sábado, 16 de agosto de 2014

Lamentável Perda

“Somos insignificantes. Por mais que você programe sua vida, a qualquer momento tudo pode mudar”. Este pensar é atribuído ao piloto Ayrton Senna e encontrei publicado numa das recentes mensagens que recebi pelo Facebook. A intenção foi fazer referencia ao acidente que matou Eduardo Campos. Na mesma oportunidade, perplexamente, eu acompanhava o noticiário sobre esse fatídico acidente aéreo de quarta-feira passada, em Santos (SP).
Senna teve razão e, inclusive, pode ter tido uma premonição quando assim se expressou. Falou de modo simples, mas disse uma grande verdade. Chocado com o drama humano retratado no noticiário refleti muito sobre a fragilidade do ser humano. Em poucos segundos tudo pode ter um fim. Fim de um grande projeto, de um ideal e da vida. O risco de viver é concreto e em momentos como o da quarta-feira passada nos damos conta, de forma assustadora.
Este doloroso fato que vitimou o candidato a Presidente do Brasil, Eduardo Campos, e sua jovem equipe de assessores, deixa um profundo vazio nos meios políticos de Pernambuco e do Brasil. É uma perda inestimável. Estou falando de um cidadão que se notabilizou, no passado recente da cena política nacional, pelos seus feitos como governador de um estado pobre e pela mensagem inovadora que ofereceu à Nação brasileira ainda tão carente de um líder à altura das suas prementes necessidades. Lamentável, porque com esse doloroso desenlace o país vai perder uma preciosa oportunidade de assistir a uma diferenciada campanha política, bem longe, seguramente, do mesmismo arcaico e retrógado que está acostumado a ver. O debate que se instalaria no Horário Político do radio e da TV, em minha opinião, seria bem distinto daquela enganação e xaropada das campanhas passadas. Ao invés da polarização PT x PSDB, Eduardo Campos, ao representar a denominada Terceira Via, mudaria o rumo das discussões e a Nação lucraria.     
Embora Campos pudesse promover essa desejada mudança e, inclusive, pudesse apontar para caminhos por um Brasil melhor, eu não acreditava na sua vitória em Outubro vindouro, em face das circunstâncias políticas que prevalecem atualmente. Colocado em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais e enfrentando dificuldades de ascender a melhores patamares, Eduardo Campos seria, contudo, o mensageiro da prática de uma boa e honesta política e de lançar uma nova forma de governar, como imensa camada da população brasileira reclama. Por isso, que entendo estarmos diante de uma perda irreparável.
Conheci Eduardo Campos, bem jovem, recém-formado em Economia, meu colega de profissão, portanto, durante sua campanha para Prefeito do Recife, em 1992, aos vinte e sete anos de idade. Muito jovem e sob as “asas” do avô Miguel Arraes enveredou numa majoritária muito confiante, mas sem muita história pessoal, terminando derrotado. Fiz parte da campanha, enquanto colaborando com a campanha de vereador de um familiar, dentro da coligação liderada pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB. Meu candidato a vereador, Celso Miranda, ganhou a eleição e o favorito da época, Jarbas Vasconcelos, foi eleito Prefeito. Vivíamos, então, um tempo de muita vibração e euforia, graças à recém-democratização do País. Tivemos um resultado satisfatório.
De lá para cá, Campos construiu uma trajetória política bem sucedida, foi deputado estadual, deputado federal, Ministro de Estado de Lula, governou Pernambuco por dois mandatos e alçou voo, se candidatando à Presidência da Republica. Pena que esse voo literalmente alçado na quarta-feira passada haja interrompido essa trajetória. Morreu com ele esperanças de dias melhores para muitos brasileiros.
Na verdade, devo frisar, que nem sempre estive – nem mesmo me acho – ao lado dos Eduardistas. Pelo contrário! Após a sua vitoria em 2006, que o levou à cadeira de Governador no Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, estive em hostes de oposição na campanha e no rescaldo da derrota nas urnas. Discordei de seus discursos e até me revoltei com algumas das suas propagandas. Coisas da política. Hoje, porém, reconheço haver me surpreendido por sua capacidade de político habilidoso no agregar, negociar, construir coalizões e chamar para seu lado pessoas de sãs consciências, coisas das quais o Brasil precisa cada vez mais.  
Por outro lado, impossível não fazer um especial registro sobre uma tocante virtude desse homem que nos deixa: sua dedicação à família. Nunca e nada do seu mundo político fez Eduardo Campos se afastar da bela família que formou com Dona Renata. Inúmeros são os testemunhos dessa sua faceta de pai e marido dedicado. Há poucos dias, soube através da minha esposa, que ele foi visto num centro médico, aqui do Recife, levando seu filho mais novo (sete meses) acompanhado da esposa, para receber uma vacina. Veja que coisa inesperada para alguém em plena campanha presidencial. E não foi nenhum jogo de marketing político. Foi, sim, o pai de família cumprindo seu papel. Outra coisa admirável: em pleno exercício de Governador do Estado, reservava tempo para encapar os livros dos filhos, no inicio de cada ano escolar, e se orgulhava dessa sua habilidade. Dois exemplos, apenas.
A morte de Eduardo Campos consternou o Brasil. Pernambuco foi marcado por imenso vazio nesta semana que finda. Correligionários e opositores se associam num único sentimento de lamentável perda. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

5 comentários:

Giovanni Scandura disse...

Meu querido Girley: boa tarde/noite!!

Li sua postagem: Lamentável Perda e o parabenizo. Como sempre, sua maneira de ser e enxergar as coisas!!
Permita três comentários e três perguntas:
1. em 2006 tinha 3% para governador, subiu e venceu!!
2. em 2010 venceu no 1° turno como o governador mais votado do país (+ de 83%)
3. recentemente, contra Lula, Dilma e a "petralhada" elegeu o "ilustre desconhecido" Geraldo Júlio, hoje fantástico prefeito do Recife
Perguntas:
1. esqueceu dos 22% que Marina teve?? (é mais do que o Aécio tem..)
2. esqueceu que dia 19 começa o horário político e, assim como encantou o Brasil no JN do dia 12, no IBOPE ia disparar??
3. esqueceu que Dilma desce em todas as pesquisas, Aécio estacionou..
Ele estava subindo na hora certa, iria para o 2º turno e, com apoio do Aécio, iria ser o novo Presidente do Brasil!!

Vera Lucia Lucena disse...

Oi Girley, que linda essa sua postagem sobre o "nosso" Eduardo Campos. Ainda estou chocada e sem acreditar que esse momento que estamos vivenciando desde o dia 13.08 seja real. A ficha ainda não caiu. Fico eu aqui imaginando se pra mim está acontecendo assim como não devem estar os membros da família (mãe, esposa e filhos). Não acreditava que ele chegasse a presidência, mas que iria incomodar os outros dois candidatos disso não tinha dúvidas. Era uma grande oportunidade de tornar-se bastante conhecido nas outras regiões e quem sabe com o "terrível" (detesto) horário eleitoral muitas pessoas até mudassem de opinião visto que no pouco tempo que teve no JN ele foi brilhante. Agora nos resta a dor da saudade. Abraços.
Vera Lucia Lucena

Anônimo disse...

Girley,
Li o seu comentário,Brilhante como sempre.Só acho que você foi pessimista e não levou em conta o desempenho dele na última entrevista e deixou de considerar as perspectivas de crescimento não só depois do horário eleitoral gratuito,como do inúmeros debates e entrevistas que ainda ocorreria.Para mim ele tinha talento,fôlego e garra para chegar ao segundo turno e depois vencer a eleição.É a minha convicção,principalmente agora depois de ter lido,ouvido e analisado tudo o que ele vinha falando...Mas como democrata e discípulo de Eduardo Campos compreendo a sua opinião e louvo e parabenizo-o pela sua mensagem.
Paulo De Tarso De Moraes Souza

Paulo de Tarso Moraes Souza disse...

Girley,
Li o seu comentário,Brilhante como sempre.Só acho que você foi pessimista e não levou em conta o desempenho dele na última entrevista e deixou de considerar as perspectivas de crescimento não só depois do horário eleitoral gratuito,como do inúmeros debates e entrevistas que ainda ocorreria.Para mim ele tinha talento,fôlego e garra para chegar ao segundo turno e depois vencer a eleição.É a minha convicção,principalmente agora depois de ter lido,ouvido e analisado tudo o que ele vinha falando...Mas como democrata e discípulo de Eduardo Campos compreendo a sua opinião e louvo e parabenizo-o pela sua mensagem.
Paulo De Tarso De Moraes Souza

José Artur Paes disse...

Amigo GB, plagiando frase universal diria: Ao ler tua mensagem, quisera que fosse minha; ao terminar, lembrei que era tua e só nos resta te agradecer pela visão pragmática neste momento difícil para o Leão do Norte (desde quando a região NE não existia). Que o moço lá de cima nos aponte um substituto à altura. Adendo: O Alexandre Severo era amigo da famnília... Para nós, era Xambs !!! Parabéns. Guardarei.