segunda-feira, 30 de março de 2009

Vamos limpar Boa Viagem

Uma coisa que nunca me convenceu foi o veto à instalação de bares e restaurantes na orla de Boa Viagem – um cartão postal do Recife – que termina sendo uma grande surpresa para o visitante de primeira viagem. Todo mundo que vem ao Recife logo percebe que falta aquilo que, na maioria dos balneários turísticos do Brasil e do mundo, fazem a festa noturna do lugar. Quem não gosta de tomar um chopinho a beira mar de Copacabana? E de Maceió, Fortaleza, João Pessoa ou Aracaju? De Florianópolis e de tantas outras cidades brasileiras? Isto, sem falar nos grandes balneários do exterior, que não são poucos.
Boa Viagem é uma coisa sem graça, à noite. Turista que põe o pé na calçada do Hotel, onde hospedado, olha à direita ou à esquerda e não enxerga nada de atrativo. Contudo, se olhar para frente, pode dar de cara com um bando de farofeiros vendendo espetinho na brasa, regado a cervejas, numa improvisação de bares desordenados, em kombis ou mala de carros, sem a devida assepsia e o pior, tirando o brilho da beleza local.
Tenho acompanhado atentamente a luta que o atual Prefeito da cidade vem travando com esses ambulantes, responsáveis por esse mercado alternativo e, sobretudo, irregular.
Muito bem Senhor Prefeito. Isto não pode mesmo continuar. E tem mais: se não for tomada uma providencia agora e a coisa for deixada de lado, ninguém vai segurar as pontas, no futuro próximo. Principalmente, com essa atual onda de desemprego gerado pela crise econômica.
Eu sei, naturalmente, que se trata de um delicado problema social. Concordo. Mas, é também um problema urbanístico, turístico e de saúde publica. Uma cidade como Recife não pode se dar ao desplante de permitir a popularização exacerbada do comércio ambulante de bebidas e tira-gostos, pondo em risco um projeto maior de desenvolvimento turístico, que pode gerar empregos, inclusive para estes ambulantes de hoje. Particularmente em Boa Viagem, que é, possivelmente, a mais importante Zona de Interesse Turístico da cidade.
Eu acredito que se houvesse, na orla de Boa Viagem alguns pólos de diversão e atrativos turísticos, com bares, restaurantes e cafés, ali na beira mar, digo, na areia da praia, nada disso estaria ocorrendo. E, aliás, há espaço para isto. O que existe está distante desta proposta. Resultado: prolifera um comércio de baixíssimo nível, emporcalhando a avenida, poluindo com pesada nuvem de fumaça gordurosa o ambiente da mais bela e iluminada praia do Nordeste. Francamente, uma decepção para quem visita a cidade e espera algo de melhor nível, à beira mar.
Embora não tenha votado nesse Prefeito que aí está, estou dando o maior ponto para ele nesse “guerrinha” que visa à limpeza do nosso cartão postal.
Vai ser uma dura luta, mas tem que ser enfrentada de frente. Acredito que todos os moradores da avenida estão pensando com eu, embora que não sendo um morador de Boa Viagem.
E você, caro leitor recifense, o que acha disso tudo. Dê o seu voto na enquete acima e ao lado.

Nota: Foto do Google Imagens

sábado, 21 de março de 2009

Abaixo a Poluição Visual

Imagine você andar pela cidade do Recife, ou numa das grandes metrópoles brasileiras, e não dar de cara com os imensos letreiros de publicidade, painéis em fachadas de prédios, out-doors espalhafatosos, alguns até obscenos, backligths, frontlights, arremedos gráficos de propagandas comerciais, faixas promovendo produtos ou eventos dos mais diversos, enfim, toda sorte de porcarias que enfeiam qualquer lugar deste mundo. Impossível? Que nada. Este lugar limpo existe e está no Brasil. É a cidade de São Paulo.
Pois é, a capital paulista, a maior cidade da América do Sul e, hoje, considerada como sendo a primeira macrometrópole do Hemisfério Sul, pode se considerar uma cidade limpa, por estar livre dessas tranqueiras que tanto enfeiam qualquer lugar.
Bastou que as autoridades municipais atinassem para o tamanho da sujeira e do prejuízo por ela causado, para que fosse instituída a Lei da Cidade Limpa, regulamentada por um Decreto Municipal, de dezembro de 2006, dando fim à terrível poluição visual que emporcalhavam a urbe paulistana, uma coisa sem limites, aquela altura dos acontecimentos.
A Operação Cidade Limpa, de São Paulo, foi um dos maiores avanços do gênero, já vistos no mundo. Não é fácil vencer uma guerrinha dessa. Muitos interesses foram contrariados. A indústria da propaganda deve ter ido à loucura e até hoje chora e esperneia contra a medida.
Faça idéia do que deve ter sido a operação arranca tudo quanto é de out-doors, faixas, luminosos, cartazes dos mais diferentes materiais, finalmente, etc. numa cidade do tamanho de São Paulo.
Estou em São Paulo, há dois dias, e por onde circulo sinto falta, ou melhor, sinto um alivio e certo repouso para meus olhos e mente, diante da ausência desses corriqueiros veículos de publicidade. Num primeiro momento pode parecer estranho, para quem chega. Dá uma sensação, talvez, de entrar numa casa sem quadros na parede. Mas, pensando melhor, é confortável não se sentir impelido a ler toda e qualquer mensagem que apareça numa curva da rua ou avenida, ou outro qualquer ponto estratégico do caminho. Era uma tormenta circular nas grandes avenidas paulistas.
Lembro que era preciso muita atenção ao volante para não me distrair com a agressiva e, certamente, muito atraente peça de publicidade que se apresentava. Era impossível, por exemplo, resistir a uma bela imagem de mulher fazendo propaganda de um lingerie ousado, assim como imagino que, para os olhos femininos, era complicado ver um homem ameaçando se desvencilhar da única peça de vestuário que lhe restava que, no caso, era uma cueca. As propagandas dos motéis eram verdadeiras apelações. E as de alimentos? Os sorvetes, picolés e bombons. As bebidas e cigarros. Uma loucura sem limites, que faziam parte do quotidiano, sem que ninguém reclamasse. Para alguns, causava admiração e elogios. E, de fato, muitos eram verdadeiras obras de arte, justiça se faça.
Hoje em dia, após a retirada das propagandas e sujeiras diversas, São Paulo é uma cidade diferente. Prédios históricos ou modernos ganharam maior realce e as árvores estão mais bonitas. Os parques e jardins têm mais vida com seus coloridos próprios, sem os "tapumes" em forma de out-doors que lhes roubem a cena. É um mundo novo, cheio de estética e sobriedade.
Depois de ver São Paulo, resta a esperança de que outras cidades sigam o exemplo – particularmente o meu Recife – e limpe o país como um todo.
Abaixo a poluição visual. Multa pesada para quem desobedecer.
Antes de encerrar, porém, uma sugestão: saia por aí, na sua cidade, e diante de um outdoor qualquer, avalie o bom que seria se ele não existisse. E aquela faixa ridícula e mal produzida? E a placa de fachada da Padaria ou do Bar da esquina?

NOTAS: Este post foi redigido em São Paulo, no dia 18 de março de 2009
AS fotos são do Google Imagens

Na Coluna a direita, você pode acessar e assistir a um filminho do YouTube, sobre São Paulo Cidade Limpa.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Eita mundinho cão!

Todo mundo acompanhou com pesar, nesses últimos dias, uma serie de barbáries cometidas contra crianças inocentes, neste mundo de meu Deus. Algumas das quais muito perto de nós.
Quem não se sensibilizou com o caso da garotinha, de nove anos, abusada sexualmente, estuprada e engravidada de gêmeos, pelo padrasto, no interior de Pernambuco e, depois, submetida à violência de um aborto provocado? Quem não se chocou com o caso do louco que seqüestrou a filhinha de tenra idade, roubou um avião e fez um vôo para morte, precipitando-se sobre um estacionamento de Shopping Center, em Goiás? E o caso do tresloucado alemão que saiu atirando e matando jovens garotas dentro de uma escola? E o outro nos Estados Unidos? E outro não sei onde? Mais outro e mais outros.
Segurei o que pude para não comentar essas barbaridades. Falei de amenidades, de viagens, de lugares bonitos. Fiz vista grossa para com essas barbaridades, até quanto pude.
Mas, chega uma hora na qual a pessoa não se contém. É tudo muito forte demais. Não me julgo o formador de opinião, mas, dou minha contribuição ao debate, sempre que posso.
Fico pensando e colocando-me no lugar dos familiares dessas pessoas que sofrem, devido à sanha de irresponsáveis. Nessas horas, temo pelo futuro. Pelos meus netos, que ainda não tenho, mas, que deverão vir. Pela humanidade. Pior, sinto a paz fugindo, cada vez mais, dos nossos dias.
Como se tudo fosse muito pouco, ainda se instala na sociedade uma polemica discussão sobre a ética, cruzada com os dogmas religiosos. Tenha paciência...
Como pode se condenar um aborto necessário e legal, para o bem e salvação da vida da vitima! E, o pior, em nome de Deus? Será que Ele quer mesmo que um inocente pague um preço tão alto, com a própria vida, por conta de um ato abominável de um maníaco sexual?
Foi, na minha opinião, lamentável a atitude do arcebispo de Olinda e Recife, que terminou causando um imenso prejuízo para a Igreja de Roma, já tão desgastada, face aos inúmeros escândalos de pedofilia e vetos aos progressos do mundo moderno, voltados para o bem estar dos seus fiéis.
Tem uma coisa: sou católico e, embora não me considere um praticante dos mais efetivos, sustento a minha fé, vou a Igreja, assisto missas aos domingos e sigo todos os preceitos que me são possíveis e, sobretudo, que me deixem com a consciência tranqüila. Aliás, acho que religião tem tudo a ver com consciência.
Neste ambiente conturbado, o tema parece não ter fim... O mundo inteiro resolveu discutir os prós e contras do aborto provocado na menina. O prelado sustentou sua posição radical e expôs a Igreja, de modo lamentável, jogando-a na boca e nas rodas de conversa e assembléias dos seguidores das igrejas alternativas, tudo sem pena e sem dó.
A coisa, segundo ouvi comentar, foi tão devastadora que, para surpresa de meio mundo e, diria que, alivio desse mesmo meio mundo, a CNBB colocou “panos mornos” para amenizar a crise e, por fim,o Vaticano, através de uma das suas autoridades eclesiásticas contrapôs-se à excomunhão proferida pelo arcebispo de Olinda e Recife, neste fim de semana passado. Considero que foi uma atitude saudável para livrar a Igreja Católica de uma onda de rejeição crescente.
Outra coisa absurda foi destacada na mídia internacional, durante o dia de hoje: o monstro de Viena, que aprisionou a própria filha num subterrâneo da própria casa, durante mais de duas décadas, escondendo-a do mundo, usando-a e abusando-a sexualmente, gerando com ela vários filhos/netos, um dos quais morto e incinerado no cativeiro, dois “abandonados” à porta de casa e uma outra com dezenove anos sem nunca ter visto a luz do dia e outras atrocidades mais, está sendo julgado por tribunal de justiça austríaco e, pasme, pode sofrer uma condenação de apenas seis anos e meio de prisão, quando o justo seria a prisão perpétua. Que justiça é esta, meu Deus?
Sabe de uma coisa, vou parar por aqui. Tenho o estômago revirando. Vou tentar dormir em paz. Êita mundinho cão!...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Uma Varanda no Pacifico

Estando em Santiago e dispondo de tempo, não há porque não dar um pulinho no que eu chamo de “a varanda do Chile sobre o Pacifico”: Valparaiso e Viña del Mar. Cidades gêmeas, cada vez mais ligadas pelo processo de urbanização intenso.
Uma auto-estrada liga a capital chilena a essa aprazível região e, com uma hora e meia, o visitante está diante das águas azuis do Pacífico. Gaivotas e pelicanos, com jeito de dar boas vindas, vêm ao encontro de quem chega, executando vôos rasantes, antes mesmo que o chegado alcance a posição de “a ver o mar”. Tive a impressão de avistar Fernão Capelo nos recebendo.
Valparaiso, também conhecida como la Perla del Pacifico, é antiga. É de 1536. Seu fundador foi Juan de Saavedra, que a mando de Diego de Almagro, o descobridor do Chile, foi até a costa aguardar a esquadra espanhola que vinha por mar encontrá-lo na aventura de conquista das novas terras. Em 1544, o local se transformou no primeiro porto do Chile, determinado por Pedro de Valdívia o fundador de Santiago e governador do Chile espanhol daquela época. Ao longo dos séculos este porto foi se consolidando e hoje é um ponto importante na logística sul-americana, da Bacia do Pacifico, e por onde escoam riquezas não apenas chilenas, mas, também, de outros países do Continente, principalmente se o destino for a Ásia.
Patrimônio Cultural da Humanidade, Valparaiso se constitui numa grata surpresa para o visitante, devido ao casario colorido esparramado por vários morros e acessados, de preferência, por elevadores em plano inclinado. Do alto dos “cerros” um panorama sempre vislumbrado em meio aos muitos ohs! dos turistas que, ato continuo, mergulham em meio a muitos artesãos em ação, ateliers de pintores, restaurantes, bares entre outras atrações. No Cerro Concepción onde estive, com meus familiares, no domingo de carnaval, não havia folia, mas havia muita informação cultural. Exploramos, ao máximo, aquela bela área.
Completando nossa visita a Valparaiso almoçamos, num belíssimo restaurante, lá mesmo no Concepción, cujas linhas arquitetônicas são, de fato, uma varanda sobre o Pacifico. Resultado: uma deslumbrante paisagem. No prato não podia cair outra coisa a não ser fruto do mar.
Um novo e moderno metrô liga Valparaiso à formosa Viña del Mar. Através dele desembarcamos num cenário de autêntica riviera francesa, em plena América do Sul.
Um passeio de carruagem, de módico preço, dá em pouco tempo uma visão completa do lugar. Muito charme nas alamedas e jardins. Palacetes senhoriais, prédios bem projetados, hotéis de luxo, cassino, centro comercial dinâmico completam o ambiente mais sofisticado do litoral chileno. Em adição – na ocasião que por lá passamos – o burburinho do Festival Internacional da Canção, que todo ano, nesta época, transforma Viña na capital mundial da canção popular.
Pois é, o Chile, como já falei, é de uma diversidade fantástica de paisagens. Comentei sobre várias coisas e estou por encerrar estas postagens sobre as andanças por lá. Antes, porém, um registro para uma parte importante e rara que é a Ilha de Páscoa, pertencente ao Chile e situada na Polinésia. Aquela dos misteriosos moais, esculturas imensas de pedras, que não se sabe de onde vieram e como foram ali colocadas. Nunca estive por lá. Mas, pretendo ir, um dia. Enquanto isto não acontece, tratei de sentir um pouco do clima daquele Paraíso, indo, com minha família, a um restaurante/show, em Santiago, onde o clima é de pura Polinésia, tanto pelo cardápio, quanto pelo show com danças típicas. O cliente é recebido com um colar de flores, por recepcionistas trajando roupas floridas e multicoloridas. E, uma vez lá dentro, é pura curtição.

Nota: Fotos do Blogueiro. Em cima uma vista de Viña, com Valparaiso ao fundo. Em baixo meu filho em clima de Polinésia.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Vinho Chileno

Ir ao Chile e não visitar uma vinícola é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. O vinho chileno, produzido desde o século 16 pelos colonizadores espanhóis, é classificado como um dos melhores do mundo. Com condições climáticas e solos propícios o país vem aprimorando, ao longo desses séculos, sua produção e colocando-a nas adegas mais exigentes do planeta.
Sem dispor de muito tempo e tendo que cumprir uma programação intensa em Santiago, coube-me revisitar, e guiar meus familiares, uma das mais famosas produtoras de vinho, a Concha e Toro, situada nas proximidades da capital chilena.
O local está bem preparado para receber o turista e diariamente promove inúmeros tours, passando pela antiga sede da empresa – o monumental palacete de Dom Melchor Concha y Toro (foto acima), construído no século 19 –, pelo cultivo das uvas, pelas bodegas centenárias e, por fim, por uma rodada de degustação de vinhos brancos e tintos, destacando-se o mais famoso deles, o Casillero del Diablo. O final da visita – como não poderia ser diferente, que eles não são burros – é numa loja de sourvenirs, sobretudo vinho e um restaurante em anexo.
A historia da Concha y Toro começou quando o empresário e político Dom Melchor resolveu, em 1883, trazer algumas cepas de nobres uvas da região de Bordeaux (França), para cultivo nas suas terras de Pirque, no vale do Maipo. Trouxe também um enólogo (Monsieur Labouchere) encarregado de produzir os melhores vinhos possíveis. Desde então, a produção só fez crescer e a vinícola é hoje uma das maiores exportadoras de vinho da América do Sul, com presença em mais de cem países.
Visitar uma vinícola pode não ser uma novidade para muitos. Eu mesmo já estive em várias outras, mundo afora. Mas, o interessante é saber que cada uma tem uma história, quase sempre pitoresca, a ser contada e na Concha y Toro não é diferente.
Um dos pontos pitorescos de lá está na explicação da denominação do vinho Casillero del Diablo. Não há duvidas de que se trata de um nome insólito para uma bebida de tão boa qualidade. Traduzindo ao português, a denominação seria Carcereiro do Diabo. Que diabos de denominação é essa? Sempre perguntei. Somente agora tomei conhecimento da origem desse nome.
Conta-se que Dom Melchor construiu uma bodega especial, no subsolo da vinícola, mais ou menos 8 metros abaixo do nível normal, onde a temperatura é constante e propicia à conservação do produto. Como todo vinho ali guardado era o de melhor qualidade, começou a surgir “sócios”, surrupiando as melhores garrafas. Eram camponeses e empregados da própria vinícola que viviam nas redondezas.
Ciente das crendices e da religiosidade populares, Melchor criou um boato, que logo se espalhou pelo Vale, de que o Diabo andava, também, pela sua bodega especial roubando vinhos e que ele estava tratando de flagrá-lo com a “mão na botija” para aprisioná-lo.
Nunca mais lhe roubaram vinhos. Nasceu daí a denominação do mais famoso vinho da Concha y Toro. Numa jogada de marketing, a empresa colocou num compartimento do fundo da bodega, a projeção da imagem de Lúcifer, atrás das grades. (Vide foto abaixo). Eu dei graças a Deus por vê-lo preso lá no Chile. Só assim ele não vem atazanar nossas vidas aqui no Brasil. Sai prá lá Satanás... Cruz, credo. Outra coisa interessantíssima dessa bodega é sua concepção arquitetônica. Uma beleza secular construída, pasme, com argila, cal e argamassa feita com claras de ovos! É uma informação que surpreende a todos que andam por lá. Não tive dúvidas de perguntar quantos ovos foram quebrados nessa construção. “Não se sabe quantos ovos, mas temos pena das galinhas...” respondeu a guia. Pelo tamanho da adega, é incalculável a quantidade de ovos que foram quebrados para construir aquele prédio. É uma beleza.
Gozado é que eu tinha ouvido falar desse tipo de argamassa muito usada na construção de mosteiros na Europa. Pensei que era fabulação e não é! Dizem que, em Portugal, as monjas tinham tantas gemas de ovo sobrando que terminaram criando guloseimas, até hoje famosas, entre as quais uma delicia que se chama de Toucinho do Céu. Se o leitor não conhece, procure conhecer e veja como é bom. Tem uma coisa: é o maior volume de colesterol que se pode ingerir de uma só vez. Portanto, cuidado. Coma com moderação.

NOTA: Fotos do Blogueiro: o Palacete de Dom Melchor e o Diabo preso na Adega.

terça-feira, 3 de março de 2009

QUANDO O PERTO SE TORNOU DISTANTE

Não dá para calar. Foi mais fácil assistir a partida entre o Sport Recife e o Colo Colo, em Santiago do Chile, do que ir assistir, amanhã, Sport e LDU, do Equador, aqui no Recife, na Ilha do Retiro. A diretoria do Sport está pisando na bola, na ânsia de lucrar o mais que puder. Aliás, está dando uma de timinho, que quer aproveitar as chances de faturar, enquanto o time não é desclassificado da competição.
Estou irado, sim. Sou rubro-negro de coração, mas não aceito certos métodos retrógrados de vendas de ingressos ao campo e a flagrante incompetência da diretoria do Clube.
O que aconteceu estes dois últimos dias na sede do Sport é no mínimo revoltante. Pessoas sérias – eu sou um homem sério – disputando quase às tapas um ingresso para o jogo contra a LDU e sair de mão abanando. Inadmissível! Isto sem falar que todo cuidado era pouco, visto que havia no meio dos demandantes de ingressos, assaltantes surrupiando o ingresso do torcedor vencedor da maratona, batendo carteira e assaltando sem pena. Francamente, estou fora! Onde é que nós estamos?
Não, isto não pode ser visto como euforia da torcida. A venda, como feita no Sport, é indigna. Desisti de ir ao campo, para assistir mais um importante jogo do leão da Ilha.
Continuo rubro-negro, até a morte, porque o Sport é maior do que seus incompetentes dirigentes.
Ainda que contra a vontade, tentei descobri se havia, o que meus pais diziam, alguma “porta de travessa” que facilitasse a minha compra. Isto é, uma forma apadrinhada para alcançar meu objetivo. Não encontrei nada. No meio da confusão encontrei meu filho, também, revoltado. Ele comprou um tal de carnê de ingressos antecipados. Só que ele comprou como estudante, para assistir ao jogo num camarote a convite de um amigo. De última hora e na véspera da partida, a diretoria do Sport resolveu que ingresso de estudante não vale para entrada na área dos camarotes, obrigando a que todos comprem o ingresso de R$ 100,00! Absurdo. Abuso dos maiores. Afinal, o jovem estudante, pagando R$ 50,00, está pagando muito bem. Quanta incompetência.
Agora, meu amigo ou amiga, comparando com o que ocorreu no Chile, dá uma tristeza imensa. Em Santiago os muitos torcedores rubro-negros puderam comprar ingressos do jogo de modo civilizado, sem atropelos ou sustos, sem filas, em pontos estratégicos de qualquer dos shopping-centers da cidade, com cartão de crédito, para sentar em cadeiras confortáveis, de um estádio bem projetado e ao justo preço de apenas R$ 47,00. Não vale mais do que isto! Eu mesmo comprei ingressos quatro horas antes do jogo. Numa boa. Resultado: casa cheia, público vibrante e disciplinado, mesmo que derrotados pelos leoninos pernambucanos. Assistimos ao jogo sem percalços, em segurança e felizes com a vitória. Aquilo lá é outro mundo! Não sei quando vamos nos civilizar...
Pois é: foi mais fácil ir ao Monumental do Colo Colo, no Chile, do que ir a Ilha do Retiro. Onde, aliás, não vou amanhã! Vou assistir pela TV. Porque afinal, pelo Sport TUDO!
Moral da história: o perto se tornou muito distante.

Para esta postagem, em sinal de protesto, não coloco fotos!