domingo, 15 de julho de 2018

A Bola da Vez

Quem me conhece sabe que, ao longo da vida, viajar faz parte do meu viver e, sem dúvidas, minha melhor maneira de arejar a mente. Faz um bem danado... Nesses tempos de crises internas no Brasil, nem é bom falar. Desse modo e sempre que possível e a grana elastece, dou minhas escapulidas.
Dias recentes estive, com familiares, percorrendo Portugal e Espanha num roteiro velho conhecido, mas, sempre bom de ser repetido. Conheço estes dois países há mais de quarenta e cinco anos e não me canso de revisitá-los. Gente afável e hospitaleira, rica cultura, paisagens deslumbrantes e gastronomia exuberante que conquistam o turista num primeiro instante. Sendo brasileiro, como no meu caso, nem se fala. Digo sempre que é preciso conhecer Portugal para entender melhor a cultura brasileira.
A primeira vez que por lá andei, muito jovem, conheci um Portugal oprimido pela ditadura de Oliveira Salazar e uma Espanha dominada pela “mão de ferro” de Franco. Eram duas nações sufocadas e de um povo tristonho e sem esperanças. Eram países em preto-e-branco. Colorido que houvesse seria sempre pálido. A gente se vestia de preto, cinza e sépia. O comércio era pobre, tímido e sem atrativos. Mas, os tempos mudaram e a democracia foi conquistada a duras e sofridas penas. Nas várias idas praquelas bandas acompanhei as conquistas rumo à liberdade. Vi de perto os tempos que antecederam à queda de Salazar, com a revolução dos cravos (25/04/1974), pondo fim a um regime ditatorial que vigia desde 1926. Já, em 1975 acompanhei, por acaso, em Madrid, o fim da vida e da tirania de Franco. Mas, isto é uma historia comprida que tanto os livros, quanto a Wikipédia podem ajudar a quem desejar saber detalhes.
A cidade de Braga festeja com feérica iluminação. Lembra nosso Natal.
Ultimamente estive várias vezes em Portugal. Quase todo ano. Às vezes, sinto até vontade de morar por lá. Quando desembarco em Lisboa tenho uma sensação de chegar à casa dos meus ancestrais. Vai ver fui portuga noutra encarnação. O ar lisboeta soprando no meu rosto dá aconchegantes boas-vindas, que me revigora e faz me espalhar de corpo e alma de Sacavém à Baixa.
Indo tantas vezes, observo que Portugal vem alcançando níveis apreciáveis de crescimento econômico e desenvolvimento social nestes últimos anos. Semana passada, ainda por lá, vi reportagens mostrando ser o país que mais cresce na União Europeia. Acreditei sem conferir, mas. confiando no via. Bom lembrar que o país sofreu muito para se ajustar à Zona do Euro. Esteve prestes a se autoexcluir. Mas, graças à austeridade do Governo e ao sacrifício da sociedade, conseguiu escapar e superar a dura crise vivenciada. Cidades vibrantes, qualidade de vida exuberante, industria em franco sucesso, infraestrutura invejável e tudo mais que de moderno exista. Admirável.   
Um dos segmentos mais dinâmicos da economia portuguesa, nos últimos tempos, tem sido o do Turismo. O país foi recentemente classificado como o melhor destino europeu. O clima, a tranquilidade, a segurança, a hospitalidade e a multicultura reinantes o transformaram num dos mais procurados pelos viajantes. É impressionante o movimento de turistas de todas as partes do planeta. E como os orientais já descobriram o caminho é porque o local é a "bola da vez". E Portugal está sendo.
No mês de junho, em pleno verão na Europa, o país vira uma festa sem fim. Aproveitei com meus familiares essas festas. Santo Antônio (ele era portuga), São João e São Pedro são festejados de modo exuberante. Além deles, também se festeja a Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra e região. Essas festas são como uma espécie de época carnavalesca dos patrícios. Os folguedos populares rolam até “ver o sol”, no dizer deles. Lisboa e Porto realizam os maiores eventos. Mas, nas cidades médias as festas são grandes, também, e com muito cunho das respectivas culturas. 
Frutos do mar em abundancia 
A sardinha na brasa pode ser vista como sendo o traço comum entre todas. É delicioso curtir um bom vinho (peço sempre o da casa, sem medo de errar) e degustá-lo com uma sardinha assada no braseiro. Isto sem falar do bom fruto do mar e do bacalhau às várias modas portuguesas, encontrados em toda parte.  
Escolhemos passar a recente noite de São João na cidade de Braga, situada ao norte do país e próxima à Cidade do Porto. (foto lá em cima). Dá gosto de ver os envolvimentos religiosos ou profanos da população. Tudo com ordem e muito respeito. Arrisco afirmar que com certa inocência, comparando com o que se vê nas festas populares do Brasil. Famílias inteiras, crianças soltas e brincando livremente. Nada de bebedeiras, pegações, desordens ou desrespeitos. O máximo da diversão, além de muita música (eles adoram as brasileiras), vinho, sardinha e bacalhau, tem a tradicional e inocente martelada na cabeça dos passantes ou dos que querem paquerar as raparigas ou os gajos. Não se espante caro(a) leitor(a), porque essa referida martelada é “desferida” apenas com um martelinho plástico que se vende também nos nosso carnaval ou festinhas infantis. Coisa tola pra nós, mas de imenso sucesso entre eles. Cheguei a comprar o meu e saí martelando as cabeças de Deus e do Mundo. E levei muitas marteladas, também. Todo mundo porta seu martelinho plástico. É ingenuo e muito engraçado.  Veja fotos a seguir. 
Levando martelada, a pedido. O comercio dos martelinhos. 
O que mais nos chamou atenção, disso tudo, foi como os portugueses são cuidadosos com as tradições culturais. Enquanto por aqui liquidaram com as nossas tradições juninas, acabando com as belas quadrilhas caipiras e inventando essas papagaiadas exibições carnavalescas, os portugueses primam por preservar e, mais do que isto, realizar exibições didáticas de cada dança popular, como vi em Coimbra. Fiz um verdadeiro curso de folclore português, com "aulas" diárias. Falarei disso numa próxima oportunidade.

NOTA: Fotos by Jpallain

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Canarinhos desinteressados

Não foi o jogo de estreia, contra a Suíça, que conseguiu levantar a torcida brasileira para empurrar a seleção, nesta Copa da Rússia, rumo ao hexa desejado. Aquele empate esfriou mais ainda a moçada.
Na verdade o que se tem visto é certa apatia dos brasileiros com relação a esta Copa. Pesquisas dão conta de mais de 50% dos brasileiros estão indiferentes ao certame. Vários fatores levaram a esta situação, incluindo o político. Os brasileiros andam ressabiados com a crise e o caos que atinge o país e os partidários do lulismo fazem campanha contra a Seleção. Desejam uma derrota, temendo uma euforia popular a favor do Governo. E este, obviamente, espera essa chance de ver a população se empolgar, mais uma vez, ir às ruas comemorar e esquecer as agruras do cotidiano nacional. Naturalmente, também, que o fiasco da nossa seleção na Copa passada, aqui no Brasil, com aquela derrota acachapante para a Alemanha, o famoso 7 x1, ainda conta como forte razão para esse desânimo.  
Mesmo pensando que “águas passadas não movem moinho” e que o hoje deve ser vivido, vai ser difícil encantar a torcida. Antes a seleção tem que decolar de modo convincente.
Muito se tem comentado que o Grupo E (Sérvia, Suíça, Costa Rica e Brasil) será uma “barbada” para nossa seleção. O jogo com os suíços não nos deu essa segurança! A Sérvia, para surpresa de muitos, derrotou os costarriquenhos, vistos antes como propensos a dar trabalho aos brasileiros, provando que essa “barbada” não é tão fácil como imaginada. O próximo jogo, contra eles, os “ticos” (como são chamados os jogadores da Costa Rica), na sexta feira (22/06), promete provocar fortes emoções, em Pindorama. O grito de GOOOOOOL está entalado na garganta do Brasil e se ali ficar vai ser a “gota d´água” que falta à paciência da torcida. Tomara que não aconteça.Vamos torcer!
A seleção de Tite, sejamos sinceros, vem de uma trajetória vitoriosa e alentadora. Para os que alimentam vibração pela Copa não deixa de ser incentivador. Mas, estamos muito longe daqueles selecionados do passado. Foram jogadores magníficos e que nos deram muitas alegrias. Não foi à toa que chegamos ao Penta. Eram empenhados e verdadeiros profissionais da bola. Cabeleiras normais, nada de brinquinhos nas orelhas, nem tatuagens e nem disputa de estrelismos. O que vemos hoje são atletas muito mais preocupados em se exibir – nossa estrela maior, Neymar Jr. Parece mais ligado na ridícula cabeleira do que com a bola – e visando à conquista de espaço privilegiado no mercado mundial e em contratos de publicidade. Além disso, grande parte é de rapazes firmados no futebol estrangeiro, aculturados em outros países e críticos ao Brasil. Isto, tenho pra mim, poda muito o amor à Pátria e à Bandeira verde e amarela. Claro! Copa do mundo é somente um trampolim para um mergulho mais profundo na carreira. São autênticos mercenários. São os canarinhos desinteressados! Fala-se de US$ 1,0 Milhão como premio para cada um, caso conquistem o Hexa. Para alguns, essa premiação pode ser irrisória. Um milhão a mais ou a menos é coisa que pouca diferença faz na conta bancária do Neymar. Ele nem vai se preocupar ou notar. Coisas do Brasil. É doloroso constatar situações como esta. 
Neymar Jr. com penteado especial para a Copa 2018
Já a Irlanda, por exemplo, tem um selecionado, digamos seleto. O técnico é Dentista, os jogadores são profissionais qualificados, jogam por amor ao futebol e depois de cada treino se reúnem num Pub para uma cervejada. A bebida não reduz o rendimento em campo e revela uma equipe com boas chances na competição. Fora isto, viaja em avião de carreira e em classe econômica. Os alemães, Campeões do Mundo, também viajaram em avião comercial e no meio de passageiros comuns. Os nossos, não! Têm um avião fretado à disposição, inclusive para os voos internos, cheio de mordomias e salamaleques. Até jardinzinho a bordo.
Por fim, caro leitor ou leitora, percebo que algo de novo vem pintando no mundo do futebol já que  o desempenho dos favoritos ao titulo, incluindo o Brasil, não revelam essas bolas todas. A Argentina, por exemplo,  decepcionou, a Campeã Alemanha tomou um tombo diante de um México cheio de garras, o Brasil empatou com a Suíça. A coisa está mudando muito. Já o Japão deu um trabalho danado aos colombianos e ganhou de 2 x 1. Acho que vamos ter muitas surpresas até 15 de Julho.      

NOTA: Os jogadores do Brasil são carinhosamente chamados de canarinhos (diminutivo de canários).   
Foto obtida no Google Imagens.   

sábado, 16 de junho de 2018

A Ver Navios

Há pouco mais de dez anos, Pernambuco viveu momentos de euforia econômica com grandes investimentos estruturadores sendo implantados e perspectivas de tempos alvissareiros, não apenas local, com rebatimentos regionais de grande monta. Foi quando começaram a se implantar os estaleiros Atlântico Sul e Vard Promar, a Refinaria de Petróleo da Petrobrás (RENEST), a Petroquímica Suape e logo em seguida o Polo Automobilístico da FCA (Fiat /Chrysler), entre outras iniciativas de menores portes.
Tudo esteve na mais perfeita ordem de implantações até que eclodisse a crise político-econômica que se estende até a atualidade, consequência da Operação Lavajato – expondo de modo arrasador os imensos crimes de corrupção na esfera política nacional – interrompendo, dessa forma, o processo virtuoso de desenvolvimento econômico do estado.
Com a Petrobrás posicionada no “olho do furacão” da crise, devido ao grande foco de corrupções ali instalado, os projetos pernambucanos começaram a minguar e até o momento amargam quadros de indefinição e com perspectivas nefastas. A Refinaria em fase de implantação teve suas obras paralisadas e vive à espera de novos bons tempos. A Petroquimica já foi vendida a um grupo multinacional, que promete tocar o projeto, e os estaleiros, embora em funcionamento, vislumbram momentos de dificuldades por motivo de cancelamentos de encomendas ou falta de novas. Trata-se de ameaça, com um duro golpe, ao estado que se destacava no cenário nacional como um polo industrial de grande perspectiva econômica. O único projeto que se apresenta, hoje, a pleno vapor e vislumbrando crescimento é a montadora Fiat/Chrysler (FCA) na Zona da Mata Norte, cuja produção tem tido constante crescimento.
Mas, tratando objetivamente do caso dos estaleiros, é duro perceber que a situação se revela mais complexa e chama maior atenção. A história recente mostra que o Brasil já foi, nas décadas de 70 e 80, o segundo maior construtor naval do mundo. Com o avanço competitivo das produções no Japão e na Coréia do Sul os estaleiros brasileiros (concentrados à época no estado do Rio de Janeiro) foram perdendo competitividade, inclusive no mercado nacional. Tornou-se mais barato comprar embarcações dos asiáticos (com custos de construção muitíssimo mais baixos) do que dos estaleiros nacionais, ocasionando um desmonte do setor, em proporções incomensuráveis.
Entretanto, o espírito nacionalista do ex-Presidente Lula e as descobertas das novas ocorrências de petróleo, inclusive as do pré-sal, apontou para um potencial mercado de embarcações no ambiente doméstico, levando a que o Governo criasse o Programa da Modernização e Expansão da Frota - PROMEF, visando particularmente ampliar de forma mais ampla a frota de petroleiros da Transpetro, braço de logística da Petrobrás com embarcações construídas no Brasil. Soerguia-se, assim, consequência desta decisão politica, a  Indústria Naval nacional tomando forma com implantações de vários estaleiros no país.
Estaleiro Atlântico Sul - EAS, Suape, Pernambuco, Brasil
Numa iniciativa incentivada – pela SUDENE e pelo Governo do Estado – grupo de empresas experientes no mercado da construção civil pesada, instalou em Pernambuco, o maior desses estaleiros, o Atlântico Sul – EAS, no Complexo Industrial Portuário de Suape que se tornou um dos mais demandados pelo Programa, com encomenda imediata de 22 navios. O empreendimento pelas suas dimensões, condições tecnológicas e localização geográfica foi de pronto considerado o mais competitivo e, inclusive, reconhecido como o maior do Hemisfério Sul. Posso garantir de que se trata mesmo de uma fantástica planta, que acompanhei a implantação desde os momentos de decisão da localização. Foi investido um total de R$ 2,2 Bilhões com uma capacidade instalada de processar 100 Mil Toneladas de aço por ano. No pico das contratações o EAS contou com 11.000 empregados diretos, número vem aos poucos caindo e atualmente conta com 3.600. Considerando o efeito pra frente, pelo menos 33.000 pessoas se beneficiaram com o empreendimento. Estimei um multiplicador de 3 para cada ocupado direto.
Ao longo dos últimos dez anos o EAS acumulou experiência e hoje ostenta um desempenho comparável aos observados em plantas da Coreia do Sul, maior construtor mundial. Ganhou competitividade e suas embarcações se destacam pela qualidade da produção no mercado.
Dependente, porém, de um único cliente (Transpetro) e sofrendo das consequências das restrições de investimentos desse cliente, o EAS se encontra diante de um colossal desafio para manter a dinâmica de produção e sua própria sustentabilidade. Das 22 embarcações inicialmente encomendadas 7 foram canceladas (4 Suezmax e 3 Aframax). Nestes dias o EAS está iniciando a construção do último navio a ser entregue à Transpetro, o que deve ocorrer até junho de 2019. Depois disso, ninguém sabe o que poderá acontecer.              
Lideranças politicas e governamentais locais se mobilizam, no momento, para acudir a Empresa que sofre com uma sequencia de prejuízos e, o pior, teme sua inviabilidade, caso não conquiste novas encomendas. Pernambuco corre o risco de sofrer amarga perda na composição do seu atual PIB Industrial que, nos últimos três anos, teve uma contribuição media de R$ 800,0 Milhões. Somente de desempregados serão 3.500.
Esta infausta história leva a crer que, ao invés de construir navios, ao estado restará a triste situação de “a ver navios”.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens   
 

 

domingo, 3 de junho de 2018

Trem descarrilado


Tempos, cada vez mais, difíceis. O “trem fantasma” - como venho comparando o momento político do Brasil de hoje – descarrilou nesses últimos dias e recolocá-lo de volta aos trilhos está sendo uma missão difícil e perigosa. Nosso “maquinista” não se revela habilidoso nas manobras necessárias e seus ajudantes não se entendem, até se estranham nos momentos mais delicados do processo. É mais ou menos isto que assistimos nos dias recentes, no nosso amado Brasil. Resultante de uma interminável série de erros na condução política, o país escorregou célere rumo ao fundo do poço, embora este se mostre sempre muito mais profundo do que imaginado. Vivemos numa Nação em permanente estado de convulsão política, dividida e  desgovernada, penalizando seus cidadãos de modo aviltante. 
Contudo, brasileiro como sou e amante do meu torrão natal, continuo achando que tudo isso tem um sentido educativo, rumo ao estado democrático tão sonhado. Naturalmente que sofro momentos de desilusão – sou de carne, osso e sistema nervoso – mas, olho para frente e reanimo meu espírito que retroalimenta minhas esperanças.
Não faço parte da parcela da sociedade que clama pela intervenção militar. Militares têm suas próprias funções e a essas devem se ater. Aliás, diante de manifestações recentes, penso que há no espírito nacional um viés social que sempre acredita nessa solução, que pode ter dado seus resultados no passado, mas, hoje se mostra retrógrada e inadmissível. Lugar de soldado é nos quartéis e a missão de se manter de prontidão para defender a Nação. E pronto. 
Pensando desse modo, entendo que resta aos civis a responsabilidade de costurar o entendimento nacional e promover paz e bem-estar à sociedade. Para isto, além de governantes competentes e probos, o país precisa de produção, empregos, saúde, educação e seguranças pública e jurídica, coisas que sumiram dos nossos costados, faz algum tempo.
Quando estes pré-requisitos se dissipam, o tecido social se esgarça e os prejudicados se rebelam investindo na luta para recuperá-los. Foi isso que aconteceu no recente movimento dos caminhoneiros. Neste caso específico, a crise político-econômica se agudizou, a produção despencou, os custos da produção assumiram proporções asfixiantes, os fretes reduziram-se drasticamente, a disputa por espaço no mercado dos serviços de transportes virou guerra de sobrevivência e o caldo entornou. Faltam cargas para centenas e centenas de milhares de caminhões, que o Governo Dilma promoveu aquisições com financiamentos elásticos. Caos implantado. Sem competência, os condutores do nosso “trem” levaram a “composição” por caminhos adversos onde encontraram severos obstáculos. Removê-los tem sido missão quase impossível. Pior de tudo é que inesperados novos obstáculos são prometidos. A questão agora é saber se esse trem chegará ao fim da linha. É uma questão concreta. Tomara que sim. Deixar os “passageiros” a pouca distancia da estação terminal seria catastrófico.        
Falta ao nosso país maturidade e responsabilidade política. Os corruptos sempre existiram e dificilmente desaparecerão. O trapacear está entranhado na cultura do brasileiro. Sempre que tiver oportunidade o cara tira proveito. Sonega impostos, suborna o fiscal, banca paraquedista nas filas, pirateia programas de computadores, CDs, etc e tal. É o tal jeitinho brasileiro! Não será essa “lavagem a jato” da nossa “composição” que resolverá o problema nacional. Somente uma reforma de base será o caminho para termos a Nação que sonhamos. Mas, falo de reformas que esqueçam nomes e tradicionais modelos e estratégias comprovadamente equivocadas. Reformas que levem em consideração os anseios da sociedade e não os de meia dúzia de políticos irresponsáveis e ávidos apenas em defender seus interesses pessoais. E a Nação não pode continuar sendo apenas um detalhe.
Paro por aqui. Estive falando de algo bem discutido e bem comentado. Cumpri, apenas, meu humilde  papel de observador da vida nacional.

NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Ordem é Progresso

Parece uma ironia termos na nossa Bandeira Nacional a inscrição Ordem e Progresso e, na prática, vivermos numa desordem e progresso capenga. Um país da grandeza e riqueza como o Brasil não merece viver neste endêmico ambiente de dificuldades sócio-político-econômicas. Quando não é uma coisa é outra. Vou morrer e não alcançarei o tal país do futuro. Eita futuro difícil de chegar!
Conversando com uma amiga brasileira e radicada na Suíça, ouvi dela algo muito interessante: “falta ordem e disciplina ao brasileiro”.  Ela tem condições concretas de poder chegar a este diagnóstico visto viver lá e cá. Engraçado é que ela mesma, ao se mudar para Suíça – há quarenta anos – estranhou o excesso de ordem e organização da vida social dos suíços. "Não atravesse a rua fora da faixa, não jogue papel na via pública, use as lixeiras do serviço de limpeza urbana, respeite o pedestre, obedeçam às filas para atendimentos e por aí vai...." dizia-me ela na conversa. Muitas regras de convivência urbana. A coisa é tão cheia de mandamentos que um brasileiro, menos avisado, estranha mesmo. Acha até que é ruim, triste ou impossível viver num país com regime social rígido desse tipo. “Lembrava uma ditadura!”, arrematava ela. Com o passar dos anos, porém, entre idas e vindas ao Brasil, começou a perceber e dar importância às regras sociais impostas, quando as comparando com os hábitos e costumes dos brasileiros. Ordem é progresso, minha gente.
Por coincidência, meu filho mais jovem, passando uma temporada na Austrália, reclama muito do excesso de ordem e disciplina reinante naquele país. Colonização britânica! Habituado a viver nessa vidinha "bagunçada" e onde tudo é permitido, de Pindorama, vive estranhando os hábitos, costumes e  rigor disciplinar impostos ao dia-a-dia dos australianos. Balada tem hora pra acabar e não passa da meia-noite. Sem apelação, os organizadores dos eventos param o som, acendem as luzes e manda a turma de baladeiros pra casa. Acostumado a chegar à balada brasileira em torno da meia-noite, tem que estranhar mesmo.
Mais engraçado ainda é que neste momento ele (meu jovem filho) anda por Singapura e Tailândia, e vem constatando que, por lá, a coisa é mais rigorosa, ainda. Em Singapura, chiclete não se vende e é proibido mascar. Pode parecer engraçado, mas, é verdade. O Governo aboliu radicalmente a venda e o uso das gomas de mascar no país. Motivo? Ah! No passado a população mascava os populares chicles e, passado o sabor refrescante e com a mandíbula cansada, jogava o rejeito na via pública, que grudava no calçamento da limpíssima cidade. Provocava um péssimo aspecto de sujeira. Aconteceu que o pequeno país asiático, para ser aquela ilha de desenvolvimento de hoje, impôs aos seus cidadãos um severo programa de educação de convivência urbana. E lá as coisas não são de brincadeira. Atravessar a rua fora da faixa de pedestre é multa pesada. Fala-se em coisa de mil Dólares. É muita ordem. Jogar ponta de cigarro na via pública, parece que dá prisão. Trânsito ordeiro. Povo disciplinado, em fila indiana e ordeira até para acesso à composição, nas estações de metrô. (vide foto a seguir). Meu filho conta que resolveu comprar um toddynho (pode ser outra denominação) e ensaiou sair saboreando-o rua afora. Foi logo avisado pela vendedora: “cuidado, tome o seu toddynho aqui dentro e descarte a embalagem ali”, apontando o lixeiro existente dentro da lojinha. Comida no metrô? Jamais. Tomei conhecimento, esses dias, que nosso metrô (o do Recife e região metropolitana) é o melhor mercado ambulante da cidade. Picolé, pipoca, tapioca e pamonha, água mineral, barbeadores, CDs piratas, óculos chineses, e o escambau são vendidos nos vagões sob o olhar benevolente dos fiscais de segurança das composições. Cada fim de viagem os trens parecem mais caminhões de lixo. Sinal que o desemprego é grande e a rapaziada tem que sobreviver. Ou então vão assaltar. Os fiscais fazem vistas grossas, em solidariedade.
Tailandeses obedecem filas para adentrar às composições.
Aqui o acesso é de bolo. Salve-se quem puder!
Bom, relato tudo isso para chegar a uma verdadeira constatação: Ordem é Progresso. Nesses países a disciplina urbana vem sendo imposta, os bons costumes são preservados, a educação é tratada com seriedade e as punições aos infratores são severas. São países que experimentam o Progresso e a qualidade de vida em alto nível. Lugares onde o cidadão respeita o próximo, onde o lixo é jogado no lixo, as regras sociais são cumpridas, goza-se de um padrão de vida digno e de saúde publica garantida. Então, gente, no Brasil o que falta de verdade é a Ordem que a bandeira nacional prega. E onde não existe Ordem, não há Progresso.  
Este meu artigo semanal já estava concluído quando eclodiu a greve nacional dos  caminhoneiros, reclamando os altos preços dos combustíveis. Não deixei passar, embora correndo o risco de me estender muito.
Principais rodovias do país estão assim desde 21 de maio.
População pagando caro por irresponsabilidades dos governos.
Duas coisas a considerar: acho justo que haja uma manifestação contra o abuso desses preços. A política adotada pela Petrobrás penaliza o cidadão que depende do transporte privado, coletivo ou de cargas. A reivindicação é justa. É preciso que a sociedade se pronuncie e é o que eles estão fazendo. Vai ser duro para a sociedade? Vai, sim. Mas, é preciso lutar por uma boa causa para vencer. A culpa está no governo passado, embora os petistas não admitam. Eles seguraram os preços e com isso quebraram a petroleira nacional. A conta está sendo cobrada agora.

Agora, tem uma coisa: a falta de Ordem e Civilidade se manifestou na hora do movimento grevista, quando muitos proprietários de postos de gasolina se aproveitaram da situação e majoraram os preços dos combustíveis ao belprazer. Houve um posto na zona sul do Recife que cobrou R$ 8,99 por um litro de gasolina e outro da Shell em algum local do país que abusou do consumidor, cobrando R$ 9,899. (Foto ao lado). 
É indecente! Por isso que este país não tem Progresso. Falta Ordem! 
Parece que roubar é parte predominante no DNA do brasileiro. 




NOTA: Fotos foram colhidas no Google Imagens, com exceção da foto de fila no Metrô de Bangkok, da autoria de Tico Brazileiro  


   

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Falta Entusiasmo

Alguém já observou como está fraco o entusiasmo dos brasileiros para a próxima Copa do Mundo, na Rússia? Faltando menos de um mês para inicio da competição e não se vê o movimento que lembre outrora. Mesmo considerando o fato de que o último certame ocorreu aqui no Brasil e, quem sabe, estejamos comparando, continuo achado tudo muito morno. Não fosse a crônica esportiva mencionando a proximidade do evento, pouco se fala e pouco se opina. Os costumeiros palpites e as discussões acirradas sobre a equipe selecionada nem de longe se comparam com o que víamos no passado. Nas reuniões sociais que tenho participado e nas dinâmicas redes sociais o assunto passa quase despercebido. Está tudo muito distante. Tanto quanto a própria sede dos jogos.
Onde tremulam as bandeirinhas verde/amarelas? Cadê as ruas enfeitadas e pintadas com motivos alusivos? Bom, talvez ainda seja cedo, mas, a verdade é que não se vê muito entusiasmo da nossa torcida.
Tenho pra mim que dois motivos concretos estão gerando esse baixo entusiasmo. O primeiro é ainda o trauma gerado pelo acachapante  Mineiraço de 7 x 1 que tomamos da seleção alemã, dentro de casa, em 2014, justo quando os brasileiros queriam espantar o fantasma do Maracanazo de 1950. Apanhar dos uruguaios de 1 x 0 foi fichinha. Mas, aquele episódio da última Copa dificilmente será esquecido. A decepção ainda dói na alma esportiva do Brasil. A nova geração que engrossava a torcida brazuca da última Copa – meninada de 10 a 14 anos – anda com “um pé atrás” e sem firmeza para torcer desbragadamente. Para quem já foi campeão ou derrotado noutras oportunidades, mesmo não perdoando o Mineiraço, leva na esportiva. Vamos ver o que vem por aí. Levantar a Copa em Moscou pode ser revigorante.
A derrota de 1950 ainda é lembrada. Aquele Maracanazo doeu demais.

E o recente Mineiraço é ferida aberta.
Ah! O outro motivo é essa crise político-econômica que abate o país. Torcer com alma e vibração custa algum esforço e pode ser caro. Com 13 milhões de desempregados registrados, fora os que procuram emprego pela primeira vez e os nem-nem (nem estuda e nem trabalha) vai ser difícil se entusiasmar. Fora isto, é de se considerar que poucos, muito poucos, se aventurem ir às praças e locais onde telões exibirão as partidas do campeonato, em vista da insegurança reinante, sobremodo nas grandes cidades.
Mas, tem uma coisa a registrar: certamente que o Governo já faz figa e torce fortemente pelo sucesso da Canarinha, para embalar a alma do eleitorado. Num ano de eleições! Já pensou? Afinal, historicamente,  nada como um Carnaval e uma Copa do Mundo para "anestesiar" o brasileiro bom de bola e com samba no pé, no meio de uma crise política. Aliás, sendo ao contrário não seria Brasil.     
Vê se você, caro leitor ou cara leitora, se anima! Compre sua bandeirinha. Coloque uma camiseta verde e amarela e arranque da garganta o “é Hexacampeão!”.  Afinal de contas, isto também é cultura. Não é mesmo?

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Quem será o eleito?


Vejam vocês, caros amigos e amigas que me acompanham semanalmente, a que situação inusitada chegamos. Refiro-me às eleições presidências de outubro próximo. Em quem votar? Eis a questão. A perplexidade que reinou após a eleição de 2014, com aquela vitória apertada de D. Dilma e a sensação de que o país estava dividido, começa a dar sinais de que, dessa vez, a perplexidade já se antecipa e de modo bem mais expressivo. Hoje, diante do que acontece, não há divisão meio-a-meio e sim um elástico fracionamento. As perspectivas são tão sombrias que dá até medo do futuro. 
Ninguém de são juízo tem ideia precisa de quem seria um bom candidato. Salvo naturalmente os petistas mais exacerbados que ainda acreditam na possibilidade de Lula Presidente. Este, além da Ficha Suja, não levaria esta próxima de jeito nenhum. O ciclo lulopetista acabou e seus seguidores não perceberam. Só no Brasil acontecem coisas assim. Que ironia...
Então, na verdade,  estamos diante de um dos maiores desafios eleitorais de todos os tempos. Quem merece o voto que cada eleitor tem para sufragar na urna? Poucos. Muito poucos. Ou, quase nenhum. A situação é tão adversa que aventureiros se aproveitam do vácuo deixado pelos manjados ladrões e corruptos e lançam mão da estratégia de aliciar o descrente eleitorado, fazendo o discurso da necessidade de um novo nome na cena política. Sangue novo é o mote! O exemplo recente ocorreu em São Paulo, quando foi eleito o novato João Dória. Será que foi uma boa escolha? Ele chegou fazendo uma barulheira diferente e “tomando gás” se empolgou, empurrou para escanteio seu padrinho, o governador Geraldo Alckmin, proclamou-se a “bola da vez” e posou de presidenciável, embolando o meio político nacional. Em bom tempo, todavia, arquivou a ideia, mas abriu uma brecha de última hora, abdicando do cargo de Prefeito e virando candidato a governador do estado. Bicho bom de bico é assim. E o Alckmin vai em frente aos trancos e barrancos. Lá em baixo nas intenções de votos.
Outro aventureiro que deu as caras foi o tal do Luciano Huck. Esse quase não merece comentários. Acho que comparou o Brasil a um programinha inexpressivo de auditório, que anima numa rede de TV. Por pouco, muito pouco, cedi à tentação de me postar diante da TV para “conferir” as qualidades desse aventureiro. Fui salvo quando, aliviado, vi a noticia da desistência dessa candidatura, visivelmente, ridícula. Depois disso, vi a hora de lançarem Tiririca a presidente da Republica.
Huck e seu Caldeirão
Achei muita graça, e ainda acho, do jogo Temer x Meireles. Vai tu? Não, vou Eu! Vai e não vai... Esses caras não têm noção do tamanho do desprestigio que gozam. Aliás, essa fração aí não tem pareia. E Joaquim Barbosa? Temer disse logo que “vai perder porque é negro”. Coisa feia Presidente! Já o velho Delfim Neto alfinetou dizendo “pela primeira vez não vão votar em branco”. Só rindo.Sinceramente, esse negócio tem momentos que vira pagode. Bom, finalmente e para alivio geral Barbosa “bateu o martelo” e avisou, esta semana, que não entra nessa onda.” Tenho mais o que fazer, em casa”, disse ele.
Ah! Tem o jovem Rodrigo Maia, também. Coitado. Está tão enganado com a "cor da chita". Sem chances. PT Saudações. Cuidado não se trata do PT partido politico. Falo daquele PT telegráfico! 
Agora, assustador mesmo é esse candidato Jair Bolsonaro. Já pensaram direitinho? De repente faz-me lembrar o caçador de marajás, das Alagoas. Pior é que corremos o sério risco desse candidato levar a melhor. Valha-me Deus!
Escolha, se tiver coragem.
E o Gomes cearense anda “espalhando brasas” querendo convencer os petistas baratinados à uma coligação para, por fim, colocar as garras que vem afiando por algum tempo. Corro dele.
Na paralela tem, também, a sonhadora Marina Silva. Meu Deus! De quatro em quatro anos ela dá as caras fazendo seu discurso utópico e, sobretudo romântico. Coitada...
Dos outros aspirantes à presidência nem perco tempo comentando. Boulos, Manuela , Mané, Zé, sei lá. Dá até pena perceber que estão aí só pra confundir mais ainda os eleitores. São frações mínimas.
Resumindo, acho que estamos num “mato sem cachorro”. Alguém duvida?
Haja coração... Não tenho em quem votar. Você tem? Me avise quando souber.

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens

A Bola da Vez

Quem me conhece sabe que, ao longo da vida, viajar faz parte do meu viver e, sem dúvidas, minha melhor maneira de arejar a mente. Faz um b...