sábado, 8 de abril de 2017

O que será de nós?

Confesso minhas dificuldades recentes para cumprir uma agenda sistemática para postar matérias neste meu Blog. Tentei algumas matérias nestas últimas semanas, mas, nada me convenceu. Preciso me convencer para postar qualquer coisa. Bem vistas ou não – o que pode acontecer normalmente – preciso gostar do que escrevo.
A primeira tentativa foi sobre a Operação Carne Fraca (uma ironia essa denominação da Operação). Em meio às démarches políticas que sucederam o desbaratamento das fraudes, fui vendo o tamanho do escândalo: primeiro o estardalhaço das diligências e da divulgação do problema pela Polícia Federal. Depois as repercussões domésticas e internacionais do caso. Tenho um leitor chileno que cobrou opinião. Foi um momento assustador da vida nacional, considerando que, da maneira que o caso foi exposto, a conclusão mais óbvia era de que a corrupção baixava nas nossas mesas e estômagos. 
Um desatino. Por outro lado, o colossal prejuízo que o Brasil passava a tomar em ver o bloqueio das compras da carne bovina brasileira nos pontos mais importantes do mercado mundial. Ora, meu Deus, numa tarde de sexta-feira de março, e numa manobra policial mal divulgada/administrada, o Brasil perdeu mais de dez anos de trabalho para conquistar um mercado exigente e rentável. Considerando que o Brasil conquistou, com muito suor e massa cinzenta, o primeiro lugar no mercado mundial de carnes, foi um baque sem precedentes. Contudo, ao que parece, a verdade aos poucos foi posta, houve um corre-corre do Governo e as coisas tendem voltar ao normal. Os corruptos foram identificados e punidos, enquanto a opinião publica internacional vem assimilando a verdade. Produtos foram examinados na sanidade e na qualidade, em vários países, incluindo os mercados mais importantes como China, Hong Kong e Europa. Coisas de um Brasil em permanente convulsão.
Outro post tentado foi comentando as delações que rolam em Curitiba, no âmbito da Lavajato, afundando, ainda mais, Lula e D. Dilma e, paralelamente, a prisão coletiva dos conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, bem como o Presidente da Assembléia Legislativa do mesmo estado. Incrível, porém verdade. Fico, perplexo, me perguntando: tem quem durma com uma zoada dessas? Quando a gente pensa que a temporada de escândalos atingiu seu fim, surgem outros de onde menos se espera. Tenha dó! Como pode um Tribunal de Contas Estadual ser corrupto e levado em massa para cadeia? O jeito é instituir outro para julgar os julgamentos do primeiro. Parece piada.
Os dias passam e outros bombásticos episódios se sucedem, inclusive no exterior. Na Venezuela, o Maduro tenta um golpe de estado, transferindo para o Supremo Tribunal de Justiça local as prerrogativas de legislar. Detalhe: os Ministros são todos mancomunados com ele. O povo foi às ruas e muito sangue vem correndo.
No plano internacional, ainda, o exótico presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou num dia e no seguinte bombardeou bases militares da Síria cutucando o Ditador Bashar al-Assad e a sua aliada, a Rússia.
Base bombardeada pelos americanos na última quarta feira
Tempos difíceis. Sei não, mas, é preciso paciência porque estamos longe do fim. E então pergunto: o que será de nós, proximamente?

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens



   

terça-feira, 21 de março de 2017

Inteligências Perdidas

Esta semana, recebi pelo Whatsapp uma mensagem que transcreve um diálogo entre o repórter policial, Alisson Maia, de Goiás, e que me deixou muito pensativo sobre a situação das novas gerações do Brasil. Conta ele que, de plantão numa delegacia de policia, entabulou um diálogo com um adolescente de 14 anos, detido por porte ilegal de arma, que o deixou horrorizado com o futuro da nossa Nação. “Olhei para ele e pensei, mais um moleque que não fica preso, então nem vou perder meu tempo, mas enquanto aguardava outra ocorrência que estava a caminho da delegacia me aproximei dele e, como às vezes faço comecei, a lhe dar conselhos,
- sai dessa vida rapaz, você vai morrer, a vida das drogas e do crime não compensa.
Foi quando ele que até então estava calado olhou bem pra mim e disse:
- Seu Álisson, esse papo do senhor eu já cansei de ouvir, estava armado porque vendo droga, e ganho muito fazendo isso, mas eu antes de ser vendedor de droga eu trabalhava numa oficina e sabe o que fizeram? Denunciaram o dono da oficina porque eu estava trabalhando lá, ele me pagava legal, eu tinha minhas coisas, meu tênis, tinha tudo... Mas ele teve que me mandar embora para não ir preso, até hoje está respondendo na justiça por ter dado emprego a um menor. Depois eu fui trabalhar na feira da Avenida Antonio Sanches, trabalhei 07 meses e sabe o que aconteceu lá? A mesma coisa que na oficina, tive que sair. Não sei quem é meu pai e minha mãe é uma coitada e eu tentei trabalhar honestamente, e ate trabalhava e estudava, mas não deixaram e achei no tráfico o sustento meu e da minha casa, então seu Alison, guarda seus conselhos para esses safados que vocês votam e que acham que menor não pode trabalhar, mas pode roubar, matar e traficar, entrei nessa vida porque sem trabalhar quero um tênis mas não posso, quero comer um sanduíche no Bobs mas também não posso, quero ir no cinema também não posso, então já que não posso trabalhar como gente, vou traficar, pelo menos assim tenho dinheiro .
Tive que ouvir isto de um garoto de 14 anos estragado pelo sistema. Logo o chamaram e não podemos continuar conversando.
Fiquei mudo e sai calado, sei que há vítimas do sistema, mas foi um garoto de 14 anos que me calou mostrando-me o quanto nós, com nossas escolhas políticas, somos errados. Estamos acabando com a juventude. Por causa dessas quadrilhas que colocamos e ainda mantemos no poder é que jovens estão matando, roubando e traficando... Ele disse: "Não posso trabalhar, mas posso roubar, traficar e matar!" Esse é o futuro que estamos construindo nesse país! Senhores eleitores, leiam isso e se envergonhem do Brasil que você esta deixando para essa juventude!”
Lido isto, não tive dúvidas em abrir este espaço no Blog do GB para denunciar essas atrocidades. Por menor que seja a penetração da minha publicação, não consigo calar.  Então, pense bem, caro(a) leitor(a), que esta história deve se repetir, nos mais diversos locais deste Brasil. Ah! antes de publicar, tive o cuidado de averiguar a credibilidade do citado repórter e conclui que merece crédito.
Há um bom tempo venho observando as novas gerações brasileiras e me sinto impotente diante dos fatos mais estúpidos registrados. Jovens desviados são assassinados brutalmente, muitos desses com futuro garantido, outros que se desviam devido ao sistema social espúrio e muitos perambulam sem emprego. Meninas de pouco mais de 10 ou 12 anos já se prostituem, engravidam precocemente e jogam no mundo outros seres indefesos. Vidas promíscuas e sem alento. Infelizmente, os valores da atual juventude, independente da classe social, estão eivados de falhas e estímulos aos mais absurdos comportamentos.  
Esta semana assisti pasmo ao assédio que se deu ao goleiro/assassino Bruno ao ser integrado num time de futebol no interior de Minas Gerais. A alegria reinante entre ele e a moçada local impressionaram-me. Fotos e mais fotos... Uma verdadeira ovação. Então pergunto: será que, no meio desses torcedores jovens, não passará a ideia de que matar é uma coisa banal e que o crime compensa? O sujeito mata e retorna por cima como se nada houvesse ocorrido. Não, não sou contra a reintegração social de um ex-presidiário. Mas, tenha dó! Fazer essa aclamação a um assassino de vida publica e que pode servir de modelo. É demais.
Goleiro Bruno em muitas Selfies e muito festejado
Outra coisa que observei com verdadeira tristeza, e inclusive já comentei neste espaço, se refere aqueles jovens brasileiros movidos pelo desalento fogem para viver em outros países por não alimentar a menor esperança neste Brasil que oferecemos a eles. Neste caso, é doloroso entender que são, na grande maioria, jovens recém formados, isto é, força de trabalho qualificada, com grande potencial de progresso e que, infelizmente, estarão contribuindo para outras sociedades, certamente mais justas. Quanto desalento para nossos jovens profissionais! Quantas inteligências evadidas!
Indiscutivelmente, este é o Brasil que a PTrálea deixou-nos. Durante doze anos estiveram interessados apenas em roubar e programar políticas desastradas nulificando nossos homens e mulheres do futuro. 
   


sábado, 4 de março de 2017

Boato: Prejuízo Social

O brasileiro é chegado a um boato. E, os pernambucanos são mestres nesse “oficio”. Acredito que existem pessoas que vivem bolando noticias falsas para se divertir com as reações da sociedade. Quem não se lembra do terrível boato do estouro da barragem de Tapacurá, no Grande Recife, após uma enchente devastadora na cidade, em 1975? Quem tem hoje mais ou pouco menos de 50 anos, sabe do que estou falando.  Aquilo foi um verdadeiro crime. Já foi tema de livro e de monografias nas universidades locais.
Boato de Tapacurá: População abandonando a cidade buscando se salvar em 21.07.1975
O ser humano é muito inventivo. Tanto para o bem, quanto para o mal. Os da turma do mal são muitos, geralmente são pessoas infelizes, mal resolvidos na vida e aproveitadores das oportunidades de suas espúrias imaginações. É gente que vibra ao saber que pessoas sofrem, adoecem e até morrem mercê das suas maledicências. São psicopatas que torcem sempre pelo “quanto pior, melhor”. Ou então, numa última instância, são gaiatos que brincam irresponsavelmente com o emocional coletivo.
Em tempos de internet, redes sociais e do útil e popular Whatsapp, essa coisa de boatar (inventei um verbo)  se tornou mais corriqueiro ainda. Os boateiros não estão apenas de plantão, mas, sobretudo, em permanente atividade.  Com muita freqüência espalham a morte de alguém famoso e principalmente artistas populares e famosos. Dias recentes, tenho recebido, repetidas vezes, uma mensagem anunciando uma entrevista do Juiz Sérgio Moro ao  repórter e analista político Gerson Camarotti, às 23:00h, na Globo. Tudo boato! Fui pego por essa “perua”.  Pensando bem, depois da minha ingenuidade, conclui que Moro não passaria por essa coisa. A situação é de tal modo que algumas mortes de verdade são sempre recebidas com dúvidas nos Zaps e exigem confirmações de fontes seguras. Recentemente, a morte de um famoso ator global e em pleno sucesso, por afogamento no rio São Francisco, levou algum tempo para ser considerada real. Até mesmo pela semelhança do que ocorreu no folhetim global.  
Esses dias, que antecederam ao Carnaval 2017, do Recife, não faltou quem espalhasse pelas redes sociais boatos alarmantes sobre a insegurança que reinaria, no Recife e em Olinda. O quadro anunciado era de verdadeiro terror. Ora, meu Deus, conforme as recentes ocorrências no Recife e Região Metropolitana, a coisa podia ser real. Na prática, foi uma dolorosa e prejudicial maldade. Mas, que mereceu cuidados especiais do Governo estadual. Neste caso, porém, é de se destacar que por trás dessa boataria presume-se que havia, também, uma ação política perversa a cargo de opositores, desejosos de ver “o circo pegar fogo” e buscar faturar eleitores para a próxima eleição. Não! Não estou, necessariamente, defendendo o Governo atual, mas sim, a tranqüilidade de um povo manso e amante da folia tranquila, colorida e animada. No final das contas estou pregando a paz que deve ser referencia maior de quem defende ou pretende defender a sociedade ao comandar um executivo.
O resultado dessa “guerrinha de nervos” nascida de boatos alarmantes foi que muita gente deixou de lado o carnaval e se refugiou em casa ou noutros sítios tidos como mais seguros. As estatísticas publicadas dão conta de menos gente nas ruas do Recife e de Olinda. O bom, contudo, foi constatar de que com menos gente a alegria foi mais cômoda, os foliões circularam com segurança e a policia – sem fazer greve como alardeado – deu conta do serviço. Segundo relatos, até o famoso Galo da Madrugado, no sábado do Zé Pereira, que sempre arrasta milhões de pessoas foi em menor contingente e com a mesma alegria de sempre. Muito bem, porque ganhou a cultura local e os boateiros “rasgaram as bocas” como se diz popularmente.
Conselho, para finalizar: nunca vá acreditar em qualquer loucura que se registre nas redes sociais. Espere confirmações por meios confiáveis.


NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

É Fevereiro e tem carnaval

É fevereiro e, como todo fevereiro, tem Carnaval. Já fui um bom folião. Quando os clarins de Momo anunciavam a folia, eu já estava na rua saudando o frevo, como um bom pernambucano, e eventualmente o samba. Era uma festa que eu esperava ansioso. Curtia e, quando em desespero, pelo som da quarta-feira ingrata, chorava de tristeza. O dia seguinte era lúgubre, triste e com clima de velório. Como foi bom aquele tempo.
Hoje, porém, a coisa me parece como se houvesse vivido um sonho que passou. Vejo à distancia uma coisa que não me abala. É engraçado, como não alimento o mesmo entusiasmo e a mesma vontade do passado. Será a idade? Fico pensando. No que mudei? Penso novamente...
Na verdade, atribuo esse estado de espírito (é preciso tê-lo para brincar a folia) a uma serie de razões, sobre as quais já falei em posts neste Blog, em épocas de carnavais passados.
O Carnaval do Recife mudou muito. Virou um grande negócio comercial e político. O festão popular é coisa do passado. O que hoje se assiste, não emana das raízes populares. E quando me refiro a raízes populares não quero dizer do povão, somente. Quero dizer deste, com certeza, mas também das camadas sociais mais abastadas. Já não se vêem mais entusiasmos nas agremiações populares de Blocos de Frevo, Maracatus e Caboqulinhos, que são sempre relegados ao segundo plano. Os desfiles destes são em artérias sem luz, sem público e sem clima carnavalesco. Alguns já chegam cansados ao arremedo de passarela, não dançam, apenas caminham... As verbas governamentais de apoio são exíguas – todas dependem de um político! – e os grupos estão minguando a ponto de desaparecer num futuro próximo.  As tais verbas são na maior parte destinadas a pagar cachês a artistas de fora, a preço de ouro, e quando aos locais – que são muitos e de grande qualidade – são sempre minguados e difícil de chegar aos bolsos dos contratados. Nem preciso dizer, também, que boa bolada vai para o bolso dos políticos e seus prepostos no processo de contratação. Inegavelmente, nunca deixa de rolar um percentualzinho. Parece ser cultural...  É uma lástima, mas no país da Lavajato...  De uma coisa estou seguro: é o mais simples modo de acabar com as tradições pernambucanas.   
Quando me refiro às classes mais abastadas lembro-me dos tempos idos, quando os grandes bailes pré-carnavalescos pontificavam no calendário de janeiro a fevereiro no Recife da minha juventude. Saudosismo? Não. Elitismo? Também não! Nada disso. Qualquer sociedade se forma histórica e culturalmente de movimentos diversos sem que haja distinção de classe social. Cada um vive como pode e deseja compondo um mosaico de costumes e tradições. Alguns desses bailes – como o Bal Masqué e o Municipal ainda se repetem, mas, nunca jamais repetem o entusiasmo e o glamour dos anos 70 e 80. Hoje são festinhas corriqueiras sem presenças de destaque, exceto as dos políticos de plantão que, inclusive, testam suas popularidades. Nem de longe lembram as festas do passado. Outros, tão importantes quanto, simplesmente desapareceram da agenda carnavalesca. Quem, da minha época, não se recorda da tríade de festas do Cabanga Iate Clube: Carnaval em Preto e Branco, em Tecnicolor e Começa no Cabanga. Sumiram simplesmente. Acho que nem o Baile dos Casados, no Atlético Club de Amadores reunia elite e povão (mulherio) escrachado. Sumiram no tempo e no espaço.  
Não posso deixar de falar no monumental bloco do Galo da Madrugada. Claro que é uma recente iniciativa vitoriosa. Acho um verdadeiro furor. Mas, é preciso ter raça para enfrentar a avalanche de foliões. Coisa de milhões. O único jeito, para mim, é empoleirar-me (empoleirar é um verbo adequado neste caso!) num camarote e ficar pulando num quadradinho e vendo a banda passar. Mas, já acompanhei na rua. Quando era possível. E quando não deixava de pular o carnaval.
O Galo no seu apogeu do sábado de carnaval.
Bom, por outro lado, na atual conjuntura é impossível não fazer uma referencia à falta de segurança no ambiente de folia. No carnaval deste 2017, as perspectivas são das mais sombrias. Ouvi numa entrevista em emissora de rádio, esta semana, um sindicalista de polícia da capital dando conselho, no mínimo, intranqüilizante: “aconselho a sociedade ficar em casa, neste carnaval, porque a policia não está estimulada para o trabalho, vai fazer uma operação padrão e não pode dar conta da bandidagem”.  Como viver num tempo desses? Acho que mesmo no tempo do corso mela-mela não era tão inseguro.
Acredito que coloquei as razões da minha falta de entusiasmo. Resta-me apenas desejar um bom carnaval a todos e todas, que se livrem dos percalços e voltemos são e salvos para “iniciar o ano novo”, já que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Eu mesmo, como tenho feito no passado recente, vou prá longe.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Retorno Sofrido

Não é nada fácil o retorno à realidade brasileira, após uma temporada no exterior. Para mim é sempre muito penoso. Por mais que acompanhemos, à distancia e via Internet, os movimentos de Pindorama é sempre muito difícil pegar a embalagem e retomar a “vidinha” local. Esse rami-rami político-econômico que faz a festa dos noticiários locais e internacionais deixa qualquer um em permanente clima de tensão.
É exatamente assim que me sinto esses últimos dias. Assisto ao largo um quadro político aparentemente pior! A insegurança, nem se fala. Destempero geral.
Fico desapontado e mesmo desesperado ao assistir esse desgoverno reinante em vários estados do país, com rebeliões e chacinas nas prisões, assassinatos em série, mães de família violentadas, policiais em greve, mulheres destes postas como escudos nas portas de guarnições militares, governos falidos e em total desespero... e, um sem numero de outras “misérias” que fazem desse país um espaço de calamidade geral.
Fui um ferrenho opositor ao Governo Petista. Senti-me aliviado e comemorei a queda de Dona Dilma. Mas, sinceramente, estou preocupado com esses ignóbeis “arranjos” políticos que estão sendo feitos em Brasília. Naturalmente que não estou arrependido da oposição acima citada, mas, pelo amor de Deus, manobrar para o naufrágio da Lavajato é o mais sujo e espúrio dos jogos políticos que estamos presenciando neste país. É o retrato fiel da imagem que se faz do político brasileiro, isto é, não tem nenhum honesto. Raríssimas são as exceções, é verdade porque nem tudo está perdido.  Nomear Ministros ou manobrar para escolha de nomes em Comissões importantes no Congresso Nacional, ou outro dirigente qualquer, quase sempre citados nos autos do processo que rola no eixo Curitiba-Brasília é um despudor total de um Governante. Fico muito preocupado. Confesso que a esperança alimentada há poucos meses começa a se desvanecer.
Contudo e por outro lado, não posso negar – o que pode ser a salvação da Pátria – que a Política Econômica vem projetando resultados positivos desde agora. O Henrique Meirelles a despeito do carrossel político desvairado vem fazendo um serviço competente. Já se vislumbra uma solução para tirar o país do buraco que o PT meteu. Temer já contabiliza alguns  tentos ao aprovar a PEC 241 (ou 55) e está prestes a ver passar no Congresso algumas reformas – há muito desejadas – que os governos anteriores não conseguiram levar adiante. Algumas polêmicas é verdade. Impopulares até. Mas, necessárias! Será seguramente uma grande jogada político-institucional, se tudo ocorrer como programado. O trunfo do Temer é o fato de que ele jura, de pés juntos, que não pretende concorrer a outro cargo eletivo e, desse modo, sente-se solto para realizar as reformas que o Brasil reclama há tanto tempo. Isso, além de premente poderá restaurar a confiança internacional do país e garantir sua inclusão como bom parceiro político e comercial neste mundinho tão competitivo.
Como nem tudo é perfeito neste mundo observe, caro(a) leitor(a) que estou diante das duas faces da moeda: decepção no campo político e satisfação no campo econômico. Não é fácil separar essas duas coisas em lugar nenhum do mundo. Mas, no Brasil é bem mais difícil. Daí minha perplexidade e estar sentindo um sabor amargo nesta minha volta de temporada na Austrália, onde a vida corre leve, solta e segura. Deus que nos proteja.
  


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Um Paraíso no Fim do Mundo

Gaivotas alçando voos na Praia de Dee Why (Sydney-AUS)
Já ouvi, em muitas ocasiões, alguém dizer que a Austrália é um Brasil que deu certo. Curioso é que não são somente os brasileiros que pensam assim. Os sul-africanos dizem o mesmo. Vá ver que outros dirão também. Conhecendo as realidades desses dois países (Brasil e África do Sul) e vivendo, particularmente, temporadas na Austrália, fico buscando avaliar as razões dessa comparação. Levando em conta aspectos econômicos e sociais australianos – modos de vida, usos e costumes, traços culturais, mercado e qualidade de vida em geral – tudo me leva a crer que a explicação lógica reside numa coisa fundamental: Educação!
Aí, minha gente, em se tratando desse assunto, o Brasil é, inegavelmente, muito atrasado. Os muitos problemas com os quais convivemos, tais como analfabetismo, insalubridade, insegurança geral, inseguranças econômica, institucional, política e judiciária, entre muitos outros fatores, são frutos do baixo nível educacional do nosso povo. Certamente que o mesmo deve ocorrer com a África do Sul, muito embora que eu tenha visto, recentemente, sinais de um país mais organizado e ordeiro, longe daquele país do monstruoso apartheid.Estive na África do Sul em dezembro passado.
Hora de Crepúsculo, na praia de Manly (Sydney) 
Quanto à Austrália o que se pode sentir, no conjunto geral, é de se viver no paraíso no fim do mundo. Pelo menos para nós que vivemos cá no outro lado do planeta. É um lugar onde não se sabe ou se fale de crise econômica. Desemprego é quase ficção cientifica e, em conseqüência,  satisfação parece ser o estado geral da Nação. Não é à toa que tantos estrangeiros, sobretudo jovens, correm para lá na busca de melhores  oportunidades de vida. Só do Brasil, há um imenso contingente de jovens trabalhadores. A maioria chega para estudar inglês, se arranja num emprego temporário e, logo depois, encontra uma solução de obter visto de residente. É muito comum ser atendido nos restaurantes e bares australianos por garçons ou garçonetes brasileiros fazendo seus biquinhos iniciais. Muitas vezes, são jovens com formação superior sem oportunidades no Brasil e que se sujeitam a qualquer coisa para viver empregado e melhor. Há casos absurdos do tipo lavador de pratos num grande restaurante ganhar melhor do que se exercesse sua profissão superior no Brasil! É doloroso ver esse quadro. Há também argentinos, italianos, espanhóis, indianos, refugiados do Oriente Médio, entre muitos outros.
Acabo de voltar de uma temporada de 30 dias em Sydney. Oxigenei minha mente e consolidei a idéia de que havendo responsabilidade governamental, educação e consciência cidadã, o Brasil também pode melhorar. No futuro, quem sabe... Claro que não será para nós. Mas, poderá ser para gerações futuras.
Imagine você, caro leitor(a), viver num lugar onde o respeito ao próximo e à propriedade privada é coisa sagrada. Você pode ir a um local público, por exemplo, uma praia, deixar seus pertences na areia, entrar nas águas e saber que tudo estará lá ao retornar. Entrar num transporte público, deixar seus pacotes num compartimento próprio à entrada e ao sair recolher. Isto sendo num coletivo lotado! Estando na Austrália e indo ao supermercado, pode levar suas compras até a porta de casa, no próprio carrinho da loja. Deixe-o lá mesmo na rua que haverá uma coleta posterior, levando de volta à origem. Vide foto a seguir.
Carrinhos do supermercado nos quais moradores trouxeram suas compras até a porta de casa.
Lixo? Coleta seletiva desde cada domicílio. Ninguém mistura as coisas como por aqui. As prefeituras estabelecem uma agenda de coleta geral para cada bairro. Tudo muito ordeiro e cumprido na risca. Vide a foto abaixo.
Compartimento tipico de lixeiras seletivas no térreo de condomínio residencial 
Roupa de grife? Para que? Aqui no Brasil o sujeito ou veste assim ou está por fora... mesmo que tenha sido made in Paraguay ou Santa Cruz do Capibaribe (PE) e comprada na 25 de março (São Paulo) ou na Feira da Sulanca (PE). Na Austrália ninguém está preocupado com esse tipo de supérfluo ou reparando nas indumentárias alheias, porque isso não interessa. Uma churrasqueira pública à beira-mar e à disposição de quem for chegando. Acredite. É só acender a chapa e assar sua carne. É inacreditável. Ninguém danifica. Ao invés disso, preserva-a. Sujou? Limpa ao final, em respeito ao próximo usuário. (Vide foto a seguir).
A churrasqueira da praia de Dee Why em pleno uso na manhã de sábado 
Outra coisa que observei, também, é que o motorista de um ônibus só dá partida quando vê todos os passageiros acomodados. Quando vejo as recentes noticias nos jornais do Recife relatando acidentes com passageiros dos nossos coletivos devido às arrancadas bruscas, velocidade e freios violentos, fico triste e penalizado com nosso povo mais humilde. Outra coisa estranha e engraçada: meu filho solteiro e “baladeiro de carteirinha” relata que não se conforma com o fato de que a função numa danceteria sempre encerre à meia-noite. Sim! Quando o relógio junta os dois ponteiros e é noite, o som para e a ordem é ir para casa dormir, porque a noite foi feita para dormir. E todos obedecem, numa boa. Estão certos, mesmo porque a noitada começa logo após 18 horas. Acho graça...
É um mundo muito diferente, minha gente. Pode parecer insólito para muitos, sobretudo sendo brasileiro, mas, sem dúvidas, é uma vida salutar e do tipo que se pediu a Deus. Questão de princípios. E Cultura, claro.

NOTA: As fotos ilustrativas são da autoria do Blogueiro.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Continente Austral

Skyline da bela Sydney, desde um ferryboat cruzando a baia.
Estou outra vez na Austrália. Por todo este mês de Janeiro. Tenho razões familiares para me encontrar tanto tempo fora de casa: filha, genro e netos. Nesta fase da vida, viver distante tanto tempo já é quase uma aventura. Bom mesmo é que a família inteira veio junto, o que, também, já é uma coisa rara nos tempo de hoje.
A Austrália sempre me impressiona quando a visito. Um país continental, ocupando por inteiro o que é uma das maiores ilhas do mundo. Desponta de forma vibrante no mundo moderno, dadas seus indicadores sócio-econômicos e sua vibrante economia. É o segundo melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), embora seja um país formalmente instituído muito recentemente. Registros históricos dão contas de que, depois de muitas incursões exploratórias, britânicas e holandesas, entre os séculos XVII e XIX, as colônias independentes de então, num admirável esforço universal, planejaram uma organização institucional, através de consultas e votações populares. O resultado dessa mobilização política foi a constituição de uma Federação das Colônias, em 1º de janeiro de 1901. Pouco mais de um século, portanto. Logo a seguir, foi criada a Comunidade da Austrália e devido antecedentes coloniais, tornou-se um domínio do Império Britânico em 1907.  
A Austrália é então uma importante parte da Commonwealth e oficialmente é uma monarquia constitucional parlamentar federal, tendo como soberana a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.   
O que me chama a atenção é o fato de que somente no século XVIII foi que esses ingleses baixaram de vez por aqui e resolveram colonizar esta tão remota parte do mundo, digamos que, a ultima grande fronteira a ser alcançada por colonizadores europeus. Fala-se ainda, embora sem registros oficiais, que os portugueses andaram por aqui por volta dos anos 1475 e 1525, época em que os lusitanos se lançaram aos mares e saíram descobrindo novas paragens. O Brasil data dessa época. Portugal não registra essa sua façanha, mas, canhões portugueses afundados na baía de Broome (noroeste da Austrália) denunciam a passagem dos portugas por essas bandas.
História à parte, o que posso registrar são impressões que colho no meu dia-a-dia desta temporada por aqui. Como já mencionei no inicio, tenho motivos familiares por permanecer tanto tempo. Nessas condições, vou além dos tradicionais circuitos turísticos e adentro pela Sydney pujante e pela Austrália litorânea. São localidades de paisagens deslumbrantes. Vide fotos a seguir. Não ouso adentrar  mais porque o país tem características quase que desértica no seu interior, mais conhecido por Outback. Poucas chuvas e terrenos arenosos, na grande maioria. Nesta época de alto verão as temperaturas passam dos 48 graus! Mesmo aqui no litoral já ando estanhando os 38 graus. Clima seco e aparentemente mais asfixiante. Só dá vontade de me espojar na beira mar. É o que fazem os nativos. 
Vista parcial do Centro da cidade, com a emblemática ponte ao fundo

A famosa Ópera, cartão postal da cidade. Esplendorosa nas noites de Verão.
Bom, falando de Sydney, o primeiro adjetivo que me ocorre é que se trata de uma cidade extraordinária. Vibrante em todos os sentidos. Povo amistoso e hospitaleiro, que usufrui de extraordinária qualidade de vida. Parece incrível, mas, a verdade é que não se vê pobreza, por aqui. Ando por todos os lados “catando” sinais disto e perco meu tempo. Nada de mendigos, maltrapilhos ou menores de rua. Não sei nas regiões interioranas, onde os aborígenes vivem... Segurança Pública, Educação e Saúde de primeira linha são outros destaques. Infra-estrutura urbana monumental e transporte público irretocável e pontual. Imagine que todo cidadão tem no seu celular um aplicativo indicando os horários das linhas que lhes são interessantes e os locais de paradas. Ninguém perde tempo esperando um transporte ou no trânsito que, nem preciso dizer, é sempre fluido. Além desse meio coletivo, ainda existe uma rede de metrô e transporte marítimo coletivo de dar prazer utilizar.
Poltronas de veludo nos ônibus mais comuns
Para que se tenha uma ideia melhor, qualquer desses modais têm assentos em veludo e super confortáveis. (Foto ao lado) Naturalmente que locais reservados aos necessitados de cuidados especiais e bagageiros para quem entra carregado de pacotes. Os pacotes ficam lá, distante do dono e ninguém toca! A bordo deles fico pensando: pobres de nós brasileiros... Lembro da nossa cruel realidade de trânsitos engarrafados, desconforto e riscos de assaltos nos ônibus, nos outros poucos meios de transporte e até nos veículos particulares.
Outro item a destacar é o da limpeza urbana. Pense numa cidade limpa. O cidadão australiano é orgulhoso dessa qualidade publica. O lixo é recolhido de forma racional e separado, em cada unidade habitacional e coletado, em dias programados, pelas prefeituras. Por conta da limpeza geral, é muito comum cruzarmos nas vias urbanas com pessoas em pés descalços, sobretudo crianças. Estão sempre seguros de que não serão machucados com pedaços de vidro, pregos ou qualquer outro tipo de objeto. Água potável nas torneiras é um privilegio dessa gente. Bebo direto a chamada tap-water (água da torneira). Sem medo das verminoses ou moléstias contagiosas. 
É outro mundo, mesmo, minha gente. Embora discordando, no sentido amplo, da tese de que isto aqui é um Brasil que deu certo, admito isto, devido à alegria da gente, a hospitalidade e pelo colorido geral. Ah! E pelo mar que é um traço comum para os dois países. O australiano é fascinado pelo mar. Vive em função dos oceanos que os banham. São tão alucinados por água, que propositalmente o Dólar Australiano tem cédulas de plástico! Eles podem entrar no mar, banhar-se, mergulhar e surfar com os bolsos recheados de dinheiro. É muito engraçado.
Alonguei-me demais desta vez. Chega. Noutra hora falarei mais sobre esta minha aventura.

NOTA - Fotos da autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro


sábado, 7 de janeiro de 2017

Parada básica na África

A África raramente consta da programação turística do brasileiro. Muitas vezes é destino de quem pretende fazer pesquisas específicas, safáris fotográficos, prestar serviços de assessorias e consultorias, ou algo similar. Por puro turismo, mesmo, ainda são bem poucos os que para lá se destinam. Minha experiência de África se resume a algumas passagens pelo Norte do continente, onde estive no Marrocos e na Argélia, há muitos anos, e na região meridional onde já estive por três vezes na África do Sul, local por onde passei, recentemente, a caminho da Austrália. Mais do que um pitstop, fazendo intervalo do longo percurso até a Oceania, fiz, com a minha família, um programa turístico, de quatro dias, pela província da Cidade do Cabo (Cape Town) que resultou numa proveitosa oportunidade.

Esta é seguramente a cidade ideal para se visitar a turismo naquele país. Johanesburgo é o centro financeiro e administrativo do país, mas, muito austera e com poucos atrativos para quem vai turistar. A capital, Pretória, bonita mas requer apenas uma passagem rápida.
Agora, Cape Town é o tipo de cidade que conquista o visitante num primeiro lance. Diz muito de um país em franca expansão (é o S do grupo dos BRICS) repleta de grandes atrações, recebendo, por isso, meio mundo de viajantes sedentos a conhecer as belezas daquele pedaço do mundo. Chega a impressionar a quantidade de turistas na cidade. Pelo menos nesta época de fim e principio de ano. Gente do mundo inteiro. Detalhe a registrar: os locais estão preparadíssimos para o receptivo. Do taxista ao balconista, da recepção no hotel aos guias de visitas. Tudo impecável. Haja competência! Isto sem falar na afabilidade da gente, sempre com um sorriso nos lábios e dispostos a ajudar. Outra coisa que se destaca é a infra-estrutura do setor. Aliás, na infra da região toda. Acho que do país. Estradas excelentes – verdadeiros tapetes – trânsito fluido, iluminação pública correta, limpeza urbana invejável, entre outros detalhes. O que deixa a desejar ainda é a rede de internet. Nisto eles ainda não avançaram ao desejável. Tivemos alguns problemas de comunicação moderna. Existe. Mas, é lenta.
Por se localizar no extremo sul do continente, Cape Town capitalizou essa vantagem explorando um litoral recortado e de rara beleza, ora no lado Atlântico, ora no Indico. Fez disso uma das suas melhores atrações. Visitar o cabo da Boa Esperança (Good Hope) onde os dois Oceanos se encontram, num cenário deslumbrante, é programa obrigatório. Na cidade, propriamente dita, a Montanha da Mesa que é vista de qualquer ponto, pontifica no cenário e é outra grande atração. Esses são dois pontos onde o visitante termina fissurado com o clima genuinamente sul-africano.
O Cabo da Boa Esperança 
A Montanha da Mesa, cenário de fundo da Cidade do Cabo 

Outras grandes atrações ficam por conta dos safáris oferecidos nas redondezas da cidade, e do circuito nas vinícolas da região. De safáris já não sinto tanta atração, por haver experimentado noutras ocasiões, mas, visitar vinícolas curto muito e aconselho sempre a quem se habilita fazer uma viagem dessas. São de beleza indescritível. Passamos um dia nessa rota, degustamos dos bons vinhos e, nem precisa dizer, saímos com sensações parestésicas. Bom demais.
Vinhedo de Rust en Vedre

Degustando os Vinhos Sul-africanos 
Muitos turistas estrangeiros nas vinhas

Encerrando este post e deixado para o final de propósito, teço especiais comentários sobre o grande complexo turístico urbano de Cape Town que é o water-front, localizado nas antigas instalações portuárias da cidade. É um lugar sensacional, onde baixamos todos os dias. Bares, restaurantes, nightclubs, hotéis, muitas lojas, shopping centers, playcenter, passeios de barcos, animadores públicos – como os irmãos Mandela –, parque e jardins e um sem número de atrações outras. 
Waterfront a noite
Não tenho duvidas de classificar como sendo o mais belo water-front do mundo. Bate Puerto Madero, o píer de Miami, Pier 17 de Nova York, o de Chicago, Docas de Belém, Novo Rio, entre outros. Recife Antigo? Bom, desse ainda é cedo para se falar. Promete, mas falta muito. Bote muito nisso...
Sempre digo que o lugar é atrativo turisticamente quando se sai com vontade de voltar. Senti isso ao partir de lá, com destino à Austrália.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro
  


sábado, 17 de dezembro de 2016

Mensagem de Fim de Ano - 2016


E lá se foi 2016... Foram dias de apreensão, entremeados de alguns prazerosos, mas, difícil mesmo é dizer que foi um grande ano. Num país em convulsão político-econômica, só mesmo sendo um alienado é que passaria batido. Dias prazerosos, por exemplo, lembro os dias de Olimpíadas, da Rio-2016.  É verdade que, em termos pessoais não tenho, a rigor, do que reclamar. Saúde recuperada, após susto dado pelo coração, sucesso profissional, família em ordem e o resto... Bom, o resto a gente corre atrás.
Este ano foi, muitas vezes, desafiador para um Blogueiro que pretende manter uma vanguarda. Com tantas confusões geradas em Brasília, Curitiba e outros grandes centros, repercutindo no restante do país, poderiam sair muitos outros posts e a cada dia, o que está fora dos propósitos de um amador, como é o meu caso. Por outro lado, as escapadas que dei durante o ano, passando pelas Oropas e Cone Sul, foram momentos de relaxamentos, sempre bem-vindos, que renderam algumas postagens bem ao gosto de muitos leitores. Viajei e levei junto comigo vários leitores.
Como sempre faço a cada fim de ano, preciso fazer alguns agradecimentos: em primeiro lugar, a Deus pela condição que Ele me confere de pensar e enxergar o quotidiano, observar pessoas e paisagens e, por fim, emitir opiniões neste espaço semanal. Sei que nem sempre são do agrado de todos que visitam o Blog, mas sei, também, que tenho aqueles que me seguem com prazer, entendem meus argumentos, criticas e descrições, interagindo assiduamente. Até os que se contrapõem, dando dinâmica e vida ao trabalho que me proponho publicar.  No GB há espaço democrático para todos. Agradeço à minha família que sempre me apóia e incentiva neste exercício semanal. De modo especial agradeço a interação que se estabelece com muitos leitores no exterior, o que sinceramente infla minha vaidade. Claro! E vaidade, é bom frisar, faz parte da natureza de qualquer ser humano. Não sinto culpa se isto for visto como defeito ou pecado. Como não me sentir feliz e orgulhoso de saber ser lido em distantes plagas do planeta? Não sei por qual razão tenho freqüentes leitores na Rússia ou na China. E na Índia, Iêmen ou Vietnam? Os leitores brasileiros são bem menos dos que os norte-americanos. Com efeito, tenho que agradecer, cheio de jubilo, a todos. Principalmente àqueles que comentam as publicações.
Ao mesmo tempo, acho interessante porque continuo recebendo comentários de anônimos – os quais, por principio, nem publico – com críticas ofensivas das quais busco extrair aquilo que julgo relevante e que podem sugerir reparos na minha forma ou conteúdo. Creio que nada pode parecer tão bom que não mereça retoques. A esses leitores, meus sinceros agradecimentos e apelo para que continuem nessa forma de relacionamento. Eles cumprem algum papel no meu projeto.          
No limiar de 2017 e aproveitando o tempo do Advento, declaro meu entusiasmo pela renovação das esperanças de um renascer com dias melhores, tanto em termos pessoais, como coletivamente. Entendo sempre que a PAZ começa em cada um de nós. A soma das nossas esperanças e o empenho pacificador de um coletivo social instaura forças inabaláveis para mudar o mundo. É um mundo de paz e esperança que todos desejamos. E é dessa forma que devemos caminhar para um novo ano.
Aproveito para lembrar que, como sempre acontece, o Blog entra em recesso neste período de festas e durante o mês janeiro. Salvo numa possível edição extraordinária, Este é o último post do ano. Aos amigos e amigas leitores(as) e seus familiares, meus melhores desejos de


Feliz Natal e Venturoso 2017

Encerrando nossas atividades, neste ano, brindo a todos e todas com uma mensagem tocante e oportuna da autoria de um estimado amigo e colega na SUDENE, Jorge Fernando de Santana, filósofo iluminado e inteligente nato:

Natal é convite a sublimar a vida. Ensejo de renascer em espírito, retraçar caminhos, refazer atitudes, retocar hábitos, refinar comportamentos.
É tempo de promover a Paz, conquistar amigos, abraçar irmãos, salvar o Planeta e, pois, deixar-se aninhar no colo de Deus.
Urge despertar a boa vontade, condição elementar de instauração da convivência harmoniosa entre os seres humanos.
Eis o de que mais carecemos hoje... e o mais desejável neste Natal: a Paz, para cada um de nós... a Paz, para todos nós.

  NOTAS: 1. Obrigado amigo Jorge Santana. 2. A ilustração foi colhida no Google Imagens

 


sábado, 10 de dezembro de 2016

Uma questão de confiança

Os jornais do Recife, e provavelmente do restante do Nordeste, trazem no dia de hoje (sábado, 10.12.16) manchetes e longas matérias ilustradas sobre a visita do Presidente Michel Temer a Pernambuco e ao Ceará. A primeira dele enquanto presidente à Região. Veio ver de perto a seca regional. O homem ficou impressionado com o estado calamitoso provocado pela atual estiagem que assola grande parte dos estados da área. Já são vários anos sem chuva e a população está em estado de desespero. Num grande aparato de segurança e sendo resguardado contra manifestações opositoras, Temer circulou por alguns locais distante do povo e de muitos dos seus representantes. Visitou barragens totalmente secas, pontos da construção da transposição do São Francisco e redondezas. Por fim, num espasmo político comemorado pelos seus assessores, autorizou a liberação de verbas paliativas para atender as demandas mais urgentes. Uma migalha, na verdade, em face das reais necessidades da Região. Isto sem falar de outras necessidades diferentes das hídricas.
Este episódio é o que eu chamo de dejà vu. Na verdade, cansei de ver. Desde D. Pedro II que esta história se reproduz. O Imperador chorou diante da calamidade, ameaçou vender as jóias da coroa, inaugurou a Política da Solução Hidráulica, construiu o açude do Cedro no Ceará e criou o que hoje é o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. O erro inicial foi trabalhar CONTRA o fenômeno. A solução correta é CONVIVER com a seca.
Temer vendo a seca, de perto, em Pernambuco 
Ainda nesta semana estive lembrando – modestamente – que este país nunca teve um governo capaz de entender a sua dimensão continental. Pode até fazer um discurso bonito com este argumento, mas, entender de verdade, está pra nascer. Quando é um paulista só enxerga de São Paulo prá baixo, e olhe lá... – Acho que Temer, mesmo, nunca havia pisado num solo esturricado pela seca nordestina – quando é nordestino, tenta com imensas dificuldades direcionar ações para seu povo. Se for gaúcho, que em geral nunca andou pela Amazônia ou pelo Nordeste, tem uma dificuldade danada de assimilar as dimensões geográficas e culturais. Quando mineiro fica embananado sem saber como atender os vizinhos cariocas e paulistas e esquece o resto. Ressalvo somente Juscelino, mineiro que criou a SUDENE, embora que tratasse com “cuidado” de fazer incluir o Norte do seu estado no chamado polígono das secas e, conseqüentemente, na área da Agencia que criou. Já viu, né? De todo modo, é de se considerar que não deve ser uma missão fácil governar este Continente verde-amarelo. O problema é que o país é muito grande, muito diversificado, paisagens regionais bem distintas, culturas arraigadas e problemas dispares. São muitos Brasis enroscados num só Brasil.
O resultado prático da sociedade que se formou nesse imenso e diversificado território é de assustadores desníveis. O homem da imensa Amazônia jamais pensa da mesma maneira de um gaúcho pampeiro. Um caba-da-peste nordestino nem faz ideia do que passa pela cabeça de um caipira mineiro. O prepotente empresário paulistano, por principio, formação e até preconceito, nem se preocupa por entender os pensamentos dos paus-de-arara ou baianos como eles se referem aos nordestinos. É difícil... Termina que legalmente são dados tratamentos iguais e injustos para realidades diferentes. Baseado nisso tudo é que defendo políticas sociais diferenciadas para realidades distintas. As políticas de educação ou de saúde, por exemplo, não podem ser niveladas nacionalmente. Ao invés disso devem ser ajustadas às necessidades e traços culturais locais.
Agora, cadê vontade política? E cadê credito nos políticos?
O cenário governamental do Brasil de hoje é de total perplexidade. A sociedade já se sente órfão, há muito tempo. Tudo passa pela falta de confiança geral nos nossos mandatários. Como acreditar no Parlamento tão indigno, que só legisla em causa própria, salvando AA próprias peles? Como acreditar numa Suprema Corte que comete o absurdo que cometeu esta semana? Os argumentos podem até encontrar guarida nas altas esferas políticas, mas, mas, na prática o Supremo saiu muito arranhado. Os juízes do STF são os guardiões da Democracia! Como absolver o réu Renan para continuar na Presidência do Senado e vedá-lo da linha sucessória. É uma coisa inverossímil. Pesos e mediadas diferenciadas para “salvar a Pátria?” Neste caso, entendo que daqui prá frente cabe tudo e qualquer coisa.
Quando uma Suprema Corte se curva diante de um Legislativo a “vaca vai pro brejo” de vez. Aliás, nossa vaquinha precisa sair do brejo urgentemente. A bichinha já está atolada até o pescoço. Se demorar mais... Bom, se demorar mais, saia de baixo!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

 


domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma semana pra não ser esquecida

A semana começou com a notícia da morte do ex-ditador de Cuba, Fidel Castro. Naturalmente que com repercussão mundial, afinal – bem ou mal – ele foi uma figura que ocupou espaço no panorama político mundial, no século 20. Andei me preparando para fazer uma página inteira a respeito desse cidadão odiado por muitos e aclamado por outros. Um mito é verdade. Teve tudo às mãos para fazer de Cuba uma democracia autêntica, depois de livrar a ilha caribenha da zona de jogo e prostituição dos norte-americanos na primeira metade do século passado, em detrimento da população esmagada por outro cruel ditador, Fulgêncio Batista. Idealista e perseverante Castro empreendeu uma cruzada de “libertação” do seu povo e foi aclamado como mandatário, no remoto 1959. Manteve-se no poder até o recente 2008, passando o comando da ilha ao irmão Raul Castro. Embora prometendo um mundo de sonhos, se perdeu no meio do caminho (no começo, pensando bem) ao romper com os Estados Unidos e cair nas mãos de tiranos parceiros soviéticos, da fracassada União Soviética, e se tornou um cruel e sanguinário ditador, levando ao paredón e fuzilando centenas de opositores ao regime esmagador que implantou. Com idéias brilhantes, justiça se faça, nas áreas sociais, implantadas com sucesso, sujou seu nome e perdeu ótima oportunidade de ser lembrado como um verdadeiro estadista, devido sua “mão de ferro” e, ao contrário do que prometeu, fundador de uma sociedade pouco democrática. A História vai julgá-lo, como ele próprio disse. A Cuba de hoje não passa de uma nação atrasada economicamente, com um povo pobre e incapaz de entender o que seja liberdade. Há uma população jovem que nem tem idéia do que seja ter vontade própria e empreender. É Interessante quando lembro que Castro ascendeu ao poder, quando eu ainda era um meninote  adolescente e, logo depois, quando universitário, teve em mim um admirador. No ambiente da Academia era, junto com o Che Guevara, o mentor da transformação histórica sonhada para o mundo. Dois ícones da minha geração! Tudo isso foi por terra, com o passar dos anos. Hoje perdi minha admiração por esses tipos e sinto-me aliviado com o fim dessa era retrógrada e infeliz para muitos. Seus discípulos – Chávez, Maduro, Lula, Dilma, os Kirchner, Evo Morales e outros insignificantes no Continente –, aos poucos, estão sendo postos à margem e tendem a desaparecer. A morte de Castro sinceramente não me causou nenhum lamento. Pelo contrário, senti alívio. Odeio ditadores de esquerda ou de direita. E, depois, diante do que o Brasil viu no decorrer da semana, esse fato é coisa para ser esquecida de pronto. Página virada na História da América Latina. Pobre Latinamérica! Soy loco por ti (pobre) América.
Pois bem, o pior da semana estava por vir. E este, sim, o motivo para que esta semana não seja esquecida! Foram bem difíceis estes sete dias desta semana que hoje finda. E tudo no cenário da mesma América, atingindo em cheio, o coração do Brasil. Sobretudo, os aficionados no  futebol do Brasil.
Este garoto virou ícone da tristeza de um povo sofrendo pela morte dos seus atletas
Não encontro um termo exato para classificar minha revolta com um individuo irresponsável dono e comandante de uma aeronave de uma desconhecida empresa de aviação – aliás, empresa de um único avião – que levou à morte dezenas de jovens atletas da Associação Atlética Chapecoense, seus dirigentes e admiradores e jornalistas num acidente aéreo de grande proporção nas encostas dos Andes colombianos. Um time de futebol em ascensão no cenário esportivo do país e do continente é criminosamente eliminado num episódio dantesco que, por fim, expõe de modo claro o tipo de empresas e profissionais descomprometidos e irresponsáveis aos quais – muitas vezes – somos submetidos. Acidentes são acidentes e são coisas comuns da vida, é verdade. Mas, acidentes devidos à falha ou negligencia humana é imperdoável. Inaceitável e revoltante. Esse tal de Miguel Quiroga, proprietário e piloto da aeronave, tinha consciência quando levantou vôo com insuficiente combustível para percorrer a distancia entre o ponto de partida em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Medellín (Colombia). Ele morreu no acidente. A Chapecoense iria disputar uma final da Copa Sulamericana contra o Nacional de Medellín, na quarta feira. Este acidente, o maior envolvendo um time de futebol brasileiro, apanhou o país de surpresa e perplexidade na manhã da última terça feira (29.11.16). O desenrolar da história o Brasil e o Mundo já sabe e não preciso relatar. A manifestação de solidariedade dos colombianos no estádio onde se daria o confronto das duas equipes e a cerimônia de velório coletivo, em Chapecó (Santa Catarina), neste sábado demonstraram a dor vivida por um povo solidário e uma nação em luto. Foram 71 mortos. Vidas ceifadas por irresponsabilidade sem limites.
Manifestação do povo colombiano em Medellín no estadio onde se daria a partida de futebol.
Mas a semana não ficou por aí. A outra surpresa ruim veio de Brasília. Nas caladas da noite e aproveitando a consternação geral do país, a Câmara Federal fez serão e, numa jogada traiçoeira, aprovou com indecentes emendas/cortes o chamado Pacote Anti-Corrupção, projeto de lei de iniciativa popular. Os tais cortes foram, na prática, objetivando anular ações da Operação Lavajato, que é hoje a maior esperança de moralização e de ordem na estrutura de Governo deste país. Agora, resta a esperança de que no Senado essa indecência seja derrotada, embora que o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros, seja um dos mais proeminentes réus das ações anti-corrupção. Teme-se que ele se defendendo em causa própria manobre para aprovação da sujeira. dos deputados. Precisamos voltar às ruas para exigir uma Nação honrada e livre dos ladrões do poder, como sonhamos.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

sábado, 26 de novembro de 2016

Um circo pegando fogo

Pelo visto, nestes últimos dias, ainda estamos longe de navegarmos em plácidos mares político-econômicos. Parece que não tem timoneiro que dê jeito neste país. Depois do trauma gerado pelo processo do impeachment de Dilma, nasceu a esperança de paz e sossego na pátria. Contudo, a corrupção  –  grande causa da conturbada situação vivida  –  continua contaminando celeremente as artérias vitais do poder nacional.
Esse golpe que vem sendo gestado na Câmara Federal de anistiar tudo que signifique Caixa 2 somado ao rumoroso entrevero dos dois ministros de Temer, Marcelo Calero (Cultura) e o baiano Geddel Vieira (Secretaria de Governo), expuseram de modo contundente a fragilidade e cinismo dos nossos governantes. É lamentável que os homens do poder nacional estejam compulsivamente envolvidos  com tamanhas falcatruas a despeite da Nação que sofre e sangra para vencer os desafios impostos pela insana luta da sobrevivência. Milhões de desempregados, pais de família dando fim à vida depois de perder a esperança, unidades da Federação quebrando, delações contundentes, governo anunciando medidas impopulares, protestos por todo lado e um sem número de pequenos escândalos de norte a sul e de leste a oeste. No meio disso tudo, a pergunta que por muito tempo não cala: “atingimos o fundo do poço?” Parece que não! Na verdade, nunca antes na historia deste país se viu um poço tão profundo. E parece estar abaixo da camada do pré-sal, isto é, muita profundidade.
Marcelo Calero, ex-Ministro da Cultura
Essa de anistiar os implicados nas manobras de Caixa 2 em campanhas políticas é o que se chama de excrescência do Legislativo e um testemunho da falta de vergonha dos nossos “representantes”. A Operação Lavajato focou com seus potentes holofotes grande parte dos que atuam na Câmara Alta proporcionando-lhes momentos de estresse e incerteza. Na prática, são criminosos autores de atitudes de lesa-pátria, cometidas conscientemente e como se fora a coisa mais normal do mundo. Não esqueço nunca de Lula, quando presidente, numa entrevista dada em Paris, afirmando com a maior tranqüilidade que o Caixa 2 era coisa normal na política brasileira. Ele tinha razão haja vista que foi sempre assim na cabeça do mais simples ao mais alto aspirante a um cargo político no Brasil. É sabido que, do candidato a vereador ao de Presidente da Republica, esta foi a prática posta sempre em primeiro lugar.
Ora gente, tem um detalhe muito sintomático: essa anistia pretendida pelos praticantes do chamado Caixa 2 se destina a anular todo o belo trabalho do juiz Sérgio Moro, Juiz autor e mentor da Lavajato. Quase a totalidade das ações que tramitam pelas mãos dele está relacionada com essa prática indecorosa. O Juiz já divulgou nota denunciando esse cinismo legislativo.
Já o episódio Geddel Vieira versus Marcelo Calero escancara, indiscutivelmente, aquilo que se constitui num traço cultural do político brasileiro, ou seja, se aproveitar do exercício de um cargo público para auferir benefícios em causa própria. O cara, neste caso, se aproveitando da situação de Ministro Secretário da Presidência da República quis obrigar o colega a forçar a aprovação da obra de edifício, onde comprou um apartamento, num local vetado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, no centro histórico de Salvador (Bahia). Na cabeça desse ministro, certamente, passou a idéia de que, sendo ele um “poderoso” auxiliar do Presidente da República, seria normalíssimo. E o patrimônio histórico, que se lixe... O ministro Calero não tolerou a pressão política, segundo ele, reforçada pelo próprio Presidente da Republica, pediu exoneração do cargo e saiu “tocando fogo” no circo do Palácio do Planalto.  Até quando nossos governantes vão continuar confundindo a coisa pessoal com a pública? 
Geddel Vieira, o que quis misturar o interesse pessoal com o publico 
Outra pauta bombástica de Brasília, nesta semana que termina, é o interessante projeto de lei do Senador Álvaro Dias (PV-PR) acabando com o odioso foro privilegiado. Vem sendo um debate acirrado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Pela justificativa que traz, essa seria uma medida oportuna, diante dos escândalos recentes que resultaram em “livramento das caras” de indivíduos nocivos ao bem da Pátria.
Não podemos calar diante de tantos descalabros! E precisamos voltar às ruas. Mesmo que essa pareça ser uma luta sem fim. O Brasil precisa ser limpo e entregue saneado às próximas gerações.

Ultima Hora: mal conclui esta matéria e estourou a noticia da queda do Ministro Geddel Vieira. Note-se que é o sexto Ministro que cai no Governo Temer. E para desencanto geral todos relacionados com a falta de ÉTICA. Que país é este?  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 




sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Apreensão Global

Há oito anos, quando os norte-americanos elegeram Barack Obama presidente da república, uma onda de otimismo e esperança varreu o mundo, mergulhado, naquela ocasião, numa tremenda crise econômica, provocada pelo próprio país que ele governaria dali pra frente. Com proposta democráticas e didaticamente bem postas foi tudo quanto se desejava naquela época de incerteza. E, como fato emblemático, o inusitado de se tratar de um negro ocupando a Casa Branca e se tornando o homem mais forte do planeta. Em se tratando de Estados Unidos isto foi um espetacular tento social. De fato, está se completando um tempo de governo relativamente tranqüilo e bem avaliado e que já começa a deixar saudade. Governando com minoria nas casas do Congresso, Obama foi político o suficiente para se sair bem no filme. O Mundo, a estas horas, tira o chapéu para esse negro bonachão e carismático que com uma família bonita e bem estruturada encerra, neste momento, um período de governo bem sucedida. Se não conseguiu tirar, totalmente, o país da ressaca da crise de 2008, pode se considerar que apontou estratégias para esse alcance. Já há sinais de recuperação, a taxa de desemprego tende a cair e o crescimento econômico vem sendo alcançado passo a passo. No âmbito externo teve atuação louvável, sendo bem recebido por todos os lados, não obstante haver de lidar com os conflitos devidos a onda de terrorismo, ao famigerado Exército Islâmico e as ações beligerantes no Oriente Médio. 
A bem estruturada Família Obama
Ao contrario do panorama acima descrito, o que se vive no momento é uma apreensão global diante do recente resultado das eleições com vistas à escolha de um novo “inquilino” para a Casa Branca. A inesperada vitória do magnata Donald Trump, abalou o mundo e, se a explosiva bateria de propostas de campanha desse eleito vier a ser implementada, o mundo que se prepare para um tempo de turbulência político-econômica pouco desejada neste inicio de século 21.
Empresário de sucesso, capitalista visceral, perfil exacerbado de extrema direita, sem qualquer experiência política e exercitando um discurso populista do anti-político e nacionalista, esse cidadão driblou meio mundo, começando pela força da situação do Partido Democrata, os analistas políticos internacionais, os Institutos de Pesquisas e até boa parte do seu partido Republicano e conquistou a vitória.

É quase inacreditável que os Estados Unidos possa a vir a se fechar para o mundo como Trump prega. Será um surpreendente retrocesso do tradicional modelo político Yankee. Abandonar o Tratado do Atlântico Norte, se aliar aos russos de Putin e construir muros divisórios na fronteira com o México, para impedir a entrada de imigrantes, além de deportar os milhões de estrangeiros espalhados pelo seu território e perseguir os mulçumanos impiedosamente são outros planos de seu governo.
No âmbito econômico, o Senhor Trump ameaça dar tiro mortal em tudo quanto contribua para a globalização econômica que se instaurou no passado recente –  com ativa participação dos States – ao querer suspender a participação do país nos acordos de livre comércio (odeia a ALCA), cancelar acordos de comércio internacional assumidos por seus antecessores e impor restrições a importações de produtos que venham prejudicar a produção estadunidense. A ordem de Trump é construir um país mais forte e para os norte-americanos. Esse discurso, inclusive, fez sucesso nas camadas de desempregados, que ainda são muitas, e nos setores empresariais desbancados pela concorrência competente de produtos importados. A China que se cuide.
Ah! Outra coisa: sem acreditar na tese do aquecimento global, fez promessas – em tom irônico – de que vai se afastar das cúpulas que discutam o clima e vai retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. Pense que “lapa de doido”. Coisa de quem nunca atuou no campo político.
Esse inesperado quadro não passava pela cabeça de qualquer cidadão de são juízo. Vive-se, portanto, uma apreensão global.
A expectativa agora é que essas idéias tresloucadas encontrem fortes barreiras nos meios políticos internacionais e doméstico, a começar pelo próprio Congresso Americano, ainda que composto por maioria do partido dele. Aliás, o povo já vem protestando nas ruas das grandes metrópoles norte-americanas.
Bom, coisas como esta não passam em branco em determinados setores da comunidade internacional e essa onda nacionalista de Trump, confere fôlego no meio do mundo, haja vista a saída do Reino Unido da União Européia, com o resultado do recente Brexit e a intenção velada de outros países de seguir o mesmo caminho. Já ouvi rumores de movimentos na França e na Itália. Isto sem falar na Grécia que já esteve bem balançada.

Aguardemos para ver a História acontecendo.     

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens

sábado, 5 de novembro de 2016

Diversidade Cultural

Matéria publicada, esta semana (03.11.16), num jornal do Recife, chamou-me a atenção pelo inusitado, pelo menos no Brasil, e que diz “mortos-vivos invadem ruas de São Paulo”. Pois bem, pela 11ª. vez aconteceu na capital paulista um desfile denominado “Zombie Walk” (Marcha Zumbi). Pessoas caracterizadas de mortos-vivos, bruxas, esqueletos, múmias, vampiros, matadores, entre outras figuras, prestam uma homenagem aos mortos, no dia de finados. Segundo os organizadores do evento, essa macabra caminhada se realiza em outras cidades do mundo, sendo que a primeira ocorreu na Califórnia em 2001.
Sinceramente, acho insólita essa forma de homenagem aos mortos. Lembro que, quando criança, achava enfadonha a comemoração do dia de Finados, aos moldes da época e cultura local. Mas, antes assim... Naquela época, desde o dia anterior, as rádios só levavam ao ar músicas clássicas, pelas quais eu não me interessava até então, e que se dizia serem músicas fúnebres. Na minha inocência infantil, batia-me uma tristeza inexplicável. Outra coisa, o dia de Finados era dia santo, com obrigação do preceito de ir à missa e tudo mais. Recordando o passado me admira como hoje a coisa é diferente. Prá começo de conversa, deixou de ser dia santo e virou feriado. Isso! Simplesmente feriado! E a ordem geral é aproveitar a folga. Praia, campo, balada, shows e, sempre que possível, fazendo “uma ponte de folga” ao juntar com o fim de semana. Quem morreu, morreu e que descanse em paz. Custa-me assimilar essa “nova ordem” social e, conforme fui educado, não deixo de homenagear meus mortos acendendo uma vela e orando, no cemitério.           
Mas, curioso como sou e por principio, fui atrás de saber como essa coisa acontece noutras sociedades e descobri coisas bem interessantes.
No Japão, o dia de Finados é comemorado em agosto, após o 15º dia do sétimo mês lunar. Geralmente cai no entorno do dia 15.  É uma tradição antiga, de origem Budista, e data de antes do país adotar o calendário gregoriano, no século 19. Denomina-se de Obon, é um longo feriado, quando as famílias costumam viajar aos locais de origem da família e juntas fazem oferendas, dançam e contam histórias dos mortos e de fantasmas. Nessas ocasiões eles fazem faxina no mausoléu, adornam e colocam frutas e comidas favoritas do falecido, acreditando que eles saem das cinzas para a visita anual à família.
Já na China a coisa é muito engraçada e até polêmica. As pessoas prestam homenagens com oferendas. Geralmente preparam ou compram (há um comércio rentável) reproduções, em papelão ou similar, de produtos de consumo admirados pelo falecido e que ao fim das homenagens são queimados. A idéia é que o homenageado irá precisar daquele produto lá na eternidade. Recentemente, devido a onda capitalista que invadiu a China, são ofertadas réplicas de produtos de grifes de luxo entre as quais a Dior, Gucci e Chanel, que logo protestaram em defesa das suas respectivas marcas. Esse negócio vem dando o maior rolo para os chineses. Além desses artigos, são ofertados cigarros, carros, celulares, entre outros itens.
Artigos femininos em papelão com a marca Gucci, vendidos em Hong Kong
Os mexicanos não ficam atrás. Conversando com minha amiga Susana Gonzalez, da cidade do México, fiquei inteirado que eles realizam um festival prá lá de divertido. Saem em carros alegóricos pelas avenidas, acompanhados de bandas e caracterizados com fantasias de mortos, caveiras – a famosa Catrina, ícone mexicano – vampiros, fantasmas e outras figuras do gênero. É um verdadeiro carnaval. O povo vai às ruas e curte adoidado. Insólito para nós brasileiros, mas divertidíssimo para os mexicanos. Sugiro que abra o link a seguir e veja que coisa curiosa. https://www.mexicodesconocido.com.mx/lo-mejor-del-desfile-de-dia-de-muertos-en-la-cdmx.html
Se nas ruas a coisa acontece desse modo, nos ambientes domésticos, cada família monta um altar em homenagem aos mortos, crentes de que os homenageados vêm visitá-los no dia de finados e esperam encontrar tudo que “têm direito”. Nesse altar doméstico, além da foto dos mortos lembrados, são 
Altar de Susana González
colocados: água, comida – os pratos favoritos dos falecidos –, pão do morto, velas, incensos, sal, mini-abóboras e flores que, geralmente, são os conhecidos cravos de defunto, aqui no Brasil. No México se denomina de Flores de Cempasúchil. Há, inclusive, uma lenda muito interessante sobre essa flor. Sugiro consultar o Professor Google. É interessante, quando dizem que os mortos precisam se alimentar e beber para se restabelecer da longa caminhada da vinda e se preparar para a viagem de volta. Em alguns casos são deixadas uma lapada de tequila e um cachimbo, no caso de haverem sido preferências de um homenageado durante a vida terrena. A minha amiga Susana monta anualmente um desses altares em casa. Vide foto acima.
Êita mundo velho e multicultural.
       

 Nota: A foto da China foi  obtida no Google Imagens e a foto ao lado referente à tradição mexicana foi gentilmente cedida por Susana González, minha amiga mexicana.