sábado, 27 de dezembro de 2008

Um ano de Blog e Feliz 2009

Neste domingo (28) o Blog do GB completa um ano de existência. O que prometia ser puro passatempo, se transformou num compromisso pessoal para um imenso grupo de amigos ou amigos de amigos que se tornaram ilustres e pacientes leitores dos meus artigos e crônicas semanais.
À medida que se ampliava o número de visitantes e surgiam os comentários na página do Blog, aumentava também meu entusiasmo pelo projeto, a ponto de se tornar uma rotina na minha atribulada vida profissional e social.
Descobri que quando aparecia um tema interessante e um tempinho sobrando, pude desenvolver facilmente um script para transformar numa postagem e distribuir entre os amigos. Foi uma deliciosa descoberta.
Com este post, somo 74 temas desenvolvidos e, desde março – quando instalei o contador de visitas –, já vejo registrada a marca próxima aos 18.000 acessos. Para um Blog que pretende ser quase intimista, isto é, restrito a um pequeno grupo de amigos e conhecidos é uma marca e tanto.
Entrei 2008 lembrando a possibilidade de dificuldades na economia com o tema “Feliz (cuidado com) 2008”, imaginado que alguma dificuldade ocorreria no meio do caminho e o resultado todos nós estamos vendo.
Ainda no inicio do ano, registrei impressionado o descuido da Prefeitura do Recife, no tocante a decoração das ruas e avenidas da cidade para os festejos natalinos. Coisa que, aliás, se repetiu neste final de 2008, em maior dimensão. Com a mesma Prefeitura fiquei revoltado por “jogar fora” R$ 3,0 milhões num desfile fajuto da Escola Samba Mangueira – atolada num escândalo de lavagem de dinheiro – no carnaval do Rio de Janeiro, que, ao invés de contribuir, só fez denegrir a imagem cultural do Recife, com alegorias truncadas e que não refletiam a realidade da cidade Maurícia.
Várias vezes comentei sobre problemas do dia-a-dia nacional, entre os quais o renitente problema da Educação e o da Segurança.
Como viajei bastante durante o ano – a negócios ou turismo – tive o prazer de descrever passagens e cenários interessantes do Brasil, entre os quais os da metrópole São Paulo, a beleza de Belém, portal da Amazônia; Brasília e sua efervescência política e o Rio de Janeiro, sempre bonito. Revisitei a Europa e em várias postagens falei sobre a bela e eterna Itália, nas passagens por Roma, Bolonha, Verona e, de quebra, a bela Republica de San Marino. Baixei em Portugal e comentei sobre as belezas lusas e o delicioso bacalhau que degustei.
Noutras ocasiões ri muito, e provoquei o riso de muitos, ao descrever causos do meu dia-a-dia. Quem leu as crônicas sobre os nomes impróprios, sobre os fabricantes de pânicos, sobre o lobisomem, a incrível história do mendigo inadimplente e sobre o assalto do meu genro australiano, se divertiu muito e até hoje comenta, ao me encontrar pela vida afora. Outra que fez imenso sucesso foi a que intitulei de “Eles não foram eleitos”. Esta foi ótima. Depois que terminei a postagem, li e reli, e, sozinho, ri pra valer.
Acompanhei o estouro da crise econômica, nos Estados Unidos, e sofro com o desenrolar. Foi impossível não comentar. E por falar nos Estados Unidos, vibrei com a vitória de Obama e me impressionei com a história da vida deste novo presidente americano.
O post que provocou o maior número de acessos (mais de 250, num único dia), um imenso sucesso, versou sobre a descoberta de petróleo na camada do pré-sal. Provocado por amigos, pesquisei sobre a matéria e inseri um gráfico bem didático que, para minha surpresa, somente depois, a mesma imagem veio a ser publicada na revista Veja. Fiquei muito feliz nessa ocasião.
Outro assunto que me pegou, por duas tacadas, foram as Olimpíadas da China. Nessa ocasião, fiquei admirado com a choradeira dos brasileiros e promovi uma pesquisa sobre o choro masculino, em público. 75%, dos que responderam a enquête, garantiu que chora em publico, sem dificuldades. Ora vivas, os machões brasileiros se modificam.
Em novembro comentei sobre duas divas da música internacional. A primeira foi a sul-africana Miriam Makeba, a Mama África, que morria na Itália em pleno palco e após um belo recital e, a segunda, em pleno vigor da voz, a argentina Mercedes Sosa, La Negra, que se apresentou e encantou os recifenses, na inesquecível noite de 26 de novembro, para uma casa cheia, no Teatro Guararapes, do Recife.
Foram muitos outros temas que abordei e que já começam a se perder na memória.
Mas, o mais importante de tudo isto e, que por justiça, tenho que registrar foi o estímulo que recebi, a cada postagem, dos amigos que se deram ao trabalho de visitar o Blog, a cada ocasião que recebiam o aviso de uma nova no Blog. Muitos comentaram diretamente na página, outros em mensagem para meu email e muitos manifestaram interesse e admiração em encontros pessoais. Isto foi, certamente, o maior estimulo para que o Blog tivesse a vida e a dinâmica que adquiriu. A todos meus especiais agradecimentos e a promessa de manter este canal de comunicação vivo e aberto, pelo tempo que Deus me permitir.
Finalizando, desejo aos amigos leitores um Feliz 2009.
Nota: Imagem do Google Imagens

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

O Anjo Gabriel trouxe a boa nova e Maria aceitou cheia de graça. Com o sim da Virgem, Deus veio habitar entre nós na pessoa de Jesus. Desde então o mundo se transformou. Estejamos sempre disponíveis à ação do Espírito Santo de Deus para abrir nossos corações e entendermos o mistério da sua encarnação e a sua mensagem.
Assim, estaremos propensos a viver em paz com o próximo, a ajudar os fracos e oprimidos a construir um mundo mais digno.

Para todos os leitores e leitoras do BLOG DO GB

FELIZ NATAL 2008

Girley Brazileiro
e família


Sugestão: Antes da sua Ceia Natalina presenteie um menino pobre com um brinquedo. Seu gesto pode mudar o rumo dessa criança. E, se possível, dê uma cesta básica para uma família pobre, para que eles não tenham fome na noite do Natal.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

PRECISAMOS FESTEJAR

Esta coisa de alimentar um Blog, com algum tempo, vira uma compulsão. Naturalmente que as reações dos leitores servem de estímulo e incentivo para que a produção aumente, a cada dia. Fico sensibilizado diante dessas interações amigas.
Tudo que vejo me dá vontade de comentar. Há momentos, como nesta semana, que fico sem saber que tema explorar, diante de tantas provocações. Fiquei impressionado com o caso do garoto de 12 anos que matou, a tiros, um amiguinho, de 10, e enterrou no quintal de casa; de uma garota de 12 anos grávida de gêmeos e, outra, de 20 anos, viciada em drogas e mãe de seis filhos; do brutal acidente em Boa Viagem, provocado por um jovem alcoolizado, matando uma mãe de família, grávida, e deixando em estado grave marido e filhinha. Vibrei com a sapatada que Bush levou, na visita ao Iraque. Decepcionei-me com a descoberta e golpe – seguido de desmoronamento – da pirâmide financeira, do ex-presidente do Nasdaq, fragilizando ainda mais a economia norte-americana e, consequentemente, o mundo financeiro no resto do planeta. Cada um desses casos daria inúmeros posts no Blog.
Perplexo, com tantos desatinos, resolvi dar uma pausa para pensar. Aonde vamos parar? O que podemos fazer? Onde estão os governos? E as ONGs da vida? Os clubes de Serviços? Como educar este mundo?
Não, não quero desanimar. Preciso ter fé e esperança. Afinal, estamos em tempo de Natal. Deixemos renascer as esperanças de um mundo em paz e mais justo.
É nesta época, que a cidade se veste de luzes e cores. Ainda que mascarando a miséria e insegurança reinantes nos arredores, o Recife – assim como, as grandes cidades brasileiras – não deixa de festejar. Afinal, o brasileiro é sempre um povo alegre e gentil.
Para complementar, circulando na espinha dorsal da cidade – a Avenida Agamenon Magalhães – deparo-me com um cenário de Primavera. Nada mais oportuno para animar meu espírito inquieto.
É interessante como, nesta época do ano, quando se vive a estação das flores, no Hemisfério Sul, elas não deixam de se mostrar com força e beleza, mesmo num Recife ensolarado e tropical, insistindo dizer que já é Verão. No mesmo Recife inseguro e assustador para muitos. As flores brotam em amarelo e lilás, dos ipês frondosos, avisando que a vida é bela e renasce a cada amanhecer, sugerindo esperança aos mais apreensivos, como tem sido o meu caso.
É isto aí, tem Primavera no Recife. Corra e vá ver a avenida florida, enquanto o Verão não chega. Parei e fotografei. Especialmente para mostrar ao visitante do Blog.
Foram os ipês floridos que me fizeram esquecer, por bons momentos, as apreensões descritas lá em cima. É Natal e é Primavera. Precisamos festejar. Faz bem à alma.
NOTA: Foto do Blogueiro.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

É TEMPO DE VIRTUOSI

Quando vai se aproximando o fim do ano, logo me lembro que é tempo de Virtuosi. Há mais de dez anos o recifense é brindado com esse que se tornou o mais importante Festival de Música Erudita, que tenho conhecimento, neste Vale do Capibaribe. Um autêntico presente de Natal, para a alma nordestina carente de movimentos desta ordem.
Tudo nasceu do idealismo do fantástico casal formado pela pianista pernambucana Ana Lucia Altino Garcia e seu marido, o Maestro Rafael Garcia, chileno de nascimento e pernambucano de direito e coração, ambos amantes e mestres da boa música erudita.
Há dez anos, cientes da carência, por este gênero musical, reinante entre os pernambucanos, este casal de mestres decidiu transformar o Recife num ponto de encontro anual de uma plêiade de grandes astros da música clássica mundial, para uma jornada de apresentações e concertos, revolucionando o meio cultural da província.

A partir de então, toda vez que se fala em música erudita e concertos sinfônicos, no Recife, a primeira coisa que vem à mente é o Festival Virtuosi. Pensando bem, a história desse gênero musical, na capital pernambucana, pode ser descrito em duas fases: antes e depois do Virtuosi.
Acompanhar este Festival é experimentar de uma pura imersão no que há de mais seleto e autêntico no mundo da musica clássica.
Uma das coisas mais interessantes é que a cada ano os promotores fazem uma homenagem justa aos valores da terrinha. Assim, já foram homenageados: Marlos Nobre, o exímio pianista pernambucano; Antonio Menezes, violoncelista fantástico, que depois de imenso sucesso no exterior, tornou-se conhecido entre nós, graças ao Virtuosi; Maestros Clóvis Pereira e Duda, que, para surpresa do grande público, foram mostrados como compositores eruditos, diferente das famas de carnavalescos e, por fim, o percursionista Naná Vasconcelos, homenageado de 2008, que terá a oportunidade, imagino, de se apresentar em grande estilo, com a Grande Sinfônica Virtuosi. Espero ansioso por essa noite.
Não vejo a hora, também, de assistir as performances de nomes internacionais como: Bjarne Hanse, espala da Sinfônica Odense; o “monstro” no contrabaixo, Catalin Rotaru, Docente da Universidade do Arizona, com lugar cativo no Virtuosi; o “louco” do trombone, que é Christian Lindeberg, o mais famoso do mundo, na atualidade, de volta ao Recife; Ilya Gringolts, prêmio Paganini de 1998, com seu violino; os filhos do casal Garcia, Rafael (Viola) e Leonardo (Violoncelo) Altino, que não negam a máxima popular de que “filho de peixe, peixinho é”; a doutora em Violino Soh-Hyun Park, coreana, professora e chefe do Departamento de Cordas, da escola de Musica da Universidade de Memphis e, outra vez, o exuberante e virtuoso pianista filipino Victor Asunción, que tantos aplausos colheu na temporada de 2007. Tem, ainda, Antonio Meneses (Violoncelo), Marlos Nobre (Piano) e Clóvis Pereira Filho (Violino), gente da terra, que faz sucesso lá fora. Há outros nomes, tão importantes quanto os já citados, mas meu espaço não caberia comentar sobre todos eles. Fico devendo. E os leitores vão ter oportunidade de conferir.
Por fim, naturalmente que vou querer aplaudir muito, e de pé, a dupla dinâmica, Rafael Garcia e Ana Lúcia Altino. O que seria de nós, pernambucanos, se não fosse a garra e a coragem destes dois loucos maravilhosos, que vivem da música e para a música e, todo dezembro, transformam o Recife na capital brasileira da música erudita. Obrigado aos dois! E, atenção, porque é para agendar: Festival Virtuosi de 2008, Teatro de Santa Izabel, a sala de visitas do Recife, de 17 a 21 de Dezembro.
Notas: Sugiro clicar no banner ao lado e conhecer a programação completa do Virtuosi 2008.
Foto: Virtuosi.com.br

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

FESTA NO MORRO

Dia 8 de dezembro é feriado municipal no Recife. A cidade volta suas atenções para o Morro da Conceição, no bairro de Casa Amarela, onde se festeja e se rende homenagens a uma das padroeiras da cidade, Nossa Senhora da Conceição. Trata-se de uma manifestação religiosa secular, cujo epicentro é a imagem gigante da Virgem da Conceição, trazida da França, no ano de 1904. Mede 5,5 metros de altura e pesa 1.806 kg. Foi ali colocada, pela então Diocese do Recife, em comemoração ao cinqüentenário do dogma da Imaculada Conceição. Na mesma ocasião foi também construida uma capela em estilo gótico e aberta uma estrada para acesso ao local. Devida a sua posição alta e privilegiada, a imagem da Virgem é vista de vários pontos da cidade.Não tardou muito e a localidade se tornou um bairro populoso e ponto de romarias, não apenas para os católicos recifenses, mas também para inúmeros de outros pontos do país.
Também não tardou muito para se formar um pólo de festejos profanos, que rola durante uma semana que antecede o oito de dezembro de cada ano, quando ocorre o ponto culminante e encerramento da festa.
Desde de muito jovem tenho o hábito de subir o Morro da Conceição, cada oito de dezembro. Misto de religiosidade e curiosidade. Sempre fui muito chegado a observar as manifestações culturais, daqui e de alhures. Quem me levou a cultivar este hábito foi um compadre, já falecido, que morava na subida do Morro e, invariavelmente, transformava o dia de N. S. da Conceição num grande momento de confraternização. A casa dele virava um ponto de encontro de amigos, amigos dos amigos, politicos e artistas, de onde partiam para empreender a subida ao Morro. Na volta, ele oferecia uma farta mesa com toda sorte de substanciosas iguarias populares, como sarapatel, buchada, dobradinha, tripa assada, mão-de-vaca, arrumadinhos, entre outros, regadas por um boa pinga ou uma cerveja geladinha, providencial para baixar o calor reinante no início de cada verão recifense.
Mantendo a tradição, subi o Morro hoje de manhã. Fui beijar a pedra.
Percebo que a cada ano aumenta o número de romeiros. Vi pessoas de todas as camadas sociais. Ricos e pobres. Políticos e empresários. Pequisadores. Muita gente. Muitas trajando uma mortália azul (cor do manto da Virgem), outras que subiam ajoelhadas, algumas sobem ou descem de costas. Crianças novinhas são levadas aos pés da Santa, para agradecer a vida. Soube que um cidadão subiu, ainda na madrugada, “nadando” para agradecer o milagre de haver sido salvo de um naufrágio.
Nos pés da Santa, no alto do Morro, em locais especiais, os romeiros acendem velas. São milhões de velas. O calor se torna insuportável e o corpo de bombeiros mantem-se sempre presente para apagar as frequentes labaredas mais altas.
Durante a subida é impossivel não notar a presença de comerciantes informais vendendo artesanatos, imagens, velas, comidinhas, água e picolé e dos pedintes que se postam, ao longo do percurso. Velhos deficientes, moços desempregados, mulheres jovens arrodeadas de inúmeros filhos que chegam a passar a noite inteira num dos pontos da ladeira, esperando a passagem dos peregrinos. Ali, na maior promiscuidade, dormem amontoados, em colchões estendidos na calçada, comem, bebem e fazem suas necessidades fisiólogicas, insençando o ambiente de forte odor de urina. A Prefeitura tenta controlar a presença, sobretudo dessas levas de crianças, mas é sempre burlada.
Como tudo na vida, há sempre um lado cômico a ser registrado e, neste caso, fica por conta dos nomes pitorescos, das crianças que se espalham e são chamadas pelas mães aflitas. Nomes quase sempre inspirados nos astros do cinema ou da TV. Parei para ouvir gritos por Jacqueline, Joelma, Michael Jackson, Morgana, Madona, Sabrina, entre outros. É engraçado, todo mundo querendo ser importante.
Salve a Virgem da Conceição e sua Festa popular.

Nota: Fiz esta crônica lembrando do meu Compadre Sebastião Alves, agora, certamente, vivendo no Reino do Céu. Ao descer do Morro visitei a viúva, Carminha, sempre bondosa e gentil e lembrando, aos choromingos, o finado Bastião.
Fotos do Blogueiro.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

ACREDITE SE QUISER.

Quando, há quinze dias, eu falei que estava ficando difícil e que havia perdido as esperanças, diante da onda de assaltos e arrastão na porta de casa, muita gente reagiu e me aconselhou não perder as esperanças. Porque perder as esperanças é o mesmo que perder a fé. Pensei muito sobre isto. Meditei e busquei respostas para minhas perplexidades.
Os dias foram passando e já me recuperava do susto, quando ouço falar de um outro “arrastão” no maior shopping center da cidade. Povo correndo em desatino, lojas fechando as portas e pânico geral. Achei que foi uma coisa audaciosa, dei graças a Deus não ter sido vitima dessa emboscada e voltei à estaca zero nas minhas reflexões a respeito da insegurança reinante na minha cidade.
Não temos em quem confiar! Esta é a realidade dolorosa.
Mas, para minha surpresa, ainda maior, eis que os bandidos atacaram, outra vez, na minha região e numa rua paralela à minha. Nas barbas da policia de plantão na esquina da Telles Junior, após o arrastão de quinze dias atrás. Desta vez, eles fizeram uma investida na rua paralela, a Carneiro Vilela, distante, apenas, cem metros da guarnição policial de plantão. Parece mentira! Inacreditável. Fica difícil morar nesse miolo do, antes aprazível e tranqüilo, bairro dos Aflitos, por trás dos clubes Náutico e British Country Club. É uma ironia. Agora sim, podemos dizer que estamos, literalmente, aflitos. Tem sido, minha gente, uma guerra não declarada.
Nestas duas ruas, ultimamente, ninguém pode ver um carro parado no trânsito. Pensa logo que vai sair, lá de dentro, uma quadrilha de bandidos armados.
Eles estão desafiando a policia. Parece que brincando de “gato atrás do rato”.
Está claro que não temos mais a quem apelar. A polícia de plantão na rua é “cega e surda”. A Delegacia do Distrito faz, aparentemente, um “faz de contas”. Governo do Estado? Coitado. Só pensa na campanha eleitoral de 2010. Lula também. Este, aliás, não faz nada pela segurança pública do País. Não dizem nada para ele. Não sabe de nada. Com razão, aliás, porque anda tranqüilo, cercado de seguranças e, pensando bem, é capaz de pensar que esses assaltantes são pobres coitados, injustiçados pelo cruel sistema social brasileiro. É danado não ter a quem apelar. Estamos ao Deus dará. Só resta, quem sabe, pedir socorro ao Conselho de Segurança Nacional ou o da ONU! Ou a Bento XVI! Entreguei-me, com minha família, a Deus. Perdi as esperanças, é claro. Não posso dizer outra coisa.
Acredite se quiser. Mas, uma coisa eu garanto: tudo isto é verdade.
Nota: Foto do blogueiro da manchete do Jornal do Commercio, do Recife, dia seguinte ao segundo arrastão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O JAPÃO NO RECIFE

Mais uma vez, neste último domingo de novembro, o bairro do Recife Antigo, se transformou num ambiente nipônico, com a já tradicional Feira Japonesa do Recife.
Pelo décimo segundo ano consecutivo os integrantes e simpatizantes locais da cultura do País do Sol Nascente, reunidos em várias associações recifenses, deram-se os braços e promoveram o que vem sendo considerada uma das mais belas festas populares do calendário turístico da cidade do Recife.
A Rua do Bom Jesus foi transformada numa autêntica rua japonesa. Logo na entrada um imenso Tori (portal estilo japonês) denunciava a transformação do local. Depois disso, eram muitos bambus, carpas decorativas e lanternas, entre outros adereços, dando um especial colorido ao ambiente e atraindo um público calculado em, aproximadamente, 40 mil pessoas circulando durante o domingo inteiro.
Barracas foram montadas para a comercialização de produtos artesanais, alimentos e bebidas, arranjos florais japonesas (ikebana), bonsais e vestuários típicos completaram a festa e deram alegria aos consumidores e comerciantes.
No final da Rua, na Praça do Arsenal de Marinha, foi montado um grande palco, onde desfilaram inúmeras atrações, locais e de fora. O ponto alto dessas apresentações foi o Grupo Ryukyu Koku Matsuri Daiko, de São Paulo, que deu uma exímia exibição de percussão com taikôs (tambores). Houve ainda as apresentações de Taikôs de Recife e da Paraíba e de uma cantora japonesa, Mio Matsuda, que arrancaram demorados aplausos do imenso publico que prestigiou o Festival.
Um espetáculo à parte ficou por conta da turma do Anime-Mangá-Tokusatsu. Essa turminha virou atração especial, ao fechar uma das ruas do pedaço e, com suas indumentárias tiradas dos filmes de desenho animado e gibis japoneses, surpreenderam os menos avisados e encantou a turma jovem.
A Feira deste ano serviu de fecho das comemorações do Ano do Centenário da Imigração Japonesa no Estado, sobre o qual já falei, outro dia. Foi, na verdade, um encerramento com “chave de ouro”, devido ao sucesso do que se viu ontem no bairro do Recife Antigo.
Por fim, registro uma especial atração da Feira deste ano que foi a Gincana Cultural do Centenário, na qual 32 alunos de oito escolas públicas, do Município e Estado, enfrentaram uma maratona de estudos, pesquisas e práticas dos costumes, artesanato, história, gastronomia, esportes, religião e outros aspectos do quotidiano japonês, num verdadeiro mergulho naquela cultura oriental. Coordenei esta gincana e vibrei, junto com a moçada (de 15 a 17 anos), mostrando as habilidades no uso do hashi (pauzinhos japonesas), confeccionando origamis, vestuário e conhecimentos gerais. Tenho a certeza de que, hoje, esses adolescentes pernambucanos sabem de tudo sobre a cultura japonesa. Como em qualquer outra gincana, foram proclamados vencedores da disputa e distribuídos prêmios valiosos. Porém, o mais importante, ao meu modo de ver, foi que esses jovens – todos de famílias de origem humilde – lucraram culturalmente e jamais esquecerão a experiência que tiveram.
Tudo isto não seria possível se não fosse o empenho do Consulado Geral do Japão no Recife, da Prefeitura da Cidade, das associações culturais japonesas e da Associação Nordestina de Ex-Bolsistas no Japão, que deram de tudo para o sucesso do evento.
Deu um trabalho imenso. Mas, valeu à pena.

Dedico esta crônica a minha amiga e colaboradora, Zélia Faria, diretora cultural da Anbej, que trabalhou feito uma louca, para coordenar a execução da 12a. Feira Japonesa do Recife. Valeu Zélia!
Nota: As fotos são do Blogueiro.