quarta-feira, 17 de abril de 2019

Pernambuco das Paixões

Epaminondas Mendonça  (1897-1970)
Quando meu avô materno – Epaminondas Mendonça – reuniu a família, na Vila de Fazenda Nova (PE), inicio da passada década de 50, e decidiu realizar uma teatralização da Paixão de Cristo nas ruas e prédios simples daquela Vila, nunca imaginou que sua ideia seria um grande sucesso e modelo para muitas outras encenações que anualmente se realizam em inúmeras localidades do estado.
Todo ano, depois de quase 70 anos, o espetáculo é levado lá mesmo em Fazenda Nova - hoje no monumental teatro, denominado de Nova Jerusalém - e muitas outras paixões são montadas seguindo o modelo da Família Mendonça. Em Pernambuco a semana santa é sempre uma Semana de Paixões
Independente da qualidade da produção, esses espetáculos se repetem, como se inéditos fossem, atraindo multidões sempre emocionadas com a historia de Cristo, recontada.
Grande parte, dessas paixões, são abertas ao público. Outras são montagens mais elaboradas e custosas, cobrando ingressos. A de Fazenda Nova, que, de fato, é uma grande produção, com tons hollywoodianos, tem lá suas próprias características e seus rebatimentos econômicos. É certamente um bom exemplo da chamada economia criativa. (Se quiser saber um pouco mais sobre economia criativa, clique em: https://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2018/12/08/internas_economia,770417/economia-criativa-e-criacao-de-valor.shtml. )
Patrocínios, cobrança de ingressos, cachês de artistas e figurantes, oportunidades de negócios nas redondezas, entre outros aspectos, são fatores que fazem circular uma renda que representa, em muitos casos, sustento para famílias interioranas, no resto do ano! Pousadas, lanchonetes, bares, restaurantes, comercio de artesanatos, transporte, serviços de guia turístico, eventos culturais paralelos, entre outras atividades fazem o sustento anual daquela gente.
Interessante lembrar que tudo começou de modo muito amador e, a rigor, nem foi uma ideia original de Seu Epaminondas que, de fato, se inspirou numa reportagem da revista Fon-Fon, muito popular àquela época, (https://pt.wikipedia.org/wiki/Fon-Fon_(revista) , falando sobre o espetáculo da Paixão, que é secularmente e a cada dez anos levado na charmosa cidade de Oberamergau, na Baviera alemã.

A cena da crucificação em Oberamergau (Alemanha). É teatro fechado. Menos de 1000 espectadores.   
Acreditando no talento teatral da família, o velho empresario Epaminondas  investiu no projeto e acreditou que seria, também, uma forma de movimentar a incipiente rede de hotéis do lugar e difundir as benesses das águas termais descobertas pelo próprio pai (Nicolau Cordeiro de Mendonça), no lugarejo. Fazenda Nova é uma estância hidromineral. Detalhe: ele próprio era um dos hoteleiros. Ou seja, teve visão de futuro e investiu naquilo que sabia fazer e certo que daria retorno. Vide: https://pe-az.com.br/editorias/biografias/e/664-epaminondas-mendon%C3%A7a 

 
A cena da crucificação de Nova Jerusalém em Pernambuco (Brasil). 
A ideia de Seu Nondas (como era conhecido na intimidade) agitou a família e sob a direção de Dona Sebastiana, sua esposa, o Drama do Calvário (primeiro titulo da encenação) ganhou as ruas do povoado atraindo multidões. Os atores eram membros da própria família. Luiz Mendonça (primeiro Cristo), Nair Mendonça (primeira Virgem Maria), Diva e Paulo entre outros. Ele mesmo, Seu Nondas, chegou a interpretar Caifás, o Sumo-sacerdote judaico. A coisa cresceu de forma animadora, o público se multiplicava a cada ano, até que se tornou impraticável encenar na forma original.
Foi, então, que a partir dali Plínio Pacheco, casado com Diva Mendonça, filha caçula de Seu Nondas, teve a ideia de construir, junto com Diva, o grande teatro da Nova Jerusalém. Isto já era no final dos anos 60, inicio dos 70, mobilizando uma plêiade de artistas profissionais, arquitetos e entusiastas para construir o que se tornou o maior teatro ao ar livre do mundo. É uma obra monumental erguida com muito suor e sangue teatral. Rendo sempre minhas homenagens aos idealizadores e construtores dessa maravilha pernambucana.

Diva (Mendonça) e Plínio Pacheco, baluartes da construção do grande Teatro 
Seus idealizadores e construtores serão sempre lembrados como artífices de uma saga teatral nordestina e promotores de uma economia criativa emblemática naquela região e por onde outras Paixões de Pernambuco são levadas.

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens . 
           

sábado, 13 de abril de 2019

Segura, meu povo.

Depois de um verão escaldante, entramos na estação das chuvas que são bem-vindas para aliviar o sufoco do calor que sofremos nesta última temporada. Contudo, ao mesmo tempo em que se experimenta um clima mais ameno, as chuvas copiosas proporcionam agruras e muito desespero para os que vivem nas grandes cidades do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e aqui no Recife vêm sendo registrados grandes temporais e vendavais deixando estas, entre muitas outras cidades, em clima de polvorosa e com saldos aterradores de desabamentos, soterramentos, enchentes, feridos e mortos.
Nessas horas, as autoridades, sobretudo os prefeitos municipais, são chamadas à responsabilidade e, no geral, fazem suas defesas, com teses indefensáveis, acompanhados dos seus proselitismos políticos sem a menor cerimonia. Sem falta dos votos de profundo pesar às famílias atingidas. Sempre visando ao próximo pleito eleitoral, porque afinal nenhum deles quer perder a boquinha de um cargo de executivo.
Todo ano é assim: caem barreiras, desabam prédios, rios sobem de níveis, canais transbordam, avenidas viram cursos de água, veículos naufragam, desaparecem e morrem pessoas e, por fim, se instala o clima de perdas e tristezas. Calamidade geral. Até que o sol tropical volte a brilhar, secar e esquentar os terrenos, ajudando a esquecer das tragédias. Promessas feitas sobre escombros, lanchas e helicópteros salvadores são apagadas das memorias, na maior rapidez. A vida continua, até que os dramas sejam revividos na invernada seguinte. Ah! Nesse ínterim, uma desculpa vai logo sendo elaborada e passa obrigatoriamente pela falta de recursos financeiros.
Na verdade, recursos financeiros são escassos, mas, a rigor, não faltam. Faltam sim, compromisso e responsabilidade administrativa dos burgomestres e governadores estaduais que estão muito mais preocupados em aplicar os escassos recursos financeiros nas obras que lhe rendam os créditos de votos nas urnas eleitorais da eleição seguinte.
O Recife, por exemplo, é uma cidade cortada por rios, riachos, córregos e muitos canais. Foi erigida sobre manguezais. Administrar essa rede hidrográfica pode ser complexo. Mas, não impossível, visto que se faz necessário. Outro dia, escutei de um funcionário da Prefeitura algo estarrecedor. Disse-me ele que o transbordamento de um canal até ajuda na limpeza da cidade. Explicou que a sujeira do transbordo se espalha pelas vias públicas e o serviço de limpeza aproveita e leva as tralhas que se espalham. Ora, minha gente, se o transbordamento já se deu em face da sujeira acumulada no leito do canal, como entender essa “estratégia”?. Deve ser, assim mesmo, no Recife, no Rio de Janeiro, em São Paulo e alhures.
Pensando com uma visão mais elástica, esse problemão urbano brasileiro é um desajuste em cadeia. A população, sem educação e orientação, joga todos seus dejetos e descartáveis imagináveis nos cursos d´água, a Prefeitura não os colhe porque o dinheiro é curto e o serviço de limpeza urbana é parcial e ineficiente. As estações de bombeamentos são inoperantes! A chuva vem, inunda e está feito o estrago, antecedendo uma ainda maior que é a insalubridade. Leptospirose, hepatites, febre tifoide e dengue são algumas das enfermidades que grassam nas populações atingidas. E não tem prefeitura que segure o tranco. Pobre brasileiro.  
O rio dos Aflitos (Recife)
O temporal que caiu no Recife, ontem (12/4/19) foi o retrato dessa vergonha. Minha rua, situada num dito bairro nobre da cidade, se transformou num grande rio. Como não dispus de uma lancha ou carro anfíbio fiquei retido em casa até que o “rio” secasse. A maioria das artérias da cidade ficou submersa em poucos minutos. Até altas horas havia avenidas tomadas pelas águas.  Enquanto esperei que o “rio” da minha rua baixasse, assisti pela TV um drama semelhante que viveu o Rio de Janeiro, atingido por vendavais contínuos durante a semana e amargando um desabamento de prédios que tirou vidas e feriu varias pessoas. Pobre povo brasileiro. Pobre povo recifense que está à mercê de uma Prefeitura que vive na esteira do se manter no poder, a qualquer custo, e não cuida bem da cidade. Segura, meu Povo!
Nota: Foto da autoria do Blogueiro

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A Muvuca do Vélez

“O que é que você acha dessa muvuca que está acontecendo no Ministério da Educação?” Esta foi a pergunta feita por uma amiga e leitora deste Blog do GB, durante um almoço desta Sexta-Feira (05.04.19). Ri muito com o expediente da amiga e respondi com outra pergunta: “e o que vem a ser uma muvuca?” Recebi dela uma resposta bem parecida com o que depois conferi no dicionário do Professor Google explicando, entre outras conceituações, que “muvuca é um grupo de pessoas fazendo bagunça, desorganizada”. Pensando bem é exatamente isto que esse colombiano/brasileiro estabanado anda fazendo no nosso Ministério da Educação, nesses três meses do Governo Bolsonaro. E, até agora, com o beneplácito dele, Bolsonaro. 
Parece brincadeira o que tem sido visto. Quatro substituições na Secretaria Executiva e dezoito exonerações em cargos chaves do importante Ministério. Dezoito cargos vagos! E pensar que Mozart Neves (pernambucano competente e expert em Educação) tenha sido “queimado” na escolha de titular da Pasta, dá grande revolta.  

Sou economista e tenho noção da importância que deve ser dada às medidas de politica econômica porque o país depende delas para  ser salvo da quebradeira geral. A Reforma da Previdência, indiscutivelmente, será a salvação inicial. Sem o sucesso dela a coisa pode ficar preta. E depois, que venha a Tributária, a Politica, seguidas das de promoção de investimentos, de privatizações e tudo quanto jogue o Brasil na rota da recuperação. Chega de crise.    
Contudo, deixar ao “Deus dará” e nas mãos de um aventureiro, um Ministério da importância como é o da Educação, tenha paciência.
Com a vitória do Bolsonaro, uma das maiores esperanças foi a de que, finalmente, a Educação teria a oportunidade de destravar e começar a render bons frutos. O governo passado deixou este setor na pior das condições, tanto em recursos financeiros, quanto em desempenho. Deixou, sim, um aparelhamento político nocivo à nação e sem que apontasse para resultados positivos e concretos, no intuito de se perpetuar no poder. Vejam os resultados negativos revelados pelas avaliações internacionais. O Brasil se nivela, atualmente, aos  mais débeis e atrasados países ou situado bem abaixo de muitos subdesenvolvidos. Uma vergonha para quem tem tantas potencialidades e tantas inteligências sobrando. Vide gráfico a seguir. Numa amostra de 65 países o Brasil se situa em 58º. lugar. Absurdo.  

É uma lástima saber que hoje a Educação Básica, de 1º. e 2º. Graus, entregues aos municípios e estados padecem, na sua esmagadora maioria, de total indigência devido à incapacidade dos gestores e a escassez de verbas. Estados e municípios na pindaíba deixam que seus futuros cidadãos cresçam ser saber multiplicar e dividir e sem condições de interpretar um simples texto. Isto ao completar o primeiro grau. Ora, meu Deus, o Brasil exige uma politica de Educação séria, apolítica e capaz de preparar o cidadão e as cidadãs do futuro. O mundo inteiro sabe que uma Nação se constrói com uma Educação forte. É a base de tudo e é o que falta aos brasileiros.
Mas, atenção, porque não é apenas nos segmentos de Educação de base e sim também na Educação Superior, a cargo do Governo Federal e gestor das Universidades Federais, hoje muito criticadas, pelos sucateamentos que amargam e por ter sido transformadas em trampolins para militantes políticos que, de fato, não buscam formação profissional e sim formação de guardiões de um socialismo barato, enganador e anacrônico. Por isso, e não é à toa, que proliferam Universidades e escolas privadas, sem condições de funcionamento e servindo muitas vezes de lavagem do dinheiro sujo dos seus idealizadores. Formando, inclusive,  profissionais ineptos.                 
Revoltado, encerro minha conversa semanal lamentando que tenhamos um Ministro incapaz e, de certa forma, irresponsável, por não enxergar a importância e a real missão da sua Pasta, afligindo as pessoas de sadias consciências que abunda em Pindorama. Aliás, será que ele já ouviu falar em Pindorama?
Socorro Capitão! Abra os olhos e dissolva essa muvuca – minha leitora estava certa – que reina da Esplanada dos Ministérios.

NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens.

sábado, 30 de março de 2019

Pra onde vamos?

Todo mundo sabe que quando a economia vai bem, qualquer governo vai junto. Medidas político-econômicas bem traçadas e devidamente aplicadas levam a que o país cresça e, nessa esteira, a população, as famílias, sintam-se seguras e em bem-estar. E, na prática, disso depende a sustentabilidade de um Governo. É fácil? Sim, dependendo do país. Não, não é fácil quando se trata de um país estruturalmente desigual e cheio de problemas endêmicos, como é o caso do Brasil. Dilma caiu, sobretudo, pelo desandar da economia. Fora as relações de corrupção que compactuou, é claro.  Na história recente os erros foram inomináveis: medidas mal desenhadas e mal negociadas, como manda uma democracia de verdade, ideologias equivocadas e administradores incapazes e corruptos levaram o país ao caos em que ainda nos encontramos. 
A recente eleição presidencial levou ao poder uma força diametralmente oposta ao que prevaleceu nos treze anos anteriores e, mais uma vez, mostra que a alternância do poder é importante e salutar para sustentação de uma Democracia. Mas, estarão os atuais dirigentes preparados para operar a mudança que prometeram e que já é devida à Nação? Eis aí, uma formidável e dolorosa interrogação. 
A maioria votou no Bolsonaro alimentando as esperanças de detonar o socialismo obsoleto – chamado de Socialismo do século 21 – banir os políticos corruptos e ladrões das cadeiras de comando do Planalto e, obviamente, ingressar num período de bonança e desenvolvimento econômico. A melhor tradução da esperança dos brasileiros, quando foram às urnas em 28 de outubro passado, pode ter sido a de conseguir um emprego. O irresponsável governo passado cometeu a façanha de deixar 13 milhões de cidadãos e cidadãs na rua da amargura. Trata-se de uma marca de desemprego inédita, num país de tantas potencialidades e de tantas promessas. E agora, pra onde vamos? Este é o X da questão que Bolsonaro e sua equipe terá que descobrir. Mesmo sabendo que o desmantelo deixado - a herança maldita - é incomensurável. Mas isto não interessa ao eleitor. Este espera solução urgente.
Bom, as medidas econômicas, propriamente ditas, propostas pelo Governo Bolsonaro, além de óbvias, não são necessariamente as anunciadas no seu palanque de campanha e as suas favoritas. A prioridade dele sempre foi, e tem sido, acabar com a corrução estruturada cinicamente na politica e o combate ao risco de implantação de uma ditadura totalitarista, como vem ocorrendo na Venezuela. Reforma da Previdência não era! É sim, agora. E Paulo Guedes (Ministro da Economia) é que assumiu o papel de patrono do projeto, sabedor que é do buraco que tem adiante. Bom lembrar que esta demanda é coisa velha e desde os anos 80 já se falava da falência do atual sistema. Foi "empurrada com a barriga"  pelos antecessores por ser uma medida impopular e politicamente inconveniente para os objetivos que perseguiam. Mas, agora, chegamos ao limite. Sem ela o país vai quebrar. Lembremos do caso da Grécia e de alguns estados brasileiros. FHC, Lula, Dilma e Temer estavam cientes, mas nunca tiveram coragem ou responsabilidade de encarar a situação. Ou seja, ossos do oficio que eles por conveniências políticas preferiram não roer. Mas, chega uma hora que não dá mais para segurar. E quando o responsável maior é obrigado a enfrentar a situação, vai ter que roer.  É isto que ocorre atualmente. Bolsonaro, com suas "feras", vai ter que roer direitinho e sem se entalar. É o  sucesso do seu governo que está em jogo. Exige muita negociação. Exige competência politica. Exige, por fim, espirito democrático.

A outra bandeira do Governo, que é a do Pacote Anticrime, vai ter que ser, igualmente,  bem negociado. O que não falta é político maquinando formas de boicotar o projeto do Ministro Moro. Todos têm "rabo preso", minha gente! Está na hora de provar, mais uma vez, sua competência, Caro Ministro. Boa sorte! Estamos torcendo. 
Enquanto isto, o povo continua desempregado, a economia se segura numa gangorra e os investidores esperam resultados positivos que não pintam no horizonte. Pra onde vamos?  

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens 




sexta-feira, 22 de março de 2019

Tempestades de Ódio

A semana que passou foi repleta de muitos dissabores sociais. O ódio dominou o dia-a-dia de localidades em várias pontos do mundo, inclusive no Brasil.
Deste meu posto de observações, tenho a sensação de que o sentimento do amor está entrando em falência. Percebo, com frequência,  que até mesmo o simples ato de amar vem acontecendo sem a pureza, o prazer e a dignidade do passado. Isto porque, de modo não raro, vem secundado por disputas interpessoais explicitas ou veladas e traduzido por interesses outros, resultando no desvirtuamento do real objetivo de amar. E não me refiro, apenas,  ao ato de amor entre dois indivíduos. Muitos são os grupos familiares nos quais esse comportamento adverso se reproduz, quando entram em jogo interesses materiais que terminam por levar à desunião e aos rebatimentos de desajustes sociais, já que os traumas domésticos são levados ao meio social e resultam nas bases de desajustes sociais, que proliferam no mundo moderno, gerando o que denomino de tempestades de ódio.
Naturalmente que não sou ingênuo ao pensar que estas coisas só ocorrem nos tempos atuais. Não. Nada disso. Disputas e interesses pessoais, sociais e políticas (tribos e nações ) sempre existiram ao longo dos séculos. Contudo, o avanço das ciências e da tecnologia trazendo a modernidade das coisas ao mesmo tempo que oferecem aos seres humanos inestimáveis bônus cobram, em troca, pesados ônus. Esta parece ser uma verdade indiscutível. A cibernética tem contribuído decididamente.
Mas, isto é coisa para ser analisada com melhor forma e competência por quem é cientista ou psicólogo social, coisa que passa longe da minha cabeça.
Mesmo assim, é difícil entender atos tresloucados de indivíduos mal-amados ou de caráteres mal formados que povoam o mundo moderno. Ataques massacrantes como o que assistimos no Brasil (Susano/ SP) e na Nova Zelândia, na semana passada, chocam e comovem pessoas de sãos juízos e construtores da paz. Doloroso o caso daquele jovem de 17 anos que, com um comparsa de 25, invadiu a Escola Raul Brasil (Suzano), na região metropolitana de São Paulo, chacinando pessoas inocentes, destilando ódio e descarregando recalques acumulados ao longo da curta existência. Espantosa a frieza do terrorista australiano que matou 49 pessoas e feriu mais 20, com rajadas de potente arma de fogo, em mesquitas muçulmanas na cidade de Christchurch (Nova Zelândia). Este último, aliás, abusando da moderna internet e com frieza e crueldade visceral transmitiu ao vivo e a cores escarlates a ação brutal que cometeu. Para completar o "festival" de ódio do período, outro terrorista, de nacionalidade turca, cometeu um atentado num trem urbano, em Utrecht  na Holanda, matando três pessoas e ferindo outras sete. 
Tributo às vitimas do massacre em Suzano (SP-Brasil)
Vez por outra,  comento ataques extemporâneos e trágicos. Lembram do ataque num show musical ao ar livre em Las Vegas, no ano passado? E o daquela escola numa cidade próxima a Miami, ano passado também, que vitimou 17 pessoas entre estudantes e professores? E o daquela escola em Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011? São alguns casos,  entre muitos outros, que ocorrem pelo mundo afora provocando consternações profundas. 
São todos episódios ligados à cultura do desamor, semeada em ambientes sociais pouco preparados para educar e conduzir os jovens por uma senda de paz. Nesse exemplo recente, o rapaz de 17 anos, Guilherme Taucci Monteiro, principal terrorista, na escola de Suzano, era um indivíduo marcado pelo desamor desde que nasceu. Filho de uma viciada em drogas e vida desregrada e, por isto mesmo, alvo constante de bulling entre seus colegas de escola, foi criado pelo casal de avós maternos certamente desprovidos de condições adequadas e de real afeto e carinho. Ausência de amor familiar. Para agravar a vida do rapaz, a morte recente da avó exacerbou seu desequilíbrio emocional provocando a decisão de embarcar nessa aventura, com um parceiro também insatisfeito com a vida que levava.  Ambos alimentavam desejos de se tornarem personagens famosas com esse feito macabro. Tem gosto pra tudo entre o céu e a terra. 
Temo que a cultura do ódio tome conta das sociedades e o mundo caminhe para uma conflagração social muito mais dramática do que as "corriqueiras" guerras entre tribos e etnias, famílias e  nações.
Nesse quadro desolador não é motivo de surpresa quando um jornal europeu  (El País, da Espanha) noticia que morrem mais pessoas assassinadas no Rio de Janeiro do que na Guerra da Síria. Que horror.  
O mundo precisa - nós precisamos - trabalhar intensamente, desde nosso ambiente familiar, para que sejam gerados filhos desejados, amados e queridos e que prezem a cultura da paz e do amor. Afinal, a paz começa dentro de cada um e nas nossas casas. 

NOTA: Foto colhida no Google Imagens 


sábado, 9 de março de 2019

Quarta Feira Ingrata

O problema do Capitão foi o de não ser atualizado sobre os novos e “modernos” costumes sociais de Pindorama. Se fosse noutros tempos, quando o ex-presidente era levado às capacitações atualizadas de novas formas de relacionamentos humanos, nada disso teria acontecido. É nisso que dá quando o sujeito se importa no que mais importa e deixa os modos sociais de vida, periféricos, na barra do sem importância. Foi hilário ele se interessar pelo termo Golden Shower. Eu também não sabia! Fiquei sabendo depois de o Capitão ser informado. Bom, claro que esse assunto animou a Quarta-Feira de cinzas das tribos nacionais, sobretudo os integrantes das comunidades LGBT e similares. E a oposição raivosa e inconformada.
Isto deve ser preocupação de um Presidente de Republica? Pode sim. Qual o cidadão de boa índole e princípios morais que não se escandaliza com uma cena – em público – de dois “artistas” (é assim que esses indivíduos se classificam) desenvolvendo performances obscenas a titulo de folia? Carnaval é festa democrática e serve para a turma soltar suas frangas e se esbodegar em publico. Mas, tudo tem limites. Num país sério essas modernidades são tomadas de forma parcimoniosa e a sociedade cresce moralmente.
Não! Nada contra as preferencias sexuais de cada individuo. Mas, por favor, tranque-se num quarto e dê vasão às suas tesões pessoais. Muito mais saudáveis e mais prazerosas. Afinal não precisa se preocupar com agradar um público.
Imaginemos que um casal de artistas, hétero, resolvesse subir a um palco, no meio da rua e em pleno carnaval, e tacasse fazer amor, diante de uma plateia. Ou se um desses “artistas” fosse a publico se masturbar. O mundo cairia sobre a cabeça deles. Praticando uma coisa antiga dessas no meio de um publico? Coisa mais sem graça! O bom é apresentar novidades. Escandalizar.

Lula se capacitando para se modernizar.
Fala-se de um certo Anthony Gormley, artista plástico britânico, que, há bom tempo, prega uma tese de que “o papel do artista é fomentar a revolução, não confirmar o status quo”. Segundo esse cidadão a boa arte deve fazer você se sentir perturbado, até mesmo desafiado, e não se encaixar no seu cotidiano.
Quem manda Bolsonaro não frequentar exposições de artes modernas, como aquela que ocorreu em São Paulo, no ano passado, quando um “artista” posou nu e se deixou tocar por menininhas inocentes acompanhadas das mães tresloucadas? Quem manda Bolsonaro não participar de capacitações como o Lula teve o cuidado de participar?
Se toda quarta feira de cinzas é tida como ingrata, a do Presidente ficou mais ainda. As mídias nacional e internacional prorrogaram a folia e fizeram a maior festa.
Ligue não Capitão. Sua rede social, segundo noticia-se, ganhou mais de duzentos e cinquenta novos seguidores.
Agora, cabeça no lugar e toque pra frente o País. Faça o que prometeu.

NOTA: Foto o obtido no Google Imagens. 
   

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Laranjal Político

Logo que ouvi falar sobre candidaturas laranja de mulheres no PSL, acendeu-me uma luz de alerta e arrisquei dizer que essa tramóia acontece a “três por quatro” em todos os partidos e nas muitas coligações partidárias. Os spots acesos sobre o PSL ficou pelo fato de ser o partido do Presidente Bolsonaro que não sai da berlinda midiática.
Acontece que desde 1997, a legislação eleitoral brasileira exige que partidos ou coligações apresentem, nas suas listas de candidaturas, uma cota mínima de 30% de mulheres. E por conta disto partidos e coligações têm rebolado para cumprir a legislação. Caso essa determinação seja desobedecida a lista apresentada é impugnada.  

Façamos ideia do rolo que isso representa na administração dos partidos. Principalmente nos partidos ou coligações nanicas como existem no Brasil. Ora, numa sociedade machista e cheia de ranços preconceituosos, poucas são ainda as mulheres que se aventuram no cenário da política partidária. É coisa pra homem, mulher não entende disso e a experiência com Dilma foi taxativa.

Na prática, não existe partido que cumpra essa determinação legal de forma satisfatória. E tem, quando forjam as chamadas candidaturas laranja. 
Se a coisa se apresentava sempre como problemática, piorou ainda com a criação, no Governo Itamar Franco, do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), que teve o cuidado de  assegurar às candidaturas femininas 30% dos recursos desse Fundo. Essa amarração terminou dando um rolo maior.
Sem candidaturas verdadeiras e diante da obrigação de fechar nos 30%, partidos e coligações foram às ruas catar “candidatas”. Dona Zefa, Maria, Iracema ou Penha e as colaboradoras de secretaria e  copa do Partido entraram na vibe da candidatura laranja, ainda que sem vocação, sem entender bem da coisa e na maior inocência serviram de receptoras de recursos do Fundo Partidário com o compromisso de repassá-los aos candidatos de fato, seus “padrinhos”, fortalecendo a musculatura das suas campanhas. Essas “prestadoras de serviço laranjais” eram gratificadas com alguns trocados, sorriam de alegrias e ponto final. Assim, fácil e descaradamente.

Mas, na “peneira” dos tribunais eleitorais os resultados das urnas e as prestações de contas das laranjas sobram na malha fina revelando as tramoias cometidas. Falsas comprovações, prestadoras de serviços fantasmas e resultados pífios nas urnas. Agora, no apurado dos votos e dos desvios das verbas partidárias, as candidatas laranja são chamadas para se justificar e, sem argumentos, botam a boca no trombone e assustadas delatam as aventuras que foram levadas a viver. Tem nego eleito na maior “saia justa”. Mais do que eleito tem até Ministro de Estado.

 E, não foi apenas no PSL. Já tem outros casos de outros partidos. Acredito que em todos foram cometidos desses deslizes eleitorais. Investigações neles! O Brasil precisa passar a limpo isto, também. 

Pensando bem, existem candidaturas de fachada e sem futuro desde sempre. De candidatos homens ou mulheres. Lembro que conheci um cidadão que, toda eleição, se candidatava a vereador ou deputado, dependendo da ocasião, por pura diversão e por malandragem de ficar liberado das obrigações de funcionário público durante o período eleitoral. Claro que nunca levou. Saiu sempre derrotado, mas chegou a receber alguns apoios financeiros de tolos e teve três ou seis meses de “férias” a cada eleição. Outro caso foi o do entregador/vendedor de água mineral, na região central do Recife que, crente da popularidade que cultivou junto aos seus fregueses, embarcou numa candidatura de Deputado! Era uma piada nas redondezas que atuava. Conclusão: no primeiro caso se tratava de um verdadeiro "sabidão" e no segundo um puríssimo inocente.   

Por fim, fica evidente, nessas horas, a necessidade de uma reforma política tantas vezes almejada. 
Muito bem, enquanto isto, não deixe de aproveitar o carnaval que começa amanhã. Pulando em blocos nas ruas ou descansando, aproveite e carregue as baterias porque no dia 7 de março o ano vai começar.  

NOTA: Foto obtida no Google Imagens  

         

Pernambuco das Paixões

Epaminondas Mendonça  (1897-1970) Quando meu avô materno – Epaminondas Mendonça – reuniu a família, na Vila de Fazenda Nova (PE), inici...