sexta-feira, 21 de julho de 2017

Que país é esse?


Tenho algumas razões para não admirar, muito menos comemorar, essa condenação à prisão  do ex-Presidente Lula, devido ao julgamento do Juiz Sérgio Moro, de Curitiba, no âmbito da Operação Lava-Jato. Meu lamento é, sobretudo, relacionado à figura que ele representou, ou ainda representa de ex-mandatário da República e não, necessariamente, devido ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. É difícil separar as duas coisas, mas, é preciso!
Como Presidente ele cumpriu um papel de destaque e se projetou internacionalmente defendendo o nome do Brasil, embora muitas das controvérsias que criou. A lástima é que não soube ser correto enquanto cidadão e perdeu a chance de ouro de entrar na História de modo limpo, ao não saber lidar com o decoro que o Poder lhe conferiu e não titubeando ao se entregar às loas e armadilhas  montadas por corruptores contumazes que sempre existiram nesta e em muitas outras frágeis repúblicas, particularmente nas latino-americanas . Perdeu a cabeça e se entregou de corpo e alma à bandidagem, de forma compulsiva. Portanto, entendo que não foi nenhum inocente! Agora, a verdade é que não se trata de uma coisa comum ver um ex- presidente, todo poderoso da Nação e que posou de mensageiro da esperança para um povo sofrido, ser condenado à prisão por tão escusas razões.

Lula versus Moro
Acredita-se e deve ser verdade que muitos dos seus antecessores, ao longo da História da República, se locupletaram desde a cadeira presidencial. Disso ninguém duvida.  Mas, o Brasil mudou! Os tempos são outros e hoje as regras são outras. Os mecanismos disponíveis de controle e julgamento dos representantes do povo são mais eficientes e, sobretudo, transparentes. Uma Republica institucionalmente mais consolidada e na incessante busca do politicamente correto. Recordo que quando o ex-Presidente Collor foi impedido de continuar à frente da Presidência da República tivemos o primeiro grande sinal desses novos tempos. Naquela ocasião, dava-se por certo que, prá frente não teríamos novas decepções. Mas, não. O pior estava por vir. E veio! A História está registrando e não é à toa que temos hoje um ex-presidente condenado à prisão, sua sucessora e cria política sendo acusada de desmandos político-administrativos, enxotada, aliás, do poder e, pior, um terceiro, em pleno exercício do cargo presidencial, denunciado pelo Procurador Geral da República por vários atos ilícitos, tais como corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Trata-se de um cenário plúmbeo e extremamente nefasto para um país da dimensão política e econômica do Brasil.
Ora, este não é o país que vislumbrei nos meus projetos de cidadão, na juventude.  Jamais passaria pela minha mente qualquer episódio do tipo que estamos assistindo nessa recente passagem da História da nossa República.
Habituado a viver, com alguma frequência, exposto a sociedades de além fronteiras e recordar a forma respeitosa e entusiasmada com as quais os estrangeiros dispensam ao Brasil, à nossa gente e nossa cultura, vejo-me em profundo pesar e indignação em face das repercussões internacionais negativas geradas por essas autoridades de plantão, no Planalto Central. Constato facilmente que estamos num patamar de total desgoverno e irresponsabilidade generalizada, nivelado a países em estado indefinido politicamente e com profundas diferenças étnicas e sócio-econômicas. No Brasil de agora, cata-se um líder de realce enquanto probo, republicano e consciente das necessidades do brasileiro, para assumir o comando da Nação e é o mesmo que procurar uma agulha num palheiro. Nessas horas faço coro com Renato Russo e pergunto: que país é esse?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens
    
 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Batalha Ganha

Como tenho dito, frequentemente, o Brasil acorda a cada manhã com uma novidade do tipo insólita. O que ocorreu ontem (11.07.17) no plenário do Senado, em Brasília, além de deplorável foi mais um sinal de que estamos em franca decadência política. Aquelas senadoras não pensaram duas vezes ao assumir o papel ridículo de protesto descabido numa República que se diz Democrática. Em qualquer Parlamento de vergonha, o que se espera é um debate equilibrado e livre de paixões partidárias exacerbadas.  A repercussão negativa nos meios internacionais nivelou, indiscutivelmente, nosso Brasil aos mais imaturos dos regimes políticos estabelecidos mundo afora. A imagem daquelas senhoras almoçando “quentinhas”, às escuras, numa Casa do Congresso Nacional, entrará para a História como um fato bisonho e ridicularizado por meio mundo. Às escuras porque o presidente da Casa ordenou cortar a luz e o som. A rigor foi de total indignidade. Imagino que em nenhum momento pensaram na imagem negativa que passaram à sociedade cansada de tantos despautérios.

Senadoras almoçam quentinhas, às escuras, na mesa diretora do Senado 
O pior de tudo é que estavam defendendo uma causa indefensável, no âmbito da discussão e votação da Reforma Trabalhista em pauta. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT vigente, datada da década de 40 do século passado, está exaurida e impraticável. O Brasil mudou. O Mundo mudou! As relações de produção exigem novas formas de interação. O aparelho produtivo tem um formato totalmente diferente. Mudanças tímidas que foram sendo adaptadas no passado não resolveram questões  cruciais que resultam em prejuízos às relações Capital/Trabalho. Verdadeiros obstáculos no caminho do progresso que se projeta para este Brasil enrascado e numa rota de caos definitivo.
É bom frisar que essa oposição é, em boa dosagem, um capricho do bloco contrário à proposta e que reza na cartilha do “opor, por opor”. para o Grupo não importa discutir o mérito da questão. Fala-se que muitos deles concordam com o que se busca, mas, devido às orientações e posições político-partidárias engrossam esse coro opositor. Pensando bem, coisas assim cabem no projeto de democracia que dizem defender. 
Finalmente, ao fim da jornada, embora os protestos cometidos por essas senhoras tresloucadas, e com mais de sete horas de atraso, o Senado reuniu-se e conseguiu aprovar, com significativa margem de vitória, o texto básico da Reforma que, após sanção presidencial, corrigirá uma legislação caduca e incabível no Brasil do seculo 21. Foi uma batalha ganha pelos governistas.
Ora, neste momento, nada melhor do que o que esta reforma proporcionará ao trabalhador e ao empregador brasileiro.  Os direitos serão preservados, ao contrário do que propalam os radicais e, é bom ressaltar, muita coisa que já era praticada informalmente passa, agora, ter respaldo legal, facilitando a vida do empregador que se estimulará a admitir os colaboradores que deseja e precisa enquanto que, pelo lado do trabalhador haverá mais tranquilidade e flexibilidade na sua relação de trabalho. Pensando na atual conjuntura, espera-se também que venha mitigar os altos índices de desocupados que perambulam atualmente no país.
Foi uma vitória do fragilíssimo governo de Michel Temer, sem dúvida. Mas, foi principalmente uma vitória do grupo de sustentação política do presidente, que resolveu pensar no Brasil, consciente de que não é o Governo que importa, mas, a necessária mudança de rumo da qual o país carece. Ainda é pouco! Outras reformas como a da Política e a da Previdência devem ser postas na pauta do Congresso. O Brasil espera com ansiedade um upgrade nas ordens e encaminhamento do progresso que vem sendo sonhado há bom tempo.

NOTA: Foto colhida no Google imagens.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Confissão de Tristeza

Sou dessas pessoas que quando abraça um ideal de trabalho faz de um tudo para realizá-lo. Postar artigos no Blog, por exemplo, tem sido minha “cachaça” semanal. Quando não é possível no fim de semana, sai no mais tardar no inicio da semana. Contudo, há ocasiões em que a coisa fica tão difícil que é dureza produzir alguma coisa. Esta semana foi assim. Tratar desses perrengues políticos, que me vêm ocorrendo, já está cansando. Chega, mesmo, a provocar desânimo. Não que faltem outras pautas adjacentes, mas, cadê o estimulo para abordar certos aspectos dessa parafernália nacional? Além do que, encher a paciência dos leitores freqüentes não é do meu interesse. Para eles, já basta a dose cavalar da mídia aberta. Não tem quem suporte mais. Essa arenga entre os três poderes já passa dos limites toleráveis.
O pior, contudo, é que, saindo do domínio da política, tudo mais, ainda que muitas vezes interessantes abordar, virou coisa corriqueira. Banal. São temas que fazem parte do dia-a-dia nacional e quase sempre passam despercebidos. Coisas graves como assaltos, roubos, assassinatos, balas perdidas, violência contra a mulher, sequestros, desastres, drogas, menores em situação de risco, fome, seca, inundações, entre outros, seriam assuntos a serem abordados. Difícil, porém, é me entregar à produção de relatar ou tecer opiniões sobre alguma dessas matérias. Pensando bem, o bom mesmo seria dar um giro por ai e voltar contado sobre o que vi. Falar de viagens dá sempre uma audiência alta.
De todo modo e como o tempo não para, pinço um tema especialmente chocante ocorrido nesta semana: uma senhora grávida, em compras num mercado de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, foi atingida no abdômen por uma bala perdida, em meio a um tiroteio entre traficantes e a polícia. Levada às pressas para um pronto socorro, deu à luz a uma criança do sexo masculino, que infelizmente foi, também, atingido pela bala na coluna vertebral e na cabeça. Examinando o recém-nascido, constatou-se que a grave lesão o deixou paraplégico. Que horror! Que infelicidade para uma mãe que esperava – cheia de esperança e satisfação – a chegada do herdeiro. Que desdita desse futuro cidadão que pagou alto preço antes mesmo de vir ao mundo, neste Brasil violento e inseguro dos nossos dias.  
Episódios como o dessa Senhora e seu filho somente escancaram a imagem gerada pela energia negativa e o desgoverno que reina neste Brasil de hoje. O cidadão antes mesmo de nascer já é dramaticamente marcado pela violência do meio. Para muitos pode ser uma coisa crível, mas, sem sombra de dúvidas, é degradante e doloroso. Triste é ver que, enquanto isto, as autoridades da República travam uma guerrinha suja, comendo-se uns aos outros, para se sustentarem no poder, abandonando a Nação, que afunda cada vez mais na orfandade. Já se mata muito mais neste país do que nos atentados perpetrados por terroristas, no resto do mundo. E esse mesmo mundo olha abismado para este Brasil se esvaindo.
E a população, já bem desarticulada, assiste, à margem de tudo e de modo perplexo, sem saber como se portar. Ninguém mais vai às ruas para protestar, ninguém promove panelaços e o futuro é cada vez mais incerto. Letargia geral. O que fazer? Aparentemente, ninguém sabe. Resta apenas esperar em cada amanhecer um novo episódio doloroso que termina ficando por isso mesmo.
Acorda povo brasileiro! Lembra-te que sempre fostes forte e nunca fugistes a luta.
E diante deste quadro, confesso minha tristeza.