Será que esse tipo de debate entre os candidatos à
Presidência da República agrada aos eleitores?
Será que estão com comportamentos corretos e adequados para quem
pretende sentar na cadeira maior da Nação? Tenho conversado com muita gente
sobre este assunto, desde o primeiro embate na TV Bandeirante. Depois de ontem,
então, diante daquele festival de agressões no SBT o questionamento mais do que
nunca ganhou sentido.
Antes do primeiro turno, dia 5 passado, a coisa já se
desenhava, no meu ver, de modo inadequado e pouco republicano. O massacre que o
PT impôs à candidata Marina Silva, frágil nas suas ideias e no próprio físico,
foi de estarrecer qualquer pessoa de são juízo. Ela, a massacrada, numa postura
elegante e com ar de vestal, se controlou, não perdeu a linha e decidida a não comprar
a briga manteve a linha. Resultado foi que terminou derrotada. Só que o plano
dos petistas era de vencer no primeiro turno derrotando marina Silva. A dose
foi tão cavalar que esqueceram o outro. A estratégia não vingou e quem ganhou com
isso foi o antes tido como derrotado Aécio Neves. E como dizia vovó: “o tiro
saiu pela culatra”.
Agora, o PT agindo com seu costumeiro modo, isto é,
desconstruindo a imagem do adversário e seu respectivo partido, com golpes
baixos e pouco elegantes para quem pretende dirigir a República encontrou um
adversário diferente dos anteriores. Aécio é bem diferente dos seus colegas José
Serra e Geraldo Alckmin que não compraram a briga, foram elegantes e comedidos
nas respostas aos ataques, intimidados talvez ou com medo de não atingir o
populista Lula e a sua discípula Dilma. Resultado foi que perderam as eleições
mesmo tendo tido chance de ir para um segundo turno e virar a mesa.
Nesta eleição de 2014, o PT está encontrando um adversário,
digamos, à altura da sua estratégia. Um candidato, que luta com as mesmas armas
e vem impondo momentos amargos à candidata Dilma. Aécio tem sido inclemente ao
revidar cada ataque, embora se proponha a cada inicio de debate a discutir
propostas de Governo. O debate de ontem (16/10/14) na Rede do SBT foi o retrato
fiel desse quadro desolador. “Tocaram fogo no circo eleitoral!” Ao vivo e a
cores, diante de milhões de espectadores atônitos e incrédulos.
Mas, tentando responder a questão inicial, devo considerar
que a grande maioria das pessoas – com as quais converso e troco opiniões para
tecer meus comentários semanais – são frontalmente contra essas exibições estúpidas.
Ora, minha gente, o Brasil está atravessando uma conjuntura
das mais delicadas. Do domínio social ao econômico, além dos estruturantes
relativos à moral, à ética e à política. Uma Nação com tantas fragilidades
sociais e morais, como o Brasil de hoje, tem seu futuro ameaçado e a
oportunidade de corrigir é quando se elege um novo governante. Sem ética não
saberemos discutir progresso social e econômico com lisura e democracia. Aos
nossos dois candidatos faltam oportunidades de, nesses necessários debates
televisivos, focar nas propostas de governo. Somente assim o eleitor poderá
avaliar melhor cada um deles e decidir a quem conferir seu voto. Essa coisa de
fuxicar a vida de cada um é coisa de comadres desocupadas, sentadas nas calçadas
das cidades do interior mineiro, que deve ser um trem danado de bão prá elas. Mas para candidatos à Presidência da
Republica é, no mínimo, indecente.
Propostas candidatos! É isso que estamos esperando porque o
país está à beira de um colapso de energia, falta água em muitos lugares, a
insegurança é calamitosa, a Educação é um desmantelo, a mobilidade e a
logística são o retrato do caos, a Saúde é dramática, o crescimento econômico é
pífio e vexatório, a inflação assusta e a falta de vergonha nos políticos
envergonha o cidadão brasileiro honesto. Queimem o circo, tem quem curta essa.
Mas, não toquem fogo no Brasil!
NOTA: A foto que ilustra foi obtida no Google Imagens.

