sábado, 18 de fevereiro de 2017

Retorno Sofrido

Não é nada fácil o retorno à realidade brasileira, após uma temporada no exterior. Para mim é sempre muito penoso. Por mais que acompanhemos, à distancia e via Internet, os movimentos de Pindorama é sempre muito difícil pegar a embalagem e retomar a “vidinha” local. Esse rami-rami político-econômico que faz a festa dos noticiários locais e internacionais deixa qualquer um em permanente clima de tensão.
É exatamente assim que me sinto esses últimos dias. Assisto ao largo um quadro político aparentemente pior! A insegurança, nem se fala. Destempero geral.
Fico desapontado e mesmo desesperado ao assistir esse desgoverno reinante em vários estados do país, com rebeliões e chacinas nas prisões, assassinatos em série, mães de família violentadas, policiais em greve, mulheres destes postas como escudos nas portas de guarnições militares, governos falidos e em total desespero... e, um sem numero de outras “misérias” que fazem desse país um espaço de calamidade geral.
Fui um ferrenho opositor ao Governo Petista. Senti-me aliviado e comemorei a queda de Dona Dilma. Mas, sinceramente, estou preocupado com esses ignóbeis “arranjos” políticos que estão sendo feitos em Brasília. Naturalmente que não estou arrependido da oposição acima citada, mas, pelo amor de Deus, manobrar para o naufrágio da Lavajato é o mais sujo e espúrio dos jogos políticos que estamos presenciando neste país. É o retrato fiel da imagem que se faz do político brasileiro, isto é, não tem nenhum honesto. Raríssimas são as exceções, é verdade porque nem tudo está perdido.  Nomear Ministros ou manobrar para escolha de nomes em Comissões importantes no Congresso Nacional, ou outro dirigente qualquer, quase sempre citados nos autos do processo que rola no eixo Curitiba-Brasília é um despudor total de um Governante. Fico muito preocupado. Confesso que a esperança alimentada há poucos meses começa a se desvanecer.
Contudo e por outro lado, não posso negar – o que pode ser a salvação da Pátria – que a Política Econômica vem projetando resultados positivos desde agora. O Henrique Meirelles a despeito do carrossel político desvairado vem fazendo um serviço competente. Já se vislumbra uma solução para tirar o país do buraco que o PT meteu. Temer já contabiliza alguns  tentos ao aprovar a PEC 241 (ou 55) e está prestes a ver passar no Congresso algumas reformas – há muito desejadas – que os governos anteriores não conseguiram levar adiante. Algumas polêmicas é verdade. Impopulares até. Mas, necessárias! Será seguramente uma grande jogada político-institucional, se tudo ocorrer como programado. O trunfo do Temer é o fato de que ele jura, de pés juntos, que não pretende concorrer a outro cargo eletivo e, desse modo, sente-se solto para realizar as reformas que o Brasil reclama há tanto tempo. Isso, além de premente poderá restaurar a confiança internacional do país e garantir sua inclusão como bom parceiro político e comercial neste mundinho tão competitivo.
Como nem tudo é perfeito neste mundo observe, caro(a) leitor(a) que estou diante das duas faces da moeda: decepção no campo político e satisfação no campo econômico. Não é fácil separar essas duas coisas em lugar nenhum do mundo. Mas, no Brasil é bem mais difícil. Daí minha perplexidade e estar sentindo um sabor amargo nesta minha volta de temporada na Austrália, onde a vida corre leve, solta e segura. Deus que nos proteja.
  


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Um Paraíso no Fim do Mundo

Gaivotas alçando voos na Praia de Dee Why (Sydney-AUS)
Já ouvi, em muitas ocasiões, alguém dizer que a Austrália é um Brasil que deu certo. Curioso é que não são somente os brasileiros que pensam assim. Os sul-africanos dizem o mesmo. Vá ver que outros dirão também. Conhecendo as realidades desses dois países (Brasil e África do Sul) e vivendo, particularmente, temporadas na Austrália, fico buscando avaliar as razões dessa comparação. Levando em conta aspectos econômicos e sociais australianos – modos de vida, usos e costumes, traços culturais, mercado e qualidade de vida em geral – tudo me leva a crer que a explicação lógica reside numa coisa fundamental: Educação!
Aí, minha gente, em se tratando desse assunto, o Brasil é, inegavelmente, muito atrasado. Os muitos problemas com os quais convivemos, tais como analfabetismo, insalubridade, insegurança geral, inseguranças econômica, institucional, política e judiciária, entre muitos outros fatores, são frutos do baixo nível educacional do nosso povo. Certamente que o mesmo deve ocorrer com a África do Sul, muito embora que eu tenha visto, recentemente, sinais de um país mais organizado e ordeiro, longe daquele país do monstruoso apartheid.Estive na África do Sul em dezembro passado.
Hora de Crepúsculo, na praia de Manly (Sydney) 
Quanto à Austrália o que se pode sentir, no conjunto geral, é de se viver no paraíso no fim do mundo. Pelo menos para nós que vivemos cá no outro lado do planeta. É um lugar onde não se sabe ou se fale de crise econômica. Desemprego é quase ficção cientifica e, em conseqüência,  satisfação parece ser o estado geral da Nação. Não é à toa que tantos estrangeiros, sobretudo jovens, correm para lá na busca de melhores  oportunidades de vida. Só do Brasil, há um imenso contingente de jovens trabalhadores. A maioria chega para estudar inglês, se arranja num emprego temporário e, logo depois, encontra uma solução de obter visto de residente. É muito comum ser atendido nos restaurantes e bares australianos por garçons ou garçonetes brasileiros fazendo seus biquinhos iniciais. Muitas vezes, são jovens com formação superior sem oportunidades no Brasil e que se sujeitam a qualquer coisa para viver empregado e melhor. Há casos absurdos do tipo lavador de pratos num grande restaurante ganhar melhor do que se exercesse sua profissão superior no Brasil! É doloroso ver esse quadro. Há também argentinos, italianos, espanhóis, indianos, refugiados do Oriente Médio, entre muitos outros.
Acabo de voltar de uma temporada de 30 dias em Sydney. Oxigenei minha mente e consolidei a idéia de que havendo responsabilidade governamental, educação e consciência cidadã, o Brasil também pode melhorar. No futuro, quem sabe... Claro que não será para nós. Mas, poderá ser para gerações futuras.
Imagine você, caro leitor(a), viver num lugar onde o respeito ao próximo e à propriedade privada é coisa sagrada. Você pode ir a um local público, por exemplo, uma praia, deixar seus pertences na areia, entrar nas águas e saber que tudo estará lá ao retornar. Entrar num transporte público, deixar seus pacotes num compartimento próprio à entrada e ao sair recolher. Isto sendo num coletivo lotado! Estando na Austrália e indo ao supermercado, pode levar suas compras até a porta de casa, no próprio carrinho da loja. Deixe-o lá mesmo na rua que haverá uma coleta posterior, levando de volta à origem. Vide foto a seguir.
Carrinhos do supermercado nos quais moradores trouxeram suas compras até a porta de casa.
Lixo? Coleta seletiva desde cada domicílio. Ninguém mistura as coisas como por aqui. As prefeituras estabelecem uma agenda de coleta geral para cada bairro. Tudo muito ordeiro e cumprido na risca. Vide a foto abaixo.
Compartimento tipico de lixeiras seletivas no térreo de condomínio residencial 
Roupa de grife? Para que? Aqui no Brasil o sujeito ou veste assim ou está por fora... mesmo que tenha sido made in Paraguay ou Santa Cruz do Capibaribe (PE) e comprada na 25 de março (São Paulo) ou na Feira da Sulanca (PE). Na Austrália ninguém está preocupado com esse tipo de supérfluo ou reparando nas indumentárias alheias, porque isso não interessa. Uma churrasqueira pública à beira-mar e à disposição de quem for chegando. Acredite. É só acender a chapa e assar sua carne. É inacreditável. Ninguém danifica. Ao invés disso, preserva-a. Sujou? Limpa ao final, em respeito ao próximo usuário. (Vide foto a seguir).
A churrasqueira da praia de Dee Why em pleno uso na manhã de sábado 
Outra coisa que observei, também, é que o motorista de um ônibus só dá partida quando vê todos os passageiros acomodados. Quando vejo as recentes noticias nos jornais do Recife relatando acidentes com passageiros dos nossos coletivos devido às arrancadas bruscas, velocidade e freios violentos, fico triste e penalizado com nosso povo mais humilde. Outra coisa estranha e engraçada: meu filho solteiro e “baladeiro de carteirinha” relata que não se conforma com o fato de que a função numa danceteria sempre encerre à meia-noite. Sim! Quando o relógio junta os dois ponteiros e é noite, o som para e a ordem é ir para casa dormir, porque a noite foi feita para dormir. E todos obedecem, numa boa. Estão certos, mesmo porque a noitada começa logo após 18 horas. Acho graça...
É um mundo muito diferente, minha gente. Pode parecer insólito para muitos, sobretudo sendo brasileiro, mas, sem dúvidas, é uma vida salutar e do tipo que se pediu a Deus. Questão de princípios. E Cultura, claro.

NOTA: As fotos ilustrativas são da autoria do Blogueiro.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Continente Austral

Skyline da bela Sydney, desde um ferryboat cruzando a baia.
Estou outra vez na Austrália. Por todo este mês de Janeiro. Tenho razões familiares para me encontrar tanto tempo fora de casa: filha, genro e netos. Nesta fase da vida, viver distante tanto tempo já é quase uma aventura. Bom mesmo é que a família inteira veio junto, o que, também, já é uma coisa rara nos tempo de hoje.
A Austrália sempre me impressiona quando a visito. Um país continental, ocupando por inteiro o que é uma das maiores ilhas do mundo. Desponta de forma vibrante no mundo moderno, dadas seus indicadores sócio-econômicos e sua vibrante economia. É o segundo melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), embora seja um país formalmente instituído muito recentemente. Registros históricos dão contas de que, depois de muitas incursões exploratórias, britânicas e holandesas, entre os séculos XVII e XIX, as colônias independentes de então, num admirável esforço universal, planejaram uma organização institucional, através de consultas e votações populares. O resultado dessa mobilização política foi a constituição de uma Federação das Colônias, em 1º de janeiro de 1901. Pouco mais de um século, portanto. Logo a seguir, foi criada a Comunidade da Austrália e devido antecedentes coloniais, tornou-se um domínio do Império Britânico em 1907.  
A Austrália é então uma importante parte da Commonwealth e oficialmente é uma monarquia constitucional parlamentar federal, tendo como soberana a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.   
O que me chama a atenção é o fato de que somente no século XVIII foi que esses ingleses baixaram de vez por aqui e resolveram colonizar esta tão remota parte do mundo, digamos que, a ultima grande fronteira a ser alcançada por colonizadores europeus. Fala-se ainda, embora sem registros oficiais, que os portugueses andaram por aqui por volta dos anos 1475 e 1525, época em que os lusitanos se lançaram aos mares e saíram descobrindo novas paragens. O Brasil data dessa época. Portugal não registra essa sua façanha, mas, canhões portugueses afundados na baía de Broome (noroeste da Austrália) denunciam a passagem dos portugas por essas bandas.
História à parte, o que posso registrar são impressões que colho no meu dia-a-dia desta temporada por aqui. Como já mencionei no inicio, tenho motivos familiares por permanecer tanto tempo. Nessas condições, vou além dos tradicionais circuitos turísticos e adentro pela Sydney pujante e pela Austrália litorânea. São localidades de paisagens deslumbrantes. Vide fotos a seguir. Não ouso adentrar  mais porque o país tem características quase que desértica no seu interior, mais conhecido por Outback. Poucas chuvas e terrenos arenosos, na grande maioria. Nesta época de alto verão as temperaturas passam dos 48 graus! Mesmo aqui no litoral já ando estanhando os 38 graus. Clima seco e aparentemente mais asfixiante. Só dá vontade de me espojar na beira mar. É o que fazem os nativos. 
Vista parcial do Centro da cidade, com a emblemática ponte ao fundo

A famosa Ópera, cartão postal da cidade. Esplendorosa nas noites de Verão.
Bom, falando de Sydney, o primeiro adjetivo que me ocorre é que se trata de uma cidade extraordinária. Vibrante em todos os sentidos. Povo amistoso e hospitaleiro, que usufrui de extraordinária qualidade de vida. Parece incrível, mas, a verdade é que não se vê pobreza, por aqui. Ando por todos os lados “catando” sinais disto e perco meu tempo. Nada de mendigos, maltrapilhos ou menores de rua. Não sei nas regiões interioranas, onde os aborígenes vivem... Segurança Pública, Educação e Saúde de primeira linha são outros destaques. Infra-estrutura urbana monumental e transporte público irretocável e pontual. Imagine que todo cidadão tem no seu celular um aplicativo indicando os horários das linhas que lhes são interessantes e os locais de paradas. Ninguém perde tempo esperando um transporte ou no trânsito que, nem preciso dizer, é sempre fluido. Além desse meio coletivo, ainda existe uma rede de metrô e transporte marítimo coletivo de dar prazer utilizar.
Poltronas de veludo nos ônibus mais comuns
Para que se tenha uma ideia melhor, qualquer desses modais têm assentos em veludo e super confortáveis. (Foto ao lado) Naturalmente que locais reservados aos necessitados de cuidados especiais e bagageiros para quem entra carregado de pacotes. Os pacotes ficam lá, distante do dono e ninguém toca! A bordo deles fico pensando: pobres de nós brasileiros... Lembro da nossa cruel realidade de trânsitos engarrafados, desconforto e riscos de assaltos nos ônibus, nos outros poucos meios de transporte e até nos veículos particulares.
Outro item a destacar é o da limpeza urbana. Pense numa cidade limpa. O cidadão australiano é orgulhoso dessa qualidade publica. O lixo é recolhido de forma racional e separado, em cada unidade habitacional e coletado, em dias programados, pelas prefeituras. Por conta da limpeza geral, é muito comum cruzarmos nas vias urbanas com pessoas em pés descalços, sobretudo crianças. Estão sempre seguros de que não serão machucados com pedaços de vidro, pregos ou qualquer outro tipo de objeto. Água potável nas torneiras é um privilegio dessa gente. Bebo direto a chamada tap-water (água da torneira). Sem medo das verminoses ou moléstias contagiosas. 
É outro mundo, mesmo, minha gente. Embora discordando, no sentido amplo, da tese de que isto aqui é um Brasil que deu certo, admito isto, devido à alegria da gente, a hospitalidade e pelo colorido geral. Ah! E pelo mar que é um traço comum para os dois países. O australiano é fascinado pelo mar. Vive em função dos oceanos que os banham. São tão alucinados por água, que propositalmente o Dólar Australiano tem cédulas de plástico! Eles podem entrar no mar, banhar-se, mergulhar e surfar com os bolsos recheados de dinheiro. É muito engraçado.
Alonguei-me demais desta vez. Chega. Noutra hora falarei mais sobre esta minha aventura.

NOTA - Fotos da autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro


sábado, 7 de janeiro de 2017

Parada básica na África

A África raramente consta da programação turística do brasileiro. Muitas vezes é destino de quem pretende fazer pesquisas específicas, safáris fotográficos, prestar serviços de assessorias e consultorias, ou algo similar. Por puro turismo, mesmo, ainda são bem poucos os que para lá se destinam. Minha experiência de África se resume a algumas passagens pelo Norte do continente, onde estive no Marrocos e na Argélia, há muitos anos, e na região meridional onde já estive por três vezes na África do Sul, local por onde passei, recentemente, a caminho da Austrália. Mais do que um pitstop, fazendo intervalo do longo percurso até a Oceania, fiz, com a minha família, um programa turístico, de quatro dias, pela província da Cidade do Cabo (Cape Town) que resultou numa proveitosa oportunidade.

Esta é seguramente a cidade ideal para se visitar a turismo naquele país. Johanesburgo é o centro financeiro e administrativo do país, mas, muito austera e com poucos atrativos para quem vai turistar. A capital, Pretória, bonita mas requer apenas uma passagem rápida.
Agora, Cape Town é o tipo de cidade que conquista o visitante num primeiro lance. Diz muito de um país em franca expansão (é o S do grupo dos BRICS) repleta de grandes atrações, recebendo, por isso, meio mundo de viajantes sedentos a conhecer as belezas daquele pedaço do mundo. Chega a impressionar a quantidade de turistas na cidade. Pelo menos nesta época de fim e principio de ano. Gente do mundo inteiro. Detalhe a registrar: os locais estão preparadíssimos para o receptivo. Do taxista ao balconista, da recepção no hotel aos guias de visitas. Tudo impecável. Haja competência! Isto sem falar na afabilidade da gente, sempre com um sorriso nos lábios e dispostos a ajudar. Outra coisa que se destaca é a infra-estrutura do setor. Aliás, na infra da região toda. Acho que do país. Estradas excelentes – verdadeiros tapetes – trânsito fluido, iluminação pública correta, limpeza urbana invejável, entre outros detalhes. O que deixa a desejar ainda é a rede de internet. Nisto eles ainda não avançaram ao desejável. Tivemos alguns problemas de comunicação moderna. Existe. Mas, é lenta.
Por se localizar no extremo sul do continente, Cape Town capitalizou essa vantagem explorando um litoral recortado e de rara beleza, ora no lado Atlântico, ora no Indico. Fez disso uma das suas melhores atrações. Visitar o cabo da Boa Esperança (Good Hope) onde os dois Oceanos se encontram, num cenário deslumbrante, é programa obrigatório. Na cidade, propriamente dita, a Montanha da Mesa que é vista de qualquer ponto, pontifica no cenário e é outra grande atração. Esses são dois pontos onde o visitante termina fissurado com o clima genuinamente sul-africano.
O Cabo da Boa Esperança 
A Montanha da Mesa, cenário de fundo da Cidade do Cabo 

Outras grandes atrações ficam por conta dos safáris oferecidos nas redondezas da cidade, e do circuito nas vinícolas da região. De safáris já não sinto tanta atração, por haver experimentado noutras ocasiões, mas, visitar vinícolas curto muito e aconselho sempre a quem se habilita fazer uma viagem dessas. São de beleza indescritível. Passamos um dia nessa rota, degustamos dos bons vinhos e, nem precisa dizer, saímos com sensações parestésicas. Bom demais.
Vinhedo de Rust en Vedre

Degustando os Vinhos Sul-africanos 
Muitos turistas estrangeiros nas vinhas

Encerrando este post e deixado para o final de propósito, teço especiais comentários sobre o grande complexo turístico urbano de Cape Town que é o water-front, localizado nas antigas instalações portuárias da cidade. É um lugar sensacional, onde baixamos todos os dias. Bares, restaurantes, nightclubs, hotéis, muitas lojas, shopping centers, playcenter, passeios de barcos, animadores públicos – como os irmãos Mandela –, parque e jardins e um sem número de atrações outras. 
Waterfront a noite
Não tenho duvidas de classificar como sendo o mais belo water-front do mundo. Bate Puerto Madero, o píer de Miami, Pier 17 de Nova York, o de Chicago, Docas de Belém, Novo Rio, entre outros. Recife Antigo? Bom, desse ainda é cedo para se falar. Promete, mas falta muito. Bote muito nisso...
Sempre digo que o lugar é atrativo turisticamente quando se sai com vontade de voltar. Senti isso ao partir de lá, com destino à Austrália.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro
  


sábado, 17 de dezembro de 2016

Mensagem de Fim de Ano - 2016


E lá se foi 2016... Foram dias de apreensão, entremeados de alguns prazerosos, mas, difícil mesmo é dizer que foi um grande ano. Num país em convulsão político-econômica, só mesmo sendo um alienado é que passaria batido. Dias prazerosos, por exemplo, lembro os dias de Olimpíadas, da Rio-2016.  É verdade que, em termos pessoais não tenho, a rigor, do que reclamar. Saúde recuperada, após susto dado pelo coração, sucesso profissional, família em ordem e o resto... Bom, o resto a gente corre atrás.
Este ano foi, muitas vezes, desafiador para um Blogueiro que pretende manter uma vanguarda. Com tantas confusões geradas em Brasília, Curitiba e outros grandes centros, repercutindo no restante do país, poderiam sair muitos outros posts e a cada dia, o que está fora dos propósitos de um amador, como é o meu caso. Por outro lado, as escapadas que dei durante o ano, passando pelas Oropas e Cone Sul, foram momentos de relaxamentos, sempre bem-vindos, que renderam algumas postagens bem ao gosto de muitos leitores. Viajei e levei junto comigo vários leitores.
Como sempre faço a cada fim de ano, preciso fazer alguns agradecimentos: em primeiro lugar, a Deus pela condição que Ele me confere de pensar e enxergar o quotidiano, observar pessoas e paisagens e, por fim, emitir opiniões neste espaço semanal. Sei que nem sempre são do agrado de todos que visitam o Blog, mas sei, também, que tenho aqueles que me seguem com prazer, entendem meus argumentos, criticas e descrições, interagindo assiduamente. Até os que se contrapõem, dando dinâmica e vida ao trabalho que me proponho publicar.  No GB há espaço democrático para todos. Agradeço à minha família que sempre me apóia e incentiva neste exercício semanal. De modo especial agradeço a interação que se estabelece com muitos leitores no exterior, o que sinceramente infla minha vaidade. Claro! E vaidade, é bom frisar, faz parte da natureza de qualquer ser humano. Não sinto culpa se isto for visto como defeito ou pecado. Como não me sentir feliz e orgulhoso de saber ser lido em distantes plagas do planeta? Não sei por qual razão tenho freqüentes leitores na Rússia ou na China. E na Índia, Iêmen ou Vietnam? Os leitores brasileiros são bem menos dos que os norte-americanos. Com efeito, tenho que agradecer, cheio de jubilo, a todos. Principalmente àqueles que comentam as publicações.
Ao mesmo tempo, acho interessante porque continuo recebendo comentários de anônimos – os quais, por principio, nem publico – com críticas ofensivas das quais busco extrair aquilo que julgo relevante e que podem sugerir reparos na minha forma ou conteúdo. Creio que nada pode parecer tão bom que não mereça retoques. A esses leitores, meus sinceros agradecimentos e apelo para que continuem nessa forma de relacionamento. Eles cumprem algum papel no meu projeto.          
No limiar de 2017 e aproveitando o tempo do Advento, declaro meu entusiasmo pela renovação das esperanças de um renascer com dias melhores, tanto em termos pessoais, como coletivamente. Entendo sempre que a PAZ começa em cada um de nós. A soma das nossas esperanças e o empenho pacificador de um coletivo social instaura forças inabaláveis para mudar o mundo. É um mundo de paz e esperança que todos desejamos. E é dessa forma que devemos caminhar para um novo ano.
Aproveito para lembrar que, como sempre acontece, o Blog entra em recesso neste período de festas e durante o mês janeiro. Salvo numa possível edição extraordinária, Este é o último post do ano. Aos amigos e amigas leitores(as) e seus familiares, meus melhores desejos de


Feliz Natal e Venturoso 2017

Encerrando nossas atividades, neste ano, brindo a todos e todas com uma mensagem tocante e oportuna da autoria de um estimado amigo e colega na SUDENE, Jorge Fernando de Santana, filósofo iluminado e inteligente nato:

Natal é convite a sublimar a vida. Ensejo de renascer em espírito, retraçar caminhos, refazer atitudes, retocar hábitos, refinar comportamentos.
É tempo de promover a Paz, conquistar amigos, abraçar irmãos, salvar o Planeta e, pois, deixar-se aninhar no colo de Deus.
Urge despertar a boa vontade, condição elementar de instauração da convivência harmoniosa entre os seres humanos.
Eis o de que mais carecemos hoje... e o mais desejável neste Natal: a Paz, para cada um de nós... a Paz, para todos nós.

  NOTAS: 1. Obrigado amigo Jorge Santana. 2. A ilustração foi colhida no Google Imagens

 


sábado, 10 de dezembro de 2016

Uma questão de confiança

Os jornais do Recife, e provavelmente do restante do Nordeste, trazem no dia de hoje (sábado, 10.12.16) manchetes e longas matérias ilustradas sobre a visita do Presidente Michel Temer a Pernambuco e ao Ceará. A primeira dele enquanto presidente à Região. Veio ver de perto a seca regional. O homem ficou impressionado com o estado calamitoso provocado pela atual estiagem que assola grande parte dos estados da área. Já são vários anos sem chuva e a população está em estado de desespero. Num grande aparato de segurança e sendo resguardado contra manifestações opositoras, Temer circulou por alguns locais distante do povo e de muitos dos seus representantes. Visitou barragens totalmente secas, pontos da construção da transposição do São Francisco e redondezas. Por fim, num espasmo político comemorado pelos seus assessores, autorizou a liberação de verbas paliativas para atender as demandas mais urgentes. Uma migalha, na verdade, em face das reais necessidades da Região. Isto sem falar de outras necessidades diferentes das hídricas.
Este episódio é o que eu chamo de dejà vu. Na verdade, cansei de ver. Desde D. Pedro II que esta história se reproduz. O Imperador chorou diante da calamidade, ameaçou vender as jóias da coroa, inaugurou a Política da Solução Hidráulica, construiu o açude do Cedro no Ceará e criou o que hoje é o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. O erro inicial foi trabalhar CONTRA o fenômeno. A solução correta é CONVIVER com a seca.
Temer vendo a seca, de perto, em Pernambuco 
Ainda nesta semana estive lembrando – modestamente – que este país nunca teve um governo capaz de entender a sua dimensão continental. Pode até fazer um discurso bonito com este argumento, mas, entender de verdade, está pra nascer. Quando é um paulista só enxerga de São Paulo prá baixo, e olhe lá... – Acho que Temer, mesmo, nunca havia pisado num solo esturricado pela seca nordestina – quando é nordestino, tenta com imensas dificuldades direcionar ações para seu povo. Se for gaúcho, que em geral nunca andou pela Amazônia ou pelo Nordeste, tem uma dificuldade danada de assimilar as dimensões geográficas e culturais. Quando mineiro fica embananado sem saber como atender os vizinhos cariocas e paulistas e esquece o resto. Ressalvo somente Juscelino, mineiro que criou a SUDENE, embora que tratasse com “cuidado” de fazer incluir o Norte do seu estado no chamado polígono das secas e, conseqüentemente, na área da Agencia que criou. Já viu, né? De todo modo, é de se considerar que não deve ser uma missão fácil governar este Continente verde-amarelo. O problema é que o país é muito grande, muito diversificado, paisagens regionais bem distintas, culturas arraigadas e problemas dispares. São muitos Brasis enroscados num só Brasil.
O resultado prático da sociedade que se formou nesse imenso e diversificado território é de assustadores desníveis. O homem da imensa Amazônia jamais pensa da mesma maneira de um gaúcho pampeiro. Um caba-da-peste nordestino nem faz ideia do que passa pela cabeça de um caipira mineiro. O prepotente empresário paulistano, por principio, formação e até preconceito, nem se preocupa por entender os pensamentos dos paus-de-arara ou baianos como eles se referem aos nordestinos. É difícil... Termina que legalmente são dados tratamentos iguais e injustos para realidades diferentes. Baseado nisso tudo é que defendo políticas sociais diferenciadas para realidades distintas. As políticas de educação ou de saúde, por exemplo, não podem ser niveladas nacionalmente. Ao invés disso devem ser ajustadas às necessidades e traços culturais locais.
Agora, cadê vontade política? E cadê credito nos políticos?
O cenário governamental do Brasil de hoje é de total perplexidade. A sociedade já se sente órfão, há muito tempo. Tudo passa pela falta de confiança geral nos nossos mandatários. Como acreditar no Parlamento tão indigno, que só legisla em causa própria, salvando AA próprias peles? Como acreditar numa Suprema Corte que comete o absurdo que cometeu esta semana? Os argumentos podem até encontrar guarida nas altas esferas políticas, mas, mas, na prática o Supremo saiu muito arranhado. Os juízes do STF são os guardiões da Democracia! Como absolver o réu Renan para continuar na Presidência do Senado e vedá-lo da linha sucessória. É uma coisa inverossímil. Pesos e mediadas diferenciadas para “salvar a Pátria?” Neste caso, entendo que daqui prá frente cabe tudo e qualquer coisa.
Quando uma Suprema Corte se curva diante de um Legislativo a “vaca vai pro brejo” de vez. Aliás, nossa vaquinha precisa sair do brejo urgentemente. A bichinha já está atolada até o pescoço. Se demorar mais... Bom, se demorar mais, saia de baixo!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

 


domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma semana pra não ser esquecida

A semana começou com a notícia da morte do ex-ditador de Cuba, Fidel Castro. Naturalmente que com repercussão mundial, afinal – bem ou mal – ele foi uma figura que ocupou espaço no panorama político mundial, no século 20. Andei me preparando para fazer uma página inteira a respeito desse cidadão odiado por muitos e aclamado por outros. Um mito é verdade. Teve tudo às mãos para fazer de Cuba uma democracia autêntica, depois de livrar a ilha caribenha da zona de jogo e prostituição dos norte-americanos na primeira metade do século passado, em detrimento da população esmagada por outro cruel ditador, Fulgêncio Batista. Idealista e perseverante Castro empreendeu uma cruzada de “libertação” do seu povo e foi aclamado como mandatário, no remoto 1959. Manteve-se no poder até o recente 2008, passando o comando da ilha ao irmão Raul Castro. Embora prometendo um mundo de sonhos, se perdeu no meio do caminho (no começo, pensando bem) ao romper com os Estados Unidos e cair nas mãos de tiranos parceiros soviéticos, da fracassada União Soviética, e se tornou um cruel e sanguinário ditador, levando ao paredón e fuzilando centenas de opositores ao regime esmagador que implantou. Com idéias brilhantes, justiça se faça, nas áreas sociais, implantadas com sucesso, sujou seu nome e perdeu ótima oportunidade de ser lembrado como um verdadeiro estadista, devido sua “mão de ferro” e, ao contrário do que prometeu, fundador de uma sociedade pouco democrática. A História vai julgá-lo, como ele próprio disse. A Cuba de hoje não passa de uma nação atrasada economicamente, com um povo pobre e incapaz de entender o que seja liberdade. Há uma população jovem que nem tem idéia do que seja ter vontade própria e empreender. É Interessante quando lembro que Castro ascendeu ao poder, quando eu ainda era um meninote  adolescente e, logo depois, quando universitário, teve em mim um admirador. No ambiente da Academia era, junto com o Che Guevara, o mentor da transformação histórica sonhada para o mundo. Dois ícones da minha geração! Tudo isso foi por terra, com o passar dos anos. Hoje perdi minha admiração por esses tipos e sinto-me aliviado com o fim dessa era retrógrada e infeliz para muitos. Seus discípulos – Chávez, Maduro, Lula, Dilma, os Kirchner, Evo Morales e outros insignificantes no Continente –, aos poucos, estão sendo postos à margem e tendem a desaparecer. A morte de Castro sinceramente não me causou nenhum lamento. Pelo contrário, senti alívio. Odeio ditadores de esquerda ou de direita. E, depois, diante do que o Brasil viu no decorrer da semana, esse fato é coisa para ser esquecida de pronto. Página virada na História da América Latina. Pobre Latinamérica! Soy loco por ti (pobre) América.
Pois bem, o pior da semana estava por vir. E este, sim, o motivo para que esta semana não seja esquecida! Foram bem difíceis estes sete dias desta semana que hoje finda. E tudo no cenário da mesma América, atingindo em cheio, o coração do Brasil. Sobretudo, os aficionados no  futebol do Brasil.
Este garoto virou ícone da tristeza de um povo sofrendo pela morte dos seus atletas
Não encontro um termo exato para classificar minha revolta com um individuo irresponsável dono e comandante de uma aeronave de uma desconhecida empresa de aviação – aliás, empresa de um único avião – que levou à morte dezenas de jovens atletas da Associação Atlética Chapecoense, seus dirigentes e admiradores e jornalistas num acidente aéreo de grande proporção nas encostas dos Andes colombianos. Um time de futebol em ascensão no cenário esportivo do país e do continente é criminosamente eliminado num episódio dantesco que, por fim, expõe de modo claro o tipo de empresas e profissionais descomprometidos e irresponsáveis aos quais – muitas vezes – somos submetidos. Acidentes são acidentes e são coisas comuns da vida, é verdade. Mas, acidentes devidos à falha ou negligencia humana é imperdoável. Inaceitável e revoltante. Esse tal de Miguel Quiroga, proprietário e piloto da aeronave, tinha consciência quando levantou vôo com insuficiente combustível para percorrer a distancia entre o ponto de partida em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Medellín (Colombia). Ele morreu no acidente. A Chapecoense iria disputar uma final da Copa Sulamericana contra o Nacional de Medellín, na quarta feira. Este acidente, o maior envolvendo um time de futebol brasileiro, apanhou o país de surpresa e perplexidade na manhã da última terça feira (29.11.16). O desenrolar da história o Brasil e o Mundo já sabe e não preciso relatar. A manifestação de solidariedade dos colombianos no estádio onde se daria o confronto das duas equipes e a cerimônia de velório coletivo, em Chapecó (Santa Catarina), neste sábado demonstraram a dor vivida por um povo solidário e uma nação em luto. Foram 71 mortos. Vidas ceifadas por irresponsabilidade sem limites.
Manifestação do povo colombiano em Medellín no estadio onde se daria a partida de futebol.
Mas a semana não ficou por aí. A outra surpresa ruim veio de Brasília. Nas caladas da noite e aproveitando a consternação geral do país, a Câmara Federal fez serão e, numa jogada traiçoeira, aprovou com indecentes emendas/cortes o chamado Pacote Anti-Corrupção, projeto de lei de iniciativa popular. Os tais cortes foram, na prática, objetivando anular ações da Operação Lavajato, que é hoje a maior esperança de moralização e de ordem na estrutura de Governo deste país. Agora, resta a esperança de que no Senado essa indecência seja derrotada, embora que o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros, seja um dos mais proeminentes réus das ações anti-corrupção. Teme-se que ele se defendendo em causa própria manobre para aprovação da sujeira. dos deputados. Precisamos voltar às ruas para exigir uma Nação honrada e livre dos ladrões do poder, como sonhamos.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

sábado, 26 de novembro de 2016

Um circo pegando fogo

Pelo visto, nestes últimos dias, ainda estamos longe de navegarmos em plácidos mares político-econômicos. Parece que não tem timoneiro que dê jeito neste país. Depois do trauma gerado pelo processo do impeachment de Dilma, nasceu a esperança de paz e sossego na pátria. Contudo, a corrupção  –  grande causa da conturbada situação vivida  –  continua contaminando celeremente as artérias vitais do poder nacional.
Esse golpe que vem sendo gestado na Câmara Federal de anistiar tudo que signifique Caixa 2 somado ao rumoroso entrevero dos dois ministros de Temer, Marcelo Calero (Cultura) e o baiano Geddel Vieira (Secretaria de Governo), expuseram de modo contundente a fragilidade e cinismo dos nossos governantes. É lamentável que os homens do poder nacional estejam compulsivamente envolvidos  com tamanhas falcatruas a despeite da Nação que sofre e sangra para vencer os desafios impostos pela insana luta da sobrevivência. Milhões de desempregados, pais de família dando fim à vida depois de perder a esperança, unidades da Federação quebrando, delações contundentes, governo anunciando medidas impopulares, protestos por todo lado e um sem número de pequenos escândalos de norte a sul e de leste a oeste. No meio disso tudo, a pergunta que por muito tempo não cala: “atingimos o fundo do poço?” Parece que não! Na verdade, nunca antes na historia deste país se viu um poço tão profundo. E parece estar abaixo da camada do pré-sal, isto é, muita profundidade.
Marcelo Calero, ex-Ministro da Cultura
Essa de anistiar os implicados nas manobras de Caixa 2 em campanhas políticas é o que se chama de excrescência do Legislativo e um testemunho da falta de vergonha dos nossos “representantes”. A Operação Lavajato focou com seus potentes holofotes grande parte dos que atuam na Câmara Alta proporcionando-lhes momentos de estresse e incerteza. Na prática, são criminosos autores de atitudes de lesa-pátria, cometidas conscientemente e como se fora a coisa mais normal do mundo. Não esqueço nunca de Lula, quando presidente, numa entrevista dada em Paris, afirmando com a maior tranqüilidade que o Caixa 2 era coisa normal na política brasileira. Ele tinha razão haja vista que foi sempre assim na cabeça do mais simples ao mais alto aspirante a um cargo político no Brasil. É sabido que, do candidato a vereador ao de Presidente da Republica, esta foi a prática posta sempre em primeiro lugar.
Ora gente, tem um detalhe muito sintomático: essa anistia pretendida pelos praticantes do chamado Caixa 2 se destina a anular todo o belo trabalho do juiz Sérgio Moro, Juiz autor e mentor da Lavajato. Quase a totalidade das ações que tramitam pelas mãos dele está relacionada com essa prática indecorosa. O Juiz já divulgou nota denunciando esse cinismo legislativo.
Já o episódio Geddel Vieira versus Marcelo Calero escancara, indiscutivelmente, aquilo que se constitui num traço cultural do político brasileiro, ou seja, se aproveitar do exercício de um cargo público para auferir benefícios em causa própria. O cara, neste caso, se aproveitando da situação de Ministro Secretário da Presidência da República quis obrigar o colega a forçar a aprovação da obra de edifício, onde comprou um apartamento, num local vetado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, no centro histórico de Salvador (Bahia). Na cabeça desse ministro, certamente, passou a idéia de que, sendo ele um “poderoso” auxiliar do Presidente da República, seria normalíssimo. E o patrimônio histórico, que se lixe... O ministro Calero não tolerou a pressão política, segundo ele, reforçada pelo próprio Presidente da Republica, pediu exoneração do cargo e saiu “tocando fogo” no circo do Palácio do Planalto.  Até quando nossos governantes vão continuar confundindo a coisa pessoal com a pública? 
Geddel Vieira, o que quis misturar o interesse pessoal com o publico 
Outra pauta bombástica de Brasília, nesta semana que termina, é o interessante projeto de lei do Senador Álvaro Dias (PV-PR) acabando com o odioso foro privilegiado. Vem sendo um debate acirrado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Pela justificativa que traz, essa seria uma medida oportuna, diante dos escândalos recentes que resultaram em “livramento das caras” de indivíduos nocivos ao bem da Pátria.
Não podemos calar diante de tantos descalabros! E precisamos voltar às ruas. Mesmo que essa pareça ser uma luta sem fim. O Brasil precisa ser limpo e entregue saneado às próximas gerações.

Ultima Hora: mal conclui esta matéria e estourou a noticia da queda do Ministro Geddel Vieira. Note-se que é o sexto Ministro que cai no Governo Temer. E para desencanto geral todos relacionados com a falta de ÉTICA. Que país é este?  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 




sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Apreensão Global

Há oito anos, quando os norte-americanos elegeram Barack Obama presidente da república, uma onda de otimismo e esperança varreu o mundo, mergulhado, naquela ocasião, numa tremenda crise econômica, provocada pelo próprio país que ele governaria dali pra frente. Com proposta democráticas e didaticamente bem postas foi tudo quanto se desejava naquela época de incerteza. E, como fato emblemático, o inusitado de se tratar de um negro ocupando a Casa Branca e se tornando o homem mais forte do planeta. Em se tratando de Estados Unidos isto foi um espetacular tento social. De fato, está se completando um tempo de governo relativamente tranqüilo e bem avaliado e que já começa a deixar saudade. Governando com minoria nas casas do Congresso, Obama foi político o suficiente para se sair bem no filme. O Mundo, a estas horas, tira o chapéu para esse negro bonachão e carismático que com uma família bonita e bem estruturada encerra, neste momento, um período de governo bem sucedida. Se não conseguiu tirar, totalmente, o país da ressaca da crise de 2008, pode se considerar que apontou estratégias para esse alcance. Já há sinais de recuperação, a taxa de desemprego tende a cair e o crescimento econômico vem sendo alcançado passo a passo. No âmbito externo teve atuação louvável, sendo bem recebido por todos os lados, não obstante haver de lidar com os conflitos devidos a onda de terrorismo, ao famigerado Exército Islâmico e as ações beligerantes no Oriente Médio. 
A bem estruturada Família Obama
Ao contrario do panorama acima descrito, o que se vive no momento é uma apreensão global diante do recente resultado das eleições com vistas à escolha de um novo “inquilino” para a Casa Branca. A inesperada vitória do magnata Donald Trump, abalou o mundo e, se a explosiva bateria de propostas de campanha desse eleito vier a ser implementada, o mundo que se prepare para um tempo de turbulência político-econômica pouco desejada neste inicio de século 21.
Empresário de sucesso, capitalista visceral, perfil exacerbado de extrema direita, sem qualquer experiência política e exercitando um discurso populista do anti-político e nacionalista, esse cidadão driblou meio mundo, começando pela força da situação do Partido Democrata, os analistas políticos internacionais, os Institutos de Pesquisas e até boa parte do seu partido Republicano e conquistou a vitória.

É quase inacreditável que os Estados Unidos possa a vir a se fechar para o mundo como Trump prega. Será um surpreendente retrocesso do tradicional modelo político Yankee. Abandonar o Tratado do Atlântico Norte, se aliar aos russos de Putin e construir muros divisórios na fronteira com o México, para impedir a entrada de imigrantes, além de deportar os milhões de estrangeiros espalhados pelo seu território e perseguir os mulçumanos impiedosamente são outros planos de seu governo.
No âmbito econômico, o Senhor Trump ameaça dar tiro mortal em tudo quanto contribua para a globalização econômica que se instaurou no passado recente –  com ativa participação dos States – ao querer suspender a participação do país nos acordos de livre comércio (odeia a ALCA), cancelar acordos de comércio internacional assumidos por seus antecessores e impor restrições a importações de produtos que venham prejudicar a produção estadunidense. A ordem de Trump é construir um país mais forte e para os norte-americanos. Esse discurso, inclusive, fez sucesso nas camadas de desempregados, que ainda são muitas, e nos setores empresariais desbancados pela concorrência competente de produtos importados. A China que se cuide.
Ah! Outra coisa: sem acreditar na tese do aquecimento global, fez promessas – em tom irônico – de que vai se afastar das cúpulas que discutam o clima e vai retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. Pense que “lapa de doido”. Coisa de quem nunca atuou no campo político.
Esse inesperado quadro não passava pela cabeça de qualquer cidadão de são juízo. Vive-se, portanto, uma apreensão global.
A expectativa agora é que essas idéias tresloucadas encontrem fortes barreiras nos meios políticos internacionais e doméstico, a começar pelo próprio Congresso Americano, ainda que composto por maioria do partido dele. Aliás, o povo já vem protestando nas ruas das grandes metrópoles norte-americanas.
Bom, coisas como esta não passam em branco em determinados setores da comunidade internacional e essa onda nacionalista de Trump, confere fôlego no meio do mundo, haja vista a saída do Reino Unido da União Européia, com o resultado do recente Brexit e a intenção velada de outros países de seguir o mesmo caminho. Já ouvi rumores de movimentos na França e na Itália. Isto sem falar na Grécia que já esteve bem balançada.

Aguardemos para ver a História acontecendo.     

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens

sábado, 5 de novembro de 2016

Diversidade Cultural

Matéria publicada, esta semana (03.11.16), num jornal do Recife, chamou-me a atenção pelo inusitado, pelo menos no Brasil, e que diz “mortos-vivos invadem ruas de São Paulo”. Pois bem, pela 11ª. vez aconteceu na capital paulista um desfile denominado “Zombie Walk” (Marcha Zumbi). Pessoas caracterizadas de mortos-vivos, bruxas, esqueletos, múmias, vampiros, matadores, entre outras figuras, prestam uma homenagem aos mortos, no dia de finados. Segundo os organizadores do evento, essa macabra caminhada se realiza em outras cidades do mundo, sendo que a primeira ocorreu na Califórnia em 2001.
Sinceramente, acho insólita essa forma de homenagem aos mortos. Lembro que, quando criança, achava enfadonha a comemoração do dia de Finados, aos moldes da época e cultura local. Mas, antes assim... Naquela época, desde o dia anterior, as rádios só levavam ao ar músicas clássicas, pelas quais eu não me interessava até então, e que se dizia serem músicas fúnebres. Na minha inocência infantil, batia-me uma tristeza inexplicável. Outra coisa, o dia de Finados era dia santo, com obrigação do preceito de ir à missa e tudo mais. Recordando o passado me admira como hoje a coisa é diferente. Prá começo de conversa, deixou de ser dia santo e virou feriado. Isso! Simplesmente feriado! E a ordem geral é aproveitar a folga. Praia, campo, balada, shows e, sempre que possível, fazendo “uma ponte de folga” ao juntar com o fim de semana. Quem morreu, morreu e que descanse em paz. Custa-me assimilar essa “nova ordem” social e, conforme fui educado, não deixo de homenagear meus mortos acendendo uma vela e orando, no cemitério.           
Mas, curioso como sou e por principio, fui atrás de saber como essa coisa acontece noutras sociedades e descobri coisas bem interessantes.
No Japão, o dia de Finados é comemorado em agosto, após o 15º dia do sétimo mês lunar. Geralmente cai no entorno do dia 15.  É uma tradição antiga, de origem Budista, e data de antes do país adotar o calendário gregoriano, no século 19. Denomina-se de Obon, é um longo feriado, quando as famílias costumam viajar aos locais de origem da família e juntas fazem oferendas, dançam e contam histórias dos mortos e de fantasmas. Nessas ocasiões eles fazem faxina no mausoléu, adornam e colocam frutas e comidas favoritas do falecido, acreditando que eles saem das cinzas para a visita anual à família.
Já na China a coisa é muito engraçada e até polêmica. As pessoas prestam homenagens com oferendas. Geralmente preparam ou compram (há um comércio rentável) reproduções, em papelão ou similar, de produtos de consumo admirados pelo falecido e que ao fim das homenagens são queimados. A idéia é que o homenageado irá precisar daquele produto lá na eternidade. Recentemente, devido a onda capitalista que invadiu a China, são ofertadas réplicas de produtos de grifes de luxo entre as quais a Dior, Gucci e Chanel, que logo protestaram em defesa das suas respectivas marcas. Esse negócio vem dando o maior rolo para os chineses. Além desses artigos, são ofertados cigarros, carros, celulares, entre outros itens.
Artigos femininos em papelão com a marca Gucci, vendidos em Hong Kong
Os mexicanos não ficam atrás. Conversando com minha amiga Susana Gonzalez, da cidade do México, fiquei inteirado que eles realizam um festival prá lá de divertido. Saem em carros alegóricos pelas avenidas, acompanhados de bandas e caracterizados com fantasias de mortos, caveiras – a famosa Catrina, ícone mexicano – vampiros, fantasmas e outras figuras do gênero. É um verdadeiro carnaval. O povo vai às ruas e curte adoidado. Insólito para nós brasileiros, mas divertidíssimo para os mexicanos. Sugiro que abra o link a seguir e veja que coisa curiosa. https://www.mexicodesconocido.com.mx/lo-mejor-del-desfile-de-dia-de-muertos-en-la-cdmx.html
Se nas ruas a coisa acontece desse modo, nos ambientes domésticos, cada família monta um altar em homenagem aos mortos, crentes de que os homenageados vêm visitá-los no dia de finados e esperam encontrar tudo que “têm direito”. Nesse altar doméstico, além da foto dos mortos lembrados, são 
Altar de Susana González
colocados: água, comida – os pratos favoritos dos falecidos –, pão do morto, velas, incensos, sal, mini-abóboras e flores que, geralmente, são os conhecidos cravos de defunto, aqui no Brasil. No México se denomina de Flores de Cempasúchil. Há, inclusive, uma lenda muito interessante sobre essa flor. Sugiro consultar o Professor Google. É interessante, quando dizem que os mortos precisam se alimentar e beber para se restabelecer da longa caminhada da vinda e se preparar para a viagem de volta. Em alguns casos são deixadas uma lapada de tequila e um cachimbo, no caso de haverem sido preferências de um homenageado durante a vida terrena. A minha amiga Susana monta anualmente um desses altares em casa. Vide foto acima.
Êita mundo velho e multicultural.
       

 Nota: A foto da China foi  obtida no Google Imagens e a foto ao lado referente à tradição mexicana foi gentilmente cedida por Susana González, minha amiga mexicana.




domingo, 16 de outubro de 2016

Uma noite com Bocelli

Sempre ouvi dizer que algumas coisas não vida “não tem dinheiro que pague”. Naturalmente que se trata de algo muito relativo. O que tem valor pra mim pode ser insignificante para outrem. Isto é valido para qualquer coisa. Nesta semana, que hoje termina e, por exemplo, desloquei-me a São Paulo, com o objetivo único de assistir a uma apresentação do magnífico tenor italiano, Andrea Bocelli. O que representou um prazer especial para mim e minha esposa, causou espécie para alguns. Aí, então, foi quando também me lembrei da minha mãe que, vez por outra dizia: “o que é de gosto regala o peito”. Regalei meu peito e minha alma de prazer e satisfação. Sabe aquela situação em você se sente em estado de graça?  Foi assim. Sou amante da boa música e de uma bela voz. O Bocelli atende minhas humildes exigências.  

É extraordinária a capacidade de atração desse artista. O show, desta semana (12.10.16), foi levado no Allianz Parque (Estádio do Palmeiras), na capital paulista. Vendo aquele estádio superlotado com espectadores nas arquibancadas, camarotes e no próprio campo de futebol, devidamente preparado para receber o grande público, cheguei à conclusão que o povo (não arrisco em povão) gosta da boa música. Friso que não foi nenhum espetáculo com preços  populares e daí essa minha conclusão.  
Sempre admirei o Andrea Bocelli, desde quando despontou nas grandes paradas internacionais. Cheguei até a planejar uma ida à Itália coincidindo com um dos seus concertos na Arena do Silencio, na Toscana. Mas, com essa vinda ao Brasil, não deixei passar a chance.  
Foi uma noite inesquecível para todos que lá estiveram. Acompanhado pela Orquestra e Coro Santa Marcelina Cultura, do Estado de São Paulo, sob o comando do Diretor Musical Eugene Kohn, Bocelli brindou-nos com canções conhecidas sob a temática de músicas consagradas no cinema (Cinema World Tour) mesclado com seus sucessos ao longo desses anos recentes. Sem duvidas uma noite deslumbrante.

Com a Soprano Maria Aleida
Afora isto, cabe o registro das participações da soprano cubana Maria Aleida, que o acompanha nessa tournée mundial e da violinista norte-americana Caroline Campbell, a queridinha de artistas famosos, entre os quais Sting, Michael Buble, Rod Studart, Seal e, claro, Andrea Bocelli. Vale à pena, também, saber mais sobre essas artistas. Professor Google pode ajudar. Agora, a grande surpresa da noite foi quando entrou no palco a cantora brasileira Anitta. Sim, a própria! Aquela cantora de funk! Parece que está mudando de gênero musical e deu a maior show, atacando com bela voz e razoável pronuncia inglesa, cantando Over the Rainbow, em participação solo. Na sequencia fez dueto com Bocelli e arrancou longos aplausos do grande publico. Surpreendente o exército de fotógrafos que surgiram para fotografá-la. Para nós que estávamos na primeira fileira de espectadores e área central diante do palco, ficou difícil assistir, naquele momento.  

Anitta fazendo dueto com Andrea Bocelli
Outro registro que não posso deixar de fazer fica por conta da programação que nos engajamos, promovida e administrada pela empresa Cielli di Toscana, com sede em Florença, na Itália, (www. cielliditoscana.com) e que sempre acompanha Bocelli na Itália e, dessa vez, no Brasil, por conta da sua origem com capital brasileiro. A empresa organiza grupos de espectadores que são localizados em posições privilegiadas (setor Diamante), com transfers (ida e volta), coquetel de boas vindas ao local do evento e distribuição de amenidades relacionadas com o show. Detalhe: o vinho servido no coquetel veio com o rotulo Bocelli. Isto mesmo. Acontece que a Família Bocelli produz um vinho de alta qualidade, o Bocelli (www.bocellifamilywines.com), a base de uvas Sangiovese, na região da Toscana. Provamos do vinho e aprovamos. Quando fomos conduzidos ao local do show ainda sentíamos o sabor Bocelli (vinho e prosecco) na boca.
Dois outros momentos, também, levaram o público ao delírio, tanto pelo inesperado, quando pela importância simbólica. O primeiro foi, antecedendo ao show propriamente dito, a execução do Hino Nacional Brasileiro, cantado por um desconhecido.  O publico cantou a todo fôlego e emocionou. Sinais de um novo tempo? O segundo momento foi a execução da abertura da ópera O Guarani, de Carlos Gomes, no inicio do segundo ato. Ou segundo tempo?

A revista/programa do show traz, entre outros registros, algo que chama a atenção do leitor mais atento, numa frase consignada ao escritor Antoine de Saint-Exupéry que diz: “Somente com o coração que se pode ver claramente. O essencial é invisível para os olhos”. Bocelli é um exemplo. Não preciso dizer mais nada. Salvo que foi uma noite inesquecível, de verdade. Meu desejo foi realizado.    


Nota: Fotos da autoria do Blogueiro   

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O recado colhido nas urnas

Os eleitores brasileiros deram um forte recado à Classe Política do país, no pleito eleitoral de domingo passado (02.10.16). O que vimos, no final da apuração dos votos, foi uma formidável demonstração de desinteresse, repúdio e, de certo modo, o desprezo que o cidadão brasileiro vem atribuindo aos processos eleitorais e aos seus representantes políticos. Teve candidato que explorou esse viés do anti-político, viu a repercussão do seu discurso e se elegeu de primeira.  
Tenho tido a curiosidade, desde as eleições de 2012, de acompanhar as informações relativas às abstenções, votos nulos e em branco. Lembro que, naquele ano, o candidato vitorioso para comandar a Prefeitura, da cidade de Olinda-PE, obteve menos votos do que os brancos e nulos que foram computados. Dias antes do pleito municipal do domingo passado eu já previa algo semelhante dado ao desencanto da sociedade como um todo. E não deu outra. Ora, meus amigos e minhas amigas, alguma coisa precisa ser revista.

O resultado, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, foi que em dez capitais brasileiras a soma das abstenções, nulos e em branco superou aos votos sufragados aos primeiros colocados. E foram cidades importantes como Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras. Nesta última o grande vitorioso e novato, João Doria (PSDB), teve 11 mil votos a menos do que a soma dos brancos, nulos e das abstenções. A maior taxa de abstenção verificou-se no Rio de Janeiro alcançando a casa dos 24,28%. Este percentual mostra que, praticamente, 1 em cada 4 cariocas, não se abalou para ir à sessão eleitoral a dar seu voto. Vamos e venhamos, é um índice altíssimo. No Recife o segundo colocado, João Paulo (PT), que vai disputar o segundo turno, com o atual Prefeito Geraldo Julio (PSB), teve menos votos do que os que foram computados como brancos, nulos e abstenções. O menor índice de abstenção, apenas 8,59%, ocorreu em Manaus, capital do estado do Amazonas.
Não é muito difícil deduzir as razões desse desinteresse ou desprezo do eleitor. Os traumas políticos registrados nesses últimos anos – desde as grandes manifestações de 2013 – a dura eleição de 2014, os descaminhos do governo passado e o recente processo de impeachment da “presidenta”, além dos crimes escandalosos expostas pela Operação Lavajato resultou num caldo de desencanto no seio da sociedade que, dificilmente será dissolvido. É preciso que este Governo, que aí chegou, diga logo prá que veio e promova as reformas devidas e cobradas pela Nação. Não podemos é seguir nesse clima de desconforto político, estagnação econômica, insegurança e bancando equilibrista sobre um tecido social esgarçado e ameaçado romper a qualquer momento. Foi mais ou menos isto que o eleitor quis dizer no domingo passado.
O Brasil precisa de uma série de reformas para acertar o rumo de um caminho virtuoso. Fala-se muito nas reformas da previdência e econômica, mas, pouco se diz a respeito de uma reforma político-eleitoral. O modelo vigente está, definitivamente, superado. Esgotou no seu próprio emaranhado e torrou a paciência da Nação. As imperfeições estão à vista de todos. Ideias como voto distrital, voto obrigatório, quocientes eleitoral e partidário, entre outros, devem ser mais bem discutidos. O recado foi dado. Esperemos que seja ouvido corretamente.

NOTA: Imagem ilustrativa foi colhida no Google Imagens


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vamos às urnas novamente

Eis que nos vemos diante de um novo pleito eleitoral, ainda que curtindo a ressaca das recentes turbulências políticas que assolaram o país. No próximo domingo (02/10/2016), teremos eleições municipais e, desta vez, culminando um novo modelo de processo eleitoral.
A atual campanha foi muito morna e quase não se viu movimento de candidatos buscando votos ou espaço para mostrar suas caras e expor promessas aos eleitores. Nenhum saudosismo, por favor. As novas regras do jogo, estabelecidas pela “meia-reforma” eleitoral, resultou nesse clima pouco efervescente, quando comparado com o que se vivenciamos no passado. Tem eleitor que, esta semana, se surpreende quando toma ciência da proximidade do pleito. A redução do tempo de campanha levou a que mesmo os candidatos majoritários não tivessem chances concretas de expor suas plataformas. Nem mesmo os eletrizantes debates televisivos aconteceram.
Na prática, esse tímido clima de campanha é visto com bons olhos por muitos e pouco receptivo por outros, sobretudo aqueles habituados em esbanjar propaganda com recursos de doações de pessoas jurídicas, inscritas, muitas vezes, em Caixa 2. Mesmo que arcando com o peso de suportar o popular “rabo preso” que todos nós conhecemos, numa esteira de consequentes amarrações comprometedoras para o período de exercício de mandatos conquistados, sentem imensas saudades.
Contudo, numa coisa acredito: embora considerada como sendo uma “meia-sola” de reforma, essas novas regras tornam as campanhas mais democráticas, na medida em que os candidatos se aproximam (ainda que a desejar!) de um nivelamento das condições de concorrência. O fato de que doações financeiras para campanha serem somente permitidas por Pessoas Físicas (CPF) e nunca Pessoa Jurídica (CNPJ) foi um golpe certeiro nas jogadas dos corruptos e corruptores. Outra medida sadia foi a limitação de exposição de cartazes e bandeiras nas vias públicas, que somente emporcalhavam as cidades brasileiras. E finalmente, a redução do irritante horário de propaganda gratuita (rádio e TV). Trata-se, indiscutivelmente, de uma “bateria” de restrições que, além de ser um bom ensaio de reforma eleitoral, contribuiu de modo decisivo para o nivelamento que acima me referi.  
Mas, no final das contas, o que mais importa nesse quadro é considerar que a consciência individual, bem como a coletiva, do nosso eleitorado, está longe de saber escolher o candidato certo. E é aí onde reside a incógnita da questão política nacional.
Sou da opinião de que a eleição municipal é a única oportunidade em que o eleitor pode eleger um representante político mais próximo à sua realidade e mais fácil de ouvi-lo. Precisa saber – e quase nunca sabe – que o escolhido será seu representante, seu porta-voz direto nos níveis superiores de governos. Um(a) vereador(a), por sua vez, tem que ter a clara noção – e muitos poucos têm – de que ele, ou ela, deve defender os interesses dos seus representados, que estão lá na base da pirâmide social, isto é, o cidadão comum que sofre no seu dia-a-dia os efeitos de todas as mazelas das imperfeições e injustiças do meio social.
No Brasil de hoje, não há quem não padeça de alguma dessas mazelas urbanas. A saúde pública abandonada, as instalações sanitárias primitivas, as deficiências do setor educacional, a insegurança, a mobilidade urbana engarrafada e as falhas de infraestrutura são apenas alguns dos aspectos negativos que degradam as grandes, médias e pequenas urbes brasileiras e, provavelmente comuns em todas elas. Os prefeitos e vereadores eleitos nem sempre enxergam esse conjunto de problemas. Muitos, inclusive, preferem oferecer “pão e circo” como na Roma Antiga para enganar os tolos.
No próximo domingo, tenhamos um rasgo de lucidez, acreditemos que a participação como eleitor é um ato de cidadania e negá-lo se constitui num ato de covardia. Entendamos que um voto certo pode resultar num novo tempo social próspero e justo. Esqueçamos os atropelos e traumas recentes. Confiemos. Votemos em quem nos pareça ser bom e honesto administrador da coisa pública. É tempo de corrigir o que no passado podemos ter errado. Seja um eleitor consciente. Vote certo! O Brasil ainda tem chance e depende de você, Sua Excelência o Eleitor.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ares de Setembro na Argentina

Um compromisso social levou-me, semana passada, a Buenos Aires, a bela e aprazível capital da Argentina. Mais de uma vez já manifestei, aqui no Blog, a satisfação que sinto ao retornar àquela cidade e o fato da mesma se constituir num dos melhores destinos que me tocam.
Compromisso à parte, ressalto a chance de observar a cidade em si e o clima reinante no atual momento político-econômico dos hermanos. Gosto sempre de fazer isto. Para tanto, conversei com pessoas comuns – taxistas, balconistas, recepção do hotel, operadores de turismo, garçons, operadores de cambio, recepcionistas em geral, entre outros – buscando reunir opiniões com vistas a um registro neste espaço. Naturalmente que estou falando de subsídios primários, porquanto carente de técnicas apuradas. Contudo, ouvir o cidadão comum é sempre um indicador revelador. 
Vamos lá: a cidade me pareceu muito mais animada, comparando com minha última visita, e, sobretudo, melhor ordenada. Desapareceram aquelas hordas de ambulantes/imigrantes espalhando seus produtos artesanais ou quinquilharias chinesas, sobre mantas, nas ruas do chamado microcentro, que é a área histórica da cidade. Aquilo de antes conferia um aspecto de desarrumação e decadência sem tamanho preciso e justo na zona mais atrativa da metrópole. A famosa Calle Florida era o máximo do desmantelo, quando estive por lá nas últimas vezes. Não faz tempo. Apenas dois ou três anos. Hoje, não. O microcentro foi repaginado, melhor urbanizado, limpo, livre dos camelôs e recuperado na melhor forma, tal como no passado. E aparentemente mais seguro. Conheço Buenos Aires desde os anos setenta e pude acompanhar essas transformações com seus altos e baixos. O quadro atual é, indiscutivelmente, o melhor que já vi. Fiação elétrica e de telefonia, que no passado eram aparentes e enovelados nos postes, desapareceram e, agora, correm em dutos subterrâneos em muitas artérias da cidade.  Dá prazer passear na “nova” Florida e nas ruas do entorno. Entre as boas coisas, é gostoso admirar as vitrines comerciais de bom gosto, as galerias e os Shopping Center.
Acima, vista parcial da elegante Galerias Pacifico, no meio da Calle Florida e
abaixo, vistosa vitrine, na mesma rua.

É verdade que ainda se vê, ali e acolá, um maltrapilho abrigado numa marquise e encoberto com uma manta se protegendo do frio. Mas, muito raro. Nada que se compare com o que se vê nas principais cidades brasileiras. Não há menores carentes nas avenidas, não há limpadores de para-brisas nos semáforos, nem pedintes ostensivos.
Rara imagem da pobreza renitente e sinais da oposição.
Quanto às opiniões colhidas sobre a situação político-econômica posso afirmar que no geral as pessoas consideram estarem vivendo um momento transitório, de muitos sacrifícios, inflação em alta e significativas privações de consumo. Contudo, há um sentimento de que, tudo sendo transitório como parece ser, aponta para momentos de alivio em futuro próximo. Todos sentem os efeitos positivos do Governo Macri, assegurando que foi a melhor saída para a crise gerada pela gestão dos Kirchner. Curioso foi o fato de que alguns interlocutores chamaram a atenção para o fato de que a mesma coisa acorre no Brasil, isto é, o impeachment de Dilma aponta para uma solução econômica para o Brasil e que isso pode ser benéfico para a Argentina, também. O país é um dos nossos melhores parceiros comerciais. Os analistas econômicos da região consideram que aquilo que for bom para o Brasil será bom para a Argentina.
Outro detalhe muito enaltecido pelos portenhos é o fato de que, enquanto governador da Buenos Aires, Mauricio Macri rearrumou a capital e isto serviu de senha para que fosse eleito. A esperança é de que arrume a economia nacional. Naturalmente que, sendo uma democracia, existem os opositores que têm “castigado” o Governo na melhor forma que podem. Faz parte do jogo político. O mesmo que ocorre atualmente no Brasil.
Para nós sul-americanos resta a esperança de que a paz e o progresso reinem nas duas maiores economias do Cone Sul do Continente.  
No mais, o que me tocou foi aproveitar tudo aquilo que Buenos Aires oferece aos visitantes. É admirável como não se observa engarrafamentos de trânsito, nem problemas de estacionamento de veículos e, durante o tempo que lá estive, não vi qualquer tipo de acidente de trânsito.
Uma das maiores atrações argentinas é a qualidade da gastronomia, calcada principalmente na carne bovina. São centenas de restaurantes que servem a famosa parilla que dá água na boca só em pensar. Um bife-chorizo ou um lomo regados a um bom Malbec não tem dinheiro que pague.
Imagem de um assador crioulo preparando um cabrito na brasa, ao chimichuri.
Suculento lomo (Filé mignon) que saboreei, regado com belo Ruttini
A outra grande atração é o tango. No meu humilde ver, um tango bem executado e bem dançado é uma verdadeira magia artística. Melancólico, por vezes, sofrência explicita, apaixonante sempre e sensual. Sim, porque todo tango tem forte dose de sensualidade! Nada mais sensual do que uma bela dançarina, pernas à mostra, arriada, pendurada tal como trancelim ao pescoço do parceiro, que, em troca, geme, carrega como se sustentasse uma pluma, se esfrega, provoca a parceira e, naturalmente, a plateia. E, quando a música para, colhe os aplausos dos espectadores. Longos num claro testemunho de estarem fissurados. Quando numa dessas plateias, não tenho outra saída a não ser clamar: “traz outro Malbec, garçom”. Tá bom! Chega, por hoje.         
          
NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro