, por um especialista em turismo. Tratou da questão apontando as necessidades urgentes e as prováveis repercussões positivas para nosso país, enfatizando a exposição na mídia mundial, que, dependendo da nossa competência em vender nosso produto turístico, significará uma cartada decisiva para a consolidação do Brasil na rota do turismo internacional.
Na segunda ocasião, para minha surpresa, foi com um motorista de taxi – meu conhecido – que aproveitou o percurso que fizemos, para me pedir conselhos sobre o que fazer na ocasião da Copa, porque, segundo ele, não vai querer perder a “boquinha” de faturar uns dólares. Ele tem consciência de que pode ocorrer um grande movimento de turistas, decorrente da chave do Recife. “vai ter nego querendo ir aos jogos naquelas lonjuras da cidade da Copa, mas, com certeza, vai ter algum sujeito que vai me pedir para ir às praias, restaurantes, mercado, boates, Olinda e outros lugares. Como é que eu vou me comunicar com essa gente?”
Minha opinião a respeito do assunto é muito ambígua. Explico: acho ótimo que o Brasil seja sede de uma Copa do Mundo, como já foi em 1950. Mas, o mundo mudou e o campeonato propriamente dito mudou de figura. É mais grandioso e mais massificado, graças às facilidades da comunicação moderna. Nem se compara com o de sessenta anos atrás. Ao mesmo tempo em que folgo em ver uma Copa do Mundo, ao meu alcance sem sair daqui, sinto uma profunda preocupação com o que se vai oferecer ao visitante. Como vamos preparar este “imenso continente” para receber contingentes de turistas torcedores dos times que disputarão a Taça?
Há uma imensa diferença em fazer uma Copa num país europeu, por exemplo, rodeado pelo maior número de países que geralmente participam do torneio e fazer cá na America do Sul e num país tão extenso. Pior: num país sem a infra-estrutura adequada para atender às necessidades dos torcedores. Imagine o país, a cuja equipe toque jogar partidas em lugares distintos e distantes. O que vai acontecer quando seus respectivos torcedores procurarem meios de locomoção? Será que, daqui para lá, vão dotar este país de meios de transportes suficientes, seguros e operando a contento para atender a demanda. Temos poucos aviões, com passagens caras. Não temos rede ferroviária como a Europa dispõe, o transporte rodoviário é a desejar e também caro, as rodovias são vergonhosas e, sobretudo, perigosas. Como vai ser? Eis aí uma pergunta que não cala!
O taxista lembrou, preocupado, que se no sorteio de definição das chaves, que só vai acontecer no final de 2013, cair, para o Recife, times como da Coréia, Japão, Rússia ou Alemanha, a confusão vai ser grande demais. Ele tem razão. Num país com dimensões continentais e uma população que, na maioria esmagadora, não sabe o que significa cruzar uma fronteira e muito mal fala português... Sei não.
Faço idéia do que pode ocorrer em localidades mais remotas como no Mato Grosso e no Amazonas. Não vai ser fácil.
Resta muito pouco tempo para preparar este país para o evento. Se houver dinheiro e competência a Copa do Mundo pode mudar a cara do Brasil. Vou torcer que isto aconteça. Se a coisa não se der em bons termos, adeus turista internacional... o risco é grande!

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Portal da Aparência.

Esta semana andei lembrando muito do meu finado pai, diante da onda de roubos escandalosos dos políticos brasileiros. Eu era garoto de tenra idade, mas muito atento aos comentários dos adultos, e recordo bem da revolta do velho com a roubalheira que se dava – menos divulgada, é verdade – nos vários níveis de governo do país. A coisa me parecia mais séria, para não dizer catastrófica, quando olhando para mim, ele previa um quadro sombrio e incerto para as gerações futuras. “Aonde este país vai parar e que futuro terão esses meninos?” Aquele dedo, apontando na minha direção, representava uma tremenda ameaça.
O tempo passou, as coisas não mudaram, caiu governo, os militares tomaram o comando da nação, eu cresci física e intelectualmente, meu pai continuava a esbravejar, defini meu caminho profissional e a incerteza persistia. Onde vamos parar? Eu mesmo perguntava aos meus botões.
Restaurou-se a democracia e aí, ciente do conceito desse tipo de governo, pensei que a coisa seria mais honesta e sabida por todos. Que nada! Veio o Plano Cruzado, o “descruzado”, planos em cada estação do ano, dos quais lembro bem de um tal de Plano Verão. Tem coisa mais prosaica do que isto? Foi uma roubalheira coletiva. Todo mundo foi ludibriado. Ainda hoje tento resgatar meu dinheirinho perdido, nessas brincadeiras de governar.
Quando Collor assumiu, prometendo seriedade, transparência e progresso, começou afanando meus trocados restantes e me deixou com míseros cruzeiros na conta bancária. Tudo pelo bem da Nação. Achando pouco “guardou” minha suada poupança, devolvendo muito tempo depois, aos poucos e sem o valor original. Eu quase morro de um colapso cardíaco. Por azar, eu havia vendido um imóvel para adquirir outro maior, já apalavrado e o dinheiro da venda foi parar no saco sem fundo do Governo. Nas mãos de PC Farias! Não pude esquecer as palavras do meu velho pai e foi inevitável deduzir que por aquele caminho elles iriam me aniquilar.
No Governo FHC, fui garfado com meu salário de funcionário publico congelado ao longo dos oito anos. Corri e me aposentei – por sorte – para trabalhar noutras frentes.
Mas, como mudanças ocorrem, assume o tido como Salvador da Pátria, Luis Inácio Lula da Silva. Não posso negar que alimentei alguma esperança, mesmo sem lhe haver dado meu voto. Pensei que, quem combatia, a vida inteira, a corrupção e os corruptos, tinha obrigação de implantar um Governo moralizado e honesto. Por essa cartilha não haveria espaço para roubos, Caixa 2, tocos, propinas e similares.
Para minha surpresa, estourou a “bomba” mais destrutiva de todas. Roubavam descaradamente e com uma avidez nunca vista. Falo do episódio do Mensalão. Quase morro de vergonha ao ver Lula dizer que isso era comum na política brasileira e que ele não sabia de nada. Na mesma época, causou espante – em nível internacional – a mais hilária das estratégias de roubo: o caso dos dólares na cueca do petista. Eu, por coincidência, estava na Itália e senti-me envergonhado, descobrindo que o assunto virou piada no mercado da palha de Florença. Encontrei um artesão brasileiro que cansado de não acreditar no Brasil, falido por conta dos planos mal sucedidos, produzia e vendia artigos de couro aos turistas na Itália. Quando tentei regatear o preço de uma peça, ele não teve dúvidas em me perguntar se eu não trazia alguns dólares na cueca. Levei na brincadeira, mas, cá pra nós, é lasca...
Atualmente, as coisas se multiplicam e se tornam corriqueiras. Coisa comum na vida brasileira. Tem dinheiro na cueca, nas meias, dentro das calças, nos panetones e onde couber, porque a grana, além de farta, corre fácil. Descaradamente se reúnem em círculos de orações para agradecer o roubo perfeito. Perderam completamente a noção de honestidade, vergonha e hombridade. Aqui no estado, andaram fazendo festejos de mentirinha e embolsando a grana. Meu pai tinha razão.
Nesse clima de perplexidade, ouvi na Hora do Brasil, propagandas e elogios ao tal de Portal da Transparência do Governo Federal, cujo objetivo é divulgar as contas dos Governos, evitando desvios e falcatruas com o dinheiro público. Promete ser o maior e o mais moderno instrumento contra a corrupção. Fui lá! Aparentemente é uma beleza. Mas, como entender tanta comilança, tantas propinas, tantos “pedágios” indecentes para aprovação e liberação de verbas?
Não acreditando no Portal, conclui que ele está mais para Portal da Aparência do que da Transparência. Ah! Meu pai! Que futuro posso garantir para os seus netos?

NOTA: Dessa vez não incluo fotos. As adequadas que encontrei são deprimentes. Melhor evitá-las