quarta-feira, 20 de abril de 2016

E agora Brasil?

“Pela minha mãe, pela minha mulher, pelo meu avô, pela minha netinha que está pra nascer, por titia que me criou, por...” Que ridículo! Era uma sessão de trabalho na Câmara Federal ou um circo de cavalinhos em dia de grande plateia? Menos mal que o esperado show de Tiririca não aconteceu. Vai ver que ele estava indisposto. Foi lacônico e rápido ao expressar seu voto pelo Sim. Isto sem falar no despautério de alguns que não pouparam palavras ofensivas ao Presidente da Casa. Não, alto lá. Não estou defendendo o individuo Deputado Eduardo Cunha, implicado até os dentes na Lavajato. Mas, estou me referindo ao cargo por ele exercido. Tudo na vida requer ritual próprio e respeitoso quando necessário. Se colocá-lo naquela cadeira foi uma escolha errada, paciência. Sendo culpado, que pague na forma da Lei pelos crimes cometidos.   
Aquilo de domingo (17.04.16), em Brasília, foi um puro testemunho do quanto o eleitor brasileiro é incapaz de escolher as pessoas certas como representantes. De todo modo, nunca é demais lembrar que aquilo é o retrato do Brasil. Aquele linguajar muitas vezes chulo combina como o nível cultural da Nação. E os parlamentares sabem disso. Agora, tem uma coisa: fico envergonhado por saber que aquela muvuca foi transmitida para o mundo inteiro. Que eu saiba, a CNN Internacional fez cobertura maciça. Um canal de TV argentino transmitiu, ao vivo, com alcance até o Chile. Às Globo e Band Internacionais muitos foram os expectadores. Que vexame.
Mas, deixando de lado o folclórico parlamento brasileiro, ocorre-me uma questão: e agora Brasil? Sim, e agora o que pode acontecer? Dolorosa interrogação.
Bom, acredito que ainda vamos atravessar um período bem difícil. Com Dilma no poder ou Temer no comando a coisa me parece bem tumultuada. E é no campo econômico onde vamos sentir as piores consequências. E Economia ruim é catastrófica para qualquer Governo. Vejamos: cenário de Dilma salva pelo processo final do impeachment no Senado. No Planalto tentando remontar seu governo, buscará saídas para finalmente mostrar que pode governar. Prevejo que não será uma missão fácil. Pelo contrário, será necessária uma força sobre-humana para quem foi sempre concentradora de poder, pouco afeita aos diálogos e experiência sofrível em política partidária. Contará a contragosto com oposições derrotadas que não perdoarão e, mais do que antes, farão de tudo pior para atropelar a mandatária. Imagino derrotas esmagadoras, como a do domingo passado. E nesse cenário quem pagará o pato seremos nós, os pobres coitados cidadãos comuns. Principalmente os mais pobres. O recém-prometido governo de conciliação – que poderia até ser a “salvação da barca” – se revela como um projeto inviável em face do clima que se estabeleceu. Pouco provável que os partidos opositores se dignem entrar nessa coalizão. 
Já o cenário oposto é o do impeachment efetivado e Michel Temer assumindo o Governo. Ao contrário do que muitos imaginam, também não será fácil. O programa de recuperação econômica, denominado Ponte para o Futuro proposto recentemente pelo PMDB, encontrará pela frente verdadeiros impeditivos para sair do papel. A situação degradada nas quais se encontram os quadros político e econômico requerem significativas estratégias, muitas das quais de difíceis desenhos e complexas construções. E o ponto mais delicado e desafiador será o resgate da credibilidade, nos níveis domésticos e internacional. Em apenas dois anos e meio de governo? Tenho dúvidas. A remontagem de um novo governo com a adoção de medidas necessariamente impopulares, como as reformas desejadas na estrutura de Governo (redução da máquina e dos gastos públicos), tributária, previdenciária e política vão ter de constar nas ordens do dia-a-dia. Junte tudo isto às reais possibilidades de enfrentar uma oposição desmedida que o PT vai desenvolver e sinta o tamanho do dilema no qual o país vai mergulhar.
Resultado prático: o país já parou de vez, instalou-se um vácuo de poder, a nação sofre como se vivesse um terremoto e, como só acontece depois de um tremor de terra, vem um tsunami. Vamos ter de arranjar forças e coragem para sobreviver a este tsunami político-econômico que nos “brindam” os governantes de plantão. Doloroso.

NOTA: Foto colhida no Google Imagens

terça-feira, 5 de abril de 2016

Turismo ameaçado

Esta semana vou deixar de lado minhas preocupações com os tropeços políticos reinantes no país e, ao mesmo tempo, poupar meus leitores desse tema recorrente e de certo modo esgotado amplamente pela imprensa aberta. Contudo, vou tratar de outro assunto também preocupante e que chama a atenção, de qualquer cidadão ou cidadã de são juízo. Refiro-me aos problemas que atingem e afugentam os turistas no Brasil.
Tenho sempre argumentado que, melhor do que qualquer campanha promocional de turismo, o chamado “boca-a-boca” emitindo opinião elogiosa a um país ou determinado local tem um efeito positivo e, muitas vezes, mais eficaz. Gosto muito de escutar referencias de pessoas que visitam lugares e me estimulam a visitá-los. Principalmente quando se trata de reconhecidos e experientes viajantes. Assim, receber bem um forasteiro visitante pode resultar num importante vetor de promoção turística.
Turista em geral é sempre muito exigente. Quer sempre ser rodeado de salamaleques, cortesias e bons tratos. Eu pessoalmente sou assim. E tem certa lógica. Ninguém se abala dos seus cômodos para padecer num lugar estranho. Salvo, obviamente, aqueles aventureiros que embarcam em viagens plenas de “emoções” e com muito estresse. Escalar o Everest, ver de perto regiões em conflito, dar uma de Amyr Klink e se perder em trilhas selvagens são bons exemplos. Tem muitos assim.  
Infelizmente tenho visto noticias de casos absurdos de agressões, alguns fatais, aos visitantes estrangeiros que tentam descobrir o Brasil. Chegam ávidos por entrar em contato com essa gente alegre e hospitaleira, curtir o sol e o mar constantes, tomar muita caipirinha, sambar e assistir uma partida de futebol. Tudo como propalada pelos agentes promotores. Para alguns, no entanto, nada disso é permitido por conta da insegurança e o despreparo da gente.  Outro dia vi na TV a reportagem da turista sul-coreana que foi assaltada no Rio de janeiro em pleno calçadão de Copacabana.  Perplexa, incrédula e sem dominar o idioma local passou por momentos de apuros inesperados. Outro caso foi do casal de namorados estrangeiros sequestrados por marginais, sujeitando-os a uma série de maltratos, incluindo estupros seguidos à jovem turista. Em Fortaleza(CE) outra jovem estrangeira foi assaltada e seviciada de modo cruel. Há os que são assassinados sem pena e sem dó. Não há nada mais negativo para um país que deseja desenvolver sua atividade econômica do Turismo – como é o caso do Brasil – quando registrados casos extremos desse tipo. Todos, diga-se de passagem, divulgados amplamente na mídia internacional.
O que me fez pautar este assunto foi o episódio vivido pela violinista sérvia, Vera Stefanovic, e a cantora lírica brasileira Thayana Azevedo, no último fim de semana, aqui no Recife. Passageiras de um cruzeiro marítimo, vindo de Buenos Aires, Rio de Janeiro e Salvador, tentaram aproveitar a parada de meio dia na dita Veneza Brasileira para ver sua gente, o artesanato regional e provar da culinária local. Nem bem desembarcaram, quando ainda diante do Terminal Marítimo do Recife, foram assaltadas por dois delinquentes armados. Tentando salvar a bolsa com documentos e dinheiro, a violinista reagiu e foi atingida por um golpe de arma branca, saindo com ferimento grave na cabeça. Essas moças jamais recomendarão uma visita ao Recife. Quiçá ao Brasil. Com razão! Essa reação tem uma lógica. Eu faria o mesmo. A propósito, lembro que certa vez fui ameaçado de morte por um taxista numa cidade do interior do Marrocos. A cidade se chama Tétouan. Não aconselho ninguém passar por ali.
Uma coisa é certa: o brasileiro precisa ser mais bem preparado para este novo tempo em que as pessoas, cada vez mais, mantêm, nas suas programações de vida, viagens através dos mais distintos, ágeis e provocativos meios de transportes modernos, que facilitam deslocamentos aos mais sedutores destinos nos quatro cantos do planeta. Naturalmente que para que isso ocorra de modo satisfatório e tranquilo por aqui é preciso que haja revolucionários programas governamentais de Educação e Segurança Pública que garantam condições dignas para receber o turista visitante.
Muito pouco são os brasileiros que percebem a importância econômica da atividade turística. Esses mesmos marginais, que hoje agridem, poderiam estar incluídos na força de trabalho direta ou indireta do setor.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.