sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Chorando por Ti

Dois assuntos rondam na minha cabeça para formular este post semanal: Brasil de Temer e Venezuela de Maduro. Duas coisas complexas de analisar e motivo de perturbação na America Latina. Contudo, tento   por parte. 
Dentro de casa, vimos mais uma vez o desenrolar do velho jogo de fazer política. Fraco politicamente, com alta rejeição popular, apenas 5% de convencimento nas pesquisas de opinião pública, o Presidente Michel Temer usou e abusou do poder de comprar votos nas bancadas e deputados da Câmara Federal com vistas a se livrar de uma condenação da Procuradoria da República por improbidade, lavagem de dinheiro e o escambau. Trabalhou em duas frentes: no atacado e no varejo. Nenhuma novidade. Do mesmo modo como D. Dilma. O mesmo velho jogo. Ela, porém, não soube “abrir a torneira o suficiente” como o seu sucessor. Mais matreiro, Temer foi bem mais “generoso” e terminou bem sucedido. Foi absolvido por maioria dos votos dos deputados. Vitória apertada, mas conseguiu. Resta saber se da cadeira do Palácio do Planalto ele terá o mesmo sucesso para aprovar os próximos projetos de reformas. Precisamos delas, isto é uma verdade. Difícil, contudo, é prever o que sucederá com este patrono tão desprestigiado e mestre na condução do modelo da velha política do toma-lá-dá-cá.
Por outro lado, não podemos negar que graças à equipe competente que ele reuniu, sobretudo na Fazenda Nacional, com o Henrique Meireles, as coisas no campo econômico dão sinais de recuperação. A duras penas e alto custo, claro e apesar desse aumento de preços extemporâneo dos combustíveis que vai gerar repercussão negativa logo mais. A desculpa de que a inflação está baixa não cola muito.  
Se o Procurador Janot não expedir nova denuncia, antes de deixar o cargo em setembro, o Temer segue em frente. Caso contrário, vamos dar mais um passo em marcha à ré.
Estou louco que este ano acabe logo. Sem duvida, um ano perdido. Tenho medo deste Agosto corrente, lembrando fatos registrados no passado. O Brasil precisa desencalhar e navegar em mares mais tranqüilos. Pobre Brasil. Choro por ti.
Temer e sua dor de cabeça
Agora, vamos ao caso da Venezuela: não percebo sinais de paz e dignidade para aqueles irmãos mais ao norte. Esse tal de Maduro vai jogar um país rico e de futuro garantidamente próspero no mais profundo precipício socioeconômico. Uma futura recuperação – que inexoravelmente virá –  irá exigir sacrifícios a, pelo menos, três gerações. Nicolás (i)Maturo pratica, também, uma velha e carcomida política antiga e comprovadamente ultrapassada. Esse comunismo à La Cubana é um modelo falido e sem qualquer futuro. Os cubanos mesmo já sabem disto.
Estive por duas vezes na Venezuela: A primeira foi como consultor (cedido pela SUDENE), por dois meses em Barquisimeto (estado de Lara), dando contribuições técnicas à Fundación del Desarollo Económico Del Centrooccidente de Venezuela – FUDECO, em 1986, para implantação de um sistema de indicadores sociais à luz da experiência aqui no Nordeste do Brasil.
Pela segunda vez, já em 2000, visitei Caracas como integrante de uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela Federação das Indústrias do estado e a convite de Hugo Chávez, logo no inicio do seu mandato.
Foram duas oportunidades e dois quadros políticos distintos. No primeiro percebi um desgaste muito grande do Governo Central, à época, praticando um modelo político impopular, com governadores estaduais biônicos e uma economia centrada na exploração e venda do petróleo. A indústria enfraquecida e quase todos os bens de consumo duráveis ou não, assim como os serviços, sendo importados.
Nesse clima de insatisfação aparece a figura do Hugo Chávez tentando um golpe de estado, mal sucedido, em 1992, para derrubar o governo de Carlos Andrés Pérez, deposto em 1993, por improbidade e corrupção e sucedido por Rafael Caldera, que anistiou Chávez, após haver cumprido dois anos de prisão.
Em liberdade, Chávez, que era militar, deu baixa da farda e se dedicou com afinco à política. Eleito Presidente, em 1999, chegou garantindo tirar a Venezuela da pobreza após um período de 40 anos governado por uma aliança entre os partidos políticos de direita e decidido a inaugurar uma Era mais nacionalista e contra os imperialistas, sobretudo os norte-americanos.  Populista por convicção promoveu, logo de inicio, impactantes ações com vistas a eliminar a pobreza dos venezuelanos. O país vivia uma severa disparidade de renda. Criou um ambiente favorável ao seu proselitismo político. Mas, seu belo e inflamado discurso populista teria se transformado em realidade se no seu governo não houvesse exagero na campanha antiimperialista, não desapropriasse inúmeras companhias estrangeiras, nem desse sinais de querer se perpetuar no poder, na infeliz idéia do bolivarianismo, logo cedo interpretado como de aspirações Ditatoriais. A Venezuela que foi entregue ao Hugo Chávez era sabida como sendo o país mais rico das Américas, membro da OPEP e pleno de potencialidades. Hoje está mergulhado na mais profunda pobreza, sem investidores locais ou estrangeiros e com um povo mais pobre do que antes e sofrendo todo tipo de fome e barbárie. 
Criador e criatura
Acometido de um câncer, em 2013, antes de completar 60 anos, Chávez ainda conseguiu deixar como sucessor o Senhor Nicolás Maduro, ferrenho chavista. Nada maduro no oficio de gestor político e que neste momento tenta dar o golpe fatal para se firmar  como Ditador, em pleno século 21 e num país de imensas potencialidades. Pobre Venezuela. Llorando por ti, también, Venezuela.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens  

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Que país é esse?


Tenho algumas razões para não admirar, muito menos comemorar, essa condenação à prisão  do ex-Presidente Lula, devido ao julgamento do Juiz Sérgio Moro, de Curitiba, no âmbito da Operação Lava-Jato. Meu lamento é, sobretudo, relacionado à figura que ele representou, ou ainda representa de ex-mandatário da República e não, necessariamente, devido ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. É difícil separar as duas coisas, mas, é preciso!
Como Presidente ele cumpriu um papel de destaque e se projetou internacionalmente defendendo o nome do Brasil, embora muitas das controvérsias que criou. A lástima é que não soube ser correto enquanto cidadão e perdeu a chance de ouro de entrar na História de modo limpo, ao não saber lidar com o decoro que o Poder lhe conferiu e não titubeando ao se entregar às loas e armadilhas  montadas por corruptores contumazes que sempre existiram nesta e em muitas outras frágeis repúblicas, particularmente nas latino-americanas . Perdeu a cabeça e se entregou de corpo e alma à bandidagem, de forma compulsiva. Portanto, entendo que não foi nenhum inocente! Agora, a verdade é que não se trata de uma coisa comum ver um ex- presidente, todo poderoso da Nação e que posou de mensageiro da esperança para um povo sofrido, ser condenado à prisão por tão escusas razões.

Lula versus Moro
Acredita-se e deve ser verdade que muitos dos seus antecessores, ao longo da História da República, se locupletaram desde a cadeira presidencial. Disso ninguém duvida.  Mas, o Brasil mudou! Os tempos são outros e hoje as regras são outras. Os mecanismos disponíveis de controle e julgamento dos representantes do povo são mais eficientes e, sobretudo, transparentes. Uma Republica institucionalmente mais consolidada e na incessante busca do politicamente correto. Recordo que quando o ex-Presidente Collor foi impedido de continuar à frente da Presidência da República tivemos o primeiro grande sinal desses novos tempos. Naquela ocasião, dava-se por certo que, prá frente não teríamos novas decepções. Mas, não. O pior estava por vir. E veio! A História está registrando e não é à toa que temos hoje um ex-presidente condenado à prisão, sua sucessora e cria política sendo acusada de desmandos político-administrativos, enxotada, aliás, do poder e, pior, um terceiro, em pleno exercício do cargo presidencial, denunciado pelo Procurador Geral da República por vários atos ilícitos, tais como corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Trata-se de um cenário plúmbeo e extremamente nefasto para um país da dimensão política e econômica do Brasil.
Ora, este não é o país que vislumbrei nos meus projetos de cidadão, na juventude.  Jamais passaria pela minha mente qualquer episódio do tipo que estamos assistindo nessa recente passagem da História da nossa República.
Habituado a viver, com alguma frequência, exposto a sociedades de além fronteiras e recordar a forma respeitosa e entusiasmada com as quais os estrangeiros dispensam ao Brasil, à nossa gente e nossa cultura, vejo-me em profundo pesar e indignação em face das repercussões internacionais negativas geradas por essas autoridades de plantão, no Planalto Central. Constato facilmente que estamos num patamar de total desgoverno e irresponsabilidade generalizada, nivelado a países em estado indefinido politicamente e com profundas diferenças étnicas e sócio-econômicas. No Brasil de agora, cata-se um líder de realce enquanto probo, republicano e consciente das necessidades do brasileiro, para assumir o comando da Nação e é o mesmo que procurar uma agulha num palheiro. Nessas horas faço coro com Renato Russo e pergunto: que país é esse?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens
    
 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Batalha Ganha

Como tenho dito, frequentemente, o Brasil acorda a cada manhã com uma novidade do tipo insólita. O que ocorreu ontem (11.07.17) no plenário do Senado, em Brasília, além de deplorável foi mais um sinal de que estamos em franca decadência política. Aquelas senadoras não pensaram duas vezes ao assumir o papel ridículo de protesto descabido numa República que se diz Democrática. Em qualquer Parlamento de vergonha, o que se espera é um debate equilibrado e livre de paixões partidárias exacerbadas.  A repercussão negativa nos meios internacionais nivelou, indiscutivelmente, nosso Brasil aos mais imaturos dos regimes políticos estabelecidos mundo afora. A imagem daquelas senhoras almoçando “quentinhas”, às escuras, numa Casa do Congresso Nacional, entrará para a História como um fato bisonho e ridicularizado por meio mundo. Às escuras porque o presidente da Casa ordenou cortar a luz e o som. A rigor foi de total indignidade. Imagino que em nenhum momento pensaram na imagem negativa que passaram à sociedade cansada de tantos despautérios.

Senadoras almoçam quentinhas, às escuras, na mesa diretora do Senado 
O pior de tudo é que estavam defendendo uma causa indefensável, no âmbito da discussão e votação da Reforma Trabalhista em pauta. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT vigente, datada da década de 40 do século passado, está exaurida e impraticável. O Brasil mudou. O Mundo mudou! As relações de produção exigem novas formas de interação. O aparelho produtivo tem um formato totalmente diferente. Mudanças tímidas que foram sendo adaptadas no passado não resolveram questões  cruciais que resultam em prejuízos às relações Capital/Trabalho. Verdadeiros obstáculos no caminho do progresso que se projeta para este Brasil enrascado e numa rota de caos definitivo.
É bom frisar que essa oposição é, em boa dosagem, um capricho do bloco contrário à proposta e que reza na cartilha do “opor, por opor”. para o Grupo não importa discutir o mérito da questão. Fala-se que muitos deles concordam com o que se busca, mas, devido às orientações e posições político-partidárias engrossam esse coro opositor. Pensando bem, coisas assim cabem no projeto de democracia que dizem defender. 
Finalmente, ao fim da jornada, embora os protestos cometidos por essas senhoras tresloucadas, e com mais de sete horas de atraso, o Senado reuniu-se e conseguiu aprovar, com significativa margem de vitória, o texto básico da Reforma que, após sanção presidencial, corrigirá uma legislação caduca e incabível no Brasil do seculo 21. Foi uma batalha ganha pelos governistas.
Ora, neste momento, nada melhor do que o que esta reforma proporcionará ao trabalhador e ao empregador brasileiro.  Os direitos serão preservados, ao contrário do que propalam os radicais e, é bom ressaltar, muita coisa que já era praticada informalmente passa, agora, ter respaldo legal, facilitando a vida do empregador que se estimulará a admitir os colaboradores que deseja e precisa enquanto que, pelo lado do trabalhador haverá mais tranquilidade e flexibilidade na sua relação de trabalho. Pensando na atual conjuntura, espera-se também que venha mitigar os altos índices de desocupados que perambulam atualmente no país.
Foi uma vitória do fragilíssimo governo de Michel Temer, sem dúvida. Mas, foi principalmente uma vitória do grupo de sustentação política do presidente, que resolveu pensar no Brasil, consciente de que não é o Governo que importa, mas, a necessária mudança de rumo da qual o país carece. Ainda é pouco! Outras reformas como a da Política e a da Previdência devem ser postas na pauta do Congresso. O Brasil espera com ansiedade um upgrade nas ordens e encaminhamento do progresso que vem sendo sonhado há bom tempo.

NOTA: Foto colhida no Google imagens.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Confissão de Tristeza

Sou dessas pessoas que quando abraça um ideal de trabalho faz de um tudo para realizá-lo. Postar artigos no Blog, por exemplo, tem sido minha “cachaça” semanal. Quando não é possível no fim de semana, sai no mais tardar no inicio da semana. Contudo, há ocasiões em que a coisa fica tão difícil que é dureza produzir alguma coisa. Esta semana foi assim. Tratar desses perrengues políticos, que me vêm ocorrendo, já está cansando. Chega, mesmo, a provocar desânimo. Não que faltem outras pautas adjacentes, mas, cadê o estimulo para abordar certos aspectos dessa parafernália nacional? Além do que, encher a paciência dos leitores freqüentes não é do meu interesse. Para eles, já basta a dose cavalar da mídia aberta. Não tem quem suporte mais. Essa arenga entre os três poderes já passa dos limites toleráveis.
O pior, contudo, é que, saindo do domínio da política, tudo mais, ainda que muitas vezes interessantes abordar, virou coisa corriqueira. Banal. São temas que fazem parte do dia-a-dia nacional e quase sempre passam despercebidos. Coisas graves como assaltos, roubos, assassinatos, balas perdidas, violência contra a mulher, sequestros, desastres, drogas, menores em situação de risco, fome, seca, inundações, entre outros, seriam assuntos a serem abordados. Difícil, porém, é me entregar à produção de relatar ou tecer opiniões sobre alguma dessas matérias. Pensando bem, o bom mesmo seria dar um giro por ai e voltar contado sobre o que vi. Falar de viagens dá sempre uma audiência alta.
De todo modo e como o tempo não para, pinço um tema especialmente chocante ocorrido nesta semana: uma senhora grávida, em compras num mercado de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, foi atingida no abdômen por uma bala perdida, em meio a um tiroteio entre traficantes e a polícia. Levada às pressas para um pronto socorro, deu à luz a uma criança do sexo masculino, que infelizmente foi, também, atingido pela bala na coluna vertebral e na cabeça. Examinando o recém-nascido, constatou-se que a grave lesão o deixou paraplégico. Que horror! Que infelicidade para uma mãe que esperava – cheia de esperança e satisfação – a chegada do herdeiro. Que desdita desse futuro cidadão que pagou alto preço antes mesmo de vir ao mundo, neste Brasil violento e inseguro dos nossos dias.  
Episódios como o dessa Senhora e seu filho somente escancaram a imagem gerada pela energia negativa e o desgoverno que reina neste Brasil de hoje. O cidadão antes mesmo de nascer já é dramaticamente marcado pela violência do meio. Para muitos pode ser uma coisa crível, mas, sem sombra de dúvidas, é degradante e doloroso. Triste é ver que, enquanto isto, as autoridades da República travam uma guerrinha suja, comendo-se uns aos outros, para se sustentarem no poder, abandonando a Nação, que afunda cada vez mais na orfandade. Já se mata muito mais neste país do que nos atentados perpetrados por terroristas, no resto do mundo. E esse mesmo mundo olha abismado para este Brasil se esvaindo.
E a população, já bem desarticulada, assiste, à margem de tudo e de modo perplexo, sem saber como se portar. Ninguém mais vai às ruas para protestar, ninguém promove panelaços e o futuro é cada vez mais incerto. Letargia geral. O que fazer? Aparentemente, ninguém sabe. Resta apenas esperar em cada amanhecer um novo episódio doloroso que termina ficando por isso mesmo.
Acorda povo brasileiro! Lembra-te que sempre fostes forte e nunca fugistes a luta.
E diante deste quadro, confesso minha tristeza.         


terça-feira, 27 de junho de 2017

Todo mal traz um bem?

Alimentar esperança na atual situação brasileira tem sido esforço insano. A situação fica, cada vez mais, bagunçada. Ninguém se entende em Brasília e a perplexidade que se espalha pela Nação só aumenta. É indiscutivelmente um cenário de desespero geral. Pudera! Presidente definhando e com popularidade tendendo a zero, uma Câmara Federal mais perdida do que cego em tiroteio, o Supremo Tribunal Federal procurando driblar os buracos do meio do caminho, um Procurador Geral da Republica sem pena e sem dó, se despedindo do cargo, insistindo na manutenção da Lavajato, entendendo se tratar do mais competente processo de saneamento moral do país. Cá pra nós, é dose cavalar.
Agora, é engraçado observar a mais nova tese dos insatisfeitos – PTistas, PMDBistas, PSDBistas, Democratas e seus respectivos seguidores – de que a Lavajato está ameaçando a Democracia. Parece brincadeira. Esses caras são cômicos profissionais. E note que o Tiririca não está entre eles. Estão assegurando que Moro está acabando com a Classe Política. Ou seja, está acabando com eles. Pra completar, uma classe empresarial, propulsora do Progresso, engessada e esperando que a Ordem se estabeleça. Ah! Como essa Ordem e esse Progresso tem estado cada dia mais distante. Onde vamos parar?
Muitas vezes já se perguntou se o fim do poço havia sido alcançado. Alguns achavam que sim e “quebraram a cara”. Foi quando, cínicos assumiram o poder e garantiram que o lema do pavilhão nacional seria cumprido. Adotaram inclusive como slogan da administração! Enquanto isso, o “lavajato” de Curitiba jogou muito deles na cadeia. Vários desses, protegendo a própria pele, colocaram a boca no trombone. E dessa forma, tem sido um “Deus nos acuda”.
Como somente vem acontecendo, mais um escândalo se registra e o desta semana ficou por conta do inusitado episódio de um Presidente da Republica sendo denunciado criminalmente ao Supremo Tribunal Federal – STF. O Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, denunciou Michel Temer por corrupção passiva, baseado na delação dos donos da JBS.
Rodrigo Janot, Procurador Geral da República 
Pelo visto, estamos perdidos e sem rumo. O Brasil perdeu a bússola. Vai que essa denuncia é aceita e a ação é tocada. Aí, o homem tem que ser afastado do poder. O quadro se torna mais delicado, o país para novamente e outra briga vai rolar com a disputa pelo posto Máximo da Republica. Mas, tem uma coisa: quando menos esperarmos o ano acaba, entra 2018 e a sucessão presidencial real passa a ferver nesse caldeirão já com altíssima temperatura. Que “Deus nos acuda”, outra vez.
O mais insólito e para surpresa geral é que a sociedade parece até que nem liga mais pra essas futricas. Está anestesiada! Ninguém vai às ruas. As panelas não saem de cima dos fogões. O povo fica assistindo, ao largo, a uma cena inimaginável dantes na qual Lulistas, Temerosos, Aecistas estão juntos e misturados como farinha do mesmo saco.  
Mas, vamos adiante... Confusões à parte, no que será que esse imbróglio vai resultar? A esta altura do campeonato é isto que preocupa qualquer pessoa de são juízo. Fico pacientemente esperando que a máxima atribuída a Ludwig van Beethoven ao dizer “tenho paciência e penso: todo mal traz consigo um bem” dê certo para o caso brasileiro. Que a desejada Ordem e o necessário Progresso sejam lembrados por esses irresponsáveis no Poder.
Cansado de testemunhar tão triste página da História brasileira tento ter a paciência que teve Beethoven e espero viver, proximamente, num país mais honesto e democrático, sem corrupção, sem ladrões no Poder e enchendo seus cidadãos de orgulho. Aí vamos conferir, mesmo, se todo mal traz um bem.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Futuro Incerto

Passei uma semana impressionado, negativamente, com o resultado daquela farsa ocorrida no STE – Superior Tribunal Eleitoral, quando de julgamento do pedido de cassação da Chapa Dilma-Temer na eleição de 2014. Tendo como justificativa o descarado abuso do poder econômico e político dos candidatos, a denuncia foi formulada pelo PSDB, logo após o pleito, dado o inconformismo da derrota por um percentual pouco relevante do seu candidato, o Senador Aécio Neves. De lá para cá “muitas águas rolaram por debaixo da ponte” e Neves já não “canta de galo” como antes. Abstraídos, contudo, os lances políticos ocorridos, incluindo as denúncias contra o candidato derrotado à Lava-Jato, é indiscutível que houve o abuso dos poderes acima referidos. Mais claro, ainda, com o pronunciamento do Ministro Antonio Hermann Benjamim, relator da questão naquele Tribunal.
Competente, imparcial e cônscio do seu dever de julgar, o Ministro Benjamim apontou, em longo descrever, todas as falcatruas impetradas pelos integrantes da coligação PT-PMDB. Foi corretíssimo em dar um voto condenando a Chapa, sendo seguido por dois outros, a Ministra Rosa Weber e o Ministro Luiz Fux. Infelizmente, foram vencidos diante dos votos contra a cassação de Napoleão Nunes Maia Filho, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e por fim o voto de desempate do Presidente do Tribunal, Gilmar Mendes.   
O Ministro Gilmar Mendes, presidente do STE
A repercussão desse resultado, beneficiando os denunciados, após o voto de Minerva do Ministro Gilmar Mendes, foi das mais negativas e de imediato a sociedade como um todo, além das entidades de Classe responsáveis se levantaram em tom de protesto por aquele desfecho de puro cunho político, pouco digno de uma Corte Suprema. Ao ministro Mendes foi atribuída a responsabilidade infeliz do julgamento. Coisa bem própria de Mendes, nesses tempos recentes. A propósito, gostei demais da comparação feita, num artigo bem escrito, por um amigo Advogado e companheiro rotariano, José Otávio de Carvalho, dizendo que o Ministro Mendes deve estar contaminado pela síndrome do Galo Chantecler, que achava que o sol nascia porque ele cantava. Ótima comparação! De fato o Ministro Gilmar Mendes vem se “esmerando” e se tornando persona non-grata para a Nação, com seu comportamento mais político do que judicial, cuja prova máxima se cristalizou na semana passada. O Brasil não merece um juiz desses! Nada mais nocivo quando isto ocorre embora seja o mais comum no Brasil de hoje. Diante desse fato, ocorre-me lembrar de uma frase, bem conhecida no mundo jurídico, da autoria de um Primeiro Ministro francês do século 19, François Guizot - (1787-1874), que sentencia: "Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. No Brasil, essa máxima de Guizot vem sendo esquecida e o Judiciário vem desafiando a vontade da Nação, ao não cumprir seu papel de regulador da ordem e da disciplina social.
Fico tranqüilo, porém, ao notar que vozes importantes se levantam país afora, contra essa estupidez da ordem jurídica nacional e ao mesmo tempo, intranquilo quanto ao futuro legal da nossa sociedade. O Jurista pernambucano João Paulo Teixeira, em recente artigo (vide: emporiododireito.com.br), foi taxativo ao afirmar: “para o futuro, temos um horizonte de incerteza ainda maior, já que o TSE abre perigoso precedente, praticamente reconhecendo sua incapacidade de enfrentar questões decorrentes de abuso de poder político e econômico quando se trata de cassação de chapa para o governo federal”.
Diante desses fatos, percebo a insustentável situação na qual vivemos, sem que tenhamos segurança nos poderes institucionais da nossa Republica. Com um Executivo enfraquecido e quase insustentável, um Legislativo desacreditado e sob efeitos negativos da corrupção endêmica e um Judiciário fraquejando a toda hora, aonde vamos parar?
Como viver num país em que a Justiça é injusta? Que segurança tem o jovem cidadão comum para construir seu futuro? Como empreender num ambiente tão duvidoso?
É tudo muito incerto. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Salvemos o Forró



Vejam vocês, caros leitores e leitoras, como as coisas “evoluem” no campo da cultura regional. Na época do carnaval venho sempre criticando a inclusão de cantores sulistas, interpretes de musicas sem qualquer relação com os ritmos do carnaval pernambucano, na grade de atrações principais para animar nossos festejos. Tudo em detrimento dos artistas locais que entram de maneira marginal na programação oficial e com aviltados cachês. Os convidados de fora são privilegiados com cachês polpudos e recebidos com honras e salamaleques comuns com grandes estrelas do show business. Uma humilhação sem tamanho para os que sabem dos valores da cultura local.
Agora, por ocasião dos festejos juninos, surge uma nova investida contra a prata da casa regional, ao se constatar que, nas monumentais programações das festas de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), as grandes atrações são os chamados cantores sertanejos do Centro-Sul, em flagrante ofensa aos cantores regionais, discípulos de Gonzagão e Dominguinhos. Há uma tremenda diferença entre os ritmos nordestinos e aqueles do Festival de Barretos (SP), berço dos tais sertanejos, onde, aliás, os cantores nordestinos (como Elba e Dominguinhos) são impedidos de se apresentar para não ofuscar o brilho dos tais sertanejos. E certamente o fariam. Pensem numa Elba incendiando aquela arena de touros. 
Elba Ramalho

Mestre Dominguinhos
 Ora, meu Deus, onde vamos parar? Por que tanta insensibilidade cultural? Por que tanta irresponsabilidade desses promotores de eventos e governantes locais? Todos muito cínicos em defender suas programações insanas. Os safadões, luans, além das inúmeras duplas sertanejas são as atrações deste ano nos grandes eventos regionais. São esses que já fazem as cabeças dos nossos jovens. Jovens nordestinos que nos anos recentes já consideram o frevo e o maracatu ritmos insuportáveis e logo, logo vão abominar o forró. Pobres coitados, não saberão jamais o quanto é gostoso garrar de uma menina e se arrastar num balancê de esfrega-esfrega sensual de corpos suados e se esbaldar ao som da sanfona, triângulo e zabumba, de um forró pé de serra. Tudo, obviamente, com um desfilar de vozes genuínas e cheias de poesia. Ao invés disso, preferem beber (bebe-se muito, hoje em dia) e assistir de pé as apresentações desses intrusos bem pagos. Ninguém dança agarradinho e, muito mal, balança o esqueleto. Coisa mais besta! Dançar uma quadrilha é coisa  démodé e sem qualquer motivação. As quadrilhas atuais viraram outra estupidez, porquanto estão mais para desfile alegórico do que a dança inocente, brejeira e romântica dos anos 60 e 70.
Não, não sou contra as mudanças e as inovações. Mas, tenha dó! No caso da Cultura é preciso ter cuidado. Uma coisa é evoluir, a outra é deletar (este termo é neologismo e sinal de modernismo!)  o que represente valores culturais.
Países da Europa e da Ásia são mestres da modernidade, mas, preservam cuidadosamente  suas raízes culturais e valorizam o repassar de geração a geração. No Japão, visitando uma indústria de Tecnologia da Informação, em Kyoto, fiquei surpreso ao me exibirem o layout de circulação dos micros-filamentos de um circuito de minúsculo chip (do tipo usado na telefonia celular) que reproduzia uma tapeçaria milenar (muito antes de Cristo) japonesa, cujo original está exposto no Museu Ueno (Tóquio). Apenas como exemplo.
 
Savinho do Acordeon






Tenho acompanhado os protestos dos cantores populares regionais contra essas promoções de forasteiros nos nossos festejos. A cantora Elba Ramalho já colocou a boca no trombone dos protestos e se ressente da sua exclusão nos festejos da sua cidade natal, Campina Grande. Aqui em Pernambuco, um dois maiores defensores do forró e difusor das músicas de Gonzaga e Dominguinhos, Savinho do Acordeón, (foto acima), não deixa por menos e com o slogan: “Festa Junina é com forró e não com Sertanejo”, vem denunciando essa dependência cultural dos desavisados no poder. Danado é que os políticos de plantão fazem disso, também, uma maneira de cativar os eleitores.
Salvemos o Forró nordestino, enquanto é tempo. 

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e arquivo particular de Savinho do Acordeón.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Quase Campeão.

Que as coisas andam, cada vez mais, deterioradas, aqui no Brasil, todos nós já sabemos. O tal “trem fantasma” (modo como comparei o país, dois posts atrás) continua assustando a cada curva e cada instante, é inegável. Notadamente no domínio da política. Ninguém mais se entende. Pelo visto e o que veremos ainda, não vai sobrar pedra sobre pedra. A desejada reconstrução vai exigir, sem dúvida, muito suor e sangue. A semana que passou, por exemplo, foi permeada de inúmeros episódios insólitos e sempre preocupantes. Um desses, chama especial atenção e é sobre isto que vou comentar neste post semanal. Refiro-me ao resultado de uma pesquisa internacional, realizada pela IMD Business School de Lausanne (Suiça) – uma das mais famosas escolas de administração do mundo – envolvendo 63 países, gerando o denominado Relatório de Competitividade Global 2017.
Os resultados apontados dão conta de que o Brasil é o segundo país mais corrupto, entre os 63 estudados, ficando à frente, apenas, da Republica Bolivariana da Venezuela, que no momento carrega a taça de Campeã Mundial da Corrupção. O Brasil  (62º colocado) é o vice-campeão. Quase Campeão! Caiu bastante, já que no ano passado ocupava o 57º lugar. Vamos e venhamos, é uma situação vexatória e, particularmente, dolorosa para qualquer cidadão de bem e de são juízo.   
Por mais que possamos buscar entender esta situação, dadas as curvas no escuro e sustos do nosso “trem fantasma”, é definitivamente desanimador para o empresário nacional que pretenda se estabelecer ou modernizar seu negócio com vistas a participar do competitivo jogo internacional de mercado. Como investir num país em que a previsibilidade e estabilidade política não garante ambiente tranqüilo? O Brasil não vem oferecendo esse primordial fator. E, na atual conjuntura, o que se assiste é uma piora crescente.
O IMD na sua pesquisa trabalha com fundamentais indicadores de competitividade, entre os quais: política de emprego, qualificação da mão de obra, transparência, segurança jurídica, eficiência dos negócios, investimentos em inovação, domínio das modernas tecnologias da informação, comércio exterior, custo do capital, política tributária e vários outros, somando um total de 260 indicadores! Por este número já se conclui se tratar de um trabalho minucioso, criterioso e redundando numa classificação cercada de segurança.
Além da Venezuela e Brasil, respectivamente, “campeã” e vice-campeão” da corrupção, a America Latina aparece com a Colômbia (61º posto), Peru (60º) e México (59º). Segundo o apurado, o Brasil melhorou apenas no item Transparência, em conseqüência das ações moralizadoras do Ministério Público, Policia Federal e a Procuradoria Geral da República - PGR. E de modo destacado a Operação Lava-jato.
Os países mais competitivos continuam sendo os já bastante conhecidos: Hong Kong, Suíça, Cingapura, Estados Unidos e Holanda, que lideram a lista dos 63 envolvidos.    
Outro detalhe interessante revelado pela pesquisa, vale à pena destacar: o Brasil é o 8º maior investidor de recursos públicos na Educação e o 62º em qualidade da Educação. Ou seja, o segundo pior do universo pesquisado. José Caballero, Economista-Chefe da pesquisa, faz questão de afirmar que “o Brasil gasta muito, mas muito mal”.

Situações como acima descritas nem passam pelas cabeças dos nossos governantes. Ao invés disso, estão exclusivamente preocupados em defender, com unhas e dentes, seu lugar de mando na pirâmide do poder e continuar no bem-bom e roubando cada vez mais. Enquanto isto... Bom, enquanto isto a Nação não passa de um detalhe, possivelmente abstrato para eles.
Na pisada que vai e para um país que adora ser campeão, quem sabe no próximo ano, arrebate esse troféu vergonhoso. Maduro que se cuide!

Nota: Ilustração obtida no Google Imagens


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fraturas fratricidas

A semana passada não foi nada animadora. O país, praticamente, parou diante de tantos cambalachos políticos. Um presidente na corda bamba; um Congresso buscando se “organizar” para enfrentar uma eleição indireta; protestos e badernas; um Superior Tribunal Eleitoral diante de um formidável desafio de cassar ou não cassar uma chapa eleita, mas, sob suspeita; uma operação saneadora (Lava-jato) e de agrado popular sob a mira destruidora de uma corja de políticos poderosos mas apontados como réus; uma dupla de empresários ladrões livres e soltos confortavelmente em Nova York e, em conseqüência, um povo em estado de perplexidade total. Este é o caldo chamado Brasil que a cada dia fica mais denso e mais assustador.
Noutra ponta, como se tudo acima fosse pouco, eis que surgem vozes preconceituosas maculando a dignidade de irmãos nordestinos taxando-os de gente de segunda categoria e vocacionados à profissão de ladrões. Foi o que ocorreu na Câmara Municipal de Farroupilha (Rio G. do Sul), tendo a vereadora Eleonora Broilo, do PMDB, como protagonista. Durante uma sessão da referida Câmara, essa infeliz brasileira, sem qualquer noção democrática disse, num desastrado aparte: “Primeiro, em relação a nordestino saber fazer política não sei se eu concordo muito. Eu acho que os nordestinos sabem muito bem se unir, sim, para roubar. Eles sabem se unir para ganhar propina. Eu acho que eles sabem se unir para aumentar a corrupção. (...) Talvez eles até não saibam nem falar muito bem, mas sabem roubar que é uma maravilha.”
Eis acima a figura da vereadora gaúcha, Eleonora Broilo
Como que fazendo coro com a desinformada vereadora gaucha, lá em Curitiba (Paraná), outra racista/fascista sulista, que atende pelo nome de Nelma Baldassi, saiu-se com outra infeliz ofensa a seus irmãos nordestinos, aos baianos exatamente, comentando sobre o recente atentado em Manchester (Inglaterra). A idiota (não há outro qualificativo) colocou numa rede social o seguinte disparate: “só lamento que tenha sido em Manchester e não na Bahia. Seria lindo ver aquela gente nojenta e escurinha da Bahia explodindo.” Ora, meu Deus, é inacreditável que isso venha a ocorrer. Não faltaram reações nos quatro cantos do país. Isso é coisa que tem de ser combatida. 
Nelba Baldassi e seu disparatado comentário
Este é um dos dolorosos defeitos de cidadania do brasileiro comum. Há um tremendo e endêmico espírito de preconceito contra os nordestinos. Principalmente por parte dos sudestinos. Em nada podem se julgar melhores do que nós, mas, assim cometem com natural frequência. No primeiro caso acima é flagrante a ignorância dessa vereadora gaúcha ao atribuir, generalizadamente, a pecha de ladrões vocacionados a todo cidadão nascido no Nordeste. A miopia dessa parlamentar é simplesmente indecorosa, ao partir, certamente, do principio de que não existe ladroagem no chamado Sul Maravilha. Ela desconhece ou se faz desconhecer que vem de lá as mais bombásticas das noticias de roubos, propinas e falcatruas do mundo político e empresarial.
Vejo nesses dois episódios exemplos atuais da falta de espírito republicano permeando nossa sociedade. Nisso, aliás, também reside boa parte do desandar político desta Nação.  Entendo que enquanto não houver um equilíbrio sócio-político-econômico nesse “arquipélago” político-administrativo do nosso país, não viveremos uma verdadeira Nação. O Brasil só será um grande país quando houver respeito mutuo entre seus irmãos, independente das origens regionais e suas condições sócio-econômicas. Essas fraturas fratricidas devem sarar com urgência. Leva tempo, já sei. Mas, são necessárias. E, para essas figuras preconceituosas devem ser dados caminhos de correção e punição por se tratar de crime contra o verdadeiro espírito de nacionalidade.  

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens



terça-feira, 23 de maio de 2017

Brasil: Um Trem Fantasma

Semana passada publiquei um post que, de algum modo, embora sem muita certeza, referi-me a uma possibilidade de alento na negativa pressão econômica brasileira. Pensei, confesso, que havíamos chegado ao fundo do poço e que, num finca-pé para cima, começávamos a respirar tranquilos. O mote era a pergunta: parou de piorar?
Mal publiquei o artigo e eis que, no mesmo dia (17.05.17), um novo escândalo político explode em Brasília que, naturalmente, abalou o restante do Brasil. Dadas as proporções desse pipoco, é bem provável que a chamada “delação do fim do mundo”, da Odebrecht, virou fichinha de banca popular.
Alguém, nesses dias tumultuados, comparou o Brasil a um trem fantasma, de um popular parque de diversões. Achei divertida e, ao mesmo tempo, uma boa comparação. De fato, o Brasil parece ser aquele brinquedo que, a cada curva e no escuro, nos dá um susto. Pode ser uma comparação debochada diante da gravidade do caso, mas, tem seu sentido figurado compreensível .
Trem fantasma da Mirabilandia (Recife) colhida no Google Imagens
Não posso entender como um Presidente da República pode receber nas caladas da noite, fora da obrigatória agenda oficial e num local pouco condizente (subsolo) do seu Palácio, um sujeito reconhecido como mau caráter, réu na Lavajato, e com toda pinta de quem busca faturar benesses para seus negócios escusos. Mais do que isso, chegar com firme propósito de trair a confiança do Excelentíssimo Senhor interlocutor, ao gravar clandestinamente, tantas barbaridades. Eu, sendo Presidente da República, como foi no caso, dava ordem de prisão para um criminoso daquele perfil, na hora. Mas, não! O Presidente foi passivo e o resultado foi aparecer na fita como comparsa do canalha. Aí, cabe a pergunta: por que Temer não o fez? Que privilégio tem esse cara? Ascendência sobre a autoridade máxima do país? No que será ele melhor dos que os outros réus, hoje presos? Vamos e venhamos, foi uma demonstração de total submissão política de um animal político tarimbado, como se imagina ser o Senhor Michel Temer. Um tremendo deslize para quem se propõe impor moral e colocar o País nos trilhos. As desculpas amareladas que estão sendo produzidas não têm surtido os efeitos esperados. 
Um crime nas caladas da noite de Brasilia

Por outro lado, é bom lembrar, tem sido estarrecedor o cinismo desse tal de Joesley Batista (Grupo JBS) ao fazer declarações tão absurdas sobre sua capacidade de dominar setores das altas cúpulas dos três poderes nacionais, comprando procurador e juízes, a base de muito dinheiro. E, bote dinheiro nisso. Fico incrédulo como esse sujeito que se ufana de poder dominar tudo e em todas as instancias, escapa ileso e se manda para viver em Nova York lépido e fagueiro gozando das caras dos bestas que deixou pra trás nesse Brasil combalido. Roubou todos os compatriotas, deu uma banana bem dada e se escafedeu. Pobre Pindorama. Como somos primários! 
O resultado disso tudo é esse estado de perplexidade que, mais uma vez, tomou conta da Nação. Nosso trem fantasma parece estar distante do final da sua trajetória. Desconfio que muita gente sobrará pelo meio do caminho ou morrerá de susto até o fim do circuito.
Meus amigos(as), observem que as perspectivas tentadas apontam para mais um longo tempo perdido para o crescimento do Brasil, como se não bastasse o que perdemos no governo pífio de D. Dilma. Nem os melhores especialistas tem tido capacidade de desenhar um provável cenário ideal. Minha esperança é que, passado tudo isso, refundem a nossa República. Mas, como se diz no popular, “com que roupa?”. O (ainda) atual Presidente que vestia uma roupa de probidade e dignidade está nu! Nu e sem chão. O que ele pisava, agora é movediço e ele vaga a mercê da sua insegurança e surpreendente inabilidade.
Que essa turbulência passe – porque todas passam – e possamos respirar tempos amenos e de bons alentos.
Para concluir, digo que tive muita dificuldade de produzir este post. Ensaiei três vezes. Também, muito normal porque não sou cientista político. E mesmo que fosse estaria rebolando num vagão desse trem fantasma. Como não passo de um enxerido, peço a Deus, que dizem ser brasileiro, que tenha piedade de nós.
Boa viagem nessa desconfortável locomotiva é o que desejo a todos e todas leitores (as).

NOTA: As fotos ilustrativas foram obtidas no Google Imagens.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Parou de Piorar?

A semana que passou estive circulando por São Paulo, por onde, no meu entender, bate mais forte o “coração” do país. Fui numa missão empresarial do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE. O objetivo foi participar de uma Feira de Negócios da Indústria de Máquinas e Ferramentas – EXPOMAFE, promovida pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). É um evento muito específico do setor industrial, bom para quem entende da coisa e propício (como no meu caso) para aferir como andam a produção e as inovações, nacional e internacional, de máquinas e de ferramentas, bem como as reações dos investidores. É um encontro que acontece a cada dois anos, tempo supostamente adequado para que venham a ocorrer mudanças nos processos de produção, novas aplicações tecnológicas e na disposição de assimilação pelos produtores.  Este é certamente o mote da promoção.

Ocorre, porém, que, no estado atual da economia brasileira, o tema da crise que nos abate terminou sendo uma constante nas rodas de negócios. Para alguns a situação ainda é muito delicada, enquanto que para outros mais otimistas e, sobretudo, os patrocinadores da expo, a coisa aponta para uma saída do balaio de problemas. Estes últimos preferem dizer que a situação “parou de piorar”. Note-se que parar de piorar não é coisa muito distante de considerar que a situação é muito delicada. São, talvez, formas distintas de explicar uma mesma situação.
Na verdade, qualquer que seja o negócio que se trate hoje neste país, é impossível desligar do estado político reinante. Sendo como vem sendo, essa coisa enrolada gera insegurança da maioria capaz de investir em máquinas mais novas, ferramentas mais ágeis e competitivas e, conseguintemente, melhoria da qualidade do seu produto, que são sempre desejos de muitos.
Aquela arguição do ex-presidente, na quarta feira, em Curitiba, foi indiscutivelmente acompanhada por todos, com grande expectativa. O embate entre Lula e Moro monopolizou as atenções de meio mundo. “Prender o Lula ou deixá-lo em liberdade, vai determinar o formato dos negócios que vamos fazer daqui pra frente”, foi o que ouvi de um empresário. Esse mesmo cidadão lembrou que, na atual conjuntura, aqueles que estão habituados a esperar pelo apoio do Governo para retomar sua produção devem “tirar seus corcéis da tempestade”. Ele entende que, com a limitação de gastos e investimentos imposta pelo Governo Federal, nem em 2025 haverá recursos federais para atender demandas até bem pouco corriqueiras. E de lá prá frente, só Deus sabe. O Governo se encolheu em face do aperto que sofre e aponta com uma tendência de deixar que a iniciativa privada se vire e busque alternativas para crescer de forma independente. As privatizações dão uma boa dimensão das intenções. Está evidente que as tetas de Brasília secaram. Daí a pergunta: isto é ruim, ou bom? Há controvérsias. Claro! Romper com um modelo, ainda que superado e carcomido, parece ser uma missão colossal. A salvação é que, ao mesmo tempo, o Governo Temer – que pretende ser o reformista – está trabalhando diuturnamente nesse projeto desafiador. Reformas Trabalhista, Previdenciária, Econômica, Política e Eleitoral, como projetadas, remetem implicitamente a formas de reduzir encargos tributários e sociais que tanto perturbam e atrapalham o empreendedor brasileiro. Se tudo sair nos conformes algo de novo pode mudar no Brasil. O famoso Custo Brasil teria, em boa parte, seus dias contados.
Para os que acreditam que parou de piorar a boa surpresa de hoje mesmo (17.05.17) é que vários comentários de analistas econômicos comemoram o crescimento da Economia no primeiro trimestre em pouco acima de 1%. Esse dado ainda está por ser confirmado. É coisa pequena, mas é motivo de festejar porque a última vez que isso ocorreu foi no já distante 2014. Melhor do que isto é constatar que o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego registrou, em Abril recente, 59,6 mil novas admissões. A maioria no Setor Serviços. É animador! Aí cabe perguntar: Parou de Piorar?
De outra banda do sistema econômico surgem as noticias de que a inflação está caindo, o Dólar vem caindo, também, e o Banco Central sinaliza intenções de baixar as taxas de juros. Nada melhor para quem investe em máquinas e na construção civil. Que venha mesmo. Será que a coisa vai? É outra pergunta cabível.
Resumo da ópera, neste momento: inflação em baixa, juros caindo, Real se valorizando, encargos trabalhistas e tributários prestes a amenizar a vida do investidor, empregos recriados... É, tomara que a coisa tenha parado de piorar, mesmo.

Nota: O Blogueiro esteve em São Paulo a serviço do SIMMEPE – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco.
           


sábado, 6 de maio de 2017

É de fazer chorar

Conforme falei no post da semana passada, que já não se sabe mais o que pode acontecer, nesse domínio político brasileiro, sinto-me coberto de razão. Quem pode discordar? Só uma mente insana!
A semana que termina foi simplesmente desalentadora para o brasileiro de vergonha. Libertar José Dirceu, um chefão da gang lulista, contumaz ladrão da Nação – embolsou propina até na prisão – foi, indiscutivelmente um afronte à sociedade brasileira. O trio de juízes Gilmar Mendes, Dias Tofolli e Ricardo Lewandowski, da Segunda Turma do STF, perderam a noção de respeito a um povo sofrido e, até então, crente de que existe uma Corte Suprema capaz de salvar a Pátria dessas “aves de rapina” que sobrevoam nossas cabeças. Imaginem o que vem por aí. 
O Trio de Togados acertando os ponteiros (Credito: STF)
Sinceramente, é de fazer chorar. O povo brasileiro, ao meu ver, está órfão de uma instância segura, acima de qualquer suspeita e capaz de julgar de modo imparcial os indecentes e reais culpados pelo atual flagelo nacional. Aí então, cabe procurar saber, a quem recorrer? A que Corte recorrer?
Acredito que políticos e empresários ladrões, amplamente fichados, condenados e trancafiados, devem ter chegado a este fim de semana (6 e 7 de maio de 2017) com grande tranqüilidade, visto que podem confiar naqueles que – a qualquer momento ou, ainda que de última hora –  vão livrá-los do xilindró.
É, minha gente, dá para perceber que, ninguém mais pode garantir que possamos viver num Brasil de vergonha, honesto e democrático. Aliás, observemos mais devagar que, estamos vivendo numa autentica ditadura judicial. Nunca antes na história deste país (ops!) tivemos membros do STF tão populares. Seja pelas suas posições probas ou pelos deslizes indignos resultando em efeitos negativos bem maiores do que um simples mortal brasileiro venha imaginar. Com tantos desencontros e parcialidade dos nossos juízes supremos, nenhum empreendedor brasileiro ou estrangeiro se encoraja investir no país. A insegurança jurídica aniquila a nossa economia já tão fragilizada.  
É doloroso perceber facilmente que nossos magistrados se digladiam publicamente, sem o mínimo respeito ao povo, para o qual estão, lá em cima, para servi-lo e supostamente garantir a ordem e a justiça conforme os ditames legais vigentes.
Como falei na semana passada, fica claro e mesmo evidente que temos em marcha um monstruoso desmonte da Operação Lava Jato. O juiz Sérgio Moro deve estar atento e prevendo o que alguns dos togados estão tramando. Vão trabalhar incessantemente por dar um xeque-mate nos “meninos” de Curitiba.  Aí, sim, teremos um verdadeiro golpe.

Pobre Brasil que começa a perder a esperança da lufada de ares saneadores e capazes de construir uma Nação verdadeira e Pátria Amada idolatrada, Salve, salve! Acordemos! Vamos às ruas denunciar essas tramoias. Sim, é de fazer chorar. 

domingo, 30 de abril de 2017

Como será o amanhã?

Tem sido muito difícil manter um espírito otimista na atual conjuntura político-econômica brasileira. Busco renovar minha confiança nos governantes de plantão – pelos quais torci – mas, as dificuldades são enormes e crescentes. É tudo “farinha do mesmo saco”. Pobre Brasil. Essa série de delações premiadas abala qualquer brasileiro de são juízo. Do jeito que vai não sobrará ninguém na Esplanada de Brasília. E aí, meu Deus, quem vai se apresentar como herói nacional ou salvador da Pátria? Temo que algum aventureiro “lance mão” do poder. Bastam os que foram escorraçados.
A Operação Lava Jato segue em frente e sem dó vem expondo a reinante bandidagem endêmica, para nos mostrar que tipo de gente mandamos, irresponsavelmente, para Brasília. A Operação, Inclusive, vem sofrendo ameaças pelos abutres políticos tradicionais. Eu não queria estar na pele de nenhum desses protagonistas do atual momento histórico do país. Imagine o que tem sido o dia-a-dia de figuras como Lula, Michel Temer, Renan, Dilma entre muitos outros atolados na lama espalhada desde Curitiba. Imagine, também, a vida do Juiz Moro.

É pessoal, parece que nosso imbróglio político não terá fim, tão cedo. O esperado “fundo do poço” ainda está longe de ser atingido. Acho que está abaixo da camada do Pré-sal. Ou seja, profundamente fundo. Quando se imagina que está perto de ser alcançado, nova sonda perfuratriz aparece com força cada vez mais descomunal.  
Esses últimos dias foram estarrecedores. Não sei mais o que pode acontecer. Cada nome que é confirmado ou os que surgem pela primeira vez derrubam por terra chefões cínicos e contumazes, verdadeiros chefes de quadrilhas de assaltantes. Estarrecedor, igualmente, são esses empresários delatores. Ao colocarem os pontos nos is esses caras mostram o impressionante cinismo da corrupção no Brasil. Provoca-me asco assistindo-os nos noticiários da TV.
Vivendo neste estado de perplexidade  coletiva, tenho uma pergunta que não cala: como será o Brasil de amanhã? Esta minha questão deve fazer sentido à medida que busquemos avaliar ex-ante no que resultará todo esse sacrifício pelo qual estamos passando. Para alguns teremos um Brasil melhor, mais honesto e mais democrático, no sentido real. Teremos uma Nação mais moralizada. Assumindo meu espírito otimista, gosto de trabalhar com essa hipótese. Contudo, dou um passo à ré, lembrando-me que muitos interesses – dos velhos e corruptos manda-chuvas políticos – serão contrariados, o que vem provocando os esforços que já desenvolvem numa operação tipo “salvar a própria pele”. E neste caso, esse Brasil sonhado pode vir com deformações indesejadas. O poder desses caras, político ou empresário corrupto, vai bem mais além do que nós, pobres mortais, imaginamos. Na Itália, os resultados da Operação Mãos Limpas (inspiração do trabalho de Sergio Moro) não chegou ao resultado esperado, Fala-se que a corrupção não foi estripada por lá. Temo que o mesmo venha ocorrer aqui no Brasil.  

Eis aí um bom tema para reflexão dos amigos e amigas que acompanham o Blog do GB. Bom feriado de 1º de Maio. Comemorem o Trabalho! É de trabalho que o Brasil precisa.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens