sexta-feira, 20 de abril de 2018

Tudo tem uma razão de ser


A toda hora se ouve dizer que “o PT estaria encaminhando o Brasil para o mesmo destino que a Venezuela tomou” ou “que por pouco nos livramos dessa situação”. Além de outras formas do mesmo sentido. Contudo, o que poucos sabem é que esse modelo de governar, adotado por Lula e Dilma, Chávez e Maduro, Evo Morales, Rafael Correa e seu sucessor, Daniel Ortega, entre outros, rezam pela Cartilha ideológica gerada e fomentada pelo chamado Foro de São Paulo. A história desse tal foro é a base de tudo que vem ocorrendo nos países latino-americanos, nessa década recente. A razão de ser!
O negócio foi assim: em 1990, o PT, comandado por Luís Inácio Lula da Silva, aspirante ao cargo de Presidente do Brasil junto com seu mentor e modelador José Dirceu, promoveu na cidade de São Paulo um grande encontro com lideranças esquerdistas do continente – partidos políticos e organizações de esquerda – contando inclusive com a presença de Fidel Castro, ainda em pleno vigor. A proposta desse encontro teve como objetivo discutir alternativas políticas às então dominantes no continente e por eles chamadas de neoliberais. Ao mesmo tempo, discutir caminhos para a integração latino-americanos nos âmbitos político, econômico e cultural. Naturalmente que em moldes socialistas/populistas, após a queda do Muro de Berlim e da falência da União Soviética. Foi um sucesso, na visão deles, e base para novas rodadas de trabalho e encontros programados. No ano seguinte, ocorreu um segundo evento, nos mesmos moldes, na Cidade do México, ocasião em que passou a se denominar de Foro de São Paulo. Dali em diante, a coisa se repetiu ao longo dos anos seguintes, contando com outros muitos integrantes, inclusive com representantes do grupo terrorista colombiano das FARC. Os locais foram sempre estratégicos: Havana, Montevidéu, Caracas, Buenos Aires e La Paz.
XVIII reunião do Foro de São Paulo/
Na prática, o que hoje se constata é que esse Foro andou ensaiando um controle supranacional da política, agredindo frontalmente a soberania dos países envolvidos. Talvez reeditar na América Latina o fracassado modelo Soviético. Nesse sentido, inclusive, fundaram a chamada UNASUL – União das Nações Sul-americanas, com vistas a articular e administrar esse sonhado domínio esquerdista continental.
Ora, está claro que foi diante desses acordos de “cooperação” e organização desses signatários desse Foro, que os países da região passaram ser governados por socialistas populistas como Lula, aqui no Brasil. Um detalhe importante, até para que entendamos o que vivemos hoje no Brasil, é que nosso país desde logo passou a ser visto no grupo como sendo o mais rico e, por isso mesmo, capaz de prover os governos mais pobres de recursos – sobretudo financeiros – para o alcance desse espúrio programa. Ao pregar o socialismo, o que havia por trás de tudo era a intenção de tomar o poder e nele se sustentar para sempre, a exemplo da Cuba de Fidel Castro. Foi assim que ocorreu na Venezuela, nas mãos do Ditador Maduro,  está em vias finais na Bolívia e no Equador e noutros países das Américas. O processo de domínio populista socialista latino-americano é coisa bem visível por todos que acompanham a vida politica e sofrem do desmando que impera na região.
Bom, sendo o mais rico dos membros, o Brasil, na visão do Grupo, tinha que arcar com o ônus de CUSTEAR a implantação dessa espúria União. E assim aconteceu.
O suado dinheiro da Nação brasileira passou a ser canalizado das formas mais diversas e criminosas para financiar projetos populistas de quase todas as nações do Continente. De ricas campanhas politicas a investimentos em portos, metrôs, autoestradas, hidroelétricas e um sem número de outros equipamentos de capital fixo. Algumas coisas a titulo de empréstimos e outras a fundo perdido! Países mais corruptos como Venezuela e Bolívia cometeram roubos sem tamanho precisos e hoje estamos a “ver navios” graças à megalomania de Luís Inácio da Silva. A Venezuela deve somas incalculáveis ao Brasil. Só de uma vez passou um calote de mais R$ 5 Bilhões com a anuência e beneplácito de Dilma Roussef! A Bolívia desapropriou uma Refinaria da Petrobrás com a passividade e o sorriso nojento de Lula. Foi nosso dinheiro indo pelo ralo e a quebra da Petrobrás.
Ao mesmo tempo, numa atitude típica de populismo, o Governo Socialista do PT usou da indecente estratégia dos imperadores do Antigo Império Romano, proporcionando, às multidões inocentes e analfabetas, pão e circo ao defender o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 e a Olímpiada de 2016. No ambiente festivo que “comprou” para o Brasil, Lula se vangloriava de que esses eventos eram para o povo sul-americano. Afinal, nunca havia ocorrido uma Olimpíada na América do Sul! Isso rendeu muitos comícios do sujeito. O Brasil gastou o que tinha para investir em projetos sociais nesse programa indecente. Popularidade nas alturas, tanto quanto Nero e Hitler.
O propinoduto rolou sem limites neste submundo petista em detrimento do povo brasileiro.
Quantos financiamentos do BNDES para países da UNASUL. Desastre total. O Brasil não merecia viver essa atual conjuntura. Vive mergulhado na maior crise econômica da sua História. Não preciso dizer mais nada. O resto, que é ainda muita coisa, está aí às claras.
São muitos os críticos desse movimento, aqui no Brasil e no Exterior.  Segundo o Ex-Chaceler brasileiro Luís Felipe Lampreia “o que explica a confusão da América Latina é o Foro de São Paulo”.
Eis então, a razão de ser da atual tragédia politica brasileira.  


NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Pobre Brasil


Para um blogueiro que se propõe a emitir um post a cada fim de semana, como é meu caso, tem sido difícil acompanhar a dinâmica dos acontecimentos político-sociais que se desenrolam no atual momento brasileiro. Mal postei um comentário sobre a última e palpitante sessão do Supremo Tribunal Federal - STF, na qual  ficou selado o destino do ex-presidente Lula, eis que ocorreu aquele episódio da imediata prisão do homem, movimentando de modo bombástico o fim de semana passado dos brasileiros. Cada vez mais acredito que vivemos numa espécie de trem fantasma de um parque de diversões. As curvas bruscas e assustadoras dos últimos dias são retratos fiéis da minha imaginação.
Confesso que fiquei abalado com tudo àquilo que assisti pela TV. Foram horas a fio de uma ópera bufa, sem fim, de enredo do tipo “o coelho sai, não sai”.
Explico o porquê de sentir-me abalado: primeiro que não se tratou de uma prisão qualquer. O réu é um ex-presidente da Republica e isto, por si só, é historicamente muito grave. E pior, por crime comum e não politico como tenta convencer a militância. Desprovido de imunidade politica, Lula ficou sujeito a tratamento como um simples cidadão, coisa rara aqui em Pindorama quando se trata de um politico. E, como tal, condenado e preso consoante à legislação vigente e mediante as acusações que lhe foram atribuídas. Em segundo lugar, fiquei abalado, pela negativa exposição internacional do Brasil, tal qual uma republiqueta qualquer. Claro, que são interpretações pessoais, mas, de puros sentimentos. Perdoem-me os amigos e amigas que pensem ao contrário. Valho-me do privilégio de viver numa democracia, pela qual lutei e sempre que preciso lutarei.
No sábado passado, ouvi com atenção redobrada o discurso inflamado do Lula, antes de se entregar à Polícia Federal, cumprindo determinação judicial. E, determinação dessa ordem é cumpra-se e ponto final. Não esperava nada diferente daquilo. Visivelmente “tocado” o homem exagerou na sua natural verve e o que escutamos foram puros disparates e ofensas agressivas ao estado de direito. Aquelas críticas ao Poder Judiciário e à Imprensa foram imperdoáveis e com falta total de visão política. Faltou assessoria jurídica na retaguarda daquele palanque, para que ele usasse de um tom mais próprio e condizente a um ex-presidente da Republica e aspirante à estadista. Bom, aquilo lá esteve mais para um comício dirigido à sua militância equivocada – reduzida, diga-se de passagem – do que um pronunciamento à Nação, como muitos esperavam.
Entre muitas outras passagens, daquela hora de furor, Lula insistiu na curiosa tese, que brada aos quatro ventos, como tendo sido autor de um extraordinário e inédito feito na História do País, de tirar da pobreza milhões de brasileiros o que, ao ver dele, resultou num estado de polvorosa e revolta às tradicionais elites do país. Nada mais discutível do que esse discurso. Ora, ora! Lula teve o privilegio de governar num momento em que a economia global experimentou forte aquecimento e o Brasil não ficaria à margem desse boom. Ao mesmo tempo, com o pacto que ele firmou com as classes produtoras e os incentivos que a essas concedeu houve uma expansão do mercado consumidor, o que agradou em cheio a classe por ele chamada de elite. Com outra mão, reformulou os programas preexistentes de distribuição de renda, juntando tudo num só com a denominação de Bolsa Família, coisa que suscita muitas discussões, dados o mecanismo de administração e o imenso número de falcatruas observadas no programa. Nesse ambiente e estas duas componentes sociais, houve uma geral euforia popular com pobre comprando carro próprio e viajando de avião, comendo melhor e entrando na universidade. Tudo não passou de uma bolha. Os ventos mudaram, ele fez Dilma presidente, a crise se instalou, o desemprego eclodiu e assumiu taxas incontroláveis e os pobres tiveram que devolver os carros por inadimplência e buscar meios de sobrevivência. Como o tempo não para, chegou uma hora em que se revelaram as promíscuas relações dos governos petistas com grandes empresários brasileiros numa interminável “troca de favores”. Coube à Operação Lava a Jato arrancar as mascaras de todos envolvidos e a constatação foi que os integrantes das elites foram os mais beneficiados pelo Governo Petista, antes tido como o protetor dos pobres e oprimidos, portadores de uma bolsa família. Alguém, ainda, tem dúvidas? Essas trocas de favores levaram nosso “salvador” à condenação, razão do seu atual estado.
É minha gente, Lula foi muito mais benevolente com as elites (OAS, Odebrecht, JBS entre outros menores que o digam) do que com os pobres coitados que prometeu proteger. Benevolente com eles e com seu próprio bolso, claro!
As delações premiadas que foram efetivadas pelos próprios amigos e correligionários dazelites comprovaram tudo isto. Foram declarações que não deixam dúvidas quanto ao comportamento indecente petista e Lula no comando. Com sua pouco recomendável forma de governar, fez escorregar e tombar a Petrobrás, o BNDES e inúmeras outras entidades públicas.
Aliás, não ficou por aqui. Bom lembrar que os fios dessa rede de corrupção, por ele liderada, se estenderam além das fronteiras brasileiras e são muitos os casos de ações judiciais lá fora. Tem outros presidentes de repúblicas pendurados nessa malha e curtindo julgamentos e prisões.
É lamentável que o pretenso “salvador da pátria” tenha caído numa armadilha tão velha e carcomida. É aí que se confirma a máxima  de que a “política corrompe qualquer um”. O Lula posou sempre como sendo um político diferenciado. Garantia não ser qualquer um! Ao invés disso, bradou e gritou em campanhas à presidência de que, quando eleito, iria acabar com a corrupção endêmica no Brasil. “Lugar de ladrão é na cadeia”, exclamou de modo frequente nos seus retumbantes comícios. Foi assim que conquistou os eleitores. Agora, todo mundo, inclusive a torcida do Flamengo, concorda com ele! Lugar de ladrão é na cadeia, sim.
Pois é, parece uma ironia. Quem diria, naquela época, que viveríamos os dias de agora. Pobre Brasil


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Atitude Republicana

Indiscutivelmente, no dia de ontem (04/4/2018) foi escrita uma importante página de História do Brasil. O país parou! Como a grande maioria dos brasileiros – sem que mesmo se considere a coloração política – postei-me diante da TV para assistir, ao vivo e a cores, ao julgamento, no Supremo Tribunal Federal – STF, do pedido de Habeas Corpus (HC) preventivo impetrado pela defesa do ex-presidente da Republica, Luis Inácio Lula da Silva, condenado em primeira e segunda instancias a cumprir pena de prisão, por pouco mais de doze anos, acusado de  lavagem de dinheiro, abuso do poder para facilitar a alta corrupção no país, receber propinas escandalosas, ocultação de patrimônio, entre outros “pecados”.
Também é indiscutível que a condenação de um ex-Presidente da República agora sujeito a cumprir tamanha pena é algo desastroso para a vida política de qualquer Nação, ao gerar negativas repercussões nos âmbitos domestico e internacional. E, neste caso, o Brasil não ficou imune a esse traumático passo histórico. O país terá que “engolir este sapo”.
O mais curioso a registrar é que se trata de um réu que se apresentou em sucessivas campanhas a Presidente como um verdadeiro “Salvador da Pátria” ao qual, agora, se atribui o vetor da maior decepção política da vida pública brasileira.
Tendo atravessado os momentos difíceis de duas décadas de ditadura militar, caos econômico, reveses políticos sem precedentes e desencanto geral da sociedade, o cidadão Lula da Silva se apresentou, à época,  como o cara que os brasileiros desejavam no Palácio do Planalto e comandando a Nação. O resultado foi sem dúvidas o mais desastroso.
Mas, voltando ao dia de ontem, quando assisti aos debates dos Ministros do Supremo, recebi  verdadeiras aulas de Direito Constitucional, num “curso” intensivo de quase doze horas. No meio dessa jornada, cheguei à conclusão que não foi apenas o julgamento do HC de Lula, mas, sobretudo o julgamento do sistema político brasileiro, do poder judiciário do país e dos políticos brasileiros. Prova maior desse julgamento foi escutar o impressionante pronunciamento – de muito efeito – do Ministro Luis Roberto Barroso na leitura do seu voto contra a concessão do HC (152.752), quando disse: “Eu respeito todos os pontos de vista. Mas, não é este o país que eu gostaria de deixar para os meus filhos. Um paraíso para homicidas, estupradores e corruptos. Eu me recuso a participar sem reagir de um sistema de Justiça que não funciona, salvo para prender menino pobre”.  Esta foi, seguramente, a mais taxativa e correta fala daquela sessão do STF. Sem firulas ou tecnicismos jurídicos, Sua Excelência deu o recado mais firme e mais honesto de todos ali reunidos.
Ministro Luis Roberto Barroso do STF
Prezado leitor(a), faça uma pausa e retorne um pouco para reler a frase dita por Barroso. Observe que nela, o Ministro expressa o pensamento de todo brasileiro de bem, ao tempo em que traça um perfil da imagem negativa de um país que pede socorro em nome da Ordem e do Progresso. Cabe, portanto, refletir e concluir que aquela sessão de ontem foi muito além do julgamento de um pedido de Habeas Corpus para um cidadão comum e corrupto. Ou seja, um cidadão como outro qualquer, sem que venha ao caso o fato de haver exercido o papel de mandatário máximo do país. O resultado, embora que apertado, mostrou que não importa a condição do réu, mas sim aclarar os crimes que lhe são imputados e a justeza das penas que lhe foram impostas. É isso que se espera de um Supremo Tribunal ou de qualquer Tribunal, seja qual for seu grau. É para isso que eles existem.
Acredito que está raiando, desse modo, um novo momento da História do Brasil. Ontem o país parou. Deu uma pausa para testemunhar uma Atitude Republicana e abrir passagem para retomar seu caminho de forma revigorada com um porvir de bonança, tranqüilidade e segurança. É assim que todo brasileiro de são juízo pensa a partir de hoje. E, claro, o episódio de ontem pode ser tomado como sendo a referência maior desse novo tempo. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Antigamente, era muito diferente...

Antigamente, era muito diferente... a gente já deixava de ir a escola na 4ª. Feira, ninguém trabalhava, o comércio fechava, porque a partir do meio dia, já começava o retiro espiritual da semana santa. Dali em diante até a sexta feira, outro sinal muito efetivo vinha pelas ondas dos rádios – então muito prestigiados – que só colocavam no ar músicas clássicas e que todo mundo chamava de música fúnebre. Fazia-se um silencio no meio do mundo, que chamava a atenção de nós, meninos irrequietos, loucos que passasse aquela época tão monótona. Claro! Não se podia cantar, gritar ou fazer algazarras. Arengar com um irmão, seria um pecado mortal.
Paralelamente, a minha casa era invadida pelo cheiro do pescado e do bacalhau que era consumido durante três dias. Para acompanhar havia o feijão e o arroz de coco, verdadeiras delícias, completados pelo o bredo, ao molho de coco, também. Naquela época eu não era muito fã de peixe. Achava insuportável ter que fazer a abstinência de carnes vermelhas por três dias seguidos. Era um sacrifício.
Certas horas, havia o capitulo de ir à Igreja. Lembro da cerimônia do lava-pés, da celebração relembrando a instituição da eucaristia e da procissão do Senhor morto. Beatas choravam, com o terço na mão e beijavam o Cristo na cruz. Era um clima de puro funeral.
Apesar da austeridade exigida, havia duas coisas bem profanas e divertidas, que terminavam quebrando o clima pesado do retiro: a noite do serra-velho, acho que na 4ª. Feira e a da malhação do Judas, na 6ª. Feira. Não estou muito seguro desses dias. A primeira até hoje não entendi. Escolhiam um cidadão ou uma cidadã de muita idade e, de modo geral, antipatizado pela comunidade e simulavam sua morte. Munidos de um serrote, roçando numa lata velha, produzindo um barulho desagradável, alta madrugada e, na porta da vitima, tratavam de fazer um inventário e “distribuição” dos bens do “morto” entre os promotores da provocação. Tinha nego que ficava tiririca e reagia, muitas vezes, a fogo. Quando a arma cuspia balas, os “herdeiros” corriam com os pés nas costas. Quanto a história do Judas, lembro que escolhiam um cidadão, malquisto pela comunidade, para ser “julgado”, em praça publica, através da figura de um boneco em tamanho natural. Era a maior desfeita. Os promotores da malhação, muitas vezes, conseguiam, nunca se sabe como, algumas peças de roupas do cara, produziam um boneco recheado de trapos e folhas de bananeira (eu ajudei a fazer um) e penduravam num poste, bem debaixo da luz pública. O sujeito quando via aquele boneco com suas próprias roupas, era capaz de se suicidar. No fim da noite o boneco, digo o Judas, era derrubado e surrado aos gritos da cambada. Neste caso, estava claro, que se fazia uma relação com a figura do Judas, o traidor de Cristo.
Quando, finalmente, chegava o sábado havia uma explosão de alegria. As rádios, em vez de musica fúnebre, atacavam de frevos e marchinhas de sucesso do último carnaval. Os clubes sociais promoviam os chamados bailes de aleluia. Era o maior carnaval do mundo, numa única noite. Aleluia, aleluia, Cristo ressuscitou!
Hoje é tudo muito diferente. Católico de nascença, fico meio desconcertado, quando vejo a programação dos dias da semana santa dos meus filhos, dos filhos dos meus amigos e dos próprios amigos. Definitivamente, acabaram com o clima de retiro e respeito à Paixão de Cristo.
No lugar das chamadas músicas fúnebres, a programação das rádios não muda em nada e se ouvem as costumeiras batidas do rock, os pagodes e sambas, ou coisas parecidas. Nas estâncias de férias, promovem-se monumentais festivais de músicas, nos quais a moçada se esbalda e extravasa seus instintos mais obscenos. Pra começar, as bandas, vejam só, levam nomes muito esquisitos, tais como Biquíni Cavadão, Garota Safada e Calcinha Preta, entre outros. Isto não casa com nada de bom senso, principalmente o religioso. Pense pular ao som da banda de Ivete Sangalo, em plena noite da 6ª. Feira Santa. E comer churrasco de picanha no meio da festa! Acontece, sim. Não é um horror? Se minhas avós, por um milagre que fosse, voltassem ao mundo dos vivos, davam uma marcha à ré e, fazendo o sinal da cruz, deitavam e morriam, outra vez. Eu nem choraria. Conformado, entendia que não lhes restava outra coisa.
Não! Não é saudosismo, nem beatice, nem falso moralismo. É desconforto espiritual. Acho que um retirozinho, uma pausa para meditar, pode fazer muito bem a essa juventude inquieta de hoje.

Nota: Fotos do Google Imagens

segunda-feira, 26 de março de 2018

Radicalismo Político


Venho acompanhando, pelas mídias disponíveis, esse dramático episódio do assassinato da Vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. Nunca havia ouvido falar do nome dela. Certamente era mais conhecida naquela cidade. Acredito, mesmo, que se tratava de uma ilustre desconhecida no restante do país. Mas... De repente, explode no Brasil, uma comoção generalizada sobre o ocorrido e, claro, a repercussão avassaladora que causou dentro e fora do nosso território. Claro que é abominável qualquer tipo de crime dessa natureza e, ainda pior, quando se configura como sendo uma execução encomendada. Com razão tanta comoção. Está claro que foi um atirador experiente contratado para dar cabo à vida de alguém marcada e que incomodava muito, como foi o caso dessa parlamentar. Teria sido apenas um número a mais nas estatísticas sangrentas do dia-a-dia carioca, como foi o caso de uma médica colhida pela morte através das mãos de bandidos sanguinários, na mesma semana e mesma cidade. Mas, não. Ela deixa de ser apenas mais um numero, pelo currículo político que ostentava, resultando numa consagração beirando a imagem de mártir política naquela cidade.
Marielle Franco e Anderson Gomes
 O que mais me impressiona, contudo, é o fato de como esse caso foi capitalizado pelas forças políticas – direita e esquerda – cada vez mais exacerbadas e rachando em duas bandas uma sociedade carente de soluções apaziguadoras. O radicalismo político parecia já estar esperando um episódio como este para destilar o ódio que acumulam ao longo desses últimos anos. Adversários passaram a ser inimigos ferrenhos, esquecendo o objetivo maior que é o bem da Nação. Não apenas os cariocas, mas, os brasileiros como um todo clamam pela paz social perdida.
Entrementes, à medida que o caso vem sendo investigado, destilaram-se, particularmente nas redes sociais, noticias das mais contraditórias a respeito da vereadora assassinada. Os seus correligionários insistem que se trata de um crime político praticado pelas forças militares instalados no estado do Rio, via Intervenção Federal. Ao mesmo tempo, os opositores garantem que foram criminosos integrantes de facções de bandidos que se digladiam nos subúrbios da cidade, para os quais a vereadora e seu partido político (PSol) prestava e/ou prestam relevantes serviços assistenciais. Afinal, onde reside a verdade? Infelizmente, tem sido sempre assim, nos anos recentes, aqui no Brasil. A sociedade e os eleitores, inclusive neste crucial ano de eleições gerais, veem-se em estado de perplexidade coletiva sem achar um Norte que lhes aponte um caminho seguro.
Curioso e até espantoso é que, ao mesmo tempo, uma tremenda onda de difamação contra a parlamentar se espalhou nas redes sociais, de tal ordem e dimensão que fica difícil separar o joio do trigo e entender quem foi, de fato, essa desconhecida senhora. Mulher, negra, lésbica, favelada ou ex, política, militante aguerrida, entre outros atributos pessoais, foram elementos exploradas que compuseram a “farra” dos seus opositores e a transformaram na figura mais ignóbil e noticiada, nos últimos tempos, no Brasil.
Ora, meu Deus, façamos uma pausa para refletir um pouco sobre o ambiente no qual essa vereadora atuava, isto é, o temeroso estado do Rio de Janeiro que, infeliz e ironicamente, está mergulhado no pior momento da sua história. Quebrado financeiramente, desgovernado, situação reconhecida publicamente, inclusive pelo seu próprio governante, pediu e continua pedindo socorro aos poderes federais. Socorro urgente! Portanto, nada mais certo do que aportar com essa ajuda. Agora, aproveitar a situação de comoção coletiva que se instalou e condenar a chegada das forças federais para promover a ordem é no mínimo insano, da parte desses políticos de esquerda. Ora, se o Governo que eles elegeram declarou-se fracassado em governar, a quem pedir socorro? Claro que é, sem dúvida, uma estratégia arriscada, desafio formidável para o Governo Federal e principalmente para o Exército como falei, aqui, algumas semanas atrás. Penso que o que resta aos cariocas, e principalmente aos políticos locais é apoiar, unidos, essa estratégia extrema. Questão de vontade política e amadurecimento democrático.
Sabe do que mais, sem mais argumentos para tecer outros comentários, encerro considerando fundamental que se esclareça esse crime da vereadora para o bem da operação militar instalada. Foi mais um, sim. Milhares de outros estão sendo cometidos a toda hora nas redondezas da Cidade Maravilhosa. É aterrador. Que punam os criminosos e o Brasil fique sabendo da verdade. Inclusive, que o Brasil fique bem nas fotos que o mundo está produzindo em serie. Oxalá, sem radicalismo político e com justiça social. Pode ser utopia e eu sei. Mas, não custa nada pensar assim.     

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens           

sexta-feira, 16 de março de 2018

O preço da Felicidade

“Esqueça o dinheiro e trabalhe com amor ao que faz e com muita dedicação” ou “dinheiro é bom, mas não traz felicidade”, foram frases que ouvi muitas vezes dos mais velhos. Quando jovem isto soava como uma utopia e sempre procurei ganhar mais porque um dinheirinho sobrando é sempre bom. E quem não pensa assim? Só se for aquele que faz voto de pobreza e se enclausura atrás dos muros de um mosteiro. 
Esta semana deparei-me, na Internet, com o resultado de uma pesquisa publicada pela Universidade de Purdue (Indiana - Estados Unidos), chamada de The Gallup World Poll, cujo objetivo foi avaliar o quanto de dinheiro se faz necessário para se viver feliz. A pergunta chave foi: “Afinal, dinheiro pode comprar felicidade?”
Portal da Universidade Purdue (Indiana - USA)
Realizada em 164 países, entrevistando 1,7 milhão de pessoas e o resultado foi SIM. Para os entrevistados, uma renda anual media de US$ 95 mil é o ideal para se viver feliz. Passar disso, já pode complicar a vida. Neste caso, segundo a Pesquisa, ao invés de curtir a felicidade, o cidadão ou cidadã vai se achar às voltas em administrar a riqueza, mantê-la de pé, acumulando ansiedades, demanda de tempo, muito trabalho e tudo mais que pode resultar para quem acumula riqueza, limitando o sujeito a viver a vida com mais lazer e diversão prazerosa. Tenho um amigo que se orgulha em afirmar que o nome dele é Trabalho, por conta da riqueza que acumulou. Esse cidadão nunca tira férias, vive estressado e só falta morrer de trabalhar. Tô fora!
Segundo o líder da pesquisa norte-americana, Andrew Jeff, “há limites para a influência do dinheiro no nosso bem-estar.” Concordo, porque tudo na vida tem limites, já dizem os mais antenados. Morrer de trabalhar para acumular riqueza e não desfrutar não compensa. Só se vive uma vez, minha gente!   
Naturalmente que esse valor médio anual estimado e suficiente para ser feliz varia de país a país. Segundo o pesquisador a referencia foi a de um nível mínimo de satisfação e o que se revelou no final do estudo foi algo muito interessante. Por exemplo, é muito mais barato ser feliz na América Latina e Caribe do que na Austrália e Nova Zelândia. Caro leitor ou leitora, veja o quadro a seguir e conclua onde você escolheria viver para sentir-se feliz. Faça uma boa escolha.

Região x Renda para ser Feliz

Região
US$ Necessários
Europa Ocidental/Escandinávia
100 mil
Europa Oriental/Balcãs
45 mil
Austrália/Nova Zelândia
125 mil
Sudeste da Ásia
70 mil
Leste Asiático
110 mil
América Latina e Caribe
35 mil
América do Norte
105 mil
Oriente Médio/Norte da África
115 mil
África Subsaariana
40 mil
                                               Fonte: The Gallup World Poll (Purdue University) 2017

No final das contas acho que o mais importante é lembrar que este tema sugere muitas controvérsias. Eu penso que felicidade, mesmo, não tem preço. Vejo pessoas simples e pobres de marré-marré que nem estão aí, provando que felicidade não depende do quanto acumula e sim da vida que leva. Estaria na cabeça de cada um? Encerro perguntando: quanto vale a sua felicidade, caro leitor(a)? Pense nisso!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

sexta-feira, 9 de março de 2018

Desafio das Migrações no século 21

Semana passada, comentei sobre a emigração forçada que sofrem os venezuelanos por conta da calamitosa crise sócio-político-econômica no seu país. A fome, a miséria, a falta de paz e saúde expulsam as pessoas das suas origens e criam dramas tanto para estes que são obrigados a fugir da miséria, assim como os que são levados a abrigá-los. Brasil e Colômbia estão às voltas em receber de modo solidário e humanitário esses venezuelanos.
Mas, não somente os venezuelanos buscam a salvação noutros países. Inúmeros outros casos são registrados em vários pontos do planeta. O maior exemplo neste momento são os sírios que fogem da guerra civil que devasta o país nas mãos do ditador Bashar al-Assad. Outros povos vivem os mesmos conflitos na Ásia Central e menos conhecidos aqui no Ocidente.
As maiores vitimas da Guerra na Síria são crianças
A Europa, por exemplo, vem sendo invadida por povos oriundos da África e do Oriente Médio, regiões onde a paz desapareceu há um bom tempo. Muitos se lançam ao mar, em frágeis embarcações, tangidos de casa pelas guerras fratricidas, pela fome e a miséria que assolam aquelas regiões. Deixam tudo que têm para trás, incluindo patrimônio acumulado, vida profissional e familiar, embarcando em aventuras de migração arriscadas. Muitos morrem na travessia do mar Mediterrâneo consternando o mundo. É uma gente que na grande maioria parte em rumo ao desconhecido se tornando refém da vontade dos europeus e sofrendo das mais cruéis humilhações. O resultado de tudo isso é a mendicância vista nas ruas e praças do Velho Mundo. Estima-se que somente a Alemanha já recebeu, nesses últimos anos, mais de 1 Milhão de refugiados, ao tempo em que apela ajuda a outros países nessa missão humanitária. Isto sem falar no problema do terrorismo que, segundo constatado, vem também na esteira migratória.
Frágil embarcação com imigrantes refugiados cruzando o Mediterrâneo buscando a Europa.
Nas Américas a coisa não é diferente. A fronteira do México com os Estados Unidos é famosa por haver se tornado o passo de entrada de imigrantes ilegais na busca do sonho americano. Por ali passam indivíduos das mais diferentes nacionalidades latino-americanas, incluindo brasileiros. O Presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, promete construir um muro ao longo dessa fronteira, embora enfrente reações de todo o mundo. Caso bem complicado.
O Brasil não está imune as essas ondas de imigrantes. São Paulo é a cidade que atrai o maior número desses, por razões óbvias. São os haitianos que lideram essa corrente migratória, sendo seguidos por bolivianos que vivem em comunidades insalubres e muitos deles realizando trabalho com características de escravo para ganhar a vida. Sem qualquer incentivo governamental o Brasil recebeu, entre 2010 e 2015 cerca de 80.000 haitianos, que buscaram meios dignos de vida, após o terremoto que destruiu aquele país em 2010. Destes, 70 mil continuam no país e 45 mil têm emprego formal. Eles são os estrangeiros mais numerosos no mercado formal brasileiro. Grande número foi engajado nas construções das arenas da Copa e na Vila Olímpica, do Rio. Ou seja, aproveitaram o boom da construção civil. É provável que estejam agora amargando os efeitos da crise que se abateu sobre o país.      
Recentemente inteirei-me da atração que o Chile também está exercendo sobre uma imensa massa de imigrantes, em geral latino-americanos. São muitos que aproveitam a flexibilidade das leis migratórias chilenas e a relativa estabilidade econômica do país andino do cone sul. Lá, igualmente, são os haitianos que lideram em volume a entrada de estrangeiros no país. Já são conhecidos como “chilitianos” e chegam a Santiago em levas significativas, por via aérea, saindo em geral pela Republica Dominicana. Vivem basicamente na periferia da capital chilena, sobretudo no subúrbio de Quilicura. São tantos, estima-se que mais de 100 mil, ao ponto da localidade já se chamar de Haiticura.
 O grande problema dessas correntes migratórias é o fato de que junto com elas vêm também uma série de novos problemas para o país receptor. Além de emprego, habitação, educação e assistência médica, itens básicos para construção de uma nova vida, esses imigrantes trazem hábitos culturais diferentes, dificuldades de comunicação por desconhecer os idiomas locais, doenças erradicadas no país acolhedor e concorrência indesejada no mercado de trabalho receptor. O sarampo, moléstia exterminada em países como Brasil e Chile, volta a assolar as populações nativas exigindo a reedição de antigos programas de saúde pública, e demandando investimentos governamentais onde não havia mais necessidade. Ao mesmo tempo, calcula-se que muitas doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, estão proliferando e potencializando a partir dessas comunidades de imigrantes. O grande volume de homens imigrantes, em idade sexual ativa, aponta naturalmente para essa inesperada onda de doenças.
Esses mesmos problemas são registrados na Europa, onde a população marginal de imigrantes está provocando grandes transtornos aos países até então pouco preocupados com esse elemento sócio-político.
Eis aí um assustador desafio para os muitos países que exercem o poder de atração dos imigrantes do século 21.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 

Tudo tem uma razão de ser

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