domingo, 20 de dezembro de 2009

Mensagem de Amizade


Amigos e Amigas,

Hoje eu teria vários temas para nosso bate-papo semanal: Cúpula Mundial sobre o Meio Ambiente, que terminou em fracasso e mais para esquecimento global do que aquecimento global; os fuxicos políticos da semana e o imenso sucesso do Festival Internacional da Musica Clássica - Virtuosi 2009, no Recife, entre outros.
Mas, preferi fazer uma pausa para falar de Natal e Ano Novo.

Antes porém cumpre lembrar que fico imensamente grato a todos que me acompanharam através do Blog do GB, durante o ano que termina, quando o blog completa exatos dois anos. Grato, particularmente, pelos comentários e pelos constantes incentivos que alimentaram meu desejo de cumprir a agenda semanal, buscando temas e fazendo fotos para tornar este espaço atrativo e vivo.


Que Deus, em sua infinita bondade,

abençoe e encha de paz nossos corações,

não apenas na noite do Natal

do seu Filho, Jesus Cristo,

mas todos os dias de 2010.

FELIZ NATAL E VENTUROSO ANO NOVO!

Um beijo fraterno no coração de cada um de vocês, meus amigos e amigas!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Riscos da Copa Brasileira

A ficha anda caindo por todos os lados. Falo da conscientização brasileira a respeito do evento Copa do Mundo 2014. Quatro anos passam num “piscar de olhos”. Sobretudo levando em conta os preparativos necessários, num país como o Brasil.
O recente sorteio das chaves para a Copa da África do Sul, os alertas que vêm sendo dados a respeito das dificuldades que os sul-africanos andam administrando e os ensaios de preparação que se esboçam no Brasil, já deixam meio mundo preocupado com o corre-corre que o evento poderá gerar “aqui em casa”.
Semana passada, por dois momentos, tive oportunidade de discutir o tema. No primeiro, numa plenária do Rotary Club Recife Casa Amarela, a questão foi exposta, de maneira ampla, por um especialista em turismo. Tratou da questão apontando as necessidades urgentes e as prováveis repercussões positivas para nosso país, enfatizando a exposição na mídia mundial, que, dependendo da nossa competência em vender nosso produto turístico, significará uma cartada decisiva para a consolidação do Brasil na rota do turismo internacional.
Na segunda ocasião, para minha surpresa, foi com um motorista de taxi – meu conhecido – que aproveitou o percurso que fizemos, para me pedir conselhos sobre o que fazer na ocasião da Copa, porque, segundo ele, não vai querer perder a “boquinha” de faturar uns dólares. Ele tem consciência de que pode ocorrer um grande movimento de turistas, decorrente da chave do Recife. “vai ter nego querendo ir aos jogos naquelas lonjuras da cidade da Copa, mas, com certeza, vai ter algum sujeito que vai me pedir para ir às praias, restaurantes, mercado, boates, Olinda e outros lugares. Como é que eu vou me comunicar com essa gente?”
Minha opinião a respeito do assunto é muito ambígua. Explico: acho ótimo que o Brasil seja sede de uma Copa do Mundo, como já foi em 1950. Mas, o mundo mudou e o campeonato propriamente dito mudou de figura. É mais grandioso e mais massificado, graças às facilidades da comunicação moderna. Nem se compara com o de sessenta anos atrás. Ao mesmo tempo em que folgo em ver uma Copa do Mundo, ao meu alcance sem sair daqui, sinto uma profunda preocupação com o que se vai oferecer ao visitante. Como vamos preparar este “imenso continente” para receber contingentes de turistas torcedores dos times que disputarão a Taça?
Há uma imensa diferença em fazer uma Copa num país europeu, por exemplo, rodeado pelo maior número de países que geralmente participam do torneio e fazer cá na America do Sul e num país tão extenso. Pior: num país sem a infra-estrutura adequada para atender às necessidades dos torcedores. Imagine o país, a cuja equipe toque jogar partidas em lugares distintos e distantes. O que vai acontecer quando seus respectivos torcedores procurarem meios de locomoção? Será que, daqui para lá, vão dotar este país de meios de transportes suficientes, seguros e operando a contento para atender a demanda. Temos poucos aviões, com passagens caras. Não temos rede ferroviária como a Europa dispõe, o transporte rodoviário é a desejar e também caro, as rodovias são vergonhosas e, sobretudo, perigosas. Como vai ser? Eis aí uma pergunta que não cala!
O taxista lembrou, preocupado, que se no sorteio de definição das chaves, que só vai acontecer no final de 2013, cair, para o Recife, times como da Coréia, Japão, Rússia ou Alemanha, a confusão vai ser grande demais. Ele tem razão. Num país com dimensões continentais e uma população que, na maioria esmagadora, não sabe o que significa cruzar uma fronteira e muito mal fala português... Sei não.
Faço idéia do que pode ocorrer em localidades mais remotas como no Mato Grosso e no Amazonas. Não vai ser fácil.
Resta muito pouco tempo para preparar este país para o evento. Se houver dinheiro e competência a Copa do Mundo pode mudar a cara do Brasil. Vou torcer que isto aconteça. Se a coisa não se der em bons termos, adeus turista internacional... o risco é grande!

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Portal da Aparência.

Esta semana andei lembrando muito do meu finado pai, diante da onda de roubos escandalosos dos políticos brasileiros. Eu era garoto de tenra idade, mas muito atento aos comentários dos adultos, e recordo bem da revolta do velho com a roubalheira que se dava – menos divulgada, é verdade – nos vários níveis de governo do país. A coisa me parecia mais séria, para não dizer catastrófica, quando olhando para mim, ele previa um quadro sombrio e incerto para as gerações futuras. “Aonde este país vai parar e que futuro terão esses meninos?” Aquele dedo, apontando na minha direção, representava uma tremenda ameaça.
O tempo passou, as coisas não mudaram, caiu governo, os militares tomaram o comando da nação, eu cresci física e intelectualmente, meu pai continuava a esbravejar, defini meu caminho profissional e a incerteza persistia. Onde vamos parar? Eu mesmo perguntava aos meus botões.
Restaurou-se a democracia e aí, ciente do conceito desse tipo de governo, pensei que a coisa seria mais honesta e sabida por todos. Que nada! Veio o Plano Cruzado, o “descruzado”, planos em cada estação do ano, dos quais lembro bem de um tal de Plano Verão. Tem coisa mais prosaica do que isto? Foi uma roubalheira coletiva. Todo mundo foi ludibriado. Ainda hoje tento resgatar meu dinheirinho perdido, nessas brincadeiras de governar.
Quando Collor assumiu, prometendo seriedade, transparência e progresso, começou afanando meus trocados restantes e me deixou com míseros cruzeiros na conta bancária. Tudo pelo bem da Nação. Achando pouco “guardou” minha suada poupança, devolvendo muito tempo depois, aos poucos e sem o valor original. Eu quase morro de um colapso cardíaco. Por azar, eu havia vendido um imóvel para adquirir outro maior, já apalavrado e o dinheiro da venda foi parar no saco sem fundo do Governo. Nas mãos de PC Farias! Não pude esquecer as palavras do meu velho pai e foi inevitável deduzir que por aquele caminho elles iriam me aniquilar.
No Governo FHC, fui garfado com meu salário de funcionário publico congelado ao longo dos oito anos. Corri e me aposentei – por sorte – para trabalhar noutras frentes.
Mas, como mudanças ocorrem, assume o tido como Salvador da Pátria, Luis Inácio Lula da Silva. Não posso negar que alimentei alguma esperança, mesmo sem lhe haver dado meu voto. Pensei que, quem combatia, a vida inteira, a corrupção e os corruptos, tinha obrigação de implantar um Governo moralizado e honesto. Por essa cartilha não haveria espaço para roubos, Caixa 2, tocos, propinas e similares.
Para minha surpresa, estourou a “bomba” mais destrutiva de todas. Roubavam descaradamente e com uma avidez nunca vista. Falo do episódio do Mensalão. Quase morro de vergonha ao ver Lula dizer que isso era comum na política brasileira e que ele não sabia de nada. Na mesma época, causou espante – em nível internacional – a mais hilária das estratégias de roubo: o caso dos dólares na cueca do petista. Eu, por coincidência, estava na Itália e senti-me envergonhado, descobrindo que o assunto virou piada no mercado da palha de Florença. Encontrei um artesão brasileiro que cansado de não acreditar no Brasil, falido por conta dos planos mal sucedidos, produzia e vendia artigos de couro aos turistas na Itália. Quando tentei regatear o preço de uma peça, ele não teve dúvidas em me perguntar se eu não trazia alguns dólares na cueca. Levei na brincadeira, mas, cá pra nós, é lasca...
Atualmente, as coisas se multiplicam e se tornam corriqueiras. Coisa comum na vida brasileira. Tem dinheiro na cueca, nas meias, dentro das calças, nos panetones e onde couber, porque a grana, além de farta, corre fácil. Descaradamente se reúnem em círculos de orações para agradecer o roubo perfeito. Perderam completamente a noção de honestidade, vergonha e hombridade. Aqui no estado, andaram fazendo festejos de mentirinha e embolsando a grana. Meu pai tinha razão.
Nesse clima de perplexidade, ouvi na Hora do Brasil, propagandas e elogios ao tal de Portal da Transparência do Governo Federal, cujo objetivo é divulgar as contas dos Governos, evitando desvios e falcatruas com o dinheiro público. Promete ser o maior e o mais moderno instrumento contra a corrupção. Fui lá! Aparentemente é uma beleza. Mas, como entender tanta comilança, tantas propinas, tantos “pedágios” indecentes para aprovação e liberação de verbas?
Não acreditando no Portal, conclui que ele está mais para Portal da Aparência do que da Transparência. Ah! Meu pai! Que futuro posso garantir para os seus netos?

NOTA: Dessa vez não incluo fotos. As adequadas que encontrei são deprimentes. Melhor evitá-las

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Cultura e Competência Nipônicas

Ontem (29.11) foi dia de Feira Japonesa do Recife, no bairro antigo da cidade, numa promoção da Casa do Japão de Pernambuco, que é composta pelas associações que reúnem os membros da colônia nipônica local e seus simpatizantes, incluindo a Associação Nordestina de ex-Blosistas e Estagiários do Japão – Anbej, que, por bondade dos sues integrantes, me confiam a presidência, há três anos.
O evento sempre ocorre no último domingo de Novembro e a deste ano foi a 13ª. edição.
Pelo menos 45 mil pessoas (estimativa de especialista do ramo), acorreram ao velho bairro do Recife, durante as doze horas do festival e mergulharam no clima oriental, que caracteriza a bela cultura do país do Sol Nascente. O público aumenta, a cada ano. Comidas e bebidas típicas, artesanato, música, ikebana, origami, artes marciais, canto e dança, entre outras manifestações não faltou em nenhum momento.
A cada ano é escolhido um tema central. Este ano, o motivo foi voltado para a faixa jovem, contemplando, sobretudo, o movimento cult-pop dos mangás e animes, que são as populares formas de literatura em quadrinhos e suas versões para o cinema e TV.
Os japoneses são muito inteligentes nas atenções que dispensam aos jovens. Tudo é pensado de modo muito próprio. Desde a formação básica até a faixa da profissionalização. O lema é EDUCAR, porque, para eles, não pode haver país desenvolvido sem povo educado. Na minha permanência no Japão, que durou aproximadamente dois meses e meio, pude avaliar o significado dessa prioridade. Fiquei impressionado ao ver, em pleno domingo, grupos de pequenos estudantes – ainda no jardim da infância – fardadinhos, em fila indiana, dois a dois, sendo levados para alguma atividade escolar, que podia ser em classes, num museu ou parque. O mesmo com os adolescentes.
Pois bem: ontem, mais uma vez, me pareceu clara a importância que se dá à juventude japonesa, com sua cultura pop, ao me deparar, no bairro do Recife, com a Embaixadora Kawaii, Senhorita Misako Aoki, enviada especial do Ministério das Relações Exteriores do Japão ao evento do Recife. Trata-se de uma jovem, digamos, mimosa (kawaii, em japonês, significa: bonitinha, fofinha, lolita), com trajes infantis, estilo vitoriano, muito popular no Japão e ganhando adeptas mundo afora. Outra vez, lembrei-me da minha temporada nipônica, quando tive oportunidade de ver, nas tardes de sábado e domingo, levas de jovens caracterizados de personagens tiradas das revistas de quadrinhos, estrelas do cinema americano e clássicos da literatura infantil mundial. A embaixadora kawaii é um dos melhores exemplos. Ela, observe o/a leitor/a, é uma moça nomeada formalmente como embaixadora. E isso, não é pouca coisa. Pelo contrário. Para se ter uma idéia, ontem ela era, hierarquicamente, a autoridade maior da representação diplomática local, mais do que o próprio Cônsul Geral do Recife!
O Governo nipônico está investindo pesado nesse filão. São três embaixadoras dessa ordem, soltas mundo afora, vendendo o moderno “peixe” japonês. Eles sabem o que estão fazendo. O mundo globalizado é liderado por quem tem competência sócio-econômica e presença forte. E para isto vale tudo, inclusive investir na popularização, em nível global, no modismo de vestuário e de cultura pop-jovem, dos meninos e meninas dos distritos de Harajuko e Yoyogi, de Tóquio. Isto é pensar no futuro.
Aqui no Recife, a jovem embaixadora se encontrou com as lolitas locais (elas já existem!) e deu o recado que lhe recomendaram. Veja foto da mimosa nesta postagem.
Fora a kawaii, também marcaram presenças, na Feira, os jovens nísseis do Recife e a turma do anime-mangá pernambucano. Foi uma festa de jovens. Muitos jovens, inclusive caracterizados como os personagens das revistas em quadrinhos japoneses. Haja cores e exotismo.
Mas, mesmo assim, o tradicional da cultura japonesa teve seu espaço garantido na Feira de ontem. Por exemplo, a dança shishimai, original da Ilha do Okinawa (Sul do Japão), com duas alegorias de leões – guardiões da felicidade – fazendo evoluções no palco e na rua. Digamos que foi um verdadeiro frisson quando os leões pularam do palco no meio da praça e abriram espaço entre o público. Nessa hora o animador da festa bradou, ao microfone, que quem tocasse nesses animais afastaria os espíritos do mau. Imagine a danação que se criou.
Foi um dia à japonesa em pleno verão tropical do Recife! No posto de presidente da Anbej, sinto-me gratificado pelo sucesso do evento.

Dedico esta postagem a Diretora Cultural da ANBEJ, a Arquiteta Zélia Faria, “alma” da organização da Feira Japonesa do Recife, há exatos treze anos. Obrigado amiga Zélia! Você é uma kawaii!

NOTA: Fotos da autoria do blogueiro

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Viva e Bulindo

O calor era intenso e o clima seco, característico da região, corroborava para o desconforto geral. Mas, a cidade estava viva e bulindo nos seus quatro cantos. Os hotéis lotados e frustrando quem desejasse mais uma acomodação. Os bares e restaurantes faturando a rodo e com listas de espera. Os preços? Ah! Sem dúvidas, bem salgados, porque negociante da casa de pasto não titubeia nessas horas. Bota no gogó...
Este foi o clima geral que encontrei na cinqüentenária Brasília, nos dois dias que andei por lá na semana que terminou.
Parece que o mundo inteiro resolveu promover eventos, todos ao mesmo tempo, na Capital Federal: nos cinemas, o festival anual, com direito a estréia do eleitoreiro filme sobre a vida do Presidente; nas portas do Congresso, manifestantes dos vários pontos do país portando cartazes pedindo o fim do fator previdenciário; lá dentro o debate com a votação do projeto de criação da Petro-Sal; no Tribunal de Contas da União, tudo fechado e os funcionários em greve, com direito a trio elétrico, axé music e muito proselitismo corporativo; no Palácio do Itamaraty, a Presidente Cristina Kirchner, da Argentina, que resolveu bater uma caixa com Lula, foi recebida para um almoço e no Centro de Convenções o maior encontro de empresários da indústria, para um debate anual, também, sob a batuta do Presidente da Confederação Nacional da Indústria, o Deputado Federal Armando Monteiro Neto. Como se tudo isso fosse pouco, rolou o maior clima de suspense, na quarta-feira, no plenário do Supremo Tribunal Federal - STF, quando do julgamento final do destino do terrorista italiano Cesare Batisti e voto de Minerva do Presidente da Corte.
Uma cidade trepidante e com noites frenéticas.
Para a semana que hoje começa, então, promete ser mais emocionante com a presença do polêmico Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, no Planalto Central. Fico imaginando o esquema de segurança e a movimentação no Eixo Monumental. E as manifestações contra o sujeito? Nas casas noturnas, segundo comentavam, tem “mariposas” se preparando para embolsar petro-dólares. Na comitiva iraniana virão 300 empresários dispostos a negociar com qualquer um (ou uma...)! Tá o maior rebuliço...
Na hora de deixar a cidade, encontro um aeroporto numa verdadeira balbúrdia. Difícil era saber quem chegava ou saia. Os computadores nos balcões de check-in engasgaram-se e os vôos acumularam bons atrasos.
Brasília, com quase 50 anos, – falei disso, há duas semanas – está pequena para cumprir sua missão. Precisa ser repaginada, em muitos dos seus aspectos, desde a porta de entrada, falo do aeroporto, até os grotões da pobreza que reina no seu entorno.
Faço esses comentários para reforçar minha opinião de que a mudança da capital federal para o Planalto Central foi fundamental para a segurança institucional e desenvolvimento do Brasil. Imagine se tudo isto tivesse com cenário a cidade do Rio de Janeiro. Seria um “deus-nos-acuda”. Impraticável.
Engraçado é que ainda tem gaiato, que reina na mídia televisiva nacional que sugere o retorno da capital para o Rio de Janeiro e que Brasília seja transformada num distrito de cassinos, ao estilo de Las Vegas. Que idéia de jerico... Brasília é viva e irreversível.
Foto obtida no Google Imagens

sábado, 14 de novembro de 2009

Brasil, Potencia Econômica.

Nesta sexta-feira (13.11.09) o que mais ouvi, nas ondas do noticiário econômico, foram os comentários sobre importante matéria de capa do número semanal do The Economist, sobre a atual situação econômica do Brasil. Curioso, corri para a Internet, catei a matéria, li e decidi comentar neste bate-papo semanal. Titulo da matéria: Brazil takes off.
Pra inicio de conversa, ser matéria de capa da mais importante revista de economia do mundo atual, por si só, já representa um imenso feito e, considerando o conteúdo propriamente dito, a coisa assume uma dimensão fora do comum, em se tratando de Brasil. Não é uma opinião doméstica, nem retórica eleitoral. É uma opinião externa e abalizada.
A reportagem começa lembrando que, quando, em 2003, os economistas da Goldman-Sachs, meteram o Brasil num grupo de paises que incluía Rússia, Índia e China, formando o que se convencionou chamar de BRIC (sigla formada pelas iniciais dos quatro países) e vaticinaram que estes países em pouco tempo dominariam o mundo, muita gente, dentro e fora do Patropi, colocou duvidas quanto ao B. Como o Brasil, com taxas de crescimentos tão tímidas, vulnerável a qualquer crise financeira externa, com uma crônica instabilidade política e notável, apenas, por realizar monumentais carnavais e ter talento para jogar futebol, poderia se transformar num dos Titãs emergentes?
Este ceticismo, agora, parece ser descabido. O Brasil, atualmente, tem expectativas das melhores, com a economia crescendo e sinalizando com taxas anuais de 5%, graças a uma serie de fatores dinâmicos, entre os quais a exploração de petróleo na camada do pré-sal e a crescente demanda dos países asiáticos por alimentos e minerais produzidos pelo país. A revista é enfática ao afirmar que a China pode, de fato, se tornar a líder da economia mundial, mas, é indiscutível que o Brasil também terá um importante papel a desempenhar, no quadro econômico do mundo pós-crise de 2008. As previsões que são feitas dão contam de que depois de 2014 – antes um pouco do que a equipe do Goldman-Sachs projetou – o Brasil provavelmente será a quinta maior economia do mundo ultrapassando a Grã-Bretanha e a França.
Na seqüência, a matéria do The Economist, apresenta alguns interessantes argumentos que habilitam nosso país a tão privilegiada situação, a saber: ao contrário da China, é uma democracia. Ao contrário da Índia, não há conflitos étnicos ou religiosos e, ao contrário da Rússia, trata os investidores estrangeiros com respeito. Resultado: um ambiente amistoso e seguro para o investidor externo, que inclusive está de olho bem aberto no crescimento do mercado interno face às políticas de inclusão social patrocinada pelo Governo Federal. Assim, o Brasil entrou, segundo a revista londrina, subitamente, no circuito econômico mundial e esta entrada foi simbolicamente marcada pela escolha do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016, além de ser a sede do mundial de futebol de 2014.
A capa da revista é bem sugestiva, porque apresenta o Cristo Redentor decolando com se fora um foguete. Certamente fazendo referencia ao fato da estátua símbolo brasileiro ser uma das maravilhas do mundo moderno, cruzado com a idéia do take-off (decolagem) do país. Bem bolado. Naturalmente que a revista faz referencias às ações governamentais e frisa que, na verdade, essa coisa não aconteceu danoiteprodia. O que levou o Brasil a essa situação favorável – realçada pela saída da crise antes de qualquer outro – foi um processo iniciado na década de ’90. O ponto de inflexão foi registrado com o Plano Real, que estabilizou a economia, depois de inúmeros planos frustrantes. A inflação foi controlada, os governos, nos seus distintos níveis, foram obrigados por lei (responsabilidade fiscal) a controlar seus gastos, o Banco Central ganhou autonomia, virou o guardião da baixa inflação e controlador do sistema bancário evitando o desastre de aventuras do tipo que desmantelaram os sistemas britânicos e americanos, razão da crise atual. Ao mesmo tempo, a economia se abriu ao comercio e investimentos externos e um programa de privatização fortaleceu a economia. Muitas empresas brasileiras são hoje nomes fortes no cenário econômico mundial e se constituem em importantes multinacionais. Citaram entre outras a Embraer e a Vale do Rio Doce.
Nesse cenário, o Presidente Lula é considerado um homem de sorte, porque, ao contrário do que se esperava soube dar continuidade aos programas econômicos em marcha e chegou à presidência num especial momento da economia mundial. Teve um papel importante na inclusão social, mas, segundo a reportagem não pode carregar todos os louros da conquista, que devem ser conferidos, também, a Fernando Henrique e antecessores. Foi feito justiça nessa análise.
É isto aí... Tomara que tudo dê certo e o Brasil dos meus netos seja um país mais justo, mais desenvolvido e com a riqueza distribuída de modo democrático. Vamos torcer.
Parece que o eterno país do futuro, pode virar o país do presente.
Nota: a foto reproduz a capa da revista e foi tirada do site da mesma.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Brasília: 50 Anos!

Recomendo a excelente edição especial de Veja, sobre os 50 Anos de Brasília, distribuída neste final de semana. O aniversário só vai ocorrer em 21 de abril de 2010, mas essa edição histórica antecipa as comemorações.
O tempo passa e a gente nem sente. Quando Brasília foi inaugurada eu era um adolescente curioso, atrás de novidades e descobrindo o mundo. Lembro bem dos comentários em família e do noticiário freqüente, com os contra e a favor da mudança da capital. JK era criticado e combatido pela aventura de retirar a capital federal do Rio de Janeiro, levando tudo pras brenhas de Goiás. “Aquilo lá nem existem!” ou “É onde Judas perdeu as botas”, ou seja, um lugar remoto, inatingível e fadado ao desprezo. Muita gente dizia que, com pouco tempo, Brasília seria, apenas, uma cidade fantasma.
Lembro, agora e achando engraçado, a revolta que meu pai e alguns amigos manifestavam contra Juscelino pela extravagância que ele cometia em sacrificar o povo, construindo a nova capital, no Planalto Central. “O que vai ser desses jovens, no futuro, com esse país entrando em bancarrota”? Dizia meu pai apontando para mim. Era um terror... E, eu, aprendendo a viver ficava preocupado com a tal de bancarrota. Recolhia-me pensando na bancarrota. Na minha cabeça de jovem inexperiente a bancarrota era o mesmo que o fim do mundo. Depois de explicado o significado do termo, veio outra preocupação atroz: “o Governo está emitindo papel moeda a rodo, sem lastro! Onde que nós vamos parar?”, continuava meu pai, a esbravejar. Eu não entendia... não era economista, ainda! De lastro o que eu conhecia, mesmo, naquela época, era o da minha cama. Meus parentes, no Rio de Janeiro, não acreditavam na mudança. Seria impraticável, era o que pensavam. “Como ele vai poder levar tudo isso para aquele fim de mundo?”
Não adiantou a revolta de meio mundo contra JK. Ele foi em frente e, para surpresa do mundo, inaugurou a nova capital em 21 de abril de 1960, à custa de muito suor e sacrifícios, inclusive, carregando, de maneira audaciosa e dispendiosa, tijolos, ferro e cimento a bordo de aviões. Contingentes consideráveis de brasileiros desocupados, dos mais distintos rincões, acharam emprego nos canteiros de obras, debaixo do sol abrasador e da aridez do cerrado goiano, plantando as bases do novo Brasil.
Homem feito e a caminho dos Estados Unidos, fui surpreendido com uma escala do meu vôo, numa aeronave da Pan American Airline, em Brasília. Isto foi nos idos de 1968. Fiquei curioso para saber o que justificava aquela parada. “Será que, de fato, acontece alguma coisa por aqui?” falei para os meus botões. Desembarcamos e a parada se prolongou por bom tempo. Deu tempo para vislumbrar um imenso descampado, com poucas coisas sinalizando a existência de uma cidade propriamente dita. O barro vermelho, característica da região, imperava e cobria as dependências da rudimentar estação de passageiros – toda em madeira – de uma poeira sem fim. Cada avião que subia ou descia levantava uma nuvem vermelha de um pó insuportável, muito embora a pista fosse pavimentada. Aquilo me fez lembrar os “discursos” intermináveis do meu pai nas horas de refeições ou em rodas de conversas sociais. Depois disso voltei incontáveis vezes à Capital Federal e, hoje, quando vejo Brasília – a Metrópole – lembro da descrença daquela época e admiro o que foi construído. Não há mais poeira vermelha, as casas de governo funcionam de modo consolidado, formou-se uma nova sociedade, com uma nova cultura e o Brasil é maior do que antes, porque dali se irradiou uma moderna forma de ocupação e aproveitamento econômico do rico território nacional. Viva JK, sem sombra de dúvidas, o nosso estadista do século 20. Veja a Veja – Edição Especial. Vale a pena ler e guardar.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HERANÇA ESTAPAFÚRDIA

Duarte Coelho Pereira era filho bastardo de Gonçalo Coelho com a plebéia Catarina Duarte. Os Coelho eram muito importantes, na região situada entre o Douro e o Minho. Ser filho bastardo, naquela época, era uma parada indigesta. O cara tinha que ter “peito” e ser bem protegido pelo pai. Caso contrário, não tinha vez para nada. Para começar, coitadinho, teve que ser criado, intra-muros de um mosteiro (o de Vila Nova de Gaia) por uma tia que era a prioresa. Mas, apesar da bastardice, o cabôco parece ter sido filho predileto de Gonçalo, que cuidou de encaminhá-lo direitinho na vida, colocando-o numa série de expedições portuguesas, mundo afora. Veio ao Brasil, em 1503, tendo o pai como comandante da expedição. Depois disso, o rapaz foi á Índia e, entre 1516 e 1517, imagine, foi embaixador de Portugal, no Sião. Chegou a ser, por seis meses, embaixador em Paris! Esteve na China e em Málaca, onde construiu a Igreja de Nossa Senhora do Oiteiro, que, hoje, faz parte do patrimônio histórico da Malásia. Voltou a Portugal, em 1527, e, em 1532, foi escalado para comandar a frota lusa encarregada de afastar os franceses da costa brasileira.
Pelos inúmeros serviços prestados à nação portuguesa recebeu de presente, em 10 de março de 1534, 60 léguas de costa no Brasil, correspondendo aos atuais estados de Pernambuco e Alagoas, que formava a capitania de Pernambuco, também chamada de Nova Lusitânia. A Colônia do Brasil foi divida em 15 Capitanias Hereditárias (passavam de pai para filho, netos, bisnetos e assim por diante) e a de Duarte Coelho era a maior de todas. Rapaz de sorte, não foi?
Dono das terras, o Donatário de Pernambuco não perdeu tempo (outros nem ligaram, aqui não pisaram) aportou – acompanhado, já, de uma consorte esposa, D. Brites de Albuquerque, do cunhado Jerônimo de Albuquerque, mais uma parentela e algumas famílias do norte português – às margens do canal de Santa Cruz, ao sul da atual cidade de Igaraçu, por ele fundada. Lá está a igreja dos Santos Cosme e Damião, também por ele construída e a primeira do Brasil. O sujeito era organizado prá caramba.
Desbravando as terras que ganhara, dirigiu-se mais para o sul e ao chegar numa certa colina encantou-se com o panorama e fundou, em 12 de março de 1537, uma cidade sede do seu “reino” a qual deu o nome de Olinda. Este nome foi tirado de um romance que ele estava lendo na ocasião, Amadis de Gaula, cuja heroína se chamava Olinda. Nada daquilo que se fala popularmente de “Ó linda situação para se construir uma cidade!”. Pura fabulação!
Governou por quase vinte anos, desde seu castelo, (incendiado pelos holandeses, no século seguinte), localizado no alto da Colina, onde hoje funciona um barzinho, frequentado, dizem, pela chamada turma alternativa, denominado Cantinho da Sé. Veja só, que coisa!
Pernambuco, junto com a Capitania de São Vicente (atual estado de São Paulo) foram as que mais se desenvolveram. Talvez as únicas.
Duarte Coelho veio disposto a fazer a vida dele e da sua patota no Brasil. Trouxe da Ilha da Madeira uns caras experientes na produção agroindustrial de açúcar e, de lá para cá, este vem sendo o principal produto de exportação de Pernambuco. Aliás, inicio da indústria brasileira.
A história conta que o bastardinho trabalhou duro para dominar suas terras, aliando-se logo aos guerreiros índios Caetés, proprietários originais da região. Comeu da “banda podre” para estabelecer a ordem na Capitania. Lutou pra cachorro e por todo lado. Com os Tabajaras, outra tribo do pedaço, foi preciso fazer o casamento do cunhado Jerônimo com a filha do cacique. A noivinha recebeu o nome cristão de Maria do Espírito Santo e se tornou o símbolo da paz entre a tribo e os colonizadores. Pense na figura sendo transformada nessa noiva e nova cristã. Acho que foi daí, com certeza, que começou a aparecer a raça e o sabor da morena tropicana, no dizer de Alceu Valença. Mas, meus amigos, no meio dessa história toda, Duarte Coelho teve a idéia expansionista de ceder parte das suas terras, no trecho que hoje é a cidade do Recife (na época, uma simples colônia de pescadores). Expandindo a fronteira agrícola da capitania, Dom Duarte nem imaginava que, quinhentos anos depois, um bando de engraçadinhos, dirigentes do burgo olindense e amparados por documentos ditos oficiais, viessem cobrar dos recifenses, uma cidade de há muito emancipada, capital do estado de Pernambuco, uma tal Taxa Foral! Isto, quer dizer que nobres bairros recifenses não são terras próprias do município e, sim, de Olinda! Pode um negócio desses, a esta altura do campeonato? O Recife se encontra numa agitação incomum. Com razão. Como se não bastassem os inúmeros impostos e taxas que são cobrados da população local, vem, agora, Olinda cheia de direito cobrar mais uma taxa ... Ah! tem mais: como se trata de taxa foral, segundo dizem, não implica em benfeitorias. É uma história tão mal contada que causa a coletiva repulsa dos recifenses. A confusão está grande! É um tal de PAGA e NÃO PAGO, sem fim. E tem outra: não atinge somente o Recife, mas, também, Jaboatão dos Guararapes e o Cabo de Santo Agostinho. Eu só quero ver no que vai dar. Eu, que não pago! Isso é o que eu chamo de herança estapafúrdia.
Sinceramente, Duarte Coelho, por onde vosmicê andar, me diga como se deixa um negócio desarrumado desse jeito? Ou este negócio é também uma fabulação, que está sendo, oportunistamente, usada pelos modernos administradores da Marin dos Caetés?
Notas: Fotos do Google Imagens e informes históricos tirados do Wikipédia, a enciclopédia livre.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Meu destino nas mãos de Deus

Não sei se vocês estiveram atentos a alguns acontecimentos da última semana, no meio do mundo. Eu ouvi falar de coisas simplesmente raras e preocupantes. Não sei se é uma questão de idade, mas estou ficando medroso. E velho...
Está complicado viver relaxado no mundo atual. E não me refiro mais aos assaltos corriqueiros, seqüestros reais e virtuais, assassinatos banais e outras atrocidades que acontecem diariamente aqui perto ou no outro lado do mundo. Nem falo, também, do ataque que fui vitima, de um hacker nigeriano. Refiro-me a insólitas episódios.
Vocês viram que coisa absurda o caso dos policiais cariocas que, ao invés de socorrer o líder de um movimento cultural, que agonizava, numa madrugada do centro do Rio, preferiram ir ao encalço dos assassinos e tirar-lhes e se apropriarem dos pertences da vitima, fruto do roubo monstruoso. Algo como uma mochila e um tênis... sei lá... O cidadão que dirigia uma ONG, dedicada a tirar das ruas jovens em situação de risco, termina morto, por falta de socorro. Tudo documentado por câmeras de segurança. Que tipo de policia, afinal, temos neste país? As autoridades estão, cada vez mais, impotentes diante dos bandidos.
E o caso do médico que assaltou o paciente ao atendê-lo, num plantão de emergência, em São Paulo. O doutor-bandido foi preso em flagrante e liberado, em seguida, após pagar uma fiança de R$ 10 mil. Detalhe: o que ele roubou não chegava a R$ 200,00. Como se explica uma coisa dessas? O que passa pela cabeça de um profissional supostamente responsável e representante de uma classe honrada e respeitada, aqui e em qualquer lugar do mundo. Será doença? Cleptomaníaco? Francamente, um canalha desse tipo devia ficar mofando na cadeia e ter, na mesma hora, a licença profissional cassado pelo Conselho Regional de Medicina. Será que justificaram a atitude alegando, mesmo, distúrbio psicológico? Não, claro que não. Assim, ele não teria mais condições de exercer o oficio. "Coitadinho", não é? Pensando bem, ele deve ter voltado ao batente, no dia seguinte. É um caso a ser conferido. Tenho nojo dessas barbaridades que vejo nessa Lulolândia. Se os tubarões do Planalto Central roubam, porque é que o Doutor vai ficar sem tirar uma lasquinha?
Outra coisa que me deixou perplexo foi aquele caso dos pilotos que esqueceram de aterrissar, nos Estados Unidos. Não é incrível? Discutiam acaloradamente um tema qualquer e esqueceram que estavam no comando de uma aeronave, com mais de cem passageiros. Foi esta a desculpa que deram. Que nada! Eu acho que esses caras ligaram o piloto automático – coisa comum – e tiraram uma soneca mais longa do que programada. Ou você pensa que é diferente? Foi preciso a comissária de bordo abordá-los (ou acordá-los!) para cobrar atenção. O avião já voava a mais de uma hora do que o previsto no plano de vôo. Aí, eu pergunto: será que nesse avião não havia alertas automáticos? E as torres de comando em terra? Que danado de discussão tão profunda e hipnotizadora foi essa? E a responsabilidade e profissionalismo de cada um, por onde andava? É demais... E este não foi o primeiro caso! No ano passado, pilotos de uma aeronave da Índia, num vôo entre Dubai e Mumbai dormiram e passaram do destino. A torre de comando tentou, sem sucesso, acordá-los e o problema virou um caso de emergência tumultuadíssimo. Suspeitaram de seqüestro, mobilizaram policia de elite e tudo que se teve direito.
Essas coisas me deixam atento e medroso, como falei antes. Explico: preciso da policia para me proteger. Preciso, eventualmente, de um médico para me assistir numa emergência e, por fim, preciso com muita freqüência de comandantes e aeronaves seguras para me transportar daqui para acolá. Preciso de muitas outras coisas... Mas, em quem confiar? Só tem um jeito: depositar meu destino nas mãos de Deus.
Nota: Foto obtida no Google Imagens

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Nigéria, Nunca Mais!

Era dia de postar uma matéria no Blog e eu já estava bem adiantado nas criticas ao estado de guerra civil que vive o Rio de Janeiro, justo num momento em que o mundo se volta para a cidade que vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Foi horrível. Fiquei chocado. Quem não fica? A insegura imperando e as autoridades impotentes diante do horror. A primeira coisa que me tocou fazer foi dar uma olhadela nos jornais mundo afora. Aí, foi que fiquei preocupado... O mundo inteiro acompanhou atento o que ocorria na cidade maravilhosa e não poupou criticas pesadas. Aquele helicóptero alvejado, sendo mostrado pelas emissoras de TV do mundo inteiro. Sinceramente? Doloroso!
Mas, eis que – em plena produção para o Blog – a violência me pega “de calças curtas”! Minha conta de email, de repente, foi bloqueada pelo servidor. Sem ter nem praquê! Fiquei sem comunicação com o mundo. Pelo menos com o meu mundo...
Nisso, meu celular toca e, no outro lado da linha, ouvi alguém saudar-me com alegria e logo perguntar se eu estava bem. Respondi que sim e veio uma inusitada explicação: meu interlocutor dizia haver recebido um email, por mim assinado, dando conta de que eu estaria em apuros, perdido numa cidade qualquer da Nigéria, sem lenço, dinheiro ou documento. Surpreso, cai na risada e reafirmei estar bem e em plena atividade no meu escritório. Dali para frente meus telefones – fixos e celular – não pararam de tocar. Não fiz mais nada na manhã dessa 2ª. Feira,19 de outubro.
Vejam só a que ponto chegou a insegurança. Fui atacada na rede de internet. Alguém, em algum ponto, deste mundo de meu Deus, escolheu meu email e o corrompeu. Descobriu minha senha e astutamente, forjou uma história estapafúrdia. Jogou-me virtualmente na Nigéria, criou um drama pessoal mirabolante e tentou ludibriar meus amigos e amigas, integrantes da minha rede de relacionamento na Internet.
No meio da confusão que me encontrei, descobri que se tratava de uma nova modalidade de ataque ao internauta. Frequentemente, recebo emails, me oferecendo milhões de dólares, euros ou libras, tudo assinado por figuras estranhas e certamente fictícias tentando, seguramente, infectar minha máquina ou desvendar minhas senhas de emails, contas bancárias, entre outras. Deleeeeeto, na hora. Agora, receber uma mensagem assinada por um conhecido. Foi demais. Eu assinava a mensagem!
Isto mobilizou meio mundo. Recebi, inclusive, ligações do Chile e da Argentina, mensagens de Portugal, México e outros pontos do Brasil, de amigos a busca da verdade. Alguns se diziam dispostos a me mandar uma ajuda para que eu pudesse sair da enrascada que, supostamente, estava metido. Imagine que o sacana engendrou uma história “redondinha”: eu chegando à Nigéria, numa viagem de negócios (isto bate com meu perfil profissional) e deixando, por esquecimento (só eu mesmo...), minha maleta de mão, no banco traseiro do táxi que me havia levado do aeroporto ao Hotel. Nessa maleta, foi-se todo meu dinheiro, passaporte, cartões de crédito e celular. Ora, cá prá nós, fiquei no “mato, sem cachorro!” “Papai, mamãe! Me acudam!” A saída foi apelar para a bondade dos amigos.
Fico grato pelas manifestações de solidariedade de uma legião de amigos. Todo mau trás um bem, já dizia minha finada mãe. Esse incidente proporcionou-me avaliar o quanto sou querido pelos muitos amigos. No fim do dia, alguém que me sugeriu fazer uma festinha com o titulo de: “Voltei da Nigéria, sem lenço e sem documento”. Estou pensando no caso.
Agora, teve uma coisa: nem imagine, caro leitor ou leitora, a trabalheira que tive para restaurar meu email. É um protocolo danado. Mas, vale à pena pela segurança que demonstra. Pode crer. Fora disso, acho que perdi uma postagem em andamento... mas, entrei logo nesta, com um mote inesperado, porém, muito atual. Acho ótimo poder ter sempre um porém, na vida.
Neste caso, porque serve de alerta para todos os amigos. Qualquer um está sujeito a esta cilada. Repito: é uma nova modalidade. Eu tive a “honra” de inaugurar no papel de vitima. Nigéria, nunca mais!
NOTA: Nesta postagem não apresento fotos porque a câmera ficou na mala perdida. Pode rir. Eu deixo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Farmácias e Pharmácias

...então, não tive outra opção, a não ser correr a procura de uma farmácia, onde encontrar um medicamento eficaz. A gripe era fortíssima. Acontece que comprar um remédio em Lisboa não foi uma coisa fácil. Tomei um taxi e pedi que me levasse ao Shopping Amoreiras, num bairro nobre da capital portuguesa. Chegado lá, pedi no balcão de informações a indicação de onde se localizava a farmácia mais próxima daquele ponto, naquele centro de compras. A mocinha, digo a rapariga (como convém praquelas bandas), surpresa com meu pedido, responde: “mas estamos num Centro de Compras, xinhore. Aqui não são vendidos medicamentos. Cá só se vendem moda, electrônicos, objectos para presentes... guloseimas... As farmácias estão todas fora. A mais próxima está a três quadras adiante, seguindo a direita.” Mais surpreso do que ela, disparei: “mas, três quadras! Tudo isto?” “Xim sinhore. Há outra, 500 metros após. Cá em Portugal, as farmácias distam, sempre, essa distância regulamentar uma d´outra!”. Com essa resposta e com aquele sotaque lusitano, minha dor de cabeça aumentou e o mal-estar se ampliou.
Vejam que coisa curiosa. Aqui no Brasil é tão diferente. Eu, pessoalmente, quando vou comprar medicamentos, procurar uma área em que haja um conglomerado de estabelecimentos. Se não tem o que procuro numa, certamente terá na de junto. Coitados dos portugueses.
Coitados virgula... eles respeitam uma recomendação da Organização Mundial de Saúde – OMS de que deve haver uma distancia de 500 metros entre uma farmácia e outra. Não me pergunte sobre a lógica dessa coisa. Assim, os portugueses estão corretos, como outros devem seguir esta recomendação. Nós é que somos diferentes de tudo. Como não há rigor para nada, neste país, a coisa rola de qualquer modo e conforme a ganância dos comerciantes. Afinal, o que vem a ser uma recomendação internacional? Nada! Apenas uma recomendação. Fiquei sabendo disso tudo, esta semana, lendo num jornal do Recife matéria muito interessante a respeito do número de farmácias funcionando no Brasil. São 72.480 estabelecimentos comerciais do gênero, para 191 milhões de habitantes. Tem o dobro do que recomenda a OMS, que é de uma drogaria para cada 8 a 10 mil pessoas. Em Pernambuco, por exemplo, são 3.300 farmácias. Tem mais farmácias do que padarias e escolas de ensino médio públicas e privadas. Vejam só, são 2.900 padarias e 1.110 escolas no estado inteiro. Pelo visto, negociar remédios é mais interessante do que com alimentos e educação. Acho que tem muito mais doentes do que se imagina.
Segundo a reportagem, a Pesquisa constatou que existe no Recife uma drogaria para cada 2.617 pessoas. Isto é o triplo do que recomenda a OMS. Segundo o Sindicato dos Proprietários de Farmácias, 900 farmácias seria suficiente para atender a população recifense. Que jeito?
Ah, antes de terminar! Já ia esquecendo de arrematar minha historia, em Portugal: encontrei, sim, uma farmácia naquela tarde de primavera portuguesa. Na verdade fui bater a porta de uma Pharmácia. Pelo que vi, um estabelecimento secular. Uma beleza! Antiga, mobília austera, azulejada de azul e branco. Coisa, certamente, de várias gerações. E o que ocorreu, então, foi uma cena muito gozada: o pharmacêutico abriu-me a porta, ao toque de uma campainha, usava um pince-nez dourado, estava embalado numa bata imaculadamente branca, que ia ao rés do chão e, cheio de salamaleques, me perguntou: “Ah! Assim que o Xinhore está constipado?”“ Sim estou.” “ E o xinhore prefere um medicamento em drágeas ou vai querer logo a aplicação de uma pica?” Nem preciso dizer qual foi a minha escolha. Tá doido? Garrei das drágeas, paguei-as depressa e, mais depressa ainda, sai da Pharmácia, rindo de morrer. Acontece cada coisa comigo. A farmácia era uma pharmácia, mas, o remédio era moderníssimo. Fabricado na Alemanha. Foi eficaz. Fiquei bom em 24 horas.


Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Brasil, Bom de Bola

Na sexta-feira passada o gran-circo esportivo mundial, da próxima década, bateu seu segundo martelo com as cores auriverdes do Brasil: Copa de Futebol, em 2014 e Jogos Olímpicos, em 2016. Posso estar enganado, mas tenho a sensação de que é “muita areia para o caminhão brasileiro”. Tomara que dê tudo certinho.
Peraí, peraí! Não quero que me considerem pessimista! Pelo contrário, estou feliz com tudo isto e torcendo para que façamos tudo direitinho. Até, fiquei emocionado com o resultado da escolha do Rio. O que aconteceu em Copenhague foi bonito e tocante. Um espetáculo bem processado, o chororô do pessoal, a começar por Lula e Pelé, o povo comemorando nas areias de Copacabana, aquele bandeirão de não sei quantos metros quadrados, foi um apelo e tanto. Claro que mexeu com a emoção do brasileiro, inclusive os que trazem Brasileiro, no sobrenome. Essa coisa de ser a primeira cidade da América do Sul a realizar uma Olimpíada, o prestigio internacional que confere ao Brasil... Sei lá... tantas emoções... Acho até que deviam ter combinado com Roberto Carlos, para fazer o fundo musical. Cairia como uma luva, porque ele sabe saculejar a emoção brasileira, como poucos.
Mas, “martelo batido e ponta virada”, a verdade é que tem muito que ser feito, em pouco tempo, e muita grana vai ter que correr. Desafio colossal!
Recentemente, comentei sobre as minhas preocupações com a megalomania do Governo de Pernambuco, que pretende construir uma cidade da Copa. Hoje, é a do Brasil que me preocupa. Haja dinheiro para preparar este país para os dois mega eventos esportivos. Os maiores do planeta. Ouvi falar em algo mais de R$ 28,0 Bilhões somente para a preparação do Rio, até 2016. Fora o que vai ser gasto com a Copa, no próprio Rio e no resto do país, que não é pouco.
Tem uma coisa importante a ser destacada: esta escolha vai provocar uma mudança radical, em boa hora, para a Cidade Maravilhosa, que não anda essas maravilhas todas. Tenho ido por lá com alguma freqüência e noto a crescente decadência. Desde que deixou de ser a capital do país, que deixou de ser o centro bancário nacional, a Bolsa de Valores perdeu o prestigio, cedendo lugar à Bovespa (SP), os Ministérios da República e grandes repartições federais foram transferidas para Brasília, a cidade perdeu sua importância e com isto o prestigio.
Espero que aconteça no Rio, o que aconteceu noutras cidades que foram sede de outras Olimpíadas. Foi o caso de Barcelona, na Espanha. A cidade mudou de cara. Foi totalmente repaginada, áreas antigas, antes deterioradas, foram revitalizadas e o que resultou foi uma cidade nova, mais atrativa e melhor preparada para receber um fluxo turístico, que, a partir de então, se tornou mais intenso. Tudo que serviu de infra-estrutura para os jogos olímpicos teve utilidade pós-evento.
Se em Barcelona as coisas saíram nos conformes, o mesmo não ocorreu em Atenas ou Montreal. Segundo relatos oficiais, na Grécia a situação foi muito difícil. Por lá as coisas degringolaram e quando se aproximou a realização dos jogos havia estádios e estruturas incompletas. Os jogos foram abertos em meio a um canteiro de obras. Os gastos se multiplicaram por conta dos arranjos e improvisos de última hora. Já Montreal (Canadá) passou por uma situação também difícil. Embora tenham preparado a estrutura a tempo, o Governo administrou percalços na conta dos investimentos. Segundo se comenta até hoje, terminou com um rombo de arromba nos cofres públicos.
São exemplos que podem deixar em alerta, nosotros brasileiros. São investimentos muito altos. A Veja que circulou neste fim de semana trás imagens tiradas das pranchetas (Vide exemplo, na Foto) mostrando o que se pretende fazer, para deixar a Cidade, digamos que Maravilhosa, para receber os atletas e os milhares de turistas. É um baita desafio, para ser enfrentado nos próximos sete anos. Uma coisa, muito lembrada ultimamente, é realizar Jogos Pan-Americanos e a outra é realizar uma Olimpíada, que tem por principio suplantar as que antecederam. Pensando no que fez a rica China, em 2008, com irretocáveis estrutura e organização e outra, na Inglaterra, que vamos ver em 2012, faz sentido ficar de olhos abertos.
Bom mesmo é que esse circo (ciclo) esportivo vai provocar, além de um superaquecimento da indústria da construção civil neste país, a geração de muitos empregos, um movimento turístico sem precedentes e muitas outras atividades que envolvem esses certames. Resta esperar que gestores honestos (?) sejam escolhidos para tocar cada obra e que os tribunais de contas não os percam de vista.
Vai ser uma década de festas esportivas, à moda brasileira. É o Brasil, bom de bola, embora que nem tudo seja bola...

Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Em Nome de Deus

A revista Veja trouxe, na edição passada (30.09.09 – página Radar), uma interessante informação, fruto de uma pesquisa do Instituto Análise, a respeito das coletas de dinheiro, realizadas em diferentes igrejas no Brasil. São números surpreendentes, embora já se saiba que rola uma nota preta, nos bastidores das religiões, tudo sempre em nome de Deus.
Fiquei surpreso ao notar que, embora sejam os católicos os mais numerosos, quase o triplo dos evangélicos, contribuem com uma média de R$ 680,0 Milhões por mês. Já os evangélicos doam muito mais e, na hora da sacolinha, despejam a bolada de R$ 1,032 Bilhão, por mês! Se isto é muito ou pouco, para cada uma, difícil de avaliar.Agora, que tem nego rico por aí, isso tem!
Minha conclusão é de que transformaram a salvação da alma num grande negócio. Sou católico, pratico moderadamente e imagino que, muitas vezes, pode ser difícil administrar o complexo que envolve: manutenção do patrimônio, despesas correntes, constância dos ofícios, manutenção das escolas de formação, assistência social, promoção das missões, entre outros aspectos. Mas, a Igreja Católica tem uma história de 2000 anos.
Não posso, contudo, negar que me surpreendo com os números publicados e neles encontro explicação para as coisas que tenho ouvido – acho que até Deus duvida – a respeito de outras “igrejas” espalhadas pelo Brasil, algumas com filiais no exterior, que vivem lavando cérebros dos inocentes, prometendo, vejam só, desencapetamento, isto é, expulsar o capeta do couro do sujeito e, desse modo, pegando os bestas e somando riquezas fabulosas. E aqueles “bispos” que foram detidos contrabandeando maletas com milhares de dólares, num aeroporto dos Estados Unidos? Dinheiro tirado, em nome de Deus, das sacolinhas de contribuição de fiéis pobres e carentes de paz no espírito.


Conhecendo estes números e sabendo de como vivem esses pregadores modernos, entendi o que me dizia, outro dia, um amigo empresário, atravessando agruras nos seus negócios, que andava pensando em fundar uma igreja. Na hora, ri muito e levei na brincadeira. Mas, sei lá, podia ser mesmo uma idéia que se desenvolvia. Extrovertido, bem relacionado, com algum dinheiro e convincente nas suas oratórias, o cidadão podia ter intenções de enveredar pelo negócio do tratamento da alma. Ah! Tem mais: ainda me convidou para ser membro graduado. Fico me imaginando Bispo de uma igreja alternativa. Sim, ele garantiu que me nomearia Bispo. Já pensou? E o vivaldino do Maradona que, com um grupo de fãs, na Argentina, teve a audácia de fundar uma tal de Igreja Maradoniana. Não é ridículo?
A propósito disto, recebi recentemente um email que trazia uma lista exaustiva de igrejas existentes no Brasil. São coisas tão extravagantes, quanto irresponsáveis, explicadas, somente, pelo subdesenvolvimento social e baixos níveis educacionais do nosso povo. Imagine pertencer a uma igreja cujo nome é Igreja da Serpente de Moisés, a que engoliu as outras. Tenha dó... Selecionei, na enorme lista, coisas estapafúrdias, como: Igreja Abre-te Sésamo (deve ter um pastor-chefe com nome de Ali Baba e todo mundo rouba descaradamente), Assembléia de Deus do Papagaio Santo que Ora a Bíblia (deve ser a igreja do “São” Louro José e Ana Maria Braga é a Bispa), Igreja Cruzada de Emoções (com certeza, em homenagem a “São” Roberto Carlos), Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder (nem faço idéia de qual poder: Executivo, Legislativo ou Judiciário?), Igreja da Fortuna (esta deve ser a mais sincera, se por lá rola uma grana preta), Igreja Dekantahlahbassyí (que danado é isso? Estou curioso para saber o ideário desta), Igreja do Rio que corre torto (tem rio correndo reto?), Igreja Evangélica Bola de Neve (ôpa, esta deve crescer a toda hora e os fiéis vão aos cultos bem agasalhados!), Igreja Evangélica H.I.V. (Homem, Inteligência, Vida) (já pensou? Será que é reservada aos portadores do vírus da AIDS), Igreja Evangélica Sal Fora do Saleiro, Igreja Infantil Fofuras do Amanhã (Que gracinha! Xuxa deve ser a madrinha desta), Igreja o Cuspe de Deus, (imagino que deve haver um represente do Supremo cuspindo nos fiéis, livrando-os dos males terrestres), Igreja S.B.T. (Sanando Bênçãos a Todos)(Será de Silvio Santos?). E para terminar, com chave de ouro, esta seleção: a Igreja Pentecostal Marilyn Monroe! Não é incrível? Faço idéia da lapa de doido que fundou esta. E pensar que, além de nunca ter sido um bom exemplo de comportamento, Marilyn fez o maior sucesso, em 1956, estrelando o filme “Nunca fui Santa”. Deus que me livre dessas tentações.

Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

sábado, 26 de setembro de 2009

Imbróglio Político-Diplomático

Quando, em 28 de junho passado, o presidente Manoel Zelaya foi tirado da cama, escoltado, levado preso, embarcado num avião, de pijamas e jogado na Costa Rica, ficou claro que houve um sujo golpe de estado, na pobre e pequena República de Honduras, da América Central.
Neste humilde espaço de comunicação manifestei meu espanto e temor, claro, porque esse poderia ser mais um sinal de retrocesso político na América Latina, a exemplo de outros, de algum modo, já esboçados no passado recente.
Para meu alívio, vi as mais importantes nações do mundo repudiar e penalizar os golpistas, entre os quais os Estados Unidos, de Obama e o Brasil, de Lula. O governo golpista não teve, até hoje, nenhum reconhecimento político. Está isolado e sem crédito na comunidade internacional. Cooperações financeiras estão suspensas e embaixadores antes acreditados foram chamados de volta aos seus países de origem, incluindo o brasileiro.
Lembro também que fiz uma importante ressalva, ao abster-me de fazer qualquer julgamento a respeito dos argumentos dos golpistas. Ao contrário, foquei, tão somente, o episódio do golpe. Se Zelaya tinha ou não intenções chavistas de se perpetuar no cargo de presidente, não me interessou na ocasião. O golpe, sim, é que não tem cabimento.
O tempo passou, a mediação do Presidente da Costa Rica, Oscar Árias, foi infrutífera, a condenação da comunidade internacional não foi ouvida pelos golpistas, a investida de Zelaya para retornar ao país e retomar o comando não surtiu efeito e a coisa parecia cair no esquecimento, pelo menos pela mídia.
Esta semana, porém, a situação recrudesceu e mudou de figura, quando Mel (apelido que ele tem) Zelaya – um tipo raro, imagem meio mexicana, meio texana, bigodão e chapelão branco – apareceu de surpresa em Tegucigalpa (nome mais estranho), a capital de Honduras e, abrigado na Embaixada do Brasil, cobrou de volta a cadeira de presidente. Veja só, abrigado na Embaixada Brasileira. Cá pra nós, isto é o que classifico de hóspede indesejado. E, muita atenção, ele tem sido sempre considerado um hóspede. E isto, na minha opinião, tem forte relação com a operação política que se realiza em território oficialmente brasileiro. Fosse um exilado político a coisa seria diferente: teria que estar calado, recolhido e protegido. Não é o que vem acontecendo, nem é o que ele, Zelaya, deve querer. Com esse expediente e o beneplácito do Governo Brasileiro ele transformou a embaixada verde-amarela numa plataforma política, o que é uma atitude insólita e sem precedentes. Configura-se, para mim, como uma intervenção brasileira na vida interna de Honduras, o que é muito perigoso. Difícil é acreditar que o Itamaraty esteja alheio a toda essa manobra que trouxe o homem de volta.
Mas, seja lá como for, imagino que esta situação vem criando um sério problema para a diplomacia brasileira. O homem aboletou-se, com mais trinta auxiliares, na Embaixada Brasileira – meio desativada, sem o titular, que foi chamado de volta ao Brasil, após o golpe – de onde comanda uma verdadeira operação de retorno ao poder.
Ora, mesmo sem saber o que pode estar por trás disso tudo, nem até que ponto o governo brasileiro vai sustentar a situação, acho que melhor seria que o Brasil estivesse fora desse episódio. Por que o Brasil? Por que não a Venezuela? Ou os Estados Unidos, por exemplo, que tem uma forte tradição de “ajudar” nas coisas alheias? Será que temos competência para uma empreitada dessas? Nas últimas estocadas que levamos da Bolívia, Equador e Paraguai, saímos encolhidos. Perdemos todas. Pensando que com Honduras temos tênues relações políticas e econômicas, o que é que estamos fazendo ali? Sinceramente, é péssimo! Condenar o golpe, tudo bem. Mas, se envolver de cara no processo de restauração da ordem interna hondurenha, não é um bom papel.
O Presidente Lula vem conclamando as organizações internacionais no sentido de, numa intervenção pacífica, resolver o problema hondurenho. Tomara que ele seja ouvido, caso contrário, o Brasil corre sério risco de sair arranhado desse imbróglio político-diplomático, de uma autêntica republiqueta de bananas. Vale à pena?
Aguardemos o desenrolar da história.
Nota: Foto obtida no Google Imagens

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Megalomania Pernambucana

Tenho acompanhado, com freqüência, o noticiário sobre os preparativos para a Copa de 2014, aqui no Brasil.

Muitas coisas chamam a atenção, pelo ufanismo e gigantismo que se promete, com a imprensa escrita, falada e televisionada comentando largamente. E ainda estamos em 2009. Imaginem quando a coisa estiver mais próxima. Ninguém vai fazer mais nada, neste país do futebol! Tudo indica que não será uma coisa corriqueira. Vai ser um acontecimento imbatível e inesquecível.

Posso entender que nessas horas a imaginação corre frouxa e propostas mirabolantes podem, muito bem, se multiplicar. Mas, precisa ter muita grana para bancar um negócio desses. Fico espantado com as somas, multiplicações e divisões de dinheiro sobre as quais se fala a todo hora. Num canal de TV, ontem à noite, focalizaram um encontro em São Paulo no qual foram anunciados (ou confirmados) R$ 4,8 Bilhões para serem divididos entre os estados que sediarão jogos, incluindo Recife. Mas, atenção, o Ministro dos Esportes afirmava que este dinheiro sairá dos cofres do Governo, via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, com um porém! O Governo vai querer o dinheiro de volta. Trata-se, portanto, de uma linha especial de financiamento. Não me perguntem como será o plano de desembolso, nem o de restituição. Não ouvi explicações sobre a operação e, isto agora, não importa. Meu foco é outro, como explicarei a seguir.

Minha intenção não é comentar ou medir valores de investimentos em estádios projetados e sim dar impressões sobre o conjunto de (outras) necessidades que se constata país afora, para enfrentar um desafio tão grande. Por exemplo, tem coisa mais extravagante do que essa idéia de construir um estádio especialmente para a Copa, com um entorno urbano caríssimo, como o que se projeta para Pernambuco? Francamente, é uma falta total de responsabilidade. A idéia pode até ser boa, se o que se pretende é aproveitar a oportunidade de expandir a fronteira urbana da capital e oferecer novas unidades habitacionais a uma sociedade que traz, há muito tempo, um expressivo déficit de moradias. Mas, será que tem de ser num projeto dessa natureza. Não entendi, ainda, a explicação lógica dessa aventura, como prefiro dizer. Cidade da Copa é o nome que deram ao projeto e fica no município de São Lourenço da Mata. Uma nota preta está sendo orçada para esse empreendimento, em detrimento de outros de maiores relevâncias social, turístico-econômico e com sustentabilidade indiscutível, em muitos outros pontos da Região Metropolitana do Recife. Dizem que será realizado em uma parceria público/privada e custará R$ 1,6 bilhão! Ah! o mais incrível é que a obra só deve ficar completamente pronta em 2017, isto é, depois da Copa. Fico imaginado o cenário, em construção, nos dias de Copa...

É preciso ter presente que o Recife já conta com três estádios particulares! Um desses poderia ser reformado e modernizado, com custos bem menores e mais justos, redirecionando os recursos disponíveis para investimentos em outros setores carentes e também importantes para o evento da Copa. Por exemplos: novas vias de circulação, novas pontes, melhor iluminação, limpeza dos canais assoreados, alargamento das artérias principais, transporte de massa digno, taxistas e garçons preparados adequadamente para atender o turista torcedor, tirar os flanelinhas e prostitutas das ruas, água e saneamento, desfavelização, restauração e valorização dos centros históricos e, finalmente, segurança e assistência à saúde, particularmente em atendimentos de emergência. É muita coisa e tudo muito necessário porque, não podemos esquecer, na onda da Copa uma enxurrada de turistas, pode desembarcar por aqui e seguramente vai, depois de tudo, fazer a propaganda – boa ou má – da nossa cidade, conforme a experiência que tiverem. Pensemos no que pode acontecer. Imagine se tocar à chave do Recife seleções de países europeus. Faço idéia o que pode exigir um alemão ou um holandês, sueco ou algum dos seus vizinhos.

Francamente, esta é a hora de capitalizar a oportunidade única que se apresenta para divulgar nossos atrativos turísticos-culturais.

Por que não reformar e modernizar a Ilha do Retiro ou o Arrudão? Vi uma autoridade paulista, ontem na TV, declarar, enfaticamente, que não admite a construção de um novo estádio na cidade e que o correto é reformar e modernizar o Morumbi. Ora, meu Deus, isto é que é bom-senso.

Tem outra coisa que me preocupa: passada a Copa, quem vai jogar lá? Será que Sport, Náutico, Santa Cruz e outros menores vão deixar seus próprios gramados para jogar na cidade da Copa? Sinceramente, não acredito. Essa arena poderá ficar sem serventia, salvo para campeonatos de bairros e subúrbios ou, então, tirar os peladeiros das várzeas do Capibaribe para jogar num gramado de primeiro mundo. A relação custo-beneficio vai parar nas cucuias (no nada) e o retorno financeiro nas calendas gregas (um dia que jamais chegará)!

Mas, ainda é tempo de rever. Aliás, antes que a Fifa dê uma marcha à ré e, sem acreditar nos megalomaníacos pernambucanos, elimine a chave do Recife, como já andaram ventilando.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

domingo, 13 de setembro de 2009

Onde anda nosso patriotismo?

Esta semana ocorreu-me algo preocupante. Cheguei à conclusão de que as comemorações da semana da pátria – e o próprio dia da pátria – no Brasil é, atualmente, coisa de último plano. Na minha época de estudante do primário, havia uma verdadeira mobilização para incentivar o futuro cidadão a prestar uma especial reverencia, ao dia 7 de setembro e relembrar o episódio do Grito do Ipiranga.
Lembro que, todo ano, meu pai nos mobilizava para assistir ao desfile militar, que assistíamos com o maior respeito e atenção. Durante a semana que antecedia, participávamos de comemorações na escola e o pavilhão nacional era hasteado toda manhã, ocasião em entoávamos os hinos da Independência e Nacional.
Atualmente, ninguém faz mais isto. A única coisa que se foca é o fato de que haverá um dia feriado, para ir à praia, porque a partir de então já é verão na região. E uma lástima que se tenha perdido estes hábitos do passado. A meninada atual, mal sabe o que significa pátria, patriotismo, nacionalismo e civilismo. Se inquiridos, acharão tudo muito estranho.
Acho que essa apatia se deu depois dos anos de repressão. Ir ao desfile militar e festejar a o Dia da Pátria seria uma forma de chancelar o governo ditador. A população foi se afastando e, até hoje, não voltou em massa, como dantes.
Estas minhas conclusões foram provocadas por um passeio que fiz na última 4ª. Feira pelas ruas de Ipanema, no Rio, onde estive rapidamente. Fim de tarde e, de repente, dei de cara, em plena Praça da Paz, com a escultura de uma vaca completamente coberta de mini-bandeiras brasileiras. Achei, no primeiro momento, uma coisa insólita. Como centenas de bandeirinhas brasileiras foram parar ali? Por que?
Intrigado com aquilo, embora conhecendo esse tipo de escultura que se espalha pelas grandes cidades, mundo afora, continuei minha caminhada carioca. Poucos metros depois, vi-me, diante da vitrine de uma boutique, com inúmeros artigos, acessórios de moda feminina, tudo em verde e amarelo e cheios de bandeirinhas do Brasil. Foi quando cai na real: estamos na semana da pátria! E, de algum modo, estão comemorando! Mesmo que enfeitando uma vaca esculpida em ferro e cimento ou tentando vender moda verde-amarela.
Pois é, já está na hora do brasileiro começar a celebrar o 7 de setembro, de forma devida, dentro do Brasil. Digo dentro porque, em Nova York, a brasileirada fecha a Rua 46 (Little Brazil) e a 6ª. Avenida e faz um carnaval de arromba. O Edifício Empire State ilumina sua imponente torre com as cores do Brasil.
Lá mesmo, nos Estados Unidos, os norte-americanos festejam o dia da Pátria, todo 4 de Julho, com festas de canto a canto do país. São célebres as grandiosas queimas de fogos, na noite do Independence Day. Todo mundo hasteia sua bandeira, veste-se de Blue, White, Red, e festeja o dia inteiro com amor e orgulho.
Na França, nem se fala. Não existe povo mais patriota e nacionalista do que o francês. Há quatro anos passei o 14 de Julho, em Paris. O povo, desde a véspera, vai às ruas, dançam e bebem, a noite inteira, e na manhã seguinte comparece em massa ao desfile militar, na Avenida Champs Elisée. É uma verdadeira apoteose. Os festejos são encerrados, à noite, com uma formidável queima de fogos no entorno da Torre Eiffel. Um espetáculo inesquecível. Aliás, eu não vou esquecer jamais esse dia, porque, por coincidência, 2005 foi o ano do Brasil na França. Paris estava enfeitada com bandeiras da França e do Brasil. Lula, apesar da crise do mensalão, prestigiou os festejos e a esquadrilha da fumaça da Força Aérea Brasileira, fez um desfile aéreo sobre Paris, deixando um rastro de fumaça verde-amarela e bleu, blanc, rouge. Emocionante para o pau-de-arara. Não, Lula não! Eu mesmo. Precisamos resgatar e cultivar nosso amor à Pátria e comemorar de forma mais digna nosso 7 de Setembro. Afinal, sempre teremos motivos para isto.
O Grito dos Excluídos, que acontece a cada ano, desde os anos 90, pode acontecer também. Acho legitimo, porque estamos numa democracia. Mas, será esta a única forma de passar por um 7 de Setembro? Onde anda nosso patriotismo?
Nota: Fotos do Blogueiro (a da vaca em Ipanema) e do Google (Paris)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Viver com qualidade (slow/down)

Há pouco, terminei de ler a obra do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, intitulada A Viagem do Elefante, que ele garante ser relato de um real fato histórico. Tive dúvidas, confesso. Mas, vá lá que tenha sido.
Segundo narra Saramago, um elefante trazido, por mares, desde Goa, nos costados da Índia, para Portugal, em meados do século 16, depois de algum tempo deixado em abandono, próximo ao Palácio de Belém (Lisboa) foi dado de presente de casamento, por D. João III e sua mulher Catarina d´Áustria, ao Arquiduque Maximiliano II, da Áustria, (foto) com a filha de Carlos V, de Espanha. A entrega desse, singelo e singular, “presentinho” se constituiu numa verdadeira epopéia por terras de Portugal, Espanha, Itália e Áustria, até alcançar Viena. Aqui pra nós, que presente mais estranho, um trambolho dos infernos! Imagine, Caro Leitor ou Leitora, que foram meses de caminhada numa Europa desprovida das modernidades hoje existentes, arrastando o paquiderme, incluído – o que foi incrível – na comitiva que levava o soberano austríaco e sua consorte, desde Valadolid (Espanha), de volta para casa, em Viena (Áustria). Durante o percurso, até hoje não se sabe quem era mais esperado, nos pontos de parada do cortejo, se o casal real ou o elefante. Cabeças coroadas eram muitas, naqueles tempos. Já, elefantes, na Europa? Nem pensar. Muito divertida a descrição de Saramago, que tem um raro e especial estilo de escrever, combinado com finas ironias, somadas, neste caso, de comparações sutis entre o dantes e o atual. Apurado humor, no mais puro português de Portugal, o que, para nós brasileiros, torna o texto ainda mais engraçado. Excelente leitura.
Lendo aquilo, lembrei-me que muito menor sacrifício era viajar entre o Recife e Fazendo Nova, já na metade do século passado. Saíamos de madrugada, num moderno trem a vapor, uma maria-fumaça, até Caruaru, de onde percorríamos mais 48 quilômetros, numa estrada carroçável, até a porta da casa do meu avô materno. Era uma canseira dos diabos. Chegávamos empoeirados, exaustos depois de um dia inteiro de viagem. Hoje essa trajetória é feita em duas horas, no conforto de um automóvel moderno, com ar condicionado. Chega todo mundo fresquinho e inteiro. Imagino esses arquiduques do século 16 o quanto que sofriam. E a turma do empurra? Vassalos escravos, sofredores e sem esperanças de vida. Saramago descreve direitinho.
Quatrocentos e cinqüenta anos depois, as coisas mudaram radicalmente. A pressa e a competitividade crescem de modo acelerado a cada dia, transformando o mundo numa maratona do viver. Não se trabalha para viver, vive-se para trabalhar. Qualidade é trocada por quantidade. Ao invés dos pombos-correios usados por Maximiliano II, temos o celular e o correio eletrônico. É tudo muito rápido. Quase sufocante. A máquina substitui o homem e assusta o cidadão, a toda hora.
Mas, vale à pena uma reflexão: o preço dessa celeridade é muito alto. O mundo globalizado cobra muito alto ao homem moderno. As pessoas estão se transformando em máquinas. Perde-se, aos poucos, a leveza que o ser humana porta ao nascer. A insensibilidade toma conta e o lema parece ser o popular “cada um por si e Deus por todos”. É uma pena, como se corre, como se come nas carreiras, como se perde tempo no trânsito e como a idéia da solidariedade entre os povos se esvai e quase já não existe. Isto sem falar na violência que cresce aceleradamente. Não, não desejo viver aos moldes do século 16. Impossível, até. Mas, que, pelo menos, sejamos humanos.
Tem circulado na Internet uma mensagem muito interessante, intitulada de
“A Cultura do Slow/Down”, já recebi inúmeras vezes. Trata-se de um movimento que nasceu na Europa – a mesma de Maximiliano II – alertando para um provável caos social. Condena o ritmo galopante do viver moderno e prega a diminuição da corrida. A idéia é privilegiar, por exemplo, uma refeição mais lenta, ou invés do chamado fast-food, que vem trazendo sérios problemas de saúde para as gerações futuras. É produzir mais e com qualidade, em menor tempo, e usufruir mais da bela aventura de viver. Criou-se, então o movimento Slow-Europe. Na base de tudo isto está o questionamento da “pressa” e da “loucura” gerados pela globalização, pelo desejo de “ter em quantidade” (nível de vida), ao contrário de “ter em qualidade”, “qualidade de vida” ou “qualidade de ser”.
Cultivemos uma vida ao ritmo de uma valsa vienense. A que já era dançada por Maximiliano II.
Nota: Ilustrações obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Aquarela (diversificada) do Brasil

Percorrendo o Brasil, em diferentes direções, é possível observar coisas interessantíssimas. Tive boas experiências nas três primeiras semanas deste mês de agosto, quando andei para cima e para baixo, ora trabalhando, ora passeando. Este nosso Continente é uma coisa fabulosa, face sua diversidade sócio-cultural, natural e econômica. Tem rico, tem pobre, cultos, incultos, intelectuais, caipiras, brejeiros, metidos-a-besta e, por aí vai. Na prática, são muitos Brasis...
Na primeira semana, fui a Manaus, na segunda a São Paulo e na terceira, por fim, ao Rio de Janeiro. Não fosse o fato de que, nas três localidades, fala-se o mesmo idioma e a moeda corrente é o Real, a sensação que sinto é a de haver estado em três paises distintos. A paisagem, a gente, os costumes, o trato ao visitante, a dinâmica das ruas, a comida, o sotaque, entre outros aspectos, dão toques próprios a cada localidade.
Em Manaus, senti-me num clima com fortes tons asiáticos. Aquele movimento de barcos, rio acima, rio abaixo, o clima, o biótipo do amazonense – com olhos amendoados, cabelos estirados e negros, tez pardo-amorenada – a fartura de pescados nas mesas, as ervas e frutas silvestres, os mistérios e lendas. É um negócio do tipo exótico e, ao mesmo tempo, fascinante. Lembra muito pouco do que se vê no Brasil daqui de baixo.
Já em São Paulo, muda tudo. Para começar, não tem praias, nem mesmo as de rios como no Norte, o que, inclusive, determina os modos e o vestuário do povo em geral. Há mais formalidade. Lembra muito os Estados Unidos, misturando com alguma coisa de Europa, e, só depois, nos lembra que ainda é Brasil. Um Brasil pujante e rico. Finalmente, o Rio de Janeiro, que tem uma paisagem toda própria, cheia de praias oceânicas e lugar onde a formalidade passa ao largo. Beleza natural se mistura com a ginga e descontração de um povo cheio de alegria e um jeitinho especial de viver. E tem uma coisa: o Rio só se parece mesmo com o Rio. Pronto. É isto. Pouca roupa, gravatas na gaveta, roupa de banho na fila do banco, todo mundo calçando havaianas. Haja descontração.
Nesses cenários uma coisa me chamou a atenção, enquanto visitante. Não sei se o Caro Leitor ou Leitora já testou: experimente pedir uma sugestão de onde, por exemplo, jantar numa dessas cidades. Cada uma tem seu jeito próprio de orientar, o que revela a maneira de ser ou da competência de receber o forasteiro. Em Manaus, a recepcionista de um hotel quatro estrelas, com olhar inocente, fica cheia de dedos, sem saber o que sugerir. Aparentemente, não sabe de nada. Parece que baixou de repente naquele lugar, louca para perguntar: “Onde estou?, Quem sou eu?, Quem é você?, Que dia é hoje? Que foi que houve?”. Os motoristas de táxi nem sempre sabem direito como chegar onde se pede. Ou seja, um despreparo geral, embora a cidade receba muitos turistas estrangeiros.

Em São Paulo, a coisa é completamente diferente. A recepcionista do hotel abre logo uma pagina na internet, num computador que passa 25 horas ligados, por dia, pergunta rápido se o sujeito quer comer carne, peixe, pastas, crustáceos, aves ou caça exótica. Complementa indagando se o suplicante deseja um restaurante esloveno, sul-vietinamita, bósnio, siberiano, nigeriano, húngaro, irlandês ou outros mais populares como tailandês, tanzaniano ou búlgaro, imprime umas páginas, ajuda na escolha do restaurante, tira um mapa da gaveta, assinala a localização, informa o roteiro, reserva uma mesa, dá uma idéia de preços, sugere o prato e chama um táxi especial para levar o cliente. Tudo em poucos minutos e em ritmo de São Paulo. Bote eficiência nisso tudo. Dá gosto. Aliás, a idéia que a recepcionista transmite a respeito do restaurante e do cardápio, já deixa o cara com água na boca e apetite aguçado. Dá tudo certo, é claro. E, na volta ela pergunta preocupada e docilmente: “Foi bom? E, então, o Senhor gostou?” O então é de praxe! É o cacoete da moda. Em toda oração cabe um então.
E no Rio? Bom, por lá a coisa é um pouco diferente. Eles sabem das coisas. Mas, têm, digamos, um jeito próprio de informar: “você vai aqui pelo calçadão, entra na primeira à esquerda, alcança a N. S. de Copacabana, a esquerda, novamente, dobra a direita, chega à Barata Ribeiro, pega a direita, entra na segunda a esquerda e, na esquina com a Toneleiros, encontra um restaurante muito bom. “Mas, espere um pouco, que tipo de comida eles serve?”. “É uma churrascaria, muito boa, com espeto corrido”. “Mas, meu amigo, eu não quero comer churrasco! Prefiro peixe, uma coisa mais leve...” “Ah, é isto?! Então vá caminhando, por aqui mesmo na Atlântica, duas ou três quadras, e procure um restaurante português que serve bons peixes. Tem um bacalhau excelente! Dá para ir andando”. Você vai, mas de olho bem aberto com os tipos que circulam no calçadão. É uma “fauna” fabulosa. Coloriiiiida... As cores do arco-íres. A comida? Tem gosto de “não volto mais aqui”.
Eu sei, é claro, que tem restaurantes ótimos no Rio! Mas, o visitante precisa ser melhor assisitido. Sobretudo nos bons hoteis, como foi meu caso.
Quanta diversidade, meu Deus!
Nota: charge obtida no Google Imagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

São Paulo, outra vez.

Já confessei, noutras ocasiões, minha paixão por São Paulo, sendo mesmo um dos meus destinos favoritos. Estranho para quem detesta uma metrópole agitada, poluída e de transito complicado, eu sei. Mas, aquilo lá, tem seus encantos. E, se a visita incluir o interior do estado o encanto se completa.
O recente fim de semana, aproveitei mais uma dessas idas, sem os rígidos compromissos profissionais, para conferir o que há de novo e o que está “vindo com tudo”. São Paulo é bom para essas coisas.
Dois momentos dessa viagem merecem destaque neste bate-papo de hoje: a visita que fiz ao Museu do Futebol e o domingo em Campos do Jordão. Sobre o museu, começo lembrando que o que vem acontecendo, ultimamente, em São Paulo, determina uma total mudança do conceito de museu neste país. Agora, não se trata mais de um espaço com imagens ou objetos estáticos, enredomadas e com avisos de nãometoques. Assim é o fantástico museu da Língua Portuguesa, que comentei por aqui em fevereiro do ano passado, e também é o novíssimo Museu do Futebol, que fui checar, 6ª. Feira passada, com meu filho, jovem vidrado em futebol. Trata-se de um dos mais fantásticos frutos da mídia digital neste país. O futebol brasileiro ganhou o maior acervo de informações já reunidas, num único espaço, instalado sob as arquibancadas do estádio do Pacaembu. São imagens e objetos especiais lembrando desde os primórdios da introdução dessa modalidade esportiva, em terras brasilis, pelas mãos de Charles Miller, até os dias de hoje, passando pelos momentos de glória das copas conquistadas, pelos inúmeros campeonatos que são promovidos a cada ano, pelas amargas derrotas e, claro, os incensados craques da bola. É um “choque” de imagens em LCD ou projetadas por canhões data-show, planas ou tridimensionais, painéis back-light, bandeiras, flâmulas, um mar de camisetas de todos os clubes do país – inclusive do pernambucano Íbis, o pior time do mundo – tudo inteligentemente exposto, criando um cenário de profundo dinamismo. Ao todo, são 6.900 m² de exposições, 1442 fotos e 6 horas de vídeos disponíveis aos visitantes. Dinâmica é o que não falta, por lá. Bem dentro do espírito do futebol. Ficamos galvanizados no salão Anjos Barrocos, no qual saltam aos nossos olhos as imagens tridimensionais, em tamanho natural, dos maiores ídolos dos gramados nacionais em lances sensacionais. O visitante se empolga de tal modo que é capaz de sair procurando uma bola virtual chutada em direção ao nada. Noutro salão, denominado de Exaltação, a empolgação continua com o clima das torcidas. Um multimídia, em vários planos, emite imagens das mais vibrantes torcidas, dos maiores clubes brasileiros, entremeadas por um frenético jogo de luzes, nas entranhas das arquibancadas do Pacaembu, dando ao visitante uma sensação muito forte de estar diante de um jogão. O som do local reproduz nitidamente os gritos de guerra e hinos entoados. Do Recife, aparecem as torcidas do Sport e do Náutico.Para coroar a interatividade, já no final do circuito, o visitante contagiado por aquele clima espetacular, dá de cara com uma fileira de tótós e com uma cobrança de pênalti contra um goleiro e barra virtuais, num irrecusável convite de “venha jogar”. A turma faz fila para dar um chute a gol, avaliando sua habilidade e a velocidade da bola, neste caso muito real. É sensacional. Mesmo para os que não são amantes do futebol, vale à pena uma visita. Saiba mais clicando: http://www.museudofutebol.org.br/
O segundo comentário é sobre a belíssima estância climática de Campos do Jordão, a Suíça brasileira. Este é o tipo de lugar que faço questão de visitar, sempre que possível e foi o que fiz no fim de semana. Cada vez que volto por lá, saio entusiasmado por ver uma cidade que está sempre crescendo e inovando, sem perder suas originais características de cidade com clima de montanha e especial charme, no mais puro estilo europeu. A temperatura media esteve na casa dos 10ºC. Distante 170 km da cidade de São Paulo, facilmente alcançada por boas rodovias, no alto da Serra da Mantiqueira. Nada mais agradável e refrescante para a mente do que entrar e sair das lojas, cafés e restaurantes desse lugar que vive do turismo de inverno. Para as mulheres consumistas, um paraíso com as malharias que “atacam” de moda inverno, a preços módicos, devido a concorrência acirrada. São muitas malharias. Para os homens, o programa preferido são os bares e uma cervejaria, a Baden-Baden, que exerce um especial monopólio e concentra uma gente bonita num bate-papo sem hora para acabar.
Nos arredores, um mundo de atrações para visitar, com direito a teleféricos, cascatas, passeio de trenzinhos, pista de patinação no gelo, trilhas ecológicas, entre outras.
Voltei revigorado, com se houvesse tirado umas férias de verdade. Pena que foi somente um fim de semana, com quatro dias.
Nota: Foto do Google imagens (museu) e do blogueiro (Campos do Jordão).

domingo, 9 de agosto de 2009

Amazônia – Planeta Água

Acabo de voltar de Manaus, a bela capital do Amazonas, no coração da mítica Selva Amazônica, onde passei três dias. Há pelo menos dez anos sem ir até lá, fiquei impressionado com o crescimento e mudanças na estrutura urbana que vi. É outra cidade. Passada a efervescência que a caracterizou, nos anos 80 e 90, com o movimento comercial alavancado pela Zona Franca, a cidade se mostra hoje mais madura e com ares de Metrópole. Por lá, acredite, na se vê pedintes, nem ambulantes ou limpadores de pára-brisas nos semáforos. A cidade é limpa e, segundo me informaram, tem uma violência mínima e, apesar do calor, não vi ninguém nu da cintura para cima ou em trajes sumários ou indecorosos. Os turistas que circulam não são mais aqueles ávidos por comprar e comprar. Ao invés disso, são os interessados em ver de perto tudo que se fala e se propala sobre o pulmão do planeta: o verde luxuriante da floresta, a rica fauna e a imensidão aquática. É um lugar onde podemos cruzar com pessoas de todas as procedências, falando os mais distintos idiomas.
Dos programas turísticos não podem faltar um passeio pelos rios e igarapés (pequenos rios, por onde só circulam canoas), um contato direto com os animais silvestres e a vegetação e degustação da cozinha regional, sempre às voltas com os pescados. Sem falar no Teatro Amazonas, que é uma atração à parte.
Sem muito tempo para fazer turismo – fui numa missão de trabalho – ainda tive a chance de adentrar o Rio Negro e alcançar o ponto de encontro das águas deste com as do Rio Solimões e, a partir dali, formar o Rio Amazonas, que desagua no Atlântico. A bordo de uma pequena embarcação, conhecida como voadora, com capacidade de levar dez passageiros, fui, com companheiros de viagem, ao citado encontro, que eu já conhecia, mas quis rever. É um belo espetáculo da natureza. Impressiona ver como a cor do Negro – assim devida ao PH que se forma na região que corre, desde os confins da Colômbia – não se mistura ao do Solimões, de cor barrenta, por conta do solo que atravessa desde o alto dos Andes, no Peru. Mas, viver a Amazônia é entrar em contato com um mundo cheio de hábitos e costumes bem particulares. É um outro mundo, dentro do Brasil. Lembra muito alguns países asiáticos, seja pelo biótipo do homem local (há teorias que garante ser de origem asiática) ou pelas formas de viver. E, aquela profusão de canoas, barcas e navios circulando, carregando pessoas e mercadorias, tem uma cara danada de Sudeste da Ásia.
Outra coisa que me deixa fissurado, na Amazônia, são as lendas que fazem o imaginário daquela gente maravilhosa. Eles acreditam em coisas incríveis. Nesta viagem ganhei um livro (Emoções Amazônicas – Bernadino, Francisco R.) que narra coisas fantásticas, algumas das quais pincei para esta postagem.
A primeira delas fala da origem do fruto do guaraná. Os Saterê-Maués, índios que vivem entre os rios Maués e Andirá, garantem que na região havia três irmãos órfãos, dois rapazes e uma linda moça, que de uma gravidez indesejada deu a luz um menino com belíssimos olhos negros. Por ciúme e inveja os tios o mataram aos cinco anos. Desesperada a mãe, antes de cremar o cadáver, arrancou-lhe os olhos e plantou-os na floresta, pedindo ao Deus Tupã (a maior divindade indígena), que o devolvesse a vida em forma de vegetal (foto). Assim, nasceu o guaraná, que se transformou numa marca do Brasil, em forma de bebida energética e afrodisíaca. Uma beleza!

Outra lenda incrível, fala do boto vermelho, mais conhecido como Boto Cor de Rosa. Essa é demais. Acontece que o boto, um cetáceo que habita os rios da Amazônia, tem uma massa cefálica maior do que a do homem e é capaz de estabelecer relações especiais com este. É personagem central de lendas fantásticas. A mais interessante diz que tendo genitália muito semelhante aos humanos, seja homem ou mulher, são muitos os casos das relações intimas entre homens e boto fêmea e mulheres com boto macho. O incrível mesmo, vem depois, é que há registros civis de crianças como sendo "filhos do boto". É demais! Para mim, é uma desculpa amarela. A ultima lenda, que selecionei, é a de que mulher menstruada não pode viajar de barco porque pode atrair o boto, que tentará arrebatá-la. Dizem que tem nego que morre de medo de perder a companheira, assim como tem mulher doida para viver o sonho de transar com um deles. Ao mesmo tempo, se necessário for, a mulher menstruada não pode entrar pela proa ou popa do barco de um pescador. Tem que embarcar pelo meio da canoa, para que haja uma boa pesca.
São muitas historias fantásticas que correm pela imensa Amazônia. É preciso ver de perto esta região, testemunha maior do que se conhece por Planeta Água.
Nota – Foto do Blogueiro e outra (semente do gauraná) obtida no Google Imagens. Quem quiser ver imagens da genitália do boto femea confira no Google Imagens. São tão eróticas que tive acanhamento de postar.