quarta-feira, 29 de abril de 2015

Recordando e Vivendo

A inauguração do Polo Automotivo Jeep, foto abaixo, primeiro projeto conjunto da ítalo-americana FCA – Fiat/Chrysler Automobiles, hoje (28.04.15), aqui em Pernambuco, tem sabor de sonho realizado. Senti na pele esta experiência ao participar da solenidade de inauguração. Era um desejo antigo do estado e somente agora realizado. Acompanhei de perto, ao longo dos últimos 30 anos, as investidas e esforços aqui realizados na busca da realização deste sonho.  
Recordo do final da década de 80, quando a SUDENE – no auge dos ares de redemocratização do país – anunciava um audacioso plano de consolidação da indústria regional. Fruto de um intenso trabalho participativo da sociedade organizada, a proposta da agencia federal de desenvolvimento, além de surpreender seu publico alvo, pré-estabelecia regras criteriosas para o uso da bateria de incentivos fiscais e financeiros por ela administrados, além de servir como referencial de orientação para potenciais investidores privados. Os 20,0 Bilhões de Dólares projetados para que a proposta saísse do papel foi considerado, à época, audacioso, sobretudo por se tratar do pobre e coitadinho Nordeste. “Quanta audácia!” “O que essa gente está pensando?!” “Perderam a noção de grandeza das cifras?” Foram criticas ouvidas fora da Região.
Tive o privilégio, no posto de Coordenador de Planejamento Industrial da própria SUDENE, de mobilizar e animar atores sociais em todos os estados da Região, discutir com eles as vocações e potencialidades locais e, enfim, “orquestrar” a elaboração da tal “ambiciosa” proposta. Para tão inédita tarefa reuni uma equipe de bons e experientes técnicos da Casa e alguns consultores especialistas convidados e com eles realizamos um trabalho gratificante, de crescente entusiasmo e, tenho prá mim, uma das melhores experiências na vida profissional  de cada integrante do grupo. Lembro-me que ao entregar o texto final ao Superintendente do Órgão assegurei-lhe, cheio de entusiasmo, que ali estava um desenho do Nordeste industrializado e capaz de contribuir para a desconcentração industrial do país, um objetivo claro naqueles tempos.
Numa perspectiva de Região o que resultou do esforço sugeria a distribuição espacial de projetos estruturadores em pontos estratégicos do Nordeste sudeniano e compatíveis com as vocações e disponibilidades naturais conhecidas. O quadro final previa investimentos em projetos capitais, voltados à dinamização da indústria local como um todo e colocar o Nordeste no mapa do Brasil industrializado. Os destaques ficaram por conta de uma megausina siderúrgica no Maranhão, aproveitando a disponibilidade elástica do minério de ferro da Serra dos Carajás, no Pará, produto até então exportado em estado bruto principalmente para o Japão. Dadas às ocorrências de petróleo nas costas do Ceará e Rio Grande do Norte a ideia mais lógica e sugerida foi a de implantar uma refinaria nas imediações fronteiriças destes dois estados. Mais embaixo, na Bahia, foi unanimidade a ideia de ampliar o Polo Petroquímico de Camaçari para atender a crescente demanda de matérias primas derivadas do petróleo. Aos vizinhos Sergipe e Alagoas a proposta foi de desenvolver o chamado eixo cloro-químico já em andamento na ocasião.  E para Pernambuco... Bom, para Pernambuco, estado pobre em recursos naturais (sabe-se, apenas e até hoje, do gesso no Araripe), a saída encontrada foi de, capitalizar a experiência acumulada no segmento metal-mecânico, historicamente relacionado com a agroindústria sucro-químico-alcooleira regional, buscando atrair investimentos para produção de bens de capital, caldeiraria moderna, produtos da linha branca, uma laminadora de aços planos e, por fim, uma montadora de veículos. Lembro-me bem que esta última proposta foi defendida com entusiasmo pelo empresariado local tendo em vista seu poder estruturante e germinativo. No ambiente instalado, o Sindicato Patronal do Setor, em Pernambuco – o Simmepe – atento ao referido entusiasmo e sabedor das intenções de nomes importantes da indústria automobilística mundial em se instalar no Brasil, deflagrou uma campanha e investiu politicamente entrando na “briga” por uma fabrica de veículos no estado. A campanha era bem sugestiva e se espalhou com um marcante slogan “Pernambuco quer uma montadora para andar”. (Foto abaixo, com reprodução de noticia na imprensa local).  Mas, não foi daquela vez. A Ford – alvo das investidas dos pernambucanos – se “penerou” pras bandas do Rio Grande Sul, onde não obteve os incentivos que queria e terminou escolhendo a Bahia como localização graças a um forte esquema político e de incentivos do governo baiano. Mudou a cara da indústria baiana e é absoluto sucesso nos dias de hoje.

Aquele plano acima descrito, no final das contas, caiu no esquecimento e virou obra literária de planejamento industrial nas estantes da velha e finada SUDENE.   
O tempo passou, o século 21 chegou mais rápido do que imaginávamos e uma verdadeira revolução industrial eclodiu num só lugar do Nordeste. Onde? Em Pernambuco, o estado pobre de recursos naturais e sem chances de se desenvolver industrialmente falando. Graças à força de suas lideranças políticas, os maciços investimentos em áreas de interesses específicos (Suape, por exemplo) e a participação de obstinados empresários, o estado se transformou num imenso canteiro de obras que delineiam uma radical transformação do aparelho industrial regional. Bom para o estado e para a região, naturalmente. Os investimentos previstos, naquele Plano da Sudene, com uma distribuição espacial cercada de “lógicas”, não vingou porque a componente vontade política é o que sempre prevalece. Em Pernambuco vingou e o estado terminou recebendo tudo que era desejado para muitos. Refinaria, Petroquímica, Montadora de veículos, polo vidreiro, polo de fármacos e, de quebra, investimentos nunca antes pensados como o Polo de Construção Naval e o de geração de Energia Eólica.  Aqueles 20,0 bilhões de dólares previstos nos finais de 80 parecem irrisórios nos dias de hoje. Mesmo pensando nas taxas de inflação de lá pra cá.
Recordei tudo isso percorrendo a mega fábrica da Jeep esta tarde. Foto abaixo. Revisei o passado e vivi o presente. Coisa de quem consegue viver tempos um pouco mais elásticos. Eu vivo... e acho ótimo.

Nota: Fotos do arquivo pessoal do Blogueiro, exceto a primeira que é de divulgação da própria Jeep.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Vexame Internacional, outra vez.

Por mais que eu queira não consigo me livrar, a cada dia, de um novo estimulo para criticar este governo petista de plantão em Brasília. Continuo achando que essa turma além de brincar de governar, se preocupa mesmo é em desarticular a estrutura do Estado que já nem era das melhores. Isto sem falar no descarado rapa que fazem nos cofres públicos.
Esta semana que passou tomei conhecimento do clima de desespero e penúria – por falta de recursos orçamentários – que vive o Ministério das Relações Exteriores - MRE, nosso tradicional e respeito Itamaraty. O Deputado Eduardo Barbosa (MG) apresentou um requerimento ao Ministério do Planejamento solicitando explicações para a redução drástica no orçamento do MRE e que vem provocando vexames internacionais ao Brasil nos quatro cantos do Mundo. Segundo o Deputado falta dinheiro para pagamento de despesas básicas como aluguéis, luz, água e telefone necessários para o bom funcionamento das representações diplomáticas do país. Tem mais: atrasos nos pagamentos de salários aos oficiais de embaixadas que, por conta disso, têm que se virar para se sustentar em cidades caras, como Nova York, Tóquio ou Paris. Sendo objetivo o parlamentar frisou que a situação pode se agravar daqui prá frente considerando que o Ministério administrou com um orçamento de R$ 2,6 Bilhões em 2013 e um pouco mais que isto em 2014. Mas, para este ano a previsão é de apenas R$ 2,4 Bilhões. É uma redução significativa diante do aperto que se vive nesses últimos exercícios. Tem embaixada e consulados que não dispõe de verba para, sequer, comprar papel higiênico. São números que podem surpreender a um leitor menos avisado. Porém, garanto que é perfeitamente compreensível diante da estrutura mantida e do protagonismo brasileiro no cenário da diplomacia internacional.
Ora, meu Deus, o Brasil sempre se destacou, diplomaticamente falando, nos meios internacionais. A Escola da diplomacia brasileira goza de imenso prestigio em todos os importantes países e continentes. Aliás, o Itamaraty é uma referencia e escola de diplomatas para um sem número de países. É um nome respeitado dentro e fora das nossas fronteiras.  Fora isto, é de se frisar que aos diplomatas brasileiros e às suas principais casas no exterior devem-se inúmeros sucessos políticos e comerciais. E isto não é de hoje. Ao contrário tem sua referencia histórica consolidada pelo Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores durante dez anos, de 1902 a 1910 ano no qual faleceu.
Mas uma coisa se diga: foi o governo do PT que armou essa arapuca para nosso Itamaraty. Lula, com intuito de ampliar a presença do Brasil no cenário internacional resolveu abrir representações diplomáticas por todo lado, sem que tivesse o cuidado de traçar critérios que justificassem político e economicamente cada uma dessas. Durante oito anos de governo Luiz Inácio abriu 77 novos postos diplomáticos no exterior, 47 dos quais em países que não possuíam qualquer representação oficial, sobretudo na África e America Central. Por conta desse “espasmo diplomático” o Brasil tem hoje embaixadas em lugares remotos como São Cristovão e Névis (Você já ouviu falar deste país?), Coréia do Norte (já pensou?), Burkina Faso e Antigua e Barbados. Francamente, é preciso ser muito alienado para cometer tamanha imprudência. O resultado prático está instalado: despesas dobradas, pouca grana, dólar em alta, ajuste fiscal, Ministério à míngua e tradicional diplomacia capenga.
Naturalmente devem dar prioridade às representações mais proeminentes e de maiores interesses político e economico. Conheço algumas dessas casas – Roma, Paris, Lisboa, Tóquio, Buenos Aires (vide foto a seguir), Montevidéu e Santiago, entre outras – que requerem gordas verbas só para
manutenção dos imóveis. Agora, por outro lado, a Embaixada de São Cristovão e Névis (foto abaixo) deverá passar, logicamente, por um aperto sem tamanho, embora sua modesta instalação. Pudera, um lugar remoto, ilhota perdida no meio do Caribe, sem qualquer expressão econômica, com aproximadamente 50 mil

habitantes e onde vivem, apenas, 3 brasileiros. Faz sentido? Diga mesmo! A capital é uma cidadezinha denominada Basse-Terre (vide foto a seguir). Detalhe: além do Brasil existem, nesse país, somente três outras embaixadas, que são as de Cuba, Venezuela e Taiwan. Isto explica alguma coisa, não é?

Vá entender o que esses petistas têm em mente. O Brasil não merece tamanho vexame internacional. De Gaulle, como antes, teria razão.

Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Combater a corrupção deve ser o foco

O povo foi outra vez às ruas. Em menor afluência é verdade. Mas, não deixou passar. É a democracia sendo exercitada. Ocorreram, como previsto, manifestações menores. O brasileiro é bem acomodado para essas coisas e gosta mesmo é de novidade sem muito compromisso. Muitos vão por pura gandaia, outros sequer sabem, por certo, o que defender. Há de tudo: protestos e demandas certas, misturadas com as coisas sem sentido.  Pedir o impeachment da presidente e a intervenção militar, por exemplos, é pura sandice. Coisa de quem não sabe focar no certo. Em sendo cometida uma dessas duas opções, ter-se-á um tremendo retrocesso na ordem política e no domínio  econômico do País. O preço a pagar pode ser muito mais alto do que já se paga. É preferível pensar que o povo pedindo mais do que o adequado, ganhe o que lhe seja devido. E que sirva de experiência. Esta, aliás, pode ser uma forma de educar politicamente o povo comum. E com isto, não se defende este governo que está aí. Ao invés disso, manifesta-se o descontentamento com tudo quanto tem provocado todo esse transtorno sócio-poliltico-econômico que vem ocorrendo.
Mas, na tentativa de tirar lições dos clamores das ruas, o que seria bem oportuno é que houvesse uma reflexão nacional sobre o tema da corrupção, já que muitos são os cartazes e as demandas pedindo o fim dessa praga que assola o país. Neste caso o povo tem razão porque, afinal de contas, o Brasil está consagrado mundialmente como sendo “o paraíso dos corruptos”. E não se trata, apenas, desses corruptos agora presos pela Lava a Jato ou pelo Mensalão. Aqui se dá guarida a ladrões e escroques internacionais, entre os quais o mafioso italiano Tomasso Buscetta, o inglês Ronald Biggs e o também italiano, ativista e criminoso, Cesare Batistti, que se refugiaram no Brasil, numa boa e em segurança, fugindo da lei dos seus respectivos países. Ora gente, assim já é demais. A corrupção e a (des)governança, que são “amigas íntimas” neste cenário, grassam de modo descarado no continente brasileiro.
Bom, verdade se diga: tudo isso começa no seio das famílias brasileiras. É uma coisa de berço. Tudo de forma tranquila e  como se nada fosse errado. O brasileiro comum é corrupto, até por esporte: gosta de furar uma fila no banco ou noutro lugar qualquer, suborna um guarda de trânsito para se livrar de uma justa multa aplicada, forja recibos falsos para burlar a Receita Federal na hora do ajuste de contas com o leão, estaciona numa vaga destinada a especiais, rasura documentos pessoais para enganar os tolos, entre outras peripécias.  A meninada cresce nesse clima de blefar e se tornam adultos corruptos de carteirinha.
Essa é a “meninada” que  tempos depois ocupa cargos públicos, muitos dos quais se elegem parlamentares ou executivos de governos, viram magistrados e, com a maior tranquilidade, passam a mão no dinheiro público, mentem descaradamente para os eleitores, “comem bola” para livrar delinquentes da cadeia ou se apropriam de bens apreendidos, produzindo, por fim, uma sociedade de estúpidos ladrões e assassinos cruéis.
Dois casos recentes: quem diria que o Programa de Financiamento Estudantil no Ensino Superior – FIES fosse ser plataforma de sustentação financeira para centenas de escolas mal estruturadas e formadoras de profissionais desqualificados como vem acontecendo em todo país?  E quem diria que o Seguro por Danos Pessoais causados por Veículos Automotores – DPVAT tivesse por trás uma quadrilha de falsificadores, espalhada pelo país, que forja falsos sinistros, atestados médicos mentirosos e registros de ocorrências inexistentes, para receber indenizações, sem que o verdadeiro segurado tome conhecimento?
O que resta, neste clima desolador e diante dos clamores populares, é desejar que um dia – um dia! – surja um Brasil livre de corruptos e ladrões, inclusive estrangeiros, e que o país goze de limpo prestigio internacional. Isto, certamente, não será logo mais. Mas, uma coisa é certa: serão necessárias algumas gerações bem orientadas, com forte esquema de Educação (sempre ela!) com lições e práticas de moral e cidadania, qualidades inexistentes na maioria dos brasileiros comuns dos tempos de hoje. Combater a corrupção (pela base) deve ser o foco.

domingo, 5 de abril de 2015

Antigamente era muito diferente...

Antigamente, as celebrações da Semana Santa eram muito diferente... a gente já deixava de ir a escola na 4ª. Feira, ninguém trabalhava, o comércio fechava, porque a partir do meio dia, já começava o retiro espiritual da semana. Dali em diante, e até a sexta feira, outro sinal muito efetivo vinha pelas ondas dos rádios – então muito prestigiados – que só colocavam no ar músicas eruditas e que todo mundo chamava de música fúnebre. Fazia-se um silencio no meio do mundo, que chamava a atenção de nós, meninos irrequietos, loucos que passasse aquela ocasião tão monótona. Claro! Não se podia cantar, gritar ou fazer algazarras. Arengar com um irmão, seria um pecado mortal.
Paralelamente, a minha casa, por exemplo, era invadida pelo cheiro do pescado e do bacalhau que eram consumido durante três dias. A mesa era farta e nem condizia com a ocasião. Pecava-se pela gula!Para acompanhar o peixe havia o feijão e o arroz de coco, verdadeiras delícias, completados pelo bredo, ao molho de coco, também. Naquela época eu não era muito fã de peixe. Achava insuportável ter que fazer a abstinência de carnes vermelhas por três dias seguidos. Era um sacrifício.
No meio disso tudo, havia os momentos de ir à Igreja, inclusive para se confessar em preparação para a comunhão no domingo. Aff, aquilo era um terror. Qual será a minha penitencia? Lembro, ainda, da cerimônia do lava-pés, da instituição da eucaristia e da procissão do Senhor morto. Nesta, beatas choravam, com o terço na mão e beijavam a imagem do Senhor morto. Era um clima de puro féretro.Apesar da austeridade exigida, havia duas coisas bem profanas e divertidas, que terminavam quebrando o clima de pesado retiro: a noite do serra-velho, acho que na 4ª. Feira e a da malhação do Judas, na 6ª. Feira. Não estou muito seguro desses dias. A primeira, escolhiam um cidadão ou uma cidadã de muita idade e, de modo geral, antipatizado pela comunidade e simulavam seu funeral. Munidos de um serrote, roçando numa lata velha, produzindo um barulho desagradável, alta madrugada e, na porta da vitima, tratavam de fazer um inventário e “distribuição” dos bens do “morto” entre os promotores da provocação. Tinha "defunto" que ficava revoltado e reagia, muitas vezes, a bala! Geralmente uma espingarda. Quando a arma cuspia fogo, os “herdeiros” corriam com os pés nas costas. Quanto a história do Judas, lembro que escolhiam um cidadão, malquisto pela comunidade, para ser “julgado”, em praça publica, através da figura de um boneco em tamanho natural. Era a maior desfeita. Os promotores da malhação, muitas vezes, conseguiam, nunca se sabe como, algumas peças de roupas do cara, produziam um boneco recheado de trapos e folhas de bananeira (eu ajudei a fazer um) e penduravam num poste, bem debaixo da luz pública. O sujeito quando via aquele boneco com suas próprias roupas, era capaz de se suicidar. No fim da noite o boneco, digo o Judas, era derrubado e surrado aos gritos da cambada. Essas noites eram conhecidas como as da malhação de Judas, referindo-se à figura do Judas, o traidor de Cristo.
Quando, finalmente, chegava o sábado havia uma explosão de alegria. As rádios, em vez de musica "fúnebre", atacavam de frevos e marchinhas de sucesso do último carnaval. Os clubes sociais promoviam os chamados bailes de aleluia. Era o maior carnaval do mundo, numa única noite. Aleluia, aleluia, Cristo ressuscitou!
Hoje, porém, é tudo muito diferente. Católico de nascença, fico meio desapontado, quando vejo a programação dos dias da semana santa dos jovens. Definitivamente, acabaram com o clima de retiro e respeito à Paixão e Morte de Cristo.
No lugar das chamadas músicas fúnebres, a programação das rádios não muda em nada e se ouvem as costumeiras batidas do rock, dos pagodes e sambas. Nas estâncias de férias, promovem-se monumentais festivais de músicas, nos quais a moçada se esbalda e extravasa seus instintos, inclusive os mais obscenos. Pra começar, as bandas, vejam só, levam nomes muito esquisitos, tais como Biquíni Cavadão, Garota Safada e Calcinha Preta, entre outros. Isto não casa com nada de bom senso, principalmente o religioso. Pense pular ao som da banda de Ivete Sangalo, em plena noite da 6ª. Feira Santa. E comer churrasco de picanha no meio da festa! Acontece, sim. Se minhas avós, por um milagre que fosse, voltassem ao mundo dos vivos, davam uma marcha à ré e, fazendo o sinal da cruz, deitavam e morriam, outra vez. Eu nem choraria. Conformado, entendia que não lhes restava outra coisa.
Não! Não é saudosismo, nem beatice, nem falso moralismo. É desconforto espiritual. Acho que um retirozinho, uma pausa para meditar, pode fazer muito bem a essa juventude inquieta de hoje.

Nota: Fotos do Google Imagens