terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mensagem de Fim de Ano.

E lá se vai 2010. Passou rápido, não foi? Não antes, porém, da pausa para a meditação e a renovação de propósitos, com o evento do Natal de Cristo, época propicia para a revisão da vida e das atitudes. Época de agradecer, porque não há nada mais nobre do que saber agradecer!
Nesta última postagem do ano, não quero falar de viagens, de fazer comentários e criticas ou alertas. Já o fiz, no tanto que quis fazer durante o ano.
Foi um ano especial para mim: realizei bons projetos, vivi em harmonia com a família e amigos, viajei muito e, o mais importante, gozei de boa saúde, graças ao meu Pai lá de cima. Agora, com a proximidade do Natal e da Confraternização Universal, é tempo de agradecer.
Começo agradecendo a Deus pelas as oportunidades que me deu em 2010. Sem a força por Ele concedida nada teria sido possível.
Agradeço à minha família – particularmente minha esposa e meus filhos, nora e genro – que me acompanharam e me apoiaram a cada dia e cada hora no desenvolver ações visando ao nosso bem estar, felicidade e enriquecimento espiritual. A eles meus carinhos e muito afeto.
Aos meus amigos – os mais próximos e os lá muito distantes – que fazem da minha vida um carrossel de alegrias e gratas surpresas. A cada um de vocês um beijo no coração e meu pedido de que continuem me estimulando, pessoalmente ou através de mensagens pelo moderno espaço dos eletrônicos cérebros da cibernética. Que me acompanhem no espaço do Blog, lendo, comentando, reagindo e aplaudindo. Criticando, também se sentir vontade.
Falando de aplauso, não posso deixar de agradecer aos “amigos” anônimos que, por vezes, me atacam com criticas pouco airosas, não publicadas, visto que sendo anônimas, não merecem o meu respeito ou consideração. A esses poucos “amigos” meu especial agradecimento, por acessarem o Blog, contribuindo para alimentar a soma da contagem estatística, por me lembrarem que a inveja existe e por me alertarem quanto ao transito social. A eles ou elas, lembro do que dizia Nelson Rodrigues: "toda unanimidade é burra”. Não serei eu capaz de emplacar uma unanimidade. Desse modo, caros "amigos" anônimos, continuem nessa trajetória porque isto deve lhes fazer bem e, é o bem que desejo a vocês.
Aproveito o momento para dividir com vocês, meus estimados leitores, algumas alegrias: no monitoramento do Blog do GB – disponível para cada assinante do Blogspot – tenho constatado imensas e estimulantes surpresas. Jamais imaginei que estes meus escritos fossem lidos em lugares remotos como: Ucrânia, Eslovênia, Rússia, Republica Tcheca, Angola, Holanda, Canadá, Tanzânia, Irlanda, Moçambique e Japão, com notáveis freqüências. Não encontro explicação, por exemplo, para que haja, em apenas um dia de novembro passado, 17 acessos na Rússia. Fora estes, inúmeros são os meus leitores na América Latina e Estados Unidos. Tenho imenso prazer com estes números e agradeço imensamente essas atenções. É o maior estimulo que recebo para continuar escrevendo a cada semana.
O mesmo monitoramento me diz que, entre outros, os temas mais acessados, foram: Hachico: um ícone Japonês ( http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/01/hachiko-um-cone-japons.html ) e Isto é um Fim de Mundo (http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/07/isto-e-um-fim-de-mundo.html ). São lidos quase que diariamente. Verdadeiros sucessos de leitura.
Resta-me assim, desejar a todos (aos anonimos inclusive) um FELIZ NATAL brilhante de Alegrias e iluminado de Amor. Para 2011, meus desejos são de muito SUCESSO e REALIZAÇÕES. Conto com a atenção de todos vocês declarados ou anonimamente no novo ano. Fiquem com Deus e Cristo menino.

Meu presente de Natal é através do clip, da Globo Nordeste Televisão, no YouTube que você pode acessar clicando no link abaixo. Aconteceu num Shopping Center do Recife. Para os pernambucanos distantes uma forma de matar a saudade e para os demais uma prova da alegria da Terra do Frevo e do Maracatu.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Nosso Gramado é mais Bonito

Popularmente se diz que a gente sempre acha “o gramado do vizinho mais bonito”. É verdade. Incorremos sempre nesse defeito. Eu mesmo, confesso, sou danado para cometer este erro. Explico a razão dessa minha penitência: tenho viajado com muita freqüência nesses últimos três meses. Fui à belíssima China, à Europa e, logo em seguida, circulei pelas cidades de Brasília, Fortaleza, São Paulo e seus arredores, fui a Porto de Galinhas e Maracaípe, aqui em Pernambuco e, no passado fim de semana, estive em Maceió.
Parado, diante da beleza do mar turquesa alagoano – que coisa linda – cheguei à conclusão que, apesar de voar muitas horas, andar muito, encantar-me diante de monumentos milenares ou das pujanças arquitetônicas chinesas, paulistas ou do Planalto Central, termino esquecendo as raras belezas que estão próximas.
Entregando-me ao ar puro da praia do Futuro, em Fortaleza, comendo lagosta e camarão trazido do mar, na hora, (vide a foto a seguir), tentei dar um fora no vendedor de bordados e rendas, aconselhando-o não perder tempo, porque estávamos ali para curtir a praia. O caboco deu uma resposta de desmontar pernambucano: “Doutor, aqui ninguém perde tempo, porque aqui é o paraíso. O senhor já viu se perder tempo num lugar desse? Aqui se ganha tempo e tempo, Doutor, é vida. Veja meus bordados e compre, porque o preço está bom demais”. Minha mulher comprou a toalha e eu fiquei comendo meu camarão com cerveja e matutando com a filosofia popular. Fiquei, conscientemente, curtindo o dito paraíso. Isto mesmo. É lindo e bom demais. Em Porto de Galinhas “atolei o pé na jaca” dos caldinhos pernambucanos, da gastronomia sofisticada do balneário e me senti, outra vez, no Paraíso. Por fim, fui á Maceió e galvanizei-me diante daquele marzão azul turquesa. Que coisa meu Deus! É impressionante. Quanta beleza! E, o bom de tudo, bem pertinho. E aí, pensei: como é bonito o meu “gramado”.
Agora, tenho que fazer algumas ressalvas quanto à estrutura de receptivo ao turista. A beleza é natural, é verdade, mas não se pode dizer que vem sendo bem capitalizada, que é lamentável. O que nós temos no Nordeste do Brasil desbanca qualquer caribezinho da vida ou qualquer das costas européias. A vantagem destas é que estão super preparadas para receber o visitante. Falta muito para que o Brasil saiba aproveitar suas potencialidades.
Olhando para mar é uma coisa, na praia ou seus arredores, de modo geral, damos de cara com esgotos a céu aberto, animais pastando e o perigo da insegurança nos assombrando. Em alguns lugares, como na Praia do Francês (foto a seguir), em Alagoas, tirando a beleza do mar, achei tudo excessivamente rústico, desorganizado e mal conservado. Um turista mais exigente (quase sempre é) não vai aprovar. Porto de Galinhas, apesar dos recentes investimentos, dos
maravilhosos resorts, restaurantes e comercio sofisticados, precisa ainda de um severo retoque na administração. O ordenamento das atividades precisa ser encarado urgentemente, antes que seja tarde. Porto (foto abaixo) não pode perder o posto de mais bela praia do Brasil, eleita por dez anos consecutivos pela critica especializada. E tem que fazer jus à propaganda que se faz na Europa, notadamente entre os ibéricos.

Os governos precisam – de uma vez por todas – entender a importância do turismo como atividade econômica. Mas, pelo visto, a coisa anda longe do caminho adequado. Fiquei pasmo com a nomeação de certo Senhor Deputado maranhense do PMDB, Pedro Novais, que além de ser um ilustre desconhecido, “pau-mandado” de Sarney, parece que contando com 80 primaveras, vai ser o responsável pela pasta do Turismo, assunto do qual não tem noção, segundo os críticos políticos. Aliás, caro leitor ou leitora, você já viu que horror essa acomodação política que vem pautando o ministério de Dona Dilma? Eu estou assustado.
Mas, não quero me alongar nessas observações criticas, porque hoje o foco é a beleza natural do nosso litoral. O verão está aí, vamos aproveitar e valorizar o que temos, porque nosso gramado é mais bonito.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Competitividade declinante

Semana passada, participei, em São Paulo, do 5°. Encontro Nacional da Indústria – ENAI, promovido anualmente pela Confederação Nacional da Indústria – CNI e tido como sendo o maior evento da classe empresarial do setor industrial brasileiro. O tema central, desta vez, foi competitividade. Oportuno e, ao mesmo tempo, preocupante. Durante dois dias os empresários viram-se às voltas em discutir a questão que, há uma década e pouca, ronda as cabeças dos que lidam no setor.
O problema está, há tempos, diagnosticado. Conhecido e discutido. Agora, porém, pende para um plano muito mais delicado, na medida em que o vocábulo desindustrialização passa, com freqüência notável, a fazer parte dos discursos e debates. Pelo visto e do jeito que a coisa vai, o Brasil tende ao desmonte da sua indústria em face dos gargalos impostos pela equivocada ou tênue – bancando um elegante – política de desenvolvimento econômico nacional e a falta de decisão para proceder as reformas estruturais tão esperadas: tributária, previdenciária e politica.
A supervalorização do Real, facilitando a entrada dos importados, a estúpida política tributária, os juros estratosféricos, a infra-estrutura sucateada, a defasagem tecnológica, a falta de mão de obra qualificada, os ineficientes programas de educação e preparação de recursos humanos, entre muito outros em cadeia. Um desespero. Como pode um país com tantas potencialidades, tantas riquezas naturais, um povo cheio de criatividade e inteligência despencar de forma acelerada e conviver com o fantasma da desindustrialização?
Mesmo em São Paulo, mola propulsora do desenvolvimento nacional, já se fala, por exemplo, na falência dos esquemas de logística. Há gargalos diários nos movimentos de cargas, in e out, provocando prejuízos perfeitamente evitados noutras partes do mundo globalizado. Inadmissíveis os engarrafamentos urbanos ou os monstruosos nas rodovias, cargas e descargas impensavelmente demoradas, devido à mão de obra desqualificada e aos equipamentos obsoletos, falta de profissionalismo e responsabilidade dos operadores... Um horror! Atualmente, parece que as coisas se agravam em progressão geométrica. E, vejam que estou falando de São Paulo. E falo pelo que conferi in loco: em setembro fiquei duas horas e meia num engarrafamento no Anel Viário, no sentido Baixada Santista (Porto de Santos), ao volante de um automóvel, sufocado entre imensas e centenas de carretas de carga e uma pancada de outros veículos de passeio. Motivo? Excesso de veículos. Imagine que o referido Anel foi construído para solucionar os congestionamentos e tirar o trânsito de carga pesada da cidade, facilitando o alcance de pontos economicamente importante. Quem sabe, outro anel deve ser pensado. Agora mesmo, na sexta-feira passada (dia 3 de dezembro), vi um engarrafamento descomunal de, segundo a radio sintonizada, 46 quilômetros, na rodovia dos Bandeirantes, sentido interior-capital, em decorrência do atropelamento fatal de um cidadão que trafegava numa motocicleta, as seis da manhã, na marginal do Tietê, entrada da cidade. Morreu no local e o corpo só foi levantado cinco horas depois. Foi tempo suficiente, é claro, para desorganizar o trânsito de chegada à capital paulista, naquela manhã. Faltou competência e responsabilidade da policia de transito e das autoridades de pronto socorro. Em qualquer país civilizado esse problema receberia atenção prioritária e o corpo, após constatação do óbito, seria guindado de helicóptero ou veiculo em uma fire lane (via expressa para servir em casos dessa natureza). Pobre Brasil. E mais pobre ainda fora da locomotiva São Paulo. Faça-se idéia do ocorre noutros estados mais pobres. Como ser competitivo?

Voltando ao Recife, dirigi-me ao aeroporto de Cumbica para pegar um coletivo da Gol/Varig. A estação de passageiros era um pandemônio de gente tentando embarcar. Vôos cancelados, chuvas pesadas, over-books a “dar no pau”, avião atrasado, poltronas apertadas, uma zorra total, em plena noite do domingo. Impotente, restou-me esperar, entregando ao Bom Deus.
A pior, gente, é que o leigo, isto é, a grande maioria, só faz perguntar como será em dias de Copa do Mundo e Olimpíadas, como se isto fosse o mais importante e estrutural. Tem importancia e será um estimulo, é verdade. Mas, será tudo?
Mais incrível, ainda, é que o Governo cacareja, sem parar, sucesso e progresso e os “manés” engolem a corda. Inocentes, coitados. Com pouco, podem chorar pelo fechamento em massa das fábricas e desempregados na rua da amargura. Mês passado, a Philips Eletrônica, em Pernambuco, fechou de vez e passa a trazer da China o que produzia no Recife, com preços 25% mais baratos. 400 desempregados! É a desindustrialização... ou não é? É a falta de competitividade, minha gente. O ENAI cumpriu sua parte, “botando a boca no trombone”. Falta o Governo fazer a dele.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 21 de novembro de 2010

Choque de Gestão Neles

Com tantos quilômetros rodados, tantas exposições a sociedades estrangeiras e tendo exercido por longo tempo o magistério superior, fico atento aos movimentos do setor educacional brasileira. Com efeito, sempre que cabe, neste espaço, reclamo, critico e manifesto minhas preocupações com as deficiências e absurdo cometidos.
É indiscutível, creio eu, que sem educação – nos mais distintos níveis e acepções – não pode haver progresso, seja qual for o país. Indiscutível, também, que é no conhecimento que reside a transformação de um povo. Conhecimento bem administrado e de qualidade, é claro.
Lamentando, percebo que é isto que falta neste Brasil do século 21. A redução do analfabetismo já é coisa relativamente superada. Resta muito pouco. Foi problema nas gerações passadas. Muito mais do que isto é preciso investir para formar um Brasil novo e competente, focando de maneira eficaz nas novas gerações com educação de base e profissional.
Difícil vai ser viabilizar. É o que se projeta, diante dos muitos erros que têm sido registrados, ultimamente! Estou entendendo que faltam profissionalismo e responsabilidade na gestão da educação nacional.
Num programa bem administrado, com base numa gestão séria, profissional e atenta não ocorreria esse absurdo de erros na prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). O erro do ano passado foi esquecido! Não lembraram que estavam jogando com uma imensa legião de jovens – foram milhões e milhões – que estressados e ansiosos entraram, de corpo e alma, na aventura de investir na construção do futuro que, diga-se de passagem, é o futuro da própria nação. Era preciso que levassem mais a sério a contratação e severo acompanhamento da gráfica a qual foi entregue a missão de imprimir e encadernar as provas e por, por fim, esqueceram de zelar pelo nome do Governo que investe milhões e busca se firmar como competente. Sinceramente, é muita incompetência. Uma vergonha que atravessou fronteiras.
Mas, o pior é que as coisas não desandam apenas sob os olhos do Governo Federal. Ultimamente coisas absurdas são trazidas ao conhecimento público, exigindo reivindicações, repulsas e providências corretivas. Tudo a meu ver, repito, por conta da falha de gestão publica. Tem coisa mais estúpida do que a proposta de banir das lições e bibliotecas escolares a obra de Monteiro Lobato, sob a alegação de que o tratamento dado ao personagem da Tia Benta é politicamente incorreto, com preconceito racial. Olha, gente, eu sou frontalmente contra a qualquer tipo de preconceito, mas, que as coisas estão assumindo contornos exacerbados, estão sim. Lobato faz parte da clássica literatura infantil do Brasil. Talvez seja o escritor de melhor quilate no gênero. O Sitio do Pica-Pau Amarelo não pode desaparecer do imaginário das nossas crianças. Tomara que essa estupidez seja sufocada pelas cabeças inteligentes que venham discutir essa burrice.
Ao mesmo tempo, andaram distribuindo, na rede pública, uma coletânea com Os Cem melhores Contos Brasileiros do Século, entre os quais o intitulado “Obscenidades para uma Dona de Casa”, de Ignácio Loyola Brandão, contando a história de uma mulher casada que recebe cartas anônimas de um homem. Trechos do tipo: “os bicos dos teus seios saltam desses mamilos marrons procurando minha boca enlouquecida... É capaz de trair um amigo por uma trepada”. Não é uma parada dura? A obra foi recolhida. Mas, muitos jovens guardam a sete chaves. O que foi distribuido ficou por isso mesmo. E foram muitos!
Outra coisa inacreditável que tomei conhecimento pela imprensa foi o escândalo registrado em Curitiba, recentemente: numa rotineira prova, aplicada em 170 escolas publicas, para alunos de idade média de 6 anos, uma gravura apresentava a figura de um fazendeiro, alimentando galinhas, com o órgão sexual avantajado e destacado na figura. As galinhas, por outro lado, apareciam com os olhos esbugalhados e sugerindo desejo de manter relação sexual com o tal fazendeiro. A coisa constrangeu de modo coletivo o professorado municipal curitibano e um rolo tremendo se instalou à cata dos responsáveis. Imagine que a ilustração, da autoria de um tal de Dan Collins, foi tirada da revista pornô norte-americana Hustler. Faltou ou não faltou profissionalismo e responsabilidade?
Outro escândalo foi a investigação policial instaurada sobre uma festinha de comemoração de formatura de ensino médio, jovens de 16 e 17 anos, em Minas Gerais, animada com strippers. Vi num jornal, deste fim de semana, que o show da festinha ficou por conta de um cidadão vestido de militar que aos poucos se despiu, ficando apenas de cueca e dançou coladinho com uma das concluintes em intenso êxtase. Em seguida, para agradar aos marmanjos, foi a vez de uma dançarina que tirou a fantasia que usava, ficou seminua e teve o corpo beijado, por inteiro, por um dos formandos. No epílogo do show a dançarina teve a calcinha arrancada por um outro jovem, digamos, mais testosteronizado. Imagine a cena. Um segurança “salvou” a dançarina do quase estupro publico.
Agora, eu pergunto: falta ou não falta rigor nessa gestão da educação? Aonde vamos parar se essa coisa cresce mais, ainda?
Hoje os jovens não vêm o professor com respeito, a polidez e o asseio não são avaliados, tiraram a música, os trabalhos manuais e o civismo da grade curricular. O resultado está aí. Isto, sem falar da falta de educação doméstica! Doloroso!
Tomara que D. Dilma esteja atenta para essas barbaridades e imprima um urgente choque de gestão.
NOTA: Qualquer ilustração para esta postagem seria lastimável. Não coloco nada.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mergulho na História

Ir à China e não visitar Pequim (também conhecida por Beijing) é melhor não ir. Foi uma das melhores lições de história que já tive na vida. Mesmo diante da modernidade que a cidade apresenta no seu todo é impressionante a preservação das zonas antigas levando o visitante a uma aventura inesquecível, mesmo considerando os fortes e rigorosos traços da China contemporânea, isto é, um país comunista.
Pequim é uma imensa metrópole. Não tem o tamanho de Xangai, mas revela, por toda parte, uma dinâmica especial, com características próprias de capital de um grande país. Espantoso

lembrar, por exemplo, que a cidade é cortada ao meio por uma imensa avenida, em linha reta e com 48 quilômetros de extensão. Sem dúvida, um tremendo indicador de uma superestrutura urbana. Passa pelo meio da Praça da Paz Celestial (Tian’anmen), com inúmeras faixas de rolamento e é palco das grandes paradas militares. Há 20 anos o transito ali era um mar de bicicletas e hoje está ocupada por um tráfego pesado de veículos dos mais distintos portes, dando testemunho da “capitalista” China de hoje. Atravessamos esta avenida, com destino a Cidade Proibida, consciente da sua importância. E, claro, que me lembrei do massacre de 1989. Recordei a imagem do desconhecido que fez parar a fileira de tanques repressivos. Onde andará aquela figura? Perguntei aos meus botões.
A Praça em si é monumental. É considerada a maior praça publica do mundo. Na sua imensidão estão distribuídos estratégicos e belíssimos jardins floridos e é completada por duas descomunais telas de video. Pelos meus cálculos medem 2,00x30,00m, talvez mais do que isto, apresentando magníficas imagens em HD, dos mais importantes cartões postais do país. É impactante. (vide foto a seguir).
Tian’anmen é, também, a porta de entrada para a Cidade Proibida, moradia dos antigos imperadores. Se a praça é impactante, a cidade nem se fala, até porque proporciona um mergulho na história. Vinte séculos de história, preservada e admirada por milhares de turistas, que não param de circular. Palácios, jardins, galerias, templos e tudo quanto se exige de uma organizada cidade imperial. Ali viviam os imperadores, suas centenas de esposas – muitas nunca tocadas pela majestade, mantidas como “reserva técnica” – filhos e uma imensa vassalagem composta de ministros, auxiliares diretos e indiretos, cozinheiros, os naturais e os inevitáveis “cheira-bufas” apaniguados. Fora esses, uma legião de escravos. Muitos escravos, a maioria eunucos. Na cidade existem 999 dormitórios, um número mágico para os chineses. Ali vivia uma sociedade encastelada e cheia de privilégios. Vide fotos a seguir. Do lado de fora, muita pobreza e fome. O resultado dessa situação foi a queda do império, seguida da implantação do regime comunista em 1949. Mas, Pequim (ou Beijing) reserva ao visitante magníficas imagens de cidade moderna com primorosas construções, entre as quais a Cidade Olímpica (Olimpíadas de 2008) e as monumentais avenidas que cortam a cidade em todas as direções. O comércio é vibrante e conveniente para os turistas portando dólares americanos. Pérolas e seda pura fazem a festa para as mulheres vaidosas e causam constantes pânicos aos maridos desavisados.
Num bairro antigo a emoção de mergulhar no quotidiano histórico. Em Nanluoguxiang e Shichahai, por onde andamos, experimentamos a inesquecível sensação de apreciar o dia-a-dia do homem comum chinês, entrando numa residência particular de 150 anos, passando por pequeno centro comercial comunitário e, o melhor de tudo, sendo conduzidos num ciclo-riquixá, coisa muito comum no Oriente. De fato, é muito divertido ser levado por um cidadão pedalando em admirável velocidade entre as ruelas do subúrbio. (Vide foto abaixo e filminho no final da postagem)
Outra coisa incrível foi nossa visita à Feira de comidas exóticas de Pequim. Ali se encontra os mais extravagantes e asquerosos petiscos do planeta: cobra, barata d´água, gafanhotos, cavalo marinho, centopéia, bicho da seda e escorpião são os mais populares. Incrível como a turma baixa a boca e devora tudo com imenso prazer. Para não perder a oportunidade e entrar no clima, arrisquei no bicho-da-seda. Não gostei. Pasmo, vi duas holandesas se deliciando ao experimentar o escorpião frito. Eca... Por fim, e coroando a visita à China, uma esticada até um dos pontos da Muralha da China, a 80Km do centro e Pequim, patrimônio da humanidade, pela UNESCO, e eleita recentemente como uma das sete maravilhas do mundo. Impossível vê-la por completo, em face da sua extensão de 6.700 km, cortando a China de leste a oeste. A muralha serviu originalmente de proteção contra os invasores bárbaros, entre os quais os hunos, e, depois, os povos machus e mongóis, que ainda assim conseguiram invadir o país. Haja história. É emocionante pisar ali. Um frio de lascar. Mas valeu à pena.
A tudo isto eu chamo de mergulho na história. Estive nas raízes da história do Oriente.
NOTAS: 1. Fotos e filminho da autoria do Blogueiro. 2. O Blogueiro esteve na China, entre os representantes do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecanicas e de Material Eletrico de Pernambuco, na Missão Empresarial 2010, da Fecomercio/PE.

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Baia Perfumada

Estando em Cantão e dispondo de algum tempo livre (um dia, pelo menos) a melhor pedida é “dar um pulinho” em Hong Kong, distante não mais do que 150Km. Trem, que parece ser o mais comum, automóvel ou ônibus, e rapidamente você alcança a cidade que é lembrada como sendo o Rio de Janeiro do Oriente. Foi exatamente o que fizemos nessa ida à China.
Uma curiosidade é saber que esse nome meio estranho, lembrando muitas vezes o mítico gorila do cinema, King Kong, se traduzido muda de figura porque significa Baia Perfumada. Já pensou que beleza viver num lugar lindíssimo e assim chamado?
A cidade tem características bem especiais: com o tratado que marcou o fim da Guerra do Ópio, em 1842, a Ilha de Hong Kong foi incorporada, como colônia, ao Império Britânico, somente devolvida a Republica Popular da China em 1997, após as negociações políticas entre Londres e Pequim. Mas, tem uma coisa: difícil mesmo foi ajustar a ex-colônia britânica ao regime político-econômico reinante na China de hoje. A solução foi adotar o que terminou se chamando de política de “um país e dois sistemas” para que Hong Kong pudesse administrar os novos tempos. A cidade goza de alto grau de autonomia e é tratada como uma Região Administrativa Especial. Lá tudo é regulado por uma Lei Básica própria, com claras regras político-sociais para todas as áreas, exceto a política externa e a defesa, a cargo de Pequim. E mais, o que é muito importante: pela politica adotada, Hong Kong continuará por 50 anos, após a anexação de 1997, como sendo um centro financeiro internacional, com economia capitalista altamente desenvolvida e uma das mais liberais do mundo. Meu palpite, aliás, é que, passado esse periodo, a Republica Popular da China será totalmente capitalista e o ajuste se dará naturalmente. Aquilo que vi por lá aponta para essa situação. Penso que eles foram muito inteligentes quando estabeleceram esse meio século de carência.
Por enquanto, entrar em Hong Kong é o mesmo que entrar noutro país, ainda que estando na China. Muda a paisagem, com perfil urbano muito ocidental, a moeda corrente deixa de ser o Yuan (RMB) e passa a ser o Dólar de Hong Kong. Em tudo mais a impressão que se tem é a de circular numa grande cidade da Grã Bretanha. Até o volante dos automóveis no lado direito, ônibus com dois pisos e a mão inglesa no trânsito são adotadas na cidade. Ah! Entre a China (Província de Guangdong) e a cidade existe um controle de fronteiras. Para voltar à China o viajante tem que ter outro visto de entrada. E, haja rigor nesse controle de fronteiras. Policiamento praticamente ostensivo.
A cidade é inchada de habitantes, uma das mais densas do planeta, com 7 milhões de almas em apenas 1.054 km², em cerca de 260 de ilhas, baias, praias e montanhas. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), na marca de 0,944, é um dos mais altos, ocupando o 24º. Lugar no rank mundial. Além disso, a cidade é famosa por ser uma das mais verdes da Ásia. De fato, isto chama a atenção do visitante.
O comercio é efervescente. É uma Zona Franca intensa de mercadores e mercadorias que saem e chegam sem parar no movimentado porto da cidade. As ruas de comércio são empestadas de compradores. No sábado, quando estivemos por lá, era difícil circular ou entrar e sair das lojas. Sobretudo as de eletrônicos e vestuário. A euforia e o estresse das pessoas lembram o movimento das compras de última hora, na véspera de Natal, no Brasil.
Mas, certamente é a paisagem natural da cidade que arrebata o turista. Quanta beleza reunida num mesmo sitio. Localizada ao sul do Trópico de Câncer, a cidade é de clima sub-tropical que ajuda ainda mais para compor o cenário deslumbrante. Segundo nosso guia, a cidade desfruta de algo em torno de 2.000 horas de sol por ano.
Um passeio de barco rústico, conduzido com segurança por pescadores, pode ser considerado como sendo um dos mais interessantes programas na cidade. A área serve freqüentemente de locações do cinema. James Bond já fez misérias no meio daquelas ilhotas. Vide foto a seguir. Uma subida ao ponto mais alto da cidade, no pico de um morro, enche a vista de qualquer visitante. Para nós brasileiros é impossível não lembrar o Pão de Açúcar ou Corcovado, no Rio. Em Hong Kong, o panorama é deslumbrante, embora que predomine um verdadeiro paliteiro de altos e arrojados arranha-céus. Eu teria muito mais a dizer, mas, o espaço é pequeno e reconheço que a paciência do leitor tem limites.
Bom, se você tiver uma chance, vá também à Baia Perfumada. A satisfação é garantida.
NOTA: A primeira foto foi tirada do Google Imagens e as demais são da autoria do Blogueiro.

domingo, 7 de novembro de 2010

CANTÃO

Deixando Xangai, tomamos o rumo de Cantão ou Guangzhou, em chinês, no sul da China, capital da Província de Guandong. É, para minha surpresa, uma cidade enorme, contando com quase 6 milhões de habitantes. Ou seja, outra metrópole, desse “planeta” chinês que percorri. Um detalhe interessante: Guangzhou é a cidade irmã do Recife, na China. Lá os pernambucanos são recebidos de modo fidalgo. Por quem sabe, é claro! Descobri que Guangzhou é historicamente um importante porto no Rio das Pérolas e faz parte do Império Chinês desde o Século 3 a.C. Na Idade Média, os cantonenses já comercializavam, habilmente, com indianos e árabes. De lá saiam as melhores sedas, porcelanas e chás do Oriente. A partir de 1511, os portugueses entraram no negócio e monopolizaram o comercio local, para atender a crescente demanda dos ocidentais europeus pelos produtos do Oriente. Nos séculos 17 e 18 as coisas ficaram nas mãos de ingleses, franceses e holandeses, como era de se esperar. Na metade do século 19, depois da chamada Guerra do Ópio, conflito armado entre ingleses e chineses, pelo mando dos negócios de Cantão, o comércio da região deixou de ser restrito, sendo estabelecida uma concessão franco-britânica entre 1856 e 1946.
Com tanta história comercial, pode-se imaginar o que se respira nessa região chinesa. O comercio está no DNA dos cantonenses, que pode explicar o que ocorre, por lá, a cada semestre: a maior feira de exportação-importação, do mundo atual. A cada Primavera e cada Outono os chineses de Cantão recebem – no seu monumental centro de exposições – (vide fotos a seguir) compradores e vendedores do mundo inteiro e lançam as novidades de seus produtos, realizando os maiores negócios de que se tem notícia, no novo e globalizado mundo do século 21. O resultado aparece
nos milhões de lojinhas de importados da China, nos mais distantes pontos do mundo. No Brasil, todo grotão tem sua lojinha de R$ 1,99. É uma verdadeira praga. O mundo se incomoda com essa capilaridade dos comerciantes chineses, bem como com seus representantes, e busca atenuar a concorrência, sem poupar críticas e protestos. E os chineses, aparentemente, não estão nem aí... querem é vender. Salve-se quem puder. Para eles, não interessa o cambio artificial, o dumping que se revela nas transações correntes com o exterior ou os salários escorchantes que são praticados, reduzindo incrivelmente os custos da produção. A ordem é exportar e vender a superprodução, a quem chegar. Aliás, na prática, em grosso ou no varejo, é difícil se livrar de um vendedor chinês. No caso do varejo, basta você olhar para o vendedor ou para o produto. A partir daí, o cliente está “condenado” a sair carregado de sacolas. Muitas vezes compra o desejado e o que não queria levar. Com um detalhe a favorecer: pechinche! Chega a ser cômico. Houve um momento em que paguei somente 10% do valor inicialmente cobrado. Uma atenção, porém, e certamente a mais importante é que o interessado tem que ficar de olho na qualidade do produto. Eles estão com uma campanha cerrada pela melhoria da qualidade e para desfazer a fama da produção falha, mas, a coisa ainda é real e um verdadeiro dilema para o comprador.
Guangzhou se prepara para sediar, proximamente a edição dos Jogos Asiáticos (equivalente aos nossos Jogos Pan Americanos), razão pela qual a cidade foi repaginada, com avenidas arrumadas e limpas, jardins exuberantes, edifícios suntuosos e de arquitetura arrojada, magníficos hotéis e shoppings com alusões decorativas e um novo aeroporto que causa inveja, até mesmo a outros da própria China. Imagine um aeroporto com quase 150 portões de embarque. Todos com pontes, inclusive. Nosso grupo, por exemplo, embarcou no portão 146, ao deixar a cidade. Até alcançar o portão de embarque o viajante recebe uma última provocação comercial das sensacionais lojas da estação (vide foto acima). O movimento daquele aeroporto salta aos olhos de qualquer um. Mesmo se tratando de China.
Outra coisa que me impressionou foi observar que o acesso a esse aeroporto é uma imensa via, com quatro pistas de cada lado, e jardins coloridos em todo o percurso. Os chineses capricham, prá valer, no item ajardinamento. Alguém, surpreso com tanta beleza, comparou o caminho do aeroporto de Cantão como sendo o caminho para Shangrilá (denominação atribuída ao escritor inglês James Hilton, em 1925, para um lugar paradisíaco nas montanhas do Himalaia).
NOTAS: Fotos do Blogueiro. Informações históricas retiradas da Wikipedia

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Xangai, a Metrópole

Antes de começar a conversa de hoje, preciso ressaltar - para alguns leitores - que o fato de me impressionar com a China que visitei e voltar encantado com tudo quanto vi, não quer dizer que concordo com as regras político-sociais vigente naquele país. Deve ser muito difícil viver onde não existe liberdade de expressão, controle sobre a família, inúmeras limitações impostas ao cidadão comum, como os escorchantes esquemas de remuneração da mão-de-obra, pobreza urbana e rural, desequilíbrios inter-regionais gritantes e, em fim, tudo quanto difere aquele país dos que vivem o mundo democrático.
Contudo, é impossível não enxergar e exaltar, entre muitas outras coisas, a pujança econômica, a dinâmica do mercado interno, o arrojo tecnológico, a ousadia da construção civil e a preservação de valores históricos devidamente harmonizados com o modernismo. Como na postagem anterior, é difícil explicar o que acontece ali. Eu não saberia dizer o que existe na China. Indiscutivelmente se trata de uma experiência única de regime comunista mixado com capitalismo, dentro de certos limites bem delineados... sei não. É complicado tentar explicar essa coisa. O futuro é que vai revelar a realidade.

Andando em Xangai o visitante esquece tudo isto e experimenta a sensação de respirar o mais autentico dos capitalismos. Sinceramente, nunca vi tantas mega-lojas das grifes mais badaladas do mundo. São verdadeiros assombros. Nada que normalmente vemos em Paris, Londres ou Nova York, onde, segundo me recordo, as grifes têm lojas menos portentosas do que as que mantêm na China. E isto é um sintoma concreto de capitalismo. Sei lá, talvez os imóveis comerciais sejam mais baratos na terra de Mao, enquanto que, por outro lado, as políticas fiscais e trabalhistas beneficiam mais o capital do que o trabalho. A verdade é que a coisa surpreende, é claro. Eu, por exemplo, “dei um nó no juízo” e, até hoje, não consegui desamarrar. Essa China é um laboratório de arromba.
A exuberância de Xangai é uma coisa incrível. Segundo nosso guia local, a cidade mudou de cara nesses quase trinta anos de abertura. A chegada do capital estrangeiro, aliado à fantástica poupança do país transformou a cidade numa metrópole sem comparação, mundo afora. As antigas vilas de casas populares, sobradinhos padronizados do passado, dão lugar a arranha-céus espetaculares, que vêm, rapidamente, mudando o perfil de uma das maiores cidades chinesas. Os centros Comercial e Administrativo-Financeiro ali implantados, em meio a uma urbanização irretocável, composta de imensas e largas avenidas, pontes, vias elevadas e viadutos, tudo devidamente ajardinado e bem cuidado, é de encantar qualquer visitante. O aeroporto é o melhor cartão de visitas. É arrojado e funcional, amplo e luminoso. Primoroso. Certamente que tudo isso vem exigindo muita grana e isto é o que não falta na China de hoje.
O turismo vem se destacando, também, como uma das importantes fontes de renda da cidade. E não se trata, necessariamente, de turista estrangeiro, que não chega a ser tanto, em termos relativos. A grande massa dos turistas é composta dos próprios chineses que, ao contrário do passado, tem agora mais dinheiro no bolso e podem se deslocar mais livremente internamente. A Prefeitura de Xangai não perdeu tempo e implantou uma agressiva política de atração turística, que vem proporcionando o aparecimento de suntuosos hotéis, restaurantes de cardápios internacionais, além de equipamentos de lazer de primeiríssima linha. Ninguém que visite Xangai, por exemplo, pode sair de lá sem fazer um passeio de barco no Rio Huangpu, preferencialmente à noite, quando a cidade se ilumina de maneira multicolorida e cinematograficamente. É deslumbrante! O governo incentiva com a redução de 50% do custo da energia consumida e o resultado é puro sucesso. Pude notar que, na prática, parece haver uma verdadeira disputa para ver quem ilumina melhor e de modo mais bonito o seu edifício. Eu nunca vi uma coisa daquelas. Vide as fotos da postagem. Aliás, passando por Paris na volta (ficamos três dias por lá, tentando neutralizar o jet-lag que qualquer pessoa sofre, nessas mudanças bruscas de fuso horário) foi inevitável comparar e concluir que o titulo de Cidade-Luz, embora emblemático, pode ser uma coisa do passado para a capital francesa. Xangai bem que merece este titulo, neste inicio de século 21. Este ano, inclusive, a cidade teve um motivo bem maior para se engalanar e receber o turista, por conta da ExpoXangai 2010, a feira mundial do qüinqüênio. Eu estive por lá e depois comentarei sobre o que vi.

NOTAS: 1 - Fotos são da autoria do Blogueiro 2- O Blogueiro foi à China, entre os representantes do Sindicato das Indústrias Metalurgicas, Macanicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE e compondo uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela FECOMERCIO/PE.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Planeta China

Há dias nos quais tenho alguma dificuldade para encontrar um assunto para o bate-papo semanal neste espaço do Blog do GB. Esta semana, porém, tenho uma lista interminável de temas para trabalhar. Tenho assuntos para hoje e para as próximas postagens. Difícil mesmo é saber por onde começar. A razão é simples: estive visitando a China, por dez dias, tendo regressado no domingo passado.
Além de não saber exatamente por onde começar, falta-me um adjetivo adequado e capaz de expressar meu encanto e minha surpresa por esse país oriental. Fantástico poderia ser um deles. Mas, ainda acho pouco. Retumbante, é forte mas, talvez se ajuste. Voltei fissurado. Aquilo lá é tão pouco comum que um caboco nordestino, como eu, se abestalha e não sabe para que lado olhar. É monumental, pronto!
Tudo isto, quando eu menos esperava e achava que já conhecia tudo de mais belo que havia sobre a face da terra. Qual nada! A sensação foi de que fui parar num “planeta” diferente: pujante, esplendoroso, tradicional e, ao mesmo tempo, moderníssimo. A China me arrebatou
Mais incrível, ainda, é lembrar que se trata de um país de regime comunista e poder central forte e atuando. Não dá pra entender como conseguem administrar aquela coisa. A ficha ainda não caiu. Sinto-me meio zonzo, até agora, pelo excesso de novas e surpreendentes informações que acumulei. Bom, na verdade estou falando de uma das mais antigas civilizações com existência continua. Na Wikipédia descobri que “o ano 221 AC é referido como sendo o momento em que a China foi unificada na forma de um grande reino ou império”, graças às imposições da Dinastia Qin, com uma escrita comum e uma filosofia baseada no confucionismo.
Ao longo da sua formação, contudo, o país passou pelas mãos de mais de dez dinastias, entre as quais a Zhou, a Tang e Yuan. É uma história de mais de dez séculos. Observem que na China foram inventados o papel, a imprensa, a pólvora, que são coisinhas corriqueiras nos nossos dias, mas que, à época, revolucionaram o mundo. Além disso, os chineses são, há séculos, seculorum, exímios artistas na música, pintura, teatro e cerâmica. O que vi recentemente, in loco, são provas concretas desses talentos. Chega a ser emocionante se postar diante de tanta beleza.
Essa história e civilização, contudo, registra muitos pontos negativos: a maioria da nação vivia oprimida e muitas vezes escravizada. Muita fome e miséria. O regime imperial tratava o povo com mão de ferro, privilegiando alguns muito poucos com o conforto de viver como vassalos, em torno do Imperador, na Cidade Proibida, assim denominada por ser vedada à entrada do homem comum.
A situação se tornou insustentável e em 1911 ocorreu a queda do Império, sendo proclamada a República da China, sob a liderança de um certo Sun-Yatsen, nos seus primeiros anos. As disputas políticas da época levaram os chineses a uma sangrenta guerra civil entre os anos de 1945 e 1949, resultando na vitória do Partido Comunista Chinês que passou a governar sob a regência de Mao Tse-Tung, substituído, após a morte, em 1976, por Deng Xiaoping. Mao planejou a economia do país, redimiu o povão da situação opressiva e se transformou num ídolo nacional. Até hoje seu mausoléu com o corpo embalsamado é a maior atração para os chineses que visitam a Praça da Paz Celestial, em Pequim. Pude ver, semana passada, uma fila quilométrica de pessoas querendo ver de perto o "deus" Mao embalsamado numa redoma de vidro. Contaram-me que alguns ficam até oito horas nessa fila. Na ocasião que estive na Praça a temperatura girava em torno dos 3ºC. (Vide foto acima). É impressionante a idolatria dessa gente. Já Xiaoping foi o grande responsável pela abertura econômica do país, sem abandonar a rigidez política. Há, ainda, muitas restrições. O povo não goza da liberdade de expressão e a imprensa é controlada. Twitter, Google e Facebook, nem pensar. Este Blog, por exemplo, não pode ser aberto, por lá. Depois da abertura econômica a partir da década de 80, empresas estrangeiras puderam se instalar e o que mais vemos são as grifes mundiais dominando o mercado local.
O país é certamente o maior mercado mundial. Pense no que sejam 1,4 bilhão de pessoas para alimentar, vestir, educar, divertir, transportar e etc. A economia cresce em ritmo galopante, a uma media anual de quase 10%. O Produto Interno Bruto (PIB) atingiu em 2009 a espetacular marca dos 4,91 trilhões de dólares americanos. Eu disse trilhões! Recentemente a China ultrapassou a economia japonesa e é agora a segunda maior do mundo, ultrapassada apenas, e por enquanto, creio eu, pelos Estados Unidos.
Fora isto, a China de hoje é monumental em tudo que se possa imaginar. É onde existe o maior número de gruas em ação. É onde mais se constroem rodovias, pontes, viadutos e túneis, altíssimos edifícios, aeroportos – cada um mais belo do que o outro – e vai ter logo em breve a maior usina hidroelétrica do mundo com capacidade de quase quatro itaipus.
Eu visitei um “planeta” diferente, chamado China.
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

sábado, 9 de outubro de 2010

Tiririca da Vida

Antigamente era bem comum se dizer que um sujeito colérico, raivoso ou revoltado estava tiririca. Confira num dicionário. A partir de domingo passado, porém, as coisas mudaram e tiririca passou a ser sinônimo de Deputado. Não é engraçado? Acho que, de agora em diante, uma pessoa não fica mais “tiririca da vida” e sim “deputado da vida”, acompanhando a modernidade do Brasil. Pensando bem, e desse modo, por exemplo, quando há dois meses eu fui covardemente assaltado a mão aramada, levaram-me a carteira com documentos, cartões de crédito e dinheiro, além do meu celular, eu fiquei d-e-p-u-t-a-d-o da vida. É uma senhora mudança de forma. Imagine que tem muito mais charme dizer “minha mulher está deputada comigo porque não lhe dei um vestido novo”. Não é mesmo?
Mas, meus amigos, quem anda tiririca, de domingo para cá, sou eu, com essa desmoralização da democracia brasileira, já tão carente de consolidação..
É simplesmente revoltante ver um cidadão, no nível do palhaço Tiririca arrebatar 1,3 milhão de votos de eleitores, certamente, alienados ou ingênuos. Coisa de paulista ignorante mesmo, que não tem noção adequada do que seja eleger um bom representante para o Congresso Nacional. Aliás, isto é fato recorrente em São Paulo. Foi assim que, no passado, votaram no rinoceronte

Cacareco, nos Malufs e Clodovis da vida. Ou seja, votar num Tiririca, sob alegação de estar dando um voto de protesto, é a coisa mais simples para eles. Quanta ingenuidade... Ah! O pior é que tem gente que garante o voto quando ele se apresentar como candidato a Presidente da República. Valha-nos Deus! Tem até fotos alusivas a essa barbaridade. Aí, sim, chegaríamos ao caos caótico. Acho que nosso povo está cansado das promessas mirabolantes e enganosas, sendo levados a zombar da seriedade.

Alienados, ingênuos, ignorantes ou coisa parecida, porque não tiveram o cuidado de analisar o que vem por trás dessa manobra espúria. Uma autêntica malandragem. Não sabem eles que ao elegerem um ignorante, talvez analfabeto, como é o caso de Tiririca, estão contribuindo para o sucesso de uma estratégia política estúpida - falha de um sistema eivado de equívocos - de arrastar, via coeficiente eleitoral de um partido nanico, elementos nocivos à sociedade que representa e à Nação, para atuarem na Câmara Federal. O partido do deputado eleito, Tiririca, e seus coligados estão deitando e rolando na montanha de votos que o palhaço recebeu nas urnas. Junto com ele serão empossados mais dois ou três parasitas, autores da mutreta e com tremendas FICHAS SUJAS. A revista Veja dissecou a coisa, de forma bem didática. Formarão um novo bloco parlamentar em Brasília, que poderia se chamar de Os Titiricas e, com certeza, integrando o chamado Baixo Clero, isto é, grupo de deputados sem grandes prestígios e pouco atuantes, entre outras cositas más.
Agora, me diga mesmo, é ou não é necessária uma reforma política urgente neste país. De Gaulle, lá por cima, onde atualmente circula, deve ter dado boas gargalhadas e ratificado sua máxima de que “o Brasil não é um país serio”, ao ver o povão paulista tiriricando. Não é revoltante? Eu pelo menos não tolero mais tanta bandalheira. Aliás, ando tiririca da vida, com essa situação. Mas, atenção, na acepção antiga.

NOTA 1: Foto colhida no Google Imagens

NOTA 2: O Blogueiro fará uma pausa nas próximas duas semanas, em virtude de uma viagem a China. No retorno trará noticias e impressões do que verá no Oriente.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Retrato Velho

Eu cresci, posso dizer, no meio da politica. Neto de um chefe politico de interior, coronel velho e "manda-chuva" do lugar, me empolgava com a permanente movimentação, que se tornava mais dinâmica nos dias de eleições, como os de hoje. Foi, não foi, lá se dava um comício. Seu Epaminondas Mendonça – era este o nome do meu avô – se empolgava e saindo de trás do balcão do seu estabelecimento comercial, trepava num tamborete, garrava do microfone (que estava sempre a postos) e largava seu discurso inflamado para a matutada de Fazenda Nova (180km. distante do Recife). Era uma cena bem comum, principalmente, nas sextas-feiras, dia da feira do lugarejo. A matutada se apinhava diante daquele líder-matuto se empolgando e pedindo a chapa do candidato defendido, para depositar na urna eleitoral. Não perdia uma eleição e sempre fazia seus vereadores e prefeito, além de empurrar deputados e governador. Ele próprio era, muitas vezes, o candidato. Sistema arcaico e cheio de vícios, é verdade. Mas sem as patifarias de hoje. Só se às escondidas. Não sei o que diria – aquele homem que foi prefeito e vereador nos interiores de Pernambuco, tirando do próprio bolso o sustento das campanhas que fazia, prejudicando muitas vezes a própria família – diante dessas bandalheiras, deslealdades, roubos e assaltos aos cofres da Nação, do hoje. Morreu sem deixar fortunas, salvo uma dúzia de casas, poucos hectares de terra e a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Morreu sem laivos e sem quem dissesse um “tantinho assim” de desonestidade dele.
Nos dias de eleição, quando eu estava em Fazenda Nova, minha excitação era tamanha que sequer conseguia dormir direito, dado o rebuliço na casa. A mulherada varava a noite preparando a comida do eleitorado, no dia seguinte. Quando o dia amanhecia já era um corre-corre, um falatório danado, um entra e sai desmedido de eleitores, dentro de um clima de comes e bebes sem fim. Matavam-se boi, carneiros e bodes e o galinheiro ficava vazio. À la cabidela, assada ou guisada, não sobrava uma penosa sequer. A matutada chegava amontoada nos caminhões escalados para transportá-la desde as brenhas onde vivia até a vila e se esbaldava tirando a barriga da miséria. Todo mundo nos trinques, ou seja, bem vestido, em roupa de gala, brilhantina colgate ou glostora na cabeleira ou chapéu de massa, perfumados e cheios de pose. Era uma festa. As mulheres, affe Maria, caprichavam e, sobretudo, carregavam no batom e no pó de arroz e rouges da marca Royal Briar. Aquilo era o máximo e elas se achavam... Ah! A grande maioria fazia questão de sorrir um sorriso brilhante, por trazer um monte de dentes de ouro na boca. Isto existia antigamente e o matuto que tinha um dinheirinho qualquer investia imediatamente numa dentadura de 18 Kilates. Minha mãe dizia, logo, “lá vem um boca rica”. Imagino o que diria a turma jovem, de hoje. Daria boas gaitadas. E eu, ia lá voltava cá, garrava duma garrafa de Crush e enchia a cara... Também. Em dia de eleições eu era fi-de-deus e podia beber mais.
Encerrada a votação esperava-se, no maior frisson, a apuração dos votos que só acontecia muitos dias depois. Resultado publicado, a festa rolava mais grossa ainda, porque era sempre vitória. Uma graça. A tímida oposição do lugar trancava-se em casa e se mal-dizia da situação. Dos partidos da época minha lembrança só passa por duas siglas a do PSD (Partido Social Democrático) e da UDN (União Democrática Nacional). Havia outras, mas, somente essas duas me marcaram, porque a guerra entre elas era de feder a sangue. Meu avô era do PSD e quem fosse da UDN eu nem devia cumprimentar. Fuxico de interior era de lascar. Aliás, ainda é, visse...
E, por falar em chapas contadas, lembro demais da quantidade de papelotes impressos com nomes de candidatos e cargos postulados. Era com um desses papeizinhos que o eleitor votava. Muito artesanal demais, se comparado com o sistema eletrônico atual, além de inseguro, pois favorecia a fraude. Que certamente havia! Lógico! No meu pensar infantil, torcia para que sobrassem muitas chapinhas com as quais inventaria vários tipos de diversão – barquinho, aviãozinho, sabe lá o que mais – na ressaca da eleição. Com os tempos vieram a cédula única e, hoje, a urna eletrônica que, indiscutivelmente, é um fantástico avanço no processo eleitoral brasileiro, motivo de orgulho da inteligência tupiniquim e que está sendo adotada em muitos países.
Progresso por um lado e obstáculos por outro, porque muita gente – os de baixa instrução, particularmente – se ressente com um sistema que exige um esforço maior da mente e produz impasses para aqueles que têm aversão à máquina. É complicado para os menos letrados e resulta em muitos votos nulos.
O tempo passou e isto eu não discuto, porque o espelho me lembra a cada dia. Mas, sempre tem festa no interior, no dia de eleições. Domingo que vem é dia de eleições. E é dia de festa. Festa da democracia. A farra é tamanha que instituíram a chamada Lei Seca. Desmoralizada, meu Deus... Vou guardar este meu velho retrato do passado, com carinho e saudade.
NOTA: Fotos/reclames obtidos no Google Imagens.

domingo, 26 de setembro de 2010

CARGA PESADA

Eu havia feito o propósito de não falar de eleições, políticos e candidatos, por sentir um desgaste muito grande ocupando meu tempo com essa palhaçada que, mais uma vez, se espalhou no país. Mas, é impossível ficar mudo diante de tantas barbaridades. Pelo menos para mim, que sou, no final das contas, um animal racional e com fortes sentimentos políticos. Seria negar minha natureza. Violentar-me-ia.
Meu voto será consciente em três de outubro e estou seguro disso. O mesmo não penso sobre a maioria dos brasileiros. Dá pena de ver a alienação da pobre gente do meu país. Tiro pela secretária doméstica que tenho na minha casa. Esta manhã ela confessou que está achando muito difícil para votar neste ano. “Tem que marcar cinco números, Doutor. É isso mesmo? Não botaram número demais, dessa vez? E o Senhor já viu que tem um que é bem grandão...” Isto para uma pobre coitada, analfabeta, que vive aqui na minha casa, escutando tudo que se fala e vendo o guia eleitoral gratuito. No dia da eleição ela vai à seção eleitoral, desenha o nome dela e entra na cabine eleitoral indevassável. Lá dentro, muito ancha, marca qualquer coisa e no final diz orgulhosa que votou em Lula. Coitada nem sabe que ele não é candidato. Pode ser um voto perdido. Imagino, também, os tristes (ou felizes, quem sabe?) que são eleitores nas brenhas do sertão nordestino ou perdidos na Amazônia. Voltam para casa dizendo que votou em Getúlio Vargas. Acredite que tem. Não é piada e quem me falou isto foi um conhecido amazonense. Claro que tem alguém digitando um voto ao seu bel prazer e interesse, no lugar do alienado portador de uma titulo eleitoral, se aproveitando da ignorância do eleitor. É muita patifaria. Ou melhor, um processo eleitoral inadequado ao país.
Outra coisa me deixa profundamente irritado, neste cenário, é ouvir as promessas desses cínicos candidatos, repetindo as mesmas promessas dos candidatos das eleições passadas. Aliás, pensando bem, acho que, à luz das promessas atuais, seja qual for o eleito, o Brasil vai cair em boas mãos. As promessas são parecidí-i-i-i-i-íssimas. Já notaram? Até Marina, mesmo com a verdura que vende, não deixa de bater nas teclas comuns. Quero ver cumpri-las. É tudo conversa mole, minha gente. Tolo é quem vai atrás dessas baboseiras eleitorais.
As mais “divertidas” são as promessas da reforma fiscal e reforma política. Faz-me rir. Vou morrer e não vejo essas promessas serem cumpridas. E, olha, que são as mais velhas e a mais necessárias para o bem da nação. Eu disse nação! A candidata do Lula bate no peito e diz solenemente “EU (ela adora usar a primeira pessoa) prometo fazer uma reforma tributária, porque não dá mais para continuar com uma carga tão pesada”. Tenho a sensação de assistir a um programa de humor. Negro, é claro.
Neste fim de semana, que termina hoje, fui à bela Maceió, capital de Alagoas. (Foto a seguir) Cumpri dois compromissos sociais, marcados por dois casamentos. Nessas comemorações o mais comum é que – com um uísque a mais – os convivas logo se exaltem e começem a “fazer campanha”. Saí convencido e decepcionado, claro, de que muitos alagoanos perderam a memória e vão eleger Fernando Collor de Mello, governador do estado. Pode uma coisa dessas? É impressionante. Agora, tem uma coisa, a maioria das vezes o argumento mais forte é de que Lula e seus comparsas deixaram Collor no “chinelo”. Que o ex-presidente alagoano não soube fazer a coisa bem-feita e roubou pouco. É doloroso ouvir estas coisas. Resta saber se estão dando outra chance ao collorido para ele retornar e fazer uma “administração” bem-feita. Não vou negar que me ri a valer dessa alienação coletiva. Bom, as festas de bodas, das quais participei, ficaram bem divertidas.
Se a reforma tributária é necessária, a política é fundamental. Acho que antes da tributária deve vir a política. É preciso mais seriedade dos nossos legisladores para entender o que fazer na hora de detonar o Custo Brasil. D. Dilma tem razão quando diz que a carga é pesada. Difilcil é ter certeza de que ela tenha consciencia desse peso.
NOTA: Fotos do Google imagens

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

São Paulo: o Brasil Grande

O destino São Paulo está com muita frequência na minha agenda de viagens. A negócios ou por motivos particulares ando sempre praquelas bandas. Foi o que ocorreu na semana passada.
O poeta já disse que a Paulicéia é desvairada (louca, alucinante, delirante) e olha que, em certos momentos, parece mesmo uma loucura. Mas, no final das contas, tudo dá certo e termina num misto de prazer e estresse. Prazer pelo sem numero de atrações que a cidade oferece e estresse por conta, por exemplo, do trânsito caótico, das hordas de motoqueiros desembestados no tráfego infernal, das distancias a serem percorridas, da perda de tempo para se cumprir um simples compromisso e, ainda, a carestia de vida, que somente eles, os paulistas, conseguem administrar. Sobretudo no setor de serviços, ao qual temos de nos submeter.
Ficamos (eu estava acompanhado da minha família) por lá nove dias, mas voltei com a sensação e haver passado menos. O tempo corre muito rápido, quando se enfrenta muita coisa para fazer e as logísticas são complicadas. Assim mesmo, deu para curtir a grandiosidade da metrópole.
Para nos livrar de rodizio de placas (na cidade de São Paulo é rotina) de veículos em circulação e, também, para explorar a paisagem interiorana do estado – que é belíssima – tomamos rumos em dois diferentes roteiros: um na direção do interior e outro no sentido do litoral.
No primeiro, fomos almoçar, no feriado do sete de setembro, na divertida cidade de Itu, que tem a fama de ter tudo em tamanho exagerado, devida a um comediante da TV e capitalizada pelo municipio, com fins turisticos. Deu certo, sim Senhor. A cidade é pequena, com no máximo 170 mil habitantes, descendentes de imigrantes portugueses, italianos e japoneses. Tem também nordestinos migrantes. É uma das mais antigas do estado, com 400 anos de fundada, belissima arquitetura colonial (vide foto a seguir) e historicamente importante porque deu forte

contribuição à fundação da Republica no Brasil. Outro destaque da cidade é o fato de ter sido, durante muito tempo, a mais rica do estado, por ser local de residência de muitos barões do café e autoridades importantes do País. Comer por lá tem que ser no Bar do Alemão Steiner, famoso por servir um Filé à Parmegiana, vendido por metro! Come-se bem e ao melhor estilo ituano, isto é, tudo grande. Vale à pena conferir.

Depois de Itu, subimos a Serra da Mantiqueira e fomos rever a bela cidade de Campos do Jordão. Passamos uma noite de frio intenso (3ºC) à base de uma boa fondue de queijo e vinhos chilenos, para esquentar a alma e o corpo. Era meio de semana e encontramos a cidade mais tranquila, com o comércio atendendo bem, a paisagem mais visível, dado ao pequeno número de visitantes. O cenário é de puro aspecto suíço. Vide foto acima. A gente agasalhada pelo frio e a este acostumada revela um tipo de sociedade diferente, no portar, no trato e nas relações com o visitante. Nada da descontração das cidades litorâneas. Os jardins, bosques e cascatas, complementados pela arquitetura, estilo também suíço, resulta num cenário de grande beleza e distinto do nosso padrão tropicaliente nordestino É muito interessante observar essa vida diferente das altitudes paulistas.
E, por fim, descemos a fantástica Rodovia dos Imigrantes, que liga São Paulo à baixada Santista, indo parar no balneário da Riviera de São Lourenço onde passamos o último fim de semana. Local sofisticado padrão Classe A-ltíssiiiiimo e paisagem digna de ser comparada, competitivamente, com os melhores balneários caribenhos ou do Mediterrâneo. Show de bola.
Constatação final: é interessante observar como o estado de São Paulo consegue reunir tantas e tão diversificadas atrações, atraindo, assim, levas de brasileiros das mais distintas regiões na busca de novas paisagens, negócios dinâmicos, vida cultural, infraestrutura e serviços diferenciados, cosmopolitismo, num mix que faz a maior diferença. É ali que fica o Brasil Grande, sem nada a dever à outras localidades no mundo afora.

NOTA: Foto de Itu é do Blogueiro e as de Campos do Jordão e Imigrantes são do Google Imagens

sábado, 28 de agosto de 2010

Mãos na Maçaneta

Quando alguém me disse, há poucos dias, que no Brasil de hoje se assalta, rouba, estupra por esporte, naturalmente, fiquei revoltado com a teoria. Se for mesmo por esporte a situação é pior do que se fala ou ouve falar.
Digo isto porque a matéria publicada na imprensa do Recife, esta semana, sobre uma quadrilha de ladrões que conseguiu entrar f-a-c-i-l-m-e-n-t-e em apartamentos de luxo no Recife e noutras capitais nordestinas é de estarrecer.
Segundo o noticiário o trio de ladrões – casal jovem e bem parecido, mais uma parceira – é paulista da capital, são pessoas de classe média alta, vivem bem instalados, em bairro nobilíssimo, vida normal e bem arranjada, família linda, filhos bem cuidados e em escolas particulares de alto nível e carro importado de categoria e modelo recente. Vejam só que escândalo.
Pensado no que me disseram sobre essa “modalidade esportiva”, tudo leva a crer, portanto, que se trata de gente que a p a r e n t e m e n t e rouba e assalta, mesmo, por diversão. Será mesmo? Ou vivem bem, apenas, por conta do produto dos assaltos? Doença? Seria um grupo de cleptomaníacos anônimos em franca recaída? São perguntas que não oferecem respostas imediatas.
O mais engraçado é que a matéria no Diário de Pernambuco destaca algumas características inusitadas, amadoras ou ingênuas, desses gatunos. Por exemplo, entravam nos prédios de luxo, engabelando os porteiros, passando por parentes ou amigos de moradores, sem armas, sem máscaras ou qualquer tipo de violência e encarando as câmeras de segurança dos prédios. Ou seja, tranqüilos e relaxados. Com uma chave mestra – essa invenção é de lascar – e informações preciosas, entravam e faziam a feira. Somente na casa de um magistrado estadual levaram uma fortuna em jóias, divisas estrangeiras, objetos de arte e de valor, entre outros itens. As vítimas estavam viajando e eles deviam saber. Entravam e saiam sem que ninguém percebesse e da mesma forma que abriam, fechavam a porta e se mandavam. Acontece que a desconcentração e tranqüilidade era de tal ordem que nem mesmo se preocupavam em apagar as impressões digitais. Quanto amadorismo... E foi por aí que caíram nas mãos da policia técnica de Pernambuco. Quer dizer, foram pegos com as mãos na maçaneta. Trabalho perfeito. Digitais registradas e jogadas numa rede nacional de investigações, os engraçadinhos foram localizados e capturados na capital paulista. Precisa ver a cara do rapagão bonitão e da mocinha charmosa sendo levados aos cárceres pernambucanos.
Sei não, mas eu acho que, esses paulistanos larápios ou cleptomaníacos, sei lá, fazem parte de uma grande legião de sulistas, principalmente paulistas, que subestima a inteligência nordestina e acha, entre outras coisas, que pode chegar aqui e passar a mão no que quiser e a coisa fica por isso mesmo. Gente que pensa que aqui não é Brasil ou se trata de uma sub-raça. Já conheci muitos dessa laia. Mas, peraí, preciso dizer que gosto muito de São Paulo, já vivi algum tempo por lá e sempre que posso volto e curto muito. Tenho familares e tenho, também, grandes amigos paulistas. Inteligentes e gente, é claro!
Vejam a que ponto chegamos: essa gente, digo esse trio, vivia para cima e para baixo, voando de São Paulo para algumas capitais nordestinas, agindo sem dar bandeira e vitimando de modo inusitado pessoas de bem, ricas e, por fim, atônitas com tamanho requinte, é claro, do tipo de assalto que sofreram. Imagine a pessoa regressar de uma viagem, abrir normalmente sua casa e dar de cara com um desmantelo descomunal e sentir falta de itens importantes do seu patrimônio.
Estamos, como diziam os mais velhos, “no mato sem cachorro”. Não tem policia, porteiro, morador, vizinho, zelador, serviçal fofoqueira (afe! tem demais!) que desconfie de uma parada dessas.
Tomara que a polícia estadual dê o trato adequado a esses “atletas” amadores do roubo e que sirva de lição para uma possível escola, dessa categoria esportiva, que tem como sede a cidade de São Paulo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Descaso Inaceitável

Neste final de semana estive na simpática e acolhedora cidade de João Pessoa. Ao tomar a estrada BR-101, que liga o Recife à capital paraibana tive a idéia de que iria trafegar numa rodovia duplicada e segura, tendo em vista que, quando fiz este mesmo percurso, pela última vez, há quatro anos, eu disse quatro anos, os trabalhos de construção estavam iniciados e aparentemente adiantados.
Para minha surpresa, tive que trafegar numa espantosa parafernália rodoviária, com precária sinalização, muitos trechos em construção, alternados por outros construídos, em quantidade ainda a desejar, se considerarmos o tempo que se tem desde o inicio das obras.
Chegar a João Pessoa e de lá retornar se transformou num suplicio, dadas as oportunidades de insegurança e perigo que experimentei. Ocorre que além dos buracos, dos inúmeros desvios, o entra e sai em pista dupla e o tráfego intenso, chovia muito, o que tornava a situação mais difícil ainda. Isto, sem falar na notável quantidade de veículos em transito e dos mais diferentes portes.
Tudo bem se pensarmos que, em se tratando de uma estrada em obras, a coisa não poderia ser muito diferente. Contudo, o que mais me impressionou foi o atraso das obras dessa duplicação da estrada, tão bazofiada nos discursos dos governantes de plantão. É de lascar conviver com tanta fanfarrice. Não tenho mais paciência...
Ora, minha gente, a BR-101, em particular nesse trecho entre Recife e João Pessoa sempre foi uma artéria de intenso movimento, notadamente com ônibus de passageiros e caminhões de carga, transportando mercadorias entre as duas capitais ou como passagem estratégica para outras praças, entre as quais Natal, capital do Rio Grande do Norte. É bom lembrar que na Região Metropolitana do Recife se concentra uma boa quantidade de Centrais de Distribuição de Mercadorias, de onde se efetua o transbordo de produtos para praças menores da Região.
A situação descrita desse trecho da BR-101 pode, de modo claro, ser tomado como um bom exemplo da situação caótica na qual se encontra o sistema rodoviário deste país. Toda semana vê-se pelo menos uma reportagem na TV mostrando as barbaridades registradas nas estradas do Brasil. Mortes e prejuízos materiais engrossam, cada vez mais, uma lamentável estatística de atraso e descaso com o transporte rodoviário, que, no final das contas, é o modal mais comum do país. Aliás, um erro de decisão política, nos meados do século passado. Não se admite que um país das dimensões brasileiras não se disponha de um bom sistema de transporte ferroviário, como o que se observa em outros países, como os europeus, a Índia, o Japão e tantas outros, digamos, mais inteligentes.
Agora, preste atenção, caro leitor ou leitora, à propaganda eleitoral desta atual campanha e tente ver alguma proposta voltada a resolver este caos. Eu ainda não vi nada dessa ordem. Nem mesmo quando se fala de melhorar a infra-estrutura. Fala-se de portos, aeroportos e até de um trem bala para um número de privilegiados sulistas, mas, rodovias parece ser coisa secundária. Só que, como o transporte rodoviário é o tipo básico, não dá para ser coisa secundária. Isto é um descaso inaceitável. É ou não é?

sábado, 14 de agosto de 2010

Metidos a Ricos

Esta semana ouvi um interessante comentário do jornalista Carlos Alberto Sardemberg chamando a atenção dos brasileiros para um fato no mínimo curioso: a novíssima seleção brasileira jogou contra a dos Estados Unidos num estádio de futebol, ainda não inaugurado, na cidade de Nova Jersey, numa partida amistosa. O Brasil ganhou e começou assim a Era Mano Menezes. Mas, o mais interessante foi o comentário sobre a moderna praça de esportes, com os mais sofisticados recursos de que se tem conhecimento, construído pela iniciativa privada, numa parceria entre dois times de futebol importantes e tidos como ferrenhos rivais. Vejam que coisa mais civilizada e lógica: dois “inimigos” nos gramados unem-se para, com inteligência empresarial, construir um novo estádio, necessário à prática esportiva. Coisa do tipo: inimigos, inimigos... mas, negócios à parte! Quando isso aconteceria no Brasil?
Nesta mesma semana, assisti, numa entrevista pela televisão, um dirigente do Sport Clube do Recife anunciar, para breve, a implosão do atual estádio da Ilha do Retiro para dar lugar a uma arena esportiva moderna e à altura do torcedor exigente destes atuais tempos.
Com perplexidade vejo, pela imprensa, o Governo do Estado divulgando o inicio da construção do que chama de Cidade da Copa. Fico espantando com tanta irracionalidade governamental. Um investimento que, no final das contas, não vai sair por menos de Um Bilhão de Reais, deixando os que gozam de sã consciência, neste velho Pernambuco, abismados com tamanho absurdo. Ora, meus caros leitores e leitoras, como se admite que um estado, pobre como o nosso, venha dispender tão vultosa soma de escassos recursos financeiros numa obra fadada ao abandono?
Já falei disso, neste mesmo espaço, ano passado quando o projeto foi bombasticamente anunciado (vide foto da maquete, a seguir) dando meu palpite que o tal estádio vai se transformar num campinho de peladas inexpressívas, à medida que nossos clubes têm seus próprios estádios e não pretendem aposentá-los. Ao contrário, querem modernizá-los ou construir novos.
Em Manaus, no ano passado, ouvi o protesto de um motorista de taxi com o anúncio da implosão de um estádio, creio que municipal, inaugurado há poucos anos e com todos os pré-requisitos para uma rápida reforma ou mesmo uma “maquiagem”. Em Salvador a Fonte Nova já está sendo derrubada, para dar lugar a uma Nova Fonte Nova, esta justificável porque não tinha jeito, a Fonte Nova estava velha e caindo aos pedaços, provocando acidentes fatais. O Maracanã vai passar por uma reforma esperta e muito cara. Quanto dinheiro publico, meu Deus... No meio disso tudo, temos um bom exemplo, apenas, em São Paulo, onde o governo estadual “bateu o martelo” e disse não à gastança em estádios com verbas públicas.
Diante disso tudo, fico assustado com o desperdício de dinheiro que vai rolar neste país. Impossível não concluir que muito nego vai encher os bolsos, para se sustentar o resto da vida e as dos seus descendentes. No prejuízo fica a sociedade passiva e alienada, que não vai ter dinheiro para assistir nem uma partida de jogos da Copa e contemplará, anos depois, um “elefante branco” nas brenhas suburbanas do Recife. Ao mesmo tempo, claro, continuará sem segurança, educação, transporte público digno, saúde publica e outras coisinhas mais prioritárias, necessárias à construção de uma sociedade sadia e feliz.
Sem querer correr o risco de pensar pequeno, acho que o povo brasileiro não pode ficar alheio e engessado diante dessa farra financeira e das roubalheiras que se projetam sob a égide de Copa e Olímpiadas.
Em Pernambuco caberia, isto sim, uma parceria do tipo PPP (Parceria Publico Privada) com algum clube local para a reforma de um dos estádios existentes na cidade e não esse absurdo que começam construir. Ganharia o Clube parceiro, os torcedores, a sociedade e o Governo, que pouparia um bom dinheiro redirecionando-o para outras áreas carentes, incluindo, por exemplo, a infraestrutura viária da capital e de circulação intermunicipal necessária para o sucesso da Copa.
Segundo Sardemberg os americanos são uns "pobres coitados" e nós é que somos os ricos. Para mim, somos Metidos a Ricos.
Nota: Foto obtida no Google Imagens

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Você acha isso certo?

Até eu mesmo, caindo na “cultura do conformismo geral” disse a um amigo pelo telefone “é assim mesmo...” referindo-me à estressante situação do assalto do qual fui vitimado, semana passada.
Pensando bem, “é assim mesmo” coisa nenhuma. Não podemos nos conformar com um estado de insegurança tão gritante e desesperador (desesperador, quer dizer, sem esperar, sem esperança).
O brasileiro de hoje, acha “normal” uma pessoa ser assaltada e ter todos seus pertences levados por um marginal ou um bando desses. O que é isso minha gente?
Eu ando chocado com as reações das pessoas que me atendem na policia, no banco, nas operadoras de cartões de credito. É incrível, como a coisa virou uma rotina na vida brasileira.
No banco a gerente de relacionamento, me disse: “ah! O senhor também foi sorteado!” Veja bem meu caro leitor, que a palavra sorteado vem de SORTE. Desde quando ser assaltado significa ter sorte? Vôte, esse tipo de sorte eu não desejo a ninguém.
Nas administradoras dos cartões de crédito, já existe um número especifico para atender os clientes assaltados. Meu Deus, que miséria! E o pior é que se percebe que as pessoas que atendem já estão tão habituadas a essa rotina, que choca. Curioso, perguntei quantas pessoas eram atendidas nesse tipo de situação, por dia. A mocinha, no outro lado da linha, me assegurou que era uma após outra. Fiquei horrorizado com a reposta, enquanto ela engatou uma perguntinha prosaica: “Mas, o senhor está bonzinho?” No ato, respondi: “O que você acha minha filha?” É danado, o cara sai de um assalto, se tremendo, pressão arterial lá em cima, preocupado em bloquear os cartões de crédito da vida e ouve uma pergunta dessas... Depois fiquei pensando mais ponderadamente que ela podia querer ser gentil e, quem sabe estava “festejando” um cliente que saiu vivo da aventura e que vai continuar consumindo. Mas, até chegar a esta conclusão tive que amargar maus momentos.
Uma amiguinha do meu filho encontrou-me, dia seguinte ao episódio e, a me ver, foi perguntando: “Tudo bem Tio?” Acho que com uma cara de espanto respondi: “Bem mesmo, não. Meu filho não lhe contou o que sofri, ontem?” A resposta foi: “Ah! Contou... mas, tá tudo bem, fora isso?”. Atente, caro leitor ou leitora, para o “fora isso”. Acho que é tão banal ser assaltado que as pessoas não ligam mais para o fato.
Sinceramente, estou desolado com tudo que rodeia essa coisa. É ou não é desesperador? Para mim, é!
Não acho certa essa pusilanimidade coletiva, nacional. Algo tem de ser feito. Embora que eu não saiba por onde começar. É problema para o Governo. Governo...ah! meu Deus!
Cada um que sai de casa, esposa, filha, filho, nora, genro, é quase um pânico. No meu caso, nem é bom falar. Ando espiando para cada lado. Comprar pão gostoso já não é mais prioridade. Ir ao Banco é outra preocupação. Entrar no supermercado mais uma agonia. Um motoqueiro usando capacete ao meu lado, no transito, é estresse extremo.
O assalto virou rotina. Alguém me disse que é "modalidade esportiva" para alguns indivíduos. Um amigo acha que, como brasileiro é festeiro, logo mais vai se adotar o hábito de dar uma festa quando se sair ileso de um desses “eventos”. Cada amigo leva uma bebida ou um prato, já que o festejado está liso, leso e louco. Liso de grana, leso devido ao choque e louco de raiva. Serve para relaxar o amigo assaltado. O idealizador, contudo, lembrou que o pior é que, como é rotina, pode acontecer comemoração todo dia. Humor negro!
Mas, voltando ao “algo tem de ser feito”, temos que assumir uma postura de cobrança e rigor, com nossos governantes. A segurança é uma coisa garantida pela Constituição. Temos uma oportunidade de viabilizar uma melhoria na nossa qualidade de vida. Uma política social de vergonha tem que nascer neste país. Mudemos nossos administradores, em Outubro próximo. Esta bandalheira não pode continuar.
Você acha certo confirmar esses administradores de hoje, que declaradamente legislam em favor dos bandidos? Pelo amor de Deus, me diga se você acha isso certo? Acorda Brasil!
NOTA: Sem ilustrações em sinal de protesto.

PARA ESQUENTAR O DEBATE, RESPONDA A ENQUETE DO BLOG, ACIMA A DIREITA.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma pedra no meio do caminho

... aí, embora muito cansado pelo intenso dia de trabalho, pedi ao meu filho para dar uma paradinha na padaria, onde compraria alguns itens para o jantar, em seguida.
Apressado, desci do carro e adentrei na delicatessen favorita, na Avenida Rosa e Silva, zona nobre do Recife. Empurrei a porta de vidro e dei de cara com dois senhores deitados rostos colodos ao chão. “Ôxente! Quequi vocês estão fazendo aí, deitados na passagem?” perguntei intrigado. A resposta foi cruel, veio pelas costas na forma de um revólver e gritos ameaçadores do tipo: “É um assalto, passa a carteira e o celular!!!! Vai seu p....!!!!!” Incrédulo, com a “ficha enganchada, sem cair de imediato”, fui acuado e começando a enxergar, devido aos berros do primeiro ladrão, secundado por outro mais agitado, ainda. Graças a Deus entendi que estava inserido em mais uma cena do banal quotidiano brasileiro. Diante de tudo, não tendo o que fazer e "morrendo" de medo de tomar um tiro na testa, entreguei meu iPhone 3G, da Apple contendo preciosos arquivos e a minha carteira recheada de identificações, cartões de crédito, fotos dos meus amados familiares e, aproximadamente, duzentas pilas em espécie.
Os assaltantes saíram correndo. Aliás, sumiram no meio do mundo deixando uma multidão congelada – era hora do rush, todo mundo voltando para casa e o engarrafamento de sempre – a ver tudo na maior passividade. Incrível! Embora ordenado a deitar no chão do estabelecimento comercial, não cheguei a fazê-lo, porque os meliantes se escafederam açodadamente, deixando as vítimas em estado de choque a se erguer lentamente. Olhei prumladoepruoutro, marquei retirada, entrei esbaforido no meu carro, ordenando partida ao filho no volante. “Que foi que houve? Tá todo mundo saindo adoidado, daí de dentro...” referindo-se à retirada dos ladrões. Expliquei o ocorrido e meu ingênuo herdeiro deu partida em velocidade, ameaçando perseguir os larápios. “Qual nada rapaz, larga de valentia... baixa essa bola” argumentei estressado, claro, mas buscando controlar a situação. Puro arroubo da juventude! "Tudo que eu entreguei já era... o importante é que estou vivo!" esbravejei. E de quebra perguntei: “Qual foi o melhor: sair daqui inteiro ao seu lado ou você ter que me enterrar amanhã, com uma bala na testa?”
Na noite passada, lembrei-me de Drumond porque tropecei numa pedra no meio do caminho. Uma “pedra” em forma de indesejado assalto. Só lembrando: “No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho/tinha uma pedra no meio do caminho/tinha uma pedra” .
O danado é que a gente ouve falar que é comum, que todo mundo já foi assaltado e que não devemos nos surpreender caso sejamos apanhados. Mas, é duro viver a situação. Por que eu? Trabalho, contribuo para o desenvolvimento do país, pago meus impostos em dia, tenho uma vida regrada e solidária com a Pátria e com os compatriotas, sigo na risca os ditames da Constituição, faço caridades, amo ao próximo como a mim mesmo e, ainda assim, tenho que me sujeitar a coisas dessa natureza. Natureza perversa, meu Deus! Tudo por lamentável falha da gestão social da Nação: falta de educação, de saúde coletiva, inclusive mental, de formação profissional, de meios de vida dignos, de investimentos produtivos e geração de empregos. Temos uma terra rica, cheia de potencialidades e mal aproveitadas.
Outro dia, a proposito da insegurança reinante, cheguei a dizer que havia perdido a esperança e fui criticado. Mas, como alimentar esperança, sendo covardemente atingido no que mais sagrado existe que é a privacidade, o direito à propriedade, o de ir e vir e, até, de viver?
Outubro vem por aí e, novamente, a sociedade vai cobrar providencias aos postulantes a cargos eletivos. Vai ouvir promessas entusiasmantes e, depois, quando novembro chegar, vai reiniciar outro longo período, de quatro anos de espera, para se encher de novas promessas... inúteis.
Resta apenas pedir proteção aos santos e arcanjos. A Deus por fim, para que Ele vá retirando as pedras do caminho. No meio do caminho você sempre pode encontrar uma pedra. No meio do caminho...ontem, eu tive uma pedreira.
NOTA: Foto colhida no Google Imagens