sábado, 31 de maio de 2014

Triste Legado da Copa

Pensando bem, há uma grande diferença entre realizar um Campeonato Mundial de Futebol, com os atuais moldes que a FIFA exige, num país desenvolvido do que num outro em desenvolvimento. Mesmo sendo um dos BRICS (Grupo dos emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como no caso da última edição e nessa que está prestes a acontecer, aqui no Brasil.
Num país desenvolvido existe toda uma estrutura socioeconômica amadurecida, consolidada e funcionando a contento da população local. O evento se reveste sempre de muita ordem, não exige superinvestimentos e termina ocorrendo de modo tranquilo. Não há chances de corrupção, porque está tudo pronto. Já nos países subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento, a coisa se complica. O que vem ocorrendo no Brasil atualmente, de algum modo, ocorreu na África do Sul, também. Lembro-me de haver visto, à época, pela TV, noticias sobre obras inacabadas a poucos dias do certame, os protestos dos trabalhadores nas construções de estádios, com greves inclusive, e uma série de lamentações dos sul-africanos pobres pelo tratamento que recebiam na preparação dos entornos das cidades sedes do Mundial de 2010.
Como já afirmei aqui no Blog, não sou contra a Copa no Brasil. Sobretudo, agora, sabendo que bem ou mal ela vai acontecer nesses próximos dias. Contudo, não sou nenhum alienado, nem me faço de cego ao perceber que há muita gente sofrendo graves consequências pela realização no Brasil.   
Esta semana, conversando com um jovem que me presta serviços de manutenção na área de informática, inteirei-me de situações dolorosas de pessoas que vivem nos arredores da Cidade da Copa, aqui em Pernambuco. “E então Cristiano, está animado para a Copa?” Perguntei. Ele mora bem próximo da Arena Pernambuco. “Que nada Doutor...” E completou: “eu gosto é muito de futebol e fiquei só na vontade de assistir algum dos jogos. Mas essa Copa é somente para os ricos. Ninguém pode comprar esses ingressos. Oxi... Além disso, por onde eu moro o povo tá na maior tristeza. Já teve até gente que morreu!”
Eu já havia ouvido falar sobre as desapropriações que foram feitas na região da tal Cidade da Copa, em Pernambuco, quando a secretária, atendente da minha esposa, no Consultório Médico, sofreu amargamente quando recebeu ordem de despejo e uma indenização irrisória pela casa que tinha, nos arredores da Arena. A casa foi demolida, dando lugar a uma avenida/rodovia de acesso ao estádio. A moça ficou sem condições de arranjar nova moradia semelhante a que tinha e hoje vive numa casa com construção inacabada. Cerca de 400 famílias foram desalojadas. De nada serviram os protestos e clamores. (Vide foto)
No meio da conversa Cristiano me perguntou se eu não havia assistido ao Programa Profissão Repórter da Rede Globo de TV, do dia 20.05.2014. Diante da minha negativa, abriu o site no Youtube e me fez assistir. De fato, é doloroso ver aquelas cenas de revolta e penúria do povo da cidade de Camaragibe. Além de residências, muitos perderam seus pontos comerciais e de trabalho. Ruas inteiras de comércio desapareceram de um dia para outro. Todos foram parar  na famosa “Rua da Amargura”. Idosos que lutaram no passado por um pedaço de terra, para erguer uma moradia e lá viver o resto da vida, viram-se de repente sem casa e sem ter pra onde ir, dadas as indenizações aviltadas. Resultado: a morte por desgosto e desespero.  Vide o referido programa clicando em: http://www.youtube.com/watch?v=doizwPLPHKY .
O país inteiro vibrou, em 2007, com a possibilidade de realizar um Campeonato Mundial de Futebol, dentro de casa. Mas, a grande maioria da população não tinha noção de que, o que se imaginava, era pura quimera. Verdadeira ironia para a Nação que calça chuteiras o ano inteiro. Hoje, quando tudo caminha para a concretização, paira sobre o povo brasileiro uma nuvem de incerteza e frustração por não poder participar da festa da forma idealizada sete anos passados e diante da possibilidade de assistir, sim, uma onda de protestos. Milhares de Cristiano’s – jovens e velhos – não param de lamentar e maldizer a iniciativa. “Preferia que a Copa fosse noutro país. Assistia pela televisão e corria para o abraço.” Disse meu assistente técnico. Tive dó do rapaz.
Resultado é que me encontro dividido: quero ver a Copa acontecer, desejando paz e muita ordem no país e o Brasil Hexacampeão. Mas, me solidarizo com as vitimas da insanidade governamental que não soube administrar com justeza a preparação do ambiente. E veja que este é um Governo Popular. Não fosse popular talvez a coisa não ocorresse do modo que vem ocorrendo. Mesmo porque os "defensores do povo" e "salvadores da Pátria", na oposição, não permitiriam. Vá entender. Triste legado vai deixar esta Copa para boa parcela de brasileiros.
Mas, vamos em frente! O Brasil vai sobreviver porque este é um país forte, rico de esperanças e tem seu povo varonil.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Vai haver Copa, sim.

Quando desembarquei em São Paulo no inicio da semana passada, deparei-me com um clima generalizado de agitação e insegurança, como focos em inúmeros pontos da cidade. Manifestações públicas com diferentes propósitos: dos Sem Teto, de Professores da Rede Pública, do Movimento Contra a Copa e, por fim, o mais perturbador e ruidoso, que foi uma inesperada paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus na hora do rush, do início da noite. Coletivos abandonados nas principais avenidas atravancando o trânsito, o povão sem saber para onde ir sem transportes e a perspectiva da greve geral dos policiais no dia seguinte, gerando um ambiente de caos. Para quem chegou de fora, meu caso, o caminho mais aconselhável foi o abrigo do hotel.
Alcançado meu lugar seguro e assistindo ao desenrolar das coisas pela TV, fiquei analisando como é curioso observar esses movimentos sociais numa metrópole do porte de São Paulo, ciente de que é nela que o Brasil acontece. Vi naquele polo socioeconômico nacional que o país está vivendo um rito de passagem dos mais delicados. Lembrei novamente da ideia do tecido social esgarçado, que falei na última postagem. Ali, na grande cidade, essa coisa parece mais evidente.  O brasileiro comum sempre tem achado um motivo para não sair das ruas e clamar por mais atenção dos governantes, que fingem não escutar.  
Fiquei na cidade durante a semana inteira. Tempo suficiente para sentir a pressão popular e analisar o quadro, sob a minha ótica.
Curioso notar foi que, entre todos os movimentos, o dos Contra a Copa parece ser o mais focado e, ao que parece, vem produzindo efeitos indesejáveis. Muito me impressionou o fato de que São Paulo (ainda) não se mobilizou para festejar a Copa do Mundo. Esperei encontrar uma cidade embandeirada de verde e amarelo e o povo a curtir com a proximidade da grande festa do futebol mundial dentro de casa. Nada disso. É cedo? Não, não é cedo. Nas vezes anteriores, com o Campeonato fora do Brasil, o entusiasmo começava meses antes. Ao invés disso, vi muitas manifestações contrárias. Paredes e muros pichados com o clichê comum de  “não vai ter Copa”, em vários pontos da cidade. Há movimentos nas redes sociais incentivando a vestir preto no lugar do auriverde traje costumeiro da época. Assusta ver lojas vendendo camisas com padrão da seleção brasileira acrescida de uma tarja preta. Pior, vi por duas ou três vezes a bandeira brasileira pendurada em sacadas com uma tarja preta cruzando o pavilhão nacional. Lamentável. Sofri com aquelas visões.
Tenho imensa admiração pela Copa Mundial de Futebol. É a ocasião em que aprecio melhor o futebol. Alimentei muitas esperanças de ver uma festa sensacional, com o país vibrando, mostrando sua melhor cara e consolidando a fama de uma terra alegre e hospitaleira e um verdadeiro reino do futebol. Temo que meu sonho não se realize. Estamos a poucos dias do evento e o país se encontra envolvido numa sucessão de arranjos de última hora com obras inacabadas e muitas providências pendentes, revelando ao mundo um país complicado, inseguro, corroído pela corrupção e praticante de uma burocracia sem precedentes. Naturalmente que por falta de um Governo competente e correto nas ações e atitudes.  
Na quinta-feira (22.05.14), logo cedo, deparei-me com o jornal Folha de São Paulo publicando o resultado de uma pesquisa, que avaliou a opinião do brasileiro sobre a realização da Copa no Brasil. Ao perguntar se o certame traria benefícios ou prejuízos, 66% dos entrevistados afirmaram que o evento acarreta prejuízos ao país. Apenas 28% acreditam que o campeonato trará benefícios e 5% não soube responder. Outra pergunta formulada pela Pesquisa investigou quem estava a favor ou contra o evento sendo realizado no Brasil e 45% dos entrevistados declararam ser favoráveis versus 43% que disseram ser contra. Vamos e venhamos, para ser no considerado país do futebol este percentual contrário é de lamentável significado. Quando a pergunta proposta foi para colher a opinião sobre se o entrevistado acreditava que havia corrupção na organização da Copa, o percentual disparou: 90% dos entrevistados acreditam que houve corrupção e 6% acham que não. Estes últimos devem ser os alienados sociais. E, 4% não opinou.
Mas a manchete do sábado, do mesmo Jornal, foi uma verdadeira bomba: Ronaldo, o Fenômeno, um nome consagrado no futebol mundial, simplesmente declarou que tinha vergonha do Brasil, pelo despreparo para realizar um Campeonato adequadamente. Logo ele! Esta noticia correu o mundo. A repercussão foi extremamente negativa. Ele não devia ter feito esse infeliz comentário. Não ajudou em nada e expôs ainda mais o país. Sendo ele um membro da Comissão Organizadora da Confederação Brasileira de Futebol - CBF, foi pura infelicidade. Para completar, ainda posou numa foto com o candidato da oposição à presidência da Republica, desacatando D. Dilma. Foi dose... Cheira a muita grana! Sei não. 
No final das contas, minha gente, a Copa está chegando, vai acontecer a despeite desses movimentos contrários e é hora dos brasileiros abrirem os braços para receber os times concorrentes, as torcidas estrangeiras e mostrar que somos um país amigo, alegre e amante do futebol. E que vivemos numa democracia, onde protestar é permitido. Vamos torcer pela vitória do Brasil e, principalmente, pela ordem e sucesso do evento. Vai haver Copa, sim.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tecido Esgarçado

Sabe daquela situação em que você manuseia um tecido esgarçado e que, por qualquer esforço exigido, se rompe? Claro que sim. Qualquer cidadão já passou por essa situação. Pois bem, é assim que vejo o tecido social brasileiro, neste momento. O povo está cansando de tantas exigências e poucos esforços governamentais para mitigar a situação de fragilidade que tomou conta do país. De modo geral muito manso e ordeiro o brasileiro está mudando e tem aproveitado qualquer oportunidade de reação. Muitas, até incabíveis.
Os mais recentes exemplos de reação da massa social foram observados na Bahia, em abril passado, e em Pernambuco, na semana passada. Nesses dois estados os policiais militares resolveram entrar em greve, reivindicando melhores salários, entre outras demandas menores, provocando caos social inesperado. Diante da ausência de policiamento nas ruas os “mentores da desordem” entraram em ação e, de forma espúria, agitaram as massas instalando badernas, assaltos, saques ao comércio e instabilidade na segurança das cidades. O Brasil inteiro e muitas praças no exterior assistiram pela mídia flashes e relatos de um clima de guerra que se vivenciou em Pernambuco durante os três dias da greve da policia militar. De repente, os pernambucanos viram-se reféns de uma situação inusitada e recheada de surpresas desagradáveis. O que ocorreu no município de Abreu e Lima (Região Metropolitana do Recife), por exemplo, estarreceu meio mundo. Grandes magazines e pequenos negócios, do comércio local, foram invadidos e saqueados por uma massa ensandecida, muitos “indo na onda” e saqueando por saquear. “Quando vi todo mundo levando as mercadorias, fui também com meu neto e peguei um bocado de coisas”, afirmou aos risos uma popular. Assim, simplesmente! Nunca passou pela cabeça dessa Senhora que a partir daquela hora havia se transformado numa ladra declarada. Santa ignorância. Naturalmente que nessas horas a massa atende a uma voz de ordem. Acredito que, em Abreu e Lima, alguém gritou: “vamos invadir e levar tudo...” Foi o que esperava um povão, oprimido pela inflação reinante, pela provocação exercida pela publicidade consumista, pela falta de um bom emprego e receber os baixos salários, os sonhos de consumo, entre outros fatores.
Daí em diante e a partir das ruas de Abreu e Lima o medo se espalhou pela Região Metropolitana, o comércio fechou, as empresas dispensaram seus colaboradores e houve o maior alvoroço de correr para um abrigo seguro, como se uma guerra civil fosse estourar a qualquer momento. Atendendo ao pedido do governo estadual a Força de Segurança Nacional baixou no estado para garantir a ordem e chegou com tanques de guerra nas ruas. O cenário foi de pavor.  Para completar, os boatos alarmantes se espalharam pelas chamadas redes sociais, nas quais elementos nocivos à sociedade se divertiram implantando noticias e fotos mentirosas e alarmantes. Lamentável. Como na mesma ocasião uma série de manifestações contra a Copa do Mundo e com outras diferentes reivindicações se desenrolavam com muitos tumultos registrados, em muitas capitais brasileiras, o pernambucano foi tomado por verdadeira onda de terror. A que ponto chegamos! Quando a greve acabou, na quinta feira à noite, o clima de alívio tomou lugar na cidade e o dia seguinte parecia que nada havia ocorrido, o que não deixa de ser surpreendente. Foi, digamos assim, uma ressaca passageira. Ora, uma coisa dessas merece uma analise mais profunda. Algo de errado esteve claro para um cidadão de são juízo.
Por isso, digo que, como lição desse desagradável episódio, o pernambucano em particular e os brasileiros de modo geral, precisam refletir seriamente sobre essa sociedade que explode a qualquer estimulo maligno coletivo. Acredito que o netinho daquela Senhora da cidade de Abreu e Lima pode levar para o resto da vida as imagens daquele dia passado e com outros mais que, inocentemente participaram dos mesmos saques, se transformem em potenciais saqueadores no futuro.
Que tipo de sociedade temos hoje e qual a sociedade que estamos formando, agora? É pergunta que não cala. Faltam educação e civismo na nossa gente. Como faltam bons salários e respeito aos nossos professores e policiais. Urgem providencias de nossos governantes para melhorias nesses setores e na formação das novas gerações instruindo-as a saber que seus direitos acabam quando começam os diretos dos próximos! Que roubar é crime!
O Brasil precisa fortalecer seu tecido social.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Vexame Internacional

Vejam vocês que tristeza. Esse assassinato do jovem torcedor no Estádio do Arruda, semana passada, como de se esperar, terminou colocando de modo ostensivo os refletores internacionais na delicada situação da violência brasileira, particularmente aquelas que ocorrem nos campos de futebol. Num ano de Copa do Mundo no Brasil, então, este caso veio corroborar para a ampliação do clima de insegurança que reina na maioria das torcidas estrangeiras que se preparam para aportar no reino do futebol.
É inacreditável para qualquer cidadão de sã consciência, mundo afora, saber que um sujeito tem a capacidade de arrancar uma bacia sanitária de um banheiro publico (é o caso de um banheiro, num estádio de futebol) e arremessá-la das alturas, onde as arquibancadas, sobre uma multidão que se desloca na saída da praça de esportes. Surrealismo para qualquer um. Tenho certeza. Naturalmente, causa perplexidade.
O incrível, minha gente, que em meio aos comentários sobre essa tragédia tomei conhecimento de que “normalmente” ao final de cada partida de futebol, as administrações de estádios arcam com altíssimos custos para recompor setores depredados por torcedores revoltados, ou não, com o resultado final do placar. Bacias sanitárias, torneiras, pias, luminárias, cabos elétricos são danificados ou roubados de modo frequente. E que não foi a primeira vez que um vaso sanitário tenha sido arremessado das alturas. Muitos já se livraram da fatalidade, o que não ocorreu no caso de Paulo Ricardo Gomes da Silva, um trabalhador pacato, laborioso, soldador no Estaleiro Atlântico Sul, aqui em Pernambuco. Seu defeito era gostar de futebol e frequentar os estádios.  Conversei com uma gerente do referido Estaleiro, que me traçou um perfil do rapaz. Torcedor do Sport Clube do Recife e fotógrafo da Torcida Organizada do Clube  preparava-se para mais um clique com sua câmara, quando tombou morto. Qualquer outro tipo de comentário, agora, será redundância para essa barbárie.
A notícia escabrosa correu o mundo como um rastilho de pólvora: do Arruda para Johanesburgo e Sydney. Ao mesmo instante, Londres, Nova York e Tóquio. Um horror. O Recife, no final das contas, gerou as manchetes dos principais jornais do planeta. Dolorosas... é claro!   Vide foto a seguir.

Indecente foi escutar, dias depois, um comentário de que os dirigentes do Clube “tirando o corpo fora”, afirmaram não ter nada ver com o ocorrido. O Santa Cruz Futebol Clube fica sem mando de campo por duas partidas. Considero ser uma penalidade muito pequena, para um Clube que não atenta para a segurança da sua praça de esportes. 
Lamentavelmente, estamos chegando o “fundo do poço”. Nossa sociedade está em franca deterioração. O que mais poderá ocorrer? Vidas inocentes são interrompidas friamente. Criança é trucidada perversamente, no Rio Grande do Sul, por uma madrasta insana; filho decapitou o pai e desfila na cidade exibindo a cabeça, em Mato Grosso do Sul; em São Paulo, uma mulher é linchada até a morte por conta de um boato na Internet. Tudo nesses últimos dias! É uma crise de civilidade, humanidade, solidariedade, de tudo que contribua para se viver numa Nação digna e respeitada.
O Brasil precisa ser conduzido a uma reflexão coletiva, neste momento crucial. A pobreza disseminada induz a falta de perspectiva na vida de uma grande parte da população. Com educação e saúde em estados precários; com carência de um verdadeiro líder político; a bandidagem grassando nas mais diversas camadas sociais, inclusive na política; uma impunidade generalizada; a justiça ronceira e a urbanidade desgastada formaram o "caldo" que levou País a este quadro deplorável.  
Urge que tenhamos uma liderança forte assumindo os destinos da Nação, duvido muito, com consciência e visão de futuro para remontar esta sociedade em padrões civilizados e garantidores de um futuro de muita ORDEM e franco PROGRESSO.
Como os governos não são capazes de dar conta do recado, a sociedade organizada tem que dar as mãos e entrar nessa cruzada de salvação. Que venham as ONGs sociais, como as pastorais católicas, as organizações das demais igrejas, os Clubes de Serviços (Rotary e Lions), as associações de bairros e todos que queiram salvar o país da sanha marginal.    

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 3 de maio de 2014

Racismo Renitente

O tema desta semana é daqueles que insistem em se manter sempre atual: o preconceito racial. É impressionante como o tempo passa, o progresso das nações avança, os movimentos antirracistas se multiplicam, a globalização cresce aproximando nações povos e raças, mas, o mundo não consegue enxergar com naturalidade as diferenças raciais, seja nos seus aspectos físicos ou, principalmente, suas peculiares maneiras de ser, suas inteligências, expertises, hábitos e costumes. O Mundo é racista. O Brasil é um país racista. Em pleno século 21.
Episódios recentes no mundo do futebol têm sido frequentes e ostensivos. Acho que o tipo de ambiente, multidão, ajuda aos agressores agirem de forma anônima. Foi assim com o jogador Tinga, do Cruzeiro, em fevereiro passado, no Peru e, semana passada, na Espanha, com Daniel Alves. Para este atiraram uma banana, sugerindo se tratar de um macaco em campo.  Foto a seguir. Não faz muito tempo assisti, com pesar, no estádio da Ilha do Retiro (Recife) o achincalhamento que faziam com o jogador Carlinhos Bala, quando de posse da bola. A torcida adversária urrava uníssona como um chipanzé, perturbando o jogador. Repugnante.

Conheço e já conheci muitos cidadãos negros. Tenho o maior respeito por essas pessoas. Reconheço nelas suas qualidades, sobretudo nos aspectos inteligência, dignidade, caráter e honestidade. Entre esses, pessoas de condições humildes ou pessoas de graduação superior e bem postas na pirâmide social. Como não admirar o Joaquim Barbosa?
Embora criado e educado numa sociedade racista, descobri logo cedo que os pretos são tão humanos e tão gente quanto eu sou ou outro qualquer  semelhante. Recordo, para inicio de conversa, que meus pais resolveram me matricular  – a mim e meus irmãos – numa escola primária particular, dirigida e por uma família de negras. Eram três professoras respeitadas no nosso bairro. Competentes e rigorosas nos prepararam para vida de forma exímia. Tenho muito que agradecer àquelas negras maravilhosas. Quando Dona D’Lourdes entrava na sala de aula e olhava, a gente se postava em estado de disciplina e respeito. Acredito que o fato de conviver por quatro anos da minha infância, numa sala de aula, tendo como mestra uma mulher negra, inteligente, alta, elegante e dócil me fez aprender a respeitar e admirar os negros na forma que a natureza os fez. Nunca me ocorreu compará-los com qualquer tipo de símio.
Mas, o mais incrível é como essa coisa é arraigada na alma dos povos, inclusive dos brasileiros. Já tive oportunidade de ver dentro de casa um episódio inesquecível: Tereza (nome trocado), uma negra toda prosa, exímia cozinheira que servia na minha casa, preparou-se toda e foi brincar o carnaval, no Galo da Madrugada. Passado o carnaval perguntei: “e então Tereza, pulou muito no carnaval? Arranjou um namorado?” a resposta foi a coisa mais inesperada: “Pular, pulei. Mas, namorado que é bom, não. Só me apareceu um negão arrastando uma asa pro meu lado... dei-lhe um fora daqueles. Quero lá negócio com nêgo.” Espantado, reagi com outra perguntei: “Armaria, e você num gosta de nêgo, não?” Ela foi taxativa: “gosto não, Senhor. De cor basta eu”.  Ela não aceita ser negra. Inclusive, observei que na resposta que me deu, ela não se referiu à própria condição de ser negra e sim ser uma pessoa de cor. Aprendi com ela que o preconceito começa entre os próprios negros. São bem poucos os que manifestam orgulho da sua condição racial. Aliás, a atual secretária doméstica, na minha casa,  “morre”, mas não assume a sua negritude. Ela se diz morena. Negra, jamais.   
No futebol, o que vem acontecendo faz lembrar os primórdios desse esporte no Brasil, que inicialmente era uma modalidade reservada para as elites. Há um caso emblemático ocorrido no Fluminense do Rio de Janeiro. O time do Flu só tinha jogadores de raça branca. Um dia, porém, acharam por bem contratar um mulato bom de bola que, antes de entrar em campo, cobria o rosto com pó-de-arroz para tentar disfarçar sua cor. Quando a partida esquentava o suor do mulato derretia o pó e revelava sua verdadeira cor. Por conta disso as torcidas adversárias passaram a chamar o Fluminense de time pó-de-arroz. E aqui no Recife, os mais antigos dizem que o Clube Náutico Capibaribe, da primeira metade do século 20, não admitia nem jogador, nem sócio negros. Pode uma coisa dessas?
Outra coisa incrível é que faz pouquíssimo tempo que as propagandas e comerciais da TV e revistas, no Brasil, passaram a incluir figuras de modelos negros. Por sinal, belas! Um estrangeiro desavisado que no passado folheasse uma revista brasileira jurava que o país era povoado somente por brancos, quando na verdade é um país com mais da metade da população da raça negra. Atores negros é outra coisa dos últimos vinte anos.
É preciso que haja uma inteligente campanha de base, entre as novas gerações, preparando-as para compor uma sociedade futura mais humana e mais solidária, mostrando que racismo é crime. É preciso, principalmente, um governo capaz e atento para esses aspectos e responsável por construir uma nação civilizada e fiel aos seus valorosos filhos negros. Fim ao Racismo Renitente!


NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.