quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pré-Sal: que danado é isto?

Numa roda de amigos, dia destes, rolou um papo sobre um tema muito comum, ultimamente, nos meios de comunicação do Brasil: Petróleo do Pré-Sal.
Petróleo tudo bem, mas ninguém sabia o que significava pré-sal. Voltaram-se pro meu lado e me desafiaram descobrir o que danado vem ser isto e transformá-lo em assunto do Blog. Entusiasmado, “encarei o desafio”. Deixa, que eu mesmo andava curioso por saber o significado da coisa. Cai em campo e a primeira consulta foi, é claro, na Internet. Este seria o caminho de qualquer um. Depois, uma conversinha com um geólogo amigo e, rapidamente, charada abatida.
O negócio é que o Brasil descobriu ser detentor de uma fabulosa fortuna de petróleo – de primeira qualidade – nas profundezas do Atlântico, logo depois das nossas belas praias. E essas profundezas recebem a denominação cientifica de camada do pré-sal.
E aí vai a explicação: Pré-sal é uma camada de sal em pedra, soterrada no fundo do mar, a mais de 5 mil metros de profundidade, contados a partir do fundo mar, que por sua vez está a mais de mil metros da superfície. Pensem bem nessa profundidade. Pense o que é trabalhar esse negócio.
Segundo meu amigo geólogo, essa tal camada de pré-sal está situada abaixo de outra conhecida como camada de sal, sobre a qual há uma outra denominada de pós-sal e somente acima desta, aliás, estão todas as descobertas anteriores da Petrobrás. Estamos falando, explico, de unidades (camadas) geológicas, que são classificadas e ordenadas do centro, lá do miolo, para a superfície do planeta. Por isso que a tal camada do pré-sal está mais abaixo. Tem uma lógica em principio difícil de entender, mas fica fácil depois de exposta e digamos que seja uma lógica ao inverso. Enfim, é um negócio pra lá de profundo, pronto.
Pois bem... nessas profundezas oceânicas, no litoral entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina, descobriram reservas que comprovadamente chegam a 8 bilhões de barris. Mas, já estão avisando que este número pode se multiplicar por dez. Ou seja, são 80 bilhões de barris cada um valendo, a preços atuais do mercado internacional, acima de US$ 100,00. Faça a continha. É dinheiro pra não acabar mais... vai empinar este país às estratosferas da riqueza, quase igualando-o ao Iraque, o que, aliás, já me deixa preocupado. Sim porque, à luz da história, começo a temer pela nossa segurança. Ninguém me convence que os Estados Unidos invadiu o Iraque apenas para implantar uma democracia.
Por essas horas já deve ter nego, lá fora, de olho gordo na nossa riqueza repentina.
Não preciso dizer que isto é motivo de euforia na esfera governamental. Êita menino de sorte, esse Presidente Lula...
Mas, como dizia minha finada mãe, “dinheiro é muito bom, mas, também dá muito trabalho e dor de cabeça”. Haja dor de cabeça para manejar essa grana toda. Será que vamos ter tecnologia pra tomar conta disso tudo? Será que vamos ter governo competente e probo para administrar essa carga pesada? Será que o Brasil vai saber distribuir a riqueza através de investimentos produtivos e geradores de renda e emprego? Ou, a exemplo dos países do Oriente Médio, vai ser um país rico com uma nação de pobres e comandada por meia dúzia de marajás do petróleo?
A Petrobrás, que é famosa por ser a empresa mais competente do mundo na exploração de óleo, em águas profundas, em principio deveria ser a exploradora do petróleo do pré-sal. Mas, olhe lá, tem o inconveniente de ter 60% das suas ações em mãos estrangeiras. O governo, estrategicamente, já sinaliza com a criação de uma nova estatal somente para a exploração do pré-sal. Estatal? Sei não... muitas águas vão rolar nesse debate.
E você, caro leitor, estimada leitora, o que acha disso? Dê sua opinião. Faça um comentário. Petrobrás ou nova estatal no pré-sal? Eis a questão.
Participe, porque este Blog tem sido acessado em vários pontos do País e do exterior. A última postagem, por exemplo, foi lida por aproximadamente 350 pessoas.

Nota: Gráfico obtido no Google Imagens e originalmente do Globo On line.
A enquete sobre chorar em público continua até dia 30. Vote.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

QUANDO NÃO DÁ PARA SEGURAR

Uma das coisas que mais me chamou a atenção nestas últimas Olimpíadas, em Pequim, foram as lágrimas derramadas pelos atletas brasileiros. Nos momentos da vitória e de fracasso. Não consegui ver atletas de outras procedências tão chegados aos extremos emocionais, como ocorrido com os nossos.
Isto, aliás, foi assunto para a imprensa, na TV e rodas de bar, sempre em tom critico e de reprovação.
Lembro que, quando era menino, meu pai dizia que homem que é homem, não chora. E, pior, me fazia engolir o choro, sempre que este me aflorava em situação de estresse.
Isto se tornou um trauma na minha vida inteira. Tanto é que, tenho vontade de chorar em muitas ocasiões, quando diante de uma cena forte do cinema, da morte de um ente querido ou da alegria de um reencontro, mas, digamos que, pelo trauma de infância tento, sempre, esconder as lágrimas, a emoção, isto é, a razão de ser um ser humano.
Quando vi Bernadinho chorando por perder a medalha de ouro do Volley masculino, fiquei admirando a capacidade e coragem de ser ele, diante das câmaras, ao vivo e a cores, cheio de emoção e sensibilidade. Confesso que tive vontade de acompanhá-lo nas lágrimas, como que me solidarizando. Tive pena – como já falei no artigo anterior – de ver Diogo Hipólito chorando, de bunda no chão, e pedindo desculpas ao Brasil, bem como vibrei ao ver Maureen Maggi chorando pela medalha de ouro que conquistou. Achei fantástica a vitória das meninas do volley e emocionei-me vendo-as chorar de alegria ao receber a medalha de ouro. Novamente, quase chorei de alegria, é claro.
No caso dos atletas, há uma confluência de razões. A maioria, acredito, chora porque vestiu a camisa do Brasil e sendo atleta quer fazer bonito e chegar ao máximo. Outros porque são vaidosos e buscam a perfeição. Mas, há também aqueles que, além de competir, buscam conquistar um “lugar ao sol” no competitivo mundo do esporte e o melhor exemplo disto é o das meninas do futebol. Todas, segundo dizem, de origem humilde e carentes de reconhecimento, choravam, também, por perderam a chance – mesmo sendo prata – de impor num país machista, como é o Brasil, o devido prestígio do esporte que praticam, na categoria feminina. E, finalmente, há aqueles que choram porque, embora bem situados, em prestigio esportivo e gordas contas bancárias, perderam chances de incrementar essa situação. Haja choros.
Pois é. Há momentos que não dá para segurar, mesmo. Mesmo que seja homem, machão e duro de coração. Afinal, lágrimas existem e não ficam represadas. Faz parte da natureza humana. A lágrima é um sintoma claro de um estado de emoção – tristeza ou alegria – que após vertida confere uma sensação de relaxamento e alívio. Todo ser humano precisa pensar nisto, relaxar e chorar.
Ah! isto é coisa típica de latino...” ouvi comentários desse tipo, acrescido da “brilhante” explicação de que fossemos anglo-saxões, nipônicos ou chineses, reagiríamos de modo mais comedidos emocionalmente e saberíamos, assim, encarar a realidade como mais frieza.
Mas, e daí? Somos de origem latina sim. Emotivos por natureza. Geniosos e chorões. Mas, somos humanos, o que nos confere o direito de ser gente, com nossos maravilhosos traços culturais, que se traduzem, também, quando das nossas explosões de alegria contagiante e única, que empolgam meio mundo.
Portanto, se o choro tem forte relação com a cultura do cidadão, estão explicadas as lágrimas brasileiras, em Pequim.
Preciso lembrar mais que sou latino, para, depois de adulto e velho, me livrar do trauma de infância e dos mandamentos do meu pai. Preciso chorar quando preciso for.

ENQUETE: Sendo Homem, responda a pesquisa ao lado. Chora ou não chora em público?
Resultado da Enquete: Após 5 dias de pesquisa - depois de postada esta matéria -, 89% dos homens afirmam que são capazes de chorar em público. enquanto os 11% restante dizem não ter coragem de fazer isto.

Nota: Fotografias colhidas no Google Imagens

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

BRASIL: SEM MEDALHAS DURADOURAS

Constrangimento nacional depois do jogo de hoje (19.08.08) entre Brasil e Argentina, pelo ouro olímpico, em Pequim. Ronaldinho foi “paralisado” pelos hermanos porteños. Discussões, desculpas de “amarelo”, brigas e expulsões de campo. Uma confusão sem fim. Que tolice e que palhaçada. Sim, tudo isto é tolice de quem se habituou a viver o “reino” do futebol, vassalo, inclusive, de um Rei!
Esquecem que, dessa vez, perdemos para um adversário a altura. Pior foi perder (com todo respeito) para Camarões, de outra feita.
Sabe minha gente, precisamos aprender a perder. Não é possível vencer toda vez! Assim não teria graça! Precisamos ter mais humildade e, sobretudo, fair-play (jogar limpo). Precisamos encarar a coisa com mais equilíbrio emocional e civilidade e, por fim, ter espírito esportivo, porque, de fato, o mais importante é competir. E, saber perder quando for preciso.
Bom, resta a esperança de que, quem sabe, as meninas “lavem a alma” tupiniquim. Aliás, diga-se de passagem, que meninas danadas. Dunga podia convocar algumas delas. Imagino que a rapidez é porque para elas não sobram bolas! Ui!
Tenho acompanhado, na medida do possível, o desenrolar dessa Olimpíada e venho fazendo algumas reflexões. Por exemplo, Diogo Hipólito, Jade ou Daiane e um dos judocas (não lembro o nome) não conquistaram as esperadas medalhas. Coitados desses moços.
Fico pensando, nessas minhas horas de observador pela TV, na angustia que rola nas cabeças desses jovens atletas brasileiros. É muita pressão gente! Não tem sistema nervoso que suporte. Por mais treinado e mais preparado psicologicamente é muito difícil enfrentar fortes concorrentes, público exigente, mundo estranho e 180 milhões (nem todo mundo, é verdade) de brasileiros, no outro lado do planeta, esperando a hora de “correr para o abraço”, em plena madrugada. Tudo por uma imensa necessidade de afirmação de uma Nação carente de prestigio e de certo modo alienada, sem perceber que existem outras “olimpíadas” que devemos ganhar com mais urgência e com medalhas mais socializáveis e mais duradouras, como são as das corridas contra a fome e o baixíssimo nível da Educação.
Eu não gostaria de ser ou de ter na minha família um jovem no lugar do Hipólito, Jade ou Daiane. O estresse só pode ser percebido quando rolam as lágrimas da decepção nas faces desses moços, ingenuamente, pedindo desculpas ao Brasil por não haver feito bonito. Coitados... não percebem que já vivem fazendo bonito e são campeões antes de Pequim. Não percebem que o Brasil e meio mundo já os consagraram e o pedido de desculpas devia ser ao inverso.
Não! Não estou querendo reduzir de importância o fato de participar e concorrer numa Olimpíada. Até porque, na minha cabeça, quem chegou por lá já chega como campeão. Não é isto! Pelo contrario, acho que é importante participar. E, se ganhar, tanto melhor. Afinal, o esporte faz parte da formação de um povo e da educação dos jovens.
Mas, estou querendo fazer ver que, antes de ganhar medalhas de ouro, prata ou bronze em Pequim, temos o imenso desafio de ganhar, por exemplo, a “Olimpíada” da Educação. O Brasil acumula riquezas materiais fantásticas, está prestes a se tornar uma potencia petrolífera, é a 10ª. economia do planeta, é o reino do futebol, do carnaval e da cachaça, tem mulheres bonitas e sensuais, como Gisele Bündchen, “carregada de medalhas”, tem sol e mar, pois é um Patropi! Enfim, é o maior escambau da Terra! Não sei bem o que significa escambau, mas sei que deve ser o máximo, pelas formas que o termo é usado. Mas, e a Educação? E o Conhecimento?
Nossa Educação – que seria a base da prosperidade social e econômica – é um horror. Está prá lá das cucuias (eis aí outro termo muito usado, nestes casos), o que é péssimo.
Pois é, minha gente, antes de qualquer coisa, precisamos dos coachs (técnicos) e “atletas” da Educação.
A propósito disto, a revista Veja desta semana traz uma boa matéria investigativa mostrando nossas deficiências. São dados de matar de vergonha qualquer Nação. Imagine o que seja este País com: 22% dos professores do ensino básico não tendo diploma universitário, sem computar os leigos, que ensinam tudo errado, nos grotões do Nordeste e da Amazônia. Imagine que numa lista de 57 paises, o Brasil é o 52º. lugar em conhecimentos de ciências e o 53º. em matemática. 60% dos estudantes chegam a 8ª. série sem saber interpretar um texto ou efetuar operações matemáticas simples e 16% dos alunos repetem a 1ª. série do ensino fundamental.
É isto aí... estamos perdendo a mais importante das olimpíadas, que é a do Conhecimento.
Diante disto, só nos resta lamentar porque não sabemos perder nas canchas e campos de futebol, quando o que mais fazemos é perder fora deles. Perdendo inteligências, recurso humano adequado, oportunidades, tempo e progresso.
Por isso, não tenho dúvidas, somos um país sem medalhas douradas, digo, duradouras.

Nota: As caricaturas de Ronaldinho e Gisele Bündchen foi obtidas no Google Imagens

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

ADORO COMER BEM

Na semana que terminou uma noticia, divulgada pela BBC, surpreendeu o mundo inteiro. No Estado de Bihar, na Índia, o Secretário de Bem-Estar Social, Vijay Prakash, instou a população a comer carne de rato como forma de combater a crise dos alimentos na região. Segundo ele a proposta é fundamentada em “muita pesquisa e trabalho de campo” e se concentrará na comunidade de Musahar que já tem por tradição cozinhar pratos à base de carne de rato. O sujeito acrescenta que a carne do roedor, além de muito delicada, é rica em proteínas e muito popular “na Tailândia e na França”. Na França?! E mais, disse ter receitas para pratos à base de rato e vai distribuí-las entre os hotéis de Bihar. Ah! Anunciou que a região vai começar a produzir ratos para o abate da mesma forma como é feito com aves.
A meu ver, comer é uma dos maiores prazeres da vida. Gosto de comer bem e de cozinhar nas horas vagas. Mas, pensando bem, o que é muito bom para mim, pode parecer uma coisa asquerosa para outros. Ou seja, “cada terra tem seu fuso e cada povo tem seu uso”. Eu gosto de peito de peru a Califórnia, mas outros (indianos, por exemplo) de peito de rato assado, com molho de pimenta do reino... que se vai fazer?
Há alguns anos, houve uma denúncia de que o homem pobre do Nordeste brasileiro, para não morrer de fome, comia ratos gabirus. Não era verdade. Não chegaram a tanto. O que eles comiam eram preás, também conhecidos por porquinho da India, muito comum no semi-árido. São roedores, sim. Como são as cutias e os coelhos.
Nos últimos dias a China tem sido noticia diária por conta das Olimpíadas. Quem quer falar daquele país tem mil temas a abordar e, se a opção for a culinária, haja espaço para todos os comentários. A cozinha chinesa é tida como uma das mais sofisticadas do mundo. Há uma rica variedade que vai de um simples yakisoba ao pato laqueado de Pekim. Mas, tem, também, um serie de “iguarias”, cujas imagens circularam, recentemente, na Internet, que é de arrepiar qualquer gourmet, em qualquer parte do planeta. Imagine-se comendo espetinhos de cobras do rio, lacraia, cavalinhos marinhos, cigarra, lagarto a milanesa e fígado de cachorro com legumes. Pense em saborear uma caldeirada de cérebro de cachorro! E a de pulmões de cabra com pimentões. Se quiser, dê um pulinho até lá e delicie-se. E, tenha bom apetite. Mas, por favor, nessa hora, não se lembre de mim.
É isso mesmo. Existe muito exotismo no mundo da culinária. E, no nosso caso, o sarapatel e a buchada são exemplos nítidos. Nem todo mundo enfrenta.
Viajando, certa vez, pela África do Sul, vi-me, com um grupo de pernambucanos, num restaurante, onde serviam, segundo os proprietários, 99 tipos de caças. Desfilaram pela nossa mesa assados de toda espécie. Da letra A a Z. Entre outras me recordo de antílope, girafa, queixada, hipopótamo, filhote de puma, jacaré, cobra, veado, cervo e zebra. Foi um vexame... ninguém queria encarar os excessos de exotismo. O que fez a alegria da mesa, no final das contas, foi uma galinha d’Angola servida num molhinho saboroso. De fato, as várias carnes servidas exalavam, todas elas, um forte cheiro de capim. Era como se estivéssemos comendo mato. Já pensou? Foi um tal de tomar vinhos, para amenizar o gosto ruim, que deixou a maioria pra lá do Cabo da Boa Esperança, ali bem perto.
Mas, não precisa ir à África ou Ásia para encontrar pratos diferentes. Certa vez, em Nova York, falando sobre os preços de restaurantes da cidade, alguém me falou de um local que servia um sofisticado prato de formigas ao molho da manteiga, que custava U$ 120,00! Achei estranho, até que uma amiga pernambucana me disse que as formigas não passavam de exuberantes bundas de tanajuras! Quase “morro” de rir. Vai ver as tanajuras que serviam por lá haviam sido importadas de Bonito ou Bezerros, interior de Pernambuco, onde a espécie dá de sobra.
Por isso tudo, não custa lembrar: em viajando, vá preparado para as surpresas.

Nota: A foto de um mercado chinês foi obtido no Google Imagens

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Ôxente, assim não dá (2) (Passe o Celular)

Meu genro, Nigel Davidson, é australiano de New Castle (200 km ao Norte de Sidney). Com seu tipo nórdico, decidiu viver algum tempo, com Manuela, entre nós, aqui no Recife. Foi a maior alegria na família, tê-los por perto.
Mas, a minha maior preocupação era ver aquele rapagão, de quase dois metros de altura, típico escocês, herdado dos seus ancestrais, solto pelas ruas do Recife, cheia de oportunistas "carentes" e, aqui ou acolá, um assaltante para tirar a tranqüilidade.
Ele, muito descontraído, ia e vinha pelas ruas da cidade, com boa desenvoltura e cheio de confiança, sobretudo porque, muito rápido, dominou o idioma local.
Eu, pelo meu lado, recomendava toda hora muito cuidado, sobretudo nas ocasiões das caminhadas noturnas. Ele tem a mania de ir a todo lugar “rodando” sobre os próprios tênis, tamanho 45.
Tudo corria muito bem até a noite em que dois sujeitos muito feios, na opinião dele, numa moto, o espreitaram e, armados de revólveres, o atacaram tomando-lhe alguns trocados e o telefone celular.
Assustado, o australiano correu para casa, bem perto do local do assalto, e do telefone fixo me avisa que fora assaltado. “Fui assaltado, Girley”, disse-me com a voz embargada. “Mas, lhe machucaram?” perguntei logo. Com a resposta negativa fiquei mais tranqüilo. “Graças a Deus, entendi o que eles falavam. Foi bom aprender falar português” desabafou meu pobre genro, manifestando alívio de estar em casa, com segurança.
Acredito que, somente nessa noite, ele entendeu nossas recomendações e os perigos que corria, ao circular de peito aberto (ele tem um respeitável chest de nadador australiano) e tranqüilidade.
Viver no Brasil precisa ter peito, meu filho”, disseram a ele, em algum momento. Ele deve ter traduzido “ao pé da letra” e pensado: “é comigo mesmo”. E, foi por aí...
Taí, no que deu...
Passado o susto e ficha caída, Nigel tratou de avisar ao pai dele na Austrália, Mr. Michael Davidson, o ocorrido e recomendar que deletasse o número do celular roubado.
Surpreso e intrigado, Mr Davidson perguntou: “por que o celular?”. Na cabeça dele um celular só tem serventia para seu proprietário. “O que esse ladrão vai fazer com seu celular, meu filho?” Com um frouxo de riso, Nigel explicou que aqui no Brasil é muito comum roubar celulares. “Que coisa mais rara!”, retrucou Michael Davidson.
Mas, o melhor ainda estava por vir. Mr Davidson, sorrindo e satisfeito porque o filhote havia saído ileso da emboscada, perguntou: “mas, também, agora você deve ser uma pessoa famosa aí no Brasil... porque, imagino, que isso deve ter sido noticiado na mídia escrita, falada e televisada”. Nem precisa dizer que Nigel – já bem abrasileirado – dobrou a risada. Riu, riu, "à bandeiras despregadas".“Que nada dad... aqui, só é noticia para a mídia quando a vitima é assassinada!”
Se Mr Davidson falasse português certamente teria exclamado: “Ôxente, assim não dá!”.
Nigel e Manuela mudaram-se para a Austrália desde janeiro passado. Acho que por lá estão livres de assaltantes e ladrões de celulares.

Nota: A imagem de uma caricatura foi colhida no Google Imagens.

Esta postagem é dedicada a Manuela e Nigel felizes, na distante Austrália

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

BRASILIA – 50 ANOS

...e uma das primeiras coisas que vi, ao desembarcar e circular pelas largas artérias da capital federal, foi um placar digital com contagem regressiva informando que faltam somente 622 dias para as comemorações do cinqüentenário da cidade. Em 21 de abril de 2010, Brasília completa 50 anos de inaugurada.
Já estive muitas vezes na cidade, a passeio e em muitas missões de trabalho. A primeira vez, recordo bem, foi em 1967 e a minha primeira idéia era de haver chegado aos cafundós de Judas.
Para começar, naquela época, o aeroporto era um barracão de madeira, como de madeira foi, durante muito tempo, o Palácio do Governo – chamado de Catetinho – metido no meio do cerrado, antecessor dos monumentais palácios do Planalto e da Alvorada.
Naquela época, o vento seco do cerrado rodopiava ao redor do sujeito, deixando roupas e sapatos em tom avermelhado da cor da terra que caracteriza a região. No fim do dia o cidadão menos preparado, para aquele imenso canteiro de obras, espirrava partículas, digamos, de tijolo.
É incrível ver a Brasília de hoje. A imponência dos palácios governamentais e a exuberância da arquitetura moderna de Oscar Niemayer e Lucio Costa, que, mesmo depois de cinco décadas, continua moderna e vanguardista, encantando a brasileiros e estrangeiros, que já não padecem do vento carregado de terra vermelha e termina o dia, urbanamente, limpo.
Contudo, algumas coisas já chamam muita atenção. Uma delas é o intenso transito da cidade. Tenho a impressão que algo foi equivocado no projeto original ou então não foi possível conter a atração que a cidade exerceu sobre uma legião de brasileiros que, buscando novas oportunidades de vida, decidiram se radicar por ali, na imensidão urbana do Planalto Central.
A cidade foi planejada para suportar uma população de 500 mil habitantes. Neste 2008, já vivem ali mais de 2 milhões de almas.
Claro que, ajudado pela expansão continua do uso do automóvel, sonho de consumo de todo brasileiro, a sonhada capital brasileira – pacata e sem engarrafamentos, cruzamentos e semáforos – viu-se obrigada a usar das obvias modernidades para administrar o movimentado de tráfego ali reinante. A entrada ou saída do Plano Piloto – região que concentra os equipamentos urbanos básicos, como palácios governamentais, câmara federal e senado, ministérios, repartições públicas comuns, comércio, escolas e universidades, zonas hoteleiras e as super-quadras residenciais – se constitui, na hora do rush, num exercício de paciência para quem vive nas chamadas cidades satélites.
Prestes a completar seu cinqüentenário de existência, Brasília já se transformou numa grande metrópole, que na pratica representa a síntese do Brasil.
Se vivo fosse, o Presidente Juscelino Kubitscheck, o JK, estaria certamente orgulhoso da sua criação e, sobretudo, por haver entrado na História como sendo o maior de todos os bandeirantes. Na minha opinião, JK foi o maior desses desbravadores porque, ao fundar Brasília, promoveu a ocupação/inclusão da região Centro-Oeste, antes disso uma verdadeira ficção para a grande maioria dos brasileiros habitantes da faixa litorânea do “continente” brasileiro.
Ao circular por Brasília, na semana que terminou, e me surpreender com o passar dos 50 anos, pude fazer essas reflexões e admirar a beleza e a urbanidade dessa cidade brasileira que é capaz de reunir gente de todos os quadrantes do país, construindo um mosaico étnico dos mais interessantes. Lá estão os índios e caboclos do Norte, os nordestinos, os afro-descendentes, os brasileiros de origem asiática ou filhos dos imigrantes europeus, antes concentrados no Sul, enfim uma miscigenação sem precedentes, que terminam por construir uma sociedade própria e cheia de histórias familiares para contar, sempre transcendendo a pouca idade do próprio habitat.
Salve Brasília, quase cinqüentona.
Viva JK, nosso último estadista e desbravador dos rincões do Centro-Oeste.

Nota: As fotos foram obtidas no Google Imagens. O Blogueiro esteve em Brasilia, nos dias 6 e 7 de agosto em misssão de trabalho do Simmepe.

Dedico esta cronica ao simpático casal rotariano, Mário Cunha e sua italo-brasileira esposa Cida Cunha, que gentilmente me recebeu em Brasilia, na semana que passou. A pizzza oferecida foi maravilhosa, mas o nosso papo foi sem precedentes. Adoro histórias de imigrantes.