sexta-feira, 29 de julho de 2011

Parece que foi pior...

Eu até que alimentei alguma esperança com as modificações prometidas pela Prefeitura do Recife, para o trânsito da cidade. Mas, qual nada... Tá na cara que ficou pior. Meu percurso diário compreende corredores particularmente prejudicados pelas mudanças operadas. Falo de ruas do bairro do Espinheiro, que tem suas principais artérias desembocando na Agamenon Magalhães, principal via da intervenção. Se antes era ruim percorrer essas ruas, agora piorou consideravelmente. Tudo represado até o ponto de atingir a Agamenon. Perde-se muito mais tempo. Curiosamente, notei que fechando os acessos ou saídas das pistas internas da Agamenon, restou um fluxo fluido na principal, três vezes mais larga, e fluxo pesado nas pistas locais. Um total contra-senso. Como não sou de perder o controle das coisas, principalmente em trânsito, passei a contemplar a paisagem bucólica/urbana do bairro do Espinheiro que tem ruas super arborizadas – mostro-as, cheio de bairrismo, a todo visitante – verdadeiros túneis de altos e centenários oitizeiros. Acredite, caro leitor ou cara leitora, havia muito tempo que não tinha a oportunidade de admirá-los como fi-lo nesta semana. Foi meu único consolo dentro do carro, retido nos engarrafamentos da região. Taco uma música clássica, no som do veiculo e fico lá... Possesso da vida, claro, perdendo a hora de um compromisso. Só quero ver como vai ser na próxima semana, com o inicio das aulas. A coisa vai feder, mesmo antes do Canal. Deus que nos acuda. Quem optar pela Avenida Rui Barbosa, vai urrar. fora...
Sabe minha gente, esta coisa não tem solução assim, num abrir e fechar vias à direita ou à esquerda. Quanta ingenuidade desses nossos mandantes e técnicos municipais. Será que essa gente não percebe os erros antes cometidos? A falta de planejamento urbano? Ou de transporte urbano de massa, numa cidade com estrutura antiga e de condições desfavoráveis, que virou Metrópole no século 21? A falta de ordem e responsabilidade na ocupação do solo e, por fim, a selvagem especulação imobiliária? Será que não percebem erros vergonhosos do tipo “modernização” da Avenida Conde da Boa Vista. Aquilo foi, ou melhor, é um dos maiores absurdos em termos de intervenção urbana. Burrice total. Dinheiro do contribuinte jogado no lixo. Ou, provavelmente, nos bolsos dos mandantes.
A verdade é que o Recife está diante de um colossal desafio: modernizar-se e oferecer aos seus habitantes condições dignas de viver, ir e vir sem percalços. E quando falo de percalços lembro-me dos buracos, da falta de vias inteligentes, da limpeza urbana, habitação popular, entre outros aspectos de carências. E o que é fundamental: gestão honesta e competente.
Agora, tem uma coisa: o que se observa no Recife não é muito diferente de outras grandes cidades brasileiras. A crescente urbanização da população é uma delas. Ninguém quer mais viver no campo. È incrível! Outra coisa é a facilidade que se tem, hoje em dia, de se comprar um carro, com financiamentos a perder de vista, entupindo as ruas e complicando o transito.
Faltam políticas urbanas e planejamento sério, embora haja ministérios e secretarias especificas, infelizmente entregues a quem não tem conhecimento ou consciência do papel a cumprir. O atual escândalo do Ministério dos Transportes é bom exemplo.
E o Recife, coitado, cada vez pior.

Nota: Foto obtida no Google imagens

terça-feira, 26 de julho de 2011

Arte, a Essência da Vida

A arte é a essência da vida... Quanto mais amadureço, isto é, fico mais velho, mais me conscientizo disso. Um engenheiro, um arquiteto, a costureira suburbana, o músico e o ator, o grafiteiro, a cozinheira, o jardineiro, o engraxate, o pintor e o escultor, entre muitos outros, são todos artistas. Pensando bem, todo ser humano, afinal de contas e numa instancia qualquer da vida, é um artista. No dia a dia estamos habituados a ver os artistas sob uma ótica muito restrita. Precisamos enxergar um artista na banal empregada doméstica que produz uma deliciosa sopa de feijão preto, salpicada de cheiro verde ou uma tapioqueira de Olinda que peneira a goma, molda a tapioca ao calor de um lume e mete sabores exóticos para recheá-la.
Mas, é artista também quem lida com a arte de outros e as cultiva com devoção e competência. Explico: neste fim de semana (ontem, 24.07.11) fui ver a exposição temporária da obra de Michelangelo (Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simon 1475-1564), no Castelo de São João da Várzea – Instituto Ricardo Brennand, no Recife. Que maravilha. É imperdível. Causou-me impacto dar de cara, logo na chegada, com uma réplica autenticada da famosa escultura de David, do mestre italiano, aquela cujo original está em Florença e que varias vezes, por sorte, pude admirar. Aquilo de ontem foi incrível, em face do cenário no qual ela foi inserida. (Vide foto). Depois daquele primeiro momento impactante, adentrei à nova Galeria do Instituto e, aos poucos, mergulhei num mundo de esculturas clássicas, nem sempre de Michelangelo, minhas velhas conhecidas e por mim visitadas outrora. Com uma feliz diferença de que, agora, elas vieram “visitar-me”. Sim, claro, elas estão com todo esplendor e dispostas com rigorosa curadoria a poucos quilômetros do meu endereço.
Quem pensaria uma coisa dessas, no passado, aqui no Recife? É preciso ser artista como Ricardo Brennand – que, sem cinzel ou pincel – pratica a finíssima arte de colecionar obras de arte. Despido de qualquer sintoma egoísta, esse pernambucano transfigurado num mecenas dos tempos modernos, presenteou Pernambuco e o Brasil com uma das mais importantes entidades culturais deste país. Atravessar os portões do Instituto e percorrer a alameda de acesso ao complexo cultural é possível sentir uma gostosa sensação de estar viajando rumo à Idade Média ou uma praça renascentista da Velha Europa. Nas linhas arquitetônicas ou no entorno de paisagens bucólicas, nas obras de arte espalhadas a céu aberto ou indoor, tudo que se respira é arte. Como não entender que tudo aquilo é a essência do viver de um cidadão que não guardou apenas para si o sabor de colecionador, mas, socializou seu acervo num projeto monumental, raro e invejável. Nada melhor do que aquilo nestas plagas nordestinas. O visitante sai dali, tomado por um misto de energizado e incredulidade. Até mesmo os mais alienados, param, pensam e fazem um juízo de valor, quase sempre significativo e digno do que viu.
Outro aspecto positivo que pude observar ontem foi de ver pessoas visivelmente mais simples e, certamente, habitantes da pobre periferia recifense, surpresas com o que viam e atentas às explicações da jovem guia que, didática e pacientemente, descrevia cada obra exposta e a própria vida do escultor italiano, causando certa admiração dos espectadores. (Vide foto) Eram caras e bocas das mais diversas, surpresos, ora com a imagem do David despido ou da figura feminina despojada de vestes. Esculturas inacabadas ou mutiladas chamavam a atenção desses humildes admiradores, iniciantes na ronda das artes clássicas. Com “meus botões” fiquei imaginando que dali poderia sair alguém com o propósito de ensaiar na argila úmida, obtida nos baixios do vale do Capibaribe, ali bem próximo, sua obra de arte, inteira, acabada, vestida e colorida... por que não? Essa gente é muito criativa e gosta de exercer sua natural veia de artista e aí, a essência da vida brota de onde menos se espera.
Ricardo Brennand repete, em Pernambuco, o que o, também, mecenas, Mauricio de Nassau, operou no Século 16. O que ele construiu, ali nos detrás do Grande Recife, além do up-grade cultural alavancado na comunidade, vai imortalizar seu nome. Obrigado Ricardo Brennand!


Quer saber mais sobre o Instituto Ricardo Brennand? Clique em www.institutoricardobrennand.org.br

NOTA: As fotos da postagem são do blogueiro

Nota Especial: Os acessos ao Blog do GB romperam a barreira dos 80.000, esta semana. Observe o Contador, acima a direita

terça-feira, 19 de julho de 2011

Voando sem Segurança

Se tem uma coisa na vida que me choca e me abate, posso garantir que é o tal do acidente aéreo. Talvez porque uso muito este tipo de meio de transporte, não sei bem... Ou então, pelas conseqüências trágicas em que resultam e tomo conhecimento. Na semana que passou senti, mais uma vez, a sensação de insegurança para voar, até porque dois dias depois do acidente da NOAR, aqui no Recife, tive que embarcar rumo à cidade de Fortaleza (CE) e de lá retornar antes do fim de semana.
Eu sempre digo, com alguma convicção, que não tenho medo de avião. Aparentemente não tenho. Entro e desembarco, em qualquer um, com muita facilidade. Mas, na verdade verdadeira, sempre peço a Deus, com muita fé, por uma viagem tranqüila. E quando o avião toca em solo firme digo sempre: Deo gratias! (graças a Deus)
Estes dias estive pensando que, no passado recente, vem ocorrendo relativamente muitos acidentes aéreos. Nem falo de aviões de pequeno porte, inclusive helicópteros, que toda semana cai algum, Brasil afora, e passam despercebidos pelo grande publico. Falo, mesmo, é dos grandes desastres: Fokker 100, da TAM, em cima da cidade em São Paulo ao decolar em Congonhas, ainda na década de 90; o avião da Gol “atropelado” por um jatinho particular irresponsável; o espantoso acidente da TAM, também, que derrapou na pista de Congonhas (São Paulo), quatro anos atrás, explodindo nas instalações da própria companhia no outro lado da avenida subjacente à pista; o terrível acidente com o avião da Air France que mergulhou, aqui defronte, no Atlântico e, por fim, esta semana, o aviãozinho da NOAR que se estraçalhou e explodiu em plena cidade, num dos bairros mais populosos do Recife. Teve outro, que não faz muito tempo, também, de uma banda de música brega que desabou sobre o bairro do Engenho do Meio (Recife), espalhando pânico nos moradores.
Quantas vidas forma ceifadas em questão de minutos! Eu não saberia calcular o número de vitimas fatais dessas catástrofes. O que sentiram? Como encararam a morte inevitável? Será que sentiram a chegada da maldita? Isto ninguém sabe e nem pode avaliar. Por outro lado, impossível contar as vitimas que ficam chorando seus mortos! A meu ver, são as maiores e mais sofredoras.
Falha humana ou da maquina são as mais comuns das explicações. O abominável motivo da manutenção relaxada das aeronaves e a pressão das empresas para colocar no ar aviões sem condições técnicas, mesmo sob protestos do comandante escalado, a cata do vil metal é doloroso e frequente explicação. Tem coisa pior? Lembro que o avião da TAM que explodiu nas dependências da própria empresa voou sem condições mecânicas. Num país mais rigoroso uma empresa como essa teria sua licença cassada. Na China, por exemplo, foi assim. Depois de vários e terríveis acidentes, algumas empresas foram banidas dos céus e as que sobraram vivem debaixo de rigoroso sistema de fiscalização técnica. Na África, algumas companhias aéreas não têm permissão de voar para ou na Europa e Estados Unidos, por total falta de condições técnicas. São essas coisas que assustam pobres mortais, quem nem eu.
No Recife, depois do desastre desta semana um novo debate cresceu e nem tão cedo será esquecido: a localização do aeroporto dos Guararapes. Inaugurado pelo Governo JK (década de 50) e construído aproveitando a pista deixada pelos americanos, na época da 2ª. GG no subúrbio do Ibura, era uma localização privilegiada, em face da ausência de aglomerados urbanos ao seu redor. A cidade cresceu e hoje sufoca a pista e a estação de passageiros. (Vide Foto acima). Os aviões modernos, mais possantes e mais pesados descem no Recife quase tocando as casas e prédios da região. O aeroporto de São Paulo/Congonhas é outro absurdo. Nem é bom falar. Dá medo daqueles que a gente nordestina chama de medo medonho. Lisboa (Portugal) é outra cidade que tem aeroporto dentro da área urbana. Há outros que são no meio do mar como o Santos Dumont, no Rio, o Osaka- Japão (Vide foto a seguir) e Hong Kong – China. São aeroportos como esses que assustam uma cidade a toda hora. No caso de acidente, nos momentos de decolagem ou aterrissagem, não tem apelação. Mata quem é passageiro, mata quem está em terra e mata do coração quem assiste.

Está na hora de se pensar numa norma internacional que obrigue a localização de aeroportos bem distantes das zonas urbanas e que nada mais seja construido no seu entorno. No Recife e em São Paulo (Congonhas) medidas devem ser tomadas para afastar os riscos de tragédias maiores. O comandante do avião da NOAR, entre os mortos do acidente, foi um herói ao evitar a queda sobre uma casa ou se estraçalhar de encontro a um dos muitos edifícios da região que caiu. A coisa teria sido mais trágica. Diante disso, Deo gratias! NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Brasil Desindustrializado (Breve)

Na semana passada vi num jornal de economia, editado em São Paulo, uma noticia muito preocupante: os metalúrgicos das grandes montadoras de veículos brasileiros cruzaram os braços por dois dias. Dessa vez, não estão querendo aumento de salários, redução de jornada ou algo corriqueiro. Pasmem, estão reivindicando algo inusitado: o fortalecimento da indústria nacional. O argumento tem sua lógica e decorre do visível processo de desindustrialização do país. A moçada do chão de fábrica, no ABC paulista, está se pelando de medo de que as montadoras resolvam mudar, de vez, suas plantas para a China, onde o custo da produção é infinitamente menor. Segundo o noticiário, um líder sindical paulista, que voltou recentemente de uma visita a matriz da Wolkswagen teme que a empresa passe a importar invariavelmente itens produzidos na China. “Um terço da produção mundial da Volks já está na China e a tendência é chegar rápido à metade”. O tal sindicalista vaticinou que “aí, não sobrar sequer parafusos pra gente apertar”. O rapaz tem toda razão e o Governo brasileiro precisa abrir os olhos. D. Dilma tem que agir rápido.
Uma das coisas que constatei, numa recente viagem à China e visitando a monumental Feira de Cantão, é que os chineses estão empenhadíssimos em duas coisas: primeiro, acabar de vez com a péssima fama de que todo produto chinês é mal-acabado de baixa qualidade e, em segundo lugar, estabelecer parcerias com empresas estrangeiras para produzir na China. Claro que por trás disso está o compulsivo objetivo de vender, cada vez mais. Eles têm a “faca e o queijo” nas mãos, por conta dos assombrosos baixos custos da produção. Haja competitividade. Não é mesmo? E, para competir com eles, só a eles se juntando. Meio mundo já descobriu esse “pulo do gato”.
Na indústria automobilística essa coisa está dando certíssimo. É impressionante, por exemplo, a beleza e qualidade dos veículos da Great Wall. Parei diante do estande da empresa, na Feira de Cantão, e mal pude acreditar. Pense num troço deslumbrante. O acabamento interno do modelo exposto, em couro branco e madeira, era de babar. E, agora, saiu um modelo denominado Brillance 530 (dê uma espiada na foto a seguir), fabricado por uma montadora chinesa em parceria com BMW que é simplesmente espetacular. Não podia, creiam, ser diferente porque os desenhos dos carros chineses estão sendo bolados, na maioria das vezes, em parceria com quem sabe fazer a coisa, no Ocidente, que no

final das contas é o melhor mercado dos produtos chineses. Os italianos estão dando banho de design nas terras de Mao. Para completar, todo dia estou sendo impelido, a bordo do meu sofá, pelo Faustão na TV, me aconselhando comprar um automóvel JAC, completo, sem essa de opcionais à parte e com inacreditáveis seis anos de garantia. Desse jeito, não tem quem segure. Fico olhando a revestrés ... e já me balancei pelo negócio. No futuro, quem sabe?
Tudo isso, minha gente, expõe de modo assustador a ameaça que, atualmente, sofre a indústria brasileira em geral, não apenas a automotiva, de ser abatida por um franco processo de desindustrialização. Não é à toa o que os metalúrgicos do ABC estão fazendo e que essa discussão cresça, rapidamente, no meio empresarial brasileiro.
Diante disso só nos resta fazer coro com os que cobram as reformas tributária e trabalhista tão demandadas pela Nação. Será que essas gente dos legislativo e executivo não enxergam o perigoso e ameaçador fosso que se abre na trajetória da indústria brasileira. Ou vão, mesmo, deixar a coisa ser reduzida ao plano das commodities? Será esse o papel que estão reservando para o Brasil? Eu toparia fazer uma distribuição de lentes corretivas para essa miopia política, nas entradas do Congresso Nacional e nas portas dos prédios da Esplanada dos Ministérios.


NOTA: A foto do Brillance 530 foi obtida no Google Imagens.

domingo, 3 de julho de 2011

Paisagem Matuta

Como faço todo ano, na noite de São João, corri para o interior, onde os festejos têm mais sabor e animação. Não importa o transito das estradas, nem os estado de abandono das mesmas. Este ano fui a Fazenda Nova, nosso reduto familiar. Muitas fogueiras e comidas de milho, como manda a tradição. No final da noite aquele mesmo show anual da queima de fogos, do magnata do cimento, nos céus do lugar, com duração de exatos 25 minutos. Um jeito bonito de queimar dinheiro... quem pode faz e quem não pode (que nem eu) assiste.
Passada a noite de folguedos restou-me circular pelas redondezas e rever a paisagem e a gente dos nossos antes. Oi, Dona Hilda! Como vai Seu Mané? Dona Rosa, a Senhora tá boinha? Tô sim sinhô! Vou levano, né?! É uma graça.
Mas, a parte mais divertida e imperdível é ir ao Brejo da Madre de Deus, 20 km. à frente, no sábado, quando é dia de feira. Nos interiores do Nordeste, dia de feira é dia de festa. O povo se arregimenta e vai às ruas para vender, comprar, fazer o footing e debulhar as fofocas mais fresquinhas. É sempre um alvoroço. Principalmente como no Brejo, que é uma cidade sem muito “o que fazer”. Tem menino, correndo pra todo lado e entre as pernas da gente, tem jovens e velhos, mocinhas casadoiras, vitalinas (donzela velha) atrás dos bestas encalhados que se habilitem a fazer uma caridade e marmanjos paquerando as menininhas saracuteadas, cada vez mais numerosas, nos dias de agora. Fala-se de uma vitalina que faz a feira, propriamente dita, ao raiar do dia e volta prá casa, toma banho, se perfuma, bota pó e rouge e corre prá feira, no auge do movimento, para cometer a incansável caçada. A paisagem é quase a mesma de antigamente, não fossem os sinais concretos da onda da globalização econômica que, sem pedir licença, invade o ambiente e enche algumas bancas da feira de bugigangas chinesas, é claro, se transformando em verdadeiros sucessos de mercado. É radinho de pilha, relógio, aparelhos de telefonia celular, brinquedos eletrônicos das mais diversas modalidades, joguinhos eletrônicos, óculos entre outros muitos itens. Ah! Acrescente-se a essa gama de produtos importados os artigos para o vestuário e seus acessórios, que, inclusive, concorrem, gozando de larga vantagem, com os fabricados na Região (pólo de confecções de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru). Vide fotos.
Acompanhado de um irmão, com imenso prestigio político no pedaço, fui parando a todo instante, que nem cavalo de bêbado. “Cuma vai Doutô? Deixe eu passar a mão nas sua costa...” “Oi meu fio” – falando comigo – “esse seu irmão é uma benção de Deus cá prá noisi. Veja só, eu inté aliso as costa dele pra mode me sentir mió...” Parei e fiquei admirando a pureza daquela gente. E orgulhoso do irmão...
De repente, vejo-me diante de um cidadão metido num macacão sujo de tintas de todas as cores, simpático e muito falante. Meu irmão me apresenta e diz que se trata de um dos mais atuantes vereadores da cidade. Claro que fiquei surpreso. Um vereador, com trajes de trabalhador! Quem já viu? Vestido daquele jeito... Manifestando prazer em me conhecer, foi logo me dizendo que era especialista em alongar os Jipes Toyotas, para transformá-los em potentes lotações, muito comum naquelas bandas. “E como você exerce o papel de vereador? O salário de vereador, não é o bastante?” Perguntei curioso. “É simples doutô: eu ganho Cinco
Mil por mês na Câmara Municipal e gasto o dobro com meus eleitores... Não posso deixar de trabaiá meus toyota... num vou morrê de fome, né”
Mais adiante fui apresentado a um velho político que, em dois minutos, deu a receita infalível de como fazer política no interior. Aliás, lembrou muito meu avô, antigo chefe político da região, ao afirmar que “quem não aparece, desaparece”, ao criticar o sumiço de um dos mais fortes candidatos a prefeito da cidade. “O povo quer esse homem, mas, ele parece que não quer o povo!...”
No final da circulada escutei de um popular uma verdadeira bomba, ao afirmar que correm rumores de um mensalão brejense. Já pensou?! O vereador da oposição que, na Câmara Municipal, guardar silêncio e não perturbar o atual prefeito ganha – por fora – o tanto que ganha por dentro. Pelo visto, a paisagem matuta não está tão matuta assim... Êita, que tá tudo estragado...
NOTA: Fotos do Blogueiro