terça-feira, 17 de outubro de 2017

Futuro Social Incerto


Indiscutivelmente alguns episódios “artísticos” da semana que passou balançaram fortemente a sociedade brasileira com polêmicas diferentes das mais corriqueiras: refiro-me à exagerada exposição do chamado nu artístico no Museu de Arte Moderna – MAM, de São Paulo, e outra exposição no Centro Cultural Santander, em Porto Alegre. Na capital paulista, a título de arte e em meio a outras várias peças expostas, um homem despido posou para um numeroso público, chamando a óbvia atenção dos visitantes, particularmente, várias crianças e adolescentes. Mais do que isto, numa espécie de performance erótica, claro, crianças foram convidadas a tocar naquele desconhecido nu, levando a plateia e a sociedade a um debate caloroso e sem fim.
Eis a cena condenada pela sociedade de são juízo.
Até que ponto aquilo lá pode ser chamado de arte? Até que ponto aquilo lá não foi um estimulo à pedofilia? Difícil de responder, mesmo nos dias de hoje, quando tudo é permitido. Um formidável desafio para a sociedade que se julga prafrentex. Acho que este termo ainda existe... Até que ponto aquela garota que foi induzida, pela própria mãe, a tocar no corpo despido de um homem desconhecido, vai processar incólume essa experiência? Estaria ela preparada para essa exposição pública? Reagirá, mais adiante, a um eventual assédio real ou virtual? Certamente, são muitas perguntas sem resposta imediatas. Salvo para os formadores de opinião – artistas e intelectuais de esquerda, sobretudo – que pregam a todo custo a diversidade sexual, a desorganização da família e mundo livre e desbandeirado. Acredito que, nem todo mundo concordaria com esse tipo de participação de um filho ou filha. E que fique claro: há uma imensa diferença entre o nu do David de Michelangelo esculpido em carrara e o nu, de carne, osso e sangue nas veias, daquele velhote lá de São Paulo.
A verdade é que este tema exige rápida reflexão e deve ser bem pensado respeitando as opiniões da sociedade, da comunidade científica e das autoridades constituídas. Usar o argumento do controle da censura como justificativa pode ser uma opinião apressada. Aliás, apresso-me em afirmar que sou a favor da liberdade de expressão! Mas, com um senão: tudo neste mundo tem limites. Pratico e admito essa liberdade até que não venha ferir os bons costumes e a preservação da ética e da moral. Sei que muitos discordarão de mim. Mas, sei também que outros muitos concordarão.   
Nas minhas reflexões, antes desta postagem, procurei ver por um retrovisor e conclui que já se foi o tempo em que discutir sexo e liberdade sexual era um tabu. As nossas crianças desde muito cedo são estimuladas a pensar nessas coisas, ajudadas pela TV e pelas relações sociais mais abertas. As escolas mistas dos tempos de hoje já oferecem oportunidades fantásticas de abrir as mentes infantis para os relacionamentos homem x mulher, bem como outros arranjos menos tradicionais. Virgindade é coisa descartável facilmente. Outra coisa, meu Deus, criança alguma, hoje em dia, cai na velha historia da cegonha. Faz tempo... Soaria como piada! Ao invés disso, quando já sabe ler, lhe providencia um livrinho, de origem alemã e bem popular no mundo inteiro, denominado “De onde vêm os Bebês”. Que cegonha, que nada! Certíssimo! E inclusive causa alívio aos pais que têm dificuldades de responder perguntas difíceis de filhos mais perspicazes. Eu lembro meu tempo de criança, quando acreditava piamente nessa tosca historia, e minha mãe anunciava que o bebê ia chegar a qualquer momento, eu corria para o quintal ou para o jardim de casa para assistir a aterrissagem da dita cuja. Pode uma coisa dessas?
Ilustrações do livrinho alemão, traduzido no mundo inteiro.
 Outra coisa que me leva a condenar essa exposição do MAM de São Paulo é o fato de que uma garota pré-adolescente não precisa ser exposta a uma experiência estúpida como aquela, dado ao fato de que, certamente, ela deve estar familiarizada com um corpo de um homem despido ou semi-despido na convivência em família. Numa família bem estruturada – ou até menos do que isto – a nudez dos membros da família não obedece a rigores rigorosos. Não constitui nenhuma obscenidade. Qual filha ou filho menor nunca viu pai despido ou mãe despida? Muito difícil! Nada mais natural. E essas coisas ocorrem de modo tranquilo, sem subterfúgios ou traumas. Por que, então, obrigar uma garota desempenhar um papel tão agressivo como aquele lá em São Paulo? A título de arte? Tenha dó. Feriu a sociedade já tão aberta às mudanças do mundo de hoje com arranjos de famílias pouco ortodoxos, casamento homoafetivo, transexualidade, entre outros.
Bom lembrar, ainda, que esse episódio feriu frontalmente o que reza o Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como a legislação vigente a respeito da proteção ao menor em situação de risco. Essa mãe que estimulou a filhinha manipular o corpo de um ator repousando no tatame do MAM, certamente desconhecia tudo isto e merece ser chamada e enquadrada no rigor da Lei. A propósito, o Ministério Público de São Paulo, em boa hora, já instaurou um inquérito para responsabilizar os autores dessa “arte” e a própria direção do Museu.
É temeroso saber que essas iniciativas estão sendo tomadas em importantes capitais do país, a exemplo do Queermuseum de Porto Alegre. Ali, uma exposição na exploração do tema sexo, pedofilia e até zoofilia foi cancelada às pressas, dada à repercussão negativa que causou na sociedade local. As imagens expostas estavam abertas de modo livre, sem qualquer censura. Escolas levavam suas crianças para visitas guiadas. Imagine o que se passava pelas cabeças dessas crianças diante de imagens libidinosas e muitas vezes grotescas. O Centro Cultural Santander, onde ocorria a exposição teve que administrar apuros. Viu-se obrigado a pedir desculpas formais e, às pressas também, bolou um programa de apoio à criança em situação de risco. Já no Rio, a Prefeitura simplesmente vetou uma exposição, desse gênero. Ainda bem.
A pergunta final é: o que será dessa sociedade no futuro?
Nós temos responsabilidade com esse futuro. Estejamos de olho, para esse futuro incerto. 

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Mundo Cão

Fico sempre muito impressionado quando rolam essas noticias de franco-atiradores nos Estados Unidos, a exemplo do que ocorreu, no passado fim de semana, em Las Vegas. Tento entender o que passa pela cabeça de um individuo desses, sem jamais conseguir. Matar mais de cinquenta pessoas inocentemente assistindo a um show de festival de musica country. Inexplicável. Ou então, matar crianças indefesas numa escola pública, disparar uma metralhadora contra estudantes que circulam no largo de uma Universidade ou entrar numa sala de cinema matando, indistintamente, os espectadores, entre outras formas estúpidas. Como entender tanta brutalidade? Estima-se que, nos Estados Unidos, ocorrem 30.000 mortes/ano relacionadas ao uso de armas de fogo, incluindo esses casos de franco-atiradores.  As mesmas estimativas dão contas de que 65% dessas mortes são por suicídio, o que é um percentual expressivo. Desculpe não informar a fonte. Obtive os dados numa leitura ocasional, na Internet.
Imagem do horror em Las Vegas
No caso desses franco-atiradores a única explicação é a loucura. E pode ser mesmo porque, na maioria dos casos, os autores concluem suas chacinas suicidando-se. Matar, se matar e morrer virou coisa banal no mundo de hoje. Os motivos são dos mais diversos. E nem vou falar dos fanáticos terroristas mulçumanos. Em países como os Estados Unidos pode ser, também, a excessiva liberdade de portar arma de fogo e gozar da livre venda destas. É provável.
Como se livrar de uma calamidade dessas? Eis aí um colossal desafio para a sociedade moderna.
Acredito que na verdade o mundo anda cheio de pessoas infelizes e frustradas. Principalmente nas sociedades ditas mais avançadas. Estados Unidos, Suécia e Japão se destacam neste grupo. Acho que falta amor à vida e respeito ao ser humano. E isto é cada vez mais crescente. Infelizmente o mundo moderno cobra demasiado a cada individuo. Homens e mulheres sofrem de toda sorte de dissabores para conseguir realizar seus projetos pessoais e nem todo mundo está preparado para romper as barreiras que lhes são impostas. O acúmulo de responsabilidades do cidadão ou cidadã comum começa ainda na infância. Sem que percebam são tragados desde cedo pela roda viva do viver velozmente. Chega o dia em que a exaustão atinge limites insuportáveis e a pessoa se vê numa encruzilhada de destinos quase sempre muito mais exigentes e, então, desanima. Como consequência vem a depressão, a automarginalização, a falta de apoio de um(a) amigo(a), profissional de saúde ou da família – pouco acreditada ou pouco solidária nessas horas – o desejo de morrer, tendo que viver e enfrentar a luta, sem que disponha de ânimo. Com a vontade de morrer agudizando e sendo esta a única rota de fuga restante, decide cometer o desatino. Mas, como vingança e sinal de revolta resolve que não vai sozinho e decide levar outros juntos. Triste sina de quem estiver na mira desses tresloucados. Mundo cão. Curioso, depois, é ouvir dizer que esses assassinos são descritos como pessoas tranquilas, bem apessoadas, de bons costumes e tudo mais. E há sempre os que se surpreendem com essas atitudes extremas.
Agora já se começa a falar, nos Estados Unidos, sobre a proibição das vendas de armas com a liberdade hoje vigente. Presumo que o desafio será maior ainda. O norte-americano tem na sua formação cultural a ideia da defesa pessoal sempre alerta e isto passa pela necessidade de ter sempre uma arma de fogo à mão. A meninada já cresce com essa ideia incutida na mente e um dos melhores presentes que recebem são exatamente os revólveres ou metralhadoras de brinquedo.
Aqui no Brasil é um tema sempre em evidencia e polêmico. Liberar ou não? Eis a questão. Um plebiscito determinou que fosse proibido. Mas a sociedade anda dividida, em face da escalada da violência versus a falta de armamento para se defender. Na contramão, gangs de traficantes e marginais circulam livremente e sem porte de arma com verdadeiros arsenais, desafiando polícias, forças armadas e, naturalmente, a sociedade indefesa.
Quase concluindo esta postagem, rompe nos meios de comunicação a noticia da atitude insana do vigia de uma creche, em Janaúba, cidadezinha no Norte de Minas, que ateou fogo no estabelecimento, matando várias inocentes crianças e alguns adultos, além de deixar muitos feridos. O monstro terminou se matando com o corpo em chamas. Fala-se que foi uma ação premeditada de um desequilibrado mental que, irresponsavelmente, foi admitido pela administração da creche. É uma atitude dolorosa e avassaladora que choca o Brasil, neste fim de semana.
Pra onde vamos? O que fazer para escapar deste mundo cão?
Enterro coletivo em Janaúba. Cidade pequena em estado de choque.
Dez dias de luto oficial, decretado pelo Prefeito local.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Uma semana desastrada

Os dias recentes não foram fáceis. Foi uma semana pesadona. Aliás, os dias recentes e os muitos antecedentes. Assistir aos noticiários da TV, do rádio, ler os impressos ou acessar qualquer outro veículo de comunicação tem sido um verdadeiro exercício de estresse ou resignação diante das tragédias que rolam aqui, ali e acolá. Ideal mesmo seria seguir o conselho dado, na TV, pelo Presidente da John Deere do Brasil, Paulo Herrmann, em recente evento no Rio G. do Sul: “pare de assistir a TV, radio e ler os jornais e passe a acreditar mais no que você pode fazer. Este país que é mostrado nesses veículos de comunicação não nos pertence. Unamo-nos para retomar os destinos deste país de futuro”. Admiro essa ideia, mas, tenho imensa dificuldade de me desligar do Brasil que rola perto de mim e é estampado sem piedade na mídia. A John Deere é líder mundial na produção de máquinas e equipamentos agrícolas, com importante unidade no Brasil.
Enquanto não consigo adotar a sugestão do empresário, vou levando e fazendo meus comentários nas postagens semanais. Como estava dizendo, a semana passada foi uma sucessão de tragédias, desacordos  diplomáticos e convulsões politicas para deixar qualquer ser racional e de são juízo em estado de alerta, para não dizer de pânico. Imagine que até o fim do mundo foi anunciado! Como acompanhar essas coisas de forma passiva? Comigo não funciona. Sinto temores. Por que não? Sou humano, tenho sistema nervoso atuante, sangue nas veias, coração “remendado” e disposto, além de mente aguçada. Afinal, penso. Então estou vivo.
Como dormir tranquilo sabendo que dois proeminentes mandatários, com atitudes de loucos, trocam insultos ofensivos, ameaçam a paz e o equilíbrio universal? Como ficar alheio às noticias de que aquele norte-coreano segue lançando mísseis experimentais de longo alcance e efeitos destruidores?  Estamos longe deles, mas, uma decisão açodada nos jogará numa hecatombe universal.
Ao mesmo tempo, a Natureza em espasmos atabalhoados resolve soprar ventanias mais fortes que as de costume e, de modo furioso, varre países, cidades e seres humanos da face da Terra, deixando saldos dolorosos, castigando povos já sofridas em face das suas pobres e renitentes condições de vida. Esses furacões de setembro – Irma e Maria – na parte tropical do Hemisfério Norte assustam e comovem, enquanto enchem de pautas a mídia internacional. As imagens são chocantes. Também, com os modernos e rápidos meios de comunicação essas cenas são transmitidas ao vivo e a cores deixando o mundo em estado de perplexidade.
Pobres e arrasados por capricho da natureza
Como se não bastassem as varreduras de Irma e Maria, a Mãe Terra, parecendo tremer de medo destas duas “senhoras” agitadas, resolve fazer uma “reforma de piso”, reajustando suas placas tectônicas, no lado Ocidental da América do Norte, provocando um transtorno sem tamanho preciso em dois pontos do território mexicano.  Ora, meu Deus! Por que tudo isso de uma só vez? Atento a todas essas movimentações acima do Equador, confesso que não tive muita paz de espírito, nesse tempo tumultuado.
Prédios inteiros desabados 
Tenho vários amigos no México e não sosseguei enquanto não obtive noticias de cada um. Alguns sofreram abalos físicos e emocionais inesquecíveis. Agora são vidas marcadas pela tragédia. Vidas amigas que, por sorte, salvas em meio a esse desmantelo coletivo. As imagens que chegaram até nós e no restante do mundo foram e ainda são aterradoras. No balanço provisório sabe-se que vidas foram soterradas, famílias inteiras apagadas, com seus projetos e ilusões, sumiram em meio a poeira levantada das crateras abertas, prédios, casas e grandes edifícios desmoronados. Dói muito saber que vidas inocentes desapareceram para sempre como as daquela escola onde quase trinta crianças morreram sob os escombros.
Vidas, patrimônios perdidos no meio escombros e muita poeira.
Mas, aqui em Casa as coisas não foram nada fáceis, também. Fora a guerra suja que se trava ininterruptamente em torno do Palácio do Planalto, tivemos o deflagrar de uma “guerrinha civil” na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, que rola até hoje e causa preocupações infinitas, visto que pode contaminar inúmeras outras praças do país, nas quais o crime, o tráfico de drogas, roubos, assaltos e latrocínios grassam sem limites. É, minha gente, a insegurança se espalha rapidamente e já é quase endêmica em muitas das grandes e médias cidades brasileiras. Os governos locais e o Federal se mostram impotentes para impor a ordem. As forças policiais estão desmoralizadas e eivadas de corruptos nas suas fileiras e as forças armadas – convocadas para operações extraordinárias – são desafiadas pelos bandidos armados até os dentes e muitas vezes melhor equipados. É uma luta desigual e preocupante.
Guerra Civil travada na Rocinha
Será esse o Brasil que o empresário, citado no inicio do post, falou não ser nosso? Sei não! Continuo achando que é nosso e que somos responsáveis por não sabermos escolher nossos governantes.
Vou finalizar desejando que venham semanas de paz nos céus e na Terra.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A Encrenca da RENCA

Estou cansado de falar sobre políticos e politiqueiros. Acredito que ninguém agüenta mais. Aliás, pensando bem, é por isso que o povo desistiu de ir às ruas, bater panelas e protestar. Aparentemente, desligaram de vez. Acho que perderam as esperanças (esqueceram que é a “ultima que morre”?) diante de tantas barbaridades cometidas por esses irresponsáveis que comandam o país. A salvação ainda é que a economia dá sinais de recuperação. Lenta! Tem muita gente batendo cuia. Chega!
Então, mudando de assunto, embora focando em mais um imbróglio da política desastrada e duvidosa, do Governo, volto a comentar sobre a questão da extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados - RENCA, sobre o que falei recentemente. E voltei porque cheguei à constatar que este caso exige mais cuidado do que se vem tendo. Recente reportagem na TV, com imagens feitas naquela região, esmiuçou de modo flagrante o que de fato existe naquele pedaço relativamente esquecido do Brasil, mostrando a exploração predatória e ilegal que são levadas a efeito por lá. São clareiras imensas abertas no meio da floresta devastada. É impressionante como se garimpa ouro e outros metais nobres sem que as autoridades tomem o devido conhecimento e apliquem as medidas legais. Os indígenas da região, que aparentemente reclamam da medida, parecem usufruir dos frutos da Terra e se mancomunam com os exploradores clandestinos. Pudera! As autoridades (in)competentes são míopes para o que ocorre por lá e por isso a esbornia corre solta. Tudo parecendo ser uma terra de ninguém. Leitor radicado naquela região falou-me em off que, das pistas clandestinas de pouso, que são muitas, decolam jatos carregando levas pesadas de ouro diretamente para países da Europa (a Bélgica foi um dos país citados) sem que o Estado Brasileiro tome conhecimento. Não tenho provas disso, claro. Nem o Governo tem, imagine eu!
Na verdade, acredito que a tão defendida e “protegida” Floresta Amazônica encerra, além de  um imenso patrimônio florestal (pulmão do planeta climaticamente saturado), uma incomensurável riqueza de recursos minerais. Sabe-se de modo atabalhoado que naquele subsolo há fantásticas ocorrências de minérios com alto valor de mercado, incluindo minerais fósseis, ouro, cobre, prata, entre muitos outros menos conhecidos no Brasil, mas de grande valor para a produção industrial tecnologicamente avançada nos países do chamado Primeiro Mundo.
Fiquei sabendo que um dos produtos minerais mais demandados na atualidade são os denominados de Terras Raras, também conhecidas como Novo Ouro. Quer ver uma coisa? Nunca ouvi falar de latânio, cério, neodímio, európio, túlio, lutécio e samário. Pouca gente viu. Aqui no Brasil são denominações restritas aos cientistas que atuam na área de exploração mineral. Segundo minhas investigações, todos nós, pobres mortais, dependemos desses materiais no dia-a-dia. São materiais  indispensáveis na moderna tecnologia, para produção de motores elétricos, turbinas eólicas, superimãs, telefones e televisores inteligentes, computadores, tabletes, lâmpadas LED, mísseis e muitos outros produtos. 
Imagem de Terras Raras colhida no Google Imagens
A China é a detentora das maiores reservas de Terras Raras. Tem o monopólio mundial e é responsável por 95% da produção, seguida dos Estados Unidos e Austrália. O Brasil sequer figura na lista da produção mundial, embora se saiba, desde os anos 40 do século passado, das ocorrências verificadas no estado de Minas Gerais. Coisa pouca quando comparada com a China. Contudo, já se fala que há importantes reservas na Amazônia. Mistério! É aí onde reside a dúvida dessas manobras tidas como espúrias. Preserva-se a RENCA ou entrega-se à exploração mineral?
Tem coisa mais complexa do que essa? Eu sou partidário da defesa do meio ambiente. No entanto, ao mesmo tempo, vejo de forma inevitável que se explorem as riquezas minerais de alto valor com vistas ao desenvolvimento nacional. Dilema danado.O desafio pode ser combinar as duas coisas: preservar a floresta e explorar os minérios. E isso é possível com tecnologias subterrâneas. 
Explorando um pouco o assunto, dei de cara com uma declaração interessante  de um especialista em estudos do tema, Breno Augusto Santos (in: Estudos Avançados 16(45), 2002)quando falando sobre a riqueza mineral da Amazônia, disse uma verdade: “Os recursos minerais da Amazônia somente poderão dar maior contribuição ao desenvolvimento nacional – e regional – quando o processo de industrialização do país permitir a elaboração de produtos finais com elevado grau de tecnologia agregada. Só assim será possível uma melhor remuneração para os produtos de origem mineral, que tenham maior competitividade nos mutantes mercados atuais, num mundo onde há enorme diferença entre exportar potato chips ou micro chips”.
Agora, se houver estrangeiro cobiçando terras raras na área da RENCA ou no resto da Amazônia, teremos um bom motivo para protestar e brigar pela soberania brasileira. Isso sim, será um bom motivo para irmos às ruas, bater panelas e tudo mais.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Salvemos a Amazônia

Dois assuntos dominaram a mídia, nesta semana (28 a 31/08/17). Os dois caíram na boca do povo, sem trégua e sem explicações plausíveis: a liberação da RENCA – Reserva Nacional do Cobre e Associados, na fronteira do Pará com o Amapá e a derrubada de uma palmeira imperial no Pátio do Carmo, no Recife. A primeira com repercussão negativa no mundo inteiro e a segunda restringindo-se ao ambiente doméstico recifense. Dois crimezinhos banais desta vidinha ingrata do cotidiano brasileiro. É uma pena que bem pouco dos nossos cidadãos estejam informados o suficiente sobre o tema. A grande maioria não tem alcance intelectual para tanto. Coisas de Brasil.
Ora, meu Deus, num mundo às voltas com as questões ambientais e preocupado com a preservação da nossa morada universal, isto é no mínimo um desatino. Melhor observando, nessas horas quando o apelo de “Preserve o Planeta Terra”, propalado por entidades mundiais  – como o Rotary Internacional – são ignorados e, até mesmo, levados ao ridículo, resta a tristeza e a vergonha em face da comunidade internacional.
Contudo, é importante registrar que as coisas não ficaram de tudo por isso mesmo, como só e geralmente acontece. No caso da RENCA o estouro de protestos foi detonado em milhares de pontos do planeta. Eu mesmo recebi mensagens – cobrando posição de repulsa aqui no Blog – de alguns amigos estrangeiros, na mesma hora em que a noticia de espalhou. Leitores do Chile, Equador, Estados Unidos, Portugal e Argentina, manifestaram revoltas e estão a espera deste post.
Liberar à exploração predatória – e todas são – de uma área correspondente a extensão da Dinamarca é falta de visão governamental responsável e de compromisso com os brasileiros e com a comunidade internacional. A Amazônia é um patrimônio inigualável para a preservação da natureza do planeta. Vem sendo devastada sem pena e sem ordem, há décadas. O Agronegócio impera e destrói a floresta. É do Brasil a maior parte dessa riqueza natural. É o pulmão da Terra! Diante da irresponsabilidade brazuca, não é à toa que, vez por outra, renasce a tese daqueles que pleiteiam transformá-la numa região internacionalizada. E é por isso também que  tem muitos estrangeiros, entidades e pessoas físicas, trabalhando em pesquisas, por lá. Imagino os interesses e o olhão naquela riqueza.  É temerosa essa ameaça! Além disso, com a visão politicamente deteriorada do nosso país, em crise econômica profunda, a velha fama de país pobre e sem recursos públicos para investir, corre-se o risco dessa derrota. Deus nos mande alguém de visão, instruído e líder para salvar o Brasil e o Planeta.
Eis o mapa do crime
Haverá certamente os que vão defender a liberação da área amazônica e deixar que haja exploração mineral precedida da extinção da floresta secular, bem como os que vão explicar de modo inconvincente a derrubada da palmeira imperial no centro do Recife.
O caso da palmeira imperial recifense foi absurdo e criminoso. Derrubar uma palmeira viçosa e sadia para melhor posicionar o caminhão trio-elétrico que serviu de palanque político para o ex-presidente Lula, na sua campanha antecipada é abominável (não encontro outro adjetivo mais adequado). Esse “candidato” desgastado e politicamente morto não tem direito de qualquer coisa mais e, muito menos, concordar com um crime ambiental, que o seu partido tanto defende. Haja cinismo. Além de corrupto condenado é, agora, por razão explicita de um crime ambiental. 
A palmeira viçosa e sadia (observe o tronco sadio) derrubada e o palanque petista
A palmeira recifense já era. No seu lugar tem um cimentado grosseiro. Merecia uma placa/lápide para registrar o histórico e cruel fato. Está lançada a ideia. Entrou para a história da bandidagem PTista.
Já quanto à liberação da RENCA, o assunto vem rolando e expondo negativamente o Governo desgastado e recorrente em decisões impopulares de Michel Temer. Para dar uma satisfação aos protestantes, nosso mandatário revogou o Decreto original e editou um novo prometendo vigilância e formas racionais de uso da área. Pura ilusão! O principio foi mantido. Discurso para enganar os tolos. Mas, como iludir a sociedade se a Reserva é clara quanto a sua riqueza geológica, isto é, Cobre? Vão explorar o cobre, sim. Quem viver verá.
Até onde vamos com esse tipo de crime? Salvemos Amazônia! É urgente e fundamental. Deixemos um mundo melhor para nossos descendentes. Compartilhem essa ideia. Seja também responsável. 

NOTA: fotos obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Inteligências Perdidas


São muitos os prejuízos decorrentes da atual crise na qual o Brasil está mergulhado. Inútil enumerá-los porque são bem sabidos e vivenciados por todos. Todos, mesmo. Um desses prejuízos, contudo, tem sido relativamente pouco visualizado. Refiro-me à desilusão que atinge os jovens integrantes da força de trabalho que chega ao mercado, a cada ano. O crescimento vegetativo da população vem crescendo, segundo o IBGE, a uma media anual de 1,24%. É uma taxa significativa e, obviamente, o crescimento da população entre 18 e 30 anos não para aumentar. Enquanto isto, as oportunidades de engajamento no mercado de trabalho estão escassas ou quase nulas, em certos segmentos. Um desespero para quem investiu duramente numa formação profissional e cai nesse ambiente hostil, no qual se fala mais de desligamentos do que de admissões.
Resultado disso tudo é que os que fazem parte dessa parcela da sociedade estão sendo empurrados para um limbo (entendo que se trata de um lugar marginal, sem luz e sem futuro certo), no dizer do cientista Ricardo Henriques (Economista do Instituto Unibanco) em entrevista ao jornal Valor Econômico de 16.08.17. Nesse limbo perambulam tateando em busca de uma solução de sobrevivência e organização do futuro. É, portanto, uma geração prejudicada cuja perspectiva é de um tempo de dificuldades ilimitadas.
Sem soluções econômicas imediatas, esses jovens em desespero, se lançam quando bem “sucedidos” em atividades informais,  geralmente muito diferente da formação acadêmica  que tiveram e sem as garantias que a formalidade lhe assegura. Alguns vencem. Outros se perdem no meio do caminho. Serão brasileiros frustrados nos seus projetos de vida e integrantes do já grande contingente de cidadãos revoltados com a instabilidade do país. 
Ela estudou muito, mas, caiu no mercado informal.
Há também os que fogem para outros países, onde esperam iniciar uma vida mais digna e produtiva. Naturalmente que essas fugas não são nada fáceis haja vistas para aqueles que escolhem, por exemplo, os Estados Unidos – que exerce um poder de atração fantástico – e se lançam em aventuras arriscadas, inclusive a da entrada clandestina, via México, pelas mãos dos chamados coyotes. Muitos perdem a vida na travessia.
Outra parcela desses jovens, aqueles com melhores condições econômicas, se aventuram de forma honesta, dão adeus ao Brasil e se organizam noutros países onde passam a viver com mais tranqüilidade, segurança e dignidade, ainda que na maioria dos casos sem exercer a profissão para a qual se preparou. São jovens inteligentes, com capacidade de por mãos à obra e que poderiam empreender no país de origem, mas, não encontram ambiente propício. As políticas de promoção do empreendedorismo na sua grande maioria não passam de retórica. E quando dão sinais de viabilidade, esbarram nas dificuldades do famigerado Custo Brasil. Faltam financiamentos, subsídios, juros civilizados, carga fiscal digna e bem aplicada, capacitações  específicas, segurança jurídica, infra-estrutura, entre outros itens. Falta quase tudo! Nem a vontade resta! Isso sem esquecer que a cultura da corrupção reinante se constitui num pano de fundo desta onda de desilusão.
Tenho tido oportunidade de ver muitos jovens arrumando as malas e se despedindo para sempre. Jovens com formações superiores e revoltadas por ter que partir para construir uma nova vida, abandonando família, amigos e a boa vida de Pindorama.
Dois países se destacam como destinos mais procurados: Austrália e Canadá. Este faz com alguma freqüência promoção de boa vida e empregos abundantes, aqui no Brasil. Aqui no Recife, inclusive. São levas de brasileiros por lá. Conheço alguns.
Já na Austrália, por onde ando vez por outra, encontro muitos jovens brasileiros trabalhando em bares, restaurantes, parques, entre outros locais, felizes por estarem distantes desses imbróglios político-sociais brasileiros, da insegurança, dos baixos salários, do desrespeito ao trabalhador e das inúmeras outras desvantagens corriqueiras no dia-a-dia por aqui. Jovens advogados, administradores e engenheiros brasileiros preferem servir em restaurantes e bares australianos, sendo bem pagos por hora, do que receber salários miseráveis no mercado brasileiro. 

Esta semana, por exemplo, fiquei pasmo com a definição, pela OAB, do piso salarial de um advogado aqui no Brasil, que é de R$ 2,0 mil. É quanto se paga a um desses jovens, quando empregado numa banca bem estruturada. Isto se quiser! Caso contrário, vá bater noutra porta ou mude de ofício. Ou então vai ser garçom em Sydney, Melbourne ou Perth.
A grande maioria vai e não deseja voltar. Vão ficando, se radicando e pronto! Quanta inteligência perdida. Quanta insensatez desses nossos governantes.

NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens.
  

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Sociedade Esquecida


Não dá pra ficar calado! O país assiste a crise aprofundando, cada dia mais. O povo sofrendo sem perspectiva e de modo inerte: sem emprego, sem esperança e assistindo a distancia o desmando da Corte, em Brasília. O que é isso gente? Estamos indo em que sentido? Pra onde? Até quando essa situação vai perdurar? Cadê as manifestações públicas? E as panelas?
Faltam recursos para saúde, educação, investimentos governamentais, a insegurança é generalizada, corrupção idem e, surpreendentemente, uma abismal indiferença da Nação. E quando falo de Nação, veja bem, excluo Estado e Governo! Que fique bem claro. Nação é povo e nosso povo está anestesiado, parece que hibernando a espera de um milagre caído do céu.  Até este blogueiro perde o estimulo, cansado de protestar. De todo modo, como “quem cala, consente”, vamos falar. Mesmo que tendo a consciência de ser uma voz tênue e pouco ouvida. Mas, é minha forma de participar. É de participação que este país precisa.  
Três coisas absurdas fizeram a festa da mídia, nestes últimos dias: a criação do Fundo de Financiamento para a Democracia – FFD, singelo na denominação e indecente no objetivo, visto que se destinado a financiar as campanhas políticas milionárias de sempre e com dotação inicial projetada com uma bagatela de R$ 3,6 Bilhões. Indiscutivelmente, vamos e venhamos, é uma verdadeira piada de mau gosto. Só pode! Fiquemos atentos para ver se a Câmara dos Deputados terá o desplante de aprovar essa estupidez. O outro absurdo é a revisão da meta do déficit da União, visto que a antes prevista é inviável. Tente interpretar essa coisa e veja a insensatez. É isso ou então, Temer vai ter que “pedalar” como D. Dilma. Finalmente, o terceiro absurdo é uma meia-sola de reforma política, que estão cometendo para enganar os tolos adormecidos.  
Cidadão sem futuro garantido
Francamente, penso que esses nossos representantes em Brasília perderam de vez a noção de limites e de vergonha. Há muito eles já vêm dando sinais disto, mas, a cada dia e cada hora  extrapolam. Estão apurando a capacidade de zombar da cara dos representados. Seguramente são adeptos do principio do “quanto pior, melhor”. Uma coisa é certa: vivem noutro mundo que não o nosso.
Ora, com R$ 3,6 Bilhões – fora fundo partidário e propaganda obrigatória na TV – muito poderia ser feito em beneficio social. Investimentos em Saúde, Educação, moradia popular, segurança, entre outros itens que me ocorre lembrar e que mitigariam o sofrimento endêmico da população de baixa renda, abandonada à míngua.
Uma gente esquecida
Já a tal meia-sola de reforma política servirá, sobretudo, para assegurar a reeleição dos atuais legisladores. Só não vê quem é cego ou alienado.
Por fim, a revisão do Déficit da União vai, tão somente, aumentar o rombo das contas públicas e empurrar pra frente a duração da crise. Melhor seria cortar os gastos com os vergonhosos supérfluos que pesam na máquina pública e cumprir os limites antes estabelecidos. Por que não cortar nos salários indiretos, cartões de crédito corporativos, viagens inúteis, embaixadas dispendiosas em lugares remotos e sem qualquer interesse político-econômico (fruto dos irresponsáveis que recentemente governaram por 12 anos), entre outros inúmeros itens já conhecidos e amplamente divulgados?
Sem dúvidas, somos uma sociedade esquecida e conformada. Precisamos acordar e sanear essa corte brasiliense. E a vez disto será em 2018. Fique atento, caro(a) leitor(a).
Enquanto isto não passa, tente aproveitar seu fim-de-semana! É uma coisa ainda possível, para alguns.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Chorando por Ti

Dois assuntos rondam na minha cabeça para formular este post semanal: Brasil de Temer e Venezuela de Maduro. Duas coisas complexas de analisar e motivo de perturbação na America Latina. Contudo, tento   por parte. 
Dentro de casa, vimos mais uma vez o desenrolar do velho jogo de fazer política. Fraco politicamente, com alta rejeição popular, apenas 5% de convencimento nas pesquisas de opinião pública, o Presidente Michel Temer usou e abusou do poder de comprar votos nas bancadas e deputados da Câmara Federal com vistas a se livrar de uma condenação da Procuradoria da República por improbidade, lavagem de dinheiro e o escambau. Trabalhou em duas frentes: no atacado e no varejo. Nenhuma novidade. Do mesmo modo como D. Dilma. O mesmo velho jogo. Ela, porém, não soube “abrir a torneira o suficiente” como o seu sucessor. Mais matreiro, Temer foi bem mais “generoso” e terminou bem sucedido. Foi absolvido por maioria dos votos dos deputados. Vitória apertada, mas conseguiu. Resta saber se da cadeira do Palácio do Planalto ele terá o mesmo sucesso para aprovar os próximos projetos de reformas. Precisamos delas, isto é uma verdade. Difícil, contudo, é prever o que sucederá com este patrono tão desprestigiado e mestre na condução do modelo da velha política do toma-lá-dá-cá.
Por outro lado, não podemos negar que graças à equipe competente que ele reuniu, sobretudo na Fazenda Nacional, com o Henrique Meireles, as coisas no campo econômico dão sinais de recuperação. A duras penas e alto custo, claro e apesar desse aumento de preços extemporâneo dos combustíveis que vai gerar repercussão negativa logo mais. A desculpa de que a inflação está baixa não cola muito.  
Se o Procurador Janot não expedir nova denuncia, antes de deixar o cargo em setembro, o Temer segue em frente. Caso contrário, vamos dar mais um passo em marcha à ré.
Estou louco que este ano acabe logo. Sem duvida, um ano perdido. Tenho medo deste Agosto corrente, lembrando fatos registrados no passado. O Brasil precisa desencalhar e navegar em mares mais tranqüilos. Pobre Brasil. Choro por ti.
Temer e sua dor de cabeça
Agora, vamos ao caso da Venezuela: não percebo sinais de paz e dignidade para aqueles irmãos mais ao norte. Esse tal de Maduro vai jogar um país rico e de futuro garantidamente próspero no mais profundo precipício socioeconômico. Uma futura recuperação – que inexoravelmente virá –  irá exigir sacrifícios a, pelo menos, três gerações. Nicolás (i)Maturo pratica, também, uma velha e carcomida política antiga e comprovadamente ultrapassada. Esse comunismo à La Cubana é um modelo falido e sem qualquer futuro. Os cubanos mesmo já sabem disto.
Estive por duas vezes na Venezuela: A primeira foi como consultor (cedido pela SUDENE), por dois meses em Barquisimeto (estado de Lara), dando contribuições técnicas à Fundación del Desarollo Económico Del Centrooccidente de Venezuela – FUDECO, em 1986, para implantação de um sistema de indicadores sociais à luz da experiência aqui no Nordeste do Brasil.
Pela segunda vez, já em 2000, visitei Caracas como integrante de uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela Federação das Indústrias do estado e a convite de Hugo Chávez, logo no inicio do seu mandato.
Foram duas oportunidades e dois quadros políticos distintos. No primeiro percebi um desgaste muito grande do Governo Central, à época, praticando um modelo político impopular, com governadores estaduais biônicos e uma economia centrada na exploração e venda do petróleo. A indústria enfraquecida e quase todos os bens de consumo duráveis ou não, assim como os serviços, sendo importados.
Nesse clima de insatisfação aparece a figura do Hugo Chávez tentando um golpe de estado, mal sucedido, em 1992, para derrubar o governo de Carlos Andrés Pérez, deposto em 1993, por improbidade e corrupção e sucedido por Rafael Caldera, que anistiou Chávez, após haver cumprido dois anos de prisão.
Em liberdade, Chávez, que era militar, deu baixa da farda e se dedicou com afinco à política. Eleito Presidente, em 1999, chegou garantindo tirar a Venezuela da pobreza após um período de 40 anos governado por uma aliança entre os partidos políticos de direita e decidido a inaugurar uma Era mais nacionalista e contra os imperialistas, sobretudo os norte-americanos.  Populista por convicção promoveu, logo de inicio, impactantes ações com vistas a eliminar a pobreza dos venezuelanos. O país vivia uma severa disparidade de renda. Criou um ambiente favorável ao seu proselitismo político. Mas, seu belo e inflamado discurso populista teria se transformado em realidade se no seu governo não houvesse exagero na campanha antiimperialista, não desapropriasse inúmeras companhias estrangeiras, nem desse sinais de querer se perpetuar no poder, na infeliz idéia do bolivarianismo, logo cedo interpretado como de aspirações Ditatoriais. A Venezuela que foi entregue ao Hugo Chávez era sabida como sendo o país mais rico das Américas, membro da OPEP e pleno de potencialidades. Hoje está mergulhado na mais profunda pobreza, sem investidores locais ou estrangeiros e com um povo mais pobre do que antes e sofrendo todo tipo de fome e barbárie. 
Criador e criatura
Acometido de um câncer, em 2013, antes de completar 60 anos, Chávez ainda conseguiu deixar como sucessor o Senhor Nicolás Maduro, ferrenho chavista. Nada maduro no oficio de gestor político e que neste momento tenta dar o golpe fatal para se firmar  como Ditador, em pleno século 21 e num país de imensas potencialidades. Pobre Venezuela. Llorando por ti, también, Venezuela.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens  

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Que país é esse?


Tenho algumas razões para não admirar, muito menos comemorar, essa condenação à prisão  do ex-Presidente Lula, devido ao julgamento do Juiz Sérgio Moro, de Curitiba, no âmbito da Operação Lava-Jato. Meu lamento é, sobretudo, relacionado à figura que ele representou, ou ainda representa de ex-mandatário da República e não, necessariamente, devido ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. É difícil separar as duas coisas, mas, é preciso!
Como Presidente ele cumpriu um papel de destaque e se projetou internacionalmente defendendo o nome do Brasil, embora muitas das controvérsias que criou. A lástima é que não soube ser correto enquanto cidadão e perdeu a chance de ouro de entrar na História de modo limpo, ao não saber lidar com o decoro que o Poder lhe conferiu e não titubeando ao se entregar às loas e armadilhas  montadas por corruptores contumazes que sempre existiram nesta e em muitas outras frágeis repúblicas, particularmente nas latino-americanas . Perdeu a cabeça e se entregou de corpo e alma à bandidagem, de forma compulsiva. Portanto, entendo que não foi nenhum inocente! Agora, a verdade é que não se trata de uma coisa comum ver um ex- presidente, todo poderoso da Nação e que posou de mensageiro da esperança para um povo sofrido, ser condenado à prisão por tão escusas razões.

Lula versus Moro
Acredita-se e deve ser verdade que muitos dos seus antecessores, ao longo da História da República, se locupletaram desde a cadeira presidencial. Disso ninguém duvida.  Mas, o Brasil mudou! Os tempos são outros e hoje as regras são outras. Os mecanismos disponíveis de controle e julgamento dos representantes do povo são mais eficientes e, sobretudo, transparentes. Uma Republica institucionalmente mais consolidada e na incessante busca do politicamente correto. Recordo que quando o ex-Presidente Collor foi impedido de continuar à frente da Presidência da República tivemos o primeiro grande sinal desses novos tempos. Naquela ocasião, dava-se por certo que, prá frente não teríamos novas decepções. Mas, não. O pior estava por vir. E veio! A História está registrando e não é à toa que temos hoje um ex-presidente condenado à prisão, sua sucessora e cria política sendo acusada de desmandos político-administrativos, enxotada, aliás, do poder e, pior, um terceiro, em pleno exercício do cargo presidencial, denunciado pelo Procurador Geral da República por vários atos ilícitos, tais como corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Trata-se de um cenário plúmbeo e extremamente nefasto para um país da dimensão política e econômica do Brasil.
Ora, este não é o país que vislumbrei nos meus projetos de cidadão, na juventude.  Jamais passaria pela minha mente qualquer episódio do tipo que estamos assistindo nessa recente passagem da História da nossa República.
Habituado a viver, com alguma frequência, exposto a sociedades de além fronteiras e recordar a forma respeitosa e entusiasmada com as quais os estrangeiros dispensam ao Brasil, à nossa gente e nossa cultura, vejo-me em profundo pesar e indignação em face das repercussões internacionais negativas geradas por essas autoridades de plantão, no Planalto Central. Constato facilmente que estamos num patamar de total desgoverno e irresponsabilidade generalizada, nivelado a países em estado indefinido politicamente e com profundas diferenças étnicas e sócio-econômicas. No Brasil de agora, cata-se um líder de realce enquanto probo, republicano e consciente das necessidades do brasileiro, para assumir o comando da Nação e é o mesmo que procurar uma agulha num palheiro. Nessas horas faço coro com Renato Russo e pergunto: que país é esse?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens
    
 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Batalha Ganha

Como tenho dito, frequentemente, o Brasil acorda a cada manhã com uma novidade do tipo insólita. O que ocorreu ontem (11.07.17) no plenário do Senado, em Brasília, além de deplorável foi mais um sinal de que estamos em franca decadência política. Aquelas senadoras não pensaram duas vezes ao assumir o papel ridículo de protesto descabido numa República que se diz Democrática. Em qualquer Parlamento de vergonha, o que se espera é um debate equilibrado e livre de paixões partidárias exacerbadas.  A repercussão negativa nos meios internacionais nivelou, indiscutivelmente, nosso Brasil aos mais imaturos dos regimes políticos estabelecidos mundo afora. A imagem daquelas senhoras almoçando “quentinhas”, às escuras, numa Casa do Congresso Nacional, entrará para a História como um fato bisonho e ridicularizado por meio mundo. Às escuras porque o presidente da Casa ordenou cortar a luz e o som. A rigor foi de total indignidade. Imagino que em nenhum momento pensaram na imagem negativa que passaram à sociedade cansada de tantos despautérios.

Senadoras almoçam quentinhas, às escuras, na mesa diretora do Senado 
O pior de tudo é que estavam defendendo uma causa indefensável, no âmbito da discussão e votação da Reforma Trabalhista em pauta. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT vigente, datada da década de 40 do século passado, está exaurida e impraticável. O Brasil mudou. O Mundo mudou! As relações de produção exigem novas formas de interação. O aparelho produtivo tem um formato totalmente diferente. Mudanças tímidas que foram sendo adaptadas no passado não resolveram questões  cruciais que resultam em prejuízos às relações Capital/Trabalho. Verdadeiros obstáculos no caminho do progresso que se projeta para este Brasil enrascado e numa rota de caos definitivo.
É bom frisar que essa oposição é, em boa dosagem, um capricho do bloco contrário à proposta e que reza na cartilha do “opor, por opor”. para o Grupo não importa discutir o mérito da questão. Fala-se que muitos deles concordam com o que se busca, mas, devido às orientações e posições político-partidárias engrossam esse coro opositor. Pensando bem, coisas assim cabem no projeto de democracia que dizem defender. 
Finalmente, ao fim da jornada, embora os protestos cometidos por essas senhoras tresloucadas, e com mais de sete horas de atraso, o Senado reuniu-se e conseguiu aprovar, com significativa margem de vitória, o texto básico da Reforma que, após sanção presidencial, corrigirá uma legislação caduca e incabível no Brasil do seculo 21. Foi uma batalha ganha pelos governistas.
Ora, neste momento, nada melhor do que o que esta reforma proporcionará ao trabalhador e ao empregador brasileiro.  Os direitos serão preservados, ao contrário do que propalam os radicais e, é bom ressaltar, muita coisa que já era praticada informalmente passa, agora, ter respaldo legal, facilitando a vida do empregador que se estimulará a admitir os colaboradores que deseja e precisa enquanto que, pelo lado do trabalhador haverá mais tranquilidade e flexibilidade na sua relação de trabalho. Pensando na atual conjuntura, espera-se também que venha mitigar os altos índices de desocupados que perambulam atualmente no país.
Foi uma vitória do fragilíssimo governo de Michel Temer, sem dúvida. Mas, foi principalmente uma vitória do grupo de sustentação política do presidente, que resolveu pensar no Brasil, consciente de que não é o Governo que importa, mas, a necessária mudança de rumo da qual o país carece. Ainda é pouco! Outras reformas como a da Política e a da Previdência devem ser postas na pauta do Congresso. O Brasil espera com ansiedade um upgrade nas ordens e encaminhamento do progresso que vem sendo sonhado há bom tempo.

NOTA: Foto colhida no Google imagens.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Confissão de Tristeza

Sou dessas pessoas que quando abraça um ideal de trabalho faz de um tudo para realizá-lo. Postar artigos no Blog, por exemplo, tem sido minha “cachaça” semanal. Quando não é possível no fim de semana, sai no mais tardar no inicio da semana. Contudo, há ocasiões em que a coisa fica tão difícil que é dureza produzir alguma coisa. Esta semana foi assim. Tratar desses perrengues políticos, que me vêm ocorrendo, já está cansando. Chega, mesmo, a provocar desânimo. Não que faltem outras pautas adjacentes, mas, cadê o estimulo para abordar certos aspectos dessa parafernália nacional? Além do que, encher a paciência dos leitores freqüentes não é do meu interesse. Para eles, já basta a dose cavalar da mídia aberta. Não tem quem suporte mais. Essa arenga entre os três poderes já passa dos limites toleráveis.
O pior, contudo, é que, saindo do domínio da política, tudo mais, ainda que muitas vezes interessantes abordar, virou coisa corriqueira. Banal. São temas que fazem parte do dia-a-dia nacional e quase sempre passam despercebidos. Coisas graves como assaltos, roubos, assassinatos, balas perdidas, violência contra a mulher, sequestros, desastres, drogas, menores em situação de risco, fome, seca, inundações, entre outros, seriam assuntos a serem abordados. Difícil, porém, é me entregar à produção de relatar ou tecer opiniões sobre alguma dessas matérias. Pensando bem, o bom mesmo seria dar um giro por ai e voltar contado sobre o que vi. Falar de viagens dá sempre uma audiência alta.
De todo modo e como o tempo não para, pinço um tema especialmente chocante ocorrido nesta semana: uma senhora grávida, em compras num mercado de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, foi atingida no abdômen por uma bala perdida, em meio a um tiroteio entre traficantes e a polícia. Levada às pressas para um pronto socorro, deu à luz a uma criança do sexo masculino, que infelizmente foi, também, atingido pela bala na coluna vertebral e na cabeça. Examinando o recém-nascido, constatou-se que a grave lesão o deixou paraplégico. Que horror! Que infelicidade para uma mãe que esperava – cheia de esperança e satisfação – a chegada do herdeiro. Que desdita desse futuro cidadão que pagou alto preço antes mesmo de vir ao mundo, neste Brasil violento e inseguro dos nossos dias.  
Episódios como o dessa Senhora e seu filho somente escancaram a imagem gerada pela energia negativa e o desgoverno que reina neste Brasil de hoje. O cidadão antes mesmo de nascer já é dramaticamente marcado pela violência do meio. Para muitos pode ser uma coisa crível, mas, sem sombra de dúvidas, é degradante e doloroso. Triste é ver que, enquanto isto, as autoridades da República travam uma guerrinha suja, comendo-se uns aos outros, para se sustentarem no poder, abandonando a Nação, que afunda cada vez mais na orfandade. Já se mata muito mais neste país do que nos atentados perpetrados por terroristas, no resto do mundo. E esse mesmo mundo olha abismado para este Brasil se esvaindo.
E a população, já bem desarticulada, assiste, à margem de tudo e de modo perplexo, sem saber como se portar. Ninguém mais vai às ruas para protestar, ninguém promove panelaços e o futuro é cada vez mais incerto. Letargia geral. O que fazer? Aparentemente, ninguém sabe. Resta apenas esperar em cada amanhecer um novo episódio doloroso que termina ficando por isso mesmo.
Acorda povo brasileiro! Lembra-te que sempre fostes forte e nunca fugistes a luta.
E diante deste quadro, confesso minha tristeza.         


terça-feira, 27 de junho de 2017

Todo mal traz um bem?

Alimentar esperança na atual situação brasileira tem sido esforço insano. A situação fica, cada vez mais, bagunçada. Ninguém se entende em Brasília e a perplexidade que se espalha pela Nação só aumenta. É indiscutivelmente um cenário de desespero geral. Pudera! Presidente definhando e com popularidade tendendo a zero, uma Câmara Federal mais perdida do que cego em tiroteio, o Supremo Tribunal Federal procurando driblar os buracos do meio do caminho, um Procurador Geral da Republica sem pena e sem dó, se despedindo do cargo, insistindo na manutenção da Lavajato, entendendo se tratar do mais competente processo de saneamento moral do país. Cá pra nós, é dose cavalar.
Agora, é engraçado observar a mais nova tese dos insatisfeitos – PTistas, PMDBistas, PSDBistas, Democratas e seus respectivos seguidores – de que a Lavajato está ameaçando a Democracia. Parece brincadeira. Esses caras são cômicos profissionais. E note que o Tiririca não está entre eles. Estão assegurando que Moro está acabando com a Classe Política. Ou seja, está acabando com eles. Pra completar, uma classe empresarial, propulsora do Progresso, engessada e esperando que a Ordem se estabeleça. Ah! Como essa Ordem e esse Progresso tem estado cada dia mais distante. Onde vamos parar?
Muitas vezes já se perguntou se o fim do poço havia sido alcançado. Alguns achavam que sim e “quebraram a cara”. Foi quando, cínicos assumiram o poder e garantiram que o lema do pavilhão nacional seria cumprido. Adotaram inclusive como slogan da administração! Enquanto isso, o “lavajato” de Curitiba jogou muito deles na cadeia. Vários desses, protegendo a própria pele, colocaram a boca no trombone. E dessa forma, tem sido um “Deus nos acuda”.
Como somente vem acontecendo, mais um escândalo se registra e o desta semana ficou por conta do inusitado episódio de um Presidente da Republica sendo denunciado criminalmente ao Supremo Tribunal Federal – STF. O Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, denunciou Michel Temer por corrupção passiva, baseado na delação dos donos da JBS.
Rodrigo Janot, Procurador Geral da República 
Pelo visto, estamos perdidos e sem rumo. O Brasil perdeu a bússola. Vai que essa denuncia é aceita e a ação é tocada. Aí, o homem tem que ser afastado do poder. O quadro se torna mais delicado, o país para novamente e outra briga vai rolar com a disputa pelo posto Máximo da Republica. Mas, tem uma coisa: quando menos esperarmos o ano acaba, entra 2018 e a sucessão presidencial real passa a ferver nesse caldeirão já com altíssima temperatura. Que “Deus nos acuda”, outra vez.
O mais insólito e para surpresa geral é que a sociedade parece até que nem liga mais pra essas futricas. Está anestesiada! Ninguém vai às ruas. As panelas não saem de cima dos fogões. O povo fica assistindo, ao largo, a uma cena inimaginável dantes na qual Lulistas, Temerosos, Aecistas estão juntos e misturados como farinha do mesmo saco.  
Mas, vamos adiante... Confusões à parte, no que será que esse imbróglio vai resultar? A esta altura do campeonato é isto que preocupa qualquer pessoa de são juízo. Fico pacientemente esperando que a máxima atribuída a Ludwig van Beethoven ao dizer “tenho paciência e penso: todo mal traz consigo um bem” dê certo para o caso brasileiro. Que a desejada Ordem e o necessário Progresso sejam lembrados por esses irresponsáveis no Poder.
Cansado de testemunhar tão triste página da História brasileira tento ter a paciência que teve Beethoven e espero viver, proximamente, num país mais honesto e democrático, sem corrupção, sem ladrões no Poder e enchendo seus cidadãos de orgulho. Aí vamos conferir, mesmo, se todo mal traz um bem.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Futuro Incerto

Passei uma semana impressionado, negativamente, com o resultado daquela farsa ocorrida no STE – Superior Tribunal Eleitoral, quando de julgamento do pedido de cassação da Chapa Dilma-Temer na eleição de 2014. Tendo como justificativa o descarado abuso do poder econômico e político dos candidatos, a denuncia foi formulada pelo PSDB, logo após o pleito, dado o inconformismo da derrota por um percentual pouco relevante do seu candidato, o Senador Aécio Neves. De lá para cá “muitas águas rolaram por debaixo da ponte” e Neves já não “canta de galo” como antes. Abstraídos, contudo, os lances políticos ocorridos, incluindo as denúncias contra o candidato derrotado à Lava-Jato, é indiscutível que houve o abuso dos poderes acima referidos. Mais claro, ainda, com o pronunciamento do Ministro Antonio Hermann Benjamim, relator da questão naquele Tribunal.
Competente, imparcial e cônscio do seu dever de julgar, o Ministro Benjamim apontou, em longo descrever, todas as falcatruas impetradas pelos integrantes da coligação PT-PMDB. Foi corretíssimo em dar um voto condenando a Chapa, sendo seguido por dois outros, a Ministra Rosa Weber e o Ministro Luiz Fux. Infelizmente, foram vencidos diante dos votos contra a cassação de Napoleão Nunes Maia Filho, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e por fim o voto de desempate do Presidente do Tribunal, Gilmar Mendes.   
O Ministro Gilmar Mendes, presidente do STE
A repercussão desse resultado, beneficiando os denunciados, após o voto de Minerva do Ministro Gilmar Mendes, foi das mais negativas e de imediato a sociedade como um todo, além das entidades de Classe responsáveis se levantaram em tom de protesto por aquele desfecho de puro cunho político, pouco digno de uma Corte Suprema. Ao ministro Mendes foi atribuída a responsabilidade infeliz do julgamento. Coisa bem própria de Mendes, nesses tempos recentes. A propósito, gostei demais da comparação feita, num artigo bem escrito, por um amigo Advogado e companheiro rotariano, José Otávio de Carvalho, dizendo que o Ministro Mendes deve estar contaminado pela síndrome do Galo Chantecler, que achava que o sol nascia porque ele cantava. Ótima comparação! De fato o Ministro Gilmar Mendes vem se “esmerando” e se tornando persona non-grata para a Nação, com seu comportamento mais político do que judicial, cuja prova máxima se cristalizou na semana passada. O Brasil não merece um juiz desses! Nada mais nocivo quando isto ocorre embora seja o mais comum no Brasil de hoje. Diante desse fato, ocorre-me lembrar de uma frase, bem conhecida no mundo jurídico, da autoria de um Primeiro Ministro francês do século 19, François Guizot - (1787-1874), que sentencia: "Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. No Brasil, essa máxima de Guizot vem sendo esquecida e o Judiciário vem desafiando a vontade da Nação, ao não cumprir seu papel de regulador da ordem e da disciplina social.
Fico tranqüilo, porém, ao notar que vozes importantes se levantam país afora, contra essa estupidez da ordem jurídica nacional e ao mesmo tempo, intranquilo quanto ao futuro legal da nossa sociedade. O Jurista pernambucano João Paulo Teixeira, em recente artigo (vide: emporiododireito.com.br), foi taxativo ao afirmar: “para o futuro, temos um horizonte de incerteza ainda maior, já que o TSE abre perigoso precedente, praticamente reconhecendo sua incapacidade de enfrentar questões decorrentes de abuso de poder político e econômico quando se trata de cassação de chapa para o governo federal”.
Diante desses fatos, percebo a insustentável situação na qual vivemos, sem que tenhamos segurança nos poderes institucionais da nossa Republica. Com um Executivo enfraquecido e quase insustentável, um Legislativo desacreditado e sob efeitos negativos da corrupção endêmica e um Judiciário fraquejando a toda hora, aonde vamos parar?
Como viver num país em que a Justiça é injusta? Que segurança tem o jovem cidadão comum para construir seu futuro? Como empreender num ambiente tão duvidoso?
É tudo muito incerto. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Salvemos o Forró



Vejam vocês, caros leitores e leitoras, como as coisas “evoluem” no campo da cultura regional. Na época do carnaval venho sempre criticando a inclusão de cantores sulistas, interpretes de musicas sem qualquer relação com os ritmos do carnaval pernambucano, na grade de atrações principais para animar nossos festejos. Tudo em detrimento dos artistas locais que entram de maneira marginal na programação oficial e com aviltados cachês. Os convidados de fora são privilegiados com cachês polpudos e recebidos com honras e salamaleques comuns com grandes estrelas do show business. Uma humilhação sem tamanho para os que sabem dos valores da cultura local.
Agora, por ocasião dos festejos juninos, surge uma nova investida contra a prata da casa regional, ao se constatar que, nas monumentais programações das festas de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), as grandes atrações são os chamados cantores sertanejos do Centro-Sul, em flagrante ofensa aos cantores regionais, discípulos de Gonzagão e Dominguinhos. Há uma tremenda diferença entre os ritmos nordestinos e aqueles do Festival de Barretos (SP), berço dos tais sertanejos, onde, aliás, os cantores nordestinos (como Elba e Dominguinhos) são impedidos de se apresentar para não ofuscar o brilho dos tais sertanejos. E certamente o fariam. Pensem numa Elba incendiando aquela arena de touros. 
Elba Ramalho

Mestre Dominguinhos
 Ora, meu Deus, onde vamos parar? Por que tanta insensibilidade cultural? Por que tanta irresponsabilidade desses promotores de eventos e governantes locais? Todos muito cínicos em defender suas programações insanas. Os safadões, luans, além das inúmeras duplas sertanejas são as atrações deste ano nos grandes eventos regionais. São esses que já fazem as cabeças dos nossos jovens. Jovens nordestinos que nos anos recentes já consideram o frevo e o maracatu ritmos insuportáveis e logo, logo vão abominar o forró. Pobres coitados, não saberão jamais o quanto é gostoso garrar de uma menina e se arrastar num balancê de esfrega-esfrega sensual de corpos suados e se esbaldar ao som da sanfona, triângulo e zabumba, de um forró pé de serra. Tudo, obviamente, com um desfilar de vozes genuínas e cheias de poesia. Ao invés disso, preferem beber (bebe-se muito, hoje em dia) e assistir de pé as apresentações desses intrusos bem pagos. Ninguém dança agarradinho e, muito mal, balança o esqueleto. Coisa mais besta! Dançar uma quadrilha é coisa  démodé e sem qualquer motivação. As quadrilhas atuais viraram outra estupidez, porquanto estão mais para desfile alegórico do que a dança inocente, brejeira e romântica dos anos 60 e 70.
Não, não sou contra as mudanças e as inovações. Mas, tenha dó! No caso da Cultura é preciso ter cuidado. Uma coisa é evoluir, a outra é deletar (este termo é neologismo e sinal de modernismo!)  o que represente valores culturais.
Países da Europa e da Ásia são mestres da modernidade, mas, preservam cuidadosamente  suas raízes culturais e valorizam o repassar de geração a geração. No Japão, visitando uma indústria de Tecnologia da Informação, em Kyoto, fiquei surpreso ao me exibirem o layout de circulação dos micros-filamentos de um circuito de minúsculo chip (do tipo usado na telefonia celular) que reproduzia uma tapeçaria milenar (muito antes de Cristo) japonesa, cujo original está exposto no Museu Ueno (Tóquio). Apenas como exemplo.
 
Savinho do Acordeon






Tenho acompanhado os protestos dos cantores populares regionais contra essas promoções de forasteiros nos nossos festejos. A cantora Elba Ramalho já colocou a boca no trombone dos protestos e se ressente da sua exclusão nos festejos da sua cidade natal, Campina Grande. Aqui em Pernambuco, um dois maiores defensores do forró e difusor das músicas de Gonzaga e Dominguinhos, Savinho do Acordeón, (foto acima), não deixa por menos e com o slogan: “Festa Junina é com forró e não com Sertanejo”, vem denunciando essa dependência cultural dos desavisados no poder. Danado é que os políticos de plantão fazem disso, também, uma maneira de cativar os eleitores.
Salvemos o Forró nordestino, enquanto é tempo. 

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e arquivo particular de Savinho do Acordeón.