sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rescaldo Eleitoral

A criatividade do brasileiro é inesgotável. O tempo passa, as gerações se renovam, o país muda em todos os setores de atividades, tecnologias modernas dão o toque dessas mudanças, mas, os traços culturais resistem ao tempo e acompanham as modificações socioeconômicas. Falo disso após observar o resultado final das eleições, do domingo passado. O que aconteceu aqui no Nordeste brasileiro, particularmente aqui no estado de Pernambuco, onde a candidata petista “deu um banho” de votos no seu adversário e, praticamente, garantiu sua vitória nas urnas, fez-me lembrar a velha e carcomida política do passado, na qual os velhos coronéis dominavam seus currais eleitorais e sempre saiam vencedores se perpetuando, assim, no poder. O que se observa nos dias atuais é um eleitorado refém ao PT baseado nos programas assistencialistas reunidos no popular Bolsa Família. Os atuais coronéis se tornaram mais competitivos quando explorando e refinando a capacidade criativa, nata do brasileiro, lançando mão dos modernos recursos tecnológicos tão bem representados pelas chamadas redes sociais. Rapidamente essas raposas políticas atingem em cadeia o público alvo, coibindo e até ameaçando. Multidões tremeram nas bases diante da possibilidade de perder os benefícios assistenciais adquiridos. Resultado: o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, por exemplos, foram modernas criatividades que renderam, sim, os votos necessários para manter os modernos coronéis no poder. Como os Norte e Nordeste, incluindo a deprimida região do Norte de Minas Gerais, são as áreas mais beneficiadas pelo programão petista fica fácil entender o resultado do segundo turno.
Esse resultado, contudo, vale refletir, foi o mais apertado de todas as eleições do período pós- redemocratização e da polarização PT x PSDB. Apenas 3,28 pontos percentuais separaram a candidata vitoriosa do seu opositor (Dilma 51,64% e Aecio 48,36%). Vamos e venhamos, foi por muito pouco. O “incêndio” da campanha apontava para isto, aliás.
O recado deixado pelas urnas é claro de que o país está dividido e exige um esforço titânico de D. Dilma, nesse seu segundo mandato, com vistas a conduzir o país num clima de tranquilidade e progresso como se deseja.
No seu discurso de vitória na noite do domingo a reeleita prometeu mundos e fundos e garantiu que vai buscar “construir pontes” para estabelecer a conciliação nacional necessária para que seu governo seja profícuo. Na mesma fala sublinhou a intenção de operar mudanças na gestão do país e adotar perseguição cerrada aos corruptos. Vamos ver. Com toda essa sujeira, a começar com o Petrolão e as denúncias que já surgem no âmbito da Eletrobrás, custa-me crer.
 “Governo novo, novas ideias” foi o lema da campanha vitoriosa. Eleitores ou não da candidata Dilma esperam por essas novas ideias porque, afinal, o estado no qual se encontra o Estado Brasileiro e a Economia do país urge que o prometido flua rapidamente. Para reforçar esse ideário é importante também que a mandatária reeleita não perca de vista as cobranças de mudanças de junho do ano passado: na gestão pública em geral, na tentativa de restaurar a credibilidade na administração pública, ajustes na contabilidade nacional, sem o uso dos artifícios criativos, revisão nas políticas econômica, social e fiscal, atenção especial aos setores industrial e agrícola antes que afundem de vez, mudanças na administração das tarifas dos combustíveis e energia, na política das relações internacionais (fala-se que 28 novos embaixadores esperam há oito meses ser recebidos pela presidente. Que falta de visão política!) e nos demais segmentos que fazem rodar o país.
Naturalmente que, para tudo fluir nos conformes, D. Dilma vai ter que se virar e mudar sua postura política e estabelecer um bom diálogo com o novo Congresso. Quero ver.
Bom, por enquanto é tratar de se livrar do rescaldo eleitoral. Deus nos assista.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Desafios dos Novos Governantes

O Brasil indiscutivelmente mudou nesses últimos anos. E, vou logo avisando, não falo dos recentes anos de governos do PT ou do PSDB. Falo dos anos que remontam até mesmo ao período dos governos militares. Já tenho idade suficiente para fazer esta afirmação e, além disto, trabalhei muitos anos numa agencia de desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro (SUDENE) cuja missão maior era justamente promover o desenvolvimento socioeconômico da Região. Tampouco vou rememorar longos dados historicamente deprimentes ou a evolução desses, salvo alguns poucos e de passagem, para lembrar que mortalidade infantil e geral, analfabetismo, desemprego desmedido e êxodo para regiões mais atraentes, entre outros, revelam, nos dias atuais, um quadro completamente diferente do que se dispunha nos anos 60 e 70. A SUDENE cumpriu importante papel ao mudar o Nordeste, enquanto o restante do Brasil não parou de crescer e mudar.
O advento dos programas de assistência direta das décadas recentes, hoje reunidos no Programa do Bolsa Família, se cristalizou e o brasileiro de agora difere, em muito, do de trinta anos passados. As denominadas Classes C e D já representam, agora, um forte contingente de cidadãos incluídos no cenário socioeconômico da Nação e são pessoas que por ser mais bem instruídas, gozarem de melhor saúde e saneamento, de ter um emprego e vida melhor organizada, habilitam-se a viver intensamente o dia-a-dia nacional, produzindo, participando politicamente e exigindo o que de direito.
Pensando desse modo, começo a interpretar ainda melhor o que ocorreu em junho de 2013 e fazer uma leitura mais cuidadosa daquelas reivindicações clamorosas. Não quero recordar dos oportunistas vândalos que optaram  desvirtuar a real iniciativa, saqueando e assaltando os patrimônios públicos e privados, mas, sim dos brasileiros honestos e bem intencionados que foram às ruas sem se preocupar com as matizes do colorido ambiente político-partidário.
Quando o povo organizado ganhou as avenidas das grandes cidades pedindo melhores padrões de saúde, educação, segurança, mobilidade e serviços essenciais, no padrão FIFA, estavam exercendo sua cidadania em toda plenitude.  E, veja bem, a massa humana que foi às ruas requerendo essas melhorias foi, sobretudo, formada pelos homens e mulheres das referidas Classes C e D. São pessoas que provaram do que antes não conheciam e que, agora, precisam ver aperfeiçoados e ampliados. Mais do que isso! São pessoas que já pagam impostos – diretos ou indiretos – conscientes da contribuição que dão e sabedores de que, por principio republicano, sua contribuição deve retornar em seu benefício.
É neste quadro que se instala a pesada carga que paira sobre os novos governantes eleitos, neste outubro de 2014. É nesse ponto que deve se concentrar a atenção de quem vai empunhar a caneta de governante porque, afinal, uma mudança de governo é sempre acompanhada de um rasgo de esperança para os que o escolheram. Para chegar lá, forças contrárias se empenham no debulhar de promessas e supostos compromissos diante de Sua Excelência o Eleitor. Manifestações acaloradas, comemorações, esperanças, choros, ranger de dentes e, até tragédias, são comuns nesses tempos ou foram concretos nesse ultimo embate eleitoral brasileiro.
Ora, quando chega o momento da verdade, digo, de conjugar o verbo governar, nem sempre a coisa se concretiza. Infelizmente, sejamos francos, ao que tudo leva a crer, aqui no Brasil, é que bate uma crise de amnésia no eleito,  que termina se perdendo no turbilhão de decidir, de ostentar o poder e a vaidade do cargo, embalado por diversos salamaleques e, quase sempre, se mete em muitas irresponsabilidades. Exemplos recentes são os Fome Zero e PAC do Governo de D. Dilma. O primeiro ficou no papel e o segundo é um fiasco de incompleto.  
Tomara que o novo(a) presidente do Brasil e os novos governadores estaduais, olhem, ao menos, pelo retrovisor para junho do ano passado e tomem consciência das responsabilidades reservadas aos chefes de Estado, para atender as exigências de quem tem o direito de exigir: o cidadão eleitor. Recursos não lhe faltarão. Havendo vontade política, lisura, ética, menos corrupção e muita  honestidade o sucesso estará garantido.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Tocaram fogo no circo eleitoral

Será que esse tipo de debate entre os candidatos à Presidência da República agrada aos eleitores?  Será que estão com comportamentos corretos e adequados para quem pretende sentar na cadeira maior da Nação? Tenho conversado com muita gente sobre este assunto, desde o primeiro embate na TV Bandeirante. Depois de ontem, então, diante daquele festival de agressões no SBT o questionamento mais do que nunca ganhou sentido.
Antes do primeiro turno, dia 5 passado, a coisa já se desenhava, no meu ver, de modo inadequado e pouco republicano. O massacre que o PT impôs à candidata Marina Silva, frágil nas suas ideias e no próprio físico, foi de estarrecer qualquer pessoa de são juízo. Ela, a massacrada, numa postura elegante e com ar de vestal, se controlou, não perdeu a linha e decidida a não comprar a briga manteve a linha. Resultado foi que terminou derrotada. Só que o plano dos petistas era de vencer no primeiro turno derrotando marina Silva. A dose foi tão cavalar que esqueceram o outro. A estratégia não vingou e quem ganhou com isso foi o antes tido como derrotado Aécio Neves. E como dizia vovó: “o tiro saiu pela culatra”.  
Agora, o PT agindo com seu costumeiro modo, isto é, desconstruindo a imagem do adversário e seu respectivo partido, com golpes baixos e pouco elegantes para quem pretende dirigir a República encontrou um adversário diferente dos anteriores. Aécio é bem diferente dos seus colegas José Serra e Geraldo Alckmin que não compraram a briga, foram elegantes e comedidos nas respostas aos ataques, intimidados talvez ou com medo de não atingir o populista Lula e a sua discípula Dilma. Resultado foi que perderam as eleições mesmo tendo tido chance de ir para um segundo turno e virar a mesa.       
Nesta eleição de 2014, o PT está encontrando um adversário, digamos, à altura da sua estratégia. Um candidato, que luta com as mesmas armas e vem impondo momentos amargos à candidata Dilma. Aécio tem sido inclemente ao revidar cada ataque, embora se proponha a cada inicio de debate a discutir propostas de Governo. O debate de ontem (16/10/14) na Rede do SBT foi o retrato fiel desse quadro desolador. “Tocaram fogo no circo eleitoral!” Ao vivo e a cores, diante de milhões de espectadores atônitos e incrédulos.
Mas, tentando responder a questão inicial, devo considerar que a grande maioria das pessoas – com as quais converso e troco opiniões para tecer meus comentários semanais – são frontalmente contra essas exibições estúpidas.
Ora, minha gente, o Brasil está atravessando uma conjuntura das mais delicadas. Do domínio social ao econômico, além dos estruturantes relativos à moral, à ética e à política. Uma Nação com tantas fragilidades sociais e morais, como o Brasil de hoje, tem seu futuro ameaçado e a oportunidade de corrigir é quando se elege um novo governante. Sem ética não saberemos discutir progresso social e econômico com lisura e democracia. Aos nossos dois candidatos faltam oportunidades de, nesses necessários debates televisivos, focar nas propostas de governo. Somente assim o eleitor poderá avaliar melhor cada um deles e decidir a quem conferir seu voto. Essa coisa de fuxicar a vida de cada um é coisa de comadres desocupadas, sentadas nas calçadas das cidades do interior mineiro, que deve ser um trem danado de bão prá elas. Mas para candidatos à Presidência da Republica é, no mínimo, indecente.
Propostas candidatos! É isso que estamos esperando porque o país está à beira de um colapso de energia, falta água em muitos lugares, a insegurança é calamitosa, a Educação é um desmantelo, a mobilidade e a logística são o retrato do caos, a Saúde é dramática, o crescimento econômico é pífio e vexatório, a inflação assusta e a falta de vergonha nos políticos envergonha o cidadão brasileiro honesto. Queimem o circo, tem quem curta essa. Mas, não toquem fogo no Brasil!                   


NOTA: A foto que ilustra foi obtida no Google Imagens.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Brasil merece sua melhor reflexão

Como esperado, as eleições de domingo passado, no Brasil, geraram múltiplas emoções. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, brasileiros e brasileiras se envolveram num dos processos mais disputados dos últimos tempos.
Pois é, o processo eleitoral deste ano foi, desde o inicio, permeado de lances que classifico como inusitados. Além das naturais escaramuças pré-desenhadas, aquele acidente fatal com o candidato Eduardo Campos, provocou uma tremenda reviravolta e determinou um processo ainda menos esperado.  A substituição de Eduardo pela pouco convincente Marina Silva; a luta desigual, frente aos concorrentes, da atual Presidente buscando permanecer no poder, com o óbvio apoio da máquina do Estado e  o candidato Aécio Neves se equilibrando numa “corda bamba” para levar adiante sua candidatura foram elementos que permearam o dia-a-dia dos brasileiros, nesses últimos meses. Desestimulante, para muitos que consideraram como fracas as opções de escolha e apaixonante para outros que ainda vive sob a tutela do Estado.
Percorrendo parte da cidade do Recife – onde meu domicilio eleitoral – percebi pouco entusiasmo nas fisionomias dos eleitores e ausência total do clima de festa que se registrava nas eleições do passado, particularmente após a redemocratização. Eu vivi climas eleitorais vibrantes, desde criança porque venho de uma família de políticos apaixonados. É verdade que a atual lei eleitoral inibe maiores manifestações, contudo, o povo ia às ruas sempre com mais alegria e vibração do que o visto no último domingo. Vi pessoas vestindo preto e declarando luto e repúdio à situação deplorável em que se encontra o país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, quase 20% dos eleitores inscritos não se deram ao trabalho de comparecer à seção eleitoral e isto exige uma reflexão num país em que votar é obrigação. Nas seções eleitorais do exterior o que mais se comentou foi que a coisa foi sem graça. Não que precise graça, mas, faltou entusiasmo. O eleitor está descrente, saturado dessa situação hoje reinante. 
Diante desse ambiente apático, arrisco pontuar algumas constatações pessoais:
A terceira via, mais uma vez, foi inviabilizada. A esperança estava nas mãos de Eduardo Campos. Sua substituta, Marina Silva, não mostrou capacidade, nem envergadura, para levar adiante o projeto gestado em Pernambuco. A Marina, na verdade, obteve boa votação enquanto vista como a melhor opção de arrancar o PT do Governo. Opção discutível e frágil, no meu modo de ver. Não é assim que se vence uma eleição. Faltou uma proposta programática compreensível para justificar o fim desejado. Essa estratégia vingou bem em Pernambuco e o Partido governista terminou dissolvido no estado. Não fez, sequer, um Deputado Federal, perdeu na disputa para o Senado e por haver sido incluído na coligação de apoio ao candidato de oposição ao governo estadual terminou prejudicando-o. O resultado foi catastrófico, embora que o postulante, Armando Monteiro Neto, fosse de alta densidade política e de indiscutível competência. E que nunca foi Petista.
Outra constatação: a polarização PT x PSDB volta com toda força e o brasileiro, esperançoso por uma autentica mudança, vê-se refém do “mesmismo” e de um modelo político esgotado e desmoralizado pelos sucessivos escândalos e episódios de corrupções registradas sob a égide desse governo de plantão, como amplamente denunciado, de modo clamoroso, pela massa cidadã que foi às ruas do país em junho de 2013. Isso, sem falar noutros aspectos, entre os quais o pífio desempenho econômico, a perda de importância no cenário internacional, a insegurança, a inflação, a magra rede logística do país e a indecorosa carga tributária.
O resultado das urnas mostram claramente que a candidata Dilma está longe de ser a unanimidade que ela própria disse gozar, em entrevista coletiva após divulgada a apuração dos votos de domingo passado. Ela obteve apenas 41,59%, dos votos válidos. O restante foi sufragado a favor dos candidatos Aécio Neves, com a surpreendente marca dos 33,55% e a favorita para disputar o segundo turno, Marina Silva, com 21,32%. Não me preocupei com as migalhas dos candidatos de menor envergadura. Ou seja, a candidata Presidente fez um discurso equivocado. Para levar no segundo turno vai ter que trabalhar muito. A propósito, acredito que teremos um pleito duríssimo e quem vencer vai contar com uma vantagem bem apertada.
Finalmente, vejo que nesse segundo turno, próximo dia 26, o eleitor brasileiro vai selar seu futuro e o do país ao eleger um novo(a) presidente. Depois disso, bençoe... Será um caminho sem volta. E, nessa hora, reitero o que sugeri na postagem da semana passada: dê um voto consciente. O Brasil merece sua reflexão. Agora, mais do que nunca!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens