sábado, 29 de agosto de 2015

Cruel Conjuntura

Eu não tenho dúvidas de que os assuntos relativos à política e o desandar da economia brasileira não são do agrado geral. Pelo menos no rol dos que me acompanham semanalmente neste Blog. Vez por outra, recebo claros retornos a respeito dessa rejeição. E é compreensível porque as pessoas andam saturadas dessas noticias ou comentários.  Ao mesmo tempo, é impossível passar batido diante desse cenário caótico que atravessamos, na atual conjuntura. No meio do mundo há verdadeiros desastres e aqui “dentro de casa”, nem se fala. Aliás, se fala... Fala-se, sobretudo, que o “fim do poço” ainda está longe de ser atingido. A cada amanhecer, uma novidade bombástica.
Fico estarrecido com as imagens da TV mostrando aqueles pobres coitados asiáticos e africanos buscando melhores meios de sobrevivência em terras da Europa, se lançando em precárias barcas superlotadas e atravessando o Mar Mediterrâneo, na busca de uma terra firme e segura. São jovens em idade ativa, crianças, mulheres e idosos totalmente vulneráveis que, sem meios de sobreviver ou ter segurança e sem esperanças na terra natal, jogam com a sorte na busca de dias melhores. A situação é, muitas vezes, tão extrema que morrer afogado no meio do mar termina sendo uma opção considerada. O que revela a falta total de perspectiva de vida. Doloroso. Estima-se que aproximadamente 300 mil pessoas já empreenderam essa desventura e pelo menos 3.000 já morreram na travessia, somente este ano, segundo os organismos internacionais que monitoram esse movimento migratório.
Ultimamente, o que chama a atenção é que muitos desses estão acampados em Calais (França) aguardando oportunidades para se meter no Eurotunel e atravessar o canal da Mancha, a pé, pegando caronas perigosas ou pendurados – como só Deus sabe – em caminhões de carga, para alcançar a Inglaterra. É uma imagem sem precedentes. Aterradora. São seres humanos em inimaginável degradação social. (Foto abaixo)
Nisso tudo que ocorre na Europa, temos a prova concreta de que os europeus que colonizaram os países africanos e asiáticos estão pagando um preço altíssimo pelas atrocidades e atitudes predatórias que cometeram no passado. Sem nunca planejar um futuro digno e uma relação civilizada, exploraram tudo que puderam dessas nações deixando-as, em meio a lutas sangrentas, na miséria e na desorganização político-social. Eis, então, um colossal desafio para quem está, há séculos, instalado numa zona de conforto invejável. Pobres europeus. Estão experimentando do “pão que o diabo amassou”.
Outra coisa que assusta e não me conformo é a destruição criminosa do patrimônio histórico da humanidade, que vem sendo praticado pelo tal do Estado Islâmico. Esta semana destruíram, sem pena, templos romanos, com mais de 2.000 anos, em Palmira, na Síria. Esses loucos se alastram pelo Oriente Médio, espalhando medo e terror nas nações da região. (Foto a seguir)
Como se tudo isso fosse pouco, para nós de Pindorama, a situação vai de mal a pior. Um espasmo de concórdia rolou nas últimas duas semanas sem que, contudo, surtisse o efeito político desejado. Os “líderes” de plantão – geralmente com os rabos presos – não cedem nem avançam e a Nação sofre cada vez mais. Estamos vivendo um pesadelo nunca visto antes na História deste País. A inflação está corroendo os salários e a tendência é de piora, ao beirar a emblemática casa dos dois dígitos. Estima-se que em setembro ela passe dos 10%. Quando isto acontece, acende-se uma luz vermelha e a grita geral se torna mais clamorosa. O PIB (Produto Interno Bruto), anunciado nesta Sexta Feira (28.08), caiu 1,9% no segundo trimestre deste ano, apontando para o aprofundamento da recessão. Ao mesmo tempo, já se fala em cobrança de CPMF outra vez. Ou seja, mais impostos, no lombo do contribuinte. É desesperador. Se o assunto for desemprego, a coisa fica ainda mais difícil. As demissões na Indústria e no Comércio assustam qualquer analista de são juízo. Aliás, neste país, analisar a situação econômica é puro risco profissional. O que será do amanhã? Ninguém sabe!
O que nos resta, nesta cruel conjuntura, é sentar e orar. Se você não professa nenhum credo, procure um terapeuta que acalme seus ânimos abalados.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.


domingo, 16 de agosto de 2015

Eu vi Hiroshima

Esta semana que terminou, o mundo lembrou com comemorações o final da Segunda Guerra Mundial,  há 70 anos, após a traumática rendição dos japoneses destroçados pela derrota geral imposta pelos aliados e, particularmente, abatidos pelas explosões de duas bombas atômicas que ceifaram as vidas de aproximadamente 200 mil cidadãos civis, nas cidades de Hiroshima (06.08.45) e Nagasaki (09.08.45).
O Japão que formava com a Alemanha, de Hitler, e a Itália, de Mussolini, um Pacto Tripartite, denominado de Eixo, resolveu resistir ao final do conflito que já havia ocorrido nos campos da Europa desde maio anterior, quando as Forças Aliadas (norte-americanos, britânicos, franceses e seus aliados) invadiram a Normandia, no episódio que entrou na Historia como o Dia D.
O Japão era governado pelo Imperador Hirohito (1901-89), um homem orgulhoso, resistente, provido de muita autoridade e comprometido com seus súditos, que o veneravam e lhe atribuíam poderes divinos. Um verdadeiro deus, conforme a tradição japonesa. Hirohito, celebrou um pacto com o Eixo, entrou de cabeça na Guerra e sensibilizou-se com as doutrinas nazistas e fascistas, chegando inclusive a autorizar a organização do Partido Nazista Japonês. Para o Imperador o mais difícil foi reconhecer a derrota que terminou o levando aos mais esmagadores ataques daquele conflito mundial. No processo de reconstrução e reestruturação política  do país teve, por várias vezes, que enfrentar confrontos e atentados dos que o acusavam de criminoso de guerra. Não fosse a benevolência dos comandantes norte-americanos que, por imposição dos Aliados, assumiram o controle do país até 1950, teria sido destronado. Os americanos tomaram medidas democratizantes, anularam o caráter divino do Imperador e instituíram uma monarquia constitucional. Passado o conflito e a retomada da ordem, Hirohito conseguiu dar ao seu país notável impulso econômico colocando-o entre as maiores potenciais industriais do mundo moderno.
Já estive por duas vezes no Japão. A primeira foi no Outono de 1984, quando  fiquei por lá cerca de três meses, participando de um curso de especialização. A segunda vez foi mais recente, em 2012, numa passagem mais rápida defendendo negócios empresariais para Pernambuco e que durou apenas uma semana.
Visitar aquele país é sempre muito oportuno. Desde muito jovem alimentei a esperança de viver essa experiência. Cheguei a produzir, na época de Faculdade, uma monografia sobre a economia e a cultura japonesa, o que me proporcionou um mergulho no mundo nipônico de maneira indelével. Lembrar-me da destruição que sofreram e a maneira como se recuperaram sempre foi algo que exerceu imenso fascínio na minha cabeça de jovem estudante. Quando me surgiu a chance de ir até lá, não tive dúvidas em aceitar. Nem preciso dizer da minha curtição. Ver de perto aquela gente, aquelas paisagens, a pujança econômica, a riqueza cultural marcou-me para o resto da vida.
Uma coisa, porém, quero destacar: sai do Brasil decidido a ver de perto Hiroshima ou Nagasaki. Previamente li alguns livros, reportagens e artigos sobre os episódios das bombas atômicas jogadas sobre essas cidades. O horror que senti ao longo dessas leituras e a crescente curiosidade que alimentei justificavam este desejo.
Com um natural misto de curiosidade e uma pontinha de temor pelo risco de sofrer alguma radiação nuclear – fui recomendado por amigos mais cuidadosos – desembarquei de um Trem Bala (Shikansen), num belo dia de novembro de 1984, na estação de Hiroshima. Confesso que tomado de forte emoção e satisfeito pelo desejo realizado, deparei-me com um cartão de visitas inesquecível: um parque florido, aprazível e caprichado à moda japonesa. Minha primeira impressão foi de imensa surpresa. Fui tomado, desde o primeiro momento, por uma sensação de paz e PAZ foi a palavra que mais ouvi e encontrei grafada nos mais distintos pontos da cidade. A reconstrução é algo monumental e tudo leva a entender a grande intenção de apagar o dantesco quadro que restou daquele 6 de agosto de 1945. Dificil acreditar que ali existiu um momento em que a imagem daquilo que conhecemos como inferno foi reproduzido de maneira rigoroso, devido a uma insana manobra de guerra, sabidamente desnecessária. O Japão se renderia mais dias ou menos dias. Havia perdido a sustentação estratégica que norteava o Eixo e o Imperador teimoso não teria saída. Lamentável.
Percorrer Hiroshima, sua região central, onde a bomba explodiu, e o estarrecedor Museu Memorial da Paz, (vide fotos a seguir) foi uma das melhores lições de vida que recebi. Já visitei também o Museu do Holocausto, em Washington (USA) e não sei dizer onde sofri mais, diante de visões tão estarrecedoras. Ainda hoje não consigo entender como pode haver seres humanos capazes de produzir tantas carnificinas. Em nome de que? Por que? Quanta maldade! O mais repugnante e atroz filme de terror que venha a ser produzido não conseguirá suplantar as imagens expostas no museu japonês.  



No Japão sobrou uma tênue vida, brotou a paz e foi construída a maior e mais forte rede de solidariedade. Das cinzas de Hiroshima surgiram águias vigorosas e precursoras de tempos de progresso que se experimenta no arquipélago japonês.
Eu vi Hiroshima. É uma cidade viva e bela.
A seguir, duas fotos em dois momentos da minha vida no Japão. A primeira em Hiroshima, em 1984, jovem e barbudo seguindo a moda da época, às margens do Rio Motoyasu, vendo-se ao fundo o predio do Banco do Japão, o unico que restou de pé, embora que bem avariado. Este edificio é preservado como ficou após a destruição. A segunda foto, mais abaixo, é do recente 2012, diante do Buda de Kamakura, um cartão postal da Terra do Sol Nascente.

 
NOTAS: 1) As três primeiras fotos foram obtidas no Google Imagens e as particulares são do Arquivo Pessoal do Blogueiro. 2) A primeira viagem ao Japão foi a convite da Japan International Cooperation Agency - JICA, enquanto fui funcionario da Superintendencia do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE e a segunda viagem foi integrando uma Missão Empresarial de Pernmabuco, representando o Sindicato das Industrias Metalurgicas de Pernambuco - SIMMEPE. 
 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Cuidado com o mês de Agosto

Quando chega o mês de agosto muitos brasileiros ficam de “orelha em pé” e cheios de expectativas em relação ao quadro político reinante. Eu, pessoalmente, fico torcendo que passe logo. Agosto sempre foi emblemático, politicamente falando, para o país. Conheço político que entra o mês cruzando os dedos, pendura figa no pescoço, se benze e pede aos deuses que o tempo passe logo.
Também pudera, Getúlio Vargas deu fim a vida no fatídico 24 de agosto de 1954, em meio a uma crise política profunda, provocando uma consternação social de dimensão nacional. Janio Quadros, após seis meses de um governo cheio de bombásticas medidas administrativas e ridicularizadas nos quatros cantos de Pindorama, surtou e terminou renunciando no dia 25 de agosto de 1961, provocando uma crise político-institucional que veio desaguar no golpe militar de 1964. Em Pernambuco, particularmente, agosto já proporcionou duas surpresas que entraram na história do estado e do país: a primeira foi a morte súbita do governador Agamenon Magalhães, na trepidante madrugada de 24 de agosto de 1952. Saiu de cena e entrou para a história como tendo sido um governante cruel nas atitudes e perseguidor de prostitutas, afrodescendentes, homossexuais e, sobretudo, seus opositores. A outra surpresa foi mais recente, cuja lembrança ainda está fresquinha nas mentes brasileiras, que foi a trágica morte de Eduardo Campos, no brutal acidente aéreo de 13 de agosto de 2014, em Santos (SP), quando se encontrava em pujante campanha à presidência da República. Diante desses fatos concretos, como não temer os ventos de agosto?
Lembrando-me desses episódios desagradáveis à vida nacional fico, mais do que nunca, desejando que este agosto de 2015, sobrecarregado de crises – econômica, ética, moral e política – seja breve e leve, de uma vez por todas, esses ares malfazejos que vêm soprando o cenário brasileiro desde que encerrado o processo eleitoral de 2014. Uma eleição de diferença apertada entre vencedora e derrotado, não assimilada por setores importantes da sociedade organizada, secundada por uma exposição cruel do estado deplorável no qual a economia brasileira havia sido irresponsavelmente jogada, nos últimos anos.
Bom, uma coisa é certa: não há Governo que se sustente quando provoca tropeços à economia. Quando a cortina de fumaça gerada no Palácio do Planalto para encobrir as manobras de sustentação do poder se dissiparam e a realidade veio a público, um clima de instabilidade sócio-político-econômico implantou-se, cujo controle está perdido até hoje. Ao descobrir a realidade, os próprios eleitores da candidata vencedora, a torcida do Flamengo e o povo em geral, juntos e de mãos dadas, mergulharam de cabeça na maior onda de frustração social, como nunca antes na história deste país. Preocupante é que esta coisa vem rebolando até o presente agosto, no qual forças opositoras deitam e rolam sem dó, muitas vezes de forma irresponsável – sem pensar nos prejuízos que acarretam aos que representam – deixando pessoas, como eu, em permanente expectativa diante de cada novo assalto nesse verdadeiro ringue poliédrico, onde forças políticas antagônicas são medidas a qualquer preço e em qualquer hora.
Ora, minha gente, é lógico que o debate, mesmo que acalorado, além das dialéticas mais apuradas, é necessário e benéfico ao estado democrático. Sem isto, aliás, não existe Democracia. Para isto, contudo, é preciso que haja um Parlamento consciente, comprometido com a Pátria e a Nação, que haja responsabilidade do Estado e, sobretudo, haja líderes de fato que patrocinem a retomada da ordem e do crescimento socioeconômico.  Infelizmente, não vejo nada disso na atual conjuntura brasileira. Estamos como num barco à deriva. Nossa “presidenta” perdeu a bussola que lhe colocaram nas mãos e o descrédito e o pessimismo tomaram conta dos cidadãos. Ao mesmo tempo, as “lideranças” políticas estão mais preocupadas em garantir seus quinhões do que qualquer outra coisa e pouco se incomodam com a coletividade, agora abandonada.
Diante deste quadro caótico urge que apareça um grupo de coalizão política responsável que promova o entendimento como os brasileiros esperam e assumindo o comando dessa locomotiva desgovernada, pare, olhe e escute e, depois, escolha qual caminho tomar. O Brasil merece e o povo vai agradecer. Mas, que façam logo porque agosto está aí.