domingo, 17 de dezembro de 2017

Olhando pelo retrovisor e buscando o porvir.

O ano está terminando e já vai tarde. Foi difícil pra caramba. Muita gente se perdeu no meio do caminho, inclusive aqueles que se julgavam imunes à crise e, até agora, buscam a saída. Ricos e poderosos foram parar no xilindró. Pobres, coitados, estão mais pobres por conta do abandono do Estado e muitos por conta do desemprego. O país entrou em seguidas convulsões. Pelo meu retrovisor ainda enxergo muito sujeito metido a dono do mundo sendo atropelado pela Lavajato e caindo nas garras da Policia Federal. E a Nação está mergulhada até o pescoço no mar da decepção e do descrédito.
Numa época em que olhamos pelo retrovisor e, ao mesmo tempo, buscamos caminhos para ingressar num novo ano com mais vigor e esperanças é impossível não se apartar dessas maluqueiras que assistimos e que não param de surpreender. Ainda existe muita coisa sem reposta plausível.
A esta altura de Dezembro, quando os sinos do Natal sugerem um tempo de paz e os augúrios para um Novo Ano são indispensáveis, fico matutando e imaginando a respeito deste 2018 que se aproxima. Como será que vamos transpô-lo? Não quero ser pessimista. Longe de mim. Mas, também, está fora do meu jeito de ser ficar dando uma de alienado.
Sendo assim, ando preocupado com o desenrolar de alguns eventos anunciados, como Copa do Mundo e Eleições gerais. Pense que caldo essas duas coisas vão produzir no novo ano. Haja emoções.
Na Copa, segundo dizem, os Cartolas da famigerada FIFA já se comprometeram de fazer o Brasil Campeão. Ou seja, corrupção explicita. Esses caras são descarados. Que graça vai haver numa coisa dessas? Mas, o brasileiro que está habituado à corrupções continuas vai achar normal e legal. Os políticos vão deitar e deslizar nessa maionese. E o pior, mesmo sabendo dessa tramóia, vou torcer pelos canalhinhos (o corretor de texto está insistindo que eu corrija e escreva canarinhos!) dando uma de tô-nem-aí. Afinal, pelo que dizem, foi sempre assim... Vendemos a Copa de 14 para os alemães e compramos a da Rússia por antecipação. Será que vai ser assim mesmo? Vamos esperar para conferir. 
Quanto às eleições gerais são outros quinhentos. Essa panela, que é de alta pressão, pode até explodir. Estou preocupado. Olhando, outra vez, pelo retrovisor me admiram essas pesquisas que vêm sendo divulgadas nas redes sociais dando vitória liquida e certa para o “Sapo (corruuuuuupto) barbudo” – que Deus nos livre – ou para o Boçalnaro – que Ele nos livre, também – são diagnósticos que arrepiam qualquer sujeito de são juízo. Onde vamos parar? Que dilema se essas duas figuras forem ao segundo turno! Prefiro não acordar desse pesadelo.

Pobre Brasil, triste Nação. Desconjuro, como diziam vovó! Aí, minha gente, na altura dos meus avançados tempos, só vislumbro duas alternativas: chorar ou rir. Chorar por não haver assistido – até agora – a consolidação do meu Brasil com Ordem e Progresso e rir por haver escapado das atrocidades que esses políticos indecentes me submeteram. Tem horas, que prefiro quebrar o retrovisor. Por exemplo, quando lembro do presidente Collorido, caçador de marajás, que com a viúva de Chico Anísio surrupiaram minha poupança (naquela ocasião eu havia aplicado o apurado na venda de um valioso imóvel!) deixando-me com uma mixaria na conta. Nem sei como não enfartei naquela hora.
Apesar disso tudo estamos firmes e fortes. O Brasil é muito maior do que esses salafrários e parece que Deus é mesmo brasileiro. Simbora prá frente! Que venham 2018!     

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

         

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Falta de Profissionalismo

Dias recentes uma notícia alarmante chamou atenção dos brasileiros e, certamente, de estrangeiros ligados às coisas do Brasil. Refiro-me ao resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e publicado no que eles denominam de Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil dando contas de que em torno de 829 brasileiros morrem – diariamente –  nos hospitais públicos e privados do país por causas perfeitamente evitáveis. É algo assustador! Equivale dizer que a cada cinco minutos morrem 3 brasileiros por motivos banais e irresponsáveis. É a segunda maior causa de morte, atrás somente das doenças cardiovasculares. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, aproximadamente, 950 pessoas morrem por dia por esta causa.

Imaginem que por essa conta, em 2016, 302.610 brasileiros morreram por “evento adverso”, como denominam esses casos, no meio médico. Os motivos apurados foram coisas do tipo: erros de dosagens administradas, troca de medicamentos, medicamentos vencidos ou deteriorados, uso incorreto de equipamento, negligencia de profissionais, infecção hospitalar, entre outras causas inadmissíveis e banais. Coisas perfeitamente evitáveis, segundo os pesquisadores.
Aí está o que sempre venho dizendo: falta de profissionalismo do brasileiro. Tanto no meio médico como em várias outras atividades. Não tenho – pelo menos hoje – parâmetros mundiais para fazer uma comparação do caso em tela. Mas, nem por isso será motivo de relevar essa absurda constatação. Até quando viveremos nessa cultura do tô-nem-aí ?
E tem mais: fora os óbitos contabilizados, outro contingente de enfermos se salvam da morte, mas, restam com sequelas que os impedem retornar às atividades comuns, gerando frustrações e desequilíbrios psíquicos, além de elevado custo assistencial. Segundo a Pesquisa, em 2016, dos 19,1 milhões de internados nos hospitais brasileiros 1,4 milhão “recebeu alta” com sequelas irreparáveis.
por outro lado, entre os “eventos adversos”, um deles se destaca e se refere à “praga” da infecção hospitalar! São responsáveis por 14,7% das ocorrências indesejáveis. É doloroso saber que nos casos de óbitos, nos quais as infecções são mais comuns, resultam num alto grau de gravidade pelo seu caráter sistêmico. Ou seja, altamente transmissíveis e difícil de ser erradicada. Conheço pessoas que temem muito mais uma infecção hospitalar do que uma moléstia grave.
Há exatos dois anos fui submetido a uma cirurgia de grande porte para re-vascularizar meu músculo cardíaco. Sofri um infarte e fui levado dias depois à mesa de cirurgia. Da operação em si, posso afirmar que tudo me ocorreu às mil maravilhas e dada a competência da Equipe Médica. Não senti uma dor, por mínima que fosse, e hoje conto a história. Meu drama do pós-operatório ficou por conta de um “inferno” chamado UTI e, mês depois, uma tremenda infecção hospitalar de dentro para fora da minha caixa torácica. Uma desagradável surpresa, misturada a uma revolta sem tamanho. Como um hospital de referencia, no polo médico do Recife (tido como o segundo do país) pode ocasionar tamanha barbaridade? Operado em Novembro, somente em Março do ano seguinte fui tido como livre da “praga”. Lembro que na fase de recuperação, num apartamento do Hospital, o entra-e-sai de assistentes era simplesmente irritante. Aferiam minha pressão arterial incontáveis vezes por dia e tiravam meu sangue para medir a glicemia de duas em duas horas. A propósito disso, meus dedos ficaram iguais à tábua dos pirulitos de Seu Biu, que passava na minha casa, quando criança. Injeções e comprimidos? perdi a conta! E, no meio dessa “balburdia”, a mulher da limpeza, com um acintoso par de luvas infectadas de sujeiras hospitalares, claro, passava a mão na mesma maçaneta da porta que a enfermeira me prestava seus serviços de atenção e administração de medicamentos. Coisa de louco. Minha esposa que é Médica, e não me largou um só instante, querendo dar jeito nessa confusão insalubre, “declarou guerra” às assistentes e, não precisa dizer, angariou muita antipatia. Vai ver que a infecção que tive foi maldade das “profissionais” revoltadas. Sorte que minha primeira decisão pós-operatório foi acatar o “convite” de ir pra casa, formulado pelo cirurgião assistente que me deu alta no quinto dia de operado. Um alívio!  (leia também: http://gbrazileiro.blogspot.com.br/2016/01/a-qualquer-momento-tudo-pode-mudar.html )
Mas, a propósito de “inferno” chamado UTI, li na semana passada um depoimento de Cláudio Moura Castro, que transcrevo trecho, sob o titulo Abelhas... E quatro dias na UTI (Veja, Edição 2557, ano 50, Nº 47, 22.11.17, pp71) a respeito de sua passagem, de quatro dias, por uma dessas Unidades de um certo Hospital João XXIII. Não sei de onde.  Isso, após ter sido atacado de forma mortal, por um enxame de abelhas, certamente da espécie africana, num passeiozinho campestre, no dizer dele. Pois bem, a tal UTI descrita me fez lembrar a que vivi três dias, aqui no Recife. Segundo Moura Castro, “Dia e Noite brilhavam as luzes. Como os pacientes estão quase todos entubados e parecendo mais pra lá do que pra cá, as dezenas de funcionários e médicos conversavam, sem nenhum esforço para moderar o volume. Alguns falavam de medicamentos, uma do biquíni novo, outra da troca de turno com a colega.” Igualzinho à “minha” UTI. Relembrei minha fatídica experiência, em 2015. Não desejo a ninguém passar pelo que passei.
Os profissionais da área médica brasileira precisam urgente receber um choque de gestão hospitalar humanizada, respeitando o paciente e fazendo da sua profissão um nobre sacerdócio.

NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens 



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Além de Cartagena

Eu já havia dado por encerrado meus comentários sobre a recente ida à Colômbia, quando dei por conta que me escapou contar um pouco de algo extremamente atrativo para quem por lá andar e precisamente por Cartagena de las Índias. Pois bem: aquela região do Norte colombiano, banhada pelo Mar do Caribe, se torna mais atraente ainda quando focamos as ilhas e praias paradisíacas, espalhadas pela mãe Natureza na imensidão daquele avanço do Atlântico pelas terras do Novo Mundo, ora chamado de Golfo do México, depois Mar das Caraíbas e contemporaneamente de, simplesmente, Caribe.  Faça ideia, caro leitor ou leitora, de um mar com sete tonalidades de azul, no qual Deus caprichou ao salpicar porções de terra firme, cercadas dessas águas deslumbrantes. E tudo bem aproveitado turisticamente.  
Partindo de Cartagena, incontáveis lanchas ou barcos de diferentes portes conduzem levas de turistas, ávidos por aproveitar o sol, as praias tentadoras e muitas piscinas naturais. Claro que, com familiares e amigos, não deixei de aproveitar a oportunidade. E, Al Mare nos lançamos.
Lanchas rápidas fazem o trajeto entre Cartagena e as ilhas caribenhas.
Os colombianos estão muito bem preparados para operar a logística dessa vantagem comparativa turística que dispõem. Sabem desfrutar indiscutivelmente porque, afinal, não é todo país que tem esse privilegio de ser banhado por um dos mais famosos mares do planeta.
Existem diferentes formas de aproveitar um desses passeios: comprar o tour mesmo antes de chegar à Colômbia, fazer uma reserva e agendar na recepção do hotel onde hospedado, comprar o programa em algum restaurante (fizemos assim) ou ir diretamente ao Muelle de la Bodeguita, na área portuária de Cartagena, onde vários guichês atendem aos turistas interessados. Você pode optar por um programa bate-e-volta de um dia, que inclui translados de ida e volta mais coquetel de boas vindas e almoço ou, então, se sua intenção for de permanecer mais tempo, reservar uma hospedagem, levar sua bagagem e se instalar.     
Muelle de la Bodeguita. Observe uma bandeira do Brasil num barco ancorado.
Dessa vez fizemos um programa de um dia e elegemos a Ilha do Pirata, situada no arquipélago das ilhas do Rosário. Na verdade, existem outras várias opções e de grande demanda. Contudo, nossa escolha foi interessante e conveniente, pelas dimensões reduzidas da Ilha e pelo pequeno número de visitantes cada dia, 30 no máximo. Outras, como a Playa Blanca de Baru, são públicas e recebem multidões diariamente. Mais do que isso, permitem muitos ambulantes que, aqui pra nós, é verdadeira praga praquelas bandas. A ilha do Pirata, não. É uma propriedade privada explorada pelo próprio dono e extremamente aconchegante. Tem uma conformação insólita, que de pronto chama muita atenção aos que a visitam. Imagine que não tem praias e, ao invés disso, parecendo ser uma formação aflorando no mar é arrematada de piscinas naturais com águas translúcidas e temperatura tíbia que insistem em segurar o banhista nelas mergulhado. Foi Deus que fez assim para o deleite dos que têm a sorte de aportar por lá.
Ilha do Pirata numa vista aérea

Águas tíbias e cristalinas da Ilha do Pirata. 
Curioso é que nessas horas, não deixo de pensar no amadorismo com o qual nossas potencialidades turísticas são exploradas, principalmente em Pernambuco. Nota-se enorme  diferença entre os agentes colombianos e os pernambucanos. Quem sabe, um dia, um diiiia, vamos tomar vergonha e encarar o Turismo como uma mola propulsora do desenvolvimento.  
Piscina natural na Ilha do Pirata
Área social da Ilha com restaurante, bar e área de lazer
Foto da Ilha Pirata tirada através de um Drone. Forma de estrela.

Ocorre-me, por fim, registrar que existem outras ilhas mais movimentadas e com estrutura hoteleira significativa, além das pousadas mais rústicas e muito aconchegantes. Há, também, uma ilha em posição geográfica mais remota – pertencente à Colômbia – que é a ilha de San Andrés, situada ao largo da Costa Rica e Nicarágua. Explorada turisticamente, com magníficos hotéis, cassinos e grande rede de restaurantes. Seu acesso mais comum é por via aérea e atrai muitos turistas. Fora isto, para quem gosta de comprar compulsivamente, tem a tentação comercial de uma Zona Franca muito famosa na região.
Conselho: abra um mapa da região do Caribe e tente quantificar o número de ilhas lá existente. Depois deste conselho, resolvi que direi mais nada e, em compensação, vou rechear o post com fotos – que falam melhor – desse paraíso caribenho. Veja todas com atenção.
Na última foto veja o entusiasmo do Blogueiro diante de apetitoso caranguejo que foi direto para uma panela. Acepipe especial na Ilha. Degustado com cerveja bem gelada.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e da autoria do Blogueiro.      

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Cartagena de las Índias



Herança em estilo espanhol em Cartagena de las Índias
Semana passada, quando publiquei um post falando sobre a Colômbia, onde estive recentemente por dez dias, lembrei que as atrações do país não se limitam àquelas que comentei e encontrei na capital, Bogotá. Outras cidades colombianas se destacam pelas suas riquezas culturais e econômicas, entre as quais: Medellin, Cali, Barranquilla e Cartagena de Las Índias. Escolhi esta para o post de hoje.  Situada à beira-mar do Caribe, Cartagena é um dos sítios históricos mais famosos da Colômbia e do continente. Sua atração turística é indiscutível. Visitá-la equivale a um mergulho na História das Américas.
Embora fundada em 1º de Junho de 1533, pelo espanhol Pedro de Heredia, a região da baía de Cartagena já contava com assentamentos de povos indígenas desde o ano 4000 aC ! Arqueólogos garantem que naquela área, conhecida originalmente de Puerto Hormiga, foram encontradas as mais antigas peças de cerâmica da região.  Importante registrar que foi ali onde os espanhóis estabeleceram o ponto mais importante do trabalho de colonização das Américas. De lá exportavam para Espanha toneladas de ouro e prata, colhidos nas minas do Peru e da denominada região da Nova Granada. No mesmo porto recebiam as maiores levas de escravos trazidos da África e empregados nos trabalhos pesados da Colônia. Essa mistura de raças e culturas seguramente explica a riqueza e diversidade cultural que a cidade ostenta. Imaginemos o caldo social que resultou dessa mistura de indígenas, africanos e espanhóis.  
Bandeira nacional hasteada por todo lado. Orgulho de ser colombiano.
Cartagena foi a capital do Vice-Reinado da Nova Granada, a partir de 1717, que abrangia os atuais vizinhos: Peru, Equador, Venezuela e Panamá. Estes quatro, aos poucos, se tornando independentes depois da independência da própria Colômbia, em 1811. É patrimônio cultural da UNESCO dede 1984. Imediatamente lembrei-me que é tudo ao contrário do que se vê na nossa Olinda(PE). Lá, a condição de patrimônio cultural parece ser levada a sério, haja vistas à preservação do patrimônio histórico, a limpeza da cidade, a primeiríssima rede de hotéis e restaurantes, a deslumbrante iluminação turística e principalmente a forma competente de administrar a atividade turística envolvendo a população como um todo. Tenho pra mim que houve um treinamento geral daquela gente para fazer do turismo a sua forma ideal e honesta de ganhar a vida. Não deve nada às grandes cidades atrações da Europa. Sem duvidas, aquilo lá merece servir de modelo para nossos administradores de turismo, em Pernambuco ou noutras cidades históricas brasileiras.
Com uma população beirando o Milhão de habitantes, Cartagena é composta de vários bairros no entorno da cidade murada (amuralhada, como eles dizem), sendo os mais importantes: o do Getsemani e Boca Grande.  
Ponto de destaque na Cidade Murada. Muito luxo em Hotel e Restaurante.
Beleza iluminada corretamente
A Cidade Murada é sem dúvida a grande atração local. Por lá é a cidade acontece. E é para lá que levas de turistas do mundo inteiro se dirigem dia e noite. Com características coloniais, cada rua é um cenário diferente e atrativo. Tudo conservado e transformado em hotéis, bares e restaurantes caprichosos no décor e nos cardápios. Uma parada num café (o colombiano se orgulha da qualidade suave e aroma da produção local), num restaurante para um bom almoço ou jantar e depois assistir gratuitamente a uma apresentação folclórica na Praça Santo Domingo, não tem preço. Fora isto, é impossível deixar de dar um giro nas incontáveis lojas enfileiradas e oferecendo desde os artigos de grife famosas aos ricos e vistosos produtos artesanais da região. Entrar numa rua e sair por outra apreciando o casario, as igrejas e palácios é diversão segura e de encher as vistas dos mais desatentos.  Ah! Um conselho ao leitor ou leitora: quando passar por lá, não deixe de visitar as joalherias de esmeralda – uma especialidade colombiana – e pérolas. São relativamente baratas e, sobretudo, belas.
O bairro do Getsemani é vizinho à cidade amurallada é também interessante com seus hotéis e restaurantes atrativos. Além do que, oferece a vantagem de não exigir transporte para chegar ao sitio histórico. Já o Boca Grande é mais afastado e tem um perfil de modernidade com arranha-céus e muito movimento devido aos grandes hotéis de bandeiras internacionais, shoppings centers e cassinos à beira-mar. É, sem dúvida, uma visão moderna de Colômbia e também atrativa.  Boca Grande é a Ipanema de Cartagena. 
A beleza dos balcões à espanhola por toda parte.
Uma vista da cidade intramuros e ao fundo o moderno bairro de Boca Grande
Imagem do Por do Sol no Café Del Mar
Para terminar, um especial registro sobre o programa mais esperado pelos visitantes: assistir ao espetáculo do Por do Sol, no Café del Mar instalado na Fortaleza histórica, situada na muralha da cidade e construída pelos espanhóis para proteger a cidade dos piratas e invasores. Imperdível. A coisa é bem programada. Música especial domina o ambiente e parece acompanhar vagarosamente a descida do Astro Rei, no Mar do Caribe. É simplesmente lindo. E naturalmente pedindo um bom trago de Rum, bem colombiano, para baixar de vez o espírito romântico dos corações enamorados.
Eita curtição danada de boa! Foi assim que vivi Cartagena de Las Índias. Bom demais.

NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Viva Colômbia

Estou retornando de mais uma visita à Colômbia. Pela terceira vez, ainda que não seja um destino pouco comum dos turistas brasileiros devido aos estigmas decorrentes das lutas internas, da guerrilha e do narcotráfico, no passado recente. Coisa do passado dá pra perceber, porque a situação hoje é outra e a paz foi selada. É uma história bem conhecida que não vou me ater neste post. Ao invés disso quero comentar sobre as minhas recentes passagens pelo vizinho país. Estive por lá em 2010, quando as coisas se reorganizavam e as FARC concordavam em estabelecer um pacto de paz, alcançado somente recentemente. E agora, na semana passada, quando encontrei um clima de tranqüilidade e um povo leve e solto nos quatro cantos do país.
A Colômbia é um país muito especial devido aos seus traços culturais, sua História, seu povo alegre e hospitaleiro e sua riquíssima diversidade ambiental, composta por paisagens tropicais, praias exuberantes nos lados Atlântico (Mar do Caribe) e Pacifico – aliás, um privilégio ser banhada pelos dois maiores Oceanos, salpicados de ilhas paradisíacas – além da parte montanhosa da Cordilheira dos Andes e boa parte da luxuriante Região Amazônica, com uma floresta invejável. É um dos 17 países de maior biodiversidade do planeta, classificado em terceiro lugar em número de espécies vivas e em primeiro lugar em número de espécies de aves.
Economicamente falando é a quarta economia da América Latina. O PIB do país, atualmente ao redor de US$ 700 Bilhões, tem tido crescimentos significativos nos últimos tempos e em 2007, por exemplo, atingiu a significativa casa dos 8,2%. A base da economia é calcada em petróleo, carvão, ouro e produtos agrícolas, com destaque para o café, tido como o mais suave e saboroso do mundo. Duas outras coisas se destacam na produção e exportações da Colômbia: flores e esmeraldas. Mais de 70% das flores importadas pelos Estados Unidos são colombianas e o país é a principal fonte de esmeraldas do mundo.  Conta atualmente com quase 50 milhões de habitantes com renda per capita de US$ 8 mil, embora que 28% da população viva abaixo da linha de pobreza. Desequilíbrio na distribuição da renda, coisa típica da América Latina.
Visão Noturna da Cidade de Bogotá
Bogotá, a capital do país é uma metrópole estupenda com seus 8 milhões de habitantes, vida cultural intensa, cosmopolita, centro de grandes negócios na Região. Chama atenção a infraestrutura urbana de primeira linha, com avenidas monumentais, trânsito fluido e sistema de transportes públicos bem resolvido. O paranaense Jaime Lener andou por lá dando uma contribuição nesse plano, no inicio deste século.  Situada a 2.800 m. de altitude tem sempre um clima bem temperado o que a transforma num agradável ambiente estilo europeu. Comércio sofisticado, grandes lojas mundiais, centros de compras de grande porte e para completar muitos restaurantes de categoria estrelada. A cozinha andina, que vem se destacando recentemente, tem em Bogotá um dos mais vibrantes centros. Aliás, importante lembrar a rica cozinha típica colombiana que leva o visitante a experimentar do mix de sabores indígenas, africanos e espanhóis. Em estando por lá, impossível sair sem provar uma arepa, um tamal ou um crocante patacón. E, quando o frio aperta a saída é tomar uma canelada quente, que é espécie de quentão, feita com canela em pau, limão, maçã, ervas diversas, vendida, por ambulantes, nas ruas do centro da cidade. Delicioso. Se o freguês desejar pode acrescentar uma dose de Néctar, típica aguardente colombiana com sabor de anis. Imperdível. 
Como se não bastasse tudo isto, Bogotá abriga dois monumentais museus: o do Ouro, que mostra a rica e aurífera arte primitiva dos habitantes pré-colombianos, denominados muíscas, e o Museu Botero que mostra a arte de Fernando Botero, que vem ser a maior expressão contemporânea das belas artes do país. Festejado por todo lado, o artista está eternizado no seu museu e nas reproduções populares das suas esculturas e pinturas. Ele é vivo e mora em Paris.
Peça précolombina exposta no Museu do Ouro
Nos arredores de Bogotá outras grandes atrações turísticas enchem as vistas do visitante, destacando-se entre essas: o bairro da Candelária de arquitetura típica espanhola e caprichosamente preservado; o Monserrate, uma elevação de 3.000 m na periferia da capital e de onde se vislumbra a grande metrópole; a laguna de Guatavita – que guarda no seu fundo um tesouro em ouro, escondido pelos primitivos habitantes, evitando ser levado pelos espanhóis para a Europa –, situada fora a capital, e a majestosa Catedral de Sal, escavada no seio de uma montanha de sal, na localidade de Zipaquirá, situada a 45 km de Bogotá.
Para provar da alegria e da descontração do povo colombiano o endereço certo é o famosíssimo restaurante Andrés Carne de Rés, na localidade de Chia, subúrbio de Bogotá. É único no mundo. Nada igual se encontra noutra parte. Comida de primeira e um ambiente kitsch como em nenhum outro canto. Tem badulaques de toda ordem, seja clássico ou popular num ambiente lúdico e, sobretudo alegre, dominado pelas músicas caribenhas. É outra coisa imperdível e diversão certa.
Nave central da Catedral de Sal, a 40 metros de profundidade da Terra. 


 Mas, a Colômbia não se restringe à Bogotá. Outras cidades são centros de atração certos. Por exemplo, Cartagena de Las índias, a beira do Caribe, sobre a qual falarei na próxima postagem.   
Uma das mais expressivas telas de Fernando Botero (Museu Botero - Bogotá)
 NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e da autoria do Blogueiro.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Futuro Social Incerto


Indiscutivelmente alguns episódios “artísticos” da semana que passou balançaram fortemente a sociedade brasileira com polêmicas diferentes das mais corriqueiras: refiro-me à exagerada exposição do chamado nu artístico no Museu de Arte Moderna – MAM, de São Paulo, e outra exposição no Centro Cultural Santander, em Porto Alegre. Na capital paulista, a título de arte e em meio a outras várias peças expostas, um homem despido posou para um numeroso público, chamando a óbvia atenção dos visitantes, particularmente, várias crianças e adolescentes. Mais do que isto, numa espécie de performance erótica, claro, crianças foram convidadas a tocar naquele desconhecido nu, levando a plateia e a sociedade a um debate caloroso e sem fim.
Eis a cena condenada pela sociedade de são juízo.
Até que ponto aquilo lá pode ser chamado de arte? Até que ponto aquilo lá não foi um estimulo à pedofilia? Difícil de responder, mesmo nos dias de hoje, quando tudo é permitido. Um formidável desafio para a sociedade que se julga prafrentex. Acho que este termo ainda existe... Até que ponto aquela garota que foi induzida, pela própria mãe, a tocar no corpo despido de um homem desconhecido, vai processar incólume essa experiência? Estaria ela preparada para essa exposição pública? Reagirá, mais adiante, a um eventual assédio real ou virtual? Certamente, são muitas perguntas sem resposta imediatas. Salvo para os formadores de opinião – artistas e intelectuais de esquerda, sobretudo – que pregam a todo custo a diversidade sexual, a desorganização da família e mundo livre e desbandeirado. Acredito que, nem todo mundo concordaria com esse tipo de participação de um filho ou filha. E que fique claro: há uma imensa diferença entre o nu do David de Michelangelo esculpido em carrara e o nu, de carne, osso e sangue nas veias, daquele velhote lá de São Paulo.
A verdade é que este tema exige rápida reflexão e deve ser bem pensado respeitando as opiniões da sociedade, da comunidade científica e das autoridades constituídas. Usar o argumento do controle da censura como justificativa pode ser uma opinião apressada. Aliás, apresso-me em afirmar que sou a favor da liberdade de expressão! Mas, com um senão: tudo neste mundo tem limites. Pratico e admito essa liberdade até que não venha ferir os bons costumes e a preservação da ética e da moral. Sei que muitos discordarão de mim. Mas, sei também que outros muitos concordarão.   
Nas minhas reflexões, antes desta postagem, procurei ver por um retrovisor e conclui que já se foi o tempo em que discutir sexo e liberdade sexual era um tabu. As nossas crianças desde muito cedo são estimuladas a pensar nessas coisas, ajudadas pela TV e pelas relações sociais mais abertas. As escolas mistas dos tempos de hoje já oferecem oportunidades fantásticas de abrir as mentes infantis para os relacionamentos homem x mulher, bem como outros arranjos menos tradicionais. Virgindade é coisa descartável facilmente. Outra coisa, meu Deus, criança alguma, hoje em dia, cai na velha historia da cegonha. Faz tempo... Soaria como piada! Ao invés disso, quando já sabe ler, lhe providencia um livrinho, de origem alemã e bem popular no mundo inteiro, denominado “De onde vêm os Bebês”. Que cegonha, que nada! Certíssimo! E inclusive causa alívio aos pais que têm dificuldades de responder perguntas difíceis de filhos mais perspicazes. Eu lembro meu tempo de criança, quando acreditava piamente nessa tosca historia, e minha mãe anunciava que o bebê ia chegar a qualquer momento, eu corria para o quintal ou para o jardim de casa para assistir a aterrissagem da dita cuja. Pode uma coisa dessas?
Ilustrações do livrinho alemão, traduzido no mundo inteiro.
 Outra coisa que me leva a condenar essa exposição do MAM de São Paulo é o fato de que uma garota pré-adolescente não precisa ser exposta a uma experiência estúpida como aquela, dado ao fato de que, certamente, ela deve estar familiarizada com um corpo de um homem despido ou semi-despido na convivência em família. Numa família bem estruturada – ou até menos do que isto – a nudez dos membros da família não obedece a rigores rigorosos. Não constitui nenhuma obscenidade. Qual filha ou filho menor nunca viu pai despido ou mãe despida? Muito difícil! Nada mais natural. E essas coisas ocorrem de modo tranquilo, sem subterfúgios ou traumas. Por que, então, obrigar uma garota desempenhar um papel tão agressivo como aquele lá em São Paulo? A título de arte? Tenha dó. Feriu a sociedade já tão aberta às mudanças do mundo de hoje com arranjos de famílias pouco ortodoxos, casamento homoafetivo, transexualidade, entre outros.
Bom lembrar, ainda, que esse episódio feriu frontalmente o que reza o Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como a legislação vigente a respeito da proteção ao menor em situação de risco. Essa mãe que estimulou a filhinha manipular o corpo de um ator repousando no tatame do MAM, certamente desconhecia tudo isto e merece ser chamada e enquadrada no rigor da Lei. A propósito, o Ministério Público de São Paulo, em boa hora, já instaurou um inquérito para responsabilizar os autores dessa “arte” e a própria direção do Museu.
É temeroso saber que essas iniciativas estão sendo tomadas em importantes capitais do país, a exemplo do Queermuseum de Porto Alegre. Ali, uma exposição na exploração do tema sexo, pedofilia e até zoofilia foi cancelada às pressas, dada à repercussão negativa que causou na sociedade local. As imagens expostas estavam abertas de modo livre, sem qualquer censura. Escolas levavam suas crianças para visitas guiadas. Imagine o que se passava pelas cabeças dessas crianças diante de imagens libidinosas e muitas vezes grotescas. O Centro Cultural Santander, onde ocorria a exposição teve que administrar apuros. Viu-se obrigado a pedir desculpas formais e, às pressas também, bolou um programa de apoio à criança em situação de risco. Já no Rio, a Prefeitura simplesmente vetou uma exposição, desse gênero. Ainda bem.
A pergunta final é: o que será dessa sociedade no futuro?
Nós temos responsabilidade com esse futuro. Estejamos de olho, para esse futuro incerto. 

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Mundo Cão

Fico sempre muito impressionado quando rolam essas noticias de franco-atiradores nos Estados Unidos, a exemplo do que ocorreu, no passado fim de semana, em Las Vegas. Tento entender o que passa pela cabeça de um individuo desses, sem jamais conseguir. Matar mais de cinquenta pessoas inocentemente assistindo a um show de festival de musica country. Inexplicável. Ou então, matar crianças indefesas numa escola pública, disparar uma metralhadora contra estudantes que circulam no largo de uma Universidade ou entrar numa sala de cinema matando, indistintamente, os espectadores, entre outras formas estúpidas. Como entender tanta brutalidade? Estima-se que, nos Estados Unidos, ocorrem 30.000 mortes/ano relacionadas ao uso de armas de fogo, incluindo esses casos de franco-atiradores.  As mesmas estimativas dão contas de que 65% dessas mortes são por suicídio, o que é um percentual expressivo. Desculpe não informar a fonte. Obtive os dados numa leitura ocasional, na Internet.
Imagem do horror em Las Vegas
No caso desses franco-atiradores a única explicação é a loucura. E pode ser mesmo porque, na maioria dos casos, os autores concluem suas chacinas suicidando-se. Matar, se matar e morrer virou coisa banal no mundo de hoje. Os motivos são dos mais diversos. E nem vou falar dos fanáticos terroristas mulçumanos. Em países como os Estados Unidos pode ser, também, a excessiva liberdade de portar arma de fogo e gozar da livre venda destas. É provável.
Como se livrar de uma calamidade dessas? Eis aí um colossal desafio para a sociedade moderna.
Acredito que na verdade o mundo anda cheio de pessoas infelizes e frustradas. Principalmente nas sociedades ditas mais avançadas. Estados Unidos, Suécia e Japão se destacam neste grupo. Acho que falta amor à vida e respeito ao ser humano. E isto é cada vez mais crescente. Infelizmente o mundo moderno cobra demasiado a cada individuo. Homens e mulheres sofrem de toda sorte de dissabores para conseguir realizar seus projetos pessoais e nem todo mundo está preparado para romper as barreiras que lhes são impostas. O acúmulo de responsabilidades do cidadão ou cidadã comum começa ainda na infância. Sem que percebam são tragados desde cedo pela roda viva do viver velozmente. Chega o dia em que a exaustão atinge limites insuportáveis e a pessoa se vê numa encruzilhada de destinos quase sempre muito mais exigentes e, então, desanima. Como consequência vem a depressão, a automarginalização, a falta de apoio de um(a) amigo(a), profissional de saúde ou da família – pouco acreditada ou pouco solidária nessas horas – o desejo de morrer, tendo que viver e enfrentar a luta, sem que disponha de ânimo. Com a vontade de morrer agudizando e sendo esta a única rota de fuga restante, decide cometer o desatino. Mas, como vingança e sinal de revolta resolve que não vai sozinho e decide levar outros juntos. Triste sina de quem estiver na mira desses tresloucados. Mundo cão. Curioso, depois, é ouvir dizer que esses assassinos são descritos como pessoas tranquilas, bem apessoadas, de bons costumes e tudo mais. E há sempre os que se surpreendem com essas atitudes extremas.
Agora já se começa a falar, nos Estados Unidos, sobre a proibição das vendas de armas com a liberdade hoje vigente. Presumo que o desafio será maior ainda. O norte-americano tem na sua formação cultural a ideia da defesa pessoal sempre alerta e isto passa pela necessidade de ter sempre uma arma de fogo à mão. A meninada já cresce com essa ideia incutida na mente e um dos melhores presentes que recebem são exatamente os revólveres ou metralhadoras de brinquedo.
Aqui no Brasil é um tema sempre em evidencia e polêmico. Liberar ou não? Eis a questão. Um plebiscito determinou que fosse proibido. Mas a sociedade anda dividida, em face da escalada da violência versus a falta de armamento para se defender. Na contramão, gangs de traficantes e marginais circulam livremente e sem porte de arma com verdadeiros arsenais, desafiando polícias, forças armadas e, naturalmente, a sociedade indefesa.
Quase concluindo esta postagem, rompe nos meios de comunicação a noticia da atitude insana do vigia de uma creche, em Janaúba, cidadezinha no Norte de Minas, que ateou fogo no estabelecimento, matando várias inocentes crianças e alguns adultos, além de deixar muitos feridos. O monstro terminou se matando com o corpo em chamas. Fala-se que foi uma ação premeditada de um desequilibrado mental que, irresponsavelmente, foi admitido pela administração da creche. É uma atitude dolorosa e avassaladora que choca o Brasil, neste fim de semana.
Pra onde vamos? O que fazer para escapar deste mundo cão?
Enterro coletivo em Janaúba. Cidade pequena em estado de choque.
Dez dias de luto oficial, decretado pelo Prefeito local.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Uma semana desastrada

Os dias recentes não foram fáceis. Foi uma semana pesadona. Aliás, os dias recentes e os muitos antecedentes. Assistir aos noticiários da TV, do rádio, ler os impressos ou acessar qualquer outro veículo de comunicação tem sido um verdadeiro exercício de estresse ou resignação diante das tragédias que rolam aqui, ali e acolá. Ideal mesmo seria seguir o conselho dado, na TV, pelo Presidente da John Deere do Brasil, Paulo Herrmann, em recente evento no Rio G. do Sul: “pare de assistir a TV, radio e ler os jornais e passe a acreditar mais no que você pode fazer. Este país que é mostrado nesses veículos de comunicação não nos pertence. Unamo-nos para retomar os destinos deste país de futuro”. Admiro essa ideia, mas, tenho imensa dificuldade de me desligar do Brasil que rola perto de mim e é estampado sem piedade na mídia. A John Deere é líder mundial na produção de máquinas e equipamentos agrícolas, com importante unidade no Brasil.
Enquanto não consigo adotar a sugestão do empresário, vou levando e fazendo meus comentários nas postagens semanais. Como estava dizendo, a semana passada foi uma sucessão de tragédias, desacordos  diplomáticos e convulsões politicas para deixar qualquer ser racional e de são juízo em estado de alerta, para não dizer de pânico. Imagine que até o fim do mundo foi anunciado! Como acompanhar essas coisas de forma passiva? Comigo não funciona. Sinto temores. Por que não? Sou humano, tenho sistema nervoso atuante, sangue nas veias, coração “remendado” e disposto, além de mente aguçada. Afinal, penso. Então estou vivo.
Como dormir tranquilo sabendo que dois proeminentes mandatários, com atitudes de loucos, trocam insultos ofensivos, ameaçam a paz e o equilíbrio universal? Como ficar alheio às noticias de que aquele norte-coreano segue lançando mísseis experimentais de longo alcance e efeitos destruidores?  Estamos longe deles, mas, uma decisão açodada nos jogará numa hecatombe universal.
Ao mesmo tempo, a Natureza em espasmos atabalhoados resolve soprar ventanias mais fortes que as de costume e, de modo furioso, varre países, cidades e seres humanos da face da Terra, deixando saldos dolorosos, castigando povos já sofridas em face das suas pobres e renitentes condições de vida. Esses furacões de setembro – Irma e Maria – na parte tropical do Hemisfério Norte assustam e comovem, enquanto enchem de pautas a mídia internacional. As imagens são chocantes. Também, com os modernos e rápidos meios de comunicação essas cenas são transmitidas ao vivo e a cores deixando o mundo em estado de perplexidade.
Pobres e arrasados por capricho da natureza
Como se não bastassem as varreduras de Irma e Maria, a Mãe Terra, parecendo tremer de medo destas duas “senhoras” agitadas, resolve fazer uma “reforma de piso”, reajustando suas placas tectônicas, no lado Ocidental da América do Norte, provocando um transtorno sem tamanho preciso em dois pontos do território mexicano.  Ora, meu Deus! Por que tudo isso de uma só vez? Atento a todas essas movimentações acima do Equador, confesso que não tive muita paz de espírito, nesse tempo tumultuado.
Prédios inteiros desabados 
Tenho vários amigos no México e não sosseguei enquanto não obtive noticias de cada um. Alguns sofreram abalos físicos e emocionais inesquecíveis. Agora são vidas marcadas pela tragédia. Vidas amigas que, por sorte, salvas em meio a esse desmantelo coletivo. As imagens que chegaram até nós e no restante do mundo foram e ainda são aterradoras. No balanço provisório sabe-se que vidas foram soterradas, famílias inteiras apagadas, com seus projetos e ilusões, sumiram em meio a poeira levantada das crateras abertas, prédios, casas e grandes edifícios desmoronados. Dói muito saber que vidas inocentes desapareceram para sempre como as daquela escola onde quase trinta crianças morreram sob os escombros.
Vidas, patrimônios perdidos no meio escombros e muita poeira.
Mas, aqui em Casa as coisas não foram nada fáceis, também. Fora a guerra suja que se trava ininterruptamente em torno do Palácio do Planalto, tivemos o deflagrar de uma “guerrinha civil” na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, que rola até hoje e causa preocupações infinitas, visto que pode contaminar inúmeras outras praças do país, nas quais o crime, o tráfico de drogas, roubos, assaltos e latrocínios grassam sem limites. É, minha gente, a insegurança se espalha rapidamente e já é quase endêmica em muitas das grandes e médias cidades brasileiras. Os governos locais e o Federal se mostram impotentes para impor a ordem. As forças policiais estão desmoralizadas e eivadas de corruptos nas suas fileiras e as forças armadas – convocadas para operações extraordinárias – são desafiadas pelos bandidos armados até os dentes e muitas vezes melhor equipados. É uma luta desigual e preocupante.
Guerra Civil travada na Rocinha
Será esse o Brasil que o empresário, citado no inicio do post, falou não ser nosso? Sei não! Continuo achando que é nosso e que somos responsáveis por não sabermos escolher nossos governantes.
Vou finalizar desejando que venham semanas de paz nos céus e na Terra.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A Encrenca da RENCA

Estou cansado de falar sobre políticos e politiqueiros. Acredito que ninguém agüenta mais. Aliás, pensando bem, é por isso que o povo desistiu de ir às ruas, bater panelas e protestar. Aparentemente, desligaram de vez. Acho que perderam as esperanças (esqueceram que é a “ultima que morre”?) diante de tantas barbaridades cometidas por esses irresponsáveis que comandam o país. A salvação ainda é que a economia dá sinais de recuperação. Lenta! Tem muita gente batendo cuia. Chega!
Então, mudando de assunto, embora focando em mais um imbróglio da política desastrada e duvidosa, do Governo, volto a comentar sobre a questão da extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados - RENCA, sobre o que falei recentemente. E voltei porque cheguei à constatar que este caso exige mais cuidado do que se vem tendo. Recente reportagem na TV, com imagens feitas naquela região, esmiuçou de modo flagrante o que de fato existe naquele pedaço relativamente esquecido do Brasil, mostrando a exploração predatória e ilegal que são levadas a efeito por lá. São clareiras imensas abertas no meio da floresta devastada. É impressionante como se garimpa ouro e outros metais nobres sem que as autoridades tomem o devido conhecimento e apliquem as medidas legais. Os indígenas da região, que aparentemente reclamam da medida, parecem usufruir dos frutos da Terra e se mancomunam com os exploradores clandestinos. Pudera! As autoridades (in)competentes são míopes para o que ocorre por lá e por isso a esbornia corre solta. Tudo parecendo ser uma terra de ninguém. Leitor radicado naquela região falou-me em off que, das pistas clandestinas de pouso, que são muitas, decolam jatos carregando levas pesadas de ouro diretamente para países da Europa (a Bélgica foi um dos país citados) sem que o Estado Brasileiro tome conhecimento. Não tenho provas disso, claro. Nem o Governo tem, imagine eu!
Na verdade, acredito que a tão defendida e “protegida” Floresta Amazônica encerra, além de  um imenso patrimônio florestal (pulmão do planeta climaticamente saturado), uma incomensurável riqueza de recursos minerais. Sabe-se de modo atabalhoado que naquele subsolo há fantásticas ocorrências de minérios com alto valor de mercado, incluindo minerais fósseis, ouro, cobre, prata, entre muitos outros menos conhecidos no Brasil, mas de grande valor para a produção industrial tecnologicamente avançada nos países do chamado Primeiro Mundo.
Fiquei sabendo que um dos produtos minerais mais demandados na atualidade são os denominados de Terras Raras, também conhecidas como Novo Ouro. Quer ver uma coisa? Nunca ouvi falar de latânio, cério, neodímio, európio, túlio, lutécio e samário. Pouca gente viu. Aqui no Brasil são denominações restritas aos cientistas que atuam na área de exploração mineral. Segundo minhas investigações, todos nós, pobres mortais, dependemos desses materiais no dia-a-dia. São materiais  indispensáveis na moderna tecnologia, para produção de motores elétricos, turbinas eólicas, superimãs, telefones e televisores inteligentes, computadores, tabletes, lâmpadas LED, mísseis e muitos outros produtos. 
Imagem de Terras Raras colhida no Google Imagens
A China é a detentora das maiores reservas de Terras Raras. Tem o monopólio mundial e é responsável por 95% da produção, seguida dos Estados Unidos e Austrália. O Brasil sequer figura na lista da produção mundial, embora se saiba, desde os anos 40 do século passado, das ocorrências verificadas no estado de Minas Gerais. Coisa pouca quando comparada com a China. Contudo, já se fala que há importantes reservas na Amazônia. Mistério! É aí onde reside a dúvida dessas manobras tidas como espúrias. Preserva-se a RENCA ou entrega-se à exploração mineral?
Tem coisa mais complexa do que essa? Eu sou partidário da defesa do meio ambiente. No entanto, ao mesmo tempo, vejo de forma inevitável que se explorem as riquezas minerais de alto valor com vistas ao desenvolvimento nacional. Dilema danado.O desafio pode ser combinar as duas coisas: preservar a floresta e explorar os minérios. E isso é possível com tecnologias subterrâneas. 
Explorando um pouco o assunto, dei de cara com uma declaração interessante  de um especialista em estudos do tema, Breno Augusto Santos (in: Estudos Avançados 16(45), 2002)quando falando sobre a riqueza mineral da Amazônia, disse uma verdade: “Os recursos minerais da Amazônia somente poderão dar maior contribuição ao desenvolvimento nacional – e regional – quando o processo de industrialização do país permitir a elaboração de produtos finais com elevado grau de tecnologia agregada. Só assim será possível uma melhor remuneração para os produtos de origem mineral, que tenham maior competitividade nos mutantes mercados atuais, num mundo onde há enorme diferença entre exportar potato chips ou micro chips”.
Agora, se houver estrangeiro cobiçando terras raras na área da RENCA ou no resto da Amazônia, teremos um bom motivo para protestar e brigar pela soberania brasileira. Isso sim, será um bom motivo para irmos às ruas, bater panelas e tudo mais.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Salvemos a Amazônia

Dois assuntos dominaram a mídia, nesta semana (28 a 31/08/17). Os dois caíram na boca do povo, sem trégua e sem explicações plausíveis: a liberação da RENCA – Reserva Nacional do Cobre e Associados, na fronteira do Pará com o Amapá e a derrubada de uma palmeira imperial no Pátio do Carmo, no Recife. A primeira com repercussão negativa no mundo inteiro e a segunda restringindo-se ao ambiente doméstico recifense. Dois crimezinhos banais desta vidinha ingrata do cotidiano brasileiro. É uma pena que bem pouco dos nossos cidadãos estejam informados o suficiente sobre o tema. A grande maioria não tem alcance intelectual para tanto. Coisas de Brasil.
Ora, meu Deus, num mundo às voltas com as questões ambientais e preocupado com a preservação da nossa morada universal, isto é no mínimo um desatino. Melhor observando, nessas horas quando o apelo de “Preserve o Planeta Terra”, propalado por entidades mundiais  – como o Rotary Internacional – são ignorados e, até mesmo, levados ao ridículo, resta a tristeza e a vergonha em face da comunidade internacional.
Contudo, é importante registrar que as coisas não ficaram de tudo por isso mesmo, como só e geralmente acontece. No caso da RENCA o estouro de protestos foi detonado em milhares de pontos do planeta. Eu mesmo recebi mensagens – cobrando posição de repulsa aqui no Blog – de alguns amigos estrangeiros, na mesma hora em que a noticia de espalhou. Leitores do Chile, Equador, Estados Unidos, Portugal e Argentina, manifestaram revoltas e estão a espera deste post.
Liberar à exploração predatória – e todas são – de uma área correspondente a extensão da Dinamarca é falta de visão governamental responsável e de compromisso com os brasileiros e com a comunidade internacional. A Amazônia é um patrimônio inigualável para a preservação da natureza do planeta. Vem sendo devastada sem pena e sem ordem, há décadas. O Agronegócio impera e destrói a floresta. É do Brasil a maior parte dessa riqueza natural. É o pulmão da Terra! Diante da irresponsabilidade brazuca, não é à toa que, vez por outra, renasce a tese daqueles que pleiteiam transformá-la numa região internacionalizada. E é por isso também que  tem muitos estrangeiros, entidades e pessoas físicas, trabalhando em pesquisas, por lá. Imagino os interesses e o olhão naquela riqueza.  É temerosa essa ameaça! Além disso, com a visão politicamente deteriorada do nosso país, em crise econômica profunda, a velha fama de país pobre e sem recursos públicos para investir, corre-se o risco dessa derrota. Deus nos mande alguém de visão, instruído e líder para salvar o Brasil e o Planeta.
Eis o mapa do crime
Haverá certamente os que vão defender a liberação da área amazônica e deixar que haja exploração mineral precedida da extinção da floresta secular, bem como os que vão explicar de modo inconvincente a derrubada da palmeira imperial no centro do Recife.
O caso da palmeira imperial recifense foi absurdo e criminoso. Derrubar uma palmeira viçosa e sadia para melhor posicionar o caminhão trio-elétrico que serviu de palanque político para o ex-presidente Lula, na sua campanha antecipada é abominável (não encontro outro adjetivo mais adequado). Esse “candidato” desgastado e politicamente morto não tem direito de qualquer coisa mais e, muito menos, concordar com um crime ambiental, que o seu partido tanto defende. Haja cinismo. Além de corrupto condenado é, agora, por razão explicita de um crime ambiental. 
A palmeira viçosa e sadia (observe o tronco sadio) derrubada e o palanque petista
A palmeira recifense já era. No seu lugar tem um cimentado grosseiro. Merecia uma placa/lápide para registrar o histórico e cruel fato. Está lançada a ideia. Entrou para a história da bandidagem PTista.
Já quanto à liberação da RENCA, o assunto vem rolando e expondo negativamente o Governo desgastado e recorrente em decisões impopulares de Michel Temer. Para dar uma satisfação aos protestantes, nosso mandatário revogou o Decreto original e editou um novo prometendo vigilância e formas racionais de uso da área. Pura ilusão! O principio foi mantido. Discurso para enganar os tolos. Mas, como iludir a sociedade se a Reserva é clara quanto a sua riqueza geológica, isto é, Cobre? Vão explorar o cobre, sim. Quem viver verá.
Até onde vamos com esse tipo de crime? Salvemos Amazônia! É urgente e fundamental. Deixemos um mundo melhor para nossos descendentes. Compartilhem essa ideia. Seja também responsável. 

NOTA: fotos obtidas no Google Imagens.