sábado, 17 de dezembro de 2016

Mensagem de Fim de Ano - 2016


E lá se foi 2016... Foram dias de apreensão, entremeados de alguns prazerosos, mas, difícil mesmo é dizer que foi um grande ano. Num país em convulsão político-econômica, só mesmo sendo um alienado é que passaria batido. Dias prazerosos, por exemplo, lembro os dias de Olimpíadas, da Rio-2016.  É verdade que, em termos pessoais não tenho, a rigor, do que reclamar. Saúde recuperada, após susto dado pelo coração, sucesso profissional, família em ordem e o resto... Bom, o resto a gente corre atrás.
Este ano foi, muitas vezes, desafiador para um Blogueiro que pretende manter uma vanguarda. Com tantas confusões geradas em Brasília, Curitiba e outros grandes centros, repercutindo no restante do país, poderiam sair muitos outros posts e a cada dia, o que está fora dos propósitos de um amador, como é o meu caso. Por outro lado, as escapadas que dei durante o ano, passando pelas Oropas e Cone Sul, foram momentos de relaxamentos, sempre bem-vindos, que renderam algumas postagens bem ao gosto de muitos leitores. Viajei e levei junto comigo vários leitores.
Como sempre faço a cada fim de ano, preciso fazer alguns agradecimentos: em primeiro lugar, a Deus pela condição que Ele me confere de pensar e enxergar o quotidiano, observar pessoas e paisagens e, por fim, emitir opiniões neste espaço semanal. Sei que nem sempre são do agrado de todos que visitam o Blog, mas sei, também, que tenho aqueles que me seguem com prazer, entendem meus argumentos, criticas e descrições, interagindo assiduamente. Até os que se contrapõem, dando dinâmica e vida ao trabalho que me proponho publicar.  No GB há espaço democrático para todos. Agradeço à minha família que sempre me apóia e incentiva neste exercício semanal. De modo especial agradeço a interação que se estabelece com muitos leitores no exterior, o que sinceramente infla minha vaidade. Claro! E vaidade, é bom frisar, faz parte da natureza de qualquer ser humano. Não sinto culpa se isto for visto como defeito ou pecado. Como não me sentir feliz e orgulhoso de saber ser lido em distantes plagas do planeta? Não sei por qual razão tenho freqüentes leitores na Rússia ou na China. E na Índia, Iêmen ou Vietnam? Os leitores brasileiros são bem menos dos que os norte-americanos. Com efeito, tenho que agradecer, cheio de jubilo, a todos. Principalmente àqueles que comentam as publicações.
Ao mesmo tempo, acho interessante porque continuo recebendo comentários de anônimos – os quais, por principio, nem publico – com críticas ofensivas das quais busco extrair aquilo que julgo relevante e que podem sugerir reparos na minha forma ou conteúdo. Creio que nada pode parecer tão bom que não mereça retoques. A esses leitores, meus sinceros agradecimentos e apelo para que continuem nessa forma de relacionamento. Eles cumprem algum papel no meu projeto.          
No limiar de 2017 e aproveitando o tempo do Advento, declaro meu entusiasmo pela renovação das esperanças de um renascer com dias melhores, tanto em termos pessoais, como coletivamente. Entendo sempre que a PAZ começa em cada um de nós. A soma das nossas esperanças e o empenho pacificador de um coletivo social instaura forças inabaláveis para mudar o mundo. É um mundo de paz e esperança que todos desejamos. E é dessa forma que devemos caminhar para um novo ano.
Aproveito para lembrar que, como sempre acontece, o Blog entra em recesso neste período de festas e durante o mês janeiro. Salvo numa possível edição extraordinária, Este é o último post do ano. Aos amigos e amigas leitores(as) e seus familiares, meus melhores desejos de


Feliz Natal e Venturoso 2017

Encerrando nossas atividades, neste ano, brindo a todos e todas com uma mensagem tocante e oportuna da autoria de um estimado amigo e colega na SUDENE, Jorge Fernando de Santana, filósofo iluminado e inteligente nato:

Natal é convite a sublimar a vida. Ensejo de renascer em espírito, retraçar caminhos, refazer atitudes, retocar hábitos, refinar comportamentos.
É tempo de promover a Paz, conquistar amigos, abraçar irmãos, salvar o Planeta e, pois, deixar-se aninhar no colo de Deus.
Urge despertar a boa vontade, condição elementar de instauração da convivência harmoniosa entre os seres humanos.
Eis o de que mais carecemos hoje... e o mais desejável neste Natal: a Paz, para cada um de nós... a Paz, para todos nós.

  NOTAS: 1. Obrigado amigo Jorge Santana. 2. A ilustração foi colhida no Google Imagens

 


sábado, 10 de dezembro de 2016

Uma questão de confiança

Os jornais do Recife, e provavelmente do restante do Nordeste, trazem no dia de hoje (sábado, 10.12.16) manchetes e longas matérias ilustradas sobre a visita do Presidente Michel Temer a Pernambuco e ao Ceará. A primeira dele enquanto presidente à Região. Veio ver de perto a seca regional. O homem ficou impressionado com o estado calamitoso provocado pela atual estiagem que assola grande parte dos estados da área. Já são vários anos sem chuva e a população está em estado de desespero. Num grande aparato de segurança e sendo resguardado contra manifestações opositoras, Temer circulou por alguns locais distante do povo e de muitos dos seus representantes. Visitou barragens totalmente secas, pontos da construção da transposição do São Francisco e redondezas. Por fim, num espasmo político comemorado pelos seus assessores, autorizou a liberação de verbas paliativas para atender as demandas mais urgentes. Uma migalha, na verdade, em face das reais necessidades da Região. Isto sem falar de outras necessidades diferentes das hídricas.
Este episódio é o que eu chamo de dejà vu. Na verdade, cansei de ver. Desde D. Pedro II que esta história se reproduz. O Imperador chorou diante da calamidade, ameaçou vender as jóias da coroa, inaugurou a Política da Solução Hidráulica, construiu o açude do Cedro no Ceará e criou o que hoje é o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. O erro inicial foi trabalhar CONTRA o fenômeno. A solução correta é CONVIVER com a seca.
Temer vendo a seca, de perto, em Pernambuco 
Ainda nesta semana estive lembrando – modestamente – que este país nunca teve um governo capaz de entender a sua dimensão continental. Pode até fazer um discurso bonito com este argumento, mas, entender de verdade, está pra nascer. Quando é um paulista só enxerga de São Paulo prá baixo, e olhe lá... – Acho que Temer, mesmo, nunca havia pisado num solo esturricado pela seca nordestina – quando é nordestino, tenta com imensas dificuldades direcionar ações para seu povo. Se for gaúcho, que em geral nunca andou pela Amazônia ou pelo Nordeste, tem uma dificuldade danada de assimilar as dimensões geográficas e culturais. Quando mineiro fica embananado sem saber como atender os vizinhos cariocas e paulistas e esquece o resto. Ressalvo somente Juscelino, mineiro que criou a SUDENE, embora que tratasse com “cuidado” de fazer incluir o Norte do seu estado no chamado polígono das secas e, conseqüentemente, na área da Agencia que criou. Já viu, né? De todo modo, é de se considerar que não deve ser uma missão fácil governar este Continente verde-amarelo. O problema é que o país é muito grande, muito diversificado, paisagens regionais bem distintas, culturas arraigadas e problemas dispares. São muitos Brasis enroscados num só Brasil.
O resultado prático da sociedade que se formou nesse imenso e diversificado território é de assustadores desníveis. O homem da imensa Amazônia jamais pensa da mesma maneira de um gaúcho pampeiro. Um caba-da-peste nordestino nem faz ideia do que passa pela cabeça de um caipira mineiro. O prepotente empresário paulistano, por principio, formação e até preconceito, nem se preocupa por entender os pensamentos dos paus-de-arara ou baianos como eles se referem aos nordestinos. É difícil... Termina que legalmente são dados tratamentos iguais e injustos para realidades diferentes. Baseado nisso tudo é que defendo políticas sociais diferenciadas para realidades distintas. As políticas de educação ou de saúde, por exemplo, não podem ser niveladas nacionalmente. Ao invés disso devem ser ajustadas às necessidades e traços culturais locais.
Agora, cadê vontade política? E cadê credito nos políticos?
O cenário governamental do Brasil de hoje é de total perplexidade. A sociedade já se sente órfão, há muito tempo. Tudo passa pela falta de confiança geral nos nossos mandatários. Como acreditar no Parlamento tão indigno, que só legisla em causa própria, salvando AA próprias peles? Como acreditar numa Suprema Corte que comete o absurdo que cometeu esta semana? Os argumentos podem até encontrar guarida nas altas esferas políticas, mas, mas, na prática o Supremo saiu muito arranhado. Os juízes do STF são os guardiões da Democracia! Como absolver o réu Renan para continuar na Presidência do Senado e vedá-lo da linha sucessória. É uma coisa inverossímil. Pesos e mediadas diferenciadas para “salvar a Pátria?” Neste caso, entendo que daqui prá frente cabe tudo e qualquer coisa.
Quando uma Suprema Corte se curva diante de um Legislativo a “vaca vai pro brejo” de vez. Aliás, nossa vaquinha precisa sair do brejo urgentemente. A bichinha já está atolada até o pescoço. Se demorar mais... Bom, se demorar mais, saia de baixo!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

 


domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma semana pra não ser esquecida

A semana começou com a notícia da morte do ex-ditador de Cuba, Fidel Castro. Naturalmente que com repercussão mundial, afinal – bem ou mal – ele foi uma figura que ocupou espaço no panorama político mundial, no século 20. Andei me preparando para fazer uma página inteira a respeito desse cidadão odiado por muitos e aclamado por outros. Um mito é verdade. Teve tudo às mãos para fazer de Cuba uma democracia autêntica, depois de livrar a ilha caribenha da zona de jogo e prostituição dos norte-americanos na primeira metade do século passado, em detrimento da população esmagada por outro cruel ditador, Fulgêncio Batista. Idealista e perseverante Castro empreendeu uma cruzada de “libertação” do seu povo e foi aclamado como mandatário, no remoto 1959. Manteve-se no poder até o recente 2008, passando o comando da ilha ao irmão Raul Castro. Embora prometendo um mundo de sonhos, se perdeu no meio do caminho (no começo, pensando bem) ao romper com os Estados Unidos e cair nas mãos de tiranos parceiros soviéticos, da fracassada União Soviética, e se tornou um cruel e sanguinário ditador, levando ao paredón e fuzilando centenas de opositores ao regime esmagador que implantou. Com idéias brilhantes, justiça se faça, nas áreas sociais, implantadas com sucesso, sujou seu nome e perdeu ótima oportunidade de ser lembrado como um verdadeiro estadista, devido sua “mão de ferro” e, ao contrário do que prometeu, fundador de uma sociedade pouco democrática. A História vai julgá-lo, como ele próprio disse. A Cuba de hoje não passa de uma nação atrasada economicamente, com um povo pobre e incapaz de entender o que seja liberdade. Há uma população jovem que nem tem idéia do que seja ter vontade própria e empreender. É Interessante quando lembro que Castro ascendeu ao poder, quando eu ainda era um meninote  adolescente e, logo depois, quando universitário, teve em mim um admirador. No ambiente da Academia era, junto com o Che Guevara, o mentor da transformação histórica sonhada para o mundo. Dois ícones da minha geração! Tudo isso foi por terra, com o passar dos anos. Hoje perdi minha admiração por esses tipos e sinto-me aliviado com o fim dessa era retrógrada e infeliz para muitos. Seus discípulos – Chávez, Maduro, Lula, Dilma, os Kirchner, Evo Morales e outros insignificantes no Continente –, aos poucos, estão sendo postos à margem e tendem a desaparecer. A morte de Castro sinceramente não me causou nenhum lamento. Pelo contrário, senti alívio. Odeio ditadores de esquerda ou de direita. E, depois, diante do que o Brasil viu no decorrer da semana, esse fato é coisa para ser esquecida de pronto. Página virada na História da América Latina. Pobre Latinamérica! Soy loco por ti (pobre) América.
Pois bem, o pior da semana estava por vir. E este, sim, o motivo para que esta semana não seja esquecida! Foram bem difíceis estes sete dias desta semana que hoje finda. E tudo no cenário da mesma América, atingindo em cheio, o coração do Brasil. Sobretudo, os aficionados no  futebol do Brasil.
Este garoto virou ícone da tristeza de um povo sofrendo pela morte dos seus atletas
Não encontro um termo exato para classificar minha revolta com um individuo irresponsável dono e comandante de uma aeronave de uma desconhecida empresa de aviação – aliás, empresa de um único avião – que levou à morte dezenas de jovens atletas da Associação Atlética Chapecoense, seus dirigentes e admiradores e jornalistas num acidente aéreo de grande proporção nas encostas dos Andes colombianos. Um time de futebol em ascensão no cenário esportivo do país e do continente é criminosamente eliminado num episódio dantesco que, por fim, expõe de modo claro o tipo de empresas e profissionais descomprometidos e irresponsáveis aos quais – muitas vezes – somos submetidos. Acidentes são acidentes e são coisas comuns da vida, é verdade. Mas, acidentes devidos à falha ou negligencia humana é imperdoável. Inaceitável e revoltante. Esse tal de Miguel Quiroga, proprietário e piloto da aeronave, tinha consciência quando levantou vôo com insuficiente combustível para percorrer a distancia entre o ponto de partida em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Medellín (Colombia). Ele morreu no acidente. A Chapecoense iria disputar uma final da Copa Sulamericana contra o Nacional de Medellín, na quarta feira. Este acidente, o maior envolvendo um time de futebol brasileiro, apanhou o país de surpresa e perplexidade na manhã da última terça feira (29.11.16). O desenrolar da história o Brasil e o Mundo já sabe e não preciso relatar. A manifestação de solidariedade dos colombianos no estádio onde se daria o confronto das duas equipes e a cerimônia de velório coletivo, em Chapecó (Santa Catarina), neste sábado demonstraram a dor vivida por um povo solidário e uma nação em luto. Foram 71 mortos. Vidas ceifadas por irresponsabilidade sem limites.
Manifestação do povo colombiano em Medellín no estadio onde se daria a partida de futebol.
Mas a semana não ficou por aí. A outra surpresa ruim veio de Brasília. Nas caladas da noite e aproveitando a consternação geral do país, a Câmara Federal fez serão e, numa jogada traiçoeira, aprovou com indecentes emendas/cortes o chamado Pacote Anti-Corrupção, projeto de lei de iniciativa popular. Os tais cortes foram, na prática, objetivando anular ações da Operação Lavajato, que é hoje a maior esperança de moralização e de ordem na estrutura de Governo deste país. Agora, resta a esperança de que no Senado essa indecência seja derrotada, embora que o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros, seja um dos mais proeminentes réus das ações anti-corrupção. Teme-se que ele se defendendo em causa própria manobre para aprovação da sujeira. dos deputados. Precisamos voltar às ruas para exigir uma Nação honrada e livre dos ladrões do poder, como sonhamos.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.