sexta-feira, 24 de maio de 2013

Deus é Brasileiro

O tornado que passou, esta semana, por Oklahoma (Estados Unidos) foi devastador. Sinto arrepios vendo as imagens na TV. Naquela região norte-americana já existe uma área identificada como sendo um corredor desses fenômenos. Fico pensando o terror que é viver por ali. Este último imprimiu uma velocidade de aproximadamente 300 km. por hora. Ocorre em poucos minutos ou mesmo segundos. Devasta, passa e desaparece tão rápido, quanto chegou. Num abrir e fechar de olhos, o mundo vem abaixo. Não resta pedra sobre pedra. Veja só esta imagem abaixo.
Os fenômenos da natureza sempre chamam muito minha atenção. Furacões, tufões, tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos, enchentes, avalanches e similares são coisas do dia-a-dia planetário, com os quais o homem é forçado a viver e buscar formas de escapar.
Ocorre-me, porém, pensar que viver no Brasil equivale a viver numa região abençoada por Deus.  ¨Neste pedaço do planeta não se fala em tragédias gigantescas provocadas pela mãe-natureza. Somos um povo abençoado.¨  Fui enfático e, acredito que provocativo, numa dessas rodas de jogar conversa fora e molhar palavras. Não demorou muito e um dos companheiros, baixou o copo e saltou de lá, rápido com um furacão, falando mais ou menos assim: ¨Fico pasmo! Logo você fazer um discurso desses... e a seca que arrasa o sertão do Nordeste brasileiro com freqüência?   Parece até que nunca ouviu falar da Sudene¨.  Provocando porque ele sabia que eu fui dessa agencia regional de desenvolvimento. Era esperado que houvesse uma reação dessas.
A seca do Nordeste é também devastadora, concordo. Mas nada comparável com as destruições causadas por um terremoto, que, sobretudo, não dá rota, nem chance de fuga para quem quer que seja. O mesmo ocorre quando um tsunami ou um tornado, pela suas características arrasadoras. Nada para se comparar.
Uma estiagem chega aos poucos. É de ataque lento. Oferece condições de serem adotadas providencias de mitigá-la. Há sofrimentos, perdas e prejuízos, é claro. Mas, nada comparado com as destruições provocadas pelos fenômenos acima enumerados.
Por outro lado, há sim condições de convivências saudáveis com as estiagens e isto já foi provado em muitas outras regiões do planeta. De Israel e do México, por exemplos, vêm os melhores informes sobre boas experiências. ¨Conviver com a seca é a solução mais inteligente¨, afirmei ao meu amigo assustado com minha manifestação anterior. ¨Mas, é preciso vontade política para enfrentá-la¨, acrescentei.
Livre das grandes catástrofes que se registram mundo afora, o Nordeste seria um paraíso, houvesse vontade e decisão política dos governos. Estou cansado de afirmar isto, inclusive aqui no Blog. Prova disso é o que se pode observar nos belos oásis de produção de fruticultura irrigada, existente no extremo oeste de Pernambuco. Em pleno sertão brabo e seco, nos municípios de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, além do vizinho município de Juazeiro, na Bahia, colhem-se as melhores uvas de mesa (vide foto a seguir), melões e mangas de qualidade comprovadas internacionalmente e lá...  lá não se morre de fome, nem se padece pela estiagem longa. Ela chega, sim! Mas, o sertanejo daquelas bandas já sabe como driblar. E ainda brinda o sucesso com os vinhos produzidos pelas bodegas do Paralelo 8, que se notabilizam pela alta qualidade dentro e fora do Brasil. O espumante é o carro-chefe. É tim-tim a toda hora saudando o Sol abrasador, que paradoxalmente se tornou o melhor amigo daquela gente. Graças a ele, ao solo arenoso e as águas do rio São Francisco, são tiradas entre duas e três colheitas de uva por ano. Lugar nenhum do globo registra essa produção. Isso tudo, graças a iniciativas locais que mobilizaram os atores sociais, incluindo pesquisadores, criadores, agricultores, o povo, as igrejas e os políticos bem intencionados. Deram-se as mãos, decidiram, montaram um especial esquema tecnológico e de financiamento e hoje estão ¨pulando na carne seca¨. Acho que de bode, que é farto na região. Dão exemplo de que o Nordeste brasileiro pode ser um paraíso, embora que os governos irresponsáveis que se sucedem sejam míopes e não enxergam essa realidade.
Então, lembrando o inicio da nossa conversa, acho, mesmo, que Deus é brasileiro, sim.  Meus amigos  – os da roda de bate-papo – ficaram calados, molhando palavras e pensativos. Eu? Pedi licença e fui prá casa. Fui...
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mosaico Desajustado

Por motivo de ordem técnica o Blog do GB não saiu, semana passada. Nessas horas fico me perguntando como chegamos a este tempo de intensa tecnologia da informação. Sem essas ferramentas o mundo pára. Quando enveredei pelo projeto do meu Blog do GB e ele virou minha “cachaça” logo percebi que sem ela sinto-me incompleto.
O tema da semana seria ainda sobre uma Argentina mergulhada em novos episódios preocupantes, que de algum modo refletem na economia do Brasil. Mas, deixei prá lá... Quem lê jornais e semanárias fica inteirado de tudo.
Ainda no plano internacional, pergunto: tem coisa mais prosaica e ridícula do que a ampla divulgação jornalística que estão dando sobre a falta de papel higiênico, na Venezuela? Coitados! Virou assunto de Estado. O Presidente Maduro, preocupado com a situação, vai comprar seis milhões de rolos, no Brasil. Urgentemente! Vide foto abaixo. A que ponto chegaram! Eu já tinha ouvido noticias da falta de outros itens mais notáveis, da cesta básica bolivariana, mas, até o utilíssimo papel higiênico? Imagino como esteja este pobre povo já tão sofrido. Li um comentário hilário sobre a situação: “se antes os jornais venezuelanos não serviam nem para limpar o @#%s, agora tem destino certo. Por sorte, porque tem sido a valia da população venezuelana”. Ri muito e, ao mesmo tempo, lamentei pensando nos amigos que tenho por lá. Lembrei de uma amiga chamada Flor, esposa do famoso guitarista Lucho Quintero. O que será dessa flor, nas atuais circunstâncias?

Chocante, mesmo, é a história daquele monstro que manteve três jovens em cativeiro, durante dez anos, numa casa aparentemente frágil, Vide foto, em Cleveland, nos Estados Unidos. Que horror! Que falha elementar do FBI.

Por outro lado, fico impressionado com episódios absurdos do cotidiano brasileiro, como, por exemplo, o fato do menor que assumiu a autoria do crime de queimar viva, num assalto, a dentista Cinthya de Souza, no ABC paulista. Foto a seguir. Um crime hediondo. O motivo: ter somente R$ 30,00 na bolsa! É espantoso! Absurdo maior é concluir que estão terceirizando o crime! Estamos cada vez mais afundando moralmente falando, neste Brasil velho. A coisa parece funcionar assim: um menor assume o assassinato, recebe uma “recompensa” qualquer do verdadeiro criminoso, cumpre uma pena de passar dois anos numa casa de ressocialização, enquanto o verdadeiro criminoso, em liberdade, sai repetindo a atrocidade, sem medo, com prazer e certo de que nunca vai ser condenado de verdade.
Da mesma região paulista, veio a noticia do caso da garota pernambucana, que de tão estressada pelo bulling que sofria na Escola, “perdeu a cabeça” e terminou agredindo com uma arma branca o colega de classe? O garoto não suportava o sotaque nordestino da menina. Francamente. Preconceito e revolta mixados.
Como ninguém está livre das atrocidades sociais, deste mundo informatizado, tive o maior trabalho para corrigir três ataques que me fizeram em poucos dias: clonaram dois dos meus cartões de crédito e um talão de cheque, inteiro! Três episódios independentes, bom regsitrar. Gastaram adoidado, pelo Brasil afora. Num dos cartões, compraram uma passagem na executiva da TAM, trecho São Paulo/Nova York/São Paulo.
É duro dizer, mas, nosso mosaico social está todo desajustado.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Metrópole do Fim do Mundo

Desde que o Cardeal Bergogli se tornou Papa Francisco e, na sua primeira saudação ao mundo cristão, se referiu ao seu país de origem como um lugar no fim do mundo, a Argentina vem adotando esse novo clichê para tudo que vier e couber. Foi isto que observei no final de semana passado (1 a 5 de maio de 2013), quando estive circulando em Buenos Aires. Aliás, o Papa Francisco é motivo de tudo por lá. Santinhos, bandeirinhas, postais, broches, marcador de livro e toda sorte se sourvenirs. (Foto a seguir).
A cidade além das habituais bandeiras nacionais nas cores branca e celeste tem também as brancas e amarelas, cores do Vaticano. (vide Foto a seguir)
Outra figura igualmente festejada é a nova Rainha Consorte da Holanda, Máxima Zorreguieta, também argentina de nascimento. Ah! O Jogador Messi também. Os argentinos, muito nacionalistas, que sempre cultuam com muito orgulho seus personagens famosos estão, atualmente, em estado de graça com essas figuras de destaques no cenário internacional. “Pelo menos isso, já que aqui dentro, nos campos econômico e político estamos destroçados”, me afirmou um sisudo taxista. Cidadão na casa dos 50 anos de idade, aparentemente culto e de conversa muito bem articulada, fez severas criticas ao estado atual do país. Com tom de revolta meu interlocutor saiu-se com uma inacreditável: “isto aqui se transformou numa Venezuela e ultimamente a capital da Argentina é Caracas”. Não apenas no taxi, mas por onde andei verifiquei, facilmente, que a Presidente Cristina Fernández é alvo das mais duras reações. A inflação está campeando e os movimentos de protestos se multiplicam a cada dia. Vi alguns. Os argentinos são bem chegadinhos a esses protestos. Passeatas, panelaços e grandes comícios são as formas mais populares. (vide fotos a seguir) Já no Brasil, isso quase nunca acontece. Nosso povo não vai às ruas. Mobilizá-lo é coisa quase impossível.
Habituado a visitar e gostar muito do país hermano, confesso que não fiquei surpreso. Acompanho atentamente o noticiário e as análises político-economicas, através do que posso perceber o desgaste sócio-politico que vem ocorrendo.
Recordo que já estive na Argentina em situações das mais distintas. Quando jovem assisti o retorno triunfante de Juan Domingo Perón ao país, após longo exílio. Logo a seguir vi este velho caudilho assumir, com sua segunda esposa, Isabelita, na Vice Presidência, o comando da Nação, em meados dos anos 70. Vi a queda de Isabelita, com o golpe militar. Estive por lá após a Guerra das Malvinas e encontrei um país destroçado. Voltei durante a redemocratização, no Governo Alfonsín e conferi sem acreditar o drama da hiperinflação. Depois experimentei o clima da paridade dólar/peso no Governo de Carlos Menem, acompanhei a crise de governança do inicio dos anos 2000 e, por fim, já estive por lá na Era K (Kirchners), inclusive por três vezes com Cristina no poder. Por tudo isso, acho que conheço bem essas agruras argentinas. Aquele mesmo taxista acima citado, sem que eu perguntasse, asseverou que “lamentavelmente nosso país está condenado a viver uma crise político-econômica, a cada dez anos”. Lamentei junto com ele, paguei a corrida e desci no meu destino, desejando boa sorte.
Atualmente, nas principais vias da capital (Florida, Corrientes, Lavalle entre outras) é insuportável o assédio dos cambistas oferecendo a vantajosa troca de Dólar por Pesos com uma taxa inacreditável: o dobro do câmbio oficial. Nas lojas os comerciantes, sem cerimônia, dizem logo que recebem pagamentos em Dólar. Se a cédula for de 100 o cambio melhora ainda mais. Isso me remete à época da hiperinflação que todo argentino, até os mais pobres, acumulavam o quanto podiam a moeda norte-americana debaixo do colchão. Quando Menem assumiu acabou com o Austral, resgatou o Peso e equiparou-o ao Dólar. Os dólares acumulados saíram de debaixo do colchão e, com autorização legal, circulavam como o meio de troca aceito em qualquer transação comercial. Até uma corrida de taxi podia ser paga com Dólar. Atualmente, não sei o que pode acontecer, mas, alguns garantem que algo está por vir. E, por isso, melhor se garantir com uma moeda forte.
Apesar de tudo, continuo gostando muito de visitar a Argentina. Ali, sinto-me meio que em casa. Tenho amigos, curto o clima cultural buenairense, os cafés nas calçadas com ar parisiense, a gastronomia, o tango, a flegma do povo – eles sofrem, mas jamais perdem a pose – a beleza dos parques, as largas avenidas, o alfajor, as media-lunas!, as empanadas! O doce de leite!, o Tortoni, o bairro antigo de San Telmo (Vide foto a seguir), os bairros da Recoleta e de Palermo, entre muitas outras coisas que me arrebatam e dão prazer, a cada retorno. Deixo a cidade sempre com vontade de ficar. Refazer a mala e enfrentar a autopista que leva ao aeroporto é quase um sacrifício.
Cristina passa, o Peso se recupera, a economia volta aos trilhos, outros dez anos de tranqüilidade transcorrem, novos governantes aparecem e essa Metrópole do Fim do Mundo (Vide foto panoramica abaixo) será sempre um destino favorito na minha cabeça.

NOTA: As fotos são todas da autoria do Blogueiro, exceto a última obtida o Google Imagens.