sábado, 21 de novembro de 2015

Para onde Vamos?

Como se não bastasse toda essa parafernália político-econômica brasileira eis que somos surpreendidos com catástrofes nos âmbitos domésticos e externos. Não tem sido tranquilo acompanhar o noticiário dos meios de comunicação. E, se o meio for a TV a sensação é mais cruel, pelas imagens reproduzidas, que só transmite insegurança e medo. Muito medo.

É sabido que acidentes acontecem. Mas muitos podem ser evitados, quando não existem a ganância e irresponsabilidade dos gestores privados e públicos. É o caso dessa tragédia de Mariana, em Minas Gerais. Ninguém de são juízo e responsável admite que essa Samarco (braço da megaempresa Vale do Rio Doce) não tivesse condições técnicas de prevê um desastre de tal monta. Com receitas astronômicas, tinha que ter equipes competentes e vigilantes. Para isso é que existem engenheiros especialistas em monitoramento desse tipo de barragens de rejeitos minerais e, inclusive, de profissionais experientes em SMS – Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Embora pouco valorizados estes últimos com competência e determinação podem evitar tamanha irresponsabilidade. É inadmissível que essa Samarco tenha deixado passar de investir nessas importantes frentes.
Bento Rodrigues, um pequeno distrito do Município de Mariana, foi riscada do mapa. Acabou-se, simplesmente. Com ele desaparece uma pagina da historia de Minas Gerais e do Brasil, afinal um lugar com 317 anos de existência, estava sobre a rota da Estrada Real, do século XVII. Igrejas e monumentos seculares de importância cultural sumiram na avalanche de lama que desceu após os rompimentos dos reservatórios de Fundão e Santarém. O mais grave, contudo, foram as perdas humanas. Dá revolta saber que os 600 habitantes do vilarejo mineiro tiveram familiares arrastados e tragicamente mortos, além de perdas totais dos seus bens materiais. Casas, veículos, móveis e preciosos registros das respectivas histórias familiares estão hoje misturados ao mar de lama que matou o mais importante rio da região, o rio Doce, que desce até o estado do Espírito Santo devastando e acabando com a vida de imensa região, importantes cidades, antes em pleno apogeu econômico. Como recomeçar a vida que, afinal de contas, continua? Ninguém, a distancia ou próximo, pode fazer ideia exata do que passa pela cabeça de cada vitima. A (ir)responsável pela devastação – considerada como uma das mais graves no mundo – promete ressarcir os prejudicados e  recuperar o meio ambiente. Foi condenada por aportar uma merreca de R$ 1,0 Bilhão, como se isto fosse suficiente para devolver vida digna aos sobreviventes e ao meio ambiente. Pra onde vamos? Que país é este?

A mesma questão pode ser colocada no âmbito internacional. Pra onde ruma nosso mundo?
Enquanto um pedaço do Brasil vem sendo devastado, estamos assistindo com perplexidade os últimos atentados terroristas na África e em Paris que expõem de modo cruel uma civilização deteriorada, tal qual um tecido esgarçado e prestes a se romper. Não faz muito tempo que, noutro post, considerei que a Europa está pagando um preço muito alto por todas as explorações e atrocidades que cometeram no passado. Como colonizadores exploraram, até não mais poder, e esqueceram-se de construir sociedades dignas e bem estruturadas, nas antigas colônias. Sem respeitar os valores culturais, incluindo os religiosos, e, ao contrario disso, tentando destruí-los, terminaram fomentando a formação de um mundo de ódio e vingança que agora se manifesta de modo surpreendente e assustador. A paz tão desejada entre as nações virou uma utopia.
Os acontecimentos de Paris, na Sexta Feira 13, de novembro passado, repercute até agora e dificilmente será esquecido, tal como sendo um ataque de guerra. Os franceses estão sobressaltados e o mundo perde a confiança. Depois disso, quem diria que um hotel no pouco conhecido Mali, um pequeno país perdido no meio do continente africano seria alvo de outro atentado?
Infelizmente, o ir e vir, do mundo moderno, deixa de ser um ato corriqueiro e tornam os viajantes e turistas comuns reféns de uma horda de fanáticos sanguinários e sem noção de humanismo.
Triste mundo que construímos para nossos descendentes. Para onde vamos, afinal?          


 NOTA: Este post dispensa fotos ilustrativas. As veiculadas pela mídia já são suficientes.