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quarta-feira, 10 de abril de 2024

Lição para não Esquecer

Durante a semana passada acompanhei com interesse de quem viveu a historia, as manifestações que relembraram o golpe militar de 1964. Com um abrir e fechar de olhos completa-se 60 anos. Parece até que foi ontem. Eu era muito jovem, pré-universitário, e dava meus primeiros passos de cidadania buscando “tomar pé” no mar revolto no qual me via mergulhado. Recordo bem aquele 31 de março, quando o rumo político do país sofreu uma brusca “virada-de-chave” conduzindo-o para um tempo de incerteza e escuridão. Vivia-se um mundo completamente diferente do que hoje experimentamos. Era um tempo pós-guerra ainda tentando se restabelecer do grande trauma da II GG, mas às voltas em conviver com outro conflito, não necessariamente bélico, que era a chamada Guerra Fria, sendo travada entre os Estados Unidos e a Rússia na disputa acirrada pela hegemonia politica mundial. Um conflito que, na prática, servia de pauta e apontava caminhos para muitas das sociedades em vias de estruturação ou revisão político-social, seja nos padrões socialistas soviéticos ou nos ditames capitalistas ianques. A América Latina era um dos terrenos mais cobiçados pelas duas partes litigantes. À época, por exemplo, os russos comemoravam a reviravolta politica operada em Cuba e a instalação do Governo de Fidel, permeado de ações que assustavam meio-mundo. A dupla Fidel Castro/Che Guevara e o Paredão Cubano eram temas diários no mundo Ocidental. Assustados, os Estados Unidos buscavam, apressadamente, meios de se proteger e de dominar o que eles sempre consideraram de seu próprio quintal. Quem viveu sabe o que aconteceu. Os ianques exerceram pressão político-econômica e o Brasil entrou nesse beco sem saida. Indiscutivelmente, uma História longa e cheia de capítulos eletrizantes, com rebatimentos graves, ainda hoje remoídos, no Brasil e nos vizinhos Argentina e Chile. Mas, não é o tema central desta postagem. O assunto mesmo é o Golpe Militar de 64, chamado pelos mentores e simpatizantes de Revolução. O movimento apanhou o país numa verdadeira encruzilhada politica, com uma sociedade perplexa face às situações desenhadas pelas polarizadas correntes progressistas e conservadoras reinantes.
Pernambuco, estado sempre atuante e líder, muitas vezes, em todo e qualquer movimento politico nacional foi apanhado pelo Golpe abrigando em seu sítio iniciativas vanguardistas e de princípios contrários às novas ordens dos militares no Poder. Daquela época, são sempre lembradas, entre outras, as Ligas Camponesas, orientada por Francisco Julião (Deputado Federal na época) – defensora do projeto de Reforma Agrária universal e benéfica à população carente e sofrida nas mãos dos grandes latifundiários – e o Movimento de Cultura Popular (MCP) de Paulo Freire e Luís Mendonça. Para completar, era Pernambuco local onde se instalava uma das maiores iniciativas de intervenção local do Governo Federal que foi a SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Agencia oficial de caráter regional, encarregada de promover o desenvolvimento socioeconômico regional, idealizada e dirigida por uma das mais brilhantes cabeças do país, que foi o paraibano Celso Furtado. Foram tempos sombrios e aterrorizantes. A ordem dos “poderosos” era aniquilar projetos e pessoas que de algum modo fosse comprometido com referenciais socialistas, de pronto rotuladas de comunistas. Muitas arbitrariedades foram cometidas, muitos inocentes e muitas inteligências foram sacrificadas. Extermínios de muitos e evasão (exilados políticos) passou a fazer parte do dia-a-dia do brasileiro comum. Todo mundo, em principio, estava sujeito às rigorosas ordens dos milicos.
Recém-admitido nos quadros de funcionários da SUDENE lembro bem do pavor que minha mãe alimentou ao ver na revista semanal O Cruzeiro uma matéria de capa que taxava a Agencia Regional de Gaiola Dourada com pássaros vermelhos. A censura à imprensa, a quebra de sigilo pessoal das correspondências e os agentes secretos nas universidades (apareciam de repente e sem prestar vestibular) e repartições públicas foram outras características do período. Ex-bolsista da USAID (United States Agency for Intenational Development) passei a receber pelo Correio, em 1968, publicações de autores norte-americanos, todos eles combatendo o regime comunista soviético e as doutrinas socialistas. Os títulos eram sugestivos para que um agente mal informado e inadequado no posto concluísse se tratar de literatura subversiva. O jumento do censor não percebia que cada livro trazia um carimbo ostensivo informando se tratar de cortesia da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Por conta disso fui tido como um elemento subversivo social e, desse modo, levado de camburão para prestar depoimento na Secretaria da Segurança Publica. Mais do que isto e, para meu desespero tive meu passaporte retido pela Policia, três dias antes da minha primeira viagem à Europa. Inocente, fui salvo pelo Delegado do SNI, na SUDENE, que colocou as coisas no correto lugar. Tive o passaporte liberado e fiz a sonhada viagem à Europa. Recordo, por ouvir falar, do caso de um famoso Professor de Direito, Glaucio Veiga, que ao ter a residencia invadida para uma vistoria viu seu longplay Romanticos de Cuba ser arrolado entre os itens subversivos encontrados! Ah! Não foi fácil viver aquele tempo. Foi uma lição para não esquecer. Fico, hoje, impressionado com o desejo de muitos brasileiros pregando uma tomada do poder pelos militares, a exemplo de 1964, em resposta aos desmandos e corrupções dos muitos que passam pelos gabinetes e corredores de Brasília, sem que façam ideia do risco que correm. Ora, meu Deus, existe soluções muito melhores do que esta. Por outro lado, fico pasmo diante dos afagos e benesses politico-financeiras outorgadas pelo atual Presidente, Luís Inácio Lula da Silva, a sanguinários ditadores latino-americanos principalmente Maduro, da Venezuela e Ortega, da Nicarágua, ao messmmo tempo em que se ocupa em fazer discursos em defesa da a Democracia. Só sendo piada de mau gosto. NOTA: Fotos ilustrações colhidas no Google Imagens.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

O Disparate Zema

A semana começa com um rebuliço politico dos menos esperados. O cara com todas as possibilidades de pavimentar um bom caminho de nova liderança nacional deixa-se levar pela velha cultura do preconceito contra as regiões Norte e Nordeste. Prestou não! Um legitimo “tiro-no-pé”. Um verdadeiro disparate. Com um pé baleado ele vai pastar para conseguir emplacar o sonhado sucesso nacional. Para as regiões Norte e Nordeste ele desenhou o quadro mais detestado. Refiro-me ao Senhor Romeu Zema, governador do estado de Minas Gerais, que numa infeliz declaração dada ao jornal O Estado de São Paulo, no último fim de semana, expôs sem cerimonias sem modo de ver o Brasil e o referencial de montagem do Consórcio Sul-Sudeste de Governadores. Pelo visto de entrada, nada que possa lembrar o existente no Nordeste, cuja filosofia é de união e nunca separatista. A explicação dada é de que as regiões Norte e Nordeste conseguem sempre mais vantagens devido ao tamanho das suas representações no Congresso Nacional. O Governador Ratinho Junior, do Paraná, reforça a ideia afirmando que há sempre “perdas econômicas” para os estados do sul e o governador gaúcho, Eduardo Leite, que preside o PSDB, engrossou, de algum modo, o coro na mesma linha de pensamento. Na sua fala Zema frisou que o Bloco Suldestino (ocorre-me, agora, esta denominação) irá desenvolver esforços junto aos seus senadores com vistas a mudanças no texto da reforma tributária que venham garantir maiores benefícios (!) às duas regiões mais meridionais. “Regiões do Brasil com estados bem menores, em termos econômicos e populacionais, se unem e conseguem votar e aprovar uma série de projetos em Brasília. E nós que representamos 56% dos brasileiros ficamos cada um por si, olhando só o seu quintal e perdemos”, lacrou o mandatário mineiro.
Fica claro que esse cidadão não faz a menor ideia das dificuldades socioeconômicas renitentes que campeiam no Brasil setentrional. Sem curriculum politico apreciável – ele é neófito na praia politica – o cara que vinha despontando como uma liderança em ascensão “queimou o próprio filme” e dificilmente o reeditará. E ainda fez piada de mau-gosto ao dizer que “o Nordeste é uma vaca que dá pouco leite e que os estados sulistas precisam se unir, uma vez que produzem a riqueza do país”. A declaração de Zema está visivelmente ligada às possibilidades que se abrem de benefícios às regiões menos favorecidas com a implantação da reforma fiscal que tramita no Congresso Nacional. Estão com medo da luta acirrada que pode ser travada no âmbito do Conselho Federativo, para distribuição das receitas tributárias previsto na referida reforma. Obviamente que as lideranças politicas – e haja raposas velhas – das duas regiões agredidas se mobilizaram num protesto justo e uníssono. A Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), entre outros governantes, foi taxativa ao lembrar que “o Nordeste é parte da solução do País e deve receber atenção nas discussões federativas por tanto descaso e indiferença”. E acrescentou: “não construiremos o Brasil que sonhamos com mais desigualdades”. Infelizmente, prevejo disputas fraticidas e que, no final das contas, apontam para mais um movimento separatista. As manchetes dos jornais regionais, nestes primeiros dias da semana, trazem lições certeiras e dirigidas ao aprendiz de politica, que hoje governa Minas Gerias. Aliás, exemplos para os demais governadores dos Sul e Sudeste.
São situações desse tipo que me levam a recordar os bons tempos da antiga SUDENE, de tão grata memoria. Como faz falta a existência daquele organismo regional, politicamente forte e atuante, hoje, substituído por um de “faz-de-conta” e de denominação homônima. Numa hora dessas, o antigo Conselho Deliberativo seria convocado e, em peso, governadores regionais se manifestariam contra tamanha agressão. Aliás, e curioso, é importante lembrar que o estado de Minas Gerais fazia (ou faz?) parte desse respeitado Conselho e de lá reivindicava benefícios para sua região (Norte de Minas Gerais), incluída na jurisdição da Agência Regional de Desenvolvimento. Vi Tancredo Neves usar a tribuna da velha SUDENE defendendo o quinhão mineiro e sempre se saindo vitorioso. Ou seja, em principio, Zema não precisava recorrer a um colegiado nas suas bandas. Se a convocação fosse atualmente, ele teria o “prazer” de assistir aulas de democracia e politica, tão necessárias a quem postula um cargo tão alto como o de Presidente da Republica. Ele pretende. Deus nos livre desse disparate. NOTA: Fotos ilustrativas obtidas no Google Imagens

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Um tipo inesquecível


Transcorria o mês de maio de 1963, quando recém-saído das bancas do ensino médio fui conduzido por um “padrinho” ao 19º. andar do Edifício JK, no centro do Recife, onde fui apresentado a um Senhor sisudo e circunspecto, titular da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, com vistas à oportunidade do meu primeiro emprego. Foi assim que conheci o cidadão Celso Monteiro Furtado (1920-2004). Meu “padrinho”, Luís Bastos e Silva, era economista de vanguarda e coronel reformado do exercito, de linha progressista, envolvido nos debates da época, liderados pelo tal Senhor sisudo e circunspecto. Bastos e Silva integrou a equipe do Conselho de Desenvolvimento do Nordeste – CODENO, órgão governamental precursor da SUDENE, e formulador do famoso Relatório/Diagnóstico Regional do Nordeste Brasileiro, plasmado pelo GTDN – Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste e bases para a criação da Superintendência Regional. Na minha jovem cabeça, sem que houvesse mesmo uma exata consciência do contexto, estava dando um passo decisivo para o futuro profissional que terminei construindo. Naquela época era minha intenção seguir a carreira de Arquiteto, razão pela qual fui encaminhado para estagiar, como Desenhista, numa Divisão de Cartografia da Casa. Conforme regimento interno, ninguém era admitido sem passar por um treinamento especifico e comprovar habilidade num posterior concurso interno. Encurtando a história fui aprovado e no mês de dezembro do mesmo ano fui contratado.
Celso Furtado (Foto de Fábio Motta-Ag. Estadão)
Viver o clima interno daquela SUDENE original era algo contagiante. Quadro de profissionais jovens e idealistas que só falavam em progresso e desenvolvimento. Jovem desenhista e prestes a passar por um vestibular à Universidade fui com facilidade inoculada pelo vírus que grassava naquele prédio de considerar a carreira de Economista como a pegada do futuro. Dito e feito: passei no vestibular e quatro anos após fui graduado e integrante da coincidentemente denominada de Turma Celso Furtado, da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP. Submetido a um novo concurso interno, o desenhista deixou de desenhar e passou a contribuir na formulação de politicas de desenvolvimento regional. Foram 33 anos de Casa.
Sem desmerecer meu “padrinho”, Bastos e Silva, a quem sou grato até hoje, foi Celso Furtado que de forma quase direta me levou ao destino profissional que tomei. Aquele homem sisudo – ele era de fato – com seus pensamentos e obras publicadas moldou uma classe de profissionais que até hoje pontificam nos grandes debates e decisões nacionais. Um verdadeiro tipo inesquecível. Foi Furtado quem instalou o duradouro debate da problemática questão regional no Brasil e na América Latina. Deu importante contribuição atuando na CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina, entidade ligada às Nações Unidas, criada no ano de 1949, em Santiago do Chile e se tornando na única escola de pensamento econômico do chamado Terceiro Mundo. Além de criador e primeiro superintendente da SUDENE, destaco dois importantes postos da vida publica desse homem: primeiro Ministro do Planejamento do Brasil (Governo João Goulard) e Professor de Desenvolvimento Econômico da Universidade de Paris. Quer saber mais clique em: http://www.sudene.gov.br/quem-foi-celso-furtado
Se vivo fosse, o paraibano Celso Furtado estaria completando 100 anos de vida no próximo dia 26 de julho corrente. Este centenário vem suscitando inúmeras homenagens póstumas, inclusive esta do Blog do GB, num preito de gratidão pela monumental obra que legou e estimulador da formação de uma diferenciada classe de pensadores econômicos.
Tive duas oportunidades de me ver próximo ao homem sisudo depois que me tornei Economista: uma primeira ocasião, não consigo precisar a data (meados dos 70), foi em Paris, quando ele ditou uma conferencia na Universidade de Paris (Sorbonne). Vi de longe, tamanha era a assistência. O homem atraia multidões para ouvi-lo. Mal pude entrar no auditório. Na segunda vez, porém, tive mais sorte: convidado para as comemorações dos 50 anos da SUDENE ele esteve presente, falou e autografou livro. Impossível não lembrá-lo. É de fato um tipo inesquecível.       

NOTA: A foto ilustrativa é de Fabio Motta, AE, Obtida no Google Imagens)
      


segunda-feira, 11 de maio de 2020

Plúmbeas Nuvens

Eu era bem menino quando, num certo dia de inverno, vi meu pai dizer que teríamos um dia plúmbeo. Curioso, pedi a explicação do que se tratava. Pacientemente meu pai me explicou e guardei aquilo para o resto da vida. Nuvens pesadas e cor de chumbo cobriam nosso mundo. Hoje, na minha madureza e, vez por outra, lembro-me do falecido.
Neste momento de quarentena, pandemia e crise político-social, valho-me da imagem desenhada pelo meu pai, quando percebo as dificuldades que pairam sobre o mundo e sobre o Brasil particularmente. Costumo ser sempre otimista, mas, não sou alienado. Nuvens plúmbeas, sim, pairam sobre a humanidade. É certo que mudaremos muita coisa no modus-vivendi e isto já foi tema de outros posts. Difícil é acertar nesses modos. Principalmente nas nações menos desenvolvidas e em níveis educacionais tênues. A Educação como base, sempre.
Indiscutivelmente é preocupante, o caso brasileiro, onde os sinais cinzentos projetam tempos de dificuldades sem distinguir pobres dos ricos, resultante das dificuldades das administrações locais da pandemia. Num pais de dimensões continentais como o nosso, isso não seria de estranhar.
Mercê das frágeis estruturas sociais, os brasileiros enxergam – com uma cínica surpresa – a miséria agora realçada pelas intensas luzes emitidas pela crise sanitária.  As coisas se tornaram bem mais nítidas e sem quaisquer cortinas de fumaça. Eis aí o desafio daqui pra frente. A verdade é que, historicamente, pandemias se repetem e a nação não pode esperar sentada.
Investimentos em infraestrutura social – moradias dignas, saneamento básico, assistência universal de saúde eficiente, educação de base, lições de civilidade e respeito ao próximo, emprego para a população economicamente ativa e justas remunerações, entre outras variáveis – produção dinâmica e muita vergonha e patriotismo na condução politica do país.
Nada de novo! Tudo muito batido e discutido. Principalmente nas campanhas eleitorais, embora esquecido no day after dos pleitos. Tanto pelos vencedores, quanto pelos derrotados.  
Tive uma vida profissional dedicada à promoção do desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro, na velha SUDENE, e tendo como referencial a necessidade de uma integração e equilíbrio de renda entre as regiões brasileiras. Valeu o esforço. Fiz parte de uma equipe, da qual me orgulho, composta de profissionais patriotas e incansáveis batalhadores pela sua gente. Contudo, não foi o suficiente. Ainda é forte, nas cabeças que nos governam, a ideia e que o Brasil é um “arquipélago” e que cada ilha que se vire para sobreviver ainda persiste. Exemplo do abandono no qual vivemos, são as imagens de miséria que observamos a olho nu e nas áreas mais nobres das nossas metrópoles. No Recife, uma legião de pobres fazem das calçadas suas camas e amanhecem sempre sem condições dignas de sobreviver. Para esses, principalmente, as nuvens são sempre plúmbeas.  
Família inteira dorme sempre ao relento, na Avenida Santos Dumont, Recife
 NOTA: Foto da autoria do Blogueiro.

 

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Mercosul alça voo global

Tenho acompanhado com especial interesse as repercussões do recente acordo comercial firmado entre a União Européia e o Mercosul no passado final de semana. Na verdade não se trata de uma coisa nova para mim porque, à medida que espiei pelo espelho retrovisor da minha trajetória  profissional, recordei-me dos já distantes anos 90, quando ainda funcionário da SUDENE e exercendo o cargo de Coordenador de Cooperação Internacional da Autarquia Regional,  participei dos encontros de negociações iniciais entre os dois Blocos. À época representando a própria SUDENE e integrando a equipe do Ministério da Integração Nacional, ao qual a SUDENE era subordinada. Aqui no Brasil ocorriam no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Faz tempo. Por isso que se noticia tanto o fato, que surpreende muitos, de que as negociações duraram mais de 20 anos. E é pura realidade. Espero que agora a coisa decole. Será o maior Bloco de comercio do mundo.
Na verdade, àquela época já se delineava uma longa caminhada para atingir o que hoje resulta. Eram muitas dúvidas e exigências, lado a lado. Os representantes europeus, com razão, muito exigentes calcados no fato de que defendiam interesses de um Bloco relativamente consolidado (prestes a instituir uma moeda única) diante de um jovem Mercosul. Evidentemente que sublinhavam o interesse que tinham, por razões político-econômicas efervescentes no pesado jogo da globalização de mercados que se acirrava. Ficava claro que suplantar a hegemonia norte-americana no mercado global era referencia máxima dos representantes da União Europeia. O pacto firmado semana passada, enquanto pode animar partes dos europeus, anima mais ainda  o lado brasileiro do grupo sul-americano, sobretudo, diante as recentes reticências do Presidente Jair Bolsonaro quanto ao futuro do MERCOSUL. Recordo que as coisas não pareciam animadoras no inicio do atual Governo brasileiro. Resta, assim, aguardar as reações do nosso presidente e, sobremodo, seu Ministro da Economia, Paulo Guedes.   
É preciso estar ciente que o estabelecido agora ainda vai ter que passar por uma série de debates secundários nos parlamentos dos países integrantes de cada Bloco e isto vai dar trabalho e, certamente, tomará outro bom tempo. Estima-se que o livre comércio propriamente dito só se completará dentro de quinze anos e que estes dois blocos representam cerca de 25% as economia mundial, com um fabuloso mercado de 780 Milhões de consumidores.
Regras específicas de intercambio, reduções de alíquotas, controle de qualidade, barreiras sanitárias, manutenção de equipamentos negociados, entre outros aspectos, deverão ser estabelecidas entre as duas partes ao longo dos próximos anos. Espero que haja tempo suficiente para países como Brasil e Argentina – principais membros do bloco Mercosul – sanarem suas atuais crises político-econômicas e animar seus empresários para competir na abertura de mercado que se dará inexoravelmente. Eis aí um formidável desafio.
E, por falar em competir como formidável desafio é preciso que nossas empresas tratem, ao longo dessa jornada, investir maciçamente em inovação/modernização tecnológica nas suas linhas de produção e comercialização. E ao Governo caberá a básica missão de equilibrar as contas públicas e dar continuidade ao Programa de Reformas – a tributária principalmente –, além de criar formas efetivas de investir na infraestrutura, privatizar empresas deficitárias e serviços públicos e investir com afinco na formação de recursos humanos qualificados, sob pena de perder espaços no próprio mercado interno.
No caso brasileiro (provavelmente no argentino, também) já há, desde agora, grande preocupação no meio industrial, muito atingido pela crise, carente, portanto, de um esforço maior. Vai ter que enfrentar a concorrência competente dos europeus. Por sua vez, os setores agrícolas e agroindustriais alimentam uma positiva expectativa. Produtores de carnes bovina e avícola, fruticultores, sucroalcooleiro, entre outros já contam com as facilidades que virão e tempos de bonança.       
Vamoquevamo Mercosul! Alce seu voo global. Não deixe o trem passar.
 
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

sábado, 4 de maio de 2019

Resistência Nordestina


Tenho ouvido falar sobre a elaboração de um Plano de Desenvolvimento para o Nordeste que vem sendo formulado pela SUDENE. Isto me fez lembrar os bons tempos em que atuei na área de planejamento da SUDENE original. Claro que fiquei surpreso com a novidade. E soa como novidade porque essa SUDENE que aí existe, parecia, salvo melhor juízo, se dedicar, exclusivamente, da administração dos instrumentos de incentivos fiscais a investimentos privados.
Elaborar um plano de desenvolvimento regional sempre fez parte efetiva daquela antiga Agencia nos “anos dourados” da ação governamental no Nordeste. Com uma equipe especialmente formada, competente e bem articulada, planos primorosos foram aprovados e fazem parte do acervo da Instituição, se tiveram o cuidado de preservá-los. Muitos, inclusive, podem ser bem atuais. Pelo menos em parte. Participei intensamente daqueles esforços e que, confesso, foram experiências que deram consistência à minha formação profissional. Costumo dizer que sou (ou fui?) uma cria da SUDENE. Faço questão de afirmar que tenho orgulho pessoal dessa história.
Antiga sede da SUDENE, no Recife, hoje desativada.
Bom, ouvir falar dessa iniciativa de hoje induz-me imaginar na maneira como isso vem se processando. Soube de nomes, das antigas, que estão contribuindo para este plano de agora. Fico contente porque pode significar um resgate do passado. Sem que caiam naturalmente no espirito saudosista. Os tempos são outros, a conjuntura política e econômica é outra e os estados integrantes da região já são mais autônomos que dantes (como devem ser). |Estes definem seus próprios objetivos, prioridades e metas a perseguir. E sempre  dispõem de estratégias políticas particulares para viabilizá-las. É coisa, a meu ver, que põe em risco a ideia da composição regional. Enfim, estamos diante de um jogo político bem diferente do passado. E, por cima disso, um fundo financeiro mais exíguo ainda. Terá a SUDENE, de hoje, recursos orçamentários para custear mobilizações politicas, pesquisas e diagnósticos atualizados? Se já eram escassos nos idos passados, imagino agora.  Dessa forma, se os estados da região vão contribuir com o esforço, é coisa a ser conferida mais adiante. Espero que sim, porque o velho adágio de que “a união faz a força” continua válido.

Outro desafio, contudo, será principalmente ajustar este plano aos propósitos do atual Governo Federal. Onde e como essa coisa pode ocorrer?  Não ouvi falar, nem em campanha ou nos primeiros meses de Governo, a respeito de um Plano Nacional ou coisa que o valha. Ao invés disso, ouço, sim, falar em redução de gastos, remontagem da máquina pública, cortes de orçamentos, muitos sem propostos plausíveis, entre outras medidas. Tampouco ouvi falar de regionalização de custeios e investimentos como prever a Constituição. Nunca! Pensando bem, pode até ser uma coisa estranha para muitas cabeças que atuam na Esplanada dos Ministérios em Brasília. As preocupações são outras inoportunas e sem sentido adequado.

Para instigar mais ainda minhas reflexões, escutei rumores de mudança do titular da Superintendência.  Sei não... Mas, o que vem pela frente é pura interrogação.

Encerro meus comentários desejando sucesso à iniciativa e certo de que estamos diante de mais uma expressão da resistência nordestina. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

  

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Miopia Política

É curioso viver num país onde todo mundo fala e pede democracia, embora que, a rigor, a grande maioria não saiba praticá-la. Este é o caso concreto do Brasil de hoje.
E, neste caso, não me refiro aos fuxicos entre amigos ou familiares, que passam e se perdem no tempo e no espaço e, no final das contas, não contam. Ao invés disto, refiro-me ao absurdo comportamento de políticos e governantes opositores. Por que não entender e praticar a Democracia pela qual lutam e pregam? Francamente, é pura miopia política.
Um exemplo desse comportamento político adverso está na atitude incorreta dos atuais  governadores do Nordeste face ao Poder Federal constituído, tendo à frente o Presidente Jair Bolsonaro. São opositores, tudo bem, cumprem um papel relevante e exercitam um poder que lhes foi garantido pelo voto popular, mas, além de evitar o Poder Central  fazem vistas grossas à importância do pacto federativo que forma e fortalece a República. Governam cidadãos e cidadãs dos seus respectivos estados, do mesmo modo que o Presidente Bolsonaro governa para todas e todos brasileiros. Quer queiram ou não queiram! Ignorar esses princípios democráticos é, também, pura atitude antirrepublicana.
Palácio do Planalto (Brasilia) 
Bom, preciso explicar os motivos das minhas preocupações: grande parte da minha vida profissional, desde a formação básica, foi de defender os interesses públicos que promovessem o desenvolvimento socioeconômico do Nordeste. Pensando bem, segui a carreira de Economista inspirado e imbuído desse ideal, embora que a intenção primeira fosse outra. Vibrei nos bancos da Universidade descobrindo fórmulas e estratégias para logo pô-las em prática. Vivi momentos alternados de esperanças e desilusões ao lidar com a teia do poder centrado em Brasília. Não foi fácil. Isto, diga-se de passagem, em tempos de ditadura e de democracia. Trabalhei numa equipe de valorosos técnicos - na velha SUDENE -, todos empenhados no ideal de servir à Região. Foram anos de glória e muito suor, que a cada dia retroalimentava o ideário do Grupo. Glórias que se dissipam nas páginas do passado e que os atuais governantes estaduais não têm ideia e, tenho pra mim, nem mesmo se interessam por saber o que aconteceu. Os quantos contribuíram com os esforços daquela Entidade Regional sabem do que falo e sabem o quanto significa um bom entendimento entre os poderes central e estaduais. Aliás, eis aí uma forma lógica de fazer política.
E, veja bem, diante de um Governo que prima, muito mais, em refutar os abusos dos governos passados do que outra coisa, cabe a indagação: qual o quinhão que restará ao Nordeste, no atual contexto?
A noção de promover e desenvolver ações regionais já não são lembradas como antes e a estrutura administrativa governamental montada pouco aponta para ações desta natureza. O que nos resta é esperar – como no passado – por medidas marginais que só poderão representar pífios ganhos para a Região.
Sede da SUDENE original, onde o conceito de Região foi forjado e defendido.
Não sou saudosista. Não! Até porque, sinto-me feliz percebendo que a SUDENE cumpriu um papel relevante e os frutos estão às vistas. Só não vê, quem não quer. Mas, muito ainda se faz necessário. Há, é verdade, uma nova Sudene por aí. Mas, com todo respeito, está longe de repetir o sucesso da original.    
Urge, portanto, a revisão desse comportamento regional irresponsável e que trate de recuperar os canais de comunicação com o Planalto, sob pena de resultar num alto custo aos nordestinos.

NOTA: As fotos que ilustram o post foram obtidas no Google Imagens 
                   

sexta-feira, 2 de março de 2018

Pobre Venezuela

Tenho acompanhado com certo interesse essa situação calamitosa de imigrantes venezuelanos, que fugindo dos horrores impostos pelo ditador Maduro, procuram melhores condições de vida no Brasil, via a fronteira com o estado de Roraima, no Norte do Brasil. Eles chegam, inclusive caminhando, em grandes grupos de idosos, jovens e crianças. Algumas mulheres grávidas e sem muita resistência dão à luz crianças prematuras, desnutridas e abaixo do peso normal, nos hospitais e maternidades brasileiras. Tudo isto num dos estados mais pobres e subdesenvolvidos do país. A pequena cidade de Paracaima, na fronteira dos dois países, é o primeiro ponto de chegada e administra dificuldades para alojá-los, alimentá-los, dar assistência médica e tudo mais que se faça necessário, numa missão humanitária de total solidariedade.
Estive na Venezuela por duas vezes. Na primeira, cumprindo uma missão governamental, com suporte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), dentro do Programa de Boa Vizinhança, na época do Governo Sarney. Isto foi na década de 80. Governava o país, o médico Jaime Lusinchi, segundo percebi, de baixa popularidade. Passei dois meses prestando consultoria à Fundação de Desenvolvimento do Centro-Ocidental da Venezuela (FUDECO), uma entidade localizada na cidade de Barquisimeto, capital do estado Lara. A referida fundação foi formatada nos moldes da SUDENE e meu trabalho foi o de avaliar as ações de planejamento regional local comparando-as com as  experiências da Agencia do Nordeste brasileiro e, por fim, sugerir propostas de aperfeiçoamento às ações daquela Entidade. Além de rica experiência pessoal foi também um bom momento de intercambio entre as duas entidades. Encontrei um país vibrante e com boas perspectivas, embora os desequilíbrios inter-regionais de renda e desenvolvimento. Nenhuma novidade para mim enquanto nordestino brasileiro e funcionário da agencia regional. Por isso mesmo estava por lá.
Minha segunda ida a Venezuela foi no ano 2000, já fora da SUDENE, integrando uma Comitiva empresarial, promovida pela Federação das Indústrias de Pernambuco - FIEPE e atendendo convite do novo presidente venezuelano, o polêmico Hugo Chávez, quando de uma visita oficial a Pernambuco.
Foram dois momentos totalmente distintos, tanto em aspectos políticos, quanto em termos de clima reinante no país como um todo. Algo bem parecido com o que vivenciamos aqui no Brasil, na recente era petista. 
Eis aí uma foto tomada com Hugo Chávez e a Comitiva de empresários pernambucanos no Palácio Miraflores.
Os discursos discordantes que ouvimos de Hugo Chávez, no Palácio de Miraflores, e o de Pedro Carmona Estanga, Presidente da Fedecâmaras (correspondente à Confederação Nacional das Indústrias do Brasil - CNI), deram o tom do clima de intranquilidade reinante no país vizinho. A foto acima, registra a Comitiva pernambucana, num encontro com Hugo Chávez. Entre outros estão: Armando Monteiro Neto (chefe da Missão), Jorge Corte Real, Sandoval Silveira, Mario Conte, Severino Paixão, Paulo Gustavo Cunha. Eu sou o primeiro da esquerda para direita. Hugo Chávez aparece no centro da foto. 
A sensação que tivemos ao encerar nossa missão empresarial foi de que, a qualquer momento, explodiria uma revolta civil. De fato, em 12 de abril de 2002, o próprio Carmona liderou um golpe de estado e assumiu por 24 horas a Presidência da República, sendo escorraçado da cadeira presidencial no dia seguinte, numa rápida ação contragolpe, e o cargo foi devolvido ao Chávez. Daquela missão empresarial o mais significativo que recordo foi o anuncio de Chávez de investir na construção de uma refinaria de petróleo, numa parceria entre a Petrobrás e a estatal venezuelana de Petróleo, PDVSA, em Pernambuco. Valeu aquele discurso do mandatário venezuelano e a refinaria saiu do papel, no governo Lula. Contudo, sem um centavo sequer da petroleira venezuelana. Os problemas de corrupção que abalaram a conclusão da RNEST (Abreu e Lima) podem render outros posts. Depois...
A situação caótica que se verifica hoje na Venezuela, mergulhada numa tremenda crise político-econômica é exatamente, ou mesmo pior, comparada com o quadro que imaginei ao deixar Caracas, nessa minha última passagem por lá. Pior, certamente. De membro da OPEP e com uma folgada e promissora vida econômica, prestigiada no meio do mundo, foi transformada numa república populista de baixíssimo nível, impondo à sua sociedade sacrifícios nunca dantes imaginado. Claro que havia desníveis sociais a serem corrigidos, assim como há em todos os países latino-americanos. Contudo, o modelo de governo populista revelou-se logo cedo como sendo precipitado e inadequado à estrutura político-social original. De social-democracia prometida, não teve nada. Quando o projeto bolivariano de Chávez/Maduro se estruturou e foi posto em prática, nos anos recentes, foram os mais pobres que mais sofreram. São esses pobres coitados que estão pedindo esmolas nas ruas de Roraima e outros milhares que fugiram pela fronteira com a Colômbia. Cada venezuelano amarga, hoje, os malefícios desse governo desastrado. Os pobres cada vez mais pobres e os ricos refugiados nos seus abrigos seguros fora do país. Hoje, mesmo, vi uma noticia na imprensa do Recife que até os animais dos zoológicos estão morrendo de fome. Alguns sacrificam patos, gansos, porcos e similares para alimentar as feras. Que desastre.
Recebo, sempre, notícias desanimadoras de amigos que mantenho por lá. Lamentável. Trata-se de um país rico em recursos minerais e diversidade natural e cultural. Vai custar muito a recuperação que inexoravelmente terá de vir um dia. Não há crise que perdure indefinidamente. Pobre (rica) Venezuela! 

NOTAS: Foto do arquivo pessoal do Blogueiro. 
Este Blogueiro compôs a Comitiva Empresarial da FIEPE como um dos representantes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE. 

sábado, 17 de dezembro de 2016

Mensagem de Fim de Ano - 2016


E lá se foi 2016... Foram dias de apreensão, entremeados de alguns prazerosos, mas, difícil mesmo é dizer que foi um grande ano. Num país em convulsão político-econômica, só mesmo sendo um alienado é que passaria batido. Dias prazerosos, por exemplo, lembro os dias de Olimpíadas, da Rio-2016.  É verdade que, em termos pessoais não tenho, a rigor, do que reclamar. Saúde recuperada, após susto dado pelo coração, sucesso profissional, família em ordem e o resto... Bom, o resto a gente corre atrás.
Este ano foi, muitas vezes, desafiador para um Blogueiro que pretende manter uma vanguarda. Com tantas confusões geradas em Brasília, Curitiba e outros grandes centros, repercutindo no restante do país, poderiam sair muitos outros posts e a cada dia, o que está fora dos propósitos de um amador, como é o meu caso. Por outro lado, as escapadas que dei durante o ano, passando pelas Oropas e Cone Sul, foram momentos de relaxamentos, sempre bem-vindos, que renderam algumas postagens bem ao gosto de muitos leitores. Viajei e levei junto comigo vários leitores.
Como sempre faço a cada fim de ano, preciso fazer alguns agradecimentos: em primeiro lugar, a Deus pela condição que Ele me confere de pensar e enxergar o quotidiano, observar pessoas e paisagens e, por fim, emitir opiniões neste espaço semanal. Sei que nem sempre são do agrado de todos que visitam o Blog, mas sei, também, que tenho aqueles que me seguem com prazer, entendem meus argumentos, criticas e descrições, interagindo assiduamente. Até os que se contrapõem, dando dinâmica e vida ao trabalho que me proponho publicar.  No GB há espaço democrático para todos. Agradeço à minha família que sempre me apóia e incentiva neste exercício semanal. De modo especial agradeço a interação que se estabelece com muitos leitores no exterior, o que sinceramente infla minha vaidade. Claro! E vaidade, é bom frisar, faz parte da natureza de qualquer ser humano. Não sinto culpa se isto for visto como defeito ou pecado. Como não me sentir feliz e orgulhoso de saber ser lido em distantes plagas do planeta? Não sei por qual razão tenho freqüentes leitores na Rússia ou na China. E na Índia, Iêmen ou Vietnam? Os leitores brasileiros são bem menos dos que os norte-americanos. Com efeito, tenho que agradecer, cheio de jubilo, a todos. Principalmente àqueles que comentam as publicações.
Ao mesmo tempo, acho interessante porque continuo recebendo comentários de anônimos – os quais, por principio, nem publico – com críticas ofensivas das quais busco extrair aquilo que julgo relevante e que podem sugerir reparos na minha forma ou conteúdo. Creio que nada pode parecer tão bom que não mereça retoques. A esses leitores, meus sinceros agradecimentos e apelo para que continuem nessa forma de relacionamento. Eles cumprem algum papel no meu projeto.          
No limiar de 2017 e aproveitando o tempo do Advento, declaro meu entusiasmo pela renovação das esperanças de um renascer com dias melhores, tanto em termos pessoais, como coletivamente. Entendo sempre que a PAZ começa em cada um de nós. A soma das nossas esperanças e o empenho pacificador de um coletivo social instaura forças inabaláveis para mudar o mundo. É um mundo de paz e esperança que todos desejamos. E é dessa forma que devemos caminhar para um novo ano.
Aproveito para lembrar que, como sempre acontece, o Blog entra em recesso neste período de festas e durante o mês janeiro. Salvo numa possível edição extraordinária, Este é o último post do ano. Aos amigos e amigas leitores(as) e seus familiares, meus melhores desejos de


Feliz Natal e Venturoso 2017

Encerrando nossas atividades, neste ano, brindo a todos e todas com uma mensagem tocante e oportuna da autoria de um estimado amigo e colega na SUDENE, Jorge Fernando de Santana, filósofo iluminado e inteligente nato:

Natal é convite a sublimar a vida. Ensejo de renascer em espírito, retraçar caminhos, refazer atitudes, retocar hábitos, refinar comportamentos.
É tempo de promover a Paz, conquistar amigos, abraçar irmãos, salvar o Planeta e, pois, deixar-se aninhar no colo de Deus.
Urge despertar a boa vontade, condição elementar de instauração da convivência harmoniosa entre os seres humanos.
Eis o de que mais carecemos hoje... e o mais desejável neste Natal: a Paz, para cada um de nós... a Paz, para todos nós.

  NOTAS: 1. Obrigado amigo Jorge Santana. 2. A ilustração foi colhida no Google Imagens

 


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Recordando e Vivendo

A inauguração do Polo Automotivo Jeep, foto abaixo, primeiro projeto conjunto da ítalo-americana FCA – Fiat/Chrysler Automobiles, hoje (28.04.15), aqui em Pernambuco, tem sabor de sonho realizado. Senti na pele esta experiência ao participar da solenidade de inauguração. Era um desejo antigo do estado e somente agora realizado. Acompanhei de perto, ao longo dos últimos 30 anos, as investidas e esforços aqui realizados na busca da realização deste sonho.  
Recordo do final da década de 80, quando a SUDENE – no auge dos ares de redemocratização do país – anunciava um audacioso plano de consolidação da indústria regional. Fruto de um intenso trabalho participativo da sociedade organizada, a proposta da agencia federal de desenvolvimento, além de surpreender seu publico alvo, pré-estabelecia regras criteriosas para o uso da bateria de incentivos fiscais e financeiros por ela administrados, além de servir como referencial de orientação para potenciais investidores privados. Os 20,0 Bilhões de Dólares projetados para que a proposta saísse do papel foi considerado, à época, audacioso, sobretudo por se tratar do pobre e coitadinho Nordeste. “Quanta audácia!” “O que essa gente está pensando?!” “Perderam a noção de grandeza das cifras?” Foram criticas ouvidas fora da Região.
Tive o privilégio, no posto de Coordenador de Planejamento Industrial da própria SUDENE, de mobilizar e animar atores sociais em todos os estados da Região, discutir com eles as vocações e potencialidades locais e, enfim, “orquestrar” a elaboração da tal “ambiciosa” proposta. Para tão inédita tarefa reuni uma equipe de bons e experientes técnicos da Casa e alguns consultores especialistas convidados e com eles realizamos um trabalho gratificante, de crescente entusiasmo e, tenho prá mim, uma das melhores experiências na vida profissional  de cada integrante do grupo. Lembro-me que ao entregar o texto final ao Superintendente do Órgão assegurei-lhe, cheio de entusiasmo, que ali estava um desenho do Nordeste industrializado e capaz de contribuir para a desconcentração industrial do país, um objetivo claro naqueles tempos.
Numa perspectiva de Região o que resultou do esforço sugeria a distribuição espacial de projetos estruturadores em pontos estratégicos do Nordeste sudeniano e compatíveis com as vocações e disponibilidades naturais conhecidas. O quadro final previa investimentos em projetos capitais, voltados à dinamização da indústria local como um todo e colocar o Nordeste no mapa do Brasil industrializado. Os destaques ficaram por conta de uma megausina siderúrgica no Maranhão, aproveitando a disponibilidade elástica do minério de ferro da Serra dos Carajás, no Pará, produto até então exportado em estado bruto principalmente para o Japão. Dadas às ocorrências de petróleo nas costas do Ceará e Rio Grande do Norte a ideia mais lógica e sugerida foi a de implantar uma refinaria nas imediações fronteiriças destes dois estados. Mais embaixo, na Bahia, foi unanimidade a ideia de ampliar o Polo Petroquímico de Camaçari para atender a crescente demanda de matérias primas derivadas do petróleo. Aos vizinhos Sergipe e Alagoas a proposta foi de desenvolver o chamado eixo cloro-químico já em andamento na ocasião.  E para Pernambuco... Bom, para Pernambuco, estado pobre em recursos naturais (sabe-se, apenas e até hoje, do gesso no Araripe), a saída encontrada foi de, capitalizar a experiência acumulada no segmento metal-mecânico, historicamente relacionado com a agroindústria sucro-químico-alcooleira regional, buscando atrair investimentos para produção de bens de capital, caldeiraria moderna, produtos da linha branca, uma laminadora de aços planos e, por fim, uma montadora de veículos. Lembro-me bem que esta última proposta foi defendida com entusiasmo pelo empresariado local tendo em vista seu poder estruturante e germinativo. No ambiente instalado, o Sindicato Patronal do Setor, em Pernambuco – o Simmepe – atento ao referido entusiasmo e sabedor das intenções de nomes importantes da indústria automobilística mundial em se instalar no Brasil, deflagrou uma campanha e investiu politicamente entrando na “briga” por uma fabrica de veículos no estado. A campanha era bem sugestiva e se espalhou com um marcante slogan “Pernambuco quer uma montadora para andar”. (Foto abaixo, com reprodução de noticia na imprensa local).  Mas, não foi daquela vez. A Ford – alvo das investidas dos pernambucanos – se “penerou” pras bandas do Rio Grande Sul, onde não obteve os incentivos que queria e terminou escolhendo a Bahia como localização graças a um forte esquema político e de incentivos do governo baiano. Mudou a cara da indústria baiana e é absoluto sucesso nos dias de hoje.

Aquele plano acima descrito, no final das contas, caiu no esquecimento e virou obra literária de planejamento industrial nas estantes da velha e finada SUDENE.   
O tempo passou, o século 21 chegou mais rápido do que imaginávamos e uma verdadeira revolução industrial eclodiu num só lugar do Nordeste. Onde? Em Pernambuco, o estado pobre de recursos naturais e sem chances de se desenvolver industrialmente falando. Graças à força de suas lideranças políticas, os maciços investimentos em áreas de interesses específicos (Suape, por exemplo) e a participação de obstinados empresários, o estado se transformou num imenso canteiro de obras que delineiam uma radical transformação do aparelho industrial regional. Bom para o estado e para a região, naturalmente. Os investimentos previstos, naquele Plano da Sudene, com uma distribuição espacial cercada de “lógicas”, não vingou porque a componente vontade política é o que sempre prevalece. Em Pernambuco vingou e o estado terminou recebendo tudo que era desejado para muitos. Refinaria, Petroquímica, Montadora de veículos, polo vidreiro, polo de fármacos e, de quebra, investimentos nunca antes pensados como o Polo de Construção Naval e o de geração de Energia Eólica.  Aqueles 20,0 bilhões de dólares previstos nos finais de 80 parecem irrisórios nos dias de hoje. Mesmo pensando nas taxas de inflação de lá pra cá.
Recordei tudo isso percorrendo a mega fábrica da Jeep esta tarde. Foto abaixo. Revisei o passado e vivi o presente. Coisa de quem consegue viver tempos um pouco mais elásticos. Eu vivo... e acho ótimo.

Nota: Fotos do arquivo pessoal do Blogueiro, exceto a primeira que é de divulgação da própria Jeep.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SUDENE: Minha Escola

No dia 15 passado completaram-se 55 anos de criação da SUDENE. Participei de um almoço com companheiros da chamada velha guarda da Autarquia reunida para lembrar o fato.  Muitas cabeças pensantes, de uma época de ouro do Planejamento Regional, compareceram para rememorar seus feitos e “trocar figurinhas” avaliando os resultados que hoje são exibidos.
Sai desse almoço contente por haver confraternizado com velhos companheiros de labuta e, ao mesmo tempo, lamentando o atual estado da arte que construímos a duros sacrifícios, em tempos politicamente difíceis e de poucos fios para recompor um tecido sociopolítico esgarçado.
Entrei na SUDENE muito jovem. Recém havia chegado aos meus dezoito anos de idade. Sequer havia prestado vestibular à Universidade. Na minha casa a lei era dura e prevalecia a sabedoria popular que ditava: “quem não trabalha não come!” Tive sorte. Levado pelas mãos de um alto funcionário da Autarquia fui admitido – após uma fase de capacitação e avaliação – como técnico de nível médio. Comecei como desenhista num departamento que tratava de definir e traçar a infraestrutura rodoviária regional. Fiz treinamento, vejam só, até no exterior para melhor exercer minha função. Naquela época, minha intenção era seguir a carreira de Arquiteto, por isso que ser desenhista parecia ser o ideal. Contudo, influenciado fortemente pelo ambiente que passei a vivenciar, terminei me interessando pelos temas relativos aos problemas econômicos regionais. Não deu outra... fiz vestibular de Ciências Econômicas, sai-me muito bem e pouco tempo depois virei Economista da SUDENE. O resto dessa história é sabida sobretudo pelos  que me conhecem.
Vi a SUDENE crescer, produzir bons resultados e se projetar no Brasil e no resto mundo como sendo uma das mais competentes agencias de desenvolvimento regional daqueles tempos. Participar ativamente dessa experiência foi cursar o melhor dos cursos. Lá, aprendi tudo que as Universidades por onde passei não me ensinaram. Décadas depois, vi também o fim melancólico que ocorreu em 2001, quando já me encontrava aposentado.
Olhando pelo retrovisor, vejo com clareza que a SUDENE dos meus tempos – não esse arremedo que aí está tentando sobreviver – se constituiu, durante 40 a 45 anos, na maior escola da formação de profissionais diferenciados e dedicados, com afinco, à promoção do desenvolvimento socioeconômico regional deste País. Inúmeros foram os valores que de lá saíram para contribuir com o sucesso de intervenções governamentais em outras  áreas deprimidas do Brasil e do exterior.
Ao longo dos tempos a sigla SUDENE se tornou uma senha para o sucesso. Tenho muito orgulho de haver usufruído desse sucesso. Dentro do Brasil ou nos vários países por onde passei, em missões técnicas ou empresariais, esta senha abriu-me as melhores portas. Pensando bem, ainda abre! Hoje, porém, tenho que reconhecer que tudo isso é passado. Fecharam a Escola. Mas, afinal, a missão foi ou não cumprida? Disparidades inter-regionais persistem neste país? E as intra? Eis aí uma formidável questão a ser explorada.
Bom, indiscutivelmente, tudo neste mundo é finito. E, pelo visto, foi assim que julgaram ser a SUDENE. Por uma vontade política discutível, em 2001,deram por encerrados os trabalhos. Portas fechadas e pessoal redistribuído, a Casa da Inteligência Regional deixou de existir. Fala-se que seu acervo documental tem sido gradativamente destruído, num perverso apagar de memórias técnicas que somente num país como o nosso é permitido. Até o monumental edifício sede - propriedade da Autarquia - perdeu os letreiros garbosos e, ao invés disso, colocaram o do Tribunal Regional do Trabalho que ocupa a área antes sede da SUDENE.
Depois, num gesto “generoso” e de cunho meramente político Lula, o Presidente, reabriu a Sudene, em dimensões minimizadas, através da Lei Complementar 125/2007. O que lá existe é um pretenso modelo de agencia de desenvolvimento, onde funciona, tão somente, o núcleo burocrático de programas sem os alcances do passado e destinados a calar uma resistência teimosa de alguns idealistas na incansável luta pelo resgate do status do passado. A pergunta que não cala é: foi certa a decisão política de fechar a SUDENE?
Pelo mesmo espelho retrovisor de antes, lembro-me de uma das minhas passagens por Paris, ocasião em que me encontrei com o perito das Nações Unidas, o francês Jean Pierre Barriou. Ele havia estado, pouco antes, em missão oficial aqui na SUDENE. Barriou me garantiu que sugeriu uma SUDENE revendo sua missão. Muitas das funções que “penduraram”, ao longo dos anos, na estrutura da Agencia não se coadunavam com a missão que lhe fora confiada originalmente. Urgia reduzir aquele gigantesco organograma e, com isso, reduzir seu quadro de 2.200 funcionários, para algo próximo de 200. Essa proposta não agradando aos da Casa foi “esquecida”. Quando decretaram o fim, em 2001, lembrei-me dessa conversa. Mas, atenção, o formato dessa atual SUDENE não foi o sugerido por Barriou. Paciência!
Tentando ser realista e para finalizar, considero que, na esteira do seu sucesso, a SUDENE estruturou os estados do Nordeste de forma competente para que estes tomassem um rumo virtuoso do desenvolvimento econômico, social e político. Nada mais inclusivo do que essa estratégia! Digamos que os provendo de “asas”, como se filhotes fossem, ensinou-os a voar. E voaram. Os esforços conjuntos, traduzidos pela figura de um Conselho Deliberativo atuante e politicamente forte, deram lugar às iniciativas independentes. Descobriram o caminho direto para o Planalto Central e, desse modo, perguntavam: para que SUDENE?   
Não me julgo saudosista, porém, lamento porque fecharam a minha Escola.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 


                  


sábado, 17 de agosto de 2013

FIQUE ATENTO

A questão regional do Nordeste brasileiro vem se tornando, ultimamente, assunto da ordem do dia nos mais diversos ambientes institucionais da Região. Com muitas preocupações as lideranças empresariais, políticas e governamentais locais retomam essa discussão, depois de longo período “hibernando”. Voltam com força para provocar debates com vistas a uma revisão das políticas de intervenções articuladas, com vistas ao desenvolvimento socioeconômico desta parte do Brasil que, não obstante esforços anteriores, continua a requerer especiais atenções.
Também, pudera, há muito tempo não se fala em política de desenvolvimento regional neste país. Sai governo, entra governo e o assunto vem sendo posto à margem das discussões e decisões nacionais, como se o Nordeste não fosse parte desse todo nacional. Ações pontuais são anunciadas com grande estardalhaço e muita politicagem, mas os efeitos são quase sempre desconhecidos ou “empurrados com a barriga”. O que mais se vê são obras no papel, outras paralisadas ou caminhando a passos de tartaruga. Exemplos disso são as construções da Ferrovia Transnordestina, do Canal da Transposição do São Francisco, a falta das linhas de transmissão da energia gerada nos Distritos de Eólicas e a duplicação da BR-101 no litoral da Região. Como o Nordeste não pode ir para frente apenas com obras esparsas é preciso que se exija, urgentemente, das autoridades governamentais uma intervenção harmônica capaz de contemplar programas de desenvolvimento regionais, respeitando as peculiaridades de cada espaço especifico do território e sem perder de vista seu todo. As atuais discussões, portanto, são oportunas.
Participando de alguns desses debates, recordo as opiniões de dois ilustres nordestinos – Tânia Bacelar e João Paulo dos Reis Veloso – que têm alertado para o fato que existem vários nordestes. Concordo com esses importantes pensadores sobre a problemática regional. De algum modo eles lembram que existem ilhas de relativas prosperidades, encravadas num ambiente maior onde a pobreza grassa de forma renitente e o progresso é pura utopia para os que lá vivem.
Duas iniciativas recentes são dignas de registro: a primeira, sobre a qual já tive oportunidade de falar neste espaço do Blog do GB, é o Integra Brasil conduzido de forma competente pelos empresários reunidos no Centro das Industrias do Ceará - CIC, levando o debate às mais importantes praças da Região, e o Fórum Sudene 2030, realizado esta semana aqui o Recife. O primeiro pretende chegar a uma proposta de política regional de desenvolvimento e o segundo tentou discutir um cenário para 2030.
Se por um lado, Tânia Bacelar mostra, com expressivos dados, o que há de bom e de ruim, na Região de hoje, e convida para uma reflexão sobre os atuais fatores que ameaçam o futuro desenvolvimento regional, por outro lado, Reis Veloso se sai com uma bombástica mensagem garantido que o Piauí, ao contrário do que se diz corriqueiramente, é justamente o lado rico do Nordeste. Ora, vejam só, quem diria? Respeitando a inteligência do orador – isto foi no Fórum da Sudene, esta semana que termina – e o fato de ser ele um piauiense de boa cepa, é preciso ter muito  cuidado na interpretação do que foi dito. Percebi que a referencia básica dessa tese foi o fato de que ali (no Piauí) não se padece do fenômeno das secas como no restante da Região. Trata-se de uma terra fértil, banhada por uma rede hidrográfica diferenciada e capaz de produzir riqueza e bem-estar social. Está na hora, então, de se explorar melhor as potencialidades daquele espaço privilegiado. O Nordeste vai agradecer a contribuição.
Num recente debate, em Salvador (BA), durante seminário do Integra Brasil, agreguei uma palavra nova ao meu vocabulário: Mapitoba. Fiquei intrigado quando ouvi pela primeira vez. Mais ainda ao constatar que a assistência tinha intimidade com o termo/palavra. Foi quando veio a explicação. Senti-me alienado. Trata-se de uma região rica e cheia de potencialidades, na grande parte do Nordeste e parte menor do Norte. É a nova fronteira agrícola do Brasil, definida pela junção das divisas dos Estados do Maranhão (MA), Piauí (PI), Tocantins (TO), e Bahia (BA). Agora junte as siglas MA+PI+TO+BA. Soja e Arroz é o ouro da área. 14 Milhões de Toneladas, em 2012. Espera-se 20 Milhões, em 2022. Detalhe: se tivéssemos infraestrutura adequada essa riqueza não estaria vazando pelas rodovias e portos do Sudeste. Olha a falta que faz uma Transnordestina ou uma rede de navegação fluvial. Infraestrutura, gente, que não temos.

Por tudo isso é chegada a hora de colocar “a boca no trombone” outra vez. Quem for nordestino fique atento.

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...