sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Defendendo nossa Cultura

“Quem é de fato um bom pernambucano/espera um ano/e se mete na brincadeira/ esquece tudo/quando cai no frevo/e no melhor de festa/chega a quarta-feira”. Isto é verdade, quando dito e cantado ao som de uma bela orquestra de frevo, pernambucana da gema.  É parte do frevo canção de Luís Bandeira, de saudosa memória. Lembro disto nesses dias que antecedem o carnaval, coisa que mexe com todo bom pernambucano. Já fui um grande folião. Quando os clarins soavam à distância anunciando a chegada de Rei Momo, muitos antes de Zé Pereira, eu já estava a postos para curtir a folia que reinava na minha cidade. Era bem dentro do espírito do “entra na cabeça/depois toma o corpo/ e acaba nos pés”, imortalizados versos de Capiba, no frevo canção “Voltei Recife”. Bons tempos, os dessas canções, que já não voltam mais.
Luis Bandeira e Capiba ladeando Claudionor Germano, o maior interprete das canções dos dois
Desde os anos 60 do século passado  e inicio deste século 21 os festejos carnavalescos do Recife têm passado por fortes transformações suscitando muitas controvérsias dos estudiosos das manifestações culturais locais. Nos anos 60, a tradicional forma de festejo popular, no Recife, foi aos poucos perdendo a forma espontânea e tradicional, com o re-surgimento do entrudo que se instalou – lançamento de água, gomas, talcos, graxas, tintas etc – provocando muita violência e anarquia. Tudo em substituição ao belo e tradicional corso, com batalhas de confete e serpentinas, lança perfume e águas de cheiro. Os foliões fugiram das ruas, os blocos históricos se afastaram daquele mela-mela e o chamado carnaval de rua perdeu em muito sua beleza. Foi aí que os bailes de clubes dominaram até que o entrudo veio a ser proibido. Por longo período rolaram quatro noites de estrondosos bailes em salões fechados.
Contudo, como cultura é coisa enraizada na mente popular, o carnaval de rua voltou com força, em tons civilizados e fiéis à alegria geral. Isto a partir dos anos 80. Foi em Olinda que a coisa ganhou mais espaço. Surgiram blocos carnavalescos bem estruturados e hoje estamos experimentando novos tempos, embora que, muita coisa, ainda, mereça retoques. Tenho sido muito critico, nesses últimos tempos.
Infelizmente, quando o carnaval de rua voltou com força, alguns erros imperdoáveis foram cometidos. O governo municipal petista, por exemplo, na sua conhecida estratégia de faturar “por fora”, resolveu promover um tal de Carnaval Multicultural introduzindo atrações alienígenas – sem qualquer vínculo com a cultura pernambucana – para “animar” os festejos. Cachês altíssimos eram pagos em detrimento dos valores locais, seguramente, muito mais adequados à cultura do nosso povo. Dos ditos cachês altíssimos rolava uma boa grana por “debaixo do pano”, conforme se soube depois. Foi desse modo que empurraram, no ingênuo público, uma salada indigesta de achés, pagodes, boleros, funks e  rock, em pleno carnaval da terra do frevo e do maracatu. Por conta disso criou-se uma geração que abomina o frevo, o maracatu e os cabocolinhos. Um desastre irreparável.
Acompanhando de perto os festejos deste ano – ficarei por aqui – já observo algumas iniciativas louváveis. A Prefeitura do Recife está empenhada em contratar somente valores artísticos locais, a exceção de Elba Ramalho (a paraibana mais pernambucana que se tem noticia). Corretíssimo! 

A "pernambucana" Elba Ramalho.
Nada melhor do que pernambucanos para animar o carnaval de Pernambuco. Será assim nas ruas e foi desse modo no Baile Municipal, realizado na semana passada. Estou aplaudindo e me sentido feliz com essa atitude. De alguma forma e criticando os erros cometidos, dei minha contribuição para essa restauração. Estou encantado com a belíssima iniciativa de promover no espaço do Aeroporto dos Guararapes uma recepção deslumbrante para os que desembarcam nesta semana de carnaval. Clique em:  https://www.facebook.com/girley.brazileiro/videos/1516893591742836/ . Com muito frevo, passistas, trapezistas, orquestra de frevo, sobrinhas coloridas e muita alegria. São provas concretas do compromisso com a cultura local de quem, atualmente, governa o município e o estado.       
Porém (sempre tem um porém!), como nem tudo foi corrigido, não posso deixar de criticar o que ocorre, ainda, em certos pontos, que insistem trazer artistas de fora para alegrar nossas festas. A propósito disto, registro a infeliz atitude, recente, da direção do Clube Internacional do Recife de transformar seu famoso Bal Masquê (a mais antiga e tradicional prévia de gala do Carnaval do Brasil!) num mero show de baixíssima categoria com “artistas” inexpressivos no nosso meio social.

Jojo Toddynho e seus airbags. Cantar que é bom, não sai nada que preste.
Pensar em animar um público, que foi atrás de carnaval, com coisas patéticas e grotescas – Jojo Toddynho, Preta Gil e um outro funkeiro – foi de mau gosto e infeliz. Mesmo tendo incluído outro nome de respeito na programação a coisa desandou. Soube que rolou a maior vaia. Acho é pouco. O motorista de um casal amigo foi com a namorada (secretária domestica do mesmo casal) e achou um despropósito as apresentações e as pornografias declamadas.
Mas, ainda é tempo de salvar nossa cultura. Vamos aguardar com paciência porque o desmonte foi arrasador e exige tempo para resgatar. Tem jeito. Vamos brincar defendendo nossa tradicional cultura.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.    

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O ano já Começou

Mesmo em tempo de recesso, o Blogueiro não deixa de observar as coisas que rolam no entorno, na sociedade, na economia, na política nacional e, claro, no meio do mundo. Dizem sempre que o ano, no Brasil, só começa depois do carnaval. E a moçada leva a sério, o que não deixa de ser um equívoco.  Este ano, porém, não foi bem assim. Já começou e começou pesado. O julgamento do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, num Tribunal de Segunda Instância, em Porto Alegre, mobilizou a Nação de canto a canto, num clima de expectativa sem precedentes. Tanto o julgamento quanto o resultado, com uma condenação acachapante do réu, teve o poder de tirar todo mundo do dolce farniente deste verão.  Ou seja, o ano já começou de verdade em 24 de janeiro, dado a turbulência política reinante levando a que a Nação se ligasse antes do habitual no “rame-rame” costumeiro dos últimos anos. Também, pudera com um caso inédito como foi... Tive muita vontade de interromper o recesso, mas, segurei até hoje.
Essas coisas da atual política brasileira não acontecem por acaso. Na verdade faz parte de um longo processo de aperfeiçoamento das relações políticas desse “continente” que é o Brasil e que remonta desde a instalação da República. Revoluções civis, governantes despreparados, golpes de Estado, ditaduras civil e militar, eleições democráticas, impedimentos de mandatos são as experiências que se acumulam. Na prática, fica claro que não se administra um país tão grande e tão cheio de disparidades socioeconômicas, sem conflitos e dores, avanços e retrocessos. No fundo, no fundo, é benéfico aprendizado. Um dia chegaremos ao equilíbrio. Pode ser logo ou muito depois. Mas, pode.
Conversando, recentemente, com um amigo do tipo que eu chamo de “lido e corrido” (cidadão com muitos quilômetros rodados mundo afora, critico literário, cientista político refinado, apartidário, democrata e republicano) chegamos à conclusão de que todo esse “cataclismo” político que estamos vivenciando terá que resultar – cedo ou tarde – num aperfeiçoamento sociopolítico sonhado. É preciso sofrer para aperfeiçoar... Mesmo que políticos indecentes e cretinos insistam atuar nas altas esferas da República um dia poderão ser neutralizados pelos comprometidos com o povo e a Nação. Temos que alimentar esperanças. Nessa hora, recordamos de uma afirmação atribuída a Ronald Reagan, quando presidente dos Estados Unidos: “A política é supostamente a segunda profissão mais antiga do mundo. Vim a perceber que tem uma semelhança muito grande com a primeira.” Pois bem, quando deixarem de ter essa semelhança o nosso mundo pode mudar. É difícil, sabemos, mas, esperemos que o eleitor sendo educado e cansado de ser explorado venham distingui-los.
O que mais dói, nisso tudo, é como essa situação de instabilidade político-econômica consegue abalar a sociedade e as organizações, haja vista para o que se vive no Brasil de agora. Mergulhado na maior crise da História, o brasileiro assiste perplexo a desarrumação econômica, que se rebate de forma violenta em todas as atividades sociais e econômicas. O estrago foi sem precedentes e justo num momento em que o resto do mundo se comporta em expansão (inflação baixa, juros tendentes a zero, crescimentos a vista entre outras variáveis) ao se recuperar da crise de 2008. O Brasil perdeu esse trem da História. Fomos ludibriados com aquelas história de marolinha... Empresas se derretem, empregos desaparecem, mercado perde a dinâmica e o caos se implanta. Estima-se que vamos levar uma década para alcançar o ultimo vagão do trem que passou. Tudo por conta de uma infeliz escolha de líderes forjados em teorias e sistemas de governo superados, apesar de amplamente testados e abandonados por outras economias mais inteligentes e competitivas. Esse mundo inteligente e experiente avançou e escolheu o inexorável caminho da democracia neoliberal, enquanto alguns países despreparados politicamente, como o Brasil, se postaram em pontos fora da curva virtuosa e hoje amarga o dissabor da derrota social e econômica. Aqui na América Latina foi um clamor!
Curioso ainda é como esse estrago geral abala, até mesmo, núcleos de muitas famílias brasileiras. Não raro, as paixões políticas tomaram o lugar de outras paixões. Do futebol, por exemplo. Essas questões político-partidárias vêm eclodindo da maneira estúpida e com mais furor e rancor, entre membros de um mesmo clã. Mesmo aqueles bem estruturados e educados para viver em harmonia. Sei de histórias dolorosas e até preocupantes. São fraturas desnecessárias que tendem ser levadas para o resto das vidas, por razões sujeitas à mudanças constantes e sem futuro seguro. Magalhães Pinto, velha “raposa” política de Minas Gerais, disse um dia que “a política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. E é mesmo! Já vi coisas inacreditáveis. Para essas pessoas apaixonadas, por essa ou aquela corrente política, o adequado é saber usar da inteligência, para não passar por ignorante e aprender a viver democraticamente, isto é, saber escutar e buscar espaço para defender suas teses, sem paixões ou agressões, em nome da paz e da concórdia. Quebrar  vínculos familiares é burrice extrema, até porque uma nação se constrói com base nas Famílias. As unidas e consolidadas é óbvio. 
Bom, prá terminar esta conversa de ano novo, não custa nada lembrar que viver em Democracia exige bom intelecto, bem como inteligência emocional. Isto anda faltando no Brasil e em muitos brasileiros que se acham bem formados. Conheço alguns e de muito perto.

NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Natal Cristão


Nada melhor nesta vida do que viver em PAZ e HARMONIA. Nesta época de Natal, como num passo de mágica, é exatamente isto que pregam os homens e as mulheres de boa vontade. Paz e Harmonia que, na verdade, deviam perdurar ao longo dos doze meses de cada ano e que infelizmente se dissipam com o passar dos dias.
Nesses dias do Advento, então, todo mundo se mobiliza para confraternizar e expressar o amor que alimenta e a harmonia que pretende construir, numa forma concreta. Interessante é que a mais  prática é exercitar o tradicional corre-corre às lojas e escolher um presente para alguém querido ou querida ou catar lembrancinhas para outros menos importantes, com tanto que se cumpra o ritual natalino. Tornou-se cultural expressar materialmente o amor e a harmonia, quando um abraço fraterno poderia ter um efeito igual ou maior. Outra preocupação são os cuidados exigidos pela montagem da Ceia Natalina. Peru, Tender, Panetone ou uma mesa de típicas regionais? Não importa. O que vale mesmo é o encontro da família e amigos. Roupas novas, sapatos lustrosos, presentes para crianças, adultos e idosos. Besteirinha para quem chega de repente e traz outra besteirinha. É interessante. Às vezes causam ansiedades. Em alguns países a troca de presentes, lembrancinhas ou besteirinhas se dá na Noite dos Reis Magos (6 de Janeiro) fazendo referencia aos presentes dos Reis do Oriente que levaram ao Jesus Menino ouro, mirra e incenso.  
Curioso é que essa euforia é quase sempre tão grande, ao ponto de fazer com que os convivas deixem passar despercebida a razão maior dessa esperada data: o Nascimento de Cristo Salvador. A bebida rola frouxa e os estômagos se empanturram sem que Ele seja lembrado. Bom seria que a imagem do aniversariante pontificasse em cada sala de festas. Bom seria louvá-lo e agradecê-lo pelo momento de união e pelas graças alcançadas no decorrer do tempo. Cantar, nem que seja, um simplório Parabéns Pra Você! Sim! O popular e mundialmente conhecido. Pode parecer tolo. Mas, cai bem no ambiente festivo. Garanto que todos cantariam.
Caro leitor, estimada leitora, nesta próxima noite de Natal, façamos um momento de oração, unamos nossos corações numa comunhão cristã e com o propósito de semear a PAZ e a HARMONIA que todos precisamos nos tempos por vir. Lembrando, inclusive, que a paz começa em cada um de nós. Católico ou Crente de qualquer outra rama cristã lembre-se Dele com Fé e Esperança. Mais do que nunca precisamos de momentos de reflexão, lembrando sempre que a vida é vivida de momentos. Valorizemos os momentos sublimes.
Outra sugestão, para antes da festa familiar, lembrar que enquanto muitos se fartam com ricas mesas, outros muitos, muitos mesmo, passam a noite sem que, ao menos, se lembre do seu significado e carecendo de algum alimento. Ser Cristão nessa época é ter piedade e espírito solidário levando uma contribuição para que proporcione a alguém um Natal ameno e sem Fome. Procure algum necessitado – sempre existe ao nosso redor – deseje um Feliz Natal, com um abraço ou simples aperto de mão. Ofereça algum alimento. Adoce as bocas dos filhinhos que tenham. Faça isto em nome de Jesus. Cada bolacha ofertada ou presente que for dado, simbolicamente, é dado a Ele na comemoração da sua data natalícia.
Finalizo percebendo que falei com o coração. Preferi não fazer o relato/balanço do Blog que anualmente faço e encerro desejando um Feliz Natal com familiares e amigos e que 2018 nos renda pautas mais amenas e com claros sinais de sucesso econômico e paz política no nosso Brasil.


NOTAS: O Blogueiro entra em recesso dando uma pausa nas emissões de posts até final de Janeiro. Salvo num caso muito especial.
A ilustração foi colhida no Google Imagens.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Olhando pelo retrovisor e buscando o porvir.

O ano está terminando e já vai tarde. Foi difícil pra caramba. Muita gente se perdeu no meio do caminho, inclusive aqueles que se julgavam imunes à crise e, até agora, buscam a saída. Ricos e poderosos foram parar no xilindró. Pobres, coitados, estão mais pobres por conta do abandono do Estado e muitos por conta do desemprego. O país entrou em seguidas convulsões. Pelo meu retrovisor ainda enxergo muito sujeito metido a dono do mundo sendo atropelado pela Lavajato e caindo nas garras da Policia Federal. E a Nação está mergulhada até o pescoço no mar da decepção e do descrédito.
Numa época em que olhamos pelo retrovisor e, ao mesmo tempo, buscamos caminhos para ingressar num novo ano com mais vigor e esperanças é impossível não se apartar dessas maluqueiras que assistimos e que não param de surpreender. Ainda existe muita coisa sem reposta plausível.
A esta altura de Dezembro, quando os sinos do Natal sugerem um tempo de paz e os augúrios para um Novo Ano são indispensáveis, fico matutando e imaginando a respeito deste 2018 que se aproxima. Como será que vamos transpô-lo? Não quero ser pessimista. Longe de mim. Mas, também, está fora do meu jeito de ser ficar dando uma de alienado.
Sendo assim, ando preocupado com o desenrolar de alguns eventos anunciados, como Copa do Mundo e Eleições gerais. Pense que caldo essas duas coisas vão produzir no novo ano. Haja emoções.
Na Copa, segundo dizem, os Cartolas da famigerada FIFA já se comprometeram de fazer o Brasil Campeão. Ou seja, corrupção explicita. Esses caras são descarados. Que graça vai haver numa coisa dessas? Mas, o brasileiro que está habituado à corrupções continuas vai achar normal e legal. Os políticos vão deitar e deslizar nessa maionese. E o pior, mesmo sabendo dessa tramóia, vou torcer pelos canalhinhos (o corretor de texto está insistindo que eu corrija e escreva canarinhos!) dando uma de tô-nem-aí. Afinal, pelo que dizem, foi sempre assim... Vendemos a Copa de 14 para os alemães e compramos a da Rússia por antecipação. Será que vai ser assim mesmo? Vamos esperar para conferir. 
Quanto às eleições gerais são outros quinhentos. Essa panela, que é de alta pressão, pode até explodir. Estou preocupado. Olhando, outra vez, pelo retrovisor me admiram essas pesquisas que vêm sendo divulgadas nas redes sociais dando vitória liquida e certa para o “Sapo (corruuuuuupto) barbudo” – que Deus nos livre – ou para o Boçalnaro – que Ele nos livre, também – são diagnósticos que arrepiam qualquer sujeito de são juízo. Onde vamos parar? Que dilema se essas duas figuras forem ao segundo turno! Prefiro não acordar desse pesadelo.

Pobre Brasil, triste Nação. Desconjuro, como diziam vovó! Aí, minha gente, na altura dos meus avançados tempos, só vislumbro duas alternativas: chorar ou rir. Chorar por não haver assistido – até agora – a consolidação do meu Brasil com Ordem e Progresso e rir por haver escapado das atrocidades que esses políticos indecentes me submeteram. Tem horas, que prefiro quebrar o retrovisor. Por exemplo, quando lembro do presidente Collorido, caçador de marajás, que com a viúva de Chico Anísio surrupiaram minha poupança (naquela ocasião eu havia aplicado o apurado na venda de um valioso imóvel!) deixando-me com uma mixaria na conta. Nem sei como não enfartei naquela hora.
Apesar disso tudo estamos firmes e fortes. O Brasil é muito maior do que esses salafrários e parece que Deus é mesmo brasileiro. Simbora prá frente! Que venham 2018!     

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

         

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Falta de Profissionalismo

Dias recentes uma notícia alarmante chamou atenção dos brasileiros e, certamente, de estrangeiros ligados às coisas do Brasil. Refiro-me ao resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e publicado no que eles denominam de Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil dando contas de que em torno de 829 brasileiros morrem – diariamente –  nos hospitais públicos e privados do país por causas perfeitamente evitáveis. É algo assustador! Equivale dizer que a cada cinco minutos morrem 3 brasileiros por motivos banais e irresponsáveis. É a segunda maior causa de morte, atrás somente das doenças cardiovasculares. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, aproximadamente, 950 pessoas morrem por dia por esta causa.

Imaginem que por essa conta, em 2016, 302.610 brasileiros morreram por “evento adverso”, como denominam esses casos, no meio médico. Os motivos apurados foram coisas do tipo: erros de dosagens administradas, troca de medicamentos, medicamentos vencidos ou deteriorados, uso incorreto de equipamento, negligencia de profissionais, infecção hospitalar, entre outras causas inadmissíveis e banais. Coisas perfeitamente evitáveis, segundo os pesquisadores.
Aí está o que sempre venho dizendo: falta de profissionalismo do brasileiro. Tanto no meio médico como em várias outras atividades. Não tenho – pelo menos hoje – parâmetros mundiais para fazer uma comparação do caso em tela. Mas, nem por isso será motivo de relevar essa absurda constatação. Até quando viveremos nessa cultura do tô-nem-aí ?
E tem mais: fora os óbitos contabilizados, outro contingente de enfermos se salvam da morte, mas, restam com sequelas que os impedem retornar às atividades comuns, gerando frustrações e desequilíbrios psíquicos, além de elevado custo assistencial. Segundo a Pesquisa, em 2016, dos 19,1 milhões de internados nos hospitais brasileiros 1,4 milhão “recebeu alta” com sequelas irreparáveis.
por outro lado, entre os “eventos adversos”, um deles se destaca e se refere à “praga” da infecção hospitalar! São responsáveis por 14,7% das ocorrências indesejáveis. É doloroso saber que nos casos de óbitos, nos quais as infecções são mais comuns, resultam num alto grau de gravidade pelo seu caráter sistêmico. Ou seja, altamente transmissíveis e difícil de ser erradicada. Conheço pessoas que temem muito mais uma infecção hospitalar do que uma moléstia grave.
Há exatos dois anos fui submetido a uma cirurgia de grande porte para re-vascularizar meu músculo cardíaco. Sofri um infarte e fui levado dias depois à mesa de cirurgia. Da operação em si, posso afirmar que tudo me ocorreu às mil maravilhas e dada a competência da Equipe Médica. Não senti uma dor, por mínima que fosse, e hoje conto a história. Meu drama do pós-operatório ficou por conta de um “inferno” chamado UTI e, mês depois, uma tremenda infecção hospitalar de dentro para fora da minha caixa torácica. Uma desagradável surpresa, misturada a uma revolta sem tamanho. Como um hospital de referencia, no polo médico do Recife (tido como o segundo do país) pode ocasionar tamanha barbaridade? Operado em Novembro, somente em Março do ano seguinte fui tido como livre da “praga”. Lembro que na fase de recuperação, num apartamento do Hospital, o entra-e-sai de assistentes era simplesmente irritante. Aferiam minha pressão arterial incontáveis vezes por dia e tiravam meu sangue para medir a glicemia de duas em duas horas. A propósito disso, meus dedos ficaram iguais à tábua dos pirulitos de Seu Biu, que passava na minha casa, quando criança. Injeções e comprimidos? perdi a conta! E, no meio dessa “balburdia”, a mulher da limpeza, com um acintoso par de luvas infectadas de sujeiras hospitalares, claro, passava a mão na mesma maçaneta da porta que a enfermeira me prestava seus serviços de atenção e administração de medicamentos. Coisa de louco. Minha esposa que é Médica, e não me largou um só instante, querendo dar jeito nessa confusão insalubre, “declarou guerra” às assistentes e, não precisa dizer, angariou muita antipatia. Vai ver que a infecção que tive foi maldade das “profissionais” revoltadas. Sorte que minha primeira decisão pós-operatório foi acatar o “convite” de ir pra casa, formulado pelo cirurgião assistente que me deu alta no quinto dia de operado. Um alívio!  (leia também: http://gbrazileiro.blogspot.com.br/2016/01/a-qualquer-momento-tudo-pode-mudar.html )
Mas, a propósito de “inferno” chamado UTI, li na semana passada um depoimento de Cláudio Moura Castro, que transcrevo trecho, sob o titulo Abelhas... E quatro dias na UTI (Veja, Edição 2557, ano 50, Nº 47, 22.11.17, pp71) a respeito de sua passagem, de quatro dias, por uma dessas Unidades de um certo Hospital João XXIII. Não sei de onde.  Isso, após ter sido atacado de forma mortal, por um enxame de abelhas, certamente da espécie africana, num passeiozinho campestre, no dizer dele. Pois bem, a tal UTI descrita me fez lembrar a que vivi três dias, aqui no Recife. Segundo Moura Castro, “Dia e Noite brilhavam as luzes. Como os pacientes estão quase todos entubados e parecendo mais pra lá do que pra cá, as dezenas de funcionários e médicos conversavam, sem nenhum esforço para moderar o volume. Alguns falavam de medicamentos, uma do biquíni novo, outra da troca de turno com a colega.” Igualzinho à “minha” UTI. Relembrei minha fatídica experiência, em 2015. Não desejo a ninguém passar pelo que passei.
Os profissionais da área médica brasileira precisam urgente receber um choque de gestão hospitalar humanizada, respeitando o paciente e fazendo da sua profissão um nobre sacerdócio.

NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens 



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Além de Cartagena

Eu já havia dado por encerrado meus comentários sobre a recente ida à Colômbia, quando dei por conta que me escapou contar um pouco de algo extremamente atrativo para quem por lá andar e precisamente por Cartagena de las Índias. Pois bem: aquela região do Norte colombiano, banhada pelo Mar do Caribe, se torna mais atraente ainda quando focamos as ilhas e praias paradisíacas, espalhadas pela mãe Natureza na imensidão daquele avanço do Atlântico pelas terras do Novo Mundo, ora chamado de Golfo do México, depois Mar das Caraíbas e contemporaneamente de, simplesmente, Caribe.  Faça ideia, caro leitor ou leitora, de um mar com sete tonalidades de azul, no qual Deus caprichou ao salpicar porções de terra firme, cercadas dessas águas deslumbrantes. E tudo bem aproveitado turisticamente.  
Partindo de Cartagena, incontáveis lanchas ou barcos de diferentes portes conduzem levas de turistas, ávidos por aproveitar o sol, as praias tentadoras e muitas piscinas naturais. Claro que, com familiares e amigos, não deixei de aproveitar a oportunidade. E, Al Mare nos lançamos.
Lanchas rápidas fazem o trajeto entre Cartagena e as ilhas caribenhas.
Os colombianos estão muito bem preparados para operar a logística dessa vantagem comparativa turística que dispõem. Sabem desfrutar indiscutivelmente porque, afinal, não é todo país que tem esse privilegio de ser banhado por um dos mais famosos mares do planeta.
Existem diferentes formas de aproveitar um desses passeios: comprar o tour mesmo antes de chegar à Colômbia, fazer uma reserva e agendar na recepção do hotel onde hospedado, comprar o programa em algum restaurante (fizemos assim) ou ir diretamente ao Muelle de la Bodeguita, na área portuária de Cartagena, onde vários guichês atendem aos turistas interessados. Você pode optar por um programa bate-e-volta de um dia, que inclui translados de ida e volta mais coquetel de boas vindas e almoço ou, então, se sua intenção for de permanecer mais tempo, reservar uma hospedagem, levar sua bagagem e se instalar.     
Muelle de la Bodeguita. Observe uma bandeira do Brasil num barco ancorado.
Dessa vez fizemos um programa de um dia e elegemos a Ilha do Pirata, situada no arquipélago das ilhas do Rosário. Na verdade, existem outras várias opções e de grande demanda. Contudo, nossa escolha foi interessante e conveniente, pelas dimensões reduzidas da Ilha e pelo pequeno número de visitantes cada dia, 30 no máximo. Outras, como a Playa Blanca de Baru, são públicas e recebem multidões diariamente. Mais do que isso, permitem muitos ambulantes que, aqui pra nós, é verdadeira praga praquelas bandas. A ilha do Pirata, não. É uma propriedade privada explorada pelo próprio dono e extremamente aconchegante. Tem uma conformação insólita, que de pronto chama muita atenção aos que a visitam. Imagine que não tem praias e, ao invés disso, parecendo ser uma formação aflorando no mar é arrematada de piscinas naturais com águas translúcidas e temperatura tíbia que insistem em segurar o banhista nelas mergulhado. Foi Deus que fez assim para o deleite dos que têm a sorte de aportar por lá.
Ilha do Pirata numa vista aérea

Águas tíbias e cristalinas da Ilha do Pirata. 
Curioso é que nessas horas, não deixo de pensar no amadorismo com o qual nossas potencialidades turísticas são exploradas, principalmente em Pernambuco. Nota-se enorme  diferença entre os agentes colombianos e os pernambucanos. Quem sabe, um dia, um diiiia, vamos tomar vergonha e encarar o Turismo como uma mola propulsora do desenvolvimento.  
Piscina natural na Ilha do Pirata
Área social da Ilha com restaurante, bar e área de lazer
Foto da Ilha Pirata tirada através de um Drone. Forma de estrela.

Ocorre-me, por fim, registrar que existem outras ilhas mais movimentadas e com estrutura hoteleira significativa, além das pousadas mais rústicas e muito aconchegantes. Há, também, uma ilha em posição geográfica mais remota – pertencente à Colômbia – que é a ilha de San Andrés, situada ao largo da Costa Rica e Nicarágua. Explorada turisticamente, com magníficos hotéis, cassinos e grande rede de restaurantes. Seu acesso mais comum é por via aérea e atrai muitos turistas. Fora isto, para quem gosta de comprar compulsivamente, tem a tentação comercial de uma Zona Franca muito famosa na região.
Conselho: abra um mapa da região do Caribe e tente quantificar o número de ilhas lá existente. Depois deste conselho, resolvi que direi mais nada e, em compensação, vou rechear o post com fotos – que falam melhor – desse paraíso caribenho. Veja todas com atenção.
Na última foto veja o entusiasmo do Blogueiro diante de apetitoso caranguejo que foi direto para uma panela. Acepipe especial na Ilha. Degustado com cerveja bem gelada.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e da autoria do Blogueiro.      

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Cartagena de las Índias



Herança em estilo espanhol em Cartagena de las Índias
Semana passada, quando publiquei um post falando sobre a Colômbia, onde estive recentemente por dez dias, lembrei que as atrações do país não se limitam àquelas que comentei e encontrei na capital, Bogotá. Outras cidades colombianas se destacam pelas suas riquezas culturais e econômicas, entre as quais: Medellin, Cali, Barranquilla e Cartagena de Las Índias. Escolhi esta para o post de hoje.  Situada à beira-mar do Caribe, Cartagena é um dos sítios históricos mais famosos da Colômbia e do continente. Sua atração turística é indiscutível. Visitá-la equivale a um mergulho na História das Américas.
Embora fundada em 1º de Junho de 1533, pelo espanhol Pedro de Heredia, a região da baía de Cartagena já contava com assentamentos de povos indígenas desde o ano 4000 aC ! Arqueólogos garantem que naquela área, conhecida originalmente de Puerto Hormiga, foram encontradas as mais antigas peças de cerâmica da região.  Importante registrar que foi ali onde os espanhóis estabeleceram o ponto mais importante do trabalho de colonização das Américas. De lá exportavam para Espanha toneladas de ouro e prata, colhidos nas minas do Peru e da denominada região da Nova Granada. No mesmo porto recebiam as maiores levas de escravos trazidos da África e empregados nos trabalhos pesados da Colônia. Essa mistura de raças e culturas seguramente explica a riqueza e diversidade cultural que a cidade ostenta. Imaginemos o caldo social que resultou dessa mistura de indígenas, africanos e espanhóis.  
Bandeira nacional hasteada por todo lado. Orgulho de ser colombiano.
Cartagena foi a capital do Vice-Reinado da Nova Granada, a partir de 1717, que abrangia os atuais vizinhos: Peru, Equador, Venezuela e Panamá. Estes quatro, aos poucos, se tornando independentes depois da independência da própria Colômbia, em 1811. É patrimônio cultural da UNESCO dede 1984. Imediatamente lembrei-me que é tudo ao contrário do que se vê na nossa Olinda(PE). Lá, a condição de patrimônio cultural parece ser levada a sério, haja vistas à preservação do patrimônio histórico, a limpeza da cidade, a primeiríssima rede de hotéis e restaurantes, a deslumbrante iluminação turística e principalmente a forma competente de administrar a atividade turística envolvendo a população como um todo. Tenho pra mim que houve um treinamento geral daquela gente para fazer do turismo a sua forma ideal e honesta de ganhar a vida. Não deve nada às grandes cidades atrações da Europa. Sem duvidas, aquilo lá merece servir de modelo para nossos administradores de turismo, em Pernambuco ou noutras cidades históricas brasileiras.
Com uma população beirando o Milhão de habitantes, Cartagena é composta de vários bairros no entorno da cidade murada (amuralhada, como eles dizem), sendo os mais importantes: o do Getsemani e Boca Grande.  
Ponto de destaque na Cidade Murada. Muito luxo em Hotel e Restaurante.
Beleza iluminada corretamente
A Cidade Murada é sem dúvida a grande atração local. Por lá é onde a cidade acontece. E é para lá que levas de turistas do mundo inteiro se dirigem dia e noite. Com características coloniais, cada rua é um cenário diferente e atrativo. Tudo conservado e transformado em hotéis, bares e restaurantes caprichosos no décor e nos cardápios. Uma parada num café (o colombiano se orgulha da qualidade suave e aroma da produção local), num restaurante para um bom almoço ou jantar e depois assistir gratuitamente a uma apresentação folclórica na Praça Santo Domingo, não tem preço. Fora isto, é impossível deixar de dar um giro nas incontáveis lojas enfileiradas e oferecendo desde os artigos de grife famosas aos ricos e vistosos produtos artesanais da região. Entrar numa rua e sair por outra apreciando o casario, as igrejas e palácios é diversão segura e de encher as vistas dos mais desatentos.  Ah! Um conselho ao leitor ou leitora: quando passar por lá, não deixe de visitar as joalherias de esmeralda – uma especialidade colombiana – e pérolas. São relativamente baratas e, sobretudo, belas.
O bairro do Getsemani, vizinho à cidade amurallada, é também interessante com seus hotéis e restaurantes atrativos. Além do que, oferece a vantagem de não exigir transporte para chegar ao sitio histórico. Já o Boca Grande é mais afastado e tem um perfil de modernidade com arranha-céus e muito movimento devido aos grandes hotéis de bandeiras internacionais, shoppings centers e cassinos à beira-mar. É, sem dúvida, uma visão moderna de Colômbia e também atrativa.  Boca Grande é a Ipanema de Cartagena. 
A beleza dos balcões à espanhola por toda parte.
Uma vista da cidade intramuros e ao fundo o moderno bairro de Boca Grande
Imagem do Por do Sol no Café Del Mar
Para terminar, um especial registro sobre o programa mais esperado pelos visitantes: assistir ao espetáculo do Por do Sol, no Café del Mar instalado na Fortaleza histórica, situada na muralha da cidade e construída pelos espanhóis para proteger a cidade dos piratas e invasores. Imperdível. A coisa é bem programada. Música especial domina o ambiente e parece acompanhar vagarosamente a descida do Astro Rei, no Mar do Caribe. É simplesmente lindo. E naturalmente pedindo um bom trago de Rum, bem colombiano, para baixar de vez o espírito romântico dos corações enamorados.
Eita curtição danada de boa! Foi assim que vivi Cartagena de Las Índias. Bom demais.

NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Viva Colômbia

Estou retornando de mais uma visita à Colômbia. Pela terceira vez, ainda que não seja um destino pouco comum dos turistas brasileiros devido aos estigmas decorrentes das lutas internas, da guerrilha e do narcotráfico, no passado recente. Coisa do passado dá pra perceber, porque a situação hoje é outra e a paz foi selada. É uma história bem conhecida que não vou me ater neste post. Ao invés disso quero comentar sobre as minhas recentes passagens pelo vizinho país. Estive por lá em 2010, quando as coisas se reorganizavam e as FARC concordavam em estabelecer um pacto de paz, alcançado somente recentemente. E agora, na semana passada, quando encontrei um clima de tranqüilidade e um povo leve e solto nos quatro cantos do país.
A Colômbia é um país muito especial devido aos seus traços culturais, sua História, seu povo alegre e hospitaleiro e sua riquíssima diversidade ambiental, composta por paisagens tropicais, praias exuberantes nos lados Atlântico (Mar do Caribe) e Pacifico – aliás, um privilégio ser banhada pelos dois maiores Oceanos, salpicados de ilhas paradisíacas – além da parte montanhosa da Cordilheira dos Andes e boa parte da luxuriante Região Amazônica, com uma floresta invejável. É um dos 17 países de maior biodiversidade do planeta, classificado em terceiro lugar em número de espécies vivas e em primeiro lugar em número de espécies de aves.
Economicamente falando é a quarta economia da América Latina. O PIB do país, atualmente ao redor de US$ 700 Bilhões, tem tido crescimentos significativos nos últimos tempos e em 2007, por exemplo, atingiu a significativa casa dos 8,2%. A base da economia é calcada em petróleo, carvão, ouro e produtos agrícolas, com destaque para o café, tido como o mais suave e saboroso do mundo. Duas outras coisas se destacam na produção e exportações da Colômbia: flores e esmeraldas. Mais de 70% das flores importadas pelos Estados Unidos são colombianas e o país é a principal fonte de esmeraldas do mundo.  Conta atualmente com quase 50 milhões de habitantes com renda per capita de US$ 8 mil, embora que 28% da população viva abaixo da linha de pobreza. Desequilíbrio na distribuição da renda, coisa típica da América Latina.
Visão Noturna da Cidade de Bogotá
Bogotá, a capital do país é uma metrópole estupenda com seus 8 milhões de habitantes, vida cultural intensa, cosmopolita, centro de grandes negócios na Região. Chama atenção a infraestrutura urbana de primeira linha, com avenidas monumentais, trânsito fluido e sistema de transportes públicos bem resolvido. O paranaense Jaime Lener andou por lá dando uma contribuição nesse plano, no inicio deste século.  Situada a 2.800 m. de altitude tem sempre um clima bem temperado o que a transforma num agradável ambiente estilo europeu. Comércio sofisticado, grandes lojas mundiais, centros de compras de grande porte e para completar muitos restaurantes de categoria estrelada. A cozinha andina, que vem se destacando recentemente, tem em Bogotá um dos mais vibrantes centros. Aliás, importante lembrar a rica cozinha típica colombiana que leva o visitante a experimentar do mix de sabores indígenas, africanos e espanhóis. Em estando por lá, impossível sair sem provar uma arepa, um tamal ou um crocante patacón. E, quando o frio aperta a saída é tomar uma canelada quente, que é espécie de quentão, feita com canela em pau, limão, maçã, ervas diversas, vendida, por ambulantes, nas ruas do centro da cidade. Delicioso. Se o freguês desejar pode acrescentar uma dose de Néctar, típica aguardente colombiana com sabor de anis. Imperdível. 
Como se não bastasse tudo isto, Bogotá abriga dois monumentais museus: o do Ouro, que mostra a rica e aurífera arte primitiva dos habitantes pré-colombianos, denominados muíscas, e o Museu Botero que mostra a arte de Fernando Botero, que vem ser a maior expressão contemporânea das belas artes do país. Festejado por todo lado, o artista está eternizado no seu museu e nas reproduções populares das suas esculturas e pinturas. Ele é vivo e mora em Paris.
Peça précolombina exposta no Museu do Ouro
Nos arredores de Bogotá outras grandes atrações turísticas enchem as vistas do visitante, destacando-se entre essas: o bairro da Candelária de arquitetura típica espanhola e caprichosamente preservado; o Monserrate, uma elevação de 3.000 m na periferia da capital e de onde se vislumbra a grande metrópole; a laguna de Guatavita – que guarda no seu fundo um tesouro em ouro, escondido pelos primitivos habitantes, evitando ser levado pelos espanhóis para a Europa –, situada fora a capital, e a majestosa Catedral de Sal, escavada no seio de uma montanha de sal, na localidade de Zipaquirá, situada a 45 km de Bogotá.
Para provar da alegria e da descontração do povo colombiano o endereço certo é o famosíssimo restaurante Andrés Carne de Rés, na localidade de Chia, subúrbio de Bogotá. É único no mundo. Nada igual se encontra noutra parte. Comida de primeira e um ambiente kitsch como em nenhum outro canto. Tem badulaques de toda ordem, seja clássico ou popular num ambiente lúdico e, sobretudo alegre, dominado pelas músicas caribenhas. É outra coisa imperdível e diversão certa.
Nave central da Catedral de Sal, a 40 metros de profundidade da Terra. 


 Mas, a Colômbia não se restringe à Bogotá. Outras cidades são centros de atração certos. Por exemplo, Cartagena de Las índias, a beira do Caribe, sobre a qual falarei na próxima postagem.   
Uma das mais expressivas telas de Fernando Botero (Museu Botero - Bogotá)
 NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e da autoria do Blogueiro.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Futuro Social Incerto


Indiscutivelmente alguns episódios “artísticos” da semana que passou balançaram fortemente a sociedade brasileira com polêmicas diferentes das mais corriqueiras: refiro-me à exagerada exposição do chamado nu artístico no Museu de Arte Moderna – MAM, de São Paulo, e outra exposição no Centro Cultural Santander, em Porto Alegre. Na capital paulista, a título de arte e em meio a outras várias peças expostas, um homem despido posou para um numeroso público, chamando a óbvia atenção dos visitantes, particularmente, várias crianças e adolescentes. Mais do que isto, numa espécie de performance erótica, claro, crianças foram convidadas a tocar naquele desconhecido nu, levando a plateia e a sociedade a um debate caloroso e sem fim.
Eis a cena condenada pela sociedade de são juízo.
Até que ponto aquilo lá pode ser chamado de arte? Até que ponto aquilo lá não foi um estimulo à pedofilia? Difícil de responder, mesmo nos dias de hoje, quando tudo é permitido. Um formidável desafio para a sociedade que se julga prafrentex. Acho que este termo ainda existe... Até que ponto aquela garota que foi induzida, pela própria mãe, a tocar no corpo despido de um homem desconhecido, vai processar incólume essa experiência? Estaria ela preparada para essa exposição pública? Reagirá, mais adiante, a um eventual assédio real ou virtual? Certamente, são muitas perguntas sem resposta imediatas. Salvo para os formadores de opinião – artistas e intelectuais de esquerda, sobretudo – que pregam a todo custo a diversidade sexual, a desorganização da família e mundo livre e desbandeirado. Acredito que, nem todo mundo concordaria com esse tipo de participação de um filho ou filha. E que fique claro: há uma imensa diferença entre o nu do David de Michelangelo esculpido em carrara e o nu, de carne, osso e sangue nas veias, daquele velhote lá de São Paulo.
A verdade é que este tema exige rápida reflexão e deve ser bem pensado respeitando as opiniões da sociedade, da comunidade científica e das autoridades constituídas. Usar o argumento do controle da censura como justificativa pode ser uma opinião apressada. Aliás, apresso-me em afirmar que sou a favor da liberdade de expressão! Mas, com um senão: tudo neste mundo tem limites. Pratico e admito essa liberdade até que não venha ferir os bons costumes e a preservação da ética e da moral. Sei que muitos discordarão de mim. Mas, sei também que outros muitos concordarão.   
Nas minhas reflexões, antes desta postagem, procurei ver por um retrovisor e conclui que já se foi o tempo em que discutir sexo e liberdade sexual era um tabu. As nossas crianças desde muito cedo são estimuladas a pensar nessas coisas, ajudadas pela TV e pelas relações sociais mais abertas. As escolas mistas dos tempos de hoje já oferecem oportunidades fantásticas de abrir as mentes infantis para os relacionamentos homem x mulher, bem como outros arranjos menos tradicionais. Virgindade é coisa descartável facilmente. Outra coisa, meu Deus, criança alguma, hoje em dia, cai na velha historia da cegonha. Faz tempo... Soaria como piada! Ao invés disso, quando já sabe ler, lhe providencia um livrinho, de origem alemã e bem popular no mundo inteiro, denominado “De onde vêm os Bebês”. Que cegonha, que nada! Certíssimo! E inclusive causa alívio aos pais que têm dificuldades de responder perguntas difíceis de filhos mais perspicazes. Eu lembro meu tempo de criança, quando acreditava piamente nessa tosca historia, e minha mãe anunciava que o bebê ia chegar a qualquer momento, eu corria para o quintal ou para o jardim de casa para assistir a aterrissagem da dita cuja. Pode uma coisa dessas?
Ilustrações do livrinho alemão, traduzido no mundo inteiro.
 Outra coisa que me leva a condenar essa exposição do MAM de São Paulo é o fato de que uma garota pré-adolescente não precisa ser exposta a uma experiência estúpida como aquela, dado ao fato de que, certamente, ela deve estar familiarizada com um corpo de um homem despido ou semi-despido na convivência em família. Numa família bem estruturada – ou até menos do que isto – a nudez dos membros da família não obedece a rigores rigorosos. Não constitui nenhuma obscenidade. Qual filha ou filho menor nunca viu pai despido ou mãe despida? Muito difícil! Nada mais natural. E essas coisas ocorrem de modo tranquilo, sem subterfúgios ou traumas. Por que, então, obrigar uma garota desempenhar um papel tão agressivo como aquele lá em São Paulo? A título de arte? Tenha dó. Feriu a sociedade já tão aberta às mudanças do mundo de hoje com arranjos de famílias pouco ortodoxos, casamento homoafetivo, transexualidade, entre outros.
Bom lembrar, ainda, que esse episódio feriu frontalmente o que reza o Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como a legislação vigente a respeito da proteção ao menor em situação de risco. Essa mãe que estimulou a filhinha manipular o corpo de um ator repousando no tatame do MAM, certamente desconhecia tudo isto e merece ser chamada e enquadrada no rigor da Lei. A propósito, o Ministério Público de São Paulo, em boa hora, já instaurou um inquérito para responsabilizar os autores dessa “arte” e a própria direção do Museu.
É temeroso saber que essas iniciativas estão sendo tomadas em importantes capitais do país, a exemplo do Queermuseum de Porto Alegre. Ali, uma exposição na exploração do tema sexo, pedofilia e até zoofilia foi cancelada às pressas, dada à repercussão negativa que causou na sociedade local. As imagens expostas estavam abertas de modo livre, sem qualquer censura. Escolas levavam suas crianças para visitas guiadas. Imagine o que se passava pelas cabeças dessas crianças diante de imagens libidinosas e muitas vezes grotescas. O Centro Cultural Santander, onde ocorria a exposição teve que administrar apuros. Viu-se obrigado a pedir desculpas formais e, às pressas também, bolou um programa de apoio à criança em situação de risco. Já no Rio, a Prefeitura simplesmente vetou uma exposição, desse gênero. Ainda bem.
A pergunta final é: o que será dessa sociedade no futuro?
Nós temos responsabilidade com esse futuro. Estejamos de olho, para esse futuro incerto. 

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Mundo Cão

Fico sempre muito impressionado quando rolam essas noticias de franco-atiradores nos Estados Unidos, a exemplo do que ocorreu, no passado fim de semana, em Las Vegas. Tento entender o que passa pela cabeça de um individuo desses, sem jamais conseguir. Matar mais de cinquenta pessoas inocentemente assistindo a um show de festival de musica country. Inexplicável. Ou então, matar crianças indefesas numa escola pública, disparar uma metralhadora contra estudantes que circulam no largo de uma Universidade ou entrar numa sala de cinema matando, indistintamente, os espectadores, entre outras formas estúpidas. Como entender tanta brutalidade? Estima-se que, nos Estados Unidos, ocorrem 30.000 mortes/ano relacionadas ao uso de armas de fogo, incluindo esses casos de franco-atiradores.  As mesmas estimativas dão contas de que 65% dessas mortes são por suicídio, o que é um percentual expressivo. Desculpe não informar a fonte. Obtive os dados numa leitura ocasional, na Internet.
Imagem do horror em Las Vegas
No caso desses franco-atiradores a única explicação é a loucura. E pode ser mesmo porque, na maioria dos casos, os autores concluem suas chacinas suicidando-se. Matar, se matar e morrer virou coisa banal no mundo de hoje. Os motivos são dos mais diversos. E nem vou falar dos fanáticos terroristas mulçumanos. Em países como os Estados Unidos pode ser, também, a excessiva liberdade de portar arma de fogo e gozar da livre venda destas. É provável.
Como se livrar de uma calamidade dessas? Eis aí um colossal desafio para a sociedade moderna.
Acredito que na verdade o mundo anda cheio de pessoas infelizes e frustradas. Principalmente nas sociedades ditas mais avançadas. Estados Unidos, Suécia e Japão se destacam neste grupo. Acho que falta amor à vida e respeito ao ser humano. E isto é cada vez mais crescente. Infelizmente o mundo moderno cobra demasiado a cada individuo. Homens e mulheres sofrem de toda sorte de dissabores para conseguir realizar seus projetos pessoais e nem todo mundo está preparado para romper as barreiras que lhes são impostas. O acúmulo de responsabilidades do cidadão ou cidadã comum começa ainda na infância. Sem que percebam são tragados desde cedo pela roda viva do viver velozmente. Chega o dia em que a exaustão atinge limites insuportáveis e a pessoa se vê numa encruzilhada de destinos quase sempre muito mais exigentes e, então, desanima. Como consequência vem a depressão, a automarginalização, a falta de apoio de um(a) amigo(a), profissional de saúde ou da família – pouco acreditada ou pouco solidária nessas horas – o desejo de morrer, tendo que viver e enfrentar a luta, sem que disponha de ânimo. Com a vontade de morrer agudizando e sendo esta a única rota de fuga restante, decide cometer o desatino. Mas, como vingança e sinal de revolta resolve que não vai sozinho e decide levar outros juntos. Triste sina de quem estiver na mira desses tresloucados. Mundo cão. Curioso, depois, é ouvir dizer que esses assassinos são descritos como pessoas tranquilas, bem apessoadas, de bons costumes e tudo mais. E há sempre os que se surpreendem com essas atitudes extremas.
Agora já se começa a falar, nos Estados Unidos, sobre a proibição das vendas de armas com a liberdade hoje vigente. Presumo que o desafio será maior ainda. O norte-americano tem na sua formação cultural a ideia da defesa pessoal sempre alerta e isto passa pela necessidade de ter sempre uma arma de fogo à mão. A meninada já cresce com essa ideia incutida na mente e um dos melhores presentes que recebem são exatamente os revólveres ou metralhadoras de brinquedo.
Aqui no Brasil é um tema sempre em evidencia e polêmico. Liberar ou não? Eis a questão. Um plebiscito determinou que fosse proibido. Mas a sociedade anda dividida, em face da escalada da violência versus a falta de armamento para se defender. Na contramão, gangs de traficantes e marginais circulam livremente e sem porte de arma com verdadeiros arsenais, desafiando polícias, forças armadas e, naturalmente, a sociedade indefesa.
Quase concluindo esta postagem, rompe nos meios de comunicação a noticia da atitude insana do vigia de uma creche, em Janaúba, cidadezinha no Norte de Minas, que ateou fogo no estabelecimento, matando várias inocentes crianças e alguns adultos, além de deixar muitos feridos. O monstro terminou se matando com o corpo em chamas. Fala-se que foi uma ação premeditada de um desequilibrado mental que, irresponsavelmente, foi admitido pela administração da creche. É uma atitude dolorosa e avassaladora que choca o Brasil, neste fim de semana.
Pra onde vamos? O que fazer para escapar deste mundo cão?
Enterro coletivo em Janaúba. Cidade pequena em estado de choque.
Dez dias de luto oficial, decretado pelo Prefeito local.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens