sábado, 28 de dezembro de 2013

Espelho Retrovisor

O ano acabou. Não sei se você, caro leitor ou leitora, teve a mesma sensação que eu tive, de que passou muito rápido. Quando menos se esperou, terminou. O pior é que todos acham que 2014 será mais rápido ainda. O carnaval vai ser em Março, depois vem a Copa do Mundo e em seguida o país só vai pensar nas eleições. Fora Páscoa, Festejos Juninos e outros eventos menores. Dois meses de folia, um de futebol e mais outro, pelo menos, de disputa eleitoral. Ou seja, a rigor, vamos ter um ano de oito meses. Paciência.
Mas, neste apagar de luzes de 2013, resolvi olhar um pouco pelo meu espelho retrovisor e enxergo algumas coisas que marcaram nossas vidas e o mundo: logo no inicio tivemos a tragédia de Santa Maria (RS), na qual mais de duzentos jovens perderam a vida no incêndio da boate Kiss. Até hoje o Brasil chora essas perdas. Aquilo foi desolador. Imagino o sofrimento dessas famílias.
Um segundo fato que chamou a atenção do mundo inteiro foi a renúncia de Bento 16 ao Pontificado de pouco menos de oito anos. Eu estava em Nova York, naquela ocasião, e pude avaliar a imensa repercussão no mundo inteiro. Quem já viu um Papa renunciar? Ato contínuo, a ascensão do substituto, o carismático Papa Francisco. Se a retirada de Bento foi surpreendente a chegada de Francisco resultou noutra imensa surpresa por se tratar, inclusive, de um latino-americano.  Desde o primeiro momento o novo Papa se revelou como uma grande novidade em se tratando do que se chama, corriqueiramente, de Santo Padre. Simples em atitudes, chegado ao povo e, sobretudo, muito humano. No mês de julho, quando veio ao Brasil, para o Encontro Mundial da Juventude, ele se espalhou e mostrou o lado humano da figura de Pontífice – coisa nunca vista – e uma Igreja Católica renovada e politicamente bem direcionada. Acho que muitas outras surpresas estão por vir, desse fantástico Francisco.
Quando junho chegou ocorreu, certamente, o fato político mais importante do ano, no Brasil: o povo, sem qualquer vinculação político-partidária, foi às ruas para protestar e reivindicar melhorias na qualidade de vida, na economia e na vida política nacional. Foi a Nação que se levantou, mostrou a cara e abalou Brasília. A ordem social esteve por vezes ameaçada, sobretudo quando vândalos se infiltraram e desvirtuaram as manifestações. O mais importante é que o recado foi dado e burro será o político (são muitos, aliás) que esquecer os episódios de junho e julho passados. Tudo isso simultâneo à realização da Copa das Confederações, o que causou maior rebuliço. Estão prometendo mais para a época da Copa Mundial. É ruim? Vamos ver no que dá.
Mas, ruim mesmo é constatar que 2013 não foi um ano bom para a Economia Brasileira. As coisas não andaram bem. O país encalhou e não reage aos “estímulos” que o Governo Federal diz haver dado e considerados errados na maioria dos analistas especializados. O crescimento pífio de 2012, vai se repetir neste ano que termina e o país segura a lanterna na lista dos avaliados. Os índices econômicos parecem querer ser compatíveis com os sociais, que não conseguem nunca melhorar. Aquela imagem que a respeitada revista econômica britânica The Economist desenhou numa das suas capas, em 2009, com um simbólico Cristo Redentor decolando, foi repetida em 2013 com um Cristo numa patética pirueta sem destino rumo ao fundo da Baia da Guanabara. É dose... O Real se desvaloriza a taxas preocupantes e a inflação se mostra disposta a recrudescer. Resultado mis prático a exemplificar é lembrar que o cupom fiscal, que a dona de casa leva do supermercado, após comprar cada feira semanal, está cada vez maior. É aí onde a dor dói mais. No bolso. Acho que este tema será o principal mote da campanha eleitoral do ano entrante, seja oposição ou situação. Esta ultima tentando “tapar o sol com uma peneira”.
Agora, se tem um fato que brilha intensamente no meu espelho retrovisor, este é o das prisões dos corruptos mensaleiros. Os brasileiros acompanharam e ainda acompanham  atentamente o processo que sucedeu à decisão do Supremo Tribunal Federal – STF e aplaudiu sem cessar as prisões que foram ou vem sendo executadas.  Estava em tempo de acontecer algo deste gênero neste país tão espoliado cinicamente por políticos e mandatários irresponsáveis. O povo brasileiro precisa disso para reacender as esperanças de viver num país sério.
E Mandela se foi para seu repouso eterno, neste Dezembro de 2013. Bravo herói sul-africano e mestre da conciliação e da democracia moderna. Descansa em paz Madiba.
Do meu posto de observador vejo ainda uma infinidade de outros fatos que chamam a atenção, mas, já não comportam no exíguo espaço do Blog.
Feliz 2014!

 
 
NOTA: O Blogueiro vai entrar de férias e retorna somente em meados de Janeiro

sábado, 21 de dezembro de 2013

Votos de Boas Festas


Amigas e Amigos,

Eis que chegou, outra vez, o Natal. Sinto especial prazer em dizer “outra vez” porque é assim que celebro o fato de viver, de tê-los no meu circulo de amizades e leitores do Blog. Juntos festejemos, pois, a vida neste momento especial. A presença de Cristo Menino nos inspira e nos desperta com mensagens de Amor e Fraternidade, tão necessárias para os homens e mulheres destes tempos.
Por feliz coincidência é, também, fim de ano, momento que sempre sugere uma parada estratégica no corre-corre de cada dia e que nos induz a reflexões e balanço dos feitos e desfeitos que cometemos no ano que se vai.
Por tudo isto me apresso para desejar que as luzes do Natal estejam sempre presente no ano que chega e as esperanças que alimentamos e os projetos que desenhamos se transformem em felizes realidades. Por essa via festejaremos a vida e a enxergaremos como um presente de Deus.     
Como blogueiro, além de festejar a vida, a família, os amigos e meus leitores, tenho também a comemorar os seis anos do Blog do GB. Foi no ambiente natalino de 2007 que decidi criar este espaço de comunicação semanal. Comecei praticamente como uma diversão a mais e dirigido para um grupo bem restrito de amigos e amigas mais intimas. Para minha surpresa, contudo, aquilo que era simples diversão cresceu e se desenvolveu, atravessou fronteiras e se espalhou pelo mundo, sendo hoje seguido por centenas de pessoas que nem posso imaginar quem seja e por onde vive. Ainda me surpreendo muito, examinando as estatísticas que recebo, revelando que o Blog é lido diariamente por russos, chineses e norte-americanos. É bem lido, ainda, na Malásia (21 pessoas esta semana), Lituânia (39 este mês), Vietnã (12 este mês) e Ucrânia (20 este mês). Graças, é bom frisar, ao Tradutor do Google, incorporado ao Blog (Vide Coluna a direita). Tornou-se, portanto, uma coisa mais séria do que o projetado e, além de exigir maior responsabilidade, vem provando que a moderna ferramenta da comunicação cibernética veio para ficar e revolucionar o mundo. Lembro-me, nesta hora, da tese da Aldeia Global do filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan ¹ (Clique sobre o nome em azul e conheça mais)
Em clima de tantas comemorações desejo a todos que me acompanharam no ano que termina – particularmente aqueles que interagiram com comentários sobre as matérias publicadas – um Feliz Natal e que 2014 venha cheio de luzes e de grandes feitos. Prometo continuar com esta convivência semanal abordando os temas dos mais diversos e pensando naqueles que me dão o prazer de acompanhar cada postagem.

Gratíssimo pelo que me proporcionaram em 2013

Girley Brazileiro

¹ Aldeia Global é um termo criado por Herbert Marshall McLuhan, com o intuito de indicar que as novas tecnologias eletrônicas tendem a encurtar distâncias e o progresso tecnológico tende a reduzir todo o planeta à mesma situação que ocorre em uma aldeia: um mundo em que todos estariam, de certa forma, interligados.

 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Madiba

A semana que termina foi marcada pelas homenagens e cerimônias fúnebres de Nelson Mandela. O mundo inteiro postou-se diante da TV para acompanhar os acontecimentos na África do Sul. Além da noticia em si e das imagens geradas desde Johanesburgo, não há dúvidas de que os sul-africanos transformaram a morte do líder negro num espetáculo midiático sem precedentes. O funeral de João Paulo II foi grandioso é verdade, mas, o que vimos em Soweto foi algo diferente e num estilo inusitado. Aquele povo dançando e cantando nas ruas e no estádio Soccer City surpreendeu a muitos nos quatro cantos da Terra. Na prática, o que se viu foi um grande festejo. Foi assim que interpretei. Eles não festejavam a morte do herói contra o apartheid, mas sim, a vida que ele teve e dedicou ao seu povo. Tenho para mim que só sendo africano para proceder e entender desse modo.
Conheço a África do Sul. Estive lá por duas vezes. Na primeira o Mandela era Presidente e o avistei, a distancia, numa manhã de sábado quando circulando na Cidade do Cabo. Isto foi na segunda metade da década de noventa. Há dois anos estive outra vez por lá e Madiba – como era chamado pelo seu povo – estava seriamente enfermo e pairava no ar certa expectativa de óbito. Conversei com um motorista, guia de turismo local, que não escondeu sua admiração pelo herói moribundo. Era um cidadão negro, claro. Havia na sua voz um quê de emoção quando me deu uma ideia de como seriam as exéquias daquele homem que definhava e se despedia do mundo. Isso só veio ocorrer agora. Com mais de noventa anos, vividos na grande parte em momentos de agruras, Mandela desenhou uma imagem de homem diferenciado que o projetou no mundo inteiro como um batalhador e combatente de um regime perverso e desumano que aniquilava uma nação inteira. 80% dos sul-africanos são pessoas da raça negra. No topo da pirâmide social dos tempos de repressão, os brancos eram, então, minoria absoluta. Adotando a força militar e dominando a economia do país os africâneres – gente ali nascida, filhos de colonizadores europeus e pele branca – impuseram, desde cedo, um regime esmagador contra as etnias pré-existentes, entre as quais os Khoisan, Xhosa e Zulu.
O país foi descoberto por Bartolomeu Dias, navegador português, que em 1488 teve sua missão, à Índia, abortada quando esbarrou na Ilha de Robben, situada defronte da Cidade do Cabo. Foi nessa Ilha que Mandela viveu como prisioneiro durante longos anos. A Ilha se tornou ponto de apoio para abastecimento dos exploradores portugueses, ingleses, e holandeses. Os dois últimos, apesar de muitas disputas, falo de guerras, não arredaram os pés de lá nunca mais. Estão até hoje e mandam nos destinos econômicos do país, posando de “donos da bola”. Por trás de tudo, é obvio, o interesse pela exploração econômica como ponto de abastecimento, inicialmente, seguido de exploração agrícola-mercantil e, a partir da segunda metade do século 19, das riquezas minerais descobertas no subsolo do país. A abundância de ouro e diamantes encontrados atiçou de vez a ganância dos europeus.
Havia, na prática, uma estratégia bem montada para afastar os nativos das atividades, sendo mobilizados, apenas, como escravos. O regime segregador foi aprofundado no final da primeira metade do século passado, quando, em 1948, o regime do apartheid foi oficialmente instituído. Foi nesse cenário que surgiu a figura do herói Mandela. Já formado em Direito e à frente do primeiro escritório de advogado negro do país, logo cedo descobriu que a justiça era sistematicamente favorável aos brancos. Entrou na política se inscrevendo na ala jovem do partido do Congresso Nacional Africano – CNA. Nele se projetou e liderou campanhas e movimentos contra o regime. Considerado terrorista, foi julgado de forma espúria e levado para prisão perpétua, naquela ilha Robben, onde Bartolomeu Dias aportou. Sua condição como prisioneiro foi das mais cruéis a ponto de ser proibido de assistir o funeral de um filho morto em acidente de carro e o da sua própria mãe. As insustentáveis pressões domésticas e internacionais, entretanto, levaram a que o Governo decidisse libertar Mandela em 1992, depois de 27 anos de cativeiro. Em liberdade, voltou à vida publica e se elegeu como primeiro presidente negro do país em 1994. Sua ambição, contudo, não era ser mandatário político, mas sim, um pacificador. Assim atuou estabelecendo a paz entre brancos e negros e instalando um regime democrático no seu país. Foi, com muita justiça, Premio Nobel da Paz em 1993. Muito antes de morrer já tinha uma praça com seu nome e uma estátua gigante. (vide foto abaixo do blogueiro diante da estátua)
A África do Sul atual é um país em desenvolvimento social e econômico. Impressiona qualquer  visitante. Notei diferenças significativas entre o que vi nas duas visitas que fiz. Mandela partiu para eternidade, mas, sua imagem e sua obra entraram para a história universal, como pai da Moderna Nação Sul-Africana.
Nos últimos dias, tenho lembrado muito do meu guia/motorista na última visita a Joanesburgo e da parada que fizemos diante da casa do líder. (Vide foto a seguir dele com minha esposa e meu filho)
 

sábado, 30 de novembro de 2013

Breque Fradei

“Rapaz, o que foi que aconteceu aí dentro?” perguntei assustado ao vigilante na entrada do estacionamento de um Supermercado, aqui no Recife. A resposta:“E num é o breque fradei, Dotô. Tá todo mundo correno para comprar. Eu sube que tá tudo pela metade dos preço.” Fiquei pasmo diante do quadro. Essa loja é grande, do tipo hipercenter. O movimento era impressionante. Diferente de qualquer outra ocasião. Costumo ir a uma agencia bancária dentro da área desse supermercado, mas, nunca havia visto aquela invasão de clientes. A princípio, pensei que houvera um assalto ou qualquer outro tipo de movimento que não o normal de uma loja daquelas.  
Fui ao Banco, depois de sofrer para encontrar um estacionamento para meu carro. Dentro e fora do Banco não me saiu da cabeça a tal expressão do “breque fradei” daquele vigilante da entrada. Vigilante nordestino, homem comum, que mal sabe se expressar em seu idioma nativo, tendo que explicar um acontecimento, em inglês! Como diz a canção popular “o que dá prá rir, dá prá chorar”, pensei com meus botões. Lá dentro um povo ensandecido a pegar e largar mercadorias, procurando entrar numa das imensas filas dos caixas, meninos chorando, idosos procurando seus direitos e no cenário geral milhares de balões de ar, caindo do teto, na cor preta! Parecia uma cena de filme que retrata um fim de mundo. Sai de mansinho, com pena dos penitentes clientes.
Vejam vocês... os americanos inventam de tudo para atrair o  consumidor. Criaram esse expediente do Black Friday, acho eu, para limpar as prateleiras de seus estabelecimentos comerciais e reabastecê-los para as vendas do Natal. Conversando com um conhecido meu, norte-americano, a respeito disso perguntei:“Prá que isso, Cara?” Para instigar, fiz ver que nos Estados Unidos essa estratégia poderia ser perfeitamente dispensada já que num “Império do Consumo” – como costumo classificar aquele de lá – geralmente não sobra nada, em qualquer época do ano. Ele me respondeu com uma longa teoria de marketing, garantindo no final que o lema é: quanto mais se vender, melhor. Ele acredita, veja só, que se houvesse uma Black Friday a cada mês, a loucura das vendas se repetiria igualmente a que ocorre de ano em ano.  Acrescentou sua explicação me dizendo que o esquema dessa sexta-feira anual atrai, além dos nativos, compradores de vários lugares do mundo, inclusive e principalmente os latino-americanos que vivem próximo e facilmente se deslocam para cidades como Nova York ou Miami, onde gastam suas economias. Esperam o ano inteiro por essa oportunidade.
O que mais me impressiona, contudo, é o fato de que no Brasil se imite os Estados Unidos de forma ridícula, inclusive, ao adotar o termo em inglês. Francamente... Entendo que num mundo globalizado possa naturalmente ocorrer a prevalência de um determinado idioma para que as comunicações e negócios se processem a contento. Mas, como se explicar uma denominação em inglês para uma campanha para incrementar vendas dentro do mercado nacional? A mesma coisa se pergunta para esses programas de TV, importados é verdade, como Voici Brazil e Big Brother Brazil, entre outros. Tenha dó.
Tem um detalhe pior, a registrar: a farta propaganda de vendas abaixo do preço e descontos arrebatadores, no caso brasileiro, não têm passado de propagandas enganosas, tanto nas lojas físicas, quanto nas virtuais. O que mais ocorreu no dia de ontem foi que o Black Friday, no Brasil, virou uma tremenda fraude. Maquiaram os preços de maneira acintosa. Brasileiro é fogo... Não entendi aquele alvoroço no Supermercado. Será que aquela gente não percebeu o embuste? Ou foi um impulso do consumo coletivo, turbinado pelo pagamento do 13º? Ao verificarem as fraudes, internautas criaram, de logo, uma expressão que “bombou” nas redes sociais: “Tudo pela metade do dobro”. Nem precisa explicar. Vide Charge acima.
No fim do dia os lojistas declararam que o movimento foi abaixo das expectativas e que carrinhos carregados foram abandonados. A operação foi tão decepcionante que muitos lojistas prolongaram suas campanhas pelo sábado e o domingo. Ou seja, um Black Weekend. Jeitinho brasileiro acionado.

NOTA: Charge encontrada no Google Imagens

sábado, 23 de novembro de 2013

Justiça sendo Feita

Finalmente a justiça começa a ser feita. Os mensaleiros estão indo para o xilindró. E é xilindró de verdade. Desconforto, água fria, banheiro coletivo e outras cositas mais. Já era tempo! O STF tinha que ser respeitado. Lembro-me do dia em que eles “livraram as caras”, com o episódio dos embargos infringentes. Coisa mais esdrúxula! Naquele dia, quase desisti de acreditar na Justiça brasileira. Aliás, foi preciso conversar muito, com quem entende do assunto, para engolir aquilo. Para mim não passou de uma grande enrolada. 
O que importa agora é que, afinal, começam a ser presos! Salve Joaquim Barbosa! Com todo respeito, isso é que é um Bicho bom! Regime aberto, semiaberto, fechado ou trancafiado, não importa. O que vale mesmo é saber que estão sendo punidos.  Não adiantou choro, lágrimas, ranger de dentes, militância organizada em torcida, nem velas pros santos. Cadeia e priu.
Nesse cenário, não tem coisa mais indecente do que ver esses condenados posando de vitima e se fazendo de desvalido. Pior, ainda, é se considerar preso político. Faz-me rir. Quisera saber a opinião de D. Dilma sobre isto. Ela que tem experiência disso.
Agora, boa mesmo foi a denúncia do jornalista Cláudio Humberto, na 5ª. Feira passada (Vide Jornal do Comércio): cascavilhando (*) os Estatutos do PT, encontrou que no Artigo 231 é prevista a expulsão das fileiras partidárias todo membro que venha a ser condenado “por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado” (Parágrafo XII). Ora, ora, isto cai como uma luva nos membros que estão condenados e cumprindo penas. Dirceu e Genuíno preenchem essas “qualidades”. Não é fato?
Saiba, porém, que a executiva do partido não cumpre o que é previsto por não concordar com a Decisão do Supremo. Aí, eu pergunto: e é assim? Desde quando uma decisão – transitada em julgado – de um Tribunal Superior - como é no caso - pode não ser reconhecida? Em que país esses petistas vivem?
Cheio de curiosidade, apressei-me e fui atrás do tal Estatuto e eis que encontrei , no mesmo Artigo 231, duas outras pérolas: Dar-se-á a expulsão do Partido quando constatado: “Parágrafo VI – improbidade no exercício de mandato parlamentar ou executivo, bem como no de órgão partidário ou função administrativa” e “Parágrafo VII – incidência reiterada de conduta pessoal indecorosa”.  Será que vão saber usar essas pérolas? Falando francamente, acho que eles foram até inteligentes e corretos na formulação dos Estatutos. Mas, na aplicação, “pisam na bola”. Engraçado é que, imagino eu, Dirceu e Genoíno foram importantes redatores desse estatuto, desde que são ex-presidentes do partido.  Taí  um típico caso do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Enquanto isto, a mídia nacional não para de falar nas roubalheiras que ocorreram na Prefeitura de São Paulo durante governos do PSDB ... Será que esse povo não aprende a lidar com o dinheiro publico?  Êita, Brasil velho... reino de corrupção. Até quando?
NOTA: Nada de fotos ilustrativas, hoje. Não valeria à pena. Só se fosse uma de Joaquim Barbosa. Mas, ele aparece a toda hora, nos veículos de circulação nacionais e internacionais.

(*) Cascavilhando significa:  investigando, pesquisando,  catando, procurando ... Isto em bom pernambucanês.

  

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Desordem no Vale do São Francisco

Que a atividade econômica do Vale do São Francisco, baseada na fruticultura irrigada, é um dos negócios mais bem sucedido do Brasil moderno, todo mundo já sabe. Este tema, que já foi assunto deste Blog noutras ocasiões, testemunha meu entusiasmo por tudo que acontece naquela região cortada pelo velho Chico, no trecho de fronteira entre os estados de Pernambuco e da Bahia,  tendo os municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) formando o maior aglomerado urbano. Como não admirar o progresso e o aproveitamento agrícola de uma área fincada no meio do inóspito semiárido nordestino? Como não encher os olhos de alegria ao divisar a verdura dos perímetros irrigados gerando riqueza e sustento para uma população que antes só experimentava agruras e miséria, geradas pelo sol causticante e abrasador? Como não se deliciar com a doçura e a qualidade superior das frutas cultivadas naquela região? São perguntas, entre muitas outras, que recebem sempre respostas positivas.
Posso me considerar um razoável conhecedor da região, tanto pelo interesse pessoal, como em decorrência das minhas atividades profissionais. Perdi a conta das vezes que adentrei naqueles campos de cultivo e em que, particularmente, visitei as adegas produtoras de vinhos tirados das uvas do vale. Ou seja, acompanhei de perto a construção de uma atividade econômica que levou os nomes de Pernambuco e da Bahia, Nordeste enfim, aos quatro cantos do mundo.
Ultimamente, porém, um movimento pouco animador vem despertando a preocupação de todos que conhecem , admiram e defendem aquela região: fazendas produtoras de frutas tropicais e vinhos de qualidade superior estão sendo invadidas pelos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sob duvidosas alegações – dizem que as terras são improdutivas! – e pondo em risco uma economia indiscutivelmente bem sucedida. Primeiro foi a Fazenda Milano que, além de frutas tropicais, produz vinhos finos, com a consagrada marca Botticelli, invadida em 12 de outubro passado. Depois, na semana que passou, foi a vez da vinícola Bianchetti, que existe de 1998. Observadores locais garantem que nenhuma das terras invadidas é improdutiva, dado que se acham a pleno funcionamento, plantando, colhendo, exportando e produzindo vinhos. A briga rola na justiça e autoridades já foram chamadas para atestar a verdade. Processo para reintegração de posse, aliás, já foi emitido a favor da Milano, que aguarda execução sob o lento e magnânimo compasso do comando da policia local.
A Milano, meus amigos e amigas, tem uma invejável trajetória de 43 anos, produzindo em cerca de 300 hectares frutas e uvas para exportação, além de vinhos. É uma empresa pioneira e serve de modelo para essas atividades no Vale. De lá saem regularmente uvas, mangas, goiaba, maracujá, feijão, milho, leite e queijos em escala comercial. Falo de uma empresa cidadã, com mais de trezentas famílias vivendo com qualidade de vida e que, neste momento, estão impedidas de produzir, devido a desordem instalada pelos invasores. Além de invadir quebraram tudo, provocando um imenso prejuízo econômico, afora outro, de natureza emocional, segundo o Administrador da Fazenda, José Gualberto de Almeida, à medida que sequer pode sair de casa, na sede da Fazenda.
No caso da Bianchetti, são 100 invasores que chegaram em carros, vans, motos e, vejam só, protegidos pela policia. Garantem que vão ficar por lá e se preparam para plantar e sobreviver.
Quem conhece aquilo lá, sabe que o governo promoveu assentamentos para famílias de baixa renda da região no entorno desses grandes empreendimentos invadidos, e que por falta de assistência técnica e social essa gente vem abandonando as terras recebidas legalmente, indo atrás daquelas já bem estruturadas e com produtividades garantidas. Francamente! Que país é este? Onde estão nossos governantes?
Contudo, lamentando o que vem sendo registrado e por dever tento um olhar neutro, digo, na ótica dos invasores e imagino que algumas empresas podem, mesmo, estar atravessando dificuldades num ou noutro aspecto legal, coisa mais do que comum, neste Brasil! As invadidas podem ser exemplos. Mas, e daí? Será que isso é motivo para que sejam invadidas? Tudo leva a crer que vem ocorrendo puro oportunismo desse MST.
Infelizmente ser empresário no Brasil vem se transformando num ato de bravura. As dificuldades são imensas. Problemas com impostos escorchantes, custo da mão de obra, luz, água e telecomunicações, logística precária, baixas produtividades, concorrência estrangeira, etc, etc. E bote etc. nisso!
Para as empresas do Vale do São Francisco acredito que a situação é ainda mais séria porque vivem das exportações, atualmente abaladas pela apreciação do Real, combinada com a retração do consumo num mercado mundial em crise.
Precisamos salvar a economia do Vale do São Francisco! Fim urgente à desordem que ali se instalou!

NOTA: As fotos que ilustram o post foram colhidas no Google Imagens 
      


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Nem tudo são flores

Quando chega esta época do ano, aqui no Recife, os ipês da Avenida Agamenon Magalhães, se assanham e presenteiam o recifense com suas florações coloridas – amarelas, rosadas e lilases – anunciando que é primavera, mesmo com o intenso calor tropical local. A cidade fica mais bonita e festeja. Ganhando os interiores do estado, a cena se repete, seja nos vestígios de Mata Atlântica ou nas manchas úmidas dos Agrestes e Sertões. Nas terras dos meus antanhos, por exemplo, o cenário é semelhante e os ipês festejam do mesmo modo a estação. Lá, aliás, ganham outra denominação: Craibeira e têm direito a poemas e canções. Parece que estou vendo meu tio Luis Mendonça, nos idos da minha infância, dando uma de galã/cantor entoando “Craibeira, flor amarela/Quando te vejo/Me lembrou dela...” Admire as fotos a seguir.

Nesse misto de ar primaveril e reminiscências, ao volante do meu carro na Agamenon, ligo o radio e escuto abismado um polêmico debate sobre a situação de miséria dos garotos que mergulham no Canal do Arruda, zona quase central da cidade, para catar lixos e ganhar o pão.  Tudo por conta de uma espantosa foto, publicada na primeira página de um jornal local, de grande circulação, onde aparece um garoto catando latas vazias para vender no peso, atolado até o pescoço na podridão do canal. Sem dúvida, um escândalo. Triste sina desses garotos (Vide fotos a seguir). Impactado, pensei nesse outro lado da cidade, com triste paisagem. Recife, lugar onde “nem tudo são flores!”  Pasmo com o noticiário, imagino que o que se denomina de primavera deve ser uma coisa abstrata ou algo que esses garotos nunca ouviram falar. Dá uma tristeza...

Pelo debate radiofônico fiquei sabendo que a dita foto correu o mundo. A foto publicada foi a de cima. Da Europa ao Oriente. Da Austrália ao Canadá. Daqui para muito longe, a imagem gerou um escândalo. Uma amiga na Itália, assustada com a repercussão negativa da foto, apressou-se em sugerir o tema como pauta do Blog. Muitas vezes evito essas coisas, no Blog, porque expõem e depõem ainda mais o País da Copa e, sobretudo, o Recife. Mas, diante da repercussão... Imaginem que até na Tailândia a foto chamou a atenção. Sem comentários.
Perguntas que não calam: onde estão nossas autoridades que não tiram essas crianças das ruas? Onde está essa Prefeitura que prometeu tanto e ainda não conseguiu limpar nossos canais, herança indecente da PTralea? Onde estão essas mães que recebem o Bolsa Família e não leva seus filhos para a escola? Tem escola, segundo dizem, que atesta falsa frequência... Taí o resultado: catar lixo no canal podre, para sobreviver. Segundo minha secretária doméstica, que mora na mesma região do Arruda, jogam até cadáveres nesses canais. Quanta indignidade com o cidadão! Este assunto martelou-me a cabeça o resto do dia.
Dia seguinte, reuni-me com um amigo para tratar de negócios e ele me trás outro fato negativo. Decepcionado, me confessa que nunca mais volta ao Parque Dona Lindu (bairro de Boa Viagem-Recife), muito menos para assistir a alguma apresentação cultural. Motivo: o local está tomado por praticantes de skate e vendedores ambulantes oferecendo churrasquinhos, queijo assado e outros itens populares. A recente apresentação da Orquestrada Sinfônica Brasileira (patrocinada por importante empresa construtora) foi em meio a uma bagunça – no dizer do meu amigo – devido aos praticantes do skate, em evoluções tipo zig-zag , pondo em risco e tirando a atenção dos espectadores. Para completar, o ar empestado de fumaças e aromas dos assados que, seguramente, incensaram maestro e instrumentistas da Orquestra. Vejam  vocês, que coisa desagradável! Um espetáculo, como aquele, merecia melhor atenção das autoridades municipais. Se houve, ninguém sabe, ninguém viu.
Não foi a primeira vez que ouvi criticas àquela praça. Os praticantes de skate têm seu espaço próprio, mas, insistem em usar a área total. Os churrasqueiros merecem um lugar ao sol, é verdade. Mas, precisam ter ordem.  Também, falta naquele local mais gramado e mais árvores. Aquela parte pavimentada (diante do palco aberto), por exemplo, é grande demais e estimula ao uso como pista de skate e ciclovia. (Vide foto a seguir). Como nosso povo não tem noções de ordem e respeito ao próximo, dá nisso.
Diante de fatos como esses,  insisto: como faz falta uma real decisão política para dar um choque de Educação e Cidadania neste Brasil! Lástima que ainda exista governos que nem se tocam.  É duro viver num ambiente onde nem tudo são flores. Assim mesmo, salve a primavera recifense!

NOTA: Fotos do Blogueiro (caso dos Ipês) e no Google Imagens.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Estação Ponte d´UChoa

Vejam que história interessante: em 1865 foi instalada no Recife a Empresa de Trilhos Aros Urbanos, proporcionando à cidade um moderno sistema de transporte urbano com bondes. Os chamados de maxobambas, naquela época. Esta denominação foi derivado do inglês, machine pump. Era um veículo de transporte de passageiros constituído de uma pequena locomotiva, cuja cabine não tinha coberta e puxava dois ou três vagões. Podia ter dois andares. (Vide foto a seguir).

Foi uma novidade enorme e se constituiu no primeiro sistema de transporte sobre trilhos nas cidades brasileiras, entre as quais o Recife. Várias estações foram construídas, em pontos estratégicos da cidade, conforme naturalmente a atender as necessidades da população. Uma deles foi a de Ponte d´Uchoa, na localidade de mesmo nome, situada entre os atuais bairros da Jaqueira e das Graças. Área nobilíssima da cidade. Em 1867, a empresa passou para o controle da Brazilian Street Railway – de origem inglesa – e a estação Ponte d´Uchoa foi junto. A maxobamba circulou pela cidade até 1915. Em 1916, outra companhia inglesa fundou no Recife a Pernambuco Tramways & Power Company, introduzindo o moderníssimo bonde elétrico no transporte urbano da cidade além da geração e distribuição de energia elétrica na cidade. Vide foto a seguir.
A Estação Ponte d´Uchoa continuou como importante ponto de parada para os passageiros. Isso durou até que o sistema de bondes foi suprimido e substituído por ônibus, final da primeira metade do século passado. Novamente a estação Ponte d´Uchoa serviu de parada dos coletivos, até 2003 quando foi deslocada para facilitar o trânsito local. Restou um belo ícone da história da cidade, admirado e querido por todos. Recordo que fiz ponto de paquera das alunas do Colégio das Damas Cristãs, lá em frente. Tombado e preservado como importante patrimônio histórico-cultural da cidade. Um cartão-postal. Vide foto a seguir. Outras estações certamente existiram, mas, nem vestígios nos dias de hoje.
Vejam, agora, que história triste: esta semana – quase 150 anos depois de construída – a estação Ponte d´Uchoa amanheceu destruída! A recifense foi tomado de triste surpresa. O tradicional cartão postal da cidade foi, praticamente, deletado, de hora para outra, por um imprudente motorista, filhinho mimado da mamãe, que encheu a cara numa farra noturna e no amanhecer, ao volante de um veiculo “desconduzido”, colidiu com a histórica estação, derrubando-a quase que totalmente. Acidentes acontecem, eu sei. Muitos de forma inexplicável. Mas, quando o motivo é o álcool na cuca, tenha paciência. E, quando toma como alvo da destruição um patrimônio histórico da cidade, pior. Não tem desculpas. Segundo o noticiário, o cara foi socorrido às pressas e se livrou do flagrante, inclusive, do teste de alcoolemia.
Não importa qual a explicação que seja dada. Inquirido pela policia, jurou que não havia bebido! Dormiu ao volante? Quem sabe? Seja lá como tenha sido, o que importa é que a história da cidade foi borrada. Num lugar onde a preservação do patrimônio histórico é, muitas vezes, relegado a último plano, um episódio desses é lamentável. Fala-se na recuperação da estação. Espero que o mais rápido possível e que o autor do desastre será responsabilizado pelo custo da restauração. Tem que ser assim, para servir de exemplo. Sem pena nem concessões apadrinhadas. O contribuinte não deve pagar por esse abuso. É de se esperar que a coisa não se perca nos meandros da burocracia dos poderes constituídos e a estação corra o risco de  cair no esquecimento, como tantos outros monumentos da secular cidade foram destruídos propositalmente ou por conta do abandono.
Ocorre-me uma ideia: colocar na estação Ponte d´Uchoa – quando recuperada, claro – um posto permanente de controle da Lei Seca. Quero ver bebum nenhum se atrever passar por ali.
Ah! Antes de terminar, mais um pouco de história: andei conversando com o Professor Google e ele, que sabe de tuuuuudo, me explicou que “o nome Ponte d´Uchoa está relacionado ao Senhor de Engenho Antonio Borges Uchôa, do Engenho da Torre, que viveu no século XVII. Após a expulsão dos holandeses em 1654, para permitir acesso à outra margem do rio Capibaribe, onde moravam parentes seus, ele construiu uma ponte, que ficou conhecida como Ponte d´Uchoa, e assim ficou denominada a área adjacente à outra margem do rio que fazia ligação por ponte da sua propriedade”. Desconfio que seja a atual Ponte da Torre.

NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens


domingo, 27 de outubro de 2013

Urbe Maltratada

Ela desabou diante dos meus olhos ao tentar descer de uma calçada e atravessar a pista interna da Avenida Agamenon Magalhães. Estendida no asfalto quente do meio dia, daquela movimentada via na região central do Recife, aquela senhora de, aparentemente, 75 anos teve sua apressada trajetória interrompida, por pura imperfeição daquele passeio de pedestre. A calçada tem um desnível de, pelo menos, 35 centímetros (vide foto a seguir), o que vamos e venhamos é um absurdo. A cena que presenciei e me impactou – sobretudo pelo risco de vida que aquela anciã passava – foi um testemunho da precária situação da grande maioria das calçadas do Recife. Deficiente visual e cadeirante, então, nem pensar.    
Tenho um amigo, arquiteto urbanista, Francisco Cunha (leia-se TGI Consultoria),  que vem empreendendo uma campanha cerrada, via distintos meios da mídia, para a humanização das calçadas do Recife. Sua tese é muito interessante ao garantir que “a calçada pública é o primeiro degrau da cidadania urbana”. Publicou recentemente um livro sobre assunto, que aconselho leitura. (CUNHA, Francisco Calçada: Primeiro degrau da Cidadania Urbana).
Movido pelo susto da mulher estendida na avenida, diante do meu carro, e entusiasmado pela campanha de Cunha, decidi sobre a pauta semanal do Blog. Para tanto, sai pelas ruas colhendo imagens dos absurdos que esta cidade proporciona aos seus munícipes. Não precisei andar muito. Caminhei, sobretudo, pelas ruas do meu bairro (Aflitos-Espinheiro), zona nobre da cidade, e deparei-me com verdadeiras “pérolas”. Na região central deve ser pior. Quem procura acha, diz um adágio popular. Eu achei o que procurava.
Na primeira esquina, colada ao meu prédio, tive que desviar de rota para contornar um veículo estacionado na calçada. (Vide foto abaixo) Num sábado pela manhã, foi danado. 
Cem metros após, eu mesmo perdi o equilíbrio ao procurar seguir a rota correta. Uma árvore frondosa expandiu suas raízes, quebrou a calçada, arrancou o meio fio e avançou no asfalto. Estrago geral. (vide a foto a seguir). 
Gosto muito de viver num bairro arborizado e aprazível. Ocorre, porém, que a Prefeitura (não me refiro a atual ou quaisquer outras passadas administrações) não teve o cuidado de escolher uma espécie adequada ou uma técnica especial que evitasse esses estragos que acontecem na nossa cidade. Esta imagem a seguir é da Avenida Rui Barbosa. A árvore tomou toda a calçada. O transeunte é obrigado a enfrentar a concorrência dos veículos que passam geralmente em velocidade. A via é de grande movimento.
 
Cidades pelo mundo afora sabem como lidar com esse problema, ao escolher um tipo de árvore menos danosa ao passeio dos pedestres e, além disso, proteger a área onde comumente as raízes afloram. Em Paris (França), por exemplo, é assim. Uma grelha de ferro fundido, artisticamente projetada, é colocada na base surface de cada elemento e o problema é evitado. (Vide a foto a seguir).
Mas, minha caminhada seguiu e, mais adiante, vi três coisas inusitadas: a primeira foi uma carroça estacionada numa calçada e atada com cadeado a um poste. Isto numa rua nobilíssima do bairro. Indaguei do porteiro de um prédio ao lado, sobre o proprietário daquele tosco veículo de cargas e fiquei sabendo que ele vive no Alto do Mandu (periferia da cidade) e sempre deixa sua carroça ali. “Mas na segunda feira, logo cedo, ele aparece. O pessoal aqui já está acostumado. Gosta dele”. Onde está a fiscalização da Prefeitura? Que absurdo! (vide a foto abaixo). A segunda coisa, ali juntinho da carroça, foi a ideia de fazer um jardinzinho pessoal no meio da estreita calçada. Sabe quem fez? O porteiro que me deu a informação do carroceiro. “Mas o Senhor não vê que isto atrapalha a passagem do pedestre?” perguntei rápido. “Ah! O pessoal desce a calçada e depois volta...” Assim, tranquilo e calmo. Pelo visto os moradores dali são complacentes demais. Gostam do carroceiro, do porteiro/jardineiro e devem gostar de outros tipos mais que apareçam. 
A terceira coisa foi a pior de todas: a calçada é interrompida bruscamente, por imenso muro construído por uma escola que avançou o que pôde para ampliar sua quadra de esportes. Tomou todo o espaço da desejada calçada pública. Ali pedestre não tem vez, mesmo. E a Prefeitura? Ninguém sabe!  (Vide foto abaixo).
Lembro que uma das coisas que mais admiro nas grandes e bem urbanizadas cidades do mundo, quando as visito, é o fato de que não existem redes aéreas de distribuição de energia e rede de telefonia nas zonas urbanas. É tudo subterrâneo.  Isto leva a que não existam os monstrengos postes que além de enfear a cidade se constitui – no caso do Recife – num atropelo em série nas calçadas públicas. Sem falar no emaranhado de cabos elétricos e telefônicos, à vista. Veja, por exemplo, a foto a seguir. São três postes juntos num único local. Francamente!
Para completar o caos das calçadas recifenses, o pedestre tem que desviar – a toda hora – das fezes dos pets que são levados a passear sistematicamente. Há uma rua, transversal da que moro, que é o “sanitário público” da cachorrada do bairro. Acho que ali todos eles marcaram seus espaços. Aliás, seus donos também... Nessa rua não ouso passar. Naturalmente que não vou “brindar” os leitores com uma ilustração fecal. Neste caso, peca o proprietário mal-educado que deixa na calçada a obra do seu cachorrinho. Quanta ignorância. Ora, meu Deus, isto é uma questão de saúde pública. Num país civilizado não ocorre uma coisa dessas. Há pouco tempo vi, em vários pontos, na cidade de Praga (Capital da República Checa), saquinhos de papel e pá de cartolina para que os proprietários de cães colhessem as fezes dos animais e depositassem em lixeiras espalhadas pela região. Isso sim, é que é urbanidade e cidadania. Vide foto a seguir.
É, meus amigos e amigas, falta muito para que nosso Recife (e muitas outras cidades brasileiras) deixe de ser uma urbe maltratada. Certamente, não será no meu tempo! Talvez meus bisnetos.

NOTA: Todas as fotos são da autoria do Blogueiro.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Imagine na Copa

Todo país sede de um grande evento internacional termina se transformando numa grande vitrine para as atividades do turismo. Hotéis, equipamentos de atração cultural, comércio, restaurantes, meios de transporte, entre outros vários aspectos, fazem a festa de operadoras e guias que, via de regra, se consolidam nos mercados. O Brasil, atualmente, está na  mira de centenas de operadoras deste setor, espalhadas no mundo inteiro ou, pelo menos, nos países interessados nos eventos. Refiro-me, naturalmente, à Copa Mundial de Futebol (2014) e às Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016). O Turismo brasileiro tem pela frente a melhor das suas oportunidades de deslanchar, coisa até hoje pouco observada em face das políticas ineficazes dos que fazem nossos governos. Com tantas atrações naturais, paisagem luxuriante, história atraente,  diversidade cultural, músicas e danças feéricas, folclore extraordinário,  rica gastronomia, entre muitos outros aspectos é de lamentar o pífio resultado econômico do setor. Países bem menores e com leque de atrações bem mais reduzido – vizinhos próximos, até – conseguem faturar relativamente bem mais alto e algumas vezes em termos absolutos.
Numa parada estratégica de quatro dias na África do Sul, quando a caminho da Austrália, dois anos atrás, ouvi de um operador de turismo (ele me conduzia a um Safári fotográfico) uma declaração taxativa a respeito do resultado pós-Mundial de 2010: “foi a melhor coisa que ocorreu para o turismo do nosso país. Depois do Mundial a afluência de turistas estrangeiros ao nosso país chegou a triplicar.” Acredito que esses turistas torcedores tiveram boa receptividade, condições de acomodações adequadas e preços praticados de forma honesta. Eu já havia estado antes naquele país e notei as diferenças que resultaram do evento Copa.
Aqui no Brasil, esta semana estourou na imprensa uma grave denúncia sobre os preços que já estão sendo praticados, para passagens durante a Copa Mundial, pelas companhias aéreas brasileiras e nos trechos domésticos. Um tremendo equívoco! Sobretudo considerando-se que as sedes, por Chaves de Competidores, ainda nem foram definidas. Conheço pessoas, do Recife, que reservaram compras de ingressos para a Final no Maracanã e que diante dos preços das passagens estão desistindo do projeto. Tem empresa, vendendo pela Internet, uma passagem aérea entre Recife e São Paulo (ida e volta) pelo absurdo valor de R$ 3.998,00. Ora, ora, tenha paciência! Assim não dá. Hoje é possível fazer esse mesmo percurso por, no máximo, R$ 750,00, quando se faz uma viagem programada. E neste caso é mais do que programada, na medida em que se pode comprar com oito meses de antecedência. Por esse preço absurdo, um conhecido garante que desistiu da ideia de ir ao Rio e aproveitar esse dinheirão fazendo turismo noutro país e daqueles bem distantes.  
É numa hora dessas que o Brasil decepciona. Aliás, o brasileiro. Quanta incompetência! Será que essa gente que faz negócio com transporte aéreo não percebe que estão cometendo um erro sem chances de correção? Vá lá que prevaleça a Lei do mercado – demanda alta, preços mais altos – mas nessa proporção é de lascar. Ouvi dizer que o Governo pensa em liberar rotas domésticas à empresas estrangeiras. Sou contra em principio, mas seria bem feito.
Isto, minha gente, é apenas o começo de uma grande farra de inflação que deverá ocorrer neste país, durante esses megaeventos. E, danado, danado mesmo, vai ser prestador de serviços adotar de volta os preços originais, no day-after ao final da Copa. Preparemo-nos para notar as mudanças nos cardápios dos restaurantes prediletos. Uma simples caipirinha ou uma cervejinha, na beira-mar, poderá adquirir um valor nunca dantes imaginado. Tenho para mim que vai ser um péssimo negócio para nós, os nativos.
Pior é que aquela imagem desenhada pelo guia sul-africano, dois anos atrás, em Johanesburgo, pode não ser nunca reproduzida pela cabeça de algum brasileiro. Não é uma lástima? Tomara que eu esteja sendo pessimista.
Não me resta outra coisa a não ser repetir o jargão popular: Imagine na Copa!

NOTA: Imagem obtida no Google.

domingo, 13 de outubro de 2013

Triste Porvir

Dias atrás conversando, por telefone, com uma amiga pernambucana que mora na Suíça (casada com um cidadão helvético), mas, que vive sempre muito ligada nas coisas do Brasil, tem casa no Recife, onde passa longas temporadas, fui surpreendido com uma das suas perguntas: “é verdade que esses mensaleiros vão ficar mesmo fora das grades?” Tristemente respondi que, pelo visto, sim. Explicando a “lógica” da situação, trocamos informações, ela comparando a situação com a de países europeus e eu desencantado falando da falência da ética e da honestidade no Brasil. Outra amiga, dessa vez, nos Estados Unidos, brasileira também, me dizia que o nosso povo – como em qualquer país democrático – tinha que ir às ruas e protestar a roubalheira, pedindo reformas necessárias para que o país tivesse uma nação de vergonha e respeito. Pensando bem, posso imaginar o que pode rolar nas cabeças dessas minhas amigas. Faço ideia das dificuldades que sentem em acompanhar de longe a deterioração do tecido social do Brasil, ao mesmo tempo em que vivem em sistemas sócio-político-econômicos bem administrados, seguros e respeitados. Para quem tem oportunidades de visitar países, desse mundo onde vivem minhas amigas, podem sentir, ainda que de passagem, a sensação que elas sentem. Em mim, por exemplo, bate uma tristeza danada, ao retornar de alguma viagem.
Há três meses, o desejo da minha amiga nos States foi de, alguma forma, atendido. O povo foi às ruas, protestou e apontou suas dificuldades, decepções e desejos. Na maioria das cidades brasileiras os protestos se multiplicaram e uma onda de democracia ganhou forma, mostrando que o povo é dócil, mas não é burro. Não sei até quando será dócil! “O gigante acordou” foi o clichê de muitos veículos de notícias, na cobertura dos acontecimentos. Ocorre, porém, que para manter a tradição tupiniquim , oportunistas se infiltraram nas manifestações pacificas e apartidárias, dispostos a bagunçar a onda de democracia, espalhando a desordem, o vandalismo e a insegurança para aqueles que, de peito aberto e muito idealismo, defendia teses que pugnavam por um novo país, digno, democrático, honrado e honesto. Foi tamanha a desordem que implantaram, chegando inclusive a se organizarem em facções deletérias, perturbadoras da ordem e destruidoras dos patrimônios publico e privado. Resultado: aquilo que nasceu no seio da sociedade espontânea, apolítica e ansiosa por um porvir auspicioso, definhou e se recolheu. Quem, de fato, protestava disciplinado, democraticamente e em perfeita ordem desistiu de ir às ruas, em detrimento do atribuir musculatura ao movimento patriótico e exigente de reformas. Brasília agradeceu e voltou ao proselitismo costumeiro. Vide foto dos baderneiros, a seguir.
Hoje, o que mais se questiona nos meios sociais mais esclarecidos é sobre a validade dos movimentos de junho passado. Há quase uma desesperança. Pior, é ver que a verdade nua e crua é que o Governo já navega em águas tranquilas, o temor que pairou sobre o Palácio do Planalto é, visivelmente, página virada e não se fala em outra coisa a não ser eleições 2014. Nunca vi uma campanha começar tão cedo. Dona Dilma “mata e morre” para emplacar mais quatro anos, os opositores se organizam, cada um tratando das suas estratégias dispostos a derrubá-la. E o povo... Bom, o povo continua sendo apenas um detalhe, como dizia um personagem humorístico da década de 80 ou 90. As reformas sociais, política, econômica e tributária reclamadas, nem são lembradas. Vão ser lembradas certamente nas retóricas de campanhas, para embromar a Nação e, em meu ver, sem chances de serem levadas a efeito.

Do meu “observatório” o que vejo, somente e como pretensa resposta aos clamores das ruas, é o programa Mais Médicos (com as polêmicas contratações dos profissionais cubanos, hoje sabido que já eram articuladas com os irmãos Castro há, pelo menos, dois anos); vejo, também, tristes noticias sobre os desvios de Milhões do Bolsa Família; o crescimento vertiginoso dos inacreditáveis problemas de  mobilidade das grandes cidades brasileiras (esta semana quase perdi a hora de embarque de volta ao Recife, porque passei mais de duas horas no trânsito de Salvador. E
ironicamente voei 60 minutos entre as duas cidades) Vide foto acima); os gargalos econômicos devidos à falha infraestrutura brasileira; a inflação nas portas; a queda da produtividade nacional em todos os setores de atividade; o baixo desempenho do ensino superior do país, incluindo a lamentável queda de posição da Universidade de São Paulo (nossa estrela, vide foto abaixo) no ranking mundial. Já não temos nem uma universidade figurando entre as 200 melhores no mundo.  Dá um desencanto...

Sei não, por mais que eu queria, percebo um triste porvir! Durmo preocupado com o futuro dos meus filhos.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens.

sábado, 5 de outubro de 2013

E a Educação?

Tenho acompanhado essa polêmica contratação dos médicos estrangeiros para atuar no Brasil, particularmente os cubanos. A pendenga entre Governo e os Conselhos de Medicina tem sido pauta, todos os dias, dos grandes jornais de circulação. Polêmico ou não, o fato é que estão aí e já começam a trabalhar. Sei que existe uma legião de brasileiros, pobres coitados e sem instrução devida, morando nos confins do país que estão vibrando por ter a oportunidade  de se ver diante de um médico. Isso é, para muitos, um sonho realizado. Resta saber se haverá estrutura adequada e medicamentos suficientes às necessidades que todos sabem existir. Tomara que sim. Por enquanto, é muito cedo para arriscar avaliações.
Mas, há outro problema tão grande quanto o da Saúde e que tem tudo a ver com essa população sem instrução, sobre a qual me referi acima, que é o problema da Educação.  E para este caso, certamente, não teremos como nos valer do expediente de trazer profissionais do exterior. Os investimentos nessa área têm sido insuficiente para tirar o país de posições vergonhosas em qualquer ranking de escala mundial. Segundo a OCDE, entre 2000 e 2009, parcela do PIB brasileiro investida em educação cresceu 57%. Ora vivas! Mas, tivemos resultados concretos? Em 2000 o percentual do PIB em aplicações na Educação era de 4,7%. Em 2011 esse percentual subiu para 6,1%, Estes números são do MEC. Foi indiscutivelmente um avanço. Mais dinheiro, contudo, não foi suficiente para evitar que o país terminasse o período muito mal colocado no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), avaliação internacional organizada pela própria OCDE, desta vez com 65 nações. Apesar disso e dos recursos aplicados, a maior, o país terminou em 53º lugar em avaliação de qualidade do ensino. Outro ranking de educação realizado, no passado, em 40 países, pela empresa Pearson Education (especializada em materiais e serviços educacionais), com sede nos Estados Unidos, o Brasil aparece no humilhante penúltimo lugar (39º) sendo superado – ainda que de próximo – por países como Argentina, Tailândia, México e Colômbia. Nesse mesmo quadro a Finlândia lidera, ocupando o primeiro posto, seguida pela Coréia do Sul, Hong Kong, Japão e Cingapura. A Suíça, conhecida pelo seu sistema de ensino de primeira linha, ficou com o 9º lugar e os Estados Unidos ocupam o 17º lugar. A Indonésia carrega a lanterna da lista. 
Por outro lado, para desanimo geral, no final de setembro recém findo o IBGE divulgou resultados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e  alertou para um fato surpreendente: “foram identificadas 13,2 milhões de brasileiros que não sabiam ler nem escrever, o equivalente a 8,7% da população total com 15 anos ou mais”. Foi surpresa para os pesquisadores porque esta foi a primeira vez que a taxa cresceu desde 1998. Desde então, vinha registrando quedas razoáveis. Mantendo a marca histórica, a concentração dos analfabetos foi registrada no Nordeste, com 54% dos analfabetos do País. Isto é uma renitência... Na Bahia e em Pernambuco foram encontradas regiões em que essa taxa aumentou entre 2011 e 2012. A Região que apresenta o menor número de analfabetos é a Sul, onde apenas 4,4 % da população com mais de 15 anos não sabe ler ou escrever. Vide o mapa do analfabetismo no país a seguir.
Infelizmente, os investimentos na Educação deste país foram sempre a desejar. Uma população educada, em qualquer lugar do mundo, não apresenta os sérios e recorrentes problemas de saúde como no caso brasileiro. População instruída, sabendo ler e escrever está livre de muitas mazelas de saúde, tem qualidade de vida digna e contribui de forma mais competente para o progresso. Aliás, tem noção melhor das coisas do mundo e, além do mais,  sabem escolher melhor seus governantes. Até quando seremos um país com tantos ignorantes, analfabetos e sem saúde?

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens

sábado, 28 de setembro de 2013

Missão Abortada

Era 14 de Novembro de 2009 quando, cheio de entusiasmo, escrevi um post para este mesmo Blog referindo-me à reportagem semanal da respeitada revista britânica The Economist falando sobre a grande fase de expansão da economia brasileira. Na capa uma fotomontagem que correu o mundo mostrava o Cristo Redentor decolando como um foguete, simbolizando a ascensão estratosférica que a nossa economia projetava naquele momento. Aquilo teve uma repercussão fantástica nos meios econômicos do mundo inteiro. (leia a referida postagem clicando em http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/11/brasil-potencia-economica.html ). Recordo que, logo em seguida, estive em viagem de negócios por alguns países da Europa e os comentários a respeito do ambiente econômico brasileiro era lembrado e enaltecido, com especial entusiasmo, por nossos interlocutores. Foi um tempo de muita euforia e grandes oportunidades de negócios desenhadas, num Continente onde crise, indústrias paradas, desemprego e incapacidade de investir faziam parte da ordem do dia em qualquer rodada de negócios. Foi um tal de querer vir para o Brasil, como nunca antes. Aqui estava a “salvação da lavoura”, era a voz geral. Alguns até que conseguiram.
O tempo passou e, infelizmente, as coisas não se revelaram tão satisfatórias quanto se imaginava e a mesma revista britânica, que não relaxou no monitoramento da economia brasileira, começou a perceber o desandar das coisas. Chegou até a aconselhar D. Dilma a demitir o Ministro Guido Mantega, antes que ele entornasse o caldo que restava. A Presidente revoltou-se com a “intromissão” e disse: “Fica Guido, porque aqui quem manda sou eu!” Recentemente a revista insistiu e classificou de medíocre o desempenho do país desde 2011. Claro! De quebra, em tom de ironia aconselhou a permanência do Ministro Guido no cargo.
Hoje a The Economist publica outra grande matéria de capa deletando a aura auspiciosa que criou em 2009 sobre o Brasil, mostrando as falhas e desmando do atual Governo. Também, pudera porque não faltam razões. Basta que nos lembremos dos caminhos tortuosos que um investidor enfrenta para empreender no país, a burocracia emperrada e a carga tributária descomunal, o quadro de corrupção renitente, as falhas da política econômica, a incompetência e inchaço do setor público, os riscos políticos, a volta da inflação, o assustador processo de desindustrialização, o protecionismo no setor de petróleo e gás, a falta de infraestrutura adequada e seu baixo coeficiente de investimento para que dê suporte às atividades econômicas, entre muitos outros pontos fracos e ameaçadores, que, tudo junto, pode bem ser traduzido pelo PIBinho  que vem sendo  registrado nos anos recentes.
Ironicamente a ideia da capa da revista em 2009 com o Cristo decolando volta com outra fotomontagem, dessa vez, porém, no sentido contrário: a suposta nave espacial que decolava, retorna ao ponto de origem num zig-zag desgovernado. Tal qual o Brasil, aliás... Vide a reprodução das capas, a seguir.
A imagem vem acompanhada da chamada: “O Brasil estragou tudo?” tradução livre de Has Brazil blown it?
Pois é, o que mais dói é perceber que corre-se o risco de descambar ladeira abaixo perdendo o controle, depois de tantos anos de sacrifícios. Mais do que nunca sentir-se-á falta das tão propaladas reformas: fiscal, previdenciária, política etc.
O que mais se pode lastimar é que o ambiente foi preparado para isso, mas, os que estão no poder e vêm se locupletando das regalias oportunistas e mamando nas “têtas da viúva”, não têm competência, visão de estado e nem conseguem enxergar essas carências. Só mudando para ver se dá certo. A Missão da nossa nave redentora foi abortada.

NOTA: A Foto é uma reprodução da capa da própria revista The Economist 

domingo, 22 de setembro de 2013

Justiça Injusta

Com imenso pesar começo o bate-papo de hoje, tamanha minha revolta com essa justiça do Brasil. Os brasileiros – falo dos mortais, como sou eu – esperaram com muita expectativa o desfecho da votação sobre os famigerados Embargos Infringentes, na sessão de quarta feira passada no Supremo Tribunal Federal - STF. O desejo da Nação era claro: cadeia imediata e sem apelações para os doze condenados. Claro, que uma quadrilha que se apodera de R$ 173,0 Milhões dos cofres públicos não pode ter outro destino. Mas, ao contrário do que se esperava, o Ministro Celso de Mello – investido do papel de Decano da Corte e com direito a dar o voto de Minerva – consciente de que estava contra a opinião pública, “cheio de dedos” e muito discurso técnico “livrou a cara” do bando. Doloroso. Por mais que tenha sido uma decisão técnica e que, no retorno de julgamentos, os réus ainda corram o risco das confirmações das sentenças, coisa, como é amplamente sabido, difícil de acontecer, paira a  desesperança e frustração na alma do brasileiro. No de são juízo, vale ressaltar. Que tipo de (in)justiça é essa, meu Deus? Como metade do pleno daquela Corte Superior julgou o pleito como improcedente é porque havia condições de mandar essa caterva PTralia para trás das grades, na mesma hora. Pior do que isso, agora, é lembrar que sabendo da lentidão de julgamentos dos processos judiciais nesta eterna Pindorama, corre-se o risco de que esses crimes sejam prescritos, dada a eternidade, segundo o Ministro Joaquim Barbosa, que certamente serão tratados. Prevalece, assim, a ideia popular de que Justiça que tarda é a Justiça que falha. E certamente vai falhar, para gáudio dessa corja de ladrões que domina o Brasil há doze anos.
Francamente, mais do que nunca fica claro que cadeia no Brasil foi coisa feita para pobres, “pés-rapados” e “bundas-sujas”. Foi negro, então, perca as esperanças. Mas sendo rico, teve algum poder, viveu à sombra do poder e pode pagar a peso de ouro uma boa banca de advogados, sustentada por competentes advogados, que saibam interpretar as entrelinhas e as diagonais da legislação vigente, tenha boa verve, se vista bem, use bom perfume e chegue num carrão aos tribunais é absolvição de cara. Que tristeza. Certa feita, ouvi de uma conhecida que fazia parte do corpo de jurados no Tribunal de Justiça de Pernambuco um depoimento que passava por essa imagem que relatei acima. Certo é quando se diz que nunca se deve confiar na cabeça de juiz ou nas de um corpo de jurados. Surpresas são coisas bem comuns.
A respeito ainda do Julgamento de quarta-feira passada, li em algum lugar a opinião do ex-Ministro Saulo Ramos e agora vejo que ele tinha razão. Segundo Ramos: “Decano se comporta como estudante de Direito eminentemente técnico, servindo aos interessas dos Mensaleiros, subjugando o Povo Brasileiro”. Lembrando-me dele tento entender o que tenho ouvido e lido de professores e advogados de renome a respeito do voto de Celso de Mello. Acham –  unanimemente – que ele deu uma brilhante aula de Direito.  Vá entender esse Direito e essa Corte. Haja estômago... Deus me livre! E pobre como sou, mais do nunca, vou querer andar sempre na linha.

No final das contas, como não há outra corte superior a essa que tratamos, vamos ter que engolir esses tais embargos infringentes de goela abaixo, até porque temos que respeitar a decisão para preservar esse poder que precisa ser protegido. Afinal é o Supremo! E supremo é supremo. Guardo a esperança de que um dia ele seja composto de membros independentes dos demais poderes principalmente aquela instalado defronte, lá no Palácio do Planalto. Que venham novos joaquins barbosas para salvar essa Pátria tão espoliada e tão eivada de justiças injustas. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Vontade de Voltar

Outro compromisso social tirou-me do Recife, no fim de semana passado. Dessa vez, para um pouco mais distante. Estive novamente na Argentina. O destino, porém, não foi Buenos Aires e sim a aprazível cidade de Rosário, que provocou uma bela surpresa. Às margens do rio Paraná, que nasce no Brasil, entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, dá nome a um estado brasileiro, demarca a fronteira do Brasil como o Paraguai, entra pela Argentina e vai desaguar no rio da Prata. Caudaloso e largo à altura das Províncias de Santa Fé, onde se encontra Rosário, e Entre Rios, esse rio, além de transformar as cidades ribeirinhas em localidades com especiais atrativos, serve de importante via navegável (para grandes navios) da Argentina por onde escoa muitas das suas riquezas agrícolas. Vide mapa, a seguir.
Mas, não é sobre o rio Paraná que quero focar este papo semanal e sim na cidade onde estive, com minha família, durante três dias. Confesso que foi uma surpresa. Ocorre que nós brasileiros geralmente enxergamos, somente, duas cidades dos “hermanos” – Buenos Aires e Bariloche – o que pode ser um equivoco. Muitas outras cidades argentinas merecem ser vistas e Rosário de Santa Fé é uma dessas.
A chegada, por via aérea, não é das mais animadoras. O aeroporto não causa uma boa impressão. Meio acanhado e pouco acolhedor. O acesso à cidade tampouco anima muito, até que se alcança a zona urbana mais central. Ali, o perfil arquitetônico surpreende e faz lembrar em tudo a metrópole bonaerense. Sim, Rosário se parece muito com Buenos Aires, no traçado urbano, nas construções senhoriais, no bom estilo neoclássico, nas ruas de pedestres, nos cafés em vias públicas (vide foto a seguir) e casas comerciais, parques e avenidas. Muitos museus temáticos. Restaurantes magníficos e casas noturnas sofisticadas. Com a vantagem de não ter o clima trepidante como na Capital Federal e não estar sujeita à insegurança. 
A cidade conta com 1,5 milhão de habitantes. Não vi engarrafamentos, barulho de buzinas ou pedintes como em Buenos Aires. A qualidade de vida é visivelmente boa. E, mais do que isso, observei que lá as pessoas circulam livremente e a pé, altas horas, sem medo de assaltos ou qualquer tipo de insegurança. Assim, pelo menos, me pareceu.   
Depois de curtir uma sexta-feira inteira caminhando pelas peatonales (calçadões de pedestres) Córdoba e San Martin, parando diante das vitrines, sentando num café, entrando numa livraria  e observando o povo passar, partimos para visitar os pontos referenciais de turismo: o primeiro foi o Monumento à bandeira Nacional, imponente torre disposta numa praça cuidadosamente arquitetado e situada num parque a beira do rio. Além da torre, há no mesmo sitio outra construção com uma pira ardente, dia e noite, em homenagem aos heróis desconhecidos, com bela escadaria que leva a um grande espelho d´água, do qual belas esculturas  emergem com ares triunfantes. Sem dúvida, trata-se de um parque monumental. A cédula de 10 Pesos Argentinos traz imagem desse parque. À noite a visão é reluzente graças à uma moderna iluminação com as cores branco e celeste, lembrando a bandeira do país.
Outro orgulho da cidade de Rosário é o fato de ser cidade natal do guerrilheiro/revolucionário Che Guevara.  Dizem que a mãe do Che, grávida de nove meses, passava por Rosário quando entrou em trabalho de parto e deu á luz ao garoto Ernesto. O pai, um diplomata de carreira, instalou a família num apartamento do edifício 480, da Rua Entre Rios e ali ficaram até que o Che completasse quatro anos, quando se mudaram para a Província de Córdoba. Cresceu ali e de lá partiu para cumprir sua saga. O resto da história o mundo conhece bem e hoje, ele é lembrado em praças e monumentos do lugar onde veio ao mundo. Um herói nacional. Vimos o prédio e fomos ao parque (meio distante e semi abandonado) onde uma estátua de bronze pontifica. Interessante que o bronze foi fundido com doações de peças sucateadas dos rosarinos, principalmente chaves inúteis que viviam guardadas. É grandiosa e pesa centos toneladas. (Vide fotos da imagem e um detalhe revelando parte das chaves usadas) .


Outra coisa que chama a atenção, nessa cidade, são os belíssimos parques. Uma riqueza natural. Os Parques de España e Independência são os destaques. Dedicamos nosso domingo a percorrê-los. No Parque de España uma festa de ciclistas, pic-nics, feira de artesanatos, artistas e um povo alegre gozando do ar puro da natureza. Fiquei com uma inveja...
Nunca vi tantos bares e restaurantes à beira-rio! Provocaria inveja à muitas cidades do mundo que têm rios e não aproveitam suas orlas. Recife é uma dessas.
No mais, um especial registro para os restaurantes magníficos que a cidade tem. Carnes supremas e vinhos generosos. Taí um lugar que dá vontade de voltar.

NOTA: Excetuando o mapa, retirado do Wikipedia, as demais fotos são da autoria do Blogueiro

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Alma Brasileira

Por conta de um compromisso social voltei ao Rio de Janeiro no fim de semana passado. Diferentemente da semana anterior, desta vez tive chance de curtir como turista a cidade maravilhosa, o que é sempre muito bom. Além do que, fui acompanhado da Patroa que torna a viagem mais divertida. Fora o casamento que tivemos de assistir “batemos” o Rio no que de bom a cidade oferece e focando na Zona Sul.
Muitos são os que dizem ser Brasília a síntese do Brasil, porque lá circulam cidadãos de todos os recantos do país. Nos corredores do Congresso Nacional isso fica bem evidente. Todo mundo, porém, ligado ao vetor político. Contudo, pensando bem, é no Rio de Janeiro que a alma brasileira é mais bem traduzida. Ali, sim, gente de todos os recantos e todas as tribos da Nação interage de modo mais fácil e parece haver espaço para todos. Os preconceitos contra os nordestinos são mais diluídos, se comparados com os que os paulistas alimentam de forma quase que visceral. Escritores, atores, acadêmicos, políticos, artistas plásticos, entre outros, do país inteiro, parecem encontrar na dita Cidade Maravilhosa mais ambiente e chances de sucesso. Sem dúvidas que, em se tratando de ambiente físico, o forasteiro encontra no Rio melhores condições de sobreviver. Não é selva de pedra, não faz o frio da Pauliceia, é mais verde e, por fim, tem o mar que areja a cidade, para quem precisa respirar profundamente e com pureza, seja de alegria, alivio, sensação de liberdade ou para desafogar a alma, se oprimida. Finalmente, chegar ao Rio é sempre bem agradável. Ressalvo, no entanto, que gosto muito de São Paulo, mas, reconheço que o mix de lá é diferente. Fácil se percebe que aquele Brasil dali é, certamente, menos brasileiro do que o do Rio.
Conheço pessoas que se esquivam de ir ao Rio devido à insegurança nas ruas. Minha esposa, embora carioca de nascimento, é uma dessas pessoas. No entanto, observo que a insegurança carioca é mais concentrada nas regiões de morros e favelas, quando dominadas pelos imperadores do tráfico, algumas das quais hoje pacificadas pelas chamadas UPP. Já no Recife a coisa, lamentavelmente, é espalhada pela cidade toda. Esses dias, andamos tranquilos – tomando os cuidados que se toma em qualquer outra cidade do mundo – por regiões movimentadas e cheias de turista. Vimos, inclusive, grupos de visitantes estrangeiros montados em jipes, estilo safári, prontos para fazer um Favela’s tour (vide foto) que é programa
imperdível para quem vem de fora. Para muitos, vir ao Rio e não entrar numa favela é o mesmo que ir a Roma e não ver Francisco. Engraçado que, vendo aquilo, me arrependo, até hoje, de não haver ido a Soweto, quando estive em Johanesburgo (África do Sul), por conta do temor da minha mulher. Que besteira. Outro must do turismo no Rio de agora, é visitar o Complexo de favelas do Morro do Alemão, subindo no teleférico que foi ali implantado. Dizem que o panorama que se avista é deslumbrante. Botequins e bares da área estão preparados de portas abertas para os visitantes locais e de fora. A propósito disso, está na hora do Recife tirar vantagem da presença de tubarões nas suas praias. Na Austrália, por exemplo, existem programas especiais de turismo, aproveitando a “fartura” dos tubarões nos mares do país. Turista adora esses exotismos.
E falando de botequim, uma dica: paramos no Garota da Urca para tomar um chope e terminamos comendo o melhor contrafilé grelhado que se pode desejar. Além do que curtirmos o espírito carioca no melhor da sua essência e a belíssima vista da enseada de Botafogo (foto lá em cima), com o Cristo Redentor, no Corcovado, de braços abertos chamando para um abraço.
Mas, não sendo míope, vejo que nem tudo são flores. Há também aqueles que não têm a sorte de encontrar o sucesso e “sobram na curva”. Foi o caso do baiano Alcino (nome fictício) que foi à Copacabana para ver o Papa e, até agora, vive perambulando nas ruas do bairro. Vide a Foto e atente para o detalhe da valise do cara, que diz “I Love Rio”. Não é incrível? Ele parece viver de esmolas, numa cidade que lhe é hostil, mas sem perceber faz a propaganda da mesma. Só mesmo no Brasil acontece uma coisa assim.

NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro