domingo, 9 de novembro de 2014

Circulando na Corte

Nesta semana que termina estive, por dois dias, circulando pela Corte Brasiliense. Nada de extraordinário, não fosse o período pós-eleitoral, o clima político reinante e o objetivo da minha viagem que foi participar do Encontro Nacional da Indústria (ENAI), promovido pela Confederação Nacional da Indústria – CNI. Já cheguei alimentando grande expectativa de acumular informações atualizadas do mundo político-econômico nacional. Não, necessariamente, para trazer alguma coisa para este espaço de conversa semanal, mas, principalmente por motivos profissionais.
Uma vez em Brasília, logo se nota que não é preciso correr atrás da noticia. Ela vem voando e entra por onde houver espaço, inclusive nas brechas mais exíguas. O clima de disse-me-disse é cultural e institucionalizado.  Verdades e mentiras se cruzam na maior facilidade. Fofocas e boatos são coisas de rotina. Um sujeito incauto pode ser engabelado, num instante. Por isso que, naquele “caldeirão efervescente”, trato sempre de apurar os ouvidos, abrir os olhos e com especial atenção filtrar fatos e relatos. Vamos lá.
Óbvio que o tema central da semana ainda foi sobre a reeleição apertada de D. Dilma e os apuros que ela vem sofrendo diante de uma oposição ainda no palanque, saudando feericamente o retorno do candidato derrotada no pleito, Aécio Neves, ao plenário do Senado (ele tem pela frente um mandato de mais quatro anos). Fora isso, é de se agregar uma série de outros contratempos para a Presidente reeleita, entre os quais lembro: a derrota, imposta ao Governo pela Câmara Federal, do projeto de Lei criando os conselhos comunitários, assim como a perspectiva de derrota no Senado; a contradição do aumento da taxa de juros para “conter a inflação”, uma semana após ser dita em campanha, pela candidata vitoriosa, como controlada e dentro da meta estabelecida  e, fechando a semana, a divulgação dos aumentos dos combustíveis e da conta de energia elétrica. Achei interessante quando ouvi dizer que esse conjunto de aumentos se constitui num “estelionato eleitoral”. Sim, porque de fato eram necessários, há um bom tempo, mas, somente aplicados após a vitória eleitoral. O imediatismo das correções, então, confirma melhor a urgente necessidade. As atenções agora se voltam para as consequências graves que podem advir dessas majorações de preços, porque, afinal, combustível e energia mais caros são determinantes de inflação em alta. Só nos resta rezar, com fé e muita esperança, porque o horizonte está, digamos, cinza chumbo.
Mas, se no lado econômico as coisas vão mal encaminhadas, o domínio político está cada vez mais azedo. O esforço que os petistas estão fazendo para “sustentar a peteca” é técnica, política e humanamente desafiador. Quero ver, agora, a competência dessa turma. A base aliada está rachada e prometendo rebeliões, a disputa por cargos na Esplanada dos Ministérios está acirrada, os compromissos da presidente são incontáveis, fala-se em aumento de cadeiras para ministros como se os atuais, quase quarenta, fosse um número pequeno. Nesse ambiente de disputas se pontua, com grande evidencia nacional e internacional, a difícil situação do atual Ministro da Fazenda, mais desgastado do que nunca, e a presidente não tendo um nome de consenso – entre eles – para acalmar o mau humor do mercado; noutra ponta vem o Poder Judiciário exigindo aumento para seu pessoal que, se concedido, terminará provocando num “efeito dominó” outros tantos e estourando consideravelmente a conta de despesas de pessoal do Governo, que precisa ser contida. Olhe, é um clima de total incerteza quanto ao amanhã.
Como pano de fundo, dessa atual “ópera brasiliense”, está reluzindo o Caso Petrolão. Há um estresse generalizado nas casas do Congresso Nacional, palácios e ministérios da Corte na expectativa da publicação da lista dos denunciados pelo doleiro Alberto Youseff. Várias vezes ouvi dizer que o Mensalão é “fichinha” diante desse novo escândalo. Sem nenhum sentimento de “quanto pior, melhor”, admito ser assustador. O Brasil não merece!
Diante de tantas incertezas temos mesmo que esperar o que os petistas proclamam, a toda hora: a “presidenta” pretende dialogar com todas as forças políticas para preservar a governança e o crescimento do país. “Difícil vai ser estabelecer esse diálogo. Ela é muito arredia e voluntariosa. Impõe distancias aos próprios “cumpanheiros” e os homens têm medo dela!” Ouvi de um correligionário.
Para terminar, um último comentário: é incrível como os petistas menos informados negam o fato de que a diferença de votos entre D. Dilma e Aécio tenha sido pequena. É não ter noção de matemática elementar! Dizem haver sido uma vitória retumbante. Mudaram o conceito de retumbante, assim como criaram um feminino de presidente. Mas, nem ela, a vitoriosa, nega este fato de vitória apertada. Na verdade os que estão na linha de frente sabem muito bem que foi uma verdadeira “vitória de Pirro” e que, assim sendo, vão precisar trabalhar muito e buscar se safar dos escândalos de corrupção.

NOTA: Estive em Brasília compondo a Comitiva da Federação das Indústrias de Pernambuco – FIEPE e representando o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE, no Encontro Nacional da Indústria de 2014.

3 comentários:

Susana González (Mexico) disse...

Situación interesante, un mayor reto con el congreso tan plural.

Traduzindo:Situação interessante, um maior desafio com o congresso tão plural
Susana Gonzalez

Luciana Altino disse...

Acho que este clima encontrado em Brasília já está se espalhando pelo Brasil inteiro. Há uma imensa frustração, insegurança e, pelos jornais, as coisas só
tendem a piorar. Não sei se Aécio seria a salvação mas, com certeza, seria necessário para quebrar o imperialismo da incompetência do PT. Eu espero que ele seja um verdadeiro líder de oposição, para que esta condição que está derrubando o Brasil não se torne permanente.
Um beijo
Luciana Altino

Ogib Filho disse...

Concordo com você, amigo. Como estou aqui, essa boataria entra por todas as brechas, como vc mesmo disse. No entanto, quero registrar a falta de comunicação com o amigo, já que esteve por aqui.
Um abraço.