domingo, 21 de setembro de 2014

Pichação versus Grafite

Venho observando que cresce rapidamente a prática da grafitagem nas cidades brasileiras, a exemplo do que ocorre em muitos outros países. Já pude admirar, lá fora, verdadeiras obras de arte em paredões, laterais de edifícios, calçadas e monumentos, algumas, inclusive, com recursos de ilusão de ótica surpreendentes.
Aqui no Recife, onde vivo, este tipo de arte tem sido gradativamente permitida em vários setores da cidade em substituição às horrendas e arbitrárias pichações. A grande maioria é do tipo consentido pelos proprietários de imóveis, antes deteriorados devido à inevitável ação do tempo, que resultam valorizados pela arte dos grafiteiros.
Pesquisando sobre o assunto, descobri que por ignorância dos legisladores brasileiros, uma Lei de 1998 (Nº 9.605/98) punia qualquer tipo de pichação, grafite ou similares que impostos a edificações ou monumentos públicos. Considero ignorância porquanto colocava num mesmo pacote a pichação e o grafite, que são duas coisas distintas. Enquanto o primeiro tem caráter pernicioso, agride ao meio ambiente, em geral é ofensivo à sociedade ou parte desta, no final das contas, se constitui numa poluição visual das piores. São Paulo talvez seja a cidade mais prejudicada, no Brasil. Na região central da capital paulista é lastimável o que se verifica. O grafite, por seu turno, vem com mensagem bem estruturada, o autor ou autores são artistas plásticos com compromisso social, tem efeito decorativo, além de, em muitos casos, ser de caráter educativo. À vista do transeunte, o grafite exerce um indiscutível efeito que, muitas vezes, faz pausa na sua caminhada para admirar a obra de arte.
Foi o entendimento dessa distinção de naturezas que conduziu nossos legisladores a uma correção da ordem, classificando o grafite com o sendo uma ação lícita e bem vinda. Assim, a Lei Nº 12.408, de 2011, estabeleceu que o grafite fosse permitido no intuito de valorizar o patrimônio publico ou privado, carecendo do consentimento do proprietário ou das autoridades competentes quando responsáveis da preservação ou manutenção do patrimônio histórico e artístico nacional.
Resolvi, neste domingo, fazer uma caminhada fotográfica pelo Recife e registrar casos de pichações e grafites espalhados pela cidade.
Os temas dos grafites são dos mais variados e pude observar pinturas ingênuas, surrealistas, primitivistas, acadêmicas, entre outras. Conclui que há muita arte nesse domínio. Comenta-se que, dos grafiteiros, muitos bons pintores já surgiram. Ao mesmo tempo, que muitos pintores são excelentes grafiteiros.  
Dos pichadores é preferível nem comentar. Falaram-me que, na prática, são gangs que deixam mensagens estranhas, codificadas e indecifráveis para o grande publico. Alguns deixam recados ameaçadores. Disputam espaços, muitos até inusitados e de difícil acesso, além de se envolvem com o mundo das drogas. Conclusão: concreto desserviço à sociedade. 
As fotos a seguir são todas de grafites e pichações no Recife, sobretudo na zona central, inclusive no bairro histórico do Recife Antigo. Confira, a seguir, o resultado da minha andança.

 


Observe, na foto a seguir, que o pichador não respeitou, sequer, a placa indicativa da rua. Esta é apenas exemplo, porque existem muitas outras em igual situação.

 
Na foto a seguir veja que este outro pichador foi, não sei por onde, no alto do prédio e tacou sua marca. O imóvel que já estava deteriorado ficou bem pior. A lateral da Igreja Matriz da Madre de Deus, patrimônio secular da cidade está com inúmeras pichações. É uma praga! 
 
 
NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro.

 

5 comentários:

Susana González disse...

Aquí en México, como tu lo viste también es una plaga. El ex gobernador de la ciudad en el sexenio pasado, les abrió algunos lugares para que pudieran expresarse e hicieron muy buen graffiti, pero como tu dices lo que abunda es la otra parte, la de la agresión, la que llevan a cabo para hechas a perder aquellas cosas q son bonitas, o para molestar a la gente. Aquí esta penado, sin embargo me ha tocado ver a una banda de rufianes, pintar toda una calle, era ta fuerte la escena que no atine hablar a la policía. Otro día vi a uno sólo, q casa q veía sin pintar le ponía unas letras. Se q son pandillas q marcan su territorio. Me molesta mucho, porq siento que hay una gran falta de respeto.
Aunque hables de las elecciones, tema q no puedo opinar por falta de información, me encanta tus escritos pues me hacen pensar.
Susana González (Ciudad de Mexico)

Liliana Falangola disse...

Girley,
A "pichação" é uma coisa terrível no Recife.Pena que os não autorizados não levem um choque ao tocar nas paredes e nos muros...
Liliana Falangola

Ana Celi Ramos disse...

Girley,
Com todo respeito a esses pintores, mas gosto de ruas limpas, claras , iluminadas, arvores e aves. Esse tipo de pintura não combina com a minha personalidade!! Bjs primo estimado!!
Ana Celi

Paulo de Tarso de Moraes Souza disse...

Que pena que o comentário desta semana não seja sobre eleições...Teria mais dados inteligentes e bem colocados para entender melhor o momento atual que reputo grave,preocupante e vergonhoso para os cidadãos de bem.Mas vou dar uma olhada na matéria sobre pichações...
Paulo de Tarso de Moraes Souza

Cristina Henriques disse...

Girley: Eu sempre fui a favor de filmar o pichador,identificar e mandar ele mesmo limpar com excovão e água.Vai esfregar até sair,com uma tornozeleirinha,para ver o trabalho que dá.E depois repintar.Duvido que sobre um.Minha idéia inicial era limpar com a lingua.Mas repensei - não ia ficar um serviço completo pois a lingua se esfolaria.Quero eles no sol,dando duro.Como quem pintou e construiu.E fazer ele ler a história do lugar e valorizar a cidade que mora.