sábado, 27 de junho de 2009

Recife: Uma cidade abandonada

A prefeitura do Recife anda mesmo “pisando na bola” ao não saber administrar a questão da coleta do lixo. Nosso prefeito, até agora, só tem dado sinais de incompetência na gestão que assumiu em janeiro passado. Hoje (26.06) li num dos jornais da cidade que havia sido rompido o contrato com a empresa encarregada, há anos, pela coleta do lixo da cidade. Fiquei – como morador e contribuinte – preocupado com o que poderá ocorrer depois disso. Sem poder fazer qualquer coisa, resta-me apenas protestar e desejar uma substituição rápida – pouco provável, dados os lentos tramites burocráticos – ou ver acontecer uma operação emergencial para deixar a cidade em condições habitáveis e visitável.
O Recife vem, nesses últimos meses, entregue à sujeira e maus tratos, sem precedentes. Não precisa ir muito longe. O centro da cidade, bem como artérias em bairros importantes, se encontra em estado de verdadeira calamidade. Não dá para mostrar a cidade a um visitante sem passar por dificuldades e vergonha. Isto aconteceu comigo. Acompanhei um cidadão, misto de empresário e turista, pelas imediações da Praça Joaquim Nabuco, Rua da Concórdia e região da Casa da Cultura e amarguei uma vergonha sem tamanho. As galerias pluviais entupidas, as calçadas tomadas pelas águas, o lixo acumulado pelos cantos, a fedentina de urina e fezes incensando. Um verdadeiro caos. Inventei desculpas de toda ordem. Para completar, “mariposas” prostitutas horrendas vendendo seus serviços sexuais em plena luz do dia, numa manhã se sábado. Saímos escapando de um lado para outro temendo algum prejuízo, isto é, sujos de lamas ou águas fétidas ou, quem sabe, escorregar numa sujeira qualquer.
Dado infeliz momento, meu ciceroneado manifestou interesse de se aproximar da murada do rio Capibaribe para ver de perto o manguezal, exuberante a distancia. Um choque! A vergonha foi bem maior. O que vi lá é algo como a antevisão do caminho que, segundo pintam, leva ao inferno. Quanta sujeira! Cá pra nós, de um primitivismo atroz (Foto a seguir). Dizem que as margens do Tamisa, na Londres dos séculos 17 ou 18, eram tão sujas e fétidas que provocava mortes na população, pela falta de higiene pública. Foi do que lembrei e cheguei a comentar com meu amigo visitante.

A partir dali resolvi não inventar mais nenhuma desculpa. Diante daqueles fatos concretos, não havia mais o que fazer ou dizer. A coisa além de feia era a pura realidade. Foi então que resolvi fotografar tudo que me apareceu pela frente e protestar neste espaço, apesar de pouco lido e humilde.
Numa atitude de gentileza, meu amigo, percebendo a minha perplexidade, se apressou em me acalmar com comentários elogiosos ao prédio da Casa da Cultura, ao mérito de transformar uma velha prisão num espaço cultural, o casario da Rua da Aurora, a ponte da Boa Vista, as igrejas seculares, o artesanato que comprou e, por fim, reforçando seu gesto, lembrou que o brasileiro ainda não aprendeu a preservar suas cidades ou cultivar hábitos de higiene coletiva. Isto ocorre, argumentou, no país inteiro, aqui ou na próspera cidade onde vive, no interior de São Paulo. Fiquei agradecido, mas, entalado, sem ter o que dizer, com o abandono da minha cidade. Uma coisa meu amigo tinha razão quando disse que o povão pouco se incomoda em depositar seus descartáveis nas lixeiras apropriadas. A prova estava ali diante dos nossos olhos: cascas de frutas, copos plásticos usados, latas de refrigerantes, pontas de cigarro, sacos plásticos vazios, garrafas, roupas velhas, caixas de papelão, vasos sanitários quebrados, moveis imprestáveis, tudo enfim, é abandonado na via pública a espera da coleta que, infelizmente, não vem.
Ao fim da manhã, peguei meu amigo pelo braço, meti-o dentro do carro, e procurei um local mais digno do visitante. Escolhi a varanda do Country Club, que por sorte sou sócio, onde pude amenizar a péssima imagem que ele guardou dos canais e margens da Veneza Brasileira.
Socorro, Prefeito! Cuide da nossa cidade! Além de ser sua missão, lembro que julho é mês de férias e a cidade precisa estar apta para receber os turistas!


NOTAS: 1) As fotos são do Blogueiro, em momento de desespero.
2) O Blogueiro vai tomar providências para que esta postagem na seja enviada aos leitores de fora, principalmente estrangeiros.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

UM SÃO JOÃO BONITO

Os festejos juninos são sempre muito bons. Principalmente quando vividos no interior do Nordeste brasileiro. A noite de São João é uma das mais importantes manifestações culturais da região. Rivaliza com o carnaval, com a vantagem de ser mais comedida e muito cheia de simbolismo religioso. É uma festa rural, na sua essência e, por isso, melhor festejada nas localidades interioranas.
Na maioria das vezes, passo a noite de São João numa cidade do interior. Este ano, por exemplo, passei na cidade de Bonito, situada na mata sul do estado de Pernambuco. Por lá, as comemorações ainda são bem próximas ao estilo tradicional por não haverem aderido às monumentais produções, com mega-shows e multidões – parecidos com o carnaval – que caracterizam os festejos de cidades como Caruaru em Pernambuco e Campina Grande, na Paraíba.
Em Bonito a coisa ainda lembra meus tempos de criança. Muita cangica, milho cozido, pamonha, pé de moleque e vinho. Queimam-se muitos fogos e a gente local faz questão de se vestir com trajes caipiras, como manda o figurino. Diferente do que vi no Brejo da Madre de Deus e Fazenda Nova no ano passado. Um espetáculo à parte são as fogueiras. A tradição da queima de lenhas, na porta de casa, é uma coisa sagrada, para os bonitenses. O cidadão que não fizer isto terá pela frente um ano de infelicidades. Queimar uma fogueira é uma herança da colonização portuguesa e a maneira pela qual o cristão lembra o gesto de Santa Izabel, que queimou uma grande fogueira, no alto do monte onde vivia com seu marido Joaquim, para avisar o nascimento do seu filho, João, à sua prima, a Virgem Maria, em Nazareth.
Em Bonito, Plínio Farias, meu anfitrião, fez questão de acender a dele, com lenha fácil de ser consumida pelo fogo, ateado às 6 horas da noite, em ponto, do dia 23, véspera do dia de São João. Na hora precisa lá veio Farias com uma sacola de molambos e uma garrafa de álcool. Para minha surpresa os ditos molambos eram cuecas e calcinhas usadas. “Ôxente Plínio, espera um pouco... Tu vais queimar tuas cuecas e calcinhas da tua mulher?”. Perguntei apressado. “Ôxente, homem de Deus, e num tais vendo que é tudo coisa velha. Hoje é noite de queimá-las”. Respondeu-me prontamente. Fiquei curioso com aquilo, até que ele me explicou que, toda noite de São João, é bom queimar as roupas de baixo, já imprestáveis, pra viver até a próxima noite de São João. Taí, aprendi mais uma das chamadas “simpatias juninas” e quase fui tirar a minha cueca para queimar naquela fogueira. Só não fiz porque a que eu usava na hora era quase nova e não havia mais tempo, porque o fogaréu já estava alto. Mas, de agora em diante, nunca mais vou deixar de queimar cueca velha na fogueira de São João. Faço qualquer negócio para viver muito tempo. Dá um trabalho danado, mas, que é bom é...
Depois que as fogueiras começam a queimar, o forró rola solto pelos quatro cantos da cidade. Tem quadrilhas desfilando pelas ruas, sanfoneiros acompanhados de zabumbeiros e trianguleiros (inventei esta palavra agorinha) e o povão dançando sem parar, até o sol raiar, como aconteceu na casa de um político amigo, genro de Plinio, que patrocinou uma festança de empenar. Apareceu, até, um pelotão de bacamarteiros que deram um montão de tiros de festim, saudando os donos da casa, as autoridades presentes – tinha um magote – os convidados e São João, é claro. Fiquei com meus zovidos zunindo inté de manhã. O sanfoneiro era dos bons. O vinho era de qualidade, a comida nem se fala e o clima ajudava. A cidade tem alguma altitude, fica metida numa mata úmida e a temperatura se torna convidativa para usar um abrigo, tirado do baú.
Sem dúvidas, um São João bonito, em Bonito.


NOTA: Fotos do Blogueiro: As caipiras de Bonito, Plinio queimando a fogueira e o camandante bacamarteiro.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

APAGANDO A HISTÓRIA

A gente anda pelo mundo afora e o que pode observar, em muitos países, é o cuidado que se tem e a seriedade para com o patrimônio histórico. Dá gosto de ver monumentos de centenas e centenas de anos. Objetos pré-históricos, monumentos arquitetônicos deslumbrantes, tudo cuidadosamente preservado e testemunhando a história das civilizações. Sinto imenso prazer em circular pelas seculares ruas, praças e igrejas de Roma, pelas ruínas do Fórum Romano, do velho Coliseu e outras arenas (ver imagem a seguir) que os romanos construíram Europa adentro. Encantei-me com os monumentos milenares que visitei no Japão ou as obras de arte pré-colombianas de alguns países latino-americanos, como Machu-Pichu, no Peru. Enfim, há uma infinidade de patrimônios da humanidade que são preservados e cuidados como jóias, que são.
Falo disto, para manifestar minha tristeza ao ouvir falar no desabamento, em fevereiro passado, de uma igreja secular de Olinda, a de São João Batista dos Militares (ver foto), por falta de cuidados dos responsáveis e do desleixo do Patrimônio Histórico do Estado, que, mesmo avisado da possibilidade do desastre, não adotou providencias cabíveis. Falta de dinheiro, talvez. A razão não se sabe bem qual foi. Só sei que o patrimônio foi deteriorado... será que pode ser restaurado à altura da sua importância e valor histórico? Isto é o que ninguém pode garantir. Segundo li num jornal do Recife, desta semana, o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, de Pernambuco, vai fazer um escoramento, acredito que seja um remendo, para que a coisa não se acabe de vez.
Para quem sabe dar importância a cada monumento, é de fazer chorar o que se assiste neste país. Para isto, não existe orçamento. E os tubarões de Brasília se refastelando. Revoltante. E os patrocínios das empresas privadas? E os governos locais, por onde passam? Ah! Faltam sensibilidade e interesse pela história nacional.
Ideal seria que houvesse um programa de manutenção das obras de arte, no país inteiro, numa ação preventiva e não corretiva esperando uma deterioração ou desabamento para que se faça uma recuperação, muitas vezes agredindo o patrimônio e nunca chegando ao que se tinha originalmente.
Assim como a igreja de São João Batista dos Militares, outras igrejas de Olinda clamam por manutenção ou restauração, sem que seus clamores sejam ouvidos. Segundo um artesão de Olinda, várias dessas igrejas estão sendo devoradas por cupins. Não é uma lástima? Alguns olindenses dizem que, por lá, será preciso uma descupinização geral da Colina Histórica e seus arredores. É uma praga que põe em risco a história de Pernambuco, sem que as autoridades competentes enxerguem.
Tem mais: essa coisa não é diferente no Recife. Circulando pela cidade, principalmente pelos bairros mais tradicionais, entre os quais o Recife Antigo, Santo Antonio, São José e da Boa Vista, o que mais se vê são os prédios e casarões seculares abandonados, em ruínas, ou então remodelados com traços modernosos de assustar qualquer observador mais cuidadoso. Forma equivocada que, para muitos, parece ser correta de manter a história.
Do jeito que a coisa vai, lamentavelmente, estão destruindo um patrimônio histórico da humanidade e do Brasil. Apagando a nossa história. Salvemos Olinda e Recife! Denuncie as agressões.
Este artigo já estava concluído quando tomei conhecimento pelo Jornal do Commércio, do Recife, de hoje (17.06), da depredação que vândalos drogados estão fazendo no histórico prédio onde, até bem pouco, funcionava a Bolsa de Valores de Pernambuco e Paraíba, na Praça do Marco Zero (Ver foto ao lado). A Caixa Econômica adquiriu o imóvel para instalar um Centro Cultural. Ótimo, mas, não teve o cuidado de contratar uma vigilância até que as obras comecem, só Deus sabe quando. Resultado é que populares arrancam peças de metal e componentes da construção, vendem aos sucateiros e, com o apurado, “investem” em drogas. Por isso, concluo, outra vez: estão apagando nossa historia.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Chutes Milionários

O jogador Kaká (Foto ao lado) da seleção brasileira foi vendido esta semana, pelo Milan ao Real Madrid, pela astronômica soma de, aproximadamente, R$ 180,0 Milhões. Logo em seguida, dois dias depois, o português Cristiano Ronaldo – atual melhor do mundo – foi comprado do Manchester United, pelo mesmo clube espanhol por uma soma maior ainda, de R$ 256,0 milhões. O português, segundo noticia a imprensa, comemorou tomando R$ 39,0 Mil de Champagne! Não é incrível? Como pode um mundo em crise econômica e um país, no caso a Espanha, um dos mais afetadas pela debaque financeira na Europa, assistir um negócio desses. O futebol é, definitivamente, um dos maiores negócios do mundo.
Fico impressionado com as fabulosas somas que envolvem essas transações, os salários milionários que são pagos – Ronaldo ganha R$ 1,13 Milhão, por mês, no Corinthias – além de tudo quanto gira em torno dos campeonatos locais, internacionais e mundial. São patrocínios estratosféricos, preços dos ingressos e renda dos mesmos, publicidade, transmissões de radio e TV em tempo real, logísticas diversas, vestuário esportivo com grifes milionárias e outras miudezas, nem sempre miúdas! Um negócio multifário e de proporções ilimitadas.
Esta semana, aqui em Pernambuco, o movimento futebolístico foi de puro frisson, em face dos preparativos e movimentos que antecederam a partida entre Brasil e Paraguai, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, que resultou na vitória brasileira e, antes um pouco, a escolha de Pernambuco como uma das sedes para o mundial de 2014. Rolou muita grana. Os informais se lavaram. Os formais nem se fala... Muitos negócios foram feitos e outros muitos ficaram garantidos.
Venho mais atento a tudo isto, desde o momento em que comecei a acompanhar a recente participação do Sport Clube do Recife, na Copa Libertadores da América. Como comentei noutra ocasião, influenciado pelo meu filho mais novo – ligado no futebol e no Sport Recife – fui longe para assistir uma das partidas, em Santiago do Chile, contra o time chileno do Colo-Colo. Para minha imensa surpresa, não estávamos sozinhos. Eram muitos os pernambucanos, próximo a dois mil, que se deslocaram até a capital chilena com o mesmo objetivo.
Ora, gente, isto não se faz de qualquer forma. Tiro por mim... Pelo contrário, envolve investimento num imenso esquema de logística que resulta numa significativa soma de dinheiro circulando, para a alegria das companhias aéreas, hotéis, restaurantes, transportes locais, ingressos para o jogo, operadores de turismo, e, finalmente, um interminável número de agentes das mais diversas competências. Os chilenos, neste caso, exultavam com a chegada ou passagem dos torcedores rubro-negros do Recife. “Foi um movimento inesperado!”, afirmou um dono de restaurante, no Mercado Central de Santiago. E isto, fruto, apenas, de uma única partida de futebol.
Imagino o que poderá ocorrer, no Brasil, durante a realização da Copa do Mundo de 2014. O país vai receber, certamente, uma enorme massa de torcedores, das mais variadas bandeiras e vai cair de cheio nas pautas dos principais meios de comunicação do mundo. Isto é muito bom, é claro. Divulga o país. Fomenta o turismo.
Aqui, aliás, o governo estadual anda dizendo que a Copa já começou com o referido jogo contra a seleção paraguaia e a definição de Pernambuco como uma das sedes do campeonato de 2014. O dinheiro que promete aplicar é de montante expressivo, pois estão programados milhões a serem aplicados na construção da cidade da Copa, no município de São Lourenço da Mata, próximo a capital pernambucana. Trata-se, a meu ver, de uma iniciativa audaciosa, embora que vá gerar muitos empregos, desde já, até a realização do certame. Tomara que as coisas aconteçam como planejadas e que traga bons resultados. Tomara, também, que venham seleções de países ricos para dividir seus Euros e Dólares conosco. Afinal, negócio é negócio! E, em se tratando de futebol, temos mais é que aplaudir os chutes milionários. Que jeito? Que venham as estrelas dos gramados.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Roda Viva da Vida

Esta semana começou com a triste notícia do desaparecimento na costa brasileira de um avião da Air France, na rota Rio de Janeiro-Paris, levando 228 passageiros. Uma segunda feira negra para a aviação civil. Um choque para o mundo inteiro. Principalmente para quem, como eu, viaja com certa freqüência, várias vezes nessa rota. Já se vão cinco dias e poucas são as conclusões a respeito das causas do infausto acidente. Pessoas envolvidas no caso e nas discussões, no Brasil, França e outros pontos, levantam as mais diferentes hipóteses, sem que se chegue a uma explicação plausível. Piloto, fabricantes da aeronave e empresa aérea, ficam sob suspeitas, além da hipótese de um atentado. A caixa preta, testemunha tecnológica importante do acidente, dificilmente será pescada das profundezas atlânticas, segundo opinam os especialistas e autoridades. Pura perplexidade.
No final das contas, e o que é mais lamentável, é que vidas foram interrompidas quando, certamente, alimentavam projetos e esperanças de viver por muito tempo. Cientistas, artistas, comerciantes, profissionais graduados de diversas áreas, crianças, casais em inicio de vida conjugal, casais maduros em viagem de comemorações, enfim, uma aeronave recheada de vida. Muitas vidas, liquidadas em poucos minutos.
Numa hora dessas, fico intrigado com essa coisa chamada destino, que eu acredito. O que me reserva o futuro? Como será o meu amanhã? É a primeira coisa que me ocorre pensar. E, quase sempre, chego à conclusão de que viver é, na prática, uma aventura de alto risco. Indiscutivelmente, uma deliciosa aventura. Mas, de alto risco. Certas horas, se o sujeito se acabrunhar e pensar demais, corre o risco de não viver, o que é um desperdício, vamos e venhamos.
Pensando direitinho, este mundo é muito surpreendente e, de certo modo, cheio de artimanhas.
Há quase um ano, estávamos às voltas por enfrentar as agruras de uma crise econômico-financeira de proporções inimagináveis e que ameaçava arrasar, em pouco tempo, os mercados e empobrecer as sociedades, sem qualquer distinção. Houve pânico, desemprego, quebradeira, fome, o diabo a quatro. Autoridades dos quatro cantos do planeta, “engolindo sapos e lagartos”, se virando de qualquer jeito, promoveram ajustes daqui e d´acolá, diante de muito choro e ranger de dentes, para que as coisas tomassem novos rumos de equilíbrio e que, parece, começa acontecer neste final de semestre. A economia começa a dar sinais de reação. Tenho ouvido, com muita freqüência, de sabichões comentaristas econômicos, que a crise acabou. Tomara. Aqui no Brasil, pelo menos, percebo que as coisas começam a sinalizar com mais fôlego. Espero não estar enganado. Tomara, também, que o mesmo venha acontecer pelas bandas do Hemisfério Norte.
Agora, tem uma coisa: analisando bem, essa crise que, durante bom tempo, foi assunto constante nas manchetes e matéria dos jornais do mundo inteiro só saiu do topo das pautas para dar lugar a outro assunto também palpitante, que foi o surgimento da gripe suína. Foi ou não foi? Foi um Deus nos acuda. Estimaram que uma em cada três pessoas do mundo seria atacada pelo vírus. Anunciaram, sem a menor cerimônia, uma pandemia, um verdadeiro caos. Compararam-na com a devastadora gripe espanhola, do inicio do século passado. O México, onde a moléstia eclodiu ficou na berlinda. Durante alguns dias, era o último e pior lugar do Universo. Por lá o mundo parou. Fechou-se o tempo. Nem escola, nem comércio, cerimônias religiosas ou divertimentos. Funcionavam, somente, os hospitais, o que era logicamente compreensível. Parou tudo, mesmo. Acompanhei a coisa, por intermédio de amigos que tenho por lá. Na semana passada, tive a curiosidade de investigar o que de fato restou daquela situação inicial de pânico. “no es tan peligrosa como primero se dijo. La situación está totalmente controlada, gracias a las medidas que se tomaron, aunque a la gente no le gustó, pero fué admirablemente disciplinada la ciudad de México. Hablamos de más de 25 millones de personas. Ya se levantó totalmente la contingência”, explicou minha amiga Susana González, moradora da Cidade do México. No Brasil os casos de pessoas afetadas são em números mínimos, diante da população do país, e tudo está sob controle. Fala-se muito pouco sobre o assunto. Do jeito que vai, acredito, logo estará esquecida. Aliás, esta gripe suína, me faz lembrar uma outra – a aviária – que, lá pelos idos de 2005-06, ameaçava dizimar meio mundo. Eu não conheço ninguém que tenha contraído este vírus da aviária.
Muito bem. E amanhã? Ah! Amanhã o assunto será outro completamente diferente... Até porque, a mídia, que presta um serviço importante, está de olho em tudo, embora, quase sempre, carregue nas tintas. Cá prá nós, deita e rola.
Enquanto isto, uma pergunta que não cala: e o meu destino? E o seu? Você acredita? Por mim, fica por conta da roda do tempo. O Senhor Tempo, que regula nossas vidas. Como diz Chico Buarque, isto tudo é mesmo uma Roda Viva.
Boa sorte, caro leitor ou leitora!

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens