sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Desafios dos Novos Governantes

O Brasil indiscutivelmente mudou nesses últimos anos. E, vou logo avisando, não falo dos recentes anos de governos do PT ou do PSDB. Falo dos anos que remontam até mesmo ao período dos governos militares. Já tenho idade suficiente para fazer esta afirmação e, além disto, trabalhei muitos anos numa agencia de desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro (SUDENE) cuja missão maior era justamente promover o desenvolvimento socioeconômico da Região. Tampouco vou rememorar longos dados historicamente deprimentes ou a evolução desses, salvo alguns poucos e de passagem, para lembrar que mortalidade infantil e geral, analfabetismo, desemprego desmedido e êxodo para regiões mais atraentes, entre outros, revelam, nos dias atuais, um quadro completamente diferente do que se dispunha nos anos 60 e 70. A SUDENE cumpriu importante papel ao mudar o Nordeste, enquanto o restante do Brasil não parou de crescer e mudar.
O advento dos programas de assistência direta das décadas recentes, hoje reunidos no Programa do Bolsa Família, se cristalizou e o brasileiro de agora difere, em muito, do de trinta anos passados. As denominadas Classes C e D já representam, agora, um forte contingente de cidadãos incluídos no cenário socioeconômico da Nação e são pessoas que por ser mais bem instruídas, gozarem de melhor saúde e saneamento, de ter um emprego e vida melhor organizada, habilitam-se a viver intensamente o dia-a-dia nacional, produzindo, participando politicamente e exigindo o que de direito.
Pensando desse modo, começo a interpretar ainda melhor o que ocorreu em junho de 2013 e fazer uma leitura mais cuidadosa daquelas reivindicações clamorosas. Não quero recordar dos oportunistas vândalos que optaram  desvirtuar a real iniciativa, saqueando e assaltando os patrimônios públicos e privados, mas, sim dos brasileiros honestos e bem intencionados que foram às ruas sem se preocupar com as matizes do colorido ambiente político-partidário.
Quando o povo organizado ganhou as avenidas das grandes cidades pedindo melhores padrões de saúde, educação, segurança, mobilidade e serviços essenciais, no padrão FIFA, estavam exercendo sua cidadania em toda plenitude.  E, veja bem, a massa humana que foi às ruas requerendo essas melhorias foi, sobretudo, formada pelos homens e mulheres das referidas Classes C e D. São pessoas que provaram do que antes não conheciam e que, agora, precisam ver aperfeiçoados e ampliados. Mais do que isso! São pessoas que já pagam impostos – diretos ou indiretos – conscientes da contribuição que dão e sabedores de que, por principio republicano, sua contribuição deve retornar em seu benefício.
É neste quadro que se instala a pesada carga que paira sobre os novos governantes eleitos, neste outubro de 2014. É nesse ponto que deve se concentrar a atenção de quem vai empunhar a caneta de governante porque, afinal, uma mudança de governo é sempre acompanhada de um rasgo de esperança para os que o escolheram. Para chegar lá, forças contrárias se empenham no debulhar de promessas e supostos compromissos diante de Sua Excelência o Eleitor. Manifestações acaloradas, comemorações, esperanças, choros, ranger de dentes e, até tragédias, são comuns nesses tempos ou foram concretos nesse ultimo embate eleitoral brasileiro.
Ora, quando chega o momento da verdade, digo, de conjugar o verbo governar, nem sempre a coisa se concretiza. Infelizmente, sejamos francos, ao que tudo leva a crer, aqui no Brasil, é que bate uma crise de amnésia no eleito,  que termina se perdendo no turbilhão de decidir, de ostentar o poder e a vaidade do cargo, embalado por diversos salamaleques e, quase sempre, se mete em muitas irresponsabilidades. Exemplos recentes são os Fome Zero e PAC do Governo de D. Dilma. O primeiro ficou no papel e o segundo é um fiasco de incompleto.  
Tomara que o novo(a) presidente do Brasil e os novos governadores estaduais, olhem, ao menos, pelo retrovisor para junho do ano passado e tomem consciência das responsabilidades reservadas aos chefes de Estado, para atender as exigências de quem tem o direito de exigir: o cidadão eleitor. Recursos não lhe faltarão. Havendo vontade política, lisura, ética, menos corrupção e muita  honestidade o sucesso estará garantido.

2 comentários:

Susana González disse...

No puedo mas que aplaudir tu discurso, esto si es algo que debería salir en la portada de una revista, y estoy muy de acuerdo q los gobernantes deben tener conciencia de la historia. Gracias por poner claro algunas dudas que me desconcertaban, amo mucho a su país y quería oír comentarios positivos, pero sobretodo, bien fundamentados.
Susana Gonzalez (Mexico)

Danyelle Monteiro disse...

Me parece que quem ganhar será por pouco e isso é muito bom, porque mostra que o eleitor está mais consciente e exigente, logo, exigirá resultados; ademais, adorei ver nesse último debate a discussão sobre certo problema ambiental.
Danyelle Monteiro