quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Iracemas Contemporâneas

Em 18 de julho de 2009 comentei, neste Blog, sobre exploração sexual nas capitais nordestinas, na postagem que intitulei de “Isto é um fim de mundo”, que se tornou na mais lida, até hoje. Naturalmente que meus escritos, num espaço quase intimista, não iriam modificar a realidade. Mas, fiquei satisfeito com minha pequena contribuição, os comentários e o sucesso de leituras.
O tempo passou e a, cada ocasião que visito Fortaleza, percebo que a coisa continua crescente e até mesmo acintosa. No fim de semana passado, por exemplo, um compromisso social me levou à capital cearense, cada vez mais atrativa no segmento turístico. Bons e muitos hotéis, com lotação completa, infra-estrutura de receptivo diferenciada, parques temáticos, bons restaurantes, muitos turistas e, principalmente, muita hospitalidade. A moçada de lá tem sido competente. Estão dando um “banho” nos pernambucanos e nos baianos.
Mas, tem uma coisa negativa: a prostituição reinante, sob o olhar grosso das autoridades continuam presente por toda parte. É o chamado turismo sexual que atrai levas e mais levas de europeus às terras e praias paradisíacas nordestinas. Tive oportunidades incríveis de testemunhar o que rola na terra de Iracema, a virgem dos lábios de mel, segundo José de Alencar.
A pedido da minha esposa, fomos numa manhã ensolarada a um prestigiado, badalado e recomendado bar na praia do Futuro. Dá gosto ver a estrutura montada e observar os ambulantes oferecendo frutos do mar, artesanatos, salada de frutas tropicais, entre outros itens. No meio dessa tropicália aparecem as contemporâneas iracemas cearenses vendendo, sem pudor ou sem cerimônia, corpinhos bronzeados e cheios de dengos e fricotes. Os marmanjos turistas se deliciam e percebem ter condições de escolher a dedo. Para facilitar a caça, vi numa mesa colada à nossa um “agente de turismo” oferecendo garotas através de um vistoso book com artísticas fotografias. Os comentários e acertos comerciais, entremeados das mais estonteantes interjeições, eram tratados abertamente e ao alcance dos nossos ouvidos. Claro que fiquei incomodado e bati retirada. Os caras eram estrangeiros, cobertos de tatuagens, com roupas extravagantes e, simplesmente, indecentes. A idéia era exibir seus atributos físicos. Todos! Roupas molhadas, já viu... Procuramos um bom restaurante para almoçar e retornamos, para uma pausa, ao Hotel. Ali, observei, novamente, que a maioria dos hóspedes, espalhados pelo grande lobby, era italiana. Adoram o Ceará. Uma mulherada fogosa faz realizar seus mais extravagantes sonhos eróticos. Um coça-coça e quem-mequer danado das iracemas, alegra a vida fácil dessa gente forasteira. Dizem que muitas delas se “arrumam” e, sem pestanejar, se mudam de “mala e cuia” – no dizer do cearense – para as terras estrangeiras. Nem sempre se dão bem... Muitas sofrem e ficam a míngua buscando soluções de retorno.
Os caras chegam a Fortaleza e Natal – locais mais apreciados – via vôos fretados ou linhas comerciais. Vide foto comentando um cartaz promocional, abaixo. Chegam aos bandos e têm perfis de homens amadurecidos, geralmente empregados de chão de fábrica de empresas grandes – montadoras de veículos, siderúrgicas, entre outras – com costumes grosseiros e sem nada a perder. Alguns são premiados com viagens, pela alta produtividade no oficio. Vêm dispostos ao que der e vier. As tolas se entregam, de corpo e alma, enquanto embalam o sonho de uma aventura na Europa. Recordo, também, de um grupo desses senhores engabelando três freguesas, uma das quais falando italiano e traduzindo às demais, num bar e restaurante da moda, à beira mar. A pegação era coletiva naquela mesa e falam de alto e bom som. Não tinha como não escutar. A que tinha proficiência no idioma romano comandava a iracemação. Engraçado foi que, lá pelas tantas, uma delas perguntou ao vizinho, um tipo asqueroso e desdentado, qual era o trabalho dele. A resposta em italiano foi incrível: “Nada. Não trabalho! Vivo a vida!”. Pode uma coisa dessas? Não sei como estava ali! Imagino que se tratava de uma forma de despistar a requerente. Lamento, por essas iracemas contemporâneas. Como lamento o fato de que a coisa não é apenas no Ceará ou Rio Grande do Norte, mas, também, no restante do Nordeste, incluindo as turísticas Recife, Salvador e Maceió.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
Outra NOTA: José de Alencar é um clássico da literatura brasileira e escreveu o famoso romance "Iracema, a virgem dos lábios e mel". Por onde andar noutro oriente, que me perdoe a má comparação>

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Insensatos Corações

Sendo D. Dilma, eu estaria sem dormir, nesses últimos dias. Pelo que vejo na mídia diária e nos contatos que tenho, rola um clima prá lá de grosso. Imagino, a toda hora, o dilema, ou os dilemas, que ela vem administrando. Como governar com uma base aliada em convulsão? Como governar com tantos auxiliares corruptos? Pense no que seja ter o PMDB como suporte maior, patinando numa pista escorregadia. Pense ainda que seu próprio partido, o PT, passa por um vexame danado metido em palpos de aranha! Os nanicos não fazem falta, são pequenos detalhes.
Veja se não tenho razão: os dois partidos mais fortes da base de sustentação do Governo são, hoje, partidos sem lideranças bem definidas. Divididos “que dá gosto”. É um puxa e encolhe de lascar. A rapaziada do PT não sabe como esconder a tal da “herança maldita” do antecessor e no PMDB o racha é, cada vez mais, exposto. Neste, metade se segurando para garantir a bolacha e a outra metade tocando fogo no circo. Que situação difícil. Para completar a Mulher não desiste da faxina – louvada pela nação séria e, sobretudo, pela oposição – criando um tremendo desconforto aos que não querem largar as tetas do Estado.
Já foram despachados três Ministros. Acredito que nesta semana que se inicia, um outro vai “dançar” também. O do Turismo. Já vai tarde, porque todo mundo sabe que de turismo ele não entende nada. Que apenas desempenha um papel político e é cercado de corruptos assessores. Não sou eu que digo, claro. Pobre de mim. É a imprensa que denuncia sem dó. Numa ação emergencial, ele próprio mandou “degolar” boa parte desses auxiliares, na semana passada. Acho que quis dar uma de correto. Sarney já disse que ele não é seu afilhado! Agora, porque, se não me engano, era!
Eu só espero é que nesse imbróglio sem fim, a turma não esqueça que lá fora a crise é grande e que o Brasil não está imune. É uma questão de tempo. A Europa, na Zona do Euro, já não sabe mais o que fazer para se sustentar. Nos States republicanos e democratas travam uma luta de faca e foice, no escuro. Obama, não vai tão bem como queria, gostaria ou se esperava, já botou o bloco da reeleição na rua. E vai ganhar, porque os republicanos estão desorganizados. E nós na base da “marolinha lulesca”. Que temor! Nossas reservas correm sério risco, se algo mais austero não for acionado. O Dólar entra a rodo, o Real se valoriza, os juros sobem, a dívida pública se avoluma, o Banco Central pode perder o controle e o dragão da inflação está no batente da frente. Deus nos acuda! Mas, voltando à figura de D. Dilma, confesso que estou admirado com a coragem da mulher. Ela tem sido audaciosa, politicamente falando, e está conseguindo confirmar seu gênio de mandatária na risca. Segura no que faz. Fiquei pasmo com a atitude dela, semana passada, em São Paulo: apimentando a situação política nacional, “afagou” Fernando Henrique Cardoso, no Palácio dos Bandeirantes, isto é, no viveiro dos tucanos, deixando meio mundo de queixo caído. O blábláblá foi tão grande que, por momentos, o viveiro parecia mais com um de araras.
Sei não, onde essa coisa vai parar. Às vezes acho que a Presidente é ingênua! Será que ela não é? Digo, no domínio político, que fique claro. O que ela vem fazendo é de deixar o brasileiro pensante meio assustado. Nunca antes, na história deste país, viu-se tanta coragem. Cabeça de mulher é fogo e adora fazer limpeza. Limpe mulher, com cuidado e comece tudo de novo. Vou aplaudir! Não votei nela, viu?!
Agora, tem uma coisa, eu estou meio preocupado. Meio não. Muito. Se D. Dilma não tiver uma estratégia muito bem desenhada, essa “coisa” vai parar no ventilador. O PT não quer largar o osso. O PMDB (falo daquele fisiológico) não arreda o pé. Êita confusão danada.
Amigo meu, assessor parlamentar em Brasília, garantiu-me que a tensão é grande, na Praça dos Três Poderes. Tem “muvuca” parlamentar (ou prá lamentar?) em todas as superquadras residenciais. Até pizza já serviram, numa delas. Muito apropriado, por sinal. Ninguém faz mais nada, salvo esperar novas denúncias e novas quedas.
Tomara que essa confusão passe e a vida volte ao normal. O Brasil não merece um retrocesso, nem esses "insensatos corações" governantes.
NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens

sábado, 13 de agosto de 2011

Anestesia Geral

Numa roda de amigos – leitores do Blog – ontem (12.08), à noite e em meio a muitos comentários sobre recentes postagens, me pediram para antecipar o tema da semana. Ainda indeciso sobre o que abordar, recebi a difícil sugestão de repercutir a bombástica entrevista de Sandy, na revista Playboy (*). Foi uma gargalhada geral e em coro. Minha resposta foi negativa, na hora. Tá doido! Nessa seara não transito. Difícil, não é mesmo? Nem ela, mesma, soube como sair do disparate. O interessante é que a sugestão foi feita por um tarimbado jornalista pernambucano, com passagens, inclusive como dirigente, pelos mais importantes veículos do sul do país. Sugeriu e garantiu, de cátedra, que foi o assunto mais palpitante da semana. “O mais comentado, posso lhe garantir”. Fugindo da cilada, apressei-me em adiantar que o tema de hoje é sobre a apatia do povo brasileiro diante da corrupção que cresce em taxa geométrica. Até D. Dilma, inserida no sistema, se surpreende e vê-se obrigada a promover uma “faxina” em Brasília, correndo serio risco de ser derrubada. Na verdade não vou comentar a “vassourada” que a Presidente anda fazendo, porque isto os leitores ficam sabendo pela imprensa aberta. Ao invés disso, quero fazer coro com quem tem vergonha neste país e manifestar, humildemente, porém indignado, minha revolta diante dessa “anestesia geral” que grassa no povo brasileiro, diante de tanta bandalheira. A corrupção virou moda! E falo de moda em termos técnicos. Qualquer estatístico sabe do que estou falando.
Sinceramente, nunca ouvi falar de tanta roubalheira. Nos Transportes, na Agricultura e no Turismo e, se a coisa for aprofundada prá valer, leva a crer que não vai sobrar nem um dos antros da Esplanada dos Ministérios. Sem esquecer que a coisa não se resume à esfera federal. Tudo se repete nos Estados e Municípios, de forma rotineira, como se roubar fizesse parte da missão de governar. É impressionante como se rouba neste país.
Tenho lido muitas analises, com distintas óticas, e todas, de algum modo, induzem a uma cruel conclusão: somos portadores de um DNA defeituoso e maligno sobre todos os aspectos. De nada tem valido os esforços das pessoas idôneas – que existem, creiam – e que fazem junto à opinião publica, numa cruzada insana, um alerta para a inércia e conformismo deste varonil povo brasileiro. A sensação é de que se malha em ferro frio. A população está mesmo anestesiada. A roubalheira é diária e rotineira. O noticiário não causa mais impacto. Revolta, indignação ou o que o valha, nem se fala. O povo até ri da desgraça. Meu Deus! Que absurdo. Será que não vamos reagir?
Em recente artigo, outro amigo e companheiro rotariano – Alberto Bittencourt – lembrava que a coisa, infelizmente, começa no cidadão comum, quando tenta subornar um guarda de trânsito ou vice-versa, na famosa estratégia do “toco”, a furar filas, a estacionar em lugar proibido, a instituir o Caixa 2 na sua empresa, a se submeter à cobrança de propina nas repartições publicas, a não zelar pelo patrimônio publico, entre muitas outras formas espúrias e, o pior, corriqueiras. Desastroso é pensar que, numa cultura infame, somos todos tentados a fazer dessas barbaridades. Se fulano faz, por que não faço eu? Se os políticos roubam, por que eu não posso roubar, também? Esse o modelo social brasileiro. É daí que eu começo, mesmo, a concordar com a idéia do DNA defeituoso.
Fala-se muito em despertar as massas para um grande levante pró-moralidade, a exemplo dos caras pintadas que derrubaram Fernando Collor, mas, pelo que vejo, os clamores têm sido inócuos. Veja o vitorioso movimento popular da Ficha Limpa, que acendeu uma luz de esperança e, na prática, vem sendo driblado. Transformado em Lei, foi abortado na primeira ocasião e “empurrado com a barriga” pelo Tribunal Superior Eleitoral. Por incrível que pareça mesmo alertados para a sujeira dos candidatos os eleitores foram às urnas e votaram em muitos ladrões, depois empossados nos cargos. Tá tudo perdido...
É triste descobrir que o conceito de Lei, no Brasil de hoje, diverge do tradicional e correto, no mundo inteiro. Que decepção...
Acorda Brasil. Sai dessa anestesia geral. Sai dessa UTI e vem ver o mundo imoral do entorno.
Ah! Encerrando o papo de hoje, não posso deixar de recomendar que deixemos de enaltecer o flex hábito sexual da cantora Sandy e abramos os olhos para o caos político nacional.
(*) A cantora pop garantiu que "sexo anal dá prazer, sim. Por que não?"

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.






domingo, 7 de agosto de 2011

Up-grade Social

O up-grade social operado pelo governo de Lula é, de fato, notável. A expansão do mercado interno é indiscutível. O boom das atividades econômicas é visível no dia-a-dia de todo brasileiro e em qualquer ponto do país. Até no Nordeste, tradicional bolsão de pobreza, as coisa mudaram bastante. As diversas bolsas governamentais, que tiram milhões de pobres das faixas inferiores de renda, inclusive da miséria, terminam por gerar mudanças no aparelho produtivo dos três setores mais importantes da economia. Confesso que tenho sido critico da estratégia de distribuição de renda, dado seu caráter paternalista e porque não vejo como isso vai se sustentar. Mas, a coisa está aí... e pronto. Tudo bem.

Acontece que não é sobre o mérito da política social implantada pelo Governo Federal que vou pautar meu “bate-papo” semanal. Ao invés disso, relato fatos pitorescos – cômicos, até – das mudanças de costumes sociais e novos hábitos do cidadão brasileiro no Século 21.
Quem viaja, com freqüência e por via aérea, já deve ter notado o novo perfil dos passageiros. Antes, viajar de avião era um luxo reservado a poucos dos mortais. Aqui no Nordeste, nem se fala. Agora, tem sido mais freqüente aparecer, entre os viajantes, pessoas visivelmente simples e humildes, com olhares curiosos, alguns meio assustados, “marinheiros de primeira viagem”, sempre carregados com bagagens de mão descomunais e mal-embaladas, além de cobertores e travesseiros pessoais. São os antigos passageiros de transporte rodoviário que mudaram de modal. As empresas aéreas, por outro lado, já descobriram esse nicho e não perdem tempo em promover vendas que se ajustam, como luvas, ao novo estrato social.
O resultado dessa mudança – muito bem vindo, claro – é que cenas inéditas têm sido registradas nas aeronaves que cortam, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, os céus brasileiros.
Hoje à tarde (sábado, 6/08/2011) embarquei, com minha esposa, no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, de volta ao Recife, após uma rápida viagem à Cidade Maravilhosa (nem tanto, ultimamente...) e assistimos cenas impagáveis. O vôo trazia muitos passageiros com destino final na cidade de Petrolina (cerca de 700 km. do Recife, Sertão do São Francisco de Pernambuco). Logo na operação de embarque percebi o agito de alguns companheiros de viagem. Dona Josefa (nome fictício), idosa e de estatura pouco privilegiada, portava um matulão (espécie de rústica bagagem comum nos confins brasileiros) desproporcional à referida estatura. Dava dó ver o sacrifício da viajante. Senti remorso de portar confortavelmente minha maleta levíssima (fibra de carbono) e provida de rodinhas bailarinas. Dona Zefinha adentrou a aeronave e foi logo procurando assento, sem saber que havia uma reservada somente para ela. Orientada pela comissária de bordo foi levada para uma poltrona, bem próxima a minha. Agradeceu as atenções daquela moça solícita, bonita e bem trajada e, sem cerimônia, pediu que ela a ajudasse, também, arranjar um espaço para o matulão: “ô mocinha, você pode me ajudar a guardar minha bagagem ali em cima, que em num alcanço...” “Senhora, sua bagagem está muito pesada e dificilmente vou conseguir acomodar aqui... Por que não despachou?” “Vilge minha fia, eu prifiro carregar meus pertence cumigo mermo. Dixeram qui é mai seguro... Vosmicê me ajuda aqui e meu fio carrega pra eu, quando noi chegá lá em Petrolina” A aeromoça, talvez como num gesto de solidariedade, ajustou, empurrou e conseguiu guardar a bagagem de Zefa.
Passados poucos instantes entra uma família bem caipira e, com certeza, na primeira viagem de avião. O chefe da família orientava, orgulhoso, a acomodação da esposa e dos dois filhos menores nas poltronas situadas uma fileira diagonal à nossa. Vaidoso, puxou do bolso uma câmera fotográfica digital e disparou fotos e mais fotos da família na sua primeira experiência aérea. “Surria mininos. Olha o passariiiinho.... Ei, Maria (nome fictício) tu tá tão seria hoje... que foi que deu, nimtu, heim? Ri também, vai” Fotos prá cá, fotos prá lá, inclusive do restante do avião, chegou a hora da decolagem e ele toma assento justo na frente da minha esposa. Quando vieram as recomendações de apertar cintos e colocar a poltrona na posição vertical, o cidadão faz ao contrário e reclina o encosto. Toquei no ombro dele e recomendei voltar à posição vertical. Olhando à retaguarda resmungou com um “Ôxente, e tô atrapaiano?” “Não cavalheiro é que não é permito esta posição no momento da decolagem” “Ah! Eu num sabia... tá bom, então...” Era ou não era a primeira viagem? O tempo passou e aí veio o melhor da história: quando o Comandante anunciou os procedimentos de descida no Recife e começamos a sentir aquela habitual e suportável pressãozinha nos ouvidos, Maria botou prá reclamar e dizer que não estava agüentando. Que, daquele jeito, ia morrer com os miolos estourados e, aí, entrou em desespero. O marido, meio aperreado, chamou a aeromoça e pediu orientações, que gentilmente explicou que aquilo era normal e que ela se acalmasse, porque logo estaríamos aterrissando e tudo passaria. A mulher não se acalmou... “Mas Zé, num sei prá que tu inventô esse tá de avião”. Já pensou? Ela confundiu o marido com Santos Dumont! “Deixa de teu pantim, mulé cavilosa... Ôxe, desse jeito num te trago mai pa viajá, visse?” Não me contive. Minha mulher me recomendava comedimento. Maria urrava, sacudia a vasta cabeleira e vi a hora dela decolar pelo teto do avião. Eu, não conseguia segurar.
Adorei a viagem desta tarde. O avião não tinha Classe Executiva, mas D. Zefinha e a família de Zé e Maria fizeram o maior up-grade que já tive noticia: deixaram de viajar de ônibus e embarcaram num cilindro voador! Num foi legal? Quem tiver o email de Luis Inácio, encaminhe para ele. Ele vai babar... de alegria, com razão! Até eu...se fosse ele.
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.