sábado, 17 de agosto de 2019

Pauta Pesada

Quando alguém resolve criar um Blog com a relativa elasticidade temática, como no meu caso, termina se envolvendo num amontoado de pautas, muitas vezes, complexas. Falar de politica, de economia, de costumes e lugares, entre outros assuntos, como me proponho, se torna muitas ocasiões algo desafiador e esbarro numa pauta pesada.  Vivendo no Brasil, onde a dinâmica político-econômica se mostra sempre muito conturbada e sujeitando o cidadão comum a dilemas de sobrevivência, nem se fala. A semana que hoje termina é um típico exemplo de sobrecarga, senão vejamos.
A grande surpresa, logo na segunda-feira, foi o provável ressurgimento do peronismo/kirchenismo na Argentina, provocando um tsunami na bolsa de Buenos Aires respigando na do Brasil, a violenta desvalorização da moeda local e a preocupação geral com a possibilidade do retorno da Senhora K. ao poder. Ela é candidatada à vice-presidente na chapa vencedora liderada por Alberto Fernandez, nas eleições primárias que os argentinos adotam e funcionam como uma prévia do processo eleitoral. A eleição final ocorrerá em Outubro. Conhecendo a História politica argentina, cheia de altos e baixos, tenho dúvidas quanto à escolha dos hermanos, dado ao que se viu nas gestões dos Kirchners. No momento atual pode ser fatal para inviabilizar o Acordo firmado entre o Mercosul e a União Européia. Lamentavelmente o Macri não promoveu as reformas necessárias ao país vizinho. Perdeu a oportunidade de ouro que lhe foi dada e deixou o barco correr na mesma direção de antes. Foi “prato cheio” para uma antes desgastada e derrotada oposição. Veremos o que pode ocorrer logo mais. Creio que este resultado de 11 de agosto foi mais um tropeço dos argentinos. As lições do passado não foram suficientes?
Mas, não foi somente a Argentina que emitiu sinais de preocupação. A China e os Estados Unidos continuaram enrolados em sérias desavenças, a taxa de juros norte-americana caiu, o Dólar se valorizou nos mercados internacionais, inclusive no Brasil, apontando para um tempo de incertezas. Ao lado disso, Japão e Coreia do Sul também entraram em turras e a Alemanha sinalizou crise. Foi uma engrossada geral de caldo, no meio do mundo.
No Brasil... Bom, no Brasil as coisas não andam nos conformes ideais. Nosso Capitão continua destoando da liturgia a ele reservada. Fala até de cocô e cagar, com a maior desenvoltura. E, pior, a respeito de um tema polêmico como é o do Meio Ambiente. Mas, segundo o próprio é seu estilo. Que jeito! A salvação é que, enquanto isso, a equipe de Ministros e o Parlamento estão se empenhando em tocar o barco. Ao contrário da Argentina, as reformas estão sendo tomadas a sério.   
No meio da semana (14/08) a Câmara Federal apreciou e aprovou com emendas a Medida Provisória da Liberdade Econômica encaminhada pelo Palácio do Planalto, desde fim de Abril. Sendo MP tem prazo para ser apreciada e tornar Lei, até 27 de Agosto. Está sob o crivo do Senado e prevê facilidades para empresas e empregados. Quem sabe, desengasgue um pouco a produção econômica. E, no dia seguinte, 15/08, a mesma Câmara Federal aprovou numa rapidez pouco comum o Projeto de Lei contra o Abuso de Autoridade. Eis aí uma coisa polêmica. Aprovada antes no Senado seguiu para sanção presidencial. Bolsonaro já prometeu vetos. E, sabendo de quem se trata, não restariam dúvidas. Muitos dizem terem legislado em causa própria. Pode ser mesmo porque tem muitos sujeitos na “corda bamba”, na Praça dos Três Poderes, e com isso tentam se proteger. Num país onde a corrupção grassa e onde todo mundo banca autoridade a começar do ambiente doméstico é de se esperar muito bafafá. Vai ser uma quebra de cultura e tanto. Prender corruptos e ladrões, algemar bandido, soltar criminosos e coisas semelhantes serão coisas proibidas. E a Lavajato? Nem quero pensar.
Para fechar a semana, como uma cereja na torta, Alemanha e Noruega resolvem cancelar a ajuda financeira, a fundo perdido, que destinavam há um bom tempo, ao Programa de Preservação da Floresta Amazônica. São milhões de Euros em jogo. Curioso é lembrar que justo eles historicamente se mostraram predadores do próprio meio ambiente. Taí, outro tema polêmico. A sociedade se dividiu em debates pondo dúvidas sobre o real interesse desses europeus. Querem a Floresta de pé ou o que existe no subsolo da região? Eis a pergunta que não cala. Bom fim de semana para você caríssimo(a) leitor(a).

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Adeus Privacidade


Foi-se o tempo em que podíamos falar de privacidade. Nos dias de hoje será pura ingenuidade pensar em ter uma informação secreta ou gozar da segurança de se manter um segredo guardado a sete chaves. Coisa das antigas.
Sou profundo admirador da tecnologia da informação. E hoje não saberia viver sem suas ferramentas. Comunicações interpessoais instantâneas, cartas eletrônicas, negócios comerciais, transações bancárias, comunicação por voz (doméstica e internacional), pesquisas científicas, enciclopédia eletrônica e, enfim, um sem número de outras vantagens que tornam a vida do cidadão moderno num verdadeiro paraíso se comparada com a vida dos pais e avós.
Contudo, como nada neste mundo vem de mão-beijada e sem cobrar um pesado tributo, os efeitos colaterais negativos desse paraíso já se revelam, ultimamente, como sendo atemorizantes e causadores de desatinos e desgraças. No mundo dos jogos é bem possível.  Muitos destes, fatais. Na verdade, já se mata e morre nesse mundo moderno e veloz, mesmo estando numa posição remota. 
É, amigos, a mente humana tanto é capaz de inventar maravilhas tecnológicas, quanto usá-las para fazer o que de ruim e deplorável se imagina. E imaginação insana é coisa bem mais comum do que se pensa. Estamos longe de viver na paz ao usarmos as invenções modernas.
Dias recentes a mídia nacional foi dominada pelos episódios dos hackers criminosos que conseguiram clonar aparelhos telefônicos móveis de inúmeras autoridades da Republica, inclusive do Presidente da Republica. Coisa séria e capaz de por em risco a segurança nacional. É apenas um entre muitos exemplos. Mas, na verdade esse tipo de crime vem ocorrendo de modo múltiplo e no dia-a-dia do cidadão de bem. Já tive cartões de credito clonados inúmeras vezes. Por sorte a mesma tecnologia moderna me “avisa”, de modo instantâneo, que estou sendo roubado, pelo meu celular.
Conclusão rápida: ter um computador ligado à rede mundial de comunicações é manter uma porta aberta para desfrutar dos benefícios acima enumerados, mas também, para receber ameaças do mundo inteiro. Isto certamente tem resultado no afastamento da rede de muitas pessoas, que terminam fadados a viver à margem da dinâmica do mundo moderno. O maior desafio para os usuários da rede www (World Wide Web) é o de usufruir dos recursos que lhes são oferecidos sem que estejam vulneráveis aos perigos que rondam o ambiente virtual. O único remédio e mais aconselhável é manter sua máquina com um antivírus atualizado e saber identificar uma mensagem/e-mail mal intencionado, que, aliás, se multiplicam diariamente.
Observem que a falta de privacidade que me refiro se expressa de modo rápido e até mesmo assustador. Basta que pesquisemos a compra de um produto pela rede ou que busquemos um serviço em determinado site de busca e, imediatamente, começam a surgir ofertas das mais diversas do tipo de produto ou serviço referido pela sua busca. Isto revela que você usuário da rede está sendo observado e seguido por inúmeros robôs “olheiros” atentos nas suas preferências ou demandas. 


Recentemente cai numa dessas armadilhas. Resolvi comprar umas cuecas de marca mundial e de minha preferência, por preço mais conveniente do que no mercado comum. Fiz a compra. Foi as contas. Até hoje recebo, diariamente, ofertas de outras marcas com propagandas e preços promocionais. Fosse eu um consumista compulsivo ou quisesse aproveitar preços convidativos, teria comprado cuecas para o resto da vida. Até da China chegam ofertas. Ora, meu Deus, pelo visto, o mundo inteiro ficou sabendo que precisei de renovar meu estoque de underwears! Adeus privacidade. Fala-se que no Japão ou China, já existe dispositivos de inteligência artificial para conduzir - via celular - um comprador aos estabelecimentos comerciais de um centro de compras onde pode encontrar o que demanda. Basta que faça a primeira consulta em qualquer das lojas locais ou consulte a priori. Assusta, sim. 
Que mundo criamos e o que deixaremos para nossos filhos e netos?
Como o tempo não para e as invenções se multiplicam, fica difícil imaginar o que será do amanhã. 

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

A Bola da Vez

Tenho acompanhado de modo parco, nestes últimos seis meses, os acontecimentos político-econômicos do país, sempre alimentando esperanças nas mudanças prometidas pelo novo Presidente. Naturalmente que não me deixei envolver por qualquer véu de ingenuidade ao ponto de imaginar que, como num passo de mágica, tudo seria transformado da noite para o dia e navegaríamos num mar de rosas. Longe de mim. Não tenho mais idade para isto.
Mas, lembro que tive oportunidade, durante a campanha presidencial, de manifestar neste espaço meu desejo de mudança, acreditando, inclusive, que numa genuína democracia a alternância do poder é deveras salutar. Para o caso brasileiro, então, a mudança se fazia extremamente necessária, dadas às condições caóticas reinantes nos quadros econômico, político e moral. O país estava mergulhado (e de certo modo continua) numa crise devastadora e sem perspectivas animadoras.  Resumindo confesso que, por pior que fosse a alternativa de mudança restante, no embate final, esta seria a minha escolha na urna eleitoral. Questão de princípios e de crença com vistas a um futuro melhor. Ou seja, votei no Capitão no segundo turno. E, não me arrependo. 
Agora, com o hoje que vivemos, tenho me entusiasmado com os rumos que a Economia começa a trilhar. Bolsa subindo e passando dos cem mil pontos, câmbio tendendo a um nível tolerável, juros com perspectivas de queda, empregos reaparecendo lentamente (noticias desta semana dão contas de que 408 Mil empregos formais foram criados neste primeiro semestre de 2019, maior saldo em 5 anos) e o ânimo geral melhorando. Claro que os opositores, e a maioria da mídia "desmamada", não enxergam essas boas novas e saem pra avenida com campanhas inúteis e anacrônicas. Perderam a noção das coisas e esquecem da oportunidade que jogaram na lata do lixo. Enfim, tudo leva a crer que, se deixarem o Guedes trabalhar, o trem volta aos trilhos. Reformas já começam a tomar forma, as contas públicas estão sendo revistas e monitoradas, uma próxima reforma poderá reduzir a carga tributária e proporcionar a volta dos investimentos e, mais adiante, a Reforma Político-administrativa, considerada pelo experiente Marco Maciel, há mais de 30 anos, como a mais importante. Esta certamente poderá dar uma boa arredondada e acabar com a bagunça instaurada em tantos anos de República. Será a cereja no bolo das reformas da Era Bolsonaro. Este país tem que sair do atoleiro que os anteriores governantes deixaram e voltar a ser o país do futuro. 
Mas, tem uma coisa: não gosto nada desse estilo excessivamente “descontraído” do Capitão, que termina lhe comprometendo em diferentes setores da Nação. Estilo e decoro são coisas exigidas para quem senta na cadeira de Presidente. Faz parte do jogo politico correto. Mesmo percebendo que ele haja delegado de “mão-beijada” a condução da máquina político-administrativa da Republica aos seus auxiliares diretos é de se esperar que ele não esqueça que existe um ritual a ser obedecido. Sem atenção às normas e regras de praxe, resulta nessas confusões planaltinas que assistimos semanalmente. Certas vezes, fico pensando que as coisas não acontecem por acaso e questiono cá comigo: será que existe mesmo – como alguns acreditam – uma estratégia de comunicação assim planejada? Aí complica. Difícil de entender. 
De uma coisa estou convencido: não tem sido nada salutar esta série de despautérios que nosso Presidente debulha em público. Agreguem-se a isto os disparates dos filhos, inclusive nos cyber espaços e plenárias legislativas, contribuindo ainda mais para embolar a cena principal.
É bom lembrar que a PresidentA que tivemos no passado recente tinha lá seus rompantes e seus disparates que viraram folclore e não proporcionaram boas serventias à Nação. Pelo contrário. O resultado deu no que deu. O Lula teve também seus momentos de "descontração" e caiu na gozação coletiva da Nação. Estadistas, que seria bom, são raros. 
Falta neste momento ao nosso atual Presidente um comedimento, digamos, presidencial. Carece de alguém da sua real confiança que consiga assessorá-lo com competência, assim como  a própria percepção de que na onda que ele surfa, corre o risco da prancha desatar do tornozelo a toda hora.
Chamar os nordestinos de “paraíbas” é coisa bem popular no meio carioca de onde ele vem. Mas, tudo indica que ele saiu do ambiente preconceituoso do Rio de Janeiro, mas o ambiente preconceituoso não saiu da cabeça dele. Uma falha lamentável.
Bancando um paraíba. Querendo agradar dando uma de cabra da peste dos bom.
Outra coisa é asseverar que no Brasil ninguém morre de fome. É grande desconhecimento dos fatos reais. 
E, por fim, subestimar a devastação da floresta Amazônica é outra lástima. Imagino, aliás, que desconheça de muitas outras realidades.
Presidente, a maioria dos brasileiros confia no “taco de ouro” que lhe conferiu. Acerte na bola da vez, Excelência. Vamos ganhar este jogo.       

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 
   

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Pobre História Apagada do Recife

Falta muito, ainda, para que o brasileiro saiba valorizar seu patrimônio histórico. Parece até que a referência/objetivo básico é o de apagar a história. Ou tocar fogo como ocorreu no Museu Nacional do Rio de Janeiro. 
Para quem viaja mundo afora, saberá do que estou falando adiante  e certamente concordará comigo até o final deste post.
Por experiência pessoal sei que nada é mais prazeroso do que apreciar cidades e monumentos  milenares preservados e cuidados ao redor do mundo. Além do prazer de visitar, agregue-se o banho de História que, por vezes, podemos provar. Isto com raríssimas – raríssimas mesmo – exceções não ocorre no Brasil. Aqui em Pernambuco, por exemplo, a História vem sendo apagada ao longo dos tempos. Muito tempo. É doloroso visitar certas localidades e constatar esse descaso. País sem História é país sem futuro. Isto já vem sendo lembrado por muitos e há muito tempo.
Mas, indo direto ao que me leva à esta reflexão, expresso um pouco da minha tristeza após um passeio pelo antigo centro do Recife, no recente feriado de 16 de julho, consagrado à Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade capital de Pernambuco.
Tentei adentrar na Basílica, por volta das 10 horas da manhã, sem que houvesse chance. Uma multidão se apinhava nos portais do templo. Segurei a carteira e o celular e encarei. “Com licença” e “deixe-me passar” era a mesma coisa de se dizer "fecha mais um pouco a passagem". 

Sem sucesso, não avancei nem um metro. Diante disto, resolvi olhar em volta o movimento da minha gente recifense espalhada pelo pátio da igreja. Havia de tudo. Com a marca dolorosa da pobreza local, pedintes a ambulantes, tudo junto e misturado, compunha a cena. Fui me afastando da multidão e resolvi fazer uma caminhada até a Praça do Arsenal, no bairro do Recife Antigo, onde encontrei filho e nora para um café.
Foi nesse trajeto (relativamente longo) que mergulhei no que resta do outrora belo e movimentado centro de uma das primeiras capitais do país e constatei a História mergulhada na sujeira e desprezo total. Observei que ainda restam ruas calçadas com as chamadas pedras portuguesas, bastante maltratadas e sujeitas à substituição, como feito na orla de Boa Viagem. É só aparecer  outro Prefeito ignorante... Sob as marquises, da Rua Duque de Caxias,  a marca da pobreza dos sem teto.  
Pedras portuguesas e sem tetos dormindo ao relento.
Vi um patrimônio histórico sujo e carcomido devido a uma série de irresponsáveis edilidades dos tempos recentes. A sensação que experimentei foi de uma cidade abandonada ou quase fantasma. A imagem era reforçada pelo ambiente estático que se faz num dia feriado. Uma ou outra pessoa perdida na espaçosa Praça da Independência e na Pracinha do Diário, coração, quase parado, da metrópole. Com meu botões lembrei que, da torre da Prefeitura, no Cais do Apolo, ousam denominar o Recife como A Capital do Nordeste. Só sendo piada. Desrespeito, até.
Histórico prédio do Diário de Pernambuco apagado e por trás da fiação desordenada.
O que sobrou do belíssimo prédio onde funcionou do Diário de Pernambuco – o mais antigo jornal, em circulação, do Brasil e de língua portuguesa –, dava outro testemunho do abandono da cidade. O jornal já se mudou e o prédio histórico está à mercê da pobre sorte. Mais adiante, numa das esquinas (1º. De Março com Imperador Pedro II) deparei-me com três jovens meninas, em trajes audaciosos, oferecendo seus corpos para “curtir uma boa”, no dizer de uma delas. Lembro que nesta esquina funcionava, no passado, uma elegante agencia do banco Francês-Brasileiro, onde estive muitas vezes. Aliás, esquina que abrigou muito antes, na primeira metade do  século 20, uma das mais famosas cafeterias da cidade, num bom estilo francês, denominada de Café Lafayette. Também tragado pelo tempo. 
Recomendação Inútil!
Ah! Acima das citadas meninas, uma placa tosca e grosseira, em meio às pichações, recomendava um inútil cuidado, haja vista o odor reinante no ambiente (Vide Foto ao lado). Logo em frente, no mesmo cruzamento, outro imóvel abandonado onde, nos anos 50 e 60, funcionava a elegante Joalheria Krause. Na mesma calçada, esquina seguinte e defronte ao rio, outro prédio abandonado, onde havia a grande Livraria Ramiro Costa, na qual meus pais despachavam a lista de material e livros necessários para cada ano letivo dos filhos e filhas. 
Rumando ao meu ponto objetivo tocou-me atravessar a Ponte Maurício de Nassau. Sim, aquela que substituiu a histórica de madeira do século 17 – primeira ponte construída na América do Sul – do boi voador, numa armação populista do Fidalgo Nassau, governador do Brasil Holandês. Chamou-me atenção, de pronto, as cores de gosto duvidoso que pintaram essa importante passagem. Tentando entender, desejei que haja uma explicação plausível. Ora, acharam pouco o horroroso cobogó que assentaram em substituição aos guarda-corpos, de artístico ferro batido do passado? Pelo amor de Deus! Onde andará o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Cultural que consente essas coisas? 
Preocupado, pensei que a qualquer hora pode aparecer um desses idiotas, com caneta oficial na mão, e decida remover as quatro monumentais estátuas que guarnecem as cabeceiras da ponte histórica. Tudo é possível e não duvido nada! 
Uma das estátuas da ponte e um restinho de guarda-corpo antigo. No arco desse guarda-corpo pendia um belo lampião à antiga, que foi trocado por essas luminárias modernas de LED. Estupidez sem limite.. 
Encerrado meu "passeio" resolvi protestar neste humilde espaço. Um pingo d´água num oceano de idiotas - é verdade - mas, um alerta para quem tem sensibilidade cultural. Confesso meu profundo constrangimento em postar tudo isto, mesmo sabendo que o Blog do GB é lido aqui e alhures. Pobre História apagada do Velho Recife. 
Também, quem manda viver o tanto que já vivi e poder fazer essas comparações? Saudosismo? Pode até ser, mas, desculpe, com bom  sentimento histórico-cultural. Tenha certeza.  
 

NOTA: As fotos ilustrativas são todas da autoria do Blogueiro 




sábado, 13 de julho de 2019

Evasão de Talentos

Que a atual crise político-econômica brasileira está empurrando muitos brasileiros, sobretudo jovens profissionais sem emprego, para outros países ninguém duvida. É um tema recorrente em rodas de conversa, análise socioeconômica e política. Canadá, Estados Unidos, Portugal, Austrália e Nova Zelândia são alguns dos países que estão atraindo nossos jovens talentos para exercer, na grande maioria, funções de qualificação inferior as que se prepararam aqui no Brasil. É uma triste situação que parece não ter fim.
Nem mesmo o futebol está livre dessa avalanche. Esta semana vi um comentário de analista esportivo dando conta de que clubes europeus mantêm “olheiros” pelo Brasil catando talentos nas categorias de base dos principais clubes do país e que terminam levando jovens promissores na modalidade. Estes, muitas vezes, se mudam de “mala e cuia” para algum país e chegam a mudar de cidadania, dando adeus ao Brasil. Conheci, recentemente, o caso de um garoto pernambucano, de 12 anos, que está fazendo o maior sucesso na base de clube paulista e promete ser um furor em campo. Já foi com o clube disputar torneios no exterior e é sucesso garantido. O pai já se desligou da indústria multinacional que trabalhava por longos anos e se mudou para a capital paulista com vistas a administrar a carreira do garoto. Detalhe: esse menino aos doze anos já fatura mensalmente a bagatela de R$ 32 Mil, que significa 4,5 vezes o que o pai ganhava no emprego aqui. Não preciso comentar mais nada.  
Minha reflexão, agora, gira em torno da ilimitada evasão dos jovens talentos brasileiros. Engenheiros, Advogados, Especialistas em tecnologia da informação (TI), especialistas na área da Saúde, entre outros, largam tudo e se mandam alimentando o sonho do sucesso. Seja lá de que modo. Tenho exemplos na família. Como, na maioria dos casos, são impedidos de exercer a profissão para a qual se prepararam por aqui e terminam exercendo funções de segunda categoria nos mercados locais do exterior. Aliás, vejo nisto uma forte mudança de cultura dos brasileiros. Ao contrário do que se observava no passado, a turminha de hoje visa, acima de tudo, o dinheiro no bolso. Ter renda é o que importa. E seguramente acontece. No exterior, ficam livres dos rigores culturais que obrigam a pessoa seguir rigidamente o ritual de ser profissional qualificado e conforme sua formação. Livres dessas amarras os jovens profissionais brasileiros que fogem da crise tupiniquim estão sendo balconistas de lojas ou lanchonetes, garçons ou garçonetes, Ubers, pedreiros, jardineiros, faxineiros, babás, entre outras atividades. Terminam ganhando muito mais do que se estivessem por aqui. Faturam em dólar e por hora trabalhada. Alguns conseguem sustentar familiares que deixaram por aqui. A autoestima do brasileiro está sendo corroída, o amor à Pátria se desintegra cada vez mais e os governantes não percebem. Ao invés disso só pensam em se manter no poder a qualquer custo, inclusive roubando cinicamente. 
Cabe, então, a dura pergunta: e o futuro do Brasil?  Como preparar uma força de trabalho qualificada e adequada aos tempos que virão? É doloroso ver os baixos investimentos do Governo em atividades geradoras de empregos e nas atividades básicas como a Educação, a Segurança e a Saúde.  Aliás, é a falta de sustentação deste fundamental tripé social que os evadidos justificam, também, suas fugas. Há uma imensa insatisfação, na verdade medo dos brasileiros jovens que vivem no exterior. Na Austrália, onde tenho dois filhos, ouvi isto com constância. A insegurança do Brasil apavora os que vivem em ambiente seguro e livre de assaltos, balas perdidas, crimes de toda espécie e instabilidade política e jurídica.
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html)
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html)
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html
Resumo da ópera: o País do futuro, que me prometeram no passado, perdeu o bonde da história devido às irresponsabilidades dos governantes. O futuro virou pretérito. 

NOTE: A ilustração foi obtida no Google Imagens

Pauta Pesada

Quando alguém resolve criar um Blog com a relativa elasticidade temática, como no meu caso, termina se envolvendo num amontoado de pautas, ...