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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Sociedade Doente

Quando jovem não fui muito chegado ao futebol. Minhas simpatias eram mais voltadas ao basquete ou ao voleibol. Não os praticava é verdade, porém, sempre estava nas arquibancadas, fossem no Colégio ou nas quadras da cidade. Nos jogos colegiais era uma diversão imperdível. Acredito que foi a Copa do Mundo de 1970 que mais me aproximou da modalidade. Aquilo foi decisivo para me fazer torcedor exaltado e, por fim, admirador. Cheguei, mesmo, logo após a Copa e estando de férias no Rio, ir ao Maracanã assistir ao amistoso das seleções do Brasil e do México, numa espécie de jogo da amizade e de agradecimento do Brasil aos mexicanos pelo apoio dado durante o campeonato mundial. Ver de perto nossos “heróis” dos gramados foi o máximo da minha nova “paixão”. Meu distanciamento anterior devia-se aos preconceitos dos meus pais que consideravam o futebol um esporte praticado por maloqueiros. “Menino de família admira outra modalidade esportaiva que não essa!". Era o discurso doméstico.
Foi preciso o Brasil ser tricampeão para que me desse conta da leseira. Ainda assim, continuei sem frequentar os estadios ou campos para assistir a uma partida de futebol. Acontece que tudo tem seu tempo... e, quem tem filho faz de tudo pela alegria do pequeno. Meu filho de 13 anos fez-me embarcar nessa vibe. Sim, porque ou ele ameaçava ir ao campo de todo jeito. Com minha negativa inicial, ele me apresentou a estratégia de ir com os colegas de Colégio. “Ah. Não. Eu levo você!” disparei na hora. Lá fui eu à Ilha do Retiro e torcer pelo Sport, junto com ele e os colegas. Fui contagiado pela alegria do filhote e da multidão em campo. Quanta energia, quanto colorido, quanta alegria. Como num passe de mágica, virou paixão! Mas, é uma historia longa, que passa por vários momentos deliciosos, incluindo duas oportunidades de acompanhar o time do Sport Clube do Recife nas participações de jogos internacionais. Fomos ao Chile (Copa Libertadores) e à Colômbia (Sulamericana). Já pensou? Hoje, não perco por nada de assistir aos jogos do meu time na TV. Sim, porque já não preciso mais acompanhar o menino de antes aos estádios da vida. Prefiro meu sofá, acompanhado de um whiskey on the rocks. Acontece, porém, que essa história está ficando muito longa e a pauta de hoje não passa por ai. desse modo, estou querendo comentar e lamentar as badernas e luta campal, das torcidas organizadas do Sport e do Santa Cruz, levadas a cabo no último sábado (01/02/25), antecedendo uma partida entre os dois clubes, no estádio do Arruda. Sempre entendi e sempre pensarei que o verdadeiro futebol é uma das mais salutares e apaixonantes formas de diversão e lazer. Popular no mundo inteiro. No Brasil, faz parte da cultura. Está na alma do nosso povo. É motivo de alegria, de meio de vida, de profissionalismo, de negócio e de, enfim, fraternidade. Infelizmente, como se sabe, há sempre os tais “pontos fora da curva”. Sendo uma prática tão popular é inevitável que representantes de todas as camadas sociais participem mediante seus modos de vida, nivel esducacional, origens, hábitos e defeitos. Aquilo que assistimos no sábado passado, aqui no Recife, ultrapassou todos os limites da maldade e da crueldade humanas. Seria um bom exemplo do que alguns cientistas denominam de degenerescência eugênica? Não consigo entender como hordas (bandos indisciplinados, malfazejos, provocando desordens, brigas etc.) que se dizem torcedores organizados, com apoio das agremiações, com formalização oficial (as organizadas têm CNPJs, inclusive! Devem ter contadores, tesoureiros e dirigentes dos mais diversos e, supostamente, comunicadores sociais. Em tempos de redes sociais, a coisa ganha dimensões inimagináveis para “pobres coitados, que nem eu”! Foi assim, conforme noticiado que as “organizadas” acertaram o confronto armado que empreenderam nas ruas do bairro da Madalena. Verdadeira guerra. Imagens divulgadas, ao vivo e pelas redes, resultou em polvorosa meio mundo, na cidade e alhures. A repercussão foi nacional e internacional. Meu filho (aquele jovem que me referi no inicio) morando hoje em Goiás, tomou-se de pavor e começou a nos monitorar, por celular, visto que estávamos de regresso do litoral sul (Porto de Galinhas) naquela infausta ocasião. O “campo de batalha” era justo numa das nossas opções de percurso. As noticias eram das mais assustadoras. Uma guerra civil! A mente humana é pródiga em fabular. Não deu outra. As noticias eram das mais alarmantes. Números de mortos e feridos ganharam cifras espantosas. Imagens eram inacreditáveis. Em alguns momentos imaginei que fossem montagens por aplicativo de IA. Na verdade e lamentavelmente coisas absurdas (recordem o verdadeiro conceito de absurdo, meus caros leitores) foram puras realidades. A cidade parou. As famílias recolheram-se e os negócios fecharam. Os restaurantes ficaram sem clientes. As autoridades locais, apanhadas de surpresa, montaram um gabinete de crise “para salvar a cidade”. A policia foi incapaz e conter os ânimos acirrados. A região parecia exalar um cheiro de medo coletivo. Sinceramente, não compreendo como podem alimentar tanto ódio. O linchamento do presidente da organizada do Sport Club Recife foi, sem dúvidas, um dos fatos mais chocantes. O cidadão foi despido, açoitado com objetos dos mais diversos e, por fim, agredido pelo ânus, aparentemente com um caibro de madeira, gerando um imagem inacreditável ao serem difundidas, pelas redes sociais. Em paralelo, as medidas emergenciais adotadas, pela Senhora Governadora e seus secretários competentes, são enérgicas, embora injustas para o torcedor honrado e honesto. Ficou definido que os próximos jogos dos dois times em tela ocorrerão sem torcidas. Ora, meu Deus, os merecedores de condenação são esses maloqueiros – a grande maioria com entradas registradas na policia e vários condenados pela Justiça, poradores inclusive de tornozeleiras – que fazem do futebol uma “cortina de fumaça” para expandir seus instintos selvagens, suas frustações e seus desajustes sociais. Resumo da ópera: muitos feridos e 12 em estados graves. Alguns ainda em recuperação hospitalar, até hoje. E, para alivio da sociedade, inúmeros irresponsáveis presos ou procurados, dadas suas respectivas fichas policiais. Aos Clubes, uma determinação legal dando curto prazo para que cessem os apoios dessas (des)organizações, pelo visto, criminosas. Nunca me lembrei tanto do meu pai, quando classificava de maloqueiros os frequentadores de estádios de futebol. Ele era torcedor do Santa Cruz. Na minha visão de hoje, considero que faltam Governos fortes neste país e neste estado, que enxerguem esses desmandos e adotem politicas consistentes que proporcionem saúde, educação e segurança efetivas para garantir ao povo um futuro digno e estruturante de uma sociedade sadia e promissora porque esta aí está gravemente doente. Que construam um mundo no qual o Futebol seja um motivo de união e pura diversão. Pronto, falei. NOTA: foto ilustração do aquivo pessoal do Blogueiro. Jogo no Chile.

sábado, 1 de maio de 2021

Roda de Conversas

É praticamente impossível montar uma roda de conversas, atualmente, e escapar do tema da pandemia. Nada mais atual. Até mesmo pela dinâmica dolorosa da situação no Brasil e no Mundo. Não há quem possa dizer que sua família, ou circulo de amizades, esteja livre da peste desgraçada. Lágrimas e lamentos são bem comuns. E o que mais ocorre é que, quase sempre, o desenrolar da conversa descamba para o lado politico-ideológico. O que falta e o que houve de errado na condução de administração da crise sanitária que vem se revelando, sem trégua, elástica, resistente e capaz e se rebater sobre todas as áreas de atividades sociais e econômicas. Embora que as divergências politicas sejam constantes – o Brasil é um país dividido ideologicamente – uma coisa é quase certa entre os convivas: melhor seria se houvesse uma coalizão entre as correntes político-partidárias em torno do objetivo comum de salvar a Nação brasileira do pior. Ou seja, um objetivo de Estado e não de politicagem barata que somente visa à conquista do poder. E, neste ponto, cabe a pergunta: do que vale o poder sobre uma sociedade falida, dizimada e sem perspectiva de progresso? O fascínio do poder corrompe até o politico mais bem intencionado.
Entre outras abordagens das conversas há sempre um que defende o máximo rigor no chamado distanciamento social. Ora, pedir o distanciamento é fácil. Pode mesmo mitigar o problema. Contudo, inegavelmente, tem seus limites. Uma sociedade culturalmente pobre e com baixos níveis de educação e cidadania não assimila uma ordem de tamanha natureza. Ao contrário, grande parcela, chega a se opor e desobedecer às regras de convivências adequadas ao momento exercendo o costumeiro e impertinente papel de cidadão voluntarioso, opositor por natureza e desobediente de raiz. Se o assunto lockdown entra na pauta a situação divide o grupo de forma radical. A titulo de contribuição arrisco, cautelosamente, algumas considerações insofismáveis: há uma imensa diferença entre decretar um lockdown no Brasil e noutro país qualquer. Na Suíça, por exemplo, as razões são inúmeras a começar comparando as extensões dos dois países: enquanto o Brasil tem 8,5 Milhões de Km². a Suíça tem um pouco mais de 42,0 Mil Km². Bom, mas fazer esta comparação pode se constituir numa quase covardia. Tudo bem. Vamos para outro indicador mais conveniente para o caso: a população suíça é de apenas 8,5 Milhão de habitantes. Um número irrisório comparado com o do Brasil. Por curiosidade lembro que essa população suíça corresponde à metade da população da cidade de São Paulo, no Brasil, uma das localidades mais fustigadas pela Covid-19. Aliás, a metrópole paulista tem população superior a muitos outros países. O vizinho Chile, por exemplo. Pode ser curioso, mas é a verdade que poucos sabem. Claro que é muito mais fácil controlar 8,5 Milhões do que 210 Milhões pessoas. Isto sem falar de estruturas culturais, educacionais e de infraestrutura. Fica para que o leitor ou leitora faça sua ideia. Com tantas e profundas diferenças sociocultural e econômica uma operação dessas, no meu entender, tenderia ao fracasso. Realisticamente, acredito que nenhum governador ou prefeito tenha coragem de acioná-la no respectivo âmbito jurisdicional. Além da inviabilidade, o desgaste politico os inibe de tomar essa decisão, optando pelos viáveis distanciamentos sociais, proibindo funcionamento de atividades supérfluas e permitindo, apenas, as de primeiras necessidades. É difícil administrar essa parada. Afunilando a visão fico questionando como seria administrar um lockdown nas franjas suburbanas das grandes metrópoles do país. Seu Tonho (nome fictício), com uma bodega num bairro da periferia do Recife, sem saber ler ou escrever, passaria batido numa operação dessa natureza e somente estaria interessado em vender seus mangaios (foto a seguir) para os quais, aliás, não faltariam compradores. “Ôxente, lockdown? Que danado é isso?” Seria uma provável reação de vários Tonhos, Brasil afora. Enfim, não haveria policiamento necessário para fazer cumprir a ordem decretada. Que eu saiba, não existe mangaeiros na Suíça.
A moral desta história reside numa coisa mais do que sabida: falta de educação de base e formação cívica da massa populacional brasileira. Os limitados investimentos neste setor social, ao longo de décadas, vem cobrar, agora, resultados positivos, de modo cruel e muito efetivo. A verdade para final de conversa é que o país que não educa adequadamente seu povo está fadado ao subdesenvolvimento e à pobreza. É disso que nós brasileiros padecemos. NOTA: As fotos ilustrativas foram obtidas no Google Imagens.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Fama Maldita

O mundo desabando com a epidemia do Coronavírus, os árabes se “engalfiando” com os russos, barril de petróleo em baixa, mercados de ações afundando ao redor do planeta e os brasileiros firmes e fortes gerando piadas de mau gosto para divertir multidões aqui e alhures. Um exemplo de uma “brasileirada” sem explicação lógica, até agora, é a trapalhada que vem sendo protagonizada pelo ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, no Paraguai. Além de insólita o cara deu mais uma infeliz contribuição para consolidar a má fama internacional do brasileiro. Resulta que terminou dividindo manchetes mundiais com a Covid-19. Uma pergunta que não cala e que ronda a cabeça de qualquer cidadão de bom senso: como um sujeito – estrela mundial do futebol e melhor jogador do mundo por duas vezes  – sobejamente conhecido como um craque brasileiro resolve desembarcar em Assunção com um passaporte paraguaio adulterado e ter o desplante de tentar entrar no país gozando dos privilégios de cidadão naturalizado? Tenha paciência! É subestimar a inteligência de qualquer um. Burrice combinada com ousadia. Fica subentendido que algo muito duvidoso deve estar por trás desse infeliz comportamento e as autoridades paraguaias não vão deixar passar em branco. Bom lembrar que os paraguaios alimentam uma rixa histórica com os brasileiros desde a Guerra do Paraguai (1864-70), da qual saíram derrotados. Ainda hoje nossos vizinhos envidam esforços para demonstrar seriedade e rigidez nas coisas relativas ao Brasil. Creio que o nosso craque dos gramados abusou e está passando por amargos momentos numa prisão de segurança máxima guarani. Sem dúvidas, um triste fim para uma brilhante carreira profissional. Bem, indiscutivelmente, a verdade vai aparecer logo mais. Tem que haver uma explicação mais verosímil.

Cobrindo as algemas e sendo levado para a prisão. Vergonha.
Mas, retomando o mote-titulo deste post, Maldita Fama, ocorre-me lembrar de episódios que vivenciei em algumas oportunidades, algumas bem recentes, pela simples condição de ser cidadão brasileiro. Há poucos anos, na Cidade do Panamá, um motorista de taxi quando descobriu minha nacionalidade foi logo perguntando se eu era da Odebrecht. Curioso, perguntei o motivo da pergunta. Como resposta ouvi um relato inicialmente ameno e seguido de um debulhar de acusações rígidas sobre o comportamento da Empresa brasileira e, sobretudo, dos seus representantes naquele país. Lamentando a fama, fiquei constrangido ao fim da viagem.
Pior, contudo, foi o episódio numa corrida de taxi em Nova York. Essa foi danada. Acompanhado da minha família (esposa, filhos e nora) ao sermos identificados como brasileiros o taxi driver, sem qualquer cerimônia, explodiu numa incrível manifestação de desprezo ao Brasil e aos brasileiros. Anarquizou com nosso país, com o governo - estávamos em pleno auge das trapalhadas do governo Dilma - e não poupou-nos de ácidas criticas. Constrangimento geral entre nós passageiros. O cara se dizia investidor de um Fundo de Pensão norte-americano que comprou milhões de ações da Petrobrás, em franca desvalorização naquela ocasião. Para ele, finalmente, todo brasileiro era ladrão! Foi um vexame. Tive ímpeto de mandar parar e cair fora do veículo, mas, atendi aos apelos da minha esposa e segui viagem. Calaaaado! Paguei a corrida e sai transtornado, carregando a pecha de brasileiro ladrão. Uma infelicidade para quem prima pela honestidade.
Tive outra! Quatro anos passados, também com um taxista, em Santiago do Chile. Quando o motorista notou que éramos brasileiros, por trás de um sorriso gaiato, virou-se pra mim e disse: desculpe, mas por segurança, vou tirar meu apurado daqui e guardar escondido deste outro lado. O tal apurado, dobradinho, repousava às minhas vistas no console do veículo, entre ele e eu que me aboletava no banco do carona. Fiquei surpreso. O sujeito foi objetivo e parecia querer falar brincando. Porém, no fundo ele se referiu ao que denomino de fama maldita dos brasileiros. E olhe lá, o chileno não é nenhum exemplo de pura honestidade. Inclusive, já fui roubado agressivamente, no centro de Santiago. Um ladrão arrancou-me um cordão de ouro do pescoço e fugiu na multidão.
Ah! Já passei por poucas e boas. Desconfio que vamos esperar muito para deletar essa Fama Maldita.
E, para terminar, cartão vermelho para o Ronaldinho!              

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.   

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Sinal de Alerta no Continente


Acompanhamos, por bom tempo, a lenta decadência da política bolivariana, na Venezuela, e seus desdobramentos maléficos sobre a nação vizinha e, agora, estamos assistindo inesperados movimentos populares em vários países da América Latina gerando apreensão e insegurança no Continente.
Na Colômbia, as Farc ameaçam voltar à luta armada; no Equador população vai às ruas por conta de aumento dos preços da gasolina; no Peru o povo exigiu e o Governo aplicou um revés ao Congresso e destituiu os Ministros do Supremo Tribunal Nacional, envolvidos em grandes corrupções, inclusive sob os auspícios da Construtora Odebrecht, do Brasil. E nestes últimos dias, Chile e Bolívia andam às voltas com movimentos políticos populares, com repercussões de grande monta negativa.   
Manifestação incendiária em Santiago do Chile
O caso do Chile é, certamente, o mais surpreendente: manifestantes foram às ruas, adotando formas violentas e ameaçadoras da segurança social, incendiando patrimônios privados e públicos. O motivo original foi detonado após a majoração das tarifas do Transantiago, metrô local da capital chilena. Na esteira desta revolta, outros pleitos terminaram sendo expostos. O governo reagiu e a situação esquentou. É surpreendente o que ocorre neste caso. Lembro que o Chile vem se destacando, nas últimas décadas, como sendo o país mais tranquilo e economicamente equilibrado da América Latina. Oferece, aparentemente, as melhores condições de vida à sua população, com saúde, educação e segurança eficientes. Estive recentemente em Santiago e observei, in loco, sinais de pujança e desenvolvimento socioeconômico. Tem um custo de vida alto, é verdade, mas também adota um salário mínimo que, atualmente, corresponde ao dobro do que se paga no Brasil. Energia elétrica e abastecimento de água potável são fornecidos por tarifas civilizadas. A carga fiscal é, também, das mais civilizadas no Continente. Conversei com profissionais da área (meus ex-colegas de trabalho) e sai bastante impressionado. Tenho dificuldades para entender o que vem ocorrendo. Desejando saber mais, acesse: http://observatorio.ministeriodesarollosocial.gob.cl/ipc_pob_informe3.php?ano=2019    
Evo Morales não aceita o provável resultado. Deseja continuar no Poder.
Na Bolívia, o problema é de outra ordem: parece que o boliviano cansou do governo "socialista" do Evo Morales. Nas eleições de domingo passado (20.10.19), um primeiro resultado dava contas de que haveria um segundo turno, com Morales tendo de disputá-lo. Uma suspeita manipulação espúria, a favor do atual mandatário, terminou por, repentinamente, proclamá-lo vitorioso, no primeiro turno. Segundo analistas  políticos, o processo de apurações sofreu uma abrupta interrupção, por conta de uma suposta “falha” nos computadores. Pouco depois, equipamentos consertados e vitória anunciada. Inconformado, o opositor, Carlos Mesa, e seus eleitores foram às ruas, denunciando a suspeição. Observadores representantes da OEA, que acompanharam o pleito e a apuração requereram uma recontagem dos votos. Nem precisa dizer que a situação esquentou. Resta esperar o desenrolar do embróglio.
Já na Argentina, onde manifestações ocorrem também com frequência, outro sinal de alerta disparou com o resultado das prévias eleitorais prometendo o retorno do peronismo e, particularmente, da Senhora Kirchner, como vice-presidente. A rodada final será no próximo domingo (27.10.19). Parece ironia, mas, vão consagrar corruptos no poder. Quem diria que os argentinos errariam outra vez, depois de tantos insucessos no passado. A culpa é do Macri que não soube domar as manhas da economia dos hermanos. Bom, é de se considerar que na Argentina crise socioeconômica é coisa endêmica. Acompanho o pais vizinho desde a década de setenta - à distancia e in loco - e não lembro de bom tempo de verdade.      
Finalmente, e pelo visto, as coisas tendem a regredir no Continente. A onda neoliberal que acenava com bons ventos sofre seus percalços. Resta acompanhar os acontecimentos e, particularmente, no caso brasileiro, torcer para que as reformas que estão sendo levadas a efeito surtam bons resultados e a onda reformista se espalhe na vizinhança.        
      
NOTA: Fotos que ilustram foram colhidas no Google Imagens.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Desafio das Migrações no século 21

Semana passada, comentei sobre a emigração forçada que sofrem os venezuelanos por conta da calamitosa crise sócio-político-econômica no seu país. A fome, a miséria, a falta de paz e saúde expulsam as pessoas das suas origens e criam dramas tanto para estes que são obrigados a fugir da miséria, assim como os que são levados a abrigá-los. Brasil e Colômbia estão às voltas em receber de modo solidário e humanitário esses venezuelanos.
Mas, não somente os venezuelanos buscam a salvação noutros países. Inúmeros outros casos são registrados em vários pontos do planeta. O maior exemplo neste momento são os sírios que fogem da guerra civil que devasta o país nas mãos do ditador Bashar al-Assad. Outros povos vivem os mesmos conflitos na Ásia Central e menos conhecidos aqui no Ocidente.
As maiores vitimas da Guerra na Síria são crianças
A Europa, por exemplo, vem sendo invadida por povos oriundos da África e do Oriente Médio, regiões onde a paz desapareceu há um bom tempo. Muitos se lançam ao mar, em frágeis embarcações, tangidos de casa pelas guerras fratricidas, pela fome e a miséria que assolam aquelas regiões. Deixam tudo que têm para trás, incluindo patrimônio acumulado, vida profissional e familiar, embarcando em aventuras de migração arriscadas. Muitos morrem na travessia do mar Mediterrâneo consternando o mundo. É uma gente que na grande maioria parte em rumo ao desconhecido se tornando refém da vontade dos europeus e sofrendo das mais cruéis humilhações. O resultado de tudo isso é a mendicância vista nas ruas e praças do Velho Mundo. Estima-se que somente a Alemanha já recebeu, nesses últimos anos, mais de 1 Milhão de refugiados, ao tempo em que apela ajuda a outros países nessa missão humanitária. Isto sem falar no problema do terrorismo que, segundo constatado, vem também na esteira migratória.
Frágil embarcação com imigrantes refugiados cruzando o Mediterrâneo buscando a Europa.
Nas Américas a coisa não é diferente. A fronteira do México com os Estados Unidos é famosa por haver se tornado o passo de entrada de imigrantes ilegais na busca do sonho americano. Por ali passam indivíduos das mais diferentes nacionalidades latino-americanas, incluindo brasileiros. O Presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, promete construir um muro ao longo dessa fronteira, embora enfrente reações de todo o mundo. Caso bem complicado.
O Brasil não está imune as essas ondas de imigrantes. São Paulo é a cidade que atrai o maior número desses, por razões óbvias. São os haitianos que lideram essa corrente migratória, sendo seguidos por bolivianos que vivem em comunidades insalubres e muitos deles realizando trabalho com características de escravo para ganhar a vida. Sem qualquer incentivo governamental o Brasil recebeu, entre 2010 e 2015 cerca de 80.000 haitianos, que buscaram meios dignos de vida, após o terremoto que destruiu aquele país em 2010. Destes, 70 mil continuam no país e 45 mil têm emprego formal. Eles são os estrangeiros mais numerosos no mercado formal brasileiro. Grande número foi engajado nas construções das arenas da Copa e na Vila Olímpica, do Rio. Ou seja, aproveitaram o boom da construção civil. É provável que estejam agora amargando os efeitos da crise que se abateu sobre o país.      
Recentemente inteirei-me da atração que o Chile também está exercendo sobre uma imensa massa de imigrantes, em geral latino-americanos. São muitos que aproveitam a flexibilidade das leis migratórias chilenas e a relativa estabilidade econômica do país andino do cone sul. Lá, igualmente, são os haitianos que lideram em volume a entrada de estrangeiros no país. Já são conhecidos como “chilitianos” e chegam a Santiago em levas significativas, por via aérea, saindo em geral pela Republica Dominicana. Vivem basicamente na periferia da capital chilena, sobretudo no subúrbio de Quilicura. São tantos, estima-se que mais de 100 mil, ao ponto da localidade já se chamar de Haiticura.
 O grande problema dessas correntes migratórias é o fato de que junto com elas vêm também uma série de novos problemas para o país receptor. Além de emprego, habitação, educação e assistência médica, itens básicos para construção de uma nova vida, esses imigrantes trazem hábitos culturais diferentes, dificuldades de comunicação por desconhecer os idiomas locais, doenças erradicadas no país acolhedor e concorrência indesejada no mercado de trabalho receptor. O sarampo, moléstia exterminada em países como Brasil e Chile, volta a assolar as populações nativas exigindo a reedição de antigos programas de saúde pública, e demandando investimentos governamentais onde não havia mais necessidade. Ao mesmo tempo, calcula-se que muitas doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, estão proliferando e potencializando a partir dessas comunidades de imigrantes. O grande volume de homens imigrantes, em idade sexual ativa, aponta naturalmente para essa inesperada onda de doenças.
Esses mesmos problemas são registrados na Europa, onde a população marginal de imigrantes está provocando grandes transtornos aos países até então pouco preocupados com esse elemento sócio-político.
Eis aí um assustador desafio para os muitos países que exercem o poder de atração dos imigrantes do século 21.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Salvemos a Amazônia

Dois assuntos dominaram a mídia, nesta semana (28 a 31/08/17). Os dois caíram na boca do povo, sem trégua e sem explicações plausíveis: a liberação da RENCA – Reserva Nacional do Cobre e Associados, na fronteira do Pará com o Amapá e a derrubada de uma palmeira imperial no Pátio do Carmo, no Recife. A primeira com repercussão negativa no mundo inteiro e a segunda restringindo-se ao ambiente doméstico recifense. Dois crimezinhos banais desta vidinha ingrata do cotidiano brasileiro. É uma pena que bem pouco dos nossos cidadãos estejam informados o suficiente sobre o tema. A grande maioria não tem alcance intelectual para tanto. Coisas de Brasil.
Ora, meu Deus, num mundo às voltas com as questões ambientais e preocupado com a preservação da nossa morada universal, isto é no mínimo um desatino. Melhor observando, nessas horas quando o apelo de “Preserve o Planeta Terra”, propalado por entidades mundiais  – como o Rotary Internacional – são ignorados e, até mesmo, levados ao ridículo, resta a tristeza e a vergonha em face da comunidade internacional.
Contudo, é importante registrar que as coisas não ficaram de tudo por isso mesmo, como só e geralmente acontece. No caso da RENCA o estouro de protestos foi detonado em milhares de pontos do planeta. Eu mesmo recebi mensagens – cobrando posição de repulsa aqui no Blog – de alguns amigos estrangeiros, na mesma hora em que a noticia de espalhou. Leitores do Chile, Equador, Estados Unidos, Portugal e Argentina, manifestaram revoltas e estão a espera deste post.
Liberar à exploração predatória – e todas são – de uma área correspondente a extensão da Dinamarca é falta de visão governamental responsável e de compromisso com os brasileiros e com a comunidade internacional. A Amazônia é um patrimônio inigualável para a preservação da natureza do planeta. Vem sendo devastada sem pena e sem ordem, há décadas. O Agronegócio impera e destrói a floresta. É do Brasil a maior parte dessa riqueza natural. É o pulmão da Terra! Diante da irresponsabilidade brazuca, não é à toa que, vez por outra, renasce a tese daqueles que pleiteiam transformá-la numa região internacionalizada. E é por isso também que  tem muitos estrangeiros, entidades e pessoas físicas, trabalhando em pesquisas, por lá. Imagino os interesses e o olhão naquela riqueza.  É temerosa essa ameaça! Além disso, com a visão politicamente deteriorada do nosso país, em crise econômica profunda, a velha fama de país pobre e sem recursos públicos para investir, corre-se o risco dessa derrota. Deus nos mande alguém de visão, instruído e líder para salvar o Brasil e o Planeta.
Eis o mapa do crime
Haverá certamente os que vão defender a liberação da área amazônica e deixar que haja exploração mineral precedida da extinção da floresta secular, bem como os que vão explicar de modo inconvincente a derrubada da palmeira imperial no centro do Recife.
O caso da palmeira imperial recifense foi absurdo e criminoso. Derrubar uma palmeira viçosa e sadia para melhor posicionar o caminhão trio-elétrico que serviu de palanque político para o ex-presidente Lula, na sua campanha antecipada é abominável (não encontro outro adjetivo mais adequado). Esse “candidato” desgastado e politicamente morto não tem direito de qualquer coisa mais e, muito menos, concordar com um crime ambiental, que o seu partido tanto defende. Haja cinismo. Além de corrupto condenado é, agora, por razão explicita de um crime ambiental. 
A palmeira viçosa e sadia (observe o tronco sadio) derrubada e o palanque petista
A palmeira recifense já era. No seu lugar tem um cimentado grosseiro. Merecia uma placa/lápide para registrar o histórico e cruel fato. Está lançada a ideia. Entrou para a história da bandidagem PTista.
Já quanto à liberação da RENCA, o assunto vem rolando e expondo negativamente o Governo desgastado e recorrente em decisões impopulares de Michel Temer. Para dar uma satisfação aos protestantes, nosso mandatário revogou o Decreto original e editou um novo prometendo vigilância e formas racionais de uso da área. Pura ilusão! O principio foi mantido. Discurso para enganar os tolos. Mas, como iludir a sociedade se a Reserva é clara quanto a sua riqueza geológica, isto é, Cobre? Vão explorar o cobre, sim. Quem viver verá.
Até onde vamos com esse tipo de crime? Salvemos Amazônia! É urgente e fundamental. Deixemos um mundo melhor para nossos descendentes. Compartilhem essa ideia. Seja também responsável. 

NOTA: fotos obtidas no Google Imagens.

domingo, 29 de março de 2015

Longe da Confusão

O começo desta semana foi, para mim, aos pés da Cordilheira dos Andes, na bela e pujante cidade de Santiago do Chile. Oportuno compromisso familiar levou-me até lá e, novamente, pude gozar da hospitalidade chilena, bem como de ter a chance de reapreciar de perto o resultado do bem sucedido modelo econômico que, vem sendo aplicado àquele país latino-americano. Portanto, estive longe da confusão de Pindorama, ainda que por pouco tempo. Nada melhor para arejar minha mente perplexa e sacolejada pelos transtornos políticos e econômicos que vivemos no Brasil de hoje.
O Chile, ao contrário, é seguramente a mais equilibrada economia do continente, na atualidade. Por quatro dias respirei progresso e tranquilidade política em meio a uma sociedade bem assistida e visivelmente melhor educada e politicamente esclarecida. O chileno é um povo bem politizado. Vejo isto, há algum tempo, graças a experiências profissionais ali desenvolvidas e visitas relativamente frequentes que faço ao país.

Os chilenos souberam adotar – com boa antecipação – um esquema econômico compatível com a rápida consolidação da globalização econômica. Desde o governo militar optaram por forte programa de reformas do Estado e por uma privatização de empresas estatais, coisa de difícil manejo, preservando apenas a que cuida da mineração, beneficiamento, transformação e comercialização do cobre, principal riqueza natural do país. A Previdência Social do país, por exemplo, é tocada pela iniciativa privada e o sucesso é indiscutível.  No setor do agronegócio os resultados são notáveis e a vitivinicultura é de fama mundial. Haja competitividade!
O processo das privatizações foi iniciado, ainda, por Pinochet (dezessete anos como ditador sanguinário e odioso) e, inteligentemente, concluído pelos governos civis após a redemocratização. Nada de dúvidas como ocorre no Brasil. O resultado dessa política é ter um  Governo hoje exercendo funções do Estado e articulador e promotor da ordem e do progresso nacional.
Estou falando de um dos países mais estáveis, ou o mais estável, e próspero da América do Sul. É de longe o melhor no que tange ao desenvolvimento humano – alto IDH de 0,822 (2013) (41º do mundo) –, competitividade comercial e economia mais globalizada do continente, liberdade econômica, taxas de juros civilizadas, carga tributária justa, sistema educacional seguro, estabilidade política e índices comparativamente baixos de pobreza. Isso tudo tendo como pano de fundo um elevado nível de liberdade de imprensa e arraigado espírito democrático. É o país latino-americano com o melhor PIB per capita, US$ 23.165,00 (medido pelo Poder de Paridade de Compra - PCC) o que diz muito bem sobre o estado de espírito do chileno comum. Andando por Santiago não se vê, desocupados limpadores de para-brisas nos semáforos e pedintes são muito poucos. Estes poucos, aliás, segundo fui informado por um taxista, são na maioria imigrantes bolivianos e peruanos desempregados que ultimamente adentram pelo Chile na busca de soluções de sobrevivência. Pode ter sido uma desculpa. Mas... Conversei com uma peruana, empregada doméstica na casa de família amiga, que pode expressar suas esperanças em remontar a vida com o marido e filho “num país de mais futuro”, no caso, o Chile. Por falar em taxista, tomei outra gozação por conta do rombo na Petrobrás. Ao volante e com muito bom humor meu condutor perguntou se eu era empregado da petroleira brasileira. Diante da minha negativa, disse se sentir aliviado por não precisar esconder a carteira de seus míseros Pesos Chilenos, bem na minha frente, ao lado da alavanca de marchas do taxi. Tive que rir, para não chorar. É, o Petrolão virou piada internacional. Uma vergonha. Lembram do meu diálogo com o motorista em Nova York, mês passado?
O progresso chileno, descrito rapidamente acima, é mais visível quando circulando pela capital chilena e sua área metropolitana. Largas e longas avenidas, além de vias expressas por todo lado. Estrutura urbana invejável. Tudo muito limpo e com coleta seletiva de lixo por todo canto. Transporte público bem ordenado, incluindo uma importante rede de metrô. Zero de engarrafamentos. Nada comparável com o Brasil de cidades inchadas, mal urbanizadas e despreparadas para abrigar tão grandes contingentes populacionais  despreparados para viver no padrão desmantelo. Bateu-me uma inveja...
O tempo passou rápido e como voltar é necessário, desembarquei ouvindo “o som surdo” da queda do Real frente ao Dólar americano e o prenúncio de publicação do “crescimento” do PIB em 2014, finalmente publicado pelo IBGE na sexta-feira (27.03.15): 0,1%. Que horror! E dão-se ao desplante de falar em pequeno crescimento. Meu Professor de Econometria (Telmo Maciel) dava como certo que 0,1 é o mesmo que ZERO e que 99% é o mesmo que 100%. Se vivo estivesse, daria boas gozadas nessa turminha fajuta de Brasília e que subestima a inteligência do eleitor. Quem me dera estar longe dessa confusão, por mais tempo.

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Saidas para a Industria

Reunidos em Brasília, nos últimos dias 5 e 6 deste novembro de 2014, os industriais brasileiros – sob as asas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – deram o grito de alerta para o preocupante quadro do Setor no atual cenário econômico nacional. Aproximadamente 1.800 empresários, em sessões plenárias e específicas, além das sempre bem vindas “troca-de-figurinhas” nos intervalos para um cafezinho levantaram e colocaram em ordem de debates seus problemas e propostas urgentes.
Para inicio de conversa um referencial alarmante: a participação da indústria no PIB é de 25%, o que significa 10 pontos percentuais a menos dos registrados na década de 90. A indústria de transformação não passa dos 13%. São números desanimadores para quem atua no setor.
A Carta da Indústria 2014, publicada no final do evento abre com uma significativa expressão: “A Indústria tem pressa”.  Pressa para solucionar a questão da baixa competitividade. Pressa para voltar ser o dínamo gerador de crescimento. Pressa para contribuir efetivamente para o crescimento econômico, social e político do país. Na mesma Carta o foco sugerido é “na competitividade e governança para enfrentar os problemas”
A propósito do assunto competitividade, destaco uma recente pesquisa do Banco Mundial, “Doing Business 2015” (publicada em 28.10.14), revelando que o ambiente de negócios no Brasil continua ruim, face sua posição no 120º lugar num ranking de 189 países. Na pesquisa anterior a posição brasileira era a 123º. Uma tímida melhora neste ano. O Brasil ficou abaixo da média da América Latina. Países como Chile (41ª colocação) e Colômbia (34ª) estão bem acima. A quem se console com o fato de que o país está mais bem situado do que a Argentina (124º), vivendo uma grande recessão, e a Índia (142º). Os primeiros colocados são: Cingapura, Nova Zelândia, Hong Kong, Dinamarca e Coreia do Sul. Os Estados Unidos ocupam o 7º lugar e a China, para minha surpresa, o 90º. Surpresa porque lembro do regime autoritário reinante no gigante do Oriente.
O destaque entre os pontos negativos do Brasil e que empurra para baixo a média do país, está na demora que o investidor leva para abrir uma empresa. São necessários 83,6 dias para cumprir 11,6 procedimentos legais. É um tempo intolerável, comparado com o tomado noutros países, como o Chile onde o tempo cai para 5,5 dias. No ranking especifico, o Brasil ocupa o 167º lugar, entre os 189 países pesquisados. Haja burocracia!
Outros importantes indicadores que compõem a bateria de avaliação, utilizados nesse estudo do Banco Mundial, são: facilidade de operar no mercado local, registro de propriedade, custos da construção civil, carga tributária, proteção aos pequenos acionistas, resolução de insolvências, encargos sociais, entre os outros que jogam o Brasil lá pra baixo.
Ora, minha gente, uma pesquisa como esta expõe, de maneira desfavorável, as fragilidades competitivas do país no âmbito internacional. Um investidor estrangeiro que esteja a ponto de decidir sobre a localização de um próximo investimento produtivo no mercado internacional, inevitavelmente, sofrerá alguma influencia desses resultados publicados. E, sendo um estudo do Banco Mundial impõe respeito maior e inspira confiança.
Na Carta da Indústria, acima tratada, há um tópico sugerindo os problemas cruciais do sistema político-econômico a serem resolvidos pelo novo Governo de D. Dilma Roussef. Vejamos: a) livrar o sistema tributário das principais ineficiências; b) melhoria das relações de trabalho; c) crescentes investimentos na infraestrutura; d) evolução na política comercial com foco nos mercados estratégicos e melhor inserção internacional; e) melhorias na Educação. Resolvidos estes problemas a Indústria Brasileira pode encontrar saídas da crise que enfrenta.
Isto é sem dúvida uma formidável e objetiva proposta para quem pretende, como D. Dilma, fazer um governo voltado para a recuperação econômica e restaurar a confiança internacional do país. Vamos torcer!                

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagem.

NOTA 2: Estive em Brasília compondo a Comitiva da Federação das Indústrias de Pernambuco – FIEPE e representando o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE, no Encontro Nacional da Indústria de 2014

domingo, 9 de março de 2014

Chile, uma varanda sobre o Pacífico

Estive no Chile, nesse recente período carnavalesco, fugindo da folia. É sempre muito prazeroso voltar àquele país. Desde os primeiros momentos dá para sentir a pujança econômica e a qualidade de vida superior que se experimenta por aquelas bandas. Santiago, a capital, está cada vez mais moderna e, sobretudo, acolhedora ao visitante. A infraestrutura é invejável. O cuidado com o cidadão é notável. Um exemplo são os banheiros públicos de primeiro mundo, disponíveis em pontos estratégicos da cidade. Vide a foto abaixo.  
Notável, também, o cuidado que se dá ao item mobilidade. É uma magnífica metrópole, sem dificuldades de trânsito. Transporte coletivo de primeiro mundo e artérias latejando de veículos e gente, muita gente, sem que se observem retenções ou estresses. Senti uma inveja...  Há estacionamentos subterrâneos por todo lado e quem quiser usar seu próprio veiculo, nunca “quebra a cabeça” procurado vagas. Tudo muito bem sinalizado. E, digo com a razão de quem locou um veiculo e saiu pelo país afora. 
Já andei pelo Chile em varias ocasiões, inclusive desde os tempos da ditadura de Pinochet. Percebo a evolução que ocorre e o quanto se avançou nesse país, no passado recente. Vê-se bem, e de cara, que não se trata de uma republica bolivariana populista. Podem existir descontentes, certamente. Mas, isso faz parte da democracia que reina por lá.
Revi Santiago em pouco tempo, porque meu foco dessa vez foi conhecer melhor a região dos lagos, no sul do país, Patagônia chilena, onde permaneci durante cinco dias. Dias inesquecíveis, tanto pela beleza natural, quanto pelos sabores e clima que se respira naquela porção chilena. De Santiago voei para Puerto Montt situada a, aproximadamente, 1.000 km ao sul. Lá centrei minha estada na região. O cenário é marcante. Um verdadeiro “planeta água”, devido ao mar, baias, enseadas, lagos e rios que predominam no ambiente.
É sabido que o Oceano Pacífico é famoso pela sua profícua fauna marinha e Puerto Montt está situada num ponto estratégico abrigando um importante porto, um sem número de pescadores reunidos em cooperativas e empresas pesqueiras, proporcionando uma base econômica sólida, internacional e propícia a oferecer ao visitante, como foi meu caso, uma verdadeira orgia gastronômica à base de frutos do mar. Com um especial detalhe: a diversidade dessa produção e as formas de degustação, que resultam na transformação do paladar e o conhecer do visitante. Como esquecer o sabor de uma centolla, de um chupe de jaiba, locos e côngrio (primeira foto a seguir), ou de um ouriço cru temperado com limão e azeite? Fotos abaixo. Isto sem falar que o salmão da região é o mais famoso de toda a produção local e é preparado das mais diversas e saborosas formas.


Próximo a Puerto Montt (16 km de distancia) está Puerto Varas, uma cidade de colonização alemã, super simpática e acolhedora, com excelentes hotéis, restaurantes, bares e cafés e estação de turismo famosa. Por lá circulam muitos europeus e norte-americanos. O Chile , aliás, está na rota dessas correntes turísticas e isso se nota no desembarque em Santiago, dadas as filas para o controle de imigração. Puerto Varas fica na beira do Lago de Todos Los Santos e bem defronte ao vulcão Osorno. O cenário é fantástico. O vulcão lembra o Monte Fuji no Japão e está sempre encimado de neve. O pôr de sol a beira do lago e diante do Osorno é um cartão postal para se guardar na memória, para o resto da vida. O lago é imenso, navegável no seu todo, repleto de barcos de turismo, num dos quais fiz um minicruzeiro que, no meu ver, “não pede homenagem” a qualquer outro, de qualquer lugar, inclusive os suíços, que já tive oportunidade de fazer. Meu barco, um grande catamarã, que partiu do ancoradouro de Petrohué, (60km após Varas) navegou até o pequeno porto da localidade de Peulla – um povoado com 125 habitantes, apenas. Um lugar que parece um cenário de produção teatral. Vide a foto a seguir – quase na fronteira com a
Argentina, próximo a Bariloche, levando os mais de cem passageiros por uma rota cinematográfica. Sim, houve momentos em que me senti num filme. Tem coisas assim, não é? As visões do Osorno, bem de próximo, e a passagem pelo ponto em que se pode vislumbrar a gigante Montanha Tronador (lado argentino) são momentos culminantes do passeio. Veja as fotos a seguir.

Mas, não foi apenas de lagos e montanhas que fiz meu passeio. De Puerto Montt fui (na verdade, fomos, porque estive acompanhado dos meus filhos e nora) até a cidade de Párgua, de onde atravessamos para a belíssima ilha de Chiloé.  A travessia é feita num ferry onde embarquei com meu próprio veiculo locado. Desembarcado em Chiloé  e depois de percorrer algo em torno de 60 km, de rara beleza natural, cheguei a uma praia, uma baia, com muitas ilhotas, onde os pinguins da Antártida se refugiam no verão, para o acasalamento, desova e consequente reprodução. Fui lá para vê-los de perto. Para se aproximar das ilhotas usam-se lanchas especiais que se são oferecidas aos visitantes. Não se desembarca nessas ilhotas. Fotos a seguir: a primeira com meus dois "marmanjos" e a segunda dos pinguins.
  

Acho que uma boa imagem que se pode fazer do Chile, e devido inclusive seu formato geográfico, é vê-lo como uma privilegiada varanda da América do Sul, sobre o Pacifico. É bonito demais. Fiz bem em fugir da famigerada folia multicultural/petista que transformaram o carnaval do Recife.

NOTA: O Blogueiro viajou com os filhos João Paulo e José Antonio e a nora Cleide. As fotos que ilustram a postagem são da sua própria autoria, a exceção, claro, a que aparece, feita por Cleide.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Natureza Madrasta

Há pouco menos de sessenta dias acompanhamos com pesar e horror as cenas de vida e morte, decorrente de um forte terremoto que destruiu o Haiti. O mundo se voltou para o pequenino país caribenho, até então desconhecido para meio mundo, mas entrando em evidencia pelas manchetes mundiais.
Sem que houvesse tempo de “juntarmos os cacos” e “virarmos a página” da tragédia haitiana, outro terremoto – de maior intensidade – abala as estruturas do Chile, no sábado passado (27.02.2010), deixando com fraturas expostas um país em franco progresso e cheio de brilhantes de projetos. Andei por lá, ano passado, e deixei registrado, neste Blog do GB, as melhores impressões sobre uma terra e nação hospitaleira, de quadro natural exuberante e diversificado, um país em crescimento econômico e social, motivo de orgulha para América do Sul.
Passei um fim de semana abalado, como fiquei no caso do Haiti, pensando nos grandes amigos que tenho por lá e na gente que sofreu o desastre, particularmente os que vivem próximo ao epicentro, região da cidade de Concepción. As fotos, filmes e comentários, mostrados na TV, somente aumentavam o estresse, ao tempo em que não, completavam-se contatos, por telefone, com os conhecidos chilenos.
Não vou me ater a relatos sobre o que ocorre de lá para cá, no Chile, porque isto a mídia nacional e internacional o faz com melhores condições do que um pobre blogueiro como eu. Ao invés disso, atrevo-me a expressar minhas reflexões em torno da fragilidade do ser humano diante dos rigorosos caprichos da natureza. Caprichos que jamais dominaremos. Por que no Haiti? E, por que o Chile? Tanto mar e tantas terras desertas para isso ocorrer, meu Deus! Por que essa fúria, Mãe Terra?
Tem coisa mais preocupante do que ler na imprensa internacional relatos sobre as constatações dos cientistas da NASA (Agencia Espacial Norte-Americana) de que esse forte terremoto no Chile pode ter movido e reduzido o eixo da Terra, alterando sua rotação? Ainda não sabem em quantos centímetros o referido eixo foi reduzido. Mas, lembram que noutro terremoto, o da Sumatra, em 2004, também violento, a redução foi de 7 centímetros. Embora possa parecer insignificante, quem garante que essa redução não pode afetar o equilíbrio geral da nossa estrovenga terrestre. Sete centímetros num dia, outros tantos, ou mais, hoje e não se sabe quantos amanhã, pode resultar num tremendo desastre fatal. Ah! tem outra coisa: os cientistas garantem que o terremoto do fim de semana passado encurtou a duração dos dias. Olhe lá... Segundo essas “feras” da NASA, um dia na Terra passou a ter 1,26 milissegundos – um microssegundo é a milionésima parte de um segundo – a menos. Nada, não é mesmo? Para nós, leigos no assunto. Para eles pode ser uma coisa gravíssima.
Se vovó fosse viva diria logo: “são sinais dos tempos, meu netinho!” e arrematava com o famoso clichê: “estamos a caminho do fim do mundo”. Aliás, sempre aparece um profeta anunciando o fim do mundo, para um dia tal, do mês tal, etc. e tal. Há pouco tempo, já agendaram para 2012.
Mas, meus amigos, o mundo vai durar por muito tempo, creio eu. O que causa preocupação é saber que tipo mundo será este. Nos meus delirios e lendo essa história da redução e deslocamento do eixo que sustenta a Terra, imagino o apocalipse que pode ocorrer, em decorrência de tantas catástrofes. Chuvas e enchentes inusitadas, calor abrasador, nevascas desproporcionais e inesperadas, grandes terremotos, tsunamis, são fenômenos que já fazem parte do dia-a-dia dos humanos. Naturalmente que muitos podem explicar a situação com a tese do aquecimento global. Mas, os terremotos também entram nessa dança?
São, falando simplesmente, caprichos da natureza. Uma natureza madrasta, isso sim. Por enquanto, sejamos solidários e socorramos haitianos e chilenos. Eles são os enteados do momento.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...