quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vamos às urnas novamente

Eis que nos vemos diante de um novo pleito eleitoral, ainda que curtindo a ressaca das recentes turbulências políticas que assolaram o país. No próximo domingo (02/10/2016), teremos eleições municipais e, desta vez, culminando um novo modelo de processo eleitoral.
A atual campanha foi muito morna e quase não se viu movimento de candidatos buscando votos ou espaço para mostrar suas caras e expor promessas aos eleitores. Nenhum saudosismo, por favor. As novas regras do jogo, estabelecidas pela “meia-reforma” eleitoral, resultou nesse clima pouco efervescente, quando comparado com o que se vivenciamos no passado. Tem eleitor que, esta semana, se surpreende quando toma ciência da proximidade do pleito. A redução do tempo de campanha levou a que mesmo os candidatos majoritários não tivessem chances concretas de expor suas plataformas. Nem mesmo os eletrizantes debates televisivos aconteceram.
Na prática, esse tímido clima de campanha é visto com bons olhos por muitos e pouco receptivo por outros, sobretudo aqueles habituados em esbanjar propaganda com recursos de doações de pessoas jurídicas, inscritas, muitas vezes, em Caixa 2. Mesmo que arcando com o peso de suportar o popular “rabo preso” que todos nós conhecemos, numa esteira de consequentes amarrações comprometedoras para o período de exercício de mandatos conquistados, sentem imensas saudades.
Contudo, numa coisa acredito: embora considerada como sendo uma “meia-sola” de reforma, essas novas regras tornam as campanhas mais democráticas, na medida em que os candidatos se aproximam (ainda que a desejar!) de um nivelamento das condições de concorrência. O fato de que doações financeiras para campanha serem somente permitidas por Pessoas Físicas (CPF) e nunca Pessoa Jurídica (CNPJ) foi um golpe certeiro nas jogadas dos corruptos e corruptores. Outra medida sadia foi a limitação de exposição de cartazes e bandeiras nas vias públicas, que somente emporcalhavam as cidades brasileiras. E finalmente, a redução do irritante horário de propaganda gratuita (rádio e TV). Trata-se, indiscutivelmente, de uma “bateria” de restrições que, além de ser um bom ensaio de reforma eleitoral, contribuiu de modo decisivo para o nivelamento que acima me referi.  
Mas, no final das contas, o que mais importa nesse quadro é considerar que a consciência individual, bem como a coletiva, do nosso eleitorado, está longe de saber escolher o candidato certo. E é aí onde reside a incógnita da questão política nacional.
Sou da opinião de que a eleição municipal é a única oportunidade em que o eleitor pode eleger um representante político mais próximo à sua realidade e mais fácil de ouvi-lo. Precisa saber – e quase nunca sabe – que o escolhido será seu representante, seu porta-voz direto nos níveis superiores de governos. Um(a) vereador(a), por sua vez, tem que ter a clara noção – e muitos poucos têm – de que ele, ou ela, deve defender os interesses dos seus representados, que estão lá na base da pirâmide social, isto é, o cidadão comum que sofre no seu dia-a-dia os efeitos de todas as mazelas das imperfeições e injustiças do meio social.
No Brasil de hoje, não há quem não padeça de alguma dessas mazelas urbanas. A saúde pública abandonada, as instalações sanitárias primitivas, as deficiências do setor educacional, a insegurança, a mobilidade urbana engarrafada e as falhas de infraestrutura são apenas alguns dos aspectos negativos que degradam as grandes, médias e pequenas urbes brasileiras e, provavelmente comuns em todas elas. Os prefeitos e vereadores eleitos nem sempre enxergam esse conjunto de problemas. Muitos, inclusive, preferem oferecer “pão e circo” como na Roma Antiga para enganar os tolos.
No próximo domingo, tenhamos um rasgo de lucidez, acreditemos que a participação como eleitor é um ato de cidadania e negá-lo se constitui num ato de covardia. Entendamos que um voto certo pode resultar num novo tempo social próspero e justo. Esqueçamos os atropelos e traumas recentes. Confiemos. Votemos em quem nos pareça ser bom e honesto administrador da coisa pública. É tempo de corrigir o que no passado podemos ter errado. Seja um eleitor consciente. Vote certo! O Brasil ainda tem chance e depende de você, Sua Excelência o Eleitor.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ares de Setembro na Argentina

Um compromisso social levou-me, semana passada, a Buenos Aires, a bela e aprazível capital da Argentina. Mais de uma vez já manifestei, aqui no Blog, a satisfação que sinto ao retornar àquela cidade e o fato da mesma se constituir num dos melhores destinos que me tocam.
Compromisso à parte, ressalto a chance de observar a cidade em si e o clima reinante no atual momento político-econômico dos hermanos. Gosto sempre de fazer isto. Para tanto, conversei com pessoas comuns – taxistas, balconistas, recepção do hotel, operadores de turismo, garçons, operadores de cambio, recepcionistas em geral, entre outros – buscando reunir opiniões com vistas a um registro neste espaço. Naturalmente que estou falando de subsídios primários, porquanto carente de técnicas apuradas. Contudo, ouvir o cidadão comum é sempre um indicador revelador. 
Vamos lá: a cidade me pareceu muito mais animada, comparando com minha última visita, e, sobretudo, melhor ordenada. Desapareceram aquelas hordas de ambulantes/imigrantes espalhando seus produtos artesanais ou quinquilharias chinesas, sobre mantas, nas ruas do chamado microcentro, que é a área histórica da cidade. Aquilo de antes conferia um aspecto de desarrumação e decadência sem tamanho preciso e justo na zona mais atrativa da metrópole. A famosa Calle Florida era o máximo do desmantelo, quando estive por lá nas últimas vezes. Não faz tempo. Apenas dois ou três anos. Hoje, não. O microcentro foi repaginado, melhor urbanizado, limpo, livre dos camelôs e recuperado na melhor forma, tal como no passado. E aparentemente mais seguro. Conheço Buenos Aires desde os anos setenta e pude acompanhar essas transformações com seus altos e baixos. O quadro atual é, indiscutivelmente, o melhor que já vi. Fiação elétrica e de telefonia, que no passado eram aparentes e enovelados nos postes, desapareceram e, agora, correm em dutos subterrâneos em muitas artérias da cidade.  Dá prazer passear na “nova” Florida e nas ruas do entorno. Entre as boas coisas, é gostoso admirar as vitrines comerciais de bom gosto, as galerias e os Shopping Center.
Acima, vista parcial da elegante Galerias Pacifico, no meio da Calle Florida e
abaixo, vistosa vitrine, na mesma rua.

É verdade que ainda se vê, ali e acolá, um maltrapilho abrigado numa marquise e encoberto com uma manta se protegendo do frio. Mas, muito raro. Nada que se compare com o que se vê nas principais cidades brasileiras. Não há menores carentes nas avenidas, não há limpadores de para-brisas nos semáforos, nem pedintes ostensivos.
Rara imagem da pobreza renitente e sinais da oposição.
Quanto às opiniões colhidas sobre a situação político-econômica posso afirmar que no geral as pessoas consideram estarem vivendo um momento transitório, de muitos sacrifícios, inflação em alta e significativas privações de consumo. Contudo, há um sentimento de que, tudo sendo transitório como parece ser, aponta para momentos de alivio em futuro próximo. Todos sentem os efeitos positivos do Governo Macri, assegurando que foi a melhor saída para a crise gerada pela gestão dos Kirchner. Curioso foi o fato de que alguns interlocutores chamaram a atenção para o fato de que a mesma coisa acorre no Brasil, isto é, o impeachment de Dilma aponta para uma solução econômica para o Brasil e que isso pode ser benéfico para a Argentina, também. O país é um dos nossos melhores parceiros comerciais. Os analistas econômicos da região consideram que aquilo que for bom para o Brasil será bom para a Argentina.
Outro detalhe muito enaltecido pelos portenhos é o fato de que, enquanto governador da Buenos Aires, Mauricio Macri rearrumou a capital e isto serviu de senha para que fosse eleito. A esperança é de que arrume a economia nacional. Naturalmente que, sendo uma democracia, existem os opositores que têm “castigado” o Governo na melhor forma que podem. Faz parte do jogo político. O mesmo que ocorre atualmente no Brasil.
Para nós sul-americanos resta a esperança de que a paz e o progresso reinem nas duas maiores economias do Cone Sul do Continente.  
No mais, o que me tocou foi aproveitar tudo aquilo que Buenos Aires oferece aos visitantes. É admirável como não se observa engarrafamentos de trânsito, nem problemas de estacionamento de veículos e, durante o tempo que lá estive, não vi qualquer tipo de acidente de trânsito.
Uma das maiores atrações argentinas é a qualidade da gastronomia, calcada principalmente na carne bovina. São centenas de restaurantes que servem a famosa parilla que dá água na boca só em pensar. Um bife-chorizo ou um lomo regados a um bom Malbec não tem dinheiro que pague.
Imagem de um assador crioulo preparando um cabrito na brasa, ao chimichuri.
Suculento lomo (Filé mignon) que saboreei, regado com belo Ruttini
A outra grande atração é o tango. No meu humilde ver, um tango bem executado e bem dançado é uma verdadeira magia artística. Melancólico, por vezes, sofrência explicita, apaixonante sempre e sensual. Sim, porque todo tango tem forte dose de sensualidade! Nada mais sensual do que uma bela dançarina, pernas à mostra, arriada, pendurada tal como trancelim ao pescoço do parceiro, que, em troca, geme, carrega como se sustentasse uma pluma, se esfrega, provoca a parceira e, naturalmente, a plateia. E, quando a música para, colhe os aplausos dos espectadores. Longos num claro testemunho de estarem fissurados. Quando numa dessas plateias, não tenho outra saída a não ser clamar: “traz outro Malbec, garçom”. Tá bom! Chega, por hoje.         
          
NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Inabilidade Política

Quando Dilma Rousseff assumiu o segundo mandato, após uma eleição apertada, o que mais se comentou nos meios de analise política foi a evidente falta de apoio que enfrentaria nas Casas do Congresso Nacional. Os resultados das urnas, embora lhe garantissem a vitoria, deixava-a sem o necessário apoio para quem governa. Aversão aos diálogos políticos e franca dona da verdade, características básica do seu perfil, Dilma já começava ameaçada.
Mandona e voluntariosa  terminou por pagar um preço altíssimo por esse seu estúpido temperamento. Teria sido preciso uma mudança radical de comportamento, coisa pouco provável para quem se posta em permanente necessidade de afirmação.
Dilma sendo inquerida no Senado
Arriscando uma comparação, Dilma não teve a inteligência emocional para seguir os passos do seu “criador” o ex-presidente Lula, que, justiça se faça, sempre se revelou um bom negociador desde cedo e, desse modo, pode conquistar altos níveis de popularidade e de nunca perder a capacidade de governar. Perdeu-se na senda da corrupção, é verdade, mas o sujeito é uma águia. É preciso ter muito jogo de cintura para governar um país tão complexo e cheio de mazelas e contrastes sociais como é o Brasil. Não deu outra... Dilma perdeu o controle da governabilidade e o resultado foi o que acabamos de ver. Claro que este trauma político teria sido perfeitamente evitável se ela houvesse ouvido mais e falado menos. A política é uma arte dominada por poucos e mutilada por muitos. Ela optou pela mutilação.
Acompanhei atentamente, nestes últimos dias, o final do julgamento, do processo de impeachment, sobretudo o dia (29.8.16) em que ela foi se defender no Senado da República e ser questionada pelos senadores. Depois de um discurso, diga-se, de passagem, bem elaborado, embora não convincente em face das acusações que lhe foram impostas, Dilma respondendo aos seus inquisidores, lançou mão insistentemente e à exaustão, da tese de ser vítima de um golpe de estado, agora qualificado por ela e seus partidários, como sendo um golpe parlamentar. Como chamar de golpe um processo constitucionalmente legítimo e democrático na sua essência? Como achar que seja um golpe quando ela teve o direito de se defender por inúmeras formas? Venho interpretando essa polêmica tese como sendo a única saída, que resta aos PTistas, para que saiam do processo instalados numa zona de conforto político, com jeitão de saída honrosa. Contudo, somente os tolos cairão nessa balela. Eles próprios sabem, e sabem muito bem, diante do que se tornou inexorável, que o processo foi legitimo e constitucional.
Ela se diz inocente e sem culpa alguma por haver infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal, por haver passado por cima do Legislativo e, ironicamente, quanto ao estado de estagnação econômica no qual colocou o Brasil. Preferiu atribuir à crise internacional o motivo do caos. Índices negativos em todos os setores de atividades e desemprego em permanente crescimento, resultando, por enquanto, em 12,0 milhões de desempregados. Um verdadeiro clamor!
Por desencargo de consciência, fico, por vezes, tentando assimilar as teses de defesa da “presidenta” esbarrando, contudo e quase de imediato, em concretos argumentos contrários. Lembro-me das severas criticas que Dilma sofreu quando seu governo, maquilando as contas nacionais, tentou enganar a Nação, naquele episódio da contabilidade criativa, tentando dar um by-pass no Tribunal de Contas da União. Lembro, também, do episódio das Pedaladas Fiscais, quando ela através de decretos lançou mão de empréstimos nos bancos estatais para custear programas sociais e cobrir os compromissos com o Plano Safra, coisa vedada pela Constituição. Quis governar sem o respaldo do Legislativo. Aquele que ela menosprezou. Dilma errava, era avisada e persistia no erro. Ora, minha gente, sendo ela a Presidente da República e querer se eximir dessas falhas de administração é querer demais.  Na minha cabeça só passam duas coisas: a primeira é que, devido à ideia que alimentava de ser chefa-suprema, achou que tudo podia, sendo isso ledo engano. Coisa típica dos bolivarianos. O buraco era mais em baixo e em baixo é um lugar que ela nunca enxerga. Resultado que na primeira oportunidade que a oposição pode, condenou-a sem dó e com respaldos legais. A segunda coisa que me ocorreu é que, definitivamente, ela foi mal assessorada. Para começar manteve, apesar das severas críticas domésticas e estrangeiras, um Ministro da Fazenda que se comportou inoperante e trapalhão, expondo o Brasil à situações de ridículo perante a comunidade internacional. Esse Senhor desempenhou um papel bem ao gosto da Chefa que tinha. Ao mesmo tempo, Dilma teve uma assessoria pessoal – centrada na Casa Civil – com pessoas provavelmente pouco qualificadas, incapazes de alertá-la para as imperfeições da gestão que praticava. A preocupação, na prática, foi desenvolver uma política espúria e voltada para manter o poder e desviar recursos financeiros. Quanto desgoverno. Quanta inabilidade política.  
Tudo isso sem se falar no despautério posto a limpo pela Operação Lavajato,  como pano de fundo, que pôs por terra a farsa petista de paladinos da justiça social. A Petrobrás está aí cambaleando, com dificuldades para se erguer. Dilma foi responsável direta dessa tragédia.

Nessa encruzilhada política, temo que o passo do impeachment não resolva os problemas do Brasil. Será uma tarefa colossal para o novo Governo. Mas, alimento esperança convencido que tínhamos que passar por tudo isto.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sucesso Brasileiro

Naturalmente que as Olimpíadas do Rio estão na ordem do dia dos brasileiros. Sem falar das repercussões mundo afora. Não perco os grandes lances a cada dia. O que antes era dúvida na minha cabeça, hoje é agradável sensação de vitória, já nesta reta final. O clima na minha casa se tornou mais vibrante à medida que meus dois filhos se deslocaram ao Rio para ver de perto, ao vivo e a cores, alguns lances do que vem acontecendo. Voltaram encantados e lamentando não poder permanecer mais tempo e acompanhar os embates finais. Pena que o Rio seja relativamente tão distante.
Mas, comentando os acontecimentos, é de se destacar o contagiante espírito do público, preponderantemente, de brasileiros sabendo aplaudir nossos atletas, na hora certa e os estrangeiros na mesma medida. É o esporte unindo povos e dando a oportunidade de mostrar ao mundo a beleza e a graça de ser brasileiro. Já não se notam aqueles que chegaram revelando restrições e temores e os elogios rolam na mídia internacional. Impossível, para mim, não manifestar meu gáudio por tudo que vejo na querida Terra Brasilis. Temos que valorizar este feito. Se não fizermos assim, estaremos sendo injustos com nós mesmos e ajudando a sedimentar a cultura de sermos um país de vira-latas, paranoia com a qual não comungo.
Depois de vibrar com aquele show da abertura, de brilho e dimensões hollywoodianas, como não aplaudir e se encher de orgulho de vários dos nossos atletas? Aquela garota saída da favela Cidade de Deus, a Rafaela Silva, ao conquistar uma medalha de ouro no judô, revelou ao mundo uma jovem brasileira, negra, pobre e favelada e, principalmente, competente atleta. Haja orgulho. 
Rafaela Silva e sua Medalha de Ouro
E o Tiago Braz, nos saltos com vara? Puxa vida, como me emocionei diante daquele espetáculo, derrotando o favorito e campeão olímpico, o debochado francês Renaud Lavillenie. Este, ainda, teve a audácia de declarar ao mundo, por entrevistas em jornais franceses, que, por trás da derrota que sofreu havia ocorrido algum passe de macumba ou candomblé. Tem coisa mais ridícula do que esta? O sujeito não se conformou e chorou ao termino da competição e ao receber a medalha de prata. Criticado severamente pela imprensa internacional viu-se obrigado a pedir desculpas ao vencedor e ao mundo. Eu achei foi pouco. Enquanto o rapazinho francês ficou amuado e choramingando, eu me deleitava com as vitórias dos ginastas brasileiros, Diego Hipólito e Arthur Nory, que conquistaram prata e bronze.
Tiago Braz, um record olímpico. Medalha de Ouro ao pular com vara a altura de 6,03m.
Diego Hipólito e Arthur Nory comemorando as medalhas conquistadas 
Ao mesmo tempo, sensacionais têm sido as conquistas brasileiras no vôlei de quadra e de praia. Nossos atletas estão dando banhos de competência. As meninas do futebol e nossos craques masculinos também vêm enchendo de jubilo os corações brasileiros. Este 6 x 0 contra Honduras foi de lavar a alma e sobretudo um espetáculo empolgante para o público presente no Maracanã.
No final das contas, por ouro, prata ou bronze, não importa como chegar ao pódio. E se não chegar... Ah! Se não chegar valeu por competir, que é que mais importa. Fora isto, é fazer uma festa olímpica de primeira grandeza.       
Entrementes, é verdade que fatos isolados negativos ganham destaques nos meios de comunicação locais e internacionais. Nada a estranhar porque acidentes e destemperos de atletas não são novidades em Olimpíadas. O caso do nadador Ryan Lochte e seus dois companheiros de equipe, os três norte-americanos, por exemplo, já se sabe ter sido uma grande farsa. Efetivamente, eles não sofreram qualquer tipo de agressão ou roubo. Muito menos de falsos policiais. Câmeras da Vila Olímpica gravaram a entrada dos três às 7:00 horas da manhã, lépidos e fagueiros, portando os respectivos  pertences supostamente roubados, inclusive crachás de identificações. Tudo para forjar uma desculpa junto à(s) namorada(a). Comportamentos nada olímpicos, com certeza. Outro caso isolado e lamentável foi o que vitimou o técnico de canoagem alemão, Stefan Henze, num acidente automobilístico na Barra da Tijuca. Neste caso o mais relevante, e até tocante, foi saber que a família doou seus órgãos para salvação de brasileiros necessitados.  
A verdade é que em todas as Olimpíadas, sem exceção, são registrados casos de acidentes e incidentes. A história dos jogos estão à disposição dos interessados.
Finalmente, o que vem ocorrendo no Rio de Janeiro é, no geral, uma sucessão de grandes sucessos. Um sucesso brasileiro.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Uma Olimpíada à Brasileira



Assisti atento ao desenrolar da abertura da Olimpíada do Rio, na última sexta feira (05.08.16). Com um misto de expectativa e curiosidade a cada movimento, postei-me diante da TV e não perdi nenhum lance. Meu estado de espírito, naquela hora, deveu-se muito às inúmeras e muitas controversas  opiniões nas mídias locais e internacionais. Mais criticas ácidas do que otimistas. O descrédito acumulado pelo Brasil e, particularmente, pela cidade do Rio de Janeiro nos principais setores relacionados ao evento foi o que não faltou. Para cada “alerta” emitido, aqui e acolá, era motivo de pauta bombástica para a imprensa do mundo inteiro. Os principais meios norte-americanos e europeus não pouparam o Brasil. Fomos taxados de irresponsáveis, incapazes de realizar um evento de tamanha envergadura, ocorrendo momentos em que se sugeriu mudar de local, ocasionando o aparecimento de apressadas cidades aspirantes. Internamente, as correntes contrárias seguiram pelo mesmo caminho de oposição. Confesso que até concordei com a tese de que não estávamos em condições econômicas e, muito menos, clima político-social para assumir esse encargo. Mas, no final das contas, entendi que a coisa foi típico caso de “caminho sem volta”. Compromisso firmado e obras saindo do papel, não havia como retroceder. Aliás, acho até que desistir no meio do processo, como muitos defenderam, poderia ser uma atitude extremamente prejudicial à imagem do Brasil e da América do Sul, porquanto esta é a primeira vez que o certame ocorre no Continente.
Mas, muito bem... Com temores de ações terroristas, monumental esquema de segurança, repelentes contra o aedes-aegypti, com problemas de última hora na Vila Olímpica e, ainda, várias criticas das delegações mais exigentes, o evento começa naquela bela noite carioca e com um Maracanã recebendo uma das maiores assistências já vistas. O espetáculo começou e em poucos minutos o Brasil já mostrava ao Mundo a melhor forma de se fazer uma monumental festa, como só acontece no neste país. O Planeta passou a conferir o que é uma Olimpíada à Brasileira! Não foram poucos os elogios deflagrados, de pronto, nas redes mundiais de noticias. Repentinamente acabaram-se as críticas ácidas e como num mea-culpa vi sites estrangeiros reformulando suas opiniões de modo pálido a principio e, a seguir, com formas justas e adequadas como manda à boa imprensa. A repercussão positiva foi imediata. Pudera, ficou cristalino que fizemos um trabalho de imensa grandiosidade técnica (tecnologias de ponta), belo conteúdo plástico e cultural, além da participação retumbante do público presente e das delegações estrangeiras. Quase um delírio coletivo.
Mosaico de cenas da festa de abertura da Rio 2016
Aos poucos meus temores e minhas expectativas foram se esvaindo diante de uma demonstração de poder mostrar ao mundo – fala-se em 4 Bilhões de espectadores pela TV – o vibrar de uma Nação unida pelos laços do esporte. E quando digo Nação, falo do povo brasileiro! Excluo Governo ou instituições formalmente existentes. O vibrar daquele público ao cantar o Hino Nacional, as canções brasileiras mais populares e a aplaudir os representantes de outras nações a desfilar, numa contagiante ginga ao som das baterias do samba, ficarão inscritos na história das Olimpíadas.
Outro registro especial, também, para a História dos jogos olímpicos e que se constituiu numa lição de política ambiental para o Mundo foi a bela ideia de fazer com que todos os atletas presentes plantassem sementes de árvores a serem levadas para formação de uma nova floresta denominada, desde já, de Floresta dos Atletas Olímpicos. Pode ter sido um ato a mais naquela apoteótica noite, mas, tenho certeza, será sempre lembrado pelos grandes atletas do Planeta que por lá passaram, dado o forte simbolismo que encerra.
À parte disso e lembrando que nem tudo é perfeito, notei e ouvi comentários críticos a respeito da forma tímida e quase nula da representação das manifestações culturais e folclóricas  das demais regiões brasileiras naquele show de abertura. O que de fato foi passado para o público mundial é que o samba vem a ser o único ritmo popular brasileiro. Uma pena que tenham pecado nessa parte. Imaginemos o que teria sido o rasgar de um bom frevo pernambucano naquela ambiente tão gigantesco e eclético. São coisas de um país de dimensões continentais e com uma tremenda falta de integração social e regional. Apesar dos “esforços governamentais”, do imenso avanço das comunicações e das modernas facilidades de locomoção, o Brasil ainda não conseguiu romper a cultura de se comportar como sendo um grande arquipélago político-administrativo-social. As macrorregiões são sempre vistas como “ilhas” com traços próprios, culturas diferentes e separadas por muitos preconceitos inadmissíveis em pleno século 21.
A representação brasileira pilotada pela porta-bandeira pernambucana Yane Marques
Tudo bem e críticas à margem, o importante agora é capitalizar a exposição planetária que estamos tendo, não somente com o grandioso espetáculo de abertura oferecido, mas, sobretudo no desenrolar das competições que vêm ocorrendo nestes dias, num clima de sucesso indiscutível e numa vibração que a gente brasileira sabe propor e executar. É neste clima que espero pela consolidação de uma Nação de garra, que alimenta a esperança do progresso e da paz. E, por fim, como reza alguns versos do nosso hino nacional: somos um país “gigante pela própria natureza” e de um povo “que não foge à luta”.
Caros leitores e amigos desculpem meu ufanismo, mas, entendam que certas horas isto é preciso. Tenho orgulho de ser brasileiro. Inclusive no nome.       


Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Rio Olímpico

Estive no fim de semana passado andando pelo Rio de Janeiro. Sim, a cidade continua linda. Meu propósito foi de caráter familiar, contudo, aproveitei para dar uma circulada por onde sempre acontece alguma coisa. Nem preciso dizer que o clima reinante é o de Olimpíadas. De bem ou por mal não se fala noutra coisa. Há um intenso frisson por todo lado. Lojas e ambulantes, hotéis, bares e restaurantes ofertam, em profusão, produtos e serviços alusivos ao evento. Já circulam muitos turistas e atletas que chegam para o período dos jogos. Também não preciso dizer como os comerciantes estão explorando os visitantes. Tudo a preços superiores aos praticados antes. E, o pior, que não voltarão aos valores anteriores. Mas, isto ocorre em qualquer lugar do mundo, tenho certeza. Pensando que o Rio vem de uma sequencia de grandes eventos – Jornada da Juventude Católica, Copa do Mundo e, agora, as Olimpíadas – imaginem a situação. Podem ser aumentos em cascata!
Duas coisas são realçadas nas conversas de botequins e rodas de conversas dos cariocas: as vantagens a serem legadas pelo evento e as expectativas quanto à realização dos jogos numa cidade famosa pela insegurança e eivada de problemas sociais urbanos.

Imagem do moderníssimo Museu do Amanhã (Foto obtida no Google Imagens)
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Sobre os legados, observei pessoalmente que algumas coisas serão definitivas. Andei pela região central, espaço portuário recuperado e melhor urbanizado, deparando-me com uma paisagem completamente renovada. O que antes era um local de pesada estrutura viária e imagem poluída, abriu-se um deslumbrante parque diante da baia da Guanabara, graças ao Projeto Rio Maravilha.A área dos museus – de Artes e do Amanhã – certamente vai, de agora por diante, encher a vista de todo e qualquer visitante.
A Avenida Rio Branco, que era uma artéria sufocante até pouco tempo,  ganhou um boulevard aos moldes das mais belas avenidas mundo afora. Além disso, um moderno meio de transporte, o VLT (Veiculo Leve sobre Trilhos), circula entre o Aeroporto Santos Dumont e a Rodoviária Grande Rio e os BRT (como os que circulam no Recife) para sentidos mais afastados, imprimindo uma visão comparável às cidades mais importantes no exterior.
Imagem do moderno bonde VLT no Rio (Foto obtida no Google Imagens)
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Outra imagem do VLT do Rio (Foto obtida no Google Imagens)
O Metrô também foi atualizado e já oferece trens mais modernos e confortáveis, incluindo uma linha estendida até o distante bairro da Barra da Tijuca, com o objetivo de encurtar o caminho para quem deseja chegar à Vila Olímpica. Ora, em tempos de crise, e tantas dificuldades políticas, indiscutivelmente, são legados positivos.
Já sobre as questões da situação sanitária e da segurança urbana, a conversa é outra. Primeiro foi a praga do aedes- aegypt, transmissor dos abomináveis vírus da dengue, zica e chikungunya, que aparentemente está controlada devido ao fim do verão e agora as negativas expectativas com a possibilidade de atentados terroristas, a exemplo dos ocorridos recentemente na França e noutros locais do mundo, orquestrados pelo Estado Islâmico (ISIS). Providências severas estão sendo adotadas, mas, as pessoas não se sentem seguras. Pudera, cada dia um novo episódio estoura em algum lugar. Vale lembrar que atentados já foram registrados em Olimpíadas, sendo o mais citado aquele de Munique (Alemanha) nos jogos de 1972 (*)
Uma coisa é verdade: o Brasil, notadamente o Rio de Janeiro, nunca esteve em tanta evidencia na mídia mundial, seja pela instabilidade política, a insegurança urbana ou o fracasso econômico dos últimos anos e, para completar, a oportunidade das Olimpíadas. Lástima que os noticiários internacionais não deixam de destacar mais tudo que de negativo deponha contra o país e principalmente o Rio. Em alguns casos as publicações geram charges e piadas de mau gosto que poderão repercutir por longo tempo. Recentemente circulou nas redes sociais um vídeo em que um apresentador norte-americano, um tal de Stephen Colbert, no seu programa Late Show, fez um comentário arrasador sobre o Brasil e suas dificuldades em realizar a Olimpíada. Coisa revoltante, mas que tivemos de engolir.
Agora, algumas delegações resolveram protestar sobre defeitos na Vila Olímpica alegando más instalações e insalubridade, embora que tudo construído conforme as recomendações do Comitê Olímpico Internacional. Claro, tudo muito recente e apresentando falhas de acabamento e isto pode justificar. Vejo nisso a falta de controle de qualidade das construtoras contratadas. Mas, pode ocorrer em qualquer lugar do mundo. Ajustes são feitos e tudo se resolve. Já estão resolvendo.
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Vila Olímpica do Rio (Foto obtida no Google Imagens)
Neste ambiente descrito, acredito que tivemos um grande prejuízo, neste período pré Olimpíadas, devido às turbulências políticas e dificuldades econômicas pelas quais fomos obrigados a trilhar. Afinal, o mundo não pode afiançar um Estado falido realizando um evento da envergadura de uma Olimpíada. Melhor que não tivéssemos assumido esse compromisso tão custoso. Aí, sim, estaríamos mais preservados e cuidando da vidinha doméstica. Penso que foi imprevidência do ex-Presidente Lula e suas megalomanias.  
Mas, agora é tarde. As Olimpíadas estão chegando e o que nos resta é torcer para que tudo dê certo. Por sinal, comparo essa expectativa àquela que antecedeu ao Campeonato Mundial de Futebol, somente dissipada quando o brilho e a empolgação da disputa esportiva sobrepujou o espírito de pessimismo que rondou a maioria das cabeças da sociedade, inclusive a minha.
Apesar dos pesares, o Rio continua lindo, virou Cidade Olímpica e futuramente vai se impor, ainda mais, depois desses jogos. Quem viver, verá.

(*) No dia 5 de setembro daquele ano, oito membros do grupo terrorista palestino "Setembro Negro" invadiram a área destinada aos israelenses e fizeram um grupo de atletas reféns. Por mais de 20 horas, os esportistas foram torturados e eram obrigados a acompanhar a violência contra seus companheiros de quarto.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Circulando em Portugal

Cartão Postal da Universidade de Coimbra. Patio Central.
...aí, resolvemos deixar o carro ( locado em Lisboa) na garagem do hotel e chamamos um taxi. Com um motorista local seria mais fácil alcançar, a tempo, os pontos mais importantes a visitar em Coimbra. Veio, então, José Fidalgo, dirigindo uma Mercedes Benz meio rodada e que nos conduziu por onde desejávamos circular, culminando com uma parada no célebre pátio da Universidade mais tradicional de Portugal.
Após fotos aqui e acolá, com as poses que se tem direito, manifestamos o desejo de comer um bom leitão à bairrada (coisa parecida com o pururuca dos mineiros) muito popular nos arredores de Coimbra. Sair daquelas bandas sem saborear esta especialidade da cozinha local é o mesmo que não passar por lá. Nosso chofer fidalgo, no nome e no trato, empolgou-se e saiu estrada afora na busca de um determinado e famoso restaurante, desmanchando-se em salamaleques.  Rodamos mais do que o que desejávamos escutando as histórias daquele falante patrício. Às vezes coisas incompreensíveis, dado ao fato de que o sotaque do norte português é mais enrrrrolado do que noutras bandas. De fato, fomos levados a uma casa aonde turista seguramente não chega. Comemos como príncipes. Êiiiita, leitãozinho gostoso... Com o vinho da casa! Sem sentimento de culpa ou medo de cometer o pecado da gula, deixamos somente os ossinhos. Voltamos ao hotel com sono, mas, “batendo papo” com o leitãozinho. Uma vontade de voltar... Vide foto, a seguir, do nosso jantar. Nome do restaurante? Albatroz. Local exato: Fornos, à margem da rodovia IC2. Uma casa portuguesa, com certeza. Dormimos como nunca naquela noite.
Nosso leitão à moda da Bairrada
Dia seguinte, pé na estrada, digo, carro na estrada, e depois d´uma hora entramos na Cidade do Porto, que é sempre bom visitar. Diferentemente de Lisboa, a Metrópole, o Porto (Oporto) tem um ar mais europeu. Ali, foi onde as raízes portuguesas foram fincadas. Foi o Porto que deu o nome a Portugal, desde o ano 200 AC, quando se designava de Portus Cale, mais tarde capital do Condado Portucalense, de onde surgiu Portugal.
Banhada pelo rio Douro, que lhe confere um especial clima, a cidade é famosa pela sua produção vinícola, sendo o apreciado vinho do Porto sua maior expressão. Além disso, a cidade ostenta um dos mais famosos conjuntos arquitetônicos e históricos do país, regiamente preservados. Um passeio pelo centro histórico e, em particular, pela Ribeira do Douro é algo inesquecível para qualquer visitante. Não é à toa que por lá circulem verdadeiras “enxames” de turistas, sobretudo nessa época de alta estação, a busca de admirar aquele conjunto de históricos palácios e casas seculares. Como se fosse pouco, em meio a essas belas construções, o visitante pode fazer uma pausa refrescante, nas lojinhas de artesanatos, bares e restaurantes ali postos. Haja prazer.
Ponte Luis I, Cartão Postal da Cidade do Porto
Agora, pausa boa também é embarcar num dos antigos barquinhos que antes transportavam os tonéis de vinho para expedições aos mercados consumidores e que hoje servem de deleite aos turistas em minicruzeiros pelo rio.  Jamais perdemos essa chance. Apreciar a cidade desde uma dessas embarcações é divisar a cidade por uma perspectiva distinta e privilegiada. E, tem mais, se o barco partir da Ribeira da Vila Nova de Gaia, na margem oposta do rio, defronte do Porto, é ainda melhor. Antes do passeio fluvial, vale à pena “bater pernas” por aquela ribeira e curtir muito os bares e restaurantes locais (comer um chouriço flambado na chama da bagaceira com vinho da casa, na calçada da Taberninha do Manel é uma grande pedida) e visitar uma das inúmeras Caves de Vinho do Porto. Cuidado para não sair bêbado. E se beber não dirija. A coisa lá é também rigorosa.

A Dolce Vita às margens do Douro, na Vila Nova de Gaia 
Temos a sorte de contar com amigos no Porto e que nos acolhem com prazer. Graças a eles visitamos lugares seletos e fora do circuito turístico. Inêz  e Carlos Mota – ela pernambucana, amiga de infância, ele português – nos receberam de modo gentilíssimo. Somos gratos pelo chá das cinco na tradicional Confeitaria Majestic, eleita uma das dez mais belas do Mundo, no coração da vibrante Rua Santa Catarina e, em seguida, bem perto, visitarmos o Grande Hotel do Porto, no qual a Família Real Brasileira se hospedou, quando banidos do Brasil, em 1899. Aliás, lá mesmo faleceu a Imperatriz Thereza Christina de Bourbon, consorte de D. Pedro II do Brasil, em 28/12/1889. Ou seja, logo após o inicio do exílio. Sei não, mas, pode ter sido de depressão, que à época devia ser denominada de tristeza, pela perda da boa vida nos trópicos cariocas...  O Hotel se orgulha dessa passagem e mantém no seu grande salão as fotos da passagem da Família Real de Pindorama. Em seguida, os amigos Carlos e Inez nos levaram ao Café e Restaurante O Guarany, numa das esquinas da Avenida dos Aliados e em frente a uma grande Praça, onde D. Pedro IV (Pedro I do Brasil) pontifica numa estátua monumental, montado num belo alazão e voltado para seu querido Brasil. No Guarany, além de bom vinho, saboreia-se, entre outras delícias, uma especialidade local denominada de Francesinha. É uma versão lusitana do famoso Croque-Monsieur parisiense. Tudo isto, apreciando um recital de fados, ao autentico estilo do país. Uma beleza. Cantamos juntos a famosa canção “uma casa portuguesa, com certeza”. E isto, meu Deus, não tem preço. Nem com Mastercard!
Mas, nossos amigos acharam pouco e, noite seguinte, nos levaram para comer um bacalhau à moda local e num restaurante, também, fora do circuito turístico. Fomos ao Ponte do Freixo, no qual fomos recebidos com especiais atenções dados nossos cicerones. Ninguém me pergunte o endereço. O local é remoto até para os locais, creio eu. Mas, a comida... É de comer ajoelhado agradecendo ao Santo Antonio e a Nossa Senhora de Fátima. Viva Portugal. Voltaremos, viu?

Quer saber mais sobre esta viagem, acesse o canal de Youtube de Tico Brazileiro, meu filho, clicando: https://www.youtube.com/user/ticoso

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro               


domingo, 10 de julho de 2016

VIVER PORTUGAL

Digo sempre que, por razões logísticas e sentimentais, Portugal é parada obrigatória para nós pernambucanos, quando nos dirigimos à Europa. Penso, também, que ao desembarcar em terras lusitanas é como adentrar num belo e aconchegante jardim debruçado sobre o Atlântico e que serve de portal do Velho Mundo. Na entrada ou na despedida daquele Continente, viver Portugal é como mergulhar num relaxante balsamo de tranquilidade. Sua gente hospitaleira, o carinho que dispensam aos irmãos brasileiros, a rica gastronomia e a vida cultural que, inclusive, nos faz entender melhor as raízes dos nossos costumes e jeito de ser, valem por tudo em cada visita que se faz. Sou um apaixonado por aquele pedaço da Europa e folgo por conhecê-lo e visitá-lo sempre que possível, como fiz em junho passado.
Vista da Praça Dom Pedro IV que foi nosso Pedro I mais conhecida como Praça do Rossio.
Junho é tempo de festas para os portugueses. Começa em Lisboa nas comemorações do dia Santo Antonio e se prolonga pelo São João no Norte do país, concentrados no Porto ou em Braga, até o final do mês. O primeiro sinal dos festejos começa pelo assar das sardinhas em braseiros espalhados pelas cidades. Foto abaixo. 
Olha aí o portuga dando trato às sardinhas
Não tem preço degustar uma sardinha assada com um bom vinho branco nacional, em plena Avenida da Liberdade, na noite de 12 para 13 de junho. Dá vontade de não sair mais dali. Sobretudo vendo rolar os desfiles de grupos folclóricos que partindo da rotunda do Marques de Pombal bailam até a Praça do Rossio. A noite é curta para os irmãos portugas que não se cansam de afirmam que “vão dançar nas ruas até que seja dia” numa forma bem lusitana de dizer que vão “cair na folia até o amanhecer”. Essa noite de festa é como um carnaval para eles. Além de festejar Santo Antonio, o padroeiro, é também a festa do Dia Nacional que é oficialmente 10 de Junho.
Viver Portugal, em minha opinião, é viver um tempo sempre bom. O clima do país, a brisa do mar e dos rios caudalosos – como o Tejo e o Douro – transformam aquilo num verdadeiro paraíso, o ano inteiro, numa Europa nem sempre tranquila. Aliás, nessa última passagem por lá, tomei conhecimento de que se trata de um dos cinco países mais seguros do mundo atual. Sem dúvidas uma grande vantagem.
Rapazes e raparigas concentrados na espera de entrar na Avenida
para o Grande Desfile de 12 de Junho
Falando de Lisboa, nesse junho passado, tenho que destacar as festas em homenagem ao Santo Antonio, que para eles é Antonio de Lisboa, lugar onde ele nasceu. Faleceu em Pádua, pois lá vivia quando da sua morte, aos 36 anos de idade, em 13 de junho de 1231. Venerado pelos seus patrícios, arrasta multidões até sua Igreja na subida da Alfama (bairro central de Lisboa) que no final de cada 13 de junho acompanham sua imagem em procissão. Ver foto abaixo. Bom, sou devoto deste Santo e trago seu nome no meu registro de nascimento. Foi uma promessa da minha mãe, na hora do parto. Também meu filho tem o mesmo nome, noutra homenagem. Fomos a Lisboa no ultimo 13 de junho para receber bençãos e reverenciar o padrinho por graças alcançadas.
Imagem de Santo Antonio na procissão do dia 13 e duas fotos icones de Lisboa:
a Torre de Belem e a Rotunda do Marques de Pombal

Lisboa em três tempos: o velho e romântico bondinho que circula na cidade antiga,
os pasteis de Belém e a venda do manjerico nessas festas juninas.
Percorrer as ruas e avenidas de Lisboa, no casco antigo ou nos lados modernos, é sempre muito prazeroso, situação que se amplia graças às muitas tentações gastronômicas oferecidas e das quais não há quem se livre.
Como sair de Portugal sem comer um bom bacalhau? Impossível! Isto sem falar no leitão da Região de Coimbra, numa cataplana de frutos do mar na Beira do Tejo, ou num chouriço flambado na aguardente bagaceira às margens do Douro na Vila Nova de Gaia. No fim de cada uma dessas orgias gastronômicas um bom Pastel de Nata é praticamente obrigatório. E se for o de Belém, tanto melhor. Quando cansado dos pasteis de nata a solução é partir para uma porção de toucinho do céu, da baba de camelo ou alguns ovos moles do Aveiro. Tudo à base de gema de ovo. Pense nessa dose de colesterol!  Mas chega de comida...
Uma bela cataplana de Frutos do mar que
saboreamos em Cascais
Saindo de Lisboa, inúmeras são as opções de interesse turístico. Destaco os balneários do Estoril e de Cacais. Nada muito extraordinário historicamente falando, mas, sem dúvidas bons locais para se visitar e onde se pode comer bem. São cidades gêmeas e próximas a Lisboa.
Mais distante e no sentido Norte, uma visita indispensável é ao Santuário de Fátima, onde a cristandade se encontra em veneração à Virgem Maria e onde também estivemos para, como bons crentes, louvar e agradecer à Mãe de Fátima as graças alcançadas. É um lugar com especial energia, dada a fé e a devoção de um mundo de fiéis que ali se reúnem diariamente. O silencio daquela esplanada diante da Basílica é um convite imediato para reflexões e propósitos espirituais.
Portugal é assim: fé, turismo, bons ventos, gente amiga e, para nós brasileiros, uma espécie de encontro com as raízes culturais. Não me canso de viver esse estado de espírito luso. Na próxima edição vou falar mais de Portugal. O Porto que me aguarde...


 NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro.

Quer saber mais sobre esta viagem, acesse o canal de Youtube de Tico Brazileiro, meu filho, clicando: https://www.youtube.com/user/ticoso


domingo, 3 de julho de 2016

No Reino da Holanda

A Holanda, por onde andei recentemente, é um país institucionalmente jovem, criado em 1806 por Napoleão, no auge do seu poder imperial, no lugar da antiga República Batava, dentro dos chamados Países Baixos. É uma Monarquia Constitucional e teve como primeiro soberano o Rei Luís I, irmão de Napoleão, que não sendo fiel ao irmão mostrou-se, sobretudo, muito simpático aos holandeses, contrariando as ambições do Imperador francês.  Foi um capítulo da história daquele país que chegou ao fim com o do próprio Império Napoleônico. Encerrado o período napoleônico, os membros da antiga Casa de Orange-Nassau, existente desde o Século VIII, tomaram o poder do país e por lá reinam até hoje. Em 2013 a Rainha Beatriz decidiu abdicar em favor do Príncipe herdeiro, Willem-Alexander, que assumiu o trono em 13 de abril de 2013, junto com a Princesa, hoje Rainha, Máxima Zorreguieta, de origem argentina. O país tem um Primeiro Ministro e tudo mais que se exige para governar a Nação. Essas são características institucionais daquele pedaço europeu no qual passei alguns dias nesse junho passado.
À parte das belezas naturais sobre as quais falei na semana passada, é importante destacar a riqueza cultural holandesa, tema do post de hoje.
Uma visita à Amsterdam é a chance de se visitar dois dos mais importantes museus da Europa: Rijksmuseum e Van Gogh. O primeiro dedicado às artes e à História holandesa, com monumental galeria dos pintores flamencos. Ideal é visitá-lo com um bom tempo e preparar-se para um completo mergulho na história do país. Já o segundo especialmente voltado a expor as obras do magnífico pintor holandês, Van Gogh (1853-90) que morreu ainda jovem, sem nem imaginar o sucesso que faria na posteridade.
Meu filho com um Clone de Van Gogh, diante do Museu.

A Holanda é pródiga em gênios da pintura a exemplos de Rembrandt (1606-69) ou Vermeer (1632-75), verdadeiros mestres da Escola Flamenca, com obras expostas no Rijksmuseum. Destaco entre essas, a famosa Ronda Noturna, de Rembrandt, uma obra que lhe tomou dois anos de trabalho (1640-42) e é até hoje consagrada como a máxima composição exposta em Amsterdam. Vide foto a seguir. De Vermeer, meu destaque é para A Leiteira, um quadro de 1658, cuja foto mostro, também, em seguida.
A Ronda Noturna (Rembrandt)

A Leiteira (Vermeer)
Vibrei muito mostrando essas maravilhas ao meu filho mais moço, quase sempre muito alheio a essas coisas, mas, começando a apurar o gosto em visitando museus e nessa sua primeira visita à Holanda.
Afora estes dois museus, na mesma Amsterdam, outras atrações culturais são encontradas, como a Casa de Anne Frank, sombria, como foi a vida daquela garota, e o modernoso museu da Heineken Cervejaria. Este último é um festival de história da famosa cervejaria, de onde meu jovem filho nem queria sair.
Amsterdam é uma cidade estonteante para os jovens. O movimentado centro antigo da cidade é um verdadeiro frenesi. O grande movimento nos bares, restaurantes, boates, praças e parques garantem a existência de uma eterna festa dia e noite. E, tudo isso, encravado na rede de canais com movimento de barcos e lanchas numa autêntica Dolce Vita. Amsterdam, inclusive, é chamada de Veneza do Norte. 
Vista parcial do chamado Anel de Canais que data do século XVII
Ora, não tem moço ou velho que não se encante por um ambiente desses. Um detalhe disso tudo, porém, é preocupante (pelo menos para nós mais “quadrados”) por conta do liberalismo excessivo e isto faz a cabeça dos jovens por, ao que parece, coincidir com os desejos juvenis, muitas vezes pueris. Pessoalmente faço restrições a esse clima de excessiva liberdade. Acho que mais adiante pode ser muito prejudicial. O fato de ser a maconha liberada já pode dar uma ideia de tudo. É de forma tal que, mesmo sem querer, o visitante percebe, com pouco tempo, que termina inalando a erva que é vista no “bico” de milhares de pessoas. Moços e velhos se entregam ao consumo sem medo e sem restrições. Mais do que fumar são consumidos bolos, balas, chocolates, drinques da maconha e haxixe, além de servirem como matéria prima para sabonetes, dentifrícios, xampus, entre outros produtos.
Restaurante a céu aberto, nesses tempos de primavera-verão 
E tem outra coisa: impossível sair de Amsterdam sem visitar o Bairro da Luz Vermelha, onde justamente impera a gandaia. Fiquei somente observando as reações do meu jovem filho diante das vitrines de “venda” dos corpos das prostitutas mais desinibidas do planeta. As primeiras impressões para um novo visitante é sempre muito surpreendente. Quando, porém, entende do “brocado” da área, o sujeito chega a ficar perplexo com a capacidade das exibidas mulheres. Brancas, negras, orientais, mulata brasileira (com direito a se enrolar na bandeira do Brasil), gordas (enormes), magras, altas, baixinhas...feias, lindinhas... Tem pra todo gosto de freguês. E, pelo visto, o mercado é um sucesso. Vide foto a seguir.
Foto colhida no Google Imagens. Ao turista é proibido fotografar

Mas isto aí é um detalhe à parte de um país de belíssima paisagem, rica gastronomia, flores e frutos exuberantes e um povo extremamente gentil. Há uma elegância natural do motorista de táxi ao recepcionista do Hotel. Ordem e disciplina no transito de dar inveja a qualquer brasileiro.
Salve o Reino de William e Máxima! Um dia voltaremos a revê-lo.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro, com exceção da vitrine do Red Light District que foi obtida no Google Imagens.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Uma Viagem Inesquecível

Tenho sempre em mente que uma viagem periódica é a melhor forma de arejar a mente, adquirir novos conhecimentos e sair da rotina muitas vezes cansativa do dia-a-dia. Não importa o destino. Perto ou longe qualquer deslocamento gera benefícios ao corpo e à alma. E sair um pouco do Brasil, nesses tempos de crise político-econômica, nem se fala. Foi o que fiz nas duas últimas semanas, quando andei pela Europa, visitando Holanda e Portugal. Senti especial vibração porque, após haver sido submetido a uma cirurgia de grande porte no coração e há pouco mais de seis meses, experimentei a alegria de rever e reviver dias no Velho Mundo e com saúde. Esta foi então o que posso chamar de Viagem Inesquecível.
Foi minha quarta visita à Holanda e esforcei-me para vê-la como sendo numa primeira visita. Trata-se, na verdade, de um país de paisagem singular, caracterizada por uma grande planície, no norte da Europa, conquistada, com muita engenharia, por avanços no mar e dotada de canais e moinhos reguladores dos fluxos d´água. Além disso, ornada de grandes campos de cultivo de flores – principalmente tulipas – e hortaliças, além de muitos parques. Em meio a todo esse imenso “jardim”, um patrimônio arquitetônico invejável, infraestrutura de alto nível e notável parque industrial. Um mix econômico-cultural que provoca ao visitante uma especial vontade de voltar. Mesmo revendo locais já conhecidos deixei brotar modos de melhor observar e conferir com mais amadurecimento como só a idade confere. Estive na Holanda pela primeira vez aos 26 anos de idade. Faz tempo...


Por outro lado, impossível esquecer que, de algum modo, este país escreveu uma página da história de Pernambuco, porquanto durante vinte e cinco anos (meados do século 17) os batavos estiveram por aqui com a invasora Companhia das Índias Ocidentais, implantando um enclave econômico denominado de Nova Holanda e tendo o Recife como sua cidade capital. Como esquecer a figura de Mauricio de Nassau que comandou esse Brasil Holandês, legando notáveis avanços sociais e econômicos a Pernambuco? Há algumas controvérsias a respeito dessa história, mas, ela sempre vem à cabeça na forma como nos contaram na escola primária. História longa sobre a qual já falei noutra oportunidade.
Fui à Holanda, dessa vez, com minha esposa e nosso filho caçula, fazendo ponto fixo em Amsterdam e naturalmente visitando outras localidades. Posso lembrar três destaques dessas visitas. O primeiro foi a localidade de Zaandam onde uma série de Moinhos de Vento (windmills) se alinham em meio a lagos, canais e aldeias tipicamente holandesas. É um deslumbre para quem chega pela primeira vez, ou mesmo quem revê como foi o meu caso. Caminhar pela região foi uma bela experiência turística. Fotografar aquilo lá é quase um dilema para o profissional ou amador mais cuidadoso em enquadrar e focar a melhor imagem. Vide fotos a seguir.




De Zaandam partimos a caminho da cidadezinha de Marken, uma antiga colônia de pescadores que vive hoje do turismo. Casinhas coloridas, flores em profusão nesta época do ano (primavera-verão) e aprazível brisa do lago de Marken curiosamente salgado no passado e doce atualmente. Nesse lugar fomos apresentados a uma marcenaria especializada a produzir os famosos tamancos holandeses de madeira, que são ícones da imagem turística do país. É divertido assistir ao feitio de um exemplar e após isto experimentar um deles prontos e decorados à venda na lojinha anexa. Fotos a seguir.




Deixamos Marken para trás a bordo de um confortável barco, navegando sobre o citado lago por 30 minutos, com destino a Voledam, outra cidade dedicada ao turismo. Lugar imperdível para quem visita a Holanda. A chegada ao píer da cidade já é impactante. A imagem de beleza do local vai se “chegando” aos olhos do visitante de maneira atrativa e conquistadora. Bate uma vontade extrema de desembarcar e sair a explorar o espaço. São ruas coloridas de comércio, restaurantes e bares pululando de visitantes, gente bonita e hospitaleira. 



Além de almoçar num bom restaurante de frutos do mar, visitamos uma fabrica de queijos para guardar na memória o resto da vida. O processo de fabricação desde a matéria prima até a embalagem e comercialização mundo afora. (Foto logo acima, com pose especial da minha esposa). E, o melhor de tudo, uma degustação sem fim. Até hoje estamos comendo queijos holandeses que trouxemos metidos na bagagem.
Eu ainda tenho muito que dizer sobre a Holanda. Mas, será na próxima postagem. Até breve! Venha comigo nessa Viagem.

Notas: A primeira foto foi colhida no Google Imagens e as demais do arquivo pessoal e autoria do Blogueiro e de Tico Brazileiro.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quem não chora não mama.

Montar um Ministério após uma eleição tem sido quase sempre um problema delicado para um presidente eleito. Imagine o que seja fazer isto a “queima roupa” de uma emergência, como ocorreu recentemente aqui no Brasil. Creio que o Michel Temer deve ter passado por apuros para formar sua equipe de Governo. Primeiro devia esperar o resultado da votação no Senado para trabalhar com a certeza de que assumiria e, em seguida, administrar as manhas dos políticos e respectivos Partidos que “viabilizaram” sua ascensão, num típico estilo de “quem não chora não mama”. Fora tudo isto, o fato de que, rigorosamente, se trata de um governo transitório e, pior que isto, mergulhado num imenso buraco negro deixado pelo PT, não estimulou alguns potenciais candidatos a ministro ou outro cargo de destaque qualquer. O PSDB, por exemplo, vacilou antes de aderir.
O resultado desse açodamento é que foi montada uma equipe com alguns integrantes pouco recomendáveis. Eu soube que teve ministro convidado meia hora antes de assumir. Imagino esse sujeito dizendo: O que é isto?! Como assim? E quem disse isto? E entrou no Palácio do Planalto esbaforido e perguntando Onde estou? O que sou eu? O que foi que eu fiz? Ou algo parecido. Eita Brasil, zil,zil ! O resultado é que se formou um gabinete de nomes elogiáveis – o lado econômico, sobretudo – misturado e junto com outros, tipo “ficha suja”, citados ou envolvidos nas tramoias que estão sendo lavadas, enxaguadas e passadas na Lavanderia de Sérgio Moro. Dois Ministros já voaram nos paus. E a expectativa agora é saber quem será o próximo.
Mas, por outro lado, ao tempo que aplaudi (aplaudimos) a estratégica redução dos ministérios, assisti lamentando o retrocesso do Temer ao ceder com a recriação do Ministério da Cultura. Acho que ali ele abriu um flanco de fraqueza. Ser presidente não é ditar tudo com rigidez, é verdade. Mas, foi um ato lamentável esse retrocesso. Temer temeu uma repercussão negativa e deu, no meu ver, um “cala-boca”, sobretudo, para uma classe de produtores culturais e artistas engalanados cheios de ares e pretensos “donos” da cultura nacional, que não querem largar as tetas da Lei Rouanet. Vide fotomontagem a seguir e outra que viralizou nas redes sociais.


Desde que me entendo de gente a Cultura – setor importantíssimo da vida nacional, ressalte-se – esteve sempre conjugada com a Educação. E tem uma lógica explicita nisto porque Cultura tem tudo a ver com Educação! O MEC foi, historicamente, uma das mais importantes siglas da Administração Federal. Por que tanta estranheza e reações contrárias, quando nada impediria que as ações desta área não fossem desenvolvidas por uma Secretaria Ministerial no MEC recriado? Foi sempre assim no passado! Acho inclusive que a classe artística, a grande protestante, “deu um tiro no pé” na medida em que provocou na mídia e nas redes sociais uma avalanche de denuncias sobre as estratosféricas vantagens que recebem ou receberam do Governo, através dos instrumentos de incentivos, administrados pelo ex-Ministério em tela. Poucos foram honestos, como Antonio Fagundes que sem cerimônia fez sua critica: "Sinto-me decepcionado com alguns artistas, que mesmo sabendo das falcatruas deste governo, ainda apoia por puro interesse próprio". Ele nunca recorreu à Lei Rouanet
As cifras que foram divulgadas das concessões aos cantores e artistas globais, aos escritores e produtores teatrais de fama, escandalizaram os brasileiros. Sobretudo pelo fato de que uma imensa legião de cidadãos e cidadãs dedicados(as) às atividades culturais ficaram sem qualquer chance de “fazer parte dessa festa”. Ora, ora! É indiscutível que cantores e atores que arrastam multidões aos seus auditórios não precisam desse apoio governamental! O Fagundes é bom exemplo. Muito mais precisam aqueles que buscam, em vão, um lugar sob as luzes das ribaltas brasileiras para os quais o MinC sempre deu as costas.    
Essa turma de apaniguados de “Mamãe” Dilma e do PT chorou, chorou e ganhou. E Temer, temendo uma onda maior, cedeu. Tolice... Lamentavelmente, neste Brasil, “quem não chora não mama”. Pouco interessa a essa gente a situação de crise do país, a necessidade de reduzir a máquina e os gastos do Governo e, ao invés disso, investir maciçamente na Saúde, na Educação e na Segurança. O que eles querem é mamar.

NOTA: Fotomontagem obtida no Google Imagens