sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Sociedade Esquecida


Não dá pra ficar calado! O país assiste a crise aprofundando, cada dia mais. O povo sofrendo sem perspectiva e de modo inerte: sem emprego, sem esperança e assistindo a distancia o desmando da Corte, em Brasília. O que é isso gente? Estamos indo em que sentido? Pra onde? Até quando essa situação vai perdurar? Cadê as manifestações públicas? E as panelas?
Faltam recursos para saúde, educação, investimentos governamentais, a insegurança é generalizada, corrupção idem e, surpreendentemente, uma abismal indiferença da Nação. E quando falo de Nação, veja bem, excluo Estado e Governo! Que fique bem claro. Nação é povo e nosso povo está anestesiado, parece que hibernando a espera de um milagre caído do céu.  Até este blogueiro perde o estimulo, cansado de protestar. De todo modo, como “quem cala, consente”, vamos falar. Mesmo que tendo a consciência de ser uma voz tênue e pouco ouvida. Mas, é minha forma de participar. É de participação que este país precisa.  
Três coisas absurdas fizeram a festa da mídia, nestes últimos dias: a criação do Fundo de Financiamento para a Democracia – FFD, singelo na denominação e indecente no objetivo, visto que se destinado a financiar as campanhas políticas milionárias de sempre e com dotação inicial projetada com uma bagatela de R$ 3,6 Bilhões. Indiscutivelmente, vamos e venhamos, é uma verdadeira piada de mau gosto. Só pode! Fiquemos atentos para ver se a Câmara dos Deputados terá o desplante de aprovar essa estupidez. O outro absurdo é a revisão da meta do déficit da União, visto que a antes prevista é inviável. Tente interpretar essa coisa e veja a insensatez. É isso ou então, Temer vai ter que “pedalar” como D. Dilma. Finalmente, o terceiro absurdo é uma meia-sola de reforma política, que estão cometendo para enganar os tolos adormecidos.  
Cidadão sem futuro garantido
Francamente, penso que esses nossos representantes em Brasília perderam de vez a noção de limites e de vergonha. Há muito eles já vêm dando sinais disto, mas, a cada dia e cada hora  extrapolam. Estão apurando a capacidade de zombar da cara dos representados. Seguramente são adeptos do principio do “quanto pior, melhor”. Uma coisa é certa: vivem noutro mundo que não o nosso.
Ora, com R$ 3,6 Bilhões – fora fundo partidário e propaganda obrigatória na TV – muito poderia ser feito em beneficio social. Investimentos em Saúde, Educação, moradia popular, segurança, entre outros itens que me ocorre lembrar e que mitigariam o sofrimento endêmico da população de baixa renda, abandonada à míngua.
Uma gente esquecida
Já a tal meia-sola de reforma política servirá, sobretudo, para assegurar a reeleição dos atuais legisladores. Só não vê quem é cego ou alienado.
Por fim, a revisão do Déficit da União vai, tão somente, aumentar o rombo das contas públicas e empurrar pra frente a duração da crise. Melhor seria cortar os gastos com os vergonhosos supérfluos que pesam na máquina pública e cumprir os limites antes estabelecidos. Por que não cortar nos salários indiretos, cartões de crédito corporativos, viagens inúteis, embaixadas dispendiosas em lugares remotos e sem qualquer interesse político-econômico (fruto dos irresponsáveis que recentemente governaram por 12 anos), entre outros inúmeros itens já conhecidos e amplamente divulgados?
Sem dúvidas, somos uma sociedade esquecida e conformada. Precisamos acordar e sanear essa corte brasiliense. E a vez disto será em 2018. Fique atento, caro(a) leitor(a).
Enquanto isto não passa, tente aproveitar seu fim-de-semana! É uma coisa ainda possível, para alguns.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Chorando por Ti

Dois assuntos rondam na minha cabeça para formular este post semanal: Brasil de Temer e Venezuela de Maduro. Duas coisas complexas de analisar e motivo de perturbação na America Latina. Contudo, tento   por parte. 
Dentro de casa, vimos mais uma vez o desenrolar do velho jogo de fazer política. Fraco politicamente, com alta rejeição popular, apenas 5% de convencimento nas pesquisas de opinião pública, o Presidente Michel Temer usou e abusou do poder de comprar votos nas bancadas e deputados da Câmara Federal com vistas a se livrar de uma condenação da Procuradoria da República por improbidade, lavagem de dinheiro e o escambau. Trabalhou em duas frentes: no atacado e no varejo. Nenhuma novidade. Do mesmo modo como D. Dilma. O mesmo velho jogo. Ela, porém, não soube “abrir a torneira o suficiente” como o seu sucessor. Mais matreiro, Temer foi bem mais “generoso” e terminou bem sucedido. Foi absolvido por maioria dos votos dos deputados. Vitória apertada, mas conseguiu. Resta saber se da cadeira do Palácio do Planalto ele terá o mesmo sucesso para aprovar os próximos projetos de reformas. Precisamos delas, isto é uma verdade. Difícil, contudo, é prever o que sucederá com este patrono tão desprestigiado e mestre na condução do modelo da velha política do toma-lá-dá-cá.
Por outro lado, não podemos negar que graças à equipe competente que ele reuniu, sobretudo na Fazenda Nacional, com o Henrique Meireles, as coisas no campo econômico dão sinais de recuperação. A duras penas e alto custo, claro e apesar desse aumento de preços extemporâneo dos combustíveis que vai gerar repercussão negativa logo mais. A desculpa de que a inflação está baixa não cola muito.  
Se o Procurador Janot não expedir nova denuncia, antes de deixar o cargo em setembro, o Temer segue em frente. Caso contrário, vamos dar mais um passo em marcha à ré.
Estou louco que este ano acabe logo. Sem duvida, um ano perdido. Tenho medo deste Agosto corrente, lembrando fatos registrados no passado. O Brasil precisa desencalhar e navegar em mares mais tranqüilos. Pobre Brasil. Choro por ti.
Temer e sua dor de cabeça
Agora, vamos ao caso da Venezuela: não percebo sinais de paz e dignidade para aqueles irmãos mais ao norte. Esse tal de Maduro vai jogar um país rico e de futuro garantidamente próspero no mais profundo precipício socioeconômico. Uma futura recuperação – que inexoravelmente virá –  irá exigir sacrifícios a, pelo menos, três gerações. Nicolás (i)Maturo pratica, também, uma velha e carcomida política antiga e comprovadamente ultrapassada. Esse comunismo à La Cubana é um modelo falido e sem qualquer futuro. Os cubanos mesmo já sabem disto.
Estive por duas vezes na Venezuela: A primeira foi como consultor (cedido pela SUDENE), por dois meses em Barquisimeto (estado de Lara), dando contribuições técnicas à Fundación del Desarollo Económico Del Centrooccidente de Venezuela – FUDECO, em 1986, para implantação de um sistema de indicadores sociais à luz da experiência aqui no Nordeste do Brasil.
Pela segunda vez, já em 2000, visitei Caracas como integrante de uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela Federação das Indústrias do estado e a convite de Hugo Chávez, logo no inicio do seu mandato.
Foram duas oportunidades e dois quadros políticos distintos. No primeiro percebi um desgaste muito grande do Governo Central, à época, praticando um modelo político impopular, com governadores estaduais biônicos e uma economia centrada na exploração e venda do petróleo. A indústria enfraquecida e quase todos os bens de consumo duráveis ou não, assim como os serviços, sendo importados.
Nesse clima de insatisfação aparece a figura do Hugo Chávez tentando um golpe de estado, mal sucedido, em 1992, para derrubar o governo de Carlos Andrés Pérez, deposto em 1993, por improbidade e corrupção e sucedido por Rafael Caldera, que anistiou Chávez, após haver cumprido dois anos de prisão.
Em liberdade, Chávez, que era militar, deu baixa da farda e se dedicou com afinco à política. Eleito Presidente, em 1999, chegou garantindo tirar a Venezuela da pobreza após um período de 40 anos governado por uma aliança entre os partidos políticos de direita e decidido a inaugurar uma Era mais nacionalista e contra os imperialistas, sobretudo os norte-americanos.  Populista por convicção promoveu, logo de inicio, impactantes ações com vistas a eliminar a pobreza dos venezuelanos. O país vivia uma severa disparidade de renda. Criou um ambiente favorável ao seu proselitismo político. Mas, seu belo e inflamado discurso populista teria se transformado em realidade se no seu governo não houvesse exagero na campanha antiimperialista, não desapropriasse inúmeras companhias estrangeiras, nem desse sinais de querer se perpetuar no poder, na infeliz idéia do bolivarianismo, logo cedo interpretado como de aspirações Ditatoriais. A Venezuela que foi entregue ao Hugo Chávez era sabida como sendo o país mais rico das Américas, membro da OPEP e pleno de potencialidades. Hoje está mergulhado na mais profunda pobreza, sem investidores locais ou estrangeiros e com um povo mais pobre do que antes e sofrendo todo tipo de fome e barbárie. 
Criador e criatura
Acometido de um câncer, em 2013, antes de completar 60 anos, Chávez ainda conseguiu deixar como sucessor o Senhor Nicolás Maduro, ferrenho chavista. Nada maduro no oficio de gestor político e que neste momento tenta dar o golpe fatal para se firmar  como Ditador, em pleno século 21 e num país de imensas potencialidades. Pobre Venezuela. Llorando por ti, también, Venezuela.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens