quarta-feira, 27 de julho de 2016

Rio Olímpico

Estive no fim de semana passado andando pelo Rio de Janeiro. Sim, a cidade continua linda. Meu propósito foi de caráter familiar, contudo, aproveitei para dar uma circulada por onde sempre acontece alguma coisa. Nem preciso dizer que o clima reinante é o de Olimpíadas. De bem ou por mal não se fala noutra coisa. Há um intenso frisson por todo lado. Lojas e ambulantes, hotéis, bares e restaurantes ofertam, em profusão, produtos e serviços alusivos ao evento. Já circulam muitos turistas e atletas que chegam para o período dos jogos. Também não preciso dizer como os comerciantes estão explorando os visitantes. Tudo a preços superiores aos praticados antes. E, o pior, que não voltarão aos valores anteriores. Mas, isto ocorre em qualquer lugar do mundo, tenho certeza. Pensando que o Rio vem de uma sequencia de grandes eventos – Jornada da Juventude Católica, Copa do Mundo e, agora, as Olimpíadas – imaginem a situação. Podem ser aumentos em cascata!
Duas coisas são realçadas nas conversas de botequins e rodas de conversas dos cariocas: as vantagens a serem legadas pelo evento e as expectativas quanto à realização dos jogos numa cidade famosa pela insegurança e eivada de problemas sociais urbanos.

Imagem do moderníssimo Museu do Amanhã (Foto obtida no Google Imagens)
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Sobre os legados, observei pessoalmente que algumas coisas serão definitivas. Andei pela região central, espaço portuário recuperado e melhor urbanizado, deparando-me com uma paisagem completamente renovada. O que antes era um local de pesada estrutura viária e imagem poluída, abriu-se um deslumbrante parque diante da baia da Guanabara, graças ao Projeto Rio Maravilha.A área dos museus – de Artes e do Amanhã – certamente vai, de agora por diante, encher a vista de todo e qualquer visitante.
A Avenida Rio Branco, que era uma artéria sufocante até pouco tempo,  ganhou um boulevard aos moldes das mais belas avenidas mundo afora. Além disso, um moderno meio de transporte, o VLT (Veiculo Leve sobre Trilhos), circula entre o Aeroporto Santos Dumont e a Rodoviária Grande Rio e os BRT (como os que circulam no Recife) para sentidos mais afastados, imprimindo uma visão comparável às cidades mais importantes no exterior.
Imagem do moderno bonde VLT no Rio (Foto obtida no Google Imagens)
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Outra imagem do VLT do Rio (Foto obtida no Google Imagens)
O Metrô também foi atualizado e já oferece trens mais modernos e confortáveis, incluindo uma linha estendida até o distante bairro da Barra da Tijuca, com o objetivo de encurtar o caminho para quem deseja chegar à Vila Olímpica. Ora, em tempos de crise, e tantas dificuldades políticas, indiscutivelmente, são legados positivos.
Já sobre as questões da situação sanitária e da segurança urbana, a conversa é outra. Primeiro foi a praga do aedes- aegypt, transmissor dos abomináveis vírus da dengue, zica e chikungunya, que aparentemente está controlada devido ao fim do verão e agora as negativas expectativas com a possibilidade de atentados terroristas, a exemplo dos ocorridos recentemente na França e noutros locais do mundo, orquestrados pelo Estado Islâmico (ISIS). Providências severas estão sendo adotadas, mas, as pessoas não se sentem seguras. Pudera, cada dia um novo episódio estoura em algum lugar. Vale lembrar que atentados já foram registrados em Olimpíadas, sendo o mais citado aquele de Munique (Alemanha) nos jogos de 1972 (*)
Uma coisa é verdade: o Brasil, notadamente o Rio de Janeiro, nunca esteve em tanta evidencia na mídia mundial, seja pela instabilidade política, a insegurança urbana ou o fracasso econômico dos últimos anos e, para completar, a oportunidade das Olimpíadas. Lástima que os noticiários internacionais não deixam de destacar mais tudo que de negativo deponha contra o país e principalmente o Rio. Em alguns casos as publicações geram charges e piadas de mau gosto que poderão repercutir por longo tempo. Recentemente circulou nas redes sociais um vídeo em que um apresentador norte-americano, um tal de Stephen Colbert, no seu programa Late Show, fez um comentário arrasador sobre o Brasil e suas dificuldades em realizar a Olimpíada. Coisa revoltante, mas que tivemos de engolir.
Agora, algumas delegações resolveram protestar sobre defeitos na Vila Olímpica alegando más instalações e insalubridade, embora que tudo construído conforme as recomendações do Comitê Olímpico Internacional. Claro, tudo muito recente e apresentando falhas de acabamento e isto pode justificar. Vejo nisso a falta de controle de qualidade das construtoras contratadas. Mas, pode ocorrer em qualquer lugar do mundo. Ajustes são feitos e tudo se resolve. Já estão resolvendo.
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Vila Olímpica do Rio (Foto obtida no Google Imagens)
Neste ambiente descrito, acredito que tivemos um grande prejuízo, neste período pré Olimpíadas, devido às turbulências políticas e dificuldades econômicas pelas quais fomos obrigados a trilhar. Afinal, o mundo não pode afiançar um Estado falido realizando um evento da envergadura de uma Olimpíada. Melhor que não tivéssemos assumido esse compromisso tão custoso. Aí, sim, estaríamos mais preservados e cuidando da vidinha doméstica. Penso que foi imprevidência do ex-Presidente Lula e suas megalomanias.  
Mas, agora é tarde. As Olimpíadas estão chegando e o que nos resta é torcer para que tudo dê certo. Por sinal, comparo essa expectativa àquela que antecedeu ao Campeonato Mundial de Futebol, somente dissipada quando o brilho e a empolgação da disputa esportiva sobrepujou o espírito de pessimismo que rondou a maioria das cabeças da sociedade, inclusive a minha.
Apesar dos pesares, o Rio continua lindo, virou Cidade Olímpica e futuramente vai se impor, ainda mais, depois desses jogos. Quem viver, verá.

(*) No dia 5 de setembro daquele ano, oito membros do grupo terrorista palestino "Setembro Negro" invadiram a área destinada aos israelenses e fizeram um grupo de atletas reféns. Por mais de 20 horas, os esportistas foram torturados e eram obrigados a acompanhar a violência contra seus companheiros de quarto.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Circulando em Portugal

Cartão Postal da Universidade de Coimbra. Patio Central.
...aí, resolvemos deixar o carro ( locado em Lisboa) na garagem do hotel e chamamos um taxi. Com um motorista local seria mais fácil alcançar, a tempo, os pontos mais importantes a visitar em Coimbra. Veio, então, José Fidalgo, dirigindo uma Mercedes Benz meio rodada e que nos conduziu por onde desejávamos circular, culminando com uma parada no célebre pátio da Universidade mais tradicional de Portugal.
Após fotos aqui e acolá, com as poses que se tem direito, manifestamos o desejo de comer um bom leitão à bairrada (coisa parecida com o pururuca dos mineiros) muito popular nos arredores de Coimbra. Sair daquelas bandas sem saborear esta especialidade da cozinha local é o mesmo que não passar por lá. Nosso chofer fidalgo, no nome e no trato, empolgou-se e saiu estrada afora na busca de um determinado e famoso restaurante, desmanchando-se em salamaleques.  Rodamos mais do que o que desejávamos escutando as histórias daquele falante patrício. Às vezes coisas incompreensíveis, dado ao fato de que o sotaque do norte português é mais enrrrrolado do que noutras bandas. De fato, fomos levados a uma casa aonde turista seguramente não chega. Comemos como príncipes. Êiiiita, leitãozinho gostoso... Com o vinho da casa! Sem sentimento de culpa ou medo de cometer o pecado da gula, deixamos somente os ossinhos. Voltamos ao hotel com sono, mas, “batendo papo” com o leitãozinho. Uma vontade de voltar... Vide foto, a seguir, do nosso jantar. Nome do restaurante? Albatroz. Local exato: Fornos, à margem da rodovia IC2. Uma casa portuguesa, com certeza. Dormimos como nunca naquela noite.
Nosso leitão à moda da Bairrada
Dia seguinte, pé na estrada, digo, carro na estrada, e depois d´uma hora entramos na Cidade do Porto, que é sempre bom visitar. Diferentemente de Lisboa, a Metrópole, o Porto (Oporto) tem um ar mais europeu. Ali, foi onde as raízes portuguesas foram fincadas. Foi o Porto que deu o nome a Portugal, desde o ano 200 AC, quando se designava de Portus Cale, mais tarde capital do Condado Portucalense, de onde surgiu Portugal.
Banhada pelo rio Douro, que lhe confere um especial clima, a cidade é famosa pela sua produção vinícola, sendo o apreciado vinho do Porto sua maior expressão. Além disso, a cidade ostenta um dos mais famosos conjuntos arquitetônicos e históricos do país, regiamente preservados. Um passeio pelo centro histórico e, em particular, pela Ribeira do Douro é algo inesquecível para qualquer visitante. Não é à toa que por lá circulem verdadeiras “enxames” de turistas, sobretudo nessa época de alta estação, a busca de admirar aquele conjunto de históricos palácios e casas seculares. Como se fosse pouco, em meio a essas belas construções, o visitante pode fazer uma pausa refrescante, nas lojinhas de artesanatos, bares e restaurantes ali postos. Haja prazer.
Ponte Luis I, Cartão Postal da Cidade do Porto
Agora, pausa boa também é embarcar num dos antigos barquinhos que antes transportavam os tonéis de vinho para expedições aos mercados consumidores e que hoje servem de deleite aos turistas em minicruzeiros pelo rio.  Jamais perdemos essa chance. Apreciar a cidade desde uma dessas embarcações é divisar a cidade por uma perspectiva distinta e privilegiada. E, tem mais, se o barco partir da Ribeira da Vila Nova de Gaia, na margem oposta do rio, defronte do Porto, é ainda melhor. Antes do passeio fluvial, vale à pena “bater pernas” por aquela ribeira e curtir muito os bares e restaurantes locais (comer um chouriço flambado na chama da bagaceira com vinho da casa, na calçada da Taberninha do Manel é uma grande pedida) e visitar uma das inúmeras Caves de Vinho do Porto. Cuidado para não sair bêbado. E se beber não dirija. A coisa lá é também rigorosa.

A Dolce Vita às margens do Douro, na Vila Nova de Gaia 
Temos a sorte de contar com amigos no Porto e que nos acolhem com prazer. Graças a eles visitamos lugares seletos e fora do circuito turístico. Inêz  e Carlos Mota – ela pernambucana, amiga de infância, ele português – nos receberam de modo gentilíssimo. Somos gratos pelo chá das cinco na tradicional Confeitaria Majestic, eleita uma das dez mais belas do Mundo, no coração da vibrante Rua Santa Catarina e, em seguida, bem perto, visitarmos o Grande Hotel do Porto, no qual a Família Real Brasileira se hospedou, quando banidos do Brasil, em 1899. Aliás, lá mesmo faleceu a Imperatriz Thereza Christina de Bourbon, consorte de D. Pedro II do Brasil, em 28/12/1889. Ou seja, logo após o inicio do exílio. Sei não, mas, pode ter sido de depressão, que à época devia ser denominada de tristeza, pela perda da boa vida nos trópicos cariocas...  O Hotel se orgulha dessa passagem e mantém no seu grande salão as fotos da passagem da Família Real de Pindorama. Em seguida, os amigos Carlos e Inez nos levaram ao Café e Restaurante O Guarany, numa das esquinas da Avenida dos Aliados e em frente a uma grande Praça, onde D. Pedro IV (Pedro I do Brasil) pontifica numa estátua monumental, montado num belo alazão e voltado para seu querido Brasil. No Guarany, além de bom vinho, saboreia-se, entre outras delícias, uma especialidade local denominada de Francesinha. É uma versão lusitana do famoso Croque-Monsieur parisiense. Tudo isto, apreciando um recital de fados, ao autentico estilo do país. Uma beleza. Cantamos juntos a famosa canção “uma casa portuguesa, com certeza”. E isto, meu Deus, não tem preço. Nem com Mastercard!
Mas, nossos amigos acharam pouco e, noite seguinte, nos levaram para comer um bacalhau à moda local e num restaurante, também, fora do circuito turístico. Fomos ao Ponte do Freixo, no qual fomos recebidos com especiais atenções dados nossos cicerones. Ninguém me pergunte o endereço. O local é remoto até para os locais, creio eu. Mas, a comida... É de comer ajoelhado agradecendo ao Santo Antonio e a Nossa Senhora de Fátima. Viva Portugal. Voltaremos, viu?

Quer saber mais sobre esta viagem, acesse o canal de Youtube de Tico Brazileiro, meu filho, clicando: https://www.youtube.com/user/ticoso

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro               


domingo, 10 de julho de 2016

VIVER PORTUGAL

Digo sempre que, por razões logísticas e sentimentais, Portugal é parada obrigatória para nós pernambucanos, quando nos dirigimos à Europa. Penso, também, que ao desembarcar em terras lusitanas é como adentrar num belo e aconchegante jardim debruçado sobre o Atlântico e que serve de portal do Velho Mundo. Na entrada ou na despedida daquele Continente, viver Portugal é como mergulhar num relaxante balsamo de tranquilidade. Sua gente hospitaleira, o carinho que dispensam aos irmãos brasileiros, a rica gastronomia e a vida cultural que, inclusive, nos faz entender melhor as raízes dos nossos costumes e jeito de ser, valem por tudo em cada visita que se faz. Sou um apaixonado por aquele pedaço da Europa e folgo por conhecê-lo e visitá-lo sempre que possível, como fiz em junho passado.
Vista da Praça Dom Pedro IV que foi nosso Pedro I mais conhecida como Praça do Rossio.
Junho é tempo de festas para os portugueses. Começa em Lisboa nas comemorações do dia Santo Antonio e se prolonga pelo São João no Norte do país, concentrados no Porto ou em Braga, até o final do mês. O primeiro sinal dos festejos começa pelo assar das sardinhas em braseiros espalhados pelas cidades. Foto abaixo. 
Olha aí o portuga dando trato às sardinhas
Não tem preço degustar uma sardinha assada com um bom vinho branco nacional, em plena Avenida da Liberdade, na noite de 12 para 13 de junho. Dá vontade de não sair mais dali. Sobretudo vendo rolar os desfiles de grupos folclóricos que partindo da rotunda do Marques de Pombal bailam até a Praça do Rossio. A noite é curta para os irmãos portugas que não se cansam de afirmam que “vão dançar nas ruas até que seja dia” numa forma bem lusitana de dizer que vão “cair na folia até o amanhecer”. Essa noite de festa é como um carnaval para eles. Além de festejar Santo Antonio, o padroeiro, é também a festa do Dia Nacional que é oficialmente 10 de Junho.
Viver Portugal, em minha opinião, é viver um tempo sempre bom. O clima do país, a brisa do mar e dos rios caudalosos – como o Tejo e o Douro – transformam aquilo num verdadeiro paraíso, o ano inteiro, numa Europa nem sempre tranquila. Aliás, nessa última passagem por lá, tomei conhecimento de que se trata de um dos cinco países mais seguros do mundo atual. Sem dúvidas uma grande vantagem.
Rapazes e raparigas concentrados na espera de entrar na Avenida
para o Grande Desfile de 12 de Junho
Falando de Lisboa, nesse junho passado, tenho que destacar as festas em homenagem ao Santo Antonio, que para eles é Antonio de Lisboa, lugar onde ele nasceu. Faleceu em Pádua, pois lá vivia quando da sua morte, aos 36 anos de idade, em 13 de junho de 1231. Venerado pelos seus patrícios, arrasta multidões até sua Igreja na subida da Alfama (bairro central de Lisboa) que no final de cada 13 de junho acompanham sua imagem em procissão. Ver foto abaixo. Bom, sou devoto deste Santo e trago seu nome no meu registro de nascimento. Foi uma promessa da minha mãe, na hora do parto. Também meu filho tem o mesmo nome, noutra homenagem. Fomos a Lisboa no ultimo 13 de junho para receber bençãos e reverenciar o padrinho por graças alcançadas.
Imagem de Santo Antonio na procissão do dia 13 e duas fotos icones de Lisboa:
a Torre de Belem e a Rotunda do Marques de Pombal

Lisboa em três tempos: o velho e romântico bondinho que circula na cidade antiga,
os pasteis de Belém e a venda do manjerico nessas festas juninas.
Percorrer as ruas e avenidas de Lisboa, no casco antigo ou nos lados modernos, é sempre muito prazeroso, situação que se amplia graças às muitas tentações gastronômicas oferecidas e das quais não há quem se livre.
Como sair de Portugal sem comer um bom bacalhau? Impossível! Isto sem falar no leitão da Região de Coimbra, numa cataplana de frutos do mar na Beira do Tejo, ou num chouriço flambado na aguardente bagaceira às margens do Douro na Vila Nova de Gaia. No fim de cada uma dessas orgias gastronômicas um bom Pastel de Nata é praticamente obrigatório. E se for o de Belém, tanto melhor. Quando cansado dos pasteis de nata a solução é partir para uma porção de toucinho do céu, da baba de camelo ou alguns ovos moles do Aveiro. Tudo à base de gema de ovo. Pense nessa dose de colesterol!  Mas chega de comida...
Uma bela cataplana de Frutos do mar que
saboreamos em Cascais
Saindo de Lisboa, inúmeras são as opções de interesse turístico. Destaco os balneários do Estoril e de Cacais. Nada muito extraordinário historicamente falando, mas, sem dúvidas bons locais para se visitar e onde se pode comer bem. São cidades gêmeas e próximas a Lisboa.
Mais distante e no sentido Norte, uma visita indispensável é ao Santuário de Fátima, onde a cristandade se encontra em veneração à Virgem Maria e onde também estivemos para, como bons crentes, louvar e agradecer à Mãe de Fátima as graças alcançadas. É um lugar com especial energia, dada a fé e a devoção de um mundo de fiéis que ali se reúnem diariamente. O silencio daquela esplanada diante da Basílica é um convite imediato para reflexões e propósitos espirituais.
Portugal é assim: fé, turismo, bons ventos, gente amiga e, para nós brasileiros, uma espécie de encontro com as raízes culturais. Não me canso de viver esse estado de espírito luso. Na próxima edição vou falar mais de Portugal. O Porto que me aguarde...


 NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro.

Quer saber mais sobre esta viagem, acesse o canal de Youtube de Tico Brazileiro, meu filho, clicando: https://www.youtube.com/user/ticoso


domingo, 3 de julho de 2016

No Reino da Holanda

A Holanda, por onde andei recentemente, é um país institucionalmente jovem, criado em 1806 por Napoleão, no auge do seu poder imperial, no lugar da antiga República Batava, dentro dos chamados Países Baixos. É uma Monarquia Constitucional e teve como primeiro soberano o Rei Luís I, irmão de Napoleão, que não sendo fiel ao irmão mostrou-se, sobretudo, muito simpático aos holandeses, contrariando as ambições do Imperador francês.  Foi um capítulo da história daquele país que chegou ao fim com o do próprio Império Napoleônico. Encerrado o período napoleônico, os membros da antiga Casa de Orange-Nassau, existente desde o Século VIII, tomaram o poder do país e por lá reinam até hoje. Em 2013 a Rainha Beatriz decidiu abdicar em favor do Príncipe herdeiro, Willem-Alexander, que assumiu o trono em 13 de abril de 2013, junto com a Princesa, hoje Rainha, Máxima Zorreguieta, de origem argentina. O país tem um Primeiro Ministro e tudo mais que se exige para governar a Nação. Essas são características institucionais daquele pedaço europeu no qual passei alguns dias nesse junho passado.
À parte das belezas naturais sobre as quais falei na semana passada, é importante destacar a riqueza cultural holandesa, tema do post de hoje.
Uma visita à Amsterdam é a chance de se visitar dois dos mais importantes museus da Europa: Rijksmuseum e Van Gogh. O primeiro dedicado às artes e à História holandesa, com monumental galeria dos pintores flamencos. Ideal é visitá-lo com um bom tempo e preparar-se para um completo mergulho na história do país. Já o segundo especialmente voltado a expor as obras do magnífico pintor holandês, Van Gogh (1853-90) que morreu ainda jovem, sem nem imaginar o sucesso que faria na posteridade.
Meu filho com um Clone de Van Gogh, diante do Museu.

A Holanda é pródiga em gênios da pintura a exemplos de Rembrandt (1606-69) ou Vermeer (1632-75), verdadeiros mestres da Escola Flamenca, com obras expostas no Rijksmuseum. Destaco entre essas, a famosa Ronda Noturna, de Rembrandt, uma obra que lhe tomou dois anos de trabalho (1640-42) e é até hoje consagrada como a máxima composição exposta em Amsterdam. Vide foto a seguir. De Vermeer, meu destaque é para A Leiteira, um quadro de 1658, cuja foto mostro, também, em seguida.
A Ronda Noturna (Rembrandt)

A Leiteira (Vermeer)
Vibrei muito mostrando essas maravilhas ao meu filho mais moço, quase sempre muito alheio a essas coisas, mas, começando a apurar o gosto em visitando museus e nessa sua primeira visita à Holanda.
Afora estes dois museus, na mesma Amsterdam, outras atrações culturais são encontradas, como a Casa de Anne Frank, sombria, como foi a vida daquela garota, e o modernoso museu da Heineken Cervejaria. Este último é um festival de história da famosa cervejaria, de onde meu jovem filho nem queria sair.
Amsterdam é uma cidade estonteante para os jovens. O movimentado centro antigo da cidade é um verdadeiro frenesi. O grande movimento nos bares, restaurantes, boates, praças e parques garantem a existência de uma eterna festa dia e noite. E, tudo isso, encravado na rede de canais com movimento de barcos e lanchas numa autêntica Dolce Vita. Amsterdam, inclusive, é chamada de Veneza do Norte. 
Vista parcial do chamado Anel de Canais que data do século XVII
Ora, não tem moço ou velho que não se encante por um ambiente desses. Um detalhe disso tudo, porém, é preocupante (pelo menos para nós mais “quadrados”) por conta do liberalismo excessivo e isto faz a cabeça dos jovens por, ao que parece, coincidir com os desejos juvenis, muitas vezes pueris. Pessoalmente faço restrições a esse clima de excessiva liberdade. Acho que mais adiante pode ser muito prejudicial. O fato de ser a maconha liberada já pode dar uma ideia de tudo. É de forma tal que, mesmo sem querer, o visitante percebe, com pouco tempo, que termina inalando a erva que é vista no “bico” de milhares de pessoas. Moços e velhos se entregam ao consumo sem medo e sem restrições. Mais do que fumar são consumidos bolos, balas, chocolates, drinques da maconha e haxixe, além de servirem como matéria prima para sabonetes, dentifrícios, xampus, entre outros produtos.
Restaurante a céu aberto, nesses tempos de primavera-verão 
E tem outra coisa: impossível sair de Amsterdam sem visitar o Bairro da Luz Vermelha, onde justamente impera a gandaia. Fiquei somente observando as reações do meu jovem filho diante das vitrines de “venda” dos corpos das prostitutas mais desinibidas do planeta. As primeiras impressões para um novo visitante é sempre muito surpreendente. Quando, porém, entende do “brocado” da área, o sujeito chega a ficar perplexo com a capacidade das exibidas mulheres. Brancas, negras, orientais, mulata brasileira (com direito a se enrolar na bandeira do Brasil), gordas (enormes), magras, altas, baixinhas...feias, lindinhas... Tem pra todo gosto de freguês. E, pelo visto, o mercado é um sucesso. Vide foto a seguir.
Foto colhida no Google Imagens. Ao turista é proibido fotografar

Mas isto aí é um detalhe à parte de um país de belíssima paisagem, rica gastronomia, flores e frutos exuberantes e um povo extremamente gentil. Há uma elegância natural do motorista de táxi ao recepcionista do Hotel. Ordem e disciplina no transito de dar inveja a qualquer brasileiro.
Salve o Reino de William e Máxima! Um dia voltaremos a revê-lo.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro, com exceção da vitrine do Red Light District que foi obtida no Google Imagens.