segunda-feira, 19 de junho de 2017

Futuro Incerto

Passei uma semana impressionado, negativamente, com o resultado daquela farsa ocorrida no STE – Superior Tribunal Eleitoral, quando de julgamento do pedido de cassação da Chapa Dilma-Temer na eleição de 2014. Tendo como justificativa o descarado abuso do poder econômico e político dos candidatos, a denuncia foi formulada pelo PSDB, logo após o pleito, dado o inconformismo da derrota por um percentual pouco relevante do seu candidato, o Senador Aécio Neves. De lá para cá “muitas águas rolaram por debaixo da ponte” e Neves já não “canta de galo” como antes. Abstraídos, contudo, os lances políticos ocorridos, incluindo as denúncias contra o candidato derrotado à Lava-Jato, é indiscutível que houve o abuso dos poderes acima referidos. Mais claro, ainda, com o pronunciamento do Ministro Antonio Hermann Benjamim, relator da questão naquele Tribunal.
Competente, imparcial e cônscio do seu dever de julgar, o Ministro Benjamim apontou, em longo descrever, todas as falcatruas impetradas pelos integrantes da coligação PT-PMDB. Foi corretíssimo em dar um voto condenando a Chapa, sendo seguido por dois outros, a Ministra Rosa Weber e o Ministro Luiz Fux. Infelizmente, foram vencidos diante dos votos contra a cassação de Napoleão Nunes Maia Filho, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e por fim o voto de desempate do Presidente do Tribunal, Gilmar Mendes.   
O Ministro Gilmar Mendes, presidente do STE
A repercussão desse resultado, beneficiando os denunciados, após o voto de Minerva do Ministro Gilmar Mendes, foi das mais negativas e de imediato a sociedade como um todo, além das entidades de Classe responsáveis se levantaram em tom de protesto por aquele desfecho de puro cunho político, pouco digno de uma Corte Suprema. Ao ministro Mendes foi atribuída a responsabilidade infeliz do julgamento. Coisa bem própria de Mendes, nesses tempos recentes. A propósito, gostei demais da comparação feita, num artigo bem escrito, por um amigo Advogado e companheiro rotariano, José Otávio de Carvalho, dizendo que o Ministro Mendes deve estar contaminado pela síndrome do Galo Chantecler, que achava que o sol nascia porque ele cantava. Ótima comparação! De fato o Ministro Gilmar Mendes vem se “esmerando” e se tornando persona non-grata para a Nação, com seu comportamento mais político do que judicial, cuja prova máxima se cristalizou na semana passada. O Brasil não merece um juiz desses! Nada mais nocivo quando isto ocorre embora seja o mais comum no Brasil de hoje. Diante desse fato, ocorre-me lembrar de uma frase, bem conhecida no mundo jurídico, da autoria de um Primeiro Ministro francês do século 19, François Guizot - (1787-1874), que sentencia: "Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. No Brasil, essa máxima de Guizot vem sendo esquecida e o Judiciário vem desafiando a vontade da Nação, ao não cumprir seu papel de regulador da ordem e da disciplina social.
Fico tranqüilo, porém, ao notar que vozes importantes se levantam país afora, contra essa estupidez da ordem jurídica nacional e ao mesmo tempo, intranquilo quanto ao futuro legal da nossa sociedade. O Jurista pernambucano João Paulo Teixeira, em recente artigo (vide: emporiododireito.com.br), foi taxativo ao afirmar: “para o futuro, temos um horizonte de incerteza ainda maior, já que o TSE abre perigoso precedente, praticamente reconhecendo sua incapacidade de enfrentar questões decorrentes de abuso de poder político e econômico quando se trata de cassação de chapa para o governo federal”.
Diante desses fatos, percebo a insustentável situação na qual vivemos, sem que tenhamos segurança nos poderes institucionais da nossa Republica. Com um Executivo enfraquecido e quase insustentável, um Legislativo desacreditado e sob efeitos negativos da corrupção endêmica e um Judiciário fraquejando a toda hora, aonde vamos parar?
Como viver num país em que a Justiça é injusta? Que segurança tem o jovem cidadão comum para construir seu futuro? Como empreender num ambiente tão duvidoso?
É tudo muito incerto. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Salvemos o Forró



Vejam vocês, caros leitores e leitoras, como as coisas “evoluem” no campo da cultura regional. Na época do carnaval venho sempre criticando a inclusão de cantores sulistas, interpretes de musicas sem qualquer relação com os ritmos do carnaval pernambucano, na grade de atrações principais para animar nossos festejos. Tudo em detrimento dos artistas locais que entram de maneira marginal na programação oficial e com aviltados cachês. Os convidados de fora são privilegiados com cachês polpudos e recebidos com honras e salamaleques comuns com grandes estrelas do show business. Uma humilhação sem tamanho para os que sabem dos valores da cultura local.
Agora, por ocasião dos festejos juninos, surge uma nova investida contra a prata da casa regional, ao se constatar que, nas monumentais programações das festas de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), as grandes atrações são os chamados cantores sertanejos do Centro-Sul, em flagrante ofensa aos cantores regionais, discípulos de Gonzagão e Dominguinhos. Há uma tremenda diferença entre os ritmos nordestinos e aqueles do Festival de Barretos (SP), berço dos tais sertanejos, onde, aliás, os cantores nordestinos (como Elba e Dominguinhos) são impedidos de se apresentar para não ofuscar o brilho dos tais sertanejos. E certamente o fariam. Pensem numa Elba incendiando aquela arena de touros. 
Elba Ramalho

Mestre Dominguinhos
 Ora, meu Deus, onde vamos parar? Por que tanta insensibilidade cultural? Por que tanta irresponsabilidade desses promotores de eventos e governantes locais? Todos muito cínicos em defender suas programações insanas. Os safadões, luans, além das inúmeras duplas sertanejas são as atrações deste ano nos grandes eventos regionais. São esses que já fazem as cabeças dos nossos jovens. Jovens nordestinos que nos anos recentes já consideram o frevo e o maracatu ritmos insuportáveis e logo, logo vão abominar o forró. Pobres coitados, não saberão jamais o quanto é gostoso garrar de uma menina e se arrastar num balancê de esfrega-esfrega sensual de corpos suados e se esbaldar ao som da sanfona, triângulo e zabumba, de um forró pé de serra. Tudo, obviamente, com um desfilar de vozes genuínas e cheias de poesia. Ao invés disso, preferem beber (bebe-se muito, hoje em dia) e assistir de pé as apresentações desses intrusos bem pagos. Ninguém dança agarradinho e, muito mal, balança o esqueleto. Coisa mais besta! Dançar uma quadrilha é coisa  démodé e sem qualquer motivação. As quadrilhas atuais viraram outra estupidez, porquanto estão mais para desfile alegórico do que a dança inocente, brejeira e romântica dos anos 60 e 70.
Não, não sou contra as mudanças e as inovações. Mas, tenha dó! No caso da Cultura é preciso ter cuidado. Uma coisa é evoluir, a outra é deletar (este termo é neologismo e sinal de modernismo!)  o que represente valores culturais.
Países da Europa e da Ásia são mestres da modernidade, mas, preservam cuidadosamente  suas raízes culturais e valorizam o repassar de geração a geração. No Japão, visitando uma indústria de Tecnologia da Informação, em Kyoto, fiquei surpreso ao me exibirem o layout de circulação dos micros-filamentos de um circuito de minúsculo chip (do tipo usado na telefonia celular) que reproduzia uma tapeçaria milenar (muito antes de Cristo) japonesa, cujo original está exposto no Museu Ueno (Tóquio). Apenas como exemplo.
 
Savinho do Acordeon






Tenho acompanhado os protestos dos cantores populares regionais contra essas promoções de forasteiros nos nossos festejos. A cantora Elba Ramalho já colocou a boca no trombone dos protestos e se ressente da sua exclusão nos festejos da sua cidade natal, Campina Grande. Aqui em Pernambuco, um dois maiores defensores do forró e difusor das músicas de Gonzaga e Dominguinhos, Savinho do Acordeón, (foto acima), não deixa por menos e com o slogan: “Festa Junina é com forró e não com Sertanejo”, vem denunciando essa dependência cultural dos desavisados no poder. Danado é que os políticos de plantão fazem disso, também, uma maneira de cativar os eleitores.
Salvemos o Forró nordestino, enquanto é tempo. 

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e arquivo particular de Savinho do Acordeón.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Quase Campeão.

Que as coisas andam, cada vez mais, deterioradas, aqui no Brasil, todos nós já sabemos. O tal “trem fantasma” (modo como comparei o país, dois posts atrás) continua assustando a cada curva e cada instante, é inegável. Notadamente no domínio da política. Ninguém mais se entende. Pelo visto e o que veremos ainda, não vai sobrar pedra sobre pedra. A desejada reconstrução vai exigir, sem dúvida, muito suor e sangue. A semana que passou, por exemplo, foi permeada de inúmeros episódios insólitos e sempre preocupantes. Um desses, chama especial atenção e é sobre isto que vou comentar neste post semanal. Refiro-me ao resultado de uma pesquisa internacional, realizada pela IMD Business School de Lausanne (Suiça) – uma das mais famosas escolas de administração do mundo – envolvendo 63 países, gerando o denominado Relatório de Competitividade Global 2017.
Os resultados apontados dão conta de que o Brasil é o segundo país mais corrupto, entre os 63 estudados, ficando à frente, apenas, da Republica Bolivariana da Venezuela, que no momento carrega a taça de Campeã Mundial da Corrupção. O Brasil  (62º colocado) é o vice-campeão. Quase Campeão! Caiu bastante, já que no ano passado ocupava o 57º lugar. Vamos e venhamos, é uma situação vexatória e, particularmente, dolorosa para qualquer cidadão de bem e de são juízo.   
Por mais que possamos buscar entender esta situação, dadas as curvas no escuro e sustos do nosso “trem fantasma”, é definitivamente desanimador para o empresário nacional que pretenda se estabelecer ou modernizar seu negócio com vistas a participar do competitivo jogo internacional de mercado. Como investir num país em que a previsibilidade e estabilidade política não garante ambiente tranqüilo? O Brasil não vem oferecendo esse primordial fator. E, na atual conjuntura, o que se assiste é uma piora crescente.
O IMD na sua pesquisa trabalha com fundamentais indicadores de competitividade, entre os quais: política de emprego, qualificação da mão de obra, transparência, segurança jurídica, eficiência dos negócios, investimentos em inovação, domínio das modernas tecnologias da informação, comércio exterior, custo do capital, política tributária e vários outros, somando um total de 260 indicadores! Por este número já se conclui se tratar de um trabalho minucioso, criterioso e redundando numa classificação cercada de segurança.
Além da Venezuela e Brasil, respectivamente, “campeã” e vice-campeão” da corrupção, a America Latina aparece com a Colômbia (61º posto), Peru (60º) e México (59º). Segundo o apurado, o Brasil melhorou apenas no item Transparência, em conseqüência das ações moralizadoras do Ministério Público, Policia Federal e a Procuradoria Geral da República - PGR. E de modo destacado a Operação Lava-jato.
Os países mais competitivos continuam sendo os já bastante conhecidos: Hong Kong, Suíça, Cingapura, Estados Unidos e Holanda, que lideram a lista dos 63 envolvidos.    
Outro detalhe interessante revelado pela pesquisa, vale à pena destacar: o Brasil é o 8º maior investidor de recursos públicos na Educação e o 62º em qualidade da Educação. Ou seja, o segundo pior do universo pesquisado. José Caballero, Economista-Chefe da pesquisa, faz questão de afirmar que “o Brasil gasta muito, mas muito mal”.

Situações como acima descritas nem passam pelas cabeças dos nossos governantes. Ao invés disso, estão exclusivamente preocupados em defender, com unhas e dentes, seu lugar de mando na pirâmide do poder e continuar no bem-bom e roubando cada vez mais. Enquanto isto... Bom, enquanto isto a Nação não passa de um detalhe, possivelmente abstrato para eles.
Na pisada que vai e para um país que adora ser campeão, quem sabe no próximo ano, arrebate esse troféu vergonhoso. Maduro que se cuide!

Nota: Ilustração obtida no Google Imagens


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fraturas fratricidas

A semana passada não foi nada animadora. O país, praticamente, parou diante de tantos cambalachos políticos. Um presidente na corda bamba; um Congresso buscando se “organizar” para enfrentar uma eleição indireta; protestos e badernas; um Superior Tribunal Eleitoral diante de um formidável desafio de cassar ou não cassar uma chapa eleita, mas, sob suspeita; uma operação saneadora (Lava-jato) e de agrado popular sob a mira destruidora de uma corja de políticos poderosos mas apontados como réus; uma dupla de empresários ladrões livres e soltos confortavelmente em Nova York e, em conseqüência, um povo em estado de perplexidade total. Este é o caldo chamado Brasil que a cada dia fica mais denso e mais assustador.
Noutra ponta, como se tudo acima fosse pouco, eis que surgem vozes preconceituosas maculando a dignidade de irmãos nordestinos taxando-os de gente de segunda categoria e vocacionados à profissão de ladrões. Foi o que ocorreu na Câmara Municipal de Farroupilha (Rio G. do Sul), tendo a vereadora Eleonora Broilo, do PMDB, como protagonista. Durante uma sessão da referida Câmara, essa infeliz brasileira, sem qualquer noção democrática disse, num desastrado aparte: “Primeiro, em relação a nordestino saber fazer política não sei se eu concordo muito. Eu acho que os nordestinos sabem muito bem se unir, sim, para roubar. Eles sabem se unir para ganhar propina. Eu acho que eles sabem se unir para aumentar a corrupção. (...) Talvez eles até não saibam nem falar muito bem, mas sabem roubar que é uma maravilha.”
Eis acima a figura da vereadora gaúcha, Eleonora Broilo
Como que fazendo coro com a desinformada vereadora gaucha, lá em Curitiba (Paraná), outra racista/fascista sulista, que atende pelo nome de Nelma Baldassi, saiu-se com outra infeliz ofensa a seus irmãos nordestinos, aos baianos exatamente, comentando sobre o recente atentado em Manchester (Inglaterra). A idiota (não há outro qualificativo) colocou numa rede social o seguinte disparate: “só lamento que tenha sido em Manchester e não na Bahia. Seria lindo ver aquela gente nojenta e escurinha da Bahia explodindo.” Ora, meu Deus, é inacreditável que isso venha a ocorrer. Não faltaram reações nos quatro cantos do país. Isso é coisa que tem de ser combatida. 
Nelba Baldassi e seu disparatado comentário
Este é um dos dolorosos defeitos de cidadania do brasileiro comum. Há um tremendo e endêmico espírito de preconceito contra os nordestinos. Principalmente por parte dos sudestinos. Em nada podem se julgar melhores do que nós, mas, assim cometem com natural frequência. No primeiro caso acima é flagrante a ignorância dessa vereadora gaúcha ao atribuir, generalizadamente, a pecha de ladrões vocacionados a todo cidadão nascido no Nordeste. A miopia dessa parlamentar é simplesmente indecorosa, ao partir, certamente, do principio de que não existe ladroagem no chamado Sul Maravilha. Ela desconhece ou se faz desconhecer que vem de lá as mais bombásticas das noticias de roubos, propinas e falcatruas do mundo político e empresarial.
Vejo nesses dois episódios exemplos atuais da falta de espírito republicano permeando nossa sociedade. Nisso, aliás, também reside boa parte do desandar político desta Nação.  Entendo que enquanto não houver um equilíbrio sócio-político-econômico nesse “arquipélago” político-administrativo do nosso país, não viveremos uma verdadeira Nação. O Brasil só será um grande país quando houver respeito mutuo entre seus irmãos, independente das origens regionais e suas condições sócio-econômicas. Essas fraturas fratricidas devem sarar com urgência. Leva tempo, já sei. Mas, são necessárias. E, para essas figuras preconceituosas devem ser dados caminhos de correção e punição por se tratar de crime contra o verdadeiro espírito de nacionalidade.  

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens



terça-feira, 23 de maio de 2017

Brasil: Um Trem Fantasma

Semana passada publiquei um post que, de algum modo, embora sem muita certeza, referi-me a uma possibilidade de alento na negativa pressão econômica brasileira. Pensei, confesso, que havíamos chegado ao fundo do poço e que, num finca-pé para cima, começávamos a respirar tranquilos. O mote era a pergunta: parou de piorar?
Mal publiquei o artigo e eis que, no mesmo dia (17.05.17), um novo escândalo político explode em Brasília que, naturalmente, abalou o restante do Brasil. Dadas as proporções desse pipoco, é bem provável que a chamada “delação do fim do mundo”, da Odebrecht, virou fichinha de banca popular.
Alguém, nesses dias tumultuados, comparou o Brasil a um trem fantasma, de um popular parque de diversões. Achei divertida e, ao mesmo tempo, uma boa comparação. De fato, o Brasil parece ser aquele brinquedo que, a cada curva e no escuro, nos dá um susto. Pode ser uma comparação debochada diante da gravidade do caso, mas, tem seu sentido figurado compreensível .
Trem fantasma da Mirabilandia (Recife) colhida no Google Imagens
Não posso entender como um Presidente da República pode receber nas caladas da noite, fora da obrigatória agenda oficial e num local pouco condizente (subsolo) do seu Palácio, um sujeito reconhecido como mau caráter, réu na Lavajato, e com toda pinta de quem busca faturar benesses para seus negócios escusos. Mais do que isso, chegar com firme propósito de trair a confiança do Excelentíssimo Senhor interlocutor, ao gravar clandestinamente, tantas barbaridades. Eu, sendo Presidente da República, como foi no caso, dava ordem de prisão para um criminoso daquele perfil, na hora. Mas, não! O Presidente foi passivo e o resultado foi aparecer na fita como comparsa do canalha. Aí, cabe a pergunta: por que Temer não o fez? Que privilégio tem esse cara? Ascendência sobre a autoridade máxima do país? No que será ele melhor dos que os outros réus, hoje presos? Vamos e venhamos, foi uma demonstração de total submissão política de um animal político tarimbado, como se imagina ser o Senhor Michel Temer. Um tremendo deslize para quem se propõe impor moral e colocar o País nos trilhos. As desculpas amareladas que estão sendo produzidas não têm surtido os efeitos esperados. 
Um crime nas caladas da noite de Brasilia

Por outro lado, é bom lembrar, tem sido estarrecedor o cinismo desse tal de Joesley Batista (Grupo JBS) ao fazer declarações tão absurdas sobre sua capacidade de dominar setores das altas cúpulas dos três poderes nacionais, comprando procurador e juízes, a base de muito dinheiro. E, bote dinheiro nisso. Fico incrédulo como esse sujeito que se ufana de poder dominar tudo e em todas as instancias, escapa ileso e se manda para viver em Nova York lépido e fagueiro gozando das caras dos bestas que deixou pra trás nesse Brasil combalido. Roubou todos os compatriotas, deu uma banana bem dada e se escafedeu. Pobre Pindorama. Como somos primários! 
O resultado disso tudo é esse estado de perplexidade que, mais uma vez, tomou conta da Nação. Nosso trem fantasma parece estar distante do final da sua trajetória. Desconfio que muita gente sobrará pelo meio do caminho ou morrerá de susto até o fim do circuito.
Meus amigos(as), observem que as perspectivas tentadas apontam para mais um longo tempo perdido para o crescimento do Brasil, como se não bastasse o que perdemos no governo pífio de D. Dilma. Nem os melhores especialistas tem tido capacidade de desenhar um provável cenário ideal. Minha esperança é que, passado tudo isso, refundem a nossa República. Mas, como se diz no popular, “com que roupa?”. O (ainda) atual Presidente que vestia uma roupa de probidade e dignidade está nu! Nu e sem chão. O que ele pisava, agora é movediço e ele vaga a mercê da sua insegurança e surpreendente inabilidade.
Que essa turbulência passe – porque todas passam – e possamos respirar tempos amenos e de bons alentos.
Para concluir, digo que tive muita dificuldade de produzir este post. Ensaiei três vezes. Também, muito normal porque não sou cientista político. E mesmo que fosse estaria rebolando num vagão desse trem fantasma. Como não passo de um enxerido, peço a Deus, que dizem ser brasileiro, que tenha piedade de nós.
Boa viagem nessa desconfortável locomotiva é o que desejo a todos e todas leitores (as).

NOTA: As fotos ilustrativas foram obtidas no Google Imagens.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Parou de Piorar?

A semana que passou estive circulando por São Paulo, por onde, no meu entender, bate mais forte o “coração” do país. Fui numa missão empresarial do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE. O objetivo foi participar de uma Feira de Negócios da Indústria de Máquinas e Ferramentas – EXPOMAFE, promovida pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). É um evento muito específico do setor industrial, bom para quem entende da coisa e propício (como no meu caso) para aferir como andam a produção e as inovações, nacional e internacional, de máquinas e de ferramentas, bem como as reações dos investidores. É um encontro que acontece a cada dois anos, tempo supostamente adequado para que venham a ocorrer mudanças nos processos de produção, novas aplicações tecnológicas e na disposição de assimilação pelos produtores.  Este é certamente o mote da promoção.

Ocorre, porém, que, no estado atual da economia brasileira, o tema da crise que nos abate terminou sendo uma constante nas rodas de negócios. Para alguns a situação ainda é muito delicada, enquanto que para outros mais otimistas e, sobretudo, os patrocinadores da expo, a coisa aponta para uma saída do balaio de problemas. Estes últimos preferem dizer que a situação “parou de piorar”. Note-se que parar de piorar não é coisa muito distante de considerar que a situação é muito delicada. São, talvez, formas distintas de explicar uma mesma situação.
Na verdade, qualquer que seja o negócio que se trate hoje neste país, é impossível desligar do estado político reinante. Sendo como vem sendo, essa coisa enrolada gera insegurança da maioria capaz de investir em máquinas mais novas, ferramentas mais ágeis e competitivas e, conseguintemente, melhoria da qualidade do seu produto, que são sempre desejos de muitos.
Aquela arguição do ex-presidente, na quarta feira, em Curitiba, foi indiscutivelmente acompanhada por todos, com grande expectativa. O embate entre Lula e Moro monopolizou as atenções de meio mundo. “Prender o Lula ou deixá-lo em liberdade, vai determinar o formato dos negócios que vamos fazer daqui pra frente”, foi o que ouvi de um empresário. Esse mesmo cidadão lembrou que, na atual conjuntura, aqueles que estão habituados a esperar pelo apoio do Governo para retomar sua produção devem “tirar seus corcéis da tempestade”. Ele entende que, com a limitação de gastos e investimentos imposta pelo Governo Federal, nem em 2025 haverá recursos federais para atender demandas até bem pouco corriqueiras. E de lá prá frente, só Deus sabe. O Governo se encolheu em face do aperto que sofre e aponta com uma tendência de deixar que a iniciativa privada se vire e busque alternativas para crescer de forma independente. As privatizações dão uma boa dimensão das intenções. Está evidente que as tetas de Brasília secaram. Daí a pergunta: isto é ruim, ou bom? Há controvérsias. Claro! Romper com um modelo, ainda que superado e carcomido, parece ser uma missão colossal. A salvação é que, ao mesmo tempo, o Governo Temer – que pretende ser o reformista – está trabalhando diuturnamente nesse projeto desafiador. Reformas Trabalhista, Previdenciária, Econômica, Política e Eleitoral, como projetadas, remetem implicitamente a formas de reduzir encargos tributários e sociais que tanto perturbam e atrapalham o empreendedor brasileiro. Se tudo sair nos conformes algo de novo pode mudar no Brasil. O famoso Custo Brasil teria, em boa parte, seus dias contados.
Para os que acreditam que parou de piorar a boa surpresa de hoje mesmo (17.05.17) é que vários comentários de analistas econômicos comemoram o crescimento da Economia no primeiro trimestre em pouco acima de 1%. Esse dado ainda está por ser confirmado. É coisa pequena, mas é motivo de festejar porque a última vez que isso ocorreu foi no já distante 2014. Melhor do que isto é constatar que o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego registrou, em Abril recente, 59,6 mil novas admissões. A maioria no Setor Serviços. É animador! Aí cabe perguntar: Parou de Piorar?
De outra banda do sistema econômico surgem as noticias de que a inflação está caindo, o Dólar vem caindo, também, e o Banco Central sinaliza intenções de baixar as taxas de juros. Nada melhor para quem investe em máquinas e na construção civil. Que venha mesmo. Será que a coisa vai? É outra pergunta cabível.
Resumo da ópera, neste momento: inflação em baixa, juros caindo, Real se valorizando, encargos trabalhistas e tributários prestes a amenizar a vida do investidor, empregos recriados... É, tomara que a coisa tenha parado de piorar, mesmo.

Nota: O Blogueiro esteve em São Paulo a serviço do SIMMEPE – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco.
           


sábado, 6 de maio de 2017

É de fazer chorar

Conforme falei no post da semana passada, que já não se sabe mais o que pode acontecer, nesse domínio político brasileiro, sinto-me coberto de razão. Quem pode discordar? Só uma mente insana!
A semana que termina foi simplesmente desalentadora para o brasileiro de vergonha. Libertar José Dirceu, um chefão da gang lulista, contumaz ladrão da Nação – embolsou propina até na prisão – foi, indiscutivelmente um afronte à sociedade brasileira. O trio de juízes Gilmar Mendes, Dias Tofolli e Ricardo Lewandowski, da Segunda Turma do STF, perderam a noção de respeito a um povo sofrido e, até então, crente de que existe uma Corte Suprema capaz de salvar a Pátria dessas “aves de rapina” que sobrevoam nossas cabeças. Imaginem o que vem por aí. 
O Trio de Togados acertando os ponteiros (Credito: STF)
Sinceramente, é de fazer chorar. O povo brasileiro, ao meu ver, está órfão de uma instância segura, acima de qualquer suspeita e capaz de julgar de modo imparcial os indecentes e reais culpados pelo atual flagelo nacional. Aí então, cabe procurar saber, a quem recorrer? A que Corte recorrer?
Acredito que políticos e empresários ladrões, amplamente fichados, condenados e trancafiados, devem ter chegado a este fim de semana (6 e 7 de maio de 2017) com grande tranqüilidade, visto que podem confiar naqueles que – a qualquer momento ou, ainda que de última hora –  vão livrá-los do xilindró.
É, minha gente, dá para perceber que, ninguém mais pode garantir que possamos viver num Brasil de vergonha, honesto e democrático. Aliás, observemos mais devagar que, estamos vivendo numa autentica ditadura judicial. Nunca antes na história deste país (ops!) tivemos membros do STF tão populares. Seja pelas suas posições probas ou pelos deslizes indignos resultando em efeitos negativos bem maiores do que um simples mortal brasileiro venha imaginar. Com tantos desencontros e parcialidade dos nossos juízes supremos, nenhum empreendedor brasileiro ou estrangeiro se encoraja investir no país. A insegurança jurídica aniquila a nossa economia já tão fragilizada.  
É doloroso perceber facilmente que nossos magistrados se digladiam publicamente, sem o mínimo respeito ao povo, para o qual estão, lá em cima, para servi-lo e supostamente garantir a ordem e a justiça conforme os ditames legais vigentes.
Como falei na semana passada, fica claro e mesmo evidente que temos em marcha um monstruoso desmonte da Operação Lava Jato. O juiz Sérgio Moro deve estar atento e prevendo o que alguns dos togados estão tramando. Vão trabalhar incessantemente por dar um xeque-mate nos “meninos” de Curitiba.  Aí, sim, teremos um verdadeiro golpe.

Pobre Brasil que começa a perder a esperança da lufada de ares saneadores e capazes de construir uma Nação verdadeira e Pátria Amada idolatrada, Salve, salve! Acordemos! Vamos às ruas denunciar essas tramoias. Sim, é de fazer chorar. 

domingo, 30 de abril de 2017

Como será o amanhã?

Tem sido muito difícil manter um espírito otimista na atual conjuntura político-econômica brasileira. Busco renovar minha confiança nos governantes de plantão – pelos quais torci – mas, as dificuldades são enormes e crescentes. É tudo “farinha do mesmo saco”. Pobre Brasil. Essa série de delações premiadas abala qualquer brasileiro de são juízo. Do jeito que vai não sobrará ninguém na Esplanada de Brasília. E aí, meu Deus, quem vai se apresentar como herói nacional ou salvador da Pátria? Temo que algum aventureiro “lance mão” do poder. Bastam os que foram escorraçados.
A Operação Lava Jato segue em frente e sem dó vem expondo a reinante bandidagem endêmica, para nos mostrar que tipo de gente mandamos, irresponsavelmente, para Brasília. A Operação, Inclusive, vem sofrendo ameaças pelos abutres políticos tradicionais. Eu não queria estar na pele de nenhum desses protagonistas do atual momento histórico do país. Imagine o que tem sido o dia-a-dia de figuras como Lula, Michel Temer, Renan, Dilma entre muitos outros atolados na lama espalhada desde Curitiba. Imagine, também, a vida do Juiz Moro.

É pessoal, parece que nosso imbróglio político não terá fim, tão cedo. O esperado “fundo do poço” ainda está longe de ser atingido. Acho que está abaixo da camada do Pré-sal. Ou seja, profundamente fundo. Quando se imagina que está perto de ser alcançado, nova sonda perfuratriz aparece com força cada vez mais descomunal.  
Esses últimos dias foram estarrecedores. Não sei mais o que pode acontecer. Cada nome que é confirmado ou os que surgem pela primeira vez derrubam por terra chefões cínicos e contumazes, verdadeiros chefes de quadrilhas de assaltantes. Estarrecedor, igualmente, são esses empresários delatores. Ao colocarem os pontos nos is esses caras mostram o impressionante cinismo da corrupção no Brasil. Provoca-me asco assistindo-os nos noticiários da TV.
Vivendo neste estado de perplexidade  coletiva, tenho uma pergunta que não cala: como será o Brasil de amanhã? Esta minha questão deve fazer sentido à medida que busquemos avaliar ex-ante no que resultará todo esse sacrifício pelo qual estamos passando. Para alguns teremos um Brasil melhor, mais honesto e mais democrático, no sentido real. Teremos uma Nação mais moralizada. Assumindo meu espírito otimista, gosto de trabalhar com essa hipótese. Contudo, dou um passo à ré, lembrando-me que muitos interesses – dos velhos e corruptos manda-chuvas políticos – serão contrariados, o que vem provocando os esforços que já desenvolvem numa operação tipo “salvar a própria pele”. E neste caso, esse Brasil sonhado pode vir com deformações indesejadas. O poder desses caras, político ou empresário corrupto, vai bem mais além do que nós, pobres mortais, imaginamos. Na Itália, os resultados da Operação Mãos Limpas (inspiração do trabalho de Sergio Moro) não chegou ao resultado esperado, Fala-se que a corrupção não foi estripada por lá. Temo que o mesmo venha ocorrer aqui no Brasil.  

Eis aí um bom tema para reflexão dos amigos e amigas que acompanham o Blog do GB. Bom feriado de 1º de Maio. Comemorem o Trabalho! É de trabalho que o Brasil precisa.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

sábado, 8 de abril de 2017

O que será de nós?

Confesso minhas dificuldades recentes para cumprir uma agenda sistemática para postar matérias neste meu Blog. Tentei algumas matérias nestas últimas semanas, mas, nada me convenceu. Preciso me convencer para postar qualquer coisa. Bem vistas ou não – o que pode acontecer normalmente – preciso gostar do que escrevo.
A primeira tentativa foi sobre a Operação Carne Fraca (uma ironia essa denominação da Operação). Em meio às démarches políticas que sucederam o desbaratamento das fraudes, fui vendo o tamanho do escândalo: primeiro o estardalhaço das diligências e da divulgação do problema pela Polícia Federal. Depois as repercussões domésticas e internacionais do caso. Tenho um leitor chileno que cobrou opinião. Foi um momento assustador da vida nacional, considerando que, da maneira que o caso foi exposto, a conclusão mais óbvia era de que a corrupção baixava nas nossas mesas e estômagos. 
Um desatino. Por outro lado, o colossal prejuízo que o Brasil passava a tomar em ver o bloqueio das compras da carne bovina brasileira nos pontos mais importantes do mercado mundial. Ora, meu Deus, numa tarde de sexta-feira de março, e numa manobra policial mal divulgada/administrada, o Brasil perdeu mais de dez anos de trabalho para conquistar um mercado exigente e rentável. Considerando que o Brasil conquistou, com muito suor e massa cinzenta, o primeiro lugar no mercado mundial de carnes, foi um baque sem precedentes. Contudo, ao que parece, a verdade aos poucos foi posta, houve um corre-corre do Governo e as coisas tendem voltar ao normal. Os corruptos foram identificados e punidos, enquanto a opinião publica internacional vem assimilando a verdade. Produtos foram examinados na sanidade e na qualidade, em vários países, incluindo os mercados mais importantes como China, Hong Kong e Europa. Coisas de um Brasil em permanente convulsão.
Outro post tentado foi comentando as delações que rolam em Curitiba, no âmbito da Lavajato, afundando, ainda mais, Lula e D. Dilma e, paralelamente, a prisão coletiva dos conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, bem como o Presidente da Assembléia Legislativa do mesmo estado. Incrível, porém verdade. Fico, perplexo, me perguntando: tem quem durma com uma zoada dessas? Quando a gente pensa que a temporada de escândalos atingiu seu fim, surgem outros de onde menos se espera. Tenha dó! Como pode um Tribunal de Contas Estadual ser corrupto e levado em massa para cadeia? O jeito é instituir outro para julgar os julgamentos do primeiro. Parece piada.
Os dias passam e outros bombásticos episódios se sucedem, inclusive no exterior. Na Venezuela, o Maduro tenta um golpe de estado, transferindo para o Supremo Tribunal de Justiça local as prerrogativas de legislar. Detalhe: os Ministros são todos mancomunados com ele. O povo foi às ruas e muito sangue vem correndo.
No plano internacional, ainda, o exótico presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou num dia e no seguinte bombardeou bases militares da Síria cutucando o Ditador Bashar al-Assad e a sua aliada, a Rússia.
Base bombardeada pelos americanos na última quarta feira
Tempos difíceis. Sei não, mas, é preciso paciência porque estamos longe do fim. E então pergunto: o que será de nós, proximamente?

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens



   

terça-feira, 21 de março de 2017

Inteligências Perdidas

Esta semana, recebi pelo Whatsapp uma mensagem que transcreve um diálogo entre o repórter policial, Alisson Maia, de Goiás, e que me deixou muito pensativo sobre a situação das novas gerações do Brasil. Conta ele que, de plantão numa delegacia de policia, entabulou um diálogo com um adolescente de 14 anos, detido por porte ilegal de arma, que o deixou horrorizado com o futuro da nossa Nação. “Olhei para ele e pensei, mais um moleque que não fica preso, então nem vou perder meu tempo, mas enquanto aguardava outra ocorrência que estava a caminho da delegacia me aproximei dele e, como às vezes faço comecei, a lhe dar conselhos,
- sai dessa vida rapaz, você vai morrer, a vida das drogas e do crime não compensa.
Foi quando ele que até então estava calado olhou bem pra mim e disse:
- Seu Álisson, esse papo do senhor eu já cansei de ouvir, estava armado porque vendo droga, e ganho muito fazendo isso, mas eu antes de ser vendedor de droga eu trabalhava numa oficina e sabe o que fizeram? Denunciaram o dono da oficina porque eu estava trabalhando lá, ele me pagava legal, eu tinha minhas coisas, meu tênis, tinha tudo... Mas ele teve que me mandar embora para não ir preso, até hoje está respondendo na justiça por ter dado emprego a um menor. Depois eu fui trabalhar na feira da Avenida Antonio Sanches, trabalhei 07 meses e sabe o que aconteceu lá? A mesma coisa que na oficina, tive que sair. Não sei quem é meu pai e minha mãe é uma coitada e eu tentei trabalhar honestamente, e ate trabalhava e estudava, mas não deixaram e achei no tráfico o sustento meu e da minha casa, então seu Alison, guarda seus conselhos para esses safados que vocês votam e que acham que menor não pode trabalhar, mas pode roubar, matar e traficar, entrei nessa vida porque sem trabalhar quero um tênis mas não posso, quero comer um sanduíche no Bobs mas também não posso, quero ir no cinema também não posso, então já que não posso trabalhar como gente, vou traficar, pelo menos assim tenho dinheiro .
Tive que ouvir isto de um garoto de 14 anos estragado pelo sistema. Logo o chamaram e não podemos continuar conversando.
Fiquei mudo e sai calado, sei que há vítimas do sistema, mas foi um garoto de 14 anos que me calou mostrando-me o quanto nós, com nossas escolhas políticas, somos errados. Estamos acabando com a juventude. Por causa dessas quadrilhas que colocamos e ainda mantemos no poder é que jovens estão matando, roubando e traficando... Ele disse: "Não posso trabalhar, mas posso roubar, traficar e matar!" Esse é o futuro que estamos construindo nesse país! Senhores eleitores, leiam isso e se envergonhem do Brasil que você esta deixando para essa juventude!”
Lido isto, não tive dúvidas em abrir este espaço no Blog do GB para denunciar essas atrocidades. Por menor que seja a penetração da minha publicação, não consigo calar.  Então, pense bem, caro(a) leitor(a), que esta história deve se repetir, nos mais diversos locais deste Brasil. Ah! antes de publicar, tive o cuidado de averiguar a credibilidade do citado repórter e conclui que merece crédito.
Há um bom tempo venho observando as novas gerações brasileiras e me sinto impotente diante dos fatos mais estúpidos registrados. Jovens desviados são assassinados brutalmente, muitos desses com futuro garantido, outros que se desviam devido ao sistema social espúrio e muitos perambulam sem emprego. Meninas de pouco mais de 10 ou 12 anos já se prostituem, engravidam precocemente e jogam no mundo outros seres indefesos. Vidas promíscuas e sem alento. Infelizmente, os valores da atual juventude, independente da classe social, estão eivados de falhas e estímulos aos mais absurdos comportamentos.  
Esta semana assisti pasmo ao assédio que se deu ao goleiro/assassino Bruno ao ser integrado num time de futebol no interior de Minas Gerais. A alegria reinante entre ele e a moçada local impressionaram-me. Fotos e mais fotos... Uma verdadeira ovação. Então pergunto: será que, no meio desses torcedores jovens, não passará a ideia de que matar é uma coisa banal e que o crime compensa? O sujeito mata e retorna por cima como se nada houvesse ocorrido. Não, não sou contra a reintegração social de um ex-presidiário. Mas, tenha dó! Fazer essa aclamação a um assassino de vida publica e que pode servir de modelo. É demais.
Goleiro Bruno em muitas Selfies e muito festejado
Outra coisa que observei com verdadeira tristeza, e inclusive já comentei neste espaço, se refere aqueles jovens brasileiros movidos pelo desalento fogem para viver em outros países por não alimentar a menor esperança neste Brasil que oferecemos a eles. Neste caso, é doloroso entender que são, na grande maioria, jovens recém formados, isto é, força de trabalho qualificada, com grande potencial de progresso e que, infelizmente, estarão contribuindo para outras sociedades, certamente mais justas. Quanto desalento para nossos jovens profissionais! Quantas inteligências evadidas!
Indiscutivelmente, este é o Brasil que a PTrálea deixou-nos. Durante doze anos estiveram interessados apenas em roubar e programar políticas desastradas nulificando nossos homens e mulheres do futuro. 
   


sábado, 4 de março de 2017

Boato: Prejuízo Social

O brasileiro é chegado a um boato. E, os pernambucanos são mestres nesse “oficio”. Acredito que existem pessoas que vivem bolando noticias falsas para se divertir com as reações da sociedade. Quem não se lembra do terrível boato do estouro da barragem de Tapacurá, no Grande Recife, após uma enchente devastadora na cidade, em 1975? Quem tem hoje mais ou pouco menos de 50 anos, sabe do que estou falando.  Aquilo foi um verdadeiro crime. Já foi tema de livro e de monografias nas universidades locais.
Boato de Tapacurá: População abandonando a cidade buscando se salvar em 21.07.1975
O ser humano é muito inventivo. Tanto para o bem, quanto para o mal. Os da turma do mal são muitos, geralmente são pessoas infelizes, mal resolvidos na vida e aproveitadores das oportunidades de suas espúrias imaginações. É gente que vibra ao saber que pessoas sofrem, adoecem e até morrem mercê das suas maledicências. São psicopatas que torcem sempre pelo “quanto pior, melhor”. Ou então, numa última instância, são gaiatos que brincam irresponsavelmente com o emocional coletivo.
Em tempos de internet, redes sociais e do útil e popular Whatsapp, essa coisa de boatar (inventei um verbo)  se tornou mais corriqueiro ainda. Os boateiros não estão apenas de plantão, mas, sobretudo, em permanente atividade.  Com muita freqüência espalham a morte de alguém famoso e principalmente artistas populares e famosos. Dias recentes, tenho recebido, repetidas vezes, uma mensagem anunciando uma entrevista do Juiz Sérgio Moro ao  repórter e analista político Gerson Camarotti, às 23:00h, na Globo. Tudo boato! Fui pego por essa “perua”.  Pensando bem, depois da minha ingenuidade, conclui que Moro não passaria por essa coisa. A situação é de tal modo que algumas mortes de verdade são sempre recebidas com dúvidas nos Zaps e exigem confirmações de fontes seguras. Recentemente, a morte de um famoso ator global e em pleno sucesso, por afogamento no rio São Francisco, levou algum tempo para ser considerada real. Até mesmo pela semelhança do que ocorreu no folhetim global.  
Esses dias, que antecederam ao Carnaval 2017, do Recife, não faltou quem espalhasse pelas redes sociais boatos alarmantes sobre a insegurança que reinaria, no Recife e em Olinda. O quadro anunciado era de verdadeiro terror. Ora, meu Deus, conforme as recentes ocorrências no Recife e Região Metropolitana, a coisa podia ser real. Na prática, foi uma dolorosa e prejudicial maldade. Mas, que mereceu cuidados especiais do Governo estadual. Neste caso, porém, é de se destacar que por trás dessa boataria presume-se que havia, também, uma ação política perversa a cargo de opositores, desejosos de ver “o circo pegar fogo” e buscar faturar eleitores para a próxima eleição. Não! Não estou, necessariamente, defendendo o Governo atual, mas sim, a tranqüilidade de um povo manso e amante da folia tranquila, colorida e animada. No final das contas estou pregando a paz que deve ser referencia maior de quem defende ou pretende defender a sociedade ao comandar um executivo.
O resultado dessa “guerrinha de nervos” nascida de boatos alarmantes foi que muita gente deixou de lado o carnaval e se refugiou em casa ou noutros sítios tidos como mais seguros. As estatísticas publicadas dão conta de menos gente nas ruas do Recife e de Olinda. O bom, contudo, foi constatar de que com menos gente a alegria foi mais cômoda, os foliões circularam com segurança e a policia – sem fazer greve como alardeado – deu conta do serviço. Segundo relatos, até o famoso Galo da Madrugado, no sábado do Zé Pereira, que sempre arrasta milhões de pessoas foi em menor contingente e com a mesma alegria de sempre. Muito bem, porque ganhou a cultura local e os boateiros “rasgaram as bocas” como se diz popularmente.
Conselho, para finalizar: nunca vá acreditar em qualquer loucura que se registre nas redes sociais. Espere confirmações por meios confiáveis.


NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

É Fevereiro e tem carnaval

É fevereiro e, como todo fevereiro, tem Carnaval. Já fui um bom folião. Quando os clarins de Momo anunciavam a folia, eu já estava na rua saudando o frevo, como um bom pernambucano, e eventualmente o samba. Era uma festa que eu esperava ansioso. Curtia e, quando em desespero, pelo som da quarta-feira ingrata, chorava de tristeza. O dia seguinte era lúgubre, triste e com clima de velório. Como foi bom aquele tempo.
Hoje, porém, a coisa me parece como se houvesse vivido um sonho que passou. Vejo à distancia uma coisa que não me abala. É engraçado, como não alimento o mesmo entusiasmo e a mesma vontade do passado. Será a idade? Fico pensando. No que mudei? Penso novamente...
Na verdade, atribuo esse estado de espírito (é preciso tê-lo para brincar a folia) a uma serie de razões, sobre as quais já falei em posts neste Blog, em épocas de carnavais passados.
O Carnaval do Recife mudou muito. Virou um grande negócio comercial e político. O festão popular é coisa do passado. O que hoje se assiste, não emana das raízes populares. E quando me refiro a raízes populares não quero dizer do povão, somente. Quero dizer deste, com certeza, mas também das camadas sociais mais abastadas. Já não se vêem mais entusiasmos nas agremiações populares de Blocos de Frevo, Maracatus e Caboqulinhos, que são sempre relegados ao segundo plano. Os desfiles destes são em artérias sem luz, sem público e sem clima carnavalesco. Alguns já chegam cansados ao arremedo de passarela, não dançam, apenas caminham... As verbas governamentais de apoio são exíguas – todas dependem de um político! – e os grupos estão minguando a ponto de desaparecer num futuro próximo.  As tais verbas são na maior parte destinadas a pagar cachês a artistas de fora, a preço de ouro, e quando aos locais – que são muitos e de grande qualidade – são sempre minguados e difícil de chegar aos bolsos dos contratados. Nem preciso dizer, também, que boa bolada vai para o bolso dos políticos e seus prepostos no processo de contratação. Inegavelmente, nunca deixa de rolar um percentualzinho. Parece ser cultural...  É uma lástima, mas no país da Lavajato...  De uma coisa estou seguro: é o mais simples modo de acabar com as tradições pernambucanas.   
Quando me refiro às classes mais abastadas lembro-me dos tempos idos, quando os grandes bailes pré-carnavalescos pontificavam no calendário de janeiro a fevereiro no Recife da minha juventude. Saudosismo? Não. Elitismo? Também não! Nada disso. Qualquer sociedade se forma histórica e culturalmente de movimentos diversos sem que haja distinção de classe social. Cada um vive como pode e deseja compondo um mosaico de costumes e tradições. Alguns desses bailes – como o Bal Masqué e o Municipal ainda se repetem, mas, nunca jamais repetem o entusiasmo e o glamour dos anos 70 e 80. Hoje são festinhas corriqueiras sem presenças de destaque, exceto as dos políticos de plantão que, inclusive, testam suas popularidades. Nem de longe lembram as festas do passado. Outros, tão importantes quanto, simplesmente desapareceram da agenda carnavalesca. Quem, da minha época, não se recorda da tríade de festas do Cabanga Iate Clube: Carnaval em Preto e Branco, em Tecnicolor e Começa no Cabanga. Sumiram simplesmente. Acho que nem o Baile dos Casados, no Atlético Club de Amadores reunia elite e povão (mulherio) escrachado. Sumiram no tempo e no espaço.  
Não posso deixar de falar no monumental bloco do Galo da Madrugada. Claro que é uma recente iniciativa vitoriosa. Acho um verdadeiro furor. Mas, é preciso ter raça para enfrentar a avalanche de foliões. Coisa de milhões. O único jeito, para mim, é empoleirar-me (empoleirar é um verbo adequado neste caso!) num camarote e ficar pulando num quadradinho e vendo a banda passar. Mas, já acompanhei na rua. Quando era possível. E quando não deixava de pular o carnaval.
O Galo no seu apogeu do sábado de carnaval.
Bom, por outro lado, na atual conjuntura é impossível não fazer uma referencia à falta de segurança no ambiente de folia. No carnaval deste 2017, as perspectivas são das mais sombrias. Ouvi numa entrevista em emissora de rádio, esta semana, um sindicalista de polícia da capital dando conselho, no mínimo, intranqüilizante: “aconselho a sociedade ficar em casa, neste carnaval, porque a policia não está estimulada para o trabalho, vai fazer uma operação padrão e não pode dar conta da bandidagem”.  Como viver num tempo desses? Acho que mesmo no tempo do corso mela-mela não era tão inseguro.
Acredito que coloquei as razões da minha falta de entusiasmo. Resta-me apenas desejar um bom carnaval a todos e todas, que se livrem dos percalços e voltemos são e salvos para “iniciar o ano novo”, já que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Eu mesmo, como tenho feito no passado recente, vou prá longe.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Retorno Sofrido

Não é nada fácil o retorno à realidade brasileira, após uma temporada no exterior. Para mim é sempre muito penoso. Por mais que acompanhemos, à distancia e via Internet, os movimentos de Pindorama é sempre muito difícil pegar a embalagem e retomar a “vidinha” local. Esse rami-rami político-econômico que faz a festa dos noticiários locais e internacionais deixa qualquer um em permanente clima de tensão.
É exatamente assim que me sinto esses últimos dias. Assisto ao largo um quadro político aparentemente pior! A insegurança, nem se fala. Destempero geral.
Fico desapontado e mesmo desesperado ao assistir esse desgoverno reinante em vários estados do país, com rebeliões e chacinas nas prisões, assassinatos em série, mães de família violentadas, policiais em greve, mulheres destes postas como escudos nas portas de guarnições militares, governos falidos e em total desespero... e, um sem numero de outras “misérias” que fazem desse país um espaço de calamidade geral.
Fui um ferrenho opositor ao Governo Petista. Senti-me aliviado e comemorei a queda de Dona Dilma. Mas, sinceramente, estou preocupado com esses ignóbeis “arranjos” políticos que estão sendo feitos em Brasília. Naturalmente que não estou arrependido da oposição acima citada, mas, pelo amor de Deus, manobrar para o naufrágio da Lavajato é o mais sujo e espúrio dos jogos políticos que estamos presenciando neste país. É o retrato fiel da imagem que se faz do político brasileiro, isto é, não tem nenhum honesto. Raríssimas são as exceções, é verdade porque nem tudo está perdido.  Nomear Ministros ou manobrar para escolha de nomes em Comissões importantes no Congresso Nacional, ou outro dirigente qualquer, quase sempre citados nos autos do processo que rola no eixo Curitiba-Brasília é um despudor total de um Governante. Fico muito preocupado. Confesso que a esperança alimentada há poucos meses começa a se desvanecer.
Contudo e por outro lado, não posso negar – o que pode ser a salvação da Pátria – que a Política Econômica vem projetando resultados positivos desde agora. O Henrique Meirelles a despeito do carrossel político desvairado vem fazendo um serviço competente. Já se vislumbra uma solução para tirar o país do buraco que o PT meteu. Temer já contabiliza alguns  tentos ao aprovar a PEC 241 (ou 55) e está prestes a ver passar no Congresso algumas reformas – há muito desejadas – que os governos anteriores não conseguiram levar adiante. Algumas polêmicas é verdade. Impopulares até. Mas, necessárias! Será seguramente uma grande jogada político-institucional, se tudo ocorrer como programado. O trunfo do Temer é o fato de que ele jura, de pés juntos, que não pretende concorrer a outro cargo eletivo e, desse modo, sente-se solto para realizar as reformas que o Brasil reclama há tanto tempo. Isso, além de premente poderá restaurar a confiança internacional do país e garantir sua inclusão como bom parceiro político e comercial neste mundinho tão competitivo.
Como nem tudo é perfeito neste mundo observe, caro(a) leitor(a) que estou diante das duas faces da moeda: decepção no campo político e satisfação no campo econômico. Não é fácil separar essas duas coisas em lugar nenhum do mundo. Mas, no Brasil é bem mais difícil. Daí minha perplexidade e estar sentindo um sabor amargo nesta minha volta de temporada na Austrália, onde a vida corre leve, solta e segura. Deus que nos proteja.
  


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Um Paraíso no Fim do Mundo

Gaivotas alçando voos na Praia de Dee Why (Sydney-AUS)
Já ouvi, em muitas ocasiões, alguém dizer que a Austrália é um Brasil que deu certo. Curioso é que não são somente os brasileiros que pensam assim. Os sul-africanos dizem o mesmo. Vá ver que outros dirão também. Conhecendo as realidades desses dois países (Brasil e África do Sul) e vivendo, particularmente, temporadas na Austrália, fico buscando avaliar as razões dessa comparação. Levando em conta aspectos econômicos e sociais australianos – modos de vida, usos e costumes, traços culturais, mercado e qualidade de vida em geral – tudo me leva a crer que a explicação lógica reside numa coisa fundamental: Educação!
Aí, minha gente, em se tratando desse assunto, o Brasil é, inegavelmente, muito atrasado. Os muitos problemas com os quais convivemos, tais como analfabetismo, insalubridade, insegurança geral, inseguranças econômica, institucional, política e judiciária, entre muitos outros fatores, são frutos do baixo nível educacional do nosso povo. Certamente que o mesmo deve ocorrer com a África do Sul, muito embora que eu tenha visto, recentemente, sinais de um país mais organizado e ordeiro, longe daquele país do monstruoso apartheid.Estive na África do Sul em dezembro passado.
Hora de Crepúsculo, na praia de Manly (Sydney) 
Quanto à Austrália o que se pode sentir, no conjunto geral, é de se viver no paraíso no fim do mundo. Pelo menos para nós que vivemos cá no outro lado do planeta. É um lugar onde não se sabe ou se fale de crise econômica. Desemprego é quase ficção cientifica e, em conseqüência,  satisfação parece ser o estado geral da Nação. Não é à toa que tantos estrangeiros, sobretudo jovens, correm para lá na busca de melhores  oportunidades de vida. Só do Brasil, há um imenso contingente de jovens trabalhadores. A maioria chega para estudar inglês, se arranja num emprego temporário e, logo depois, encontra uma solução de obter visto de residente. É muito comum ser atendido nos restaurantes e bares australianos por garçons ou garçonetes brasileiros fazendo seus biquinhos iniciais. Muitas vezes, são jovens com formação superior sem oportunidades no Brasil e que se sujeitam a qualquer coisa para viver empregado e melhor. Há casos absurdos do tipo lavador de pratos num grande restaurante ganhar melhor do que se exercesse sua profissão superior no Brasil! É doloroso ver esse quadro. Há também argentinos, italianos, espanhóis, indianos, refugiados do Oriente Médio, entre muitos outros.
Acabo de voltar de uma temporada de 30 dias em Sydney. Oxigenei minha mente e consolidei a idéia de que havendo responsabilidade governamental, educação e consciência cidadã, o Brasil também pode melhorar. No futuro, quem sabe... Claro que não será para nós. Mas, poderá ser para gerações futuras.
Imagine você, caro leitor(a), viver num lugar onde o respeito ao próximo e à propriedade privada é coisa sagrada. Você pode ir a um local público, por exemplo, uma praia, deixar seus pertences na areia, entrar nas águas e saber que tudo estará lá ao retornar. Entrar num transporte público, deixar seus pacotes num compartimento próprio à entrada e ao sair recolher. Isto sendo num coletivo lotado! Estando na Austrália e indo ao supermercado, pode levar suas compras até a porta de casa, no próprio carrinho da loja. Deixe-o lá mesmo na rua que haverá uma coleta posterior, levando de volta à origem. Vide foto a seguir.
Carrinhos do supermercado nos quais moradores trouxeram suas compras até a porta de casa.
Lixo? Coleta seletiva desde cada domicílio. Ninguém mistura as coisas como por aqui. As prefeituras estabelecem uma agenda de coleta geral para cada bairro. Tudo muito ordeiro e cumprido na risca. Vide a foto abaixo.
Compartimento tipico de lixeiras seletivas no térreo de condomínio residencial 
Roupa de grife? Para que? Aqui no Brasil o sujeito ou veste assim ou está por fora... mesmo que tenha sido made in Paraguay ou Santa Cruz do Capibaribe (PE) e comprada na 25 de março (São Paulo) ou na Feira da Sulanca (PE). Na Austrália ninguém está preocupado com esse tipo de supérfluo ou reparando nas indumentárias alheias, porque isso não interessa. Uma churrasqueira pública à beira-mar e à disposição de quem for chegando. Acredite. É só acender a chapa e assar sua carne. É inacreditável. Ninguém danifica. Ao invés disso, preserva-a. Sujou? Limpa ao final, em respeito ao próximo usuário. (Vide foto a seguir).
A churrasqueira da praia de Dee Why em pleno uso na manhã de sábado 
Outra coisa que observei, também, é que o motorista de um ônibus só dá partida quando vê todos os passageiros acomodados. Quando vejo as recentes noticias nos jornais do Recife relatando acidentes com passageiros dos nossos coletivos devido às arrancadas bruscas, velocidade e freios violentos, fico triste e penalizado com nosso povo mais humilde. Outra coisa estranha e engraçada: meu filho solteiro e “baladeiro de carteirinha” relata que não se conforma com o fato de que a função numa danceteria sempre encerre à meia-noite. Sim! Quando o relógio junta os dois ponteiros e é noite, o som para e a ordem é ir para casa dormir, porque a noite foi feita para dormir. E todos obedecem, numa boa. Estão certos, mesmo porque a noitada começa logo após 18 horas. Acho graça...
É um mundo muito diferente, minha gente. Pode parecer insólito para muitos, sobretudo sendo brasileiro, mas, sem dúvidas, é uma vida salutar e do tipo que se pediu a Deus. Questão de princípios. E Cultura, claro.

NOTA: As fotos ilustrativas são da autoria do Blogueiro.