segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Cultura e Competência Nipônicas

Ontem (29.11) foi dia de Feira Japonesa do Recife, no bairro antigo da cidade, numa promoção da Casa do Japão de Pernambuco, que é composta pelas associações que reúnem os membros da colônia nipônica local e seus simpatizantes, incluindo a Associação Nordestina de ex-Blosistas e Estagiários do Japão – Anbej, que, por bondade dos sues integrantes, me confiam a presidência, há três anos.
O evento sempre ocorre no último domingo de Novembro e a deste ano foi a 13ª. edição.
Pelo menos 45 mil pessoas (estimativa de especialista do ramo), acorreram ao velho bairro do Recife, durante as doze horas do festival e mergulharam no clima oriental, que caracteriza a bela cultura do país do Sol Nascente. O público aumenta, a cada ano. Comidas e bebidas típicas, artesanato, música, ikebana, origami, artes marciais, canto e dança, entre outras manifestações não faltou em nenhum momento.
A cada ano é escolhido um tema central. Este ano, o motivo foi voltado para a faixa jovem, contemplando, sobretudo, o movimento cult-pop dos mangás e animes, que são as populares formas de literatura em quadrinhos e suas versões para o cinema e TV.
Os japoneses são muito inteligentes nas atenções que dispensam aos jovens. Tudo é pensado de modo muito próprio. Desde a formação básica até a faixa da profissionalização. O lema é EDUCAR, porque, para eles, não pode haver país desenvolvido sem povo educado. Na minha permanência no Japão, que durou aproximadamente dois meses e meio, pude avaliar o significado dessa prioridade. Fiquei impressionado ao ver, em pleno domingo, grupos de pequenos estudantes – ainda no jardim da infância – fardadinhos, em fila indiana, dois a dois, sendo levados para alguma atividade escolar, que podia ser em classes, num museu ou parque. O mesmo com os adolescentes.
Pois bem: ontem, mais uma vez, me pareceu clara a importância que se dá à juventude japonesa, com sua cultura pop, ao me deparar, no bairro do Recife, com a Embaixadora Kawaii, Senhorita Misako Aoki, enviada especial do Ministério das Relações Exteriores do Japão ao evento do Recife. Trata-se de uma jovem, digamos, mimosa (kawaii, em japonês, significa: bonitinha, fofinha, lolita), com trajes infantis, estilo vitoriano, muito popular no Japão e ganhando adeptas mundo afora. Outra vez, lembrei-me da minha temporada nipônica, quando tive oportunidade de ver, nas tardes de sábado e domingo, levas de jovens caracterizados de personagens tiradas das revistas de quadrinhos, estrelas do cinema americano e clássicos da literatura infantil mundial. A embaixadora kawaii é um dos melhores exemplos. Ela, observe o/a leitor/a, é uma moça nomeada formalmente como embaixadora. E isso, não é pouca coisa. Pelo contrário. Para se ter uma idéia, ontem ela era, hierarquicamente, a autoridade maior da representação diplomática local, mais do que o próprio Cônsul Geral do Recife!
O Governo nipônico está investindo pesado nesse filão. São três embaixadoras dessa ordem, soltas mundo afora, vendendo o moderno “peixe” japonês. Eles sabem o que estão fazendo. O mundo globalizado é liderado por quem tem competência sócio-econômica e presença forte. E para isto vale tudo, inclusive investir na popularização, em nível global, no modismo de vestuário e de cultura pop-jovem, dos meninos e meninas dos distritos de Harajuko e Yoyogi, de Tóquio. Isto é pensar no futuro.
Aqui no Recife, a jovem embaixadora se encontrou com as lolitas locais (elas já existem!) e deu o recado que lhe recomendaram. Veja foto da mimosa nesta postagem.
Fora a kawaii, também marcaram presenças, na Feira, os jovens nísseis do Recife e a turma do anime-mangá pernambucano. Foi uma festa de jovens. Muitos jovens, inclusive caracterizados como os personagens das revistas em quadrinhos japoneses. Haja cores e exotismo.
Mas, mesmo assim, o tradicional da cultura japonesa teve seu espaço garantido na Feira de ontem. Por exemplo, a dança shishimai, original da Ilha do Okinawa (Sul do Japão), com duas alegorias de leões – guardiões da felicidade – fazendo evoluções no palco e na rua. Digamos que foi um verdadeiro frisson quando os leões pularam do palco no meio da praça e abriram espaço entre o público. Nessa hora o animador da festa bradou, ao microfone, que quem tocasse nesses animais afastaria os espíritos do mau. Imagine a danação que se criou.
Foi um dia à japonesa em pleno verão tropical do Recife! No posto de presidente da Anbej, sinto-me gratificado pelo sucesso do evento.

Dedico esta postagem a Diretora Cultural da ANBEJ, a Arquiteta Zélia Faria, “alma” da organização da Feira Japonesa do Recife, há exatos treze anos. Obrigado amiga Zélia! Você é uma kawaii!

NOTA: Fotos da autoria do blogueiro

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Viva e Bulindo

O calor era intenso e o clima seco, característico da região, corroborava para o desconforto geral. Mas, a cidade estava viva e bulindo nos seus quatro cantos. Os hotéis lotados e frustrando quem desejasse mais uma acomodação. Os bares e restaurantes faturando a rodo e com listas de espera. Os preços? Ah! Sem dúvidas, bem salgados, porque negociante da casa de pasto não titubeia nessas horas. Bota no gogó...
Este foi o clima geral que encontrei na cinqüentenária Brasília, nos dois dias que andei por lá na semana que terminou.
Parece que o mundo inteiro resolveu promover eventos, todos ao mesmo tempo, na Capital Federal: nos cinemas, o festival anual, com direito a estréia do eleitoreiro filme sobre a vida do Presidente; nas portas do Congresso, manifestantes dos vários pontos do país portando cartazes pedindo o fim do fator previdenciário; lá dentro o debate com a votação do projeto de criação da Petro-Sal; no Tribunal de Contas da União, tudo fechado e os funcionários em greve, com direito a trio elétrico, axé music e muito proselitismo corporativo; no Palácio do Itamaraty, a Presidente Cristina Kirchner, da Argentina, que resolveu bater uma caixa com Lula, foi recebida para um almoço e no Centro de Convenções o maior encontro de empresários da indústria, para um debate anual, também, sob a batuta do Presidente da Confederação Nacional da Indústria, o Deputado Federal Armando Monteiro Neto. Como se tudo isso fosse pouco, rolou o maior clima de suspense, na quarta-feira, no plenário do Supremo Tribunal Federal - STF, quando do julgamento final do destino do terrorista italiano Cesare Batisti e voto de Minerva do Presidente da Corte.
Uma cidade trepidante e com noites frenéticas.
Para a semana que hoje começa, então, promete ser mais emocionante com a presença do polêmico Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, no Planalto Central. Fico imaginando o esquema de segurança e a movimentação no Eixo Monumental. E as manifestações contra o sujeito? Nas casas noturnas, segundo comentavam, tem “mariposas” se preparando para embolsar petro-dólares. Na comitiva iraniana virão 300 empresários dispostos a negociar com qualquer um (ou uma...)! Tá o maior rebuliço...
Na hora de deixar a cidade, encontro um aeroporto numa verdadeira balbúrdia. Difícil era saber quem chegava ou saia. Os computadores nos balcões de check-in engasgaram-se e os vôos acumularam bons atrasos.
Brasília, com quase 50 anos, – falei disso, há duas semanas – está pequena para cumprir sua missão. Precisa ser repaginada, em muitos dos seus aspectos, desde a porta de entrada, falo do aeroporto, até os grotões da pobreza que reina no seu entorno.
Faço esses comentários para reforçar minha opinião de que a mudança da capital federal para o Planalto Central foi fundamental para a segurança institucional e desenvolvimento do Brasil. Imagine se tudo isto tivesse com cenário a cidade do Rio de Janeiro. Seria um “deus-nos-acuda”. Impraticável.
Engraçado é que ainda tem gaiato, que reina na mídia televisiva nacional que sugere o retorno da capital para o Rio de Janeiro e que Brasília seja transformada num distrito de cassinos, ao estilo de Las Vegas. Que idéia de jerico... Brasília é viva e irreversível.
Foto obtida no Google Imagens

sábado, 14 de novembro de 2009

Brasil, Potencia Econômica.

Nesta sexta-feira (13.11.09) o que mais ouvi, nas ondas do noticiário econômico, foram os comentários sobre importante matéria de capa do número semanal do The Economist, sobre a atual situação econômica do Brasil. Curioso, corri para a Internet, catei a matéria, li e decidi comentar neste bate-papo semanal. Titulo da matéria: Brazil takes off.
Pra inicio de conversa, ser matéria de capa da mais importante revista de economia do mundo atual, por si só, já representa um imenso feito e, considerando o conteúdo propriamente dito, a coisa assume uma dimensão fora do comum, em se tratando de Brasil. Não é uma opinião doméstica, nem retórica eleitoral. É uma opinião externa e abalizada.
A reportagem começa lembrando que, quando, em 2003, os economistas da Goldman-Sachs, meteram o Brasil num grupo de paises que incluía Rússia, Índia e China, formando o que se convencionou chamar de BRIC (sigla formada pelas iniciais dos quatro países) e vaticinaram que estes países em pouco tempo dominariam o mundo, muita gente, dentro e fora do Patropi, colocou duvidas quanto ao B. Como o Brasil, com taxas de crescimentos tão tímidas, vulnerável a qualquer crise financeira externa, com uma crônica instabilidade política e notável, apenas, por realizar monumentais carnavais e ter talento para jogar futebol, poderia se transformar num dos Titãs emergentes?
Este ceticismo, agora, parece ser descabido. O Brasil, atualmente, tem expectativas das melhores, com a economia crescendo e sinalizando com taxas anuais de 5%, graças a uma serie de fatores dinâmicos, entre os quais a exploração de petróleo na camada do pré-sal e a crescente demanda dos países asiáticos por alimentos e minerais produzidos pelo país. A revista é enfática ao afirmar que a China pode, de fato, se tornar a líder da economia mundial, mas, é indiscutível que o Brasil também terá um importante papel a desempenhar, no quadro econômico do mundo pós-crise de 2008. As previsões que são feitas dão contam de que depois de 2014 – antes um pouco do que a equipe do Goldman-Sachs projetou – o Brasil provavelmente será a quinta maior economia do mundo ultrapassando a Grã-Bretanha e a França.
Na seqüência, a matéria do The Economist, apresenta alguns interessantes argumentos que habilitam nosso país a tão privilegiada situação, a saber: ao contrário da China, é uma democracia. Ao contrário da Índia, não há conflitos étnicos ou religiosos e, ao contrário da Rússia, trata os investidores estrangeiros com respeito. Resultado: um ambiente amistoso e seguro para o investidor externo, que inclusive está de olho bem aberto no crescimento do mercado interno face às políticas de inclusão social patrocinada pelo Governo Federal. Assim, o Brasil entrou, segundo a revista londrina, subitamente, no circuito econômico mundial e esta entrada foi simbolicamente marcada pela escolha do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016, além de ser a sede do mundial de futebol de 2014.
A capa da revista é bem sugestiva, porque apresenta o Cristo Redentor decolando com se fora um foguete. Certamente fazendo referencia ao fato da estátua símbolo brasileiro ser uma das maravilhas do mundo moderno, cruzado com a idéia do take-off (decolagem) do país. Bem bolado. Naturalmente que a revista faz referencias às ações governamentais e frisa que, na verdade, essa coisa não aconteceu danoiteprodia. O que levou o Brasil a essa situação favorável – realçada pela saída da crise antes de qualquer outro – foi um processo iniciado na década de ’90. O ponto de inflexão foi registrado com o Plano Real, que estabilizou a economia, depois de inúmeros planos frustrantes. A inflação foi controlada, os governos, nos seus distintos níveis, foram obrigados por lei (responsabilidade fiscal) a controlar seus gastos, o Banco Central ganhou autonomia, virou o guardião da baixa inflação e controlador do sistema bancário evitando o desastre de aventuras do tipo que desmantelaram os sistemas britânicos e americanos, razão da crise atual. Ao mesmo tempo, a economia se abriu ao comercio e investimentos externos e um programa de privatização fortaleceu a economia. Muitas empresas brasileiras são hoje nomes fortes no cenário econômico mundial e se constituem em importantes multinacionais. Citaram entre outras a Embraer e a Vale do Rio Doce.
Nesse cenário, o Presidente Lula é considerado um homem de sorte, porque, ao contrário do que se esperava soube dar continuidade aos programas econômicos em marcha e chegou à presidência num especial momento da economia mundial. Teve um papel importante na inclusão social, mas, segundo a reportagem não pode carregar todos os louros da conquista, que devem ser conferidos, também, a Fernando Henrique e antecessores. Foi feito justiça nessa análise.
É isto aí... Tomara que tudo dê certo e o Brasil dos meus netos seja um país mais justo, mais desenvolvido e com a riqueza distribuída de modo democrático. Vamos torcer.
Parece que o eterno país do futuro, pode virar o país do presente.
Nota: a foto reproduz a capa da revista e foi tirada do site da mesma.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Brasília: 50 Anos!

Recomendo a excelente edição especial de Veja, sobre os 50 Anos de Brasília, distribuída neste final de semana. O aniversário só vai ocorrer em 21 de abril de 2010, mas essa edição histórica antecipa as comemorações.
O tempo passa e a gente nem sente. Quando Brasília foi inaugurada eu era um adolescente curioso, atrás de novidades e descobrindo o mundo. Lembro bem dos comentários em família e do noticiário freqüente, com os contra e a favor da mudança da capital. JK era criticado e combatido pela aventura de retirar a capital federal do Rio de Janeiro, levando tudo pras brenhas de Goiás. “Aquilo lá nem existem!” ou “É onde Judas perdeu as botas”, ou seja, um lugar remoto, inatingível e fadado ao desprezo. Muita gente dizia que, com pouco tempo, Brasília seria, apenas, uma cidade fantasma.
Lembro, agora e achando engraçado, a revolta que meu pai e alguns amigos manifestavam contra Juscelino pela extravagância que ele cometia em sacrificar o povo, construindo a nova capital, no Planalto Central. “O que vai ser desses jovens, no futuro, com esse país entrando em bancarrota”? Dizia meu pai apontando para mim. Era um terror... E, eu, aprendendo a viver ficava preocupado com a tal de bancarrota. Recolhia-me pensando na bancarrota. Na minha cabeça de jovem inexperiente a bancarrota era o mesmo que o fim do mundo. Depois de explicado o significado do termo, veio outra preocupação atroz: “o Governo está emitindo papel moeda a rodo, sem lastro! Onde que nós vamos parar?”, continuava meu pai, a esbravejar. Eu não entendia... não era economista, ainda! De lastro o que eu conhecia, mesmo, naquela época, era o da minha cama. Meus parentes, no Rio de Janeiro, não acreditavam na mudança. Seria impraticável, era o que pensavam. “Como ele vai poder levar tudo isso para aquele fim de mundo?”
Não adiantou a revolta de meio mundo contra JK. Ele foi em frente e, para surpresa do mundo, inaugurou a nova capital em 21 de abril de 1960, à custa de muito suor e sacrifícios, inclusive, carregando, de maneira audaciosa e dispendiosa, tijolos, ferro e cimento a bordo de aviões. Contingentes consideráveis de brasileiros desocupados, dos mais distintos rincões, acharam emprego nos canteiros de obras, debaixo do sol abrasador e da aridez do cerrado goiano, plantando as bases do novo Brasil.
Homem feito e a caminho dos Estados Unidos, fui surpreendido com uma escala do meu vôo, numa aeronave da Pan American Airline, em Brasília. Isto foi nos idos de 1968. Fiquei curioso para saber o que justificava aquela parada. “Será que, de fato, acontece alguma coisa por aqui?” falei para os meus botões. Desembarcamos e a parada se prolongou por bom tempo. Deu tempo para vislumbrar um imenso descampado, com poucas coisas sinalizando a existência de uma cidade propriamente dita. O barro vermelho, característica da região, imperava e cobria as dependências da rudimentar estação de passageiros – toda em madeira – de uma poeira sem fim. Cada avião que subia ou descia levantava uma nuvem vermelha de um pó insuportável, muito embora a pista fosse pavimentada. Aquilo me fez lembrar os “discursos” intermináveis do meu pai nas horas de refeições ou em rodas de conversas sociais. Depois disso voltei incontáveis vezes à Capital Federal e, hoje, quando vejo Brasília – a Metrópole – lembro da descrença daquela época e admiro o que foi construído. Não há mais poeira vermelha, as casas de governo funcionam de modo consolidado, formou-se uma nova sociedade, com uma nova cultura e o Brasil é maior do que antes, porque dali se irradiou uma moderna forma de ocupação e aproveitamento econômico do rico território nacional. Viva JK, sem sombra de dúvidas, o nosso estadista do século 20. Veja a Veja – Edição Especial. Vale a pena ler e guardar.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HERANÇA ESTAPAFÚRDIA

Duarte Coelho Pereira era filho bastardo de Gonçalo Coelho com a plebéia Catarina Duarte. Os Coelho eram muito importantes, na região situada entre o Douro e o Minho. Ser filho bastardo, naquela época, era uma parada indigesta. O cara tinha que ter “peito” e ser bem protegido pelo pai. Caso contrário, não tinha vez para nada. Para começar, coitadinho, teve que ser criado, intra-muros de um mosteiro (o de Vila Nova de Gaia) por uma tia que era a prioresa. Mas, apesar da bastardice, o cabôco parece ter sido filho predileto de Gonçalo, que cuidou de encaminhá-lo direitinho na vida, colocando-o numa série de expedições portuguesas, mundo afora. Veio ao Brasil, em 1503, tendo o pai como comandante da expedição. Depois disso, o rapaz foi á Índia e, entre 1516 e 1517, imagine, foi embaixador de Portugal, no Sião. Chegou a ser, por seis meses, embaixador em Paris! Esteve na China e em Málaca, onde construiu a Igreja de Nossa Senhora do Oiteiro, que, hoje, faz parte do patrimônio histórico da Malásia. Voltou a Portugal, em 1527, e, em 1532, foi escalado para comandar a frota lusa encarregada de afastar os franceses da costa brasileira.
Pelos inúmeros serviços prestados à nação portuguesa recebeu de presente, em 10 de março de 1534, 60 léguas de costa no Brasil, correspondendo aos atuais estados de Pernambuco e Alagoas, que formava a capitania de Pernambuco, também chamada de Nova Lusitânia. A Colônia do Brasil foi divida em 15 Capitanias Hereditárias (passavam de pai para filho, netos, bisnetos e assim por diante) e a de Duarte Coelho era a maior de todas. Rapaz de sorte, não foi?
Dono das terras, o Donatário de Pernambuco não perdeu tempo (outros nem ligaram, aqui não pisaram) aportou – acompanhado, já, de uma consorte esposa, D. Brites de Albuquerque, do cunhado Jerônimo de Albuquerque, mais uma parentela e algumas famílias do norte português – às margens do canal de Santa Cruz, ao sul da atual cidade de Igaraçu, por ele fundada. Lá está a igreja dos Santos Cosme e Damião, também por ele construída e a primeira do Brasil. O sujeito era organizado prá caramba.
Desbravando as terras que ganhara, dirigiu-se mais para o sul e ao chegar numa certa colina encantou-se com o panorama e fundou, em 12 de março de 1537, uma cidade sede do seu “reino” a qual deu o nome de Olinda. Este nome foi tirado de um romance que ele estava lendo na ocasião, Amadis de Gaula, cuja heroína se chamava Olinda. Nada daquilo que se fala popularmente de “Ó linda situação para se construir uma cidade!”. Pura fabulação!
Governou por quase vinte anos, desde seu castelo, (incendiado pelos holandeses, no século seguinte), localizado no alto da Colina, onde hoje funciona um barzinho, frequentado, dizem, pela chamada turma alternativa, denominado Cantinho da Sé. Veja só, que coisa!
Pernambuco, junto com a Capitania de São Vicente (atual estado de São Paulo) foram as que mais se desenvolveram. Talvez as únicas.
Duarte Coelho veio disposto a fazer a vida dele e da sua patota no Brasil. Trouxe da Ilha da Madeira uns caras experientes na produção agroindustrial de açúcar e, de lá para cá, este vem sendo o principal produto de exportação de Pernambuco. Aliás, inicio da indústria brasileira.
A história conta que o bastardinho trabalhou duro para dominar suas terras, aliando-se logo aos guerreiros índios Caetés, proprietários originais da região. Comeu da “banda podre” para estabelecer a ordem na Capitania. Lutou pra cachorro e por todo lado. Com os Tabajaras, outra tribo do pedaço, foi preciso fazer o casamento do cunhado Jerônimo com a filha do cacique. A noivinha recebeu o nome cristão de Maria do Espírito Santo e se tornou o símbolo da paz entre a tribo e os colonizadores. Pense na figura sendo transformada nessa noiva e nova cristã. Acho que foi daí, com certeza, que começou a aparecer a raça e o sabor da morena tropicana, no dizer de Alceu Valença. Mas, meus amigos, no meio dessa história toda, Duarte Coelho teve a idéia expansionista de ceder parte das suas terras, no trecho que hoje é a cidade do Recife (na época, uma simples colônia de pescadores). Expandindo a fronteira agrícola da capitania, Dom Duarte nem imaginava que, quinhentos anos depois, um bando de engraçadinhos, dirigentes do burgo olindense e amparados por documentos ditos oficiais, viessem cobrar dos recifenses, uma cidade de há muito emancipada, capital do estado de Pernambuco, uma tal Taxa Foral! Isto, quer dizer que nobres bairros recifenses não são terras próprias do município e, sim, de Olinda! Pode um negócio desses, a esta altura do campeonato? O Recife se encontra numa agitação incomum. Com razão. Como se não bastassem os inúmeros impostos e taxas que são cobrados da população local, vem, agora, Olinda cheia de direito cobrar mais uma taxa ... Ah! tem mais: como se trata de taxa foral, segundo dizem, não implica em benfeitorias. É uma história tão mal contada que causa a coletiva repulsa dos recifenses. A confusão está grande! É um tal de PAGA e NÃO PAGO, sem fim. E tem outra: não atinge somente o Recife, mas, também, Jaboatão dos Guararapes e o Cabo de Santo Agostinho. Eu só quero ver no que vai dar. Eu, que não pago! Isso é o que eu chamo de herança estapafúrdia.
Sinceramente, Duarte Coelho, por onde vosmicê andar, me diga como se deixa um negócio desarrumado desse jeito? Ou este negócio é também uma fabulação, que está sendo, oportunistamente, usada pelos modernos administradores da Marin dos Caetés?
Notas: Fotos do Google Imagens e informes históricos tirados do Wikipédia, a enciclopédia livre.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meu destino nas mãos de Deus

Não sei se vocês estiveram atentos a alguns acontecimentos da última semana, no meio do mundo. Eu ouvi falar de coisas simplesmente raras e preocupantes. Não sei se é uma questão de idade, mas estou ficando medroso. E velho...
Está complicado viver relaxado no mundo atual. E não me refiro mais aos assaltos corriqueiros, seqüestros reais e virtuais, assassinatos banais e outras atrocidades que acontecem diariamente aqui perto ou no outro lado do mundo. Nem falo, também, do ataque que fui vitima, de um hacker nigeriano. Refiro-me a insólitas episódios.
Vocês viram que coisa absurda o caso dos policiais cariocas que, ao invés de socorrer o líder de um movimento cultural, que agonizava, numa madrugada do centro do Rio, preferiram ir ao encalço dos assassinos e tirar-lhes e se apropriarem dos pertences da vitima, fruto do roubo monstruoso. Algo como uma mochila e um tênis... sei lá... O cidadão que dirigia uma ONG, dedicada a tirar das ruas jovens em situação de risco, termina morto, por falta de socorro. Tudo documentado por câmeras de segurança. Que tipo de policia, afinal, temos neste país? As autoridades estão, cada vez mais, impotentes diante dos bandidos.
E o caso do médico que assaltou o paciente ao atendê-lo, num plantão de emergência, em São Paulo. O doutor-bandido foi preso em flagrante e liberado, em seguida, após pagar uma fiança de R$ 10 mil. Detalhe: o que ele roubou não chegava a R$ 200,00. Como se explica uma coisa dessas? O que passa pela cabeça de um profissional supostamente responsável e representante de uma classe honrada e respeitada, aqui e em qualquer lugar do mundo. Será doença? Cleptomaníaco? Francamente, um canalha desse tipo devia ficar mofando na cadeia e ter, na mesma hora, a licença profissional cassado pelo Conselho Regional de Medicina. Será que justificaram a atitude alegando, mesmo, distúrbio psicológico? Não, claro que não. Assim, ele não teria mais condições de exercer o oficio. "Coitadinho", não é? Pensando bem, ele deve ter voltado ao batente, no dia seguinte. É um caso a ser conferido. Tenho nojo dessas barbaridades que vejo nessa Lulolândia. Se os tubarões do Planalto Central roubam, porque é que o Doutor vai ficar sem tirar uma lasquinha?
Outra coisa que me deixou perplexo foi aquele caso dos pilotos que esqueceram de aterrissar, nos Estados Unidos. Não é incrível? Discutiam acaloradamente um tema qualquer e esqueceram que estavam no comando de uma aeronave, com mais de cem passageiros. Foi esta a desculpa que deram. Que nada! Eu acho que esses caras ligaram o piloto automático – coisa comum – e tiraram uma soneca mais longa do que programada. Ou você pensa que é diferente? Foi preciso a comissária de bordo abordá-los (ou acordá-los!) para cobrar atenção. O avião já voava a mais de uma hora do que o previsto no plano de vôo. Aí, eu pergunto: será que nesse avião não havia alertas automáticos? E as torres de comando em terra? Que danado de discussão tão profunda e hipnotizadora foi essa? E a responsabilidade e profissionalismo de cada um, por onde andava? É demais... E este não foi o primeiro caso! No ano passado, pilotos de uma aeronave da Índia, num vôo entre Dubai e Mumbai dormiram e passaram do destino. A torre de comando tentou, sem sucesso, acordá-los e o problema virou um caso de emergência tumultuadíssimo. Suspeitaram de seqüestro, mobilizaram policia de elite e tudo que se teve direito.
Essas coisas me deixam atento e medroso, como falei antes. Explico: preciso da policia para me proteger. Preciso, eventualmente, de um médico para me assistir numa emergência e, por fim, preciso com muita freqüência de comandantes e aeronaves seguras para me transportar daqui para acolá. Preciso de muitas outras coisas... Mas, em quem confiar? Só tem um jeito: depositar meu destino nas mãos de Deus.
Nota: Foto obtida no Google Imagens

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Nigéria, Nunca Mais!

Era dia de postar uma matéria no Blog e eu já estava bem adiantado nas criticas ao estado de guerra civil que vive o Rio de Janeiro, justo num momento em que o mundo se volta para a cidade que vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Foi horrível. Fiquei chocado. Quem não fica? A insegura imperando e as autoridades impotentes diante do horror. A primeira coisa que me tocou fazer foi dar uma olhadela nos jornais mundo afora. Aí, foi que fiquei preocupado... O mundo inteiro acompanhou atento o que ocorria na cidade maravilhosa e não poupou criticas pesadas. Aquele helicóptero alvejado, sendo mostrado pelas emissoras de TV do mundo inteiro. Sinceramente? Doloroso!
Mas, eis que – em plena produção para o Blog – a violência me pega “de calças curtas”! Minha conta de email, de repente, foi bloqueada pelo servidor. Sem ter nem praquê! Fiquei sem comunicação com o mundo. Pelo menos com o meu mundo...
Nisso, meu celular toca e, no outro lado da linha, ouvi alguém saudar-me com alegria e logo perguntar se eu estava bem. Respondi que sim e veio uma inusitada explicação: meu interlocutor dizia haver recebido um email, por mim assinado, dando conta de que eu estaria em apuros, perdido numa cidade qualquer da Nigéria, sem lenço, dinheiro ou documento. Surpreso, cai na risada e reafirmei estar bem e em plena atividade no meu escritório. Dali para frente meus telefones – fixos e celular – não pararam de tocar. Não fiz mais nada na manhã dessa 2ª. Feira,19 de outubro.
Vejam só a que ponto chegou a insegurança. Fui atacada na rede de internet. Alguém, em algum ponto, deste mundo de meu Deus, escolheu meu email e o corrompeu. Descobriu minha senha e astutamente, forjou uma história estapafúrdia. Jogou-me virtualmente na Nigéria, criou um drama pessoal mirabolante e tentou ludibriar meus amigos e amigas, integrantes da minha rede de relacionamento na Internet.
No meio da confusão que me encontrei, descobri que se tratava de uma nova modalidade de ataque ao internauta. Frequentemente, recebo emails, me oferecendo milhões de dólares, euros ou libras, tudo assinado por figuras estranhas e certamente fictícias tentando, seguramente, infectar minha máquina ou desvendar minhas senhas de emails, contas bancárias, entre outras. Deleeeeeto, na hora. Agora, receber uma mensagem assinada por um conhecido. Foi demais. Eu assinava a mensagem!
Isto mobilizou meio mundo. Recebi, inclusive, ligações do Chile e da Argentina, mensagens de Portugal, México e outros pontos do Brasil, de amigos a busca da verdade. Alguns se diziam dispostos a me mandar uma ajuda para que eu pudesse sair da enrascada que, supostamente, estava metido. Imagine que o sacana engendrou uma história “redondinha”: eu chegando à Nigéria, numa viagem de negócios (isto bate com meu perfil profissional) e deixando, por esquecimento (só eu mesmo...), minha maleta de mão, no banco traseiro do táxi que me havia levado do aeroporto ao Hotel. Nessa maleta, foi-se todo meu dinheiro, passaporte, cartões de crédito e celular. Ora, cá prá nós, fiquei no “mato, sem cachorro!” “Papai, mamãe! Me acudam!” A saída foi apelar para a bondade dos amigos.
Fico grato pelas manifestações de solidariedade de uma legião de amigos. Todo mau trás um bem, já dizia minha finada mãe. Esse incidente proporcionou-me avaliar o quanto sou querido pelos muitos amigos. No fim do dia, alguém que me sugeriu fazer uma festinha com o titulo de: “Voltei da Nigéria, sem lenço e sem documento”. Estou pensando no caso.
Agora, teve uma coisa: nem imagine, caro leitor ou leitora, a trabalheira que tive para restaurar meu email. É um protocolo danado. Mas, vale à pena pela segurança que demonstra. Pode crer. Fora disso, acho que perdi uma postagem em andamento... mas, entrei logo nesta, com um mote inesperado, porém, muito atual. Acho ótimo poder ter sempre um porém, na vida.
Neste caso, porque serve de alerta para todos os amigos. Qualquer um está sujeito a esta cilada. Repito: é uma nova modalidade. Eu tive a “honra” de inaugurar no papel de vitima. Nigéria, nunca mais!
NOTA: Nesta postagem não apresento fotos porque a câmera ficou na mala perdida. Pode rir. Eu deixo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Farmácias e Pharmácias

...então, não tive outra opção, a não ser correr a procura de uma farmácia, onde encontrar um medicamento eficaz. A gripe era fortíssima. Acontece que comprar um remédio em Lisboa não foi uma coisa fácil. Tomei um taxi e pedi que me levasse ao Shopping Amoreiras, num bairro nobre da capital portuguesa. Chegado lá, pedi no balcão de informações a indicação de onde se localizava a farmácia mais próxima daquele ponto, naquele centro de compras. A mocinha, digo a rapariga (como convém praquelas bandas), surpresa com meu pedido, responde: “mas estamos num Centro de Compras, xinhore. Aqui não são vendidos medicamentos. Cá só se vendem moda, electrônicos, objectos para presentes... guloseimas... As farmácias estão todas fora. A mais próxima está a três quadras adiante, seguindo a direita.” Mais surpreso do que ela, disparei: “mas, três quadras! Tudo isto?” “Xim sinhore. Há outra, 500 metros após. Cá em Portugal, as farmácias distam, sempre, essa distância regulamentar uma d´outra!”. Com essa resposta e com aquele sotaque lusitano, minha dor de cabeça aumentou e o mal-estar se ampliou.
Vejam que coisa curiosa. Aqui no Brasil é tão diferente. Eu, pessoalmente, quando vou comprar medicamentos, procurar uma área em que haja um conglomerado de estabelecimentos. Se não tem o que procuro numa, certamente terá na de junto. Coitados dos portugueses.
Coitados virgula... eles respeitam uma recomendação da Organização Mundial de Saúde – OMS de que deve haver uma distancia de 500 metros entre uma farmácia e outra. Não me pergunte sobre a lógica dessa coisa. Assim, os portugueses estão corretos, como outros devem seguir esta recomendação. Nós é que somos diferentes de tudo. Como não há rigor para nada, neste país, a coisa rola de qualquer modo e conforme a ganância dos comerciantes. Afinal, o que vem a ser uma recomendação internacional? Nada! Apenas uma recomendação. Fiquei sabendo disso tudo, esta semana, lendo num jornal do Recife matéria muito interessante a respeito do número de farmácias funcionando no Brasil. São 72.480 estabelecimentos comerciais do gênero, para 191 milhões de habitantes. Tem o dobro do que recomenda a OMS, que é de uma drogaria para cada 8 a 10 mil pessoas. Em Pernambuco, por exemplo, são 3.300 farmácias. Tem mais farmácias do que padarias e escolas de ensino médio públicas e privadas. Vejam só, são 2.900 padarias e 1.110 escolas no estado inteiro. Pelo visto, negociar remédios é mais interessante do que com alimentos e educação. Acho que tem muito mais doentes do que se imagina.
Segundo a reportagem, a Pesquisa constatou que existe no Recife uma drogaria para cada 2.617 pessoas. Isto é o triplo do que recomenda a OMS. Segundo o Sindicato dos Proprietários de Farmácias, 900 farmácias seria suficiente para atender a população recifense. Que jeito?
Ah, antes de terminar! Já ia esquecendo de arrematar minha historia, em Portugal: encontrei, sim, uma farmácia naquela tarde de primavera portuguesa. Na verdade fui bater a porta de uma Pharmácia. Pelo que vi, um estabelecimento secular. Uma beleza! Antiga, mobília austera, azulejada de azul e branco. Coisa, certamente, de várias gerações. E o que ocorreu, então, foi uma cena muito gozada: o pharmacêutico abriu-me a porta, ao toque de uma campainha, usava um pince-nez dourado, estava embalado numa bata imaculadamente branca, que ia ao rés do chão e, cheio de salamaleques, me perguntou: “Ah! Assim que o Xinhore está constipado?”“ Sim estou.” “ E o xinhore prefere um medicamento em drágeas ou vai querer logo a aplicação de uma pica?” Nem preciso dizer qual foi a minha escolha. Tá doido? Garrei das drágeas, paguei-as depressa e, mais depressa ainda, sai da Pharmácia, rindo de morrer. Acontece cada coisa comigo. A farmácia era uma pharmácia, mas, o remédio era moderníssimo. Fabricado na Alemanha. Foi eficaz. Fiquei bom em 24 horas.


Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Brasil, Bom de Bola

Na sexta-feira passada o gran-circo esportivo mundial, da próxima década, bateu seu segundo martelo com as cores auriverdes do Brasil: Copa de Futebol, em 2014 e Jogos Olímpicos, em 2016. Posso estar enganado, mas tenho a sensação de que é “muita areia para o caminhão brasileiro”. Tomara que dê tudo certinho.
Peraí, peraí! Não quero que me considerem pessimista! Pelo contrário, estou feliz com tudo isto e torcendo para que façamos tudo direitinho. Até, fiquei emocionado com o resultado da escolha do Rio. O que aconteceu em Copenhague foi bonito e tocante. Um espetáculo bem processado, o chororô do pessoal, a começar por Lula e Pelé, o povo comemorando nas areias de Copacabana, aquele bandeirão de não sei quantos metros quadrados, foi um apelo e tanto. Claro que mexeu com a emoção do brasileiro, inclusive os que trazem Brasileiro, no sobrenome. Essa coisa de ser a primeira cidade da América do Sul a realizar uma Olimpíada, o prestigio internacional que confere ao Brasil... Sei lá... tantas emoções... Acho até que deviam ter combinado com Roberto Carlos, para fazer o fundo musical. Cairia como uma luva, porque ele sabe saculejar a emoção brasileira, como poucos.
Mas, “martelo batido e ponta virada”, a verdade é que tem muito que ser feito, em pouco tempo, e muita grana vai ter que correr. Desafio colossal!
Recentemente, comentei sobre as minhas preocupações com a megalomania do Governo de Pernambuco, que pretende construir uma cidade da Copa. Hoje, é a do Brasil que me preocupa. Haja dinheiro para preparar este país para os dois mega eventos esportivos. Os maiores do planeta. Ouvi falar em algo mais de R$ 28,0 Bilhões somente para a preparação do Rio, até 2016. Fora o que vai ser gasto com a Copa, no próprio Rio e no resto do país, que não é pouco.
Tem uma coisa importante a ser destacada: esta escolha vai provocar uma mudança radical, em boa hora, para a Cidade Maravilhosa, que não anda essas maravilhas todas. Tenho ido por lá com alguma freqüência e noto a crescente decadência. Desde que deixou de ser a capital do país, que deixou de ser o centro bancário nacional, a Bolsa de Valores perdeu o prestigio, cedendo lugar à Bovespa (SP), os Ministérios da República e grandes repartições federais foram transferidas para Brasília, a cidade perdeu sua importância e com isto o prestigio.
Espero que aconteça no Rio, o que aconteceu noutras cidades que foram sede de outras Olimpíadas. Foi o caso de Barcelona, na Espanha. A cidade mudou de cara. Foi totalmente repaginada, áreas antigas, antes deterioradas, foram revitalizadas e o que resultou foi uma cidade nova, mais atrativa e melhor preparada para receber um fluxo turístico, que, a partir de então, se tornou mais intenso. Tudo que serviu de infra-estrutura para os jogos olímpicos teve utilidade pós-evento.
Se em Barcelona as coisas saíram nos conformes, o mesmo não ocorreu em Atenas ou Montreal. Segundo relatos oficiais, na Grécia a situação foi muito difícil. Por lá as coisas degringolaram e quando se aproximou a realização dos jogos havia estádios e estruturas incompletas. Os jogos foram abertos em meio a um canteiro de obras. Os gastos se multiplicaram por conta dos arranjos e improvisos de última hora. Já Montreal (Canadá) passou por uma situação também difícil. Embora tenham preparado a estrutura a tempo, o Governo administrou percalços na conta dos investimentos. Segundo se comenta até hoje, terminou com um rombo de arromba nos cofres públicos.
São exemplos que podem deixar em alerta, nosotros brasileiros. São investimentos muito altos. A Veja que circulou neste fim de semana trás imagens tiradas das pranchetas (Vide exemplo, na Foto) mostrando o que se pretende fazer, para deixar a Cidade, digamos que Maravilhosa, para receber os atletas e os milhares de turistas. É um baita desafio, para ser enfrentado nos próximos sete anos. Uma coisa, muito lembrada ultimamente, é realizar Jogos Pan-Americanos e a outra é realizar uma Olimpíada, que tem por principio suplantar as que antecederam. Pensando no que fez a rica China, em 2008, com irretocáveis estrutura e organização e outra, na Inglaterra, que vamos ver em 2012, faz sentido ficar de olhos abertos.
Bom mesmo é que esse circo (ciclo) esportivo vai provocar, além de um superaquecimento da indústria da construção civil neste país, a geração de muitos empregos, um movimento turístico sem precedentes e muitas outras atividades que envolvem esses certames. Resta esperar que gestores honestos (?) sejam escolhidos para tocar cada obra e que os tribunais de contas não os percam de vista.
Vai ser uma década de festas esportivas, à moda brasileira. É o Brasil, bom de bola, embora que nem tudo seja bola...

Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Em Nome de Deus

A revista Veja trouxe, na edição passada (30.09.09 – página Radar), uma interessante informação, fruto de uma pesquisa do Instituto Análise, a respeito das coletas de dinheiro, realizadas em diferentes igrejas no Brasil. São números surpreendentes, embora já se saiba que rola uma nota preta, nos bastidores das religiões, tudo sempre em nome de Deus.
Fiquei surpreso ao notar que, embora sejam os católicos os mais numerosos, quase o triplo dos evangélicos, contribuem com uma média de R$ 680,0 Milhões por mês. Já os evangélicos doam muito mais e, na hora da sacolinha, despejam a bolada de R$ 1,032 Bilhão, por mês! Se isto é muito ou pouco, para cada uma, difícil de avaliar.Agora, que tem nego rico por aí, isso tem!
Minha conclusão é de que transformaram a salvação da alma num grande negócio. Sou católico, pratico moderadamente e imagino que, muitas vezes, pode ser difícil administrar o complexo que envolve: manutenção do patrimônio, despesas correntes, constância dos ofícios, manutenção das escolas de formação, assistência social, promoção das missões, entre outros aspectos. Mas, a Igreja Católica tem uma história de 2000 anos.
Não posso, contudo, negar que me surpreendo com os números publicados e neles encontro explicação para as coisas que tenho ouvido – acho que até Deus duvida – a respeito de outras “igrejas” espalhadas pelo Brasil, algumas com filiais no exterior, que vivem lavando cérebros dos inocentes, prometendo, vejam só, desencapetamento, isto é, expulsar o capeta do couro do sujeito e, desse modo, pegando os bestas e somando riquezas fabulosas. E aqueles “bispos” que foram detidos contrabandeando maletas com milhares de dólares, num aeroporto dos Estados Unidos? Dinheiro tirado, em nome de Deus, das sacolinhas de contribuição de fiéis pobres e carentes de paz no espírito.


Conhecendo estes números e sabendo de como vivem esses pregadores modernos, entendi o que me dizia, outro dia, um amigo empresário, atravessando agruras nos seus negócios, que andava pensando em fundar uma igreja. Na hora, ri muito e levei na brincadeira. Mas, sei lá, podia ser mesmo uma idéia que se desenvolvia. Extrovertido, bem relacionado, com algum dinheiro e convincente nas suas oratórias, o cidadão podia ter intenções de enveredar pelo negócio do tratamento da alma. Ah! Tem mais: ainda me convidou para ser membro graduado. Fico me imaginando Bispo de uma igreja alternativa. Sim, ele garantiu que me nomearia Bispo. Já pensou? E o vivaldino do Maradona que, com um grupo de fãs, na Argentina, teve a audácia de fundar uma tal de Igreja Maradoniana. Não é ridículo?
A propósito disto, recebi recentemente um email que trazia uma lista exaustiva de igrejas existentes no Brasil. São coisas tão extravagantes, quanto irresponsáveis, explicadas, somente, pelo subdesenvolvimento social e baixos níveis educacionais do nosso povo. Imagine pertencer a uma igreja cujo nome é Igreja da Serpente de Moisés, a que engoliu as outras. Tenha dó... Selecionei, na enorme lista, coisas estapafúrdias, como: Igreja Abre-te Sésamo (deve ter um pastor-chefe com nome de Ali Baba e todo mundo rouba descaradamente), Assembléia de Deus do Papagaio Santo que Ora a Bíblia (deve ser a igreja do “São” Louro José e Ana Maria Braga é a Bispa), Igreja Cruzada de Emoções (com certeza, em homenagem a “São” Roberto Carlos), Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder (nem faço idéia de qual poder: Executivo, Legislativo ou Judiciário?), Igreja da Fortuna (esta deve ser a mais sincera, se por lá rola uma grana preta), Igreja Dekantahlahbassyí (que danado é isso? Estou curioso para saber o ideário desta), Igreja do Rio que corre torto (tem rio correndo reto?), Igreja Evangélica Bola de Neve (ôpa, esta deve crescer a toda hora e os fiéis vão aos cultos bem agasalhados!), Igreja Evangélica H.I.V. (Homem, Inteligência, Vida) (já pensou? Será que é reservada aos portadores do vírus da AIDS), Igreja Evangélica Sal Fora do Saleiro, Igreja Infantil Fofuras do Amanhã (Que gracinha! Xuxa deve ser a madrinha desta), Igreja o Cuspe de Deus, (imagino que deve haver um represente do Supremo cuspindo nos fiéis, livrando-os dos males terrestres), Igreja S.B.T. (Sanando Bênçãos a Todos)(Será de Silvio Santos?). E para terminar, com chave de ouro, esta seleção: a Igreja Pentecostal Marilyn Monroe! Não é incrível? Faço idéia da lapa de doido que fundou esta. E pensar que, além de nunca ter sido um bom exemplo de comportamento, Marilyn fez o maior sucesso, em 1956, estrelando o filme “Nunca fui Santa”. Deus que me livre dessas tentações.

Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

sábado, 26 de setembro de 2009

Imbróglio Político-Diplomático

Quando, em 28 de junho passado, o presidente Manoel Zelaya foi tirado da cama, escoltado, levado preso, embarcado num avião, de pijamas e jogado na Costa Rica, ficou claro que houve um sujo golpe de estado, na pobre e pequena República de Honduras, da América Central.
Neste humilde espaço de comunicação manifestei meu espanto e temor, claro, porque esse poderia ser mais um sinal de retrocesso político na América Latina, a exemplo de outros, de algum modo, já esboçados no passado recente.
Para meu alívio, vi as mais importantes nações do mundo repudiar e penalizar os golpistas, entre os quais os Estados Unidos, de Obama e o Brasil, de Lula. O governo golpista não teve, até hoje, nenhum reconhecimento político. Está isolado e sem crédito na comunidade internacional. Cooperações financeiras estão suspensas e embaixadores antes acreditados foram chamados de volta aos seus países de origem, incluindo o brasileiro.
Lembro também que fiz uma importante ressalva, ao abster-me de fazer qualquer julgamento a respeito dos argumentos dos golpistas. Ao contrário, foquei, tão somente, o episódio do golpe. Se Zelaya tinha ou não intenções chavistas de se perpetuar no cargo de presidente, não me interessou na ocasião. O golpe, sim, é que não tem cabimento.
O tempo passou, a mediação do Presidente da Costa Rica, Oscar Árias, foi infrutífera, a condenação da comunidade internacional não foi ouvida pelos golpistas, a investida de Zelaya para retornar ao país e retomar o comando não surtiu efeito e a coisa parecia cair no esquecimento, pelo menos pela mídia.
Esta semana, porém, a situação recrudesceu e mudou de figura, quando Mel (apelido que ele tem) Zelaya – um tipo raro, imagem meio mexicana, meio texana, bigodão e chapelão branco – apareceu de surpresa em Tegucigalpa (nome mais estranho), a capital de Honduras e, abrigado na Embaixada do Brasil, cobrou de volta a cadeira de presidente. Veja só, abrigado na Embaixada Brasileira. Cá pra nós, isto é o que classifico de hóspede indesejado. E, muita atenção, ele tem sido sempre considerado um hóspede. E isto, na minha opinião, tem forte relação com a operação política que se realiza em território oficialmente brasileiro. Fosse um exilado político a coisa seria diferente: teria que estar calado, recolhido e protegido. Não é o que vem acontecendo, nem é o que ele, Zelaya, deve querer. Com esse expediente e o beneplácito do Governo Brasileiro ele transformou a embaixada verde-amarela numa plataforma política, o que é uma atitude insólita e sem precedentes. Configura-se, para mim, como uma intervenção brasileira na vida interna de Honduras, o que é muito perigoso. Difícil é acreditar que o Itamaraty esteja alheio a toda essa manobra que trouxe o homem de volta.
Mas, seja lá como for, imagino que esta situação vem criando um sério problema para a diplomacia brasileira. O homem aboletou-se, com mais trinta auxiliares, na Embaixada Brasileira – meio desativada, sem o titular, que foi chamado de volta ao Brasil, após o golpe – de onde comanda uma verdadeira operação de retorno ao poder.
Ora, mesmo sem saber o que pode estar por trás disso tudo, nem até que ponto o governo brasileiro vai sustentar a situação, acho que melhor seria que o Brasil estivesse fora desse episódio. Por que o Brasil? Por que não a Venezuela? Ou os Estados Unidos, por exemplo, que tem uma forte tradição de “ajudar” nas coisas alheias? Será que temos competência para uma empreitada dessas? Nas últimas estocadas que levamos da Bolívia, Equador e Paraguai, saímos encolhidos. Perdemos todas. Pensando que com Honduras temos tênues relações políticas e econômicas, o que é que estamos fazendo ali? Sinceramente, é péssimo! Condenar o golpe, tudo bem. Mas, se envolver de cara no processo de restauração da ordem interna hondurenha, não é um bom papel.
O Presidente Lula vem conclamando as organizações internacionais no sentido de, numa intervenção pacífica, resolver o problema hondurenho. Tomara que ele seja ouvido, caso contrário, o Brasil corre sério risco de sair arranhado desse imbróglio político-diplomático, de uma autêntica republiqueta de bananas. Vale à pena?
Aguardemos o desenrolar da história.
Nota: Foto obtida no Google Imagens

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Megalomania Pernambucana

Tenho acompanhado, com freqüência, o noticiário sobre os preparativos para a Copa de 2014, aqui no Brasil.

Muitas coisas chamam a atenção, pelo ufanismo e gigantismo que se promete, com a imprensa escrita, falada e televisionada comentando largamente. E ainda estamos em 2009. Imaginem quando a coisa estiver mais próxima. Ninguém vai fazer mais nada, neste país do futebol! Tudo indica que não será uma coisa corriqueira. Vai ser um acontecimento imbatível e inesquecível.

Posso entender que nessas horas a imaginação corre frouxa e propostas mirabolantes podem, muito bem, se multiplicar. Mas, precisa ter muita grana para bancar um negócio desses. Fico espantado com as somas, multiplicações e divisões de dinheiro sobre as quais se fala a todo hora. Num canal de TV, ontem à noite, focalizaram um encontro em São Paulo no qual foram anunciados (ou confirmados) R$ 4,8 Bilhões para serem divididos entre os estados que sediarão jogos, incluindo Recife. Mas, atenção, o Ministro dos Esportes afirmava que este dinheiro sairá dos cofres do Governo, via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, com um porém! O Governo vai querer o dinheiro de volta. Trata-se, portanto, de uma linha especial de financiamento. Não me perguntem como será o plano de desembolso, nem o de restituição. Não ouvi explicações sobre a operação e, isto agora, não importa. Meu foco é outro, como explicarei a seguir.

Minha intenção não é comentar ou medir valores de investimentos em estádios projetados e sim dar impressões sobre o conjunto de (outras) necessidades que se constata país afora, para enfrentar um desafio tão grande. Por exemplo, tem coisa mais extravagante do que essa idéia de construir um estádio especialmente para a Copa, com um entorno urbano caríssimo, como o que se projeta para Pernambuco? Francamente, é uma falta total de responsabilidade. A idéia pode até ser boa, se o que se pretende é aproveitar a oportunidade de expandir a fronteira urbana da capital e oferecer novas unidades habitacionais a uma sociedade que traz, há muito tempo, um expressivo déficit de moradias. Mas, será que tem de ser num projeto dessa natureza. Não entendi, ainda, a explicação lógica dessa aventura, como prefiro dizer. Cidade da Copa é o nome que deram ao projeto e fica no município de São Lourenço da Mata. Uma nota preta está sendo orçada para esse empreendimento, em detrimento de outros de maiores relevâncias social, turístico-econômico e com sustentabilidade indiscutível, em muitos outros pontos da Região Metropolitana do Recife. Dizem que será realizado em uma parceria público/privada e custará R$ 1,6 bilhão! Ah! o mais incrível é que a obra só deve ficar completamente pronta em 2017, isto é, depois da Copa. Fico imaginado o cenário, em construção, nos dias de Copa...

É preciso ter presente que o Recife já conta com três estádios particulares! Um desses poderia ser reformado e modernizado, com custos bem menores e mais justos, redirecionando os recursos disponíveis para investimentos em outros setores carentes e também importantes para o evento da Copa. Por exemplos: novas vias de circulação, novas pontes, melhor iluminação, limpeza dos canais assoreados, alargamento das artérias principais, transporte de massa digno, taxistas e garçons preparados adequadamente para atender o turista torcedor, tirar os flanelinhas e prostitutas das ruas, água e saneamento, desfavelização, restauração e valorização dos centros históricos e, finalmente, segurança e assistência à saúde, particularmente em atendimentos de emergência. É muita coisa e tudo muito necessário porque, não podemos esquecer, na onda da Copa uma enxurrada de turistas, pode desembarcar por aqui e seguramente vai, depois de tudo, fazer a propaganda – boa ou má – da nossa cidade, conforme a experiência que tiverem. Pensemos no que pode acontecer. Imagine se tocar à chave do Recife seleções de países europeus. Faço idéia o que pode exigir um alemão ou um holandês, sueco ou algum dos seus vizinhos.

Francamente, esta é a hora de capitalizar a oportunidade única que se apresenta para divulgar nossos atrativos turísticos-culturais.

Por que não reformar e modernizar a Ilha do Retiro ou o Arrudão? Vi uma autoridade paulista, ontem na TV, declarar, enfaticamente, que não admite a construção de um novo estádio na cidade e que o correto é reformar e modernizar o Morumbi. Ora, meu Deus, isto é que é bom-senso.

Tem outra coisa que me preocupa: passada a Copa, quem vai jogar lá? Será que Sport, Náutico, Santa Cruz e outros menores vão deixar seus próprios gramados para jogar na cidade da Copa? Sinceramente, não acredito. Essa arena poderá ficar sem serventia, salvo para campeonatos de bairros e subúrbios ou, então, tirar os peladeiros das várzeas do Capibaribe para jogar num gramado de primeiro mundo. A relação custo-beneficio vai parar nas cucuias (no nada) e o retorno financeiro nas calendas gregas (um dia que jamais chegará)!

Mas, ainda é tempo de rever. Aliás, antes que a Fifa dê uma marcha à ré e, sem acreditar nos megalomaníacos pernambucanos, elimine a chave do Recife, como já andaram ventilando.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

domingo, 13 de setembro de 2009

Onde anda nosso patriotismo?

Esta semana ocorreu-me algo preocupante. Cheguei à conclusão de que as comemorações da semana da pátria – e o próprio dia da pátria – no Brasil é, atualmente, coisa de último plano. Na minha época de estudante do primário, havia uma verdadeira mobilização para incentivar o futuro cidadão a prestar uma especial reverencia, ao dia 7 de setembro e relembrar o episódio do Grito do Ipiranga.
Lembro que, todo ano, meu pai nos mobilizava para assistir ao desfile militar, que assistíamos com o maior respeito e atenção. Durante a semana que antecedia, participávamos de comemorações na escola e o pavilhão nacional era hasteado toda manhã, ocasião em entoávamos os hinos da Independência e Nacional.
Atualmente, ninguém faz mais isto. A única coisa que se foca é o fato de que haverá um dia feriado, para ir à praia, porque a partir de então já é verão na região. E uma lástima que se tenha perdido estes hábitos do passado. A meninada atual, mal sabe o que significa pátria, patriotismo, nacionalismo e civilismo. Se inquiridos, acharão tudo muito estranho.
Acho que essa apatia se deu depois dos anos de repressão. Ir ao desfile militar e festejar a o Dia da Pátria seria uma forma de chancelar o governo ditador. A população foi se afastando e, até hoje, não voltou em massa, como dantes.
Estas minhas conclusões foram provocadas por um passeio que fiz na última 4ª. Feira pelas ruas de Ipanema, no Rio, onde estive rapidamente. Fim de tarde e, de repente, dei de cara, em plena Praça da Paz, com a escultura de uma vaca completamente coberta de mini-bandeiras brasileiras. Achei, no primeiro momento, uma coisa insólita. Como centenas de bandeirinhas brasileiras foram parar ali? Por que?
Intrigado com aquilo, embora conhecendo esse tipo de escultura que se espalha pelas grandes cidades, mundo afora, continuei minha caminhada carioca. Poucos metros depois, vi-me, diante da vitrine de uma boutique, com inúmeros artigos, acessórios de moda feminina, tudo em verde e amarelo e cheios de bandeirinhas do Brasil. Foi quando cai na real: estamos na semana da pátria! E, de algum modo, estão comemorando! Mesmo que enfeitando uma vaca esculpida em ferro e cimento ou tentando vender moda verde-amarela.
Pois é, já está na hora do brasileiro começar a celebrar o 7 de setembro, de forma devida, dentro do Brasil. Digo dentro porque, em Nova York, a brasileirada fecha a Rua 46 (Little Brazil) e a 6ª. Avenida e faz um carnaval de arromba. O Edifício Empire State ilumina sua imponente torre com as cores do Brasil.
Lá mesmo, nos Estados Unidos, os norte-americanos festejam o dia da Pátria, todo 4 de Julho, com festas de canto a canto do país. São célebres as grandiosas queimas de fogos, na noite do Independence Day. Todo mundo hasteia sua bandeira, veste-se de Blue, White, Red, e festeja o dia inteiro com amor e orgulho.
Na França, nem se fala. Não existe povo mais patriota e nacionalista do que o francês. Há quatro anos passei o 14 de Julho, em Paris. O povo, desde a véspera, vai às ruas, dançam e bebem, a noite inteira, e na manhã seguinte comparece em massa ao desfile militar, na Avenida Champs Elisée. É uma verdadeira apoteose. Os festejos são encerrados, à noite, com uma formidável queima de fogos no entorno da Torre Eiffel. Um espetáculo inesquecível. Aliás, eu não vou esquecer jamais esse dia, porque, por coincidência, 2005 foi o ano do Brasil na França. Paris estava enfeitada com bandeiras da França e do Brasil. Lula, apesar da crise do mensalão, prestigiou os festejos e a esquadrilha da fumaça da Força Aérea Brasileira, fez um desfile aéreo sobre Paris, deixando um rastro de fumaça verde-amarela e bleu, blanc, rouge. Emocionante para o pau-de-arara. Não, Lula não! Eu mesmo. Precisamos resgatar e cultivar nosso amor à Pátria e comemorar de forma mais digna nosso 7 de Setembro. Afinal, sempre teremos motivos para isto.
O Grito dos Excluídos, que acontece a cada ano, desde os anos 90, pode acontecer também. Acho legitimo, porque estamos numa democracia. Mas, será esta a única forma de passar por um 7 de Setembro? Onde anda nosso patriotismo?
Nota: Fotos do Blogueiro (a da vaca em Ipanema) e do Google (Paris)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Viver com qualidade (slow/down)

Há pouco, terminei de ler a obra do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, intitulada A Viagem do Elefante, que ele garante ser relato de um real fato histórico. Tive dúvidas, confesso. Mas, vá lá que tenha sido.
Segundo narra Saramago, um elefante trazido, por mares, desde Goa, nos costados da Índia, para Portugal, em meados do século 16, depois de algum tempo deixado em abandono, próximo ao Palácio de Belém (Lisboa) foi dado de presente de casamento, por D. João III e sua mulher Catarina d´Áustria, ao Arquiduque Maximiliano II, da Áustria, (foto) com a filha de Carlos V, de Espanha. A entrega desse, singelo e singular, “presentinho” se constituiu numa verdadeira epopéia por terras de Portugal, Espanha, Itália e Áustria, até alcançar Viena. Aqui pra nós, que presente mais estranho, um trambolho dos infernos! Imagine, Caro Leitor ou Leitora, que foram meses de caminhada numa Europa desprovida das modernidades hoje existentes, arrastando o paquiderme, incluído – o que foi incrível – na comitiva que levava o soberano austríaco e sua consorte, desde Valadolid (Espanha), de volta para casa, em Viena (Áustria). Durante o percurso, até hoje não se sabe quem era mais esperado, nos pontos de parada do cortejo, se o casal real ou o elefante. Cabeças coroadas eram muitas, naqueles tempos. Já, elefantes, na Europa? Nem pensar. Muito divertida a descrição de Saramago, que tem um raro e especial estilo de escrever, combinado com finas ironias, somadas, neste caso, de comparações sutis entre o dantes e o atual. Apurado humor, no mais puro português de Portugal, o que, para nós brasileiros, torna o texto ainda mais engraçado. Excelente leitura.
Lendo aquilo, lembrei-me que muito menor sacrifício era viajar entre o Recife e Fazendo Nova, já na metade do século passado. Saíamos de madrugada, num moderno trem a vapor, uma maria-fumaça, até Caruaru, de onde percorríamos mais 48 quilômetros, numa estrada carroçável, até a porta da casa do meu avô materno. Era uma canseira dos diabos. Chegávamos empoeirados, exaustos depois de um dia inteiro de viagem. Hoje essa trajetória é feita em duas horas, no conforto de um automóvel moderno, com ar condicionado. Chega todo mundo fresquinho e inteiro. Imagino esses arquiduques do século 16 o quanto que sofriam. E a turma do empurra? Vassalos escravos, sofredores e sem esperanças de vida. Saramago descreve direitinho.
Quatrocentos e cinqüenta anos depois, as coisas mudaram radicalmente. A pressa e a competitividade crescem de modo acelerado a cada dia, transformando o mundo numa maratona do viver. Não se trabalha para viver, vive-se para trabalhar. Qualidade é trocada por quantidade. Ao invés dos pombos-correios usados por Maximiliano II, temos o celular e o correio eletrônico. É tudo muito rápido. Quase sufocante. A máquina substitui o homem e assusta o cidadão, a toda hora.
Mas, vale à pena uma reflexão: o preço dessa celeridade é muito alto. O mundo globalizado cobra muito alto ao homem moderno. As pessoas estão se transformando em máquinas. Perde-se, aos poucos, a leveza que o ser humana porta ao nascer. A insensibilidade toma conta e o lema parece ser o popular “cada um por si e Deus por todos”. É uma pena, como se corre, como se come nas carreiras, como se perde tempo no trânsito e como a idéia da solidariedade entre os povos se esvai e quase já não existe. Isto sem falar na violência que cresce aceleradamente. Não, não desejo viver aos moldes do século 16. Impossível, até. Mas, que, pelo menos, sejamos humanos.
Tem circulado na Internet uma mensagem muito interessante, intitulada de
“A Cultura do Slow/Down”, já recebi inúmeras vezes. Trata-se de um movimento que nasceu na Europa – a mesma de Maximiliano II – alertando para um provável caos social. Condena o ritmo galopante do viver moderno e prega a diminuição da corrida. A idéia é privilegiar, por exemplo, uma refeição mais lenta, ou invés do chamado fast-food, que vem trazendo sérios problemas de saúde para as gerações futuras. É produzir mais e com qualidade, em menor tempo, e usufruir mais da bela aventura de viver. Criou-se, então o movimento Slow-Europe. Na base de tudo isto está o questionamento da “pressa” e da “loucura” gerados pela globalização, pelo desejo de “ter em quantidade” (nível de vida), ao contrário de “ter em qualidade”, “qualidade de vida” ou “qualidade de ser”.
Cultivemos uma vida ao ritmo de uma valsa vienense. A que já era dançada por Maximiliano II.
Nota: Ilustrações obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Aquarela (diversificada) do Brasil

Percorrendo o Brasil, em diferentes direções, é possível observar coisas interessantíssimas. Tive boas experiências nas três primeiras semanas deste mês de agosto, quando andei para cima e para baixo, ora trabalhando, ora passeando. Este nosso Continente é uma coisa fabulosa, face sua diversidade sócio-cultural, natural e econômica. Tem rico, tem pobre, cultos, incultos, intelectuais, caipiras, brejeiros, metidos-a-besta e, por aí vai. Na prática, são muitos Brasis...
Na primeira semana, fui a Manaus, na segunda a São Paulo e na terceira, por fim, ao Rio de Janeiro. Não fosse o fato de que, nas três localidades, fala-se o mesmo idioma e a moeda corrente é o Real, a sensação que sinto é a de haver estado em três paises distintos. A paisagem, a gente, os costumes, o trato ao visitante, a dinâmica das ruas, a comida, o sotaque, entre outros aspectos, dão toques próprios a cada localidade.
Em Manaus, senti-me num clima com fortes tons asiáticos. Aquele movimento de barcos, rio acima, rio abaixo, o clima, o biótipo do amazonense – com olhos amendoados, cabelos estirados e negros, tez pardo-amorenada – a fartura de pescados nas mesas, as ervas e frutas silvestres, os mistérios e lendas. É um negócio do tipo exótico e, ao mesmo tempo, fascinante. Lembra muito pouco do que se vê no Brasil daqui de baixo.
Já em São Paulo, muda tudo. Para começar, não tem praias, nem mesmo as de rios como no Norte, o que, inclusive, determina os modos e o vestuário do povo em geral. Há mais formalidade. Lembra muito os Estados Unidos, misturando com alguma coisa de Europa, e, só depois, nos lembra que ainda é Brasil. Um Brasil pujante e rico. Finalmente, o Rio de Janeiro, que tem uma paisagem toda própria, cheia de praias oceânicas e lugar onde a formalidade passa ao largo. Beleza natural se mistura com a ginga e descontração de um povo cheio de alegria e um jeitinho especial de viver. E tem uma coisa: o Rio só se parece mesmo com o Rio. Pronto. É isto. Pouca roupa, gravatas na gaveta, roupa de banho na fila do banco, todo mundo calçando havaianas. Haja descontração.
Nesses cenários uma coisa me chamou a atenção, enquanto visitante. Não sei se o Caro Leitor ou Leitora já testou: experimente pedir uma sugestão de onde, por exemplo, jantar numa dessas cidades. Cada uma tem seu jeito próprio de orientar, o que revela a maneira de ser ou da competência de receber o forasteiro. Em Manaus, a recepcionista de um hotel quatro estrelas, com olhar inocente, fica cheia de dedos, sem saber o que sugerir. Aparentemente, não sabe de nada. Parece que baixou de repente naquele lugar, louca para perguntar: “Onde estou?, Quem sou eu?, Quem é você?, Que dia é hoje? Que foi que houve?”. Os motoristas de táxi nem sempre sabem direito como chegar onde se pede. Ou seja, um despreparo geral, embora a cidade receba muitos turistas estrangeiros.

Em São Paulo, a coisa é completamente diferente. A recepcionista do hotel abre logo uma pagina na internet, num computador que passa 25 horas ligados, por dia, pergunta rápido se o sujeito quer comer carne, peixe, pastas, crustáceos, aves ou caça exótica. Complementa indagando se o suplicante deseja um restaurante esloveno, sul-vietinamita, bósnio, siberiano, nigeriano, húngaro, irlandês ou outros mais populares como tailandês, tanzaniano ou búlgaro, imprime umas páginas, ajuda na escolha do restaurante, tira um mapa da gaveta, assinala a localização, informa o roteiro, reserva uma mesa, dá uma idéia de preços, sugere o prato e chama um táxi especial para levar o cliente. Tudo em poucos minutos e em ritmo de São Paulo. Bote eficiência nisso tudo. Dá gosto. Aliás, a idéia que a recepcionista transmite a respeito do restaurante e do cardápio, já deixa o cara com água na boca e apetite aguçado. Dá tudo certo, é claro. E, na volta ela pergunta preocupada e docilmente: “Foi bom? E, então, o Senhor gostou?” O então é de praxe! É o cacoete da moda. Em toda oração cabe um então.
E no Rio? Bom, por lá a coisa é um pouco diferente. Eles sabem das coisas. Mas, têm, digamos, um jeito próprio de informar: “você vai aqui pelo calçadão, entra na primeira à esquerda, alcança a N. S. de Copacabana, a esquerda, novamente, dobra a direita, chega à Barata Ribeiro, pega a direita, entra na segunda a esquerda e, na esquina com a Toneleiros, encontra um restaurante muito bom. “Mas, espere um pouco, que tipo de comida eles serve?”. “É uma churrascaria, muito boa, com espeto corrido”. “Mas, meu amigo, eu não quero comer churrasco! Prefiro peixe, uma coisa mais leve...” “Ah, é isto?! Então vá caminhando, por aqui mesmo na Atlântica, duas ou três quadras, e procure um restaurante português que serve bons peixes. Tem um bacalhau excelente! Dá para ir andando”. Você vai, mas de olho bem aberto com os tipos que circulam no calçadão. É uma “fauna” fabulosa. Coloriiiiida... As cores do arco-íres. A comida? Tem gosto de “não volto mais aqui”.
Eu sei, é claro, que tem restaurantes ótimos no Rio! Mas, o visitante precisa ser melhor assisitido. Sobretudo nos bons hoteis, como foi meu caso.
Quanta diversidade, meu Deus!
Nota: charge obtida no Google Imagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

São Paulo, outra vez.

Já confessei, noutras ocasiões, minha paixão por São Paulo, sendo mesmo um dos meus destinos favoritos. Estranho para quem detesta uma metrópole agitada, poluída e de transito complicado, eu sei. Mas, aquilo lá, tem seus encantos. E, se a visita incluir o interior do estado o encanto se completa.
O recente fim de semana, aproveitei mais uma dessas idas, sem os rígidos compromissos profissionais, para conferir o que há de novo e o que está “vindo com tudo”. São Paulo é bom para essas coisas.
Dois momentos dessa viagem merecem destaque neste bate-papo de hoje: a visita que fiz ao Museu do Futebol e o domingo em Campos do Jordão. Sobre o museu, começo lembrando que o que vem acontecendo, ultimamente, em São Paulo, determina uma total mudança do conceito de museu neste país. Agora, não se trata mais de um espaço com imagens ou objetos estáticos, enredomadas e com avisos de nãometoques. Assim é o fantástico museu da Língua Portuguesa, que comentei por aqui em fevereiro do ano passado, e também é o novíssimo Museu do Futebol, que fui checar, 6ª. Feira passada, com meu filho, jovem vidrado em futebol. Trata-se de um dos mais fantásticos frutos da mídia digital neste país. O futebol brasileiro ganhou o maior acervo de informações já reunidas, num único espaço, instalado sob as arquibancadas do estádio do Pacaembu. São imagens e objetos especiais lembrando desde os primórdios da introdução dessa modalidade esportiva, em terras brasilis, pelas mãos de Charles Miller, até os dias de hoje, passando pelos momentos de glória das copas conquistadas, pelos inúmeros campeonatos que são promovidos a cada ano, pelas amargas derrotas e, claro, os incensados craques da bola. É um “choque” de imagens em LCD ou projetadas por canhões data-show, planas ou tridimensionais, painéis back-light, bandeiras, flâmulas, um mar de camisetas de todos os clubes do país – inclusive do pernambucano Íbis, o pior time do mundo – tudo inteligentemente exposto, criando um cenário de profundo dinamismo. Ao todo, são 6.900 m² de exposições, 1442 fotos e 6 horas de vídeos disponíveis aos visitantes. Dinâmica é o que não falta, por lá. Bem dentro do espírito do futebol. Ficamos galvanizados no salão Anjos Barrocos, no qual saltam aos nossos olhos as imagens tridimensionais, em tamanho natural, dos maiores ídolos dos gramados nacionais em lances sensacionais. O visitante se empolga de tal modo que é capaz de sair procurando uma bola virtual chutada em direção ao nada. Noutro salão, denominado de Exaltação, a empolgação continua com o clima das torcidas. Um multimídia, em vários planos, emite imagens das mais vibrantes torcidas, dos maiores clubes brasileiros, entremeadas por um frenético jogo de luzes, nas entranhas das arquibancadas do Pacaembu, dando ao visitante uma sensação muito forte de estar diante de um jogão. O som do local reproduz nitidamente os gritos de guerra e hinos entoados. Do Recife, aparecem as torcidas do Sport e do Náutico.Para coroar a interatividade, já no final do circuito, o visitante contagiado por aquele clima espetacular, dá de cara com uma fileira de tótós e com uma cobrança de pênalti contra um goleiro e barra virtuais, num irrecusável convite de “venha jogar”. A turma faz fila para dar um chute a gol, avaliando sua habilidade e a velocidade da bola, neste caso muito real. É sensacional. Mesmo para os que não são amantes do futebol, vale à pena uma visita. Saiba mais clicando: http://www.museudofutebol.org.br/
O segundo comentário é sobre a belíssima estância climática de Campos do Jordão, a Suíça brasileira. Este é o tipo de lugar que faço questão de visitar, sempre que possível e foi o que fiz no fim de semana. Cada vez que volto por lá, saio entusiasmado por ver uma cidade que está sempre crescendo e inovando, sem perder suas originais características de cidade com clima de montanha e especial charme, no mais puro estilo europeu. A temperatura media esteve na casa dos 10ºC. Distante 170 km da cidade de São Paulo, facilmente alcançada por boas rodovias, no alto da Serra da Mantiqueira. Nada mais agradável e refrescante para a mente do que entrar e sair das lojas, cafés e restaurantes desse lugar que vive do turismo de inverno. Para as mulheres consumistas, um paraíso com as malharias que “atacam” de moda inverno, a preços módicos, devido a concorrência acirrada. São muitas malharias. Para os homens, o programa preferido são os bares e uma cervejaria, a Baden-Baden, que exerce um especial monopólio e concentra uma gente bonita num bate-papo sem hora para acabar.
Nos arredores, um mundo de atrações para visitar, com direito a teleféricos, cascatas, passeio de trenzinhos, pista de patinação no gelo, trilhas ecológicas, entre outras.
Voltei revigorado, com se houvesse tirado umas férias de verdade. Pena que foi somente um fim de semana, com quatro dias.
Nota: Foto do Google imagens (museu) e do blogueiro (Campos do Jordão).

domingo, 9 de agosto de 2009

Amazônia – Planeta Água

Acabo de voltar de Manaus, a bela capital do Amazonas, no coração da mítica Selva Amazônica, onde passei três dias. Há pelo menos dez anos sem ir até lá, fiquei impressionado com o crescimento e mudanças na estrutura urbana que vi. É outra cidade. Passada a efervescência que a caracterizou, nos anos 80 e 90, com o movimento comercial alavancado pela Zona Franca, a cidade se mostra hoje mais madura e com ares de Metrópole. Por lá, acredite, na se vê pedintes, nem ambulantes ou limpadores de pára-brisas nos semáforos. A cidade é limpa e, segundo me informaram, tem uma violência mínima e, apesar do calor, não vi ninguém nu da cintura para cima ou em trajes sumários ou indecorosos. Os turistas que circulam não são mais aqueles ávidos por comprar e comprar. Ao invés disso, são os interessados em ver de perto tudo que se fala e se propala sobre o pulmão do planeta: o verde luxuriante da floresta, a rica fauna e a imensidão aquática. É um lugar onde podemos cruzar com pessoas de todas as procedências, falando os mais distintos idiomas.
Dos programas turísticos não podem faltar um passeio pelos rios e igarapés (pequenos rios, por onde só circulam canoas), um contato direto com os animais silvestres e a vegetação e degustação da cozinha regional, sempre às voltas com os pescados. Sem falar no Teatro Amazonas, que é uma atração à parte.
Sem muito tempo para fazer turismo – fui numa missão de trabalho – ainda tive a chance de adentrar o Rio Negro e alcançar o ponto de encontro das águas deste com as do Rio Solimões e, a partir dali, formar o Rio Amazonas, que desagua no Atlântico. A bordo de uma pequena embarcação, conhecida como voadora, com capacidade de levar dez passageiros, fui, com companheiros de viagem, ao citado encontro, que eu já conhecia, mas quis rever. É um belo espetáculo da natureza. Impressiona ver como a cor do Negro – assim devida ao PH que se forma na região que corre, desde os confins da Colômbia – não se mistura ao do Solimões, de cor barrenta, por conta do solo que atravessa desde o alto dos Andes, no Peru. Mas, viver a Amazônia é entrar em contato com um mundo cheio de hábitos e costumes bem particulares. É um outro mundo, dentro do Brasil. Lembra muito alguns países asiáticos, seja pelo biótipo do homem local (há teorias que garante ser de origem asiática) ou pelas formas de viver. E, aquela profusão de canoas, barcas e navios circulando, carregando pessoas e mercadorias, tem uma cara danada de Sudeste da Ásia.
Outra coisa que me deixa fissurado, na Amazônia, são as lendas que fazem o imaginário daquela gente maravilhosa. Eles acreditam em coisas incríveis. Nesta viagem ganhei um livro (Emoções Amazônicas – Bernadino, Francisco R.) que narra coisas fantásticas, algumas das quais pincei para esta postagem.
A primeira delas fala da origem do fruto do guaraná. Os Saterê-Maués, índios que vivem entre os rios Maués e Andirá, garantem que na região havia três irmãos órfãos, dois rapazes e uma linda moça, que de uma gravidez indesejada deu a luz um menino com belíssimos olhos negros. Por ciúme e inveja os tios o mataram aos cinco anos. Desesperada a mãe, antes de cremar o cadáver, arrancou-lhe os olhos e plantou-os na floresta, pedindo ao Deus Tupã (a maior divindade indígena), que o devolvesse a vida em forma de vegetal (foto). Assim, nasceu o guaraná, que se transformou numa marca do Brasil, em forma de bebida energética e afrodisíaca. Uma beleza!

Outra lenda incrível, fala do boto vermelho, mais conhecido como Boto Cor de Rosa. Essa é demais. Acontece que o boto, um cetáceo que habita os rios da Amazônia, tem uma massa cefálica maior do que a do homem e é capaz de estabelecer relações especiais com este. É personagem central de lendas fantásticas. A mais interessante diz que tendo genitália muito semelhante aos humanos, seja homem ou mulher, são muitos os casos das relações intimas entre homens e boto fêmea e mulheres com boto macho. O incrível mesmo, vem depois, é que há registros civis de crianças como sendo "filhos do boto". É demais! Para mim, é uma desculpa amarela. A ultima lenda, que selecionei, é a de que mulher menstruada não pode viajar de barco porque pode atrair o boto, que tentará arrebatá-la. Dizem que tem nego que morre de medo de perder a companheira, assim como tem mulher doida para viver o sonho de transar com um deles. Ao mesmo tempo, se necessário for, a mulher menstruada não pode entrar pela proa ou popa do barco de um pescador. Tem que embarcar pelo meio da canoa, para que haja uma boa pesca.
São muitas historias fantásticas que correm pela imensa Amazônia. É preciso ver de perto esta região, testemunha maior do que se conhece por Planeta Água.
Nota – Foto do Blogueiro e outra (semente do gauraná) obtida no Google Imagens. Quem quiser ver imagens da genitália do boto femea confira no Google Imagens. São tão eróticas que tive acanhamento de postar.

domingo, 2 de agosto de 2009

A gente vê cada coisa!

Eu havia planejado, para esta semana, falar um pouco sobre a novela Sarney/Senado. Vinha acompanhando essa pouca vergonha e juntando peças para compor uma postagem. Comentei isto como um amigo e, de pronto, ele me retrucou dizendo que seria muito chato ler meu Blog tratando dessa “coisa” já tão batida e que, na opinião dele, eu deveria primar por uma linha mais divertida, contado causos, comentando sobre costumes e folclore e sobre observações anotadas em viagens. Claro que é uma opinião isolada, mas, que merece minha atenção. Ao mesmo tempo, cheguei à conclusão de que o tema Sarney já está mesmo muito explorado e analisado por pessoas que, melhor do que eu, o fazem.
Convencido de que iria passar batido, sem minha conversa mole semanal, dei de cara um assunto, como se diz, atualmente, bizarro: fiquei pasmo com uma pessoa que conheci, num almoço festivo na 5ª feira passada. Ela, mesmo sendo moradora do Recife, do bairro de Boa Viagem, me afirmou que não conhecia Olinda! Já pensou? Não é pernambucana, mas, já vive aqui, há mais de vinte anos. Haja alienação... Como é que pode. Viver no Recife e não se interessar de conhecer o Alto da Sé e as igrejas seculares o casario e tudo mais que Olinda tem... Fiquei espantado com aquela “burrice”. “A Senhora nunca esteve em Olinda?” perguntei novamente, somente para confirmar. “ Não conheço bem... só passo por fora, nunca fui lá em cima... só vi de longe e parece que é bonito”. “Sei! Mas, isto é uma pena. A Senhora não viu o mais belo e, eu diria, que ainda não mergulhou na história do Brasil. Vá agora, quando sair daqui deste almoço”. “Ah! Hoje não vai dar, não. Vou ter que ir correndo ao Shopping...” Impressionadíssimo, resolvi encerrar o diálogo, pedir licença e me despedir. Não sei como, ao me afastar, consegui dizer que havia sido um prazer conhecê-la, quando, na verdade, foi um desprazer cruzar com aquela "pirua" ignorante e alienada.
Ainda espantado com o episódio, lembrei-me de outras passagens engraçadas, bem parecidas. Nos idos dos anos 60, quando fui pela primeira vez ao Rio de Janeiro, ficando hospedado na casa de primos, uma das primeiras coisas que manifestei foi minha vontade de conhecer o Pão de Açúcar. Para minha admiração, os primos só conheciam aquele cartão postal carioca visto a distancia. Mesmo sendo cariocas. Foi um assanhamento geral. Todo mundo levantou o braço e disse que iria também. Fomos todos, juntos e pela primeira vez!
Outra ocasião, dessa vez em Paris, conheci uma Senhora, francesa da gema, coroa de seus 70 anos, segundo meus cálculos, que nunca havia subido à Torre Eiffel. Já pensou? Um ícone do turismo mundial, visitada por milhões a cada ano e ser ignorada por uma nativa parisiense.
Parece que isto é muito comum, mesmo. Dizem que a maioria esmagadora dos cariocas nunca foi ao Corcovado, rezar no pé do Cristo, seja por falta de dinheiro ou desinteresse mesmo. Muitos preferem ir a Paris e fazer o que aquela coroa francesa, que conheci, nunca fez.
Pois é... Viver no Recife e nunca haver dado um pulinho em Olinda, é demais para minha cabeça. Foi, não foi, ando por lá. Sem ter nem pra quê... Adoro (é o verbo adequado) caminhar nas ladeiras da Marim dos Caetés, entrar nas igrejas, admirar a beleza do casario, bater papo com os artesãos em atividade, tomar um café num misto de galeria e casa de chá, ou uma caipirinha num dos botequins instalado num casarão histórico.
Olinda, bom não esquecer, é patrimônio da humanidade e uma das maiores atrações turístico-culturais do Brasil. Não pode ser pensada ou tratada de modo marginal. Salvo por pessoas marginais... que existe, onde menos se espera.
Visite Olinda, ela é linda! E procure conhecer sua história. Saindo de lá você será outra pessoa. NOTA: Fotos do blogueiro, numa tarde de sabado olindense.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

ESBANJAMENTO VERDE E AMARELO

Sempre fiquei muito impressionado, nas viagens a serviço no exterior, com as instalações das embaixadas brasileiras. Muitas são palácios monumentais. Paris, Roma (um palacio histórico), Madrid, Lisboa, Haia, Tóquio, Buenos Aires (foto), Montevidéu e Santiago do Chile são bons exemplos, entre as que já visitei e, em algumas, cheguei a cumprir missões de trabalho.
Não tenho como não achar que, em boa parte, são verdadeiras extravagâncias, em face dos custos altíssimos que representam para os cofres da Nação. No final de tudo, é o pobre e coitado do contribuinte quem paga a conta, sem nem, ao menos, saber. O Governo esbanja lá fora, tirando do povo que padece da falta de segurança, transporte público digno, educação e saúde, infra-estrutura etc.etc.
Mesmo entendendo que seja necessário se manter uma instalação elegante e à altura da importância de alguns paises estratégicos, considero que deviam ser mais sóbrias, menos dispendiosas e, sobretudo, mais eficientes, coisa que de modo geral não acontece, gerando muitas criticas.
Meu comentário teve origem no inicio da semana, depois que recebi de uma leitora – Cristina Henriques – um email com um artigo de Xico Vargas criticando as aberturas de novas embaixadas brasileiras, mundo afora. O texto é, ao mesmo tempo, divertido pela forma e revoltante no conteúdo.
Segundo Xico, o Governo Lula abriu, nos últimos dois anos, um montão de embaixadas e consulados-gerais em lugares remotos, desconhecidos e sem nenhuma importância político-diplomática. Lugares onde brasileiros não pisam e onde não se faz negócios. Um verdadeiro despautério. Absurdo dos maiores. Segundo apurou-se, a idéia de Lula é conquistar votos na ONU para colocar o Brasil no Conselho de Segurança.
O caro leitor ou leitora já ouviu falar de Bamako? É uma “trepidante” cidade capital do Mali (vide foto abaixo). Sabe onde fica? Não vá procurar no Atlas, eu lhe digo: fica na África. Ali defronte. Para que servirá nossa embaixada por lá é o que muita gente pergunta. Juntas com esta, foram criadas mais de quarenta novas embaixadas e consulados-gerais instalados em “importantes” cidades, destacando-se: Basse-Terre, Baku, Castries, Conacri, Cotonou, Gabarone, Malabo, Novakchott, Roseau e Uagodua, esta última é a capital do “potencia” Burkina Fassu. Não conheces? Pois saiba que existe este lugar. Quem já ouviu falar dessas localidades? Acho bom anotar os nomes para uma eventual passagem e a necessidade de buscar nossa embaixada. Nunca se sabe... Quem gosta de turismo exótico...
Ah! Tem um outro interessantíssimo destino, onde podemos encontrar uma vigorosa presença diplomática: Belmopan, a sossegada capital de Belize, com 15 mil habitantes. Eu disse mil, não foi milhões! Menos do que o que comporta o Ginásio de Esportes da Imbiribeira, no Recife. Onde fica Belize? Nas beiradas da América Central, apertada entre o México e a Guatemala. Conta com apenas 350.000 habitantes. Diga-me uma coisa: para que uma Embaixada Brasileira num país tão minúsculo? Duvido que envolva interesses comerciais. Deve ser bom para quem exerce missões por lá. Pode até morar em Miami. Claro, não deve ter movimento! Ou mora mesmo por aqui. Vez por outra dá um pulinho por lá, bota um punhado de Dólares no bolso e pronto.
Além dessas extravagâncias absurdas (será um pleonasmo?) o Governo atual vai deixar, segundo Xico Vargas, uma inesquecível recordação: comprou em Nova Delhi, por 5 milhões de Dólares um terreno, onde construirá – no futuro – a nova Embaixada Brasileira na Índia. Are Baba!!!!! E em Genebra, pagou 40 Milhões (releia este valor) de Dólares por um prédio que abrigará as representações brasileiras.
Sinceramente, acho que este Governo perdeu a noção das coisas. Milhão de Dólares, para ele, é besteira. Não vale nada.
Pense quanto custará manter essas ridículas embaixadas, desses “importantes” países. Deve ter muito diplomata disputando na tapa um lugarzinho para fazer “um pé de meia”. Sim porque passa dois anos numa espécie de “exílio”, quando vai por lá, e volta com um patrimônio garantido para o futuro. Esse pessoal ganha em Dólar, recebe verba de representação, tem imunidades político-diplomáticas, isenções fiscais, moradias reais e uma serie de outras vantagens pessoais e para membros da família. Dá para acreditar? Isto é o que eu chamo de governo perdulário.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sábado, 18 de julho de 2009

Isto é um Fim de Mundo

Mal fiz meu check-in no hotel, ela se aproximou, toda rebolativa e disparou: “Oi! Eu sou Camila (nome fictício) e posso fazer da sua noite o maior barato!”. “O que menina? E quem lhe disse que eu estou disposto a esse barato?” respondi todo desconcertado e emendando perguntei: “Escuta aqui, quantos aninhos você tem Camila?” Ela respondeu afirmando ter 16 anos! Cônscio da minha responsabilidade e seguro dos meus princípios dei um fora na reboladora e subi para meu apartamento, pasmo com aquele agressivo episódio. Isto ocorreu em Fortaleza, alguns anos atrás, num hotel na região da Praia de Iracema.
Naquela mesma noite, procurando um restaurante para jantar nas proximidades do hotel, percebi que estava hospedado muito próximo da zona. Garotas e gays digladiavam, às vezes no tapa, vendendo seus serviços sexuais. Nas barbas da policia que, normalmente, faz vista grossa e até ajuda no agenciamento, segundo fiquei sabendo.
Isto, na verdade, se trata de um fato corriqueiro nas cidades turísticas do Nordeste. Foi em Fortaleza, mas é comum em Natal, no Recife, Maceió e Salvador, que recebem leva e leva de turistas estrangeiros – vi muitos homens italianos jovens – interessados pelo chamado turismo sexual. Existem agências especializadas nessa modalidade de viagem, em vários países da Europa, notadamente Itália, Alemanha e Suíça.
Em Brasília os serviços são oferecidos nas recepções dos hotéis que disponibilizam books com fotos sedutoras de garotas, oriundas dos confins da Amazônia, da Bahia, do interior gaúcho ou cerrado do Centro-Oeste.
Nos dois casos os cachês são altíssimos e gerenciados por verdadeiras redes de exploração comercial do sexo.
Lembrei-me disso tudo, ao terminar de ler um relatório executivo da Pestraf – Pesquisa sobre o Trafico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para fins de Exploração Sexual Comercial no Brasil. Fui convidado para participar de uma campanha de combate à exploração sexual, coordenada pelo SESI – Serviço Social da Indústria de Pernambuco. Esta pesquisa é um referencial de trabalho. Se a realidade assusta, os dados apurados pela pesquisa são aterradores.
A faixa etária critica é a entre 12 e 18 anos. São as presas mais fáceis dos predadores, geralmente homens da maior idade. Pior: grande parte da iniciação é dentro de casa. A maioria das vitimas são afro-descentes. Depois de um estupro, um atentado ao pudor, a sedução ou uma mediação para lascívia, a garota não tem outro caminho a não ser se prostituir, nas grandes cidades brasileiras ou no exterior.
As modalidades de exploração dependem da região. A pesquisa mostra coisas interessantes como: no Norte do país, a exploração acontece acintosamente em estradas e ruas, em função dos garimpos, prostíbulos portuários, cárcere privado. É comum realizarem leilões de virgens. No Nordeste impera o pornoturismo e turismo sexual. É uma praga. Rivaliza com países do Sudeste Asiático, que é um horror. Há também prostituição de meninas e meninos de rua e prostituição nas estradas (foto ao lado). No Sudeste a coisa é semelhante ao Nordeste. O Sul tem tudo isto e mais uma forte ligação com o narcotráfico e intenso tráfico de crianças. Por fim, no Centro-Oeste além da comum exploração em prostíbulos, há uma intensa exploração comercial nas fronteiras, agravada pelas atividades do narcotráfico. Nessa região tem uma modalidade especial e fortemente difundida, que é o turismo sexual ecológico e náutico. O pantanal e os rios da região servem de cenário para bacanais homéricos, de fazer inveja à Roma Antiga. Sodoma e Gomorra perderiam feio o posto de vanguarda que ostentou com orgulho na antiguidade. Sodomia lá mudou de nome para pantanomia.
O tráfico internacional de mulheres e adolescentes brasileiras é outro ponto deplorável. Segundo a Pestraf, tem prostitutas brasileiras espalhadas nos quatro cantos do planeta – fruto de aliciamentos criminosos – principalmente na Alemanha, Suíça, Itália, Espanha, Holanda, Portugal, Israel, Japão, China, Taiwan e países latino-americanos.
Mas, em meu ver, uma das coisas mais sérias que a pesquisa concluiu foi de que há uma crescente inserção de mulheres, crianças e adolescentes de classe média no mercado do sexo brasileiro. Ou seja, a coisa começa a se banalizar, à medida que já não se restringe aos círculos da classe de renda mais baixa. E é verdade. Hoje em dia, é comum ocorrências de garotas de programas que são estudantes universitárias e profissionais liberais, saídas de famílias de classe média e média alta, que oferecem – via agentes especializados – serviços ditos de “alto nível” a preços estratosféricos.
Meu pai, se vivo fosse, diria: “isto é um fim do mundo”. O SESI vai contar com o meu apoio. Não sei por onde começar, mas vão me dizer.

NOTAS: Se desejar saber mais sobre a Pestraf visite o site do CECRIA – Centro de Referencia, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes, que realizou a pesquisa. Clique em www.cecria.org.br
As fotos foram obtidas no Google Imagens.

sábado, 11 de julho de 2009

TREMENDO DESRESPEITO

Só era o que faltava: lixo do primeiro mundo sendo “jogado” no Brasil. Um tremendo desrespeito!
A notícia chamou atenção durante esta semana que passou. Uma inusitada carga de lixo doméstico, vinda do porto de Felixtowe na Inglaterra foi “despejada” nos portos brasileiros de Santos (SP) e Rio Grande (RS). O responsável no Brasil é uma empresa de Bento Gonçalves, próspera cidade do interior gaúcho, que declarou haver comprado uma carga de polímero de etileno para reciclagem, que serve para obtenção de material plástico utilizado na produção ou acabamento de móveis. Bento Gonçalves tem uma forte indústria moveleira.
Foram 40 contêineres, com 740 toneladas de sujeira doméstica. Haja lixo! Um abuso que não podemos tolerar. Acho que esses europeus vão, sempre que têm chance, empurrando a bagulheira, que não sabem onde botar, e criminosamente “exportam” para os países do chamado terceiro mundo que, em certos casos, devem passar batidos pela patifaria. Imagino que fazem isto com freqüência e agora foram pegos no Brasil. Fala-se que há uma máfia na Europa que camuflam o lixo que produzem e envia para outros países, particularmente da África.
Os criminosos tiveram o atrevimento de, junto a alguns cacarecos de brinquedos – boneca sem cabeça, carrinhos sem rodas, etc. – recomendar que lavassem cada peça antes de doar às crianças pobres do Brasil, numa prova concreta de que tinham mesmo a intenção de exportar seus descartáveis, sem que o destino final fosse o que declarado, isto é, a reciclagem do polímero de etileno. Não é uma audácia?
As autoridades brasileiras já adotaram providências no sentido de descobrir os autores drsse crime. A empresa importadora já foi identificada e tem o nome sob sigilo, por enquanto, para que não atrapalhe as investigações. Desconfia-se, ainda, de que existam brasileiros, na Europa, envolvidos na operação. Os contêineres lixeiras estão retidos para investigações que estão sendo feitas pelo Ministério Publico Federal, pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA e órgãos ligados à gestão do meio ambiente.
Para este caso o Brasil tem duas saídas: pode considerar como sendo, na linguagem oficial, um perdimento, por falsa declaração de conteúdo ou por mercadoria atentatória a saúde. A outra saída é, na minha opinião a mais justa, obrigar o importador devolver a bagulheira à origem como forma de compelir e coibir este abuso e, por cima, afastar o risco que ela representa para o nosso país. Enfim, isto não pode ocorrer novamente. O Brasil tem que “botar a boca no trombone!” e protestar. Só era o que faltava, repito.
Isto é apenas a ponta de um colossal iceberg de problemas da poluição planetária, que começa a se manifestar neste inicio de século 21.
Ocorre que lá, no dito primeiro mundo já não se sabe mais o que fazer com o lixo. A produção é fantástica. Os produtos biodegradáveis são mínimos. As embalagens, os brinquedos, os utensílios domésticos, os componentes mecânicos e eletrônicos, entre outros, são na maior parte de material plástico, que duram 300 anos para se decompor. Os oceanos estão abarrotados de plásticos que vão, aos poucos, acabando com o ambiente marinho e o lixo da informática se constitui num dos maiores desafios, no mundo moderno. Países como Estados Unidos e Japão, este, sobretudo, devido sua exígua extensão territorial, ainda não encontraram formas eficazes para administrar seus descartados. Lembro que, certa ocasião, caminhando, tarde da noite, por importantes ruas de Tóquio, tive oportunidade de ver e avaliar a incrível massa de descartados, por dia, jogados nas calçadas a espera da coleta. Fiquei imaginando as dificuldades que devem ter para dar destino aqueles rejeitos.
No Brasil nós temos nosso lixo, que já não é pouco! Inclusive muito material para reciclagem dos plásticos. Não precisamos do lixo dos europeus. Ao contrário, devemos rejeitá-lo com veemência. Espero que as autoridades do Rio Grande do Sul dêem uma dura lição a esses criminosos e que sirva de exemplo para outros países que possam estar sofrendo desses ataques da moderna “civilização”.
Notas: Informe de Carmem Ziebell com dos dados e relatos em: www.jornalagora.com.br
Foto obtido no Google Imagens

sexta-feira, 3 de julho de 2009

TRÊS EM UM

Quando a gente assume assinar um Blog semanal, como é o meu caso, fica permanentemente antenado, com tudo que vê e vive, para comentar. Ao mesmo tempo, como reações muito positivas, aparecem gentis leitores sugerindo temas que é deveras gratificante. Fico muito sensibilizado com essas interatividades.
Esta semana, por exemplo, recebi várias provocações: uma leitora do México me pediu um comentário sobre a vitória do Brasil na Copa das Confederações. Ela confessou ter acompanhado o jogo, realizado na África do Sul, e vibrado com a garra brasileira contra os gringos. Outro, do Chile, quase me exigiu um manifesto contra o golpe de estado em Honduras. No mesmo dia, alguém me pediu um comentário sobre a morte de Michael Jackson e, por fim, um pedido de apoio do Blog a um projeto de combate à exploração sexual de mulheres, adolescentes e crianças do sexo feminino, em apoio a um grande projeto nacional. Este último tema vai ser meu assunto para uma postagem à parte. Hoje, vou atender, numa postagem do tipo 3 em 1, meus outros amigos. Antecipando, asseguro que farei de forma simples e objetiva, com os humildes comentários a seguir:
Provocação Nº.1 – A vitória do Brasil, de virada, contra a seleção dos Estados Unidos, sagrando-se campeão da competição disputada na África do Sul foi, sem dúvida, muito boa, sobretudo pela virada do segundo tempo de jogo, provocando muita emoção nos brasileiros que já davam como perdidos e pelo simbolismo que sugere. Mais uma vez o futebol brasileiro mostrou sua tenacidade futebolística e, desta vez, contra um adversário sem tradição na modalidade. Pessoalmente, acho que esta seleção de Dunga não é das melhores. Ainda não tem a formação desejada para convencer. Acho que para o Mundial de 2010 vai ter que ser bastante burilada e reforçada. Alguns jogadores incensados mundo afora, Robinho por exemplo, ainda não deram o que se deseja ou que faça jus à fama e grana preta que põe no bolso a cada mês. Não posso me estender muito por falta de competência no assunto e de espaço, mas, devo dizer que fiquei de peito lavado ao ver os netinhos de Tio Sam de “rabinho entre as pernas” e cabisbaixos, coisa que eles odeiam e não sabem administrar, recebendo as medalhas de vice-campeões. Foi um castigo porque já queriam dar sinais de nova liderança nos campos do soccer. Não foi desta vez. Acho, até, que um dia eles irão chegar lá. Mas irão é futuro e a Deus pertence.
Provocação N°.2 – Meu amigo Julio Silva Torres, chileno da melhor cepa, passou uma semana revoltado com o golpe de estado em Honduras. Com razão, manifestou de todo modo que pode sua revolta e pediu-me colaboração no Blog. Bronca pequena para quem tem noção de perigo. O que aconteceu em Tegucigalpa é uma tremenda abertura de precedente para uma America Latina cheia de candidatos a ditador. Alguns já o são mascaradamente e, embora se manifestem publicamente contrários ao golpe hondurenho, acho que estão intimamente torcendo para que as coisas se consolidem. O mundo está dando um recado de maturidade política ao se posicionar contrário a qualquer tipo de ataque à democracia, como este de Honduras. Até os Estados Unidos, que no passado reconheciam e davam suporte aos golpistas oportunistas, já cravaram sua condenação, a meu ver, de peso. ONU, OEA e o resto do mundo estão de mãos dadas nesse repúdio e determinando o restabelecimento da ordem. Vejo Honduras – pobre e subdesenvolvida – num beco sem saída. Acho que os desdobramentos podem ser de grande monta, em prejuízo da paz nas Américas. Um perigo! Afinal, tem coisa mais absurda do que trair um regime democrático? Se no passado isto era repudiado e foi banido em meio mundo, em pleno século 21, é abominável. Aliás, não existe adjetivo adequado. Viva Manoel Zelaya! Que volte ao poder. Não importa, por enquanto, seus projetos políticos, que podem até ser espúrios, mas o fato é que o derrubaram com um golpe contra a democracia. E isto é inaceitável.
Provocação Nº.3 – A morte de Michael Jackson. Não sei por onde começar, diante dessa insólita “comoção” mundial. Sinceramente fico pasmo com tudo que venho assistindo. Para ser franco, nunca fui ligado ao sucesso desse cantor. Talvez por não ser fã da chamada onda pop ou por não fazer parte daquela geração. Nem sei direito o que vem a ser pop. Muito menos entender porque significou a mixagem da musica dos negros com a dos brancos. Talvez falta de interesse, mesmo. Ademais, nunca admirei as mungangas que ele fazia. Pode até ter algum valor coreográfico. Como não sou bailarino, não posso opinar. Vi alguém na televisão comparando-o com Fred Astaire e tentei corrigir os conceitos que fazia sobre o rapaz. Foi difícil. Fred Astaire? Jackson? com aquela máscara branquela? Sei não! Certamente que ele foi um sucesso para as gerações dos anos 70 e 80. Até em casa vi meus meninos imitando os remelexos dele. Mas... cá prá nós... nunca vi, antes, tanto desajuste e irresponsabilidade, quantos atribuídos a esse astro da parada de sucesso da billboard. Acho, aliás, que ele foi um péssimo exemplo para sua geração, além de ser – que é muito sério – um retrato fiel do preconceito racial nos Estados Unidos. Agora, depois dessa morte cheia de mistérios – bem ao seu estranho estilo – não aceito essa overdose midiática que cobre o caso. Nosso mundo está mesmo carente de verdadeiros líderes, haja vista que o que se vê pela TV rivaliza com a cobertura de exéquias de um Papa. Ele não passava de um cantor bailarino... mais bailairino, aliás. Ah! Tenha dó.
Tenho dito, por hoje. Bom fim de semana!
NOTA: Fostos colhidas no Google Imagens.

sábado, 27 de junho de 2009

Recife: Uma cidade abandonada

A prefeitura do Recife anda mesmo “pisando na bola” ao não saber administrar a questão da coleta do lixo. Nosso prefeito, até agora, só tem dado sinais de incompetência na gestão que assumiu em janeiro passado. Hoje (26.06) li num dos jornais da cidade que havia sido rompido o contrato com a empresa encarregada, há anos, pela coleta do lixo da cidade. Fiquei – como morador e contribuinte – preocupado com o que poderá ocorrer depois disso. Sem poder fazer qualquer coisa, resta-me apenas protestar e desejar uma substituição rápida – pouco provável, dados os lentos tramites burocráticos – ou ver acontecer uma operação emergencial para deixar a cidade em condições habitáveis e visitável.
O Recife vem, nesses últimos meses, entregue à sujeira e maus tratos, sem precedentes. Não precisa ir muito longe. O centro da cidade, bem como artérias em bairros importantes, se encontra em estado de verdadeira calamidade. Não dá para mostrar a cidade a um visitante sem passar por dificuldades e vergonha. Isto aconteceu comigo. Acompanhei um cidadão, misto de empresário e turista, pelas imediações da Praça Joaquim Nabuco, Rua da Concórdia e região da Casa da Cultura e amarguei uma vergonha sem tamanho. As galerias pluviais entupidas, as calçadas tomadas pelas águas, o lixo acumulado pelos cantos, a fedentina de urina e fezes incensando. Um verdadeiro caos. Inventei desculpas de toda ordem. Para completar, “mariposas” prostitutas horrendas vendendo seus serviços sexuais em plena luz do dia, numa manhã se sábado. Saímos escapando de um lado para outro temendo algum prejuízo, isto é, sujos de lamas ou águas fétidas ou, quem sabe, escorregar numa sujeira qualquer.
Dado infeliz momento, meu ciceroneado manifestou interesse de se aproximar da murada do rio Capibaribe para ver de perto o manguezal, exuberante a distancia. Um choque! A vergonha foi bem maior. O que vi lá é algo como a antevisão do caminho que, segundo pintam, leva ao inferno. Quanta sujeira! Cá pra nós, de um primitivismo atroz (Foto a seguir). Dizem que as margens do Tamisa, na Londres dos séculos 17 ou 18, eram tão sujas e fétidas que provocava mortes na população, pela falta de higiene pública. Foi do que lembrei e cheguei a comentar com meu amigo visitante.

A partir dali resolvi não inventar mais nenhuma desculpa. Diante daqueles fatos concretos, não havia mais o que fazer ou dizer. A coisa além de feia era a pura realidade. Foi então que resolvi fotografar tudo que me apareceu pela frente e protestar neste espaço, apesar de pouco lido e humilde.
Numa atitude de gentileza, meu amigo, percebendo a minha perplexidade, se apressou em me acalmar com comentários elogiosos ao prédio da Casa da Cultura, ao mérito de transformar uma velha prisão num espaço cultural, o casario da Rua da Aurora, a ponte da Boa Vista, as igrejas seculares, o artesanato que comprou e, por fim, reforçando seu gesto, lembrou que o brasileiro ainda não aprendeu a preservar suas cidades ou cultivar hábitos de higiene coletiva. Isto ocorre, argumentou, no país inteiro, aqui ou na próspera cidade onde vive, no interior de São Paulo. Fiquei agradecido, mas, entalado, sem ter o que dizer, com o abandono da minha cidade. Uma coisa meu amigo tinha razão quando disse que o povão pouco se incomoda em depositar seus descartáveis nas lixeiras apropriadas. A prova estava ali diante dos nossos olhos: cascas de frutas, copos plásticos usados, latas de refrigerantes, pontas de cigarro, sacos plásticos vazios, garrafas, roupas velhas, caixas de papelão, vasos sanitários quebrados, moveis imprestáveis, tudo enfim, é abandonado na via pública a espera da coleta que, infelizmente, não vem.
Ao fim da manhã, peguei meu amigo pelo braço, meti-o dentro do carro, e procurei um local mais digno do visitante. Escolhi a varanda do Country Club, que por sorte sou sócio, onde pude amenizar a péssima imagem que ele guardou dos canais e margens da Veneza Brasileira.
Socorro, Prefeito! Cuide da nossa cidade! Além de ser sua missão, lembro que julho é mês de férias e a cidade precisa estar apta para receber os turistas!


NOTAS: 1) As fotos são do Blogueiro, em momento de desespero.
2) O Blogueiro vai tomar providências para que esta postagem na seja enviada aos leitores de fora, principalmente estrangeiros.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

UM SÃO JOÃO BONITO

Os festejos juninos são sempre muito bons. Principalmente quando vividos no interior do Nordeste brasileiro. A noite de São João é uma das mais importantes manifestações culturais da região. Rivaliza com o carnaval, com a vantagem de ser mais comedida e muito cheia de simbolismo religioso. É uma festa rural, na sua essência e, por isso, melhor festejada nas localidades interioranas.
Na maioria das vezes, passo a noite de São João numa cidade do interior. Este ano, por exemplo, passei na cidade de Bonito, situada na mata sul do estado de Pernambuco. Por lá, as comemorações ainda são bem próximas ao estilo tradicional por não haverem aderido às monumentais produções, com mega-shows e multidões – parecidos com o carnaval – que caracterizam os festejos de cidades como Caruaru em Pernambuco e Campina Grande, na Paraíba.
Em Bonito a coisa ainda lembra meus tempos de criança. Muita cangica, milho cozido, pamonha, pé de moleque e vinho. Queimam-se muitos fogos e a gente local faz questão de se vestir com trajes caipiras, como manda o figurino. Diferente do que vi no Brejo da Madre de Deus e Fazenda Nova no ano passado. Um espetáculo à parte são as fogueiras. A tradição da queima de lenhas, na porta de casa, é uma coisa sagrada, para os bonitenses. O cidadão que não fizer isto terá pela frente um ano de infelicidades. Queimar uma fogueira é uma herança da colonização portuguesa e a maneira pela qual o cristão lembra o gesto de Santa Izabel, que queimou uma grande fogueira, no alto do monte onde vivia com seu marido Joaquim, para avisar o nascimento do seu filho, João, à sua prima, a Virgem Maria, em Nazareth.
Em Bonito, Plínio Farias, meu anfitrião, fez questão de acender a dele, com lenha fácil de ser consumida pelo fogo, ateado às 6 horas da noite, em ponto, do dia 23, véspera do dia de São João. Na hora precisa lá veio Farias com uma sacola de molambos e uma garrafa de álcool. Para minha surpresa os ditos molambos eram cuecas e calcinhas usadas. “Ôxente Plínio, espera um pouco... Tu vais queimar tuas cuecas e calcinhas da tua mulher?”. Perguntei apressado. “Ôxente, homem de Deus, e num tais vendo que é tudo coisa velha. Hoje é noite de queimá-las”. Respondeu-me prontamente. Fiquei curioso com aquilo, até que ele me explicou que, toda noite de São João, é bom queimar as roupas de baixo, já imprestáveis, pra viver até a próxima noite de São João. Taí, aprendi mais uma das chamadas “simpatias juninas” e quase fui tirar a minha cueca para queimar naquela fogueira. Só não fiz porque a que eu usava na hora era quase nova e não havia mais tempo, porque o fogaréu já estava alto. Mas, de agora em diante, nunca mais vou deixar de queimar cueca velha na fogueira de São João. Faço qualquer negócio para viver muito tempo. Dá um trabalho danado, mas, que é bom é...
Depois que as fogueiras começam a queimar, o forró rola solto pelos quatro cantos da cidade. Tem quadrilhas desfilando pelas ruas, sanfoneiros acompanhados de zabumbeiros e trianguleiros (inventei esta palavra agorinha) e o povão dançando sem parar, até o sol raiar, como aconteceu na casa de um político amigo, genro de Plinio, que patrocinou uma festança de empenar. Apareceu, até, um pelotão de bacamarteiros que deram um montão de tiros de festim, saudando os donos da casa, as autoridades presentes – tinha um magote – os convidados e São João, é claro. Fiquei com meus zovidos zunindo inté de manhã. O sanfoneiro era dos bons. O vinho era de qualidade, a comida nem se fala e o clima ajudava. A cidade tem alguma altitude, fica metida numa mata úmida e a temperatura se torna convidativa para usar um abrigo, tirado do baú.
Sem dúvidas, um São João bonito, em Bonito.


NOTA: Fotos do Blogueiro: As caipiras de Bonito, Plinio queimando a fogueira e o camandante bacamarteiro.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

APAGANDO A HISTÓRIA

A gente anda pelo mundo afora e o que pode observar, em muitos países, é o cuidado que se tem e a seriedade para com o patrimônio histórico. Dá gosto de ver monumentos de centenas e centenas de anos. Objetos pré-históricos, monumentos arquitetônicos deslumbrantes, tudo cuidadosamente preservado e testemunhando a história das civilizações. Sinto imenso prazer em circular pelas seculares ruas, praças e igrejas de Roma, pelas ruínas do Fórum Romano, do velho Coliseu e outras arenas (ver imagem a seguir) que os romanos construíram Europa adentro. Encantei-me com os monumentos milenares que visitei no Japão ou as obras de arte pré-colombianas de alguns países latino-americanos, como Machu-Pichu, no Peru. Enfim, há uma infinidade de patrimônios da humanidade que são preservados e cuidados como jóias, que são.
Falo disto, para manifestar minha tristeza ao ouvir falar no desabamento, em fevereiro passado, de uma igreja secular de Olinda, a de São João Batista dos Militares (ver foto), por falta de cuidados dos responsáveis e do desleixo do Patrimônio Histórico do Estado, que, mesmo avisado da possibilidade do desastre, não adotou providencias cabíveis. Falta de dinheiro, talvez. A razão não se sabe bem qual foi. Só sei que o patrimônio foi deteriorado... será que pode ser restaurado à altura da sua importância e valor histórico? Isto é o que ninguém pode garantir. Segundo li num jornal do Recife, desta semana, o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, de Pernambuco, vai fazer um escoramento, acredito que seja um remendo, para que a coisa não se acabe de vez.
Para quem sabe dar importância a cada monumento, é de fazer chorar o que se assiste neste país. Para isto, não existe orçamento. E os tubarões de Brasília se refastelando. Revoltante. E os patrocínios das empresas privadas? E os governos locais, por onde passam? Ah! Faltam sensibilidade e interesse pela história nacional.
Ideal seria que houvesse um programa de manutenção das obras de arte, no país inteiro, numa ação preventiva e não corretiva esperando uma deterioração ou desabamento para que se faça uma recuperação, muitas vezes agredindo o patrimônio e nunca chegando ao que se tinha originalmente.
Assim como a igreja de São João Batista dos Militares, outras igrejas de Olinda clamam por manutenção ou restauração, sem que seus clamores sejam ouvidos. Segundo um artesão de Olinda, várias dessas igrejas estão sendo devoradas por cupins. Não é uma lástima? Alguns olindenses dizem que, por lá, será preciso uma descupinização geral da Colina Histórica e seus arredores. É uma praga que põe em risco a história de Pernambuco, sem que as autoridades competentes enxerguem.
Tem mais: essa coisa não é diferente no Recife. Circulando pela cidade, principalmente pelos bairros mais tradicionais, entre os quais o Recife Antigo, Santo Antonio, São José e da Boa Vista, o que mais se vê são os prédios e casarões seculares abandonados, em ruínas, ou então remodelados com traços modernosos de assustar qualquer observador mais cuidadoso. Forma equivocada que, para muitos, parece ser correta de manter a história.
Do jeito que a coisa vai, lamentavelmente, estão destruindo um patrimônio histórico da humanidade e do Brasil. Apagando a nossa história. Salvemos Olinda e Recife! Denuncie as agressões.
Este artigo já estava concluído quando tomei conhecimento pelo Jornal do Commércio, do Recife, de hoje (17.06), da depredação que vândalos drogados estão fazendo no histórico prédio onde, até bem pouco, funcionava a Bolsa de Valores de Pernambuco e Paraíba, na Praça do Marco Zero (Ver foto acima). A Caixa Econômica adquiriu o imóvel para instalar um Centro Cultural. Ótimo, mas, não teve o cuidado de contratar uma vigilância até que as obras comecem, só Deus sabe quando. Resultado é que populares arrancam peças de metal e componentes da construção, vendem aos sucateiros e, com o apurado, “investem” em drogas. Por isso, concluo, outra vez: estão apagando nossa historia.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Chutes Milionários

O jogador Kaká (Foto ao lado) da seleção brasileira foi vendido esta semana, pelo Milan ao Real Madrid, pela astronômica soma de, aproximadamente, R$ 180,0 Milhões. Logo em seguida, dois dias depois, o português Cristiano Ronaldo – atual melhor do mundo – foi comprado do Manchester United, pelo mesmo clube espanhol por uma soma maior ainda, de R$ 256,0 milhões. O português, segundo noticia a imprensa, comemorou tomando R$ 39,0 Mil de Champagne! Não é incrível? Como pode um mundo em crise econômica e um país, no caso a Espanha, um dos mais afetadas pela debaque financeira na Europa, assistir um negócio desses. O futebol é, definitivamente, um dos maiores negócios do mundo.
Fico impressionado com as fabulosas somas que envolvem essas transações, os salários milionários que são pagos – Ronaldo ganha R$ 1,13 Milhão, por mês, no Corinthias – além de tudo quanto gira em torno dos campeonatos locais, internacionais e mundial. São patrocínios estratosféricos, preços dos ingressos e renda dos mesmos, publicidade, transmissões de radio e TV em tempo real, logísticas diversas, vestuário esportivo com grifes milionárias e outras miudezas, nem sempre miúdas! Um negócio multifário e de proporções ilimitadas.
Esta semana, aqui em Pernambuco, o movimento futebolístico foi de puro frisson, em face dos preparativos e movimentos que antecederam a partida entre Brasil e Paraguai, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, que resultou na vitória brasileira e, antes um pouco, a escolha de Pernambuco como uma das sedes para o mundial de 2014. Rolou muita grana. Os informais se lavaram. Os formais nem se fala... Muitos negócios foram feitos e outros muitos ficaram garantidos.
Venho mais atento a tudo isto, desde o momento em que comecei a acompanhar a recente participação do Sport Clube do Recife, na Copa Libertadores da América. Como comentei noutra ocasião, influenciado pelo meu filho mais novo – ligado no futebol e no Sport Recife – fui longe para assistir uma das partidas, em Santiago do Chile, contra o time chileno do Colo-Colo. Para minha imensa surpresa, não estávamos sozinhos. Eram muitos os pernambucanos, próximo a dois mil, que se deslocaram até a capital chilena com o mesmo objetivo.
Ora, gente, isto não se faz de qualquer forma. Tiro por mim... Pelo contrário, envolve investimento num imenso esquema de logística que resulta numa significativa soma de dinheiro circulando, para a alegria das companhias aéreas, hotéis, restaurantes, transportes locais, ingressos para o jogo, operadores de turismo, e, finalmente, um interminável número de agentes das mais diversas competências. Os chilenos, neste caso, exultavam com a chegada ou passagem dos torcedores rubro-negros do Recife. “Foi um movimento inesperado!”, afirmou um dono de restaurante, no Mercado Central de Santiago. E isto, fruto, apenas, de uma única partida de futebol.
Imagino o que poderá ocorrer, no Brasil, durante a realização da Copa do Mundo de 2014. O país vai receber, certamente, uma enorme massa de torcedores, das mais variadas bandeiras e vai cair de cheio nas pautas dos principais meios de comunicação do mundo. Isto é muito bom, é claro. Divulga o país. Fomenta o turismo.
Aqui, aliás, o governo estadual anda dizendo que a Copa já começou com o referido jogo contra a seleção paraguaia e a definição de Pernambuco como uma das sedes do campeonato de 2014. O dinheiro que promete aplicar é de montante expressivo, pois estão programados milhões a serem aplicados na construção da cidade da Copa, no município de São Lourenço da Mata, próximo a capital pernambucana. Trata-se, a meu ver, de uma iniciativa audaciosa, embora que vá gerar muitos empregos, desde já, até a realização do certame. Tomara que as coisas aconteçam como planejadas e que traga bons resultados. Tomara, também, que venham seleções de países ricos para dividir seus Euros e Dólares conosco. Afinal, negócio é negócio! E, em se tratando de futebol, temos mais é que aplaudir os chutes milionários. Que jeito? Que venham as estrelas dos gramados.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Roda Viva da Vida

Esta semana começou com a triste notícia do desaparecimento na costa brasileira de um avião da Air France, na rota Rio de Janeiro-Paris, levando 228 passageiros. Uma segunda feira negra para a aviação civil. Um choque para o mundo inteiro. Principalmente para quem, como eu, viaja com certa freqüência, várias vezes nessa rota. Já se vão cinco dias e poucas são as conclusões a respeito das causas do infausto acidente. Pessoas envolvidas no caso e nas discussões, no Brasil, França e outros pontos, levantam as mais diferentes hipóteses, sem que se chegue a uma explicação plausível. Piloto, fabricantes da aeronave e empresa aérea, ficam sob suspeitas, além da hipótese de um atentado. A caixa preta, testemunha tecnológica importante do acidente, dificilmente será pescada das profundezas atlânticas, segundo opinam os especialistas e autoridades. Pura perplexidade.
No final das contas, e o que é mais lamentável, é que vidas foram interrompidas quando, certamente, alimentavam projetos e esperanças de viver por muito tempo. Cientistas, artistas, comerciantes, profissionais graduados de diversas áreas, crianças, casais em inicio de vida conjugal, casais maduros em viagem de comemorações, enfim, uma aeronave recheada de vida. Muitas vidas, liquidadas em poucos minutos.
Numa hora dessas, fico intrigado com essa coisa chamada destino, que eu acredito. O que me reserva o futuro? Como será o meu amanhã? É a primeira coisa que me ocorre pensar. E, quase sempre, chego à conclusão de que viver é, na prática, uma aventura de alto risco. Indiscutivelmente, uma deliciosa aventura. Mas, de alto risco. Certas horas, se o sujeito se acabrunhar e pensar demais, corre o risco de não viver, o que é um desperdício, vamos e venhamos.
Pensando direitinho, este mundo é muito surpreendente e, de certo modo, cheio de artimanhas.
Há quase um ano, estávamos às voltas por enfrentar as agruras de uma crise econômico-financeira de proporções inimagináveis e que ameaçava arrasar, em pouco tempo, os mercados e empobrecer as sociedades, sem qualquer distinção. Houve pânico, desemprego, quebradeira, fome, o diabo a quatro. Autoridades dos quatro cantos do planeta, “engolindo sapos e lagartos”, se virando de qualquer jeito, promoveram ajustes daqui e d´acolá, diante de muito choro e ranger de dentes, para que as coisas tomassem novos rumos de equilíbrio e que, parece, começa acontecer neste final de semestre. A economia começa a dar sinais de reação. Tenho ouvido, com muita freqüência, de sabichões comentaristas econômicos, que a crise acabou. Tomara. Aqui no Brasil, pelo menos, percebo que as coisas começam a sinalizar com mais fôlego. Espero não estar enganado. Tomara, também, que o mesmo venha acontecer pelas bandas do Hemisfério Norte.
Agora, tem uma coisa: analisando bem, essa crise que, durante bom tempo, foi assunto constante nas manchetes e matéria dos jornais do mundo inteiro só saiu do topo das pautas para dar lugar a outro assunto também palpitante, que foi o surgimento da gripe suína. Foi ou não foi? Foi um Deus nos acuda. Estimaram que uma em cada três pessoas do mundo seria atacada pelo vírus. Anunciaram, sem a menor cerimônia, uma pandemia, um verdadeiro caos. Compararam-na com a devastadora gripe espanhola, do inicio do século passado. O México, onde a moléstia eclodiu ficou na berlinda. Durante alguns dias, era o último e pior lugar do Universo. Por lá o mundo parou. Fechou-se o tempo. Nem escola, nem comércio, cerimônias religiosas ou divertimentos. Funcionavam, somente, os hospitais, o que era logicamente compreensível. Parou tudo, mesmo. Acompanhei a coisa, por intermédio de amigos que tenho por lá. Na semana passada, tive a curiosidade de investigar o que de fato restou daquela situação inicial de pânico. “no es tan peligrosa como primero se dijo. La situación está totalmente controlada, gracias a las medidas que se tomaron, aunque a la gente no le gustó, pero fué admirablemente disciplinada la ciudad de México. Hablamos de más de 25 millones de personas. Ya se levantó totalmente la contingência”, explicou minha amiga Susana González, moradora da Cidade do México. No Brasil os casos de pessoas afetadas são em números mínimos, diante da população do país, e tudo está sob controle. Fala-se muito pouco sobre o assunto. Do jeito que vai, acredito, logo estará esquecida. Aliás, esta gripe suína, me faz lembrar uma outra – a aviária – que, lá pelos idos de 2005-06, ameaçava dizimar meio mundo. Eu não conheço ninguém que tenha contraído este vírus da aviária.
Muito bem. E amanhã? Ah! Amanhã o assunto será outro completamente diferente... Até porque, a mídia, que presta um serviço importante, está de olho em tudo, embora, quase sempre, carregue nas tintas. Cá prá nós, deita e rola.
Enquanto isto, uma pergunta que não cala: e o meu destino? E o seu? Você acredita? Por mim, fica por conta da roda do tempo. O Senhor Tempo, que regula nossas vidas. Como diz Chico Buarque, isto tudo é mesmo uma Roda Viva.
Boa sorte, caro leitor ou leitora!

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 31 de maio de 2009

Onde se vive bem?

A última postagem que fiz, falando de São Paulo, suas mazelas e virtudes, rendeu-me uma serie de comentários, no próprio Blog ou em encontros pessoais. Muitos não entendem como posso gostar de uma cidade tão poluído, tão cara e tão insegura.
Minhas explicações foram, de algum modo, rechaçadas veementemente. “Prefiro Recife, cidade pequena, porém decente...” alguém comentou.
No tocante à insegurança, afirmei sentir mais tranquilidade circulando em São Paulo e no Rio, porque este problema nessas duas cidades tem endereços certos (de modo geral nas periferias e favelas dominadas pelo tráfico de drogas), enquanto que no Recife parece ser em qualquer lugar. Digamos que sei por onde andar nessas duas cidades em questão. Já no Recife, infelizmente, ando, por todo lado, sobressaltado. Quem acompanha este Blog, deve lembrar os relatos que fiz, entre outros, sobre os ousados assaltos na porta do meu prédio, em pleno bairro dos Aflitos. Atualmente, a vizinhança anda literalmente aflita e entrando apressada nas garagens, antes que apareça um assaltante. Resultado: somos integrantes de uma comunidade de aflitos, quem sabe para fazer jus ao nome do bairro. A policia faz rondas e plantões na região, mas, tolo é quem confia...
Tenho amigos que optaram viver no bairro de Aldeia, Camarajibe, região metropolitana do Recife, mas que já relatam casos de assaltos. Estamos sem opção.
Mas, afinal, onde se vive bem? O mundo está muito difícil. Eu disse o mundo, não foi o Brasil. O processo de urbanização, a vontade de viver com as vantagens do progresso, muito mais fáceis nas grandes cidades, as dificuldades de abrigar os imensos contingentes populacionais que migram do campo para as urbi, de países pobres para ricos, transformam o planeta num caldeirão de infinitos conflitos sociais e guerras. Tanto faz aqui, como ali ou acolá. Poucas são as ilhas de tranqüilidade.
As reações dos leitores e amigos, junto com novas reflexões, induziram-me perambular pela internet na busca de informações para compor esta postagem. No InterJornal, da PRNewswire (http://www.interjornal.com.br/) encontrei uma matéria interessantíssima: um estudo do Instituto Legatum (http://www.li.com/) publicado em Nova York, em novembro passado, dá conta dos resultados de uma pesquisa, envolvendo 104 países, classificando-os com base num certo IPG - Índice de Prosperidade Global 2008, calculando segundo o modo que esses países fomentam o crescimento econômico e o bem estar das pessoas. Brasil e México saíram empatados na 43ª. Posição, abaixo do Chile, que veio em 27º. lugar – o melhor classificado entre os latino-americanos –, da Argentina, em 31º., Uruguai no 36º. e Costa Rica classificada na 38ª. posição. Ainda no âmbito da América Latina, tive a curiosidade de conferir a situação da Venezuela que, apesar de Hugo Chaves, veio no 58º. lugar e a Colômbia que saiu no 61º posto. Outros países da América Latina como Nicarágua, Equador e Bolívia, só fui encontrar entre os piores classificados (quartil inferior) devido aos seus governos ineficientes, baixos níveis de educação, altamente dependentes de ajuda externa, desemprego crônico e baixas expectativas de vida.
Uma coisa admirável desse IPG é que considera, além do sucesso econômico, outros aspectos interessantes como fortes laços familiares e comunitários, liberdade política e religiosa, educação e oportunidade e, por fim, ambiente saudável. Numa referência maior o Índice “constata que as pessoas e os governos têm um papel na promoção da prosperidade nacional”. Alan McCormick, diretor do Legatum observou que “o índice revela que os governos sozinhos não podem determinar a prosperidade, mas podem fomentar um ambiente que encoraje a prosperidade através da redução da dependência de ajudas e na implementação de políticas inteligentes que permitam aos cidadãos viver de maneira produtiva. Os cidadãos são responsáveis por aproveitar as oportunidades que acompanham o aumento da liberdade e privilégios”.
Naturalmente que conferi, também, o ranking na sua parte superior. A Austrália é a ilha da prosperidade e da tranqüilidade que qualquer um deseja. É o país campeão dessa corrida. Lá existe progresso, liberdade e bem-estar social. Depois dela vêm Áustria e Finlândia. O Japão, país que tenho especial admiração e conheço bem, vem, para minha surpresa, somente em 13º. lugar, seguido pela França, Canadá, Noruega, Reino Unido e Bélgica, empatados no 14º. Os Estados Unidos ficou classificado na 4ª. posição. Os piores situados foram Zâmbia, Mali e Iêmen, este o último colocado. Ah! A serena e sempre neutra Suíça é a 7ª. Interessante é que minha filha mora em Sydney (vide foto acima), na Austrália, é casada com um australiano, e me conta maravilhas de viver por lá. Vive dando graças a Deus pelo clima de segurança, progresso e oportunidades para todos. Saiu daqui e, em menos de um mês, conseguiu um bom emprego. O marido dela passou um ano e meio entre nós, não conseguiu espaço no mercado de trabalho, por ser estrangeiro, foi assaltado em frente de casa, arrumou as malas, pegou a esposa pelo braço e “picou a mula”. Vivo tranqüilo com a felicidade deles. E, agora, não vejo a hora de levantar vôo para ir conferir esse paraíso. Danado é que, já antevejo a vontade que vou ter de ficar por lá... Quem não quer viver num lugar seguro? Mas, eu volto! Sou brasileiro, até no nome, e aqui é meu lugar.
NOTA: Foto obtido no Google Imagens

domingo, 24 de maio de 2009

São Paulo: um Exercício de Paciência

Viver numa megalópole é um desafio... muitas vezes prazerosos e, por vezes, desgastantes. Digo sempre que sou um urbanóide confesso. Gosto das grandes cidades. Talvez, porque acho bom circular como uma figura comum e não ser reconhecido. Faço, com prazer, longas caminhadas e procuro sempre observar o comportamento da gente, do transito e da cultura em geral.
Talvez por isso, ao contrário de muita gente, eu gosto muito de ir a São Paulo, a maior metrópole brasileira. Acabo de regressar de mais uma dessas visitas, que me tomou cinco dias dessa semana que termina.
Comecei falando de desafio, prazer e desgastes. É isso mesmo. Viver São Paulo é um pouco de cada uma dessas coisas. É preciso saber viver cada situação. É o tipo de cidade que você gosta ou desgosta. Não cabe um meio termo. Eu, simplesmente, gosto.
Cada vez parece ser uma vez diferente. A cidade instiga o visitante para que olhe sempre por um novo prisma, um novo ângulo, uma nova imagem, que, aliás, sempre aparece. Nesses cinco dias observei coisas bem comuns na vida do paulistano, senão vejamos.A primeira coisa que me ocorre comentar é o desafio do trânsito. Perde-se muito tempo nos deslocamentos urbanos. Esses dias, acho que na sexta-feira, sintonizei uma estação de radio que transmite um tal de radar do transito, para conferir a situação e saber dos pontos críticos e dos engarrafamentos da hora, que chegavam a marca dos 160 km., por todos os lados da capital. Bendito radar, porque orientado por ele, fugi de alguns trechos críticos e consegui chegar a tempo num compromisso.
Vencido o desafio do transito, outra cena interessante testemunhei num estabelecimento industrial que visitei, nos arredores da cidade, à margem de uma rodovia importante. A visita havia sido agendada previamente por um amigo, que acompanhei – cliente da empresa – com o diretor principal da fábrica. Fomos muito bem recebidos, com direito a brinde de luxo na saída, mas, uma coisa deixou-me surpreso: durante 40 minutos conversamos, sem que ele fizesse a gentileza de convidar para uma mesa. De pé, na entrada do seu gabinete, numa boa. Desenvolveram-se inúmeros temas, inclusive de negócios. Ambas as partes mostravam-se interessadas em cada ponto discutido e o clima era de perfeito entrosamento. Lá pelas tantas, quando algumas coisas pareciam estar acertadas, o dito diretor convidou-nos para um café. De pé, claro! Depois do cafezinho esperto, fomos convidados a fazer um tour pelo chão da fábrica. E, aí então é que não tínhamos, mesmo, de nos sentar. O estabelecimento é novíssimo. Uma beleza de instalações. Deu gosto de ver. Lindíssimo. No final de visita, guiada por um outro diretor, passamos por uma ala com oito salas de reunião! Moderníssimas, equipadíssimas e confortaveíssimas! Quase não acreditei que havia salas de reunião por ali. Moral do episódio: paulista não perde tempo com reuniões cheias de trololós infindáveis. Conversa comprida, nunca. Com ele é pei-pei ou buft-buft. Por isso, se diz que São Paulo anda correndo e nunca pára! Quando voltei para o carro, achei ótimo sentar... um alivio.
O dia de trabalho termina e, outra vez, o transito vira um caos. Não fosse o radar da estação de rádio, outra vez também, e não sabíamos a razão de tantos engarrafamentos. Ao volante do meu veiculo locado, espero, espero, espero... o transito fluir. Meu amigo no assento ao lado, cansa, dorme, ronca e acorda assustado com o próprio ronco. Meio dormido, meio que acordado, pergunta: “onde estamos? que foi que aconteceu? o que é isto?” Minha resposta: “É São Paulo, meu caro! Durma”. É preciso paciência. Se estiver de carona, sente sono, mesmo. Como há sempre uma novidade pela frente, eis que surge um vendedor, em meio a muitos outros, oferecendo pipocas, vestindo uma camisa do Sport Club do Recife. Abro a janela, olho bem nele, ele corre e vai me dizendo que está fresquinha e crocante, “somente R$ 1,00, Doutor”. Minha resposta é com o grito de guerra do casá, casá, a turma é mesmo boa... Ele logo entendeu que estava diante de um pernambucano. Vibrante me disse que era rubro-negro até a alma, recifense, fugido da Favela do Rato, tentando vencer no frio da São Paulo e escapando da policia que, a toda hora, dá carreiras nos ambulantes da Avenida Tiradentes. Vida de imigrante nordestino... São muitos por lá.
A noite cai, o clima fica bem agradável, na casa dos 17ºC, e chega a hora de procurar uma restaurante para jantar. É o que não falta e só dá dos bons. Como o restaurante escolhido está em São Paulo, tem fila de espera. Outro exercício de paciência. “Os senhores vão esperar pelo menos meia hora. Aguardem ali, no bar. Aproveitem tomem um aperitivo” disse a recepcionista, com maior tranquilidade. Meia hora, não é nada.
A gente espera... a gente observa... a gente degusta um bom prato e a gente faz negócios. Ah! a gente, também, compra, a preços bons, de um tudo que deseja consumir. São Paulo é o paraíso das compras. Adoro São Paulo.
Visite São Paulo. Mas, vá com boa vontade e paciência. Faça este exercício. E, cá pra nós, leve dinheiro, viu!
Nota: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 16 de maio de 2009

COMEMORANDO O INCABÍVEL

Eu já havia iniciado um comentário critico sobre a situação da violência urbana no Recife, quando notei que, na mesma ocasião, festejavam os dois anos do programa Pacto pela Vida, do Governo estadual. Isto foi no inicio desta semana. Propaganda em jornais, sessão especial na Assembléia Legislativa do estado e outras comemorações mais.
Surpreso com um “foguetório” incabível, fui buscar explicações nas matérias e estatísticas publicadas.
Lembrando que Recife já foi “eleita”, poucos anos atrás, a cidade mais violenta do Brasil, a primeira coisa que me ocorreu foi passar pela Rua Joaquim Nabuco, bairro das Graças, no Recife, e conferir o contador de homicídios – imenso painel luminoso que informa, sem pena e de forma constrangedora, o número de assassinatos cometidos no estado de Pernambuco, no ano, mês, semana e dia – maneira estranha, fria e chocante de chamar a atenção publica para um dos mais aberrantes problemas sociais do Recife, Pernambuco e do Brasil. Aquela contagem lá, não pára de crescer. Observo-o sempre de modo incrédulo.

Por outro lado, descobri um dado estarrecedor: no primeiro trimestre deste ano foram cometidos 1.238 assassinatos, em Pernambuco. E, veja bem, são dados da Secretaria de Defesa Social do Estado. Isto representa quase 5% a mais do que o mesmo período, no ano de 2006. O mesmo informe dá conta que o mês passado foi o mais violento do ano com 473 execuções. E o Governo que aí está garante que a coisa está melhorando e que a situação é bem melhor do que a do governo passado. Futricas políticas. Sei não... Deus que me livre, e a minha família, de uma dessas tragédias.
Fruto de uma impunidade desmedida, os assassinatos são cometidos a toda hora, em todos os espaços e sem ter nem para quê. Dolorosa situação para uma sociedade que, cada vez mais, prefere viver “aprisionada” em casa, temendo sair com qualquer que seja o propósito, temendo não retornar. Hoje em dia, sair à noite é, para mim, um dos maiores sacrifício. Tenho medo, sim.
Na prática nossa policia tem se revelado incapaz, insuficiente e, particularmente, incompetente. Os investimentos, que dizem são feitos, parecem ser sempre insuficientes e não conseguem mudar a situação. É uma calamidade. Assaltos são cometidos a toda hora, muitos são latrocínios, assassinatos nos âmbitos domésticos e sem motivos concretos, estupros seguidos de assassinatos, infanticídios bárbaros, enfim uma violência desmedida e crescente. É verdade que se trata de um problema nacional, mas no Recife o problema aparenta ser insolúvel. É demais.
Por tudo isso, acho um desplante desse Governo promover uma comemoração dos dois anos de sucesso do citado programa. Melhor seria calar. Para que comemorar em Palácio, se na praça a violência impera?
Minhas criticas poderiam ter ficado por aqui. Mas, acontece que duas coisas me surpreenderam e abalaram no decorrer da semana. Merecem ser registradas, para ilustrar minha revolta. A primeira, aconteceu no auge das comemorações do Pacto, foi o bárbaro assassinato do jovem Igor Siqueira Duque, em pleno meio dia, numa das avenidas mais movimentada da cidade. Jovem de 28 anos, cheio de vida e projetos, ex-colega do meu filho, na escola secundária. Igor voltava do trabalho para casa e, a menos de 500 metros do seu destino, teve a vida roubada com uma bala mortífera no pescoço. Os assassinos fugiram e só Deus sabe o paradeiro. Dizem que a policia anda no encalço dos dois. Como o rapaz era filho de uma juíza de Direito, pode ser que a coisa tenha resultado. Foi uma coisa muito triste e muito próxima de nós. Para mim, que tenho um filho na faixa etário de Igor, é um verdadeiro sufoco ver meu filho sair de casa para trabalhar, se divertir ou qualquer outra coisa. Peço a Deus que o proteja e louvo-O quando o vejo de volta.
A outra coisa que me deixou revoltado, desanimado e profundamente decepcionado foi a matéria de ontem do jornal britânico The Independent, denunciando a matança de seres humanos no Recife. Isto é péssimo! Para mim que tenho orgulho de falar sobre as belezas e atrativos turísticos do meu estado e da minha cidade, nas minhas andanças mundo afora, foi como uma ducha bem gelada. Estremeci e enchi-me de tristeza. O jornalista Evan Williams chamou o Recife de “capital brasileira dos assassinatos”. O repórter passou pelo Recife, impressionou-se com a situação local e destacou no jornal londrino o número absurdo de assassinatos, o perfil das vitimas e, o pior, a participação de frios policiais em grupos de extermínios. É de lascar... Ah! Fez, também, um registro para o estranho painel, no meio da cidade, que indica o número de assassinatos, por freqüências.
Meus amigos, sinceramente, é certo comemorar esse tal de Pacto pela Vida, no meio de tantas barbaridades? Melhor seria trabalhar em silencio e não gastar dinheiro publico com propaganda enganosa, incluindo participação de ator global. Pobre Recife...
Nota: Foto obtida no Google Imagens

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Attenzione, i brasiliani sono prossimi!

Com pouco mais de vinte anos de idade fui, pela primeira vez, à Europa. Em Florença, na Itália, assisti a uma cena inesquecível: integrante de um grupo grande de brasileiros, em excursão pelo Velho Mundo, ao entrarmos no famoso Mercado da Palha, local de grande atração turística, houve como um corre-corre dos comerciantes. Ouvi claramente de uma velhota: Attenzione, i brasiliani sono prossimi! Traduzindo: Atenção, os brasileiros estão chegando! Surpreso com aquele vexame, perguntei ao Senhor Barros, nosso guia português, a razão daquela coisa. A resposta: “Muitos brasileiros que visitam este mercado roubam mercadorias dos comerciantes”. Aquilo foi como um soco na boca do meu estômago. Todas as vezes que voltei por lá, lembro desse episódio. Digamos que, virou trauma.
Esta é uma das coisas que jamais compreenderei. Fico muito incomodado com essa fama de ladrão do brasileiro. É impressionante. Que DNA mais desgraçado!
O tempo passou e, de fato, as coisas, a meu ver, não mudam. Em pleno século 21, o Brasil assiste, diariamente, ao vivo e a cores da TV, o progresso da gatunagem. E parece que agora está como nunca. Ou mais divulgado, talvez. A toda hora, aparecem ladrões vindos de todas as classes sociais. Com gravatas, sem gravatas, sem camisa ou vestido, homem, mulher, crianças, cínicos, disfarçados, tranqüilos e serenos, como se nada houvessem feito.
Pior é que o modelo maior está lá em cima. Misturado com os três poderes! Haja vista para episódios como mensalão, sangue-suga, farra de passagens aéreas, operações satiagraha e castelo de areia, dólares na cueca, depósitos nos paraísos fiscais, caixa 2, superfaturamento de obras, propinas, tocos, saldo de campanha, além dos “fichinhas” que são os assaltos a bancos e ao cidadão indefeso, roubos pela internet, seqüestros, batedor de carteira e muitas outras modalidades. Todo dia aparece uma nova. A zorra é tão grande que já tem ladrão roubando ladrão, que corre na Policia para registrar um BO e é “convidado a ser hóspede” lá mesmo, atrás das grades.

Francamente, é uma lástima viver num ambiente desse. A coisa parece que está, mesmo, no sangue. Facilitou, o sujeito é roubado. A coisa já, digamos, ficou banal!
Outro dia, minha empregada, há dez anos, toda confiante enquanto servindo meu café da manhã, teve a petulância de declarar que “acha bonito o pobre roubar do mais rico”. Dei um pulo na cadeira, passei-lhe um especial e ameacei demiti-la. Ela ficou sem jeito, gaguejou, pulou de um lado pra outro e tentou se “explicar melhor”. Não adiantou, a besteira havia sido cometida. Não demiti, mas ando com a “pulga atrás da orelha!” Coçaaaaando...
Mesmo saturado, habituado e cansado de acompanhar a bandalheira do patropi, fiquei pasmo com o noticiário de ontem, sobre as fraudes no Bolsa-Família. Foi demais... Imagine que, como se não bastasse o fato de que o Governo venha consolidando uma sociedade paternalista, quando “dá o peixe, ao invés de ensinar a pescar”, o Programa de Combate à Pobreza anda alimentando – como pobres necessitados – um bando de ladrões, nos quatro cantos do país. Ficou provado em auditoria. Uma vergooooonha.
O Tribunal de Contas da União publicou, ontem, um relatório que traça o perfil da indecência do brasileiro comum. Uma verdadeira praga! Os benefícios do Bolsa-Familia foram pagos a 577 políticos eleitos nas eleições de 2004 e 2006, fora mais 39.937 suplentes; 3.791 mortos; 106.329 proprietários de automóveis, caminhões, tratores ou motos e mais de 1 Milhão de famílias com renda acima do permitido. Resultado é que 312.021 famílias estão recebendo ilegalmente recursos do Programa, dando um prejuízo mensal, aos cofres da União, no montante de 26,5 Milhões de Reais. Não é um abuso? Abuso não, é uma tragédia. E pensar que somos nós, os contribuintes idiotas, que pagamos essa pouca vergonha, é de matar do coração.
Tem jeito não. Eu cresci vendo meu pai reclamar da ladroeira que assolava o país. Ele me dizia que não alcançaria o país de vergonha que sonhava. Ficava para a minha geração... Coitado, que ilusão! Eu não tenho esperança nem para os tempos dos meus netos. Do jeito que a coisa vai, a farra vai, ainda, muito longe.
Nossa fama, no Mercado da Palha de Florença, dificilmente vai se apagar. Passará de geração à geração de comerciantes. Curioso foi que, em 2005, visitando o mesmo Mercado, junto com minha esposa, tomamos conhecimento, por um comerciante ítalo-brasileiro local, do episódio do ladrão político preso no aeroporto de São Paulo, com os dólares na cueca. Aquilo foi demais, para mim. Diga mesmo, não foi uma ironia?
NOTA: Charge obtida no Google Imagens

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quem vê cara, não vê coração. Nem voz...

Ela entrou no palco toda desengonçada. Pelo andar parecia que usava um par de sapatos apertados, cabelo desgrenhado, vestido démodé e, para completar, bem feiosa, se comparada aos padrões de beleza vigentes.
Na entrevista de praxe, foi descontraída com os jurados e, em poucos instantes, mostrou-se, praticamente, como sendo uma figura meio alienada. Teve a tranqüilidade de confessar a idade de 47 anos e, incrível e sem necessidade, declarou que nunca havia sido beijada. Uma graça.
O público não lhe dava crédito e levava a coisa em meio a uma pândega. O júri, este, cumprindo seu papel, parecia que fazia uma caridade.
Diante de uma platéia imensa e certa de que seria apenas mais uma calouro inexpressiva, a britânica Susan Boyle teve sua chance de dizer porque encarou aquele desafio, de um dos mais importantes, quiçá o mais importante, programas de calouros do mundo.
Autorizada a cantar, a mulher feia e sem charme, abalou! Aos primeiros instantes de interpretação a platéia parou, o júri caiu na real e uma belíssima voz se revelava ao mundo da música. O auditório “desabou” em aplausos e o júri ficou atônito.
Susan é escocesa e se tornou uma celebridade mundial em 11 de abril passado no reality show Britain’s Got Talent, cantando “I Dreamed a Dream”, sucesso do musical “Os Miseráveis”.
O choque que ela provocou, com um contraste gritante entre a primeira impressão e a voz que soltou foi, certamente, o maior acontecimento artístico do mundo, em abril de 2009. Inesquecível. A imagem desajeitada, com uma voz sublime correu o mundo em menos de 24 horas. Simon Cowell, um chato de galochas, pernóstico, tipo sabetudo e famoso por seus julgamentos implacáveis, tanto na Inglaterra, quanto nos Estados Unidos, mostrou-se profundamente surpreso com o que via, a ponto de propor rapidinho (ele é uma águia) um contrato de exclusividade com a figura. No projeto de Cowell constam gravações de CDs e filmes. Um filme contando a vida de Susan. Comenta-se que Demi Morre vai viver Susan na tela.
Descobri no Google (ele sabe de tudo!) que ela é a caçula de uma família de dez filhos, que teve dificuldades ao nascer, inclusive falta de oxigênio que casou danos cerebrais, durante o parto. Tida como uma pessoa com dificuldades de aprendizagem, abandou os estudos e foi trabalhar na cozinha de um colégio. Encasquetou a idéia de ser cantora depois de ir aos teatros assistir cantores profissionais. Teve lições de canto com um tal de Fred O’Neil.
Quando o pai de Susan morreu, os irmãos abandonaram a casa, deixando a limitada irmã caçula cuidando da mãe doente, que veio a falecer em 2007. Sozinha, ela vive até hoje na casinha da família, de quatro cômodos. Ela e um gatinho de estimação. No leito de morte, a mãe foi sua maior incentivadora para assumir a carreira de cantora e foi o que influenciou sua inscrição no Britain’s Got Talent.
Susan é uma desempregada e, por isto, não param de surgir oportunidades de ganhar muito dinheiro. Um gaiato, produtor de filmes pornôs, se apressou em oferecer a oportunidade de Susan “unir o útil ao agradável”: participar de um dos seus filmes, no qual seria beijada muitas vezes e, inclusive, perderia a virgindade. Cachê de quase R$ 4 Milhões. Haja dinheiro! Mas, ela não aceitou. Já pensou, perder uma grana preta dessas?
Interessante mesmo foi que, depois de vitoriosa, Susan explodiu com uma declaração curta e correta: “Eu sabia o que eles estavam pensando, mas por que isto me preocuparia se eu sei cantar? Não é um concurso de beleza”.
Quando Susan terminou de cantar, uma jurada do programa, Amanda Holden, foi taxatixa: “Eu estou tão chocada porque todos estavam contra você. Eu vejo que nós fomos arrogantes, e você nos deu a maior lição que precisávamos. Só gostaria de dizer que foi um privilégio escutar você aqui”.
Pois é. O que mais me chama a atenção nisso tudo é o fato de que o mundo não valoriza a beleza interna das pessoas. Só olha para sua aparência externa. Desengonçada e feia, uma pessoa nem sempre tem uma chance. Susan foi uma exceção.
Conheço muitas pessoas, principalmente mulheres, feias e sem charme, que merecem meu respeito e minha amizade porque é nelas onde mais encontro essências e substancias preciosas. Valorizo a “embalagem”, é claro, mas dou muito mais valor no que essas pessoas sacam de dentro dos seus Eus e me oferecem, sem cobranças, por amizade pura, coisa rara neste mundo de concorrências desonestas e selvagens.
Moral da história: “Quem vê cara, não vê coração”. Nem voz!

NOTA: Foto obtido no Google Imagens e não deixe de ver um dos filminho inseridos no Blog. Veja em cima, a direita.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Se correr o bicho pega, se ficar o bispo come!

Tenho acompanhado essa história do bispo/presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que teve de assumir publicamente, semana passada, a paternidade de uma criança de dois anos de idade, fruto de uma aventura amorosa com uma jovem correligionária e, logo a seguir, na última segunda feira, enfrentar a aparição de mais um filhinho, que vivia encoberto e já com seis aninhos. Êita bicho bom de cantada... Acho que na volta dele é: “se correr o bicho pega, se ficar o bispo come”. Bom de papo, bom de cama e de comícios. Derrubou uma oligarquia de 36 anos. É mole...
A situação do Papá Lugo não teria nenhuma repercussão se o cara não fosse um sacerdote, bispo licenciado da Igreja Católica paraguaia e, por cima, o Presidente da República. Nessas circunstancias a coisa é grave e, como não poderia deixar de ser, o bicho pegou o bispo.
Vejam que situação vexatória: o homem é bispo (da Província de San Pedro) e passa ferro na fiel que foi pedir ajuda para solucionar um problema que tinha com o ex-companheiro, do qual havia engravidado e dado à luz a uma menina. Foi em busca de solução e arranjou mais encrenca. O resultado da “conversa” e do “conselho” do pastor foi outro bucho, que desembuchado recebeu o bíblico nome de Lucas. O garoto recebeu assistência financeira de Papá Lugo até que completou os dois anos de idade, quando caiu no esquecimento de papito que, agora, nem atende ao telefone da mãe do garoto e, por conta disso, e vingança pesada da mulher seduzida, se vê em palpos de aranha para explicar ao mundo essa outra travessura de alcova. Ela vive na pobreza, vende detergente caseiro nas portas da periferia de Cuidad del Este, fronteira com Foz do Iguaçu, no Brasil.
É isto aí gente. Estamos diante de mais um, entre os milhares, dos casos de sacerdotes católicos que não conseguem respeitar as regras rígidas do celibato.
Esta história vem de longe. Desde o Século V que a coisa rola, sem que, contudo, tenha sido seguida de maneira rígida. Muitíssimo depois, somente no Século XVI, que no Concílio de Trento (1545-1563) estabeleceu-se definitivamente o celibato sacerdotal obrigatório. Na ocasião a Igreja de Roma teve que tomar atitudes severas para acabar com a gandaia que reinava entre os seus sacerdotes. Descobri nas minhas pesquisas que, antes disso, durante certo Concilio em Costanza(não encontrei a data), na Alemanha, 700 prostitutas foram convocadas para atender sexualmente aos bispos ali reunidos. Assim... naturalmente, sem que houvesse qualquer tipo de restrição ou condenação. Numa nice... Outra coisa que estimulou a decisão de Trento foi a clara intenção de dar uma resposta à recente Reforma Protestante que permitia, e, inclusive, promovia os casamentos dos seus sacerdotes. Quer saber mais? Clique, por exemplo, em: http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/11/120170/ . Vale à pena uma espiada.
O celibato é uma grande hipocrisia e tem sido constantemente combatido e discutido nos concílios ou encontros similares da Igreja Católica, sem que haja algum progresso, não obstante os inúmeros movimentos católicos de renovação em defesa da sua abolição. Bento XVI, o atual papa, já deu seu veredicto sobre o assunto: o celibato é necessário. Que jeito...
O resultado dessa posição radical e retrógrada está explodindo, a cada dia e nos quatro cantos do mundo, através dos Lugos irresponsáveis, por pervertidos sexuais que molestam menores, ou ainda nos escândalos homossexuais intra-muros dos mosteiros e conventos católicos. Incluindo as freirinhas. É. Elas são bem danadinhas, também.
Estudei em colégios dirigidos por padres e irmãos católicos e lembro das figuras que, visivelmente, negavam ao mandamento do celibato. Muitos tiveram a coragem de largar as batinas, casar e constituir famílias. Outros continuavam na “clandestinidade” e outros mais eram homossexuais, cujas peripécias eram comentadas “a boca miúda” pela estudantada fofoqueira e reprimida da época. Pense na fuxicada dos corredores.
Na verdade, deve ser muito difícil para o sacerdote ou uma freira – um ser comum, de carne, osso e sistema nervoso – viver podado dos fortes instintos sexuais. É o tipo da coisa incontrolável. Imagine o seminarista, jovem e indefeso, no explodir dos hormônios da juventude, ver-se obrigado a “segurar a barra”. Coitado... Não tem saída. E o pior: na dúvida e na hora do “pega pra capar” ou dá ou desce. Imagino que deve imperar a lei do mais forte, num tipo de “guerra é guerra...” Uma lástima. Haja hipocrisia.
A meu ver, isso devia ser visto de modo mais atual. A Igreja Católica ganharia muitíssimo com uma mudança dessa regra obsoleta. O mundo mudou e a Igreja congelou!
Seria tão mais fácil flexibilizar aos poucos, restringindo o celibato aos voluntários e, quem sabe, aos aspirantes a cargos mais graduados (cônegos, bispos, arcebispos, cardeais, papa). Quem não tivesse essas aspirações poderia fazer sua vidinha particular, constituir suas famílias e verem-se livres das manobras escusas de alcovas, das condenações e ser um bom sacerdote. Isto reduziria muitíssimo os escândalos de seduções "donjuanescas", pedofilia, homossexualismo, orgias monásticas e qualquer tipo de peripécias sexuais. Como conseqüência positiva, aumentaria as vocações sacerdotais e faria nascer uma Igreja mais humana. E, por esse caminho, Lugo não estaria nessas dificuldades, que já põem em risco sua trajetória política de imenso significado histórico para o Paraguai. Não condeno o bispo. Ele pode ser, até, um mau caráter! Mas foi humano.
Notas: 1. Eu sou católico! 2. A charge foi colhida no Google Imagens

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Uma Questão de Ótica

Estou no meio de uma semana com uma agenda pesada. Quase sem tempo para o Blog, embora que assuntos não faltem. De todo modo, ocorre-me, hoje, comentar uma coisa que acho interessante: o choque de enfoques entre O Caminho das Índias x Quem quer ser milionário?
Algumas ocasiões, quando chego a tempo em casa, acompanhando minha esposa, me posto diante da televisão e assisto ao folhetim das oito, da TV Globo. Fico admirado com a exuberância e qualidade da produção, além de fazer idéia do investimento pesado da emissora, que se revela competente, entre outras coisas, na riqueza do cenário, guarda-roupa e locações deslumbrantes. Os atores são excelentes, embora que sem caras de indianos, salvo a protagonista, que tem biótipo próprio para o caso. Mas, minha bronca maior é que, no final das contas, mostra uma Índia, a meu ver, muito artificial. Quase irreal. A exuberância dos ambientes mostrados e os costumes retratados na novela, segundo alguns críticos, inclusive indianos radicados no Brasil, transmitem imagens de um passado remoto indiano. Parece que a coisa já é bem diferente.
A divisão social em castas, ainda pode existir, principalmente no interior, mas, nas grandes cidades, a sociedade mudou bastante, devido ao desenvolvimento econômico, a integração do país ao mundo globalizado, que, aliás, o coloca entre aqueles que estão prestes a fazer parte do clube das potências econômicas modernas, junto com China, Rússia e Brasil. Os quatro, juntos, formam o denominado bloco econômico do BRIC, uma referencia às iniciais dos nomes destes quatro países.
Por sorte, e para que tenhamos a chance de saber melhor sobre a realidade indiana, chegou às telas dos cinemas brasileiros o filme Quem quer ser milionário?, o qual tive o maior interesse de assistir, recentemente. Premiada com o Oscar de melhor filme, a produção de Bollywood (a Hollywood indiana, situada em Bombay, atual Mumbai) retrata, de modo mais realista, uma Índia atualizada e mais verdadeira.
A Índia é um país rico em tradições, história e cultura milenar e, certamente, o lugar do planeta onde o misticismo é mais intenso. Destino de meio mundo que deseja se purificar e repensar a vida nos inúmeros ashrans (centros de meditação e recolhimento liderado por um guru) (vide foto ao lado)espalhados pelo seu território, sempre rodeados de uma pobreza sem fim e difícil de ser exterminada.
O filme em questão revela uma nação divida e pontilhado de miséria cruel, como cruelmente foi mostrada a pobreza degradante e real existente no Brasil, em filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite e Carandiru.
Faça o caminho das Índias, com Juliana Paes, se encante com a superprodução global, mas não deixe de assistir a luta pela sobrevivência dos personagens Jamal e Latika, no filme indiano, premiado com oito estatuetas do Oscar.
Nota: Fotos do Google Imagens

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Antigamente, era muito diferente...

Antigamente, era muito diferente... a gente já deixava de ir a escola na 4ª. Feira, ninguém trabalhava, o comércio fechava, porque a partir do meio dia, já começava o retiro espiritual da semana santa. Dali em diante até a sexta feira, outro sinal muito efetivo vinha pelas ondas dos rádios – então muito prestigiados – que só colocavam no ar músicas clássicas e que todo mundo chamava de música fúnebre. Fazia-se um silencio no meio do mundo, que chamava a atenção de nós, meninos irrequietos, loucos que passasse aquela época tão monótona. Claro! Não se podia cantar, gritar ou fazer algazarras. Arengar com um irmão, seria um pecado mortal.
Paralelamente, a minha casa era invadida pelo cheiro do pescado e do bacalhau que era consumido durante três dias. Para acompanhar havia o feijão e o arroz de coco, verdadeiras delícias, completados pelo o bredo, ao molho de coco, também. Naquela época eu não era muito fã de peixe. Achava insuportável ter que fazer a abstinência de carnes vermelhas por três dias seguidos. Era um sacrifício.
Certas horas, havia o capitulo de ir à Igreja. Lembro da cerimônia do lava-pés, da celebração relembrando a instituição da eucaristia e da procissão do Senhor morto. Beatas choravam, com o terço na mão e beijavam o Cristo na cruz. Era um clima de puro féretro.

Apesar da austeridade exigida, havia duas coisas bem profanas e divertidas, que terminavam quebrando o clima pesado do retiro: a noite do serra-velho, acho que na 4ª. Feira e a da malhação do Judas, na 6ª. Feira. Não estou muito seguro desses dias. A primeira até hoje não entendi. Escolhiam um cidadão ou uma cidadã de muita idade e, de modo geral, antipatizado pela comunidade e simulavam sua morte. Munidos de um serrote, roçando numa lata velha, produzindo um barulho desagradável, alta madrugada e, na porta da vitima, tratavam de fazer um inventário e “distribuição” dos bens do “morto” entre os promotores da provocação. Tinha nego que ficava tiririca e reagia, muitas vezes, a fogo. Quando a arma cuspia balas, os “herdeiros” corriam com os pés nas costas. Quanto a história do Judas, lembro que escolhiam um cidadão, malquisto pela comunidade, para ser “julgado”, em praça publica, através da figura de um boneco em tamanho natural. Era a maior desfeita. Os promotores da malhação, muitas vezes, conseguiam, nunca se sabe como, algumas peças de roupas do cara, produziam um boneco recheado de trapos e folhas de bananeira (eu ajudei a fazer um) e penduravam num poste, bem debaixo da luz pública. O sujeito quando via aquele boneco com suas próprias roupas, era capaz de se suicidar. No fim da noite o boneco, digo o Judas, era derrubado e surrado aos gritos da cambada. Neste caso, estava claro, que se fazia uma relação com a figura do Judas, o traidor de Cristo.
Quando, finalmente, chegava o sábado havia uma explosão de alegria. As rádios, em vez de musica fúnebre, atacavam de frevos e marchinhas de sucesso do último carnaval. Os clubes sociais promoviam os chamados bailes de aleluia. Era o maior carnaval do mundo, numa única noite. Aleluia, aleluia, Cristo ressuscitou!
Hoje é tudo muito diferente. Católico de nascença, fico meio desconcertado, quando vejo a programação dos dias da semana santa dos meus filhos, dos filhos dos meus amigos e dos próprios amigos. Definitivamente, acabaram com o clima de retiro e respeito à Paixão de Cristo.
No lugar das chamadas músicas fúnebres, a programação das rádios não muda em nada e se ouvem as costumeiras batidas do rock, os pagodes e sambas, ou coisas parecidas. Nas estâncias de férias, promovem-se monumentais festivais de músicas, nos quais a moçada se esbalda e extravasa seus instintos mais obscenos. Pra começar, as bandas, vejam só, levam nomes muito esquisitos, tais como Biquíni Cavadão, Garota Safada e Calcinha Preta, entre outros. Isto não casa com nada de bom senso, principalmente o religioso. Pense pular ao som da banda de Ivete Sangalo, em plena noite da 6ª. Feira Santa. E comer churrasco de picanha no meio da festa! Acontece, sim. Não é um horror? Se minhas avós, por um milagre que fosse, voltassem ao mundo dos vivos, davam uma marcha à ré e, fazendo o sinal da cruz, deitavam e morriam, outra vez. Eu nem choraria. Conformado, entendia que não lhes restava outra coisa.
Não! Não é saudosismo, nem beatice, nem falso moralismo. É desconforto espiritual. Acho que um retirozinho, uma pausa para meditar, pode fazer muito bem a essa juventude inquieta de hoje.

Nota: Fotos do Google Imagens

segunda-feira, 30 de março de 2009

Vamos limpar Boa Viagem

Uma coisa que nunca me convenceu foi o veto à instalação de bares e restaurantes na orla de Boa Viagem – um cartão postal do Recife – que termina sendo uma grande surpresa para o visitante de primeira viagem. Todo mundo que vem ao Recife logo percebe que falta aquilo que, na maioria dos balneários turísticos do Brasil e do mundo, fazem a festa noturna do lugar. Quem não gosta de tomar um chopinho a beira mar de Copacabana? E de Maceió, Fortaleza, João Pessoa ou Aracaju? De Florianópolis e de tantas outras cidades brasileiras? Isto, sem falar nos grandes balneários do exterior, que não são poucos.
Boa Viagem é uma coisa sem graça, à noite. Turista que põe o pé na calçada do Hotel, onde hospedado, olha à direita ou à esquerda e não enxerga nada de atrativo. Contudo, se olhar para frente, pode dar de cara com um bando de farofeiros vendendo espetinho na brasa, regado a cervejas, numa improvisação de bares desordenados, em kombis ou mala de carros, sem a devida assepsia e o pior, tirando o brilho da beleza local.
Tenho acompanhado atentamente a luta que o atual Prefeito da cidade vem travando com esses ambulantes, responsáveis por esse mercado alternativo e, sobretudo, irregular.
Muito bem Senhor Prefeito. Isto não pode mesmo continuar. E tem mais: se não for tomada uma providencia agora e a coisa for deixada de lado, ninguém vai segurar as pontas, no futuro próximo. Principalmente, com essa atual onda de desemprego gerado pela crise econômica.
Eu sei, naturalmente, que se trata de um delicado problema social. Concordo. Mas, é também um problema urbanístico, turístico e de saúde publica. Uma cidade como Recife não pode se dar ao desplante de permitir a popularização exacerbada do comércio ambulante de bebidas e tira-gostos, pondo em risco um projeto maior de desenvolvimento turístico, que pode gerar empregos, inclusive para estes ambulantes de hoje. Particularmente em Boa Viagem, que é, possivelmente, a mais importante Zona de Interesse Turístico da cidade.
Eu acredito que se houvesse, na orla de Boa Viagem alguns pólos de diversão e atrativos turísticos, com bares, restaurantes e cafés, ali na beira mar, digo, na areia da praia, nada disso estaria ocorrendo. E, aliás, há espaço para isto. O que existe está distante desta proposta. Resultado: prolifera um comércio de baixíssimo nível, emporcalhando a avenida, poluindo com pesada nuvem de fumaça gordurosa o ambiente da mais bela e iluminada praia do Nordeste. Francamente, uma decepção para quem visita a cidade e espera algo de melhor nível, à beira mar.
Embora não tenha votado nesse Prefeito que aí está, estou dando o maior ponto para ele nesse “guerrinha” que visa à limpeza do nosso cartão postal.
Vai ser uma dura luta, mas tem que ser enfrentada de frente. Acredito que todos os moradores da avenida estão pensando com eu, embora que não sendo um morador de Boa Viagem.
E você, caro leitor recifense, o que acha disso tudo. Dê o seu voto na enquete acima e ao lado.

Nota: Foto do Google Imagens

sábado, 21 de março de 2009

Abaixo a Poluição Visual

Imagine você andar pela cidade do Recife, ou numa das grandes metrópoles brasileiras, e não dar de cara com os imensos letreiros de publicidade, painéis em fachadas de prédios, out-doors espalhafatosos, alguns até obscenos, backligths, frontlights, arremedos gráficos de propagandas comerciais, faixas promovendo produtos ou eventos dos mais diversos, enfim, toda sorte de porcarias que enfeiam qualquer lugar deste mundo. Impossível? Que nada. Este lugar limpo existe e está no Brasil. É a cidade de São Paulo.
Pois é, a capital paulista, a maior cidade da América do Sul e, hoje, considerada como sendo a primeira macrometrópole do Hemisfério Sul, pode se considerar uma cidade limpa, por estar livre dessas tranqueiras que tanto enfeiam qualquer lugar.
Bastou que as autoridades municipais atinassem para o tamanho da sujeira e do prejuízo por ela causado, para que fosse instituída a Lei da Cidade Limpa, regulamentada por um Decreto Municipal, de dezembro de 2006, dando fim à terrível poluição visual que emporcalhavam a urbe paulistana, uma coisa sem limites, aquela altura dos acontecimentos.
A Operação Cidade Limpa, de São Paulo, foi um dos maiores avanços do gênero, já vistos no mundo. Não é fácil vencer uma guerrinha dessa. Muitos interesses foram contrariados. A indústria da propaganda deve ter ido à loucura e até hoje chora e esperneia contra a medida.
Faça idéia do que deve ter sido a operação arranca tudo quanto é de out-doors, faixas, luminosos, cartazes dos mais diferentes materiais, finalmente, etc. numa cidade do tamanho de São Paulo.
Estou em São Paulo, há dois dias, e por onde circulo sinto falta, ou melhor, sinto um alivio e certo repouso para meus olhos e mente, diante da ausência desses corriqueiros veículos de publicidade. Num primeiro momento pode parecer estranho, para quem chega. Dá uma sensação, talvez, de entrar numa casa sem quadros na parede. Mas, pensando melhor, é confortável não se sentir impelido a ler toda e qualquer mensagem que apareça numa curva da rua ou avenida, ou outro qualquer ponto estratégico do caminho. Era uma tormenta circular nas grandes avenidas paulistas.
Lembro que era preciso muita atenção ao volante para não me distrair com a agressiva e, certamente, muito atraente peça de publicidade que se apresentava. Era impossível, por exemplo, resistir a uma bela imagem de mulher fazendo propaganda de um lingerie ousado, assim como imagino que, para os olhos femininos, era complicado ver um homem ameaçando se desvencilhar da única peça de vestuário que lhe restava que, no caso, era uma cueca. As propagandas dos motéis eram verdadeiras apelações. E as de alimentos? Os sorvetes, picolés e bombons. As bebidas e cigarros. Uma loucura sem limites, que faziam parte do quotidiano, sem que ninguém reclamasse. Para alguns, causava admiração e elogios. E, de fato, muitos eram verdadeiras obras de arte, justiça se faça.
Hoje em dia, após a retirada das propagandas e sujeiras diversas, São Paulo é uma cidade diferente. Prédios históricos ou modernos ganharam maior realce e as árvores estão mais bonitas. Os parques e jardins têm mais vida com seus coloridos próprios, sem os "tapumes" em forma de out-doors que lhes roubem a cena. É um mundo novo, cheio de estética e sobriedade.
Depois de ver São Paulo, resta a esperança de que outras cidades sigam o exemplo – particularmente o meu Recife – e limpe o país como um todo.
Abaixo a poluição visual. Multa pesada para quem desobedecer.
Antes de encerrar, porém, uma sugestão: saia por aí, na sua cidade, e diante de um outdoor qualquer, avalie o bom que seria se ele não existisse. E aquela faixa ridícula e mal produzida? E a placa de fachada da Padaria ou do Bar da esquina?

NOTAS: Este post foi redigido em São Paulo, no dia 18 de março de 2009
AS fotos são do Google Imagens

Na Coluna a direita, você pode acessar e assistir a um filminho do YouTube, sobre São Paulo Cidade Limpa.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Eita mundinho cão!

Todo mundo acompanhou com pesar, nesses últimos dias, uma serie de barbáries cometidas contra crianças inocentes, neste mundo de meu Deus. Algumas das quais muito perto de nós.
Quem não se sensibilizou com o caso da garotinha, de nove anos, abusada sexualmente, estuprada e engravidada de gêmeos, pelo padrasto, no interior de Pernambuco e, depois, submetida à violência de um aborto provocado? Quem não se chocou com o caso do louco que seqüestrou a filhinha de tenra idade, roubou um avião e fez um vôo para morte, precipitando-se sobre um estacionamento de Shopping Center, em Goiás? E o caso do tresloucado alemão que saiu atirando e matando jovens garotas dentro de uma escola? E o outro nos Estados Unidos? E outro não sei onde? Mais outro e mais outros.
Segurei o que pude para não comentar essas barbaridades. Falei de amenidades, de viagens, de lugares bonitos. Fiz vista grossa para com essas barbaridades, até quanto pude.
Mas, chega uma hora na qual a pessoa não se contém. É tudo muito forte demais. Não me julgo o formador de opinião, mas, dou minha contribuição ao debate, sempre que posso.
Fico pensando e colocando-me no lugar dos familiares dessas pessoas que sofrem, devido à sanha de irresponsáveis. Nessas horas, temo pelo futuro. Pelos meus netos, que ainda não tenho, mas, que deverão vir. Pela humanidade. Pior, sinto a paz fugindo, cada vez mais, dos nossos dias.
Como se tudo fosse muito pouco, ainda se instala na sociedade uma polemica discussão sobre a ética, cruzada com os dogmas religiosos. Tenha paciência...
Como pode se condenar um aborto necessário e legal, para o bem e salvação da vida da vitima! E, o pior, em nome de Deus? Será que Ele quer mesmo que um inocente pague um preço tão alto, com a própria vida, por conta de um ato abominável de um maníaco sexual?
Foi, na minha opinião, lamentável a atitude do arcebispo de Olinda e Recife, que terminou causando um imenso prejuízo para a Igreja de Roma, já tão desgastada, face aos inúmeros escândalos de pedofilia e vetos aos progressos do mundo moderno, voltados para o bem estar dos seus fiéis.
Tem uma coisa: sou católico e, embora não me considere um praticante dos mais efetivos, sustento a minha fé, vou a Igreja, assisto missas aos domingos e sigo todos os preceitos que me são possíveis e, sobretudo, que me deixem com a consciência tranqüila. Aliás, acho que religião tem tudo a ver com consciência.
Neste ambiente conturbado, o tema parece não ter fim... O mundo inteiro resolveu discutir os prós e contras do aborto provocado na menina. O prelado sustentou sua posição radical e expôs a Igreja, de modo lamentável, jogando-a na boca e nas rodas de conversa e assembléias dos seguidores das igrejas alternativas, tudo sem pena e sem dó.
A coisa, segundo ouvi comentar, foi tão devastadora que, para surpresa de meio mundo e, diria que, alivio desse mesmo meio mundo, a CNBB colocou “panos mornos” para amenizar a crise e, por fim,o Vaticano, através de uma das suas autoridades eclesiásticas contrapôs-se à excomunhão proferida pelo arcebispo de Olinda e Recife, neste fim de semana passado. Considero que foi uma atitude saudável para livrar a Igreja Católica de uma onda de rejeição crescente.
Outra coisa absurda foi destacada na mídia internacional, durante o dia de hoje: o monstro de Viena, que aprisionou a própria filha num subterrâneo da própria casa, durante mais de duas décadas, escondendo-a do mundo, usando-a e abusando-a sexualmente, gerando com ela vários filhos/netos, um dos quais morto e incinerado no cativeiro, dois “abandonados” à porta de casa e uma outra com dezenove anos sem nunca ter visto a luz do dia e outras atrocidades mais, está sendo julgado por tribunal de justiça austríaco e, pasme, pode sofrer uma condenação de apenas seis anos e meio de prisão, quando o justo seria a prisão perpétua. Que justiça é esta, meu Deus?
Sabe de uma coisa, vou parar por aqui. Tenho o estômago revirando. Vou tentar dormir em paz. Êita mundinho cão!...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Uma Varanda no Pacifico

Estando em Santiago e dispondo de tempo, não há porque não dar um pulinho no que eu chamo de “a varanda do Chile sobre o Pacifico”: Valparaiso e Viña del Mar. Cidades gêmeas, cada vez mais ligadas pelo processo de urbanização intenso.
Uma auto-estrada liga a capital chilena a essa aprazível região e, com uma hora e meia, o visitante está diante das águas azuis do Pacífico. Gaivotas e pelicanos, com jeito de dar boas vindas, vêm ao encontro de quem chega, executando vôos rasantes, antes mesmo que o chegado alcance a posição de “a ver o mar”. Tive a impressão de avistar Fernão Capelo nos recebendo.
Valparaiso, também conhecida como la Perla del Pacifico, é antiga. É de 1536. Seu fundador foi Juan de Saavedra, que a mando de Diego de Almagro, o descobridor do Chile, foi até a costa aguardar a esquadra espanhola que vinha por mar encontrá-lo na aventura de conquista das novas terras. Em 1544, o local se transformou no primeiro porto do Chile, determinado por Pedro de Valdívia o fundador de Santiago e governador do Chile espanhol daquela época. Ao longo dos séculos este porto foi se consolidando e hoje é um ponto importante na logística sul-americana, da Bacia do Pacifico, e por onde escoam riquezas não apenas chilenas, mas, também, de outros países do Continente, principalmente se o destino for a Ásia.
Patrimônio Cultural da Humanidade, Valparaiso se constitui numa grata surpresa para o visitante, devido ao casario colorido esparramado por vários morros e acessados, de preferência, por elevadores em plano inclinado. Do alto dos “cerros” um panorama sempre vislumbrado em meio aos muitos ohs! dos turistas que, ato continuo, mergulham em meio a muitos artesãos em ação, ateliers de pintores, restaurantes, bares entre outras atrações. No Cerro Concepción onde estive, com meus familiares, no domingo de carnaval, não havia folia, mas havia muita informação cultural. Exploramos, ao máximo, aquela bela área.
Completando nossa visita a Valparaiso almoçamos, num belíssimo restaurante, lá mesmo no Concepción, cujas linhas arquitetônicas são, de fato, uma varanda sobre o Pacifico. Resultado: uma deslumbrante paisagem. No prato não podia cair outra coisa a não ser fruto do mar.
Um novo e moderno metrô liga Valparaiso à formosa Viña del Mar. Através dele desembarcamos num cenário de autêntica riviera francesa, em plena América do Sul.
Um passeio de carruagem, de módico preço, dá em pouco tempo uma visão completa do lugar. Muito charme nas alamedas e jardins. Palacetes senhoriais, prédios bem projetados, hotéis de luxo, cassino, centro comercial dinâmico completam o ambiente mais sofisticado do litoral chileno. Em adição – na ocasião que por lá passamos – o burburinho do Festival Internacional da Canção, que todo ano, nesta época, transforma Viña na capital mundial da canção popular.
Pois é, o Chile, como já falei, é de uma diversidade fantástica de paisagens. Comentei sobre várias coisas e estou por encerrar estas postagens sobre as andanças por lá. Antes, porém, um registro para uma parte importante e rara que é a Ilha de Páscoa, pertencente ao Chile e situada na Polinésia. Aquela dos misteriosos moais, esculturas imensas de pedras, que não se sabe de onde vieram e como foram ali colocadas. Nunca estive por lá. Mas, pretendo ir, um dia. Enquanto isto não acontece, tratei de sentir um pouco do clima daquele Paraíso, indo, com minha família, a um restaurante/show, em Santiago, onde o clima é de pura Polinésia, tanto pelo cardápio, quanto pelo show com danças típicas. O cliente é recebido com um colar de flores, por recepcionistas trajando roupas floridas e multicoloridas. E, uma vez lá dentro, é pura curtição.

Nota: Fotos do Blogueiro. Em cima uma vista de Viña, com Valparaiso ao fundo. Em baixo meu filho em clima de Polinésia.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Vinho Chileno

Ir ao Chile e não visitar uma vinícola é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. O vinho chileno, produzido desde o século 16 pelos colonizadores espanhóis, é classificado como um dos melhores do mundo. Com condições climáticas e solos propícios o país vem aprimorando, ao longo desses séculos, sua produção e colocando-a nas adegas mais exigentes do planeta.
Sem dispor de muito tempo e tendo que cumprir uma programação intensa em Santiago, coube-me revisitar, e guiar meus familiares, uma das mais famosas produtoras de vinho, a Concha e Toro, situada nas proximidades da capital chilena.
O local está bem preparado para receber o turista e diariamente promove inúmeros tours, passando pela antiga sede da empresa – o monumental palacete de Dom Melchor Concha y Toro (foto acima), construído no século 19 –, pelo cultivo das uvas, pelas bodegas centenárias e, por fim, por uma rodada de degustação de vinhos brancos e tintos, destacando-se o mais famoso deles, o Casillero del Diablo. O final da visita – como não poderia ser diferente, que eles não são burros – é numa loja de sourvenirs, sobretudo vinho e um restaurante em anexo.
A historia da Concha y Toro começou quando o empresário e político Dom Melchor resolveu, em 1883, trazer algumas cepas de nobres uvas da região de Bordeaux (França), para cultivo nas suas terras de Pirque, no vale do Maipo. Trouxe também um enólogo (Monsieur Labouchere) encarregado de produzir os melhores vinhos possíveis. Desde então, a produção só fez crescer e a vinícola é hoje uma das maiores exportadoras de vinho da América do Sul, com presença em mais de cem países.
Visitar uma vinícola pode não ser uma novidade para muitos. Eu mesmo já estive em várias outras, mundo afora. Mas, o interessante é saber que cada uma tem uma história, quase sempre pitoresca, a ser contada e na Concha y Toro não é diferente.
Um dos pontos pitorescos de lá está na explicação da denominação do vinho Casillero del Diablo. Não há duvidas de que se trata de um nome insólito para uma bebida de tão boa qualidade. Traduzindo ao português, a denominação seria Carcereiro do Diabo. Que diabos de denominação é essa? Sempre perguntei. Somente agora tomei conhecimento da origem desse nome.
Conta-se que Dom Melchor construiu uma bodega especial, no subsolo da vinícola, mais ou menos 8 metros abaixo do nível normal, onde a temperatura é constante e propicia à conservação do produto. Como todo vinho ali guardado era o de melhor qualidade, começou a surgir “sócios”, surrupiando as melhores garrafas. Eram camponeses e empregados da própria vinícola que viviam nas redondezas.
Ciente das crendices e da religiosidade populares, Melchor criou um boato, que logo se espalhou pelo Vale, de que o Diabo andava, também, pela sua bodega especial roubando vinhos e que ele estava tratando de flagrá-lo com a “mão na botija” para aprisioná-lo.
Nunca mais lhe roubaram vinhos. Nasceu daí a denominação do mais famoso vinho da Concha y Toro. Numa jogada de marketing, a empresa colocou num compartimento do fundo da bodega, a projeção da imagem de Lúcifer, atrás das grades. (Vide foto abaixo). Eu dei graças a Deus por vê-lo preso lá no Chile. Só assim ele não vem atazanar nossas vidas aqui no Brasil. Sai prá lá Satanás... Cruz, credo. Outra coisa interessantíssima dessa bodega é sua concepção arquitetônica. Uma beleza secular construída, pasme, com argila, cal e argamassa feita com claras de ovos! É uma informação que surpreende a todos que andam por lá. Não tive dúvidas de perguntar quantos ovos foram quebrados nessa construção. “Não se sabe quantos ovos, mas temos pena das galinhas...” respondeu a guia. Pelo tamanho da adega, é incalculável a quantidade de ovos que foram quebrados para construir aquele prédio. É uma beleza.
Gozado é que eu tinha ouvido falar desse tipo de argamassa muito usada na construção de mosteiros na Europa. Pensei que era fabulação e não é! Dizem que, em Portugal, as monjas tinham tantas gemas de ovo sobrando que terminaram criando guloseimas, até hoje famosas, entre as quais uma delicia que se chama de Toucinho do Céu. Se o leitor não conhece, procure conhecer e veja como é bom. Tem uma coisa: é o maior volume de colesterol que se pode ingerir de uma só vez. Portanto, cuidado. Coma com moderação.

NOTA: Fotos do Blogueiro: o Palacete de Dom Melchor e o Diabo preso na Adega.

terça-feira, 3 de março de 2009

QUANDO O PERTO SE TORNOU DISTANTE

Não dá para calar. Foi mais fácil assistir a partida entre o Sport Recife e o Colo Colo, em Santiago do Chile, do que ir assistir, amanhã, Sport e LDU, do Equador, aqui no Recife, na Ilha do Retiro. A diretoria do Sport está pisando na bola, na ânsia de lucrar o mais que puder. Aliás, está dando uma de timinho, que quer aproveitar as chances de faturar, enquanto o time não é desclassificado da competição.
Estou irado, sim. Sou rubro-negro de coração, mas não aceito certos métodos retrógrados de vendas de ingressos ao campo e a flagrante incompetência da diretoria do Clube.
O que aconteceu estes dois últimos dias na sede do Sport é no mínimo revoltante. Pessoas sérias – eu sou um homem sério – disputando quase às tapas um ingresso para o jogo contra a LDU e sair de mão abanando. Inadmissível! Isto sem falar que todo cuidado era pouco, visto que havia no meio dos demandantes de ingressos, assaltantes surrupiando o ingresso do torcedor vencedor da maratona, batendo carteira e assaltando sem pena. Francamente, estou fora! Onde é que nós estamos?
Não, isto não pode ser visto como euforia da torcida. A venda, como feita no Sport, é indigna. Desisti de ir ao campo, para assistir mais um importante jogo do leão da Ilha.
Continuo rubro-negro, até a morte, porque o Sport é maior do que seus incompetentes dirigentes.
Ainda que contra a vontade, tentei descobri se havia, o que meus pais diziam, alguma “porta de travessa” que facilitasse a minha compra. Isto é, uma forma apadrinhada para alcançar meu objetivo. Não encontrei nada. No meio da confusão encontrei meu filho, também, revoltado. Ele comprou um tal de carnê de ingressos antecipados. Só que ele comprou como estudante, para assistir ao jogo num camarote a convite de um amigo. De última hora e na véspera da partida, a diretoria do Sport resolveu que ingresso de estudante não vale para entrada na área dos camarotes, obrigando a que todos comprem o ingresso de R$ 100,00! Absurdo. Abuso dos maiores. Afinal, o jovem estudante, pagando R$ 50,00, está pagando muito bem. Quanta incompetência.
Agora, meu amigo ou amiga, comparando com o que ocorreu no Chile, dá uma tristeza imensa. Em Santiago os muitos torcedores rubro-negros puderam comprar ingressos do jogo de modo civilizado, sem atropelos ou sustos, sem filas, em pontos estratégicos de qualquer dos shopping-centers da cidade, com cartão de crédito, para sentar em cadeiras confortáveis, de um estádio bem projetado e ao justo preço de apenas R$ 47,00. Não vale mais do que isto! Eu mesmo comprei ingressos quatro horas antes do jogo. Numa boa. Resultado: casa cheia, público vibrante e disciplinado, mesmo que derrotados pelos leoninos pernambucanos. Assistimos ao jogo sem percalços, em segurança e felizes com a vitória. Aquilo lá é outro mundo! Não sei quando vamos nos civilizar...
Pois é: foi mais fácil ir ao Monumental do Colo Colo, no Chile, do que ir a Ilha do Retiro. Onde, aliás, não vou amanhã! Vou assistir pela TV. Porque afinal, pelo Sport TUDO!
Moral da história: o perto se tornou muito distante.

Para esta postagem, em sinal de protesto, não coloco fotos!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Chile: cenário exuberante na América do Sul

Assistir a vitória do Sport Clube do Recife sobre o Colo Colo, dentro de casa, foi tão bom quanto rever Santiago, depois de quatorze anos sem ir até lá.
Para minha surpresa, encontrei a capital chilena com um novo perfil. É impressionante como conseguiram, em tão pouco tempo, transformar a cidade numa metrópole de padrão internacional. Dá gosto transitar pelas largas, bem tratadas e limpíssimas, avenidas, alamedas e parques. E mais: túneis imensos, viadutos, trevos viários complexos e passagens inferiores, que terminam por conferir à cidade um trânsito ágil, com motoristas tranqüilos e seguros. Os serviços de transporte de massa é outro detalhe importante, destacando-se o metrô agora mais extenso e com novas linhas a serviço da população, além de muito limpo. Inúmeros estacionamentos subterrâneos dão uma imagem clean à cidade. Não existem as populares áreas a céu aberto ou carros estacionados pelas calçadas ou imprensados a cada lado das ruas e avenidas, atrapalhando o fluxo de transito, como e vê na maioria das cidades brasileiras. E, tem mais, não vi engarrafamentos de veículos. Talvez nessa época de férias. Não sei noutras épocas do ano.
Pelo visto, o Governo investiu maciçamente na estrutura urbana, enquanto que a iniciativa privada se encarregou de dotar a cidade de arrojados edifícios, dando uma imagem futurista de grande impacto para o visitante.
Fica claro que rolou muito dinheiro e isto dá uma idéia da pujança econômica que o país vive nesses últimos vinte anos.
Outra coisa que salta aos olhos do visitante brasileiro é o fato de não haver pedintes nas esquinas e semáforos. Limpador de pára-brisas? Nem pensar! Menores abandonados à sorte, tampouco. O povo que circula pelas ruas, em geral, desfruta de uma boa qualidade de vida e revela muita dignidade. Não vi descamisados (embora o calor de 30 graus), descalços ou maltrapilhos.
Bom... É assim, pelo menos, na capital. Não sei no interior.
O Chile não tem montadoras de veículos e importa tudo que o chileno sonha ter. Santiago está repleta de carrões, das marcas mais sofisticadas, das mais diversas procedências, circulando numa nice, sem medo de assaltantes. Ocorre que os impostos são muito baixos e um carro sai por menos da metade do preço no Brasil. Meus filhos, que estavam comigo nesta viagem, ficaram babando com o preço da sofisticada Masserati 2009, de um amigo chileno, que foi de US$ 220.000,00. No Brasil um carro igual não sai por menos de US$ 500.000,00. Isto, quando é vendido, uma vez na vida. São Paulo, pode ser...
Sempre gostei muito de visitar o Chile por ser uma experiência muito instigante. Já andei por lá quatro vezes. A conformação geográfica desse país é muito especial. Trata-se, na prática, de uma extensa “língua” de terra – encostada na Cordilheira dos Andes e escorregando pelo Oceano Pacífico – dotada de imensa diversidade. Em menos de 24 horas, por exemplo, fizemos um recorrido de, no máximo 150 km., desfrutando de uma bela praia no Pacifico, em Viña del Mar, e de uma estação de sky, no alto dos Andes, no Valle Nevado. Isto na região central do país, arredores da capital. A visão da Cordilheira, coroada de neves eternas, dão um especial toque ao cenário de Santiago. Não tem “pau de arara” que resista. Haja exclamações! Mais tempo tivéssemos, alcançaríamos o mais severo deserto do planeta, o Atacama, no Norte do país, ou, viajando no sentido Sul, teríamos chegado à bela região dos lagos chilenos. Fica para outras ocasiões.
E, se o assunto for gastronomia, não há quem resista às iguarias da cozinha chilena, misto de espanhola, crioula e mapoche. Come-se muito bem no Chile. Como especialidade, o que se destacam são os frutos do mar. Peixes deliciosos, crustáceos exuberantes, como a centolla – imenso caranguejo – que pela raridade e sabor da carne pode custar, no mercado público, a bagatela de R$ 400,00 a unidade. O sujeito precisa ter muitos pesos chilenos na carteira e muita coragem para enfrentar uma conta dessa ordem. Além disso, saboreiam-se com facilidade outros produtos do mar, entre os quais as ostras magníficas, ouriços, lagostas, locos e peixes deliciosos como o côngrio e a reineta. Para quem for por lá, aconselho pedir um popular Chupe de caranguejo e loco. É de comer ajoelhado, lamber os beiços e sentir vontade de repetir. Ah! Já ia esquecendo de registrar que o Chile é especialista na produção de salmão. É de lá, aliás, o salmão que em geral consumimos no Brasil.
Outro destaque desse maravilhoso país é a produção vinícola e isto merece outra postagem, que logo seguirá. Nesta não cabe mais...
Foi bom voltar ao Chile que, sem dúvidas, se constitui num cenário diferenciado na América Latina.

Nota: Fotos do Blogueiro e do Google Imagens.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Um Leão contra os Mapoches

Os mapoches eram índios guerreiros, que lutaram por trezentos anos contra os espanhóis colonizadores, vindos dos Andes peruanos, na ocasião comandados por Pedro de Valdivia e sua guerreira mulher Inês Suárez. Isto foi no século 16.
Sempre em busca de metais preciosos, particularmente o ouro, resolveram atravessar uma das regiões mais inóspitas do continente sul-americana, o deserto do Atacama, indo parar mais ao Sul, formando, a partir dali, o que compreende o Chile de hoje.
Saíram do Peru com verdadeiro exército e muitos escravos. A travessia do deserto foi uma verdadeira epopéia que durou anos. Durante o dia a temperatura podia chegar aos 50 graus Celsius e à noite batia um frio congelante. Sem suportar tanta agressividade do tempo, os escravos foram morrendo pelo meio do caminho e ao chegar à região central, onde fundaram a cidade de Santiago, a capital chilena, já era um efetivo bem reduzido e, por isso mesmo incapaz de vencer os primitivos habitantes, o indios Mapoches. Foi uma luta sem trégua. Os conquistadores tiveram imensas dificuldades, sobretudo por quererem escravizar esses indígenas. Foi um jogo bem diferente daquele que tiveram mais ao Norte, contra os Incas e Maias.
Entre os caciques mais famosos dos mapoches, houve um, chamado Colo-Colo, que se tornou um ícone, dada sua bravura de guerreiro e estrategista. Defendeu como poucos, com unhas e dentes, sua gente e sua nação.
Os espanhóis com muitos reforços vindos do Vice Reinado do Peru e da própria Espanha terminaram, como se sabe, conquistando a estreita língua de terra apertada entre os Andes e o Oceano Pacífico, hoje conhecida como Chile.
Os chilenos, quando não são de biótipo ibérico (descendentes de espanhóis) são do tipo índio e conservam seus orgulhos de nação indígena.
Em homenagem ao cacique Colo-Colo os chilenos criaram um time de futebol e deram seu nome. O time é hoje um dos mais populares do país, tanto pelas belas campanhas que vem fazendo dentro do país e no continente, quanto pelo patrimônio que acumula.
Na atual Copa Libertadores da América, versão 2009, toca ao Sport Clube do Recife competir com o Colo Colo, pela conquista do mais importante troféu do continente.
O primeiro jogo entre as duas equipes aconteceu nesta semana pré-carnavalesca e foi travada em território colocolino, em Santiago do Chile.
O entusiasmo do Clube pernambucano foi de tal forma que terminou por mobilizar uma torcida calculada em 2.000 pessoas vestindo a camisa rubro-negra, dentro do Estádio Monumental do Colo Colo no subúrbio de Macul, em Santiago do Chile.
Movido pelo fanatismo rubro-negro do meu filho José Antonio (Tico), depois de 7 horas voando, desde o Recife, juntei-me com ele à torcida pernambucana dentro do Estádio Monumental do Colo Colo, onde vivi um dos momentos desportivos mais emocionantes da minha vida. Passados dois dias deste embate ainda me sinto em estado de prazer e satisfação. Valeu à pena este esforço de atender este pedido de Tico.
Falando do evento em si, começo afirmando que fiquei impressionado com a quantidade de torcedores que vieram até o Chile para, eu diria, assustar os colocolinos com o grito de guerra do cazá, cazá, cazá. Eles ficaram surpresos com essa torcida estrangeira nunca antes vista, dentro da própria casa. Os jornais chilenos não se cansavam de registrar este fato. As ruas de Santiago, de repente, se encheram de torcedores rubro-negros, causando preocupações para a policia local – os Carabineiros de Chile – e para a representação diplomática brasileira. Os colocolinos, por sua vez, além de surpresos, com aquela inédita manifestação sentiram-se desafiados, dentro de casa, e reagiram com gestos obscenos e termos chulos. Tive alguma preocupação quanto à segurança, logo dissipada pela severa assistência dos carabineros, que estiveram a postos diuturnamente, garantindo a ordem.
O clima que se instalou foi um verdadeiro frisson. A rigor foi emocionante ver a bandeira de Pernambuco tremulando, misturada com as do Brasil e a do Sport. Foi, igualmente emocionante ouvir a torcida pernambucana gritar, como nunca, o cazá, cazá, cazá. Os chilenos ficaram galvanizados. Amigo chileno afirmou que ninguém entendia como apareceram tantos torcedores estrangeiros na cancha chilena.
A entrada em campo, do time do Sport, foi apoteótica. O torcedor pernambucano delirava. Vi nego chorando de emoção. Bandeiras, confete, balões vermelho e preto no ar, chuva de papel picado, apitos e outros bichos. Um delírio pernambucano no território mapoche. Quase uma ousadia.
Mas, o melhor estava por vir: com seis minutos de jogo, Ciro, o menino de Salgueiro, comete um gol na rede do Colo Colo, levando a galera pernambucana ao que chamo de orgasmo coletivo. Milhares de abraços, até beijos apaixonados, muita gente se desequilibrando nas cadeiras, o grito de guerra uníssono, começando uma festa que já dura dois dias, desde a Cordilheira dos Andes até o Vale do Capibaribe. Antes de terminar o primeiro tempo o Sport, através de Wilson, marcou outro gol ainda mais bonito, cuja reação o leitor pode imaginar.
O mais interessante, por outro lado, foi observar a perplexidade que se instalou entre os chilenos, que zombaram do Sport a semana toda. Pela primeira vez, em Copa Libertadores, um time brasileiro dava um banho no Colo Colo. Pareciam não acreditar e, a essa altura, já não reagiam adversamente. Ao contrário, murcharam sempre sob o olhar da policia. Inclusive, tentavam trocar as camisas que vestiam pelas dos trocedores rubro-negros. Imagine a cena. Houve quem aceitasse a proposta.
No segundo tempo o técnico do Sport resolveu praticar uma retranca e sustentar o belo placar de 2x0. Uma falha da zaga rubro-negra deixou que os colocolinos fizessem um gol, o gol de honra, levando os torcedores locais a um momento de alegria.
O tempo correu e o apito final marcou a vitória do Sport Club do Recife. Daí para frente foi uma festa pernambucana, espalhada pela capital chilena, tudo devidamente e fartamente registrado pelos meios de comunicação local.
Pois é, com todo respeito à História, o Leão da Ilha devorou o Cacique Colo Colo, na fria noite chilena de 18 de fevereiro de 2009.

NOTA: Cronica postada em Santiago do Chile, 21.02.09
Fotos do Blogueiro. A torcedora rubro negra e pernambucana e meu fiho torcedor incondicional do Sport

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A Erotização do Carnaval

As revistas semanais e, particularmente, as de fofocas da sociedade e da TV já estampam com destaques as figuras femininas que vão brilhar – com trajes reduzidos – na passarela do samba da Marquês de Sapucaí e em outros pontos carnavalescos do país.
Nessas horas, com certeza, as agencias de publicidades estão a postos para colher as melhores poses e fazer a promoção turística do Brasil, baseada nas beldades peladas, corpos exuberantes e a promessa de muita gandaia. Esta é, infelizmente, a marca registrada do nosso país, mundo afora: futebol e mulher sedutora e liberal.
Sem dúvida, como um bom brasileiro, encho a vista com as beldades que são mostradas na TV, vídeos e magazines impressos. A mulher brasileira é muito bonita, mesmo.
Mas, por outro lado, não gosto muito dessa marca brasileira. Estou cansado de ser saudado, no exterior, como um cidadão vindo do reino do futebol, samba e mulata. Acho que o Brasil tem muitos outros motivos para ser admirado.
Fico revoltado de ver em algumas cidades brasileiras, principalmente no Nordeste, as hordas de estrangeiros à cata das meninas carentes – muitas de menor idade – vendendo o corpo, sob o cúmplice olhar das autoridades.
E, quando chega o carnaval, a coisa se multiplica de modo assustador. Parece que o clima carnavalesco incita a mulherada. Haja bundas, pernas e peitos mais peitos, pernas e bundas, para a escolha do freguês.
Conta-se que a erotização do carnaval começou pelas bandas do Rio de Janeiro, no inicio do século passado, após o surto da gripe espanhola. Esta história vem bem contada por um estudo realizado pela Fiocruz, em 2006, sob o titulo O Carnaval, a peste e a “espanhola”, realizado pelo pesquisador Ricardo Augusto dos Santos. O relato é impressionante no que tange ao arrasador surto da famosa gripe, entre setembro e novembro de 1918.
Mas, o que mais me chamou a atenção foi a abordagem sobre o Caranaval. O texto é relativamente longo. Mas, uma das partes mais interessantes, foi quando da constatação de que, salvos da peste, os cariocas festejaram o reinado de Momo, de 1919, de maneira mais liberal, escancarada e cheia de malícias. Marchinhas e sambas foram compostos fazendo referencia à gripe, também conhecida como Peste Negra (os mortos ficavam pretos e sangravam) e incentivando o povo a curtir desbragadamente a vida. Uma dessas marchinhas dizia: Assim é que é! Viva a folia!/ Viva Momo – Viva a Troça!/ Não há tristeza que possa/ Suportar tanta alegria/ Quem não morreu da Espanhola,/ Quem dela pode escapar/ Não dá mais tratos à bola/ Toca a rir, toca a brincar ...
O mulherio carioca, a partir daquele carnaval, resolveu exibir as suas partes, até então, mais intimas, como pernas, e colo, num comportamento inusitado. As saias subiram, os decotes se aprofundaram e os machos enlouqueceram. Segundo o estudo, “começou o Carnaval e, de repente, da noite para o dia, usos, costumes e pudores tornaram-se antigos, obsoletos e espectrais” e, mais adiante, reza que: “desde as primeiras horas do sábado, houve uma obscenidade súbita, nunca vista, e que contaminou toda a cidade”. O povo resolveu comemorar a vida da forma mais liberal e exacerbada possível.
Carlos Heitor Cony, num dos seus escritos, considera que, nesse carnaval de 1919, houve uma rápida mudança de padrões de relacionamento social, comprovado pelo record número de defloramentos registrados nas delegacias de policia. Sim, naquela época era caso de policia! Somente na Rua Santo Amaro (região do Catete e Glória) foram registrados cerca de 2 mil casos.Tantos que os que ocasionaram gravidez deram origem à expressão “filhos da gripe”.
Pelo visto, a turma gostou tanto daquela gandaia que nunca mais abandonou o costume. E, ao longo dos carnavais subseqüentes, trataram de aperfeiçoar os figurinos. Noventa anos depois, as alegorias do samba e os camarotes não dispensam a nudez e gandaia domina o espírito da festa. Já teve até Presidente da República, acompanhado por uma sem calcinha!
E agora a coisa é muito mais fácil. Defloramento é coisa elementar e primária. É uma necessidade na cabeça de qualquer mocinha. Virgindade é falta de higiene. Ninguém corre o risco de sofrer um inquérito policial, até porque, com as oficiais camisinha e pílula do dia seguinte, a coisa fica extremamente mais estimulante. Não tem filho da gripe, nem do carnaval! A ordem é curtir.
O costume se espalhou pelo resto do país, ainda que com menor intensidade. Mas, se espalhou. Onde tiver carnaval, tem sexo exacerbado.
Não! Não sou puritano! Mas, acho que um pouco de comedimento faria um enorme bem a este País.
NOTAS:
1 - Quer saber mais sobre este estudo da Fiocruz? C lique em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702006000100008&lng=en&nrm=iso Vale à pena.
2 – Meus agradecimentos à amiga Profa. Rosa Carneiro (UFPE), que provocou e me ajudou na pesquisa deste tema.

3 - Foto obtida no Google Imagens

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Acabaram com o Frevo

Mesmo sem entusiasmo de cair na folia carnavalesca, como já confessei semana passada, incentivado por amigos, decidi participar de uma das previas deste carnaval que se aproxima. Fui, ontem a noite, ao Baile do Havaí, do Country Club do Recife. Este baile foi sempre uma das melhores festas carnavalesca da cidade. Nada de multidões, muita gente amiga e bonita e, finalmente, um local especial, tanto pela beleza natural, quanto pela segurança garantida.
Coloquei uma roupa colorida, minha esposa pôs flores nas madeixas, os amigos vieram também coloridos e lá fomos nós.
Pela decoração do salão e redondezas, a coisa prometia uma festa de arromba.
Logo na entrada, vi que uma orquestra, pouco conhecida, executava músicas carnavalescas, igualmente pouco conhecidas e os primeiros foliões faziam suas evoluções no salão.
Muita gente jovem, incluindo muitas garotas lindas. Uma festa cheia de beleza.
Mal começamos a “calibrar” com as primeiras doses de uísque e vimos a festa simplesmente parar. A tal orquestra completou seu tempo contratado e bateu retirada. Fez-se um silencio incomodante, somente quebrado por uma música mecânica “tocada” por um moderninho DJ. As músicas não tinham nada a ver com o se conhece como carnaval na terra do frevo e do maracatu. O cara teve a audácia de colocar músicas de sucesso na zona do rock americano. Intrigado com a parada extemporânea da festa e indignado com o gênero de música, imposta por um fedelho metido a doutor no assunto, achei-me no direito e não tive dúvidas de ir até lá protestar. Para minha surpresa e alívio, percebi que não estava sozinho nesse protesto. Antes de mim já havia duas ou três pessoas “dando um pau” no tal DJ. “Ah! coloquei essas músicas, a pedido da galera” desculpou-se o sujeito com a cara mais cinzenta. Apareceu, na mesma hora, uma cidadã se desculpando e explicando que a banda que deveria se apresentar naquele momento havia atrasado e que providências estavam sendo adotadas para corrigir a situação.
Voltei para minha mesa e algum tempo depois a nova banda executa seus primeiros acordes.
Quem esperava frevos ou bons sambas carnavalescos, outra vez se frustrou. Entrou em cena um cidadão que somente interpreta músicas de Chico Buarque de Holanda. Artista excelente! Mas, para aquela festa? Nunca! A morgação somente se ampliou. No meio da apresentação ele convocou uma pequena batucada, com componentes de uma escola de samba da cidade e logo depois encerrou a sua apresentação. Metade do pessoal que foi à festa já havia desistido. Eu tive muita vontade de debandar, mas tive que ficar “fazendo sala” para meus amigos convidados, que por gentileza agüentaram esses acontecimentos. Eles são pernambucanos, mas vivem em Washigton (Estados Unidos) e chegaram ao início da semana, “loucos” por frevar.
Depois de outro longo tempo de intervalo foi a vez de uma banda de Axé-Music. Já passava das três horas da manhã e o pequeno grupo de foliões que restava, buscava segurar a animação. A maioria era gente jovem, que gosta do ritmo baiano.
Chegou uma hora que os nossos amigos resolveram ir embora e algum pouco tempo depois bati retirada, com minha mulher e meu filho. Insatisfeito até dizer basta, para não dizer bosta.
No caminho da volta para casa, critiquei severamente a ruindade da festa e a decepção de não haver visto carnaval, à moda pernambucana. Foi aí que tive a maior surpresa da noite: meu filho contestou-me e me perguntou se o que eu desejava era ter ouvido frevo e a orquestra do Maestro Spock. Ele foi inclemente. “Pai, esta festa foi massa! Tu não sabe o que tá dizendo! O show de Seu Chico foi o máximo! Essa história de frevo é uma coisa antiga. Tu tem que se atualizar”. Tive vontade de chorar. Incrédulo, resolvi calar-me e engolir, a seco, aquela realidade, deixando o papo que devo levar com ele, sobre este tema, para outra hora. Fui dormir insatisfeito e lamentando o ocorrido.
Moral da história: acabaram com o frevo! Vão acabar com nosso verdadeiro carnaval.
Para completar, ao acordar neste sábado, li no jornal que a Banda Calypso, com Chimbinha e Joelma, animará o Galo da Madrugada. Por acaso eles sabem o que é frevo? Chega. Está demais. Acabaram com o frevo.
Ainda bem que estarei longe dessa traição, neste ano.
Sinto saudades dos velhos carnavais, como o do Clube Internacional do Recife, das orquestras de Nelson Ferreira e de José Menezes, que tocavam sem parar e não deixava a turma parar de fazer o passo até o dia raiar.

NOTA: estou tão desolado que nem fotos encontro para ilustrar esta crônica.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

É CARNAVAL, OUTRA VEZ

Antigamente, quando chegava esta época do ano, eu ficava ligadão nas prévias carnavalescas e ia “esquentando as baterias” para curtir o tríduo momesco.
Hoje em dia, porém, a coisa tem sido muito diferente. Mudei eu, é verdade, com o passar do tempo. Mas, mudou também o carnaval. Já não é como antigamente. Hoje, tudo é agigantado, fabricado, comercializado, explorado e, por cima, permeado de violência. É preciso ter muito cuidado para o que ocorre no meio da folia. Prefiro a segurança de um programa mais recatado.
Lembro – com saudade – dos velhos reinados de Momo e do tranqüilo carnaval de Olinda, dos anos 80. Levávamos nossos filhos pequenos, sem dificuldades e sem medo de enfrentar contratempos. Poucos anos antes, brincávamos o carnaval dos salões, nos nossos principais clubes sociais. Eram festas retumbantes, de saudosas memórias.
Ultimamente, a coisa tem sido de tal maneira assustadora que prefiro fugir da folia, muitas vezes correndo para lugares distantes e culturas distintas. Maioria das vezes para lugares que carnaval nem é lembrado.
Em 2007, fui, com a família, curtir Buenos Aires, capital da Argentina. Lá carnaval passa à distancia. Aqui e acolá, podem ser vistos agrupamentos de pessoas em ruas previamente fechadas, para curtir uma coisa parecida com uma quermesse de interior ou subúrbio brasileiro. A festa da Vitória Régia, que acontece todo novembro, no bairro de Casa Forte, Recife, bate qualquer desses festejos argentinos. Na avenida principal de Buenos Aires, a famosa 9 de Julio, o carnaval foi comemorado, nesse ano, com um grande torneio de tênis, envolvendo as estrelas locais deste esporte, dentro de uma mega arena ali montada. Para o turista é ótimo porque lá, não é feriado. Tudo funciona normalmente: comércio, escolas, bancos e repartições do governo
No interior do país, na localidade de Gualeguaychu, vem sendo promovido um carnaval, digamos, mais audacioso numa tentativa de imitar o carnaval carioca. Tem desfile de fantasias e de mulheres com trajes sumários. Dançam os ritmos regionais, que têm certa cadência e evoluções propícias aos propósitos de imitar nosso carnaval tupiniquim.
Noutros pontos do país, particularmente nas províncias do Noroeste argentino, segundo meu amigo argentino, Jorge Morandi, – atualmente passando férias no Recife, como meu hóspede – o carnaval acontece de formas bem típicas, respeitando os fortes traços da cultura local. Para começar a coisa é lembrada como um folguedo ligado à figura do Diabo. Brinca-se a valer, por oito dias, sempre se reportando à figura do dito cujo, representado pelas centenas de mascarados, conhecidos como los endiablados.
Na Província de Jujuy, numa região denominada Quebrada de Humahuaca (Paisagem Cultural da Humanidade, pela Unesco!), acontece um carnaval muito animado e concorrido. É atração turística. A folia reina absoluta ao som e ritmos trazidos dos ancestrais incas da Bolívia e do Peru. Vide imagens a seguir.
Segundo Morandi, quando o carnaval termina, no domingo seguinte, os grupos de comparsas (blocos carnavalescos) enterram o carnaval, oferecendo, em agradecimento à Pachamama (Mãe Terra, no idioma indígena) a oportunidade vivida e um agradecimento pelo que foi colhido durante o ano. São frutas, cereais, bebidas e, o que eles consideram muito importante, uma folha de coca. É oportunidade, também, de pedir graças à Pachamama. Os que, por exemplo, desejam construir uma moradia oferecem ferramentas de construção, tijolos ou outras peças relativas ao pedido. Pede-se, ainda, pela saúde, pela família e pela felicidade afetiva.
Por fim e para completar, enterram também o Demônio, que neste caso é representado por um caprichado boneco. Deixam-no por lá, para que não perturbe durante restante do ano. A cova é marcada por um montinho de pedras, para que no ano seguinte seja encontrada facilmente, ocasião em que desenterram o “sujeito” abrindo uma nova temporada de festejos carnavalescos.
Ah! Já ia esquecendo! O tal boneco de Satanás, pode ter um pênis com proporções avantajadas, que é beijado, com ardor, pelas moças solteiras desejosas de arrumar um marido. Dizem que, quando a coisa é feita com fé, é “tiro e queda”... no ano seguinte a beijadora não precisa repetir o gesto.
Este gênero de carnaval, que acontece na Quebrada de Humahuaca, se repete com pequenas variações, já pude observar, em países da América Central e Caribe. Lembro de haver visto algo parecido na República do Panamá, onde já passei um carnaval. Lá, ao invés de endiablados, são chamados de diablicos. São costumes interessantíssimos.
Neste próximo carnaval, pretendo ir ao Chile. Quem sabe descubro outros costumes, para entender, outra vez, que carnaval não se faz somente com samba e frevo.

Notas: Fotos obtidas no Google Imagens.
Sugestão: se quiser saber mais sobre o carnaval e a Quebrada de Humahuaca, abra o Google. Tem informes excelentes.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

HACHIKO – UM ÍCONE JAPONÊS

Está combinado. Encontro você, hoje, às 18:30h. na saída da estação do Metrô, em Shibuya, junto a estátua do cão Hachiko” . Foi o que me disse Mr. Kitagawa, quando resolveu me levar a uma partida de futebol, no estádio de Yoyogi, em Tóquio, nos idos de 1984, quando passei uma temporada no Japão.
O que significa Hachiko? Que cão é esse? Estátua?” perguntei ao meu adviser japonês. Ele, muito apressado e sempre sorridente, disse-me que, lá, junto a tal estátua, teria mais tempo de me contar uma bela história. “Procure essa estátua, Buragireiro Sam (Sr. Brazileiro), e me espere”, saiu dizendo o japona. Assim fiz.
Pouco antes da hora aprazada, como manda a pontualidade nipônica, eu estava no local do encontro. Postei-me próximo da inusitada (para mim) estátua em bronze, de um belo cachorro. Ao meu redor, várias outras pessoas, igualmente, esperando outras pessoas mais. De cara, dava para ver que se tratava de um estratégico ponto de encontros na mega-metrópole nipônica. Fiquei curioso, para saber da tal bela história, prometida por Kitagawa.
Hachiko era o nome do cachorro, da raça Akita, famoso pela sua lealdade ao seu dono, e que se transformou num ícone popular, no Japão, da passada década de 20.
Todo santo dia, Hachiko acompanhava o seu dono, o Professor Eizaburo Ueno, da Universidade de Tóquio, de casa até a estação de metrô e, no fim da tarde, ia encontrá-lo no mesmo local, acompanhando-o de volta para casa.
Aconteceu que no dia 21 de maio de 1925, quando Hachiko tinha um ano e meio de idade, o Professor Ueno não voltou, por haver sofrido um derrame cerebral fatal, em plena sala de aula.
Após a morte do seu dono Hachiko foi adotado por parentes do Professor. Obstinado, terminou fugindo e voltando à rotina de esperar seu dono, toda tarde, na estação de Shibuya. Naturalmente que o fato causou imensa surpresa, pelos que o observava a cada dia. Penalizados e, sobretudo, muito sensibilizados com o quadro, os funcionários da estação e alguns freqüentadores assíduos do local alimentavam Hachiko, que insistia naquela espera inútil. Essa coisa durou até 7 de março de 1934, quando o pobre cão, já velho, com sérios problemas de saúde e andar cambaleante morreu no mesmo local, ainda esperando seu dono voltar. Esperou por, quase 9 anos!
Esta história repercutiu nas mentes dos japoneses. A memória de Hachiko está, até hoje, imortalizada por uma estátua, mandada fazer por amigos e admiradores do cão, colocada na entrada da movimentada estação do bairro de Shibuya. É um dos pontos de encontro mais famosos e tradicionais de Tóquio. Foi lá que me encontrei com Kitagawa, para ir ao estádio de Yoyogi. Foi lá que ouvi esta tocante história, prova inequívoca da lealdade da raça canina, para com seu dono. Sempre que me ocorria passar naquela estação – eu vivi num hotel, em Shibuya – parava e reverenciava a imagem do leal cão.
Curioso, me explicou Kitagawa, foi que, durante a 2ª. Guerra Mundial, o Governo recolheu todas as estátuas de bronze do país, derreteu e transformou o material resultante em armamento. Após a Guerra, contudo, em 1948, os amigos de Hachiko procuraram o filho do escultor da primeira estátua e mandaram reproduzi-la como originalmente. É a que se encontra lá até hoje. Foi a que eu vi e, ao lado da qual, escutei atentamente o relato do meu simpático adviser.
Esta história virou um filme – Hachiko Monogatari – de imenso sucesso no Japão, no ano de 1987, rendendo US$ 4,5 milhões nas bilheterias de cinemas daquele país.
Para minha surpresa vi, esta semana, no Blog Panorama Nihon, que recomendo ( http://oglobo.globo.com/blogs/panoramanihon/), da jornalista pernambucana, Bruna Siqueira Campos, atualmente vivendo em Tóquio, que Hollywood está rodando uma nova versão dessa história, estrelado por Richard Gere, cujo titulo deverá ser Hachiko, a História de um Cão. Vou ficar na expectativa da estréia, que, segundo Bruna, deve ocorrer no segundo semestre deste
ano.

Notas 1: Foto obtida no Google Imagens. 2: Agradeço à amiga Bruna Siqueira Campos por provocar-me estas reminiscências e de escrever esta postagem. 3: Se tiver interesse de ver imagens dessa história clique num dos YouTube indicados ao lado, em cima. Recomendo especialmente o primeiro e o quarto clips.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

INOCÊNCIA PUERIL

A inocência das crianças é quase sempre coisa muito divertida. Na missa do domingo passado, assisti a uma cena simples, porém muito divertida. Uma senhora veio receber a comunhão com uma filhinha de, aparentemente, cinco anos. Após receber a eucaristia, imagino que teve dificuldades de explicar à filhinha que ela, ainda, não podia comungar. A garotinha chegou a abrir a boca e esperar uma hóstia. Ora, se todo mundo come, por que não posso comer também, deve ter pensado a inquieta menina. Vai ver ela estava com fome. Tive que achar graça na situação.
Esta história me fez lembrar outra passagem, também por ocasião de uma comunhão. A velhota, muito vaidosa, cabeleira tingida de lilás, talvez rosa choque, perua até dizer basta, cheia de balangandãs e extremamente falante vai à missa com uma netinha, imagino que da mesma faixa de idade da garota da missa de domingo. Na hora da comunhão deixa a garota no banco e vai receber a comunhão. Retorna contrita, cabeça baixa, mãos postas tocando no queixo e encaixada entre os peitos avantajados, ajoelha-se e fica lá por um bom tempo orando. A netinha observa intrigada a “tristeza” daquela cena de repentino recolhimento da avó perua e ao final, quando a coroa, digamos, volta ao seu normal, a menininha se sai com uma verdadeira pérola: “Vovó, foi ruim? Tem gosto de que?”. O episódio foi relatado a Deus e o mundo, pela estridente vovó, causando o maior sucesso.
Boa também foi a de uma garotinha, filha de colegas de trabalho, que nunca havia observado o tamanho da barriga de uma mulher grávida e manifesta sua admiração quando uma amiga da família chega à sua casa, em meio de uma festa de aniversário, e se sai com um diálogo inesquecível: “Êita neguinha, tu tá é gorda!”. A grávida muito feliz diz: “Tô gorda não. Tô esperando um bebê. Ele está aqui dentro da minha barriga”. A meninha, muito admirada, não teve dúvidas e atacou com outra pergunta: “Ôxente, e como foi que tu engoliu esse bebê?”. Inocência pura.
Acho que todo mundo tem uma boa para contar. Eu mesmo, no meu dia-a-dia de pai, vivi momentos deliciosos com meus inocentes filhos.
Não posso esquecer que Manuela, com sete anos de idade, num telefonema, comigo em Tóquio (Japão), me pediu que na volta eu trouxesse uma caixinha de morangos, que ela gostava muito. Como trazer de tão distante, com tantas horas de vôo, uma caixa de morangos? Inocência pura, também.
Já José Antonio - o Tico - meu caçula, nos fez passar por duas boas: a primeira foi quando ele ainda usava fraldas e aprendia a falar. Entrou na sala, cheia de visitas, com a descartável pesada de xixi e cocô, pedindo para a mãe trocar a fodinha! Foi demais. A casa quase vem abaixo com tantas risadas do “público presente”. Explico: quando minha esposa o chamava para trocar a fralda suja, dizia carinhosamente: “Vamos trocar a fraldinha”. Ele entendeu desse modo... paciência.
A outra de Tico foi também impagável: certa manhã de domingo, ele veio com Sonia, ao meu encontro na sede do Country Club (Recife), onde eu havia passado por um treino na quadra de tênis. Eu ainda estava de short e raquete na mão, conversando com companheiros de cancha, quando o guri entrou e correu feliz para me abraçar e disparou com a seguinte pergunta: “Painho, tu já jogou pênis hoje?” Foi hilário! A partir desse dia, meus amigos, no Clube, quase sempre perguntavam se eu ia jogar pênis...
É gostoso ser criança. É fantástico observá-la. As franqueza e pureza da infância são encantadoras.
Dos meus filhos crianças, hoje bem crescidos, dois dos quais já casados, resta a saudade dos tempos de inocência.
Agora, estou à espera dos netos, para viver novos e deliciosos episódios pueris.
Nota: Ilustrações tiradas do Google Imagens.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

ORDEM E PROGRESSO, COM AMOR IMPLÍCITO.

O ano nem bem inicia e já começam a surgir idéias insólitas, tiradas do imaginário de quem, aparentemente, não tem o que fazer. Só sendo.
Imagine que comecei 2009 lendo, entre muitas outras coisas, um artigo retomando a idéia de incluir a palavra AMOR entre os Ordem e Progresso da bandeira nacional. Segundo o articulista, isso seria um incentivo à solidariedade no seio da sociedade brasileira, desorganizada e saturada de problemas socioeconômicos. Com AMOR inscrito na bandeira o brasileiro se sensibilizaria e poderia transformar o País. Ficaria então: Ordem, Amor e Progresso. Uma ilusão, na minha humilde visão.
Na prática, esta idéia remete às origens da inscrição contida na bandeira, surgida na ocasião da proclamação da Republica, com os Jacobinistas (assunto para outra ocasião) marcando presença histórica e impondo parte do lema do movimento positivista liderado pelo pensador francês Auguste Comte, que dizia exatamente: Ordem, Amor e Progresso. Amor por principio, Ordem por base e Progresso por fim. Ou seja, uma idéia copiada dos franceses, sem nenhum idealismo brasileiro.
Tudo bem, deu certo e os brasileiros incorporaram com amor, ao longo desse século e pouco de república.
Quando eu pensava que isso já havia sido demais, ouvi, na Hora do Brasil de ontem (05.01.09), o anúncio do projeto de Lei, do senador Cristóvão Buarque, propondo a supressão total da inscrição Ordem e Progresso, do pavilhão nacional, no ano de 2014, caso, até lá, ainda houvesse analfabetos no país. A justificativa do senador é de que aquela inscrição não faz o menor sentido, diante do imenso contingente de analfabetos, que ainda existe no País. Outra ilusão. Ele quer chamar atenção.
Fiquei atônito diante dessas “genialidades”. E, de imediato, me perguntei: o que será que virá primeiro, o Ordem, Amor e Progresso ou a faixa branca do NADA?
Esta coisa me faz lembrar outras idéias estapafúrdias que surgiram no ano passado. Quem não se lembra das “brilhantes idéias” de implodir o Cristo Redentor – eleito na ocasião como uma das sete maravilhas do mundo moderno – por ser horrendo e de imenso mau gosto, ou a idéia de cassar o título de Padroeira do Brasil, concedido, por Lei, a Nossa Senhora Aparecida? Haja paciência...
Mas, voltando ao caso da bandeira, resta encontrar a lógica dessas idéias de mudar ou suprimir a tradicional inscrição da bandeira nacional. A pergunta que não cala é: desde quando uma dessas mudanças, transformaria o Brasil num país justo para com seus cidadãos e socialmente mais organizado? Ninguém garante.
Para começar, o pavilhão nacional é muito pouco reverenciado pelos brasileiros. A bandeira brasileira só ganha espaço e amor febril, de quatro em quatro anos, por ocasião de uma Copa do Mundo de Futebol. Todo mundo vai às ruas com sua bandeirinha ou bandeirão e, dá-lhe Brasilililililil !!!! Isto, se a seleção se encaminhar bem. Se ocorrer ao contrário, o auriverde pendão é recolhido, mais que depressa. Ou seja, para o povão é, muito mais, considerada uma banal flâmula de um time de futebol, do que qualquer outra coisa. Doloroso...
Noutros países o cidadão comum faz questão de hastear o seu pavilhão nacional na frente de casa e todo dia. A gente anda pela Europa e o que mais encontra são as bandeiras nacionais e, agora, da União Européia, hasteadas em lugar de destaque. Nos Estados Unidos, nem se fala. É uma “febre”! Tem bandeira hasteada em todos os prédios públicos, casas comerciais, bancos, escolas e, até, simples residências pelo país afora. Na 5ª. Avenida, em Nova York, é o que mais se vê. Uma atrás da outra.
Onde se vê isto no Brasil? São raros os casos. Em Brasília, além do bandeirão da Praça dos Três Poderes, podemos ver outra menor no Palácio do Planalto, para avisar a presença de Lula, no Congresso e em alguns outros prédios da Esplanada.
Aqui pra nós, acho que o brasileiro tem é preguiça de hastear (de manhã) e recolher (ao escurecer), a bandeira, a cada dia. Embora existam muitos mastros, por todo lado.
Portanto, do que valerá tirar ou acrescentar inscrições à bandeira brasileira. Ela é bonita e imponente com a mensagem que sempre teve. Ninguém vai mudar o Brasil com idéias tolas como estas.
O caminho para a Nação Solidária e Justa, que se sonha, passa por outros ideários. São os projetos que visam ao desenvolvimento da Educação, da Saúde, do Emprego, com distribuição de renda mais democrática, e um grande projeto de construção nacional visando a Sustentabilidade Socioeconômica e Ambiental, com efetiva participação dos governos e iniciativas privadas.
E você caro leitor, o que acha disso? Responda a pesquisa em cima da Coluna ao lado.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

A Pesquisa sobre a nudança na bandeira nacional foi respondida por 16 visitantes do Blog. 94% disse não concordar com mudanças. Apenas uma pessoa concorda com uma mudança.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano Novo em ritmo preguiçoso

O ano começou, mas, em ritmo de preguiça. Essas duas últimas semanas do ano, de finais longos e quase que colados, deixou a metade do mundo numa lomba danada. Tudo no ritmo de dolce fare niente e comemorações seguidas. As ressacas do Natal e outra, maior ainda, do Reveillon contribuíram decididamente. Tenho me espreguiçado muito, com alguma impaciência, e não entendo como tem gente que gosta de viver ao sabor do ócio.
A noite de Natal foi em família. Junto com minha esposa, filhos e nora enchemos a casa, com os parentes, em torno de uma caprichada mesa natalina e muitos presentes a serem trocados.
Uma oração de agradecimento e o nosso habitual canto de Parabéns Prá Você ao Menino Jesus – presente numa imagem em madeira, talhada em Braga, Portugal, no inicio do Século 19 e herança de família no centro da mesa (Vide imagem ao lado, numa pose especial para o Blog) – abre o que eu considero uma extravagante comilança.
Um detalhe: nessas ocasiões me entrego, por inteiro e cheio de prazer, ao meu lado de Chef de Cozinha e preparo o peru e tender natalinos. Passo dois dias ligado nas coisas que vão sair do forno e fogão. O pessoal gosta e come de se lamber.
O que mais me encantou e preciso comentar, dessa nossa noite de Natal, foi o fato de havermos usado e abusado dos recursos da moderna tecnologia de comunicação, ao “trazer”, para a noite de Natal em família, nossa filha, Manuela, e o genro, Nigel Davidson, que vivem na Austrália. Através de um fantástico programinha instalado nos nossos computadores foi possível que eles participassem da festa da família, acompanhando ao vivo e a cores, todos os lances da nossa noitada. Os computadores passaram a noite ligados e sintonizados nas duas casas, uma no Recife e outra em New Castle (200 km ao Norte de Sydney), onde vive a família do meu genro. Em casa, inclusive, conectei o computador a uma grande TV de LCD, onde as imagens, geradas no outro lado do mundo, davam-nos a sensação, quase física, da presença da família Davidson entre nós. Maravilhoso mundo moderno. Belo presente de Natal.
Desse intercambio, algumas coisas merecem ser registradas: enquanto aqui era meia-noite, na Austrália já era 14h do dia 25, hora, aliás, em que os australianos comemoram o Natal, sempre num almoço solene, em família. A imagem que recebíamos era de um belo dia de sol (eles estão em pleno verão), à beira mar, com uma mesa bem montada, num varandão na casa dos sogros de Manuela. O prato principal era uma ovelha assada ao molho de hortelã e os vinhos eram de boa safra australiana. A Austrália é produtora de grandes vinhos. O clima era de descontração e as pessoas vestiam-se com roupas leves, ao contrário dos brasileiros, com roupas mais soirée e de gala. Brindamos simultaneamente em português e inglês.
Manuela e Nigel, com a família australiana, tiveram a chance de ver cada um de nós, trocar saudações, chorar de emoção, ver os presentes que eram distribuídos, participar das brincadeiras que rolaram, enquanto nós, do lado de cá, matamos a saudade dos dois.
Foi um Natal para guardar na memória.
Viva a moderna tecnologia. Viva a inteligência humana. Que Deus nos permita mais avanços. Nem posso imaginar o que. Mas, fico na expectativa de novidades.
E o reveillon foi numa festa de arromba no Country Club. Muitos fogos, Champagne e outros aditivos. Quando voltamos para casa o sol brilhava e já era ano novo.
Nota: Foto do Blogueiro

sábado, 27 de dezembro de 2008

Um ano de Blog e Feliz 2009

Neste domingo (28) o Blog do GB completa um ano de existência. O que prometia ser puro passatempo, se transformou num compromisso pessoal para um imenso grupo de amigos ou amigos de amigos que se tornaram ilustres e pacientes leitores dos meus artigos e crônicas semanais.
À medida que se ampliava o número de visitantes e surgiam os comentários na página do Blog, aumentava também meu entusiasmo pelo projeto, a ponto de se tornar uma rotina na minha atribulada vida profissional e social.
Descobri que quando aparecia um tema interessante e um tempinho sobrando, pude desenvolver facilmente um script para transformar numa postagem e distribuir entre os amigos. Foi uma deliciosa descoberta.
Com este post, somo 74 temas desenvolvidos e, desde março – quando instalei o contador de visitas –, já vejo registrada a marca próxima aos 18.000 acessos. Para um Blog que pretende ser quase intimista, isto é, restrito a um pequeno grupo de amigos e conhecidos é uma marca e tanto.
Entrei 2008 lembrando a possibilidade de dificuldades na economia com o tema “Feliz (cuidado com) 2008”, imaginado que alguma dificuldade ocorreria no meio do caminho e o resultado todos nós estamos vendo.
Ainda no inicio do ano, registrei impressionado o descuido da Prefeitura do Recife, no tocante a decoração das ruas e avenidas da cidade para os festejos natalinos. Coisa que, aliás, se repetiu neste final de 2008, em maior dimensão. Com a mesma Prefeitura fiquei revoltado por “jogar fora” R$ 3,0 milhões num desfile fajuto da Escola Samba Mangueira – atolada num escândalo de lavagem de dinheiro – no carnaval do Rio de Janeiro, que, ao invés de contribuir, só fez denegrir a imagem cultural do Recife, com alegorias truncadas e que não refletiam a realidade da cidade Maurícia.
Várias vezes comentei sobre problemas do dia-a-dia nacional, entre os quais o renitente problema da Educação e o da Segurança.
Como viajei bastante durante o ano – a negócios ou turismo – tive o prazer de descrever passagens e cenários interessantes do Brasil, entre os quais os da metrópole São Paulo, a beleza de Belém, portal da Amazônia; Brasília e sua efervescência política e o Rio de Janeiro, sempre bonito. Revisitei a Europa e em várias postagens falei sobre a bela e eterna Itália, nas passagens por Roma, Bolonha, Verona e, de quebra, a bela Republica de San Marino. Baixei em Portugal e comentei sobre as belezas lusas e o delicioso bacalhau que degustei.
Noutras ocasiões ri muito, e provoquei o riso de muitos, ao descrever causos do meu dia-a-dia. Quem leu as crônicas sobre os nomes impróprios, sobre os fabricantes de pânicos, sobre o lobisomem, a incrível história do mendigo inadimplente e sobre o assalto do meu genro australiano, se divertiu muito e até hoje comenta, ao me encontrar pela vida afora. Outra que fez imenso sucesso foi a que intitulei de “Eles não foram eleitos”. Esta foi ótima. Depois que terminei a postagem, li e reli, e, sozinho, ri pra valer.
Acompanhei o estouro da crise econômica, nos Estados Unidos, e sofro com o desenrolar. Foi impossível não comentar. E por falar nos Estados Unidos, vibrei com a vitória de Obama e me impressionei com a história da vida deste novo presidente americano.
O post que provocou o maior número de acessos (mais de 250, num único dia), um imenso sucesso, versou sobre a descoberta de petróleo na camada do pré-sal. Provocado por amigos, pesquisei sobre a matéria e inseri um gráfico bem didático que, para minha surpresa, somente depois, a mesma imagem veio a ser publicada na revista Veja. Fiquei muito feliz nessa ocasião.
Outro assunto que me pegou, por duas tacadas, foram as Olimpíadas da China. Nessa ocasião, fiquei admirado com a choradeira dos brasileiros e promovi uma pesquisa sobre o choro masculino, em público. 75%, dos que responderam a enquête, garantiu que chora em publico, sem dificuldades. Ora vivas, os machões brasileiros se modificam.
Em novembro comentei sobre duas divas da música internacional. A primeira foi a sul-africana Miriam Makeba, a Mama África, que morria na Itália em pleno palco e após um belo recital e, a segunda, em pleno vigor da voz, a argentina Mercedes Sosa, La Negra, que se apresentou e encantou os recifenses, na inesquecível noite de 26 de novembro, para uma casa cheia, no Teatro Guararapes, do Recife.
Foram muitos outros temas que abordei e que já começam a se perder na memória.
Mas, o mais importante de tudo isto e, que por justiça, tenho que registrar foi o estímulo que recebi, a cada postagem, dos amigos que se deram ao trabalho de visitar o Blog, a cada ocasião que recebiam o aviso de uma nova no Blog. Muitos comentaram diretamente na página, outros em mensagem para meu email e muitos manifestaram interesse e admiração em encontros pessoais. Isto foi, certamente, o maior estimulo para que o Blog tivesse a vida e a dinâmica que adquiriu. A todos meus especiais agradecimentos e a promessa de manter este canal de comunicação vivo e aberto, pelo tempo que Deus me permitir.
Finalizando, desejo aos amigos leitores um Feliz 2009.
Nota: Imagem do Google Imagens

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

O Anjo Gabriel trouxe a boa nova e Maria aceitou cheia de graça. Com o sim da Virgem, Deus veio habitar entre nós na pessoa de Jesus. Desde então o mundo se transformou. Estejamos sempre disponíveis à ação do Espírito Santo de Deus para abrir nossos corações e entendermos o mistério da sua encarnação e a sua mensagem.
Assim, estaremos propensos a viver em paz com o próximo, a ajudar os fracos e oprimidos a construir um mundo mais digno.

Para todos os leitores e leitoras do BLOG DO GB

FELIZ NATAL 2008

Girley Brazileiro
e família


Sugestão: Antes da sua Ceia Natalina presenteie um menino pobre com um brinquedo. Seu gesto pode mudar o rumo dessa criança. E, se possível, dê uma cesta básica para uma família pobre, para que eles não tenham fome na noite do Natal.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

PRECISAMOS FESTEJAR

Esta coisa de alimentar um Blog, com algum tempo, vira uma compulsão. Naturalmente que as reações dos leitores servem de estímulo e incentivo para que a produção aumente, a cada dia. Fico sensibilizado diante dessas interações amigas.
Tudo que vejo me dá vontade de comentar. Há momentos, como nesta semana, que fico sem saber que tema explorar, diante de tantas provocações. Fiquei impressionado com o caso do garoto de 12 anos que matou, a tiros, um amiguinho, de 10, e enterrou no quintal de casa; de uma garota de 12 anos grávida de gêmeos e, outra, de 20 anos, viciada em drogas e mãe de seis filhos; do brutal acidente em Boa Viagem, provocado por um jovem alcoolizado, matando uma mãe de família, grávida, e deixando em estado grave marido e filhinha. Vibrei com a sapatada que Bush levou, na visita ao Iraque. Decepcionei-me com a descoberta e golpe – seguido de desmoronamento – da pirâmide financeira, do ex-presidente do Nasdaq, fragilizando ainda mais a economia norte-americana e, consequentemente, o mundo financeiro no resto do planeta. Cada um desses casos daria inúmeros posts no Blog.
Perplexo, com tantos desatinos, resolvi dar uma pausa para pensar. Aonde vamos parar? O que podemos fazer? Onde estão os governos? E as ONGs da vida? Os clubes de Serviços? Como educar este mundo?
Não, não quero desanimar. Preciso ter fé e esperança. Afinal, estamos em tempo de Natal. Deixemos renascer as esperanças de um mundo em paz e mais justo.
É nesta época, que a cidade se veste de luzes e cores. Ainda que mascarando a miséria e insegurança reinantes nos arredores, o Recife – assim como, as grandes cidades brasileiras – não deixa de festejar. Afinal, o brasileiro é sempre um povo alegre e gentil.
Para complementar, circulando na espinha dorsal da cidade – a Avenida Agamenon Magalhães – deparo-me com um cenário de Primavera. Nada mais oportuno para animar meu espírito inquieto.
É interessante como, nesta época do ano, quando se vive a estação das flores, no Hemisfério Sul, elas não deixam de se mostrar com força e beleza, mesmo num Recife ensolarado e tropical, insistindo dizer que já é Verão. No mesmo Recife inseguro e assustador para muitos. As flores brotam em amarelo e lilás, dos ipês frondosos, avisando que a vida é bela e renasce a cada amanhecer, sugerindo esperança aos mais apreensivos, como tem sido o meu caso.
É isto aí, tem Primavera no Recife. Corra e vá ver a avenida florida, enquanto o Verão não chega. Parei e fotografei. Especialmente para mostrar ao visitante do Blog.
Foram os ipês floridos que me fizeram esquecer, por bons momentos, as apreensões descritas lá em cima. É Natal e é Primavera. Precisamos festejar. Faz bem à alma.
NOTA: Foto do Blogueiro.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

É TEMPO DE VIRTUOSI

Quando vai se aproximando o fim do ano, logo me lembro que é tempo de Virtuosi. Há mais de dez anos o recifense é brindado com esse que se tornou o mais importante Festival de Música Erudita, que tenho conhecimento, neste Vale do Capibaribe. Um autêntico presente de Natal, para a alma nordestina carente de movimentos desta ordem.
Tudo nasceu do idealismo do fantástico casal formado pela pianista pernambucana Ana Lucia Altino Garcia e seu marido, o Maestro Rafael Garcia, chileno de nascimento e pernambucano de direito e coração, ambos amantes e mestres da boa música erudita.
Há dez anos, cientes da carência, por este gênero musical, reinante entre os pernambucanos, este casal de mestres decidiu transformar o Recife num ponto de encontro anual de uma plêiade de grandes astros da música clássica mundial, para uma jornada de apresentações e concertos, revolucionando o meio cultural da província.

A partir de então, toda vez que se fala em música erudita e concertos sinfônicos, no Recife, a primeira coisa que vem à mente é o Festival Virtuosi. Pensando bem, a história desse gênero musical, na capital pernambucana, pode ser descrito em duas fases: antes e depois do Virtuosi.
Acompanhar este Festival é experimentar de uma pura imersão no que há de mais seleto e autêntico no mundo da musica clássica.
Uma das coisas mais interessantes é que a cada ano os promotores fazem uma homenagem justa aos valores da terrinha. Assim, já foram homenageados: Marlos Nobre, o exímio pianista pernambucano; Antonio Menezes, violoncelista fantástico, que depois de imenso sucesso no exterior, tornou-se conhecido entre nós, graças ao Virtuosi; Maestros Clóvis Pereira e Duda, que, para surpresa do grande público, foram mostrados como compositores eruditos, diferente das famas de carnavalescos e, por fim, o percursionista Naná Vasconcelos, homenageado de 2008, que terá a oportunidade, imagino, de se apresentar em grande estilo, com a Grande Sinfônica Virtuosi. Espero ansioso por essa noite.
Não vejo a hora, também, de assistir as performances de nomes internacionais como: Bjarne Hanse, espala da Sinfônica Odense; o “monstro” no contrabaixo, Catalin Rotaru, Docente da Universidade do Arizona, com lugar cativo no Virtuosi; o “louco” do trombone, que é Christian Lindeberg, o mais famoso do mundo, na atualidade, de volta ao Recife; Ilya Gringolts, prêmio Paganini de 1998, com seu violino; os filhos do casal Garcia, Rafael (Viola) e Leonardo (Violoncelo) Altino, que não negam a máxima popular de que “filho de peixe, peixinho é”; a doutora em Violino Soh-Hyun Park, coreana, professora e chefe do Departamento de Cordas, da escola de Musica da Universidade de Memphis e, outra vez, o exuberante e virtuoso pianista filipino Victor Asunción, que tantos aplausos colheu na temporada de 2007. Tem, ainda, Antonio Meneses (Violoncelo), Marlos Nobre (Piano) e Clóvis Pereira Filho (Violino), gente da terra, que faz sucesso lá fora. Há outros nomes, tão importantes quanto os já citados, mas meu espaço não caberia comentar sobre todos eles. Fico devendo. E os leitores vão ter oportunidade de conferir.
Por fim, naturalmente que vou querer aplaudir muito, e de pé, a dupla dinâmica, Rafael Garcia e Ana Lúcia Altino. O que seria de nós, pernambucanos, se não fosse a garra e a coragem destes dois loucos maravilhosos, que vivem da música e para a música e, todo dezembro, transformam o Recife na capital brasileira da música erudita. Obrigado aos dois! E, atenção, porque é para agendar: Festival Virtuosi de 2008, Teatro de Santa Izabel, a sala de visitas do Recife, de 17 a 21 de Dezembro.
Notas: Sugiro clicar no banner ao lado e conhecer a programação completa do Virtuosi 2008.
Foto: Virtuosi.com.br

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

FESTA NO MORRO

Dia 8 de dezembro é feriado municipal no Recife. A cidade volta suas atenções para o Morro da Conceição, no bairro de Casa Amarela, onde se festeja e se rende homenagens a uma das padroeiras da cidade, Nossa Senhora da Conceição. Trata-se de uma manifestação religiosa secular, cujo epicentro é a imagem gigante da Virgem da Conceição, trazida da França, no ano de 1904. Mede 5,5 metros de altura e pesa 1.806 kg. Foi ali colocada, pela então Diocese do Recife, em comemoração ao cinqüentenário do dogma da Imaculada Conceição. Na mesma ocasião foi também construida uma capela em estilo gótico e aberta uma estrada para acesso ao local. Devida a sua posição alta e privilegiada, a imagem da Virgem é vista de vários pontos da cidade.Não tardou muito e a localidade se tornou um bairro populoso e ponto de romarias, não apenas para os católicos recifenses, mas também para inúmeros de outros pontos do país.
Também não tardou muito para se formar um pólo de festejos profanos, que rola durante uma semana que antecede o oito de dezembro de cada ano, quando ocorre o ponto culminante e encerramento da festa.
Desde de muito jovem tenho o hábito de subir o Morro da Conceição, cada oito de dezembro. Misto de religiosidade e curiosidade. Sempre fui muito chegado a observar as manifestações culturais, daqui e de alhures. Quem me levou a cultivar este hábito foi um compadre, já falecido, que morava na subida do Morro e, invariavelmente, transformava o dia de N. S. da Conceição num grande momento de confraternização. A casa dele virava um ponto de encontro de amigos, amigos dos amigos, politicos e artistas, de onde partiam para empreender a subida ao Morro. Na volta, ele oferecia uma farta mesa com toda sorte de substanciosas iguarias populares, como sarapatel, buchada, dobradinha, tripa assada, mão-de-vaca, arrumadinhos, entre outros, regadas por um boa pinga ou uma cerveja geladinha, providencial para baixar o calor reinante no início de cada verão recifense.
Mantendo a tradição, subi o Morro hoje de manhã. Fui beijar a pedra.
Percebo que a cada ano aumenta o número de romeiros. Vi pessoas de todas as camadas sociais. Ricos e pobres. Políticos e empresários. Pequisadores. Muita gente. Muitas trajando uma mortália azul (cor do manto da Virgem), outras que subiam ajoelhadas, algumas sobem ou descem de costas. Crianças novinhas são levadas aos pés da Santa, para agradecer a vida. Soube que um cidadão subiu, ainda na madrugada, “nadando” para agradecer o milagre de haver sido salvo de um naufrágio.
Nos pés da Santa, no alto do Morro, em locais especiais, os romeiros acendem velas. São milhões de velas. O calor se torna insuportável e o corpo de bombeiros mantem-se sempre presente para apagar as frequentes labaredas mais altas.
Durante a subida é impossivel não notar a presença de comerciantes informais vendendo artesanatos, imagens, velas, comidinhas, água e picolé e dos pedintes que se postam, ao longo do percurso. Velhos deficientes, moços desempregados, mulheres jovens arrodeadas de inúmeros filhos que chegam a passar a noite inteira num dos pontos da ladeira, esperando a passagem dos peregrinos. Ali, na maior promiscuidade, dormem amontoados, em colchões estendidos na calçada, comem, bebem e fazem suas necessidades fisiólogicas, insençando o ambiente de forte odor de urina. A Prefeitura tenta controlar a presença, sobretudo dessas levas de crianças, mas é sempre burlada.
Como tudo na vida, há sempre um lado cômico a ser registrado e, neste caso, fica por conta dos nomes pitorescos, das crianças que se espalham e são chamadas pelas mães aflitas. Nomes quase sempre inspirados nos astros do cinema ou da TV. Parei para ouvir gritos por Jacqueline, Joelma, Michael Jackson, Morgana, Madona, Sabrina, entre outros. É engraçado, todo mundo querendo ser importante.
Salve a Virgem da Conceição e sua Festa popular.

Nota: Fiz esta crônica lembrando do meu Compadre Sebastião Alves, agora, certamente, vivendo no Reino do Céu. Ao descer do Morro visitei a viúva, Carminha, sempre bondosa e gentil e lembrando, aos choromingos, o finado Bastião.
Fotos do Blogueiro.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

ACREDITE SE QUISER.

Quando, há quinze dias, eu falei que estava ficando difícil e que havia perdido as esperanças, diante da onda de assaltos e arrastão na porta de casa, muita gente reagiu e me aconselhou não perder as esperanças. Porque perder as esperanças é o mesmo que perder a fé. Pensei muito sobre isto. Meditei e busquei respostas para minhas perplexidades.
Os dias foram passando e já me recuperava do susto, quando ouço falar de um outro “arrastão” no maior shopping center da cidade. Povo correndo em desatino, lojas fechando as portas e pânico geral. Achei que foi uma coisa audaciosa, dei graças a Deus não ter sido vitima dessa emboscada e voltei à estaca zero nas minhas reflexões a respeito da insegurança reinante na minha cidade.
Não temos em quem confiar! Esta é a realidade dolorosa.
Mas, para minha surpresa, ainda maior, eis que os bandidos atacaram, outra vez, na minha região e numa rua paralela à minha. Nas barbas da policia de plantão na esquina da Telles Junior, após o arrastão de quinze dias atrás. Desta vez, eles fizeram uma investida na rua paralela, a Carneiro Vilela, distante, apenas, cem metros da guarnição policial de plantão. Parece mentira! Inacreditável. Fica difícil morar nesse miolo do, antes aprazível e tranqüilo, bairro dos Aflitos, por trás dos clubes Náutico e British Country Club. É uma ironia. Agora sim, podemos dizer que estamos, literalmente, aflitos. Tem sido, minha gente, uma guerra não declarada.
Nestas duas ruas, ultimamente, ninguém pode ver um carro parado no trânsito. Pensa logo que vai sair, lá de dentro, uma quadrilha de bandidos armados.
Eles estão desafiando a policia. Parece que brincando de “gato atrás do rato”.
Está claro que não temos mais a quem apelar. A polícia de plantão na rua é “cega e surda”. A Delegacia do Distrito faz, aparentemente, um “faz de contas”. Governo do Estado? Coitado. Só pensa na campanha eleitoral de 2010. Lula também. Este, aliás, não faz nada pela segurança pública do País. Não dizem nada para ele. Não sabe de nada. Com razão, aliás, porque anda tranqüilo, cercado de seguranças e, pensando bem, é capaz de pensar que esses assaltantes são pobres coitados, injustiçados pelo cruel sistema social brasileiro. É danado não ter a quem apelar. Estamos ao Deus dará. Só resta, quem sabe, pedir socorro ao Conselho de Segurança Nacional ou o da ONU! Ou a Bento XVI! Entreguei-me, com minha família, a Deus. Perdi as esperanças, é claro. Não posso dizer outra coisa.
Acredite se quiser. Mas, uma coisa eu garanto: tudo isto é verdade.
Nota: Foto do blogueiro da manchete do Jornal do Commercio, do Recife, dia seguinte ao segundo arrastão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O JAPÃO NO RECIFE

Mais uma vez, neste último domingo de novembro, o bairro do Recife Antigo, se transformou num ambiente nipônico, com a já tradicional Feira Japonesa do Recife.
Pelo décimo segundo ano consecutivo os integrantes e simpatizantes locais da cultura do País do Sol Nascente, reunidos em várias associações recifenses, deram-se os braços e promoveram o que vem sendo considerada uma das mais belas festas populares do calendário turístico da cidade do Recife.
A Rua do Bom Jesus foi transformada numa autêntica rua japonesa. Logo na entrada um imenso Tori (portal estilo japonês) denunciava a transformação do local. Depois disso, eram muitos bambus, carpas decorativas e lanternas, entre outros adereços, dando um especial colorido ao ambiente e atraindo um público calculado em, aproximadamente, 40 mil pessoas circulando durante o domingo inteiro.
Barracas foram montadas para a comercialização de produtos artesanais, alimentos e bebidas, arranjos florais japonesas (ikebana), bonsais e vestuários típicos completaram a festa e deram alegria aos consumidores e comerciantes.
No final da Rua, na Praça do Arsenal de Marinha, foi montado um grande palco, onde desfilaram inúmeras atrações, locais e de fora. O ponto alto dessas apresentações foi o Grupo Ryukyu Koku Matsuri Daiko, de São Paulo, que deu uma exímia exibição de percussão com taikôs (tambores). Houve ainda as apresentações de Taikôs de Recife e da Paraíba e de uma cantora japonesa, Mio Matsuda, que arrancaram demorados aplausos do imenso publico que prestigiou o Festival.
Um espetáculo à parte ficou por conta da turma do Anime-Mangá-Tokusatsu. Essa turminha virou atração especial, ao fechar uma das ruas do pedaço e, com suas indumentárias tiradas dos filmes de desenho animado e gibis japoneses, surpreenderam os menos avisados e encantou a turma jovem.
A Feira deste ano serviu de fecho das comemorações do Ano do Centenário da Imigração Japonesa no Estado, sobre o qual já falei, outro dia. Foi, na verdade, um encerramento com “chave de ouro”, devido ao sucesso do que se viu ontem no bairro do Recife Antigo.
Por fim, registro uma especial atração da Feira deste ano que foi a Gincana Cultural do Centenário, na qual 32 alunos de oito escolas públicas, do Município e Estado, enfrentaram uma maratona de estudos, pesquisas e práticas dos costumes, artesanato, história, gastronomia, esportes, religião e outros aspectos do quotidiano japonês, num verdadeiro mergulho naquela cultura oriental. Coordenei esta gincana e vibrei, junto com a moçada (de 15 a 17 anos), mostrando as habilidades no uso do hashi (pauzinhos japonesas), confeccionando origamis, vestuário e conhecimentos gerais. Tenho a certeza de que, hoje, esses adolescentes pernambucanos sabem de tudo sobre a cultura japonesa. Como em qualquer outra gincana, foram proclamados vencedores da disputa e distribuídos prêmios valiosos. Porém, o mais importante, ao meu modo de ver, foi que esses jovens – todos de famílias de origem humilde – lucraram culturalmente e jamais esquecerão a experiência que tiveram.
Tudo isto não seria possível se não fosse o empenho do Consulado Geral do Japão no Recife, da Prefeitura da Cidade, das associações culturais japonesas e da Associação Nordestina de Ex-Bolsistas no Japão, que deram de tudo para o sucesso do evento.
Deu um trabalho imenso. Mas, valeu à pena.

Dedico esta crônica a minha amiga e colaboradora, Zélia Faria, diretora cultural da Anbej, que trabalhou feito uma louca, para coordenar a execução da 12a. Feira Japonesa do Recife. Valeu Zélia!
Nota: As fotos são do Blogueiro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

VIVA LA NEGRA

Ainda vivíamos a década de 70, quando uma amiga – Leony Muniz – “apresentou-me” Mercedes Sosa, La Negra. Apaixonei-me, de cara, pela voz e pela história dessa argentina fantástica. Sai comprando todos os discos – long play, na época – lançados na praça.
As estações de rádio do Brasil davam espaço e cantores famosos, como Caetano Veloso e Milton Nascimento, abriam fatias generosas dos seus shows para que La Negra se apresentasse ao publico brasileiro. A cada apresentação crescia sua legião de fans.
Perseguida pelos ditadores argentinos ela foi proibida, a partir de 1976, de cantar na sua própria terra e, com isto, preferiu se refugiar na Europa – Espanha e França principalmente – onde fez um sucesso ainda maior e sua fama correu o mundo.
Com a democratização da América Latina e, sobretudo, na Argentina, Mercedes Sosa retornou a sua terra natal e continuou sua trajetória artística.
Hoje, 25 de novembro de 2008, assisti a um grandioso show dessa Diva da música popular latino-americana, no Teatro Guararapes, do Recife. Estou em estado de graça.
Em cima dos seus 72 anos, a mulher soltou a voz, tão firme quanto há 35 anos, encantando uma platéia comovida pelas músicas e poemas por ela interpretados.
Numa entrada triunfal, foi recebida de pé e aplaudida por longos minutos.
Daí em diante, foi quase duas horas de um repertório que mesclou antigos e novos sucessos. Ao interpretar Gracias a La Vida e Volver a los 17, dois dos seus grandes sucessos dos anos 70, a mulher galvanizou o publico. Vi gente enxugando as lágrimas.
Com razão. São musicas que remetem a um tempo político difícil, no qual somente as composições musicais de artistas de vanguarda e engajados nos movimentos pró-democracia encantavam a juventude da época, que são os maduros de hoje e que compunham a platéia desta noite. Foram sambas (a la argentina), chacareiras e outros gêneros musicais da nação irmã, num desfilar de interminável sucesso.
Mas, não foram apenas as musicas argentinas que arrancaram os aplausos no Guararapes. Composições musicais brasileiras, entre as quais Coração Vagabundo, Insensatez e Coração de Estudante, além de emocionar os tupiniquins presentes, revelou uma argentina amante da Terra Brasilis. E ela, sem se fazer de rogada, respondeu com um sonoro “Muito Obrigado”. Nem preciso dizer qual foi o clima que se instalou.
La Negra está pesando além do normal. Imagino que, cento e bote força. Anda com dificuldades. Sempre ajudada. Já não faz as evoluções coreográficas do passado. Não dança, por exemplo, uma Chacareira. Apenas mexe, graciosamente, com os braços. Canta sentada e, como sempre, envolta em muitos panos. Na verdade um imenso poncho. Uma iluminação especial e em permanente movimento, substitui a coreografia da artista do passado.
Ainda assim e, não obstante, a relativa paralisia, Mercedes Sosa resolveu pedir ajuda, pôs-se de pé e ensaiou algumas evoluções, cantando “Maria! Maria!”, composição de Milton Nascimento, para encerrar o show desta noite. Foi o ápice dessa apresentação inesquecível. Ninguém conseguiu ficar sentado. Algo em torno de mil pessoas, de pé, cantou junto com ela. Foi, eu diria, apoteótico. E, sinceramente, com forte tom de despedida.
Viva La Negra! Como Mama África – sobre a qual falei recentemente – uma Voz da Liberdade, neste caso, da América Latina.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

PERDI AS ESPERANÇAS

Está ficando muito difícil. As autoridades perderam o controle da situação da segurança na cidade do Recife. À medida que o tempo vai passando, dá para perceber que os assaltos, roubos, furtos e assassinatos tornaram-se corriqueiros e verdadeiras banalidades do dia-a-dia recifense. As pessoas já ouvem falar dessas barbaridades, como sendo coisas de rotina. Recebem a informação de forma indiferente. Coisa comum e sem surpresa. Às vezes a noticia passa desapercebida.
Hoje em dia, a gente já sai de casa com o espírito preparado para um eventual episódio, tamanha é a freqüência da coisa. Cuidado aqui ou ali, cortando sinal vermelho, escolhendo por onde circular, vivendo um autentico suplício. Haja estresse.
Interessante é que os mais otimistas tendem sempre a pensar que a coisa só acontece com os outros e a certa distancia, o que é um ledo engano, devido a constância.
Esta semana fui surpreendido, na frente do prédio onde moro, no Rosarinho, com um audacioso assalto a oito veículos encurralados pelos bandidos, entre duas transversais, usando dois automóveis atravessados na via pública. A Rua Teles Junior é estreita, com muitos prédios, muitos habitantes, sempre cheia de veículos estacionados dos dois lados e com estreita pista de passagem para um intenso tráfego. Foi uma “barbada” para os assaltantes. Após obstruírem a rua, em dois pontos estratégicos, “fizeram a feira” em poucos instantes e partiram em disparada, levando as chaves de todos os veículos represados. Era um bando de mais de dez. Restaram oito motoristas e seus acompanhantes em estado de desespero, sem lenço, sem documentos, sem dinheiro e, com certeza, sem esperanças de paz.
Na manhã seguinte os jornais traziam o retrato da calamidade com a clamorosa manchete: Arrastão e Terror em Rua do Rosarinho. A minha rua! Foi a violência batendo a minha porta.
É isto aí, meus amigos. Sinto que estamos perdendo as esperanças de ir e vir tranquilamente. De viver, mesmo dentro de casa, sem temor. Perdendo as esperanças de viver numa cidade segura.
As autoridades vivem de promessas e sem apresentar resultados tangíveis. Os marginais já devem rir à toa, com tanto sucesso que alcançam nas suas ações devastadoras. E pela facilidade que encontram, as organizações criminosas se multiplicam diante da impotência do Estado. Há uma verdadeira máquina de criminalidade.
É verdade que é um problema nacional. Mas, no Recife as coisas estão sem limites. A cidade está inviável. Acredito que esta geração não terá chances de viver num ambiente de paz. Serão necessários muitos anos para que uma estratégia política de ordem e segurança vingue por estas bandas. Vai ser preciso um trabalho de base que salve da marginalidade as próximas gerações , a base de educação, saúde, moradia e emprego necessários a esta população que vive nas periferias das nossas grandes cidades, incluindo o Recife.
Estou certo de que não será uma coisa para o meu tempo. Tomara que seja para meus netos. Sofro por conta da minha falta de esperança, mesmo que ela seja a última a morrer, conforme a sabedoria popular.
Nota: Foto obtida no Google Imagens .

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Cuidado! Tem Lobisomem na Praça

Eu faço questão de ter um café-da-manhã tranqüilo. Com suco, frutas variadas, café preto ou com leite e torradas com geléia e queijo branco. Enquanto isto, ouço – diariamente – a Ave-Maria de Gounoud, em tom bem baixinho. O CD nem sai do meu 3 em 1. Nunca. Ah! Leio os jornais do dia, também. É uma hora de tranqüilidade e preparação para o dia que começa, quase sempre, muito movimentado.
Minha tranqüilidade só é quebrada pela minha Secretária Doméstica, D. Iracema, que, freqüentemente, trás noticias de um mundo, digamos, quase cão, onde ele habita.
Outro dia, não posso esquecer jamais, chegou me dizendo que por lá (região pobre Recife, por trás dos bairros do Arruda e Água Fria) tem gente que quando morre, o corpo é jogado no canal por falta de dinheiro para um sepultamento, por mais simples que seja. Telefonam para a Polícia, que chega a seguida, levanta o corpo e enterram como indigente. Pense na minha cara. Fiquei abismado com essa realidade chocante. Francamente, não é um mundo cão? Fora disso, assassinato, prisão de maconheiro e assaltante, extermínio e estupro é rotina naquelas bandas.
Esta semana Iracema está em verdadeira polvorosa. Vive alarmada com uma novidade que se espalhou pela região, de que um lobisomem anda solto pela área, pintando miséria. Ataca a partir da meia-noite “Inté o raiá do dia!!!!” no linguajar dela. “E esta semana que tem noite de lua-cheia, o bicho vai pegar!” O curioso é que Iracema, coitada, tem uma prótese ocular no olho esquerdo – que, aliás, ela diz ser uma próstata (!) ocular – e, quando fala, arregala um olho só. É uma cena... “Tô cum medo de sair de noite e de vortá prá casa!”. Aconselhei-a que ficasse por aqui, para não cair nas garras do monstro. “ De jeito nenhum! Tenho que vortá pá tomá conta das minhas fias e netas. Esse danado de lobisomem tem sede de minina fema e mulé donzela!”
Confesso que fiquei dando corda no papo e conferir até que ponto chegava. Uma vontade danada de rir. Como é que pode? Em pleno século 21!
Segundo Iracema, os lobisomens são filhos amaldiçoados pelas mães. “Praga de mãe, pega que nem gripe, Dotô Giley.” E acrescentou: “Ou então, é no que dá dessas mulé severgonha que transam com cachorro e fica grávida de lobisomem”. Disse, com uma boca miúda, baixinho e cheia de pudor. Dei um pulo da mesa e me sai com algo, mais ou menos, assim: “Ah não! A Senhora, agora, foi longe demais! Que coisa mais feia! Eu não acredito numa sujeira dessas. Isso é outra invenção sua!”. “ Ôxi!, qué bem mi dizer que num sabe! É o que mais tem por aí. Inclusive essas mulé da alta, que o Sinhô conhece, que é rica e pode ter o homem que quiser, mas prefere um cachorro! E, quando o minino lobisomem naice, ela manda jogá na mata, porque ninguém vai querer um lobisomem sorto dento de casa. Tá pensando o que? O que mais tem no mundo, é mulé severgonha.” Aí, não tive jeito de segurar. Ri, como diz Geraldo Pereira, “à bandeiras despregadas”.
O imaginário popular é uma coisa fantástica. Em qualquer lugar do mundo se manifesta e cria essas figuras folclóricas.
Indiscutivelmente, estou falando de um traço cultural que, ao mesmo tempo, mobiliza as pequenas comunidades, em verdadeiras festas macabras, inclusive, ocasionando o surgimento de aproveitadores da inocência coletiva. Isso dá um trabalho daqueles à Policia.
São essas histórias populares do dia-a-dia, que entram pela porta da minha área de serviço e me surpreende na mesa do desjejum.
Na noite desta sexta-feira, com lua cheia, a Comunidade de Chão de Estrelas, onde vive Iracema e sua prole, vai se mobilizar para pegar o danado do lobisomem que anda solto por lá. Tem homem armado, de pau e pedra, por todos os lados. “ Tenho fé em Deus que vão pindurar o danido morto, num poste da praça!” Disse Iracema, cheia de esperança e confiança.
Até que ocorra essa emocionante captura, ela vai se apressar por encerrar o expediente dela, aqui em casa, correr assustada e se trancafiar num quarto, com as filhas e netas que, segundo ela, estão dormindo juntas e amuquecadas numa mesma cama. Mortas de medo! Aliás, ela garante que nem consegue dormir, porque fica “atucaiando a porta”.
Pensando bem, tenho que ser grato a essa figura do dia-a-dia da minha casa, porque ela é meu link com a realidade social do povão. É ela que me arrasta do alto da pirâmide social que vivo e me mostra – sem pena e cruelmente – a maneira de viver da gente humilde e desassistida.
Mas, por via das dúvidas, cuidado! O lobisomem está por aí... Não duvide! Que ele pegue e estraçalhe quem discordar disso.
Aliás, sabe de uma coisa? Para me precaver, vou recomendar a Sonia, minha mulher, que volte cedo do trabalho, de preferência com a luz do dia. Seguro morreu de velho!
Nota: Imagem colhida no Google Imagens

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Adeus, Mama África

Quando o DJ atacava de Pata-Pata, nas discotecas da minha juventude, a moçada ia à loucura. A pista de danças ficava pequena e o “rala-rala” dos corpos em evolução dava o tom da alegria da noitada. Tratava-se de uma música que explodia nas paradas de sucesso do mundo inteiro.
Tempos depois, quando já nem me lembrava, fui ouvi-la na distante África do Sul, nos idos de 1996, quando andei por lá, numa Missão de negócios. Estranhando o sucesso tardio, comentei a um nativo de que a época dessa música, no Brasil, havia ocorrido muitos anos antes. Para minha surpresa, meu interlocutor explicou que Pata-Pata será, para os sul-africanos, um eterno sucesso, por ser da autoria da mais famosa cantora do país, Miriam Makeba, mais conhecida como Mama África, pela sua internacional militância em favor da independência das nações africanas, na segunda metade do século 20.
Intrigado com aquela novidade, fui atrás de discos, digo CDs, da cantora famosa do país que eu visitava pela primeira vez. Mais do que isso quis saber a respeito da vida dela, já que se tratava de uma personalidade política de um povo que experimentava a liberdade, depois da sombria Era do Apartheid. Mandela estava em liberdade e governando a Nação que ajudou a construir. Era uma história que andava me fascinando e me levando a explorar tudo quando estava ao meu alcance, ou seja, lances históricos, personagens e futuro. Foi quando soube que ela, Miriam Mabeka, depois de longos anos no exílio, por insistência de Nelson Mandela havia retornado a África do Sul, sua terra natal, em 1992 e de lá continuava fazendo sucesso no mundo inteiro, enquanto desenvolvia um trabalho social de apoio a adolescentes em situação de risco, nos subúrbios de Johannesburgo.
Não tive o prazer de conhecê-la ou de assistir alguma das suas apresentações.
Hoje (11.11.08), amanheci o dia lendo, nos jornais do Recife, a noticia da sua morte repentina, ontem, na Itália, aos 76 anos de idade. Lamentável. Depois de um show, em favor do escritor Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia italiana. Morreu quase que cantando, desmaiou, ainda no palco, quando se preparava para um bis, ao som de aplausos dos fans. Talvez, como um dia desejou. Seguramente feliz. Morreu em plena militância política em favor dos oprimidos. Morreu sendo a voz da África. Cantando a verdade, como sempre dizia. “Eu não canto nunca para a política, mas sim para a verdade” esta foi sua declaração mais famosa.
Calou-se, assim, uma voz lendária do Continente Africano, pouco conhecida ou divulgada no Brasil. Não tenho noticias de apresentações por nossas bandas.
Mama África, uma zulu de alma, ficou mais de 30 anos no exílio. Foi como pagou pelo intenso combate que exerceu contra a degradação do seu povo, sob o jugo dos chamados nacionalistas africaners, de origens holandesa e britânica. Correu meio mundo na sua vida de exilada. Inglaterra, Estados Unidos, onde experimentou do maior sucesso e chegou a cantar na Casa Branca, na época de John Kennedy e, por fim, na Guiné. Suas musicas que misturavam ritmos tradicionais africanos com blues, jazz e gospel foram proibidas no seu país natal, devido às denuncias contra o regime racista sul-africano, na ONU, no remoto 1963, quando ela contava com apenas 31 anos de idade.
Pata-Pata, embora sendo de 1956, estourou nas paradas de sucesso do Brasil, se não me falha a memória, nos anos 70. Só pode ser ouvida pelos sul-africanos com o fim do Apartheid.

Nota: As fotos forma colhidas no Google Imagens

domingo, 9 de novembro de 2008

Vitória da Raça

Sem dúvidas o maior acontecimento da semana foi a vitória de Barack Hussein Obama na eleição de Presidente da República, nos Estados Unidos.
Muito se espera do novo presidente norte-americano. Acho que qualquer que fosse o vitorioso seria assim. O nefasto governo de Bush fez com que o mundo inteiro torcesse por uma mudança e colocasse todas as fichas nesse jogo. Aliás, pensando bem, foi Bush o maior cabo eleitoral de Obama.
Há muitas décadas os norte-americanos não se mobilizavam, para uma eleição, como ocorreu na semana que passou. Dessa vez o eleitor não ficou apático. Foi às ruas, fez campanha, gritou, votou – houve uma afluência nunca vista às sessões eleitorais – e comemorou a vitória, dando testemunho de que lá se pratica a maior democracia do planeta.
Os Estados Unidos, mergulhado na maior crise econômica de todos os tempos e as portas de uma longa recessão, esperam dessa sua nova liderança algo como passes de mágica para tirar o país do buraco que Bush colocou. A expectativa é tamanha que assusta os mais avisados e conscientes do desafio. Não vai ser uma coisa fácil. E é aí onde reside a preocupação da equipe de governo já se formando. O primeiro discurso, não o da festa da vitória, numa grande Praça em Chicago, que foi carregado de emoção, mas o da primeira coletiva à imprensa mundial foi claro ao avisar das dificuldades e pedir calma.
Mas, não é desses aspectos político-econômicos que quero falar. Ao invés disso, tenho me detido mais em observar a alegria do povo negro norte-americano. Esta sim foi uma vitória retumbante. Conheço os Estados Unidos de Norte a Sul e Leste a Oeste. A primeira vez que estive por lá foi no longínquo 1967. Muito jovem, tive a oportunidade e a curiosidade de observar as relações entre brancos e negros e senti, claramente, a diferença que se impunha entre os cidadãos das duas raças.
Vivi os tempos de campanha de Martin Luther King e acompanhei o episódio do seu assassinato em 1968. Em 1972, de volta aos Estados Unidos e, mais precisamente, a cidade de Atlanta (Geórgia), no Sul do País, onde a questão racial sempre foi mais acirrada, fiz questão de visitar o túmulo desse mártir pela luta contra o racismo na Terra de Tio San. Lá mesmo, na capital da Geórgia, como sinal da separação racial, fui recomendado atentamente, pelos meus anfitriões e por um primo que fazia intercambio, de não entrar, por descuido, no bairro comercial dos negros. Isto numa época em que a coisa já era, oficialmente, inaceitável. Temia-se que eu fosse abordado de modo adverso pelos negros, ainda vivendo em guetos.
Noutras ocasiões, e, até recentemente, sempre que volto aos Estados Unidos, visitando lugares diferentes – grandes centros e pequenas cidades – não percebi progressos muito claros nesse relacionamento. Naturalmente, que vi negros e brancos, circulando juntos, em todas as partes. Mas vi, também, que a coisa nunca deixou de ter o ranço do preconceito histórico.
A vitória de Obama pode marcar o ponto final dessa diferença e o exemplo vai levar o resto do mundo, de uma vez por todas, alijar o racismo, onde quer que ele ainda exista. Os democratas com mais facilidade do que os republicanos, mas provavelmente todos juntos, em honor ao President of The United States of América e a tradição democrática do país vão perceber que não cabe mais alimentar o ranço. Acho que a Nação vai se unir em torno desse homem que vem com a aura de Salvador da Pátria.
É minha gente... A História muda. Nasce uma nova América. Para gáudio do Planeta! É a vitória da raça, 40 anos depois da morte de Luther King, que é considerado o fundador da moderna democracia norte-americana.
Nota: As fotos de Obama e Luther King foram colhidas no Google Imagens

domingo, 2 de novembro de 2008

O Mendigo Inadimplente

Bastião (nome fictício) é deficiente físico – anda com ajuda de muletas rudimentares – e fez da “profissão” de pedinte seu ganha-pão. Seu “estabelecimento comercial” é num movimentado cruzamento, no bairro dos Aflitos, Recife. Todo santo dia o sujeito está por lá pedindo um trocado aos que param em atenção ao semáforo e, dessa forma, ganha a vida e sustenta uma família de vários rebentos. Só vendo como o pobre “trabalha”. Acho que tem o sovaco mais sofrido da cidade.
Penalizado com o infeliz ofereci, certo dia, uma oportunidade de emprego na fabrica de vassouras de um amigo. Salário mínimo, carteira assinada, INSS, FGTS, vales transporte e refeição, cesta básica, salário família e tudo mais que um trabalhador formal recebe. Para minha surpresa recebi um tremendo NÃO. “Tá brincando dotô... saláro mínimo? Tô fora! Dá não... aqui eu tiro muito mais...” O sinal abriu, passei uma primeira e segui minha trajetória, abestalhado com o que ouvi e disposto a nunca mais, digamos, colaborar.
Passado algum tempo, na época em que mudaram o transito na área e o fluxo de veículos diminuiu, parei meu carro atendendo ao sinal amarelo de atenção e lá me vem Bastião com uma insólita conversa. A coisa foi mais ou menos assim: “Dotô, tudo bem? Colabore aí, hoje. Tô meio atrapaiado. A loja mandou me dizer que tô inadiprente... Acontece que o movimento por aqui diminuiu muito, só passa carro prum lado e o movimento tá ruim demais. Deixei de pagar três prestação da televisão e da geladeira... parece que vão lá em casa tumar tudo de vorta.”
Nem preciso comentar o tamanho do meu espanto. O cara estava me explicando o motivo da sua inadimplência na praça! Um simples esmoleiro! Quase não acreditei no que ouvi. Ainda de olhos, certamente, bem arregalados escutei a melhor parte: “Dotô, eu sei que o Sinhô é devogado, por favor me ajude...” Respondi, apressado, que não era Advogado, que era Economista, passando uma primeira e partindo. Ainda deu tempo de vê-lo com olhos arregalados, bem espantado, e exclamando: “Vixe Dotô! O Sinhô é comunista! Nunca pensei!” Dali prá frente ele não quis mais negócio comigo. Quando eu passo por lá, ele olha desconfiado... deve dizer, lá vai aquele comunista. E, continua por lá. Há, pelo menos, 30 anos. Isto é um exemplar retrato do Brasil!
Nota: Imagens colhidas no Google Imagens

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

CÁLCULO ERRADO

Nas minhas idas e vindas Brasil afora, quase sempre em missão de trabalho, algumas coisas chamam-me à atenção. Coisas que muitas vezes comento aqui neste espaço e coisas que se acumulam na memória e, de repente, afloram de e maneira clara e pedindo reflexão ou comentário.
Ontem à noite, por exemplo, voltando de mais uma ida a Brasília, observei que naquela cidade há também um tremendo problema de trânsito.
Fiquei impressionado, a caminho do aeroporto, com o pesado fluxo de automóveis que saia, por volta das 19h, do chamado Plano Piloto – a área central da Capital Federal – para as cidades satélites. Isto, porque a opção do trajeto foi a via que margeia o Lago Sul, considerada melhorzinha. Momentos houve, de paralisia geral do transito, que senti a sensação de que perderia o vôo. Conduzido por um amigo, fui informado de que isso é rotina.
Vejam só! O brasiliense, para cumprir suas agendas, já começa a se programar considerando o tempo que vai perder no deslocamento. Quem diria? Uma cidade projetada para ter um trânsito fluído, sem cruzamentos e sem semáforos, transformada num inferno recheado de automóveis.
Acho que os projetistas da Capital, na primeira metade do século passado, subestimaram duas coisas: o poder de atração que a nova capital exerceria sobre boa parcela da população que terminaram por elegê-la como domicilio e, depois, a popularização do automóvel neste país de Cabral. Indiscutivelmente, foi um cálculo equivocado.
É isto mesmo. Brasília está inchada. São inúmeras as cidades satélites e os núcleos residenciais no entorno do Plano Piloto que funcionam como dormitórios, despejando, diariamente, levas e mais levas de trabalhadores comuns, vendedores ambulantes, funcionários públicos, comerciários, bancários, funcionários de embaixadas e organismos internacionais, entre outras categorias, na região central resultando num movimento populacional que já ultrapassa a casa dos 2 Milhões. Ora, Brasília foi projetada para abrigar, quando muito, apenas 650 Mil habitantes. Resultado é que a cidade ficou pequena para abrigar tanta gente. Depois do sufoco no transito, encontrei o Aeroporto JK apinhado de gente. É o terceiro aeroporto mais movimentado do País. Ali ocorre, a cada dia, uma prova concreta de que viajar de avião virou uma coisa corriqueira neste país. É impressionante o movimento de passageiros naquele terminal do Planalto Central. E aí, outra constatação: o aeroporto de Brasília é outra coisa que, também, ficou pequena para o imenso número de vôos que chegam e partem dali. As salas de embarque são confinamentos acachapantes e parecem ser sempre desorganizados. No meu caso, ontem à noite, antes do embarque apontavam um determinado portão, lá dentro o portão era outro. Um estrangeiro, coitado, ficaria perdido e desorientado.
Dado o embarque, vi-me numa aeronave literalmente lotada. Tem sido sempre assim. Há muito tempo só viajo em aviões lotados.
Enfim, considerando o calor de 37º C reinante nos últimos dias na Capital Federal, um outro “calor” emitido pelo debate da Crise Internacional, a baixa umidade relativa do ar, os engarrafamentos no transito, a poluição seca e sufocante de poeira e queimadas, o avião lotado e apertado, a gravata, o paletó, uma maleta de rodinhas e um notebook pesado a tiracolo... estou cansado até agora, depois de passadas 24 horas. É duro agüentar essa Brasília do século 21, sendo exigida a mais do que o que calculado.
Nota: Imagens obtidas no Google Imagens. Panorama de Brasilia e engarrafamento em Brasilia

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nas mãos da China

Hoje fiz diferente. Sem outro assunto para uma postagem, salvo os que se referem à Crise Economica, preferi postar um artigo que li ontem no Diário de Pernambuco, da autoria de Paulo Paiva, do Jornal O Estado de Minas. Ele foi muito feliz na sua analise jornalistica, com a qual concordo plenamenta. Esta é, aliás, a preocupação dos cidadãos norte-americanos, segundo meu irmão Gustavo Brasileiro, economista, radicado nos Estados Unidos, com o qual conversei longamente neste sábado passado. Tem muito a ver com minha postagem anterior.
Veja a seguir o artigo:
"O mundo está nas mãos da China. Está ali, entre os chineses, o novo poder econômico mundial. E há pelo menos dois bons motivos para isto. O primeiro são as reservas internacionais da China, estimadas hoje em US$ 1,9 trilhão, ou quase 10 vezes maiores que as brasileiras, ou apenas US$ 1 trilhão a menos do que EUA e Europa estão gastando, juntos, para salvar seu sistema financeiro, ou ainda bem maiores que Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, estimado em US$ 1,3 trilhão. Em resumo: hoje, o dinheiro está na China.Estima-se que pelo menos um terço desse montante esteja aplicado em títulos do Tesouro americano - o que faz da China, na prática, o verdadeiro banco central americano, já que cabe a ela financiar os gigantescos déficits fiscal e comercial da América. Em grande parte, será também o dinheiro chinês, convertido em títulos dos EUA, que financiará o pacote de US$ 700 bilhões anunciados pelo presidente George W. Bush para salvar os bancos americanos. Outra parte das reservas chinesas estão aplicadas em ações e empresas americanas, como o Banco Morgan Stanley. Mais: em dificuldades econômicas, Angola e Paquistão foram pedir empréstimos a Pequim, e não a Washington, como antigamente.O segundo motivo também é robusto: o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 9,9% de janeiro a setembro, e 9% no terceiro trimestre. É verdade que o percentual anualizado representa uma queda em relação aos 12% do ano ano passado, e aos 10,5% do segundo trimestre, mas ainda é um colosso comparado ao crescimento praticamente nulo dos EUA e Europa este ano, e mesmo em relação ao Brasil, cujo PIB, se tudo der certo, deve avançar 5%. Os bancos chineses, já estatizados, não enfrentam a turbulência que assola as instituições financeiras ocidentais. Por isso, não seria exagero dizer que, neste momento, graças às suas reservas e ao seu crescimento, a China é a dona do mundo. Isso não quer dizer que a crise financeira mundial não chegou à China. Chegou. Na semana passada, duas fábricas de brinquedo fecharam as portas, demitindo quase 7 mil pessoas. Mas o governo chinês está reagindo. E tem bala na agulha para isso."Com reservas de US$ 1,8 trilhão, a China pode usar ferramentas como incentivos fiscais e isenção de impostos para empresas. As reservas chinesas funcionam como um instrumento para ceder crédito. E agora, com a crise nos EUA, pode ser a grande oportunidade para a China comprar ativos americanos por preço barato. A China, de forma seletiva, pode ir às compras", diz Luiz Iani, sócio da DLM Invista. Iani também concorda que a China vai ditar o crescimento do mundo nos próximos anos."

sábado, 18 de outubro de 2008

Outro Império que cai.

Faça o que eu digo e não o que eu faço. Esta parece ter sido a referencia econômica dos Estados Unidos, durante todo esse tempo em que liderou a economia do planeta. Digo liderou, porque, a meu ver, isto é coisa do passado. O império norte-americano acaba de ruir. Durante décadas os yankees deram as cartas, apregoaram e impuseram limitações aos paises periféricos, para, em troca, ter suporte para a sua política de liderança planetária, acumulando, hoje, uma divida colossal por assumir um sistema financeiro erodido, financiar cortes fiscais internos e patrocinar aventuras militares ilimitadas.
O maior mandamento da política econômica norte-americano, a do livre mercado, se auto-destruiu na medida em que parte importante do seu sistema financeiro foi ao fundo do poço e teve que ser socorrido pelo Governo. Ou seja, foi estatizado. Vejam só! Eles agora andam na contra-mão! Resultado: caos instalado, mundo em convulsão econômica, desconfiança geral, perdas incalculáveis. O fim do mundo...
Acredito que estamos diante de uma mudança geopolítica histórica, no qual o equilíbrio do poder no mundo se altera de uma forma irreversível. Não se trata apenas de uma crise financeira. Há também uma profunda crise política. Falta uma liderança de pulso na condução dos negócios globalizados. Bush pôs uma pesada pá de terra no império do Norte. A era de liderança estadunidense, que vem desde o final da Segunda Grande Guerra, ao que parece, chegou ao fim. Tenho pena é do futuro inquilino da Casa Branca, até porque não vejo perfil de estadista em nenhum dos dois postulantes.
Muito bem. Como as coisas não podem ficar, por muito tempo, à deriva, os lideres da União Européia se mobilizaram e começam a estabelecer estratégias de longo alcance para dar fim a desordem instalada. Reprovando energicamente o despautério bancário norte-americano, estão dispostos a estabelecer regras claras e rigorosas para uma nova ordem econômica internacional. Fica claro, portanto, que aos europeus passará o papel de dar as cartas. É a minha opinião.
O interessante disso tudo é que a História nos mostra que a derrocada de um império se caracteriza pela interação do binômio: guerra e dívida. Assim foi com o Império Britânico que se enfraqueceu e se esvaiu na Primeira Grande Guerra, com o Nazismo de Hitler, como foi com a União Soviética e como ocorreu com outros mais remotos, entre os quais o Império Romano e o de Napoleão Bonaparte. A Guerra do Iraque e a balbúrdia creditícia debilitaram fatalmente a liderança econômica dos Estados Unidos. Eles continuarão sendo uma das maiores economias do mundo, mas, indiscutivelmente, com grandes limitações e sem o brilho do passado. A farra acabou! Novas potências econômicas ascendentes tomarão seu lugar e, inclusive, quem sabe, se encarregarão, uma vez superada a crise, de comprar o que restou intacto do sistema econômico-financeiro norte-americano, inclusive para tirá-lo da recessão que vai reinar nos próximos anos.
É isto aí: de repente está surgindo um novo mundo, no qual a liderança dos Estados Unidos será coisa do passado. É outro Império que cai, para registro da História.
Nota: A ilustração foi colhida no Google Imagens.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Marola ou maremoto?

Como qualquer cidadão brasileiro e de sã consciência, estou ligado no debate da crise econômica mundial que se alastra nos quatro cantos do planeta. Não pretendo fazer nenhum comentário especial – por incompetência ou pelas complexas características do caso – mas, vou fazer algumas considerações, baseado em comentários na mídia, conversa com empresas e pessoas amigas aqui no Brasil e fora do país.
A primeira coisa que me ocorre comentar é a opinião do Governo Brasileiro e, particularmente, do nosso Presidente Lula. Desde o inicio do problema fiquei muito impressionado com os pronunciamentos do nosso mandatário, por serem excessivamente otimista, ignorando o fato concreto de que o Brasil é player do jogo da economia globalizada e capitalista. Pensando bem, no mundo de hoje, é inteiramente impossível, a qualquer país, ficar imune a este debaque econômico nas proporções do atual. Isto parece claro e cada vez mais certo, mesmo no “reino encantado de Lula”.
Fala-se muito do sistema bancário brasileiro, que é bem estruturado e se encontra numa fase segura. É verdade. Mas, este mesmo sistema bancário não vive autarquicamente, digo, independente de relações internacionais, porque boa parte faz parte de conglomerados internacionais e, por isso, vai ter lá seus percalços. Prova disso é que o Banco Central e o Governo maneiraram na questão do depósito compulsório, liberando bom percentual para manter irrigado o sistema financeiro nacional.
Depois disso, lembro que as grandes empresas brasileiras, internacionalizadas, com ações na bolsa de Wall Street, obviamente vão sofrer efeitos da crise, e as que, por razões diversas, dependem de transações no mercado externo – seja comprando matérias-primas ou vendendo seus produtos – vão certamente sofrer sérios efeitos do problema.
Ao mesmo tempo, considerando o que está ocorrendo com os preços das commodities – em baixas acentuadas – a situação começa a ser mais preocupante ainda. O petróleo, por exemplo, cujo preço do barril vem caindo todo dia, sem perspectivas de recuperação em curto prazo, remete a que os cálculos da receita projetada com o óleo brasileiro, da camada de pré-sal, devem ser refeitos e o resultado vai ser uma inesperada surpresa. Depois disso, tem o minério de ferro, a soja, o açúcar, o suco da laranja, fortes itens da nossa pauta exportações e por aí vai.
Ah! Mas o Dólar americano, na esteira da crise, se valorizou frente ao Real e isto vai representar uma recuperação das nossas exportadoras. É possível... mas, é bom lembrar que o mercado consumidor pode se retrair e isto pode gerar uma queda nas vendas ao exterior.
Estive conversando com uma pessoa da família, que vive nos Estados Unidos, e fiquei sabendo das mudanças nos hábitos do consumidor americano. Há muita preocupação e cautela dos que estão com o poder de consumo equilibrado, assim como há os incapacitados de consumir por estarem quebrados, depois de cair nas ciladas do crédito fácil. O clima, por lá, é de muita incerteza e de alguma revolta. Ora, se está sendo difícil na terra de Tio Sam, será difícil, também, para muita gente ao redor do mundo e o brasileiro não é melhor do que os outros. Imagino que, por estas horas, os chineses devem estar calculando as perdas devido à retração do consumo dos norte-americanos, que são os maiores compradores das bugigangas chinesas.
Conversei também com representantes de algumas empresas locais e cheguei à conclusão de que paira sobre elas “nuvens pesadas” sinalizando uma tempestade a qualquer momento. Um deles me disse que, por sorte, está com o almoxarifado abarrotado de componentes importados e, por enquanto, o Dólar alto não afetará seus negócios. “Daqui a três meses, espero que o Real se valorize, outra vez, e minhas compras de componentes sejam viáveis. Caso contrário vai ser difícil segurar...”, explicou meu interlocutor. Outra, estava preocupada com o preço do componente principal e mais valioso do equipamento que produz, porque é de origem norte-americana e, portanto, vai depender de um Dólar mais caro. Está com medo de perder a competitividade de mercado. Noutra empresa, que além de comprar componentes no exterior, vende muito no mercado externo, considera que a alta da moeda americana vai ser mais conveniente ao seu negócio. Isto, se não houver retração no consumo. Falei ainda com outra, multinacional, com sede na Europa e unidade no Recife e ouvi uma explicação interessante: apostou (não sei como) numa valorização do Euro e, com isto, orçou a produção e a comercialização anual com uma taxa de cambio valorizado. Acertaram na mosca. Estão tranqüilos, mesmo que temporariamente.
É isso aí. Esta coisa, de uma forma ou de outra, vai nos afetar. O pãozinho de cada dia vai subir, a ceia do Natal vai ficar mais cara e quem planejou viajar para o exterior (como é o meu caso) vai ter que esperar o furacão passar, juntar os pedaços e rever seus projetos.
É prudente, então, que não acreditemos na idéia de marola de Lula, porque nem ele mesmo acredita mais. Notaram? Resta saber se é marola ou maremoto?
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

ELES NÃO FORAM ELEITOS

Confesso que fiquei aliviado, quando conferi os nomes dos vereadores eleitos para a Câmara Municipal do Recife. Além de encontrar nomes de conhecidos e amigos, vi que não aparecia nenhum dos folclóricos nomes de candidatos que encontrei listado no Diário de Pernambuco, do dia 20 de julho passado.
Durante toda a campanha, fiquei numa inquietação desmedida. Eleição sempre traz muitas surpresas. A gente só sabe o resultado quando as urnas são apuradas. Caso alguns desses candidatos saíssem vitoriosos, eu veria muitas dificuldades para a sociedade absorver seus nomes raros, quase alcunhas, nada recomendáveis para a composição da Casa de José Mariano.
Imaginem vocês o que faria, se eleito, o Vereador Faca Cega (PTN), como legislador municipal e em favor da cidade. Mais do que isso, imaginem, ele se candidatando à Presidência da Casa. No mínimo ele iria compor, a mesa diretora, com Largura (PV), para ampliar a mesa, Gordo da Salada (PTC), que refrescaria o plenário com sua salada de frutas, Pombo Branco (PPS), para estabelecer a paz nas horas de tumulto, Radio Olinda, o Popular (PSL), irradiando todos os acontecimentos, e Tieta do Agreste (PTN), que se desmancharia em carinhos e sensualidade, para aprovação de alguns projetos. Na Secretaria da Casa, a melhor pedida, para ele, seria Tati Pink (DEM), que, aliás, olhe lá, teve uma votação excelente e ficou com uma suplência.
Para a articulação política da Câmara, atuando no “meio de campo”, Faca Cega teria como boa pedida o nome do vereador Mauro Shampoo, cabeleireiro e jogador do Íbis, que, com toda certeza, seria desafiado pelo vereador Pelé (PTdoB), sob a alegação de que seu nome é uma grife mundial. E, aqui prá nós, seria justíssimo!
Pensem ainda nos esforços que Paulo Rodela (PSDC), Gorda (PRP), Dalva Maga (PSDC) e Cenoura (PTN) fariam para derrotar essa chapa de Faca Cega, que, aliás, nessa hora, já teria o apoio de Liberato Costa Junior, que, depois do enézimo mandato, saiu derrotado nas urnas e, sem outro remédio, apostava todas as cartas no seu ex-militante. Isso mesmo, eu soube que Faca Cega era o mais importante cabo eleitoral de Liberato. Cá pra nós, a meu ver, um verdadeiro Calabar! Como é que pode? Liba não merecia!
Eu só sei que a briga deveria ser grande, até porque eles iriam argumentar que representavam uma renovação, sangue novo e novo tempo na Câmara Municipal. Os poucos veteranos, restantes, estariam neutralizados e sem ação, diante de tantas novas energias. Além destes, ainda concorreram: Mimi, Bibiu, Zé Ninguém (que poderia mudar de nome para Zé Gente), Neno Burracheiro, Jorge da Pressa, Lourdes do Posto e Fátima da Lojinha (coitadinhas), Louro José, imagine só, Adilson Bolinho e Cuscuz.
Ah! Fiquei pasmo, também, com alguns candidatos do interior e ainda não tive tempo de examinar quem foi eleito em algumas cidades. Fico preocupado se entre os vitoriosos se encontram Peitinho (PRB), Potência (PV) e Dedé da Simpatia (PSDB), em Petrolina, que, aliás, tiveram a subida honra de disputar vagas com Alexandre Barak Obama (PSDB). Aí sim, só era o que faltava, Barak Obama ser eleito para a Câmara Municipal de Petrolina... e perder nos States. Estaria feita a maior confusão internacional...
Pois é, eu acho que esses senhores e senhoras, sem a menor chance de fazer uma campanha adequada e ganhar a eleição, apelam para a gaiatice desmedida e tentam, com isto, desmoralizar um processo que requer respeito e maturidade. O Brasil merece coisa melhor!
A idéia que passam é que jogam um jogo do vale tudo. Deve ser isto mesmo. Foi assim que Reginaldo Rossi e a empresária de garotas de programa, Odete, encararam as urnas, em Jaboatão dos Guararapes e a rebolativa Gretchen, em Itamaracá.
Meus amigos, foram muitos outros nomes folclóricos que se apresentaram como candidatos, no Pernambuco afora, entre os quais: Durão (PSL), Galega (DEM), esta, segundo o jornal, é uma legitima afro descendente, Xupeta (PDT), Fossa (PTdoB) Véi de Gaia (vôte!) (PDT), Buda (PMDB), João da Ema (PPS), Sapo de Tomate (PTB) Isac do Xuxu (PSDC), Pudim (PDT), Zé Pezão (PSC) e Paulo Doido (PDT).
Para terminar, eu soube de um que se chamava Nem, cuja propaganda era simples e indolor: Nem Fez, Nem Faz, Nem Fará. Pode uma coisa dessa?
Chora Brasiiiiiiiil!
Ufa! Ainda bem que eles não foram eleitos!

Nota: As ilustrações foram colhidas no Google Imagens.

sábado, 4 de outubro de 2008

Recife vai parar

Sabe, minha gente, a situação do transito no Recife está chegando ao limite. Já não há mais hora boa para circular. Agora, é engarrafamento o dia todo. Acho que, dentro de dois ou três anos, ninguém conseguirá sair de casa com seu próprio veículo.
A estrutura da cidade já não suporta tantos veículos em circulação. Segundo o Detran estadual, a Região Metropolitana do Recife tinha registrado, em agosto passado, um total de 763.595 veículos, incluindo automóveis, ônibus, veículos de carga e motos. Este número corresponde, aproximadamente, à metade da frota que circula no estado inteiro.
Ultimamente, há meses em que o Detran emplaca mais de 5 mil novos veículos. A tendência tem sido de crescimento, inclusive pelas facilidades de crédito para compra de automóveis. Há financiamentos em até 60 meses.
Pensando bem, os números apontados são de considerável magnitude para uma cidade de estrutura urbana antiga, com um traçado desordenado, em face da construção histórica e modo espontânea, carente de vias de circulação modernas e sem condições de expansão. Imagine, ainda, que, por razões das mais diversas, este número de veículos em circulação na cidade é sempre acrescido por veículos oriundos de vários pontos do próprio estado e dos vizinhos, seja de passagem ou permanência mais longa, atraídos pelo pólo sócio-econômico. Não tem jeito, a cidade vira uma balbúrdia, com um ambiente cujas características principais são engarrafamentos, motoristas estressados, buzinação, acidentes etc.
Para completar, temos um povo pouco educado ao volante, que transformam o transito da cidade numa grande aventura. O cidadão mais cuidadoso e educado sai sempre de casa sem ter a certeza de voltar incólume.
Quando vejo os atuais candidatos a prefeito do Recife, fico me perguntando se incluíram, nos seus planos de governo, uma ação voltada à administração desse caos. Ouço falar numa tal de via Mangue, há um bom tempo, e nada mais. Como se a citada via – prometida tantas vezes, sem sair do papel – fosse solucionar o problema da cidade como um todo. Acredito, que venha ser muito útil à zona Sul da cidade. Mas, é na zona Norte onde a coisa vem se agudizando. Nesta área houve uma intensa expansão imobiliária nos últimos dez anos, concentrado um alto contingente populacional.
Moro numa rua pequena (aproximadamente 300m) e estreita, nos Aflitos, na qual, em quatro anos, surgiu uma meia dúzia de novos edifícios com, em média, 20 andares. Imagine que sendo construções de dois apartamentos por andar, resulta, por baixo, em 240 moradias. Todas com, pelo menos, um automóvel. Minha rua hoje tem um movimento atípico. Muitos veículos, num permanente entra e sai, estacionamento nos dois lados e a circulação (mão única) sempre muito tortuosa. Isto se repete em inúmeros pontos da região e da cidade no seu todo, deixando a população atônita e preocupada com o futuro.
Sabe de uma coisa? A esta altura dos acontecimentos, uma das soluções, mais adequada e emergencial, seria adotar o esquema do rodízio de placas, como o vigente, há um bom tempo, na cidade de São Paulo. Lá o problema ainda não foi solucionado, mas ajudou.
Aqui o sistema seria odiado por muitos, sobretudo por conta da péssima rede de transporte coletivo e do comodismo das classes alta e média. Mas, não vejo outra solução, até que os governantes de plantão descubram outras. Como está, não pode ficar.
O Recife vai parar, porque tem muitos carros e poucas ruas.

Notas: Escrevo este artigo lembrando meu Companheiro rotariano Ubiracy Silva, que vem manifestando preocupação com o transito do Recife.


A foto é do transito do Recife, obtido no Google Imagens