sábado, 3 de março de 2012

Carnaval em Paris

Quando o avião alçou vôo aqui no Recife, na quase madrugada do sábado do carnaval de 2012 e dia do Galo da Madrugada, deixei para trás um clima duplamente quente – temperaturas local e de folia carnavalesca – indo ao encontro de um oposto na Velha Europa.
A chegada a Paris, na tarde do sábado, foi envolta numa bruma, não necessariamente marinha, mas daquelas cuja visibilidade é curta e com os termômetros marcando 7°C. Bom, comparado com o que ocorreu uma semana antes, com temperaturas negativas. Não é um clima ideal... mas, sendo uma chegada a Paris, qualquer clima é sempre bom. É interessante como isso ocorre. Mesmo tendo visitado esta cidade, por várias vezes, é sempre muito bom desembarcar na capital francesa. Com sol e calor, frio e neve, na Primavera ou no Outono, Paris nunca perde seu encanto de Numero 1, no imaginário dos turistas do mundo inteiro.
Apesar das tantas horas voando, não foi possível conter o impulso de sair e rever a chamada Cidade Luz. Nem uma chuvinha fraca desanimou a mim e meu grupo familiar. Todo mundo queria correr às ruas e avenidas daquele mundo sempre fascinante. E a pedida foi começar pela Avenida dos Champs Elisée. Diante do Arco do Triunfo, começamos a “brincar” o nosso carnaval. É sempre bom descer aquela avenida, símbolo do charme e elegância francesa. Agasalhados “até os dentes” (a temperatura já estava na casa dos 2°C) formamos, naquela noite, um “bloco” muito especial e o colocamos na rua, anonimamente, no meio da multidão, que sem qualquer sombra de folia, subia e descia a Avenida. Na maioria eram jovens, aproveitando a noite do sábado. Circulando simplesmente e enchendo de alegria aquela “artéria coronária” do coração de Paris. Um fervilhado humano tão grande quanto os das ladeiras de Olinda, naquela mesma hora, diferindo, porém, dos objetivos. Os cafés e bistrôs, tão comuns naquele ponto da cidade, completavam a cena, repletos de observadores daquele espetáculo espontâneo de uma gente alegre nos olhos, nos passos largos e na maneira de falar e vestir. Mas, veja só como são as coisas e os traços culturais... Acredito que pouca gente ali sabia que era tempo de carnaval. Nem sinal! Nós mesmos terminamos esquecendo. Com um detalhe notado pelo grupo: ao invés de carnaval ainda havia sinais de festas natalinas. Algumas lojas, bistrôs e prédios conservavam, até então, as iluminações e decorações com motivos natalinos. No fim da Avenida, já na Place de La Concorde, ainda girava a roda gigante montada para época do fim do ano de 2011.
Com uma fome canina – devido aos maus tratos da companhia aérea que nos conduziu até lá – elegemos um simpático bistrô no meio da Avenida e fizemos uma entrada de gala na farra gastronômica que empreendemos nos dias seguintes. Foi uma refeição suprema regada a um excelente vinho nacional, isto é, francês. Digamos que curtimos a vidinha que se pede a Deus, todos os dias. Ele nos concedeu...
Depois de um bom descanso, empreendemos, a partir do domingo, um périplo na Paris que todos amam, percorrendo tim-tim por tim-tim todos os pontos de atração. Fizemos um excelente carnaval, no tamanho e forma planejada.
Para lembrar um pouco do que chamam de folia, fomos ao espetáculo do Cabaré do Moulin Rouge – o mais antigo e famoso da França – em Pigalle, na noite da 2ª. Feira. Olha, eu já havia assistido aquilo lá, há muitos anos, quando estive em Paris pela primeira vez (faz teeeeeempo!) e voltei agora. Pense num troço bem montado. Luz, música, mulheres lindíssimas, plumas e paetes, mágicos e malabaristas e muito Champagne. Aquela cena do aquário gigante com uma bailarina seminua (um peixão com linhas perfeitas), em evoluções coreográficas com três serpentes debaixo da água é um momento eletrizante do espetáculo. A platéia resta galvanizada e somente na hora que o aquário sai de cena (um palco elevador é utilizado) é que o publico acorda e rompe em aplausos. Vi gente aplaudindo de pé. Sinceramente nossa segunda noite de carnaval foi sem defeitos. O restante do carnaval foi igualmente supremo. Percorremos muitos outros pontos de Paris. Pena que o espaço é curto para descrever. Prá semana tem mais.
NOTA: As fotos postadas são da autoria de José Antonio Brazileiro, meu filho, junto comigo na viagem.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

AINDA RESTA ESPERANÇA

Já fui um grande folião. Quando o carnaval se aproximava, eu tratava de montar minha programação para curtir o que sempre considerei a melhor festa do ano. Brinquei muitos carnavais. Ocorre, porém, que aos poucos fui me desencantando devido, sobretudo, a descaracterização da nossa festa, aqui em Pernambuco.
No principio, digo, na época em que me enfronhei (terminho antigo...) por participar dos folguedos de Momo a festa era basicamente nos salões dos clubes sociais. É verdade que havia o corso, nas ruas do Recife, que na época se caracterizava por uma coisa herdada dos portugueses e denominada de entrudo. Consistia numa brincadeira de melar os foliões que passavam pela frente com produtos do tipo talco, farinha de trigo, goma de mandioca, ovos, mel entre outros. Essa época foi denominada de carnaval do mela-mela. Era divertido... mas, até certo ponto. Refiro-me ao ponto em que pessoas mal-intencionadas resolveram participar usando produtos nocivos à saúde e integridade física dos foliões. Até soda caustica usaram. Foi, então, a época de me retirar dessa folia prejudicial. A coisa ficou de tal modo perigosa que a Policia Estadual coibiu de modo severo dando fim àquele carnaval de bárbaros. Nesse cenário, o carnaval de clubes ganhou força e as quatro noites de festa ficaram na história dos nossos carnavais. Isso, sem falar nas prévias, entre as quais o Bal Masqué e o Baile Municipal que tinham formatos de maior charme e elegância. Com a modernidade que adotaram, perderam muito... O Bal Masque de hoje é uma festa do gênero popular e tipo “pagou, entrou”. Paciência!
Eis que de repente veio um novo tempo e o carnaval de rua tomou novo impulso, dessa vez mais civilizado, dando condições aos desfiles de blocos, troças, cabocolinhos e maracatus populares. Com mele-mela isso era impossível. Em Olinda e Recife ressurgiram movimentos com todo esplendor popular. No caso do Recife, coincidiu que foi a época em que o Governo Municipal recuperou o centro histórico do Bairro Antigo (hoje está tudo abandonado), que passou a servir de palco para desfiles das agremiações e restaurar o verdadeiro carnaval pernambucano. Na Rua do Bom Jesus passou acontecer tudo de mais pura tradição. Por conta disso, o carnaval de clubes entrou em declínio e, na prática, desapareceu.
Mesmo assim, nos últimos tempos, tenho tido decepções com o que estão fazendo com a nossa festa pernambucana. As autoridades municipais de plantão no Recife insistem num tal de carnaval multicultural, incluindo shows com artistas de fora e marginalizando os valores da terra. Sambistas cariocas, roqueiros importados e DJs famosos que o povo não conhece são as atuais estrelas da festa. O frevo baiano sufoca o pernambucano com o beneplácito de uma alienada prefeitura da cidade e com o conformismo dos nativos. A turma da nova geração nem se anima para fazer o passo ou entoar as musicas verdadeiramente pernambucanas. É uma lástima.
Na tentativa de reviver o passado de gloria da nossa festa maior, fiz, este ano, a concessão de participar de dois momentos carnavalescos: fui ao Baile do Eu acho é Pouco, em Olinda, e ao lançamento do CD de Almir Rouche, no Palácio do Galo da Madrugada. No primeiro constatei que, enquanto tocou frevo o salão ficou vazio. Saiu a orquestra de frevo – ótima por sinal – e quando entrou uma escola de samba, não sobrou espaço no salão. Claro que gosto também de samba e alguns são perfeitos para a festa. Mas, essa de preterir o frevo é inaceitável. Tudo tem limite. Já no Galo da Madrugada a coisa foi mais pernambucana. Embora que saí desconfiando que o Rouche não faz muita diferença entre frevo pernambucano e baiano. Apesar disso a festa de lá foi mais autêntica, porquanto o artista se preocupou em cantar frevos-canção famosos, homenageando as figuras de Capiba, Nelson Ferreira, Gildo Branco, J. Michiles, este presente à noitada, entre outros. Para completar a autenticidade chegou o Bloco das Ilusões fazendo evoluções com suas figurantes bem fantasiadas. Dona Mira (nome fictício) com 92 anos de vida, não parou um instante. Dançou o tempo todo e ainda incentivava os presentes a cair no passo. Veja a carinha dela na foto ao lado. Fiquei admirado com aquela vitalidade, tipo menina-moça. Uma autêntica pernambucana. Bela! Diante daquilo e dependendo dos nossos remanescentes foliões, como me considero, além de muitas Miras soltas por aí, ainda resta esperança. O frevo não pode morrer.
NOTA: Foto da autoria do Blogueiro

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Bonito de Pernambuco

A gente sai por aí fazendo turismo e se encanta com belezas várias, muitas vezes sem muito encanto ou importância. Talvez, por puro prazer de viajar leva a que admiremos mais as belezas distantes e esqueçamos as que se encontram bem perto. Por exemplo, lembro de que existem cariocas que nunca subiram aos morros do Pão de Açúcar ou do Corcovado, mas enchem a boca ao dizer que subiram a Torre Eiffel para deslumbrar Paris lá do alto. Aliás, amigo meu, já falecido, alto funcionário da ONU (Organização das Nações Unidas), na Ásia, parisiense nato, garantiu-me nunca haver subida a famosa torre da sua cidade. Não é engraçado? Esta semana deparei-me com situações que me fizeram lembrar essas coisas.
Foi preciso acompanhar um amigo argentino, meu hóspede, ao interior de Pernambuco, querendo ver de perto nossa paisagem caipira. Fomos ao Agreste pernambucano e descambamos pela Zona da Mata, centrados na aprazível cidade de Bonito. Meu amigo ficou encantado com a paisagem. As serras da região, a vegetação, as cachoeiras que existem por lá, a gastronomia e, por fim, o modo de ser da gente local. Vimos inclusive uma vaquejada, o que foi muito oportuno. Ele se encantava e me fazia ver o que, de modo geral, não valorizo adequadamente. Não posso negar que é tudo muito bonito, simples e ao nosso alcance.
A gente do interior de hoje é bem diferente da que vi no passado, pelas bandas de Fazenda Nova, Caruaru e Garanhuns, terras dos meus ancestrais e por onde ando desde os meus ontem. É uma gente antenada, charmosa e atualizada. Por isso, já sabem receber com competência e, cheio de dengos, sem pedir homenagem aos metidos citadinos do Recife. Se brincar tem mais matuto na capital do que no interior.
Precisamos curtir (eu preciso) mais o que nosso interior oferece, porque vale à pena conferir certas coisas, como o Ecoparque de Bonito, onde o arvorismo e o banho de cachoeira fazem a festa do visitante. Ou então, meter-se na mata – Mata Atlântica salva – e alcançar os locais denominados de Pedra Redonda e Véu da Noiva, com belas cascatas e vegetação luxuriante, sem falar no coral formado pelos cantos da passarada nativa. O acesso é pela PE-103, novinha em folha, de traçado muito sinuoso e cheia de beleza a cada curva (cuidado com as curvas!). No alto da Serra, a 950m de altitude, o panorama é monumental. Dá uma sensação prazerosa de se encontrar mais perto de Deus e tendo o som do vento friozinho, como única música a soar nos ouvidos. Embora habitante das encostas dos Andes, meu amigo, me mostrou o quanto é belo aquilo tudo. Depois dos banhos de cachoeira e de saborear um arrumadinho de carne seca, batemos retirada das entranhas das serras e alcançamos as terras de Zumbi dos Palmares. Visitamos uma área que logo, logo, será inundada pelas águas represadas por uma das barragens que servirão de proteção às cidades de Palmares, Água Preta e Barreiros, tantas vezes atingidas pelas enchentes do rio Una. Se, por um lado, fiquei satisfeito pela garantia que o povo ribeirinho terá no futuro, por outro, fui abatido pela tristeza de saber que coisas belíssimas serão cobertas pelas águas represadas. O Engenho Verde, que pertenceu ao Barão de Bonito, vai desaparecer do mapa. No fundo da barragem (chegará a 80m de profundidade) vão ficar jóias preciosas de ambiente bucólico e importante conjunto arquitetônico da casa grande do Engenho (Vide foto a seguir), onde hoje funciona um Hotel Fazenda, com restaurante típico (buchadinhas e a cabidelas no cardápio) e parque aquático lotado de turistas, na tarde de domingo passado. O padrão, contudo, é sofrível... Fiquei sabendo que o Barão vendeu aquele engenho a Hermilo Borba e foi lá onde nasceu o conhecido teatrólogo pernambucano Hermilo Borba Filho. A propriedade, hoje, pertence a um empresário da cidade de Bonito. Vai ter que ser bem recompensado ao ter seu belo patrimônio desapropriado pelo Governo Estadual.
Pois é, Pernambuco é Bonito. Visite-o.
NOTAS: (1) As fotos são do Blogueiro. (2) Nossos agradecimentos aos amigos Valdir Silva e Plínio Farias, de Bonito, que nos ciceronearam nesse belo passeio. (3) Agradecimento a Jorge Morandi pela visita e provocação do passeio.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um dia a casa cai

O recente desabamento de três prédios no centro da cidade do Rio de Janeiro, um dos quais de grande porte, com vinte andares, expôs de modo cruel o jeito irresponsável de ser da grande maioria dos brasileiros. Tudo baseado na velha e muito conhecida história do “jeitinho brasileiro” para que tudo seja alcançado, ainda que em prejuízo de alguém ou de muitos, como foi o caso em questão.
É revoltante saber, conforme as averiguações legais e constatações divulgadas, que aquele prédio maior foi tratado de modo agressivo e contrário a todas as regras técnicas de engenharia e convenções legais estabelecidas. Ali, aparentemente, cada condômino fez reformas absurdas, trabalhou um puxadinho, derrubou paredes,“podou” vigas e reduziu pilares estruturais, ao seu bel prazer, conforme as suas necessidades de layout. Além disso, abriu vãos descomunais para implantar janelas não previstas no projeto original, deformando arquitetonicamente um edifício do melhor estilo primeira metade do século 20, tão comum naquela área central do Rio. Tudo feito a base de “projetos” de reformas sem qualquer avaliação ou efetiva participação de engenheiros e calculistas e, sobretudo, alheios aos traços originais da construção. Certamente à base do olhômetro e num esquema do tipo derruba aqui e levanta ali.
Causou-me asco ver um mestre de construção, de obras em curso no edifício que desabou, declarar à reportagem que nunca esteve com um engenheiro orientando as obras de reforma de uma empresa de informática e que seguiu as ordens do proprietário da dita empresa.
O sindico do prédio posou de inocente – dando uma de Lula – dizendo que não sabia de nada e que ficou surpreso com o acidente. Agora se sabe que ele mesmo havia concluído, pouco antes do acidente, uma reforma no vigésimo andar e os entulhos de demolição sequer haviam sido retirados de cima do edifício. Sabe-se lá o que não havia por lá. No meio de tantos escombros do que vale essa porção lá de cima.
Prédios desabam pelo mundo afora, é verdade. Mas desabam por outros e diversos motivos. Nem, por isso, devem ser motivo de consolo ou desculpas para nosso caso.
O caso do Rio de Janeiro expôs o Brasil na mídia internacional, que já vive permanentemente de olho nas coisas negativas que ocorrem por aqui. Isto dói no espírito do brasileiro responsável, empenhado em mostrar o que de bom e positivo existe entre nós.
O outro lado do caso, deveras triste, restou estampado nas fisionomias de dor e tristeza das pessoas que perderam entes queridos ali soterrados e que tiveram interrompidos projetos de vida, de forma brutal e, como se diz popularmente, de maneira idiota.
Já agora, oito dias depois da tragédia, um novo horror se divulga a respeito de cinco pessoas desaparecidas e que supostamente têm seus restos mortais dilacerados e misturados aos escombros retirados pela empresa de limpeza urbana carioca e jogados num aterro de detritos na Baixada Fluminense. Meu Deus! Que horror! O que passará pelas cabeças desses familiares traumatizados pelas perdas? Vai ver estão sendo devorados pelos abutres.
É comum se dizer que “o brasileiro só fecha a porta depois de roubado”... Inspirados nessa sabedoria popular, bem que poderíamos lançar uma campanha nacional contra os puxadinhos e reformas que se multiplicam pelo Brasil. E, quando houver, que sejam rigorosamente fiscalizados e multas pesadas sejam aplicados aos contraventores. O jeitinho brasileiro tem que ser limitado ou abandonado. Tem que ser abolido das cabeças do Brasil. Essa maneira de viver nem sempre dá certo. Há sempre um dia qual a casa cai! E, neste caso, caiu!
NOTA: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 28 de janeiro de 2012

Recife: Mala Pesada

A tarde da sexta feira (27.01.12) caia, com um sol dando “até amanhã”, indo brilhar noutras latitudes e longitudes, quando estacionei meu carro no bairro do Recife Antigo. Comigo, meu hóspede argentino (amizade antiga), ávido por retornar (ele já morou no Recife nas décadas de 80 e 90) à Rua do Bom Jesus. Avisei da decadência, mas lembrei-me da Embaixada dos Bonecos Gigantes – que ainda não conhecia – e pensei em tomar um café, ou talvez, uma caipirinha, num dos poucos restantes na área.
Pura ilusão... O que encontramos foi um clima de tristeza e abandono, pior do que eu antes descrevi.
A antiga área de glamour e alegria dos anos 90, (Vide foto a seguir) um dos principais pontos de atração turística da cidade, deu lugar a um ambiente lúgubre, descolorido e sem qualquer motivação para um turista que visite o Recife. Vimos um enfileirado de portas fechadas, inclusive a citada Embaixada, causando, além de estranheza, um sentimento de frustração do meu ciceroneado (Vide foto a seguir). Tentando remediar o irremediável, tive a idéia de convidá-lo para um maltado no Galerias, sobre o qual falei e descrevi a história, agora relocalizado no final da rua, defronte à Praça do Arsenal. Outra surpresa me pega “pelo pé”. Desapareceu! No lugar do Galerias temos agora um Bar Fiteiro! Tudo bem, o Fiteiro já tem um nome para garantir sucesso. Mas, o desaparecimento do Galerias e o maltado mais famoso da cidade é fato a lamentar. Está lá um sinal vivo de uma cidade que apaga sua história num “abrir e fechar de olhos”. À distancia vi que outra casa que marcou época na área, uma cervejaria na Praça do Arsenal, estava também às moscas e, duvido que esteja por lá quando da minha próxima visita. Num inicio de noite – pleno happy-hour – de uma sexta feira de janeiro... época de alta temporada. Sinceramente, é desencantador. Atravessei a rua e, talvez tentando iludir meu convidado, entrei numa loja de artesanatos. Numca vi tanta desarrumação em termos de exposição dos produtos. Estes, por sua vez, de baixíssima qualidade, além de gosto duvidoso e preços absurdos. Sem comentários.
“Arrastando uma pesada mala” bati retirada, desviando do lixo e mau cheiro das sarjetas da artéria, pedindo desculpas, ao meu amigo, pelo fiasco do nosso tour. Interessante é que, retornando ao ponto do estacionamento, observei outras pessoas – com ares de turistas – buscando visualizar e conhecer a famosa Rua do Bom Jesus. Tenho certeza que saíram, também, decepcionadas
É isso aí minha gente. O que vimos ontem é o retrato fiel de um Recife abandonado. Nossa bela cidade sofre pela irresponsabilidade dos administradores de plantão, que, ao invés de administrar a cidade, se dedicam de corpo e alma às futricas politiqueiras, esquecendo a responsabilidade que têm, enquanto governantes. O povo precisa ver isto, meu Deus!
É inadmissível o que se fez com o Recife Antigo. Como pode um projeto tão bem sucedido ser asfixiado, por uma determinação política espúria calcada num principio estúpido, que reina neste país, de paralisar ou destruir qualquer iniciativa de um ex-executivo opositor, ainda que provado e aprovado como bem sucedido. Foi isto que levou ao fim, o projeto do pólo turistico e valorização do conjunto histórico da Rua do Bom Jesus.
Fico admirado com a falta de sensibilidade e competência desses nossos administradores municipais, embora não cause surpresa para a maioria esmagadora dos munícipes, haja vista para o estado geral da cidade, nos itens, limpeza, mobilidade, saúde, segurança, entre outros aspectos. O abandono do capitulo turismo é, apenas, um detalhe a mais.
Já ouvi, várias vezes, conhecidos de outras cidades brasileiras criticarem a falta de atrações noturnas no Recife. As culturais existem. Mas, são mal cuidadas e a noite o turista fica sem opção de diversão. Emendam lembrando que nas outras capitais nordestinas – todas, sem exceção – existem bares e restaurantes, inclusive na orla marítima, próximas a rede hoteleira. Muitos desses com apresentações de shows com valores locais, rendendo significativos resultados para os nativos e incrementando o sucesso do turismo. Em Fortaleza, por exemplo, os humoristas fazem a festa dos visitantes. Às vezes são coisas batidas ou sem expressão, mas, mantêm suas casas cheias. Bom para eles e para o visitante que chega sempre catando atrações. Já no Rio G. do Sul ninguém sai sem comer um bom churrasco ao som das rancheiras e danças típicas. No Recife, porém, o visitante entra e sai sem encontrar um lugar para comer um arrumadinho, assistindo a uma boa demonstração de frevo e maracatu. Quanta burrice...
Atenção pessoal! 2012 é ano de eleições. Vamos mudar para ver se aparece alguém com melhor noção das coisas. Atualmente, Recife é “a mala pesada” de um turista.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sábado, 21 de janeiro de 2012

Saudades do Lalau

Stanislaw Ponte Preta, o saudoso Lalau, teria “deitado e rolado”, esta semana, com o festival de besteiras que assolou a vida brasileira. Que país é este, meu Deus? Sinceramente, sem querer bancar o intelectual, a dose foi cavalar.
Como pode um país inteiro se ligar numa idiotice do tipo “... Luisa está no Canadá.” Acho que, finalmente, chegamos ao fundo do poço da babaquice. Pior, impossivel! Como pode uma gozação popular, da sociedade de uma capital de porte médio, a um tipo, segundo dizem, pernóstico e vaidoso se transformar numa onda nacional de idiotice? Francamente, o Brasil se nivelou ao que há de mais fútil e sem futuro. Por que essas chamadas redes sociais não aproveitam a inteligência que as caracterizam para difundir outros temas, com forte conteúdo cultural ou político-social, por exemplo? E como pode um pai permitir que uma filha menor se exponha e desempenhe um papel tão minúsculo numa sociedade tão carente de novos valores e lideranças sérias? Fico pasmo com tantas cabeças ocas e com o futuro dessa Nação. Deus permita que esse episódio não sirva de modelo para outros tolos de plantão, senão, preparemos nossos corações porque o festival de besteira vai virar epidemia e o fundo do poço da idiotice, ao contário do que se imaginava, deve ser abaixo da camada do pré-sal! Vai ter sujeito sabido prá todo lado, faturando alto e aproveitando a ignorância coletiva.
A outra besteira que tomou conta da mídia foi o suposto estupro ao vivo e a cores, cometido por um ébrio contra uma igualmente tonta e inerte, no famigerado BBB da Globo. As investigações, o apurado, o processo que rola, a repercussão na imprensa lida, falada, televisada e de outros veículos nacional e, pasme, internacional são, em tudo e por tudo, abomináveis. Numa hora dessas, sinto vergonha, enquanto brasileiro e consciente do papel que temos a cumprir no cenário internacional. E isto, justamente na hora em que tudo aponta para um Brasil que empina seu prestigio no panorama internacional. “Ah! Que nada! Você está por fora... Isso ocorre até no Reino de Elizabeth II”, ouvi de uma conhecida, metida a moderninha. Pode até ser... mas, justifica?
Que cultura é esta que se constrói neste momento? Quais serão os costumes e padrões morais dos meus netos? Na minha visão o que deveria ter ocorrido era a retirada sumária do ar, sem pena e sem dor, desse estúpido BBB. Tudo leva a crer que o tal personagem/modelo “infrator” fez o que a emissora queria, isto é, chamar a atenção do público – Classe C, viu? – ignaro.
Por fim, coroando esse Festival, leio nos jornais de hoje (20/01) que o Carnaval do Recife vai ter "atrações" internacionais vindas da Inglaterra, Estados Unidos, África, Cuba e alhures. Fora as “atrações” cariocas. Pergunto: será que Ney Matogrosso vai encarar um frevinho “rasgado”? Ele pode ser bom noutras coisas... Aliás, será que esses estrangeiros vêm com novidades em termos de Frevo e Frevo Canção, que, lamentavelmente, já não são mais produzidos aqui, por total falta de incentivos e responsabilidade das autoridades de plantão. Pensando bem, essa de homenagear Alceu Valença tem cara de disfarce. É tanto que ele, o homenageado do ano, segundo a programação divulgada, no domingão de carnaval foi empurrado para um palco na periferia da cidade e não no Marco Zero. Faz favor... Juro que não entendo. Até, gostaria de entender. fora desse carnaval descaracterizado que se instalou em Pernambuco. Enquanto isso, baianos e cariocas investem nas suas tradições – axé e marchinhas, por exemplos – valorizando a prata da casa. Meus aplausos!
Sei não... as novas gerações muito em breve ouvirão falar de frevo, frevo canção, marchinhas, entre outros, como sendo uma coisa do passado remoto, fora de moda e gosto duvidoso.
Boa semana, sem essas surpresas ridículas. Saudades de Lalau

NOTA: O jornalista Carlos Nascimento criticou, durante a abertura do “Jornal do SBT” da última quinta-feira (19), as discussões em torno do suposto estupro no reality show Big Brother Brasil e a repercussão do hit “Luiza no Canadá”. “Ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos, ou nos tornamos perfeitos idiotas, não é possível que dois assuntos tão fúteis possam chamar a atenção de um país inteiro”, comentou o âncora.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Café Porteño

Nada mais prazeroso do que tomar um café no cruzamento de Florida com Córdoba, no italo-argentino Il Gran Café e apreciar a vida desfilar. Um legítimo café porteño. O ano nem bem começou, mas, por sorte, já tive a chance de dar uma rasante na Argentina. Estive em Buenos Aires nos quatro últimos dias da semana passada. Esse é o tipo de lugar bom de visitar e que a pessoa sai com vontade de voltar.
Sob um sol de verão brilhante, céu de brigadeiro desde cedo e temperatura agradável, curti quatro dias de intenso movimento e muita alegria. Na minha companhia contei com a patroa, minha filha “australiana” – encerrando as férias e de volta para Sydney – com o marido, os sogros e cunhado. Formamos um grupo bem movimentado. Foi interessante porque, depois de mostrar o Brasil, oferecemos aos australianos a oportunidade de conhecer o país do tango. Uma amostra, ainda que parcial, da cultura sul-americana. A vibração latina do nosso continente encantou os recatados turistas de Oz. O mix de samba, frevo e maracatu mexeu com os nossos amigos estrangeiros e, para encerrar a temporada, veio o tango com aquela forte dose de sensualidade deixando o pessoal, por vezes, de queixo caído. O show do Señor Tango foi o ponto alto. Impactante, marcante e, certamente, inesquecível. Foi muito interessante acompanhar essa tournée dos nossos “familiares” australianos. No mais, vi a cidade apinhada de brasileiros. Como nunca! É incrível. Do taxista ao atendente das lojas e garçons nos restaurantes não se ouve outro idioma a não ser o português. Com um cambio mais do que favorável aos brasileiros, a cidade se movimenta em função dos brazucas. Hotéis lotados, lojas disputando fregueses, restaurantes faturando em Reais e casas de tango com listas de espera, para brasileiros.
Do dia-a-dia argentino o grande debate é sobre o diagnóstico da enfermidade da Presidente Cristina: está ou não com um câncer? A notícia oficial é de que, inicialmente, houve um diagnóstico falso positivo. Agora, após a cirurgia constatou-se ser um tumor benigno. Ótimo! Tudo bem e possível. Mas, há muita gente, nas ruas, dizendo que se trata de um blefe. Explicam que, como o caso da taxa de inflação, a Casa Rosada quer enganar o povo. Complicado entender, sobretudo para mim que sou brasileiro.
Sobre a inflação, de fato, comparei os preços de alguns itens de outubro para cá – quando também estive por lá – e vi que remarcaram, para mais. Pude observar que nas discussões oficiais a taxa anunciada pelo INDEC (o IBGE de lá) é bem inferior ao que se observa na prática. Institutos não oficiais, asseguram que o IPC (índice de preços ao consumidor) vem subindo a uma razão média de 2,1% ao mês, enquanto os índices oficiais falam na metade disto. Ora, mesmo sendo a metade, já é muita coisa. Vi tantos pedintes quanto acontece no Brasil. Até limpador de pára-brisas já aparecem pelas grandes avenidas.
Outro problema que os argentinos vão ter que administrar a partir de fevereiro é o controle das importações com altas taxações impostas em uma gama imensa de produtos e bens intermediários. Tem empresários “com a mão na cabeça” porque dependem de matérias primas e componentes importados. Isto vai acarretar altas nos custos da produção, com repercussão no preço final ao consumidor e mais inflação. Mesmo contando com o regime aduaneiro do MERCOSUL, o Brasil já tem acendido um sinal de alerta. A relação comercial bilateral (Brasil-Argentina) é muito importante para os dois países. A última informação prestada dá conta de que ocorreu uma cifra record, em 2011, de US$ 39,6 Bilhões, com saldo favorável ao Brasil da ordem de US$ 5,8 Bilhões.
Ligo a TV, assisto ao noticiário e observo que é bem diferente dos nossos. Para melhor, avalio. No nosso caso, só aparecem casos de assaltos, assassinatos, roubos a mão armada, acidentes “espetaculares”, corrupção em Brasília, entre outros mais cabeludos. Lá não. O mais espantoso, na semana passada, foi o caso das duas irmãs idosas (média de 90 anos) que morreram asfixiadas por gás, dentro de casa – um apartamento de luxo no luxuoso bairro da Recoleta – no dia 02 de agosto do ano passado! Somente agora descoberto. Os corpos em avançadíssimo estado de decomposição foram levantados. Fico espantado como pode acontecer uma coisa dessas. Essas senhoras tinham vizinhos? E parentes? Ninguém percebeu de pronto essa barbaridade? Somente o mau cheiro exalado do apartamento fez com que a casa fosse arrombada e, então, descoberto o quadro macabro, mais de seis meses depois. Que horror! Minha conclusão é de que, pelo visto, se trata de uma sociedade muito mais recatada, do que eu pensava, com cada qual em seu local vivo ou morto. Houve ainda o caso de um cidadão que trucidou, num bosque, a própria esposa, uma professora, no bairro de Belgrano e agora responde em juízo. Um caso de assassinato passional que acontece todo dia no Brasil. O caso policial mais engraçado, porém, foi a briga entre os manteros (vendedores ambulantes da Calle Florida, que espalham seus produtos em mantas) expulsos pela policia, a pedido dos comerciantes da rua mais charmosa da cidade. Achei justo. Em outubro vi que a artéria estava deteriorada. Os revoltados fizeram movimentos com batucadas, alto-falantes e muita falação. O resultado é que há uma diferença brutal entre o cenário de outubro e o deste janeiro. (Foto acima)
Ah! vimos o tradicional desfile das mães da Praça de Maio. (Vide foto) Com tudo que vi, Buenos Aires, será sempre uma bela festa aos meus olhos. Nada como curtir um bom café porteño e ver a vida passar. Sinto-me em Paris, bem perto de casa.
NOTA: Fotos do Blogueiro

sábado, 7 de janeiro de 2012

ANO NOVO, VIDA IGUAL

O ano de 2012 chegou saudado com os foguetórios tradicionais, espocar de espumantes, perus, tenders e tudo que se tem direito nestas ocasiões. Quase todo mundo vestiu branco, simbolizando a esperança de entrar num bom tempo.
Engraçado é que Janeiro é, por razões obvias, um mês de preguiça, ressaca e regimes de emagrecimento. O Brasil pára e faz questão de lembrar que o ano só começa mesmo depois do carnaval. A tropicália cai na gandaia do sol de verão e, como num ato coletivo, recarrega as baterias para o que der e vier no resto do ano. Até D. Dilma parou. Foi curtir o verão baiano. Tem ministros nos quatro cantos do globo. Parlamentares, nem se fala... Nem futebol tem! Chega a ser chato...
Mas a novidade deste ano foi a nota extra no meio das festividades: o Brasil é a 6ª. Economia do Mundo. Desbancou o Reino Unido! Já pensou? Tem sujeito (e sujeitas também) que não se contem dentro das calças. De fato, é motivo de júbilo. Antenado nessas coisas, passei por um surto danado de ufanismo. Não vou negar. Mas, logo que “a ficha caiu” fiquei me perguntando como foi feito esse cálculo. Quais as variáveis, meu Deus? E o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) entrou nessa equação? Claro que não...
É lamentável pensar nesse contraste: uma das maiores economias do mundo não consegue distribuir democraticamente a riqueza com sua gente que vive sofrendo sem Educação, Saúde e Segurança dignas, além de outros aparatos coletivos. Gigante pela própria natureza, belo e forte, impávido colosso, na rua Oscar Freire (de São Paulo) e pobre, pobre de marré, marré, nos grotões dos sertões nordestinos e igarapés da Amazônia. Dois mundos num mesmo conjunto nivelado, somente, por cima. Cá prá nós, esta “coisa” exige uma reflexão nacional.
Fugindo das minhas elucubrações ufanofrustrantes, resolvo ligar a TV para me atualizar com o Brasil ressacado e o Mundo de 2012 e eis que só ouço noticias atemorizantes a respeito da crise na Zona do Euro, com o desemprego grassando; dos incêndios na Patagônia chilena, Austrália e Nova Zelândia; inundações no Sudeste asiático e para trazer-me de volta ao clima das ufanofrustrações vejo pela janela da TV as noticias das chuvaradas e novas inundações no Sudeste do País. Sei não, mas, do jeito que vai, algumas cidades de Minas Gerais e estado do Rio vão desaparecer do mapa. Claro! Passado um ano das tragédias de 2011, nada foi feito para proteger aquelas localidades. Dinheiro foi desviado, prefeitos corruptos foram cassados e o povo a clamar socorro. Com as novas torrentes de ano novo, poucos têm esperança de sobreviver. Isto na 6ª. Economia do planeta. Dói prá caramba. Quem viu o que ocorreu no Japão em 11 de março passado e toma conhecimento dos feitos de recuperação tem que se frustrar. E lá, o país é, apenas, a 3ª. Economia do mundo.
Quando vejo esse aguaceiro no Sudeste, ponho minhas “barbas de molho” com o que pode ocorrer nas nossas bandas. Falo da região da Mata Sul de Pernambuco. Esta é uma área sofrida e castigada, todo ano, com as precipitações pluviométricas que São Pedro manda prá lá. A população local, escolada dessas ocorrências, já está em estado de alerta e a boataria se encarrega de predizer torós entre fevereiro e março. Pobre gente! Pobre mesmo porque o que foi prometido em termos de proteção coletiva parece ser, até agora, meros projetos. O dinheiro, dizem que tem e o Ministro Bezerra Coelho garantiu com vontade política ferrenha. Resta saber se as obras já estão aptas a cumprir seus papéis.
Que, ao menos, os governos estadual e municipais preparem a população para esses torós alardeados. Condições técnicas existem. Responsabilidade civil é o que se espera das autoridades.
Eu juro que queria falar com mais otimismo. Sobretudo por ser cidadão da 6ª. Mas, não posso me esforçar além do que minha consciência permite. Por enquanto vou tentando administrar meu ufanofrustrante espírito de brasileiro consciente. O ano é novo, mas, a vida continua a mesma. Nem a 6ª. fez mudar a cara. Essa 6ª, sei não! Vou tentar entrar no clima e deixar rolar.
NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



Eis que chegou, novamente, a época do Natal. 2011 passou bem rápido. O tempo parece girar mais depressa. Não é mesmo? Nestes festejos de Dezembro desejo, aos caríssimos amigos e amigas, que, antes de tudo, lembrem o motivo maior da festa, que é o aniversário do nascimento de Jesus Cristo, e que seus corações se abram aos sentimentos de Paz e Amor. Que os desejos materiais, traduzidos pelas compras desenfreadas, não ofusquem o sentido maior deste tempo do Advento. Reúna sua família, sinta o frescor da alegria de viver, valorize o momento e comemore os 2011 anos Dele. Ao distribuir presentes tenha em mente que está presenteando os filhos e filhas de Jesus Cristo e, desse modo, presenteando a Ele mesmo.

Quando 2012 chegar, reveja seus propósitos, reconsidere os equívocos, perdoe alguém que lhe foi ingrato, trace projetos exeqüíveis, foque nos desejos maiores e construa um futuro seguro e tranqüilo, porque seu futuro é você quem constrói. Ao fim e ao tempo, comemore as experiências adquiridas. Festeje tudo. Se puder, viaje muito. Exponha-se a experiências dignas. Beije e abrace alguém todos os dias. Seja solidário com o próximo e sinta as emoções da aventura de viver, porque viver é muito bom!

O Blog do GB completa – no dia 27 de dezembro – quatro anos de existência. Até agora, foram 222 postagens, lidas por seguidores nos quatro cantos do Planeta. Somente entre Março de 2009 e este fim de ano quase 88.000 acessos foram registrados pelo contador de visitas. Isto é motivo de satisfação para o Blogueiro, cuja intenção inicial era de escrever, apenas, para um grupo de familiares e amigos mais próximos. Estes, porém, gostaram tanto e resolveram distribuir pelas suas respectivas redes de relacionamento resultando num sucesso. Como não existe blogs sem seguidores, ou eventuais leitores, o Blogueiro agradece lisonjeado e espera contar com a mesma atenção em 2012.

FELIZ NATAL

BELÍSSIMO 2012!


Nota: O blog entra em recesso de fim de ano e só volta na primeira semana de 2012.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Educação: o X da questão

A falta de mão de obra qualificada em Pernambuco é, indiscutivelmente, um dos temas mais recorrentes (inclusive aqui neste Blog) quando o assunto é o crescimento econômico do estado. As novas empresas que se instalam já não sabem mais onde buscar pessoal de nível. Localmente, fora do estado e até fora do país são opções que começam a se esgotar. Os nativos não oferecem condições exigidas. Trazer gente de fora sai caríssimo e provoca choques de relacionamento com os locais. Outro dia, visitei uma empresa que trouxe pessoal da sua matriz, na Espanha, para dar conta das encomendas e formar pessoal, em serviço. Os locais não convenciam.
Esse quadro me faz retornar ao X da questão que, não tenho dúvidas, é a Educação. Falo de educação de base. Como falo da formação de especialistas, coisa pouco valorizada pelas autoridades deste País. Como preparar pessoal para atuar num mercado mais exigente se não se dispõe de uma educação formal eficiente. Como preparar pessoal adequado aos novos tempos se nem os professores são formados e bem pagos?
Na semana passada estive hospedado num desses suntuosos resorts do litoral sul do estado. Fiquei desencantado com a qualidade do atendimento. Mais do que isto, fiquei preocupado com a sustentabilidade do empreendimento dado ao baixo padrão dos serviços prestados. Além de falar errado – o Sinhô qué um café compreto ou um menos compreto ? – a demora para receber o café da manhã no bangalô foi interminável. Cobrei duas vezes, depois do pedido feito. Uma hora e dez minutos depois chegou a bandeja com pratos frios e mal-apresentada. Uma coisa dessas causa uma péssima impressão ao turista mais exigente. Aliás, a qualquer deles, porque turista é bicho exigente por natureza. Eu mesmo sou... Falta educação de todos os níveis neste país. Enquanto perdurar este quadro, não haverá progresso. E, pensando bem, nem ordem, no Brasil.
A Veja desta semana traz uma matéria de capa que cai bem, neste ambiente de discussão: A Arma Secreta da China. O grande país oriental, forte candidato a ocupar o lugar de líder na economia mundial, caminha célere para transformar seu quadro de recursos humanos no mais competente possível. Ao contrário da Era Mao, quando até a universidades foram fechadas e ordem era plantar para comer, a China de hoje está formando pessoal de primeira, como se exige para uma sociedade em franco progresso. “O Professor é centro gravitacional de todo o sistema. Pragmatismo, meritocracia, professores bem formados e premiados com dinheiro pelo bom desempenho, estudantes disciplinados e motivados por suas famílias.” Eis a arma secreta dos chineses. Aulas até nos domingos. Lembro que quando estive no Japão (fiquei por lá, quase três meses, fazendo um curso de pós-graduação) me surpreendi com os garotinhos de escola primária indo a escola nos domingos. Maldade? Não! Cultura! É assim que se forma um país e uma sociedade forte. Nesses países asiáticos estudar é coisa séria e envolve a formação de hábitos culturais para o resto da vida. Por exemplo: em cada sala de aula se encontra uma pá e uma vassoura. Terminada a jornada de aulas, os próprios alunos varrem e limpa o ambiente. Serviçais trabalham apenas nas áreas comuns. No Brasil, isso jamais colaria. Aqui, se confunde ordem com autoritarismo e a desordem é entendida como liberalidade. Que pena. É por isso que dificilmente sai uma aula que preste, lembrou a reportagem. Turma do fundão e papos paralelos é comum na escola brasileira (Vide foto). Celulares tocam a toda hora. Esses péssimos hábitos são levados pelos brasileiros pelo resto da vida. Não preservam a limpeza urbana, não respeitam o próximo, nem as autoridades e pregam a anarquia. A matéria da revista semanal observa a realidade chinesa e a compara com a do Brasil. Pobre de nós. Como Pernambuco é Brasil, vai ser preciso muito fervor e ações para que resolvamos a contento nossas atuais carências de recursos humanos qualificados.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 4 de dezembro de 2011

Brasil Caixa 2

O Natal está chegando e outra vez surge a polemica da decoração/iluminação da cidade do Recife. Isso tem sido um problema, a cada ano, porque rolam milhões de Reais e a coisa é sempre a desejar ou eivada de erros e, o pior, lamentáveis “assaltos” aos caixas da municipalidade. Já critiquei, mais de uma vez, essa coisa. Nunca me esqueço dos trapos azuis e encarnados – referindo-se ao folclore do pastoril – que, há alguns anos, penduraram nas árvores da Avenida Agamenon Magalhães (prinicipal da cidade) e pagaram milhões de Reais ao decorador. Cristo não perdoará nunca!
A decoração do ano passado até que mereceu elogios. Estava vistosa e provocava certo impacto visual. No bairro do Recife Antigo ficou correto e digno de admiração. Mas, o que se observa na decoração deste ano, inaugurada nos últimos dias de novembro, além de tímida, deixa muito a desejar. Faltam as guirlandas e arcos de luzes que caracterizam essas ornamentações em qualquer lugar do mundo. Falta quem – com bom gosto e conhecimento do ramo – faça um projeto digno do Recife. Eu era bem jovem e lembro-me da decoração natalina da cidade, na gestão de Augusto Lucena, que era um deslumbre. As pontes foram as vedetes, naquela época, o Capibaribe se enchia de luzes com imagens sugerindo os festejos. Havia competência na administração e menos desvios de verbas.
Minha indignação aumentou, esta semana, quando ouvi uma entrevista da vereadora Priscila Krause, vigilante segura dos desmandos petistas à frente da Prefeitura do Recife, denunciando a armação que está por trás dessa decoraçãozinha natalina de 2011: são R$ 5,0 Milhões! Pelo amor de Deus! Isto é um despautério! É uma grana preta para produzir adereços de reciclados. Uma fortuna – em vista do produto – tirada dos cofres municipais e que certamente farão falta a projetos de investimentos em beneficio da população recifense. De cara logo, ouvi da entrevistada que a metade dessa verba foi arrancada de uma orçada para beneficiar a comunidade de Beberibe (subúrbio recifense) com obras de melhorias urbanas. Ora, aqui prá nós, se assim for, é uma imoralidade. Tirar da verba destinada a melhorar a qualidade de vida da população para produzir penduricalhos natalinos – de gosto estético duvidoso – a titulo de decoração natalina da cidade é um absurdo. Uma cidade como o Recife, carente de melhorias em pavimentação, iluminação publica, esgotos sanitários, galerias pluviais, LIMPEZA, segurança entre outros itens, não pode desperdiçar verbas por menores que sejam. É revoltante.
Naturalmente que não precisa ser especialista, nem calculista, para perceber que aquilo que penduraram nas árvores da Agamenon não custaria essa soma de recursos. Fica claro que a história é a mesma de sempre: alguém vai embolsar a maior parte dessa grana e esse alguém já se sabe quem pode ser. É só lembrar que no próximo ano teremos eleições municipais e mata-se a charada, prontamente.
Infelizmente o nosso eleitor é míope, os nossos vereadores são impotentes nas suas ações e os nossos Tribunais de Contas não sabem conferir. Outro dia, alguém me disse que as tramóias são tão sistemáticas que não dá para conferir todas. Pobres de nós, os contribuintes. Haja impotência civil diante de tanta malandragem. As coisas fluem de maneira descarada e ironizando com quem tem noção da realidade.
Está aí mais uma prova do Brasil Caixa 2.

NOTA: Nada de ilustrações. Não vale á pena.

sábado, 26 de novembro de 2011

Castelo de Areia Europeu

Cresce a preocupação do mundo quanto ao que vem ocorrendo na Europa, nesses últimos tempos. A fragilidade de boa parte das economias da Zona do Euro, incluindo inicialmente Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha, já não poupa a Itália e avança célere pelas economias mais sólidas e ricas – França e Alemanha – todas praticamente em crise. Isto acende um sinal de alerta para o resto mundo. Juntando a isso tudo a situação, também difícil, dos Estados Unidos desenha-se um quadro de arrepiar, para a economia mundial.
Acompanhando a situação lembrei-me do livro de Jeremy Rifkin, intitulado de O Sonho Europeu (M.Books, 2005) que li há dois ou três anos, no qual o autor faz uma analise comparativa entre as culturas econômicas norte-americana e européia. Segundo Rifkin, há uma diferença colossal (adjetivo meu) entre esses dois povos. Tudo conforme suas raízes históricas, bem definidas e identificadas. Enquanto os americanos trabalham feito loucos, sem parar, para formar um patrimônio do tipo quanto maior, melhor, o europeu trabalha para alcançar uma vida tranqüila e economicamente segura, dando especial atenção para viver momentos de lazer, repouso e qualidade de vida. Estes pensam, por exemplo, com questões ambientais que lhe darão bem estar e prazer, ao passo que os americanos trabalham, dia e noite se preciso for, não importando o processo pelo qual o sujeito obtenha sua riqueza pessoal, interessando o, e somente o resultado. E conseguem... Foi para isso que ele nasceu, foi assim que ele foi educado e é para isso que ele existe. Ou seja, os americanos vivem para trabalhar e os europeus trabalham para viver. Tive dúvidas quanto a essa tese, à época que li a obra. Conheço norte-americanos que curtem a vida, embora que apóiem as manobras bélico-militares do país, sempre achando que eles são os senhores do mundo moderno e isso é abominável.
O europeu, não. Na Europa o cidadão comum nasce, cresce e se educa numa cultura distinta, que, na prática é formada de um inteligente mix de produzir, acumular e viver. As guerras não fazem parte da cultura deles, mesmo porque de guerras viveram seus antepassados. Hoje em dia, antes de ir à luta, o europeu moderno sempre opta pela negociação diplomática. A vida com lazer, cultura, bem-estar e pouca ostentação é uma tônica daquela gente. Em resumo, Rifkin acha (ou achava) que “a visão européia do futuro vem eclipsando silenciosamente o sonho americano”.
Mas, não é sobre essas diferenças que resolvi escrever hoje, mesmo porque não sou especialista na área. Minha questão nesta postagem está voltada para a atual situação econômica mundial. Há poucos dias comentando uma fala do norte-americano Lawrence Summers (ex-assessor de Clinton e Obama), numa conferencia que assisti em São Paulo, registrei a opinião (dele) de que os governantes europeus estavam muito indecisos nas tomadas de decisão quanto aos problemas da atual economia do continente. Dei razão na hora e vejo que não poderia ser de outra forma, dadas as características ali reinantes. A Europa é formada por um mosaico de imensa diversidade cultural. Os neolatinos diferem imensamente dos germânicos e dos eslavos. O pensar do grego está muito distante do que pensam os anglo-saxões e assim por diante. Ora, como administrar uma comunidade de economias e sociedades estruturalmente diferentes, políticos de padrões diversos e de estados emocionais díspares? Como organizar num único Estado, algo proximo a três dezenas de países com histórias diversas num sonhado Estados Unidos da Europa? O resultado do quadro assim desenhado é esse desencontro de idéias e de decisões que testemunhamos nos dias do hoje.
Desemprego em massa, povo nas ruas protestando e respondendo radicalmente inclusive nas urnas eleitorais é tudo quanto se registra na democrática Europa desse inicio de século resultando numa difícil situação.
Países em crise, além do desemprego crescente, têm baixo consumo das famílias, investimentos reprimidos, importações retraídas, entre outros obstáculos. Acreditar que a situação ficará restrita ao Velho Continente é pura ingenuidade. Para os que, sistematicamente, lhes fornecem produtos e/ou serviços, como o Brasil, a situação pode se complicar em proporções indesejáveis. Temo que o Castelo da União Européia seja de areia e desabe sobre o resto do mundo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Desafios de Porto de Galinhas

“Porto de Galinhas é uma beleza. Adorei o que vi e a dinâmica da vila. Aquelas piscinas naturais... Gostei do comércio sofisticado, dos bons restaurantes e a hotelaria é de primeira. Mas, o acesso rodoviário e a estrutura urbana ainda são muito fracas...” Foi assim que amigo meu, de São Paulo, comentou sobre sua visita ao mais famoso balneário pernambucano. Dei uma “desculpa de amarelo”, daquelas de quem defende do jeito que pode e até quando não pode. Parto sempre do principio de que turista é sempre exigente. Eu mesmo sou. Infelizmente, tenho a mesma opinião do amigo paulista. E por isso mesmo, fui conferir, in loco, neste feriadão de 15 de novembro. De fato, é uma beleza curtir a paisagem de Porto de Galinhas, com seu mar azul turquesa, suas atrações naturais, as piscinas (vide foto a seguir) os passeios de jangada e bugres e se deliciar com as várias opções de restaurantes. O comércio é simplesmente surpreendente. Ultimamente, inclusive, os lojistas locais têm caprichado na repaginação dos seus estabelecimentos e isso vem dando um novo perfil do centro comercial. O que era uma lojinha acanhada se transformou numa vistosa, atrativa e bem sortida casa de negócios, sem nada a dever dos grandes centros comerciais e, particularmente, de outros balneários no Brasil e no exterior. Está na cara que o dinheiro corre com mais intensidade e negociar em Porto de Galinhas se transformou numa atividade rentável.
Este quadro, pensando bem, já era esperado e muito se deve a dois importantes fatores: primeiro, pela concreta afluência turística, devida ao fato de que Porto vem sendo eleita – há quase dez anos – a mais bela praia do Brasil e, depois disso, a influência do desenvolvimento industrial da região vizinha, centrado no Complexo Industrial Portuário de Suape, a poucos quilometres dali. Executivos de empresa, técnicos graduados e trabalhadores da região foram, naturalmente, atraídos pelas belezas e amenidades do balneário. Muito desses já moram por ali e, por sorte, se livram a cada dia do transito caótico da Região Metropolitana. Junte a esse contigente o dos pernambucanos que mantêm suas casas de veraneio naquele paraíso tropical e pense no que pode acontecer em dias de alta estação. De uma coisa estou certo: o movimento turístico de Pernambuco se concentra naquela região litorânea. Basta uma voltinha pelas principais ruas da Vila e se nota as presenças de forasteiros nacionais e estrangeiros.
Contudo, lembrando meu amigo paulista, é decepcionante fazer a trajetória entre o Recife e Porto de Galinhas. Ele mesmo amargou 3 horas de engarrafamentos, ou seja, o mesmo tempo de vôo entre São Paulo e o Recife. Claro! As vias de acesso – BR-101 e PE-60 – são estradas de fazer vergonha. Ontem (15/11) à noite, ao retornar ao Recife, levei duas horas para um percurso que pode ser feito, no máximo e a baixa velocidade, em 40 minutos.
Outra coisa que deve ser atacada pelas autoridades locais é quanto a inaceitável infra-estrutura sanitária local. É vergonhoso circular pela Vila e respirar o mau odor de esgoto sanitário que sobe das sarjetas e de alguns pontos a céu aberto. Por mais que se entenda que o lugar cresceu de modo acelerado e desordenado, sem tempo de planejar melhor, é impossível aceitar. Do jeito que está, não pode continuar. A Prefeitura de Ipojuca tem que correr contra o tempo e dotar o local de melhor escoamento sanitário e cuidar da limpeza pública. Tem muito lixo nas ruas. Será que os turistas acham engraçadinho jogar copos descartáveis, papéis sujos e outros "bichos" na via pública? Faltam lixeiras? Dinheiro, todo mundo sabe, não falta. É uma prefeitura rica. Pelo visto, faltam competência e agilidade nas ações. Precisam salvar Porto de Galinhas, antes que seja tarde.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 6 de novembro de 2011

Competitividade em Debate

Retornando de Buenos Aires ao Recife, na semana passada, fiz uma parada em São Paulo, onde me juntei ao grupo dos dirigentes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Pernambuco (SIMMEPE) e da Fiepe, para participar o 6º. Encontro Nacional da Indústria - ENAI, promoção anual da Confederação Nacional da Indústria – CNI. Esse tipo de encontro criado pelo então Presidente da Confederação, Armando Monteiro Neto, vem se consolidando, ano a ano, como a melhor oportunidade da classe empresarial brasileira, do setor industrial, se encontrar, trocar informações, discutir seus problemas e, por fim, desenhar e propor trajetórias que julguem ideais na defesa dos seus interesses.
Além dos empresários de todos os estados brasileiros, técnicos, pesquisadores, convidados especiais, representantes do Governo e imprensa acompanham, atentamente, cada debate, todos caracterizados por profundo conteúdo. Este ano, a idéia-força foi discutir o Fortalecimento da Competitividade da Indústria Brasileira. Nada mais oportuno, visto que, sendo o Brasil, parte integrante da economia globalizada, cresce a toda hora a falta da capacidade de competir, num mercado dominado por players, cada vez mais agressivos e competitivos.
Os trabalhos, propriamente digo, foram abertos pela conferência do ex-Diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Lawrence Summers, nos Governos de Bill Clinton e no atual, de Barack Obama. Sem, a rigor, apresentar grandes novidades Summers fez um histórico da situação econômica mundial, destacando a crise de 2008, o atual recrudescimento, as possibilidades de salvação dos Estados Unidos, o dilema da União Européia, que, segundo ele, com a indecisão dos governos locais pode arrastar o mundo para uma crise sem precedentes e, por fim, o papel das economias emergentes, principalmente o Brasil, ao qual atribuiu um importante papel, muito embora as necessidades de reformas, todas bem conhecidas, aqui em Pindorama, no dizer de Hugo Caldas.
Na seqüência dos trabalhos, os temas Regime Fiscal, Infraestrutura, Educação e Capacitação Profissional, Meio Ambiente e uma Agenda para a Competitividade Brasileira foram amplamente discutidos, por formadores de opinião, executivos da indústria, especialistas setoriais e representantes de governos, mediados pelos mais abalizados repórteres econômicos da TV brasileira.
Em meio aos debates, lembro bem de alguns pontos conclusivos e que merecem destaques: O Brasil é pouquíssimo competitivo comparado a 13 países diretamente concorrentes, devido a falta e custo da mão de obra capacitada, disponibilidade e alto custo do capital, infraestrutura e logística falhas, peso dos tributos e, claro, a debilidade dos setores da Educação e inovação tecnológica. Não vejo novidades nisso, mas, debatido naquele conjunto toma corpo e maior repercussão. No debate sobre as questões de infraestrutura e do meio ambiente a CNI, através do seu presidente, Robson Andrade, sugeriu mudanças nas regras de licenciamento das obras potencialmente não poluidoras, na tentativa de agilizar a melhoria da estrutura, sem o que a indústria brasileira perderá, cada vez mais, espaço no mercado mundializado.
O Governo Federal esteve representado por dois importantes ministros: Aluisio Mercadante, da Ciência e Tecnologia e Fernando Pimentel do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que deram seus recados oficiais, incensaram D. Dilma, e, em troca, receberam recados do empresariado.
Uma nota cômica num dos intervalos ficou por conta da charge viva, promovida pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), com uma figura patética denominada de Impostão: um cidadão caracterizado de gordão, alimentado por polpudos impostos cobrados pelos vários níveis de governo. Na cola dele um personal tranning insistia para ele praticasse exercícios de emagrecimento, entre os quais o desafiador das abdominais. Era uma pandega vê-lo embolar pelo chão. Vide foto. Após dois dias de trabalhos e debates restou a sensação de sucesso e a esperança de que bons resultados sejam colhidos. De parabéns a CNI, as federações de indústria e os sindicatos que são, no final das contas, suportes básicos do Sistema Indústria.


NOTA: A foto á da autoria do Blogueiro, que compôs a Comitiva do SIMMEPE e Fiepe, no Encontro.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SABOR A TANGO

O pano sobe, a platéia se acomoda e um quinteto de cordas e bandoneon galvaniza, com um tango tradicional, o grande salão do Palazzo Rossini, na Calle Perón. Sabor a Tango é o titulo da cena-show que se segue. Dançarinos se envolvem em verdadeiros enroscados de pernas e braços, corpo inteiro, sugerindo atitudes libidinosas, somente possíveis quando bailando um tango. É um clima de puro frisson. Muito próprio para aquele gênero de música. Na verdade, quando bem executado, o tango traduz sensualidade, paixão, melancolia, exala cheiro de amor e sabor de volúpia. Por vezes, também pode "carregar nas tintas" com tons de ódio ou perfídia. É incrível como a coisa, que filtra pelos poros do interprete, se entranha nas mentes dos espectadores mais sensíveis. Haja emoção... Estou voltando de uma nova visita a Buenos Aires, que é um dos meus destinos favoritos. Desembarcar ali é sempre prazeroso. A cidade parece, mesmo, estar sempre a minha espera. Temos uma relação de intimidade antiga. A primeira vez foi nos tempos de juventude, depois de uma decepção amorosa. Naquela ocasião, os bons ares portenhos envolveram-me na forma de uma brisa amena de primavera, como a de agora, acalmando meu jovem e inquieto espírito ainda apaixonado. Voltei recuperado, prometendo retornar outras vezes. Assim ocorreu. Vi a cidade mudar e se modernizar. Vi governos arcaicos e oligárquicos, passeatas e revoltas, ditadura, pós-guerra e moedas diversas. Vi redemocratização e hiperinflação. Vi um povo sofrendo e mantendo a fleuma de uma sociedade acostumada ao fausto. O portenho é garboso e orgulhoso dos seus valores.
No show do Palazzo Rossini, na noite do sábado (22.10.2011), abri os arquivos da minha memória e relembrei momentos inesquecíveis. Saudosismo? Talvez! Como “recordar é viver”, recordei vivendo.
Na visita da semana passada, fugi do chamado micro-centro e hospedei-me num hotel em Puerto Madero, região da Costanera Sur, onde uma nova Buenos Aires se desenvolve e faz-nos respirar uma agradável onda de modernidade. Largas avenidas, passeios espaçosos e o binômio água/vegetação a emoldurar uma cidade estruturada à moda européia do inicio do século 20. Restaurantes de vanguarda, hotéis de luxo, centros comerciais e empresariais brotaram ao longo desses últimos vinte anos e hoje fazem a festa do visitante, entremeados de velhos guindastes do antigo porto, transformados em peças de museu a céu aberto.
A Argentina vem mudando e, aos poucos, se reorganiza para ocupar seu tradicional lugar de destaque nos quadros políticos, sociais e econômicos da América do Sul.
A propósito, cheguei a Buenos Aires ao final da campanha política para as eleições que ocorreram no domingo (23). Cristina Kirchner foi reeleita presidente da Republica. Uma vitória considerada inusitada, com percentual acima dos 53%, esmagando uma oposição visivelmente desorganizada, com vários candidatos e votações atomizadas, sem a menor chance de somar, o que quer que seja, para o atual quadro político do país.
Tentando mergulhar no clima das eleições, provoquei taxistas, balconistas, garçons e engraxate. Descobri um eleitorado dividido e com certa dose de perplexidade. Há muita insatisfação com a inflação em alta – gira em torno de 25% ao ano – e a conseqüente alta no custo de vida. Descobri também que a candidata Cristina Kirchner aproveitou bastante, segundo os meus interlocutores, a condição de viúva no poder. Nas minhas especulações, entendi que a viuvez parece ser uma condição que sugere compaixão na visão do argentino comum. E, quando capitalizado politicamente, é “mão na roda”. Tem sabor de tango!
Circulei bastante, durante o dia da eleição, a cata de testemunhar a festa nas ruas. Para minha surpresa, nenhum sinal de votação. Parecia um dia qualquer, um domingo como os de sempre. Na mais perfeita ordem, os eleitores foram aos comícios (assim são chamadas as secções eleitorais) e depois se entregaram ao lazer. A Lei Seca foi desobedecida nos quatros cantos de Buenos Aires. Tomei uns tantos Malbecs com meus amigos, sem qualquer percalço. Nada de manifestação pró ou contra A ou B. Nenhum papel de propaganda. Santinhos? Boca de urna? Nem pensar! Acho que soariam como coisas estranhas e sem sentido. Absolutamente nada. Uma coisa, digamos, sem graça, se comparada com um dia de eleições no Brasil. O comércio aberto e faturando sem parar. Fiquei em dúvidas se era, ou não, dia de eleições. Aqui ou acolá, muito poucas vezes, encontrei um sóbrio sinal, num cartaz ou grafitagem. Da oposição nem sinal. “Ah! A vitória de Cristina, antes da hora, tirou o entusiasmo da campanha e do eleitor!” Explicou o garçon do restaurante, garantindo não haver votado nela. No final da noite do dia 23 a Plaza de Mayo se encheu de eleitores, para comemorar. Se houve tango, não vi, mas vi outros ritmos latinos. Pela TV vi a vitoriosa Senhora Kirchner, de luto fechado, ensaiando seus passos no balcão da Casa Rosada, que agora está sempre feericamente iluminada, de cor rósea.
Antes do pano baixar, no Palazzo Rossini, deliciei-me com as composições de famosos como Hector Varela, Jorge Valdez e do magistral Astor Piazzola, entre outros. Ah! Não faltou o já tradicional “No llores por mi Argentina” tributo à Evita Perón. Muito sabor a tango.




Nota: Fotos da autoria do Blogueiro.

Se quiser saber mais sobre o Palazzo Rosini, clique em: www.saboratango.com.ar

sábado, 15 de outubro de 2011

Galinha dos Ovos de Ouro

Em setembro passado, muito antes do que se esperava, os impostômetros da vida brasileira acusaram o alcance da marca de 1,0 Trilhão de Reais arrecadados pelo Governo Federal, este ano. É uma fantástica soma de recursos financeiros que a Fazenda Nacional dispõe para, em troca, não retribuir como desejado ou como lhe compete. É uma galinha dos ovos de ouro! A cada ano que passa o brasileiro precisa trabalhar mais dias para pagar seus impostos. Pesquisas realizadas apontam que, no ano passado, foram necessários 148! São 4 meses e 29 dias trabalhando para cumprir as obrigações com o Fisco. Na década de 70, era de apenas 76 dias. E, naquela época, todo mundo reclamava. Quando e onde vamos parar? Pelo visto, nunca e em lugar incerto. Outro dia, num verdadeiro ato de bravura, acabaram com a CPMF. Insatisfeito o Governo não se cansa de lamentar e quer a todo custo reeditá-la. Acabar, nunca! Criar, sempre.
Nossos vizinhos argentinos e chilenos precisam trabalhar muito menos dias do que nós, para pagar seus impostos. Os primeiros gastam apenas 97 dias e os chilenos 92. A coisa no Brasil se equipara ao que ocorre em nações desenvolvidas como França (149 dias) e Suécia (185). Ocorre, porém, que o retorno aos contribuintes, nestes países, nem de longe se compara com o que se verifica aqui na Tropicaliente Terra Brasilis. Quem dera que tivéssemos os padrões de atenção à Saúde, Educação e Segurança que os suecos gozam. Quem dera, também, que a infra-estrutura brasileira seguisse o padrão francês. Nada disso! Nosso suado dinheirinho vai parar, muitas vezes, em lugares incertos e não sabidos. Quem tiver idéia do que significa 1 Trilhão de Reais (até o fim do ano pode chegar muitíssimo acima disso) pode imaginar o que poderíamos viver, fosse o Brasil um país sério e governado por homens honestos.
O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT vem estudando esse despautério da vida brasileira e revela dados assustadores: num estudo recente dá conta de que, desde a promulgação da Constituição Federal de 1998, foram editadas mais de 4,35 Milhões de normas. Não é engano, eu disse Milhões, porque isto está ali registrado. Dessas, 155.954 foram federais, 1.136.185 foram estaduais e 3.061.526 municipais. Desse total, 566.847 continuam vigentes e perturbando a vida de todos nós.
Segundo o estudo, 275.094, dessas normas, são tributárias. Indo à calculadora, conclui-se que desde Outubro de 1988, foram “fabricadas” 33 normas por dia. Melhor: 1,3 por hora. Não tem quem agüente.
Quer ver uma coisa? O mesmo IBPT publica, no seu site, um outro dado incrível: em 2010, os proprietários de veículos automotores recolheram a soma de R$ 21,0 Bilhões de Reais de IPVA, aos cofres estaduais. As Fontes dos dados foram o CONFAZ, o Denatran e IBGE. Pensando no sentido dessa cobrança, fácil se verifica que o retorno é uma lástima.
Abismado com tantos absurdos, não posso deixar de registrar um impressionante dado exposto no mesmo site do IBPT: as empresas brasileiras gastam cerca de R$ 43,0 Bilhões por ano, para manter funcionários, consultorias, sistemas e equipamentos para acompanhar a dinâmica movimentação – modificações, na verdade – da legislação brasileira. E, ai de quem não arcar com essa despesa, porque o resultado vem em forma de pesadas multas. É duro ser empresário neste país.
É ou não é uma galinha dos ovos de ouro?
NOTA: Imagem obtida no Google Imagens.
Se quiser saber mais coisas absurdas, acesse o IBPT através do Google.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

JOGO SEM FIM

Já notaram como neste país nunca se deixa de falar em eleições? Pode até ser igual, aí por fora... Mas, cá prá nós, isso aqui é uma compulsão. Nem bem termina um pleito, como o do ano passado, para eleger governador, senadores, deputados federais e estaduais já se falava, dia seguinte, nas eleições de 2012 e 2014. Quem seria candidato natural, quem iria se aventurar ou quem teria, ou não teria, chances de se candidatar. Inacreditável. Dizem que faz parte do jogo... Do jogo, minha gente. Como jogo e jogador, hoje em dia, goza de conceitos mais amplos, tudo bem!
Ocorre, porém, um detalhe desse jogo que vale à pena registrar: de dois em dois anos, o Brasil gasta cerca de R$ 704,0 milhões com a realização de eleições. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o País gastou R$ 462,0 milhões nas últimas eleições apenas no lado operacional, com investimentos em equipamentos, transporte de urnas, impressão de cadastro de eleitores e relatórios de votação e alimentação para mesários. A este valor, some-se mais R$ 242,0 milhões de renuncia fiscal com a isenção de impostos concedidos às emissoras de rádio e TV que transmitiram o horário eleitoral. Com essa grana, o Governo Federal poderia construir 32 mil casas populares, mais 2.350 postos de saúde ou 3.520 quadras poliesportivas cobertas. Francamente, é um absurdo para um país cheio de carências sociais. Eleição unificada, a cada quatro anos, já seria de bom tamanho para esse... esse jogo! Pense na economia para os cofres públicos.
Agora, por exemplo, já se instalou o clima de eleições para 2012, embora falte um ano para a realização do pleito. É por essa e outras que o nosso eleitor se acha fazendo papel de palhaço. A grande maioria, sim. Estou tentando livrar minha pele, embora sem muito segurança...
Na prática, essa turma não faz outra coisa a não ser articular e fazer campanha para se eleger. E, nesse ambiente de eterna campanha, esquece de discutir e trabalhar pelo que, de fato, interessa ao eleitorado. São poucos, muitos poucos, que se mostram empenhados por resolver os problemas fundamentais da sociedade, entre os quais os da Saúde, da Segurança, da mobilidade urbana e da Educação. E, sendo poucos, já viu. Entra ano, sai ano, sai governo, entra outro e esses temas são sempre postos à margem. Viram retóricas de palanques, de dois em dois anos.
O Brasil não merece esta situação. Infelizmente, ou por sorte, vive aqui um povo manso e conformado com um estado de penúria e degradação social, onde o que impera é a insegurança, as doenças endêmicas, uma mobilidade prejudicada, uma Educação de base indigna e, para completar, um sistema eleitoral inadequado que privilegia o acesso de pessoas, em grande parte, desabilitadas para exercer qualquer dos cargos eletivos. É revoltante. Quem, porventura, mete os pés fora do país, volta decepcionado ao conferir os padrões social, infra-estrutural e político que se respira nesta Terra de Cabral. Imagine em que condições sócio-econômicas estaríamos, se tivéssemos um povo educado, qualificado tecnicamente, com saúde, empresários mais competitivos, juros civilizados, investimentos produtivos seguros, infra-estrutura de país grande e liderado por governantes éticos.
O eleitor (falo do orientado) já não agüenta mais de assistir essa estupidez. Já não tem mais condições de ver, por exemplo, seu representante votar secretamente num processo de julgamento de um deputado corrupto que, no final da sessão, ao invés de cassado, sai triunfante e com os louros da absolvição! Essas votações – por uma questão de ÉTICA – teriam que ser DECLARADAS. Queria ver como seria. Fico tiririca da vida de não saber como foi o voto do meu representante, digo, aquele no qual votei. Acho engraçado é que, nessas horas, como todos querem sair bonitinhos no filme, dizem que votaram pela condenação. Prá cima de mim...
Pois é, não se fala noutra coisa a não ser de eleições, ano após ano. Discutir os anseios da sociedade é coisa para o dia “são nunca”. Na hora da campanha preparam um discurso bem bolado – com ajuda de um marqueteiro, um neurolinguista, um maquiador/cabeleireiro, por vezes um pai-de-santo e, claro, um bando de asseclas gritando o “já ganhou”... – E ganha! A maioria não sabe o que fazer depois de eleito. E povo? Ah! Como dizia certo humorista, o povo é apenas um detalhe. É um jogo sem fim.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 2 de outubro de 2011

Dolorosas Interrogações

Na semana passada comentei sobre a grande possibilidade de um novo ataque do dragão da inflação no Brasil. Claro que fiz isto de modo muito simplório, pensando no universo diversificado dos leitores deste Blog. Na prática, a coisa é muito mais complexa, exige uma analise mais profunda e com mais argumentos técnicos. Estou consciente disto.
Nesta semana, tive dificuldades de eleger um tema para meu “bate-papo” semanal, embora que, diante de pauta significativa. Ficou difícil fazer uma escolha.
Por fim, não tive saída, a não ser voltar, mais ou menos, à questão da semana passada, na medida em que os sinais emitidos pelos poderes públicos e os fatores exógenos confirmaram minhas preocupações.
O Brasil vai precisar de enérgicas medidas de políticas fiscais e monetárias para se safar dessa recidiva da crise de 2008. Os analistas brasileiros e estrangeiros dão seus recados de modo claro e garanten ser inexorável. Os daqui garantem que o país está sem as mesmas condições de três anos atrás e os lá de fora dão como certo uma profunda e inevitável recessão na Europa e garantem que nos Estados Unidos terão, facilmente, um retorno ao passado (falo de 2008). Isto é muito ruim para o mundo inteiro.
A Europa vai sofrer sérios percalços, tendo em vista as naturais dificuldades econômicas dos seus estados membros, sobretudo daqueles da Zona do Euro, da queda da produção industrial e da desaceleração do seu mercado interno. O desemprego já assume proporções alarmantes, na Espanha, em Portugal, na Grécia e agora, inclusive, na França, com manifestações e protestos a toda instante. No caso dos Estados Unidos a coisa não se apresenta, ainda, tão grave, mas será inevitável. O Governo Obama está em meio ao desafio de segurar a barra, sem muito espaço de manobra. A taxa de juros está tendendo a zero sem, contudo, oferecer os resultados esperados e os gastos públicos – como no Brasil – vem a ser um calcanhar de Aquiles. E, o pior, uma eleição pela frente, na qual ele pretende se reeleger. Com este elemento adicional, a situação por lá tem forte conteúdo político.
Os emergentes – China, Brasil, Rússia, Índia e México – não estarão imunes à situação internacional. A China, inclusive, que vem ao longo dos últimos anos disparada, na corrida do crescimento econômico, média de 10%, pode, sim, sofrer algumas surpresas. Analistas de jornais norte-americanos fizeram, estes últimos dias, uma previsão de que a taxa do gigante oriental pode cair, até, pela metade. Acho meio difícil... Isto será um choque para eles, salvo se programarem medidas que possam aumentar o consumo interno, que tem, aliás, uma imensa margem de manobra. E a explicação passa, é claro, pelo fato de que Estados Unidos e Europa são os maiores clientes dos chineses. Em recessão vão reduzir consideravelmente as compras chinesas. Mas, não podemos esquecer que no regime político chinês cabe toda sorte de solução. De repente...
No Brasil, onde o regime político é outro – graças a Deus – a coisa pode ser enfrentada com mais dificuldades. Uma saída pode ser a retomada da estratégia de ampliação do consumo interno que pode proporcionar algum resultado. Nada como no caso chinês, mas, ainda, com algum bom espaço, muito embora a altíssima taxa de juros praticada. A maior do mundo. Por outro lado e outra vez, a redução severa dos gastos públicos, tantas vezes apontada como remédio, poderá também ajudar. E, por fim, olho aberto no cambio. Ainda dependemos muito de compras no exterior. São inúmeros os itens que precisamos comprar lá fora, para atender simples demandas da população, como por exemplo, o pão. Isto, pão feito com trigo importado. Nesse quadro de Dólar apreciado, como hoje, a inflação pode voltar. É nisso que o dragão está atento e que foi meu tema da semana passada.
Ah! É verdade que, no sentido contrário, poderemos lucrar com as vendas das nossas commodities para o exterior. Mas, teremos compradores num mundo em crise? Será que os chineses vão precisar do nosso minério de ferro nas mesmas quantidades de hoje? E a soja? E o suco de laranja? A carne e tantos outros itens? Dolorosas interrogações.


NOTA: Foto e ilustração obtidas no Google Imagens

sábado, 24 de setembro de 2011

Feche a porta, olhe o dragão aí!

Semana difícil esta que termina hoje. Na esteira da taxação exagerada dos veículos importados, 30% de IPI (Imposto sobre os Produtos Industrializados), revelando uma autêntica recaída, do Governo, no retrogrado modelo de reserva de mercado, a alta do Dólar norte-americano aplicou um susto no mercado, como há muito não fazia.
O vendaval gerado pela crise econômica européia, com foco central na Grécia, por fim, chega, com vontade, nos nossos costados e já provoca abalos aqui, dentro da casa de D. Dilma. Ela, naturalmente, reage com altivez, mas, o fato é que dá susto.
No caso do aumento na taxação do IPI, nos veículos importados, o perigo é iminente. As montadoras nacionais – que devem estar por trás dessa gracinha – vão deitar e rolar no mercado interno e, facilmente vão majorar os preços dos seus veículos, além de descuidar da qualidade.
Quando Fernando Collor assumiu o Governo, fez uma critica ácida às montadores nacionais, ao afirmar que no Brasil não se produzia veículos e, sim, carroças. Era verdade. Isto, fruto da ultrapassada política do mercado fechado e reservado à produção nacional. Aquilo foi uma senha para abertura do mercado nacional aos produtos estrangeiros, que no primeiro momento representou um choque na indústria nacional. Ficou difícil concorrer com o produto estrangeiro dentro de casa. Foi um corre-corre danado para remontar as estratégias tecnológicas e de mercado. Reações vieram, como sempre acontece numa mudança, mas, o resultado que hoje se experimenta é, sem dúvida, o melhor.
Ao majorar o imposto sobre os veículos importados, acredito que o Governo dá uma marcha à ré, prejudicando a indústria nacional, o consumidor e tudo mais. Cria barreiras ao jogo de mercado e afasta o Brasil do circuito globalizado. Por outro lado, prevejo que no decorrer da aplicação dessa nova tarifa, haverá também prejuízo para a produção nacional de veículos, à medida que componentes e peças de reposição, hoje importadas, tornar-se-ão muito mais caras e podendo inviabilizar a produção nacional de veículos. De qualidade, quero dizer. Não são poucos os componentes importados que entram na produção de um veiculo Made in Brasil. Corremos o risco de voltar a produzir carroças, novamente. Daqui prá frente 65% tem que ser de conteúdo local. É bronca.
Nesse quadro, vamos ver o que vem por aí. Presumo que vai gerar muita dor de cabeça. Estou com pena do Faustão... Ele ia tão bem... Vai parar de vender os chineses, que, aliás, desistiram de instalar uma montadora aqui no Brasil, na hora.
Já a desvalorização do Real, dessa forma brusca, como ocorreu esta semana é outra coisa preocupante. Bom para os exportadores que vão melhorar o caixa das suas empresas. Mas, muito ruim, por outro lado, porque bagunça meio mundo ao tornar mais caros uma imensa gama de produtos, incluindo produtos básicos, necessários ao dia-a-dia do homem comum e gerando inflação, lá na ponta. O pão nosso de cada dia, por exemplo, que depende do trigo importado, vai disparar de preço – o setor já avisou – e seu Zezinho mais D. Zefinha vão chiar no balcão da padaria. O trigo, como muitos outros produtos vão disparar e os efeitos serão pesados. Resta somente o Banco Central monitorar a situação e atuar quando necessário, porque, do contrário, vai ter que rever a meta de inflação para o ano.
Socorro, D. Dilma! Feche a porta bem fechada, olhe dragão aí!
NOTA: Charge obtida no Google Imagens.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Paralelo 30

É muito interessante conferir a diversidade cultural do Brasil. Em cada canto um povo diferente, um sotaque distinto, uma gastronomia nova e uma paisagem singular.
Integrando uma missão empresarial pernambucana estive por quatro dias, da semana passada, no Paralelo 30, o Rio Grande do Sul. Não chega ser uma novidade, pois já andei por lá outras vezes. Mas, a sensação do diferente e mais distante, sempre imprime uma sensação de primeira vez.
Ali, o Brasil é outro, comparado com o nosso Nordeste, começando pelo clima. Nestes tempos de quase primavera, o frio ainda é forte, exige agasalho e os parques já se colorem de forma exuberante com as flores da época. O mundo estava, quase todo, cor de rosa com os Ipês exibindo suas primeiras florações. Para quem vive numa região onde só se conhece inverno e verão, é pura festa para os olhos. Coincidentemente comemorava-se a Semana Farroupilha, antecedendo a data magna do estado festejada ontem, 20 de setembro. Havia festa por todo lado, no comércio, nos parques, escolas e onde mais coubesse. Fácil era avistar pessoas – homens, mulheres e crianças – embaladas pelos trajes típicos gaúchos. O churrasco, o chimarrão, as bombachas (calças de gaúcho) e as prendas (jovens vestidas com trajes típicos) dominavam a paisagem.
Porto Alegre nunca me convenceu como atração turística. Ao contrário da região serrana (Gramado, Canela, Bento Gonçalves, entre outras), a capital não exerce a desejada atração fatal como bela cidade. Contudo, é fato de que se trata de uma cidade pujante e com cara de metrópole. Claro que, alguns setores convencem. Mas, de forma pontual e exigindo muito do conjunto.
Andei por lugares interessantes e, entre outros, destaco: a belíssima e bem estruturada Pontifícia Universidade Católica – PUC. É de impressionar. Além de classificada como a melhor universidade privada do País, dispõe de uma superestrutura comparável às melhores dos Estados Unidos e Europa. É impressionante a produção de estudos e pesquisas daquele campus. Trabalhei um dia inteiro naquele ambiente e sai crente de que estive num primeiro mundo, com jeito brasileiro. Fiquei orgulhoso, por eles.
O gaúcho é muito cioso da sua cultura. Bairriiiista. Bate os pernambucanos. Haja orgulho naquela gente. Nacionalistas viscerais. Com aquele sotaque característico defende as cores, do estado e do Brasil, com unhas e dentes. Indo ao Rio Grande Sul nunca deixe de visitar um dos vários CTGs – Centros de Tradição Gaúcha. Estive num desses, o CTG 35, sediado numa churrascaria, onde "mergulhei de cabeça" no universo da tradição local. Comi, bebi e assisti ao show da casa, com as danças típicas dos pampas (Vide clipe no fim da postagem) e o espetáculo das boleadeiras, no qual o artista faz loucuras com as bolas nas pontas das cordoalhas de couro ( Procure no YouTube por “Show de boleadeiras”, vale à pena). Neste ponto os gaúchos são mais inteligentes que nós, pernambucanos. Ninguém sai do Rio Grande do Sul sem assistir a um show típico. Aqui em Pernambuco, nossos empresários do show-business nunca se habilitaram a montar uma casa para mostrar o frevo e maracatu, o ano inteiro. Uma lástima, porque público teria. Uma incompetência sem limites.
Gosto muito de visitar mercados públicos. Já tratei disto em outras postagens. O Mercado de Porto Alegre é um capitulo especial. Limpíssiiiiiimo. De fazer inveja ao nosso belo, mas, muito sujo Mercado de São José. Instalado num belo e antigo prédio, dispondo de espaços voltados para atender o fluxo turístico, é uma visita imperdível. (Vide foto, a seguir).
Para terminar, registro que, no centro da cidade, pude constatar a existência de muitos outros prédios de arquitetura neoclássica, admiravelmente bem tratados. Aliás, vírgula. Para lembrar que ainda estávamos no Brasil, onde, muitas vezes, o patrimônio histórico é destruído, sem mais,nem menos, revoltei-me diante do prédio do velho Teatro Carlos Gomes, desmontado e transformado numa loja de gosto duvidoso, no Centrão, e pintado com uma berrante cor, dando testemunho de descaso das autoridades locais. (Vide foto abiaxo) Um crime... NOTA: Fotos e clip são da autoria do Blogueiro



video

domingo, 11 de setembro de 2011

O Recife enfartou

Ultimamente, aqui no Recife, só se fala em mobilidade. Referem-se a tal da desejada mobilidade urbana. Todo mundo reclama, com razão, das dificuldades vividas no transito caótico da cidade. A cidade enfartou. É isto aí. E, até agora, não apareceu um especialista para criar os by-passes.
Esta semana que passou foi cruel. Na véspera do feriado de 7 de setembro, dois enfartos paralisaram a circulação viária da urbe recifense. Na zona Sul, um conserto no pavimento da importante via de acesso ao bairro de Boa Viagem, a Avenida Domingos Ferreira, estrangulou o transito e na zona Norte, uma árvore desabou sobre a Avenida Rosa e Silva, outra importante via, principal acesso aos populosos bairros de Casa Amarela, Parnamirim e Casa Forte, com danos materiais a proprietários de veículos atingidos, simplesmente paralisaram a cidade. Foi um caos! Durante duas horas e meia fui obrigado a fazer um trajeto que normalmente se faz em quinze minutos. Um desespero. Não tínhamos saídas! A cidade parou totalmente. Inacreditável. De norte a sul e de leste a oeste havia engarrafamentos intermináveis.
Foram episódios conjunturais, é verdade... Mas, pegou a cidade num momento em que se discutem soluções para uma melhor mobilidade. Uma prova de fogo para quem tem o poder de mando e de solucionar o problema, porque expôs a situação de modo cru e irremediável.
O Recife cresceu com uma política de ocupação do solo irrealista ou desobedecida. A política vigente não surtiu o efeito desejado. Interesses políticos, dos (tu)barões da construção civil e da sociedade egoísta levaram a esta situação deplorável. Espigões são levantados, sem o menor cuidado com a circulação viária. Ruas estreitas recebem, sem condições, prédios gigantescos, abrigando famílias com uma média de dois carros por unidade. Garagem para estes, nem sempre são disponibilizadas.
Estima-se que circulam no Recife, aproximadamente, 600 mil veículos automotores que, somados aos mais de 300 mil na Região Metropolitana, resulta num total em torno dos 900 mil veículos, entrando e saindo de uma cidade não preparada para esse pesado volume. Semana passada, publicou-se a informação de que no estado de Pernambuco, como um todo, já são registrados 2 Milhões de veículos. É muito, vamos e venhamos.
Alguma coisa tem que ser feita para administrar essa carga pesada.
Como um simples mortal e sem poder de opinar, acho que aqui na capital – além de uma engenharia de tráfego competente e eficaz, fora, naturalmente, uma sensivel melhoria na infra-estrutura viária – poderiam ser adotadas algumas medidas simples e que resultaria em alívio imediato, como, por exemplo: proibir cargas e descargas de mercadorias entre 8 e 20h.; evitar consertos e instalações em vias importantes no horário diurno; proibir, severamente, pelo menos nas principais artérias ou no miolo urbano, o trânsito de carroças com tração humana ou animal; coibir o transporte de bujões de gás e de água mineral em motocicletas; bicicletas na contra-mão (um absurdo) e, por fim, instalar um sistema de rodízio de automóveis, em circulação conforme placas. São coisas simples. Mas, que podem ajudar. Caso contrário, não tem jeito!
Por outro lado, uma campanha educativa de massa, via principais meios de comunicação, poderia conscientizar a população no sentido de melhorar esse transito aparentemente sem solução. Temos um povo mal-educado e habituado a fazer o que quer e não o correto. Educação nele!
Na perspectiva de construção de novas vias de infra-estrutura viária na cidade, que deve estar pronta antes da Copa de 2014, já avisaram que a situação vai piorar, enquanto durarem as obras. Não sei como vamos sobreviver a uma situação pior.
O Recife enfartou e as autoridades não encontram meios para operar a normalidade.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google imagens