sexta-feira, 30 de março de 2012

Tá chegando a Hora

Toda vez que passo diante de um mostrador lembrando quantos dias faltam para o início da Copa do Mundo, na Avenida Agamenon Magalhães (região central do Recife), sou acometido de uma atroz dúvida quanto o que pode ocorrer até lá, na cidade, noutras cidades sedes do certame e no Brasil como um todo. Esses dias, visualizei a marca de oitocentos e poucos dias. Ora, falta muito pouco tempo, se comparando a quantidade das muitas obras a serem iniciadas ou concluídas. A começar pela tal Arena Pernambuco. Os responsáveis garantem que estarão concluídas em tempo hábil. Mas, como não temos construções em ritmo chinês, nem dinheiro fácil como eles, a dúvida vai persistir até que as coisas sejam dadas como prontas. E, de preferência, antes da Copa.
Os jornais de hoje (30.03.12), no Recife, trazem com grandes manchetes as melhorias viárias que transformarão a cidade em algo mais humana e de fácil circulação – atualmente é um caos – prometendo aprontar tudo antes do Campeonato Mundial. A rigor, são obras destinadas a solucionar os problemas de mobilidade da cidade, é verdade, mas que urge serem entregues para o conforto das levas de turistas/torcedores que poderão baixar na cidade, em 2014. E esta data está em cima!
Minha dúvida se exacerba ao virar as folhas dos nossos noticiosos e me deparar com as futricas políticas que assolam a província. E bote provincianismo nisso... Nunca vi tamanho fuxico. Pelo menos não me recordo. Inoportuno para uma ocasião em que, antes de travarem essas escaramuças (*), a classe política devia focar nos imensos problemas da cidade e realizar um pleito mais amadurecido e, sobretudo, pensando no futuro imediato e bem estar da população. Falta união! Tanto como, por exemplo, em Brasília, conforme vimos no processo de aprovação da Lei da Copa. Aquilo foi o melhor exemplo da chafurda que reina no país.
Pensando bem, esses governantes de plantão deveriam aproveitar a chance de operar melhorias de grande porte nas cidades e nos estados, calcados nas possibilidades mais elásticas de financiamentos e subsídios oferecidos. Mas, não. Estão pensando em desenvolver uma política de baixo padrão e somente “puxar a brasa para a própria sardinha”.
No ano passado estive visitando a África do Sul, onde, um ano antes havia ocorrido o último Mundial. Conversando com alguns, soube das dificuldades pelas quais passaram e que foram muitas. Porém, tudo estava pronto para a Copa das Confederações, que sempre ocorre um ano antes da Copa do Mundo. Houve um esforço inteligente e de ordem política que viabilizou a tempo a conclusão das obras. E, olhem que, não foram poucas as melhorais operadas. O país passou por uma reforma geral. Minha primeira surpresa foi no desembarque em Johanesburgo, quando vi a beleza de aeroporto que substituiu o acanhado e lúgubre do passado. Eu já havia ido àquele país, quando nem se falava em uma Copa por lá. Depois do aeroporto, fiquei deslumbrado com a estrutura viária, a urbanização moderna, os veículos leves sobre trilhos (VLT) em circulação e, por fim, um povo mais afável e mais cosmopolita. Nosso guia declarou com alegria que o melhor “governo” que o país já teve foi a Copa do Mundo. “A África do Sul é outro país depois da Copa de 2010. Os turistas são em maior número e todo mundo quer vir nos conhecer” disse o cidadão cheio de júbilo. Concordei com ele.
Se na África do Sul os efeitos de uma Copa foram tão positivos, o que não poderia acontecer no Brasil? Estamos, minha gente, diante da maior chance de projetar o nosso Patropi. Pena que nossos administradores nem percebem ou pouco estão se tocando. Estão pensando SOMENTE nos interesses pessoais e político.
Por outro lado, observo que nossa gente não está fazendo idéia precisa dos desafios que tem pela frente. Penso nos prestadores de serviços. Aqueles que vão estar na linha de frente – na posição de artilheiro, dentro da pequena área – para atender as demandas dos visitantes ensandecidos na turba da torcida, querendo comer e beber, se deslocar, ter umZa informação, procurando orientações, e tudo mais que se possa imaginar. O que farão essas criaturas? Como desempenharão seus papéis? Estão sendo preparados? Não vejo movimentos notáveis nesse sentido.
E nossos restaurantes? Estarão eles pensando em cardápios apropriados – com versão em inglês, por exemplo – para o momento do evento. E os garçons? Imagino o vexame que pode ocorrer. Vai ser trabalhoso e, sobretudo, uma perda de tempo para o cliente, que nesse caso vem apressado e sai do mesmo jeito, focado em torcer pela sua seleção. A não ser que esses torcedores estejam estudando português. A África do Sul, neste caso, levou uma vantagem estupenda porque o inglês é idioma oficial.
Para concluir, fico pensando se vierem jogar, no Recife, as seleções da Alemanha, Suécia, Japão e Costa do Marfim, por exemplo. Vai ser um barato. Nem quero pensar.
Melhor pedir aos padroeiros do futebol que intercedam a nosso favor e no sorteio para a Chave do Recife tirem as bolinhas de: Portugal, Argentina, Chile e Paraguai. Seria bem mais fácil. Não é mesmo? Tá chegando a hora!
NOTA: Foto obtida no Google Imagens
(*) Escaramuça = combate de pequena importância.

domingo, 25 de março de 2012

CIDADE ETERNA

É sempre muito auspicioso entrar em Roma, a Cidade Eterna. E, melhor ainda, quando se faz por via terrestre, como nosso caso, nessa última visita. Foi uma sensação prazerosa, naquela noite de fevereiro, entrar na cidade pela a histórica Via Aurélia. Claro que não se trata da Antiga Via Aurélia porque seria impossível mantê-la no traçado e formato daquela época, mas sim uma via à moderna. De todo modo é importante ter a consciência de que por ali generais e centuriões guerreiros do antigo império romano marchavam garbosos, prestes a entrar triunfantes na capital do mundo de então e receber ovações e coroas de louros. A antiga Aurélia foi iniciada pelo Cônsul Aurélio Cota, no século III a. C. na direção norte do Império, até Genova. Partia da Porta Aurélia, na muralha Aureliana, dentro da Roma antiga. Hoje ela se estende ao longo da costa italiana e liga Roma à França. Cansados da viagem do dia, resolvemos – depois de belo jantar – descansar e sonhar com o dia seguinte, que prometia um mergulho na história. De fato, percorrer Roma é viver uma lição de história a cada curva, cada esquina, cada praça. Após uma panorâmica city-tour, elegemos os locais a visitar com mais detalhes. A primeira parada foi no Coliseu, que nos tomou uma manhã. (Vide foto acima). Percorremos cada plano e cada espaço, ouvindo atentamente a história contada por uma simpática guia chilena. Ficamos inteirados dos chamados jogos ali realizados, com lutas de gladiadores e sacrifício de condenados, entre os quais muitos cristãos, entregues às feras. À platéia, a ordem imperial era distribuir pão e vinho para agradar o povo. Foi ali que nasceu a estratégia política do “pão e circo”, para ludibriar os tolos eleitores. A velha estratégia é copiada até hoje. Agora, o pão é distribuído em bolsas ou "todos com a nota". É curioso observar que no entorno do Coliseu existe toda forma de fazer negócio. Cachorro quente, refresco, sourvenirs etc. Há também, divertidos “atores” caracterizados de centuriões ou gladiadores romanos, cobrando Euros 10,00 por uma foto com eles. Entramos na onda, por pura farra. Vide foto. Mas, cá prá nós, a indumentária do centurião de Nova Jerusalém é bem mais caprichada. Saindo do Coliseu visitamos as ruínas do Fórum Romano, foto a seguir, incluindo pontos importantes como o senado, templos e arcos de vitórias e o local onde caiu morto Julio Cesar, que recebe flores de alguns visitantes. Sempre caminhando – Roma tem que ser visitada a pé – alcançamos a famosaPiazza Venezia com seu monumental Altar da Pátria, inaugurado em 1911, em homenagem a Vitorio Emanuel II, primeiro Rei da Itália unificada e considerado o Pai da Pátria. Trata-se, na verdade, de uma obra recente. Pelo seu formato, os italianos a chamam de “máquina de escrever”. Parece mesmo. Mas, os turistas brasileiros costumam chamar de “bolo de noiva”, não apenas pelo formato, mas também pela brancura do mármore que reveste. Vide a foto a seguir.Não fosse a imponência e o simbolismo que encerra, seria, de fato, um monstrengo numa Roma monumental e histórica. Eu, pessoalmente, costumo sentar num café daquela praça – o Café Brasiliana – e, por algum tempo, admirar o “bolo de noiva”. Mas, nessa praça se encontra também o famoso Palácio Veneza, antiga embaixada da Republica de Veneza, herdado pelo Governo da Itália unificada no qual, desde uma das suas varandas, o Duce Benito Mussolini, criador do Fascismo, fazia seus comícios pregando a filosofia fascista e a inserção da Itália na 2ª. Guerra Mundial, da qual saiu destroçada.
Correndo contra o relógio, apressamo-nos porque Roma guarda uma infinidade de outros monumentos que não podíamos deixar de visitar. Lembro, entre esses, a Fonte dos Desejos (Fontana di Trevi), olhe a foto acima, localizada, para surpresa de todos, num canto apertadinho da cidade. A gente entra num "beco" transversal da agitada Via do Corso e lá está a famosa fonte. É uma beleza de monumento! Sempre lotada de turistas (mas, quando estiver por lá, cuide da carteira) e todo mundo jogando, de costas, uma moedinha, pedindo um desejo qualquer. Saindo dali, foi a vez da famosa Piazza Navona. Repleta de fontes e monumentos, essa praça tem especial importância para os brasileiros porque é lá onde se encontra a Embaixada do Brasil, num dos mais belos palácios da cidade, comprado, por uma bagatela, no governo de Juscelino. A praça é um local muito movimentado, repleto de artistas pintores, malabaristas, artesãos, além de inúmeros bons restaurantes. Além disso, foi a vez de percorrer a charmosa Via Sistina, começando na Piazza Barberini, até alcançar, lá no final, a igreja da Trinitá dei Monti – dizem que a mais fotografada de Roma – na Piazza Espanha. Vide foto ao lado. Descemos a grande escadaria e curtimos admirá-la, como sempre, repleta de jovens. No final das escadas, na Praça da Barca, adentramos na sofisticada área de comércio das vias Condoti e Fratina. Só dá prá ver e tentar acreditar. Vi numa vitrine, uma bolsa que era o dobro do valor da passagem aérea que nos levou a essa viagem. Mas, tem quem compre!
Para completar, claro, passamos quase um dia inteiro no Vaticano. Basílica de São Pedro, museus e troca da guarda foram nossos focos. (Vide foto a seguir) Saímos em estado de graça, na Cidade Eterna. NOTA: As fotos postadas são da autoria do Blogueiro. A foto da Igreja Trinitá dei Monti foi obtida no Google Imagens.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Duas paradas inesquecíveis

O sol não havia raiado totalmente quando partimos na direção sul buscando um caminho para chegar a Roma. Deixamos a cidade de Mestre (vizinha à Veneza), onde pernoitamos. Circundamos a Laguna de Veneza debaixo de frio intenso, típico da estação invernosa, que este ano foi das mais severas. Imaginávamos que, à medida que avançávamos, naquela direção poderíamos encontrar temperaturas mais agradáveis e a neve ficaria para trás. Qual nada! Foi naquelas estradas que vislumbramos campos cobertos pelo típico manto alvo da neve acumulado na temporada. Bonito, sem dúvidas, para quem não está acostumado a esse tipo de paisagem. Atravessamos uma região com muita água, muitos canais e lagoas, na grande maioria congeladas. Lugares cuja base econômica é a agricultura e pecuária. Muitos vinhedos esperando a hora de rebrotar e produzir. Estufas já se preparando para a safra anual.
Vislumbrando paisagens deslumbrantes ao atravessar as regiões do Vêneto, Emilia Romana, uma pontinha da Toscana, a Úmbria, até alcançar o Lázio, onde se situa Roma, a Cidade Eterna.
Na Emilia Romana, fizemos uma parada de, mais ou menos, duas horas em Ravena. Nunca havia estado nessa cidade. Nunca havia me chamado a atenção, embora que localizada numa das regiões que mais aprecio na Itália e por onde andei várias vezes. Confesso que foi uma bela surpresa. A cidade tem grande importância histórica por ter sido a terceira e última capital do Império Romano do Ocidente, entre os anos 402 e 476. As outras capitais foram Roma e Milão. Em Ravena, um tal de Odoacro, rei da tribo germânica dos bárbaros Hérulos, destronou o Imperador Rômulo Augusto e pôs fim ao Império Romano do Ocidente e se tornou o primeiro rei bárbaro de Roma. Sujeitinho valente...
A cidade fica próxima do litoral Adriático. Quando chegamos, era hora de despertar e o comércio começava abrir suas portas. Frio intenso e muita neve (suja, aliás) nas ruas e praças. Vide Foto.


Restos de muralhas e um portal tipo arcada denominada de Porta Adriana – em homenagem ao Imperador Adriano – no centro da cidade, coisa bem típica nas cidades italianas. Logo de cara observei uma coisa bem interessante: os habitantes da cidade usam muito a bicicleta, como meio de transporte. Jovens e velhos, sem exceção. Vi senhoras idosas, muito elegantes e embaladas em capas de frio pesadas, pedalando duas rodas, na maior tranqüilidade. (Veja só a foto a seguir) E, tem uma coisa, lá os ciclistas são respeitados. Circulamos pela Praça Baracca, zona central, e a rua de comércio principal. Visitamos o túmulo de Dante Alighieri e a catedral de São Vital famosíssima pelos mosaicos que a adornam. Tomamos um café e partimos, com vontade de ficar. Um lugar é bom, quando nos deixa com vontade de retornar! Voltarei!
Era pouco mais do meio-dia quando chegamos à cidade de Assis (Assisi, em italiano), Província de Peruggia, na Úmbria. A razão da parada era bem objetiva: orar e beijar a pedra do túmulo de São Francisco. Além disso, visitar mais uma bela cidade medieval da Itália. A história do Santo é muito conhecida mundo afora. Tanto pela propagação dos devotos, quanto pelos escritos e pela cinematografia (Irmão Sol, Irmã Lua). Minha cunhada Flavia, do nosso grupo na viagem, devota do Santo e de Santa Clara (a Irmã Lua) se debulhou em lágrimas, movida pela emoção, visitando o Santuário. De fato, é muito tocante entrar naquela monumental Basílica de Assis (Vide foto a seguir) e ajoelhar-se no túmulo do Santo. As obras de arte em afrescos, contando a história do Santo, são de rara beleza. Nossa chorona não teve saída. Faltou lencinhos... Depois de São Francisco, ela foi chorar, também, na Igreja/Mausoléu de Santa Clara. Para isso, contudo, teve que escalar um morro íngreme – desanimador para mim – apoiada no meu compadre, marido dela. Mas, valeu. O que não faz uma devoção... Devoções à parte, impossivel não registrar a beleza da cidade. O cenário medieval, por si só, já é motivo de uma visita. Quem for arquiteto, por exemplo, mergulha de cabeça numa fonte de história e estilos arquitetônicos, sem fim. É monumental! (Vide a foto abaixo) Terminada a nossa peregrinação em Assis, enfrentamos a última etapa da viagem até Roma, onde chegamos por volta das oito horas da noite. Mas, isto é assunto para outra postagem.
NOTA: As fotos que ilustram são da autoria do Blogueiro.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Rotas da Europa

Começar por Paris uma visita à Europa é sempre muito bom. Mas, além de Paris, o turista sempre encontra muitos outros lugares igualmente belos. Nessa recente viagem, incorporei o papel de tour-guide, para um pequeno grupo familiar, pela primeira vez no Velho Mundo. A turma achou que me saí bem. Pensando numa otimização do tempo disponível e pensando nos desejos do pessoal, sugeri fazer uma boa trajetória por terra, fugindo dos protocolos de aeroportos, sempre enfadonhos e tomadores de tempo útil. A proposta foi aceita e saímos de Paris, ainda de madrugada da 4ª. Feira de cinzas, fazendo um belo percurso na direção sul entrando, rapidamente, na Suíça para um look-around na bela cidade de Genebra. A intenção nesse local foi, principalmente, vislumbrar os Alpes e particularmente o famoso Monte Branco. Refestelamos-nos saboreando boas fondues e os pouco conhecidos vinhos suíços. Genebra é uma cidade muito especial e elegante. Aquele lago é de uma beleza ímpar. As ruas e vitrines – tem cada joalheria – são retratos de um lugar luxuoso e testemunhos de um país muito especial. Todo mundo sabe que a Suíça é famosa pela sua independência política e econômica, além de um povo culto e educadíssimo.
Saindo da Suiça, outra vez, passamos ao lado de Chamonix nas encostas do Monte Branco, na Alta Savóia, França que é a mais famosa estação de inverno dos Alpes. Admiramos as montanhas – especialmente o referido Monte Branco – e entramos num túnel de aproximadamente 12 km. de extensão nas entranhas alpinas. É uma sensação muito especial para o viajante. Depois do longo percurso nas brenhas daquela estratégica passagem, o mundo volta a se abrir com o deslumbrante cenário branco da terra coberta de neve. São paisagens de cartão de natal. Todo mundo, um dia, já recebeu alguma mensagem natalina com paisagens dessas que vimos ao vivo e a cores (Vide foto). Nessas horas, nossos olhos, ávidos por cenas especiais, enchem-se de brilho e satisfação e nos exige uma especial exclamação. A minha foi: Deus Existe e é muito caprichoso!Numa das paradas para repouso fomos pernoitar num lugarzinho entranhado nos Alpes italianos, denominado Aosta. Pense num lugar pequeno, sem movimento, todo mundo entocado com medo do frio. A temperatura era negativa, nem sei de quanto... Amanhecer nesse lugar foi sensacional: ao redor da cidade o cenário era de montanhas cobertas de neve. Antiga parada dos romanos, Aosta é uma cidade medieval, com um restante de ruínas da antiga muralha e um Arco em homenagem ao Imperador Augusto. Para completar, existem muitos castelos na cidade e por toda a região. Às margens das estradas, que nos levaram e tiraram daquele local, o que mais vimos foram belos castelos (Vide foto a seguir). Cada um encerrando uma história dos antigos comerciantes ou antigos nobres que dominavam a região. Muitos são, hoje, museus, hotéis e paradores. Em Aosta, durante o jantar, comemos como nobres. Os prociutos (presuntos) de Parma, regados por um bom Brunello de Montalcino fizeram nossa festa particular. Veneza foi outra parada inevitável. Minha turminha não deixou escapar. De fato, é inevitável. Ficamos um dia apenas. Mas, valeu. Pareceu ter sido mais. Aquilo lá é fascinante. A chegada, por si só, já é impactante. Aquele Planeta Água deixa qualquer um fascinado. Não existe nada igual. Já andei por lá algumas outras vezes, mas, cada ida parece ser a primeira. Acho que senti a sensação dos que estavam comigo, numa primeira viagem. Meu filho caçula, junto comigo, dava o tom da sensação de prazer de ver, de perto, aquela explosão de beleza. Comer? Não! Vamos comer essas belezas. Um lanchinho na Praça de San Marco foi o suficiente, para refazer as energias. Visitamos a belíssima Basílica, corremos a Praça e vimos uma demonstração da produção artesanal dos famosos cristais de Murano. Passeamos de gôndola acompanhados de gondoleiros cantores e tomando Prosecos (Foto a seguir). Um barato! E, por fim, esperando que a noite caísse e chegasse a hora de repousar, nos perdemos pelos labirintos formados pelos bequinhos da cidade, com milhares de lojinhas. Voltar ao ponto de partida foi quase um desafio. As três mulheres quase não param de comprar máscaras, bolsas, roupas e bijuterias locais. Fomos dormir na cidade vizinha de Mestre, para facilitar a logística do dia seguinte. Nessa noite, o jantar foi típico italiano: três pratos e uma sobremesa. E muito vinho Brunello, claro. Saímos empanturrados, mas, de bem com a vida. Que dá saudades, isso dá. Ninguém, por exemplo, pode beber Brunello, a toda hora, no Brasil.
Dia seguinte tomamos o rumo da Cidade Eterna, certos de que "todo caminho leva à Roma". Pode ser o assunto da próxima postagem, caso não apareça algo mais palpitante.




NOTA: As fotos são do Blogueiro e uma obtida no Google Imagens.

NOTA 2: Se estiver interessado em ver passagens em movimento desta viagem, clique em www.youtube.com/ticoso . Trata-se de clips realizados pelo cineasta amador, José Antonio Brazileiro (Tico). Vá lá! Vc vai gostar.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Por trás da Fachada Atraente

Os tempos mudam, as pessoas e nações se transformam, a Economia gira e é esta, particularmente, que vive nos surpreendendo. Nesta minha recente viagem à Europa (17 a 29 de fevereiro) pude observar coisas muito interessantes e, até mesmo, nunca imaginadas. Mergulhado nunca crise econômica sem tamanho, fruto de uma estratégia, provavelmente apressada, de estabelecer uma União imatura, o Velho Continente vive dias de sufoco. Desemprego em larga escala, produção em baixa, consumo engasgado, greves, protestos populares (Vide fotos a seguir, na França e Portugal), viradas inesperadas nas urnas eleitorais e nações desejando se afastar da dita União. Coisas surpreendentes para um mundo que sempre serviu de modelo.
Analisando os acontecimentos recentes, acredito que alguns países, ao entrarem no Bloco, esqueceram que eram pobres e como tal deveriam continuar se portando, pelo menos até que a maturidade sócio-econômica fosse atingida. Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha são bons exemplos da imaturidade que falo. Mas, não. Euros nos cofres, via ajudas financeiras importantes dos mais ricos, para aparelhá-los infra-estrutural, financeira e administrativamente falando, encheram-se de vaidades e soberbas, “atolaram o pé na jaca”, e hoje penam pela gastança perdulária. Não entenderam que as ajudas cedidas tinham como objetivo nivelá-los aos mais desenvolvidos (Alemanha, França, Itália...). O modelo mostrava-se perfeito. O resultado, porém – sobretudo após a crise de 2008, nos Estados Unidos, respingando sem pena sobre o sistema financeiro da Zona do Euro – foi o que não se esperava. As economias européias, sobretudo as mais frágeis, sofreram fraturas, até agora não consolidadas. Vejam a situação da Grécia que não sai do noticiário mundial, ameaçando contaminar o restante do Bloco. A luta para sustentar o Euro tem sido insana. Os lideres europeus não conseguem dormir em paz, há meses! Frau Merkel e Monsieur Sarkozy dão tratos às contas, sem parar. E, nas ruas, já é comum dar de cara com pedintes dramáticos, principalmente onde circula o turismo, como na Champs Elisées. Tem pessoas dormindo ao relento, mesmo com os entornos congelados pelas ondas de frio. Não me lembro disso, no passado. A propósito, tomei o flagrante a seguir (Vide Foto), no sitio histórico das ruínas do Fórum Romano, em Roma, no dia 26.02.12. A postura deles chama a atenção de quem passa. Não pedem, nem atacam. Ficam como estátuas esperando a esmola. Mas, o mais interessante, para nós brasileiros, é a situação confortável que estamos experimentando nesse novo cenário. Durante minha viagem percebi o quanto somos bem vindos e bem recebidos onde quer que cheguemos. Tratados como ricos! É muito engraçado, para quem, como eu, teve muitas vezes o cuidado de não declarar a procedência, pois podia ser olhado com desprezo. Lembro que fiz uma postagem, aqui no Blog, comentando esse tipo de experiência. Pois bem. Agora a coisa mudou de figura. Com a economia brasileira em franca expansão – inclusive no Nordeste! – mercado de trabalho aquecido, brasileiros imigrantes desejando voltar depressa e os europeus “matando cachorro a grito”, receber com distinção os “ricos” tupiniquins virou coisa de bom tom, no outro lado do Atlântico. Imagine que em muitos estabelecimentos comerciais já faturam o cartão, diretamente, na moeda brasileira. O Real passou a ser respeitado, forte e valorizado no mercado de cambio internacional. É a moeda de uma economia pujante, de um país politicamente seguro e, inclusive, classificado como a 6ª. Economia do Mundo.
Essa coisa, porém, não deve ser motivo de muitas comemorações. Vamos com calma com esse andor... A situação tem seus limites bem delineados. Cuidemos com cautela do nosso quadro. D. Dilma está ciente disso. Nós dependemos muito dessas economias européias. Elas são nossas importantes parceiras comerciais. Muita coisa aqui produzida deve continuar sendo consumida por eles. Bem como precisamos comprar deles, inclusive bens de capital. Crise na Europa pode repercutir severamente no Brasil. E para o resto do mundo. O mercado europeu é muito importante para o giro sadio da economia mundial.
Uma coisa é certa: por enquanto, o turismo tem contribuído para sustentar a situação. Como eles têm MUITO que mostrar, mesmo num inverno rigoroso, a coisa não está perdida de tudo. Os brasileiros, por exemplo, aproveitando a apreciação do Real, o acesso ao consumo no nível da Classe A e B e o bom momento geral da economia, não têm deixado por menos. Estão lotando todos os vôos com destinos aos mais atrativos lugares turísticos do mundo. É impressionante como se esbarra com brasileiros pela Europa. Cardápios em português, garçons se esforçando a falar português, entre outras cositas. Estamos vivendo outros tempos. Fiz muito turismo, mas observei, como pude, o por trás da fachada sempre atraente da bela Europa.
NOTA: Fotos são da autoria do Blogueiro

sábado, 3 de março de 2012

Carnaval em Paris

Quando o avião alçou vôo, aqui no Recife, na quase madrugada do sábado de carnaval de 2012 e dia do Galo da Madrugada, deixei para trás um clima duplamente quente – temperaturas local e de folia carnavalesca – indo ao encontro de um oposto na Velha Europa.
A chegada a Paris, na tarde do sábado, foi envolta numa bruma, não necessariamente marinha, mas daquelas cuja visibilidade é curta e com os termômetros marcando 7°C. Bom, comparado com o que ocorreu uma semana antes, com temperaturas negativas. Não é um clima ideal... mas, sendo uma chegada a Paris, qualquer clima é sempre bom. É interessante como isso ocorre. Mesmo tendo visitado esta cidade, por várias vezes, é sempre muito bom desembarcar na capital francesa. Com sol e calor, frio e neve, na Primavera ou no Outono, Paris nunca perde seu encanto de Numero 1, no imaginário dos turistas do mundo inteiro.
Apesar das tantas horas voando, não foi possível conter o impulso de sair e rever a chamada Cidade Luz. Nem uma chuvinha fraca desanimou a mim e meu grupo familiar. Todo mundo queria correr às ruas e avenidas daquele mundo sempre fascinante. E a pedida foi começar pela Avenida dos Champs Elisée. Diante do Arco do Triunfo, começamos a “brincar” o nosso carnaval. É sempre bom descer aquela avenida, símbolo do charme e elegância francesa. Agasalhados “até os dentes” (a temperatura já estava na casa dos 2°C) formamos, naquela noite, um “bloco” muito especial e o colocamos na rua, anonimamente, no meio da multidão, que sem qualquer sombra de folia, subia e descia a Avenida. Na maioria eram jovens, aproveitando a noite do sábado. Circulando simplesmente e enchendo de alegria aquela “artéria coronária” do coração de Paris. Um fervilhado humano tão grande quanto os das ladeiras de Olinda, naquela mesma hora, diferindo, porém, dos objetivos. Os cafés e bistrôs, tão comuns naquele ponto da cidade, completavam a cena, repletos de observadores daquele espetáculo espontâneo de uma gente alegre nos olhos, nos passos largos e na maneira de falar e vestir. Mas, veja só como são as coisas e os traços culturais... Acredito que pouca gente ali sabia que era tempo de carnaval. Nem sinal! Nós mesmos terminamos esquecendo. Com um detalhe notado pelo grupo: ao invés de carnaval ainda havia sinais de festas natalinas. Algumas lojas, bistrôs e prédios conservavam, até então, as iluminações e decorações com motivos natalinos. No fim da Avenida, já na Place de La Concorde, ainda girava a roda gigante montada para época do fim do ano de 2011.
Com uma fome canina – devido aos maus tratos da companhia aérea que nos conduziu até lá – elegemos um simpático bistrô no meio da Avenida e fizemos uma entrada de gala na farra gastronômica que empreendemos nos dias seguintes. Foi uma refeição suprema regada a um excelente vinho nacional, isto é, francês. Digamos que curtimos a vidinha que se pede a Deus, todos os dias. Ele nos concedeu...
Depois de um bom descanso, empreendemos, a partir do domingo, um périplo na Paris que todos amam, percorrendo tim-tim por tim-tim todos os pontos de atração. Fizemos um excelente carnaval, no tamanho e forma planejada.
Para lembrar um pouco do que chamam de folia, fomos ao espetáculo do Cabaré do Moulin Rouge – o mais antigo e famoso da França – em Pigalle, na noite da 2ª. Feira. Olha, eu já havia assistido aquilo lá, há muitos anos, quando estive em Paris pela primeira vez (faz teeeeeempo!) e voltei agora. Pense num troço bem montado. Luz, música, mulheres lindíssimas, plumas e paetes, mágicos e malabaristas e muito Champagne. Aquela cena do aquário gigante com uma bailarina seminua (um peixão com linhas perfeitas), em evoluções coreográficas com três serpentes debaixo da água é um momento eletrizante do espetáculo. A platéia resta galvanizada e somente na hora que o aquário sai de cena (um palco elevador é utilizado) é que o publico acorda e rompe em aplausos. Vi gente aplaudindo de pé. Sinceramente nossa segunda noite de carnaval foi sem defeitos. O restante do carnaval foi igualmente supremo. Percorremos muitos outros pontos de Paris. Pena que o espaço é curto para descrever. Prá semana tem mais.
NOTA: As fotos postadas são da autoria de José Antonio Brazileiro, meu filho, junto comigo na viagem.