quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Inabilidade Política

Quando Dilma Rousseff assumiu o segundo mandato, após uma eleição apertada, o que mais se comentou nos meios de analise política foi a evidente falta de apoio que enfrentaria nas Casas do Congresso Nacional. Os resultados das urnas, embora lhe garantissem a vitoria, deixava-a sem o necessário apoio para quem governa. Aversão aos diálogos políticos e franca dona da verdade, características básica do seu perfil, Dilma já começava ameaçada.
Mandona e voluntariosa  terminou por pagar um preço altíssimo por esse seu estúpido temperamento. Teria sido preciso uma mudança radical de comportamento, coisa pouco provável para quem se posta em permanente necessidade de afirmação.
Dilma sendo inquerida no Senado
Arriscando uma comparação, Dilma não teve a inteligência emocional para seguir os passos do seu “criador” o ex-presidente Lula, que, justiça se faça, sempre se revelou um bom negociador desde cedo e, desse modo, pode conquistar altos níveis de popularidade e de nunca perder a capacidade de governar. Perdeu-se na senda da corrupção, é verdade, mas o sujeito é uma águia. É preciso ter muito jogo de cintura para governar um país tão complexo e cheio de mazelas e contrastes sociais como é o Brasil. Não deu outra... Dilma perdeu o controle da governabilidade e o resultado foi o que acabamos de ver. Claro que este trauma político teria sido perfeitamente evitável se ela houvesse ouvido mais e falado menos. A política é uma arte dominada por poucos e mutilada por muitos. Ela optou pela mutilação.
Acompanhei atentamente, nestes últimos dias, o final do julgamento, do processo de impeachment, sobretudo o dia (29.8.16) em que ela foi se defender no Senado da República e ser questionada pelos senadores. Depois de um discurso, diga-se, de passagem, bem elaborado, embora não convincente em face das acusações que lhe foram impostas, Dilma respondendo aos seus inquisidores, lançou mão insistentemente e à exaustão, da tese de ser vítima de um golpe de estado, agora qualificado por ela e seus partidários, como sendo um golpe parlamentar. Como chamar de golpe um processo constitucionalmente legítimo e democrático na sua essência? Como achar que seja um golpe quando ela teve o direito de se defender por inúmeras formas? Venho interpretando essa polêmica tese como sendo a única saída, que resta aos PTistas, para que saiam do processo instalados numa zona de conforto político, com jeitão de saída honrosa. Contudo, somente os tolos cairão nessa balela. Eles próprios sabem, e sabem muito bem, diante do que se tornou inexorável, que o processo foi legitimo e constitucional.
Ela se diz inocente e sem culpa alguma por haver infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal, por haver passado por cima do Legislativo e, ironicamente, quanto ao estado de estagnação econômica no qual colocou o Brasil. Preferiu atribuir à crise internacional o motivo do caos. Índices negativos em todos os setores de atividades e desemprego em permanente crescimento, resultando, por enquanto, em 12,0 milhões de desempregados. Um verdadeiro clamor!
Por desencargo de consciência, fico, por vezes, tentando assimilar as teses de defesa da “presidenta” esbarrando, contudo e quase de imediato, em concretos argumentos contrários. Lembro-me das severas criticas que Dilma sofreu quando seu governo, maquilando as contas nacionais, tentou enganar a Nação, naquele episódio da contabilidade criativa, tentando dar um by-pass no Tribunal de Contas da União. Lembro, também, do episódio das Pedaladas Fiscais, quando ela através de decretos lançou mão de empréstimos nos bancos estatais para custear programas sociais e cobrir os compromissos com o Plano Safra, coisa vedada pela Constituição. Quis governar sem o respaldo do Legislativo. Aquele que ela menosprezou. Dilma errava, era avisada e persistia no erro. Ora, minha gente, sendo ela a Presidente da República e querer se eximir dessas falhas de administração é querer demais.  Na minha cabeça só passam duas coisas: a primeira é que, devido à ideia que alimentava de ser chefa-suprema, achou que tudo podia, sendo isso ledo engano. Coisa típica dos bolivarianos. O buraco era mais em baixo e em baixo é um lugar que ela nunca enxerga. Resultado que na primeira oportunidade que a oposição pode, condenou-a sem dó e com respaldos legais. A segunda coisa que me ocorreu é que, definitivamente, ela foi mal assessorada. Para começar manteve, apesar das severas críticas domésticas e estrangeiras, um Ministro da Fazenda que se comportou inoperante e trapalhão, expondo o Brasil à situações de ridículo perante a comunidade internacional. Esse Senhor desempenhou um papel bem ao gosto da Chefa que tinha. Ao mesmo tempo, Dilma teve uma assessoria pessoal – centrada na Casa Civil – com pessoas provavelmente pouco qualificadas, incapazes de alertá-la para as imperfeições da gestão que praticava. A preocupação, na prática, foi desenvolver uma política espúria e voltada para manter o poder e desviar recursos financeiros. Quanto desgoverno. Quanta inabilidade política.  
Tudo isso sem se falar no despautério posto a limpo pela Operação Lavajato,  como pano de fundo, que pôs por terra a farsa petista de paladinos da justiça social. A Petrobrás está aí cambaleando, com dificuldades para se erguer. Dilma foi responsável direta dessa tragédia.

Nessa encruzilhada política, temo que o passo do impeachment não resolva os problemas do Brasil. Será uma tarefa colossal para o novo Governo. Mas, alimento esperança convencido que tínhamos que passar por tudo isto.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sucesso Brasileiro

Naturalmente que as Olimpíadas do Rio estão na ordem do dia dos brasileiros. Sem falar das repercussões mundo afora. Não perco os grandes lances a cada dia. O que antes era dúvida na minha cabeça, hoje é agradável sensação de vitória, já nesta reta final. O clima na minha casa se tornou mais vibrante à medida que meus dois filhos se deslocaram ao Rio para ver de perto, ao vivo e a cores, alguns lances do que vem acontecendo. Voltaram encantados e lamentando não poder permanecer mais tempo e acompanhar os embates finais. Pena que o Rio seja relativamente tão distante.
Mas, comentando os acontecimentos, é de se destacar o contagiante espírito do público, preponderantemente, de brasileiros sabendo aplaudir nossos atletas, na hora certa e os estrangeiros na mesma medida. É o esporte unindo povos e dando a oportunidade de mostrar ao mundo a beleza e a graça de ser brasileiro. Já não se notam aqueles que chegaram revelando restrições e temores e os elogios rolam na mídia internacional. Impossível, para mim, não manifestar meu gáudio por tudo que vejo na querida Terra Brasilis. Temos que valorizar este feito. Se não fizermos assim, estaremos sendo injustos com nós mesmos e ajudando a sedimentar a cultura de sermos um país de vira-latas, paranoia com a qual não comungo.
Depois de vibrar com aquele show da abertura, de brilho e dimensões hollywoodianas, como não aplaudir e se encher de orgulho de vários dos nossos atletas? Aquela garota saída da favela Cidade de Deus, a Rafaela Silva, ao conquistar uma medalha de ouro no judô, revelou ao mundo uma jovem brasileira, negra, pobre e favelada e, principalmente, competente atleta. Haja orgulho. 
Rafaela Silva e sua Medalha de Ouro
E o Tiago Braz, nos saltos com vara? Puxa vida, como me emocionei diante daquele espetáculo, derrotando o favorito e campeão olímpico, o debochado francês Renaud Lavillenie. Este, ainda, teve a audácia de declarar ao mundo, por entrevistas em jornais franceses, que, por trás da derrota que sofreu havia ocorrido algum passe de macumba ou candomblé. Tem coisa mais ridícula do que esta? O sujeito não se conformou e chorou ao termino da competição e ao receber a medalha de prata. Criticado severamente pela imprensa internacional viu-se obrigado a pedir desculpas ao vencedor e ao mundo. Eu achei foi pouco. Enquanto o rapazinho francês ficou amuado e choramingando, eu me deleitava com as vitórias dos ginastas brasileiros, Diego Hipólito e Arthur Nory, que conquistaram prata e bronze.
Tiago Braz, um record olímpico. Medalha de Ouro ao pular com vara a altura de 6,03m.
Diego Hipólito e Arthur Nory comemorando as medalhas conquistadas 
Ao mesmo tempo, sensacionais têm sido as conquistas brasileiras no vôlei de quadra e de praia. Nossos atletas estão dando banhos de competência. As meninas do futebol e nossos craques masculinos também vêm enchendo de jubilo os corações brasileiros. Este 6 x 0 contra Honduras foi de lavar a alma e sobretudo um espetáculo empolgante para o público presente no Maracanã.
No final das contas, por ouro, prata ou bronze, não importa como chegar ao pódio. E se não chegar... Ah! Se não chegar valeu por competir, que é que mais importa. Fora isto, é fazer uma festa olímpica de primeira grandeza.       
Entrementes, é verdade que fatos isolados negativos ganham destaques nos meios de comunicação locais e internacionais. Nada a estranhar porque acidentes e destemperos de atletas não são novidades em Olimpíadas. O caso do nadador Ryan Lochte e seus dois companheiros de equipe, os três norte-americanos, por exemplo, já se sabe ter sido uma grande farsa. Efetivamente, eles não sofreram qualquer tipo de agressão ou roubo. Muito menos de falsos policiais. Câmeras da Vila Olímpica gravaram a entrada dos três às 7:00 horas da manhã, lépidos e fagueiros, portando os respectivos  pertences supostamente roubados, inclusive crachás de identificações. Tudo para forjar uma desculpa junto à(s) namorada(a). Comportamentos nada olímpicos, com certeza. Outro caso isolado e lamentável foi o que vitimou o técnico de canoagem alemão, Stefan Henze, num acidente automobilístico na Barra da Tijuca. Neste caso o mais relevante, e até tocante, foi saber que a família doou seus órgãos para salvação de brasileiros necessitados.  
A verdade é que em todas as Olimpíadas, sem exceção, são registrados casos de acidentes e incidentes. A história dos jogos estão à disposição dos interessados.
Finalmente, o que vem ocorrendo no Rio de Janeiro é, no geral, uma sucessão de grandes sucessos. Um sucesso brasileiro.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Uma Olimpíada à Brasileira



Assisti atento ao desenrolar da abertura da Olimpíada do Rio, na última sexta feira (05.08.16). Com um misto de expectativa e curiosidade a cada movimento, postei-me diante da TV e não perdi nenhum lance. Meu estado de espírito, naquela hora, deveu-se muito às inúmeras e muitas controversas  opiniões nas mídias locais e internacionais. Mais criticas ácidas do que otimistas. O descrédito acumulado pelo Brasil e, particularmente, pela cidade do Rio de Janeiro nos principais setores relacionados ao evento foi o que não faltou. Para cada “alerta” emitido, aqui e acolá, era motivo de pauta bombástica para a imprensa do mundo inteiro. Os principais meios norte-americanos e europeus não pouparam o Brasil. Fomos taxados de irresponsáveis, incapazes de realizar um evento de tamanha envergadura, ocorrendo momentos em que se sugeriu mudar de local, ocasionando o aparecimento de apressadas cidades aspirantes. Internamente, as correntes contrárias seguiram pelo mesmo caminho de oposição. Confesso que até concordei com a tese de que não estávamos em condições econômicas e, muito menos, clima político-social para assumir esse encargo. Mas, no final das contas, entendi que a coisa foi típico caso de “caminho sem volta”. Compromisso firmado e obras saindo do papel, não havia como retroceder. Aliás, acho até que desistir no meio do processo, como muitos defenderam, poderia ser uma atitude extremamente prejudicial à imagem do Brasil e da América do Sul, porquanto esta é a primeira vez que o certame ocorre no Continente.
Mas, muito bem... Com temores de ações terroristas, monumental esquema de segurança, repelentes contra o aedes-aegypti, com problemas de última hora na Vila Olímpica e, ainda, várias criticas das delegações mais exigentes, o evento começa naquela bela noite carioca e com um Maracanã recebendo uma das maiores assistências já vistas. O espetáculo começou e em poucos minutos o Brasil já mostrava ao Mundo a melhor forma de se fazer uma monumental festa, como só acontece no neste país. O Planeta passou a conferir o que é uma Olimpíada à Brasileira! Não foram poucos os elogios deflagrados, de pronto, nas redes mundiais de noticias. Repentinamente acabaram-se as críticas ácidas e como num mea-culpa vi sites estrangeiros reformulando suas opiniões de modo pálido a principio e, a seguir, com formas justas e adequadas como manda à boa imprensa. A repercussão positiva foi imediata. Pudera, ficou cristalino que fizemos um trabalho de imensa grandiosidade técnica (tecnologias de ponta), belo conteúdo plástico e cultural, além da participação retumbante do público presente e das delegações estrangeiras. Quase um delírio coletivo.
Mosaico de cenas da festa de abertura da Rio 2016
Aos poucos meus temores e minhas expectativas foram se esvaindo diante de uma demonstração de poder mostrar ao mundo – fala-se em 4 Bilhões de espectadores pela TV – o vibrar de uma Nação unida pelos laços do esporte. E quando digo Nação, falo do povo brasileiro! Excluo Governo ou instituições formalmente existentes. O vibrar daquele público ao cantar o Hino Nacional, as canções brasileiras mais populares e a aplaudir os representantes de outras nações a desfilar, numa contagiante ginga ao som das baterias do samba, ficarão inscritos na história das Olimpíadas.
Outro registro especial, também, para a História dos jogos olímpicos e que se constituiu numa lição de política ambiental para o Mundo foi a bela ideia de fazer com que todos os atletas presentes plantassem sementes de árvores a serem levadas para formação de uma nova floresta denominada, desde já, de Floresta dos Atletas Olímpicos. Pode ter sido um ato a mais naquela apoteótica noite, mas, tenho certeza, será sempre lembrado pelos grandes atletas do Planeta que por lá passaram, dado o forte simbolismo que encerra.
À parte disso e lembrando que nem tudo é perfeito, notei e ouvi comentários críticos a respeito da forma tímida e quase nula da representação das manifestações culturais e folclóricas  das demais regiões brasileiras naquele show de abertura. O que de fato foi passado para o público mundial é que o samba vem a ser o único ritmo popular brasileiro. Uma pena que tenham pecado nessa parte. Imaginemos o que teria sido o rasgar de um bom frevo pernambucano naquela ambiente tão gigantesco e eclético. São coisas de um país de dimensões continentais e com uma tremenda falta de integração social e regional. Apesar dos “esforços governamentais”, do imenso avanço das comunicações e das modernas facilidades de locomoção, o Brasil ainda não conseguiu romper a cultura de se comportar como sendo um grande arquipélago político-administrativo-social. As macrorregiões são sempre vistas como “ilhas” com traços próprios, culturas diferentes e separadas por muitos preconceitos inadmissíveis em pleno século 21.
A representação brasileira pilotada pela porta-bandeira pernambucana Yane Marques
Tudo bem e críticas à margem, o importante agora é capitalizar a exposição planetária que estamos tendo, não somente com o grandioso espetáculo de abertura oferecido, mas, sobretudo no desenrolar das competições que vêm ocorrendo nestes dias, num clima de sucesso indiscutível e numa vibração que a gente brasileira sabe propor e executar. É neste clima que espero pela consolidação de uma Nação de garra, que alimenta a esperança do progresso e da paz. E, por fim, como reza alguns versos do nosso hino nacional: somos um país “gigante pela própria natureza” e de um povo “que não foge à luta”.
Caros leitores e amigos desculpem meu ufanismo, mas, entendam que certas horas isto é preciso. Tenho orgulho de ser brasileiro. Inclusive no nome.       


Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.