domingo, 16 de outubro de 2016

Uma noite com Bocelli

Sempre ouvi dizer que algumas coisas não vida “não tem dinheiro que pague”. Naturalmente que se trata de algo muito relativo. O que tem valor pra mim pode ser insignificante para outrem. Isto é valido para qualquer coisa. Nesta semana, que hoje termina e, por exemplo, desloquei-me a São Paulo, com o objetivo único de assistir a uma apresentação do magnífico tenor italiano, Andrea Bocelli. O que representou um prazer especial para mim e minha esposa, causou espécie para alguns. Aí, então, foi quando também me lembrei da minha mãe que, vez por outra dizia: “o que é de gosto regala o peito”. Regalei meu peito e minha alma de prazer e satisfação. Sabe aquela situação em você se sente em estado de graça?  Foi assim. Sou amante da boa música e de uma bela voz. O Bocelli atende minhas humildes exigências.  

É extraordinária a capacidade de atração desse artista. O show, desta semana (12.10.16), foi levado no Allianz Parque (Estádio do Palmeiras), na capital paulista. Vendo aquele estádio superlotado com espectadores nas arquibancadas, camarotes e no próprio campo de futebol, devidamente preparado para receber o grande público, cheguei à conclusão que o povo (não arrisco em povão) gosta da boa música. Friso que não foi nenhum espetáculo com preços  populares e daí essa minha conclusão.  
Sempre admirei o Andrea Bocelli, desde quando despontou nas grandes paradas internacionais. Cheguei até a planejar uma ida à Itália coincidindo com um dos seus concertos na Arena do Silencio, na Toscana. Mas, com essa vinda ao Brasil, não deixei passar a chance.  
Foi uma noite inesquecível para todos que lá estiveram. Acompanhado pela Orquestra e Coro Santa Marcelina Cultura, do Estado de São Paulo, sob o comando do Diretor Musical Eugene Kohn, Bocelli brindou-nos com canções conhecidas sob a temática de músicas consagradas no cinema (Cinema World Tour) mesclado com seus sucessos ao longo desses anos recentes. Sem duvidas uma noite deslumbrante.

Com a Soprano Maria Aleida
Afora isto, cabe o registro das participações da soprano cubana Maria Aleida, que o acompanha nessa tournée mundial e da violinista norte-americana Caroline Campbell, a queridinha de artistas famosos, entre os quais Sting, Michael Buble, Rod Studart, Seal e, claro, Andrea Bocelli. Vale à pena, também, saber mais sobre essas artistas. Professor Google pode ajudar. Agora, a grande surpresa da noite foi quando entrou no palco a cantora brasileira Anitta. Sim, a própria! Aquela cantora de funk! Parece que está mudando de gênero musical e deu a maior show, atacando com bela voz e razoável pronuncia inglesa, cantando Over the Rainbow, em participação solo. Na sequencia fez dueto com Bocelli e arrancou longos aplausos do grande publico. Surpreendente o exército de fotógrafos que surgiram para fotografá-la. Para nós que estávamos na primeira fileira de espectadores e área central diante do palco, ficou difícil assistir, naquele momento.  

Anitta fazendo dueto com Andrea Bocelli
Outro registro que não posso deixar de fazer fica por conta da programação que nos engajamos, promovida e administrada pela empresa Cielli di Toscana, com sede em Florença, na Itália, (www. cielliditoscana.com) e que sempre acompanha Bocelli na Itália e, dessa vez, no Brasil, por conta da sua origem com capital brasileiro. A empresa organiza grupos de espectadores que são localizados em posições privilegiadas (setor Diamante), com transfers (ida e volta), coquetel de boas vindas ao local do evento e distribuição de amenidades relacionadas com o show. Detalhe: o vinho servido no coquetel veio com o rotulo Bocelli. Isto mesmo. Acontece que a Família Bocelli produz um vinho de alta qualidade, o Bocelli (www.bocellifamilywines.com), a base de uvas Sangiovese, na região da Toscana. Provamos do vinho e aprovamos. Quando fomos conduzidos ao local do show ainda sentíamos o sabor Bocelli (vinho e prosecco) na boca.
Dois outros momentos, também, levaram o público ao delírio, tanto pelo inesperado, quando pela importância simbólica. O primeiro foi, antecedendo ao show propriamente dito, a execução do Hino Nacional Brasileiro, cantado por um desconhecido.  O publico cantou a todo fôlego e emocionou. Sinais de um novo tempo? O segundo momento foi a execução da abertura da ópera O Guarani, de Carlos Gomes, no inicio do segundo ato. Ou segundo tempo?

A revista/programa do show traz, entre outros registros, algo que chama a atenção do leitor mais atento, numa frase consignada ao escritor Antoine de Saint-Exupéry que diz: “Somente com o coração que se pode ver claramente. O essencial é invisível para os olhos”. Bocelli é um exemplo. Não preciso dizer mais nada. Salvo que foi uma noite inesquecível, de verdade. Meu desejo foi realizado.    


Nota: Fotos da autoria do Blogueiro   

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O recado colhido nas urnas

Os eleitores brasileiros deram um forte recado à Classe Política do país, no pleito eleitoral de domingo passado (02.10.16). O que vimos, no final da apuração dos votos, foi uma formidável demonstração de desinteresse, repúdio e, de certo modo, o desprezo que o cidadão brasileiro vem atribuindo aos processos eleitorais e aos seus representantes políticos. Teve candidato que explorou esse viés do anti-político, viu a repercussão do seu discurso e se elegeu de primeira.  
Tenho tido a curiosidade, desde as eleições de 2012, de acompanhar as informações relativas às abstenções, votos nulos e em branco. Lembro que, naquele ano, o candidato vitorioso para comandar a Prefeitura, da cidade de Olinda-PE, obteve menos votos do que os brancos e nulos que foram computados. Dias antes do pleito municipal do domingo passado eu já previa algo semelhante dado ao desencanto da sociedade como um todo. E não deu outra. Ora, meus amigos e minhas amigas, alguma coisa precisa ser revista.

O resultado, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, foi que em dez capitais brasileiras a soma das abstenções, nulos e em branco superou aos votos sufragados aos primeiros colocados. E foram cidades importantes como Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras. Nesta última o grande vitorioso e novato, João Doria (PSDB), teve 11 mil votos a menos do que a soma dos brancos, nulos e das abstenções. A maior taxa de abstenção verificou-se no Rio de Janeiro alcançando a casa dos 24,28%. Este percentual mostra que, praticamente, 1 em cada 4 cariocas, não se abalou para ir à sessão eleitoral a dar seu voto. Vamos e venhamos, é um índice altíssimo. No Recife o segundo colocado, João Paulo (PT), que vai disputar o segundo turno, com o atual Prefeito Geraldo Julio (PSB), teve menos votos do que os que foram computados como brancos, nulos e abstenções. O menor índice de abstenção, apenas 8,59%, ocorreu em Manaus, capital do estado do Amazonas.
Não é muito difícil deduzir as razões desse desinteresse ou desprezo do eleitor. Os traumas políticos registrados nesses últimos anos – desde as grandes manifestações de 2013 – a dura eleição de 2014, os descaminhos do governo passado e o recente processo de impeachment da “presidenta”, além dos crimes escandalosos expostas pela Operação Lavajato resultou num caldo de desencanto no seio da sociedade que, dificilmente será dissolvido. É preciso que este Governo, que aí chegou, diga logo prá que veio e promova as reformas devidas e cobradas pela Nação. Não podemos é seguir nesse clima de desconforto político, estagnação econômica, insegurança e bancando equilibrista sobre um tecido social esgarçado e ameaçado romper a qualquer momento. Foi mais ou menos isto que o eleitor quis dizer no domingo passado.
O Brasil precisa de uma série de reformas para acertar o rumo de um caminho virtuoso. Fala-se muito nas reformas da previdência e econômica, mas, pouco se diz a respeito de uma reforma político-eleitoral. O modelo vigente está, definitivamente, superado. Esgotou no seu próprio emaranhado e torrou a paciência da Nação. As imperfeições estão à vista de todos. Ideias como voto distrital, voto obrigatório, quocientes eleitoral e partidário, entre outros, devem ser mais bem discutidos. O recado foi dado. Esperemos que seja ouvido corretamente.

NOTA: Imagem ilustrativa foi colhida no Google Imagens